Ensaio estrelado pela modelo irlandesa Sheila O’Callaghan mostra dicas de maquiagens para mulheres acima de 50

No ensaio de beleza da edição do último domingo, convidamos a modelo irlandesa Sheila O’Callaghan, que assume os cabelos grizalhos, para comprovar que não tem idade para ousar na maquiagem. Troque o convencional por tons vibrantes e traços criativos e divirta-se! Patricia Tremblais

Conjunto Eva e brincos Sara Joias Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Camisa Patricia Viera Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Blusa e saia, ambos Isabela Capeto Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Brincos HStern e blusa Juliana Gevaero na Casa de Antonia Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Jaqueta NK Store e brinco Antonio Bernardo Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Brincos Sara Joias Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Camisa Betina De Luca Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Top Hele Rodel na Ka Store, argola e piercings, ambos Pair, e pigente Julia Gastin Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Brincos Betina De Luca + Waiwai Rio Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Blusa e saia, ambos Isabela Capeto Foto: Fotos: Sher Santos | Styling: Felipe Veloso | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Carla Biriba | Tratamento de imagem: Marcelo Chelles | Assistente de fotografia: João Pedro Orban

Naomi Campbell recebe o Prêmio Vanguard Award | Trumpet Awards

Foi uma grande honra receber o Prêmio Vanguard Award no 29th Annual Trumpet Awards

Gwyneth Paltrow fala sobre viver um estilo de vida saudável e criar GOOP | Sem filtro com Naomi

Neste episódio, eu me sento com a única Gwyneth Paltrow para descobrir suas dicas para viver um estilo de vida saudável e sua transição de atuação para a vida como CEO / fundadora de sua empresa GOOP.

This is No Filter with Naomi, uma série semanal com os mais conhecidos inovadores no espaço da moda, beleza e entretenimento.

Revista Vogue americana com Kamala Harris na capa é criticada por ‘clarear’ a pele da futura vice-presidente dos EUA… e não é só isso!

Kamala Harris é a capa de fevereiro da Vogue americana || Reprodução

Kamala Harris ainda nem assumiu oficialmente a vice-presidência dos Estados Unidos e já está dando o que falar. O motivo do burburinho é o fato dela estar na capa da Vogue americana de fevereiro. Até aí, tudo bem, não fosse o fato da revista estar sendo acusada de clarear a pele da VP de Joe Biden, que tem descendência afro-americana e indiana.

A publicação anunciou em suas redes sociais duas opções de capa, ambas fotografadas por Tyler Mitchell, e a turma não perdoou. Inclusive, um jornalista colaborador do New York Times, Wajahat Ali,  classificou as fotos como ‘uma bagunça’ e que até ele faria cliques melhores com seu celular: “Anna Wintour realmente não deve ter colegas e amigos negros’, publicou em seu Twitter. Por outro lado, uma reportagem do jornal New York Post  afirmou que fontes da Vogue juram que não houve qualquer tipo de edição para ‘branquear’ a pele de Harris.

Outro fato que incomodou muita gente foi o fato de Kamala estar usando tênis Converse, uma de suas marcas registradas, e roupas ‘descontraídas’, em vez de aparecer com uma produção mais elaborada. E não acabou! Além de todos os aspectos envolvendo edição e produção, Anna Wintour está sendo chamada de comunista pela ala trumpista dos leitores da revista e questionada por nunca ter dado uma capa para a primeira-dama Melania Trump nos quatro anos de mandato do marido. Essa questão, aliás, sempre incomodou Donald Trump que, no final do ano passado, chegou a tuitar que sua mulher nunca havia sido convidada “pelos esnobes da imprensa da moda”. [Glamour]

Kylie Minogue: Mi vida en looks | VOGUE España

A lenda do pop relembra seus melhores momentos na moda, dos anos 80 até o presente. Kylie Minogue fala sobre os looks icônicos que ela usou nos videoclipes ‘Can’t get You Out of My Head’ e ‘Trust Me’, e relembra algumas de suas mais memoráveis ​​aparições no tapete vermelho.

Modelos das décadas de 1980 e 1990, com mais de 45 anos, voltam à moda

Nesse regresso, Carla Barros, Danah Costa, Luciana Borges e Mônica Moura encontram um mercado que, agora, valoriza a idade e a diversidade
Marcia Disitzer

Luciana Borges Foto: Marco Marezza
Luciana Borges Foto: Marco Marezza

Se alguém falasse para as modelos Carla Barros, Danah Costa, Luciana Borges e Mônica Moura, nas décadas de 1980 e 1990, que elas estariam de volta ao mercado em 2021, as quatro, dificilmente, acreditariam. Naquele tempo, à medida que a idade avançava, mais distantes as mulheres ficavam do padrão de beleza vigente — inalcançável, diga-se de passagem. Conceitos como diversidade, inclusão e representatividade se assemelhavam a miragens no deserto. Mas, olha a boa notícia, a sociedade evolui, as cabeças abrem e o olhar sobre o mundo muda para melhor. Nesse admirável contexto novo, Carla, Danah, Luciana e Mônica voltam a caminhar — e a dar pivôs — em passarelas, estúdios e redes sociais.

Descoberta por um olheiro aos 15 anos, a carioca Luciana Borges (foto acima), de 45, mora em Milão. Em meados dos anos 1990, chegou a estampar a capa da revista “Manchete” como a “brasileira que conquistou Paris”. Não é para menos: a top cruzou a passarela de nomes como Karl Lagerfeld, Ungaro e Azzedine Alaïa. “Antes do boom das supermodelos brasileiras”, conta. Aos 26, casada com o modelo alemão Werner Busen, engravidou de Gabriela. “Trabalhei até os 9 meses.” Ela se mudou para a Alemanha, os objetivos foram atualizados e os trabalhos diminuíram. “Parei aos 33. Com essa idade, a agência não sabia onde me encaixar.” Na década seguinte, a modelo morou em Saquarema, passou uma longa temporada nos Estados Unidos e, finalmente, fincou os pés na Itália. Também atuou como designer de interiores e mergulhou na ioga. O amadurecimento veio e com ele a vontade de voltar a modelar. “Aos 40, parei de pintar o cabelo, não estava a fim de virar escrava. E aí comecei a ser abordada na rua, me perguntavam se era modelo, elogiavam minha beleza”, conta. No meio do ano, em Milão, fez fotos e já estrelou uma campanha de joias. “Encontrei um mercado mais inclusivo, que valoriza o diferente”, comemora.

Mônica Moura Foto: Ernane Pinho
Mônica Moura Foto: Ernane Pinho

Para Mônica Moura, de 54, a inclusão chega em dose dupla. “Quando comecei, nos anos 1980, não havia maquiagem para a pele negra nem colocavam pretas de vestido de noiva, a moda girava em torno das pessoas brancas”, lembra. “Não me recordo de um episódio específico, mas do preconceito à raça negra como um todo”, comenta. Apesar das adversidades, ela brilhou: protagonizou inúmeros ensaios de moda e desfilou, por mais de 28 anos, para a joalheria HStern. Aos 35, o casamento a levou para fora do eixo Rio-São Paulo. “Fui mãe e me afastei.”

Depois de morar em Cabo Frio, na Região Serrana e em Paraty, quis o destino que Mônica voltasse a viver no Rio, com o marido e o filho, Jefferson, no pandêmico 2020. Não demorou para receber um convite da agência Front. “A inserção das maduras na moda valoriza a autoestima de todas as mulheres”, analisa Mônica, que “acha lindo envelhecer”.

Carioca de Marechal Hermes, Danah Costa, de 48, foi morar ainda criança no Acre. Aos 17, de volta à cidade natal, bateu na porta de uma agência com a cara, linda, e a coragem. “Foi quando conheci o Serginho Mattos, padrinho da minha filha, Morena”, frisa. A partir daí, atuou em campanhas, editoriais e desfiles. “Era rata de videoclipe, fiz mais de 30.” Sobre o passado, lembra. “Testemunhei um mercado cruel.

Danah Costa Foto: Divulgação
Danah Costa Foto: Divulgação

O racismo era naturalizado, hoje as pessoas estão mais conscientes porque dá cadeia”, avalia. Moradora do Vidigal, produtora e figurinista, ela lançou, em 2020, um canal no YouTube chamado Danahda Favela. Foi o stylist Daniel Ueda quem a indicou para a campanha da grife Handred. “As marcas entenderam que as pessoas querem se ver. A mulher mais velha está ganhando um espaço gigante”, diz ela.

Prova disso é o lançamento, neste mês, do Projeto 40º + Art, idealizado por Nill Gray e Sergio Mattos. O elenco é todo formado por modelos com mais de 40 anos. “A demanda só cresce”, diz Nill.

Carla Barros Foto: Gabriel Klein
Carla Barros Foto: Gabriel Klein

Uma das integrantes da nova empreitada — ao lado de Danah, Luciana e de outras quatro modelos — é Carla Barros. A carioca de 56 anos trabalhou intensamente no passado. “Nos anos 1980, o Rio tinha, além dos jornais, a editora Bloch e a revista ‘Moda Brasil’. Fui clicada por grandes fotógrafos e ganhei um prêmio de Melhor Modelo no Theatro Municipal. Em São Paulo, virei queridinha da Regina Guerreiro (editora de moda)”, enumera.

Depois de passar algumas temporadas no Japão, Carla pisou no freio ao se casar e ter a filha, Maria Antônia. Despediu-se das passarelas aos 31 anos e investiu numa empresa de consultoria de moda até se apaixonar pela ourivesaria e lançar uma marca de joias que leva seu nome. Ano passado, participou do desfile da grife The Paradise. O estalo partiu da filha. “Ela disse: ‘Mãe, você tem que voltar a ser modelo, as tops maduras estão presentes no mundo inteiro’”, conta. O convite da Cantão surgiu na sequência e, quando Carla se deu conta, lá estava ela, diante das câmeras novamente. “O prazer de modelar continua o mesmo, mas o amadurecimento traz uma liberdade única. Hoje sei que posso representar as mulheres de verdade.”

Conheça Ana Catalina Marchesi, a argentina que traz muitas cores à moda brasileira

Com trabalhos sempre artesanais, com muitas tintas, pedrinhas e que tais, ela faz parceria com marcas que vão de Farm à Alexia Wenk
Lívia Breves

A estilista argentina Ana Catalina Marchesi em seu jardim, no Rio Foto: Reprodução

Ela é um arco-íris. Filha de um artista plástico e de uma ceramista, a designer Ana Catalina Marchesi, de 30 anos, nasceu na Patagônia Argentina e cresceu em uma casa que mais parecia um ateliê, com tintas, pinturas e modelos vivos na sala.

Pintando cestos e usando roupas criadas por ela Foto: Reprodução
Pintando cestos e usando roupas criadas por ela Foto: Reprodução

Sempre muito colorida, só foi usar preto pela primeira vez outro dia. E os amigos até perguntaram se estava tudo bem com ela. “Adoro a cor, mas realmente não usava. Acho que estou amadurecendo”, brinca ela, que sempre fez as próprias roupas, repaginando algo comprado em brechó ou costurando do zero, do tecido à peça final.

Boina bordada criada pela La Pomponera Foto: Reprodução
Boina bordada criada pela La Pomponera Foto: Reprodução

Quando decidiu estudar Moda, os pais até olharam torto pensando que seria algo muito ligado ao consumo e pouco criativo, mas a caçula de seis filhos logo mostrou o que era a sua moda: autoral, artesanal, artsy e cheia de cores. “Estudo o motivo de cada tom, seus significados. Adoro destacar a beleza do trabalho manual nas peças e, por isso, são sempre únicas”, conta ela, que vem se tornando uma referência em estética carioca. “Quero colocar a mulher latina em todos os meus trabalhos, nos empoderar”, avisa.

Sandália em parceria com a SRI Foto: Reprodução
Sandália em parceria com a SRI Foto: Reprodução

Ana chegou ao Rio há seis anos, quando fazia uma viagem de férias pela América do Sul. Até que se apaixonou, pela cidade e pelo atual marido, o produtor de bandas e artista plástico Diego Luís Schmidt, e ficou. Deixou para trás a carreira portenha (iniciada em marcas como Rapsodia e o ateliê do teatro San Martin, em Buenos Aires) e se jogou nos mares de cá. Primeiro, foi trabalhar na Dress To, depois na Farm, onde assinou vitrines e ambientes das lojas, além de linhas de acessórios.PUBLICIDADE

A artista Ana Catalina Marchesi Foto: Divulgação
A artista Ana Catalina Marchesi Foto: Divulgação

Foi lá, por conta dos móveis de pompom que criou para a grife carioca, que ganhou o apelido La Pomponera, nome também de seu ateliê, que fica numa casa no Cosme Velho. “Este ano, quis me dedicar totalmente à minha marca própria, que une direção de arte, moda, produtos…”, conta.

Macacões bordados em parceria com Alexia Wenk Foto: Reprodução
Macacões bordados em parceria com Alexia Wenk Foto: Reprodução

Entre os recentes trabalhos estão a collab de sandálias cravejadas de miçangas com a SRI para a multimarcas paulistana Pinga, a coleção-cápsula de macacões de seda bordados para a Madnomad, de Alexia Wenk, a série de boinas para Alix Duvernoy e a linha de itens de louças pintadas com a stylist Lulu Novis. Além disso, deseja focar mais nos clientes diretos, uma turma a quem ela não conseguiu dar tanta atenção nos últimos tempos. “São peças únicas, sob encomenda. Adoro a troca que acontece”, diz. E tem acontecido bem.

Tempos difíceis podem não trazer amor, mas oferecem clareza sobre você mesmo

A pandemia chegou. Mas a mensagem de texto dele não
Jenna Klorfein, The New York Times – Life/Style

Ilustração de Brian Rea/The New York Times

“Quer vir até aqui e manter a distância de dois metros hoje à noite?”, foi a mensagem de texto que enviei. Nenhuma resposta. Uma semana se passou. Limpei todo o meu apartamento, mas não tive resposta. Comecei a encarar os fatos. Todas comunicações cessaram durante a quarentena. Há padrões claros, implícitos, de namoro por aplicativo.

O primeiro é mudar o namoro virtual para offline. A menos que você seja muito indesejável, um segundo encontro normalmente é garantido. Um terceiro e quarto são cruciais. Mas então já não poderá ter a mesma conversa sobre irmãos e trabalho. Você realmente tem de começar a conhecer a pessoa.

Neste ponto pode começar a mostrar outras partes da sua vida. Apresentar a ele seu grupo seleto de amigas nas quais confia para se vestir bem e papear tranquilamente. Você pode levá-lo àqueles locais secretos onde o garçom já sabe o que você vai pedir, preparar o café da manhã com suas colegas de quarto. Pode realmente funcionar.

Mas o problema é este cronograma. Não funciona na pandemia. Nós nos vimos durante três meses, foi meu relacionamento mais longo até agora e o mais tranquilo. Ele foi o primeiro namorado do qual não tinha o ímpeto de fugir na manhã depois de passarmos a noite juntos; pelo contrário, passávamos mais um tempo juntos, assistindo um episódio atrás do outro de Curb Your Enthusiasm.

Ele estava treinando para correr uma maratona e, com frequência, os seus treinos já programados acabavam com nossa maratona de TV. Ficava olhando meu calendário, contando as semanas desde o nosso primeiro encontro e me preparando para o inevitável fim de namoro como já ocorrera com todos outros homens que conheci em Nova York. Cada dia era sentido como uma pequena vitória – um passo mais perto de uma relação de verdade. Duas semanas antes de Nova York ser fechada, eu estava com dois casais de amigos num restaurante indiano em West Village.

Entre garfadas de tikka masala de frango, minhas amigas disseram que estava na hora de me abrir e falar dos meus sentimentos. Era uma conversa restrita? Definir a relação? Não tinha muita certeza, mas meus amigos insistiram que chega um ponto em todas as relações em que os sentimentos não podem mais ser guardados.

Não queria ser eu a iniciar esta conversa. Queria passar por aquela garota fria, misteriosa que não discute seus sentimentos ou que tem necessidade de se abrir. Mas minhas amigas deixaram claro que minha ansiedade cada vez mais intensa sinalizava que, na verdade, eu não era a garota fria e estava na hora de me expor. Equipada com os conselhos delas, eu me senti pronta: enviei uma mensagem de texto para ele dizendo que precisávamos conversar – uma mensagem direta, mas vaga. Como me instruíram. “Vamos almoçar depois da corrida”, ele respondeu.

Ele estava sempre correndo! Coloquei uma base à prova d’água no rosto, vesti meu melhor jeans de cintura alta e me dirigi para minha execução. Dividimos um sanduíche, frango e waffles enquanto falamos sobre o emprego que ele não conseguiu, mas não perguntou nada a meu respeito.

Várias vezes, ele olhou o seu Apple Watch. Pagamos e fomos para o parque do outro lado da rua. Depois de alguns momentos de silêncio pontuados por minhas observações sobre raças de cães, expus a ele os meus sentimentos. Tínhamos passado um fim de semana intenso juntos, depois do qual ele não me contatou durante vários dias.

Então eu queria saber onde ele se inseria nisso tudo. Se eu estava sentindo alguma coisa por ele, queria saber se era recíproco. A resposta que tive foi confusa. Ou talvez perturbadora. Ele me disse que gostava de mim, mas não queria apoiar uma pessoa emocionalmente, ou que alguém o apoiasse emocionalmente.

Ele valorizava sua independência, os limites e a corrida. E que tinha tempo para mim uma vez por semana. Fiquei firme, não me descontrolei. E nos despedimos com um beijo. E depois encontrei minha melhor amiga na escada da Brooklyn Public Library e chorei. No dia seguinte, enviei a ele uma mensagem de texto falando de uma peça que havia assistido. Disse a ele que precisava de tempo, só nos veríamos na semana seguinte.

Mas foi naquela semana que a cidade de Nova York adotou medidas de distanciamento social. O mundo pareceu bem diferente durante a pandemia. Mas as minhas preocupações principais continuaram as mesmas. Como muitos nova-iorquinos, fiquei horrorizada ao ler as manchetes dos jornais. Diariamente lia com nervosismo as notícias, reconhecendo que a gravidade da crise continuaria a se fazer sentir.

Mas meus pensamentos às duas horas da madrugada continuavam os mesmos de antes da covid-19: estou sozinha, incapaz de ser amada. E se ficar só para o resto da vida? A crise se intensificou e também o pânico. Não havia tempo para procurar alguém mais adequado. Você tinha de se agarrar o que estivesse disponível.

E então o corredor e eu começamos a trocar mensagens de texto de novo. E depois ele desapareceu. O lockdown foi uma reviravolta total para muitas pessoas. Como determinava o bom senso, se vocês são um casal, continuem assim. Ou passam a quarentena juntos ou se separem. Nós nos separamos.

Olhava com inveja minhas amigas superando o obstáculo que não consegui. Minha colega de quarto, também num relacionamento que durava três meses, comprou um walkie-talkie para se comunicar com o novo namorado. Se outros conseguiam, porque eu não ? Isolada, mergulhei em hipóteses. Se mantivesse o mito da garota fria por mais tempo ainda estaríamos juntos, protegendo um ao outro da desgraça exterior?

Na quarentena, você não tem desculpas para muitas distrações da vida. Não existe essa alegação de que “talvez ele esteja focado no trabalho ou saiu com os amigos”. Você tem de encarar a verdade: ele está sentado no sofá, olhando para o telefone e decidindo não atender, você também fica drasticamente limitado em termos de diversão, o que torna a rejeição mais dolorosa. Não há nenhum bartender com quem flertar, nada de cinema onde se esconder e nem música ao vivo para afogar seus pensamentos frenéticos. É uma realidade dura, mas esclarecedora.

Nossa necessidade de contato e reciprocidade aumenta em tempos de crise. Mas mesmo quando o distanciamento social apresenta desafios, as oportunidades para apoiar entes queridos são enormes. E tem duas formas: telefonar para amigos que estão do outro lado do país, compartilhar playlists e participar de happy hours virtuais Estes momentos de contato oferecem o respaldo que necessitamos.

Sentimos que estamos sendo abraçados, mesmo quando ninguém está fisicamente presente para dar o abraço. Fui forçada a confrontar minhas próprias necessidades. Estava esquecendo algo mais importante do que essa pessoa que eu ainda teria de conhecer realmente.

A dor não era só da rejeição, mas a decepção de achar que alguém poderia oferecer o que eu buscava desesperadamente em todos os relacionamentos: reciprocidade, correspondência emocional, segurança. O amor durante a quarentena não é diferente do amor em qualquer outro período: os feeds do Instagram sugerem um aumento enorme nas relações de amizade, mas a quarentena não produz amor do nada, também não rompe um relacionamento que já estava desestruturado. Ela apenas deixa isso claro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Réveillon: leveza e brilho nos looks da virada

Peças metalizadas ou em paetê fazem a dobradinha perfeita com o branco

Camisa, saia e tênis (preços sob consulta), todos Louis Vuitton, e brincos (R$ 879) Swarovski Foto: Raphael Figueiredo; Styling Aline Swoboda; Beleza Fox Goulart

Blusa (preço sob consulta) Isabel Marant na NK Store (preçosob consulta), short (R$ 982) e cinto (R$ 824), ambos Cris Barros, e cinto de brilhos (R$ 278) Ohlograma Foto: Raphael Figueiredo

Top branco Zara, top de brilhos (R$ 398) Ohlograma, calça (preço sob consulta) Dani Bernardes e escarpins (R$ 450) Schutz x Ginger Foto: Raphael Figueiredo

Blusa (R$ 420) Wymann, calça (R$ 1.208) Eva e brincos (R$ 198) Ohlograma; edição de moda: Patricia Tremblais. assistência de styling Carol Machado. assistência de fotografia: Gabriel Valadão. modelo: Cecília Plentz. produção executiva: André Storari e Christiano Mattos. assistente de produção: Renata, tratamento de imagem: Marcelo Chelles Foto: Raphael Figueiredo

Vestido (preço sob consulta) Dolce & Gabbana, brincos (R$ 630) Mixed e anéis (R$ 929 cada) Swarovski Foto: Raphael Figueiredo

Blusa (R$ 898) Mixed e brincos (R$ 178) Ohlograma Foto: Raphael Figueiredo