Perto dos 80, Costanza Pascolato reflete sobre o futuro da moda

Sonia Racy

Costanza Pascolato. Foto: Helm Silva

Prestes a completar 80 anos, Costanza Pascolato vai ganhar homenagem de Ana Isabel de Carvalho Pinto, fundadora do Shop2gether e responsável, há sete anos, pelo site de Costanza. “Será um resgate de sua trajetória na moda e suas expectativas para os próximos 10 anos. Tudo através de um editorial”, conta Ana Isabel. “O roteiro nos convida a pensar sobre como o futuro está sendo construído, iniciando um debate de valores, desejos e aprendizados”, diz a empresária. O que significa “uma odisseia pelas tendências da próxima década, endossada pelas 10 peças que Costanza levaria em sua cápsula do tempo”. Em comemoração, a dupla recebe para almoço, com lançamento de camiseta desenvolvida pela aniversariante, remetendo aos valores que a trouxeram até aqui. Em setembro.

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São 60 anos lado a lado: Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça reeditam foto histórica

A foto no dia do casamento | Divulgação

Veja ao lado Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, em 1959, ao oficializarem a união após dois anos de namoro. Acima, 60 anos depois, temos a reedição da foto de casamento, na festa que reuniu amigos e parentes, domingo, no Sheraton Rio, para celebrar as bodas de diamante do querido casal. Durante o encontro, por sinal, foi apresentado “O Cravo e a Rosa – O documentário”, dirigido por Jorge Farjalla, que retrata os mais de 60 anos de carreira de ambos. Os dois se conheceram durante os ensaios de “Rua São Luís, 27, 8º andar” (o curioso é que, inicialmente, Rosamaria não estava escalada para a peça; ela acabou substituindo outra atriz). O cupido do casal foi ninguém menos do que outro gigante da nossa dramaturgia: Raul Cortez (1932-2006). Felicidades!

E o registro de anteontem | Divulgação

Naomi Campbell diz que sofreu racismo em hotel no sul da França

‘Eles não me deixaram entrar junto com um amigo, porque sou negra’

Modelo britânica Naomi Campbell

A modelo britânica Naomi Campbell, 49, contou que sofreu racismo em um hotel no sul da França. A declaração foi dada em entrevista à revista francesa Paris Match.

“Eu estive recentemente em uma cidade no sul da França onde fui convidada a participar de um evento em um hotel que não revelarei o nome. Eles não me deixaram entrar junto com um amigo, porque sou negra. O cara na entrada disse que o lugar estava lotado, mas deixou outras pessoas entrarem”, relatou ela. 

A situação aconteceu durante o Festival de Cinema de Cannes. Naomi Campbell afirmou que são esses “momentos chocantes” que a incentivam a continuar se expressando sobre o assunto, para que mais pessoas possam escutá-la

A britânica foi a primeira modelo negra a aparecer nas capas da revista Vogue francesa e da Time Magazine. Ela também foi a primeira modelo negra a figurar na importante capa de setembro da Vogue norte-americana. 

Em entrevista recente à Reuters, Campbell disse que a diversidade racial na moda aumentou nos últimos anos, mas a indústria não pode tratá-la como uma tendência para as passarelas.

“De muitas maneiras [a indústria da moda mudou], mas principalmente na diversidade. Finalmente parece ter sido absorvida, mas agora esperamos que não seja por uma tendência, como as roupas que estão em alta por uma temporada, e em baixa na outra, isso não vai acontecer”, afirmou na ocasião.

Como sua cadeira de trabalho está prejudicando sua saúde e o que fazer para contornar o dia sentada

São três dicas simples que você pode fazer diariamente em casa

Amanda Wellsh por Zee Nunes para a Vogue Brasil (Foto: Zee Nunes)

Todos que tem a rotina de trabalhar em um escritório diariamente – seja ele de advocacia, uma redação ou o que for – conhece intimamente o que é uma vida predominantemente sedentária. Afinal de contas, é quase impossível escapar de um dia inteiro sentada.

Quem se preocupa em passar muito tempo na mesma posição em sua mesa tem razão: segundo estudos recentes, ficar sentado por mais de seis horas por dia é um fator de alto risco à saúde, estando ligado a doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer. 

Muitas dicas já correm por aí de como driblar as horas sentada na cadeira. Se você tem um smartwatch, ele mesmo vai te dar um toque de tempos em tempos de se levantar e esticar as pernas. Frequentemente, com a correria do dia a dia e agendas de compromissos cada vez mais atribuladas, é fácil se esquecer de seguir tudo à risca.

A solução, segundo o movement coach Roger Frampton, está no que você faz fora do escritório. Criador do TED talk Por que ficar sentado está te destruindo e autor do livro The Flexible Body: Move Better Anywhere, compartilha três dicas que podem ser um bom antídoto para os tantos males que provoca sua cadeira de escritório. A boa notícia? Não é difícil implementá-los fora do expediente!

1- Evite cadeiras fora do horário de trabalho, especialmente em casa
Frampton indica que sentar no chão é a melhor alternativa quando se está em casa, mesmo que seja para jantar ou ver TV. Ele sugere comprar um colchão de exercícios, se sentar direto no piso te incomoda (e também para te lembrar de não esquecer da academia): “Quando você se senta no chão, automaticamente fica em uma posição mais natural para o seu corpo. Há mil opções a serem tentadas, mas as três melhores são a de pernas cruzadas como na ioga, agachada como uma criança ou sentada com as pernas esticadas para frente”, ele conta ao site da Vogue britânica.

2- Alterne três exercícios de alongamentos
Para evitar músculos doloridos e contraídos, capriche no alongamento em casa: o primeiro é de flexionar suas pernas para trás, uma de cada vez, em pé, com a ajuda das mãos. O segundo é alongar os braços por trás de suas costas e cabeça, enquanto o terceiro é flexionar seus glúteos. Abdominais ajudam, mas procure sempre focar nos músculos dos quadris. A série de exercícios (o terceiro, inclusive, você pode fazer em qualquer lugar, em pé mesmo) promete te ajudar até com dores nas costas.

3- Invista numa barra de flexões para sua casa (ou bata ponto na academia)
Segundo Roger Frampton, passamos o dia inteiro com a gravidade empurrando nossa cabeça para que ela fique ereta. Ele explica que mesmo quando você alcança a barra de flexões com seus pés no chão, está alongando sua espinha, o que equilibra os danos de passar horas sentada. Frampton ressalta, porém, que qualquer atividade em que você está suspensa em barras é ótima – até mesmo nos vagões do metrô. Se não for seu caso, a academia mais próxima continua sendo sua melhor amiga.

Jane Fonda celebra 60 anos da sua primeira capa para Vogue: “Hoje sou muito mais jovem espiritualmente”

Aos 81 anos, atriz fala sobre ativismo, atuar e diz não ter arrependimentos

Jane Fonda fotografada por Irving Penn para a Vogue em julho de 1959; à esquerda, Fonda in 2018 (Foto: Getty Images)

A primeira capa de Jane Fonda para a Vogue foi clicada pelo fotógrafo Irving Penn, em 1959. Na época, Fonda era uma modelo e atriz relativamente desconhecida com pais famosos (seu pai era o ator Henry Fonda, e sua mãe era a socialite canadense Frances Ford Brokaw). Sua estreia no cinema, com “Até os Fortes Vacilam”, seria apenas o começo de uma das carreiras mais bem sucedidas e prolíficas de Hollywood, incluindo “Descalços no Parque”, “Barbarella”, “Como Eliminar Seu Chefe’ e “Grace e Frankie”, disponível no Netflix.

Este ano, Fonda estampou a capa novamente, dessa vez na Vogue britânica, aos 81 anos. Uma conversa para marcar o 60º aniversário da primeira capa, também publicada em julho, pareceu simples a princípio. Mas como a maioria das coisas que dizem respeito a Jane Fonda, logo se tornou muito mais interessante.

1959 foi um ano antes do seu primeiro filme, “Até os Fortes Vacilam”.  Você fez aulas de teatro?
Eu estava estudando com Lee Strasberg e trabalhava como modelo da agência Eileen Ford para ganhar dinheiro e pagar as aulas. Eu não gostava de ser fotografada. Se você tivesse me dito naquela época que aos 81 anos estaria novamente na capa da Vogue, eu teria dito que você estava louco, que era completamente impossível.
Por que você odiava ou porque nunca pensou que teria uma carreira tão longa?
Número um, eu nunca pensei que viveria todo esse tempo. Número dois, na época, eu não me achava bonita. Então, eu certamente não achava que seria bonita o suficiente para estar na capa aos 81 anos de idade. Basicamente essas duas coisas – e nunca pensei que seria famosa.

Conhecendo a história da sua família, isso surpreende. Você nunca sonhou ser atriz?
Eu não tive sonho. Eu não via futuro para mim. Eu não tinha ideia de quem eu era ou do que me tornaria. Também não tinha ambições. Evitei pensar no futuro. Minha mãe se matou e a imagem  que eu tinha das mulheres era a de  vítimas e pessoas que não tinham poder. Meu pai nunca me incentivou ou me fez sentir atraente.
Ou seja, foi tudo inesperado: fiquei surpresa por ter participado de um filme, ter sido aceita como modelo na agência e por ter saído na capa da Vogue. Então minha vida acabou sendo uma grande surpresa, até para mim.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)

Como foi fazer parte do Time’s Up no ano passado?
Fiquei muito feliz pelas mulheres que deram um passo à frente e disseram o que havia acontecido com elas. É claro que quando eram mulheres brancas protestando as notícias iam para as primeiras páginas dos jornais, mas foram as afro-americanas que se pronunciaram primeiro, a mais conhecida talvez seja Anita Hill, mas outras também. Eu acho ótimo. Não importa que tenha virado uma hashtag. Hoje mais pessoas estão conscientes de que podem falar e serem ouvidas. Meu tempo no movimento Time Up é gasto mais fazendo lobby em nome de mulheres que são mais vulneráveis, como as trabalhadoras agrícolas, de serviços domésticos e assalariadas.

Qual a sua maior causa no momento?
Eu continuo acreditando que todas as causas estão conectadas. Mas há uma enorme nuvem sobre tudo, uma verdadeira bomba-relógio: o clima. Podemos recuperar a democracia? Podemos acabar com o racismo? Pode ganhar nossos direitos humanos básicos a tempo antes que a realidade da mudança climática assuma o controle? Estabilidade econômica, segurança nacional, saúde. Se a mudança climática, a destruição do meio ambiente e a extinção de espécies não forem interrompidas, as pandemias de doenças vão piorar. Tempestades e inundações, incêndios, secas, refugiados e guerras vão piorar. Grande parte da economia terá que ser canalizada para desfazer desastres e ajudar pessoas que estarão desesperadas por causa disso. Vai ser muito difícil manter a sociedade civilizada em face do ataque do clima.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)

Você já escolheu um candidato presidencial democrata para as eleições de 2020?
Não, estou esperando para ver. Estou vendo como isso se desenrola. Eu gasto meu tempo, meu dinheiro e minha energia apoiando organizações que no momento, nos principais estados, já estão trabalhando conversando com pessoas, comunidades da classe trabalhadora, brancos e negros. Se eles entenderem quem são seus verdadeiros aliados, votarão diferente.

Quanto de sua vida você credita ao ativismo?
Eu diria 85%. Eu já fui fissurada no assunto e tive que tomar decisões do tipo: vou lutar contra isso e tentar melhorar? E também pelo fato de que na época estar fazendo coisas importantes em minha vida e cuidando da família. Mas meu ativismo teve um grande papel e me deu chance de dizer para mim mesma Eu vou parar.

Você não se cansa?
Eu não me sinto exausta. Eu me sinto muito, muito grata. Hoje sei que a pessoa que estava na capa em 1959 era muito velha. Talvez não esteja no meu rosto, mas eu era muito velha. Eu não via futuro. Era muito negativa. Na capa deste ano, 2019, aos 81 anos, sou muito mais jovem espiritualmente.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)

Ainda há trabalho escravo por trás de nossas roupas

FERNANDA SIMON

Fashion Revolution (Foto: Divulgação)

Em algumas palestras, eu começo perguntando qual a primeira palavra que vem à cabeça quando se pensa em moda. Em diferentes turmas, o resultado é quase o mesmo, as pessoas pensam em glamour, roupas, desfiles, compras e negócios.

Duas coisas sempre me espantam: a maneira como fomos nos distanciando do verdadeiro significado das nossas roupas, algo tão próximo de nós, e como ninguém nunca fala a palavra vida. Eu vejo vida por trás das roupas.

Costurar, bordar, cortar e tingir são trabalhos nobres, que exigem habilidades manuais, saberes tradicionais e minuciosos. Quando olhamos para a história da moda, vemos certos momentos em que os alfaiates eram extremamente valorizados, como pelo Rei Luís XV, conhecido como Rei Sol, criador do salto alto e da sazonalidade.

Assim como o artesanal mais fino da Alta-Costura (Haute-couture, termo protegido juridicamente para determinadas empresas que atendem certos padrões de costura). Mas em qual momento esse profissional passou a ser explorado?

A indústria têxtil foi um dos setores líderes durante a Revolução Industrial, com uma representativa força feminina de trabalho. Contudo, a chegada das máquinas às fábricas não levou à uma melhora na maneira como os trabalhadores eram tratados e valorizados.
Por volta de 1850, na Inglaterra, surgiu o termo sweatshop, fábricas têxteis ou de confecção caracterizadas por oferecerem trabalhos precários, jornadas exaustivas, baixos pagamentos e ambientes insalubres.

As sweatshops rapidamente se espalharam pelo mundo, em cidades como Nova York, por exemplo, empregando principalmente mulheres, migrantes que vinham do campo e imigrantes. Claro que essa corrida por alta produção à custa do suor humano não poderia resultar em algo positivo. No dia 25 de março de 1911, um desastre marcou a história: um grande incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, causou a morte de mais de 100 mulheres.

O acidente foi o ponto inicial da organização das mulheres para a criação de sindicatos trabalhistas essenciais na luta e garantia de seus direitos e segurança.

Ainda assim, o modelo de produção “mais por menos” seguiu sendo adotado em diversas partes do mundo, e deslocado, principalmente, para países asiáticos onde as leis são mais precárias. Consequentemente, acidentes na indústria da moda continuam acontecendo, inclusive em fábricas de grandes marcas globais.

Queda do Rana Plaza, em Bangladesh (Foto: Reprodução/Instagram)

A tragédia do Rana Plaza, prédio que abrigava confecções e desabou em 2013 em Bangladesh, matando mais de mil pessoas e deixando outras 2 mil feridas, foi o estopim para o surgimento do movimento global Fashion Revolution.

Como contraponto ao cenário de exploração, o Fashion Revolution surgiu alinhado à uma crescente demanda por marcas e produtos mais transparentes, éticos e sustentáveis.
Com um trabalho intenso, a disseminação de sua mensagem principal, o questionamento e valorização de quem faz nossas roupas, se espalhou por mais de 100 países, ganhando força e destaque, inclusive no Brasil.

Este ano, no mesmo mês do Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo, dia 28 de janeiro, duas notícias nos provam que a revolução da moda ainda tem um longo caminho para atingir seu objetivo.
Em Carapicuíba, na Grande São Paulo, 33 bolivianos foram resgatados vivendo em condições precárias e costurando por R$ 1 a peça, e em Bangladesh mulheres trabalhavam 16 horas por dia em condições análogas à escravidão para costurar camisetas com frases de empoderamento feminino para uma campanha do grupo Spicy Girls com a organização Comic Relief.

A mudança só será efetiva quando for pensada de forma sistêmica. Por isso, na campanha de 2019 a Semana Fashion Revolution trabalhou em cima de três pilares fundamentais para transformações radicais na maneira como as roupas são pensadas, feitas e consumidas: ativações sociais para incentivar mudanças culturais, como comportamento de consumo e mudanças de hábitos; exigir que as marcas mostrem suas cadeias de fornecedores de maneira mais humana, contando histórias e mostrando como o trabalhador está sendo valorizado, para aproximar quem compra de quem faz; e, no âmbito público, em tempos de tantos retrocessos políticos, o engajamento se torna fundamental para entender como podemos incentivar melhorias e novas políticas públicas para proteger e valorizar o trabalhador do setor.

O caminho é longo e exige união dos atores. Mas o mais importante é entender que todos fazemos parte da solução e temos nela um papel fundamental. Eu sigo acreditando que o mundo está em evolução constante e que, mesmo com o clima de escuridão que estamos atravessando, há luz no fim do túnel. A moda é minha ferramenta de transformação. Espero que, através da roupa, indivíduos e comunidades sejam atingidas positivamente.

Conheçam a ação Fashion Experience:

Florence Welch na nova coleção Gucci High Jewelry Hortus Deliciarum

Movimentos suaves para deixar as jóias pegarem a luz. No curta-metragem de Laura Jane Coulson, Florence Welch é adornado na nova coleção Hortus Deliciarum da Gucci High Jewelry, de Alessandro Michele. Ela caminha entre os detalhes ornamentados da nova boutique Gucci Vendôme, que abriga as coleções de alta-joalheria.

Music: ‘Patricia’ Florence Welch / Emilie Haynie / Thomas Bartlett © Universal Music Publishing Group (p) Domino Publishing Company