ABIMAD’27: confira os destaques da feira

Entre os dias 05 e 08 de fevereiro, São Paulo recebe a Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração. Casa Vogue selecionou as principais novidades
POR MARIANA CONTE

Poltrona Veleiro, da Plataforma 4 para a Butzke

O enorme pavilhão do São Paulo Expo recebe, entre os dias 05 e 08 de fevereiro, a primeira edição do ano da ABIMAD – Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração. São 164 expositores de móveis, tapeçaria e objetos, além da programação de talks, que inclui um bate-papo entre a nossa Diretora de Conteúdo Taissa Buescu e o arquiteto Carlos Rossi amanhã (07/02) às 15h. A seguir, confira alguns dos principais lançamentos:

Entre as novidades da Butzke, que está comemorando 120 anos, a famosa cadeira diretora ganha revestimento de neoprene com estampas exclusivas em parceria com a Mormaii.
Na Lovato Móveis, o balanço Aziz tem assinatura do designer Rodrigo Karam e é uma peça lúdica, que pode ser usada até como divisória de ambientes.
Sérgio J Matos lança o banco Taturana, de corda náutica e disponível em 17 cores. Além disso, o designer começa uma parceria com a marca piauiense Trapos&Fiapos e eles apresentaram juntos a tapeçaria Chita, com fibra de taboa e corda náutica. Outras peças estão por vir como resultado dessa união.
Entre as novidades da Artefama, está a cadeira Deli, que permite uma vasta combinação de cores.
Na Feeling Estofados, destaque para a Poltrona e para o Puff Zara. A marca trouxe na produção do estande a luminária Rovere, da Madelustre, que também expõe na ABIMAD’27.
Bell’Arte apresentou a coleção Oceanos, que levanta a bandeira da sustentabilidade. O sofá Ilhas, assinado por Ricardo Barddal, é todo modular, com encosto móvel, podendo ser montado de diferentes maneiras.
As mesinhas da linha Oásis, de Rejane Carvalho Leite para a Ville Art, têm formas orgânicas e acabamento em latão escovado.
Na 6F Decorações, a coleção Afeto traz novos lustres, cômodas e acessórios para montar lindos cantinhos na decoração.
O destaque da Via Star fica por conta do tapete Blend. A peça é fabricada na Bélgica com lã espanhola.
No estande da O Galpão há muitas peças novas com fibras naturais, como estas luminárias.
A coleção Urban da ADM Móveis conta com banqueta, cadeira e banco com estrutura e detalhes em metal pintado.
Na Móveis James, um dos destaques são as mesas de centro Arquelis, assinadas por Ramon Zancanaro e feitas com madeira e vidro acidato, material que permite uma reprodução impressa dos mármores calacata e marquina.
As mesinhas Hago, de Bruno Faucz para a Móveis James, também apresenta um mix de materiais: couro, ferro e madeira.
A cadeira Moi, de Marcelo Ligieri para a Doimo, ganhou o IF Product Design Award 2019 e também está na feira.
A poltrona Fiera era uma das estrelas da Salvatore. A peça, que também combina couro, aço e madeira, tem assinatura de Fabricio Roncca.
Na Lazz Interni, o mix de materiais também foi a aposta da linha Tecno, com multilaminado flexível, lâmina de cinamomo e detalhes em aço banhado em dourado
Tapetah trouxe o universo das artes para a tapeçaria. Obras do polonês Franciszek Michalek, que produziu grandes murais em locais públicos da Polônia durante a década de 1970, agora estampam tapetes como esse, mantendo vivo o seu legado. O sofá Pedras, assinado pelo Ponto Eu, também é um lançamento da marca.
Línea Home lançou a coleção Outro Inverno 2019 e a principal novidade são os duvets, capas de edredom, sempre feitos de linho com algodão.
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3 tendências de empreendedorismo entre designers que você precisa saber

Além de desenvolver um produto, profissionais precisam aprender a apresentá-lo ao público, explica professor

Foto Getty Images

Atitudes empreendedoras são cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho e, consequentemente, alcançam as grades de instituições de ensino, dispostas a preparar os seus alunos para os novos tempos. Entre elas, aparece o Centro Universitário Belas Artes que, em fevereiro de 2017, reforçou o Núcleo de Empreendedorismo e Inovação(NEI) e passou a acompanhar não só estudantes que já tinham projetos em desenvolvimento, mas os “clarouros” diante desse novo cenário. “Quanto mais cedo, a tendência de gerar negócios é maior”, disse Dario Vedana, coordenador do NEI. 

Lá, os estudantes podem pensar em um projeto, criar um protótipo, validar e lançá-lo. Depois, ainda recebem monitoria sobre questões diversas questões, como logística e marketing.

Entre os casos de sucesso, aparece o de Gabriela Rossato, que estudou Arquitetura e Urbanismo na instituição, e lançou a marca SeuPetArt. Ela cria obras em quadros, pôsteres e capinhas de celular com imagens de bichos de estimação. Além das vendas, ela reverte parte do lucro para entidades que resgatam e tratam de animais abandonados. 

Outros nomes é o The Calla Guide, um serviço de assinatura que entrega mensalmente uma caixa de cosméticos veganos aos clientes. 

A pedido da Casa Vogue, Vedana citou três atitudes empreendedoras que se mostram tendência no mercado.

Confira:

1- Faça você mesmo
Hoje, está mais fácil empreender que anos atrás. A popularização de novas tecnologias digitais, ferramentas de negócios e meios de pagamento online e novos conhecimentos globais – antes restritos a grandes empresas e governos – contribui para desenvolver uma ideia e transformá-la em um negócio lucrativo e sustentável.

Segundo Vedana, é possível ver empreendedores que, além de criarem um novo produto, assumem o controle de diversas frentes, como divulgação e marketing, seja na criação de vídeos, fotos e sites. Um exemplo são as redes sociais e o Instagram, que vem sido usados como vitrine para diversos trabalhos.

2 – Felicidade e propósito
Outro ponto em comum entre os novos empreendedores é a busca por um trabalho que ele acredite, com um propósito. “Ele está disposto a fazer o que o faz feliz”, diz Vedana. Outro ensinamento importante é saber enfrentar possíveis obstáculos no percurso. “É saber lidar com erro e encarar o fracasso como um grande aprendizado na vida”

3 – Impacto social
Outra tendência no setor, de acordo com o especialista, é desenvolver projetos que causem impacto social. “É preciso retornar para a sociedade o que você está ganhando, [em áreas] que têm a ver com a sua causa”, disse. “A essência do design está nisso, e o nosso papel é poder despertar nos jovens o que eles têm de melhor”.

Além disso, reforça, é ajudar os estudantes a tomar consciência do que é importante para eles e que resolve os problemas atuais.

“Grandes negócios começam pequenos e sustentam porque ajudam as pessoas em suas necessidades”, conclui.

Arquitetos e designers apresentam propostas para a casa canina

Mostra ‘Architecture for Dogs’ está em cartaz na Japan House

Projeto realizado para a mostra em cartaz na Japan House Foto: Hiroshi Yoda

Casa de cachorro é assunto sério também para arquitetos como o japonês Shingeru Ban que, sob a curadoria do designer Kenya Hara, participam da mostra Architecture for Dogs, em cartaz na Japan House, até abril deste ano, e que reúne 14 habitações para cães de diferentes raças. Convidado pela instituição, o FGMF, que também assina o projeto da exposição, é o primeiro escritório na América Latina a integrar a mostra, com um projeto inspirado nos hábitos do cãozinho Bartolomeu: um Yorkshire Terrier, mascote da equipe, que, em tempos de espaços cada vez menores, pode funcionar também de mesa de apoio. [Marcelo Lima]

Biblioteca de materiais incentiva busca por soluções sustentáveis entre designers

Belas Artes possui acervo com mais de 5 000 diferentes tipos de materiais; é possível agendar visitas

A biblioteca Material BA-Z do Centro Universitário Belas Artes reúne mais de 5 000 diferentes tipos de materiais. O espaço atrai estudantes e profissionais que podem tocar, cheirar e conhecer as peças catalogadas – como diferentes tipos de madeira, cerâmica e tecidos – , para desenvolver novos projetos e até mesmo novas opções de matérias para as suas criações.

A coleção da Belas Artes tem como foco a cultura brasileira e latino-americana, suas ancestralidades, tradições, valores, assim como os biomas do Brasil.

Ela foi composta por itens dados por empresas, doadores e peças criadas por professores e alunos, e distribuída em dois ambientes, de 200 m² e 300 m², além de vitrines expostas pela universidade.

Diante do amplo catálogo, os estudantes podem pensar em soluções e alternativas para matérias primas vinda de fontes não renováveis, por exemplo.

“Esse ano vai ser dedicado a ciclo de vida do plástico e materiais emergentes”, conta o coordenador de Design da Belas Artes, Fernando Laterza.

A biblioteca conta também com um programa de computador que apresenta a história e contexto da origem dos materiais. “Essas questões são tão importantes quanto as propriedades físicas”, ressalta.

O espaço, que funciona há pouco mais de cinco meses, também recebe visitantes por meio de agendamento (é possível marcar pelo e-mail fernando.laterza@belasartes.br).

Móveis para os dias de hoje

Dupla de arquitetos e designers comentam a coleção Monica, que acabam de lançar pela Etel Design

Os arquitetos e designers Sarkis Semerdjian e Domingos Pascali

À dupla de arquitetos Domingos Pascali e Sarkis Semerdjian sempre agradou a possibilidade de desenhar móveis. Mas a atividade só começou a tomar contornos mais definidos há cerca de cinco anos, quando desenharam um sofá para um de seus clientes. “Ele gostou tanto do resultado que contatou diretamente a Etel Design afim de obter um orçamento para a execução da peça. Poucos dias depois, recebemos uma ligação da dona da marca nos propondo não apenas colocar o móvel em linha, mas tudo o mais que já tivéssemos projetado”, conta Semerdjian que acaba de lançar Monica, a primeira coleção completa da dupla para a tradicional movelaria paulistana. “A leveza das peças, em contraste com seus materiais e acabamentos sofisticados, foi o que mais me chamou a atenção no trabalho deles. Eles trazem um móvel gostoso de olhar, que propõe uma nova relação com seus usuários, afirma Lissa Carmona, sócia e curadora da Etel, que vislumbra um futuro longo e promissor para a parceria. “A marca tem nos ajudado a viabilizar muitas de nossas ideias, especialmente ao torná-las mais simples”, comenta Pascali, que, ao lado do sócio, apresenta a nova coleção aos leitores do Casa. [Marcelo Lima]

A coleção Mônica, tendo no primeiro plano a poltrona Aldo, que pode ser vestida e, ao lado, o pufe Neco Foto: Rui Teixeira

Vocês já haviam desenhado móveis antes?
Sarkis Semerdjian: Sim, já havíamos lançado algumas peças esporadicamente, como a luminária Ani, que acabou sendo premiada no mundo todo. Em geral, a maior parte das peças de design são criadas por mim. Normalmente, as boas ideias vêm nos momentos de tédio. Porém, do primeiro esboço ao produto final existe um longo processo de lapidação. É a partir deste momento que a colaboração do Domingos se torna mais efetiva, pois aprimoramos juntos as ideias iniciais, o que acaba, por vezes, até dando origem a novas peças.

A atual coleção mescla rigor construtivo a uma carga extra de jovialidade e cor. Isso veio de uma determinação inicial ou surgiu naturalmente?
Domingos Pascali: Esse desenho leve e com maior frescor é algo que sempre buscamos, inclusive nos nossos projetos de arquitetura. Mas, em se tratando de móveis e objetos, em geral somos muito ‘insatisfeitos’ com tudo, por isso sempre buscamos algum tipo de inovação. Podemos dizer que essa permanente busca pelo novo faz parte do DNA do nosso trabalho. No caso desta coleção, porém, procuramos atingir uma nova estética. Explorar uma linguagem que pudesse ser, a um só tempo, clássica e contemporânea.

Vocês já afirmaram pretender criar móveis menos estáticos, mais capazes de dialogar com o mundo de hoje. O que isso significa na prática?
SS: As formas de morar, receber amigos e de interagir com os objetos vem mudando. As nossas relações, sejam com as pessoas ou com os objetos, podem ser muito efêmeras. Por isso, não sei se conscientemente, ou não, nossas peças são mutáveis e interativas, quer dizer, você pode usá-las das mais diferentes formas. Em suma, você pode usar as peças como quiser e alterar sua relação espacial ou funcional com elas. Isso para nós é ser atual.


Cooper Hewitt Smithsonian Design Museum dos EUA fecha as portas por falta de pagamento

Paralisação parcial do governo federal norte-americano forçou o Cooper Hewitt, em Nova York, a fechar temporariamente

Cooper Hewitt Smithsonian Design Museum, em Nova York, fechou as portas no dia 2 de janeiro devido a falta de pagamento de seus funcionários. Assim como a mais importante instituição dedicada ao design nos EUA, o National African American History Museum, em Washington DC, também teve suas atividades canceladas por tempo indeterminado devido à paralisação parcial do governo federal norte-americano.

A Smithsonian Institution fechou as portas de suas instituições 12 dias após a paralisação parcial ter cortado o financiamento da organização administrada pelo governo federal. No Cooper Hewitt, cerca de 100 funcionários foram deixados sem remuneração, sem data planejada para voltar ao trabalho.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na última sexta (4) que a paralisação parcial que afeta o governo federal pode durar anos, em uma clara sinalização de que democratas e republicanos seguem longe de um acordo sobre o financiamento do muro na fronteira com o México.

As Instituições Smithsonian, incluindo o Cooper Hewitt, permaneceram abertas após o impasse político, mas os recursos foram esgotados no museu de design. A curadora de design contemporâneo da instituição, Alexandra Cunningham Cameron, postou uma imagem de seus portões fechados em seu perfil no Instagram.

“A partir da meia-noite de 1º de janeiro, o financiamento estendido para todas as instituições do Smithsonian se esgotou e o @cooperhewitt, juntamente com o restante dos museus Smithsonian e centros de pesquisa, está fechado ao público até que a decisão do governo seja resolvida”, escreveu.

A Smithsonian Institution também recorreu ao Twitter para avisar que vai permanecer fechada até novo aviso. “Devido ao #GovernmentShutdown, os museus Smithsonian e o National Zoo estão fechados. Atualizaremos nosso status operacional assim que a situação for resolvida.”

Jony Ive fala sobre influências e Apple Park com o designer japonês Naoto Fukasawa

Eis aqui um prato cheio para qualquer profissional ou entusiasta do mundo do design: uma conversa entre dois dos nomes mais influentes do ramo no mundo, onde os profissionais falam sobre seus principais trabalhos, influências, perspectivas para o futuro e muito mais. Parece incrível, não? Pois foi justamente o que fez a revista AXIS com ninguém menos que Jony Ive e o designer japonês Naoto Fukasawa.

Os dois designers têm uma história em conjunto: em 1996, eles colaboraram na criação do Twentieth Anniversary Macintosh, uma edição especial do Mac feita para comemorar os 20 anos da Apple — com uma etiqueta de módicos US$7.500, ele obviamente não vendeu quase nada, mas tornou-se objeto de influência para toda a geração seguinte de computadores tudo-em-um.

Outro ponto de interseção nas carreiras de Ive e Fukasawa está no Apple Park: o megalomaníaco campus da Apple tem milhões de cadeiras Hiroshima, projetadas pelo designer japonês em 2010, nas suas áreas comuns e no café do seu Centro de Visitantes. As icônicas peças de mobiliário também estão presentes nas Boardrooms, as salas de reunião de várias das lojas mais recentes da Maçã — que, como bem se sabe, têm seu design comandado justamente por Ive.

Cadeiras Hiroshima na cafeteria do Centro de Visitantes do Apple Park

Falando em Apple Park, Ive explicou ao colega um pouco mais sobre a filosofia do campus. Segundo ele, a ideia de criar um espaço primordialmente horizontal veio para conectar pessoas com outras pessoas e o espaço exterior (método também adotado nas novas Apple Stores, aliás). Como vários dos espaços da “nave espacial” são repetidos num padrão ao longo do círculo, a equipe de design da Apple conseguiu construir protótipos em tempo real para “sentir” o que estava criando antes de transmitir as ideias para a Foster + Partners, o escritório de arquitetura responsável pelo projeto.

Fukasawa, por sua vez, comentou o impacto da Apple no mundo do design em geral e nos padrões estritos estabelecidos pela Maçã:

Eu não acho que o papel do designer em si tenha mudado muito. Mas vocês mudaram os padrões. Por exemplo, antes nosso padrão de precisão estava num raio de 0,3mm, mas vocês mudaram para 0mm. E agora nós temos que seguir o que vocês fizeram.

Ou seja, a relação é quase de uma “competição saudável” em que todos tentam avançar um pouco mais e os outros têm de se adequar. O que é curioso, considerando que uma criação anterior de Fukasawa é um dos itens com maior significado para Ive e sua equipe de design: o CD Player de parede criado pelo designer para a MUJI nos anos 1990.

Ive compartilhou as seguintes palavras sobre o objeto:

O CD Player de parede de Naoto para a MUJI foi um produto muito ressonante e significante para muita gente, incluindo nós enquanto equipe de design. Era uma coisa curiosa porque era uma celebração da mídia em si (o CD).

A conversa completa entre Ive e Fukasawa estará disponível na edição de fevereiro de 2019 da AXIS, em japonês e versão traduzida para o inglês. Bacana, não? [MacMagazine]

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