Inovação e agilidade levam pequenas a resolver problemas de gigantes

Com estrutura mais engessada, grandes corporações buscam serviços já desenvolvidos e testados de pequenas startups, que lucram com escalabilidade
Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

Ricardo Ferreira (à esq.), sócio da Cinnecta, e Fernando Freitas (à dir.), da Inovabra, programa de inovação do banco Bradesco para promover parcerias de inovação com startups. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Set Construção Visual faturou R$ 500 mil nos seus primeiros seis meses de mercado em 2018. Atualmente, tem contrato com 13 grandes empresas, como incorporadoras, grupos hoteleiros e construtoras, incluindo a Tenório Simões, que ergue prédios do programa Minha Casa Minha Vida em Pernambuco. Com apenas 24 funcionários, a startup faz parte do grupo das pequenas iniciativas que nasceram para solucionar problemas de grandes corporações.

O modelo de negócio é aproveitar um vácuo deixado pelas grandes empresas, que não conseguem resolver todos os seus problemas relacionados à inovação. “A grande está tão focada no core business dela que não vê uma inovação surgindo. Quando algo começa a se tornar muito importante, faz todo o sentido para ela contratar o serviço que uma startup já tinha começado a pensar dois anos antes”, aponta o presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), Amure Pinho.

A agilidade nas decisões e as estruturas pouco engessadas, próprias de startups, tornam o contrato atrativo para as grandes. “A tecnologia muda rapidamente. Quando começamos era um tipo de software e já atualizamos duas vezes. Por sermos pequenos e não termos tantas regras, conseguimos fazer isso com muito mais rapidez”, conta Jeanne Karlla, arquiteta e fundadora da Set. A startup aposta no uso de tecnologia de modelagem da informação para criar protótipos virtuais de obras e simular sua execução com precisão.

Na relação de troca entre as empresas, o aspecto financeiro também tende a ser vantajoso para as duas. “Antigamente, as corporações tinham que investir em desenvolvimento de pesquisa internamente, criar estrutura de pessoal próprio, pesquisadores e laboratórios, e isso custava muito caro para elas”, aponta o coordenador do MBA em Empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcus Quintella.

Para a pequena, o benefício financeiro vem da escalabilidade, que faz com que uma mesma tecnologia desenvolvida possa ser fornecida para várias empresas ao mesmo tempo, diminuindo o custo. “Como o mercado de grandes empresas no Brasil é muito bem catalogado, é fácil identificar quem elas são e descobrir se o problema de uma é também de outras, ou seja, um problema grande e que envolve muito dinheiro”, aponta Pinho. “Grandes empresas são, geralmente, boas pagadoras, com contas grandes, então algumas startups acabam escolhendo ser B2B (business to business, de negócios realizados entre empresas).”

O caminho até as grandes

Em busca de startups que resolvam suas demandas de tecnologia, as grandes corporações têm criado programas de incentivo à inovação. Nessa linha, o Bradesco mantém, desde 2014, o Inovabra Startups, planejado para estabelecer parcerias estratégicas do banco com as pequenas. “Em uma empresa, na disputa de orçamento e de pessoas, há uma fila grande de projetos, então as startups nos ajudam a inovar sem concorrência com nossos processos internos”, afirma Fernando Freitas, superintendente executivo de pesquisa e inovação do Bradesco. Em quatro anos, a iniciativa, que tem inscrições mensais, já recebeu 3,2 mil candidaturas.

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Inovabra Habitat, espaço de co-inovação do Bradesco que reúne 190 startups e 75 grandes empresas trabalhando de forma colaborativa em São Paulo. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A ampla concorrência em programas como o Inovabra Startups exige que as pequenas estejam preparadas para defender o seu negócio. Para isso, o Sebrae oferece capacitação sobre gestão empresarial direcionado para elas, o Startup SP. “A empresa tem que saber como se apresentar, ter um projeto de canvas, conhecer a sua proposta de valor e o seu diferencial frente ao mercado”, aponta o consultor do Sebrae Henrique Romão.

Criada em 2013 pelos sócios e irmãos Eduardo e Ricardo Ferreira, a Cinnecta, startup de inteligência de dados que ajuda grandes empresas a entender o perfil e o comportamento de seus clientes, participou do Inovabra Startups e, hoje, é residente do Inovabra Habitat, estrutura que reúne 190 startups e 75 grandes empresas trabalhando de forma colaborativa em São Paulo.

“Saímos do programa com soluções mais amadurecidas e tivemos contato com executivos do Bradesco, o que nos ajudou a ganhar mais autoridade”, conta Ricardo. Hoje, além do banco, a startup atende 10 grandes empresas, entre companhias aéreas, operadoras de telecom, empresas do varejo e programas de fidelidade.

Na hora de conquistar um contrato com uma grande, as pequenas também podem tomar a iniciativa. Um dos caminhos adotados por Bruno Diesel, CEO da Peerdustry, startup que usa tecnologia para promover a manufatura compartilhada entre grandes empresas e fornecedores, é buscar corporações que tenham núcleos de inovação.

Hoje, a companhia atende dez grandes clientes, como a Saint-Gobain e a Crown Embalagens. “Existem pessoas que estão procurando soluções fora da caixa, então focamos nelas. Eu vou no LinkedIn e procuro organizações que têm o ‘open inovation’como função, encontro a pessoa que ocupa o cargo e mando uma mensagem. Ela, geralmente, consegue uma reunião com o time em duas semanas. Esse é o momento que estamos vivendo no Brasil”, conta.

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‘Se um robô escrever um romance, devemos admitir que ele é consciente’, diz Ian McEwan

Escritor inglês trata de triângulo amoroso entre um casal e um robô no livro ‘Máquinas Como Eu’
André Cáceres, O Estado de S.Paulo

Alicia Vikander é a robô Ava em ‘Ex Machina’ (2014), de Alex Garland Foto: Universal Pictures

O ano é 1982: a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher envia uma força expedicionária ao outro lado do Atlântico para reaver o controle das Ilhas Malvinas. Na vida real, ela obtém sucesso; no novo livro do romancista inglês Ian McEwan, as tropas são repelidas pelos argentinos com uma tecnologia balística baseada em algoritmos do matemático Alan Turing (1912-1954). Na vida real, Turing morreu aos 41 anos, perseguido pelo Estado graças à sua condição homossexual; em Máquinas Como Eu(Companhia das Letras), ele viveu o bastante para viabilizar a construção de robôs quase indistinguíveis de seres humanos.

A história contrafactual — ou ucronia — é um subgênero fértil da ficção especulativa. Seu exemplar mais conhecido é O Homem do Castelo Alto, em que Philip K. Dickimagina as consequências da vitória nazista na 2.ª Guerra Mundial. Em Máquinas Como Eu, Ian McEwan trilha um caminho mais parecido com o de A Máquina Diferencial, de William Gibson e Bruce Sterling, situado numa Inglaterra vitoriana em que o cientista Charles Babbage (1791-1871) conseguiu construir computadores tão potentes quanto os do século 20, adiantando em décadas o progresso tecnológico. 

Embora o romance de McEwan se passe em 1982, essa é uma linha do tempo alternativa. Smartphones, internet e inteligências artificiais convivem com uma decepcionante turnê de reunião dos Beatles — com John Lennon ainda vivo. “O presente é o mais frágil dos artefatos improváveis”, pensa o protagonista Charlie Friend, ecoando o leitmotiv da ucronia. “Podia ser diferente. Qualquer parte dele, ou sua totalidade, podia ser outra coisa.”

Frustrado com fracassos financeiros sucessivos, inculto, formado em antropologia, mas amante de eletrônica, Charlie leva (mal) a vida apostando na bolsa de valores pelo computador. Quando surge uma nova coqueluche tecnológica, ele torra o dinheiro de uma herança para comprar o androide Adão (as ginoides Eva já estavam esgotadas). Se sua aquisição não  satisfaz seus desejos consumistas, pelo menos acaba servindo para aproximá-lo da vizinha de cima, Miranda, por quem logo se apaixona e com quem divide a criação do robô como se fosse um filho de ambos. 

McEwan constrói a todo momento um jogo de espelhos para brincar com a dualidade humano-robô ou espontâneo-automático. Por vezes, o relacionamento de Charlie e Miranda é tão frio e artificial que eles parecem ser as máquinas, enquanto o fascínio infantil de Adão pela arte, ciência e filosofia é tão genuíno que ele soa muito mais vivo do que seus donos. Quando os três visitam o pai de Miranda, um escritor de relativo sucesso já no ocaso da vida, após poucos minutos de conversa, ele pensa que o culturalmente oco Charlie é o robô e passa a entabular uma profunda discussão sobre Shakespeare com Adão.

O Teste de Turing, desenvolvido em 1950 para determinar a capacidade de uma máquina de se passar por um humano, leva à proposição de que, se um robô é indistinguível de um ser consciente, devemos tratá-lo como tal. Os dilemas morais derivados dessa questão começam a se insinuar no romance quando Miranda “trai” Charlie com Adão: “Poderia ter corrido escada acima e os impedido, irrompendo no quarto como o marido cômico num cartão-postal dos velhos balneários. Mas minha situação tinha um aspecto excitante, não apenas de subterfúgio e descoberta, mas de originalidade, de precedência moderna, de ser o primeiro homem corneado por um artefato. (…) No momento, apesar do horror da traição, tudo era interessante demais e eu não tinha como escapar do papel de quem escuta atrás da porta, de voyeur cego, humilhado e atento.”

Máquinas Como Eu vem sendo rotulado como um triângulo amoroso entre um homem, uma mulher e um robô, mas é muito mais que isso. Subjacente a essa trama, uma sombra do passado de Miranda retorna para acossar o trio. Ela teria fornecido falso testemunho em um tribunal. É possível que o leitor considere que seu crime foi cometido por uma razão justa, mas Adão segue um código moral muito mais rígido e, talvez, assustadoramente, melhor que o nosso. E é justamente nessa dissonância moral que reside a tensão do romance.

As implicações éticas que decorrem da criação de um ser artificial remontam a Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), de Mary Shelley. Contos como O Homem de Areia (1817), de E.T.A. Hoffman, e Moxon’s Master (1899), de Ambrose Bierce, já tratam de autômatos humanoides, mas a palavra robô — derivada de “robota”, trabalho forçado em sérvio — foi empregada pela primeira vez na peça Rossum’s Universal Robots(1920), de Karel Capek. 

O mais relevante ficcionista nessa seara, autor de dezenas de contos e romances sobre robôs, foi Isaac Asimov (cujas leis da robótica são citadas por McEwan no livro, embora feridas quando Adão quebra o pulso Charlie no momento em que o este o tenta desligar). Ele tratou da mecanização do trabalho em As Cavernas de Aço (1953): “Eles roubam os empregos dos homens. É por isso que sempre são protegidos pelo governo. Eles trabalham em troca de nada e, por causa disso, famílias têm que morar lá nos abrigos e comer purê de levedura cru.” Entretanto, otimista inveterado como era, Asimov vislumbrou seres mecânicos como potencialmente mais capazes para tomar decisões e guiar sabiamente a humanidade do que governantes humanos em contos como Evidência (1946) e O Conflito Evitável (1950), incluídos na coletânea Eu, Robô. Seus romances Os Robôs do Amanhecer (1983) e Fundação e Terra (1986) também apontam para essa direção.

Já Philip K. Dick, autor de Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? (1968), que inspirou Blade Runner (1982), foi pioneiro na ficção sobre robôs como questionamento existencial. Seus perturbadores replicantes se tornaram praticamente um arquétipo literário, com a capacidade de se misturar na sociedade sem distinção para os humanos. Em Dick, qualquer um pode ser um robô. O incipit do conto A Formiga Elétrica (1969) resume o assombro de sua obra: “O que você sentiria, depois de pensar que era homem, se um belo dia acordasse e descobrisse que tinha virado robô?” 

Se em Asimov eles roubam seu emprego e em Dick colocam em xeque sua condição humana, no livro de McEwan a tensão provém da consciência de que a humanidade estaria se deparando com uma versão melhorada de si. Adão compõe haicais, filosofa sobre a vida e a morte, e ainda detém um senso moral muito mais apurado que os falhos Charlie e Miranda.

Máquinas Como Eu recupera ainda diversos motivos enunciados em obras anteriores de McEwan. A ingenuidade de Adão no início do romance, enquanto ele aprende a viver, lembra Leonard Marnham, protagonista de O Inocente. A ideia de que um erro cometido no passado não possa ser consertado e retorne para acossar Miranda no pior momento possível remete à trama de Reparação. O sentimento que Adão passa a nutrir — e reprimir, a pedido de Charlie — por Miranda é uma sombra da obsessão narrada em Amor Sem Fim. A descrição do ambiente político acirrado durante a Guerra das Malvinas como pano de fundo lembra a atmosfera de Sábado

Todas essas e muitas outras características consagradas de McEwan retornam em Máquinas Como Eu, com a adição de uma preocupação mais específica que espreita a cada página: em um mundo no qual delegamos cada vez mais decisões morais às inteligências artificiais, devemos acatar passivamente a nossa dependência cada vez maior em relação às máquinas? O último poema de Adão soa como um vaticínio: “É sobre máquinas como eu e gente como vocês, e nosso futuro juntos… a tristeza que está por vir.”

Leia abaixo os melhores trechos da entrevista que Ian McEwan concedeu ao Aliás:

Ian McEwan
O escritor britânico Ian McEwan, autor de ‘Máquinas Como Eu’ Foto: Lauren Fleishman/The New York Times

A tensão no romance gira em torno da diferença na moralidade de humanos e máquinas. Mas em certo ponto Adão quebra as leis da robótica ao quebrar o pulso de Charlie. Isso indica que a moralidade das máquinas é suscetível a falhas como a nossa?
Há duas questões aí. O primeiro ponto é a diferença moral de Adão para Miranda. Se ela deve ir para a prisão ou não, porque ela mentiu em um tribunal. Creio que qualquer pessoa acredita que a ação de Miranda é justificável, mas Adão tem uma visão moral mais consistente. Então eu estou abrindo a possibilidade de que nós poderíamos acabar criando seres artificiais superiores moralmente a nós. Sobre a questão do pulso quebrado, eu deixo a ambiguidade quanto a ter sido acidental ou não. A única coisa de que temos certeza é que, se você tem uma consciência, e nós pensamos que Adão tem, faria qualquer coisa para defendê-la.

Se seguirmos à risca as leis, Miranda estaria errada. Nosso sistema judiciário tem uma moralidade mais próxima à das máquinas do que à dos humanos?
Percebi que meus leitores ficaram divididos. Alguns deles acreditam que ela deveria ser presa, porque a lei é a lei. E do ponto de vista de Adão, ele explica: “Você disse que pagaria qualquer preço para colocar esse estuprador na cadeia. Bem, o preço são 12 meses na cadeia.” Eu não tenho uma resposta para essa questão, mas é um dilema moral que mostra como a inteligência humana é diferente da inteligência robótica. Especialmente quando temos o aprendizado de máquina, em que elas começam a tirar suas próprias conclusões.

E nós lidaremos com esse problema na vida real em breve, com carros autônomos.
No momento, a inteligência artificial não está em robôs humanoides, mas em laptops, smartphones e computadores. Os veículos autônomos terão de decidir quanta proteção fornecer ao motorista e quanta proteção dar aos pedestres. Esse é um ótimo exemplo de como estamos delegando às máquinas algumas decisões morais muito importantes. Se você sacrifica a vida do motorista para salvar a do pedestre se torna um dilema no qual as máquinas podem ser melhores do que nós. Em meio segundo, um humano não tem tempo de pensar em muitas opções, mas uma máquina pode analisar todo um leque de possibilidades antes de se decidir. Mas eu ainda acho que esse é um ponto de virada muito importante para a raça humana. Nós já tivemos a tragédia do Boeing 737-Max, em que o computador decidiu que o avião estava em estol, quando não estava. Como em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o piloto não pôde se impor à máquina. Nós estamos bem no começo dos problemas relacionados a delegar decisões às máquinas, e isso será uma mudança profunda para a civilização.

Seu romance trata disso apenas tangencialmente, mas quão grave será o problema da mecanização do trabalho?
Em última instância, se pudermos mudar nossos conceitos sobre trabalho, será uma fantástica oportunidade para a humanidade. Nós nos acostumamos a nos definir pelo nosso trabalho. Talvez agora possamos aprender a nos definir pela nossa vida. Por essa razão, penso que deveríamos… e diversos economistas estão escrevendo sobre isso… temos de taxar robôs. Se eles tomam empregos, seus donos devem pagar impostos sobre seus lucros. Somente assim nós deixaríamos de nos definir pelo trabalho e começar a enxergar a vida de uma maneira completamente diferente. Para isso, precisaríamos de uma renda universal. E para isso, teríamos de ser muito generosos e redefinir lucros e para que servem esses lucros. Não para acionistas, mas para todos cujas atividades foram assumidas por máquinas. Isso demandaria uma transformação muito grande em nossa atitude. Mas deveríamos nos lembrar que, por muitos séculos, os aristocratas viveram suas vidas inteiras sem trabalhar, com pessoas que fariam todo o trabalho por eles. Se a aristocracia pode viver sem empregos, então qualquer pessoa pode.

Adão escreve haicais, mas não consegue escrever romances. Você teme que a inteligência artificial possa superar os humanos mesmo em áreas como a literatura?
Já existem inteligências artificiais produzindo arte abstrata, escrevendo música no estilo do século 18, mas acredito que escrever um romance requer uma compreensão absoluta do coração humano. A partir do momento em que um robô escrever um romance muito bom, ou mesmo um ruim, acho que devemos admitir que ele é consciente. Antes de escrever um romance você precisa saber o que é estar imerso em um mundo de decisões humanas, amor humano, ódio humano. Embora eu não ache que isso vá ocorrer nos próximos 15 anos ou enquanto eu estiver vivo, acredito que é concebível.

Se um robô parece humano, age como um humano e parece ter sentimentos, então não deveria fazer diferença para nós quanto a como devemos tratá-lo?
Eu concordo. Acho que um dos problemas que teremos é que os robôs serão mais e mais sofisticados, e dirão que são conscientes e que sentem dor e emoções, mas nós não saberemos se devemos acreditar neles ou não. Pode ser que nunca solucionemos essa questão. Mas se eles se comportarem de tal maneira, acho que nós simplesmente devemos aplicar o Teste de Turing, que reza que se você não pode dizer a diferença entre um robô e um humano, deve tratá-lo como um humano. Um dia haverá direitos e responsabilidades para robôs. Mas isso ainda está muito distante. Temos de lembrar quão complexos são nossos cérebros, nossas máquinas ainda estão longe desse nível. Não teríamos nem baterias para esse tipo de robô. Estamos apenas especulando.

Há uma espécie de simbologia religiosa na criação de um ser consciente. Quais serão as consequências para nossos sistemas religiosos quando atingirmos esse patamar?
Eu realmente não sei. Acho que, para algumas pessoas, o sentimento religioso é muito profundo, não o vejo desaparecendo. Não sei se fará alguma diferença para elas. Pessoas têm fé e fé não requer explicações racionais. Na verdade, a fé é uma forma crença não embasada.

Se ‘o presente é o mais frágil dos artefatos improváveis’, isso suscita interpretações ambíguas: temos livre-arbítrio e podemos alterar a realidade ao nosso redor, ou não temos nenhum poder de escolha e o passado determina o presente sem que possamos modificá-lo?
É uma questão muito interessante e complexa. O presente é um construto muito frágil. Uma das razões que nos fazem tentar tão arduamente prever o futuro, mesmo que nós mesmos estejamos produzindo esse futuro, é que a cada instante as possibilidades humanas, tanto individuais quanto coletivas, são muitas. Há vários momentos em nossas vidas em que sabemos quão facilmente as coisas poderiam ter sido diferentes. Vocês poderiam ter um outro presidente, nós poderíamos não estar discutindo o Brexit, a Guerra das Malvinas poderia ter ido para outra direção. E, no nível individual, nós somos filhos de adultos que poderiam tranquilamente nunca ter se conhecido. Sua mãe poderia ter ficado em casa no dia em que conheceu o homem que se tornaria seu pai. Imagine que em qualquer segundo as possibilidades do destino humano se ramificam, se multiplicam diante de nós, como no conto de Borges, O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. Então a minha decisão de situar o livro em uma década alternativa de 1980 foi para não ter de arriscar previsões e apenas me permitir especular sobre o destino humano e social. Eu não acredito no livre-arbítrio, não consigo ver nenhum argumento para embasá-lo. Nós não escolhemos nossos pais, nossa infância, e ainda assim ele parece ser uma ilusão necessária de que somos responsáveis por nossos atos, especialmente no âmbito legal. O livre-arbítrio é uma ficção muito importante com a qual temos de conviver.

Em outras entrevistas, o sr. afirmou que seu livro não é uma ficção científica. Por quê?
Eu não penso exatamente assim. Eu fiz uma piada sobre sapatos anti-gravidade e isso foi noticiado como se eu odiasse o gênero. A ficção científica que eu amo é a literatura que explora os dilemas humanos na Terra em relação às novas tecnologias. Por exemplo, filmes como Blade Runner, Ex Machina ou Westworld, ou livros como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell, ou The Day of the Triffids, de John Wyndham. Estou menos interessado em viagens espaciais ou civilizações remotas, pois acredito que a ficção científica é um excelente caminho para se explorar como lidamos com novas tecnologias e como isso vai impactar nossa sociedade. Fico muito feliz em chamar esse livro de ficção científica, é uma grande tradição.

Primeiros satélites de novo serviço de internet de Elon Musk entram em órbita

SpaceX quer levar até 12 mil satélites para oferecer internet de alta velocidade para clientes
Por Agências – Reuters

Foguete Falcon 9, criado pela SpaceX, foi usado na operação

A SpaceX, empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, lançou na quinta-feira, 23, o primeiro lote de 60 pequenos satélites em órbita terrestre para seu novo serviço de internet Starlink.

Um foguete Falcon 9 transportando os satélites partiu da estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, abrindo caminho para um empreendimento que Musk espera gerar muito dinheiro para suas maiores ambições no espaço.

O lançamento aconteceu uma semana depois de duas contagens regressivas para a missão terem sido canceladas – uma vez devido a ventos fortes no Cabo e na noite seguinte, a fim de atualizar o software do satélite e “checar três vezes” todos os sistemas.

Os 60 satélites entraram em órbita, como planejado, cerca de uma hora após o lançamento. O foguete reutilizável do Falcon 9 foi levado de volta à terra num pouso bem sucedido no Atlântico.

A SpaceX disse que provavelmente levará alguns dias para saber se todos os satélites implantados estão funcionando adequadamente. Cada um pesa cerca de 227 kg, tornando-os a carga mais pesada transportada pela SpaceX até o momento.

Eles representam a fase inicial de uma rede de satélites planejada para transmitir sinais de serviço de internet de alta velocidade do espaço para clientes pagantes em todo o mundo.

Musk disse que a SpaceX começará a se aproximar dos clientes ainda este ano ou no próximo. Até 2 mil satélites serão lançados por ano, com o objetivo final de colocar até 12 mil em órbita.

Jeff Bezos anuncia nave Blue Moon e novos planos para pousar na Lua

Segundo o presidente executivo da Amazon, o módulo Blue Moon é capaz de levar uma carga de mais de 3,5 toneladas à Lua

Além da Amazon, Jeff Bezos comanda a empresa espacial Blue Origin

Jeff Bezos, presidente executivo da Amazon, apresentou em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 9, o módulo Blue Moon, capaz de levar uma carga de mais de 3,5 toneladas à Lua. A nave é desenvolvida pela Blue Origin, empresa espacial comanda por Bezos. 

Uma versão posterior da Blue Moon poderia carregar mais de seis toneladas, incluindo um módulo para carregar astronautas, afirma o executivo. Assim, a Blue Moon poderia ajudar na meta do presidente Donald Trump e seu vice Mike Pence de levar astronautas à Lua até 2024. Para Bezos, sua empresa é a única capaz de cumprir a tarefa dentro do prazo planejado.

O projeto é o primeiro passo de Bezos para a colonização espacial, considerada essencial pelo bilionário para manter o crescimento da espécie humana sem as restrições energéticas e de recursos do planeta Terra. Sua visão de futuro inclui um trilhão de humanos vivendo em colônias espaciais como as imaginadas pelo físico Gerard K. O’Neill.

A Blue Origin foi fundada por Bezos em 2000, dois anos antes da SpaceX, do também bilionário e concorrente no mercado espacial Elon Musk. No twitter, Musk ironizou a espaçonave de Bezos, com uma imagem onde o nome é trocado de “Blue Moon”, Lua Azul, para “Blue Balls”, termo em inglês para dor nos testículos.

Dados: os ‘pais’ dos novos produtos

Iniciativas mostram que o futuro do desenvolvimento de produtos está mesmo baseado em dados
Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo

Amazon é uma das empresas que usa os dados a seu favor

Até que ponto as empresas estão aproveitando os insights trazidos a partir de dados do comportamento do consumidor e direcionando seus negócios? A maioria provavelmente ainda está aprendendo como usar essas informações. Outras, como a Amazon, já aprenderam não só como usá-las, mas também interpretá-las bem para ampliar seus negócios.

Recentemente, a empresa de Jeff Bezos criou sua linha própria de cosméticos. Batizada de Belei, é a primeira marca própria da Amazon. Tudo custa até US$ 40. E seu desenvolvimento foi baseado em insights trazidos por dados – sobretudo aqueles derivado das buscas dos consumidores por cosméticos em seu site. Os componentes de seus cosméticos incorporam – ou excluem – aquilo que as pessoas mais procuram ou evitam ao buscar por um produto, como presença de vitamina C e ácido hialurônico, ser livre de parabenos e por aí vai. 

A combinação de atributos para os produtos, dos ingredientes, propósito e preço é fruto de uma leitura profunda de informações acumuladas ao longo de anos. A iniciativa avança mais um passo em indicar que o futuro do desenvolvimento de produtos está mesmo baseado em dados.

Gigantes como Google e Netflix já aplicam tais práticas em seus serviços há muito tempo, mas é cada vez mais comum que empresas de outros ramos baseiem seus lançamentos no poder dos dados. A Unilever recentemente roubou Sunny Jain, líder de produtos de consumo da Amazon, para liderar sua área de beleza e cuidados pessoais. Boa parte da bagagem do executivo está justamente em entender, digerir e aplicar as informações trazidas pelos clientes aos novos negócios.

A chave aqui é aprender como outras empresas podem desenvolver a mesma mentalidade. Uma pesquisa McKinsey mostrou que companhias que utilizam dados comportamentais podem ter vendas 85% maiores e margens 25% mais saudáveis do que aquelas que não adotam o modelo centrado na compreensão dos clientes. 

Quando me perguntam se eu acredito que startups ou empresas de pequeno porte podem se aproveitar desse conceito, a minha resposta é sim. Acredito que o início pode ser colocar o consumidor no centro de sua jornada, observando o que ele consome, como escolhe, como integra, adapta e descarta produtos e serviços a fim de atingir suas necessidades. E claro, conectando esses insights ao seu modelo de negócio de maneira a garantir que o que o cliente quer esteja considerado no cronograma de desenvolvimento.

Os exemplos das gigantes só ilustram como isso pode ser feito. As melhores práticas podem ser aproveitadas por praticamente qualquer empresa. A sua está preparada para aproveitar e digerir as informações que seu consumidor traz?

*É INVESTIDORA ANJO E PRESIDENTE DA BOUTIQUE DE INVESTIMENTOS G2 CAPITAL

China está a um passo de conseguir enviar pequenos satélites para a órbita

Dispositivos de até 10 quilos e semelhantes a uma caixa de sapatos poderão ser usados comercialmente a preços mais em conta

LinkSpace teve sucesso nos dois últimos testes com foguetes reaproveitados

Esta semana, a startup chinesaLinkSpace deu mais um passo para conseguir enviar pequenos satélites à órbita terrestre a preços acessíveis, criando assim um novo mercado de exploração espacial.

Em seu segundo teste bem sucedido feito no último mês, a startup usou um foguete reutilizado de 8,1 metros de altura e 1,5 tonelada chamado NewLine Baby.  O dispositivo saiu da plataforma de concreto, pairou no ar a 40 metros do solo e retornou ao lugar de horigem depois de 30 segundos.

A startup é uma das 15 companhias chinesas que estudam formas de lançar pequenos e satélites à órbita a preços acessíveis. Esses nanossatélites que costumam ter até 10 quilos e muitas vezes se assemelham a caixa de sapatos podem ser usadas em serviços de internet de alta velocidade para aeronaves e até na logística de rastreamento.

“O foco será na pesquisa científica e em alguns usos comerciais. Depois de entrar em órbita, o foco de curto prazo dos clientes certamente estará nos satélites”, disse Hu Zhenyu, presidente da LinkSpace.

Mercado internacional. Um punhado de pequenas empresas de foguetes nos Estados Unidos também está desenvolvendo dispositivos semelhantes. Uma dos maiores startups, o Rocket Lab, já colocou 25 satélites em órbita. Nenhuma empresa privada na China fez isso ainda. Desde outubro o LandSpace e o OneSpace – tentaram, mas falharam.

As empresas chinesas estão se aproximando de lançamentos baratos de diferentes maneiras. Alguns, como o OneSpace estão projetando  protótipos baratos e descartáveis. A LinkSpace quer construir foguetes reutilizáveis ​​que retornam à Terra depois de entregar sua carga útil, muito parecido com os foguetes Falcon 9 do SpaceX de Elon Musk.

“Se você é uma pequena empresa e só pode construir um foguete muito pequeno, porque é só para isso que você tem dinheiro, suas margens de lucro serão menores”, disse Macro Cáceres, analista da consultoria Aeroespacial Teal Group.  “Mas se você puder pegar esse pequeno foguete e torná-lo reutilizável, e você puder lançá-lo uma vez por semana, quatro vezes por mês, 50 vezes por ano, então com mais volume, seu lucro aumentará”, acrescentou Caceres.

Funcionários da startup chinesa LinkSpace comemoram sucesso em testes
Funcionários da startup chinesa LinkSpace comemoram sucesso em testes

Eventualmente, o LinkSpace espera cobrar até 30 milhões de yuans (US$ 4,48 milhões) por lançamento. Isso é uma fração dos US$ 25 milhões a US$ 30 milhões necessários para um lançamento em um Northrop Grumman Innovation Systems Pegasus, um foguete pequeno comumente usado atualmente. O Pegasus é lançado de uma aeronave de alta altitude e não é reutilizável.

A LinkSpace planeja conduzir testes de lançamento suborbital usando um foguete recuperável maior no primeiro semestre de 2020, atingindo altitudes de pelo menos 100 quilômetros. O primeiro lançamento orbital está previsto para acontecer em 2021. A empresa está em sua terceira rodada de captação de recursos e quer levantar até 100 milhões de yuans.

Investimento e desafios. Os financiamentos feitos em 2018 permitiu que empresas como a LinkSpace lançasse protótipos, planejando mais testes e até propondo lançamentos operacionais este ano.

No ano passado, o investimento em startups da China chegou a US$ 533 milhões, segundo um relatório da FutureAerospace.

Como as startups de lançamento espacial em outras partes do mundo, o desafio imediato para os empreendedores chineses é desenvolver um foguete seguro e confiável. Mas ainda é um negócio de alto risco, e um lançamento malsucedido pode matar uma empresa.

O talento comprovado para desenvolver esse tipo de hardware pode ser encontrado nos institutos de pesquisa estatais da China ou nas forças armadas; o governo apoia diretamente as empresas privadas, permitindo que elas sejam lançadas a partir de instalações controladas por militares.

Três pioneiros da inteligência artificial ganham principal prêmio da computação

Pesquisadores desbravaram o uso de redes neurais
Por Cade Metz – The New York Times

Da esquerda para direita: Yann LeCun, Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, pesquisadores que trabalharam em desenvolvimentos importantes para redes neurais

Em 2004, Geoffrey redobrou os esforços na busca a uma ideia tecnológica chamada rede neural. Tratava-se de um meio de as máquinas verem o mundo em torno delas, reconhecerem sons e mesmo entenderem a linguagem natural. Mas os cientistas já haviam gasto mais de 50 anos trabalhando no conceito de redes neurais, e as máquinas na verdade não conseguiram fazer nada disso.  

Financiado pelo governo canadense, Hinton, professor de ciência da computação da Universidade de Toronto, organizou uma nova comunidade de pesquisas com vários acadêmicos que também estudavam o conceito. O grupo incluía Yann LeCun, professor da Universidade de Nova York, e Joshua Bengio, da Universidade de Montreal. 

Na quarta-feira, 27, a Associação de Máquinas de Computação (ACM, na sigla em inglês), maior sociedade do mundo que reúne profissionais da computação, anunciou que Hinton, LeCun e Bengio haviam  ganho o Prêmio Turing deste ano por seu trabalho em redes neurais. A premiação, criada em 1966, é considerada um  Prêmio Nobel da computação e, além das honrarias, compreende US$ 1 milhão em dinheiro, que os três cientistas vão dividir. 

Durante a última década, a grande ideia alimentada pelos pesquisadores reinventou o modo como a tecnologia é construída, acelerando o desenvolvimento de serviços de reconhecimento facial, assessores de voz, robôs de uso doméstico e carros sem motorista. Hinton, de 71 anos, trabalha hoje no Google, LeCun, de 58, trabalha para o Facebook e Bengio, de 55, assinou contratos com a IBM e a Microsoft. 

“O que estamos vendo é nada menos que uma mudança de paradigma na ciência”, disse Oren Etzioni, presidente executivo do Instituto Allen de Inteligência Artificial de Seattle e voz de destaque na comunidade de inteligência artificial. “Eles mudaram o rumo da história e merecem toda nossa admiração.”

Vagamente modelada na rede de neurônios do cérebro humano, uma rede neural é um complexo sistema matemático que pode aprender tarefas distintas analisando enormes quantidades de dados. Ao analisar por exemplo milhares de antigas conversas telefônicas , ela pode aprender a reconhecer palavras faladas. 

Isso permite a muitas tecnologias de inteligência artificial avançar num ritmo que seria impossível no passado. Em lugar de codificar comportamentos um a um, cientistas da computação podem hoje criar tecnologias que aprendem  em grande parte por si mesmas.

O londrino Hinton abraçou a ideia das redes neurais ainda como universitário, no início dos anos 1970, época em que a maioria dos pesquisadores de IA era contra ela. Mesmo seu orientador de Ph.D. questionou a escolha. “Nós nos reuníamos uma vez por semana”, disse Hinton numa entrevista, “e às vezes a reunião terminava em berros.” 

As redes neurais tiveram um breve renascimento no fim dos anos 1980 e início dos 90. Após um ano de pesquisas com Hinton no Canadá, o parisiense LeCun foi para o Bell Labs, da AT&T, em New Jersey, onde projetou uma rede neural que conseguia ler letras escritas à mão e números. Uma subsdiária da AT&T vendeu o sistema para bancos e, num determinado momento, o sistema lia 10% dos cheques preenchidos à mão nos Estados Unidos. 

Embora uma rede neutral possa ler escrita manual e ajudar em algumas outras tarefas, ela não avançou muito em funções mais complexas de IA, como reconhecer rostos e objetos em fotos, identificar palavras faladas e entender o modo natural como as pessoas falam. “Ela funciona bem quando se tem muitos dados iniciais, e existem poucas áreas em que temos muitos  dados iniciais”, disse LeCun. 

Mas alguns pesquisadores insistiram, entre eles o também parisiense Bengio, que trabalhou com LeCun no Bell Labs antes de se tornar professor na Universidade de Montreal. Em 2004, com menos de US$ 400 mil de fundos do Instituto Canadense de Pesquisa Avançada, Hiton criou um programa de busca voltado para o que chamou de “computação neural e percepção adaptativa”. Ele convidou Bengio e LeCun para se juntarem a ele.

No fim da década, a ideia havia alcançado seu potencial. Em 2010, Hinton e seus estudantes ajudaram a Microsoft, a IBM e o Google a ampliarem os limites do reconhecimento de voz. Depois fizeram algo parecido com reconhecimento de imagem. “Ele é um gênio e sabe como produzir um impacto após outro”, disse Li Deng, ex-pequisador de voz da Microsoft que levou as ideias de Hinton para a empresa. 

O avanço de Hinton no campo do reconhecimento de imagem baseou-se num algoritmo desenvolvido por LeCun. No final de 2013, o Facebook contratou o professor da Universidade de Nova York para montar um labortório de pesquisa em torno da ideia. Bengio resistiu a ofertas para juntar-se a um dos gigantes da alta tecnologia, mas as pesquisas que ele supervisionou em Montreal ajudaram no avanço de sistemas destinados a compreender a linguagem natural e a tecnologia que pode gerar fotos falsas indistinguíveis das reais.

Embora esses sistemas tenham ajudado indiscutivelmente s acelerar o avanço da inteligência artificial, eles ainda estão muito distantes da verdadeira inteligência. Mas Hinton, LeCun e Bengio acreditam que novas ideias surgirão. “Precisamos de acréscimos fundamentais às ferramentas que criamos para chegar a máquinas que operem no nível real da compreensão humana”, disse Bengio. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ