Design de embalagens é aposta para atrair consumidor americano a produtos estrangeiros

Empreendedores imigrantes estão trabalhando com designers e estrategistas de marca para criar embalagens que apelam para uma parcela maior de consumidores
Nina Roberts, The New York Times – Life/Style

Yolélé trabalhou para deixar as embalagens de produtos feitos com fonio mais atrativas nos EUA. Foto: Ian C. Bates/The New York Times

O fonio, um cereal importado da África Ocidental, há muito tempo era relegado às prateleiras das pequenas mercearias, frequentadas principalmente por imigrantes do Senegal e do Mali. Mas aos poucos, foi abrindo caminho no supermercado Whole Foods, onde  saquinhos decorados com um mapa pintado da África podem ser encontrados entre embalagens de arroz e lentilhas, visando atrair uma maior variedade de consumidores americanos.

Essa jornada foi promovida em parte por uma empresa de Nova York, a Yolélé, que significa algo como “Que venham os bons tempos!” na língua “fula”, da África Ocidental. A Yolélé oferece também fonio com refogado de cebola e temperado como o arroz comum, uma linha de chips de fonio, e, dentro em breve, farinha de fonio.

A companhia foi fundada em 2017 por Philip Teverow, veterano da indústria alimentícia, e Pierre Thiam, um chef originário do Senegal que cresceu comendo este cereal. Thiam acredita que os americanos consumiriam o fonio, se tivessem mais acesso a ele.

Este grão nutritivo não contém glúten e tem um leve sabor de nozes. Também é fácil de preparar: “Com o fonio, o cozinheiro nunca erra”, disse Thiam.

Mas o crucial para a sua empreitada de conquista do consumidor americano médio foi a embalagem. O design inovador do pacote e a identidade da marca são vitais na venda de alimentos incomuns nos mercados em geral, afirmam especialistas do setor.

“Na realidade, as pessoas compram com os olhos”, disse Chris Manca, um cliente do Whole Foods Market, especializado em produtos locais para lojas da companhia em Nova York, Nova Jersey e Connecticut. “Se o seu produto não saltar realmente da prateleira e não atrair o seu olhar, passará despercebido”.

Em 2019, funcionavam nos Estados Unidos 182.535 empresas de alimentos de propriedade de imigrantes, em toda a sua cadeia, da produção ao restaurante, segundo uma análise da American Community Survey realizada pela organização de pesquisa New American Economy. Imigrantes chineses e mexicanos eram os seus principais proprietários, e vendiam produtos alimentícios familiares ao paladar americano. Ultimamente, empreendedores de países como Guiné, Casaquistão e Senegal também estão conquistando um lugar no mercado com uma culinária menos conhecida.

A comercialização destes alimentos nos EUA também esbarra em algumas dificuldades, como a identidade cultural e a percepção do consumidor. Os empreendedores experientes trabalham com designers e estrategistas de marcas com a finalidade de tornar os seus produtos mais convidativos.

Um dos principais obstáculos é a escolha dos elementos visuais – fontes, cores, ilustrações e fotografias – que revelam a procedência física ou conceitual de um produto. A identidade de uma marca demasiado elegante e brilhante pode parecer pouco autêntica e perder credibilidade. E designs folclóricos ou inspirados em símbolos regionais podem parecer clichê e ultrapassados.

A criação do visual correto consiste em um “equilíbrio sutil”, segundo Paola Antonelli, curadora sênior do departamento de arquitetura e design do Museu de Arte Moderna. Uma nova embalagem para um alimento de procedência estrangeira deve estimular a curiosidade e irradiar autenticidade, “fazendo com que o consumidor sinta uma familiaridade que talvez você ainda não tenha descoberto em si mesmo”, ela falou.

A herança cultural é crucial para um novo produto, explicou Phil Lempert, analista da indústria de alimentos, conhecido como o Guru do Supermercado. “Você precisa se destacar”, afirmou, acrescentando que há um forte apetite for culinárias e produtos estrangeiros, principalmente entre as gerações mais novas: “Eles amam experimentar com a comida”.

O setor global de alimentos mudou substancialmente nas últimas décadas, disse Lempert. Novas marcas de alimentos estrangeiros tendem a celebrar as suas origens, enquanto, há apenas dez anos, talvez as empresas procurassem americanizar os seus produtos.

“Há uma espécie de estigma a este respeito”, ele disse.

A distribuição dos supermercados também mudou. “Muitas destas marcas étnicas menores eram em geral distribuídas por distribuidoras de alimentos étnicas”, disse Lempert. “Agora, estas companhias vão diretamente para o supermercado”.

Outras estratégias apostam na mídia social, principalmente no Instagram, considerada uma maneira eficiente e de baixo custo para comercializar produtos, e vender diretamente aos consumidores por meio de sites e de mercados do comércio eletrônico, como a Amazon.

Mas o segredo está frequentemente na embalagem. A arte de um designer em geral consiste em uma mistura de pensamento criativo, experiência profissional diversificada e grandes viagens. Isto muitas vezes vai além de nacionalidade, etnia ou cultura compartilhadas; na realidade, muitos empreendedores preferem trabalhar com designers de diferentes origens para conhecer melhor a sua história através de lentes frescas.

Thiam quis usar Yolélé para afirmar a identidade afro-ocidental do fonio, evitando rótulos como “exótico” e “étnico”. Ele e Teverow procuraram Paula Scher, sócia da empresa de design Pentagram, com a qual Thiam já estava familiarizado por causa dos seus livros de culinária. Ele teria gostado de um designer de ascendência africana, mas quando viu o mapa da África de Paula Scher, afirmou, foi “amor à primeira vista”.

Depois que o design de Paula chegou às prateleiras, no ano passado, as vendas aumentaram 250%, contou Teverow.

A utilização de nomes de produtos em línguas estrangeiras é um problema comum aos proprietários de empresas de alimentos. Para ampliar o apelo de suas clássicas misturas de especiarias do Oriente Médio, como hawaji, baharat, e ras el hanout, Leetal Arazi, uma das fundadoras da New York Shuk, trabalhou com o designer gráfico Ayal Zakin para bolar a solução visual.

Os rótulos contêm ilustrações elegantes dos conteúdos de cada frasco, como cúrcuma ou chili, equilibrados com um moderno logotipo dourado e a silhueta estilizada de um pequeno camelo.

“De repente, as pessoas se sentem menos temerosas e intimidadas ao pegá-los na mão”, disse Arazi, cujos produtos são vendidos em supermercados como Whole Foods e lojas especializadas. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

A Apple diz que o logotipo da garrafa de água é “quase idêntico” ao seu próprio, objetos de marca registrada

By William Gallagher | Apr 07, 2021

Marca da Georgette

A Apple está novamente se opondo à marca registrada do logotipo de outra empresa, alegando que pode ser facilmente confundido com o seu próprio.

Seguindo sua oposição ao logotipo de um partido político norueguês e sua disputa de marca registrada com a Prepare, a Apple está novamente se opondo ao design de um logotipo. Ela entrou com um aviso de oposição perante o Tribunal de Marcas e Recursos sobre a marca em forma de maçã da Georgette LLC para seu negócio de água engarrafada.

O logotipo da Georgette LLC consiste em uma maçã inteira, não uma com uma mordida arrancada e com as palavras “Eu sou Arcus” escritas nele. A Apple diz que esta marca “apresenta um design estilizado de maçã com uma folha destacada em ângulo reto, tornando-a visualmente semelhante às famosas marcas da Apple”.

O arquivamento da Apple inclui uma comparação lado a lado dos dois logotipos, além de uma imagem sobrepondo os dois. “De fato, o formato geral do design da maçã [da Georgette LLC] é quase idêntico ao formato do logotipo da Apple”, diz o documento.

Detalhe do processo de oposição da Apple mostrando os dois logotipos lado a lado, mais sobrepostos no mesmo tamanho

“À luz da fama das Marcas da Apple”, continua, “os consumidores que encontrarem a Marca do Requerente provavelmente acreditarão que os Bens do Requerente oferecidos sob a Marca do Requerente estão associados ou aprovados, endossados ​​ou fornecidos pela Apple”.

A Apple ainda se opõe ao uso deste logotipo porque ele se destina a ser usado em garrafas de água, entre outros produtos. “Muito antes da data de apresentação do Requerente, a Apple ofereceu produtos e serviços idênticos e / ou altamente relacionados sob suas marcas da Apple”, diz o documento.

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Duyi Han cria renderizações retrô de objetos de design italiano para exibição virtual

O diretor criativo Duyi Han produziu uma série de representações com objetos de 41 designers italianos importantes, como Ettore Sottsass e Enzo Mari, exibidos em ambientes 3D emprestados da cultura popular.

O projeto de Han é para uma exposição virtual na galeria Superhouse do Brooklyn em Nova York, chamada Different Tendencies: Italian Design 1960-1980.

O conjunto de renderizações individuais foi compilado em um vídeo com efeitos e música para evocar o ambiente dos anos 60 e 70.

Evento virtual gratuito Soul Design Summit reúne convidados nacionais e internacionais em palestras sobre arquitetura e design

Organizado Grupo A2 e promovido pela Club&Casa Design, o evento abordará temas como acessibilidade, liderança e design pelo mundo

Evento virtual gratuito reúne convidados nacionais e internacionais em palestras sobre arquitetura e design (Foto: Divulgação)

Grandes nomes nacionais e internacionais da arquitetura e do design se encontrarão em palestras e bate-papos gratuitos da Soul Design Summit, um hub de conteúdo da Expo Revestir 2021. Durante o evento, convidados como o designer italiano Matteo Cibic, o arquiteto Lula Gouveia, do Superlimão Studio, e o fotógrafo Paul Clemence falarão sobre acessibilidade, transformações na arquitetura, liderança e design pelo mundo. A programação começa na próxima segunda-feira (22) e vai até o dia 26 de março.

O evento, realizado pelo Grupo A2 e promovido pela Club&Casa Design, terá programações temáticas que se dividirão ao longo dos dias. A palestra Design pelo Mundo, que ocorrerá na próxima terça-feira (23), é um dos destaques do evento. A programação contará com a participação do artista e designer de luxo italiano Matteo Cibica fundadora da Grace Farms Foundation, Sharon Prince, e o fotógrafo brasileiro-americano Paul Clemence.

O hub de conteúdo contará ainda com uma palestra sobre transformação na arquitetura corporativa. O bate-papo, que ocorrerá quarta-feira (24), será mediado pelo arquiteto Márcio Mazza e terá a participação dos arquitetos Carlos Rossi, Lula Gouveia, Tânia Costa e Claudia Andrade, da neuro arquiteta Priscilla Bencke e do sócio-diretor da Buildings, Fernando Didziakas.

No último dia do evento, os fundadores do Grupo A2, Thiago Sodré e Fábio Ordones, e o editor-chefe da Forbes Brasil, José Vicente Bernardo, participarão de uma conversa sobre liderança, gestão e transformação no mercado de arquitetura. A conversa deve apresentar tendências e assuntos que podem chamar atenção de profissionais de arquitetura e do design nos dias de hoje.

As incrições para a Soul Design Summit são gratuitas e podem ser realizadas por meio do site do evento. No link, confira também a programação completa do hub de conteúdo.

Plataforma de design lança desafio global para reduzir desperdício

Inscrições estão abertas até 20 de abril e vencedor leva cerca de R$ 66 mil para desenvolver sua proposta

A plataforma internacional “What Design Can Do” está convocando criativos ao redor do mundo para pensar em soluções focadas em economia circular, que evitem o desperdício de mais recursos naturais. Segundo a plataforma, a indústria do design contribuiu ativamente para a atual crise climática, tendo criado durante décadas produtos de curta vida útil que logo são descartados. Por isso, a plataforma está em busca de soluções que mudem a lógica consumista atual de “pegar – fazer – desperdiçar”. A competição “No Waste Challenge” está com inscrições abertas até o dia 20 de abril de 2021. 

Os projetos inscritos devem ser pautados em três orientações principais. A primeira é inspirar pessoas a consumirem de maneira mais consciente e desestimular o consumo de mais recursos naturais. A segunda ideia é melhorar o processo de produção para criar produtos que durem mais ou até que sejam capazes de regenerar ecossistemas. E o terceiro e último pilar do desafio é manejar itens descartados de maneira mais eficiente, reaproveitando sempre que possível. Designers podem se orientar por um único princípio específico, ou podem ser inspirados por duas ou até mesmo todas as orientações.

Além disso, a plataforma também está trabalhando com parceiros locais em seis pontos ao redor do mundo. São eles: Amsterdã, Delhi, Cidade do México, Nairóbi, São Paulo e Rio de Janeiro, e Tóquio. Isso significa que, para os designers inscritos para o desafio a partir destas metrópoles, existem orientações mais específicas a respeito dos problemas ambientais mais frequentes em cada um destes lugares.  A plataforma acredita que é importante primeiro agir localmente, para depois pensar em soluções mais globais.

O vencedor receberá um prêmio de €10.000 (cerca de R$ 66 mil, na cotação atual) para desenvolver sua ideia. E não é só isso: os selecionados também terão acesso a sessões de treinamento especialmente pensadas para transformar a proposta vencedora em realidade. Os resultados serão anunciados em julho. A competição é apoiada pela Fundação IKEA. 

Decor de casa moderna de compensado dobrado de meados do século por Ciseal

Posted by Caroline Williamson

Inspirada pela arquitetura e design modernos locais de meados do século em Detroit e arredores, Nicole Hodsdon lançou o Ciseal em 2013 com camadas de folheado de madeira recém-chegadas, cola de madeira, molde feito à mão e alguns grampos. Essas quatro coisas fizeram o primeiro produto da Ciseal – o Ray Tablet Stand – e desde então eles desenvolveram produtos adicionais em camada de madeira que inspiram com apelo visual. Todos os produtos são feitos sob encomenda à mão em seu estúdio em Troy, Michigan, a partir de florestas de bétulas colhidas de forma responsável e de origem sustentável da península superior do estado. De porta-lápis a mesas de canto, cada produto Ciseal adiciona função enquanto evoca formas esculturais por meio de curvas dramáticas no compensado em camadas.

Disponível em carvalho, bordo ou nogueira com ferragens de latão ou níquel, o porta-lápis contém suas canetas e lápis (e outras miscelâneas) em um local, em vez de rolar para fora da mesa e sob outros móveis.

The Ray Tablet Stand, disponível em Walnut, Maple, Cherry, Oak ou Sapele, é um suporte para tablet minimalista que mantém o seu iPad no ângulo perfeito enquanto fica bem no processo.

Aconchegue elegantemente a lenha no suporte para lenha Mission, disponível em carvalho, bordo ou nogueira. O design inspirado na folha de álamo tremedor pode descansar perto da lareira, oferecendo fácil acesso à sua madeira extra. Não tem lareira? Use-o para guardar suas toalhas, cobertores, revistas, brinquedos e muito mais.

The Alden Table, que vem em Oak, Walnut ou Maple, é inspirado nas formas cruzadas da Alden B. Dow Home & Studio em Midland, Michigan. Os ângulos inesperados dão um aceno para a residência, enquanto oferecem espaço para segurar uma bebida ou um despertador acima, e livros e revistas abaixo.

Parte do processo:

Ciseal founder, Nicole Hodsdon

Amazon altera logo após usuários questionarem semelhança com bigode de Hitler

Empresa se recusou a informar se as críticas conduziram à mudança de design
Christine Hauser

Amazon atualiza logo do aplicativo de vendas após comparações com o bigode de Hitler – Reprodução

NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES – Não era algo perceptível sem que alguém apontasse o problema. Mas um logotipo da Amazon que foi discretamente redesenhado portava uma semelhança desconfortável com o rosto de Adolf Hitler –pelo menos de acordo com alguns observadores na mídia social.

O ícone do app da empresa, que causou muita zombaria, tinha uma seta em forma de sorriso por sob o que parecia ser um bigodinho escovado, e foi lançado em janeiro, substituindo a imagem de um carrinho de compras que tinha sido usada pela gigante das compras online durante mais de cinco anos.

A companhia se recusou a informar na quarta-feira (3) se as críticas ao novo logotipo conduziram à segunda mudança de design este ano, que alterou a borda inferior e incluiu como que uma dobra em um canto da linha azul que forma o topo do logotipo, que segundo a companhia sempre teve por objetivo parecer uma fita adesiva usada para embalagens.

“O design do novo ícone deveria despertar antecipação, empolgação e alegria, quando o consumidor começa sua jornada de compras em seu smartphone, que é exatamente como ele se sente ao ver nossas caixas chegando à sua casa”, afirmou a companhia sobre a alteração do ícone original de carrinho de compras.

Embora a Amazon não tenha respondido diretamente a perguntas sobre se as alterações foram feitas em resposta ao burburinho na mídia social e às reportagens sobre o logotipo, as empresas estão caminhando em terreno delicado nos seus esforços de branding, dada a capacidade da mídia social para difundir tendências ou críticas.

Kara Alaimo, professora de relações públicas na Universidade Hofstra, disse que em uma era de indignação na mídia social e de ataques por “trolls”, “os especialistas em branding deveriam se esforçar ao máximo para considerar todas as formas de uso indevido ou de interpretação indevida dos logotipos que criam, antes de lançá-los”.

“Os Estados Unidos estão se tornando cada vez mais diversos, e as expectativas dos consumidores de que as companhias sejam sensíveis diante das experiências de diferentes grupos estão crescendo”, ela acrescentou. “Se você controla uma marca, o que deseja é promover e orientar a mudança cultural, e não correr para recuperar seu atraso com relação a ela”.

Nos últimos anos, empresas remodelaram produtos, nomes de times e logotipos, confrontando estereótipos racistas que sempre estiveram visíveis mas pareciam passar despercebidos, em áreas como produtos alimentícios para o café da manhã, carros e canecas, como algumas que foram confiscadas pelas autoridades da Alemanha em 2014.

Garrafa de xarope para panquecas da marca Aunt Jemima, representada pelo desenho de uma mulher negra sorrindo
Garrafas de xarope para panqueca Aunt Jemima, marca da PepsiCo que será retirada de mercado por representar um esterótipo racista – Justin Sullivan/Getty Images/AFP – 17.jun.2020

Embora algumas objeções tenham se dirigido a símbolos e nomes usados em contato com o público, outras chamavam a atenção para mensagens ocultas não intencionais, ou esquadrinhavam designs que poderiam estar camuflando ou sugerindo o tipo de imagem violenta promovida pelo nazismo.

Em 2013, um outdoor do grupo de varejo J.C. Penney foi retirado, na Califórnia, depois que algumas pessoas apontaram para o fato de que uma chaleira retratada no logotipo fazia lembrar a figura de Hitler.

No ano passado, o Facebook retirou anúncios em sua plataforma adquiridos pela direção de campanha de Donald Trump, que ostentavam com destaque um triângulo vermelho, símbolo usado pelos nazistas para designar prisioneiros políticos.

Na Conferência de Ação Política Conservadora da semana passada, alguns espectadores apontaram que o palco tinha a forma de uma runa, apropriada como símbolo de ódio pelos nazistas. A organização negou a conexão.

As imagens da mudança de logotipo da Amazon foram compartilhadas muitas vezes no Twitter, em muitos idiomas, e foram tema de reportagens por muitas organizações noticiosas fora dos Estados Unidos. Na Alemanha, onde as leis proíbem reproduzir símbolos nazistas, a notícia sobre a mudança de logotipo da empresa foi coberta por publicações sobre tecnologia.

“É claro que você verá Adolf Hitler em toda parte, se assim quiser”, disse o jornalista Thomas Cloer no Twitter.

Jonathan Greenblatt, presidente-executivo da Anti-Defamation League, uma organização americana que combate o antissemitismo, disse que os símbolos nazistas podem começar a ser aceitos na cultura mais ampla, se forem difundidos, especialmente por pessoas que não compreendem plenamente seu significado.

A liga, que mantém um banco de dados online de símbolos de ódio, já havia chamado atenção a casos semelhantes no passado, por exemplo quando as lojas Zara colocaram à venda uma camisa listrada com uma estrela de Davi amarela, e quando a cadeia de varejo H&M publicou um anúncio que mostrava uma criança negra usando uma blusa com os dizeres “o macaco mais bacana da selva”.

Pacotes de arroz da marca Uncle Ben, representada pelo rosto de um homem negro de cabelos brancos, são dispostos lado a lado em uma prateleira de supermercado
A Mars, dona da Uncle Ben, também avalia descontinuar a marca motivada pela acusação de racismo da representação – Justin Sullivan/Getty Images/AFP – 17.jun.2020

“É sempre importante que as pessoas se pronunciem quando veem padrões de publicidade e design que possam ser ofensivos”, disse Greenblatt. “Embora em muitos casos isso não seja intencional, as pessoas têm motivos para sensibilidade quanto a essas questões, por conta da história, e do uso do simbolismo pelos racistas e antissemitas, dos nazistas ao atual movimento da supremacia branca”.

Alaimo disse que a Amazon aparentemente não tinha antecipado que as pessoas pudessem ver uma referência a Hitler no logotipo, e que agiu rapidamente para lidar com o problema.

Em um comunicado distribuído via email na quarta-feira, a Amazon declarou que o ícone do novo app “segue atualizações visuais e funcionais recentes”. Ele foi lançado para o iOS no Reino Unido, Espanha, Itália e Holanda, em 25 de janeiro; para os demais países, no iOS, em 22 de fevereiro; e para o Android em 1º de março.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

Saiba como empregar cadeiras de design no décor com dicas do Korman Arquitetos

As profissionais do Korman Arquitetos trouxeram uma seleção de suas cadeiras de design favoritas e inspiram com projetos cheios de personalidade

Para esse duplex, em São Paulo, a escolha de design do Korman Arquitetos ficou para a divertida poltrona Skate, assinada por Zanine de Zanine. Foto: JP Image

Existem alguns mobiliários que ganham destaque como uma obra de arte. Essas são as peças de design, capazes de transformar qualquer cantinho da casa, conferindo muito estilo e personalidade. “Clássicos do design, são mobiliários cheios de história, que passam de geração para geração e nunca deixam de ser apreciados”, diz Ieda Korman, do escritório Korman Arquitetos. Por isso ela, ao lado de sua sócia Carina Korman, adoram valorizar seus projetos com peças de profissionais renomados.

“Seja compondo um cantinho de leitura, isolada no living ou até mesmo rodeando mesas de jantar, acreditamos que as cadeiras de design impactam sempre”, afirma Ieda, que acredita que não existe um ambiente restrito para utilizá-las. “Além do visual, as cadeiras de design são funcionais e ergonômicas”, aponta. Abaixo, Ieda e Carina Korman fizeram uma seleção de seus clássicos favoritos e inspiram em como empregá-los em projetos. Confira:

Mesmo design, dois estilos: na primeira foto, a poltrona Charles Eames foi revestida com um tecido rosa, cor favorita da moradora. Em outro projeto, Carina e Ieda Korman a deixaram no clássico tom preto, compondo um cantinho de leitura que, ainda, contou com o banco Mocho, de Sergio Rodrigues. Fotos: JP Image e Gui Morelli

Poltrona Charles Eames

Impactante, seja por seu tamanho ou formato, a poltrona Charles Eames foi criada em 1956 e revolucionou o design da época. “Até hoje ela é tida como um dos móveis mais significativos do século XX”, aponta Ieda Korman. Com 85 cm de largura e 84 cm de profundidade, é robusta e preza pelo conforto. Hoje, está exposta no Museu de Arte Moderna, de Nova York.

Poltrona Tetê

Mestre do design brasileiro, Sergio Rodrigues tem inúmeras criações icônicas, com um traço único, robusto e genuinamente brasileiro. “Uma de suas últimas criações foi a poltrona Tetê, com projeto revisitado em 2013. Sentar-se nela é como ser abraçado”, opina Ieda Korman. Larga e com almofadas soltas, ela foi batizada em homenagem a irmã de Sergio Rodrigues, Maria Tereza, que ficou impressionada com o conforto da peça.

Nesse projeto do Korman Arquitetos, as poltronas Tetê, de Sergio Rodrigues, criaram um living extremamente confortável. Foto: Gui Morelli

Cadeira Paulistano

Sóbrio, esse loft com estilo industrial pedia por uma peça que trouxesse cor e funcionasse como ponto de destaque. Carina Korman optou então pela poltrona Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha, em um contemporâneo tom mostarda. Foto: JP Image

“Amamos a força do design brasileiro e não podíamos deixar de citar Paulo Mendes da Rocha, que, com seus traços, volta o olhar para a cultura nacional”, diz Carina Korman, que empregou a cadeira Paulistano em um projeto de loft, em São Paulo. Inspirada nas redes indígenas, foi projetada em 1957 e também está no Museu de Arte Moderna de Nova York. Originalmente, foi projetada para mobiliar o Ginásio Clube Athlético Paulistano, obra arquitetônica de Paulo Mendes da Rocha e João de Gennaro.

Poltrona Skate

Também brasileira, a poltrona Skate é criação de Zanini de Zanini. “Uma curiosidade é que essa foi uma das primeiras peças que o designer desenhou ao terminar a faculdade”, divide Carina Korman. Com uma proposta jovial e divertida, é composta por shapes de skate no lugar do encosto e assento, trazendo materiais não convencionais para um mobiliário.

Cadeira Iron

Para a cozinha desse apartamento, Carina Korman trouxe as cadeiras Iron, que dividem espaço com as banquetas do mesmo modelo, em tom vibrante e divertido. Foto: JP Image

Por fim, a cadeira Iron ou Tolix é uma opção para levar o design até mesmo para ambientes como a cozinha. Desenhada por Xavier Pauchard há mais de 80 anos, se mantém atual e desejada, provando como o design ultrapassa gerações. “Pauchard foi pioneiro na técnica de galvanização de chapas metálicas e sua empresa difundiu a técnica, aplicada em peças de mobiliário”, conta Ieda Korman.

Korman Arquitetos
Rua Groenlândia, 1877, Jardim América, São Paulo
Tel.: (11) 3060-8313
www.kormanarquitetos.com.br
@kormanarquitetos

Sobre a Korman Arquitetos

Com mais de 35 anos de história nos segmentos residencial, corporativo e comercial, o escritório conta com diferentes gerações no comando dos projetos personalizados e exclusivos realizados no Brasil e exterior. Carina se juntou aos pais, Silvio e Ieda, para juntos darem forma a trabalhos criativos com uma linguagem moderna e atemporal, assinando reformas dos mais variados estilos e concebendo espaços do zero, passando pelo acompanhamento da obra até a finalização da decoração. Com participações nas principais mostras de decoração, como CasaCor, o trio já teve projetos evidenciados nas principais publicações da área.

Velas artesanais, com formas e cores inusitadas, viram tendência na decoração

Conheça as marcas que estão remexendo no conceito de vela, que, agora, fazem bem mais do que iluminar (algumas dão até pena de acender)
Lívia Breves

Velas esculturais da Maria Nuvem, criada por Nathália Lessa Foto: Reprodução

Olhar para dentro e para a casa nunca foi tão necessário quanto nesses tempos de pandemia. Seguindo o embalo e capazes de alegrar o ambiente e acalmar a mente, as velas escultóricas artesanais viraram objeto de desejo. Nascidas há poucos meses, marcas como Alya, Estúdio Pasta, Cian Candle, CBNT e Maria Nuvem lançaram modelos em formatos, cores e estampa inusitadas. Muitas delas ainda são ecológicas, feitas com cera de soja ou de palma, e os preços começam em R$ 20 e podem chegar a mais de R$ 200.

As velas em formato de coral da marca CBNT, de Luíza Baggenstoss Foto: Reprodução
As velas em formato de coral da marca CBNT, de Luíza Baggenstoss Foto: Reprodução

Em novembro, a designer Luíza Baggenstoss postou sua primeira foto no Instagram da CBNT (@c_b_n_t): um detalhe de uma vela semelhante a que estampa a página ao lado, com formas que lembram corais. A novidade escultural virou um sucesso. “Tudo começa com um rabisco. A ideia é proporcionar uma experiência contemplativa das forças da natureza e, além disso, decorar”, diz. “O nome vem inspirado nos chamados gabinetes de curiosidades ou quartos das maravilhas, onde colecionadores guardavam com apreço seus objetos mais curiosos. Queremos ter esse carinho de tratar nossas criações como objetos colecionáveis e valiosos, que possam fazer parte de cabinets of curiosities ao redor do mundo”. Luiza ainda comenta que cada queima é única, sempre transformando o objeto. “Como uma queima performática, as velas se deformam e transformam, resultando em um novo objeto com novos sentidos. Um objeto com antes e depois, com história e vida”, define. Cheia de novos planos, neste ano ela prepara-se para investir em novos materiais e ir além das velas. “Ainda neste semestre vamos lançar novos modelos de velas e alguns outros itens para casa”, antecipa.

A jornalista Thatiana Mazza lançou a Pasta Estúdio de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa Foto: Reprodução
A jornalista Thatiana Mazza lançou a Pasta Estúdio de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa Foto: Reprodução

Assim como ela, a jornalista Thatiana Mazza começou a moldar as suas como um hobbie da quarentena e lançou a Pasta Estúdio (@estudio.pasta), que tem uma série de velas em tons pasteis como amarelo, azul e rosa. “Com o isolamento social, comecei a viver muito dentro de casa e comecei a fazer muitos experimentos com fazeres manuais. Acho muito importante resgatar esses saberes, que essencialmente são femininos. Trabalhos artísticos que por séculos não foram remunerados como cerâmica, tapeçaria, bordado, pintura, escultura, etc. Acredito que aconteça uma conexão entre essas atividades e nosso estado emocional. Acho que não é à toa que virou tendência”, conta ela, e continua “Comecei a fazer para decorar minha casa, e depois para presentear amigos. Conforme fui me aperfeiçoando, comecei a levar como um projeto”. São sete tipos (em forma de nuvem, escadinha, rosca) e várias opções de cores. “Quero que o Estúdio Pasta seja também um local de expressão, não só minha, mas de outros artistas visuais que querem criar e experimentar, cada um com suas habilidades. Estamos pensando em formas de viabilizar muitas ideias. E também vamos expandir para outras técnicas, fazeres, objetos, mas tudo isso, com calma sempre”, diz.

A Maria Nuvem, de Nathália Lessa, tem velas retorcidas, de bolinha e outras formas Foto: Reprodução
A Maria Nuvem, de Nathália Lessa, tem velas retorcidas, de bolinha e outras formas Foto: Reprodução

A Maria Nuvem (@marianuvem_) é um desdobramento da Santa Nuvem, que tem loja em Botafogo. A neomarca faz, além de velas lindas, castiçais incríveis. Criada por Nathália Lessa, a marca é a conclusão de seu desejo de criar com as mãos. “É  uma maneira de me harmonizar com a minha própria natureza e oportunidade de dar sentido às minhas reflexões e emoções”, conta. São itens coloridos, torcidos, em formas arredondadas. Uma variedade. “Atuamos no mercado slow fashion com o propósito de desacelerar e consumir consciente. O processo criativo das velas, começa na argila e depois passamos para moldes de ferro.
 

A Cian Candle, da artista Marina Anjos, tem, além de velas, castiçais com formatos e cores inusitadas. Foto: Reprodução
A Cian Candle, da artista Marina Anjos, tem, além de velas, castiçais com formatos e cores inusitadas. Foto: Reprodução

A Cian Candle (@ciancandle), da artista Marina Anjos, é outra cria da pandemia. Nasceu em São Paulo, mas se mudou para o Rio em fevereiro. Quando se viu com tempo livre, se jogou na busca de novas formas de se expressar. Até que chegou nas velas aromáticas. “Encontrei nelas uma conexão entre minha arte e bem-estar”, conta ela, que seguiu produzindo para proporcionar para outras pessoas o mesmo aconchego que encontrou para si. Primeiro, foi uma pequena produção para presentear amigas e familiares e algumas poucas unidades para venda. Mas, aos poucos, a Cian foi ganhando identidade e, claro, novos itens, como castiçais com formatos e cores inusitadas, e também parcerias com pequenas marcas de decoração com produtos autorais. As estampadas com Smiley são um sucesso. “Esse conjunto acabou criando um ciclo que reforça cada vez mais a identidade da marca e, por sua vez, atrai parcerias inesperadas e levam a produtos cada vez mais criativos”, conta Marina. São dois grupos: as velas aromáticas, ecologicamente corretas, feitas com cera de palma e  óleos essenciais; e as castiçais, feitas à base de parafina, que divertem e dão charme ao ambiente com suas formas e cores inusitadas.

Na Alya, cores e ondas de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável Foto: Divulgação
Na Alya, cores e ondas de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável Foto: Divulgação

Vem de Londrina as criações da Alya (@alyavelas), que tem opções em formas de onda e listradas. Também nascida durante a pandemia, quem está por trás é Júlia Dutra e André Felipe, que têm uma banda, a Luvbites. Sem shows, eles começaram a criar velas diferentonas. Como André já trabalhava há quatro anos com a fabricação de velas comuns, tinha noção da produção, o que facilitou a criação das velas escultura da marca. Mas os padrões são outros agora: são de cera vegetal de soja, não poluente e biodegradável. “acreditamos que somente em equilíbrio com a natureza é que podemos produzir algo com propósito. Estamos sempre buscando melhorar nossas habilidades, tanto profissionais como socioambientais, enquanto desenvolvemos novas peças inspiradas na arte, no design e na própria natureza (bioinspiração)”, contam.

Os castiçais nunca mais serão os mesmos.