Arquiteta Juliana Matalon explica como funciona o serviço de decoração expressa

Juliana Matalon, dona de um escritório especializado no serviço, diz que clientes que não têm tempo a perder

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A arquiteta Juliana Matalon, que além de projetos convencionais, desenvolve reformas completas, a preço fixo. Foto: Daniela Scarelli

Lajes que não podem ser perfuradas, tubulações inesperadas, móveis que não encaixam. Por menor que seja a reforma, atrasos e despesas não programadas são quase sempre inevitáveis, sobretudo para quem decide tocar a obra por conta própria. Por isso, pensando naqueles clientes que não têm tempo, nem pretendem ter trabalho, a arquiteta Juliana Matalon resolveu implantar em seu escritório um setor inteiramente voltado para reformas expressas. “A pessoa entrega o apartamento do jeito que comprou e nós cuidamos de tudo: marcenaria, iluminação, decoração e até a compra dos eletrodomésticos”, conta ela que, além de supervisionar a obra, fecha seus orçamentos diretamente com as fábricas para garantir os melhores preços. “É só se mudar”, como ela adiantou nesta entrevista ao Casa. [Marcelo Lima]

Por que decidiu oferecer este tipo de serviço? Que carências detectou no mercado?
Percebi que muitos clientes que compram apartamentos pequenos, normalmente são empresários que estão na cidade por um curto período de tempo, investidores que compraram o apartamento para alugar ou mesmo pessoas que pretendem realmente morar no imóvel, porém, na correria do dia a dia, acabam não passando muito tempo em casa. Todos estes perfis de moradores acabam não tendo condições de se dedicar a uma reforma, não querem ter de se preocupar com ela, mas, ainda assim, querem gastar o mínimo possível e ter um apartamento legal. Foi quando percebi que podia oferecer a eles um pacote com um valor fechado, sem surpresas ao longo da execução. Desta forma, o cliente sabe o quanto vai gastar, quanto tempo a obra vai durar e qual o produto que vai receber.

No que o serviço difere de um projeto convencional?
Nosso escritório também desenvolve trabalhos fora do formato expresso. A diferença está no produto final e no desenvolvimento da proposta. Em um projeto expresso, o detalhamento, o orçamento e as negociações são feitas no escritório e, só depois de fechado, apresentamos a versão final para nosso cliente. Ele recebe o trabalho na forma que acertamos, de maneira que, em geral, as propostas são bem neutras, para agradar a todos. Em um trabalho convencional de arquitetura de interiores, o cliente participa de todas as escolhas. O expresso, como o próprio nome sugere, leva menos tempo para ser concluído porque dispensa esta etapa e tudo acontece mais rápido: os fornecedores estão negociados, os acabamentos definidos e as escolhas feitas. Isso agiliza bastante o processo.

Que tipo de intervenção, ou serviço aplicado à obra, acaba representando o melhor custo-benefício para o cliente?
Para todos os serviços que oferecemos acabamos tendo um excelente custo-benefício, uma vez que todos os nossos orçamentos são fechados previamente com as fábricas para garantir os melhores valores. Independentemente se fecharmos um ou dez apartamentos iguais. Mas, sem dúvida, os itens nos quais os clientes mais percebem uma redução significativa no custo final são a marcenaria e os móveis planejados.

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Do oriente ao ocidente: 4 mostras de decoração e arquitetura em SP

Japan House, Museu da Casa Brasileira, exposição de bonsai e mostra no D&D estão na agenda cultural

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Grife MUJI chega ao Brasil Foto: Japan House

Técnicas japonesas, design brasileiro e arquitetura francesa. Em uma viagem por diferentes culturas, separamos quatro mostras de decoração e arquitetura que ocorrem na capital paulista. Confira:

JAPÃO CONTEMPORÂNEO…
O piso térreo da Japan House sedia até 22/7 a loja temporária da descolada marca MUJI na América Latina. A grife nipônica oferece de objetos de decoração como pufes, almofadas e artigos de papelaria. Todos inspirados na cultura do país asiático. De terça a sábado, das 10h às 22h, e domingos até 18h. Na Av. Paulista, 52.

…E JAPÃO ANCESTRAL
Este domingo, 1, é o último dia para visitar a 6ª Exposição de Bonsai do Shopping Garden (Av. Salim Farah Maluf, 2211, Tatuapé). A mostra traz diversas variedades de técnicas de cultivo japonesa</IP></CO></CF></CO></IP>s, incluindo espécies com quase 50 anos. O evento conta ainda com uma palestra do bonsaísta Inar Mosca. Abre das 9h às 18h. Grátis.

ARTE DE DECORAR
Abre na próxima quinta, 5, e segue até 30/9 o primeiro Show Case do D&D Shopping. A mostra de decoração conta com 12 profissionais renomados, entre designers, estilistas, artistas plásticos, arquitetos e fotógrafos. Abre de segunda à sexta, das 10h às 21h, sábado até 20h e domingo, das 14h às 19h. Na Av. das Nações Unidas, 12.555, Brooklin.

CONCEITO ARQUITETÔNICO
O Museu da Casa Brasileira apresenta a mostra ‘Experimentando Le Corbusier’, com reflexões sobre o trabalho do arquiteto franco-suíço e também do modernismo brasileiro. Aberta até 12/8, de terça a domingo, das 10h às 18h. Na Av. Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano. Entradas por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Grátis aos fins de semana.

Décor minimalista: o apartamento da estilista Renata de Goeye em São Paulo

A estilista levou para a decoração de seu apartamento em São Paulo o amor por materiais naturais, as referências da infância na África e a modelagem minimal, que é a cara da De Goeye, grife que comanda ao lado da irmã Fernanda
Por Ana Carolina Ralston

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Renata veste look De Goeye na sala de estar de seu apartamento, no bairro dos Jardins, em São Paulo. (Foto: André Klotz)

Renata de Goeye tinha apenas quatro meses quando o pai, Alfredo, foi transferido pela multinacional em que trabalhava para a Nigéria, na África. “Moramos em Lagos por quatro anos”, me conta a estilista paulistana, de 38 anos, com uma xícara de café nas mãos, sentada na sala de seu iluminado apartamento, onde mora com o marido, o empresário Tonico Grisi, e os dois filhos João, de 4 anos, e Manuela, de 2, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Apesar das poucas lembranças que Renata carrega da época, a experiência marcou a família. “Minha mãe, Yvonne, é a grande referência que tenho como mulher, e ela abraçou com tudo a cultura africana, tanto nas roupas que veste quanto na decoração, que, mais tarde, transformou em negócio. Isso acabou levando a mim e minhas irmãs para o mesmo caminho.”

A influência do continente está por todos os cômodos do apartamento de 350 m², das máscaras talhadas em madeira penduradas na sala de estar aos livros nas mesas de centro e aparadores, passando pela estamparia de cadeiras e tapetes. Para unir com frescor essas referências, Renata convidou a arquiteta Carolina Maluhy para reformar o espaço e desenhar alguns móveis, entre eles a mesa redonda da sala de jantar. “Temos um gosto parecido. Assim como eu, Carolina pesquisa e usa materiais naturais, entre eles, a palha, a pedra, a madeira e o algodão. É a partir desse tipo de matéria-prima que crio muitas das roupas da De Goeye”, diz ela, que, ao lado da irmã mais velha, Fernanda, comanda desde 2016 a grife. A caçula, Claudia, acaba de retornar à marca para cuidar da área administrativa. “Somos muito ligadas e temos gostos parecidos. Trabalhamos muito bem juntas”, diz Renata.

A relação próxima marcou a vida profissional do trio. Recém-formada em jornalismo, Renata foi convidada por Fernanda para assinar o texto da abertura da extinta Raia de Goeye, marca criada por ela e Paula Raia, em 2000. “Na sequência, me candidatei à vaga de vendedora e logo me tornei modelo de prova”, conta. Não demorou para que a moda a fisgasse definitivamente. “Em poucos meses, passei para o outro lado do balcão e comecei a desenvolver os acessórios da grife, como bolsas, cintos e sapatos. Sempre tentava ir além, criando, inclusive, saídas de praia. Com os restos de tecido das coleções, desenhava saias, blusas e vestidos. Percebi que levava jeito.” O passo seguinte foi integrar de vez a equipe de estilo, contribuindo na modelagem e no desenvolvimento das peças que viraram desejo absoluto entre as paulistanas.

Após oito anos, Renata sentiu que era hora de seguir em voo solo. Criou então a Erre, em São Paulo, mais casual e despretensiosa, com looks para o dia a dia. “Vendia exatamente aquilo que queria vestir”, conta ela, que aprendeu tudo o que sabe sobre o ofício “colocando a mão na massa”. A área financeira foi assumida pela irmã Claudia, que dava os primeiros passos na moda. A dinâmica entre elas funcionou bem, e a Erre decolou. Do segundo andar da loja de decoração da mãe, a dupla se mudou para uma ampla casa, também no bairro dos Jardins, onde passou a receber seus clientes, muitos deles órfãos da Raia de Goeye, que fechou as portas em 2010.

Em 2013, com o crescimento da marca e a primeira gravidez de Renata, a rotina de trabalho ficou pesada para a dupla. “Não parávamos um minuto. Decidimos, então, que era hora de repensar o formato”, conta a estilista. Quando João completou seis meses, a família fez uma viagem pela Toscana. Lá, as irmãs perceberam que era hora de unir forças. “Comecei a insistir para que a Fernanda voltasse a desenhar. Ela foi minha grande inspiração para entrar nesse universo e é dona de um talento incrível. ”A viagem acabou, mas o sonho estava apenas começando a tomar forma. Foram quase dois anos de planejamento até que nasceu a De Goeye, uma parceria criativa entre Fernanda e Renata. Nela, a dupla apresenta peças atemporais feitas em tecidos nobres e modelagens mais minimalistas, seguindo o guarda-roupa chique e descontraído das irmãs. “Além do estilo, cuido do desenvolvimento das peças e da escolha dos tecidos. Sou apegada demais a esses materiais e vivo inventando algo para fazer com o que sobra deles.” Isso inclui reaproveitá-los, usando-os como cortina do quarto das crianças, criando uma sintonia perfeita entre moda e décor.


Assistente de foto: Wesley Emes
Beleza: Mari Kato
Assistente de beleza: Livia Tavares

Décor do dia: sala de jantar com toque boho

O tom de verde deixa o espaço com ar misterioso
Por Gabrielle Chimello

tumblr_p3u2mblnxa1r6kaa9o2_500Na reforma deste apartamento, localizados em Londres, o escritório Chan + Eayrsresolveu combinar materiais tradicionais, técnicas e cores com espaços abertos e integrados, linhas limpas e detalhes. Como nessa sala de jantar em que a tonalidade de verde profundo cobre todas paredes e teto, trazendo um ar misterioso. A poltrona de rattan com espaldar alto dá o perfume boho e conversa com a mesa de pés torneados que dá o toque vintage. A mistura de estilos ficou perfeita para uma refeição entre amigos e família.

Décor do dia: como combinar a decoração com os quadros

As obras escolhidas determinam a composição dos ambientes
Estilo Adriana Frattini I Produção Natália Martucci I Fotos Fernando Lombardi I Assistente de Fotografia Mario Lopes I Colaborou Larissa Dionisio Fernandes I Por Gabrielle Chimello

01.jpgO quadro pode inspirar a decoração? Claro que sim, como vimos nesse apartamento em que a obra de arte dita decoração. Neste ambiente a pintura abstrata de Assume Vivid Astro Focus, na Casa Triângulo, inspira o tapete Kilim Paje Mix color, com design de Yu li Min para By Kamy. Inspirar-se nas cores e formas da obra de arte ao escolher o tapete traz uma unidade visual para a decoração e preenche os espaços trazendo vida e movimento.

A paleta de cores inspira o restante dos elementos do décor, como a cadeira Walk, de Rodrigo Almeida, na Novo Ambiente, que com seu design inusitado completa a composição lúdica. Já a mesa de centro componível Zalla, da Artefacto Beach & Country acomoda os vasos da coleção Moles (2018), de Heloisa Galvão, acompanhando as linhas orgânicas e trazendo a tonalidade da paleta. Nas paredes, aposte nas cores presentes na obra de arte para criar um efeito mais homogêneo, como a tinta Croissant (à esq. e no piso) e Açúcar orgânico (à dir.), da linha Fosco Completo, da Suvinil.

Um espaço colorido, mas sem exceder, se tornando equilibrado e divertido ao mesmo tempo!

Décor do dia: sala de jantar com toque vintage

O papel de parede desgastado traz o toque bucólico
Por Gabrielle Chimello

tumblr_p9w5a318Uh1rq1wofo1_500.jpgO apartamento da estilista e consultora criativa, Kate Imogen Wood, onde vive com seu marido e filho, exala frescor e delicadeza na decoração. Em especial, na sala de estar, onde as escolhas de móveis vintage de estilos diferente, trouxeram um ar descontraído ao espaço, proporcionando uma atmosfera convidativa. Os gaveteiros conversam com a cadeira Eames amarela, que se torna o protagonista da cena. Se necessário, o banco de madeira com almofadas e mantas acomodam o restante dos convidados.

O que chama a atenção nesta cena é a parede descascada com o tempo, trazendo a estética wabi-sabi, e revela o imperfeito como parte da decoração moderna e super atual.

Décor do dia: decoração de penteadeira em tons de azul

O ton sur ton traz personalidade ao espaço
Por Gabrielle Chimello

Sem título.jpgEste apartamento, localizado em Sydney, foi projetado por Arent & Pyke e é uma verdadeira joia em todos os detalhes, como esse cantinho onde a penteadeira esmeralda complementa a tonalidade de azul escuro presente nas paredes, que traz personalidade ao pequeno espaço. Para um toque de sofisticação, o dourado do latão vai muito bem quando contrastado com cores escuras.

O armário em madeira caramelo aquece o espaço de cores frias, ao mesmo tempo que o banquinho estofado oferece um momento relaxante e confortável para se embelezar. Os vários elementos circulares – como o espelho redondo – e poucas arestas, trazem sensualidade e movimento ao ambiente, ao mesmo tempo que o deixam ainda mais impactante.