Miles Morales além do Aranhaverso: como ler as HQs do novo Homem-Aranha

Confira os principais quadrinhos do novo Cabeça de Teia da Marvel
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Uma coisa é certa: todo mundo adorou Homem-Aranha no Aranhaverso. O enorme sucesso da animação que venceu o Oscar em 2019 levou Miles Morales a um novo nível de popularidade, já que o jovem herói caiu no gosto de muitas gente. Sendo assim, é natural que os novos fãs queiram começar a ler as histórias do personagem nos quadrinhos, mas que não saibam por onde começar. Pensando nisso, criamos esse guia de leitura para ajudar novos leitores a conhecer a jornada do jovem Miles.

Primeiro precisamos explicar o contexto de sua criação. Lá no início dos anos 2000, a Marvel começou a publicar novas HQs de um universo alternativo eles batizaram de Universo Ultimate. Ao contrário do universo principal, o 616, a linha Ultimate se passava na Terra-1610, que por sua vez tinha toda uma cronologia própria, já que a ideia da editora era atualizar seus personagens clássicos para uma nova geração.

Um dos títulos iniciais, e que acabou fazendo maior sucesso, foi o Homem-Aranha, escrito desde o início por Brian Michael Bendis. Ao longo de nove anos, a publicação ganhou uma forte base de leitores – eu incluso -, que ficaram chocados com a notícia de que o Peter Parker desse universo iria morrer. Após a conclusão da saga A Morte do Homem-Aranha, o jovem Parker realmente faleceu e o universo Ultimate ganhou um novo Homem-Aranha: Miles Morales!

Não é preciso dizer que o surgimento do Miles foi bastante criticado por parte dos leitores – por motivos que infelizmente conhecemos bem -, mas Bendis provou que o manto do Aranha poderia ser passado adiante. Após anos de grandes histórias e, especialmente a animação do Aranhaverso, o jovem Miles realmente caiu no gosto dos leitores e definitivamente veio para ficar.

O início

Para começarmos a entender os primeiros passos de Miles Morales é preciso ler a história A Morte do Homem-Aranha. No Brasil, ela foi publicada originalmente pela Panini nas edições 21 a 25 da revista Ultimate Marvel. Aqui é mostrada a morte do Homem-Aranha, que até então era o tradicional Peter Parker, após um confronto contra seus principais vilões como o Electro e o Duende Verde.

Já nos números 26 e 27 temos a saga Ultimate Fallout, que serve para amarrar algumas pontas soltas e dar início a uma nova fase do Universo Ultimate. Na 4ª edição da saga Fallout temos a primeira aparição de Miles. Nessa história, que se passa após o funeral de Peter, vemos um novo Homem-Aranha surgindo em Nova York e lutando contra o violento Canguru. Com apenas 7 páginas, essa não é uma leitura obrigatória, mas é bem legal pra quem quiser ver como ele apareceu pela primeira vez, quando sua identidade ainda era um mistério.

Anos após a publicação da Panini, a editora Salvat relançou essa saga no encadernado Ultimate Homem-Aranha: A Morte do Homem-Aranha.

Após a morte de Peter Parker e uma breve aparição de um novo Homem-Aranha, se inicia a cronologia do Miles. Aqui no Brasil, o herói fez sua estreia oficial na edição 29 de Ultimate Marvel, lançada em novembro de 2012. Vale lembrar que essa revista era um mix – nome dado a HQs que compilam vários títulos – onde foram publicadas também histórias de outros personagens como os Supremos e os X-Men.

A partir daqui somos apresentados a Miles Morales, sua vida em uma nova escola, sua família, seus conflitos e é claro, seus primeiros passos na vida heróica. Na saga inicial, escrita por Bendis com arte de Sara Pichelli, Chris Samnee e David Marquez, vemos o garoto aprendendo a lidar com seus poderes e até mesmo como ele conseguiu seu próprio uniforme. Uma parte muito importante do início da carreira do Miles está na complicada presença de seu tio Aaron, que como muitos sabem dá bastante trabalho para o herói.

Encontrando o primeiro Homem-Aranha

Após esse início de carreira, foi chegada a hora de Miles Morales conhecer o Peter Parker do Universo 616. Esse encontro aconteceu na saga Homens-Aranha, publicado também pela Panini em um encadernado próprio, não fazendo parte nem da revista Ultimate Marvel, e nem do título Espetacular Homem-Aranha que acompanha as aventuras de Parker.

A história acompanha a viagem de Peter ao Universo Ultimate durante a perseguição a um de seus vilões. Em outra realidade muito parecida com a sua, ele fica surpreso ao descobrir nesse mundo ele também foi o Homem-Aranha e acabou morrendo, sendo substituído por Miles Morales.

Muitos anos após a conclusão dessa saga, Bendis e Pichelli se reuniram para uma sequência, chamada Homens-Aranha II, que se baseou em uma dúvida surgida no final do primeiro volume.

Voltando às histórias do Miles, após a conclusão do arco do Gatuno e de Homens-Aranha, teremos o crossover Divididos Tombaremos, Unidos Venceremos, publicado entre os números 40 e 45 da revista Ultimate Marvel. Uma curiosidade é que é nesse evento que o garoto finalmente consegue seus lançadores de teia. Aliás é incrível notar que ele passou por tanta coisa, entre resgates e combates, sem essa tecnologia.

Em seguida, entramos no arco Guerra de Venom, que viria marcar bastante o personagem. Lançada entre os números 46 e 49 de Ultimate Marvel, essa história mostra o Venom desse universo perseguindo Miles Morales e sua família, o que culmina em uma tragédia que inicia a saga Homem-Aranha Nunca Mais. Esse título, que é uma homenagem à clássica saga de Peter Parker, foi publicada na edição 50 da revista e acompanha o garoto durante o ano em que ele renunciou ao manto do herói.

Após o garoto voltar a vestir o uniforme do Homem-Aranha, o Universo Ultimate entra em uma grande saga chamada Cataclismo, publicada no Brasil na minissérie Ultimate Marvel: Cataclismo. Ela acompanha um colapso no espaço/tempo que ocorreu no final da saga Era de Ultron, que por sua vez permitiu que alguns heróis tivessem um “flash” do multiverso.

Um desses personagens foi o próprio Miles Morales, que visualizou um ser gigante e roxo vindo em direção a Terra. Sua primeira reação foi achar que estava louco, mas não demorou muito para Galactus aparecer no meio de Nova York, destruindo cidades inteiras que estavam no seu caminho. Com a morte de alguns de seus grandes heróis, o Universo Ultimate sobreviveu ao Cataclismo, cujo encerramento iniciou uma nova fase para essa Terra.

Uma nova fase

Essa nova fase foi refletida também no mundo real, já que a Panini reiniciou o título Ultimate Marvel, que dessa vez durou 12 edições entre 2015 a 2016. Por mais que todo esse universo tenha sofrido modificações, na parte do Homem-Aranha vemos Miles descobrindo segredos de sua namorada e até o retorno de Peter Parker – e não estou falando de um Peter de outro universo, mas sim o que havia morrido -, entre outros mistérios.

Foi nessa fase em que Miles apareceu também no Aranhaverso dos quadrinhos, que reuniu infinitas versões do Homem-Aranha – com direito a clones e até o tokusatsu – em um combate contra a família de vampiros comandada por Morlun.

E se você estava achando que não ia ter mais mega-saga, achou errado. Com o intuito de unificar seus universos a Marvel lançou as Guerras Secretas, que tinha como um de seus personagens principais o Miles Morales. Lançada em 9 edições e depois em um encadernado, essa é saga leva o garoto ao Universo 616 onde ele passou a conviver com os outros personagens do universo principal. Nessa época ele passou a estrelar o título Spider-Man, publicado pela Panini na revista Espetacular Homem-Aranha de 2016, que publicava as aventuras tanto do Miles, quanto do Peter.

Vale lembrar também que nessa época Miles passou a aparecer também na revista dos Vingadores e depois na dos Campeões, equipe jovem formada por ele, Ms. Marvel, Hulk (Amadeus Cho) e uma versão jovem do Ciclope.

Miles Morales no Brasil agora

Após o fim da revista do Espetacular Homem-Aranha, as aventuras de Miles foram publicadas em encadernados com o título de Miles Morales: Homem-Aranha, que atualmente está em seu segundo volume.

Para quem quer começar a ler as primeiras aventuras do Miles Morales, aquelas que se passam logo após a morte de Peter Parker no Universo Ultimate, a Panini está lançando o encadernado Miles Morales: Homem-Aranha. Publicada pelo selo Marvel Teens, essa edição compila a primeira aparição do garoto em Ultimate Fallout #4 e as dez primeiras edições da revista Ultimate Comics: Spider-Man.

Mafalda feminista: livro com tirinhas de Quino sobre o tema sai no Brasil em dezembro

Publicado na Argentina em 2018, ‘Mafalda: feminino singular’ será lançado no país pela editora WMF Martins Fontes
Ruan de Sousa Gabriel

Tirinha estrelada por Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino Foto: Quino / Reprodução

SÃO PAULO — Nos últimos anos, Mafalda, a menina sabichona e progressista criada pelo cartunista Quino, morto nesta quarta-feira (30), passou a ser vista com um lenço verde na cabeça em manifestações em defesa do direito ao aborto na Argentina. O próprio Quino autorizou a convocação de sua personagem. Não é de hoje que Mafalda flerta com pautas feministas. A menina nunca se conformou que a mãe desperdiçasse a vida cuidando da casa. Em 2018, o selo argentino Ediciones de la Flor publicou “Mafalda: feminino singular”, reunião de tirinhas nas quais a personagem questiona os espaços ocupados e os papéis desempenhados pela mulher no mundo. A edição Brasileira, preparada pela WMF Martins Fontes, chega às livrarias em dezembro.

— As tiras reunidas no livro tratam de temas que estamos discutindo ainda hoje em relação ao feminismo e também à criação das meninas — disse ao GLOBO Luciana Veit, editora da WMF Martins Fontes. — Por que ao se elogiar uma menina se fala primeiro da beleza e não da inteligência? Você vê a Mafalda irritadíssima com isso, querendo tratar da paz mundial ou ser a presidenta nas brincadeiras com os meninos. E o trabalho doméstico, a discussão que voltou com essa pandemia, está lá, nas tiras, personificado na mãe da Mafalda.

“Até parece que a Mafalda não falaria das mulheres!”, escreve escritora Patricia Kolesnicov no prefácio à edição argentina, que será reproduzido na versão brasileira. “Como passaria despercebido que ela não pode ser presidenta (e o Manolito, sim, pode); que sua mãe não tem vida própria – o famoso ‘o que você queria ser se estivesse viva?’ – porque casa e trabalho são a mesma coisa; que o futuro que ela vê, olhando no fundo de bobes de cabelo, começa com o amor romântico e termina na cozinha? Como ela não perceberia isso, se ela é uma garota dos anos 60 e, à sua volta, estão os Beatles e o Vietnã e, de repente, a ‘tendência’ é a metralhadora?”

Mafalda, a personagem contestadora criada pelo argentino Quino Foto: Quino / Reprodução

Patricia aponta que Quino não se furtava a apontar o machismo de seus personagens, como Miguelito, que berra com Mafalda (“Você é igual a todas as outras!”) quando descobre que ela tem outros amigos, Felipe, que diz não gostar de “discutir mecânica com mulheres”, e até Susanita, que sonha com um príncipe encantado. “Atento a momentos de mudança social, Quino tem a inteligência de ver o lugar das mulheres, o dos homens, o da família. Como todos os grandes, prediz não por ser vidente, mas porque lê com precisão o mundo que o rodeia. E agora, o futuro chegou.”

No prefácio escrito especialmente para a edição brasileira, a escritora Maria Clara Carneiro descreve Mafalda como uma “feminista em formação tenta emancipar seu corpo dos papéis atribuídos a seu gênero” e afirma que “essa menininha ainda tem revoluções importantes a nos incitar, e nos formar”.

Morre Quino, criador da Mafalda, estrela das HQs que odeia sopa e autoritarismos

Desenhista responsável por uma das personagens mais amadas dos quadrinhos teve AVC na semana passada
Sylvia Colombo

Última tira da personagem Mafalda, criada em 1973 pelo argentino Joaquín Lavado, o Quino Divulgação

BUENOS AIRES – O chargista e artista gráfico Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino, morreu nesta quarta-feira, aos 88, em Mendoza, sua cidade-natal.

“Morreu Quino e, com isso, todas as pessoas boas deste país e do mundo irão chorar”, disse Daniel Divinsky, seu editor, ao anunciar a morte por meio das redes sociais.

Ele era o pai de uma das personagens mais famosas do mundo dos quadrinhos, a inconformada Mafalda, uma menina de classe média argentina nascida em setembro de 1964, fã dos Beatles, de panquecas e que odeia sopa. A personagem completou 56 anos ontem, dia 29 de setembro.

Mafalda também tem um agudo senso crítico para as injustiças sociais e para questões relacionadas à existência humana. Nunca assumiu posições políticas explícitas, mas claramente era identificada com os movimentos progressistas.

Embora tenha existido por meio de tirinhas publicadas em jornais só entre 1964 e 1973, Mafalda permaneceu viva no imaginário argentino, povoando memes, cartazes políticos, feministas e progressistas em geral.

Filho de imigrantes espanhóis, Quino se mudou para Buenos Aires, aos 18 anos, para estudar desenho. Começou a publicar charges e quadrinhos em jornais em 1954.

Em 1963, lançou seu primeiro livro de humor, “Mundo Quino”, e, no ano seguinte, publicou na revista Primera Plana a primeira história de Mafalda e sua turma, que logo se transformaram em símbolos da efervescente cultura da década de 1960 na Argentina —se tornando famosa também nos demais países da América Latina.

Quino recebeu prêmios importantes, como a Ordem Oficial da Legião de Honra, da França, e o prêmio Príncipe de Astúrias, da Espanha.

A personagem Mafalda, criação do artista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino.
A personagem Mafalda, criação do artista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino. Reprodução

Em 1965, Mafalda começou a ser publicada no jornal argentino El Mundo, um dos principais dessa época. A garotinha de cabelos negros enrolados andava sempre acompanhada de um grupo de amigos, alguns baseados em personagens da vida real do cartunista Quino.

Um deles é Manolito, baseado na figura de Anastasio Delgado, um imigrante espanhol dono de uma padaria em Mendoza. Outro é Felipe, baseado em Jorge Timossi, um amigo dentuço que foi um 
colega de Quino na escola.

Também foi criada Susanita, uma típica menina de classe média argentina, mas que é oposta a Mafalda, ou seja, vive com sonhos românticos e tem uma visão idílica do mundo.

Na Argentina, até hoje, chamam de Susanita o que no Brasil seria uma “patricinha”, ou seja, alguém bem diferente do estilo questionador de Mafalda. Esta não sonha com o casamento com um príncipe encantado, por exemplo.

Muitas das tiras de Mafalda são silenciosas, sem uma única palavra, e Quino sempre trabalhou muito com mensagens que se podem deduzir a partir do próprio desenho.

​Pouca gente sabe, mas Mafalda nasceu, na verdade, a partir de um projeto comercial, um trabalho de Quino como colaborador para promover uma marca de eletrodomésticos. Quando pediram que pensasse num nome, Quino se lembrou de uma cena do filme “Dar la Cara”, obra de José Martínez Suárez, lançada em 1962, em que dois personagens discutem ao lado do berço de um bebê —Mafalda.

Já transposta para as tiras de jornal, Mafalda se transforma nessa garota rebelde, sempre expondo os seus dramas de teor quase filosófico nas brincadeiras e debates com os coleguinhas. Em 1967, a mãe de Mafalda fica grávida, e é então que aparece o personagem Guille, o pequeno irmãozinho da personagem.

Nessa época, Quino também passou a ser traduzido para vários idiomas. Sua primeira edição em italiano teve uma introdução de Umberto Eco e levava o título —“Mafalda, a Contestadora”. Foi traduzida ainda para outras 15 línguas e editada em mais de 30 países em todo o planeta.

quino toca mafalda num banquinho
O cartunista Quino toca uma escultura de sua criação, a Mafalda, na Espanha – Eloy Alonso – 23.out.2014/Reuters

Em 1973, porém, Quino decidiu deixar de publicar histórias inéditas da personagem. Depois disso, o ilustrador só a desenhou por razões que considerava importantes, como campanhas de defesa da infância, pela melhoria da educação infantil e a favor da democracia. Fez também desenhos especiais para campanhas da Unicef, da Cruz Vermelha e para o governo argentino, sempre relacionado a questões sociais e nunca à propaganda política.

Em 1979, foi lançado um longa-metragem com o nome de sua personagem, obra com direção de Carlos Márquez.

Nos últimos anos, a personagem Mafalda acabou sendo muito usada pelo movimento feminista na Argentina, com o aval de Quino. Mafalda tem aparecido vestida de verde ou usando lenços verdes, na campanha pró-aborto que ocorre no país nos últimos cinco anos. Em 2018, uma edição só com suas reivindicações para a mulher foi editada em “Mafalda: Femenino Singular”, publicado pelo selo Ediciones de la Flor —um total sucesso entre adolescentes argentinas contemporâneas.

O fim de Mafalda nunca foi bem explicado. Na época, Quino afirmou que tinha medo de começar a se repetir, porém, em entrevistas mais recentes, deixou subentendido que passara a temer ser alvo de represálias de caráter político.

Eram anos pré-golpe militar e de intensa violência na sociedade de seu país, com repressão do Estado ocorrendo ainda em tempos de democracia por meio da Triple A, o esquadrão da morte do governo de Isabelita Perón, e o exílio de vários artistas e intelectuais argentinos. “Se eu continuasse desenhando, poderia tomar uns quatro tiros”, disse o cartunista, numa entrevista ainda na década de 1990.

Ele estava casado com Alicia Colombo, uma química de origem italiana. Nos últimos anos, aparecia pouco em público, em cadeira de rodas, e já não dava entrevistas, porém, segundo seu entorno, permanecia perfeitamente lúcido.

Emicida lança seu segundo livro infantil; confira vídeo

Novo livro do rapper é intitulado E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas
FÁBIO GARCIA

Com lançamento previsto para 5 de outubro, o livro E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas escrito pelo Emicida promete preencher os vazios e levar referências bonitas às pessoas. Confira o trailer do livro abaixo:

E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas é o segundo livro infantil de Emicida, que também publicou Amora em 2018. O livro oconta com ilustações de Aldo Fabrini e mostra uma aventura em que as personagens se deparam com o desonhecido e se encontram com a personificação do medo e da coragem.

O livro tem como proposta mostrar que o medo não é algo naturalmente mau, mas sim como uma coisa que precisamos colocar no devido lugar. O livro foi concebido em 2019, mas o autor faz muitas relações com a pandemia do novo coronavírus.

E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas
Autor: Emicida
Ilustrações: Aldo Fabrini
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 36
Dimensões: 20,5X20,5cm
Ano: 2020
Preço sugerido: R$ 29,90

Capa de Rafael Grampá para Batman de Frank Miller é vendida por 24 mil dólares

Em leilão, arte foi comprada por preço três vezes maior que o esperado
JULIA SABBAGA

A arte criada pelo brasileiro Rafael Grampá para The Dark Knight Returns: The Golden Child, escrita por Frank Miller, foi vendida em um leilão da Heritage por US$ 24 mil dólares. A capa, que se tornou símbolo dos protestos em Hong Kong em 2019, chegou a um valor três vezes maior do que o esperado:

#HeritageLive One of the most controversial comic-book covers in recent memory just sold during our event: Rafael Grampá’s variant cover for “Dark Knight Returns: Golden Child.” The piece sold for $24,000, three times its estimate.https://t.co/gBpD4W87ZJ#ComicCollectors pic.twitter.com/vO3kr6MHdf— Heritage Auctions (@HeritageAuction) September 11, 2020

A imagem, que mostra a Batwoman Carrey Kelley se preparando para arremessar um coquetel molotov, foi divulgada pela DC Comics com o texto “o futuro é jovem” e viralizou, com a frase se tornando presente em diferentes pichações e postagens relacionadas ao movimento.

Entenda os protestos

Iniciados em julho de 2019, os protestos em Hong Kong lutavam contra um projeto de lei que permitia a extradição de pessoas acusadas de crimes contra a China Continental. Manifestantes afirmavam que os extraditados poderiam ser julgados injustamente e tratados de maneira violenta pelo governo.

Apesar da suspensão do projeto em julho do ano passado, os protestos seguiram, eventualmente evoluindo para um movimento pró-democracia e pedido de renúncia da Governadora de Hong Kong, Carrie Lam.

Milestone retorna ao Universo DC em grande estilo com equipe criativa invejável

HQ que marca a volta do selo em que nasceu Super-Choque foi lançada gratuitamente durante o DC FanDome
GABRIEL AVILA

Um dos grandes momentos do primeiro dia do DC FanDome certamente foi o anúncio de que a editora vai retomar o Milestone, selo dedicado à diversidade racial que foi casa de grandes heróis como o Super-Choque. Para o segundo dia do evento, a DC lançou de forma gratuita a revista Milestone Returns Zero, que reapresentou alguns dos principais personagens da casa em uma história que reflete os tempos atuais com invejável um time de artistas.

Antes de mais nada é importante contextualizar. Fundada na década de 1990, a Milestone Media foi uma iniciativa de grandes quadrinistas negros como Denys CowanDwayne McDuffieDerek T. Dingle e Michael Davis que tinham como objetivo aumentar a representatividade nas histórias em quadrinhos. Após lançar personagens como ÍconeFogueteHardware e mais, o selo chegou ao fim oficialmente em 1997, tendo alguns de seus heróis reintegrados ao Universo DC aos poucos.

Com exceção do Super-Choque, que ficou conhecido também nos desenhos animados, boa parte dos heróis e vilões não ganharam tanto espaço. Conscientes de que parte de seus leitores podem não estar familiarizados com eles, a DC decidiu então criar um one-shot – nome dado a histórias completas em uma edição – para reapresentar esse universo para marinheiros de primeira viagem. Essa é uma estratégia que já se provou um sucesso, considerando que o mesmo foi feito para o lançamento do Renascimento DC e do selo Sandman Universe.

O resultado foi Milestone Returns Zero, história escrita por Reginald Hudlin (Pantera Negra) com uma pequena participação de Greg Pak (O Incrível Hulk). Mais do que simplesmente resumir as origens dos primeiros heróis da nova leva do selo, a série deixa claro o tom das publicações, que vão levar em conta o momento atual da população negra nos Estados Unidos.

A trama começa com a jovem Raquel Ervin invadindo uma mansão desconhecida em busca de uma máquina de escrever. O que ela não sabia é que essa era a residência de um alienígena com dons especiais. Unidos, eles começam a combater o crime como Ícone e Foguete em uma busca de mudar o mundo – começando pela própria vizinhança, como ela mesma fez questão de cravar. Durante seu cotidiano heróico, o alien percebe o surgimento de outros supers como eles, e é aí que tanto a Foguete, quanto o leitor, são apresentados a figuras como Super-Choque, Duo e um novo vigilante misterioso.

Ao fim de suas 19 páginas, Milestone Returns Zero cumpre sua missão com louvor, compactando uma gama enorme de informações e origens de uma forma competente sem ser didática. É uma ótima forma de conhecer esse universo em uma narrativa ágil que deixa diversas pontas soltas para as HQs já anunciadas pela DC com lançamento previsto para fevereiro de 2021.

Outro mérito da publicação foi deixar claro que, assim como na década de 1990, a Milestone será um reflexo de questões da população negra da vida real. Não é de se estranhar que a edição ligue a origem do Super-Choque a protestos do Black Lives Matter ou dedique algumas páginas a um discurso emocionante do Ícone sobre como a falta de amor pelo próximo – uma forma didática de denominar a intolerância – é uma das principais razões para que a raça humana ainda seja considerada atrasada no Universo DC. Mais do que “lacrar”, essa é uma forma de manter o legado de um selo idealizado como uma forma de ampliar a representatividade nas HQs.

Se o texto tem um alto nível, pode-se dizer o mesmo sobre a arte. Todo o time de peso composto por Jim LeeRyan BenjaminDon HoKoi PhamScott Hanna e o próprio Denys Cowan brilha ao criar uma identidade coesa para esse universo em questão de poucas páginas. O destaque maior vai para Cowan, não apenas pela importância de ter o retorno de um membro fundador da Milestone, mas especialmente pela forma como seu traço ganha vida de diferentes formas ao lado de gigantes como Jimmy Palmiotti e Bill Sienkiewicz.

Ao fim dessas 19 páginas, é difícil não ficar animado pelo triunfal retorno da Milestone. Com uma gama de personagens interessantes e um grande respeito pelo passado do selo, é certo que esse é um dos maiores acertos da DC em 2020.

Site ComiXology disponibiliza cópias digitais de HQs do Pantera Negra gratuitamente

Coleção inclui edições de Agents of Wakanda e Shuri
NICOLAOS GARÓFALO

ComiXology disponibilizou, em homenagem ao ator Chadwick Boseman, todas as edições de Pantera Negra e séries derivadas em seu catálogo. Ao todo, são 224 números digitais estrelados por T’Challa que poderão ser adquiridas gratuitamente pelos leitores.

Além da série principal, os títulos ShuriKillmonger e Agents of Wakanda também estão abertas para download gratuito. Todas as revistas estão em inglês.

A informação foi divulgada por Jim Zub, roteirista de Agents of Wakanda – confira:

Boseman, que ficou conhecido por interpretar o rei de Wakanda, T’Challa, nos cinemas, morreu aos 43 anos, vítima de um câncer de cólon. Lançado em 2018, Pantera Negra, o filme, foi um dos maiores sucessos do estúdio Marvel, arrecadando mais de US$ 1,3 bilhão nas bilheterias.

Na pele de T’Challa, rei da nação fictícia de Wakanda, Boseman tornou-se símbolo do aumento da representatividade na cultura pop, popularizando gestos e expressões como “Wakanda Forever”.

Angela Davis em quadrinhos: HQ francesa que conta história de ativista norte-americana chega ao Brasil

Livro narra em quadrinhos a trajetória e as lutas da ativista e filósofa norte-americana Angela Davis, ícone do feminismo e do movimento negro
Leda Antunes

'Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do assassinato do povo preto' exigiam os Panteras Negras Foto: Reprodução/Agir
‘Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do assassinato do povo preto’ exigiam os Panteras Negras Foto: Reprodução/Agir

“Angela Yvonne Davis é uma lenda viva que inspira pessoas dos mais diversos segmentos políticos ao redor do mundo”, escreve a filósofa e escritora Djamila Ribeiro no texto de orelha da edição brasileira de “Miss Davis: a vida e as lutas de Angela Davis”, que acaba de ser lançado pela Editora Agir. No livro, os franceses Sybille Titeux de La Croix e Amazing Ameziane recontam a trajetória da consagrada ativista e filósofa norte-americana, ícone do feminismo e do movimento negro, na forma de história em quadrinhos.

O livro retoma a trajetória de Angela Davis desde sua infância, vivida em parte no estado do Alabama, narrando suas vivências como filha de pais que faziam parte da Associação Nacional Para o Progresso das Pessoas de Cor em um estado ainda sob segregação, e, posteriormente, em Nova York, onde as leituras comunistas influenciaram de forma definitiva sua formação intelectual e política.

A HQ ainda narra a participação de Davis no partido dos Panteras Negras e sua entrada na lista dos mais procurados do FBI, dando destaque a sua vivência na prisão e ao julgamento que terminou com o reconhecimento da sua inocência após uma intensa campanha pública global por sua liberdade. A partir da história de sua militância, os quadrinhos inserem o leitor no cenário da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos dos anos 1960 e 1970.

Angela Davis em quadrinhos Foto: Reprodução/Agir
Angela Davis em quadrinhos Foto: Reprodução/Agir

A ideia de contar a história de Davis em quadrinhos surgiu logo depois que a escritora Sybille Titeux de La Croix e o ilustrador Amazing Ameziane finalizaram o livro em que narram a trajetória do ativista e boxeador afro-americano Muhammad Ali, em 2015.

— O livro sobre Ali era tanto sobre o esporte quanto sobre sua luta pelos direitos civis nos EUA. Podemos dizer que o livro sobre Angela Davis é, portanto, uma continuação, desta vez através da figura de uma mulher que dedica a sua vida à luta pela igualdade, feminismo e anti-capitalismo — afirma La Croix, em entrevista concedida à CELINA por e-mail.

Para a autora, todos os aspectos da vida de Angela Davis a fizeram querer fazer uma história em quadrinhos sobre ela. “O objetivo principal é ajudar quem não conhece Angela Davis a descobrir suas lutas e suas ideias, que ainda estão bem vivas em 2020”, explica.

Ambos os autores acumulam anos de pesquisa sobre a cultura norte-americana e o período histórico que marcou a luta pelos direitos civis nos anos, entre as décadas de 50 e 70, bagagem que foi fundamental para o processo de desenvolvimento da HQ.

Vidas negras importam

“Queremos o fim imediato da brutalidade policial do assassinato do povo preto”, diz um dos itens do programa do partido Panteras Negras, citado logo no início de “Miss Davis”. A exigência, feita no final da década de 60, continua atual. A HQ sobre Angela Davis chega em um momento em que o debate sobre o racismo parece ter atingido um novo patamar global. Em junho, protestos em repúdio à violência policial contra a população negra nos EUA — desencadeados pelo assassinato de George Floyd, um homem negro morto por asfixia por um policial branco — se espalharam pelo mundo.

— Na França, o livro foi lançado um pouco antes da crise da Covid 19, então demorou um pouco para ter um retorno. Mas com o movimento “Black Lives Matter” se espalhando pelo mundo, está claro que este não é apenas um problema americano. O jovem negro Adama Traoré morreu estrangulado pela polícia francesa dizendo exatamente as mesmas palavras que George Floyd — conta Amazing Ameziane.

Neste contexto, recontar a história de Angela Davis se torna ainda mais importante, afirmam os autores da HQ.

— Começamos a trabalhar no livro em 2018, e este não era um tópico especialmente relevante na época, aos olhos das pessoas. Mas é importante contar a história de pessoas como Angela Davis o tempo todo. Sua luta ainda é relevante hoje e espero que o livro possa inspirar jovens leitores — afirma La Croix.

— Angela Davis nos inspira a desejar um mundo melhor — completa Ameziane.

Anansi, HQ de Jefferson Costa e Lucas Benetti, chega ao Catarse

Livro mostrará o deus Anansi tentando obter o baú com todas as histórias que existem
NICOLAOS GARÓFALO

A dupla Jefferson Costa (Jeremias – Pele) e Lucas Benetti (Gibi Quântico 2) lançou a campanha de financiamento coletivo de Anansi, nova HQ que mostrará o deus-aranha tentando comprar o baú de Nyame, deus do céu, que guarda todas as histórias do mundo.

A partir de R$ 38, leitores podem adquirir versões impressas e digitais do livro, que tem entrega prevista para fevereiro de 2021.

Anansi conta com 64 páginas e a campanha pode ser acessada até 15 de outubro, com meta de R$ 22 mil. Quem ajudar no financiamento terá como recompensas cartões postais, imãs e marcador de páginas.