Categoria: design

MVRDV projeta loja clean e descolada em Roterdã

log.jpgO espaço segue o preceito da marca Groos, que visa dar destaque ao design e à arte da cidade (Reprodução/Ossip van Duivenbode/ArchDaily)


Promover o talento local de Roterdã: esse é o objetivo da marca Groos, localizada nos Países Baixos.

“Fundada em 2013, a Groos quer preencher a lacuna entre o designer e o consumidor e criar um espaço onde uma seleção de produtos ótimos podem ser expostos e comprados. Nós queremos mostrar o talento multidisciplinar que existe nesta cidade”, explica a página oficial.

Depois de quatro anos, o movimento natural foi abrir uma loja conceito com foco no design de ponta, na arte e nas colaborações artísticas. Para isso, a marca convidou o escritório MVRDV e escolheu um espaço de 300 metros quadrados no Het Industriegebouw, um prédio industrial que é ícone da reconstrução da cidade.

Hoje um endereço procurado por startups de tecnologia, arquitetos, designers, lojas e restaurantes, a construção está retomando seu funcionamento. Os arquitetos optaram por restaurar as características originais, concentrando todos os objetos em uma grande estante metálica que cobre o lado direito dos dois andares.
A ideia deixou o layout livre e facilmente adaptável para receber eventos.

Abaixo da escada, uma plataforma circular expõe algumas peças de mobiliário. Ao fundo, a parede rosa expõe obras de arte originais e o balcão, em verde menta, recebeu linhas minimalistas – quem assina é Sabine Marcelis. [Mariana Bruno]

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Designer japonês Oki Sato brilha na Semana de Design de Milão; confira suas novas peças

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O designer Oki Sato, do estúdio Nendo. Foto: Akiro Yoshida

Se fosse apenas a capacidade de evidenciar o simples, dando forma a objetos que de tão óbvios — e necessários — chegam a surpreender por nunca terem sido criados, já estaria justificada a notoriedade alcançada pelo designer japonês, radicado no Canadá, Oki Sato, do estúdio Nendo. Some-se a isso o frescor que ele costuma imprimir às suas criações e o resultado não poderia mesoa ser outro.

Haja vista o sucesso alcançado por ele e por sua marca na última Semana de Design de Milão, o grande palco cênico do segmento, onde, com toda a discrição que lhe é peculiar, o designer reinou soberano. Não só com lançamentos de peso em nada menos do que dez empresas italianas do primeiro time. Mas ainda com uma mostra pensada em todos os detalhes para encher os olhos e aguçar os sentidos.

“Nós tendemos a perceber a existência e o posicionamento dos objetos seguindo contornos e também a distinguir o dentro e o fora a partir deles”, explica Sato no catálogo de abertura de Invisible Outlines, ou Contornos Invisíveis. Exposição que ocupou integralmente os três andares da loja do estilista Jill Sander no centro de Milão, gerando durante a semana de design milanesa, filas de espera de quase 1 quilômetro nos horários de pico.

Reunidas em torno do tema, 16 coleções do designer estavam representadas, ou por vezes apenas insinuadas, dentro de um cenário quase que integralmente branco, por entre o qual, ele se propunha a manipular os contornos de suas criações das maneiras mais inesperadas. Ora realçando-os pela luz, ora traçando linhas apenas percebidas pelos sentidos, mas nem sempre presentes no desenho dos móveis e objetos convencionais.

Caso, por exemplo da coleção de armários desenvolvida para a mostra Collective Design que aconteceu em Nova York em maio do ano passado. “Dentro do espaço onde vivemos, há itens que se movem em meio às nossas atividades diárias. Portas de armários, por exemplo. Embora não visíveis, estamos, ao menos inconscientemente, conscientes dos traços deixados por esses movimentos”, explica.

“Assim, tudo se resumiu a dar uma existência física a esses ‘rastros’ produzidos pela abertura e fechamento das portas, que passaram a existir por meio de tiras de metal”, conta o designer, que em outros momentos se preocupou em tornar visíveis os contornos de suas criações pela simples contraposição de superfícies brancas e pretas. Como na apresentação do vaso Lean e da mesa Ballerina, da Marsotto Edizioni. Ou ainda da série Gaku, para a Flos.

Objetos que funcionam como luminária e acessório decorativo, nos quais uma lâmpada pendente pode circular dentro de uma moldura, sendo carregada por contato. Dessa forma, ela pode se deslocar pela superfície até onde a iluminação seja necessária. Tarefa facilitada ainda mais graças a um ímã que permite seu posicionamento em ângulo, possibilitando a regulagem da direção a iluminar.

Também por meio de ímãs, potes, vasos de plantas, espelhos e outros acessórios podem ser incorporados ao conjunto e mantidos firmemente no lugar, sem a necessidade de uma grande área de contato. “A ideia foi oferecer ao usuário além de uma luminária, uma espécie de quarto em miniatura para ele reorganizar do jeito que desejar e se divertir um pouco”, diz.

Como acontece em Gaku, não são poucos os momentos em que Sato se deixa levar por uma postura menos conceitual e se abre para o lúdico. Para a Cappellini, por exemplo, suas mesas laterais com iluminação embutida se assemelham mais a tendas indígenas. “Procurei colocar ao alcance das mãos do usuário um tipo de esconderijo. Um local onde ele pudesse esconder — ou dispor — seus itens mais secretos”.

Dentro do mesmo enfoque, ao ser convidado pela Kartell para fazer uma releitura do célebre Componibili, armário cilíndrico desenhado por Ana Castelli, que acaba de completar 50 anos, Sato partiu para uma abordagem nada convencional. Em especial em se tratando de um ícone do design.

“Trata-se de uma peça que se encaixa naturalmente em vários tipos de interiores. Sendo assim, vários artigos são comumente reunidos a seu redor. Como raramente ele é visto por conta própria, resolvi explorar esses objetos, os reunindo à sua volta. Mas todos com os mesmos detalhes das portas dos componíveis. Como em uma grande família”, conclui. [Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo]

30 anos de Irmãos Campana em exposição no MON

230517-irmaos-campana-expo-2-590x351A exposiçãoIrmãos Campana, homenageando os 30 anos de carreira de Fernando e Humberto, está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer. São 130 obras expostas no espaço “Olho”, entre elas suas peças inusitadas de mobiliário, além de gravuras e desenhos autorais. A curadoria é de Consuelo Cornelsen, que prioriza trabalhos com foco na pesquisa de materiais, passo primordial para os designers.

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“Irmãos Campana”
Até 20/08, de terça a domingo, das 10h às 18h
Museu Oscar Niemeyer: r. Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba
(41) 3350-4400
R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)

Designer britânico Lee Broom invade Nova York

jov.jpgO designer britânico Lee Broom durante exposição em Milão em abril deste ano Foto: LEE BROOM STUDIO


O ano tem se revelado promissor para o designer britânico Lee Broom. Após realizar sua maior mostra até então durante a Semana de Design de Milão, em abril – onde apresentou um carrossel repleto de seus desenhos mais famosos – ele desembarcou este mês em Nova York em grande estilo. Além de uma nova loja, quatro vitrines foram produzidas por ele na icônica loja de departamentos Bergdorf Goodman, em plena quinta avenida. “Além de apresentar as coleções Crescent light, Crystal Bulb e Optical, expor a última coleção do estilista masculino Thom Browne, me encheu de alegria, uma vez que trouxe a tona todo o meu background de moda”, como afirmou o atual enfant terrible do design britânico, nesta entrevista exclusiva ao Casa, de Nova York.

Este ano sua marca completa seu 10 º aniversário. Como pretende comemorar a data?
Com mais e mais trabalho (risos). Lançamos nossa coleção de vasos e tigelas Wedgwood, em Londres e em Nova York. No momento estou focado no design de novos produtos que pretendo lançar em 2018. Há muitos materiais e técnicas que quero experimentar.

Como vê a cena do design hoje no Reino Unido?
Eu acho que sempre tivemos uma reputação muito forte ligada à inovação, mas não a mesma força quando o assunto é marketing. Quando eu comecei meu negócio em 2007, eu era um dos poucos designers que não estavam apenas projetando, mas também produzindo e vendendo seus produtos. Agora, existem muitos usando este modelo de negócio, comercializando não apenas como designers, mas se transformando em uma marca.

Como foi o trabalho na Bergdorf Goodman?
Procurei compor ambientações surreais a partir de quatro atividades específicas: exercitar, trabalhar, brincar e explorar. O enfoque é abertamente lúdico e me excitou a ideia de apresentar meus produtos de maneira completamente nova. Ainda que com uma estética bem Bergdorf em mente.  [Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo]

Tora Brasil apresenta lançamentos na Semana de Design de NY

meszO estande da Tora Brasil na ICFF 2017. (Divulgação/Projeto Raiz)


Trabalhando com móveis de madeira maciça certificada pelo FSC, a Tora Brasilparticipa pela primeira vez da ICFF (International Contemporary Furniture Fair), que acontece até amanhã em Nova York.

mez.pngA mesa de centro Moaticu. (Divulgação/Tora Brasil)


A convite do Projeto Raiz, o designer Cristiano Ribeiro do Valle levou duas peças para o evento, conhecido como a Semana de Design da cidade.

mez1A mesa de Jantar Amary. (Divulgação/Tora Brasil)


Com pés de carbono inspirados na ramificação de troncos e galhos, a mesa de centro Moaticu é o mais recente lançamento da marca. Já o destaque da mesa de jantar Amary é o seu formato elíptico. Ambas foram produzidas em madeira Pequiá. [Mariana Bruno]

Häagen-Dazs redesenha embalagens para atingir público mais jovem

hddCom mais de 50 anos de existência, Häagen-Dazs passou a ser conhecida como um produto gourmet, tradicional, caro e, consequentemente, para um público mais velho.

Em 2017, após trabalho da consultoria de design Love Creative, a marca resolveu simplificar e modernizar suas embalagens. Cores que remetem, como dourado e preto, dão lugar a um fundo branco, acompanhado de ilustrações coloridas para um dos 46 sabores de sorvete.

Os desenhos foram feitos por 13 diferentes artistas, como Santtu Mustonen e Kustaa Saksi, com inspiraçõa nas origens escandinavas na empresa, fundada em 1961 por Reuben Mattus.

Além do visual mais contemporâneo, Häagen-Dazs pretende facilitar a identificação dos diferentes sabores no freezer do supermercado. O redesign das embalagens vai começar pelo Reino Unido, e deve se expandir para outros mercados nos próximos meses. []

“Franquear o consumo também era nosso desejo”, afirmam os Irmãos Campana sobre nova coleção

cam17Os Irmãos Campana dedicaram a nova coleção à obtenção de maior número de vendas, com preços mais acessíveis. Foto: Fernando Laszlo


Acalentado por muitos, o desejo de possuir um autêntico Campanas em casa nunca esteve tão próximo dos admiradores do design nacional. Já a disposição de consumidores de todo o Brasil, a coleção Assimétrica, de assentos, mesas, cadeiras, estantes e escrivaninhas de madeira, acaba de chegar às lojas Tok & Stok, por preços a partir de R$ 330 (um dos bancos da linha). “Franquear o consumo também era o nosso desejo, tanto que foi tomado por nós como um parâmetro essencial ao projeto”, declara Humberto. “Isso, sem abrir mão de nossa linguagem”, salienta Fernando que, ao lado do irmão, recebeu a reportagem do Casa no ateliê da dupla no bairro de Santa Cecília para comentar o atual lançamento.

Como surgiu o conceito da coleção?
Fernando Campana: Há tempos perseguíamos a ideia de produzir móveis de custos mais acessíveis para a Tok&Stok. Sempre foi nosso desejo. Faltava apenas conciliar uma ideia forte com as condições de produção da empresa, o que acabamos identificando na coleção que havíamos desenvolvido a partir de resíduos de madeira para o Refettorio Gastromotiva (uma ONG que atua no Rio de Janeiro e São Paulo e que se propõe a promover transformações sociais por meio da gastronomia).

Como se deu o desenvolvimento das peças?
Humberto Campana: Em setembro do ano passado visitei por duas vezes o parque fabril da empresa em São Bento do Sul, em Santa Catarina, para me inteirar de todas as condições capazes de reduzir os custos. É impressionante como pequenos detalhes de construção podem interferir enormemente nos preços finais. Como optar por pés intercambiáveis, por exemplo. A partir daí, nos reunimos no ateliê e resolvemos trabalhar em cima da ideia de uma coleção que fosse desmontável.

O que o mobiliário apresentado na Assimétrica traz de mais, autenticamente, “Campana”?
FC: Existe algo neles que remete à ideia de um design da necessidade. Um projeto que nasce da urgência, tais como os móveis que os pedreiros constroem para utilização imediata, para dormir ou se apoiar nos canteiros de obras, por exemplo. O que, em si, já é uma ideia que nos interessa bastante.

HC: Entre todos os nosso móveis, estes parecem ser os que mais nascem de uma ideia e menos de um determinado material. Do ponto de vista construtivo, por sua vez, eles pressupõem a ideia de e mudança, e, neste sentido, acho que eles são bem nossa cara. [Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo]

Pelo segundo ano, SP-Arte abre espaço para design

1491331908472Cadeira ‘Rio’, dos anos 1970, mostra que, além de arquiteto, Oscar Niemeyer era um excelente designer


Mais de 20 galerias participam da segunda edição de design na 13.ª SP-Arte. Algumas têm uma história de 30 anos, como a Etel, que leva o nome de sua fundadora, Etel Carmona. Outras são estreantes, como o Estúdio Mameluca. A busca de um design autoral ligado à arte fez com que a primeira se associasse ao reconhecido pintor gaúcho Carlos Vergara, que ganha no terceiro andar do Pavilhão da Bienal um espaço para o seu Gabinete de Curiosidades do Artista.

Vergara, um nome histórico, que organizou há 50 anos a mostra Nova Objetividade Brasileira no MAM carioca, reunindo o melhor da vanguarda brasileira, tem agora como parceira a designer Etel Carmona na construção de relicários – biombos e mesas em que Vergara deposita suas relíquias, obras que traduzem o impacto de suas andanças pelo mundo, da Capadócia ao Caminho de Santiago. Nesse gabinete de curiosidades estão, por exemplo, peças baseadas nas Missões do Rio Grande do Sul, cujas ruínas inspiraram monotipias do artista que, junto a fotos, peças artesanais e lã de ovelha negra, formam um relicário – o biombo de madeira sucupira desenhado por Etel Carmona.

O cruzamento entre cultura e religiosidade no projeto de Vergara pode ser identificado nas monotipias que evocam tanto a tradição artística islâmica como os signos cristãos que guiam os peregrinos de Compostela. Formas reconhecíveis no trabalho do artista (colunas, cálices) são reinterpretadas pelos artesãos da Etel nas cinco obras expostas na 13.ª SP-Arte.

A Firma Casa convidou os irmãos Campana e Claudia Moreira Salles para uma releitura do movimento concreto, o ápice da cultura visual do Brasil no século 20. Os irmãos Campana, inspirados na série Bichos, da artista neoconcreta mineira Lygia Clark (1920-1988), criaram a peça Kaleidos, de forma semelhante a um caleidoscópio. São seis lâminas de espelhos dourados articuladas, com base em latão que, retroiluminadas, funcionam como luminária. Já Claudia Moreira Salles projetou o (lindo) banco Concreto, cuja estrutura em madeira de catuaba é completada por blocos de concreto – a peça evoca o design funcionalista de matriz bauhausiana.

A Ovo, atuante no mercado há mais de duas décadas, apresenta na feira seis criações inéditas dos designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira, entre elas a mesa Plano e a estante Ara. Um dos projetos mais conhecidos da dupla é o Campo Seating System, criado em 2007, módulos que já foram vistos e usados pelo público da Bienal de São Paulo.

14911.pngEstofado da Ovo foi utilizado durante a Bienal de São Paulo


Um olhar para ao passado e as origens do bom mobiliário contemporâneo levaram duas lojas, a Pé Palito e a Teo, a revisitar peças desenhadas por designers como Geraldo de Barros, Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin e Zanine Caldas. A Pé Palito concentrou seus esforços nas linhas geométricas dos anos 1950 e 1960. A Teo recuou um pouco mais, começando pelo mobiliário dos anos 1940. E, para completar esse percurso histórico, a Artemobilia foi buscar os pioneiros do moderno design brasileiro, expondo os contrastes entre o racionalismo modernista dos anos 1920 e o biomorfismo dominante no segundo período do modernismo, a partir dos anos 1940.

Foi justamente nessa década que o arquiteto carioca Oscar Niemeyer (1907-2012) se tornou um profissional disputado, assinando projetos como a sede carioca do Banco Boavista, inaugurada em 1948. Ele também foi um excelente designer, como prova sua cadeira de balanço Rio (1977/78) reproduzida nesta página, que está na feira ao lado de outras peças de mobiliário desenhadas por ele, nos estandes da Etel e também da Teo.

1491331908700.jpgO gaúcho Carlos Vergara divide com a Etel seu ‘Gabinete de Curiosidades do Artista’ no setor de Design da SP-Arte


No Rio também estudou a designer Jaqueline Terpins, que, em 1970, frequentava as aulas de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna. Artista participante de importantes exposições, como o Panorama de Arte Brasileira do MAM (1988), ela ficou conhecida pelo desenho de peças de cristal (como o vaso Membrana, de 2011, reproduzido nesta página). Mas Jaqueline também desenha peças de mobiliário, que vai mostrar na SP-Arte. Outro nome conhecido na área é o designer Hugo França, que leva para a feira 15 obras inéditas, entre elas a chaise Damanivá, feita com resíduo de um pequi vinagreiro milenar. Ao lado de modernos e contemporâneos estarão peças antigas do século 16 ao 18 na galeria Sandra & Márcio, entre elas arcas e oratórios de jacarandá.

Novo mobiliário do designer Shigeru Uchida é apresentado em Milão

1-mobilic3a1rio-designer-shigeru-uchidaO último trabalho do designer japonês Shigeru Uchida é a coleção de móveis Khora, com padrões feitos usando marcenaria tradicional e criada em colaboração com o designer chinês Adrian Cheng. São cinco peças que serão montadas durante a semana de design de Milão. A série é tida como o último trabalho de Uchida antes de sua morte, no ano passado, aos 73 anos.

(Reprodução/Tim Wong/Dezeen)


A coleção Khora tem inspiração nas paisagens do Japão e apresenta mesas e assentos com telas de madeira que criam estampas e sombras padronizadas. O artesão japonês Chuzo Tozawa fez as peças usando madeira de bambu e castanheira. Papel washi e laca japonesa também foram usados para a confecção das mesas.

Durante toda sua vida, Uchida trabalhou com muitas coisas, desde o interior de casas de chá e lojas até desenhando mobiliário e luminárias. Sempre foi reconhecido por sua abordagem minimalista. Ele criou boutiques para o estilista Yohji Yamamoto, projetou o Kobe Fashion Museum e seu trabalho está presente nas coleções do Metropolitan Museum of Art, de Nova York e do M+ Museum de Hong Kong.

(Reprodução/Dezeen)


A coleção Khora marca a primeira colaboração de design de Uchida. Seu estúdio Uchida Design Inc continua sem ele e está co-apresentando a coleção em Milão. “Com esta coleção estamos ilustrando o poder e o papel do mobiliário e a essência da sensibilidade asiática, particularmente com o simples ato de sentar-se”, disse Cheng ao Dezeen. Cheng também é empreendedor e é o fundador do “shopping de arte” K11 na China e do K11 Art Foundation.

123(Reprodução/Dezeen)


O mobiliário será exposto na Wander From Within Exhibition que reunirá conceitos de design e protótipos incluindo uma das casas de chá de Uchida, onde ele e Cheng realizaram sua última reunião de design. A exposição acontece de 4 a 8 de abril na Villa Necchi Campiglio, em Milão.

(Reprodução/Dezeen)


(Reprodução/Dezeen)

Jovem designer brasileiro Paulo Kobylka recebe menção honrosa em premiação alemã

3bd6583af5a14653b7b54db2c9fe7f3e_MO designer Paulo Kobylka e seus sofás baixos e geométricos, PK1 e PK2  Foto: RENAN KLIPPEL


Apesar da graduação em arquitetura, o design sempre esteve na mira do paranaense Paulo Kobylka. “Desde criança eu gostava de montar objetos em casa”, conta ele, que começou desenhando móveis para seus projetos de arquitetura e hoje já acumula prêmios internacionais. O mais recente deles, uma menção honrosa no European Product Design Award, pela poltrona PK6. “Tanto na arquitetura, quanto no design, a melhor maneira de aprender é falando com quem entende do assunto”, como afirma nele nesta entrevista ao Casa.

Como se dá seu processo de criação e a partir de quais elementos?
Procuro partir sempre de uma ideia central. Penso que se a ideia for forte, a identidade do móvel também será. Via-de-regra, o processo começa com uma série de indagações que faço a mim mesmo: quem vai usar isso? Em que contexto será inserido? O que eu quero passar? Com qual material? A partir dessas respostas ensaio várias possibilidades. Vou afinando os estudos até chegar a um resultado que responda a meus questionamentos. Quanto aos elementos, procuro sempre ressaltar o hand made e, em certa medida, o industrial. Objetos feitos à mão valorizam a peça, denotam preciosismo . Já o visual industrial decorre dos materiais e da simplicidade do desenho.

Apesar de há pouco no mercado, seus móveis revelam alto padrão de confecção e acabamento. De onde vem o seu know-how na área?
Sem dúvida minha atuação como arquiteto. Quando você faz a especificação de um projeto, precisa pesquisar e estudar bastante os materiais que pretende usar. No design, para projetar uma peça metálica converso com um serralheiro. Se for de madeira, recorro a um marceneiro de primeira. Enquanto projetista, meu papel é alinhar técnica e estética.

Você diz pretender projetar móveis que se comuniquem com seus usuários. Como isso acontece?
A “comunicação” se processa quando o objeto responde aos anseios funcionais e estéticos deles. Se o móvel atender à essas necessidades, ainda mais de forma inusitada, não óbvia, então ela fatalmente se efetiva.

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