Mulher interage na exposição “O Mundo Segundo Mafalda” do cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado

Mulher interage na exposição “O Mundo Segundo Mafalda” do cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado (Quino) na cidade de Guadalajara. Foto: EFE / Francisco Guasco

Bob Wolfenson é juri de concurso fotografico

Sonia Racy

Bob Wolfenson. Crédito: Denise Andrade/Estadão

Bob Wolfenson – que está completando 50 anos de carreira – compõe a comissão julgadora do concurso fotográfico #zeiss_extraordinario, promovido pela tradicional fabricante alemã de lentes. As inscrições podem ser feitas até dia 20, e as fotos ficam disponíveis no feed até 4 de outubro. A competição é parte da campanha global Veja o Extraordinário em Toda Parte.

Confira cliques de Agatha Moreira no Instagram

Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
A atriz Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira Foto: Reprodução / Instagram
Agatha Moreira e o namorado, o ator Rodrigo Simas Foto: Reprodução / Instagram

Morre Chi Modu, autor de fotos icônicas de Tupac Shakur, Snoop Dogg e Notorious B.I.G

Lendário fotógrafo americano, responsável por retratos icônicos do hip-hop, morreu neste sábado, aos 54 anos

Chi Modu Foto: Custódio Coimbra

Responsável por fotos e capas icônicas de álbuns do hip-hop, o fotógrafo Chi Modu morreu neste sábado (22), aos 54 anos. A causa morte do artista ainda não foi divulgada.

Nascido na Nigéria, mas naturalizado americano, Chi Modu ficou conhecido nos anos 1990, década que se tornou o principal fotógrafos de rappers. Basta entrar nas redes sociais do artista para reconhecer muitas imagens feitas por ele – que incluem Tupac amarrando sua bandana envolto em fumaça ou Snoop com dois revólveres 38. Capas de álbuns importantes como do Mobb Deep (“The infamous”), Method Man (“Tical”),  Black Moon (“Enta da Stage”) e Snoop Dogg (“Neva left”), entre outras, são alguns de seus trabalhos.

— Fotografei todos esses rappers no início da fama e no auge da juventude, quando ainda eram caras tentando ganhar o mundo. Quando você conhece uma pessoa nesse ponto da vida, você vê quem ela é de verdade — contou Modu, em entrevista ao GLOBO, em 2017, quando relembrou o período em que comandou o departamento fotográfico da lendária revista “The Source”, a mais longeva dedicada à cultura hip-hop.

Nascido na Nigéria pouco antes da guerra civil, o artista mudou-se aos 3 anos com a família para os Estados Unidos, onde o pai fazia doutorado, para fugir do conflito. Cresceu entre a classe média branca de New Jersey, e trabalhou numa loja de equipamentos fotográficos enquanto estudava na prestigiosa Universidade Rutgers. De lá, passou a integrar a equipe da revista, onde registrou 34 capas. Para isso, diz não ter tido muitas referências (“artistas como eu não são muito celebrados”).

Segundo Modu, apesar de não ter crescido na periferia, como a maioria dos seus retratados, ele nunca deixou que a diferença de criação ou de classe social interferisse no seu trabalho.

— Crescemos de maneira diferente, mas somos semelhantes. Claro que não era muito fácil aparecer na casa de um cara desses numa vizinhança desconhecida e dizer “quero tirar fotos suas”. Mas fui ficando bom nessas coisas. Por causa disso, posso ir a lugares onde a maioria das pessoas não pode, e os artistas sempre respeitaram isso.

“Essa foto do Tupac foi tirada no meio desse ensaio, já estava na segunda câmera, uma 35mm, para fotografar em grande formato. A essa altura, ele já estava relaxando o suficiente perto de mim, e estava apenas sendo ele mesmo. Ele nem reparou quando o disparador fez barulho, ele não se importou, e continuou mexendo na bandana. Ele levava jeito, mas ninguém age naturalmente na frente da câmera. Isso é invenção. Todo mundo tem um ângulo bom e um ângulo ruim. Mas tem gente que não liga, então é mais fácil”. Foto: Chi Modu
“Snoop Dogg levava aqueles dois .38 para tudo que é lugar e queria ser fotografado com as armas. Outros fotógrafos teriam entrado em pânico e negado, mas eu sabia que aquilo era parte de quem ele era. Não era para aparecer. Então falei: ‘ok, então você vai descarregá-los e eu vou checar primeiro se está tudo certo’. Minha mãe hoje ri quando eu conto essa história justamente porque eu estou aqui para contá-la, mas a verdade é que eu nunca tive medo” Foto: Chi Modu
“Além da foto com os revólveres, gosto muito dessa do Snoop Dogg. Isso foi em Los Angeles. 187 é o código da polícia para assassinato, então procuramos por essa placa para fazer a foto. Não foi uma foto fácil de fazer, porque a Califórnia é muito ensolarada, e o sol provoca sombra. Tive que posicioná-lo de um jeito que a sombra ficasse na aba do boné, assim os olhos dele apareceriam. As pessoas veem as fotos, mas não os bastidores, o trabalho que dá”. Foto: Chi Modu
“A ideia era mostrar o Notorious B.I.G. como o rei de Nova York, e aquelas torres representaram a cidade por muitas décadas até caírem. E depois disso o próprio Biggie caiu (o rapper foi assassinado com quatro tiros em 1997). Houve um tempo em que o Empire State era o sinônimo de Nova York, mas para essa foto quis fazer uma versão mais moderna, com as torres. Considero uma sorte ter conseguido uma foto com os três”. Foto: Chi Modu / Chi Modu/diverseimages
“Aqui o Eazy-E está com seu Chevette 1963. Todo mundo acha que o carro é de 1964 por causa da letra de ‘Boyz-n-the-Hood’, do N.W.A., mas é de 1963 . Um ano antes de ele morrer, Eazy apareceu na sessão de fotos para uma capa da ‘The source’ com esse carro. Fizemos as fotos na frente da primeira casa que ele comprou quando começou a ganhar dinheiro, em Norwalk, Califórnia. Essa foto reverberou tanto que Biggie segura essa edição da ‘Source’ no clipe de ‘Juicy’”. Foto: Chi Modu
“Aqui temos o Nas com 18, 19 anos, na cama dele em Queensbridge, um conjunto habitacional de Nova York, antes do lançamento de “Illmatic”, seu primeiro disco. Sabíamos que ele iria estourar, então fui lá fazer fotos. É uma aventura aparecer num lugar desses, você não vai sem um local junto. Você precisa respeitar as regras. Foi interessante mostrá-lo no quarto em que ele cresceu, entre as coisas dele, e um buraco de bala na parede. Um dos álbuns mais importantes do hip-hop foi escrito naquele quarto. Isso ajuda o público a colocar as coisas em perspectiva”. Foto: Chi Modu
“Essa foi uma foto promocional para a Bad Boy Records, gravadora de Puff Daddy (no meio). Craig Mack (esq.) tinha acabado de lançar ‘Flava in ya ear’ e Biggie (dir.) estava a caminho do sucesso. A gente ia fotografar num McDonalds, mas acabou sendo num Burger King porque eles nos deixaram usar o espaço de graça. Gosto dessa foto porque o Biggie está sorrindo, ele não era muito retratado dessa maneira”. Foto: Chi Modu/diverseimages
“Essa foi da sessão de fotos do ‘Tical’, o primeiro álbum solo dele. Eu já conhecia o Wu-Tang Clan antes do “Protect ya neck” (primeiro single do grupo). E o Method Man já me dizia que quando fosse lançar um disco dele me chamaria para fotografar. Ele estava fumando maconha, porque isso era praticamente uma marca dele. Só que era 1994, e naquela época não era como hoje. Hoje as estrelas são muito cuidadosas com a imagem, pensam demais antes de fazer qualquer coisa, naquela época podíamos ser mais livres”. Foto: Chi Modu/diverseimages/Getty Ima

Eva Wilma: A verdadeira história da foto de atrizes em passeata contra a censura, em 1968

Tônia Carreiro, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Benghel e Cacilda Becker protestam contra censura, em 1968 | Foto do Arquivo Nacional

Os termômetros no Rio marcavam temperaturas de até 41 graus naquela segunda-feira, 12 de fevereiro de 1968, quando centenas de artistas se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal com faixas e cartazes. A manifestação acontecia no dia seguinte ao início de uma greve promovida por atores, atrizes, diretores, empresários e produtores teatrais, que decidiram fechar os palcos da cidade para protestar contra a Censura Federal. O movimento foi seguido imediatamente pelos artistas de São Paulo, que cerraram as cortinas por lá também.

O foco da indignação eram a falta de critérios e o despreparo intelectual dos censores da ditadura para cortar cenas ou mesmo proibir espetáculos com base na proteção da “moralidade”. As produções sofriam golpes arbitrários de pessoas sem formação cultural que implicavam com termos de “baixo calão” ou considerados subversivos à ordem e aos “bons costumes”. O estopim para os protestos foi quando o governo vetou uma montagem nacional do texto “Um bonde chamado desejo”, do americano Tennessee Williams, no Teatro Martins Pena, em Brasília.

Walmor Chagas, Odete Lara e outros na escada do Teatro Municipal, em fevereiro de 1968 | Foto de arquivo/Agência O GLOBO


Segundo os jornais da época, inicialmente, a censura determinara vários cortes no texto, mas, na estreia da peça, a atriz Maria Fernanda decidiu ignorar as tesouradas. Os censores haviam exigido, por exemplo, a substituição do termo “gorila” para se referir ao personagem Stanley Kowalski, um ex-militar. Chamada para se explicar no gabinete do chefe da censura, a atriz não se conteve e chamou os censores e o governo de “totalitários, ditatoriais e prepotentes”. Como retaliação, o espetáculo foi proibido, e Fernanda foi impedida de atuar por 30 dias

Revoltados, dezenas de artistas do Rio se reuniram no Teatro Princesa Isabel, no Leme, dia 11 de fevereiro de 1968, quando foi criada uma comissão para liderar o movimento. Logo em seguida, os membros da comissão, formada por personalidades como Cacilda Becker, Chico Buarque, Odete Lara e Marieta Severo, foram ao encontro do governador do Estado da Guanabara, Negrão de Lima, que estava inaugurando uma fonte luminosa no Largo do Machado. Mas Negrão era um opositor do regime militar e não podia ajudar.

Profissionais do teatro durante assembleia no Teatro Princesa Isabel, no Leme | Foto de arquivo/Agência O GLOBO

No dia seguinte, os artistas começaram uma ocupação nas escadas do Municipal para colher assinaturas do público com o intuito de amenizar a censura sobre produções culturais. Ainda que o país já vivesse uma ditadura militar desde o golpe de 1964, atos daquele tipo ainda eram tolerados. Mas mesmo esse “cheiro” de liberdade estava com os dias contados. O protesto acontecia no início de um ano de muita agitação política e que terminaria com a publicação, em dezembro, do Ato Institucional de número (AI-5), que acabou com qualquer espaço para críticas ao governo

De acordo com a edição do GLOBO do dia 12 de fevereiro de 1968, os artistas de pés fincados na entrada do Teatro Municipal chamavam atenção para as incoerências nas decisões da censura. “Um bonde chamado desejo” estivera em cartaz no Rio durante 13 anos, sem nunca ter enfrentado problemas. Eles também criticavam a proibição da peça “Senhora na boca de lixo”, que havia sido liberada em Portugal, na época governado por uma ditadura com censura “mais rigorosa que a do Brasil”.

Fernando Torres, com microfone, no Teatro Municipal, perto de Nelson Rodrigues (de terno) | Foto de arquivo/Agência O GLOBO

Estavam nas escadas do Municipal famosos como Walmor Chagas, Joana Fomm e Eva Wilma. O ator e diretor John Herbert apontou a contradição da censura, que liberara “Roda viva”, de Chico Buarque, para maiores de 14 anos, enquanto proibira espetáculos com textos menos críticos. Joana Fomm se colocou contra qualquer forma de censura, alegando que cabia ao público escolher o que queria ver. Já André Villon ironizou os equívocos dos censores, que para ele atuavam como “relações públicas” de produções que eram proibidas e, em seguida, liberadas. “A censura aumenta muito a curiosidade popular, causando ótima bilheteria para a peça só porque tinha sido proibida”, disse.

O movimento reivindicava uma reformulação da Censura Federal. Os grevistas pediam a descentralização do aparato, para que as delegacias regionais, e não apenas o gabinete em Brasília, tomassem decisões referentes a produções culturais. Também queriam participação da classe nas definições e que fosse garantida a liberdade de criação. Ou seja, queriam trabalhar numa democracia.

Chico Buarque cumprimenta o ministro Gama e Silva após reunião sobre censura | Foto de arquivo/Agência O GLOBO

Eles conseguiram uma audiência com o então ministro da Justiça, o jurista Luís Antonio da Gama e Silva, no dia 13 de fevereiro, da qual participaram artistas como Chico Buarque, Djanira, Nelson Rodrigues, Tonia Carreiro e Carlos Scliar. Durante o encontro, o grupo entregou a Gama e Silva uma petição com 10 mil assinaturas colhidas no Municipal. O ministro se mostrou receptivo, disse que tinha suas próprias ressalvas com a censura e prometeu rever tudo. Os artistas ficaram tão animados que até pediram a demissão do chefe da censura. Mas, antes de Gama e Silva responder, Nelson Rodrigues falou: “Cuidado, ministro, pois esse é um momento histórico”. Só que aí o jurista não prometeu mais nada

Depois da reunião, centenas de artistas partiram do Municipal em passeata até o Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo. Eles andavam pela calçada, para não atrapalhar o trânsito, e cantavam o Hino Nacional. No trajeto, foram feitas as históricas fotos de Eva Wilma caminhando ao lado de Eva Todor, Tônia Carreiro, Leila Diniz, Cacilda Becker e Norma Bengell. Após a morte de Eva Wilma, aos 87 anos, no último domingo, muita gente compartilhou nas redes sociais as imagens como se fossem um momento da Passeata dos Cem Mil, que só aconteceu em junho daquele ano.

Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell | Foto de arquivo/Jornal do Brasil

A gente estava encerrando uma greve de três dias e três noites nas escadarias do Teatro Municipal. A gente ficava se revezando. Combinava quem ficava das 2h às 4h da madrugada e por aí vai – contou Eva Wilma no programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Globo, em março de 2018. – Eu estava em cartaz no Rio (com a peça “Black out”, no Teatro da Aliança Francesa). O encerramento foi programado dessa maneira, as atrizes na linha de frente, levando flores para o monumento no Aterro. Foram momentos de luta, de batalha

Os artistas queriam depositar uma coroa de flores no monumento, em homenagem aos “heróis” da que lutaram pela “democracia e a liberdade”. Mas o oficial do Exército que fazia a guarda impediu a entrada dos manifestantes, alegando que o monumento já estava fechado. Depois de alguma discussão, Tônia Carreiro começou a pedir ao grupo que se dispersasse, mas recebeu voz de prisão do guarda, que a acusou de estar “fazendo discurso”. Após apelos, o militar desistiu de levá-la para a delegacia.

Cartaz da peça ‘Black out’, com Eva Wilma, em cartaz em 1968 | Reprodução

Os artistas voltaram da reunião dizendo que acreditavam no ministro Gama e Silva. Mas a História nos mostrou algo bem diferente do que ele dissera. O governo continou praticando e reafirmando a censura. Em julho do mesmo ano, um grupo de para-militares chamado de Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, em São Paulo, agrediu o elenco de “Roda Viva” e depredou o espaço. Em outubro, a peça foi proibida na véspera de sua estreia em Porto Alegre. Antes que os atores deixassem a cidade, eles foram novamente agredidos por extremistas

Ao longo de 1968, a classe artística e o movimento estudantil estreitaram sua relação em atos como os protestos após a PM assassinar o secundarista Edson Luís, no restaurante Calabouço, da UFRJ, que culminaram com a Passeata dos Cem Mil. O evento, realizado no dia 26 de junho, foi organizado por universitários e contou com a participação de músicos, artistas plásticos, profissionais do teatro e cineastas. Mas aquele ano terminou com a edição do AI-5, que atirou o país nas trevas, autorizando prisões arbitrárias, tortura e mortes de opositores políticos. Foi o período mais duro da repressão. Manifestações na rua estavam completamente banidas.

Passeata dos Cem Mil reuniu estudantes, artistas e trabalhadores contra a ditadura no Centro do Rio, em 26 de junho de 1968Passeata dos Cem Mil reuniu estudantes, artistas e trabalhadores contra a ditadura no Centro do Rio, em 26 de junho de 1968 | Acervo O Globo

Curadora Sarah Meister do MoMA falará sobre fotografia modernista brasileira em live

Museu receberá exposição sobre o tema em maio deste ano

Sarah Meister, MoMA Photography Curator

Sarah Meister, curadora à frente do Departamento de Fotografia do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), participará de live do Itaú Cultural no dia 19 de maio. As inscrições para participar começam no dia 5 de maio.

Na conversa, será abordada a exposição “Fotoclubismo: Fotografia Modernista Brasileira – 1946-1964”, que será inaugurada no dia 8 de maio no museu americano. ​

Hometown — Shot on iPhone by Phillip Youmans homenageia fotógrafos negros

Em homenagem ao Mês da História Negra, 32 dos fotógrafos Negros mais visionários do país nos mostram suas cidades natais. Phillip Youmans, o mais jovem diretor a vencer no Tribeca Film Festival, segue vários de nossos criadores de imagens enquanto cada um deles celebra a experiência negra, a excelência negra, o amor e a imaginação.

00:08​ Lawrence Agyei, Chicago, Illinois @lawrenceagyei https://apple.co/3pY5c7t

01:33​ Gabriella Angotti-Jones, Los Angeles, CA @ga.briella https://apple.co/3uv1Ts5

03:06​ Lauren Woods, Charlotte, North Carolina @_portraitmami https://apple.co/3bHcmYO

04:24​ Julien James, Washington, D.C @sirjulienjames https://apple.co/2ZTTv7k

Aprenda quatro maneiras de aproveitar a câmera do seu smartphone

Com os recursos existentes hoje, é possível ir além de selfies e vídeos rápidos
Por J.D. Biersdorfer – The New York Times

Uma das possibilidades é criar imagens em formato panorâmico

Mesmo se você não tiver o melhor e mais moderno dos smartphones, as ferramentas para fotografias podem ir além das mais comumente usadas, como o modo retrato e vídeos rápidos. Com um sistema operacional razoavelmente atualizado, você pode ter sessões de fotos ativadas por voz, criar imagens em formato panorâmico, gravar vídeo em diferentes velocidades de reprodução e até fazer pesquisas na internet a partir de uma imagem.

O conjunto de recursos exato, é claro, depende do software da câmera que você está usando e também do hardware do seu celular. Confira abaixo quatro dicas de como aproveitar os recursos dos aplicativos de câmera do Google (para Android) e da Apple (para iPhones).

Tire fotos sem usar as mãos

assistente virtual do seu smartphone pode controlar parte do trabalho de captura de imagem. Com a assistente do Google, por exemplo, basta dizer “Ok, Google, tire uma foto” ou “Ok, Google, tire uma selfie” e a câmera será ativada – ela exibirá uma contagem regressiva e tirará a foto. Você também pode pedir à assistente para compartilhar as fotos, começar a gravar um vídeo, entre outras coisas. A assistente do Google está disponível para Android e iOS.

Siri, assistente da Apple, também responde a muitos pedidos. O software abre o aplicativo de câmera do iPhone se você disser “E aí, Siri, tire uma foto”, mas fica com você a tarefa de tocar no botão para tirar a foto. Os telefones com iOS 12 ou posterior podem usar o aplicativo Shortcuts gratuito da Apple para estabelecer comandos que a Siri pode executar quando instruída – como abrir a câmera e enviar a imagem automaticamente por e-mail depois de tirar a foto.

A Bixby, assistente presente em muitos aparelhos Galaxy, da Samsung, também tira fotos e grava vídeos sob comando.

Aproveite o modo panorâmico

Quer tirar uma foto que é grande demais para o espaço do visor da câmera? Não é preciso um aplicativo extra ou um celular com lente grande angular: basta usar o modo panorâmico da câmera. Com a ferramenta, é possível tirar uma série de fotos e o software as combina em uma única imagem.

No Android, abra o app de câmera do Google e deslize para a esquerda ao longo do menu horizontal na parte inferior da tela. Toque no botão Modos, selecione Panorama e pressione o botão do obturador enquanto move lentamente o telefone para capturar a imagem. No aplicativo de câmera do iPhone, deslize para a esquerda, selecione Pano e siga as instruções na tela. Você também pode pedir às assistentes de voz para abrir a câmera diretamente no modo panorâmico.

O menu Modos no Android também inclui uma opção chamada Photo Sphere para realizar uma volta completa e capturar uma cena em 360 graus. Para usar essa função, toque no botão do obturador e deixe o software guiá-lo. Aqui vale uma observação: embora o modo Pano para iOS não chegue a 360 graus, o aplicativo Google Street View possibilita o modo Photo Sphere no iPhone.

Altere a velocidade do vídeo

Tanto no celular Android quanto no iPhone é possível incluir modos para adicionar efeitos cinematográficos ao seu vídeo. A opção time lapse acelera a reprodução de eventos lentos, como o pôr do sol ou tempestades. Já a função de câmera lenta grava em velocidade normal e diminui a velocidade da ação no clipe gravado, o que dá um tom de drama aos vídeos.

Para acessar as configurações no app de câmera do Google, deslize para a esquerda no menu horizontal até Vídeo e selecione o modo de gravação – câmera lenta, normal ou time lapse – junto com a velocidade desejada; ritmos menores, como 5x, geralmente são melhores para gravações mais curtas. No aplicativo da Apple, deslize para a direita no menu até chegar a time lapse ou câmera lenta; toque no botão de alternância rápida no canto superior para ajustar a resolução e a velocidade.

Manter o telefone parado, sem mexer, resulta em um vídeo com time lapse melhor, então considere um tripé se você não tiver um lugar para apoiar o dispositivo. E a câmera lenta normalmente funciona melhor em ambientes externos, longe de certos tipos de iluminação interna que podem causar oscilações no vídeo.

Pesquise informações a partir de uma imagem

Google Lens é um aplicativo de reconhecimento de imagem movido por inteligência artificial. Ele pode já estar instalado no seu celular, já que faz parte do cardápio de plataformas para Android. Quem tem um iPhone pode encontrá-lo no Google Fotos ou no Google app. Além disso, a Samsung tem um aplicativo Bixby Vision semelhante para seus telefones.

Quando você aponta sua câmera para algo (ou abre uma foto que você já tirou) e toca no ícone quadrado do Google Lens, o software analisa a imagem e procura informações relacionadas por meio de sua conexão com a internet. O Google Lens é capaz de identificar animais e plantas, pesquisar produtos, reconhecer pontos de referência e muito mais.

O Google Lens também pode traduzir texto em uma imagem e usa realidade aumentada para mostrar as palavras em seu idioma preferido. Não é bem um “tradutor universal” como aquele das histórias de ficção científica, mas está chegando lá. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Fotógrafa carioca Ana Alexandrino ganha espaço dentro da música ao clicar nomes quentes da cena

Ana Alexandrino já trabalhou com Letrux, Alice Caymmi e Ava Rocha
Eduardo Vanini

A foto de Letrux foi feita com improviso Foto: Ana Alexandrino / Ana Alexandrino

Muito antes do Instagram, havia o Fotolog, um desdobramento dos blogues, em que as imagens eram o grande barato. Foi por lá, em meados dos anos 2000, que a fotógrafa carioca Ana Alexandrino começou a encontrar a sua turma, salpicada por futuros expoentes da música brasileira, como Letícia Novaes, mais conhecida como Letrux, e Ana Cláudia Maiolino, a Mãeana. “Ficamos amigas de viajar e acampar. Acabou que montamos um grupo em que fomos crescendo juntos, um ajudando ao outro”, recorda-se.

Uma vez que os portões foram abertos, Ana mergulhou fundo na cena musical e por lá se estabeleceu. Sua assinatura está hoje em capas de álbuns, singles, EPs e fotos de divulgação de cantores descolados como Duda Beat, Alice Caymmi, Ava Rocha, Luana Carvalho e, claro, suas amigas de Fotolog. O primeiro trabalho do tipo foi a capa de “Plano de fuga para cima dos outros e de mim” (2014), álbum de estreia da banda Letuce, que tinha Letrux nos vocais. Na imagem, há um beijo subaquático trocado entre a cantora e seu ex-namorado e parceiro de banda, Lucas Vasconcellos. “Todo mundo pensa que é Photoshop, mas fizemos aquilo na piscina da casa da minha avó (no Leblon)”, conta.

Alice Caymmi já teve suas "verdades" clicadas por Ana Foto: Ana Alexandrino
Alice Caymmi já teve suas “verdades” clicadas por Ana Foto: Ana Alexandrino

Se a morada da família serviu de cenário, o conhecimento herdado do pai foi parte importante da bagagem. Ana é filha do fotógrafo Antônio Celso de Souza e Silva (morto em 2009), que atuou em publicações como “O Pasquim”. “Ele me deu a primeira câmera, quando eu tinha 20 anos. Vi as fotos que fez da Xuxa antes de ela operar o nariz”, diverte-se, lembrando que o pai também a ensinou como deixar as fotografias mais humanizadas. “Mal sabia ele que me tornaria uma retratista, com uma produção focada em gente.”

Ao descrever o seu trabalho, Ana diz buscar, acima de tudo, a verdade de quem se posta diante de suas lentes. Justamente por isso, ela acredita, as pessoas gostam dos resultados. “A Letícia (Novaes) tem uma veia na testa que, se eu tirar, ela manda voltar”, ilustra, ao passo que a cantora destaca a capacidade da fotógrafa em improvisar. É o caso da imagem que abre esta matéria. “Eu estava em São Paulo e precisava de foto de divulgação”, diz Letícia. “Liguei dizendo: ‘Amiga, vem aqui no hotel, mas não tem maquiador’. Aí começaram os disfarces, tipo usar a toalha na cabeça. Gosto desse olhar despretensioso.”

A fotógrafa Ana Alexandrino Foto: Patricia Musso
A fotógrafa Ana Alexandrino Foto: Patricia Musso

Alice Caymmi é outra que já teve suas nuances reveladas pela fotógrafa. “Algumas vezes, ela pegou a câmera e tirou fotos que não divulguei, mas mostram uma verdade minha daquele momento. E isso vira algo muito precioso”, descreve a cantora.

Foi justamente por meio dessa sensibilidade que Ana achou um caminho para não se distanciar do ofício, quando as fotos presenciais foram suspensas por causa da pandemia. Ela criou o projeto “Fotopatia”, em que explora as câmeras que as pessoas têm em suas casas para dirigi-las remotamente. “Vi que estava rolando essa coisa de fotografar à distância e comecei a queimar a cuca para encontrar uma alternativa. Acabei descobrindo que o olho no olho está presente mesmo nesses trabalhos.”

Ava Rocha também já posou para a fotógrafa Foto: Ana Alexandrino
Ava Rocha também já posou para a fotógrafa Foto: Ana Alexandrino

A primeira sessão foi com o cantor Marcelo Perdido. “Ele montou um set no banheiro, colocou a máquina num tripé e eu dizia: ‘Vira o queixo para o lado, olha para a luz’”, detalha a fotógrafa, que atualmente mora em São Paulo e já “viajou” para diferentes lugares com a técnica. “Tenho uma foto para fazer na Holanda, mas, como lá está frio, a luz ainda não está boa.”

Entre os próximos trabalhos, Ana organiza uma exposição on-line de seus retratos em preto e branco e quer montar um projeto de nus. “Tenho fotos de todas as minhas cantoras e atrizes peladas. Em alguns casos, eu até fico nua antes delas para que fiquem à vontade. Quando acaba o climão, acesso a pessoa de um modo que proporciona resultados surpreendentes.” A julgar pela fidelidade da clientela, é difícil imaginar o contrário.