Heroína ou vilã: como a tecnologia muda a vida de quem faz HQs

Ao longo de trinta anos, uso de computadores alterou a relação artística e financeira dentro dos quadrinhos
Por George Gene Gustines – The New York Times

Computadores alteraram a relação artística e financeira dentro dos quadrinhos

Parte da cultura pop desde a década de 1930, as histórias em quadrinhos (HQs) tomam forma em uma longa cadeia: elas passam do escritor para os artistas (quadrinistas e arte-finalistas), chegando depois para os letristas e coloristas. Hoje, esse esforço de equipe continua praticamente o mesmo, mas os computadores e a tecnologia ampliaram as opções para ilustradores e revolucionaram os papéis dos artistas em rapidez, produção e arte. Essa evolução tecnológica, no entanto, não aconteceu da forma como alguns imaginavam. 

“No final dos anos 1980, tínhamos certeza de que toda a criação de quadrinhos seria feita com ajuda de um PC”, diz Mark Chiarello, um veterano da indústria. Ex-Marvel, DC e Dark Horse Comics, três das casas mais respeitadas das HQs, Chiarello hoje é artista freelancer. Ele foi testemunha de muitas tentativas de transformar os quadrinhos em uma produção digital. 

Uma das primeiras apostas veio em 1985, quando a First Comics publicou Shatter Special Nº1. Sua capa proclamava: “o primeiro quadrinho computadorizado!”. Toda a edição, exceto as cores, foi feita em um Macintosh. A arte tinha balões de diálogos bem rígidos e lembrava os primeiros dias dos videogames, com imagens pixeladas e um pouco desajeitadas. Mas foi inovador e vendeu muito. 

“Passamos uns anos tropeçando na escuridão digital e tentando inventar softwares personalizados, até que todas as empresas de quadrinhos adotaram o software que acabou com todos os softwares: o Adobe Photoshop”, lembra Chiarello. 

Nem todos se adaptaram bem ao programa de início. “Trabalhando no Photoshop, eu não conseguia fazer nem um círculo”, diz o ilustrador Yanick Paquette, que fez muitas capas e quadrinhos para a DC. Sua primeira incursão digital foi em 2000, para uma revista de Batman. Hoje, porém, a vida é bem mais fácil: ele é um viciado no Cintiq, marca de tablets que permite ao usuário desenhar diretamente na tela. “Não compro mais borrachas. Não compro mais tinta. Mas toda vez que lançam um novo Cintiq, vou lá e meio que dou de presente para mim mesmo”,  diz ele.

Na opinião de Paquette, os leitores desconfiam da arte digital. “Quando uma coisa fica perfeita demais, límpida demais, você perde a sensibilidade humana”, diz. Para fazer um exército inteiro, ele pode desenhar um único soldado e criar digitalmente um batalhão, mas se nega. “Se me dedico a desenhar cada um dos soldados da tropa, eles ficam humanizados e a relação do leitor com a arte é diferente”.

Parceria

As relações entre os diferentes profissionais na linha de montagem de uma HQ também mudou – em especial, entre o quadrinista (que concebe a página e desenha as imagens iniciais) e o arte-finalista (que dá o acabamento adequado a cada linha). “Antes, era um bom arte-finalista que elevava o trabalho do quadrinista. Agora, é o colorista”, diz Karl Kesel, arte-finalista que trabalha desde 1984. “A tecnologia reverteu a ordem da importância artística, por mais que eu odeie admitir isso.” Ele segue desenhando no papel, mas mas acredita que a maior inovação digital é a função desfazer do computador: “Não gostou dessa linha? É só clicar e pronto, sumiu”.

Responsável por adicionar balões de diálogos, legendas e efeitos sonoros às páginas, os letristas também têm uma relação nova com o trabalho. “Ganhamos menos, mas podemos produzir mais graças ao sr. Computador”, diz Chris Eliopoulos, letrista que começou a trabalhar em 1989 como estagiário na Marvel. Em seu auge, ele escrevia à mão 30 quadrinhos por mês, em uma média de 22 páginas. 

Trabalhar digitalmente, diz ele, é mais rápido e lucrativo. Um quadrinista pode ganhar US$ 100 por página, mas geralmente só faz uma por dia. Um letrista ganha menos por página, mas produz várias em um só dia de trabalho. 

Para a famosa série ‘I am…’, que reúne biografias de figuras históricas em graphic novel, ilustradas por ele, Eliopoulos usa um híbrido de letras digitais e à mão livre, evitando sua biblioteca de fontes. Ele segue sendo um artesão. “Leva mais tempo, mas acho que qualquer pessoa diria que, se pudesse escolher, ficaria com as letras à mão, porque são orgânicas, são arte”. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Exposição celebra a arte de Naoki Urasawa, um mestre dos mangás

Artista japonês ganhou destaque com histórias complexas e dramas psicológicos
André Cáceres, O Estado de S.Paulo

Naoki Urasawa
Exposição conta com cerca de 600 desenhos, incluindo originais e capítulos inteiros Foto: Hélvio Romero/Estadão

O público brasileiro, um grande consumidor de mangás, já está acostumado ao caráter aventuresco e frenético dos quadrinhos japoneses voltados ao público infanto-juvenil. No entanto, ainda há poucas referências no País de obras mais adultas nesse estilo. É essa falha que motiva a exposição Isto é Mangá: A Arte de Naoki Urasawa, que abre nesta terça, 29, na Japan House, apresentando a obra de um dos grandes nomes dos mangás atuais.

“Quando eu era criança, eu não gostava muito de mangá para criança… Quando me mostravam algo infantil eu pensava ‘não subestimem as crianças’”, afirma o artista em entrevista por e-mail ao Estado. O gênero predominante entre os mangás mais populares no Brasil é o “shonen”, voltado a adolescentes. Já a área de atuação de Urasawa é o “seinen”, que tem um público alvo mais adulto. “Quando eu era criança, a revista semanal de mangá se chamava Shonen Magazine, mas o conteúdo era praticamente ‘seinen’. Os alunos do movimento estudantil da década de 1960 também eram leitores fervorosos dessa revista”, lembra Urasawa.

Naoki Urasawa
Mulher observa a reprodução de um painel duplo de ‘Monster’, de Naoki Urasawa Foto: Hélvio Romero/Estadão

Graças à complexidade de suas tramas e profundidade psicológica de seus personagens, Urasawa conquistou público e crítica. Suas obras não foram apenas premiadas no Japão, mas também internacionalmente: ele tem dois prêmios Eisner e três honrarias concedidas no Festival de Angoulême.

“Urasawa tem histórias que podem se passar no Japão ou em outro lugar, mas tratam de dramas universais que podem ser compreendidos por pessoas de qualquer cultura. Isso explica o sucesso internacional dele”, disse Satomi Maeda, diretora do departamento de cultura da Yomiuri Shimbun, que participou da concepção da exposição. “O traço dele se diferencia de outros mangakás pelas fisionomias mais realistas, em que você consegue perceber os sentimentos de uma pessoa de verdade.”

Já Kaitaro Kiuchi, responsável pela expografia, afirmou que a ideia é “mostrar os mangás como uma forma de arte da cultura japonesa”. Os visitantes poderão ler as páginas com as artes originais de capítulos inteiros, tanto para os leigos se familiarizarem com a linguagem do mangá (há até um diagrama explicando como funciona a ordem da leitura oriental dos painéis), quanto para os fãs do estilo entrarem em contato com obras que nunca chegaram ao Brasil, como o clássico Sawara!, dos anos 1980, sobre uma jovem judoca que tenta conciliar a exigência do esporte com a tentativa de levar uma vida normal.

“O mangá é a combinação do gráfico mais a narrativa, por isso tentamos mostrar essa mescla aos visitantes. Quisemos deixar o caminho livre, sem uma ordem determinada, para que as pessoas se sentissem instigadas a ler o que as deixasse mais impactadas”, acrescenta Kiuchi, que colocou Sawara! em evidência, entre outras razões, pelo judô ser um esporte tradicional no Brasil. 

Naoki Urasawa
Artes ampliadas do mangá ’20th Century Boys’, de Naoki Urasawa Foto: Hélvio Romero/Estadão

Apenas três de seus mangás foram publicados no Brasil. Monster, seu trabalho mais conhecido, trata de um neurocirurgião de Dusseldorf com forte senso de justiça que se nega a abandonar a cirurgia de um garoto pobre para atender o prefeito da cidade, contrariando a pressão de seus superiores. Resultado: o político morre, o rapaz sobrevive e, nove anos mais tarde, torna-se um assassino. Esse é o ponto de partida para uma jornada de redenção e culpa com intensa carga psicológica. 

Em 20th Century Boys, o leitor acompanha um grupo de crianças que brincam imaginando histórias sobre salvar o mundo. Quando eles se tornam adultos, uma seita misteriosa passa a pôr em prática planos maléficos idênticos aos que eles imaginavam na infância. A mais recente a desembarcar aqui é Pluto, que se passa no universo de Astro Boy, um clássico de Osamu Tezuka (1928-1989), um dos pais do mangá moderno e a principal influência para Urasawa.

Além de Tezuka, a música é outra grande inspiração para o artista. Além de já ter produzido quadrinhos sobre os Beatles e Bob Dylan, Urasawa é compositor e se apresenta nos palcos. Uma de suas canções é reproduzida na exposição. “Provavelmente, se eu não estivesse desenhando mangá na minha juventude, eu teria investido mais tempo na música. Entendo que tanto mangá quanto a música tem como base a filosofia e aprendi muita coisa com referências como Osamu Tezuka, Bob Dylan e Beatles.”

Ciclo de palestras

Paralelamente à mostra, a Japan House promove, nos dias 7, 9, 12 e 27 de novembro, um ciclo de palestras sobre o mangá no Brasil, em parceria com a editora JBC. Os debates contam com a presença de quadrinistas e profissionais da área. Já os trabalhos de Urasawa ficam expostos até 5 de janeiro de 2020. 

As palestras são as seguintes: 

‘O mercado de Mangá no Brasil’ (07/11), às 19h – com Marcelo del Greco, Gerente de Conteúdo da Editora JBC; Junior Fonseca, Editor da New Pop; Levi Trindade, Editor da Panini; e Bruno Zago, Editor da Editora Pipoca e Nanquim.

‘O universo de Mangá no Brasil’ (09/11), às 15h – com Leonardo Galli Ponsoni, Sales Manager Brasil/Argentina da Bandai Namco; Luis Angelotti, CEO da Angelotti Licensing; e Yuri Petnys, Region Lead da Crunchyroll no Brasil.  

‘Mangá também é digital’ (12/11), às 19h – com Isadora Cal, Gerente de Contas da Bookwire; Edi Carlos Rodrigues, Gerente de Marketing na Editora JBC; e Camila Cabete, Gerente Sênior de Relações Editoriais da Kobo Rakuten.

 ‘A arte do Mangá influenciando a produção nacional’ (27/11), às 19h – com Amanda Ricarte, Quadrinista e Ilustradora; Raoni Marqs, Quadrinista; e Cah Poszar, Designer, Ilustradora e Quadrinista. 

Entrevista com Naoki Urasawa

O artista japonês Naoki Urasawa falou ao Estado por e-mail. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Quando o senhor iniciou sua carreira, artistas como Osamu Tezuka já haviam expandido o mangá para o Ocidente, mas desde então os mangás ganharam ainda mais popularidade. Como o senhor explica o sucesso do mangá em países tão diferentes do Japão, como o Brasil?
Existem muitos quadrinhos semelhantes ao mangá, como por exemplo, a B.D (banda desenhada) da França e os comics Americanos, porém acredito que um dos motivos da popularidade do mangá seja a sua alta qualidade como entretenimento. Acho que o primeiro big bang foi o lançamento do New Trasure Island, em 1947, após a 2.ª Guerra Mundial. Essa obra mostra que apenas com caneta e papel, é possível produzir um entretenimento de alta qualidade, mesmo em um país derrotado e que perdeu tudo como o Japão, onde o entretenimento popular não era produzido em abundância por questões financeiras. Tendo como principal público as crianças, os leitores abraçaram o movimento e nesse contexto, surgiram vários excelentes mangakás. Depois disso, o mangá ganhou cada vez a popularidade e em 1959, diversas revistas semanais de mangá foram lançadas, mostrando a alta qualidade e incrível volume de produção. Acredito que mesmo comparando mundialmente, não há quadrinhos com tamanha qualidade e quantidade como o mangá do Japão. Eu nasci em 1960, tenho quase a mesma idade que as revistas semanais de mangá, e sendo da geração que vivenciou e viu com os próprios olhos o grande desenvolvimento da cultura chamada mangá, eu produzo as minhas obras pensando “espero que consiga transmitir o dinamismo que o mangá possuía originalmente para a geração de hoje”.

Quais são as dificuldades de trabalhar com o gênero seinen, uma vez que suas histórias podem ser voltadas a públicos de idades muito variadas?
Quando eu era criança, eu não gostava muito de mangá para criança… Quando me mostravam algo infantil eu pensava “não subestimem as crianças”. Isso acontecia porque quando eu era criança, a revista semanal de mangá chamava “shonen magazine”, mas o conteúdo era praticamente seinen. Os estudantes do movimento estudantil da década de 60 também eram leitores fervorosos dessa revista. Além disso, o Osamu Tezuka também desenhou a versão mangá de Crime e Castigo, de Dostoiévski, no início da sua carreira. Sendo assim, acredito que o mangá japonês originalmente possui elementos de mangá seinen, e o seu conteúdo profundo foi um dos motivos do sucesso mundial.

O senhor já criou mangás sobre os Beatles e Bob Dylan, e também tem uma carreira musical. Qual é a influência da música sobre sua arte?
Eu comecei a desenhar mangás com 4 ou 5 anos de idade. Com 13 anos, peguei o violão e comecei a compor, e com uns 15 anos, fazia overdubbing com fita cassete. Provavelmente, se eu não estivesse desenhando mangá naquela época, eu teria investido mais tempo na música. Entendo que tanto mangá quanto a música tem como base a filosofia e aprendi muita coisa com referências como Osamu Tezuka, Bob Dylan e Beatles. Me vejo como uma pessoa cujo interesse maior acaba sendo o de ser autor a ser leitor; ou, ser músico do que espectador. Se não se desenha nada, o papel é só um papel branco. Se não tocar nada, não há nenhum som. Neste ponto, acho que mangá e música são coisas muito semelhantes.

Como o senhor encara o desafio de criar histórias em um mundo tecnológico como o nosso no qual a realidade parece cada vez mais um roteiro de ficção científica?
Quem usa a “tecnologia” são os seres humanos, e penso que a “história” surge das atividades humanas. Acho que a história vai nascer desde que os seres humanos existam nesse mundo.

Quarteto Fantástico e X-Men brigarão por Franklin Richards em nova HQ

Filho de Reed e Sue é considerado um dos mutantes mais poderosos do universo
NICOLAOS GARÓFALO

Marvel Comics/Divulgação

Com o fim do evento Powers/House of X, que relançou de vez os X-Men no universo da Marvel Comics, a casa das ideias lançará uma nova minissérie em quatro edições que mostrará a Nação Mutante tentando trazer Franklin Richards/Powerhouse, filho da Mulher-Invisível e do Senhor Fantástico, para viver em Krakoa. Membro oficial do Quarteto Fantástico, o garoto é um mutante nível ômega capaz de criar universos inteiros com o pensamento, o que o tornaria extremamente valioso para os novos planos de Xavier Magneto.

Roteirista da nova revista, chamada X-Men + Fantastic FourChip Zdarsky afirmou que existe um grande conflito entre os dois grupos, mas que ambos querem o melhor para Franklin, que acaba dividido entre sua família e sua espécie (via newserama). Além disso, o autor disse que a HQ deve partir do ponto de vista de Powerhouse, mostrando o conflito interno do poderoso mutante 

Com roteiro de Zdarsky e artes de Terry e Rachel DodsonX-Men + Fantastic Four começará a ser publicada em 2020 nos EUA e deve impactar os próximos anos das revistas de ambos os grupos.

Uzumaki | Clássico do horror japonês terá série animada em 2020; veja o teaser

Mangá de Junji Ito ganhará minissérie no Adult Swim, com trilha pelo compositor de Hereditário
ARTHUR ELOI

Uzumaki, mangá clássico do mestre do terror Junji Ito, ganhará uma série animada no Adult Swim. Assista ao primeiro teaser acima.

Originalmente publicada no Japão entre 1998 e 1999, Uzumaki acompanha uma cidade sendo tomada por insanidade e violência após uma invasão de forças sobrenaturais em forma de espiral. Desde então o mangá, escrito e ilustrado por Ito, se tornou um clássico cult do horror japonês, tendo sido adaptado para jogos e filmes live-action em seu país de origem. No Brasil, Uzumaki foi publicada pela Devir em 2018.

Já a nova animação será uma minissérie de quatro episódios, com direção por Hiroshi Nagahama (As Flores do Mal), e terá trilha sonora de Colin Stetson, compositor de Hereditário. A série de Uzumaki será exibida no Toonami, bloco do Adult Swim nos EUA, em algum ponto de 2020.

Entenda o fenômeno de My Hero Academia

Como o mangá de Kohei Horikoshi uniu o estilo japonês aos quadrinhos americanos
FÁBIO GARCIA

Divulgação

Em maio de 2014, o jovem autor de mangá Kōhei Horikoshi, então com 27 anos, foi a um cinema japonês prestigiar o lançamento de O Espetacular Homem-Aranha 2. Fã ardoroso do cabeça de teia e de heróis no geral, Horikoshi quis demonstrar seu amor aos quadrinhos não só comprando o ingresso, mas também fazendo cosplay de Homem-Aranha naquela sessão. “Muitas pessoas tiraram fotos minhas, foi embaraçoso“, contou em entrevista dada ano passado ao Anime News Network. O mesmo apreço de Horikoshi por quadrinhos americanos seria demonstrado naquele mês e ano de uma outra forma: começava a publicação de seu mangá, My Hero Academia, na revista semanal Shonen Jump.

A Jump tem a fama mundial de ser “apenas” a casa da maioria dos mangás mais famosos no mundo. Aquelas páginas feitas de papel reciclado já receberam mangás como Dragon Ball, Cavaleiros do ZodíacoOne PieceYu-Gi-Oh! e dezenas de outras séries em seus mais de 50 anos. Em 2014, no ano em que o mangá Naruto preparava sua despedida, a revista estava em busca de um novo fenômeno para colocar em suas páginas e, talvez, ocupar o espaço do ninja loiro. One Piece ainda vendia muito bem, claro, e a editora estava bem feliz com a boa repercussão de Assassination Classroom, porém faltava uma história nova com todos os elementos mais tradicionais de um mangá shonen: amizade, luta, vilões, torneios etc. Foi nesse contexto que apareceu Kōhei Horikoshi.

My Hero Academia é como se fosse o encontro entre os mangás japoneses e os quadrinhos americanos. Nessa história, 80% dos seres humanos têm algum tipo de dom especial,estimulando a existência de super-heróis (e vilões, lógico). No entanto, o jovem Izuku Midoriya, o protagonista, está entre os 20% da população incapaz de manifestar qualquer individualidade, mesmo ele admirando muito o trabalho dos heróis e sonhando ser um. Sua vida muda quando ele tenta salvar Bakugou, seu amigo de infância, durante um ataque de vilão. Admirado pela coragem do rapaz, o grande herói All Might revela que tem o poder transferir seu dom para outra pessoa, e entrega a Midoriya sua individualidade. Agora com uma baita responsabilidade nas mãos, o jovem pode realizar seu desejo de entrar na U.A., a escola na qual todos os aspirantes a heróis sonham em estudar.

Não demorou para My Hero Academia despontar nas páginas da Shonen Jump e ficar no top 3 dos mangás favoritos da revista, segundo votações do público. Um anime era questão de tempo. Em 2016, estreou na televisão japonesa (e em streamings por todo o mundo) uma série animada produzida pelo estúdio Bones. Ao contrário de um Naruto da vida, cuja série tem mais episódios descartáveis do que histórias baseadas no mangá, My Hero Academia segue fielmente o original por ser lançado em temporadas com alguns meses de pausa entre elas. Otiming do anime não poderia ser melhor, pois estreou em meio a toda comoção popular pelos filmes de herói da Marvel.

Cinco anos após seu lançamento, o mangá de My Hero Academia ainda traz números invejáveis no mercado editorial japonês. Segundo o levantamento da Oricon sobre as séries de mangá mais vendidas no primeiro semestre de 2019, My Hero Academia está em quarto lugar com pouco mais de 3 milhões de exemplares vendidos no período. Está abaixo de One Piece e The Promised Neverland (ambos da Shonen Jump), mas aparece acima de Ataque dos TitãsHaikyuu!! e até de One-Punch Man. Isso sem contar vendas de produtos licenciados, um jogo de videogame lançado para todos os consoles e um longa-metragem, que chega ao Brasil em agosto.

Mas qual o motivo do sucesso de My Hero Academia? Como todo bom fenômeno, é difícil definir com certeza algum ponto bem sucedido, mas nesta série podemos ver como o autor fez um casamento entre dois mundos: o da linguagem dos mangás com um tema bem americano. Em cada detalhe de uniforme, desenvolvimento de arco ou poderes inusitados percebemos o amor de Kōhei Horikoshi pelo tema. Um ponto que facilita o interesse também é a quantidade de personagens importantes: em vez de focar apenas em um protagonista, o autor abre espaço para dezenas de outros alunos com tanto carisma quanto o principal. São muitos poderes legais: Ochaco Uraraka tem o poder de modificar a gravidade, Bakugou explode coisas, Kirishima fica duro, Todoroki domina fogo e gelo, Iida tem turbinas motorizadas em suas pernas e por aí vai. É tanta variedade de personagens, para todos os gostos, que acaba causando situações inusitadas, como o fato do protagonista Midoriya nunca ter ganhado uma enquete de popularidade na Shonen Jump, perdendo sempre para seus colegas Bakugou e Todoroki.

Apenas em uma característica Horikoshi promete ser bem diferente de seus colegas de Shonen Jump. Ao contrário de One Piece, que segue firme e forte rumo aos 100 volumes encadernados, o autor de My Hero Academia promete que sua história não será “infinita”. Atualmente com 24 volumes publicados no Japão, devemos ter mais alguns anos de história e sucesso, até chegar o destino natural das coisas e um novo fenômeno aparecer. Enquanto isso não acontece, continuamos nos divertindo com as aventuras de Izuku Midoriya e a escola de heróis.

Exemplar raro de revista em que Homem-Aranha apareceu pela primeira vez vai a leilão na internet

Publicado em 1962, número 15 da série ‘Amazing Fantasy’ está no top 3 de publicações mais procuradas do mundo
EFE

O Homem-Aranha duelando com o Duende Verde em uma das últimas histórias do herói desenhadas por Steve Ditko Foto: Marvel Comics

A revista em quadrinhos com a primeira aparição do Homem-Aranha foi colocada a leilão nesta sexta-feira na plataforma digital holandesa Catawiki.

A revista, o número 15 da série Amazing Fantasy, publicada em 1962, está no top 3 das mais procuradas do mundo e é um dos exemplares mais raros colocados à venda nesta plataforma de leilões, onde os internautas poderão dar lances pelo artigo até o dia 11 de agosto.

O valor estimado da revista é de aproximadamente 15 mil euros, uma vez que “se encontra em condições de leitura, mas com vários sinais de uso”, segundo a Catawiki, que acrescentou que o item vai gerar “uma interessante batalha entre os colecionadores”.

Em 2011, uma cópia desta revista em quadrinhos criada por Stan Lee e Steve Ditko bateu recordes e foi leiloada por mais de US$ 1 milhão.

Um ano depois de fazer sua primeira aparição na Amazing Fantasy, o Homem-Aranha se popularizou tanto que ganhou uma revista única para suas aventuras, transformando-se em um clássico das histórias em quadrinhos, e também protagonizou filmes, séries de televisão e jogos. 

Tina pede respeito na capa da nova Graphic MSP

HQ será lançada em setembro
FÁBIO DE SOUZA GOMES

Sidney Gusman, editor da Maurício de Sousa Produções, divulgou a capa da 24ª Graphic MSP que contará com Tina como protagonista. Intitulada “Respeito”, a HQ foi criada por Fefê Torquato.

Ainda não existem detalhes da história, mas o editor garante que essa é uma HQ “impactante e necessária”

O lançamento está programado para setembro.