DC Comics e Marvel: conheça as origens de super-heróis e vilões

Conheça cinco personagens do universo DC e cinco personagens da Marvel e confira histórias para se aprofundar em cada um
André Cáceres

Batman, Coringa e Mulher-Maravilha são alguns dos personagens favoritos dos fãs DC COMICS

Deuses, loucos, monstros: os personagens da DC Comics podem ser rotulados como muitas coisas, mas algo que nunca lhes falta é grandiosidade. As histórias de heróis como Super-Homem e Mulher-Maravilha desafiam as leis da física, os limites do universo e as definições de humanidade, justamente porque grande parte dos personagens da DC Comics não são humanos. Trata-se de alienígenas, deuses, criaturas de outros planos, muito acima das pessoas comuns. É exatamente esse contraste que faz dos personagens humanos, como Batman, ainda mais identificáveis: por meio da autodeterminação, ele consegue ficar lado a lado com esses seres.


CORINGA

O Coringa é um dos mais misteriosos vilões da cultura popDC COMICS

ORIGEM

Não há uma origem canônica estabelecida para o Coringa, embora o quadrinho A Piada Mortal (1988), de Alan Moore, e o filme Coringa (2019), de Jason Todd, mostrem que ele era um comediante frustrado que enlouqueceu e direcionou sua fúria para o caos. Ele apareceu pela primeira vez em 1940, na primeira revista própria do Batman.

SUPERPODERES

O Coringa não possui poderes sobrenaturais, mas tem diversas habilidades físicas e mentais, e é um dos mais temidos vilões da história dos quadrinhos.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Piada Mortal (1988), HQ de Alan Moore
● Uma Morte na Família (1988), HQ de Jim Starlin
● Batman: O Homem que Ri (2005), HQ de Ed Brubaker e Doug Mahnke
● Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), filme de Christopher Nolan
● Coringa (2019), filme de Jason Todd


MULHER-MARAVILHA

A pioneira Mulher-Maravilha é a principal heroína feminina dos quadrinhosDC COMICS

ORIGEM

Surgida na revista All Star Comics #8, de 1941, a Mulher-Maravilhaé uma amazona, inspirada na mitologia grega. Criada pelo psicólogo e inventor William Moulton Marston, a personagem surgiu como fruto de seu relacionamento poliamoroso com Elizabeth Holloway Marston e Olive Byrne, e refletia os ideais feministas delas, embora tenha sido acusada de propagar referências eróticas e subtexto sadomasoquista para as crianças durante a era de perseguição e censura aos quadrinhos. A história de sua concepção foi contada no filme Professor Marston & the Wonder Women (2017).

SUPERPODERES

Superforça, velocidade, voo, longevidade, regeneração, magia, além de seus equipamentos: laço da verdade, braceletes indestrutíveis e jato invisível.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Battle for Womanhood (1942), HQ de William Moulton Marston
● Gods and Mortals (1987), HQ de George Perez
● Desafio dos Deuses (1987), HQ de George Perez
● Mulher-Maravilha: Hiketeia (2003), HQ de Greg Rucka e J.G. Jones
● Mulher-Maravilha (2017), filme de Patty Jenkins


BATMAN

O Batman levou tramas sombrias e subtexto sobre insanidade mental aos quadrinhosDC COMICS

ORIGEM

Criado por Bill Finger e Bob Kane, o Batman é fruto das histórias detetivescas e de mistério com clima noir que dominavam os quadrinhos antes da era dos super-heróis. Sua primeira aparição foi na revista Detective Comics, em 1939, com enfoque muito maior em seu lado investigador do que exatamente na questão de combate ao crime ou de ser um bilionário excêntrico, características que foram sendo adotadas mais tarde. No ano seguinte, o Batman ganhou uma revista própria e uma vasta galeria de vilões, como Coringa, Pinguim, Charada e Duas Caras.

SUPERPODERES

O Batman não possui poderes, embora utilize sua fortuna, seus equipamentos e seu treinamento para combater o crime.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Batman: O Cavaleiro das Trevas (1986), HQ de Frank Miller
● Batman: Ano Um (1988), HQ de Frank Miller e David Mazzucchelli
● Asilo Arkham (1989), HQ de Grant Morrison e Dave McKean
● O Longo dia das Bruxas (1996), HQ de Jeph Loeb e Tim Sale
● Batman Begins (2005), filme de Christopher Nolan


FLASH

Poderes de Flash permitiram DC criar histórias sobre multiversosDC COMICS

ORIGEM

Criado pelo roteirista Gardner Fox e pelo ilustrador Harry Lampert, o Flashfez sua primeira aparição em 1940 e, desde então, muitos personagens, heróis e vilões já vestiram o seu manto. Os principais personagens a usarem o nome Flash ao longo das oito décadas de histórias do herói são Jay Garrick, Barry Allen, Wally West e Bart Allen.

SUPERPODERES

Graças à sua supervelocidade, o Flash possui a habilidade de viajar no tempo em condições extremas e, por isso, ele foi pivô de alguns dos principais eventos do Universo DC, como a Crise nas Infinitas Terras, uma HQ sobre multiversos que reuniu todos os personagens da editora nos anos 1980.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Flash de Dois Mundos (1961), HQ de Gardner Fox e Carmine Infantino
● Crise nas Infinitas Terras (1985), HQ de Marv Wolfman e George Pérez
● The Flash: Terminal Velocity (1994), HQ de Mark Waid
● Flashpoint (2011), HQ de Geoff Johns e Andy Kubert
● The Flash (2014), série de Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns


SUPER-HOMEM

O ‘padrão-ouro’ dos super-heróis, Super-Homem é praticamente uma divindadeDC COMICS

ORIGEM

Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938, na primeira edição da revista Action Comics, o Super-Homem é o padrão ouro dos super-heróis e estabeleceu muitos dos parâmetros que seriam seguidos ou quebrados nos anos seguintes por outros personagens. O Super-Homem é o alter ego de Clark Kent, um jornalista que, na verdade, é um alienígena chamado Kal-El, vindo do planeta Krypton.

SUPERPODERES

Superforça, velocidade, voo, longevidade, regeneração, acuidade visual ampliada, visão de calor, visão eletromagnética, visão microscópica, visão em raio-x, visão telescópica, visão infravermelha, hálito congelante

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Origem do Super-Homem (Superman #53, 1948), HQ de Bill Finger e Wayne Boring
● Superman (1978), filme de Richard Donner
● Para o Homem que Tem Tudo (1985), HQ de Alan Moore
● O que aconteceu ao Homem de Aço? (1986), HQ de Alan Moore
● Entre a Foice e o Martelo (2003), HQ de Mark Millar


Marvel Comics

Dramas humanos, falhas de caráter e zonas cinzentas entre o bem e o mal: essas são algumas das principais características das histórias da Marvel. Não se trata de heróis perfeitos, divindades imaculadas, mas sim de pessoas comuns que têm de lidar com a responsabilidade dos poderes que lhes foram confiados, ou até mesmo personagens cínicos, sem tanto interesse em fazer o bem, mas que equilibram suas facetas boas e más. É assim que super-heróis como Homem-Aranha e Hulk cultivaram a identificação dos leitores e se tornaram favoritos para tantos fãs.


THANOS

Thanos ganhou popularidade após arco dramático nos cinemasMARVEL COMICS

ORIGEM

Thanos, o Titã Louco, não era grande conhecido do público até 2012, quando apareceu na cena pós-créditos do primeiro filme dos Vingadores, mas sua origem remonta à edição 55 de Homem de Ferro, publicada em 1973. Criado por Jim Starlin, ele começou como um coadjuvante com uma história trágica: filho do governante da lua Titã, de Saturno, ele monta um exército para tomar o reino do pai. Seu plano de executar metade das formas de vida no universo é desenvolvido ainda na década de 1970, nos quadrinhos do Capitão Marvel.

SUPERPODERES

Superforça, longevidade, poderes psíquicos, manipulação da matéria e teletransporte.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Desafio Infinito (1991), de Jim Starlin
● A Ascensão de Thanos (2013), HQ de Jason Aaron e Simone Bianchi
● A Vida e Morte do Capitão Marvel (2017), antologia de HQs por vários artistas
● Vingadores: Guerra Infinita (2018), filme de Joe e Antony Russo
● Vingadores: Ultimato (2019), filme de Joe e Antony Russo


HOMEM-ARANHA

Ao conciliar vida de jovem e combate ao crime, Homem-Aranha ganhou identificação dos fãsMARVEL COMICS

ORIGEM

Criado em 1962 por Steve Ditko e Stan Lee, o Homem-Aranha foi tão importante para a era de prata dos heróis quanto o Super-Homem para a era de ouro. Um adolescente tímido que precisa conciliar os problemas de sua vida cotidiana com a responsabilidade de usar os poderes recém-adquiridos para combater o crime, Peter Parker ganhou a identificação imediata dos leitores e pavimentou uma nova geração de heróis. Além de suas histórias em quadrinhos, o Homem-Aranha é um dos personagens mais retratados no cinema.

SUPERPODERES

Superforça, capacidade de escalar e se fixar em superfícies, regeneração, premonição de perigo, além de aparelhos que o fazem lançar uma substância semelhante às teias de uma aranha.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● If This Be My Destiny…! (The Amazing Spider Man #31-33, 1965), HQ de Steve Ditko e Stan Lee
● Spider-Man No More (The Amazing Spider-Man #50, 1967), HQ de Stan Lee e John Romita
● Homem-Aranha (2002), filme de Sam Raimi
● Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), filme de Jon Watts
● Homem-Aranha no Aranhaverso (2019), filme de Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti


HULK

O Incrível Hulk é a atualização de ficção científica do arquétipo do médico e do monstroMARVEL COMICS

ORIGEM

Hulk é praticamente a versão Marvel do clássico O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson com uma adaptação para a era da guerra fria. Alter ego de Bruce Banner, um cientista, o Hulk é um monstro verde incontrolável, que reflete o pior lado da personalidade de seu Banner. Nesse sentido, ele subverte o estereótipo dos super-heróis ao ser apresentado como um antiherói e muitas vezes até como vilão em suas histórias. Criado por Stan Lee e Jack Kirby, ele apareceu pela primeira vez já em uma revista própria, em 1962. Desde então, é um dos personagens mais populares da Marvel, tendo ganhado séries de TV e filmes.

SUPERPODERES

Transformação em Hulk, superforça, regeneração, capacidade de respirar imerso em água, emissão e manipulação de raios gama

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Batalha do Século (Fantastic Four #25-26, 1964), HQ de Stan Lee e Jack Kirby
● Hulk: Futuro Imperfeito (1992), HQ de Peter David
● Planeta Hulk (1999), HQ de Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti
● Hulk: The End (2002), HQ de Peter David e Dale Keown
● O Incrível Hulk (2008), filme de Louis Leterrier


CAPITÃO AMÉRICA

Capitão América encarnou a luta pela liberdade durante a 2ª Guerra MundialMARVEL COMICS

ORIGEM

Capitão América é um supersoldado cujas habilidades foram ampliadas com um soro experimental desenvolvido pelo exército americano. Um dos mais antigos e importantes personagens da Marvel, criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, antecipando a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o herói levou o patriotismo e as temáticas políticas para o mundo dos quadrinhos. Sua primeira história traz na capa uma ilustração do Capitão América dando um soco em ninguém menos que Adolf Hitler, e a luta contra o autoritarismo sempre foi um de seus principais princípios, ainda que isso faça o personagem se voltar contra o próprio governo americano de tempos em tempos.

SUPERPODERES

Superforça, regeneração, resistência e longevidade, capacidades ampliadas por um soro experimental.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Império Secreto (1974), de Steve Englehart
● A Morte do Capitão América (2004), HQ de Ed Brubaker
● Guerra Civil (2006), HQ de Mark Millar e Steve McNiven
● Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), filme de Joe Johnston
● Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), filme de Joe e Anthony Russo


HOMEM DE FERRO

Tony Stark lida com suas falhas de caráter que tornam o personagem mais humanoMARVEL COMICS

ORIGEM

Criado em 1963 por Stan Lee, Jack Kirby, Larry Lieber e Don Heck, o Homem de Ferro se autodenomina um gênio, playboy, milionário e filantropo. No entanto, o líder dos Vingadores nunca foi exatamente um dos personagens mais populares da Marvel. Até que, quando a empresa começou a construir seu universo cinematográfico sem ter como produzir filmes de seus principais heróis — X-Men, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha, cujos direitos para o cinema estavam com Fox e Sony —, o Homem de Ferro passou a ganhar popularidade até ser hoje um dos mais importantes personagens da Marvel.

SUPERPODERES

O Homem de Ferro não tem superpoderes, mas por ser um inventor endinheirado ele utiliza uma armadura que lhe concede voo, superforça, lasers, resistência, entre muitas outras habilidades.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Tales of Suspense #39 (1963), HQ de Stan Lee, Larry Lieber e Don Heck
● Homem de Ferro: O Demônio na Garrafa (1979), HQ de David Michelinie, Bob Layton e John Romita Jr.
● Homem de Ferro: Extremis (2004), HQ de Warren Ellis e Adi Granov
● Homem de Ferro (2008), filme de Jon Favreau
● Os Vingadores (2012), filme de Joss Whedon


EXPEDIENTE

Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo, Carlos Marin, Glauco Lara e William Mariotto / Editor de Cultura Ubiratan Brasil / Editora assistente de Cultura Charlise Morais / Reportagem André Cáceres / Designer Multimídia Lucas Almeida

CCXP Worlds anuncia presença de Sara Pichelli, cocriadora de Miles Morales

J.M. DeMatteis, Jon J Muth e Fido Nesti também estão confirmados no evento
JULIA SABBAGA

Sara Pichelli, cocriadora do personagem Miles Morales, está entre os novos nomes confirmados na CCXP Worlds. A quadrinista foi anunciada ao lado de J.M. DeMatteis, Jon J Muth e Fido Nesti – confira todos os quadrinistas confirmados.

A quadrinista italiana colabora com a Marvel Comics desde 2008, e desenhou títulos como X-Men, Os Eternos e Homem-Aranha.

DeMatteis, por sua vez, escreveu A Última Caçada de Kraven, e episódios de séries de TV como Além da Imaginação, Scooby-Doo e Liga da Justiça sem Limites. DeMatteis também é autor do clássico Moonshadow, que assina com Muth. Juntos na CCXP, os dois promoverão o relançamento da obra, publicada originalmente em 12 edições entre 1985 e 1987. 

Muth é conhecido pela ilustração do arco “Despertar” de Sandman e Novos Mutantes, enquanto Fido Nesti falará sobre o seu novo lançamento, a HQ 1984, baseada no livro escrito por George Orwell, em 1949.

DC terá Mulher-Maravilha brasileira nas HQs

Yara Flor assumirá o título da heroína em minissérie do DC Future Slate
ARTHUR ELOI

DC Future Slate/Divulgação

DC anunciou uma nova linha de HQs futuristas, que contará com a introdução de uma Mulher-Maravilha brasileira.

Como parte do DC Future Slate, a brasileira Yara Flor, da Amazônia, assumirá o manto da heroína. Além disso, ela também se juntará com uma nova versão do Superman, que será o filho de Clark Kent. A minissérie da nova Mulher-Maravilha será escrita por Joëlle Jones, de Lady Killer, sem previsão de lançamento até o momento. 

Yara Flor não substitui Diana Prince, a Mulher-Maravilha original. A personagem clássica ganhará sua própria saga em Immortal Wonder-Woman.

Ainda não há previsão de chegada para as HQs do Future Slate ao Brasil ou título nacional.

Miles Morales além do Aranhaverso: como ler as HQs do novo Homem-Aranha

Confira os principais quadrinhos do novo Cabeça de Teia da Marvel
LOAD COMICS

Uma coisa é certa: todo mundo adorou Homem-Aranha no Aranhaverso. O enorme sucesso da animação que venceu o Oscar em 2019 levou Miles Morales a um novo nível de popularidade, já que o jovem herói caiu no gosto de muitas gente. Sendo assim, é natural que os novos fãs queiram começar a ler as histórias do personagem nos quadrinhos, mas que não saibam por onde começar. Pensando nisso, criamos esse guia de leitura para ajudar novos leitores a conhecer a jornada do jovem Miles.

Primeiro precisamos explicar o contexto de sua criação. Lá no início dos anos 2000, a Marvel começou a publicar novas HQs de um universo alternativo eles batizaram de Universo Ultimate. Ao contrário do universo principal, o 616, a linha Ultimate se passava na Terra-1610, que por sua vez tinha toda uma cronologia própria, já que a ideia da editora era atualizar seus personagens clássicos para uma nova geração.

Um dos títulos iniciais, e que acabou fazendo maior sucesso, foi o Homem-Aranha, escrito desde o início por Brian Michael Bendis. Ao longo de nove anos, a publicação ganhou uma forte base de leitores – eu incluso -, que ficaram chocados com a notícia de que o Peter Parker desse universo iria morrer. Após a conclusão da saga A Morte do Homem-Aranha, o jovem Parker realmente faleceu e o universo Ultimate ganhou um novo Homem-Aranha: Miles Morales!

Não é preciso dizer que o surgimento do Miles foi bastante criticado por parte dos leitores – por motivos que infelizmente conhecemos bem -, mas Bendis provou que o manto do Aranha poderia ser passado adiante. Após anos de grandes histórias e, especialmente a animação do Aranhaverso, o jovem Miles realmente caiu no gosto dos leitores e definitivamente veio para ficar.

O início

Para começarmos a entender os primeiros passos de Miles Morales é preciso ler a história A Morte do Homem-Aranha. No Brasil, ela foi publicada originalmente pela Panini nas edições 21 a 25 da revista Ultimate Marvel. Aqui é mostrada a morte do Homem-Aranha, que até então era o tradicional Peter Parker, após um confronto contra seus principais vilões como o Electro e o Duende Verde.

Já nos números 26 e 27 temos a saga Ultimate Fallout, que serve para amarrar algumas pontas soltas e dar início a uma nova fase do Universo Ultimate. Na 4ª edição da saga Fallout temos a primeira aparição de Miles. Nessa história, que se passa após o funeral de Peter, vemos um novo Homem-Aranha surgindo em Nova York e lutando contra o violento Canguru. Com apenas 7 páginas, essa não é uma leitura obrigatória, mas é bem legal pra quem quiser ver como ele apareceu pela primeira vez, quando sua identidade ainda era um mistério.

Anos após a publicação da Panini, a editora Salvat relançou essa saga no encadernado Ultimate Homem-Aranha: A Morte do Homem-Aranha.

Após a morte de Peter Parker e uma breve aparição de um novo Homem-Aranha, se inicia a cronologia do Miles. Aqui no Brasil, o herói fez sua estreia oficial na edição 29 de Ultimate Marvel, lançada em novembro de 2012. Vale lembrar que essa revista era um mix – nome dado a HQs que compilam vários títulos – onde foram publicadas também histórias de outros personagens como os Supremos e os X-Men.

A partir daqui somos apresentados a Miles Morales, sua vida em uma nova escola, sua família, seus conflitos e é claro, seus primeiros passos na vida heróica. Na saga inicial, escrita por Bendis com arte de Sara Pichelli, Chris Samnee e David Marquez, vemos o garoto aprendendo a lidar com seus poderes e até mesmo como ele conseguiu seu próprio uniforme. Uma parte muito importante do início da carreira do Miles está na complicada presença de seu tio Aaron, que como muitos sabem dá bastante trabalho para o herói.

Encontrando o primeiro Homem-Aranha

Após esse início de carreira, foi chegada a hora de Miles Morales conhecer o Peter Parker do Universo 616. Esse encontro aconteceu na saga Homens-Aranha, publicado também pela Panini em um encadernado próprio, não fazendo parte nem da revista Ultimate Marvel, e nem do título Espetacular Homem-Aranha que acompanha as aventuras de Parker.

A história acompanha a viagem de Peter ao Universo Ultimate durante a perseguição a um de seus vilões. Em outra realidade muito parecida com a sua, ele fica surpreso ao descobrir nesse mundo ele também foi o Homem-Aranha e acabou morrendo, sendo substituído por Miles Morales.

Muitos anos após a conclusão dessa saga, Bendis e Pichelli se reuniram para uma sequência, chamada Homens-Aranha II, que se baseou em uma dúvida surgida no final do primeiro volume.

Voltando às histórias do Miles, após a conclusão do arco do Gatuno e de Homens-Aranha, teremos o crossover Divididos Tombaremos, Unidos Venceremos, publicado entre os números 40 e 45 da revista Ultimate Marvel. Uma curiosidade é que é nesse evento que o garoto finalmente consegue seus lançadores de teia. Aliás é incrível notar que ele passou por tanta coisa, entre resgates e combates, sem essa tecnologia.

Em seguida, entramos no arco Guerra de Venom, que viria marcar bastante o personagem. Lançada entre os números 46 e 49 de Ultimate Marvel, essa história mostra o Venom desse universo perseguindo Miles Morales e sua família, o que culmina em uma tragédia que inicia a saga Homem-Aranha Nunca Mais. Esse título, que é uma homenagem à clássica saga de Peter Parker, foi publicada na edição 50 da revista e acompanha o garoto durante o ano em que ele renunciou ao manto do herói.

Após o garoto voltar a vestir o uniforme do Homem-Aranha, o Universo Ultimate entra em uma grande saga chamada Cataclismo, publicada no Brasil na minissérie Ultimate Marvel: Cataclismo. Ela acompanha um colapso no espaço/tempo que ocorreu no final da saga Era de Ultron, que por sua vez permitiu que alguns heróis tivessem um “flash” do multiverso.

Um desses personagens foi o próprio Miles Morales, que visualizou um ser gigante e roxo vindo em direção a Terra. Sua primeira reação foi achar que estava louco, mas não demorou muito para Galactus aparecer no meio de Nova York, destruindo cidades inteiras que estavam no seu caminho. Com a morte de alguns de seus grandes heróis, o Universo Ultimate sobreviveu ao Cataclismo, cujo encerramento iniciou uma nova fase para essa Terra.

Uma nova fase

Essa nova fase foi refletida também no mundo real, já que a Panini reiniciou o título Ultimate Marvel, que dessa vez durou 12 edições entre 2015 a 2016. Por mais que todo esse universo tenha sofrido modificações, na parte do Homem-Aranha vemos Miles descobrindo segredos de sua namorada e até o retorno de Peter Parker – e não estou falando de um Peter de outro universo, mas sim o que havia morrido -, entre outros mistérios.

Foi nessa fase em que Miles apareceu também no Aranhaverso dos quadrinhos, que reuniu infinitas versões do Homem-Aranha – com direito a clones e até o tokusatsu – em um combate contra a família de vampiros comandada por Morlun.

E se você estava achando que não ia ter mais mega-saga, achou errado. Com o intuito de unificar seus universos a Marvel lançou as Guerras Secretas, que tinha como um de seus personagens principais o Miles Morales. Lançada em 9 edições e depois em um encadernado, essa é saga leva o garoto ao Universo 616 onde ele passou a conviver com os outros personagens do universo principal. Nessa época ele passou a estrelar o título Spider-Man, publicado pela Panini na revista Espetacular Homem-Aranha de 2016, que publicava as aventuras tanto do Miles, quanto do Peter.

Vale lembrar também que nessa época Miles passou a aparecer também na revista dos Vingadores e depois na dos Campeões, equipe jovem formada por ele, Ms. Marvel, Hulk (Amadeus Cho) e uma versão jovem do Ciclope.

Miles Morales no Brasil agora

Após o fim da revista do Espetacular Homem-Aranha, as aventuras de Miles foram publicadas em encadernados com o título de Miles Morales: Homem-Aranha, que atualmente está em seu segundo volume.

Para quem quer começar a ler as primeiras aventuras do Miles Morales, aquelas que se passam logo após a morte de Peter Parker no Universo Ultimate, a Panini está lançando o encadernado Miles Morales: Homem-Aranha. Publicada pelo selo Marvel Teens, essa edição compila a primeira aparição do garoto em Ultimate Fallout #4 e as dez primeiras edições da revista Ultimate Comics: Spider-Man.

Mafalda feminista: livro com tirinhas de Quino sobre o tema sai no Brasil em dezembro

Publicado na Argentina em 2018, ‘Mafalda: feminino singular’ será lançado no país pela editora WMF Martins Fontes
Ruan de Sousa Gabriel

Tirinha estrelada por Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino Foto: Quino / Reprodução

SÃO PAULO — Nos últimos anos, Mafalda, a menina sabichona e progressista criada pelo cartunista Quino, morto nesta quarta-feira (30), passou a ser vista com um lenço verde na cabeça em manifestações em defesa do direito ao aborto na Argentina. O próprio Quino autorizou a convocação de sua personagem. Não é de hoje que Mafalda flerta com pautas feministas. A menina nunca se conformou que a mãe desperdiçasse a vida cuidando da casa. Em 2018, o selo argentino Ediciones de la Flor publicou “Mafalda: feminino singular”, reunião de tirinhas nas quais a personagem questiona os espaços ocupados e os papéis desempenhados pela mulher no mundo. A edição Brasileira, preparada pela WMF Martins Fontes, chega às livrarias em dezembro.

— As tiras reunidas no livro tratam de temas que estamos discutindo ainda hoje em relação ao feminismo e também à criação das meninas — disse ao GLOBO Luciana Veit, editora da WMF Martins Fontes. — Por que ao se elogiar uma menina se fala primeiro da beleza e não da inteligência? Você vê a Mafalda irritadíssima com isso, querendo tratar da paz mundial ou ser a presidenta nas brincadeiras com os meninos. E o trabalho doméstico, a discussão que voltou com essa pandemia, está lá, nas tiras, personificado na mãe da Mafalda.

“Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres!”, escreve escritora Patricia Kolesnicov no prefácio à edição argentina, que será reproduzido na versão brasileira. “Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Manolito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso ‘o que você queria ser se estivesse viva?’ – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando no fundo de bobes de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha? Como ela não perceberia isso, se ela é uma garota dos anos 60 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a ‘tendência’ é a metralhadora?”

Mafalda, a personagem contestadora criada pelo argentino Quino Foto: Quino / Reprodução

Patricia aponta que Quino não se furtava a apontar o machismo de seus personagens, como Miguelito, que berra com Mafalda (“Você é igual a todas as outras!”) quando descobre que ela tem outros amigos, Felipe, que diz não gostar de “discutir mecânica com mulheres”, e até Susanita, que sonha com um príncipe encantado. “Atento a momentos de mudança social, Quino tem a inteligência de ver o lugar das mulheres, o dos homens, o da família. Como todos os grandes, prediz não por ser vidente, mas porque lê com precisão o mundo que o rodeia. E agora, o futuro chegou.”

No prefácio escrito especialmente para a edição brasileira, a escritora Maria Clara Carneiro descreve Mafalda como uma “feminista em formação tenta emancipar seu corpo dos papéis atribuídos a seu gênero” e afirma que “essa menininha ainda tem revoluções importantes a nos incitar, e nos formar”.

Morre Quino, criador da Mafalda, estrela das HQs que odeia sopa e autoritarismos

Desenhista responsável por uma das personagens mais amadas dos quadrinhos teve AVC na semana passada
Sylvia Colombo

Última tira da personagem Mafalda, criada em 1973 pelo argentino Joaquín Lavado, o Quino Divulgação

BUENOS AIRES – O chargista e artista gráfico Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino, morreu nesta quarta-feira, aos 88, em Mendoza, sua cidade-natal.

“Morreu Quino e, com isso, todas as pessoas boas deste país e do mundo irão chorar”, disse Daniel Divinsky, seu editor, ao anunciar a morte por meio das redes sociais.

Ele era o pai de uma das personagens mais famosas do mundo dos quadrinhos, a inconformada Mafalda, uma menina de classe média argentina nascida em setembro de 1964, fã dos Beatles, de panquecas e que odeia sopa. A personagem completou 56 anos ontem, dia 29 de setembro.

Mafalda também tem um agudo senso crítico para as injustiças sociais e para questões relacionadas à existência humana. Nunca assumiu posições políticas explícitas, mas claramente era identificada com os movimentos progressistas.

Embora tenha existido por meio de tirinhas publicadas em jornais só entre 1964 e 1973, Mafalda permaneceu viva no imaginário argentino, povoando memes, cartazes políticos, feministas e progressistas em geral.

Filho de imigrantes espanhóis, Quino se mudou para Buenos Aires, aos 18 anos, para estudar desenho. Começou a publicar charges e quadrinhos em jornais em 1954.

Em 1963, lançou seu primeiro livro de humor, “Mundo Quino”, e, no ano seguinte, publicou na revista Primera Plana a primeira história de Mafalda e sua turma, que logo se transformaram em símbolos da efervescente cultura da década de 1960 na Argentina —se tornando famosa também nos demais países da América Latina.

Quino recebeu prêmios importantes, como a Ordem Oficial da Legião de Honra, da França, e o prêmio Príncipe de Astúrias, da Espanha.

A personagem Mafalda, criação do artista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
A personagem Mafalda, criação do artista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino. Reprodução

Em 1965, Mafalda começou a ser publicada no jornal argentino El Mundo, um dos principais dessa época. A garotinha de cabelos negros enrolados andava sempre acompanhada de um grupo de amigos, alguns baseados em personagens da vida real do cartunista Quino.

Um deles é Manolito, baseado na figura de Anastasio Delgado, um imigrante espanhol dono de uma padaria em Mendoza. Outro é Felipe, baseado em Jorge Timossi, um amigo dentuço que foi um 
colega de Quino na escola.

Também foi criada Susanita, uma típica menina de classe média argentina, mas que é oposta a Mafalda, ou seja, vive com sonhos românticos e tem uma visão idílica do mundo.

Na Argentina, até hoje, chamam de Susanita o que no Brasil seria uma “patricinha”, ou seja, alguém bem diferente do estilo questionador de Mafalda. Esta não sonha com o casamento com um príncipe encantado, por exemplo.

Muitas das tiras de Mafalda são silenciosas, sem uma única palavra, e Quino sempre trabalhou muito com mensagens que se podem deduzir a partir do próprio desenho.

​Pouca gente sabe, mas Mafalda nasceu, na verdade, a partir de um projeto comercial, um trabalho de Quino como colaborador para promover uma marca de eletrodomésticos. Quando pediram que pensasse num nome, Quino se lembrou de uma cena do filme “Dar la Cara”, obra de José Martínez Suárez, lançada em 1962, em que dois personagens discutem ao lado do berço de um bebê —Mafalda.

Já transposta para as tiras de jornal, Mafalda se transforma nessa garota rebelde, sempre expondo os seus dramas de teor quase filosófico nas brincadeiras e debates com os coleguinhas. Em 1967, a mãe de Mafalda fica grávida, e é então que aparece o personagem Guille, o pequeno irmãozinho da personagem.

Nessa época, Quino também passou a ser traduzido para vários idiomas. Sua primeira edição em italiano teve uma introdução de Umberto Eco e levava o título —“Mafalda, a Contestadora”. Foi traduzida ainda para outras 15 línguas e editada em mais de 30 países em todo o planeta.

quino toca mafalda num banquinho
O cartunista Quino toca uma escultura de sua criação, a Mafalda, na Espanha – Eloy Alonso – 23.out.2014/Reuters

Em 1973, porém, Quino decidiu deixar de publicar histórias inéditas da personagem. Depois disso, o ilustrador só a desenhou por razões que considerava importantes, como campanhas de defesa da infância, pela melhoria da educação infantil e a favor da democracia. Fez também desenhos especiais para campanhas da Unicef, da Cruz Vermelha e para o governo argentino, sempre relacionado a questões sociais e nunca à propaganda política.

Em 1979, foi lançado um longa-metragem com o nome de sua personagem, obra com direção de Carlos Márquez.

Nos últimos anos, a personagem Mafalda acabou sendo muito usada pelo movimento feminista na Argentina, com o aval de Quino. Mafalda tem aparecido vestida de verde ou usando lenços verdes, na campanha pró-aborto que ocorre no país nos últimos cinco anos. Em 2018, uma edição só com suas reivindicações para a mulher foi editada em “Mafalda: Femenino Singular”, publicado pelo selo Ediciones de la Flor —um total sucesso entre adolescentes argentinas contemporâneas.

O fim de Mafalda nunca foi bem explicado. Na época, Quino afirmou que tinha medo de começar a se repetir, porém, em entrevistas mais recentes, deixou subentendido que passara a temer ser alvo de represálias de caráter político.

Eram anos pré-golpe militar e de intensa violência na sociedade de seu país, com repressão do Estado ocorrendo ainda em tempos de democracia por meio da Triple A, o esquadrão da morte do governo de Isabelita Perón, e o exílio de vários artistas e intelectuais argentinos. “Se eu continuasse desenhando, poderia tomar uns quatro tiros”, disse o cartunista, numa entrevista ainda na década de 1990.

Ele estava casado com Alicia Colombo, uma química de origem italiana. Nos últimos anos, aparecia pouco em público, em cadeira de rodas, e já não dava entrevistas, porém, segundo seu entorno, permanecia perfeitamente lúcido.

Emicida lança seu segundo livro infantil; confira vídeo

Novo livro do rapper é intitulado E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas
FÁBIO GARCIA

Com lançamento previsto para 5 de outubro, o livro E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas escrito pelo Emicida promete preencher os vazios e levar referências bonitas às pessoas. Confira o trailer do livro abaixo:

E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas é o segundo livro infantil de Emicida, que também publicou Amora em 2018. O livro oconta com ilustações de Aldo Fabrini e mostra uma aventura em que as personagens se deparam com o desonhecido e se encontram com a personificação do medo e da coragem.

O livro tem como proposta mostrar que o medo não é algo naturalmente mau, mas sim como uma coisa que precisamos colocar no devido lugar. O livro foi concebido em 2019, mas o autor faz muitas relações com a pandemia do novo coronavírus.

E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas
Autor: Emicida
Ilustrações: Aldo Fabrini
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 36
Dimensões: 20,5X20,5cm
Ano: 2020
Preço sugerido: R$ 29,90

Capa de Rafael Grampá para Batman de Frank Miller é vendida por 24 mil dólares

Em leilão, arte foi comprada por preço três vezes maior que o esperado
JULIA SABBAGA

A arte criada pelo brasileiro Rafael Grampá para The Dark Knight Returns: The Golden Child, escrita por Frank Miller, foi vendida em um leilão da Heritage por US$ 24 mil dólares. A capa, que se tornou símbolo dos protestos em Hong Kong em 2019, chegou a um valor três vezes maior do que o esperado:

#HeritageLive One of the most controversial comic-book covers in recent memory just sold during our event: Rafael Grampá’s variant cover for “Dark Knight Returns: Golden Child.” The piece sold for $24,000, three times its estimate.https://t.co/gBpD4W87ZJ#ComicCollectors pic.twitter.com/vO3kr6MHdf— Heritage Auctions (@HeritageAuction) September 11, 2020

A imagem, que mostra a Batwoman Carrey Kelley se preparando para arremessar um coquetel molotov, foi divulgada pela DC Comics com o texto “o futuro é jovem” e viralizou, com a frase se tornando presente em diferentes pichações e postagens relacionadas ao movimento.

Entenda os protestos

Iniciados em julho de 2019, os protestos em Hong Kong lutavam contra um projeto de lei que permitia a extradição de pessoas acusadas de crimes contra a China Continental. Manifestantes afirmavam que os extraditados poderiam ser julgados injustamente e tratados de maneira violenta pelo governo.

Apesar da suspensão do projeto em julho do ano passado, os protestos seguiram, eventualmente evoluindo para um movimento pró-democracia e pedido de renúncia da Governadora de Hong Kong, Carrie Lam.

Milestone retorna ao Universo DC em grande estilo com equipe criativa invejável

HQ que marca a volta do selo em que nasceu Super-Choque foi lançada gratuitamente durante o DC FanDome
GABRIEL AVILA

Um dos grandes momentos do primeiro dia do DC FanDome certamente foi o anúncio de que a editora vai retomar o Milestone, selo dedicado à diversidade racial que foi casa de grandes heróis como o Super-Choque. Para o segundo dia do evento, a DC lançou de forma gratuita a revista Milestone Returns Zero, que reapresentou alguns dos principais personagens da casa em uma história que reflete os tempos atuais com invejável um time de artistas.

Antes de mais nada é importante contextualizar. Fundada na década de 1990, a Milestone Media foi uma iniciativa de grandes quadrinistas negros como Denys CowanDwayne McDuffieDerek T. Dingle e Michael Davis que tinham como objetivo aumentar a representatividade nas histórias em quadrinhos. Após lançar personagens como ÍconeFogueteHardware e mais, o selo chegou ao fim oficialmente em 1997, tendo alguns de seus heróis reintegrados ao Universo DC aos poucos.

Com exceção do Super-Choque, que ficou conhecido também nos desenhos animados, boa parte dos heróis e vilões não ganharam tanto espaço. Conscientes de que parte de seus leitores podem não estar familiarizados com eles, a DC decidiu então criar um one-shot – nome dado a histórias completas em uma edição – para reapresentar esse universo para marinheiros de primeira viagem. Essa é uma estratégia que já se provou um sucesso, considerando que o mesmo foi feito para o lançamento do Renascimento DC e do selo Sandman Universe.

O resultado foi Milestone Returns Zero, história escrita por Reginald Hudlin (Pantera Negra) com uma pequena participação de Greg Pak (O Incrível Hulk). Mais do que simplesmente resumir as origens dos primeiros heróis da nova leva do selo, a série deixa claro o tom das publicações, que vão levar em conta o momento atual da população negra nos Estados Unidos.

A trama começa com a jovem Raquel Ervin invadindo uma mansão desconhecida em busca de uma máquina de escrever. O que ela não sabia é que essa era a residência de um alienígena com dons especiais. Unidos, eles começam a combater o crime como Ícone e Foguete em uma busca de mudar o mundo – começando pela própria vizinhança, como ela mesma fez questão de cravar. Durante seu cotidiano heróico, o alien percebe o surgimento de outros supers como eles, e é aí que tanto a Foguete, quanto o leitor, são apresentados a figuras como Super-Choque, Duo e um novo vigilante misterioso.

Ao fim de suas 19 páginas, Milestone Returns Zero cumpre sua missão com louvor, compactando uma gama enorme de informações e origens de uma forma competente sem ser didática. É uma ótima forma de conhecer esse universo em uma narrativa ágil que deixa diversas pontas soltas para as HQs já anunciadas pela DC com lançamento previsto para fevereiro de 2021.

Outro mérito da publicação foi deixar claro que, assim como na década de 1990, a Milestone será um reflexo de questões da população negra da vida real. Não é de se estranhar que a edição ligue a origem do Super-Choque a protestos do Black Lives Matter ou dedique algumas páginas a um discurso emocionante do Ícone sobre como a falta de amor pelo próximo – uma forma didática de denominar a intolerância – é uma das principais razões para que a raça humana ainda seja considerada atrasada no Universo DC. Mais do que “lacrar”, essa é uma forma de manter o legado de um selo idealizado como uma forma de ampliar a representatividade nas HQs.

Se o texto tem um alto nível, pode-se dizer o mesmo sobre a arte. Todo o time de peso composto por Jim LeeRyan BenjaminDon HoKoi PhamScott Hanna e o próprio Denys Cowan brilha ao criar uma identidade coesa para esse universo em questão de poucas páginas. O destaque maior vai para Cowan, não apenas pela importância de ter o retorno de um membro fundador da Milestone, mas especialmente pela forma como seu traço ganha vida de diferentes formas ao lado de gigantes como Jimmy Palmiotti e Bill Sienkiewicz.

Ao fim dessas 19 páginas, é difícil não ficar animado pelo triunfal retorno da Milestone. Com uma gama de personagens interessantes e um grande respeito pelo passado do selo, é certo que esse é um dos maiores acertos da DC em 2020.