Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão

Exposição terá parte dos 1.600 objetos da coleção da Triennale
FOTOS GIANLUCA DI IOIA

Depois de décadas como referência em design, a cidade de Milão ganha um museu específico para o tema. O aguardado Museo del Design Italiano, dirigido por Joseph Grima, será inaugurado nesta terça, 9 de abril, dentro da Triennale, durante o Salão do Móvel de Milão.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Gaetano Pesce, Tramonto a New York, 1980, Cassina (Foto: Gianluca Di Ioia)

A instituição apresenta pela primeira vez uma exposição permanente das peças mais emblemáticas do design italiano, parte dos 1.600 objetos da coleção da Triennale. Aberto com o objetivo de tornar visível e expandir a coleção permanente da entidade, o espaço pretende ser um lugar de inspiração, seguindo o sentido mais antigo da palavra “museu”, segundo Grima.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Gaetano Pesce, UP 6, 1969, B&B Italia (Foto: Gianluca Di Ioia)
Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Ettore Sottsass Jr, Casablanca, 1981, Memphis (Foto: Gianluca Di Ioia)

Um passeio pelo local permite observar peças assinadas pelos nomes mais famosos da Itália, como Gio Ponti, irmãos Castiglioni, Gaetano Pesce, entre muitos outros.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Visão geral da exposição (Foto: Gianluca Di Ioia)

Além disso, a mostra reúne mais de 300 modelos da coleção Giovanni Sacchi, mais de 3.000 desenhos de Alessandro Mendini, mais de 500 artefatos gráficos da Coleção Gráfica da história da Triennale e suas 21 edições, e 60 peças de vestuário e estampas da Coleção Nanni Strada.

Museo del Design Italiano abre com mostra permanente em Milão (Foto: Gianluca Di Ioia)
Giò Ponti, Superleggera, 1955, Cassina (Foto: Gianluca Di Ioia)

Triennale di Milano
Palazzo dell’Arte
Viale Alemagna, 6
Metrô Cadorna – Triennale
Até 1º de setembro, das 10h30 às 20h30, fecha às segundas
Ingresso: 18 €

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Arquiteta e designer, Fernanda Marques apresenta a linha de cubas Infinit, desenhada por ela para a Roca

Arquiteta Fernanda Marques Foto: Drauzio Tuzzolo

Desenhar uma cuba para banheiros e lavabos não é dos projetos mais comuns no portfólio dos designers. Até porque envolve diversas limitações técnicas, nem sempre aparentes, mas que podem acabar por limitar sensivelmente o raio de ação do profissional. No caso da arquiteta Fernanda Marques, porém, o convite para criar uma linha delas para a espanhola Roca foi mais do que bem-vindo. “Gosto de desafios e o que poderia ser uma limitação acabou se revelando o maior trunfo do objeto”, conta ela, se referindo à determinação, por parte da marca produtora, de que ela trabalhasse como paredes cerâmicas externas muito finas na criação do objeto. “Isto posto, fomos buscar um desenho universal. Uma cuba leve, que pudesse ser usada no lavabo e em todos os demais banheiros da casa, de acordo com cada necessidade”, conta Fernanda, que acaba de lançar a linha de cubas Infinity, durante a última Expo Revestir, no mês passado, em São Paulo, de onde ela falou com exclusividade ao Casa. [Marc elo Lima]

Como surgiu o convite da Roca?
Minha relação com eles teve início em 2014 com o projeto Impressões, no qual fui convidada para efetuar uma intervenção em uma cuba da marca. De lá para cá nossas relações se estreitaram e recebi o convite para projetar o Roca Gallery, um novo conceito de show room ainda inédito no Brasil, onde os produtos são desvendados, mais do que apresentados, e que deve ficar pronto nos próximos anos. Isso tudo acabou me levando a me envolver cada vez mais com os produtos da marca, até que surgiu o convite.

Qual o maior desafio que você encontrou no projeto e sob quais aspectos ele inova?
Acredito que a escala, muito menor do que estou acostumada a trabalhar, foi o mais complicado. Depois, encontrar a proporção mais adequada, de maneira a manter a leveza que exercito em meus projetos. Neste sentido, a tecnologia ultraleve oferecida pela Roca foi fundamental. Ao mesmo tempo em que permite a construção de peças mais robustas, de bordas arredondadas, possibilita a obtenção de objetos mais leves, logo mais sustentáveis.

Como você trata do espaço banheiro em seus projetos de interiores, tanto em termos funcionais, quanto estéticos?
Sem dúvida com o mesmo rigor que imprimo ao tratamento das áreas sociais. Afinal, é preciso considerar que trata-se do espaço onde iniciamos e encerramos nosso dia. No mais, como em todos os ambientes e objetos que desenho, tento esticar ao máximo a linha tênue que se coloca entre funcionalidade e estética.

Modelo da linha Infinity de cubas de sobrepor, com superfície interna colorida, e previsao de chegada ao mercado para o segundo semestre Foto: Juan Guerra
Peça com duas cubas e saboneteira ao meio em formato de grelha Foto: Vivi Spaco

Escola de Bauhaus inaugura um museu que desafia a extrema direita

Museu expulso da Alemanha pelos nazistas em 1930 celebra seu centenário com a inauguração, nesta semana, de um novo museu político
Por AFP

Bauhaus: escola de design terá a partir de sábado, 6, seu templo em Weimar (Wikipedia/Divulgação)

A escola de design da Bauhaus, atual fundadora da arquitetura contemporânea, celebra seu centenário na Alemanha com a inauguração, nesta semana, de um novo museu muito político e que tem em vista a extrema direita de ontem e de hoje.

Fundada em 1 de abril de 1919 e expulsa da Alemanha pelos nazistas nos anos 1930, a Bauhaus terá a partir de sábado seu templo em Weimar, onde nasceu esta corrente artística e que deu seu nome à breve democracia alemã de entre guerras.

“Não poderão ver esta inauguração separada de seu contexto político”, afirmou à AFP Wolfgang Holler, diretor dos museus de Weimar.

A cidade fica no estado regional de Turingia, na ex-Alemanha Oriental, que se tornou reduto do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Este último aspira a ter resultados de dois dígitos tanto nas eleições europeias de maio como nas regionais previstas para o outono.

“A Bauhaus era, desde o início, muito política. E é então uma ocasião perfeita para iniciar uma conversa, em particular com os jovens”, acrescenta Holler, que espera 100.000 visitantes por ano.

Justaposições fascinantes

O museu foi construído em seu contexto histórico, e o arquiteto Heike Hanada o desenhou em um espaço que data da República de Weimar, entre um edifício nazista e edifícios construídos durante a era comunista.

“Atingi meu objetivo principal, que era que o museu pudesse enfrentar a arquitetura nazista”, disse Hanada ao jornal local Thüringer Allgemeine.

“Estas justaposições fascinantes falam muito da forma como o país vê a si mesmo”, ressaltou Wolgang Holler.

Uma janela foi colocada especialmente no último andar do museu para que se possa ver o memorial do campo de concentração nazista de Buchenwald.

Gigantescos retratos contemporâneos de sobreviventes desse campo foram colocados esta semana sobre os edifícios na avenida que vai da estação de Weimar até o museu.

O fotógrafo Thomas Müller explicou a uma rádio alemã que as fotos buscavam desafiar o AfD, cujas figuras principais fazem declarações controversas sobre o nazismo e o holocausto.

“De olho nas eleições (regionais) em Turingia, devemos enfrentar nossa história de forma responsável”, apontou, quando as pesquisas dão à extrema direita 20% dos votos.

A perseguição da Bauhaus está em muito boa posição no museu, que conta como a escola e seu fundador Walter Gropius fugiram de Weimar a Dessau (centro) em 1925, depois a Berlim em 1930, antes de que o movimento fosse proibido pelo regime nazista em 1933.

“Aprende-se o quão difícil pode ser para os que estão à frente de seu tempo”, lembra o diretor dos museus de Weimar.

Bunker

Mas este exílio forçado facilitou que o movimento conquistasse o mundo com a ideia de fazer coisas práticas, simples e belas, e suas ideias estão presentes nos iPhones e nos móveis Ikea contemporâneos.

Obras icônicas do design estão exposta no novo museu, como as cadeiras revolucionárias de Marcel Breuer ou o bule de Marianne Brandt.

Alguns críticos ressaltam, no entanto, que o edifício do museu de Weimar, um cubo cinza muito sóbrio que custou 27 milhões de euros, tem mais aspecto de bunker militar que de grande lugar arquitetônico.

“Alguns o compararam inclusive com a Wolfsschanze”, o nome do quartel-general de Hitler na Polônia durante a Segunda Guerra Mundial, admite Holler.

“Mas queremos algo que diga: ‘Não nos escondemos’”, aponta Holler.

Paraíso dos minimalistas: Muji abre seu terceiro hotel em Ginza, no Japão

No mesmo endereço, a marca também inaugura sua maior loja, com cinco andares e mais de 7.000 produtos
Por BÁRBARA ÖBERG

Um dos quartos do Muji Hotel em Ginza (Foto: Divulgação)

Os fãs da gigante oriental de design Muji, que oferece objetos variados, como roupas, artigos para viagem, utensílios domésticos, itens de papelaria e móveis, já têm um ponto de parada obrigatória quando passarem por Tóquio, no Japão.

A marca acaba de abrir sua maior loja entre os seus 990 endereços pelo mundo. Nos 4.000 metros quadrados de espaço, do térreo até o sexto andar, estão espalhadas gôndolas recheadas com mais de 7.000 produtos que levam a assinatura da Muji. Opções gastronômicas, como padaria e restaurante, além de uma galeria de arte, também ficam alojadas no prédio. 

A visita não acaba por aí, nos outros cinco andares, a Muji abriu uma terceira unidade da sua rede de hóteis (os outros dois funcionam em Pequim e Xangai).

Muji Hotel Ginza (Foto: Divulgação)

O empreendimento é inaugurado com 79 quartos decorados com produtos Muji. De colchões confortáveis, toalhas felpudas, pijamas super leves a luzes de LED e hidratante, os espaços oferecem o design minimalista e discreto da marca, pisos de carvalho, tatames e paredes de barro.

Muji Hotel Ginza (Foto: Divulgação)

Febre na Europa, a empresa ficou conhecida por vender artigos de estilo minimalista, em cores serenas, e privilegiando as matérias-primas naturais e recicladas. Além disso, também é uma da precursora do movimento no-brand (“sem marca”, em português). Ou seja, nenhum item tem logos ou etiquetas com o nome da marca.

Muji Hotel Ginza (Foto: Divulgação)

Os quartos são acolhedores, funcionais e se parecem mais com pequenos apartamentos de Tóquio do que quartos de hotel, apesar de seu tamanho relativamente modesto. 

Drew Barrymore lança coleção de móveis e decoração inspirada em viagens

Linha repleta de cores vibrantes e pegada bo-ho foi feita em parceria com a gigante Walmart

Musa das comédias românticas, a atriz norte-americana Drew Barrymore lançou nesta semana uma coleção de móveis e itens de decoração inspirada em viagens.

Batizada de Drew Barrymore Flower Home, a linha com pegada boho foi desenvolvida em parceria com a Walmart, que fica responsável pelas vendas.

Drew Barrymore lança coleção de móveis e decoração inspirada em viagens  (Foto: Divulgação)

A coleção de Drew conta com mais de 200 itens com preços que variam entre 18 dólares (cerca de 70 reais), para vasos decorativos de cerâmica, e 899 dólares (3 512 reais), por um sofá.

Com cores vibrantes, estampas e acabamentos em veludo, a Drew Barrymore Flower Home oferece uma variedade de móveis, cortinas, cerâmica e até camas para animais de estimação.

Drew Barrymore lança coleção de móveis e decoração inspirada em viagens  (Foto: Divulgação)

“Eu sempre tive um amor por criar espaços alegres – lugares onde impressões e padrões inesperados, formas e estilos, e cores e texturas se juntam da maneira mais agradável”, disse Drew, em anúncio da marca.

“Minha nova coleção de móveis e decoração é inspirada por essa paixão e espero que isso inspire a todos a se sentirem em casa.”

Essa coleção é mais um desdobramento da marca criada por Drew em 2013, que avançou sobre o mercado de beleza acessível com a FLOWER Beauty.

Design na fronteira com a arte

Fundadora e diretora da SP-Arte comenta as novidades do setor de design da mostra que abre suas portas na quarta-feira, 3
Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo

A instalação Donuts de Jacqueline Terpins. Foto: Jacqueline Terpins

Para a fundadora e diretora da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo – Fernanda Feitosa, o flerte entre arte e design vem de longe. “Ao longo da história, o design tem incorporado processos e questionamentos típicos do fazer artístico, sobretudo nas últimas décadas”, diz. Natural, portanto, que tais inter-relações a levem a apostar no setor design em sua mostra anual, que chega à 15ª edição, de quarta-feira, 3, a domingo, 7 de abril, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. No total, serão 45 expositores – 12 a mais que no ano passado –, divididos em cinco núcleos distintos, incluindo o de Arquitetos. “Vamos apresentar profissionais com móveis autorais raramente vistos. “Trata-se de outra conexão importante, que merece um olhar mais atento”, como afirmou Fernanda, em entrevista exclusiva ao Casa.

O segmento de design dentro da SP-Arte chega a quarta edição, com crescimento do seu prestígio e do número de expositores. A que atribui o sucesso da iniciativa?
Na verdade, a um conjunto de fatores. A começar pelo público que circula pela Bienal durante os dias da nossa feira. Sempre acreditei que colecionadores de boa arte são potenciais compradores de bom design e, ao longo dos anos, a mostra vem confirmando isso. Depois, o interesse do evento em se ajustar aos diferentes segmentos do mercado, com ofertas para o colecionador, o comprador e o público interessado em informação, sobretudo jovens profissionais e estudantes.

Qual o critério de seleção e quem realiza a curadoria do evento, selecionando os temas de cada edição e as empresas participantes?
A princípio não existe nenhuma restrição em relação ao tipo ou escala de produção de cada participante. Nosso critério foi, e continuará sendo, o design autoral. Ou seja, apresentamos peças que têm autoria comprovada e conhecida, de qualquer época, embora, em sua maioria, elas sejam modernas ou contemporâneas. Quanto à curadoria, me ocupo pessoalmente da seleção, mas, em geral, ao lado de especialistas de cada setor. Se tratando de design, mesmo dentro de uma mesma época, existem olhares muito específicos, daí a necessidade de buscar opiniões mais abalizadas.

Na sua opinião, quais serão os destaques entre os projetos especiais desta edição?
Pelo o que ele representa de revolucionário da história do design nacional, considero fundamental a comemoração em torno do centenário de nascimento de Zanine Caldas (designer e arquiteto autodidata que se destacou por seu mobiliário de linhas modernistas, a partir dos anos 1940). A SP-Arte vai homenageá-lo com a Ocupação Zanine Caldas, com diversos expositores apresentando de peças originais a reedições de seus móveis. Entre os contemporâneos, a Ovo apresenta a linha de móveis projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha para o S 24 de Maio. Por fim, pela ponte que realiza entre a arte e o design, a instalação Donuts, de Jaqueline Terpins traz um disco de gelo que vai derreter enquanto a mostra durar. Ela está muito animada com a ideia. E eu, mais ainda.

O aparador “U” em balanço, de Jacqueline Terpins, de madeira imbuia. Foto: Jacqueline Terpins
Fundadora da SP-ARTE, Fernanda Feitosa. Foto: Ênio Cesar

Designer cria mobiliário para desfrutar momentos solitários

Peça foi inspirada nas janelas circulares da Nakagin Capsule Tower, de Kisho Kurokawa

Quem nunca quis se isolar de todo mundo e desfrutar um momentinho acompanhado de um livro e chá quente sem interrupções?

Pensando nesses instantes, o designer e arquiteto Volodymyr Dereznichenko criou uma peça de mobiliário com o nome de “A capsule” (A Cápsula, em tradução livre), inspirada em janelas circulares do edifício localizado em Tóquio Nakagin Capsule Tower, assinado por Kisho Kurokawa.

A estrutura com diâmetro de 1, 3 metros foi totalmente pensada para isolamento e tem um estofado para promover conforto a quem a usa. Ela também tem um tipo de cortina, que se fecha como um leque, se movendo em círculos.

Além disso, a peça permite que o usuário carregue celulares e computadores, que podem ser apoiados em pequenas bandejas retráteis.

Além de ser adaptada na parede, ela pode ser transportada para outros ambientes da casa.