Solidão em rede: nunca estivemos tão conectados, nem tão solitários

Para os nascidos a partir dos anos 80, o celular é o principal meio de interação com o mundo – e com os outros. Por isso, os millennials saem menos de casa, namoram menos, casam menos, engravidam menos e morrem menos em decorrência da violência urbana do que jovens de outras décadas. O resultado emocional desta nova equação social é também uma geração muito mais sozinha, mas não necessariamente deprimida

Solidão em rede (Foto: Ilustração Carolina Teixeira (ITZÁ))

Robinson Crusoé, o náufrago mais famoso da ficção literária, foi obrigado a ficar sozinho em uma ilha por 28 anos. Primeiro, ficou assustado, depois deprimido, até encontrar as benesses advindas do isolamento total. O personagem de Daniel Defoe é citado pela escritora inglesa Sara Maitland, autora do livro Como ficar sozinho (Objetiva, 192 págs., R$ 32,90), publicado no Brasil pelo selo The School of Life. Há uma certa identificação entre os dois: Sara, que agora tem 69 anos, também está há mais de duas décadas em estado de isolação, morando em uma das regiões com menor densidade demográfica da Europa, na Escócia – ali, o mercado mais próximo é a 15 quilômetros de distância. Inicialmente, a decisão ocorreu por conta do término de seu casamento. Mas, depois de um tempo, acabou virando fonte de prazer – tal qual Robinson Crusoé.

Em entrevista a Marie Claire, ela conta: “Robinson Crusoé foi colocado nessa situação contra sua vontade. Porém, se estar sozinho é uma escolha de vida, as coisas ficam mais fáceis e divertidas. Acredito que deveríamos ensinar às crianças os prazeres de se estar sozinho. Por exemplo: não colocá-las para ficarem reclusas no castigo. A solidão deveria ser uma recompensa. Você se comportou bem, agora pode ter algumas horas por conta própria”. Depois de sua intensa experiência com a própria companhia e nenhuma mais, Sara não tem dúvidas: “É possível estar sozinho, mas não solitário, porque a pessoa simplesmente gosta de estar assim”. “Vivemos em uma sociedade que diz que quem está sozinho é, de alguma forma, alguém que falhou como humano”, continua ela, que entrega: se por acaso sente a solidão, marca um Skype com um dos netos.

“Bons encontros podem acontecer a partir da internet”, acredita a psicanalista Bianca Dias. “Mas pode sim aumentar a solidão quando os encontros não se efetivam na presença do corpo.” Esse diagnóstico encontra eco na experiência da jornalista gaúcha Stefanie Cirne, 26. “Desde a pré-adolescência, muitos dos meus contatos mais próximos eram virtuais, que eu conhecia em fóruns temáticos de discussão. Achava mais fácil encontrar pessoas com quem me identificasse do que na escola, onde tinha afinidade com poucos. A distância pode trazer facilidades valiosas. Existem questões íntimas que só contei para amigas que fiz on-line, justamente porque estão removidas do meu círculo imediato, e eu sentia que assim meu segredo estava seguro, ou o meu desabafo seria ouvido com mais objetividade.”

Stefanie percebeu os desgostos das relações majoritariamente virtuais em uma comemoração. “Há uns quatro anos, tentei planejar a festa da formatura da faculdade e percebi que quase não teria quem convidar, porque alguns dos meus amigos mais queridos moravam em outros estados ou até mesmo países.” Não houve festa, mas pelo menos a experiência serviu como aprendizado: “Hoje espero coisas diferentes de cada amizade. Sei que o colo de uma amiga que mora em outro estado não é igual ao de uma que mora a minutos de mim, e que preciso equilibrar as relações on e off para não me sentir solitária”.

Stefanie faz parte da ala mais jovem da geração dos millennials, indivíduos nascidos entre 1979 e 1995. Mas a relação entre celular e vida cotidiana fica ainda mais acentuada entre aqueles que nasceram após esse período – afinal, já eram adolescentes na época do lançamento do iPhone. As gerações mais jovens bebem menos, transam menos, engravidam menos, dirigem menos e ficam mais tempo no celular. Por outro lado, morrem menos por mortes violentas – um reflexo da diminuição dos encontros presenciais. O Brasil, por exemplo, teve, nos primeiros nove meses de 2018, uma redução de 12,4% no número de mortes violentas com relação ao mesmo período de 2017 – o dado é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Chamo a geração pós-millennial de iGen. São jovens que estão 100% moldados pelo uso do celular. Eles ficam até mais tarde na casa dos pais, saem muito pouco para encontrar os amigos na rua, mas nem por isso melhoraram a relação com a família. Continuam distantes, solitários, cada um com seu celular e seu mundo particular”, explica Jean Twenge, psicóloga especialista em diferenças geracionais, autora do livro iGen (Martins Fontes, 368 págs., R$ 52). “Normalmente, um fator não é o suficiente para definir uma geração. Mas as mídias sociais e o aumento do uso de celulares causaram um terremoto de uma magnitude há muito tempo não vista”, continua ela, em um artigo para a revista norte-americana The Atlantic.

Existe uma razão concreta e pragmática para isso: a crise econômica que se estende no mundo desde 2008. Sair, beber, ir a festas – e assim conhecer pessoas ao vivo e a cores – custa dinheiro. Acaba sendo mais barato que a interação ocorra num quarto vazio através do celular. Acontece que a solidão tem consequências físicas: elevam-se os níveis de cortisol – o hormônio do estresse –, a resistência à circulação de sangue aumenta e certos aspectos da imunidade diminuem. Esse modus operandi também tem relação com os índices de depressão e suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a doença que mais cresce no mundo. São 322 milhões de pessoas, representando 4,4% da população mundial, acometidas por ela. Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Só no Brasil, 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por esse motivo em 2016.

Uma análise feita na Universidade de Chicago – de 70 estudos combinados, com mais de 3 milhões de participantes – vai além e demonstra que a solidão aumenta o risco de morte em 26%, quase o mesmo que a obesidade. O fato de que mais de uma em cada quatro pessoas em países industrializados pode estar vivendo em plena solidão deveria, sim, nos preocupar.

#nofilter

O Instagram é a rede social da inveja, dizem. Ali, todos parecem estar em viagens idílicas, em festas inesquecíveis e em uma vida familiar harmônica. Até mesmo o emprego, outrora um aspecto que era permitido odiar sem culpa, ganha a hashtag #ilovemyjob. Um estudo publicado pela Universidade da Pensilvânia relacionou o uso das redes sociais (Instagram, Facebook e Snapchat) com uma maior capacidade de desenvolver ansiedade, depressão e solidão. G*., 32, entendeu recentemente que sofre do terceiro. Era 2012 quando ela saiu da casa dos pais para morar sozinha em São Paulo, onde desde então ganha a vida como programadora freelancer. O máximo de tempo em que ficou sem sair do apartamento em que vive na tumultuada rua da Consolação foi onze dias. Onze dias seguidos sem colocar os pés na rua. G. diz que estar por tanto tempo fisicamente sozinha não lhe parecia uma questão até dias atrás, quando se deu conta de que não tinha com quem dividir uma “grande conquista”, a compra, “à vista”, do primeiro apartamento.

“Não ligaria para os meus pais para contar, não sem antes ter a documentação nas mãos. Mas me deu vontade de dar a notícia para um amigo e percebi que não poderia fazer isso com nenhum deles. Não porque não são amigos em que confio, mas porque não mantenho contato frequente com eles. Me pareceu estranho telefonar para eles, do nada. Diria o quê? Comprei um apartamento e desculpa pelo sumiço de seis meses?” G., que pediu anonimato para essa entrevista, não tem Facebook ou Instagram. Sua única conta em uma rede social é no Twitter. E é através da plataforma que se relaciona com outras pessoas e até conhece novas. “No Twitter, só interajo quando desejo e não sofro com as postagens dos outros. É um bom filtro para quem quer aparecer só de vez em quando”, afirma.

Solidão em rede (Foto: Ilustração Carolina Teixeira (ITZÁ))

É possível ser feliz sozinho

“Não acredito que a solidão tenha aumentado com as redes sociais, e sim diminuído. E isso é um problema”, opina a filósofa brasileira Viviane Mosé. “As pessoas estão o tempo inteiro convivendo com os outros através da internet. E, por isso, deviam ficar mais desconectadas, para conviver consigo mesmas e assim conseguirem filtrar seus desejos e avaliar seus afetos.” Portanto, é importante entender: do que falamos quando falamos sobre solidão? “Solitude é a descrição de um fato: você está consigo mesmo. Solidão é a resposta emocional negativa a isso”, define Sara Maitland numa entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Mas há um problema cultural sério em relação à solitude. Ser sozinho em nossa sociedade suscita uma questão sobre identidade e bem-estar. É como se fosse um infortúnio. Não precisa ser assim. Estar só pode nutrir trabalhos artísticos. É algo que permite o desenvolvimento de gostos pessoais, da originalidade, da gestão do tempo e da independência do pensamento. Dormir sozinho melhora a qualidade do sono. Mas a maior surpresa é a descoberta de que sozinho você é, de fato, uma pessoa interessante, com recursos inesperados”, defende Sara.

No fim, talvez seja bom prestar atenção no que escreve Carlos Drummond de Andrade: “Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim”.
MARIA CLARA DRUMMOND

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Zooey Deschanel cria “horta vertical” para plantar vegetais em casa

Atriz criou, com o marido, o Farmstand. Meta do casal é que o produto forneça até 20% dos alimentos consumidos diariamente por uma pessoa

Jacob Pechenik e Zooey Deschanel, criadores do Farmstand (Foto: Divulgação)

Cultivar o próprio alimento em uma horta parece ser praticamente impossível para aqueles que, hoje, vivem em um apartamento em grandes cidades. Afinal, os imóveis são pequenos e é difícil encontrar um espaço para plantar frutas e vegetais.

Mas foi pensando nesse problema que a atriz norte-americana Zooey Deschanel, conhecida pelos seus papéis no filme “500 dias com ela” e na série “New Girl”, e seu marido, o produtor Jacob Pechenik, resolveram criar a startup Lettuce Grow.

A empresa lançou recentemente seu primeiro o produto: o Farmstand, uma espécie de “horta vertical”.

Feito de garrafas plásticas recicladas vindas do Haiti, o equipamento é um pilar branco e curvilíneo. O produto possui orifícios, onde é possível encaixar mudas de couve, berinjela, tomate, acelga e outros vegetais.

Segundo a Lettuce Grow, basta deixar a horta em um espaço com luz e regá-lo com frequência. Em pouco tempo, informa a empresa, o consumidor terá vegetais frescos à sua disposição. “Acho que a razão pela qual as pessoas dizem não gostar de vegetais é porque ainda não experimentaram alimentos realmente frescos”, diz Zooey ao site “Inc”. “Ver algo crescer na sua casa é realmente fascinante”.

O Farmstand é o produto que permite a qualquer um ter sua horta vertical. (Foto: Divulgação/Lettuce Grow)
O Farmstand é o produto que permite a qualquer um ter sua horta vertical. (Foto: Divulgação/Lettuce Grow)

Em breve, Zooey e Pechenik pretendem lançar uma versão do Farmstand com luzes fluorescentes inclusas. Isso facilitaria o cultivo de vegetais em locais com pouca iluminação natural.

O objetivo do casal com o empreendimento é permitir que uma pessoa comum possa cultivar quase 20% dos seus alimentos por conta própria.

Para adquirir o estande, é preciso desembolsar aproximadamente US$ 400 (R$ 1540). É possível ainda pagar US$ 50 (R$ 190) para receber, quinzenalmente, novas sementes. 

Filósofo italiano Franco Berardi analisa como o mundo perdeu a confiança no futuro

Em ‘Depois do Futuro’, Franco Berardi mostra como o amanhã, antes visto com euforia, se tornou motivo de desespero
Amanda Mont’Alvão Veloso – O Estado De S.Paulo

A série ‘Black Mirror’ sintetiza o etos do que a ideia de futuro se tornou hoje Foto: Netflix

“Não, não é filme, é o futuro / nossos filhos vão se matar / por nada – por nada! / tente mudar, tente mudar, mudar o amanhã”. Em lírica enraivecida, Redson Pozzi fazia ecoar um dos manifestos inconformistas contidos no disco de estreia da banda punk paulistana CóleraTente Mudar o Amanhã, de 1984. A arte e o pensamento desfrutam de encontros involuntários: o cantor e compositor brasileiro, morto em 2011, anunciava em canção o que mais tarde o filósofo italiano Franco ‘Bifo’ Berardi registraria no livro Depois do Futuro, publicado na Itália em 2009 e que chega ao Brasil pela editora Ubu. 

Dez anos depois da publicação original, o livro confirma uma melancólica atualidade dos pensamentos de Bifo, estudioso das relações entre comunicação e tecnologia, e intelectual que tem na biografia participação ativa no Maio de 68. Aguardado com entusiasmo e euforia no século 20, o futuro hoje é esperado com desolação. Para chegar a esta enfática constatação, o italiano convoca referências do cinema, psicanálise, filosofia, linguística, poesia e dos movimentos artísticos. 

As utopias, fundadas nas vanguardas culturais e apoiadas nas esperanças de justiça social, democracia liberal e tecnologia, foram substituídas por uma perspectiva sombria dos dias que virão, mesmo com conquistas. Um futuro temido em uma permanência que se esgarça – a expectativa de vida aumentou cinco anos, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por quanto tempo cada um de nós viverá o avançar dos dias em um horizonte de pessimismo? 

O prefácio à edição brasileira, escrito em janeiro deste ano, confirma factualmente as amargas sensações reservadas ao futuro. Berardi comenta a ascensão da extrema-direita ao poder por meio do voto, o reacionarismo e o retorno aos nacionalismos em diferentes partes do globo. As expectativas frustradas perante a promessa de progresso e a sedução do individualismo deram corpo a um ressentimento agressivo, com ataques violentos promovidos por jovens excluídos do poder econômico e político. Triunfo do fascismo? Não na opinião do filósofo, para quem a nova brutalidade e o ódio são expressões de um desespero e de uma vingança nutridos não só pelo colapso financeiro, mas também pela humilhação política e sexual trazida de carona. Se antes a resposta à desilusão era de violência e potência, hoje ela encampa um escape psíquico da impotência e do autodesprezo. “Hoje, pessoas brancas votam em partidos nacionalistas não porque acreditam pertencer a uma comunidade, mas porque gostariam de resgatar esse sentimento do passado. Elas cresceram na era do individualismo desenfreado, confiaram nas promessas do egoísmo neoliberal e se descobriram perdedoras”, argumenta o autor. 

Como chegamos a tamanha descrença no futuro? Certamente não de forma abrupta ou inimaginável. O livro de Berardi consiste em dar nome e contexto a essa transição, e estabelece em 1977 o divisor de águas, marco do que ele chama de “século sem futuro”. É o ano em que nasceram o punk, a Apple e foram publicados importantes ensaios sobre a tecnologia e as relações, como A Informatização da Sociedade, de Alain Minc e Simon Nora, e A Condição Pós-moderna, de Jean-François Lyotard. Algo se rompeu entre a esperança e a prática. Não se trata da morte do futuro enquanto existência, mas sim da falência de sua equivalência com o progresso. Esta distinção é fundamental para entender a crítica do filósofo italiano do sistema trabalhista, do uso da tecnologia e das conquistas da dimensão espaço-temporal. 

O intervalo de comparação começa em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista. As tendências registradas na história tornavam o futuro conhecível, assim como as leis de desenvolvimento formuladas pela ciência. O que não estava previsto ou precisava de ajuste era modificável pela ação humana. Se no século 20 tinham valor a máquina, a funcionalidade, a velocidade, a violência e a guerra, nos cem anos seguintes passaram a vigorar a competição, a produtividade, a precarização e a desvalia das relações de contato. A vanguarda, cosmopolita e afeita à desterritorialização e à experimentação, contrasta com a atualidade do nacionalismo e da previsibilidade. 

As máquinas, antes externas ao humano, se tornaram internalizadas – que o digam os biohackers e seus chips implantados no próprio corpo. Dispositivos de avanço se transformam em mecanismos de controle, e então é inevitável pensarmos no Big Brother orwelliano – mais real que ficcional – e nos aplicativos que dão acesso a dados pessoais, microfones, fotos e documentos. A invasão é paradoxalmente voluntária. 

Há um gosto amargo de déjà vu nos argumentos acima, familiarizados pela literatura distópica, pelo cinema engajado e pelas revoltas populares. Black Mirror, O Conto da AiaWestworld apontam para uma desumanização alarmante justamente porque reconhecível. Por que, então, mais uma publicação sobre o desencanto? Porque Berardi não sucumbe à nostalgia das utopias; é na idealização da sociedade que ele situa os estados autoritários e o terror do nazismo, fascismo e comunismo. A vigilância tornou-se signo de convivência e repressão. 

Foi na pretensão da igualdade como meta obtusa, ou seja, sem espaço para as diferenças étnicas, religiosas e tantos outros matizes, que começaram os ataques à singularidade que hoje marcam o noticiário do nosso século. A pluralidade de identidades foi tomada como desorganizacional, indomesticável. A rede virtual, promissoramente espaço de liberdade, mostrou-se também aprisionamento customizado de agendas do ódio e da perversão, a exemplo dos fóruns de incitação a crimes como pedofilia, estupro, racismo e homofobia. A navegação anônima pulverizou as práticas e as intenções. Não cabe, porém, demonizar a experiência na internet: enquanto alguns se juntam para tramar a violação da lei, outros se reúnem para denunciar a supressão dos direitos humanos em seus países. 

Na análise do intelectual italiano, o trabalho tem papel de termômetro nesse futuro que se espera obscuro. Na passagem da tecnologia que facilitou processos à aceleração das atividades multitarefas desempenhadas, o esforço ficou tão fragmentado em partículas e horas que o trabalhador em si ficou invisibilizado. Seu rendimento é que se tornou farol. A dedicação de uma vida não mais dá a segurança de uma aposentadoria correspondente. Parar de trabalhar torna-se um risco. E para aqueles ainda inseridos no mercado de trabalho, mais um golpe na singularidade: algoritmos avaliam performance e decidem demissões, conforme denuncia Cathy O’Neil, doutora em matemática pela Universidade de Harvard.

Para muitos, o futuro já é um lamentável presente. Hoje há mais idosos no mundo do que crianças, segundo a ONU. São 705 milhões de pessoas acima de 65 anos contra 680 milhões entre zero e quatro anos. Uma situação inédita no mundo que não soube alimentar esperanças para o desconhecido. Os jovens já experimentam efeitos infelizes, alerta Berardi. Depressão e ansiedade fermentam estatísticas e preocupações. O suicídio individual e também o dos coletes-bomba e tiroteios em massa demonstram o extremo da consequência. Há também as experiências radicais de isolamento vividas pelos hikikomori no Japão, em que adolescentes e jovens adultos se trancam em seus quartos superconectados e renunciam à vida externa. 

As pessoas nascidas nos anos 1980 vivenciaram a prevalência da mídia sobre o contato com o corpo humano, assinala o italiano. A conexão de outrora é a conectividade que só faz laços intermediados por códigos. Mas a ausência da corporeidade é cara. Ela deixa de fora a sensibilização e o encontro empático que só a humanização multiplica. É suporte para a solidariedade, esta que fez resistência ao projeto desumanizador de Hitler no nazismo e que parece ser o componente-chave para a ressurreição do futuro proposta por Berardi. 

Ainda que pinte um cenário de desamparo, o filósofo oferece propostas. E elas passam pelo exercício da futurabilidade, que depende da pluralidade, do afeto e da poesia que extrai o mais-além da linguagem. Enquanto paira o retrocesso como descrição frequente do futuro aqui no Brasil, com o negacionismo e o ultraje coordenando políticas públicas, imaginar a mudança perante o caos parece beirar o ingênuo. Mas é crucial, parece nos dizer Berardi, indiretamente. Carece de sustentação coletiva, da arte e de coragem para permitir-se pensar aquilo que a máquina não nos apresentou.

*AMANDA MONT’ALVÃO VELOSO É PSICANALISTA, JORNALISTA E MESTRANDA EM LINGUÍSTICA APLICADA PELA PUC-SP 

Minimalista e ampla! Mansão de Kim Kardashian impressiona e quarto de socialite é do tamanho de um hangar de avião

A estrela é a capa do mês de Maio da Vogue Americana

Kim Kardashian (Foto: Reprodução/ Instagram)

Kim Kardashian West surpreendeu mais uma vez sua legião de fãs e admiradores, ao aparecer nessa quarta-feira (10.04) estampando, sozinha, a capa da edição de Maio da Vogue Americana, algo que nas palavras da própria, foi  “um momento que sonhou durante anos”.

Além de revelar que está estudando para conseguir um diploma de advogada, depois de ter se envolvido com politicas de encarceramento durante os últimos meses e ano, e até ter tido uma reunião com o Presidente Donald Trump, a socialite também abriu os portões de sua mansão em Hidden Hills, na Califórnia, para a Vogue

Descrita como uma catedral do aconchego, e projetada seguindo as premissas da arquitetura belga minimalista pelo top designer Axel Vervoordt, a residência é a definição de imenso, calmo e limpo. 

Kim Kardashian  (Foto: Reprodução/ Instagram )
Kim Kardashian (Foto: Reprodução/ Instagram)

Conta com uma cozinha para a equipe de chefs e ajudantes, onde ela, seus três filhos – North, Saint e Chicago -, e o marido Kanye West, acabam passando a maior parte do tempo juntos, e uma outra para ‘visitas’, que possui uma ilha central tão grande quanto uma pista de dança, e um canto para os cafés da manhã que acomoda, confortavelmente, umas 20 pessoas. 

Outro elemento interessante, é o grande hall central, que possui o revestimento de paredes, teto e piso no mesmo material, textura e cor, dessa maneira brincando com a perpectiva do vistante, e criando alusão de estar caminhando em direção ao infinito. 

Considerado quase como um complexo, o closet da Kardashian é divido em uma séria de ‘dressing rooms’ e cômodos para armazenar as centenas de grifes que ela possui, além de um espaço reservado apenas para os sapatos e bolsas,  parecido mais com uma loja Prada do que qualquer outra coisa. 

O quarto, por sua vez, é do tamando de um hangar de avião e possui um banheiro que acomoda um time de basquete inteiro no box. Uma das paredes do ambiente é feita em vidro e exibe um pasiagismo incrivél, criando a sensação de estar tomando banho no meio de uma selva. 

Kim Kardashian  (Foto: Reprodução/ Instagram )
Kim Kardashian (Foto: Reprodução/ Instagram)
Kim Kardashian com seus três filhos do casamento com Kanye West (Foto: Divulgação)
Kim Kardashian com seus três filhos do casamento com Kanye West (Foto: Divulgação)

Confira as fotos da casa abaixo.

Quarto (Foto: Reprodução)
Quarto (Foto: Reprodução)
Quarto (Foto: Reprodução)
Quarto (Foto: Reprodução)
Banheiro (Foto: Reprodução)
Banheiro (Foto: Reprodução)
Banheiro (Foto: Reprodução)
Banheiro (Foto: Reprodução)
Corredores (Foto: Reprodução)
Corredores (Foto: Reprodução)
Sala (Foto: Reprodução)
Sala (Foto: Reprodução)
Cozinha (Foto: Reprodução)
Cozinha (Foto: Reprodução)

A falsa herdeira que enganou a alta sociedade de NY e deixou um rastro de golpes no valor de milhares de dólares

Jovem vestia roupas de grife, viajava em jatos privados e distribuía gorjetas de US$ 100
Alessandra Corrêa

Anna Sorokin, que se apresentava como Anna Delvey – Reprodução/Instagram

WINSTON-SALEM (EUA) –Ela se apresentava como Anna Delvey, herdeira alemã de uma fortuna de 60 milhões de euros (cerca de R$ 261 milhões), e em pouco tempo conquistou a alta sociedade de Nova York. Morava em hotéis cinco estrelas, frequentava festas exclusivas, vestia roupas de grife, viajava em jatos privados e distribuía gorjetas de US$ 100 (R$ 388).

Mas segundo o gabinete do procurador de Manhattan, Cyrus Vance, seu nome verdadeiro é Anna Sorokin, ela tem 28 anos, nasceu na Rússia e não tem dinheiro algum.

A trajetória da falsa herdeira que virou queridinha da elite nova-iorquina e ao longo de dez meses deixou um rastro de vítimas de calotes no valor de US$ 275 mil (cerca de R$ 1,06 milhão) tem sido detalhada em reportagens na imprensa americana e em breve deve virar série da Netflix criada por Shonda Rhimes, a produtora por trás de sucessos como “Grey’s Anatomy” e “Scandal”.

“Sua suposta conduta criminal vai de fraude com cheques a centenas de milhares de dólares furtados por meio de empréstimos e inclui esquemas que resultaram em uma viagem gratuita ao Marrocos e voos em jatos privados”, disse Vance ao apresentar acusação formal contra Sorokin, em outubro de 2017.

Presa desde 2017 na ilha de Rikers, onde fica o principal complexo penitenciário de Nova York, ela agora responde a julgamento por furto qualificado e outras acusações.

SÉRIE DE GOLPES

Segundo o gabinete do procurador de Manhattan, Sorokin lesou hotéis, empresas, bancos e amigos em uma série de golpes entre novembro de 2016 e agosto de 2017. Ela circulava com desenvoltura pelo mundo da moda e das artes plásticas e dizia ter planos de criar um clube privado de artes, que se chamaria Fundação Anna Delvey.

Ao justificar a necessidade de empréstimos, alegava dificuldades burocráticas de movimentar sua fortuna da Europa para os Estados Unidos. Em novembro de 2016, usou extratos e documentos bancários falsos na tentativa de obter empréstimo de US$ 22 milhões (cerca de R$ 85 milhões) para abrir o clube de artes em Manhattan. O valor foi negado, mas ela obteve um adiantamento de US$ 100 mil (cerca de R$ 387 mil).

Sorokin usava cheques sem fundo para movimentar dinheiro entre contas de bancos diferentes e então fazer retiradas antes que o cheque fosse devolvido. Em certa ocasião alugou um jato particular no valor de US$ 35 mil (cerca de R$ 136 mil) e nunca pagou a empresa proprietária.

Uma de suas vítimas, Rachel Williams, relatou em artigo para a revista New York Magazine como foi convidada por Sorokin para uma viagem ao Marrocos com todas as despesas pagas. Quando o cartão de débito de Sorokin foi recusado, e ela pediu a Williams que usasse o seu, prometendo que reembolsaria a amiga.

Williams pagou mais de US$ 62 mil (cerca de R$ 240 mil) durante a viagem, incluindo o aluguel de uma vila de luxo com piscina privada e mordomo. Nunca foi reembolsada.

Anna Sorokin mostrava registros de uma vida de luxo em posts em redes sociais – Reprodução/Instagram

DEFESA

No julgamento em Nova York, iniciado no fim de março, o advogado de defesa, Todd Spodek, disse ao júri que sua cliente estava apenas buscando ganhar tempo até que pudesse criar um negócio bem-sucedido e pagar suas dívidas.

A acusação pretende chamar cerca de 25 testemunhas durante o julgamento, previsto para se estender até a metade do mês.

Sorokin tem chamado a atenção pelas roupas que vem vestindo no tribunal, de grifes como Yves Saint Laurent e Miu Miu. Segundo relatos da imprensa, ela conta com a ajuda de uma estilista.

Em duas ocasiões, chegou a se atrasar em meio a uma crise por não concordar com as roupas que recebeu para vestir, e foi repreendida pela juíza.

Caso seja condenada, Sorokin pode pegar até 15 anos de prisão. Ela também corre o risco de ser deportada para a Alemanha, por ter permanecido nos Estados Unidos após o fim de seu visto.
BBC NEWS BRASIL

Mary Quant ganha sua primeira retrospectiva, em exposição no museu Victoria and Albert com mais de 200 peças

Ícone da moda, estilista simplificou o vestuário feminino e libertou as mulheres da obrigação de ‘se vestirem como mães’
Claudia Sarmento – O Globo

Ícone da moda da cena britânica nos anos 1960, Mary Quant teve seu cabelo cortado por outro nome em voga no período, o cabeleireiro Vidal Sassoon: o registro é de 1964 Foto: Ronald Dumont / Getty Images

LONDRES — O visual que ela popularizou virou uniforme de uma geração: minissaia, meia-calça colorida, salto baixo e cabelo curtinho. Era assim que a designer Mary Quant se vestia já no início dos anos 60 e foi esse o estilo que vendeu em sua lendária butique londrina, a Bazzar, na King’s Road. Entediadas com as convenções sociais do pós-guerra, as jovens britânicas queriam independência para mergulhar na efervescência cultural que começava a tomar conta de Londres e se espalhava pelo mundo. Para isso precisavam se movimentar sem se preocupar com cintura apertada ou bainha abaixo do joelho. Mary Quant capturou a magia daqueles tempos e a traduziu em roupas, mudando a história da moda e de uma cidade. Admitindo que ela já deveria ter sido homenageada há muito tempo, o museu Victoria and Albert (V&A) acaba de inaugurar a primeira grande retrospectiva da estilista que encurtou e simplificou as roupas femininas.

A exposição explora o período entre 1955 e 1975, reunindo quase 200 peças entre roupas, acessórios, fotos e croquis para recriar a atmosfera de uma capital que ansiava por liberdade e pelo fim da austeridade. Recém-saída da faculdade de arte, Mary via a moda não como frivolidade, mas como manifestação de identidade à qual todas as mulheres deveriam ter acesso. Ao juntar saias mais curtas, linhas mais retas, tecidos mais modernos e cores até então banidas do guarda-roupa de “moças direitas”, ela encheu suas vitrines no bairro de Chelsea de irreverência e criatividade a preços baixos. Era o que faltava a Londres para desbancar Paris como epicentro da moda, e o que as mulheres precisavam para mostrar que vestidos de baile de debutante já não definiam o que elas queriam ser.

A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: Adrian Dennis / AFP
A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: Adrian Dennis / AFP

— Mary Quant foi quem libertou as mulheres da regra que dizia que elas deveriam se vestir como suas mães — resumiu Stephanie Wood, uma das curadoras da exposição do V&A, maior museu de design do mundo, onde a mostra estará em cartaz até 2020.

A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: Adrian Dennis / AFP
A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: Adrian Dennis / AFP

Aos 89 anos, a homenageada não participou da abertura da exposição, mas colaborou cedendo peças de seu acervo e registros históricos. Vídeos foram recuperados para mostrar como a butique da King’s Road era uma festa, onde não havia lugar para a pompa das maisons de alta-costura. O ritmo era de produção em massa. Tudo o que era colocado à venda se esgotava, das meias-calças de lurex às capas de chuva de PVC. Cosméticos com a mitológica logo da margarida preta viraram febre, invadindo lojas de departamento mundo afora. Com a ajuda do marido, o aristocrata Alexander Greene, Mary também foi pioneira no campo do marketing. Transformou o que nasceu como butique experimental em marca global, e antecipou padrões de consumo que só seriam norma muitos anos depois.

A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: ADRIAN DENNIS / AFP
A exposição retrospectiva com peça de Mary Quant, no Albert Museum, em Londres Foto: ADRIAN DENNIS / AFP

A exposição não endossa o mito de que ela foi a inventora da minissaia, título disputado pelo francês André Courrège, definindo-a como a “embaixadora” da peça que surgiu nas ruas como emblema da libertação sexual. A principal contribuição da designer foi entender que a moda tanto pode refletir quanto provocar mudanças sociais. E assim ela foi subindo cada vez mais as bainhas, mas ao mesmo tempo consagrou a calça comprida e o terninho para garotas, bagunçando os conceitos de gênero. Seu corte de cabelo geométrico, assinado por Vidal Sassoon, foi outro de seus legados. Segundo a própria Mary, “não havia tempo para esperar pelo feminismo”. Em vários aspectos, ela se adiantou a ele.

— Ela modificou os limites do que era considerado aceitável. Apropriou-se das roupas masculinas quando mulheres de calça não eram aceitas em restaurantes de Londres — explicou Tristram Hunt, diretor do museu. — Ela não criou uma grife. Criou um movimento de liberdade, diversão e otimismo — disse.

Floresta urbana: tendência entre os millennials, as plantas tomaram conta dos apartamentos

Criada no interior, Roberta Ferraz ocupou o apartamento onde vive com o marido, Marcelo Oliveira, em São Paulo, com vasos enormes e móbiles de plantas — e deixou seu apê com cara de fazenda
POR ROBERTA MALTA

Sala de estar dominada por verde (Foto: Carol Gherardi)

Quando a escritora Roberta Ferraz, 38 anos, e o advogado Marcelo Oliveira, 41, foram visitar o apartamento duplo instalado em um prédio da década de 50, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a visão não foi das mais animadoras. O antigo morador havia juntado dois imóveis vizinhos, mas não conseguiu transformá-los em um só. Nem estética nem funcionalmente. “Era como se fossem casas distintas, separadas por paredes”, conta Roberta. “O ex-proprietário fez a reforma, mas não desmontou o esquema dos apartamentos.”

Lifestyle decor - O jardim de vasos (Foto: Carol Gherardi)
O jardim de vasos (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - O escritório de Roberta (Foto: Carol Gherardi)
O escritório de Roberta (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - O casal no sofá (Foto: Carol Gherardi)
O casal no sofá (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A gata Diana (Foto: Carol Gherardi)
A gata Diana (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Detalhe de um dos cristais da casa (Foto: Carol Gherardi)
Detalhe de um dos cristais da casa (Foto: Carol Gherardi)

A primeira providência dos dois, que são primos de terceiro grau, foi chamar o melhor amigo, Fernando Falcon, para resolver o impasse. Sócio do Tacoa Arquitetos, ele imediatamente achou a solução. “Vamos tirar o excesso de parede e deixar a estrutura aparecer para a gente visualizar o espelhamento do espaço”, disse. Em sete meses, estava tudo pronto. Escritórios individuais e lavabo de um lado; suíte, closet, banheiro e quarto de hóspedes do outro. E no meio, uma sala sem divisórias, com janelas enormes, cozinha aberta e as cores da fazenda em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde a doutora em literatura portuguesa cresceu: vermelho e verde, só que adaptados aos acabamentos atuais.

Forrado por cimento queimado, o chão do apartamento de 198 metros quadrados foi encerado cinco vezes para chegar ao tom das lajotas da infância. “Eu mesma passei a cera”, diz Roberta. Foram cinco mãos até chegar à cor de sua memória. Mas o apartamento só virou mesmo uma versão urbana da fazenda sete anos depois, quando ela começou a sentir falta das plantas da casa da avó materna. Lá, ficavam fora da sala. Mas como eram muitas e encontravam sempre as portas e janelas abertas, invadiam a casa.

Lifestyle decor - A mesa de jantar (Foto: Carol Gherardi)
A mesa de jantar (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A cozinha aberta  (Foto: Carol Gherardi)
A cozinha aberta (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A pet Morgana (Foto: Carol Gherardi)
A pet Morgana (Foto: Carol Gherardi)

No lugar dos tatames, onde costumavam se jogar com os amigos, botaram enormes vasos de plantas e móbiles cheios de verde desenhados pela paisagista Daniela Ruiz. Estava montada a floresta, de que Roberta faz questão de cuidar pessoalmente. “É a única coisa que se movimenta aqui”, diz.

Estáticos, os quadros são da nova geração de artistas plásticos, todos amigos do casal. Tem obras de Lucas Simões, Sergio Lucena, Hugo Frasa, Silvia Velludo, Carolina Krieger entre fotos assinadas por Pierre Verger e Francesca Woodman, que ganharam da família, e um retrato do trisavô em comum de cabeça para baixo. “Minha avó que me deu”, conta Roberta. “Depois que descobrimos que ele era feminicida, o deixamos assim virado.”

Uma tela suspensa enrolada no alto de uma das paredes transforma a sala em um cinema num toque de mágica. Móveis de madeira com a grife Carlos Motta, referências astrológicas, cristais e outros objetos místicos completam o décor. Por fim, os animais de louça garimpados em viagens que dividem o espaço com as gatas, Morgana e Diana.

Lifestyle decor - O quarto principal (Foto: Carol Gherardi)
O quarto principal (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)
Quadro do pai da escritora, João Carlos de Figueiredo Ferraz (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)
Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)

Mais funcional, o entorno desse ambiente é ocupado pontualmente. Quando não têm gente, o quarto e o banheiro de hóspedes funcionam meio como depósito de malas e trecos. O do casal é onde acontece o cineminha nos dias mais quentes. “Porque tem ar condicionado”, diz Roberta. Bem diferentes um do outro, os escritórios são usados quase todas as manhãs por seus respectivos donos. “O meu praticamente não tem cor”, explica Marcelo, diante do cômodo cinza, branco e preto. O de sua mulher, ao contrário, é cheio de enfeitinhos, penduricalhos e tem uma luminária de vidro colorido ao lado da poltrona onde lê por horas seguidas.

Não é preciso dizer que o coração da casa é mesmo a sala. Ali, recebem amigos, fazem companhia a quem estiver na cozinha – ele em dias de jantares especiais, ela no dia a dia – e descansam nas redes enquanto escutam música. No fim deste verão, como em todos os anos, os pombinhos irão até o sítio da mãe de Marcelo, em Holambra, repor as plantas castigadas pelo sol que varre o ambiente durante a manhã. “A ideia é isso aqui crescer, crescer, crescer e ocupar cada vez mais o espaço”, diz Roberta. E deixar o clima de fazenda se instalar de vez em pleno bairro de Pinheiros – um dos mais agitados de São Paulo.