Artista brasileira Marina Amaral devolve cores às vítimas do Holocausto

Projeto ‘Faces of Auschwitz’ é desenvolvido em parceria com o museu Auschwitz-Birkenau, da Polônia
Thaís Ferraz – O Estado De S.Paulo

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Czesława Kwoka nasceu em agosto de 1928, em Wólka Zlojecka, uma pequena vila em uma região que caiu sob o domínio de Hitler. Como a mãe, era católica, grupo que também foi perseguido pelo Nazismo Foto: Marina Amaral/ Faces of Auschwitz

Czesława Kwoka tinha 14 anos quando recebeu uma injeção letal no coração, em março de 1943, no campo de concentração de Auschwitz. Um ano antes, Gersz Zyskin foi exterminado no mesmo local, menos de dois meses após sua captura. Entre 1942 e 1945, Józefa Głazowska foi usada em experimentos nazistas que a contaminaram com malária e tifo. 

Essas são algumas das histórias resgatadas pelo projeto Faces of Auschwitz (Rostos de Auschwitz), desenvolvido a partir de uma parceria entre o Auschwitz-Birkenau Museum e a brasileira especialista em colorização de fotos Marina Amaral. Criado há um ano como acervo digital, o projeto se tornou também um documentário, atualmente em fase de pós-produção e ainda sem data de lançamento – mas com trailer previsto para este mês.

O projeto nasceu do acaso, conta Marina. Em 2014, a artista brasileira encontrou e coloriu a foto da jovem Czesława Kwoka, que abre este texto. “Era um registro feito logo após a chegada dela a Auschwitz e bastante perturbador”, diz Marina. “Ele retrata uma criança em um momento de extrema vulnerabilidade, com o lábio sangrando, porque havia sido espancada minutos antes, e ainda assim sustentando uma expressão de muita coragem no rosto.” 

Um ano após o trabalho, a foto de Czesława chegou ao conhecimento do museu de Auschwitz, que publicou o documento nas redes sociais. A história viralizou. “Quando percebi a dimensão do que estava acontecendo e a intensidade da reação das pessoas do mundo inteiro, compreendi que podia fazer algo maior e significativo”, conta Marina. “Decidi que queria restaurar mais fotos e contar mais histórias.” 

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Seweryna Szmaglewska estudou psicologia e literatura e se tornou professora. Após o início da ocupação germânica na Polônia, trabalhou em hospitais como enfermeira voluntária e se engajou em educação considerada ilegal. Em 1940, entrou para a resistência estudantil. Foi presa pela Gestapo Foto: Faces of Auschwitz
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Seweryna Szmaglewska estudou psicologia e literatura e se tornou professora. Após o início da ocupação germânica na Polônia, trabalhou em hospitais como enfermeira voluntária e se engajou em educação considerada ilegal. Em 1940, entrou para a resistência estudantil. Foi presa pela Gestapo Foto: Marina Amaral/Faces of Auschwitz

Marina tem à sua disposição 39 mil fotos, mantidas pelo Auschwitz-Birkenau Museum. Curiosamente, a maioria dos registros foi feita pelos próprios prisioneiros do campo de concentração, a mando dos nazistas. “O propósito era documentar os encarcerados, mas os nazistas logo entenderam que era um objetivo inviável frente à escala do crime que estavam cometendo”, explica Marina. “A partir daí, só algumas pessoas foram escolhidas para serem fotografadas.” 

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August Kowalczyk era um ator de teatro, cinema e televisão nascido em 1921. Foi um dos poucos prisioneiros que conseguiu escapar de Auschwitz Foto: Faces of Auschwitz
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August Kowalczyk era um ator de teatro, cinema e televisão nascido em 1921. Foi um dos poucos prisioneiros que conseguiu escapar de Auschwitz Foto: Marina Amaral/Faces of Auschwitz

Fotógrafo antes da guerra, o polonês Wilhelm Brasse (1917-2012) foi um dos principais prisioneiros-fotógrafos do campo de concentração. Quando o campo de Auschwitz foi evacuado, no fim da Segunda Guerra, Brasse e seus companheiros receberam ordens de queimar todas as fotos e negativos, mas conseguiram salvar os registros que, hoje, são coloridos para o projeto. 

Para Marina, colorir fotos é uma forma de quebrar uma barreira temporal – e emocional – entre quem as observa e quem foi retratado. “Quando entendemos que aquele mundo era tão colorido e real como o mundo no qual vivemos hoje, conseguimos nos conectar muito mais real e profundamente com as pessoas e os eventos históricos ali retratados”, afirma. 

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Gersz Zysking nasceu em 1913, na Polônia. Chegou ao campo de concentração de Auschwitz em junho de 1942. Morreu menos de um mês depois. Foto: Faces of Auschwitz
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Gersz Zysking nasceu em 1913, na Polônia. Chegou ao campo de concentração de Auschwitz em junho de 1942. Morreu menos de um mês depois Foto: Marina Amaral/Faces of Auschwitz

Outros trabalhos. O trabalho de Marina Amaral vai além do período que compreendeu a Segunda Guerra. As ruas de Paris antes da Revolução Francesa, o Titanic sendo preparado para zarpar e aviadora americana Amelia Earhart na cabine de um avião são alguns dos registros históricos que ela escolheu para colorizar. O processo é, muitas vezes, demorado. Tudo é feito digitalmente, com ajuda do Photoshop. Nenhum algoritmo ou filtro é aplicado: os detalhes selecionados são pintados à mão, como em um grande livro de colorir.

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Homens desempregados nas ruas de São Francisco, Califórnia, em abril de 1939 Foto: Dorothea Lange/Library of Congress
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Homens desempregados nas ruas de São Francisco, Califórnia, em abril de 1939 Foto: Marina Amaral

A parte mais importante do trabalho é a pesquisa. “Fotografias são documentos e devem ser respeitadas como tal”, afirma Marina. Com historiadores e especialistas, a colorizadora identifica o maior número possível de detalhes de cada foto para, a partir daí, mergulhar em documentos da época, livros e jornais que possam indicar cores e texturas dos objetos retratados – como medalhas, uniformes e bandeiras. Quando não há informação disponível, Marina toma decisões artísticas. “É inevitável”, afirma. 

Marina diz que seu trabalho mais difícil foi a produção do livro The Colour of Time: A New History of the World, 1850-1960, em parceria com o jornalista britânico Dan Jones. Publicado em agosto de 2018, mas ainda sem versão em português, obra chegou a ficar entre as cinco mais vendidas do Reino Unido. “Foram dois anos selecionando fotos, colorizando, pesquisando e escrevendo o conteúdo”, diz Marina. O objetivo dos autores era ir além da história dos Estados Unidos e da Europa. “Queríamos abraçar a história de todos os lugares. Foi muito difícil encontrar um equilíbrio”, explica. Nas fotografias, guerras e revoluções dividem espaço com eventos desconhecidos do grande público. 

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Capitão Thomas H. Garahan, da Companhia “Easy”, 2º Batalhão, 398º Regimento de Infantaria, 100ª Divisão de Infantaria, levanta a bandeira estadounidense produzida em segredo por uma garota francesa Foto: National Archives and Records Administration
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Capitão Thomas H. Garahan, da Companhia “Easy”, 2º Batalhão, 398º Regimento de Infantaria, 100ª Divisão de Infantaria, levanta a bandeira estadounidense produzida em segredo por uma garota francesaFoto: Marina Amaral

Brasil. Apesar da nacionalidade, Marina quase não possui conteúdo brasileiro no portfólio. “As instituições brasileiras não têm hábito de dispor fotos digitalmente e, quando o fazem, não liberam muita coisa para o domínio público”, explica. Apesar da dificuldade, Marina tem projetos para colorir registros da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e fotos da Família Imperial. “Acredito que isso ofereceria uma perspectiva única sobre momentos da nossa história”, afirma. 

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Empresa Getty Images oferece 20 mil dólares para fotógrafos com projetos LGBTs

Iniciativa da Getty Images promove inclusão por meio da fotografia

Getty Images irá selecionar três fotógrafos. Foto: Unsplash/@kevin_1658

Getty Images, empresa que fornece banco de imagens, está oferecendo um prêmio de 20 mil dólares, aproximadamente R$ 79 mil, para fotógrafos que contem histórias da comunidade LGBT. A novidade deverá movimentar o evento anual promovido pela empresa, o Creative Bursary, com uma categoria exclusiva para o público LGBT.

Com o objetivo de promover a inclusão por meio da fotografia, o LGBTQ+ Stories irá beneficiar os três fotógrafos selecionados com as quantias de 10 mil, 7 mil e 3 mil dólares, concedidas por um painel de juízes da indústria criativa. A bolsa está aberta a participantes de todo o mundo.

As inscrições estão abertas até 28 de maio e os vencedores serão anunciados em 25 de junho de 2019. Para participar, os fotógrafos devem seguir algumas requisições, como fornecer um portfólio de trabalho online, explicar sua proposta de projeto e redigir tudo em inglês.

Aqueles que se inscreverem e forem bem-sucedidos serão convidados a licenciar seu conteúdo através do Getty Images, com uma taxa de 100% de royalties para imagens criadas dentro do projeto proposto. Os participantes também receberão orientação de um dos diretores de arte da empresa, além de divulgação nas redes sociais.

Acesse o site do projeto para mais informações.

Explosão de cor: fotografia surrealista de Pol Kurucz ganha mostra em Londres

Fotógrafo francês acaba de receber o Sony Word Photography Awards 2019, prêmio mais importante de fotografia não documental do mundo
LAÍS FRANKLIN (@LAISFRANKLIN)

“The Normals” (Foto: Pol Kurucz)

O fotógrafo e vídeomaker Pol Kurucz, um dos principais expoentes da fotografia surrealista presente em mais de 70 galerias ao redor do globo, está em cartaz no palácio Somerset House, em Londres, com The Normals, série fotográfica vencedora na categoria creative do Sony Word Photography Awards 2019, prêmio mais importante de fotografia não documental do mundo.

Serão exibidas 6 imagens retratam personagens excêntricas em ambientes inventivos inspirados na particularidade de cada modelo. Clicadas no Kolor Studio, no coração do Rio de Janeiro, as imagens saturadas abusam do néon e brincam com situações cotidianas, como escovar os dentes com uma escova gigante (dentro de uma piscina de bolinhas). 

Além de Londres, a exposição vai rodar a Europa por um ano e passará por países como Alemanha e Itália. Não perca!

Somerset House: Strand, London WC2R 1LA, Reino Unido

"The Normals" (Foto: Pol Kurucz )
“The Normals” (Foto: Pol Kurucz)
"The Normals" (Foto: Pol Kurucz)
“The Normals” (Foto: Pol Kurucz)

Coleção de fotos inéditas de Frida Kahlo é vendida por US$ 35 mil em Nova York

Coleção pertencia ao húngaro Nickolas Muray, que inlcui vários retratos nunca vistos dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera
EFE

Foto de Frida Kahlo, vendida em leilão em Nova York Foto: Nickolas Muray/ EFE

Uma coleção de 78 fotos inéditas do húngaro Nickolas Muray, entre elas vários retratos nunca vistos dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera, foi arrematada por US$ 35 mil em um leilão realizado nesta sexta-feira, 5, em Nova York.

O lote era um dos 189 que faziam parte do leilão intitulado Photographs, com uma mostra de autores que abrangeu 150 anos de história e artigos de valores entre US$ 1 mil e US$ 500 mil.

Muray, que colaborou com as revistas Vanity Fair e Harper’s Bazaar, conheceu Frida durante suas visitas ao artista Miguel Covarrubias no México e iniciou uma aventura de uma década com ela em 1931, época na qual retratou ambos e Diego Rivera, entre outros.

Algumas destas fotos mostram a pintora em cenas corriqueiras, como sentada à mesa antes de comer, ou nas áreas externas de sua casa, pensativa, sentada diante de um cacto.

“Com figuras que vão desde Carl van Vechten, o compositor Carlos Chavez, o ilustrador John Held, Jr., a artista realista social Marian Greenwood, o muralista Roberto Montenegro até a atriz Margo Albert, as fotografias oferecem um salto fascinante à paisagem cultural do México dos anos 20, 30 e 40”, descreveu a Sotheby’s, que organizou o leilão, em seu site.

Foto de Frida Kahlo, vendida em leilão em Nova York Foto: Nickolas Muray/ EFE

O preço mais alto estimado pela casa de leilões nova-iorquina (US$ 500 mil) era para a obra Pelikan Tinte, do artista russo El Lissitzky, uma peça “extremamente rara” que combina radiografia e tipografia e não obteve o valor o máximo no leilão, já que foi arrematada por US$ 459 mil.

A Sotheby’s também chegou a colocar à venda um autorretrato do artista Andy Warhol, que mostrava o ícone da pop-art com uma exuberante peruca e óculos de sol ao estilo aviador.

Foto de Frida Kahlo e Diego Rivera, vendida em leilão em Nova York Foto: Nickolas Muray/ EFE

A foto, de apenas 10 centímetros de comprimento por sete de largura, foi tirada um ano antes da sua morte em 1987 e, embora seu valor estimado fosse de US$ 20 mil a US$ 30 mil, finalmente acabou sendo removida.

Além disso, a casa de leilões selecionou um grupo de “mulheres pioneiras” no mundo da fotografia desde o século 19, entre as quais se destaca Orchid Cactus (Cactus Blossom), de Imogen Cunningham, um exemplo dos estudos de flores que lhe deram renome internacional e dos quais nenhuma outra impressão é conhecida, que foi leiloada por US$ 150 mil. 

‘Meca’ de fotógrafos e jornalistas, Half King fecha suas portas

O bar, criado para reunir profissionais que cobriam guerras, não sobreviveu ao aumento dos aluguéis causado pelo parque High Line, em Manhattan
Derek M. Norman, The New York Times

Os donos do Half King, a partir da esquerda, Sebastian Junger, Nanette Bursten, Scott Anderson e Jerome O’Connor Foto: Caitlin Ochs para The New York Times

Em abril de 2011, foi noticiado que dois fotógrafos haviam sido mortos pela explosão de um morteiro na cidade sitiada de Misurata, um dos últimos redutos rebeldes contrários a Kadafi na guerra civil líbia.

Depois de alguns telefonemas, houve uma troca de mensagens. Amigos e colegas dos fotógrafos Tim Hetherington e Chris Hondros estavam reunidos em um bar chamado Half King em Manhattan. “Parecia que havia centenas de pessoas lá dentro, sem exagero”, disse Timothy Fadek, um fotojornalista muito amigo de Hondros.

“Todos nós estávamos muito emocionados. A cena mostrava o que era realmente o Half King – como ele evoluiu organicamente para um lugar frequentado por fotógrafos da guerra e fotojornalistas”, afirmou. Uma foto de Hetherington com a sua câmera diante dos rebeldes líbios estava pendurada na parede.

Durante grande parte dos últimos 20 anos, o Half King foi um bar de escritores, fotógrafos e cineastas. Em qualquer dia, no happy hour, fotógrafos especializados em combates reuniam-se ali, contando histórias de lugares distantes, tomando os seus chopes de US$ 5.

Mas o Half King, com suas tardes de leitura e mostras de fotografia, fechou no dia 26 de janeiro. O aluguel havia praticamente triplicado desde a inauguração, há quase 20 anos, e o bar tornara-se insustentável dependência ponto de vista financeiro.

“Nos últimos anos, a única razão de existir deste local era porque o amávamos”, disse Sabastian Junger, um dos proprietários, que foi por muito tempo jornalista de guerra e é autor do livro The Perfect Storm.

Junger, que também dirigiu o documentário de guerra Restrepo com o seu amigo Hetherington, abriu o Half King em 2000, com Scott Anderson, escritor e jornalista que cobriu algumas guerras, e a esposa de Anderson, Nanette Burstein, cineasta. Um quarto sócio, Jerome O’Connor, anteriormente havia sido dono de um bar.

Um retrato do fotojornalista Tim Hetherington, morto na Líbia, pendurado no Half King. O bar fechou em janeiro Foto: Caitlin Ochs para The New York Times

A localização do bar, no West Side de Manhattan, era uma área muito abandonada na virada do século, mas, apesar disso, era muito frequentado. Anderson estava em Darfur trabalhando para “The Times Magazine” quando teve a ideia. “Conheci um fotojornalista holandês, e quando descansávamos, costumávamos conversar. Contei que tinha um bar em Nova York e falei do Half King. Ele disse, ‘Conheço o Half King’. Este lugar se tornou uma espécie de Meca.”

O Half King foi um dos primeiros bares abertos depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro. Mas foi o High Line que mudou o destino do bar. Depois da abertura do parque para pedestres criado nos trilhos do elevado em 2009, os preços dos imóveis subiram vertiginosamente. Os turistas começaram a procurar a área, e os moradores se mudaram.

Depois de 19 anos, o Half King está fechando.CreditCaitlin Ochs for The New York Times

O bar funcionava como uma ponte entre os nova-iorquinos e as terras estranhas que visitavam (o nome vem de um chefe da nação seneca do século 17, que foi porta-voz honorário entre as tribos e os exércitos estrangeiros).

“Eu tinha muitos amigos que, no começo, nunca havia visto fora de uma zona de guerra”, disse Michael Kamber, fotógrafo de conflitos do The Times“. “Só nos encontrávamos no Iraque, Afeganistão, Somália e outros lugares, mas podíamos ir ao Half King, e eles estavam lá.”

Morre aos 95 anos marinheiro da célebre foto do beijo em Nova York

Imagem de homem beijando enfermeira correu o mundo e é uma das mais famosas do século 20

Visitante fotografa imagem célebre feita por Alfred Eisenstaedt exposta em mostra em Roma – Gabriel Bouys -30.abr.13/AFP

WASHINGTON –O marinheiro que beija uma enfermeira na Times Square, em Nova York, enquanto as pessoas comemoravam o fim da Segunda Guerra Mundial, protagonista de uma célebre foto, morreu aos 95 anos.

George Mendonsa sofreu um derrame no domingo (17), depois de cair no asilo onde morava em Middleton, no estado americano de Rhode Island. A informação é de sua filha, Sharon Molleur, ao Providence Journal.

A imagem, que rodou o mundo, é uma das quatro feitas pelo fotógrafo Alfred Eisenstadt para a revista Life. Mendonsa beija uma mulher que veste um uniforme branco de enfermeira. Ele serviu no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial e estava de férias quando a fotografia foi tirada.

Durante muito tempo, Mendonsa afirmou ser ele o marinheiro da foto, mas isso só foi confirmado recentemente com o uso da tecnologia de reconhecimento facial.

Greta Zimmer Friedman, a mulher da foto, morreu em 2016 aos 92 anos. Na época, o fotógrafo não pediu os nomes dos dois estranhos que registrou, enquanto eles se beijavam. Mais tarde, contou o que viu na cena quando o marinheiro correu pela rua e beijou a primeira mulher que encontrou.

“Eu corri na frente dele com a minha câmera Leica, mas lembro que nenhuma das fotos me satisfez”, escreveu ele em “Eisenstadt on Eisenstadt”. 

“De repente, vi alguém pegando algo branco. Virei-me e cliquei o momento em que o marinheiro beijou a enfermeira. Se ela estivesse vestida de preto, nunca teria feito a foto.” AFP

A obra de Niemeyer sob o olhar de diferentes fotógrafos

Perspectivas bidimensionais para a arte da tridimensionalidade
Por Natália Martucci I Fotos Reprodução

O Palácio da Alvorada, casa oficial dos presidentes da república, clicado por Leonardo Finotti.

As curvas de Niemeyer possibilitam múltiplos olhares para o mesmo edifício. O arquiteto projetava pensando no olhar do observador. E como as lentes de diferentes fotógrafos capturam a beleza das obras desse mestre da arquitetura brasileira? Confira a seguir uma seleção de fotos incríveis das maiores obras de Niemeyer, que neste sábado completaria 111 anos. 

A foto de Tuca Vieira retrata o interior do Pavilhão da Bienal, em São Paulo.
O franco-brasileiro Marcel Gautherot tem uma série de registro de Brasília e seus emblemáticos edifícios durante sua construção, iniciada em 1956.
Aqui, um detalhe do Palácio da Alvorada por Rasilibw.
O edifício Mondadori, em Milão, pelas lentes da artista visual Karina Castro.
Texturas e ângulos inusitados aparecem nas fotografias de Patricia Parinejad dos projetos do arquiteto.
O interior do Auditório Ibirapuera, construído em 2005, por Nelson Kon.
Museu de Arte Moderna de Niteroi, projeto de 1996, fotografado por Cristiano Mascaro.