Décor do dia: cozinha em tons terrosos com toque oriental

Cortina roxa sob a bancada traz ares vibrantes para o ambiente

Pequena, porém notável: esta cozinha assinada pela decoradora francesa Marianne Evennou é um bom exemplo de que metragens reduzidas não significam necessariamente falta de personalidade. Pelo contrário, aqui cada detalhe conta uma história. É o caso das obras de arte, que foram trazidas de uma viagem à China. Elas substituem a área do backsplash, normalmente adornada com azulejos, e conferem ares de living ao espaço das refeições.

paleta escolhida é outro diferencial do ambiente. Enquanto as paredes e o teto foram pintados com uma tonalidade terracota, a cortina roxa sob a bancada traz um toque vibrante. Para finalizar, o piso de ladrilho antigo acrescenta detalhes vermelhos em um elegante link com o oriente.

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Décor do dia: banheiro chique em tons terrosos

Bancada de mármore rosado está entre os destaques do ambiente
FOTO JASON FRANK ROTHENBERG

Além dos tons terrosos, tão em alta na decoração, este banheiro tem outros elementos que, juntos, fazem do ambiente um objeto de desejo imediato. Enquanto os azulejos de metrô compõem uma base branca para a chegada do espelho redondo e das arandelas com acabamento dourado, a bancada de mármore rosado serve de apoio para acessórios de cerâmica escolhidos a dedo. Nem o arranjo foge à paleta: o capim dos pampas que adorna o vaso sobre a pia traz a textura natural sempre bem-vinda aos espaços de descompressão.

Metais de bronze e gabinetes de madeira natural – assim como as prateleiras na parede oposta, refletida no espelho – acrescentam temperatura à decoração. O arremate final fica por conta do tapete com estampa gráfica.

6 maquiadores famosos abrem suas casas

Vanessa Rozan, Marcos Costa, Jake Falchi, Max Weber, Henrique Martins e Cris Biato mostram detalhes dos lugares onde moram e relembram suas trajetórias na profissão
TEXTO ANA LUIZA CARDOSO E LUCIANA RAMOS | FOTOS WESLEY DIEGO EMES | STYLING DE MODA GUSTAVO JOSÉ

6 maquiadores famosos abrem suas casas

Em salões de beleza, nos bastidores de desfiles ou em camarins de celebridades, a missão destes seis consagrados maquiadores é encher de cor e brilho os rostos das pessoas que sentam-se em suas cadeiras. A uni-los, trajetórias únicas e lares cheios de história em São Paulo. A seguir, conheça detalhes das casas de Vanessa Rozan, Marcos Costa, Jake Falchi, Max Weber, Henrique Martins e Cris Biato. 

Vanessa Rozan

Entrar no lar de Vanessa Rozan é como voltar a ser criança. Impossível não se distrair ao observar cada canto repleto de objetos curiosos, tapeçaria, obras de arte e animais  empalhados. São itens garimpados na internet, mercados de pulgas e até caçambas de lixo – fontes de bons achados em Higienópolis. “É um tráfico de caçamba esse bairro”, brinca. Uma das inspirações para essa atmosfera vintage surgiu na casa de sua avó. Vanessa lembra do encanto por uma penteadeira, frascos antigos de pó de arroz e perfumes. “Sabe aquelas coisas bonitas que as crianças não podiam pôr a mão?”, explica. “Tenho apreço por peças únicas”. Foi nesse mesmo lugar que Vanessa teve o contato com as primeiras revistas de moda e beleza, que anos mais tarde se tornariam vitrines para o seu trabalho. Hoje, aos 39 anos, é embaixadora da marca de cosméticos Vult, e comanda o salão e escola Liceu de Maquiagem. Além disso, integra a equipe do Esquadrão da Moda, programa do SBT que transforma o visual de seus participantes. Vanessa veste blazer Louis Vuitton, blusa Framed, na Gallerist, saia Lilly Sarti, scarpin Coven e bracelete e anéis Marisa Clermann

Marcos Costa

Maquiador oficial da Natura, o goiano Marcos Costa viaja o país a oferecer oficinas, cursos e consultorias de beleza: encontra com mulheres que nunca usaram cosméticos e as ensina sobre a mágica transformadora da pintura facial. Em suas andanças, arruma tempo ainda para garimpar obras de artesãos locais, alguns consagrados, como o cearense Espedito Seleiro, que repousam em ordem em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo, reformado pela arquiteta Luciana Castro. “O Brasil é um laboratório de cores, de misturas de tons”, reflete. Ao entrar no imóvel onde ele vive há 19 anos, os olhos automaticamente se encolhem pela claridade e certo toque de minimalismo. Porém, em um armário de sua cozinha, Costa surpreende a todos com uma considerável coleção de xícaras. “Isso não é acumulação, tá?”, ri. “Virginiano não é acumulador.” Sua trajetória pelo mundo da beleza foi iniciada quando tinha 16 anos, em Goiânia, GO, onde atuou como assistente em um salão. Aos poucos, veio o sucesso, temporadas em Paris e Nova York, desfiles e dois livros publicados. Olhando para trás, conclui sem pestanejar: “Eu faria tudo de novo”. Marcos veste camiseta de acervo pessoal

Jake Falchi

Uma mudança às pressas levou a maquiadora Jake Falchi a se desfazer de boa parte de seus móveis e plantas para entrar em um apartamento de 50 m² em Santa Cecília. Nascida no interior paulista e acostumada a casa com quintal, ela se interessou pela rua arborizada de ar tranquilo em plena região central da capital. “Aqui tem uma energia de bairro”, explica. Entre um trabalho e outro, encontra tempo para se dedicar ao jardim remanescente, espalhado em prateleiras e no chão. “É como uma terapia para mim”, diz. Sua rotina em meio a pincéis e pigmentos iniciou há pouco mais de dez anos. Estudante de comunicação social na ESPM, trabalhava como vendedora em uma loja da canadense MAC para pagar as contas. “Eu era o patinho feio da faculdade, ninguém conversava comigo”, conta. “Por outro lado, na minha vida profissional e pessoal, eu estava me descobrindo”. Aos poucos, a solução veio: desistiu do meio acadêmico e decidiu mergulhar no universo da beleza. Participou de campanhas publicitárias e aulas de maquiagem. “Quando vi, estava completamente apaixonada”. Jake veste malha Coven, calça Cotton Project, sapatos Louis Vuitton e colares Marisa Clermann

Max Weber

Foi em um terreiro de umbanda, nos anos 1990, que a mãe do maquiador Max Weber ouviu a seguinte previsão: “Seu filho vai ser muito famoso e vai trabalhar com as mãos”. Recebida com total descrença, a premonição seria lembrada por ele 25 anos depois, em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo, ao organizar um livro sobre sua bem-sucedida carreira. O espaço parece um ateliê: há duas estantes com coleções de revistas, purpurina lançada ao chão, arranjo de flores artificiais compradas na Rua 25 de Março e cabeças com perucas de látex. Tudo fez parte de produções do beauty artist, que já maquiou nomes como Kate Moss, Gisele Bündchen e Naomi Campbell – sua musa. “Não podia tremer, chorar, nem pedir foto”, relembra Weber sobre o primeiro contato com a top inglesa. Nascido na Paraíba, mudou-se para a capital paulista ainda com 2 anos. Cresceu em Itaquera, na Zona Leste, e foi lá onde começou a maquiar e arrumar os cabelos das irmãs e amigas, antes de ir aos bailes. “Algumas tiravam tudo na hora”, diz. “Eu ficava passado”. Max veste casaco, macacão e sapatos de acervo pessoal

Henrique Martins

Em um apartamento na Consolação, o maquiador Henrique Martins expõe sua admiração  pelo design brasileiro com obras como a chaise-longue Rio, de Oscar e Anna Maria Niemeyer, e a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues. Com pegada industrial, o espaço contou com projeto do escritório Rodra Arquitetura e referências de lugares por onde Henrique passou, de viagens a casas de clientes. O imóvel possui um camarim repleto de produtos e perucas de diferentes cores e texturas. Nascido em Carapicuíba, na Grande São Paulo, o profissional iniciou a carreira como vendedor em uma loja da MAC, onde também aprendeu a mexer nos pincéis. Com o tempo, sua habilidade com os instrumentos o tornou cada vez mais requisitado, a ponto de levá-lo a embelezar figuras como a cantora Anitta, a top Gisele Bündchen e a atriz Taís Araújo. “Hoje eu tenho autonomia, consigo criar mais”, afirma. Em uma reflexão sobre sua trajetória, diz acreditar que a maquiagem tem o poder de mudar não só o exterior, mas a autoestima de uma pessoa. Henrique veste chapéu, camiseta, bermuda e tênis de acervo pessoal

Cris Biato

Criada em um meio religioso, Cris Biato tinha a maquiagem como arte subversiva e de libertação. Responsável por enfeitar as amigas nas festinhas de infância, lavava o rosto ao voltar para casa, preocupada com as broncas dos pais. Aos 24 anos, já independente, deixou o Paraná para trás e se mudou para São Paulo, disposta a investir em seu sonho. Atualmente, vive em um apartamento na Santa Cecília com o marido. Lá, montou uma parede inteira de plantas para garantir privacidade. Na sua sala, também brilha a tela A Grande Chance, da artista plástica Regina Parra. Ao falar de sua carreira, Cris recorda do trabalho ao lado de Max Weber, por quem nutre admiração, bem como de Duda Molinos, morto aos 54 anos no mês passado, após uma parada cardiorrespiratória. “Ele sempre me encorajou”, diz. Ela já assinou editoriais em revistas, além de campanhas publicitárias, e foi responsável pela maquiagem da artista performática Marina Abramovic durante toda a sua passagem pelo Brasil, em 2016. No ano seguinte, lançou um curso de automaquiagem para promover a autonomia da mulher. “A gente só soma se passar conhecimento, se o compartilhar.” Cris usa vestido floral de acervo pessoal, brincos e anéis de esmeralda Marisa Clermann, anéis de boca Solange Azaguri e de algema Jack Vartanian.

Décor do dia: sala de música com discos de vinil e plantas

Marcenaria planejada comporta coleção de LPs e equipamento de som
FOTOS LUIS DÌAZ DÌAZ

Este ambiente assinado pelo escritório i.s.m.architecten, da Antuérpia, é a prova de que os espaços de transição, quando bem-aproveitados, podem se tornar a alma da casa. O terreno de 5,5 m de largura e 18 m de profundidade favoreceu a criação de diferentes níveis sutis no piso que delimitam a sala de música com direito a um móvel feito sob medida para os discos de vinil e o aparelho de som. Um jardim com diferentes tipos de folhagens, como a costela-de-adão, traz frescor para o décor.

O uso inteligente de materiais complementares estabelece zonas diferentes sem a necessidade de divisórias. O banco de madeira funciona tanto para o canto de leitura e contemplação quanto como assento em torno da mesa na hora das refeições – sempre acompanhadas de uma boa trilha sonora, é claro.

Décor do dia: tijolinhos rosa e armários verdes na cozinha

Backsplash com revestimento de cobre adiciona charme ao ambiente

A designer de interiores Erika Vocking decidiu fazer de um edifício dos anos 60 em Amsterdã o seu lar. Decorada com tijolinhos rosa e armários verdes, a cozinha é a estrela da casa. O espaço industrial marcado pelo piso de cimento e pé-direito duplo recebeu toques sofisticados que tornam o resultado acolhedor.

Enquanto a parede de tijolinhos aparentes foi pintada de rosa, a área do backsplash ganhou revestimento de cobre. Os tons rosados fazem um contraste harmonioso com os gabinetes verdes, uma combinação que continua em alta no décor.

Para finalizar, um jeito diferente de usar tapete na cozinha: em vez de ser posicionada próxima à pia, a peça demarca a área onde família e amigos se reúnem para as refeições. Ela faz uma moldura para a mesa de jantar, aquecendo o ambiente e trazendo (outro) ponto de cor à composição.

Casa reformada em São Paulo ocupa terreno de só 3 metros de largura

Se as cidades de hoje pedem adensamento urbano, é preciso ocupar os mínimos espaços com inteligência. Exatamente o que propõe o escritório 23 Sul, ao implantar esta pequena joia arquitetônica sobre um terreno estreito e comprido, na zona oeste de São Paulo
TEXTO LARA MUNIZ | FOTOS PEDRO KOK/DIVULGAÇÃO

Vista externa desta mesma divisão evidencia como os espaços da residência distribuem-se em uma sequência sem corredores – o mesmo concreto lixado do piso, polido nos ambientes sociais, se repete nas áreas externas, em versão bruta

Foi na década de 1970 que o Sumarezinho, bairro na zona oeste de São Paulo, recebeu os primeiros habitantes. Logo as ruas abertas em ladeiras lotaram de casas erguidas com muita prática e pouca teoria. Hoje, quase 50 anos depois, não faltam predicados à região: há estações de metrô por perto, praças e parques ricos em áreas verdes e um silêncio quebrado apenas pelo canto dos pássaros. Todo esse conjunto deu a um casal – o diretor de filmes Caetano e a professora Lygia – o ânimo de erguer ali, num lote magrinho encontrado na vizinhança, uma morada cheia de boas sacadas.

Nada de alvenaria na parede frontal da casa: vidro e caixilharia dão conta do fechamento da fachada, solução engenhosa que garante luminosidade e segurança de uma só vez – no mobiliário, destaque para a cadeira Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha, na Futon Company, e para o sofá da Oppa

Da antiga estrutura que existia, pouco restou. “Aproveitamos algumas lajes e as paredes dos vizinhos”, revela Gaú Manzi, arquiteto do escritório local 23 Sul, responsável pela obra. Daí vem a dúvida: falamos de uma reforma ou de uma construção? Gaú diz que é reforma. Caetano até concorda, mas se lembra do frio na barriga que sentiu ao ver o céu através da laje original logo no primeiro dia de demolição.

A sauna, voltada para o jardim a pedido do morador, se transformou em um dos lugares mais queridos do lar

Apesar de estreita, a casa soma praticamente 100 m² de área construída ao longo dos três pavimentos de 3 x 33 m – suficiente para abrigar todos os gostos e sonhos do casal. É na distribuição que brilha a inteligência do projeto. “Reduzimos as áreas de circulação e criamos uma sequência de ambientes. Primeiro vem a sala, depois a cozinha, mas praticamente não há corredores”, detalha Gaú. O processo exigiu atenção extra, já que cada centímetro fazia diferença na contagem final – sem mencionar os desafios logísticos. “Não havia espaço no terreno para guardar materiais. Precisávamos usar tudo o que estava disponível antes de receber uma nova entrega”, lembra o arquiteto.

As duas suítes receberam pisos e armários de tauari

Uma surpreendente luminosidade permeia a residência, a despeito do extenso comprimento e dos muitos andares, combinação que costuma roubar claridade nos tradicionais sobradinhos paulistanos. A resposta para o potencial problema foi dada ainda na etapa de projeto: frente e fundos ganharam fechamento com caixilho feito sob medida, de modo que a luz tem passagem livre. Outra solução criativa é a passarela de chapa metálica perfurada ao lado da escada: a peça traz leveza e não bloqueia o caminho do sol.

Surpreendentemente para uma casa estreita e comprida, nem mesmo o espaço sob a escada fica escuro, graças aos degraus vazados e às brechas da chapa metálica perfurada que une as duas suítes no pavimento mais alto

Os econômicos 3 m de largura, embora possam remeter a um apartamento para alguns, não incomodamos proprietários – muito pelo contrário. É o todo do projeto, com seus detalhes e sutilezas, que explica a sensação de liberdade experimentada diariamente pela dupla. A expectativa de viver desse modo os fez encarar a empreitada e decidir trocar de vez a vida em um prédio pela rotina em uma casa, ainda que compacta, com tudo o que desejavam. “Temos uma sauna particular nos fundos e a vista é bonita das varandas. Assim que passamos pelo portão amarelo já estamos na rua”, comenta Caetano. “Morando em um lugar menor, temos menos trabalho e menos gastos com manutenção. Poucas coisas superam o conforto de abrir a porta e pisar na grama”. Dimensão limitada, comodidade máxima.

Os 100 m² dividem-se em três pavimentos de 3 x 33 m: na fachada posterior, a aparência brutalista contrasta com o clima acolhedor

Décor do dia: tons de rosa na cozinha

Combinação cromática renova móveis e a arquitetura do espaço
POR PAULA JACOB | FOTO GUI GOMES

Quando a arquiteta Stephanie Ribeiro encontrou seu novo apartamento, já sabia que queria cada cômodo de uma cor. A paleta vibrante renovou todo o imóvel antigo e trouxe uma jovialidade latina para os interiores. Na cozinha, os tons de rosa dão um efeito divertido para o ambiente. Na meia parede, o mais chiclete contrasta com o branco dos azulejos pintados com tinta epóxi. Já o armário de madeira escura foi revitalizado e pintado de magenta, o que deu outra cara para a decoração, sem pesar no resultado final. Utensílios de madeira, vasos de plantas e banquetas azuis mostram o quanto a moradora adora brincar com as possibilidades das cores.