Apple perde três integrantes do núcleo de design industrial de Jony Ive

Time de design da Apple

A Apple tem diversas (e enormes) equipes especializadas em design ao redor do mundo, mas a “tropa de elite” do desenho industrial, subordinada diretamente ao CDO1 Jony Ivenum porão ultrassecreto de Cupertino, é um grupo muito mais restrito — são pouco mais de 20 indivíduos altamente talentosos e responsáveis diretos pela criação de alguns dos produtos mais icônicos das últimas décadas.

O problema é que a equipe parece estar sofrendo um processo de dissolução: como informou o Wall Street Journal2, ao menos três integrantes deixaram ou estão para deixar o núcleo de design de Ive.

Citando fontes próximas do assunto, o jornal afirmou que Rico Zorkendorfer e Danielle de Iullis — que, somados, juntam 35 anos de experiência na Apple — deixaram a equipe de design recentemente. Julian Hönig, por sua vez, planeja tomar o mesmo rumo nos próximos meses.

Enquanto de Iullis e Hönig não quiseram comentar a saída, Zorkendorfer declarou que estava pedindo as contas da Maçã para dar um tempo na vida profissional e passar mais tempo com a família, acrescentando que se sente privilegiado por ter tido a oportunidade de trabalhar com o núcleo de design da empresa.

As três saídas representam um evento raríssimo para o grupo, considerado uma “máquina” extremamente harmônica e com pouquíssimas baixas ao longo dos anos. Segundo o jornal, o evento não é gratuito: o prestígio da equipe — que, durante os anos de Steve Jobs, era considerada intocável e recebia mais atenção do CEO do que qualquer outro setor — não é o mesmo de antes.

A razão da mudança provavelmente é o novo foco da Apple no setor “Serviços”, mas isso não significa que a Maçã esteja relegando a importância do design a um lugar menor. Segundo Zorkendorfer, a transição é simplesmente sinal de que uma nova geração de designers está chegando — resta saber se essa nova geração será capaz de repetir os sucessos retumbantes dos seus antecessores. [MacMagazine]

VIA 9TO5MAC

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Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto

Feita em madeira e couro, peça conceito faz adaptação do visual icônico da Eames Lounge Chair em versão que cabe na palma das mãos

Cansado da mesmice do design dos acessórios eletrônicos, o designer Shane Chen criou um mouse conceito que promete levar todo arquiteto (ou qualquer amante da decoração) à loucura: uma peça inspirada no desenho da Eames Lounge Chair, uma das criações icônicas de Charles e Ray Eames.

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

Criada pelo casal em 1956, a poltrona logo se tornou um clássico da decoração e, por vezes, até serviu de objeto cenográfico para filmes e séries. Feitas com madeira compensada e couro, as Lounge Chair e Otomana Eames (conjunto de poltrona e pufe) viraram um símbolo do design e do conforto.

Com as mesmas linhas e materiais encontrados na poltrona, o mouse criado por Shane recria o visual do móvel nos mínimos detalhes em uma versão que cabe na palma das mãos.

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

“Prestando uma homenagem aos designers lendários, o acessório aborda a ergonomia e o estilo de um mouse de computador a partir da perspectiva dos móveis. Como uma mini versão da parte otomana da cadeira Eames, este mouse, composto por madeira compensada dobrada, couro e plástico, combina a fronteira entre a mobília e os eletrônicos”, explica o designer.

Ao menos por enquanto, o mouse é apenas um protótipo e não deve ser produzido para comercialização tão em breve. Mas certamente já conquistou muitos fãs por aí. 

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

Conheça tendências exibidas na Semana de Design de Milão

Michele Oliveira
Milão

Os tons terrosos e o rosa começam a perder espaço na decoração para os cítricos, em especial o amarelo, evidente no ambiente da Vitra Por: Divulgação

Foram 386 mil visitantes de 181 países que passaram pelos pavilhões do Salão do Móvel, feira que faz parte da Semana de Design de Milão. O evento, que terminou no último domingo (14), centraliza os grandes lançamentos mundiais voltados para a casa.

Algumas iniciativas, isoladas ou combinadas com outras, apontam tendências que vão bater na porta da sua casa nos próximos meses ou anos.

Entre elas estão a predominância dos tons cítricos, interrompendo o reinado dos terrosos e rosados; as formas redondas, que sugerem aconchego; e as texturas, que oferecem ao tato algo além da tela do celular.

Na iluminação, a automação dos aplicativos ganha a concorrência da interação analógica com luminárias flexíveis. Enquanto isso, na sala, as TVs passam a interferir cada vez menos na decoração.

O uso de materiais reutilizados ou de fontes naturais alternativas chama a atenção tanto nos trabalhos de estudantes quanto nas coleções de grandes fabricantes. Além de peças feitas com plástico reciclado, estão em destaque revestimentos compostos de cinzas vulcânicas, cerâmicas de leite descartado e utilitários com alga marinha.

Conceituais ou comerciais, os projetistas da Semana de Design de Milão sugerem, ano a ano, uma nova forma de morar. Cabe a cada um escolher quais ideias vieram para ficar. Veja abaixo oito tendências.

Também foram recorrentes em Milão os efeitos furta-cor, vistos nos espelhos de Fritz Hansen e também em mesas e luminárias 
Há uma corrida entre os fabricantes por TVs que possam se disfarçar na decoração. A Panasonic mostrou o protótipo de uma tela totalmente transparente emoldurada por madeira
Projetos com materiais de origem natural ou de descarte são bem-vindos. O banco da australiana Kristen Wang é feito com borra de café
Cerâmicas feitas a partir de leite descartado da russa Ekaterina Semenova
Conjunto de jarros e copos do Studio Klarenbeek & Dros usa um biopolímero de alga
A Martinelli Luce lança a luminária Elastica, do estúdio Habits, literalmente uma faixa elástica com uma face de LED que se fixa no teto e tem base móvel no piso, podendo ser puxada conforme a necessidade
Revestimentos com cinza vulcânica da dupla Formafantasma 
A poltrona Lagoa, de Zanini de Zanine, feita para a empresa de design Tacchini, revela no nome de onde vem a inspiração de seus contornos arredondados

Estúdio inglês Furthermore cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia

Designers londrinos imaginam material trazido de missões espaciais
FOTOS MIHAIL NOVAKOV

Situada entre a arte e o design, a coleção Moon Rock, do escritório inglês Studio Furthermore, é uma verdadeira viagem interplanetária. A recém-lançada série de móveis feitos de alumínio foi imaginada para parecer como se tivesse sido confeccionada com um raro material encontrado no espaço.

Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)
Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)

Junto com o lançamento das peças – bancos, mesas e luminárias de formas e tamanhos variados – os designers de Londres criaram uma narrativa que levanta questões realistas sobre a escala e o impacto dos materiais industriais no design.

Diz o texto divulgado pelo estúdio em seu site oficial: “A rocha lunar rica em minerais é a mais rara das rochas aqui na Terra. Há um total de apenas 382 Kg trazidos de volta por poucas missões espaciais bem-sucedidas, cerca de 50 anos atrás. Os projetistas especulam como tudo isso muda quando as atividades industriais se expandem em direção às estrelas.”

A história deve gerar, no mínimo, uma boa discussão sobre o uso dos recursos naturais.

Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)
Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)

Quer aces

Knoll lança exposição sobre a Bauhaus com curadoria do OMA e Ippolito Pestellini Laparelli

por Niall Patrick Walsh Traduzido por Vinicius Libardoni

© OMA / Photography by Fred Ernst

Para celebrar 58ª edição do Salone del Mobile di Milano, fabricante de móveis mundialmente conhecida Knoll apresentou uma exposição em comemoração ao centenário da Bauhaus. O projeto expositivo e curadoria foram realizados em parceria entre o OMA / Ippolito Pestellini Laparelli e Domitilla Dardi. O showroom da Knoll, implantado em plena Piazza Bertarlelli no centro de Milão, foi organizado em quatro diferentes espaços interativos que convidam os visitantes a participar e se envolver com o Salone del Mobile que toma as ruas da cidade lombarda neste mês de abril. [ArchDaily]

© OMA / Photography by Fred Ernst
© OMA / Photography by Fred Ernst

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde

Exposição A Space for Being, em Milão, foi desenvolvida com pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA

Uma parceria do Google com cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, quer provar que o design afeta a saúde e o bem-estar das pessoas. A mostra A Space for Being, em exposição no Spazio Maiocchi durante a semana de design de Milão, apresenta três salas com interiores projetados de acordo com os princípios da neuroestética – um ramo da ciência que explora como a estética visual pode afetar nossos cérebros e fisiologia.

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde (Foto: Divulgação)

Cada ambiente tem diferentes sons, aromas, texturas e iluminação – o objetivo é estimular os sentidos dos visitantes de diversas maneiras para mostrar como o design pode ter um impacto positivo ou negativo no bem-estar mental.

Antes de entrar nas salas interativas, os visitantes recebem uma pulseira desenvolvida pelo Google em parceria com o International Arts + Mind Lab da Universidade Johns Hopkins, liderada por Susan Magsamen. O objeto vem equipado com sensores para medir respostas físicas e fisiológicas específicas, como frequência cardíaca e condutividade da pele.

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde (Foto: Divulgação)

Depois de experimentar cada um dos três ambientes, os visitantes recebem um relatório personalizado informando-os em quais espaços eles se sentiram “mais confortáveis” ou “à vontade”, com base em suas respostas fisiológicas em tempo real. O diagnóstico vem na forma de um círculo pintado em aquarelas, com áreas azuis para mostrar quando o visitante estava à vontade, e salpicos de rosa para quando o visitante foi estimulado ou animado por alguma coisa.

Suchi Reddy, arquiteto e fundador do estúdio de arquitetura Reddymade, projetou os espaços e os decorou com produtos da marca de design dinamarquesa Muuto. Esse critério fez com que as três salas seguissem uma estética comum, o que ajuda a evitar que o gosto pessoal influencie as reações dos visitantes, de modo que os resultados vêm puramente dos gatilhos sensoriais.

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde (Foto: Divulgação)

O primeiro ambiente, Essential, apresenta tons quentes e terrosos, com móveis macios e iluminação. Reddy fez referência à estética das cavernas ao projetar a sala, com o objetivo de criar um espaço semelhante a um útero.

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde (Foto: Divulgação)

A segunda sala, Vital, foi projetada para ser mais divertida, ostentando cores vibrantes e feixes de luz que cruzam o espaço.

Parceria do Google com cientistas mostra que o design afeta a saúde (Foto: Divulgação)

Por fim, a sala final, Transformativa, é descrita como mais “refinada”, caracterizada por tons suaves de aço, madeira e couro.

Os três ambientes destinam-se a refletir os espaços da vida cotidiana, como salas de estar e de jantar, para ajudar as pessoas a perceberem que têm o poder de melhorar seu próprio bem-estar com mudanças simples na casa. “Uma vez que entendemos o que o design e a arquitetura são capazes de fazer, podemos mudar o ambiente e criar espaços que atendam às nossas necessidades de maneira consciente”, disse Reddy ao Dezeen.

“Os objetos que você escolhe afetam seu bem-estar e seu corpo, e o fato de que a neurociência está provando isso é emocionante para nós”, disse Ivy Ross, vice-presidente de design de hardware do Google, em entrevista ao site.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão

Exposição terá parte dos 1.600 objetos da coleção da Triennale
FOTOS GIANLUCA DI IOIA

Depois de décadas como referência em design, a cidade de Milão ganha um museu específico para o tema. O aguardado Museo del Design Italiano, dirigido por Joseph Grima, será inaugurado nesta terça, 9 de abril, dentro da Triennale, durante o Salão do Móvel de Milão.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Gaetano Pesce, Tramonto a New York, 1980, Cassina (Foto: Gianluca Di Ioia)

A instituição apresenta pela primeira vez uma exposição permanente das peças mais emblemáticas do design italiano, parte dos 1.600 objetos da coleção da Triennale. Aberto com o objetivo de tornar visível e expandir a coleção permanente da entidade, o espaço pretende ser um lugar de inspiração, seguindo o sentido mais antigo da palavra “museu”, segundo Grima.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Gaetano Pesce, UP 6, 1969, B&B Italia (Foto: Gianluca Di Ioia)
Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Ettore Sottsass Jr, Casablanca, 1981, Memphis (Foto: Gianluca Di Ioia)

Um passeio pelo local permite observar peças assinadas pelos nomes mais famosos da Itália, como Gio Ponti, irmãos Castiglioni, Gaetano Pesce, entre muitos outros.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Visão geral da exposição (Foto: Gianluca Di Ioia)

Além disso, a mostra reúne mais de 300 modelos da coleção Giovanni Sacchi, mais de 3.000 desenhos de Alessandro Mendini, mais de 500 artefatos gráficos da Coleção Gráfica da história da Triennale e suas 21 edições, e 60 peças de vestuário e estampas da Coleção Nanni Strada.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Giò Ponti, Superleggera, 1955, Cassina (Foto: Gianluca Di Ioia)

Triennale di Milano
Palazzo dell’Arte
Viale Alemagna, 6
Metrô Cadorna – Triennale
Até 1º de setembro, das 10h30 às 20h30, fecha às segundas
Ingresso: 18 €