Mil e uma utilidades

Conheça uma estante feita sob medida, com quase 11 metros de comprimento, projetada para servir como rack, bar, cristaleira e até assento
Roberta Cardoso – O Estado De S.Paulo

De uso múltiplo, estante de quase 11 metros foi projetada para servir como rack, bar e até cristaleira Foto: Cris Farhat

Quando as arquitetas Gabrieli Azevedo e Fernanda Lins , da Matú Arquitetura, foram convocadas para decorar este apartamento, localizado no andar térreo de um edifício no bairro de Santa Cecília, a demanda do casal de moradores era simples: eles queriam dispor de uma estante que cumprisse bem a função de deixar a sala sempre organizada. 

“De cara percebemos que, dadas as dimensões do ambiente, poderíamos investir mais no desenho do móvel. Em vez de criar um modelo pequeno e inexpressivo, os convencemos que uma estante maior, multifuncional, resolveria muitas outras demandas”, conta Fernanda. “E foi assim que uma peça que, a princípio teria uso único, acabou por se transformar em rack, bar, cristaleira, e até assento nas horas vagas”, brinca Gabrieli. 

Com quase 11 metros de comprimento, o móvel precisou ser montado aos poucos. “Ela é modular, não tem nada embutido. Foi a forma que encontramos para resolver a sala da forma que nossos clientes queriam”, diz Fernanda. “Os móveis têm a mesma linguagem. No mais, foi só preencher com os muitos objetos decorativos que eles trouxeram de suas viagens”, complementa.

Mas as intervenções da dupla não pararam por aí. A área externa do imóvel também foi devidamente reorganizada. Junto a uma equipe de paisagistas, as arquitetas revitalizaram por completo o espaço, inicialmente ocioso, por meio de um exuberante jardim vertical com iluminação neon, um banco de concreto pronto para acomodar visitas e até uma horta. “Usamos cores marcantes dentro e fora, o que acabou por imprimir unidade a todo o conjunto”, finaliza Gabrieli.

Cris Farhat
Para facilitar a montagem, móvel foi comprado em módulos e montado por partes Foto: Cris Farhat
Cris Farhat
Arquitetas lançaram mão de base metálica e também de materiais como madeira e vidro Foto: Cris Farhat
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Setor de cristaleira da estante pode abrigar copos, taças, jarras, pratos e travessas Foto: Cris Farhat
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Vista da sala tem janela que garante o máximo de luminosidade natural Foto: Cris Farhat
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Área externa do ambiente também foi organizada pela dupla de arquitetas Foto: Cris Farhat
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Detalhe do jardim vertical que mistura samambaias e luz neon Foto: Cris Farhat
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Vista da sala a partir da mesa de refeições Foto: Cris Farhat
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Banco de concreto na área externa dá maior sensação de aconchego Foto: Cris Farhat
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‘Temos o direito e o dever de falar de igual para igual. No trabalho e no casamento’, diz a designer Ana Couto

Responsável por um dos maiores escritórios de design do país, ela fez o branding da CBF e diz que vê mudanças nas relações de trabalho: ‘As mulheres estão mais parceiras’
Elisa Martins

A designer carioca Ana Couto renovou a marca da CBF Foto: Arte de Luiz Lopes sobre foto divulgação

Quando foi convidada para renovar a marca da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) , a designer carioca Ana Couto sabia que seria um dos maiores desafios de sua carreira. Afinal, trata-se de uma instituição política, com histórico de corrupção, e predominantemente masculina. Mas era uma gestão nova, diz Ana, disposta a mudar a imagem, e sua agência resolveu entrar no jogo. O evento de lançamento, no início de abril, foi uma euforia, mas trouxe também uma constatação: “Quando cheguei e olhei em volta, vi um mundo de gravatas”.

Ela está acostumada a transitar entre homens. A designer, de 54 anos, se mudou para Nova York aos 24 para estudar. Fez mestrado, abriu sua empresa, voltou para o Brasil, foi de novo para os Estados Unidos, estudou em Harvard, e, hoje, comanda na ponte aérea Rio-SP as duas sedes da agência de branding que leva seu nome. Sempre fechou parcerias com homens, acompanhou as mudanças de mercado, lidou com clientes importantes e, algumas vezes, inconvenientes. Já foi chamada de “tia” em reunião e respondeu com uma pergunta: “’Se eu fosse homem, iam me chamar de tio, professor ou pelo nome?’. É preciso revidar”.

O feminismo nunca chegou a ser uma bandeira de fato. Ana já recusou participar de palestras que focavam na “mulher latina nos Estados Unidos”. Diz que sempre se lançou nos projetos de igual para igual, sem se intimidar, pensando que competência deveria estar acima da questão de gênero. Mas, nos últimos anos, algo mudou na relação com o feminino.

Em 2013, a designer foi para Harvard fazer o curso de Owner/President Management, voltado para empresários, donos de negócios e gestores. Havia 170 pessoas – apenas 17,10% do total, eram mulheres. No primeiro ano, lembra, era cada uma para um lado. Tinha poucas amigas. No ano seguinte, a reitora convocou uma das alunas mais sociáveis a promover um almoço entre as poucas mulheres.

– Todas contaram suas histórias. Todas choramos. Uma indiana tinha se separado, e a família não falava mais com ela. Uma chinesa não queria casar, e o pai levou um noivo para ela, que teria que abrir mão da carreira. Outra, separada e com filhos, tinha montado uma empresa de energia nuclear. Ali me conscientizei que tínhamos que ter um movimento mais alinhado – conta Ana.

Depois disso, o grupo se uniu. Fez inclusive uma reclamação formal sobre as piadinhas que os homens contavam em aula, do tipo: “fomos fazer negócio e deixamos os cartões de crédito para as mulheres fazerem compras”.

– Nenhuma de nós precisava de cartão do marido – contesta Ana. – Esse tipo de piada não cabe mais.

Sou mãe ou boa profissional?

Depois da formatura, em 2015, Ana triplicou o negócio (“Estudar é trunfo nosso, estudamos mais que os homens. Mas temos que nos provar mais também”, afirma). Passou, então, a pensar a questão da mulher no trabalho. Hoje, incentiva amigas e funcionárias a revidarem e falarem alto em situação de assédio ou desconforto (“Temos o direito e o dever de falar de igual para igual, sem sair da mesa. No trabalho e no casamento”, diz).

Virou uma das personagens do livro “Mulher Alfa”, focado em liderança feminina. Devorou a biografia de Michelle Obama, e diz que, como a ex-primeira-dama, muita mulher já achou “que tem que ter uma cara dura para se provar, e aí sente que não está criando empatia com ninguém, se distancia do feminino”.

– Brinco que existem as pessoas que me conhecem profissionalmente e as que me conhecem de verdade. As que me conhecem de verdade sabem que adoro pano de prato – ri. – Outras não sabem nem que tenho filhos. Acham que isso não se associa a uma mulher de sucesso. Sou boa mãe ou boa profissional? Não é preciso abrir mão de nada. Os homens não se fazem essa pergunta.

Ana é casada há 30 anos e tem dois filhos: Bernardo, formado em Economia, e Julia, que estuda Artes em Londres. Os dois, diz, foram sua melhor criação.

– A geração da vida é uma coisa mágica. É clichê, mas quando fui mãe foi quando me senti mais deusa. É um momento de criação incrível – opina.

Apple perde três integrantes do núcleo de design industrial de Jony Ive

Time de design da Apple

A Apple tem diversas (e enormes) equipes especializadas em design ao redor do mundo, mas a “tropa de elite” do desenho industrial, subordinada diretamente ao CDO1 Jony Ivenum porão ultrassecreto de Cupertino, é um grupo muito mais restrito — são pouco mais de 20 indivíduos altamente talentosos e responsáveis diretos pela criação de alguns dos produtos mais icônicos das últimas décadas.

O problema é que a equipe parece estar sofrendo um processo de dissolução: como informou o Wall Street Journal2, ao menos três integrantes deixaram ou estão para deixar o núcleo de design de Ive.

Citando fontes próximas do assunto, o jornal afirmou que Rico Zorkendorfer e Danielle de Iullis — que, somados, juntam 35 anos de experiência na Apple — deixaram a equipe de design recentemente. Julian Hönig, por sua vez, planeja tomar o mesmo rumo nos próximos meses.

Enquanto de Iullis e Hönig não quiseram comentar a saída, Zorkendorfer declarou que estava pedindo as contas da Maçã para dar um tempo na vida profissional e passar mais tempo com a família, acrescentando que se sente privilegiado por ter tido a oportunidade de trabalhar com o núcleo de design da empresa.

As três saídas representam um evento raríssimo para o grupo, considerado uma “máquina” extremamente harmônica e com pouquíssimas baixas ao longo dos anos. Segundo o jornal, o evento não é gratuito: o prestígio da equipe — que, durante os anos de Steve Jobs, era considerada intocável e recebia mais atenção do CEO do que qualquer outro setor — não é o mesmo de antes.

A razão da mudança provavelmente é o novo foco da Apple no setor “Serviços”, mas isso não significa que a Maçã esteja relegando a importância do design a um lugar menor. Segundo Zorkendorfer, a transição é simplesmente sinal de que uma nova geração de designers está chegando — resta saber se essa nova geração será capaz de repetir os sucessos retumbantes dos seus antecessores. [MacMagazine]

VIA 9TO5MAC

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto

Feita em madeira e couro, peça conceito faz adaptação do visual icônico da Eames Lounge Chair em versão que cabe na palma das mãos

Cansado da mesmice do design dos acessórios eletrônicos, o designer Shane Chen criou um mouse conceito que promete levar todo arquiteto (ou qualquer amante da decoração) à loucura: uma peça inspirada no desenho da Eames Lounge Chair, uma das criações icônicas de Charles e Ray Eames.

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

Criada pelo casal em 1956, a poltrona logo se tornou um clássico da decoração e, por vezes, até serviu de objeto cenográfico para filmes e séries. Feitas com madeira compensada e couro, as Lounge Chair e Otomana Eames (conjunto de poltrona e pufe) viraram um símbolo do design e do conforto.

Com as mesmas linhas e materiais encontrados na poltrona, o mouse criado por Shane recria o visual do móvel nos mínimos detalhes em uma versão que cabe na palma das mãos.

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

“Prestando uma homenagem aos designers lendários, o acessório aborda a ergonomia e o estilo de um mouse de computador a partir da perspectiva dos móveis. Como uma mini versão da parte otomana da cadeira Eames, este mouse, composto por madeira compensada dobrada, couro e plástico, combina a fronteira entre a mobília e os eletrônicos”, explica o designer.

Ao menos por enquanto, o mouse é apenas um protótipo e não deve ser produzido para comercialização tão em breve. Mas certamente já conquistou muitos fãs por aí. 

Este mouse inspirado na poltrona Eames é o sonho de todo arquiteto (Foto: Divulgação)

Conheça tendências exibidas na Semana de Design de Milão

Michele Oliveira
Milão

Os tons terrosos e o rosa começam a perder espaço na decoração para os cítricos, em especial o amarelo, evidente no ambiente da Vitra Por: Divulgação

Foram 386 mil visitantes de 181 países que passaram pelos pavilhões do Salão do Móvel, feira que faz parte da Semana de Design de Milão. O evento, que terminou no último domingo (14), centraliza os grandes lançamentos mundiais voltados para a casa.

Algumas iniciativas, isoladas ou combinadas com outras, apontam tendências que vão bater na porta da sua casa nos próximos meses ou anos.

Entre elas estão a predominância dos tons cítricos, interrompendo o reinado dos terrosos e rosados; as formas redondas, que sugerem aconchego; e as texturas, que oferecem ao tato algo além da tela do celular.

Na iluminação, a automação dos aplicativos ganha a concorrência da interação analógica com luminárias flexíveis. Enquanto isso, na sala, as TVs passam a interferir cada vez menos na decoração.

O uso de materiais reutilizados ou de fontes naturais alternativas chama a atenção tanto nos trabalhos de estudantes quanto nas coleções de grandes fabricantes. Além de peças feitas com plástico reciclado, estão em destaque revestimentos compostos de cinzas vulcânicas, cerâmicas de leite descartado e utilitários com alga marinha.

Conceituais ou comerciais, os projetistas da Semana de Design de Milão sugerem, ano a ano, uma nova forma de morar. Cabe a cada um escolher quais ideias vieram para ficar. Veja abaixo oito tendências.

Também foram recorrentes em Milão os efeitos furta-cor, vistos nos espelhos de Fritz Hansen e também em mesas e luminárias 
Há uma corrida entre os fabricantes por TVs que possam se disfarçar na decoração. A Panasonic mostrou o protótipo de uma tela totalmente transparente emoldurada por madeira
Projetos com materiais de origem natural ou de descarte são bem-vindos. O banco da australiana Kristen Wang é feito com borra de café
Cerâmicas feitas a partir de leite descartado da russa Ekaterina Semenova
Conjunto de jarros e copos do Studio Klarenbeek & Dros usa um biopolímero de alga
A Martinelli Luce lança a luminária Elastica, do estúdio Habits, literalmente uma faixa elástica com uma face de LED que se fixa no teto e tem base móvel no piso, podendo ser puxada conforme a necessidade
Revestimentos com cinza vulcânica da dupla Formafantasma 
A poltrona Lagoa, de Zanini de Zanine, feita para a empresa de design Tacchini, revela no nome de onde vem a inspiração de seus contornos arredondados

Estúdio inglês Furthermore cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia

Designers londrinos imaginam material trazido de missões espaciais
FOTOS MIHAIL NOVAKOV

Situada entre a arte e o design, a coleção Moon Rock, do escritório inglês Studio Furthermore, é uma verdadeira viagem interplanetária. A recém-lançada série de móveis feitos de alumínio foi imaginada para parecer como se tivesse sido confeccionada com um raro material encontrado no espaço.

Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)
Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)

Junto com o lançamento das peças – bancos, mesas e luminárias de formas e tamanhos variados – os designers de Londres criaram uma narrativa que levanta questões realistas sobre a escala e o impacto dos materiais industriais no design.

Diz o texto divulgado pelo estúdio em seu site oficial: “A rocha lunar rica em minerais é a mais rara das rochas aqui na Terra. Há um total de apenas 382 Kg trazidos de volta por poucas missões espaciais bem-sucedidas, cerca de 50 anos atrás. Os projetistas especulam como tudo isso muda quando as atividades industriais se expandem em direção às estrelas.”

A história deve gerar, no mínimo, uma boa discussão sobre o uso dos recursos naturais.

Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)
Estúdio cria coleção de móveis feitos de rocha lunar fictícia (Foto: Mihail Novakov)

Quer aces

Knoll lança exposição sobre a Bauhaus com curadoria do OMA e Ippolito Pestellini Laparelli

por Niall Patrick Walsh Traduzido por Vinicius Libardoni

© OMA / Photography by Fred Ernst

Para celebrar 58ª edição do Salone del Mobile di Milano, fabricante de móveis mundialmente conhecida Knoll apresentou uma exposição em comemoração ao centenário da Bauhaus. O projeto expositivo e curadoria foram realizados em parceria entre o OMA / Ippolito Pestellini Laparelli e Domitilla Dardi. O showroom da Knoll, implantado em plena Piazza Bertarlelli no centro de Milão, foi organizado em quatro diferentes espaços interativos que convidam os visitantes a participar e se envolver com o Salone del Mobile que toma as ruas da cidade lombarda neste mês de abril. [ArchDaily]

© OMA / Photography by Fred Ernst
© OMA / Photography by Fred Ernst