A gerente do banco e um cobertor esquecido me fizeram conhecer meu marido

Fui a um ano inteiro de festas da Unicamp, mas nunca havia cruzado com ele antes da formatura
Nathalia Caballeira

O ano era 2014 e minha vida amorosa estava o caos que muitas mulheres vão se identificar: estava solteira há três anos, o rapaz que eu me interessava havia simplesmente sumido e me ignorado mesmo depois da minha insistência por respostas, me deixando em um completo vazio. Eu me sentia desinteressante, não desejada e nenhum site de aplicativos era capaz de me convencer de que criar um perfil online era o que eu precisava para conhecer alguém.

Eu buscava a espontaneidade da vida quando o assunto é relacionamento e qualquer mecanismo que ressoasse como um atalho ou uma tentativa arranjada de produzir encontros, eu recusava. Afinal, eu sou psicóloga clínica e seria uma incoerência trabalhar no terreno do encontro olho no olho, da empatia, da espontaneidade e fazer o oposto quando o assunto era a minha vida pessoal.

Pois bem, naquele 2014 confuso e sem respostas, um grande amigo, na tentativa de tirar este assunto do foco e me transportar para outras possibilidades, me convida para participar de um grupo do Whatsapp com ele e mais três meninos que eu não conhecia, pois eram seus colegas de faculdade. O que ele me diz é: “olha, só rola besteira, piada, palavrão… este é o objetivo do grupo e vai te permitir rir um pouco”. Só isso.

O que nenhum de nós imaginava é que nos daríamos tão bem. O que começa como uma conversa despretensiosa foi se tornando uma amizade. Os meninos, assim como meu amigo, faziam a faculdade de engenharia elétrica da Unicamp e eu, aproveitava as aulas do mestrado às quintas, fechava a agenda do consultório mais cedo na sexta e ia para Campinas estar na república, ir as festas e passar o fim de semana com eles.

Eu acabei saindo com algum deles? Não. Eu aproveitava essas festas para ficar com alguém? Não. Eu bebia, dançava, comia um brigadeiro de maconha ali, outro lá, e me divertia muito como uma boa jovem de 23 anos. Eu sentia que lá, com eles, tínhamos algo especial, sagrado, do terreno da amizade. E tudo aquilo já me fazia tão bem que eu não queria preencher com outra coisa.

Um ano depois, em fevereiro, os meninos me comunicam da festa de formatura deles e que, claro, eles gostariam muito que eu estivesse. Só que os ingressos de uma festa dessa são muito caros! Eu disse a eles que, naquele momento, eu não tinha dinheiro (sem pedir ajuda a meus pais) para dar algo entre R$ 400 e R$ 500 por uma noite, mas que tentaria dar um jeito.

Os dias foram passando, os meninos insistindo e eu querendo muito ir à festa. Até que chega o último dia da venda dos ingressos e eu sem nenhuma perspectiva de dinheiro. Um dos meninos me liga pela manhã e enfatiza que irá no fim do dia comprar ingressos e que, até lá, eu tinha que ter uma resposta final. Eu falei que se conseguisse o dinheiro, eu iria na festa de qualquer forma.

O telefone toca. É uma moça buscando uma analista e marca comigo a primeira entrevista para a semana seguinte. Viva! Consegui! Depois penso comigo: nananinanão. Você precisa do dinheiro hoje e esta pessoa não é sua paciente. É uma entrevista, daí vamos avaliar se vamos começar um processo, vamos falar do valor da consulta e mesmo que tudo isso aconteça, o pagamento será só no outro mês. Digo a mim mesma: “este dinheiro é a prazo – se vier – e eu só trabalho com à vista (ouviu bem, vida?). Eu só irei nesta festa com o dinheiro em mãos, hoje!”.

Depois do almoço, o celular toca e parece spam. Atendo. “Alô aqui é a gerente do Banco do Brasil…” E eu pensando: ai que inferno… Até que ela diz que o motivo da ligação é falar sobre a minha conta estudante. Eu demoro a entender qual é o objetivo da chamada e ela diz que minha conta estudante teria que ser fechada e eu teria que migrar para outra, blábláblá. Mas eu teria que decidir o destino do dinheiro que estava na conta corrente. DINHEIRO NA CONTA CORRENTE?! Que dinheiro na conta corrente?

Tinha me esquecido desta conta e do fato de, em 2009, ter feito uma iniciação científica e recebido uma bolsa do CNPq (por isso precisei abrir esta conta). Usei metade do dinheiro para comprar as “Obras completas” de C.G. Jung da Editora Vozes (minha inspiração até hoje). A outra metade estava lá, corrente, fluindo e, ao mesmo tempo, parada e esquecida no meu imaginário.

Uau! Quantas coincidências: a possível futura paciente e a funcionária do Banco do Brasil me ligam no dia que estava convicta de que sem o dinheiro em mãos não iria à festa. Liguei para meu amigo (sem dar detalhes da jornada) e pedi para ele comprar um ingresso para mim. Depois, toda vaidosa e me sentindo uma verdadeira psicóloga junguiana comecei a devanear se algo (ou alguém?) estaria me esperando nesta festa, já que parecia que era para eu estar lá de qualquer jeito.

O dia da festa chegou e eu fiz o que pude para deixar estes devaneios de lado. À noite, eu e meu amigo íamos nos arrumar e dormir em uma outra república, na qual eu não conhecia ninguém, por falta de espaço na que sempre ficávamos. Com todos se arrumando, chega um rapaz atrasado, e todos fazem pequenas piadas com ele que eu não entendo, sugerindo que ele tinha chegado de um encontro apenas a tempo de emendar com a festa. É um moreno bonito, o sorriso dele é lindo — sempre reparei em sorrisos — e eu nunca tinha cruzado com ele no ano inteiro em que fui às festas da Unicamp.

Diluí todas os meus devaneios anteriores à festa com álcool. Bebi, bebi mais, dancei, conversei com muita gente, mas, até aquele momento, não tinha beijado ninguém. Não vou negar que tinha um desejo de ficar com o rapaz moreno que tinha conhecido um pouco antes, mas nada acontecia… Até que, por volta das cinco da manhã, estamos numa roda conversando e o rapaz que tinha me interessado estava a dois passos de mim ficando com outra garota!

Disfarço meu descontentamento e a festa acaba pouco depois disso. Penso comigo como foi ingênuo da minha parte supor que algo “mágico” ia acontecer naquela festa. O que eu esperava? A festa foi ótima, me diverti muito e nada mais. E tudo aquilo que parecia que era para eu ir? Ora, desejo infantil meu de querer viver contos de fadas e achar que podia estar “interpretando” a vida falar comigo.

Volto no dia seguinte com ressaca para São Paulo, rindo um pouco de mim mesma e de todos os devaneios por onde esta história tinha me levado. Fim, era o que eu achava. Naquela semana, meu amigo me liga e diz que eu esqueci meu cobertor na casa em que tínhamos dormido – sou bem desligada mesmo. Mas ele só voltaria a Campinas dali algumas semanas, então, ele poderia pedir para um amigo que estava indo a São Paulo levar. “Claro, combinado. Dê meu telefone e agradeça a ele pela gentileza”.

Eis que quem me manda mensagem dizendo: “oi, você é a dona da coberta?”? O rapaz que eu tinha conhecido na festa! Agora tínhamos o telefone um do outro, estávamos sóbrios e a devolução da coberta foi o gatilho para a nossa aproximação. Nos casamos dia 30 de dezembro de 2020 depois de cinco anos juntos.

Gosto de pensar nesta história pois o que eu senti era legítimo, mas eu estava voltada para o grande evento, a festa de formatura, e o que muda nossas vidas é a coberta que só poderia estar lá se eu tivesse ido à festa. É interessante pensar como o invisível vai costurando nossas vidas e este foi o momento na minha que eu tive a chance de reconhecer isto. No final, a mágica estava lá; eu é que estava racionalizando e esvaziando-a. Que a vida de todos possa ter um vislumbre de alma e encantamento!

Há um mês, quando Folha e a Conspiração Filmes estavam definindo a ordem de publicação dos textos, esta história foi escolhida, por acaso, para ser publicada neste domingo (1º). Quando a autora foi avisada, ela contou que 1º de agosto de 2015 foi o dia em que ela pediu em namoro o rapaz citado neste relato. Exatos cinco anos depois, em 1º de agosto de 2020, ele a pediu em casamento.

HOUSE OF GUCCI | Official Trailer

A legacy worth killing for. Watch the official #HouseOfGucci trailer now – only in theaters November 24.

França oferecerá até 1,5 mil euros para quem trocar carro por bicicleta

Medida anunciada pelo governo federal prevê também a possibilidade de um valor extra de mil euros para quem optar por uma bicicleta elétrica

Foto: Getty Images

Depois de meses de discussões no parlamento francês, finalmente foi definido o valor que poderá ser concedido para quem decidir trocar o carro por uma bicicleta na França. Será uma ajuda de custo de até 1,5 mil euros, que pode chegar a até 2,5 mil no caso de bicicletas elétricas.

O anúncio do governo de Emmanuel Macron chega uma semana depois do parlamento ter dado a sua aprovação final à lei sobre as alterações climáticas que, apesar das críticas dos ambientalistas que consideram que ela não vai suficientemente longe, contém medidas inovadoras como a proibição de voos quando existem alternativas de trajetos de trem com menos de duas horas e meia de duração.

“Para promover o uso da bicicleta elétrica como alternativa ao veículo individual e favorecer o movimento em direção ao transporte sustentável, principalmente em áreas urbanas e periferias, a Lei do Clima estende o prêmio para a conversão para compra de bicicleta de assistência elétrica ou uma bicicleta elétrica de carga em troca da entrega de um carro ou caminhão poluente para sucateamento”, explicaram em comunicado conjunto os responsáveis ​​pela Economia e Transporte do governo francês.Saiba maisA cidade-luz de quinze minutos

Segundo o jornal El País, embora a medida não estivesse no texto original do projeto de lei apresentado pelo governo, uma alteração foi votada por unanimidade na Assembleia Nacional em meados de abril e, na semana passada, todo o pacote foi aprovado.

O novo regulamento francês também proíbe a publicidade de combustíveis fósseis e, a partir de 2028, dos veículos mais poluentes. Também estabelece a proibição, a partir de 2025, de embalagens alimentícias de poliestireno de uso único e estabelece que até 2030 as lojas com mais de 400 metros quadrados terão que destinar pelo menos 20% das suas áreas de venda para produtos a granel. Fica proibido ainda, a partir de 2028, o aluguel de casas mal isoladas termicamente e, portanto, com altos custos de energia para aquecimento e resfriamento. [Um Só Planeta]

73 Questions With Lorde | Vogue

Lorde always knew she wanted to be a solo artist, but that doesn’t mean there weren’t surprises in store for her about fame. In this special 73rd episode of 73 Questions, Lorde walks around New York Botanical Garden and talks about her childhood, her new album, and that secret beach.

Lorde sempre soube que queria ser uma artista solo, mas isso não significa que não havia surpresas reservadas para ela sobre a fama. Neste 73º episódio especial de 73 perguntas, Lorde caminha pelo Jardim Botânico de Nova York e fala sobre sua infância, seu novo álbum e aquela praia secreta.

Taís Araújo cria marca HotMamma e lançará plataforma de auxílio a mulheres que buscam independência financeira

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo a HotMamma deve explorar segmentos da moda, beleza, decoração e autocuidado

Taís Araujo usa camisa Iorane, piercing Monte Carlo e batom Nude Balé da coleção “Cores da minha vida” por Taís Araujo, da Quem Disse, Berenice? (Foto: Zee Nunes; edição de moda: Pedro Sales; Beleza: Rodrigo Costa; Direção executiva: David Jensen/WBORN Produções; Tratamento de imagem: Bruno Rezende)

Taís Araújo está com mais uma novidade: a marca HotMamma. Em notícia divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, neste sábado (24.07), a atriz criou sua primeira marca própria e disponibilizará uma plataforma de auxílio a mulheres que buscam independência financeira.

Sem data definida, a estreia ainda contará com o lançamento de uma coleção de biquínis. CEO da marca, Taís tem três sócios: a consultora Cristina Naumovs, a stylist Rita Lazzarotti e o RP Antonio Trigo.

Ainda de acordo com a publicação, a HotMamma também vai explorar segmentos de beleza, decoração, autocuidado e mais. Além disso, a marca já tem tratativa estabelecida com um conglomerado de roupa de praia e com uma instituição financeira.

“In My Lady…” with Gillian Anderson – Episode 7

In the latest episode of “In My Lady…”, actress Gillian Anderson puts her ‘Lady Dior’ carrying capacities to the test, playfully unpacking emergency chocolate, silk eye masks, dental floss and even a tape measure, revealing her DIY instincts.

No último episódio de “In My Lady …”, a atriz Gillian Anderson coloca à prova sua capacidade de carga de ‘Lady Dior’, desdobrando alegremente chocolate de emergência, máscaras de seda para os olhos, fio dental e até uma fita métrica, revelando seus instintos DIY.

Modelo brasileira Stephanie Yashimura com vitiligo inspira quebra de padrões: ‘Eu não preciso me camuflar’

Stephanie Yashimura, de 28 anos, é destaque em site internacional, e suas fotos nas redes sociais fortalecem a autoestima de quem tem a mesma doença de pele

Sephanie Yashimura Foto: Reprodução Instagram
Sephanie Yashimura Foto: Reprodução Instagram

A técnica de radiologia Stephanie Yashimura, de 28 anos, é destaque nesta quinta-feira no site do ‘Daily Mail’.

O site conta a história da brasileira, que está fazendo sucesso como modelo. Sephanie, que tem vitiligo, acaba de realizar uma campanha de beleza para um salão em Campos dos Goytacazes (RJ). Nas redes sociais, ela se tornou referência e fortalece outras jovens com a doença.

Stephanie em campanha de beleza Foto: Reprodução Instagram
Stephanie em campanha de beleza Foto: Reprodução Instagram

Stephanie descobriu uma mancha branca acima do olho quando tinha 14 anos. Em meses, a mancha se espalhou pelo rosto e pelo corpo. Ela recebeu, então, o diagnóstico de vitiligo.

Stephanie Yashimura Foto: Reprodução do Instagram
Stephanie Yashimura Foto: Reprodução do Instagram

Na adolescência, sofreu para se aceitar: usava blusa de manga comprida e roupas fechadas para não chamar a atenção. Aos 20 anos, 80% de sua pele havia perdido o pigmento. No ano passado, Stephanie foi abordada por uma maquiadora, que a convidou para uma sessão de fotos.

“Não, eu não preciso me camuflar”, Stephanie diz em um vídeo, publicado em seu Instagram. Em outra publicação, ela questiona: “Quantas vezes coisas boas aconteceram na sua vida em consequência de algo que deu errado?”. Numa terceira, fez a seguinte legenda: “Escolhi uma foto para mostrar o quanto me sinto bonita e sexy justamente por ter vitiligo”.

Depois que começou a publicar fotos no Instagram, passou a receber inúmeras mensagens. “Você é uma linda mulher, também tenho vitiligo”, escreveu uma seguidora. “Você é inspiração para muitas de nós”, comentou outra sobre a modelo, que virou referência de quebra de padrões. “Você tem que ir contra a pressão estética que te diz o tempo todo o que é bonito e o que é feio”, escreveu num post. Ela foi e é referência de beleza, autoaceitação e autoestima.

Agnes Nunes empresta sua voz em nova campanha de moda em prol da sustentabilidade

A cantora, nascida na Bahia e criada na Paraíba, fala sobre como busca alteranativas sustentáveis na hora de consumir moda

Agnes Nunes empresta sua voz em nova campanha de moda em prol da sustentabilidade (Foto: Hick Duarte/Divulgação)

Após conquistar o Brasil com seu sotaque gostoso e voz doce e potende, Agnes Nunes empresta seu rosto para uma nova campanha de moda – e com perfume sustentável. A cantora se une a Silva, Gaby Amarantos, Alice Caymmi, Duda Beat e Majur em um shoting que faz uma releitura da campanha emblemática “Com que roupa eu vou?”, da Hering, veiculada em 1997.

Tudo para chamar a atenção para a responsabilidade ambiental de cada um: nas cenas, os artistas fazem uma provocação com o mote “Com que roupa eu vou construir esse novo mundo?”. Todos veste a camiseta World – peça ícone da marca: em parceria com a MOSS, uma das maiores plataformas globais de crédito de carbono, a grife passa a compensar o dobro da emissão de CO2e de seu ciclo de vida. A iniciativa tem como objetivo a conservação da Amazônia, com mais de 4,4 milhões de árvores preservadas somente em 2021.

A seguir, confira um papo com Agnes sobre moda e sustentabilidade. 

Como é a sua relação com a moda?

Eu amo esse universo, sempre amei e procuro inventar a minha própria moda, não seguir padrões e estar feliz com o que visto . Acho que a moda é a gente que inventa.

O que é básico para você?
O básico pra mim é sentir-se confortável, o que é maravilhoso.

Como foi receber esse convite da Hering para participar de uma campanha totalmente ligada à sustentabilidade?
Receber o convite para participar dessa campanha totalmente ligada à sustentabilidade foi incrível. Me senti muito honrada e feliz em passar a imagem necessária. Poder me juntar a pilares tão importantes como a sustentabilidade e a preservação ambiental me deixou muito feliz.

Como você enxerga o papel da moda como agente transformador na sociedade e no âmbito da preservação ambiental e social?
Acredito  que a moda procura ser cada vez mais sustentável. Eu sempre busco consumir  marcas sustentáveis, que ajudam o planeta, produzindo produtos de qualidade, que duram por muito tempo.

Um dos pilares da Hering é a música, expressão máxima da cultura brasileira. Como é estar presente em uma iniciativa que une a música e a moda, duas vertentes artísticas?
Participar de  uma iniciativa que une música e moda é incrível, porque são dois universos que ganham ainda mais força quando estão juntos. Participar dessa campanha cantando com Hering está sendo uma das experiências mais incríveis.

Como você tem passado esse período de pandemia e quais os planos de carreira para o futuro?
Eu tenho construído muitas composições e estou desenvolvendo  meu álbum que será lançado em breve. A música é o pilar que tem me guiado nessa pandemia e entendo que sou privilegiada por poder trabalhar, mesmo em um cenário como esse.  Estou vivendo um momento de ressignificar cada detalhe da minha rotina e tenho aprendido a me reerguer, porque cada dia é uma batalha diferente. A pandemia está sendo difícil sim, mas tento me reerguer e me reinventar através da arte, da música e da moda.

Práticas sustentáveis já fazem parte da sua rotina? Se sim, pode citar alguns exemplos?
Sim! Como falei, prezo por marcas de moda sustentáveis e esses dias substitui o copo de plástico pelo copinho reutilizável de papel. Agora ando com ele para cima e para baixo e acho incrível usar o mesmo copo no lugar de usar cinco, seis. Também optei pelo  canudo reutilizável, estou sempre com ele na bolsa e a esponjinha para lavar. Tenho buscado soluções nesse sentido e minha consciência fica muito mais tranquila  ao saber que eu estou ajudando o meio ambiente.

Complete a frase: cuidar da Floresta Amazônica para mim é…
é ter amor e cuidado em cada coisa que se faz.

Você é uma das promessas da MPB, como vê essa projeção na sua carreira?
Eu estou muito feliz em ser considerada umas das promessas da MPB. O meu álbum já está pronto,vamos lançá-lo para o mundo e espero que a música me leve muito longe. Acredito que a arte seja a solução para quase todas as coisas, se não, para todas as coisas.

Como conseguir criar uma imagem bacana nas redes sociais? O Instagram foi essencial para alavancar sua carreira?
Tomo muito cuidado com tudo o que posto e compartilho na internet, pois ela  se tornou um ambiente delicado. Mas, busco  compartilhar coisas boas: músicas que tenho ouvido, faço covers e canto a minha versão para as pessoas ouvirem. Tento deixar o dia a dia dos meus seguidores  mais leve, sempre colocar música. Sem o Instagram eu não estaria onde estou, já que ele me proporcionou uma visibilidade enorme – vários artistas que admiro começaram a me mandar mensagens contando  como me admiravam também. Então, sem o Instagram, acredito que as coisas demorariam mais para acontecer.

 De que forma você busca empoderar mulheres negras com o seu poder de fala?
Eu sempre busco empoderar as mulheres negras com o meu poder de fala. Já que eu tenho visibilidade no Instagram, tento  incentivar as mulheres de todas as formas possíveis, seja através da música ou da publicidade. As mulheres negras são o público que busco enaltecer, porque faço parte desse grupo, enquanto negra e nordestina. Sei  da importância que é dar voz a essas mulheres e representá-las – sempre que houver oportunidade, eu estarei aqui, empoderando por meio de músicas, letras e fotos, ninguém solta a mão de ninguém.

Modern Love: Ele fez o carinho parecer algo simples

Namorar para uma mulher transgênero, segundo a minha experiência, significava expectativas baixas e sexo casual. Então, conheci Jack
Denny Agassi, The New York Times – Life/Style, O Estado de S.Paulo

Ilustração de Brian Rea/The New York Times

Minha biografia no Grindr (aplicativo de namoro) dizia: Mostre-se aberto a pessoas trans. Mande o rosto para conversar”.

Era difícil estar em um aplicativo para sexo casual gay sendo uma mulher trans. A maioria dos homens no meu feed queriam apenas transar entre eles. Mas eu sabia que no Grindr havia homens hetero que desejavam uma mulher como eu. Eu também os queria.

Foi onde eu conheci Jack. Com 22 anos, ele era alguns meses mais velho do que eu, e, fora a idade, o seu perfil estava em branco, em geral indicando um homem cisgênero hetero cauteloso em relação a sua atração por mulheres trans. Em geral, as mensagens que eu recebia começavam com um texto vulgar, às vezes fotos de nus não solicitadas.

Eu morava em Morningside Heights, e fazia mestrado em comunicações estratégicas na Fordham University. Uma noite, eu estava acordada até tarde trabalhando quando recebi uma mensagem dele no Grindr, uma selfie. Entre o seu cabelo castanho claro, a barba de dois dias e um olhar meigo, sua camisa Lacrosse se destacou mais. Parecia um garoto de tipo esportivo com quem teria namorado no colégio.

Depois da foto, mandou um “Alô”.

As mensagens na minha caixa no Grindr em geral passavam direto para a caçada: “Tá a fim agora?” “No carro?” Os homens que entravam em contato comigo por suas fantasias a respeito de uma mulher trans tornavam difícil para mim sentir que estava sendo vista como uma pessoa em geral, e menos ainda como uma pessoa merecedora de respeito.

Embora meu interesse tivesse sido estimulado pela foto de Jack, foi sua gentileza que me atraiu.

Nossas breves conversas esporádicas ao longo de dois meses foram inofensivas. Eu o ignorava, mas quando eu ia para a faculdade e passava horas na biblioteca, ele se mostrava persistente.

“Meu desejo sexual está muito baixo atualmente”, escrevi. “Dê um tempo, eu vou ligar pra você”.

“OK”.

Quando voltei aos meus estudos, ele acrescentou: “Só para você saber, podemos fazer coisas que não têm a ver com sexo e apenas ficar juntos. Seria divertido”.

Este se tornou o nosso esquema: ele era suficientemente distante para mostrar interesse sem pressão, e eu gostava do seu jeito relaxado, considerando as exigências dos meus estudos. A sua tranquilidade me levou a confiar nele, e então marcamos um dia para nos conhecermos.

A primeira tarde em que Jack veio em casa, ele admirou a minha banheira e segurou o copo de água com ambas as mãos. A sua figura discreta em um casaco de lã bege e uma echarpe longa me lembrava, em sentido positivo, John Bender de O Clube dos Cinco. No meu quarto, ficou interessado nos meus bonecos da Power Ranger amarela, e notou o meu prêmio acadêmico enquadrado perto deles no peitoril da janela.

“Você foi para SUNY Oneonta?” ele perguntou. “Eu fui para a SUNY Potsdam”.

Eu imaginei meus amigos que também estudaram na Potsdam comendo na mesma lanchonete de Jack, ficando bêbados na mesma festa de fraternidade. De repente, a pessoa que eu vira como um estranho agora se enquadrava no meu mundo.

Eu imaginei que tipo de veado ele via da janela do dormitório dele, vagueando pela grama ao alvorecer. Ou como ele passaria o dia quando a escola cancelasse as aulas por causa da neve. Ou aonde ele poderia ter ido se seus pais pudessem pagar uma escola particular.

Sentamos na minha cama, me encostei na parede. Ele apoiou a cabeça na minha coxa e colocou os braços ao redor da minha cintura. “Que estranho!”, pensei. Tirando a intimidade sexual, os meus lances casuais eram tipicamente sem romantismos, sem abraços ou expressões de carinho.

Eu o beijei e rolei para cima dele. Tirei a camisa e ele me abraçou forte. Afundou o rosto no meu peito e disse: “Gosto de você. Acho você muito legal”.

Sem saber ao certo o que estava sentindo, disse: “Ah, acho você muito legal também”.

Na vez seguinte que estive com Jack, ele passou a noite no meu apartamento. Foi então que, acordada na minha cama às 4 da manhã, me dei conta de que nunca tinha deixado um cara dormir em casa antes. O seu calor esquentava a cama, então fui discretamente até o banheiro para me refrescar. Mandei uma selfie desorientada para os meus amigos pelo Snapchat, despenteada e com os olhos vermelhos.

“Como vocês conseguem lidar com essa coisa de passar a noite juntos?”, escrevi. “Eu não consigo dormir de jeito nenhum”.

Em geral, meus casos com homens estranhos eram breves. Eles não ficavam olhando a minha banheira nem se interessavam pela minha formação acadêmica antes do sexo, e depois eles não se demoravam a ficar.

Voltei para a cama, incomodada pelo trovão do seu ronco, mas o seu rosto adormecido no meu travesseiro me tocou. Pela primeira vez, a ideia de compartilhar a cama com um homem não era fruto da minha imaginação. Agora eu tinha uma imagem real desta fantasia; podia fingir que Jack era meu namorado, pegar no seu rosto e sussurrar: “Amo você, boa noite”, depois adormecer e encontrá-lo em algum lugar nos seus sonhos como se tivéssemos feito isto umas cem vezes antes.

No dia seguinte, ele viajou para visitar a família para as festas de fim de ano e as primeiras semanas do ano novo.

“feliz natal”, escrevi.

“pra você também, querida”, respondeu.

Depois da nossa noite juntos, não ouvi mais falar nele a não ser que eu tomasse a iniciativa – uma mudança inesperada, em vez de ceder à minha insegurança e achar que a noite juntos tivesse significado muito pouco para ele, e portanto que eu significava pouco, eu imaginei outros cenários: ele me pedindo para dormir na casa dele, para variar, ou espontaneamente ligando para mim enquanto eu estava na fila para comprar o meu café da manhã. Mas como eu supus um relacionamento baseado somente no sexo para começar, fiquei envergonhada por alimentar estes sentimentos.

“sinto sua falta”, ele escreveu numa manhã.

“verdade?”

Ficamos em contato e ocasionalmente nos víamos, com algumas semanas entre os encontros. Em uma manhã quente, ele roncou atrás de mim enquanto estava sentada no chão ao lado da minha cama, trabalhando na minha tese. Ele colocou a mão no meu rosto, para que eu percebesse que ele estava acordado. Sem tirar os olhos da tela do laptop, peguei a sua mão e dei beijinhos na palma, deliciada por estas alegrias tão comuns – o tipo de carinho que aos poucos me senti confortável em demonstrar.

Querendo ser mais do que um caso para ele, procurei uma terapeuta para me orientar em relação aos meus crescentes sentimentos.

As mensagens periódicas de Jack de “sinto sua falta” continuaram, agora com emojis de coração, uma intimidade sem precedentes. E eu retribui o sentimento. Eu me sentia feliz por expressar a minha adoração de modo tão direto, até que as semanas entre um encontro e outro e troca de mensagens transformaram-se em meses de silêncio.

Recorri ao Grindr como o meu porto seguro porque namorar sendo trans é muito complicado. Transar sem compromisso era mais fácil para mim. A minha barra de exigência era muito baixa, e então conheci Jack, que me viu como alguém que é mais do que um corpo, apenas para ter sua saída misteriosa ecoando uma insegurança incipiente que eu evitara durante anos: ser trans implica que eu não sou suficientemente real para merecer um tratamento decente.

Desmoronei na terapia, procurando reunir a coragem de dizer em voz alta o que era inegavelmente a verdade: “Ele me deixou”.

“Não tenho intenção de culpar você”, disse a terapeuta, “mas acaso o fato de ele ser um homem cis e você uma mulher trans não teria influenciado?”

Não queria culpar o Jack, que me mostrou uma novo forma de carinho que fez com que o desejo fosse algo tão simples quanto quando um garoto e uma garota se gostam. Mas ele também tornou o abandono algo simples; tudo isto ainda não seria o suficiente.

Lá no fundo, neguei quanto minha mera existência de mulher trans poderia custar para ele. Jack, ao me cortejar, alimentou a possibilidade de que as minhas fantasias românticas pudessem se realizar, que eu  poderia ser vista como uma pessoa complexa em lugar de uma figura fetichizada da imaginação de alguém. Depois de ter sido abandonada por ele, ruminei sobre a minha insegurança de que sendo uma trans isso me negava até um simples adeus.

E, no entanto, eu sei que sou real porque a minha transição, quando adolescente, exigiu uma certeza excepcional. Os médicos e os psiquiatras perguntavam constantemente sobre a minha decisão.

“Sim, tenho certeza”, eu repetia, e me tornei mais real a cada ano. Com Jack, eu me senti ainda mais real. Não só ele me viu como uma mulher, mas como uma mulher que vale a pena ter.

Podia me culpar por ser trans pelo desaparecimento de Jack, mas talvez não tivesse nada a ver com isto. Talvez ele odiasse o seu emprego. Talvez a sua família tenha se desmantelado. Talvez o prazer que sentimos juntos tenha sido o contraste de alguma dor que carregávamos.

Nos dias de solidão, eu me imagino no SUNY Potsdam. Em uma festa de fraternidade, eu danço meio bêbada na direção de Jack, com luzes azuis baratas roçando as curvas dos nossos rostos, o suor pingando como vaga-lumes. Sweet Caroline de Neil Diamond berra na festa. “Os bons tempos nunca pareceram tão bons”, todos gritam. “Eu estava inclinada a acreditar que nunca seriam”. Eu me vejo na lanchonete onde Jack e eu nos aproximamos ao mesmo tempo do buffet de saladas. Quando ele me vê, dá uns passos para trás e diz: “Você primeiro”, com um sorriso tão largo que eu precisaria de ambas as mãos para segurá-lo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA