Fotógrafa Livia Elektra terá NFT em destaque na Times Square, em NY

Gilberto Amendola

Cloud Tree, de Livia Elektra, chega em NY. Crédito: Livia Elektra

Livia Elektra, nome importante do aquecido mercado de NFT, terá o seu trabalho exposto em plena Times Square, em um dos telões de LED mais concorridos de Nova York, o do hotel Marriott Marquis. A fotografia em questão (acima), chamada de Cloud Tree, foi feita em uma fazenda em Valinhos, no interior de SP, no auge da pandemia. A foto chega ao Marriott no próximo dia 20 de junho. A artista, que também é cantora e reconhecida por fotografar capas de discos e campanhas virtuais de marcas famosas (Calvin Klein, Canon, Adidas, Ray-ban, Jack Daniels), é fundadora da EVE NFT – organização autônoma descentralizada dedicada a aumentar a representatividade feminina na Web 3.0. Nesta empreitada também estão nomes como a cantora Paula Lima, a empresária Cíntia Ferreira e a diretora de marketing do TikTok Kim Farrel.

Livia Elektra canta na banda VENVS e também já fotografou capas de álbuns para artistas como Claudia Leitte, Luisa Sonza e Simone e Simaria.

Fotografias feitas com smartphones celebram a arte moderna no MIS

A 9ª edição do Mobile Photo Festival traz o tema “Quebrando barreiras – o Modernismo na atualidade” para o Museu da Imagem e do Som, em São Paulo
POR FERNANDA DRUMOND

Vencedor da categoria Paisagem: @arletebonelliphotos (Foto: @arletebonelliphotos / Divulgação)

Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) recebe, entre os dias 14 de maio e 16 de junho, a 9ª edição do Mobile Photo Festival, exposição que celebra essa arte moderna, acessível e tecnológica gerada a partir de conteúdo imagético criado com smartphones.

Vencedor da categoria Arte Digital: @zal.riani (Foto: @zal.riani / Divulgação)
Vencedor da categoria Arte Digital: @zal.riani (Foto: @zal.riani / Divulgação)

O tema deste ano foi escolhido pelo fundador da Mobgraphia – produtora cultural que promove a arte visual produzida com dispositivos móveis – e organizador do evento, o fotógrafo Ricardo Rojas, e é “Quebrando barreiras – o Modernismo na atualidade”.

Vencedor da categoria Documental: @edupassosI45 (Foto: @edupassosI45 / Divulgação)
Vencedor da categoria Documental: @edupassosI45 (Foto: @edupassosI45 / Divulgação)

“Com a proposta de trazer para o Mobile Photo Festival 2022 uma reflexão sobre o legado que o modernismo nos deixou, neste ano do seu centenário, pensamos em propor um tema central que fizesse com que os participantes se inspirarem, mais do que no método ou na técnica modernista, mas no pensamento modernista, o de ousar pensar diferente, romper padrões estéticos formais e tradicionais, quebrar barreiras, como a expressão de uma comunidade, por exemplo”, diz Rojas.

Vencedor da categoria Retrato: @robertofaria001 (Foto: @robertofaria001 / Divulgação)
Vencedor da categoria Retrato: @robertofaria001 (Foto: @robertofaria001 / Divulgação)

A curadoria das obras foi feita através de um concurso com jurados internacionais. Na noite do dia 13 de maio, houve um evento para anúncio dos finalistas – autores das fotografias que compõem a mostra – e também os vencedores de cada categoria, que receberam uma impressão de seu trabalho e um certificado de autenticidade.

Vencedor da categoria Street: @robertofaria001 (Foto: @robertofaria001 / Divulgação)
Vencedor da categoria Street: @robertofaria001 (Foto: @robertofaria001 / Divulgação)

Criptoarte

O artista suíço Kilian Merz (Kam) é o convidado especial da exposição e apresenta a obra em criptoarte Fusion. Criada exclusivamente para o Mobile Photo Festival 2022 e conceitualizada para o universo de NFT, a peça projetada combina três dimensões: realidade (mobgrafia – imagens feitas com aparelhos móveis); mundo virtual (visual em movimento); e fragmentos de som, proporcionando uma experiência multissensorial através da arte digital. Fusion estará disponível para aquisição em NFT logo após o término da exposição.

Serviço –  Mobile Photo Festival 2022 
Quando? De 14 de maio a 26 de junho de 2022
Onde? MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) – térreo | Endereço: Av. Europa, 158 – Jardim Europa, São Paulo – SP
Contato: (11) 2117-4777
Entrada gratuitaLEIA MAIS

Novo livro Kids of Cosplay do fotógrafo Thurstan Redding se concentra na comunidade global de cosplay

por IRENE OJO FELIX

Imagens cortesia de Thurstan Redding

O que é moda senão escapismo de alfaiataria? O fotógrafo londrino Thurstan Redding leva a questão mais longe com sua exploração da expansiva comunidade de cosplay em seu livro de estreia, Kids of Cosplay . Inesperadamente filmado fora da Comic-Con, o olhar introspectivo no mundo dos cosplayers vê a moda como uma forma completa de expressar a criança interior, em vez de uma apresentação segura e esperada. Justapondo o mistério encoberto da comunidade com a realidade mundana da vida suburbana, Redding trabalhou com os colaboradores Finlay Macaulay , Jean-Baptiste Talbourdet-Napoleone e Lolita Jacobs .elenco e direção de arte, respectivamente. O resultado é uma celebração visual que levou Redding ao redor do mundo para um vislumbre da vasta habilidade e arte do cosplay. Redding fala com Models.com sobre o processo de criação de Kids of Cosplay , como o elemento de ‘brincar’ é essencial e ser rejeitado por Daenerys Targaryen. Disponível para pré-encomenda aqui , o livro será vendido globalmente neste inverno e será vendido por US$ 85.

O que há na comunidade de cosplay que o cativou e sempre se interessou?
Cosplay foi algo que eu só me interessei muito pouco antes de começar o projeto. Eu estava em Los Angeles em uma missão quando vi pela primeira vez um cosplayer na rua. Eu estava ciente disso como uma subcultura, mas nunca havia realmente me envolvido com isso. Fiquei tão intrigado, e quando vi outro cosplayer no DLR em Londres – vestido como Rick de Rick & Morty – senti que realmente poderia se tornar o foco do livro. Como comunidade, meu interesse veio inicialmente do fato de que ainda parece incrivelmente esotérico, apesar de ser enorme em escala. É quase como um fenômeno global que está acontecendo sem que realmente o vejamos.

Onde você foi buscar cosplayers para este projeto?
O diretor de elenco Finlay Macaulay e eu íamos à Comic-Con em Londres e abordávamos dezenas de cosplayers para pedir seus dados de contato. Do punhado que os daria para nós, outro punhado responderia, e então outro punhado deles realmente apareceria nos brotos. Basicamente, repetimos esse processo para lançar o livro, que é uma das razões pelas quais acabou consumindo bastante tempo. Acabamos com cerca de 60 cosplayers no final.

Imagens cortesia de Thurstan Redding

Em termos de moda e figurino, o que mais te impressionou em seus temas?
Eu acho que a atenção aos detalhes é realmente impressionante. Lembro-me de conhecer uma Daenerys Targaryen [cosplayer] de Game of Thrones que tinha um ovo coberto de folha de ouro real. Eu estava muito interessado em incluí-la no livro, mas ela infelizmente recusou! Essa atenção aos detalhes é algo que os cosplayers realmente carregam em seu trabalho. Eu também amo como os figurinos são coisas que eles ajustam e reutilizam. Parece um verdadeiro amor pelo artesanato e a ideia de que algo pode ser melhorado lentamente ao longo do tempo.

Como você decidiu sobre os cenários contrastantes dos locais como uma estrutura para os cosplayers?
Eu inicialmente gravei o livro de uma perspectiva puramente documental, mas achei que parecia um pouco desequilibrado com os cosplayers. Acho que também percebi que algo que achei tão marcante é a existência dos cosplayers em espaços tão liminares e suburbanos. Esse contraste era algo que eu realmente queria traduzir, e senti que havia perdido esse elemento ao abordá-lo estritamente de maneira documental.

Imagens cortesia de Thurstan Redding

Quanto tempo durou o seu processo de seleção das imagens finais e qual o fio condutor essencial para transmitir?
A seleção das imagens finais foi bastante rápida, surpreendentemente. Eu acho que isso aconteceu porque todas as imagens foram pré-desenhadas e esboçadas, então, uma vez que foram percebidas, foi fácil selecionar. Muitas pessoas me disseram que as imagens parecem muito melancólicas; isso não é algo que eu explicitamente pensei que estava transmitindo, mas olhando para trás agora estou muito feliz que parece ser um fio comum em todas as imagens.

Ao olhar para sua trajetória como artista, o que você gostaria de dizer ao seu eu mais jovem?
Ah, essa é uma pergunta tão difícil! Eu gosto de pensar que arrependimentos são uma grande perda de tempo, mas eu definitivamente diria ao meu eu mais jovem para levar meu tempo.

Imagens cortesia de Thurstan Redding

Como colaboradores como Jean Baptiste Talbourdet-Napoleone e Lolita Jacobs ajudaram seu processo criativo?
A direção de arte que eles trouxeram foi fundamental para realmente traduzir o espírito do cosplay de forma visual ao abordar o livro. Eles tiveram a ideia de homenagear as cores vivas do cosplay (e é por isso que o livro é roxo e menta, com toques de amarelo ácido) e justapor isso com um layout mínimo. Eu nem tinha pensado em como o livro ficaria porque eu estava tão focado nas imagens, mas ter o olho deles realmente permitiu que o projeto se unisse e parecesse coerente como um conjunto.

O que você quer que o público sinta ao ver essas imagens?
Isso tem sido tão interessante para mim. Como mencionei, realmente parece que o principal sentimento que eles provocaram é a melancolia. Parte de mim acha que isso talvez seja porque o projeto confronta as pessoas com o fato de que elas deixaram de lado esse elemento de ‘brincar’ e se vestir que os cosplayers abraçam tão livremente. Eu certamente senti uma sensação de melancolia pelo meu eu mais jovem ao filmar o projeto – como o ato de simplesmente encarnar um super-herói pode ser tão divertido. Eu acho que é algo que estou muito feliz para os espectadores levarem com eles.

Fotógrafo René Robert desmaia em rua, não recebe ajuda e morre de frio

Fotógrafo, que tinha 84 anos, ficou por 9 horas sem socorro e morreu por hipotermia

O fotógrafo René Robert (Foto: Divulgação)

O fotógrafo suíço René Robert, de 84 anos, morreu de hipotermia, no último dia 19, depois de desmaiar e cair em uma rua de Paris, na França. Sem receber nenhuma ajuda por 9 horas, René morreu de frio. As informações são do jornal espanhol El Pais.

René saiu de casa para ir à Praça da República, no centro da capital francesa, e passou mal no meio do caminho, indo ao chão, sem ser ajudado por ninguém da multidão que passou por ele por várias horas. O fotógrafo ficou ali até ser encontrado pelos bombeiros, que constataram que ele já estava sem vida por conta da hipotermia.

Michel Mompontet, amigo de René, disse que o fotógrafo morreu por causa da “indiferença” das pessoas. “Que pelo menos se aprenda alguma coisa com esta morte. Quando uma pessoa está deitada no chão, mesmo que estejamos com pressa, vamos ajudá-la, vamos parar”, disse Michel, que deu mais detalhes sobre como René foi notado em meio ao fluxo de pedestres.

“Os bombeiros, alertados por um sem-teto, chegaram ao local por volta das 6h30 da manhã. [René] ficou no frio durante mais de nove horas, sozinho, até morrer. A equipe médica do hospital de Cochin não foi capaz de reanimá-lo”, afirmou.

Nascido em março de 1936, em Fribourg, na Suíça, René começou sua carreira como fotógrafo na publicidade e na moda, mas a fama se consolidou com suas imagens do mundo do flamenco (confira algumas abaixo).

Flamenco (Foto: René Robert)
Flamenco (Foto: René Robert)
Flamenco (Foto: René Robert)
Flamenco (Foto: René Robert)
Flamenco (Foto: René Robert)
Flamenco (Foto: René Robert)

Retratos feitos com câmeras analógicas e filmes 35mm viram moda entre fotógrafos e reativam laboratórios de revelação

“Mais do que a estética final, gosto de não ver o resultado na hora, tendo assim uma relação mais livre”, diz o fotógrafo Demian Jacob
Lívia Breves

Foto feita com câmera 35mm Foto: Isabel Gandolfo

Entre os cliques instantâneos que pipocam no feed do Instagram, algumas imagens andam bem diferentes: granuladas, com uma textura especial e luzes inesperadas. E não se tratam dos famigerados filtros da plataforma. As fotos feitas com filmes 35mm não só voltaram à tona, em trabalhos autorais e muitos editoriais (o mercado da moda tem adorado), como reativaram laboratórios, lojas de consertos de câmeras analógicas e grupos de debates sobre a experiência.

A artista plástica Lorena Moreira começou a fotografar em 35mm no início do ano. Ela estava fuxicando a casa da avó e se deparou com uma Olympus Infinity 76. “Foi amor à primeira vista. Faço como hobby, preferi deixar como uma brincadeira em vez de me dar mais uma função profissional”, diz ela. “Clico de forma natural e sem pensar muito. Qualquer coisa que me interesse visualmente eu abro a bolsa e pego a câmera, que levo para todos os lugares”, conta. “Têm muitas câmeras com preços legais em feiras de antiguidade, como a da Praça XV”, comenta, revelando o caminho das pedras.

Muita gente acredita que esse estilo tenha retornado seu posto no embalo do sucesso das máquinas Lomos, também analógicas, que tiveram o boom há cerca de 15 anos. Bá Rosalinski sempre fez um pouco de tudo: produz festas, tem uma marca de comidinhas veganas e, de uns tempos para cá, também fotografa. Foi depois de uma viagem à Califórnia que sentiu o estalo. “Era 2008, e fiquei louca com o movimento das Lomos. Voltei para o Rio e peguei uma câmera Minolta SLR do meu pai. Comecei a andar com ela para cima e para baixo. Depois, uma Yashica médio formato”, lembra. Há uns três anos, o hobby virou negócio. “O que eu mais curto é brincar com os diferentes filmes e luz, e trazer focos não óbvios”, conta Bá, que tem um olhar para o lifestyle. “Gosto de gente, de rua, de circular por diferentes nichos e movimentos da cidade. Meu trabalho mostra como é a vida cultural e os personagens.”

Referência em imagens analógicas, Demian Jacob, de 38 anos, lembra de quando, em 2004, fez um curso no Ateliê da Imagem todo com filme 35mm. “Ainda não existiam câmeras digitais no mercado e aprendi muito ali”, recorda ele, que é seduzido pelo processo e tem clientes como Osklen, Mari Giudicelli e Nike. “Mais do que a estética final, gosto de não ver o resultado na hora em que se está fotografando, tendo assim uma relação mais livre com o tema. Sempre penso que o que fazemos não é só fotografia analógica. É um híbrido, começa com filme mas termina no meio digital para se manipular e se propagar.”

De fato, em redes sociais como o Instagram, a hashtag 35mm tem quase 36 milhões de menções. E o número aumenta rapidamente. Ao mesmo tempo que cresce o número de pessoas investindo nesse tipo de filme, profissionais estão tendo que se limitar pelos valores que os filmes chegam ao Brasil. Sem falar na demora da entrega. “Está cada vez mais difícil comprar esses materiais a um preço praticável. O que se comprava a R$ 19 em 2019, hoje custa R$ 75. O filme continua sofrendo reajustes das fábricas e o dólar não para de subir”, destaca a fotógrafa Isabel Gandolfo, 29 anos. Ela, que ganhou a primeira analógica aos 9, retomou a fotografia em película em 2015 e investe em retratos. “Curto os erros, as poeiras, os arranhões, as marcas da minha digital quando revelo os filmes. Essa coisa dramática de ter que acertar a foto acaba passando para imagem”, conta.

A fotógrafa Juliana Rocha, de 34 anos, começou a clicar com filme em 2015. Ao lado do companheiro e também fotógrafo Bruno Machado, criou uma agência de fotografia analógica chamada O Álbum. “Comecei como uma busca autoral, já que eu trabalho comercialmente com fotografia digital. Mas tudo acabou se misturando, e fiz diversos trabalhos comerciais que queriam essa estética. Acredito que nos últimos oito anos o analógico voltou das cinzas”, pontua Juliana. “A fotografia digital tem muita resolução, mas perde na textura. O negativo é mais orgânico, entende a luz mais como os nossos olhos. Fora que é maravilhoso lidar com a expectativa que se cria, uma imagem em latência, que precisa ser revelada. É poético. Movimenta nossa criatividade de um jeito diferente, com mais liberdade, porque, apesar de termos que lidar com uma limitação de frames, não fazemos julgamentos instantâneos”

O fotógrafo Vitor Vieira tem um portfólio quase totalmente analógico. Há 12 anos investindo nesse formato, ele se aprofundou na técnica. “O que mais faço é moda e retratos. Mas, além disso, tenho meu trabalho autoral em que investigo a relação humana com a natureza. São imagens sem artifício digital que revelam qualidades orgânicas e reais”, descreve ele, que posta em @vidabossa.

Designer de joias, fotógrafa e diretora na produtora Rrelva, Amine Chalita admira o resultado completamente ao acaso. “Minha maior pesquisa é sobre o cotidiano escondido nas miudezas”, diz ela, que começou a experimentar bem cedo. “Aos 9 anos, usava máquina Point and Shoot, que decorei com todos os adesivos que colecionava. Na faculdade, comecei a me interessar pela fotografia de verdade e ganhei uma máquina manual antiga da minha avó. Voltei a brincar. A vida é cíclica, e o ser humano adora um resgate, né? Como já dizia Cazuza: eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades.”

Morre Sabine Weiss, a última fotógrafa ‘humanista’, aos 97 anos

Sabine Weiss, que comprou sua primeira câmera aos 12 anos, imortalizou a vida simples do povo, sem ostentação e sem arrogância
AFP

Sabine Weiss
Sabine Weiss, em dezembro de 2020 Foto: Joel Saget/AFP

fotógrafa franco-suíça Sabine Weiss morreu na terça-feira, 28, aos 97 anos, em sua casa em Paris, anunciaram sua família e equipe em um comunicado divulgado nesta quarta, 29.

Nascida na Suíça em 1924 e nacionalizada com passaporte francês, Sabine, a última discípula da escola humanista francesa, morava em Paris. Foi na capital francesa, no Boulevard Murat, que instalou sua oficina, no início dos anos 1950, acrescentou sua equipe.PUBLICIDADE

Assim como Doisneau, Boubat, Willy Ronis e Izis, Sabine Weiss imortalizou a vida simples do povo, sem ostentação e sem arrogância. 

“Nunca pensei que estivesse fazendo fotografia humanista. Uma boa foto deve comover, estar bem composta e desnuda”, disse ela ao jornal La Croix. 

Simone Weiss
Paris, 1949, pelo olhar da fotógrafa Sabine Weiss, que morreu aos 97 anos Foto: Sabine Weiss

Ganhadora do prêmio de fotografia Women in Motion de 2020, Sabine Weiss protagonizou mais de 160 exposições ao redor do mundo.

Nascida como Weber em 23 de julho de 1924, em Saint-Gingolph, às margens do lago de Genebra, Sabine Weiss comprou sua primeira câmera, aos 12 anos, com o dinheiro de sua mesada. Aprendeu o ofício aos 16, em um famoso estúdio de Genebra. Chegou a Paris em 1946 e começou a trabalhar para o fotógrafo de moda Willy Maywald. 

Pioneira da fotografia do Pós-Guerra, de formação eclética e uma amante tanto das cores quanto do preto e branco, viu sua carreira decolar na Paris dos anos 1950.

Simone Weiss
Simone Weiss ficou conhecida nos anos 1950; na imagem um retrato feito na Hungria em 1982 Foto: Sabine Weiss

No ano de seu casamento, 1950, abriu seu estúdio no 16º distrito. No mesmo período, Doisneau apresentou-a à revista Vogue e à agência Rapho (hoje Gamma-Rapho). Ela então começou a frequentar os círculos artísticos da época, retratando Stravinsky, Britten, Dubuffet, Léger, ou Giacometti. 

Trabalhou para revistas renomadas como NewsweekTimeLifeEsquire Paris-Match, e foi bem-sucedida nos mais diverso tipos de registro: da reportagem (viajou muito), à publicidade e à moda, passando pelo entretenimento e pela arquitetura.

De personalidade discreta e menos conhecida do grande público que outros fotógrafos de sua geração, essa mulher efervescente de pouco mais de um metro e meio afirmava nunca ter sofrido “discriminação” de gênero.

Acima de tudo, Weiss percorreu, incansável, a capital francesa, às vezes com o marido, o pintor americano Hugh Weiss, muitas vezes à noite, para congelar momentos fugazes: trabalhadores em ação, beijos furtivos, idas e vindas no metrô… Com sua câmera, afirmava ela, gostava de capturar a garotada, mendigos, ou sorrisos, com os quais ia cruzando nas ruas. 

“Na fotografia, fiz de tudo”, declarou à AFP, em uma entrevista em 2020. 

“Fui a necrotérios, fábricas, fotografei gente rica, tirei fotos de moda (…) Mas o que fica são apenas as fotos que tirei apenas para mim, sobre a caminhada”, completou. 

Simone Weiss
 Pont Neuf, em 1949. Para Sabine Weiss, uma boa foto deve comover, estar bem composta e desnuda Foto: Sabine Weiss

Prolífica e generosa, em 2017, legou cerca de 200 mil negativos e 7 mil folhas de contato para o Museu do Eliseu, em Lausanne. 

“Não sei quantas fotos tirei”, disse à AFP em 2014, “de qualquer modo, isso não significa muito”.

Confira cliques de musas da MPB feitos por Thereza Eugenia

Livro com fotos de fotógrafa icônica ganhará segunda edição

Zezé Motta Foto: Thereza Eugenia
Gal Costa Foto: Thereza Eugenia
Fafá de Belém Foto: Thereza Eugenia
Rita Lee em início de carreira Foto: Thereza Eugenia
Alcione tocando trompete Foto: Thereza Eugenia
Zizi Possi com Luiza no colo Foto: Thereza Eugenia
Joanna, cantora famosa dos anos 1980 Foto: Thereza Eugenia
Angela Ro Ro Foto: Thereza Eugenia
Maria Bethânia Foto: Thereza Eugenia
Thereza Eugenia: fotógrafa de 82 anos é referência Foto: Divulgação

Prêmio Architectural Photography Awards revela as melhores fotos de arquitetura de 2021

Fotógrafo chinês vence concurso com registro de lazer em tempos pandêmicos

Prêmio revela as melhores fotos de arquitetura de 2021 (Foto: Divulgação)

Anualmente, o Architectural Photography Awards celebra as melhores fotografias de arquitetura produzidas no período de um ano. Em 2021 não foi diferente e a premiação revelou quais foram as imagens contempladas com a honraria. Nesta edição, o impacto da pandemia na vida nas cidades foi tema recorrente. 

O fotógrafo chinês Liu Xinghao foi o grande vencedor do concurso. O profissional registrou um momento de descontração durante o período de férias na cidade de Chongqing, na China. Feito em dezembro de 2020, o clique mostra pessoas passando o tempo ao ar livre aos pés do edifício Raffles City Chongqing, projeto assinado pelo escritório Safdie Architects.

O prêmio é dividido em seis categorias diferentes. São elas: Exterior, Interior, Senso de Lugar, Edifícios em Uso, Móvel (cujo tema deste ano é cidades verdes) e Portfólio. Segundo os organizadores, mais de 2 mil incrições foram realizadas, com trabalhos oriundos de 42 países diferentes. 

Prêmio revela as melhores fotos de arquitetura de 2021 (Foto: Divulgação)
Fotografia de Nee Deyie (Foto: Divulgação)

Nee Deyie, que fotografou a Estação de Trem de Jiaxing, projetada por MAD Architects, venceu na categoria Portfólio. Na categoria Móvel, Chen Guanhong levou a melhor com sua foto do Robert Irwin’s Central Garden, em Los Angeles. 

Prêmio revela as melhores fotos de arquitetura de 2021 (Foto: Divulgação)
Fotografia de Chen Guanhong (Foto: Divulgação)

Um júri especializado foi montado para definir os vencedores. Entre eles, estão o fotógrafo Richard Bryant;  Laurian Ghinitoiu, vencedor do prêmio em 2020; Hamish Crooks, da Magnum Photos; Chloe Grimshaw, da Fundação Grimshaw; Katy Harris, do escritório Foster + Partners e o acadêmico Marco Iuliano. 

Vivian Maier, cuidadora de crianças nova-iorquina que, depois de morta, ficou famosa pelos registros que fazia da vida de pessoas comuns

Em Paris, o Museu do Luxembourg dedica uma exposição a Vivian Maier até dia 16 de janeiro de 2022
Ruth de Aquino

Uma selfie de Vivian Maier Foto: Agência O Globo

Ela segura sua Rolleiflex na altura do tórax e encara o reflexo. Excêntrica. Taciturna. Reservada. São adjetivos que surgem no documentário “À procura de Vivian Maier”. As famílias que a contrataram em Chicago e Nova York como babá e governanta não sabiam que ela fotografava. Obsessivamente, em qualquer lugar. As crianças percebiam que Vivian carregava sempre a câmera. Mas ela não conversava com ninguém sobre isso. Não mostrava. Por que escondeu a vida toda esse talento, esse olhar perscrutador sobre personagens de rua? Crianças, mulheres, velhos. Marginais, mendigos, bêbados. Elegantes, ricas, belas. Freiras, motoristas, jornaleiros, marinheiros, estivadores, operários, faxineiras, vendedores. Há afeto, ironia, humor em suas imagens em preto e branco, a maioria jamais revelada, muitas ainda nem escaneadas.

Foto tirada em San Francisco,em 4 novembre 1955 Foto: ©Estate of Vivian Maier, Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery
Foto tirada em San Francisco,em 4 novembre 1955 Foto: ©Estate of Vivian Maier, Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery

Os flagrantes urbanos de Vivian Maier nada ficam a dever aos mestres da fotografia. Por que nunca organizou ou exibiu sua obra, por que só soubemos dela depois que se foi? Morreu aos 83 anos, sozinha, numa casa de repouso, meses depois de escorregar no gelo e bater a cabeça na calçada. A rua foi sua companheira até o fim.

Vivian Maier não planejou a fama. Ao contrário. Jamais imaginou que sua vida seria tão devassada. Ao aposentar-se como babá, estocou seus pertences em guarda-móveis de Chicago. Sem poder pagar, perdeu tudo em leilões. Num deles, por sorte ou destino, um jovem corretor de imóveis e historiador, John Maloof, de 27 anos, arrematou em 2007, por US$ 400, 30 mil negativos e 1.600 rolos de filmes não revelados de uma tal “Vivian Maier”. Maloof buscava imagens para valorizar seu bairro em um livro. Frustrado porque pouco havia ali para a pesquisa, guardou no armário. Pesquisou sobre a autora. E nada encontrou no Google nem em outro lugar. Vivian não existia.

Foto tirada em Chicago, em 18 de setembro de 1962 Foto: © Estate of Vivian Maier, Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
Foto tirada em Chicago, em 18 de setembro de 1962 Foto: © Estate of Vivian Maier, Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY

Dois anos depois, em 2009, Maloof leu uma nota de obituário no Chicago Tribune, publicada por três filhos da família Gensburg, para quem ela havia trabalhado. “Vivian Dorothea Maier foi uma segunda mãe para John, Lane e Matthew”. A partir daí, desvendou sua vida secreta. O que no início achou ser “uma tralha” mudou seu futuro. Fez um documentário premiado e venceu a desconfiança de museus e galerias que hoje a expõem com pompa e filas imensas. É uma artista cult. Deixou centenas de autorretratos com ajuda de espelhos e vitrines. Nada a ver com os selfies atuais. Muitas vezes, ela é só uma sombra.

Situações cotidianas eram registradas por Maier Foto: © Estate of Vivian Maier, Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery

Maloof comprou o resto da obra de Vivian — cerca de 120 mil imagens — e vasculhou os depósitos com seus objetos, prestes a ser jogados no lixo. Era uma acumuladora. Câmeras. Chapéus. Um par de sapatos vermelhos. Cheques do governo americano não descontados. Um gravador. Pastas com recortes de jornais e manchetes de crimes em Chicago. Vivian não permitia a entrada de ninguém em seus depósitos. Ela mentia até sobre o local onde nasceu, por seu sotaque levemente estrangeiro. Sua mãe era francesa, o pai húngaro, imigrantes nos Estados Unidos. Vivian nasceu em Nova York, passou infância na França. Chegou a viajar pelas Américas Central e do Sul, Europa, Oriente Médio e Ásia, entre 1959 e 1960, com uma licença da família Gensburg. Experimentou cor e vídeos, mas nada se compara a seus registros de pessoas em Chicago e NY.

Em Paris, o Museu do Luxembourg, no jardim do mesmo nome, dedica uma exposição a Vivian Maier até dia 16 de janeiro de 2022. A babá independente (e às vezes autoritária e cruel), que carregava as crianças em suas aventuras pelas ruas, sempre com a câmera pendurada, é hoje comparada a Cartier-Bresson e Robert Frank. Todos fotógrafos da condição humana, do instante de um riso, um choro, um beijo, um grito, uma baforada, um afago, um bocejo. A diferença é que Vivian Maier será sempre um enigma.