Em sua 6ª edição, DW! SP expande seus domínios e ganha novos personagens

1503085573547.jpgCriada pelo arquiteto Felipe Bezerra e pelo designer André Gurgel, do Estúdio Mula Preta, a poltrona Donut, apresentada na BoomSPDesign, tem formato baseado no desenho de uma rosquinha. A ideia foi retratar, de maneira bem-humorada, a relação entre comida e pessoas. Foto: Mula Preta/Divulgação


Festivais e semanas de design não nascem do nada, nem acontecem pelo simples desejo de seus promotores. Nas capitais do mundo, onde eles já fincaram raízes, são, antes de tudo, sintoma de vigor criativo, intensa sinergia urbana, além de uma azeitada relação entre todos os setores envolvidos na difusão de bens de consumo: indústria, comércio e mídia.

Sob essa perspectiva, não restam dúvidas de que sobram credenciais para garantir a São Paulo um lugar cativo na concorrida agenda do design internacional. Como bem atesta, aliás, a última edição do DW!, ou Design Weekend local; evento que em sua 6ª edição, encerrada no último dia 13, reuniu nada menos do que 300 expositores, espalhados por 120 pontos da cidade. Números que já o posicionam como o maior festival de seu gênero na América Latina.

Uma expansão rápida, sem dúvida, mas que, no entender de Lauro Andrade, idealizador e promotor do evento, responde a motivações bem precisas. “Três valores fundamentais do design são abordados durante o DW!. O primeiro é seu poder de integrar criatividade, tecnologia e estética. O segundo, sua capacidade de induzir à inovação, agregando valor aos produtos e, o terceiro, sua capacidade de decodificar tecnologias para o usuário final”, afirma.

Igualmente salutares, parecem crescer o envolvimento da população com o festival, bem como o número de lançamentos assinados por profissionais de outras áreas – em especial arquitetura, arte e moda – em um saudável exercício de contaminação criativa que você comprova nas próximas páginas. Por ora, boa leitura. E vida longa à semana de design paulistana.

Pinterest muda logotipo, mas mantém ícone

Sem título.jpg90O Pinterest é mais uma empresa que resolveu mudar seu logotipo. Sem muito alarde, a rede social só fez a mudança no design mesmo, sem grandes explicações.
O nome “Pinterest” sai debaixo do logo e vai para a lateral, mudando também a fonte utilizada. O “P” continua igual e como identificador principal do Pinterest.

O redesign não agradou muito, e tem muita gente achando que a identificação do logo anterior era mais original.

Especula-se que a mudança é uma tentativa de integrar a plataforma com outras redes sociais, além de estimular o uso da rede por empresas e outros meios, além de pessoas ensinando”DIY” sobre moda e decoração. []

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Facebook anuncia redesign e pretende tornar o feed mais simples

facebook-imagem-destacada-1060x598Se você passa pelo menos alguns minutos do dia no Facebook e tem um pouquinho de espírito de designer, já deve ter reparado que algumas coisas mudaram no seu feed de notícias. Ícones maiores e cores mais neutras são algumas das alterações anunciadas hoje pela equipe de design da plataforma.

A ideia das pequenas mudanças é tornar a interface principal do site mais clean e fácil de navegar. Na prática, saem os cabeçalhos azuis, entram fotos e ícones arredondados (salve, salve, Twitter!) e talvez a maior mudança: agora os comentários ganham uma caixa cinza ao redor, o que torna as mensagem muito parecidas com o que já estamos acostumados no Facebook Messenger.

Além destas, outras atualizações foram anunciadas, como pré-visualizações de links maiores, possibilidade de ver qual publicação você está comentando, reagindo ou lendo enquanto estiver na postagem, e um botão de “voltar” mais expressivo, afinal, o que interessa é o looping infinito ao feed de notícias depois de terminar uma leitura específica.

cabeçalho-azul-facebook.pngA gente espera que tais atualizações visem afinal uma navegação mais fácil e simples para todos, especialmente pessoas com limitações físicas ou ainda não bem familiarizadas com o touchscreen. Minhas tias cinquentonas com certeza agradecem. []

Mudança: a App Store está de ícone novo

Versão do ícone no iOS 11 perde os tradicionais lápis, pincel e régua

appleO ícone da App Store mudou um pouco mais o seu design. Sai o “A” estilizado com lápis, pincel e régua, e surge uma letra mais simplista.

A alteração no design aparece no iOS 11, liberado pela Apple ainda em fase beta.

Ao longo dos anos, o ícone sofreu poucas alterações, todas conservando os elementos já citados que formavam a letra.

Além do redesign no ícone da App Store, o iOS 11 apresenta outras mudanças para o usuário, como a opção de brilho que, agora, só é encontrada dentro das configurações e não mais nos ajuste da tela. A ideia é que os usuários utilize mais a opção automática do iPhone.

A versão final do iOS 11 deve ser liberada para todos nas próximas semanas. []

Designer Juliana Llusá oferece versões contemporâneas para móveis que caíram em desuso

1502482493744.jpgCama com cabeceira de palhinha, de recente coleção da Llusá Marcenaria Foto: ESTÚDIO JULIANA LLUSÁ


Juliana Llussá sempre procurou tirar suas ideias do papel. “O papel aceita tudo, todas as possibilidades parecem estar resolvidas, mas, na prática, nem sempre é assim”, conta a arquiteta, artista plástica, e hoje designer à frente da direção artística da Llussá Marcenaria, onde acompanha, passo a passo, o desenvolvimento de todos os seus projetos. “Minhas ideias nascem do trabalho direto com a madeira maciça, uma matéria preciosa, que deve ser respeitada ao se pensar em qualquer tipo de desenho”, comenta ela, que tem entre os pressupostos básicos de sua atuação o emprego de variedades certificadas de madeira. “Penso que em se tratando de um material tão especial, temos o dever de produzir algo sustentável. E isso não se prende apenas à matéria-prima, mas também à questão da durabilidade”, como afirmou ela nesta entrevista ao Casa.

O que significa ter uma marcenaria hoje?
Fundamentalmente, ela te possibilita colocar suas ideias em pé. Quando parto para o protótipo de um móvel, as verdades aparecem e elas podem revelar boas surpresas ou questões para resolver. Ter uma marcenaria te estimula a experimentar, a investigar. O mesmo acontece em relação às técnicas construtivas. Trabalhamos tanto com a produção artesanal quanto com a automatizada, mas, devo dizer, mesmo esta também faz uso de técnicas tradicionais. Outra vantagem de se ter uma marcenaria é a facilidade de se trabalhar com diferentes espécies de madeira.

08fbd316emoh7mm23ul80ehotl1kqbaepJuliana Llussá, designer e dona da Llussá Marcenaria


Como e com quais tipos de madeiras e técnicas de produção trabalha a Llussá?
Trabalhamos com cumaru, itaúba, sucupira, freijó, jequitibá. Todas certificadas, naturalmente. Algumas compramos diretamente de uma cooperativa de pequenos produtores florestais do Acre. Outras, de fornecedores que têm a documentação de origem florestal emitida pelo IBAMA. Priorizamos técnicas tradicionais de encaixe, como a meia madeira, o rabo de andorinha, a espiga, a cavilha. Além de solidez, elas proporcionam uma maior riqueza de detalhes, uma vez que a forma que o móvel foi construído acaba ficando aparente. Mas não se trata apenas de uma questão conceitual ou estética, mas também porque estes encaixes oferecem, de fato, uma durabilidade maior do que a das junções metálicas (parafusos, por exemplo) que podem oxidar, espanar ou se romper com o passar do tempo. Como bem comprovam móveis brasileiros da década de 60, ainda hoje perfeitos, mesmo após 50 anos de uso.

Você tem se dedicado a trabalhar móveis que considera esquecidos nos dias de hoje. Como reinterpreta o passado em suas criações?
Comecei a me interessar por peças que caíram em desuso pela possibilidade de resgatar rituais que foram deixados de lado. Comecei com uma penteadeira, buscando celebrar o ritual das mulheres que se sentavam à frente do espelho para pentear o cabelo, refletir, suspirar. É incrível como todas as mulheres e meninas ainda se encantam com essa ideia. Ultimamente, tenho desenhado camas de madeira maciça com cabeceiras de palha, estofadas ou de madeira. Depois da chegada das camas box americanas deixamos de usar móveis de madeira. A partir de então, deixamos de ter a cama dos avós, a cama da infância. A cama box é genérica, todas são iguais, elas não têm significado algum. No meu caso, ainda tenho grande apreço pela cama da minha infância no sítio da minha avó, pelo beliche da casa de praia que continua em Ubatuba, e é ainda usado pelos meus filhos. São móveis que têm histórias para contar. [Marcelo Lima]

Veja os destaques e a programação completa da feira de design colecionável MADE, que começa hoje em São Paulo

Sem título.pngyyyySul-coreano Kwangho Lee, designer que é um dos destaques da MADE 17 ©Divulgação


Começa hoje, em São Paulo, a quinta edição da MADE (Mercado, Arte, Design), primeira e maior feira de design colecionável da América Latina. As novidades da nova edição já começam pelo local onde será realizada: do Jockey Club de SP, onde ocorreu ano passado, para o Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, com cenografia assinada pelo Estúdio FM, do arquiteto Flavio Miranda. Neste ano o evento bateu recorde, apresentando mais de 100 expositores brasileiros e internacionais, incluindo países como Bélgica, Coréia do Sul, Suíça, Holanda e Portugal.

“A plataforma tem como objetivo promover e fortalecer as relações do design nacional e internacional através de dezenas de exposições e instalações, mantendo o foco no design autoral”, aponta Waldick Jatobá, idealizador do evento. Ao seu lado, os designers Bruno Simões e Elcio Gozzo assinam a curadoria de conteúdo da feira – juntos, eles são responsáveis pelo W/Design, escritório realizador da Made.

Tramas é o tema que servirá como fio condutor para o evento deste ano, pensando na valorização das mais diversas peças de design conforme a conexão sucedida entre os materiais, o fazer manual e as formas que vão surgindo a partir daí. Trabalhos manuais, aliás, são destaque para outras novidades desta edição: os espaços Paper Made e Hand Made. No primeiro, o papel é o material basilar para a criação de todos os artistas; já no segundo, a ideia é expor objetos e acessórios que valorizam o design feito à mão.

A Made conta ainda com uma série de talks (com número limitado de vagas), que será puxada pelo sul-coreano Kwangho Lee, outro destaque da feira, eleito designer de 2017, além do reconhecimento que ganhou com diversos outros prêmios. Pela primeira vez na América Latina, Lee falará sobre o processo criativo de seus móveis compostos por um emaranhado de fios plásticos coloridos. O designer aprendeu a técnica usada para criar tais peças com o avô, um fazendeiro que fazia objetos de materiais naturais encontrados nas proximidades de uma pequena cidade nos arredores de Seul, onde moravam.

Também há espaço para o design de moda: peças de Lino Villaventura, Ronaldo Fraga, À La Garçonne e Fernanda Yamamoto, entre outros, poderão ser vistas na exposição Tramas Afetivas, com curadoria assinada por Jackson Araújo.

img-5108-1.jpgLooks da exposição Trama Afetiva


Além disso, a grande instalação deste ano fica a cargo do arquiteto Guilherme Torres, resultado da parceria entre o estúdio do Guilherme, a NOS Furniture e a Made, na comemoração dos dez anos da mesa Jet – há quem diga que será um show à parte. Vale a visita para comprovar! [FFW]

Veja todos os expositores da Made 17:

Galerias
Sergio Gandhi Campos para Artemobilia, Baró Galeria, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Estúdio Mameluca para Bolsa de Arte, Galeria Nicoli, Il Galeria, MUMA, Passado Composto Século XX, Ricardo Pessuto + WV Design, Tidelli, Vermeil

Coletivos 10M²
80e8, Alva Design, Ateliê Julia Krantz, Bianca Barbato, Bruno Simões, Carol Gay, Casa Costillas, Estúdio Leo Capote + Outra Oficina – Leo Capote + Marcelo Stefanovicz, Estúdio Rika, FETICHE® CAROL ARMELLINI & PAULO BIACCHI + Infinita Surfaces, Gustavo Bittencourt, Humberto da , Mata, Inês Schertel, Ion Project, José Manuel Carvalho Araújo/Alma Design, Leo Di Caprio, Lurca Azulejos, Murilo Weitz, Oficina Ethos, Omar Salomão, Plantar Ideias + Lao Design, Rahyja Afrange, RAIN, Ricardo Graham/ oEbanista, Rodrigo Almeida/Beluzo Design, Rodrigo Silveira, YANKATU – Design com Alma

Paper Made
Casa das Artes, Elisa Bueno, Helena Carvalhosa, Margot Delgado, Maria Villares, Zed Nesti,

Coletivos 5M²
Ana Neute, Atelier Aveus, Cadu Silva, Decarvalho Atelier, Eduardo Borém, Érico Gondim, F.STUDIO, Gabbo Torres, Get Lost Studio, Giacomo Tomazzi Studio, Leandro Garcia, Luiza Caldari, Manu Reyes, Marcos Amato, MoBu atelier, Noemi Saga Atelier, Nolii, NS|Studio, O Formigueiro, Ofício Lenho, Paulo Goldstein, Rodrigo Ohtake,Rosa Pinc + Roberto Romero, Suite Arquitetos, T44 Studio, Tiago Curioni, Vasconcellos Barreto, Woo Design

Hand Made
Bottletop, Estúdio NáNí, UZ.1 – Felipe Uzum, Maria Alves de Lima, Miriam Andraus Pappalardo, Nicole Toldi, Nicole Tomazi, Nicole Uurbanus, Papelaria, Paula Juchem, Renata Meirelles, Sabrina Borges, Samantha Ortiz, Silvia Beildeck, Studio Andrea Bandoni, Studio Thiago Bicas, Thais Costa

Exposições

Tramas
Curadoria de Waldick Jatobá e Bruno Simões

10 anos JET
Curadoria de Guilherme Torres (Studio Guilherme Torres)

Natureza: Matéria e Forma
Curadoria de Beta Germano

Safra 1866
Curadoria de Rodrigo Calixto

Trama Afetiva
Curadoria de Jackson Araújo

Banco X2
Curadoria de Rodrigo Silveira

Maria Helena Estrada

Curadoria de Marcelo Lima

Re-Trato
Curadoria do Grupo Broca

Isso para Mim, é Lixo
Curadoria de Cristian Sampaio

Haydée: Cotidiano | Têxtil | Social
Curadoria de Nicole Tomazi e Rahyja Afrange

Amamos o bolo de fubá; criamos bolos de fubá
Curadoria de Jorn Konijn (Holanda)

Crossing Lines
Curadoria de Jorn Konijn (Holanda)

Common Sense
Curadoria de Guta Moura Guedes (Portugal)

Jóias
Curadoria de Elien Haentjens (Bélgica)

Kwangho Lee – Designer do Ano
Curadoria de Waldick Jatobá e Bruno Simões

Subtle: Sutilezas em papel
Curadoria de Kenya Para (Japão)

Braskem: imprimindo o futuro
Serviço
Made – Mercado. Arte. Design
Onde:
Pavilhão da Bienal. Avenida Pedro Álvares Cabral, S/N – Ibirapuera, SP
Quando:
09.08 (quarta-feira) a 13.08 (domingo)
Quarta a sexta, das 13h às 21h
Sábado, 12h às 21h
Domingo, 12h às 20h
Quanto: Quarta a domingo, R$ 30,00 (meia entrada para idosos e estudantes)
Clique aqui para mais informações.

Móveis Lafer: 90 anos em revista

1501873964971.jpgProdução da década de 1970 com a poltrona MP 81, da Móveis Lafer Foto: LAFER


A Lafer é uma fabricante brasileira de móveis que traz em seu portfólio um dado exclusivo: fundada em 1927 como indústria moveleira, ela também produziu automóveis, entre 1974 e 1990. Entre eles, um dos modelos mais cobiçados à sua época, o estiloso MP Lafer. Uma em meio a mais de 50 peças – poltronas, banquetas, sofás e mesas – que levam a assinatura de Percival Lafer, designer e dona da marca, e integram a primeira mostra retrospectiva dedicada à sua obra, que abre suas portas na Loja Teo, a partir de quarta-feira, 9. “Minha incursão pelo universo do design aconteceu por razões circunstanciais, mas, desde então, jamais o abandonei”, conforme afirmou Lafer, nesta entrevista ao Casa, na qual comenta sua trajetória e reafirma sua paixão pelo seu ofício.

Qual sua formação e o que considera mais estimulante no seu trabalho como designer?
Sou arquiteto formado pela Universidade Mackenzie. Na minha época, ainda não havia uma faculdade de desenho industrial em São Paulo, nem mesmo a cadeira de design dentro do curso de arquitetura. A única era a ESDI, Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro. Admito que meu objetivo profissional era, de fato, seguir a carreira de arquiteto. Ocorre que o micróbio da indústria, digamos assim, acabou se instalando em mim. Desde cedo, passei a me interessar por seus métodos e processos pela simples curiosidade em conhecê-los, pelo desejo de ampliar meus horizontes. Foi assim que acabei encontrando o design e, com ele, a possibilidade do exercício da criação, que é, para mim, a parte mais estimulante de todo processo.

1501873931372O designer e proprietário da Móveis Lafer, Percival Lafer Foto: LAFER


Como via o design no começo e como o vê hoje?
Para mim, seu significado hoje é exatamente o mesmo que ele tinha quando comecei. Claro que ele evoluiu como disciplina, como área do conhecimento, mas não como significado. Desenvolver um bom produto requer uma compreensão ampla das tecnologias e dos materiais. Mas isso nem é o mais difícil. O grande desafio é ter criatividade e sensibilidade suficientes para saber como utilizá-los.

Sempre houve um forte componente estético associado aos móveis Lafer, sobretudo nos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980. Quais eram suas referências à época e quais são hoje?
Minhas referências foram e ainda são simplesmente estar atento ao que acontece à minha volta e, na medida do possível, considerar também o que existia no passado. A estética é essencial, mas é apenas um dos atributos. Nunca o único. Se ela não for amparada por qualidades funcionais e, no caso de cadeiras e poltronas, por um bem fundamentado e sólido estudo ergonômico, o resultado final poderá ser um lindo mau produto. A forma não pode se sobrepor à função.

1501873931280As poltronas MP 81, da Móveis Lafer, em versão jeans Foto: LAFER

PETA premia marcas que trabalham com design vegano

mantaIkea foi premiada pela melhor manta de pelo sintético no Vegan Homeware Awards (Foto: Reprodução)


O consumo consciente é pauta há alguns anos, porém ultimamente tem ganhado mais força. Pequenos produtores e designers comercializam peças contadas, com processo de produção voltado para garantir o bem estar do planeta e das futuras gerações. Sabendo disso, a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) lança este ano uma premiação voltada especialmente para a decoração, o Vegan Homeware Awards.

A motivação para realizar esse tipo de premiação mais focada provém do aumento de pessoas veganas no mundo, inclusive no Reino Unido. Em dez anos, os números cresceram 360%, com ao menos 542 mil britânicos dispostos a seguir uma dieta e uma vida livre de produtos animais.

Com objetivo de apresentar ao mercado as marcas que fazem produtos de design de interiores sem maus tratos de animais, a organização celebra a inovação tecnológica para produzir tecidos como o couro ou o pelo em versões totalmente veganas. “A casa é onde o coração está. Consumidores conscientes estão pedindo por produtos desse tipo, demanda não falta”, comenta Elisa Allen, diretora da PETA.

A premiação contém 14 categorias, desde o Melhor Sofá Vegano até Influencer Award, este último dado para uma pessoa ou escritório que possui um trabalho consciente em todas as plataformas.

Sem deixar ninguém de fora, marcas grandes, como a IKEA, Heal’s e Made.com, foram contempladas ao lado das menores, como Monsoon e Pacifica. Todas levadas em consideração a partir do pensamento vanguarda quanto ao uso de materiais naturais como alternativa aos animais. Entre as inovações, folhas de abacaxi substituíram o couro animal nas criações da Piñatex®, assim como cogumelos e algas vermelhas seguem em estudo para serem outra opção para os fabricantes.

Importante destacar o Influencer Award. A vencedora da categoria na primeira edição do Vegan Homeware Awards é Emily Turnbull, mente criativa do Studio Can Can. O escritório de design de interiores e design de móveis é conhecido por criar ambientes totalmente sustentáveis, com objetos veganos. Os mais de 15 anos de mercado trazem clientes fiéis, como a marca britânica Fred Perry e outros produtores locais, feiras gastronômicas, hotéis e, principalmente, restaurantes e cafés. [Paula Jacob]

Dupla de designers Maurício Noronha e Rodrigo Brenner ganham primeiro Leão em Cannes da história do Brasil

2ac5d5_277d983947ff4f049dc4547506c0d553-mv2.jpgMauricio Noronha e Rodrigo Brenner, da Furf Design


O primeiro Leão de Cannes da história do Brasil em design de produto foi concedido a um produto da área médica, de plástico injetado: a Confete, primeira capa adaptável para prótese de perna produzida em massa no mundo. À frente do projeto, Maurício Noronha e Rodrigo Brenner, da Furf Design, estúdio que construiu em apenas seis anos uma rara reputação em se tratando de profissionais tão jovens, em função da qualidade global e responsabilidade social de seus projetos. Via de regra, temperadas por altas dose de humor e irreverência. “Receber tal reconhecimento mostra que estamos navegando pelas águas certas”, como afirmou Brenner, que ao lado do sócio, falou ao Casa.

De onde vem o nome do estúdio e o que melhor caracteriza um projeto Furf?
Maurício Noronha: Gostamos muito de trabalhar com cores. De certa forma, nos sentimos um pouco pescadores e, em nossos projetos, elas surgem como iscas para evocar sentimentos e lembranças. Por outro lado, cada objeto que projetamos acaba se revestindo de um significado especial para nós. De uma essência, de uma alma, de uma bossa. Ainda que consideremos nossos produtos meros coadjuvantes na vida das pessoas. Acreditamos que a mais bela história é a de cada uma delas e não a que criamos. Nós apenas tentamos expandir a consciência de todos para a poesia que pode estar presente no dia a dia, para a possibilidade de fazer um pouco melhor nossa passagem pela Terra. A este desejo, a esse estado de espírito resolvemos dar o nome de Furf.

Como definiriam os interesses atuais e futuros de vocês?
Rodrigo Brenner: Somos obcecados por simbologia, pela busca da eternidade e pela evolução da raça humana. Design é o caminho que encontramos para realizar um pouco disso. Com esta visão holística, desenhamos para as mais diferentes áreas como joalheria, móveis e até próteses, como esta com a qual fomos premiados em Cannes. Com algo que não é muito usual no chamado design brasileiro. Aliás, adoramos o quanto isto é um tanto provocativo! Um projeto com generosas doses de poesia e business, desenvolvido com uma empresa brasileira, a carioca Ethnos. Um exemplo evidente de como uma boa parceria pode, de fato, impactar a economia. Por isso, estamos sempre em busca de pessoas e empresas que não apenas sonhem grande, mas também que tenham coragem de agir e ousar.

Neste sentido, a Furf, apesar de pouco tempo no mercado, tem estreitado seus laços com a indústria. Qual a fórmula do sucesso?
M.N: Antes de tudo, é importante estar em contato com potenciais parceiros. Daí nosso interesse em participar de eventos de peso, como as Semanas de Design de Milão (Itália) e de Shenzhen (China). Acreditamos que essa vivência é importante para o aumento da percepção de valor dos seus produtos e na criação de mais oportunidades de negócios.

Mas é bom lembrar que bom design gera bons negócios. E bons negócios criam um elo de confiança entre sonhadores e realizadores. Diria que alinhar expectativas, saber onde cada parte quer chegar, é fundamental. [Marcelo Lima]

Design transversal

Sem título.pngMarisa Ota, Daniela e Beatriz || Créditos: Divulgação


Tradicional no calendário de feiras paulistanas de design, a Paralela, que acontece entre domingo e quinta-feira, 27, está de casa nova. Deixa o Museu da Escultura e se transfere para o Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Figura central na engrenagem do evento, que este ano completa 15 anos, a paulistana Marisa Ota possui a característica rara no meio de circular com a mesma desenvoltura por entre designers, artesãos e lojistas, sejam eles consagrados ou não. Misto de caça-talentos e empresária de sucesso, a ela não faltam curiosidade e tino comercial, não sendo poucos os nomes de destaque no mercado que frequentaram, ou ainda frequentam, os corredores de sua feira.

“É sempre bom dividir. A Dani e a Bia têm carreiras de sucesso nas áreas de marketing e mercado financeiro. Não bastasse, têm um olhar e apuro especiais para o design”, afirma Ota, que, a partir desta edição, não está mais sozinha na condução da empreitada, tendo se associado às empresárias Daniela Refinetti e Beatriz Mauro. “Juntas somamos expertises que irão guiar nossas estratégias”, como ela afirmou nesta entrevista exclusiva ao Casa.

A Paralela completa 15 anos. O que mudou de lá para cá?
Basicamente, continuamos fiéis ao nosso objetivo de aglutinar as diversas faces do mundo do design em uma localização de prestígio, primeiro o Mube e agora a Bienal, com o propósito de conectar criadores, sejam eles um pequeno estúdio ou uma grande indústria que valoriza o design, com distribuidores de todo o Brasil, fomentando negócios e incentivando a troca de experiências. Já do ponto de vista do negócio, em si, ao longo desse período, percebe um aumento gradual do profissionalismo nas duas pontas. A pontualidade nas entregas, por parte dos produtores, e um entendimento maior do produto design, de como apresentá-lo e vendê-lo, por parte dos lojistas, são conquistas inegáveis.

Estudio-Iludi_lumináriasalma_mesasensedue_poster.jpgMóveis e luminárias do Estúdio Iludi, participante da Feira Paralela Foto: Paralela


Como, ao longo de todos esses anos, a feira vem procurando conectar designers e distribuidores?
O mundo está muito digital, mas continuamos acreditando que, no nosso caso, no nosso negócio de veicular design, nada substitui o presencial. O relacionamento dentro da feira é uma forma bastante importante de criar confiança, de trocar informações. E, nesse sentido, não medimos esforços para propiciar a todos nossos frequentadores um ambiente propício e estimulante para essa troca.

Design e artesanato compartilham os corredores da Paralela. Acredita que esta convivência tão próxima tenha contribuído para o aprimoramento das duas disciplinas?
Não tenho dúvidas quanto a isso. Tanto o artesanato ganhou mais visibilidade e respeito no mercado, com a sinergia vivenciada na nossa feira, quanto o design se beneficiou de uma maior proximidade com técnicas mais manuais de produção, o que, aos olhos do mercado internacional, tem muito a ver com a própria identidade da produção brasileira. O que, sem dúvida alguma, me enche de orgulho.