Jovem designer Majeda Calarke resgata técnicas indianas de tear

Majeda Calarke trabalha com a pesquisa do fazer manual pelo mundo
Por Giovanna Maradei I Fotos: Divulgação

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Majeda Calarke

“O ser humano pode criar a beleza, mas não a perfeição”. A máxima bastante verdadeira está longe de ser um problema para o trabalho da designer Majeda Calarke, um dos talentos em ascensão que foram destaque na 100% Design, durante o Festival de Design de Londres.

Inglesa de descendência Indiana, Majeda trabalha com diferentes tecidos, sempre tomando o cuidado para desenvolver um trabalho manual, sustentável e que, acima de tudo, resgate e valorize técnicas de povos ancestrais.

Para a série de tecidos quase transparentes, por exemplo, a designer foi a Bangladesh aprender com artesãs locais o fazer manual que há séculos tem sustentando aquela comunidade. Batizado de “tecido de ar”, por ser um tecido tão fino que poderia passar até por um anel, o produto pode ser feito de seda ou algodão e ganha formas e cores mais contemporâneas nas mãos de Majeda.

O mesmo processo de aprendizado aconteceu para a fabricação de outros produtos, como os tapetes de lã que resgatam técnicas desenvolvidas há anos no Reino Unido. “Os panos tecidos nestes moinhos combinam qualidade e história, uma vez que utilizam habilidades locais”, explica o site de Majeda.

A designer também faz questão de destacar o quão inspirador é o contato com cada um dos artesãos que conhece pelo mundo. “Há algo sobre o ato de fazer tecido à mão que me conecta a uma longa linha de tecelões que, ao longo da história, se sentaram em frente a um tear. É uma tradição antiga que está desaparecendo em um mundo de produção em massa e perfeição fabricada”, sentencia a jovem dedigner.

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Novas luminárias investem em formatos e materiais inusitados

Participar ativamente da decoração: esse parece ser o objetivo primordial da nova safra de luminárias decorativas

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Na coleção de Cristiana Bertolucci, e Sérgio Cabral, as bolhas no interior da massa de vidro são formadas pelo calor ao qual o produto fica exposto durante sua confecção Foto: Cristiana Bertolucci Estúdio

Participar ativamente da decoração. Esse parece ser o objetivo primordial da nova safra de luminárias decorativas que acaba de chegar ao mercado ostentando assinaturas de peso. Diferentes em suas propostas, materiais e técnicas, elas só falam a mesma língua quando surgem iluminando os mais diversos ambientes. A partir daí, é impossível, a qualquer uma delas, passar desapercebida. No caso do arquiteto goiano Leo Romano a inspiração para compor a linha Ball Up, da Klaxon, veio da infância. Especificamente do movimento dos balões a gás que tocam o teto após se soltarem das mãos das crianças.

Com aparência de ‘água endurecida’ a não menos impactante coleção Sólido Etéreo, dos designers Cristiana Bertolucci e Sérgio Cabral, traz peças únicas, desenvolvidas a partir de vidro soprado combinado a outros materiais. Por fim, a Labluz convidou o designer Paulo Alves para assinar sua primeira coleção autoral e o resultado não poderia ser outro: um delicado trabalho de marcenaria e encaixes, na melhor tradição do móvel modernista brasileiro. [Marcelo Lima]

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Na coleção de Leo Romano, as cúpulas parecem estar ‘beijando’ o teto, enquanto que as hastes, logo abaixo, remetem aos cordões que ligam às crianças aos seus balões Foto: Klaxon

Funcionais, mas com algo a mais

Como na divertida mesa Piscina, Mariana Ramos e Ricardo Inneco, designers brasilienses radicados em São Paulo, procuram projetar móveis que vão além de sua função objetiva
Por Marcelo Lima

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A mesa Piscina, nas versões pequena e grande, da Novo Ambiente. Foto: Marcellous de Leme

Mariana Ramos e Ricardo Inneco já se conheciam em Brasília, mas só começaram a projetar juntos quando chegaram a São Paulo e descobriram ser vizinhos. “Tínhamos interesses comuns e demos início a nossa história”, lembra Inneco. Apenas anos depois, a dupla passou a trabalhar sob o título RAIN, junção dos sobrenomes Ramos e Innecco. “Acreditamos que os objetos atuam como agentes. Procuramos explorá-los para além de sua função e reforçar sua presença espacial”, como afirmaram nesta entrevista ao Casa.

Vocês nasceram e estudaram em Brasília. Como a vivência na cidade influenciou a visão de design da dupla?
Mariana Ramos: Brasília, sem dúvida, é uma fonte de inspiração permanente. Trata-se de uma cidade muito particular por ter um plano urbanístico modernista, assim como a maior parte de sua arquitetura. É cheia de espaços vazios, obras monumentais, muito verde, água, céu. É uma cidade-jardim. Ter crescido neste ambiente fez o modernismo ser para nós uma grande referência. Buscamos uma certa tranquilidade no nosso desenho, acredito que isso seja uma herança de lá.

Os produtos de vocês exibem um forte componente gráfico e escultural. Como compatibilizar estes elementos e funcionalidade?
M.R: Penso que eles derivam de geometrias simples e isso acentua essa característica. Além disso, eles têm uma profunda relação com o material do qual são feitos, o que colabora para o perfil escultórico. Buscamos entender bem o material antes de trabalhá-lo. Quando projetamos, avaliamos o peso, a forma, a escala de cada peça. Tudo para atingirmos uma presença marcante e silenciosa.

Como é trabalhar na Barra Funda e como funciona o estúdio de vocês? 
Ricardo Innecco: São Paulo é uma cidade efervescente na qual conseguimos iniciar e concluir todo nosso ciclo de trabalho. Aqui projetamos, produzimos, expomos e vendemos nossos produtos. A Barra Funda foi uma ótima escolha. Nos primeiros anos, muitos de nossos fornecedores eram nossos vizinhos. Só depois, buscamos fábricas mais estruturadas. Mas ainda hoje conseguimos fazer protótipos e comprar materiais no bairro.

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Ricardo Innecco e Mariana Ramos Foto: Marcellus de Leme

Desodorante vegano surpreende com embalagem bonita e sustentável

Com 50% menos plástico que uma embalagem tradicional, o case do Myro ainda é reutilizável
Por Giovanna Maradei I Fotos: Divulgação

Sem títuloFeito apenas com ingredientes naturais, o Myro é um novo (e moderninho) desodorante que chama atenção não só por sua receita sustentável, mas também, acredite se quiser, pela embalagem. Assinado pelo estúdio nova-iorquino Visibility, o recipiente com cara de item de decoração é, além de colorido e bonito, fabricado com 50% menos plástico que uma embalagem tradicional.

Pensado para ser reutilizado e não descartado, a embalagem funciona como a de um desodorante roll-on tradicional, mas que recebe novos refis sempre que necessário. Compacto, o case tem forma multifacetada, pensada para garantir que ele fique firme na mão, não saia rolando quando é derrubado no chão e seja “fácil de achar na bolsa”, já que seria possível identifica-lo apenas pelo toque.

Para usar o desodorante, que está disponível em 5 perfumes diferentes, basta ir rodando a base – cada lado do polígono sobe um pouco mais o produto, feito para durar um mês inteiro. Quando acabar, a base sai automaticamente.

Cada refil do desodorante é vendido por US$ 10 (à época do fechamento desta reportagem, aproximadamente R$ 40,00). Já a embalagem é enviada gratuitamente na sua primeira compra, na cor de sua escolha. Tudo com frete disponível para o Brasil.

Conheça os móveis ‘matemáticos’ do designer Samuel Lamas

Formado em arquitetura na Itália, profissional desenvolve móveis onde a geometria funciona como elemento-chave

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Poltrona modelo ‘Sandra’ Foto: Haruo Mikami

Estrutura, sustentação e equilíbrio. Valores intrinsecamente ligados ao universo da construção civil encontram plena expressão nos móveis desenhados pelo arquiteto Samuel Lamas. Natural de Brasília, onde mantém seu estúdio de criação nas áreas de arquitetura, engenharia e design, Lamas é graduado pela Università degli Studi di Roma e traz em seu currículo uma passagem, em 2006, pelo escritório do arquiteto austríaco Massimiliano Fuksas. Autor, entre outras obras, da gigantesca sede da Fiera Milano, em Rho-Pero, construído, basicamente, com aço e vidro. “Quando olhamos o aço, reconhecemos o aço. Quando olhamos a madeira, reconhecemos de imediato sua natureza, sem subterfúgios. Quer se trate de um móvel ou de um edifício, me agrada ver os materiais se expressando de forma autêntica”, conforme ele afirmou nesta entrevista ao Casa. [Marcelo Lima]

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O designer Samuel Lamas na poltrona Sônia e, acima, o modelo Sandra Foto: Haruo Mikami

É possível conciliar lógica matemática e conforto em um mesmo móvel? 
Acredito que sim. Desde, claro, que as equações capazes de gerar o desenho da peça estejam subordinadas às leis da ergonomia. Existe sempre uma altura ideal de assento para uma determinada profundidade e inclinação de encosto e cabe ao designer cuidar para que essas relações sejam observadas. As poltronas Bia, Sandra e Helena, por exemplo, possibilitam a mesma função: o sentar. Elas possuem diferentes volumetrias mas, ao menos do ponto de vista estrutural, são resultantes de operações geométricas similares, que envolvem múltiplos e submúltiplos de quadrados.

Em sua atual coleção para a Quadra você diz pretender que os materiais se expressem de forma autêntica. O que isso significa?
Um material só pode revelar seu potencial máximo, a verdadeira expressão da sua natureza, quando é percebido em seu aspecto genuíno e dimensionado de forma coerente. A pergunta que normalmente me coloco ao projetar é: quanto material é essencialmente necessário e quais ações devem ser realizadas para garantir solidez, beleza e utilidade ao móvel? Na poltrona Sandra, por exemplo, usei um perfil metálico mais robusto na estrutura principal para permitir um movimento mais suave do encosto. O desenho dela sugere fluidez e a amarração entre os perfis garante a estabilidade. O mesmo acontece na Helena, outro móvel onde procurei alcançar máxima leveza sem comprometer a funcionalidade.

Você antes fabricava móveis de forma artesanal. Como foi a transição para o industrial?
A loja Quadra, de Brasília, selecionou alguns designers para compor o acervo de sua nova loja. Eles gostaram da linguagem de meus trabalhos e sugeriram a padronização de alguns detalhes no sentido de viabilizar sua produção industrial. Entrei em contato com a fábrica Studio Mais, em São Paulo, e eles toparam trabalhar em parceria. Desenvolvemos os protótipos ao longo de um ano e lançamos a coleção este mês. O que mudou? Além do aumento na capacidade de produção, o melhor acabamento na pintura, nas soldas e na tapeçariasão evidentes. Mas não apenas. Alguns ajustes, conduzidos em fábrica, contribuíram, e muito, para ampliar o conforto das peças.

Múltiplas influências

Conheça o designer catarinense Giácomo Tomazzi, formado em Arquitetura e Design de Produtos

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O designer e arquiteto catarinense Giácomo Tomazzi  Foto: Estúdio Giácomo Tomazzi

Ao designer catarinense Giácomo Tomazzi agrada transitar entre dois mundos: o da produção em grande escala e o da confecção de pequenas séries em ateliê. Formado em Arquitetura e Urbanismo, ele também estudou Design de Produto, porém não chegou a concluir o curso. Até por isso, todos os aspectos construtivos do móvel lhe interessam em igual medida: encaixes, detalhes, mistura de materiais, tudo colaborando para um resultado equilibrado. “Seja na grande, ou na pequena escala, o que busco é exercitar minha criatividade”, conforme ele afirma nesta entrevista ao Casa. [Marcelo Lima]

Você é arquiteto e já atuou na área. O que a sua formação veio agregar ao seu trabalho como designer? 
Acredito que como arquiteto tenho uma visão mais ampla do projeto, pois não penso o móvel em si, mas como ele será inserido e usado no espaço. Penso também nas novas formas de morar e assim fica mais fácil decodificar as necessidades do usuário e da indústria.

A influência dos modernistas brasileiros é nítida em designers da sua geração. Como ela se manifesta em seu trabalho?
De fato. No ano passado, eu participei da feira MADE (Mercado, Arte e Design) e apresentei a coleção Modernista, trabalhando com pedras brasileiras e fazendo uma referência direta à arquitetura brasileira, expressa no uso de matéria-prima nacional e em formas que remetem aos jardins do Burle Marx e outras obras de arquitetos modernos. Outro ponto que considero importante e faz referência ao movimento, é deixar a estrutura do móvel aparente, fazendo parte do desenho da peça.

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Cadeira projetada pelo arquiteto e designer catarinense Giácomo Tomazzi Foto: Estúdio Giácomo Tomazzi

Como designer, quais as vantagens e desvantagens de se editar móveis por conta própria, em um ateliê, e de ser editado por um grande fabricante?
Me agrada trabalhar nestas duas frentes justamente por terem abordagens muito diferentes. Com a indústria você ganha volume e otimização de processos, dando mais agilidade a fabricação e o produto atinge um maior número de pessoas. A fabricação independente é um processo mais lento, personalizado, feito à mão muitas vezes e com custo maior, porém existe a possibilidade de brincar mais com os aspectos simbólicos e estéticos de cada peça e carregar mais no conceito. Nos dois casos, a receptividade de meus produtos tem sido boa e acho que estou conseguindo imprimir minha linguagem a estes dois universos.

Conheça a primeira loja do Brasil que incentiva o movimento desperdício zero

Mapeei – Uma Vida Sem Plástico disponibiliza produtos para quem quer ter um estilo de vida mais sustentável
Por Paula Jacob I Fotos: André Stéfano/ Divulgação

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Proprietárias Lívia Humaire e Lori Vargas (Foto: André Stéfano/Divulgação)

Zero waste ou desperdício zero é um conceito que tem ganhado força no país nos últimos tempos. Apesar de ainda em atraso, comparando com países da Europa, por exemplo, a demanda é tamanha, que marcas com o propósito se multiplicaram nas prateleiras de um ano para cá. Analisando este mercado e adepta ao movimento desde 2014, Lívia Humaire abre as portas da sua Mapeei, ao lado da sócia Lori Vargas, primeira loja do Brasil que incentiva o movimento desperdício zero.

Localizada dentro de uma galeria na Rua Augusta, a Mapeei – Uma Vida Sem Plásticooferece aos já adeptos ou aos simpatizantes produtos como composteiras, garrafas reutilizáveis, cosméticos orgânicos sem embalagens, escovas de dentes de bambu, canudos de vidro e inox, kits de talheres para comer na rua, guardanapos de pano, absorventes de tecido e outros produtos sem embalagens plásticas. “Sou geógrafa de formação, então foi natural para mim pesquisar sobre o assunto de desperdício e reciclagem, quando encontrei o livro Zero Waste Home, da francesa Bea Johnson – foi um divisor de águas”, conta ela em entrevista à Casa Vogue.

De primeira, a ideia de Lívia era criar uma loja de cosméticos a granel, mas por conta de leis da ANVISA no país, o projeto ficou inviável. Só após uma viagem à trabalho para o exterior, ela enxergou uma possibilidade. “Estive em Portugal e na Alemanha por outros motivos, mas aproveitei para conhecer estabelecimentos com a mesma proposta. Restaurantes, cafés, tudo o que se propunha a não gerar lixo. Então entendi que precisava montar essa loja, para as pessoas terem praticidade para encontrar os produtos certos, de marcas certificadas”, explica. “É poder entrar na loja com seu potinho sem ser julgada por outras pessoas.”

Achar o lugar para abraçar esse projeto foi outro desafio, mas, por sorte, Lívia encontrou a galeria na Baixa Augusta. Como o espaço era antigo, alguns ajustes foram necessários – mas nem a obra escapa da política zero desperdício, claro. “Meu marido é arquiteto, o que ajudou bastante. Fizemos uma obra bem enxuta, arrumando aquilo que estava bem detonado, reutilizando restos de materiais de obra que estavam guardados na garagem da minha casa”, diz. Alguns itens do mobiliário também foram compostos por peças que ela já tinha, mas não usava mais. As únicas coisas compradas para o espaço foram as prateleiras para dispor os produtos e a mesa para as futuras aulas e workshops que acontecerão por lá – tudo de madeira certificada.

“A decoração minimalista também é reflexo disso. Colocamos vasos com plantas e revitalizamos o piso de granilite original. A ideia era gastar o mínimo possível, comprar o mínimo possível para criar este espaço”, conta. Como tudo aconteceu de uma maneira despretensiosa – ela fez tudo entre maio e setembro -, Lívia teve que correr para fazer a curadoria, que já conta com 50 produtores. Entre as marcas, algumas nacionais, como as de cosméticos veganos e orgânicos, e outras internacionais. A ideia é também introduzir alimentos na cartela de produtos, como grãos e hortaliças orgânicas.

Para quem ainda tem receios de aderir ao desperdício zero, Lívia esclarece: “Escuto muito que ser sustentável é caro ou é modinha, mas não é bem assim. Pode ser mais caro no início, de fato, porque você precisa investir em uma boa garrafa, por exemplo. Mas no fim das contas, quantas garrafinhas de plástico você consome por ano? O quanto isso custa? Quando a pessoa se propõe a dar o primeiro passo, os outros surgem como pequenos insights, se torna natural, faz parte do dia a dia”.

Os dados no Brasil são alarmantes: de acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), cerca de 7 milhões de toneladas de lixo deixam de ser coletadas ao ano e tiveram destino impróprio – os habitantes da região Sudeste, por exemplo, produzem cerca de um quilo e 200 gramas de lixo por dia. “A questão do lixo foi construída politicamente, separar o lixo em casa não torna as pessoas mais sustentáveis, porque não adianta separar se os resíduos não estão sendo reciclados. Falta informação real sobre a sustentabilidade”, aponta Livia. O que torna sua iniciativa mais do que necessária.

Mapeei – Uma Vida Sem Plástico
Rua Augusta, 1524, loja 19
Sábado e domingo, das 14h às 19h