Maju Coutinho é a primeira mulher negra a ocupar a bancada do Jornal Nacional

Jornalista sua esteia como apresentadora no telejornal neste sábado (16.02)

Maju Coutinho para a Vogue Brasil, em 2016 (Foto: Bob Wolfenson/Arquivo Vogue)

A jornalista Maria Julia Coutinho, conhecida como Maju Coutinho, passará a integrar o time fixo de apresentadores do Jornal Nacional da Rede Globo a partir do próximo sábado (16.02), de acordo com a colunista Patrícia Kogut do jornal O Globo.

Maju será a primeira mulher negra na história a ocupar a bancada do telejornal desde sua primeira exibição, em 1969. Ela integrará a equipe que se alterna aos finais de semana. Trata-se de um fato histórico para o jornalismo brasileiro e um grande passo na questão de representatividade negra no país. 

A jornalista, que começou sua trajetória na emissora em 2007 como repórter de rua, ficou conhecida por sua forma arrojada de apresentar os boletins meteorológicos do programa. Ela também já havia sido apresentadora do Jornal Hoje e do SPTV e apresenta o Papo de Almoço, da Rádio Globo.

Maju e Naomi usam vestidos Herchcovitch;Alexandre e sandálias, Prada (Foto: Bob Wolfenson)

A jornalista já esteve nas páginas da Vogue Brasil, em 2016, para um editorial com personalidades brasileiras negras ao lado da top britânica Naomi Campbell.

Anúncios

Farmacy Kitchen: Camilla Fayed vai levar seu restaurante vegano para os EUA

De jet-setter a vegana convicta, a inglesa Camilla Fayed começa a construir um pequeno império com seu Farmacy Kitchen
Por Vitoria Moura Guimarães

Camilla posa no restaurante londrino (Foto: Divulgação)

Filha de Mohamed Al-Fayed, dono do Ritz Paris e ex-proprietário da Harrods, Camilla Fayed (que agora dispensa o “Al”) cresceu nos corredores da loja de departamentos. Figura conhecida no high society europeu, jet-setter com passaporte carimbado nos quatro cantos do mundo e presença cativa das filas A dos desfiles mais importantes das fashion weeks, ficou próxima da turma da moda brasileira ao se tornar sócia investidora da Issa, extinta marca da niteroiense radicada em Londres Daniella Helayel, em 2011.

Em 2016, pouco antes de anunciar a venda da Issa, a herdeira surpreendeu a família e os amigos (que iam de Paris Hilton a Giovanna Battaglia) ao anunciar a abertura do Farmacy Kitchen no bairro de Notting Hill, pioneiro da cena vegan londrina. “Na época me chamaram de louca, mas sentia que poderia ajudar a mudar a vida das pessoas, assim como fiz com a minha”, conta à Vogue.

A transformação de sua alimentação, entretanto, foi bem anterior à abertura do restaurante, mais precisamente há dez anos, quando descobriu que estava grávida da primeira filha. Ela tinha 23. “Foi um momento de muita reflexão e quando comecei a repensar meu modo de vida e minhas escolhas.” Camilla encontrou no veganismo a resposta para seus questionamentos.“Me senti cheia de energia, comecei a dormir melhor, perdi peso e minha pele ficou mais bonita. Animais têm hormônios que são metabolizados pelo corpo quando os ingerimos. Me livrar deles foi essencial para chegar a um equilíbrio.”

O chá da tarde servido no Farmacy – 100% plant-based, sem lácteos e açúcar refinado (Foto: Divulgação)

Dois anos depois da inauguração do Farmacy, com o veganismo agora incorporado no vocabulário gastronômico da metrópole, o restaurante continua muito (e bem) frequentado – não espere conseguir uma mesa de cara. A receita do sucesso é o menu sugar free com acento multicultural (influência das suas origens – ela tem pai egípcio e mãe finlandesa – e das viagens que faz pelo mundo). Por lá, vale se deliciar com receitas como a salada Farmacy, que leva folhas verdes, avocado, goji berries e sementes e vem acompanhada de um shot poderoso das plantas medicinais ginkgo biloba, cúrcuma, centella asiática, garcínia e pepino; e como hambúrguer vegano à base de feijão-preto e cogumelos, servido com batata-doce frita, outro best-seller. Adicione aí bons coquetéis, vinhos orgânicos, música e um décor caprichado e eco-friendly, feito com materiais reaproveitados.

Tudo o que entra na cozinha vem da fazenda da própria Camilla, em Kent, a 30 minutos de Londres. Ela planta e cultiva legumes e cereais utilizando a técnica de “agricultura biodinâmica”, um tipo de agricultura orgânica que preza o respeito pelas estações e tem uma pitada de esoterismo. De lá, todos os alimentos partem em uma van elétrica rumo à capital. Provando que sua preocupação vai além da alimentação, Camilla também baniu o uso de plástico – tudo é armazenado em contêineres feitos de material reciclado.

O livro com as receitas de lá. (Foto: Divulgação)

Em julho do ano passado, a empresária lançou seu primeiro livro de receitas: Farmacy Kitchen Cookbook: Plant-based Recipes for a Conscious Living, uma contribuição ao movimento que ela endossa.

Sua atuação no universo vegano começa a ganhar corpo: além da inauguração de uma nova unidade do Farmacy em Londres, Camilla quer conquistar os Estados Unidos: uma filial em Los Angeles, meca do lifestyle saudável, está programada para o segundo semestre, seguida por um espaço em Nova York. “Sinto que essa é a minha missão”, decreta, citando a frase de Hipócrates que inspirou o nome do restaurante: “Que seu alimento seja seu remédio e que o seu remédio seja seu alimento”.

Pão fashion: conheça a boulangerie por trás do desfile de Jacquemus

O detalhe mais instagramado do evento? O pão fresquinho da Petit Grain que vinha junto com o convite
Por SOFIA FERREIRA (@SOFIACSF)

O pãozinho como  convite do desfile de Jacquemus no último domingo, 20, na semana de moda masculina em Paris (Foto: Reprodução Instagram @jacquemus)

No último domingo, 20 de janeiro, os convidados para o primeiro desfile masculino de outono/inverno da Jacquemus foram surpreendidos: ao contrário de um convite tradicional, Simon Porte Jacquemus enviou um pão caseiro envolto em um guardanapo de pano da grife com um bilhete com os detalhes de seu desfile. É claro que a imagem foi postada e repostada à exaustão no Instagram. 

A mesa posta no desfile de Jacquemus com as delícias da boulangerie (Foto: Reprodução Instagram @lepetitgrain)

Quer saber de onde vieram todos essas delícias? Da boulangerie mais fashionista do momento, claro. Liderado por Edward Dellung-Williams, a Petit Grain fica a poucos passos do restaurante Le Grand Bain – endereço também comandado pelo chef e que é hotspot em Paris (fica em Belleville, no 20º arrondissement). Por lá, pode-se encontrar pães integrais, doces e alguns bolos feitos com farinhas orgânicas e água mineral de uma das três fontes naturais de Paris.

Em tempo: o desfile foi uma espécie de almoço bem francês, com direito a mesas onde eram servidas as delícias da boulangerie. 

Por dentro da Le Petit Grain, em Paris (Foto: Reprodução Instagram @lepetitgrain)

Cada vez mais ativista, Aline Weber conta como vai conciliar a vida de modelo com as causas sociais

Aline Weber dá sua voz às causas || Créditos: Divulgação

Aline Weber está entre as grandes modelos de sua geração. Conhecida pelos closes em campanhas para as grifes mais bombadas do mundo, neste momento a catarinense tem se dedicado e muito ao ativismo social e ecológico e deseja usar sua influência, conquistada ao longo de 15 anos de carreira, para levantar questões importantes sobre a relação com o meio ambiente e proteção aos animais. Inclusive, Weber já deu entrada em uma petição em Nova York pela preservação da Floresta Amazônica. Também já esteve no Kuarup, o principal festejo dos índios do Xingu, onde ficou dez dias dormindo na tribo para conhecer a relação deles com a natureza e reforçar cada vez mais sua luta pela causa dos animais. Em entrevista ao site Glamurama, ela entrega um pouco mais sobre esta empreitada.

Glamurama – Você começou a carreira de modelo aos 14 anos e foi para o mundo. Desde sempre esteve ligada com os animais e o meio ambiente?
Aline – “Desde criança fui muito ligada aos animais. Tinha gato, cachorro e sempre que ia para o interior visitar minha avó, adorava brincar na natureza e com os animais que tinham por lá.”

Glamurama – Quando percebeu que precisaria se manifestar sobre as questões que envolvem o meio ambiente e a proteção aos animais?
Aline – “Foi quando comecei a viajar pelo mundo que percebi a importância da preservação, da proteção aos animais de rua, e como tudo é interligado. Cada coisa que fazemos terá um impacto maior lá na frente.”

Glamurama – Conte um pouco sobre a petição que deu entrada em Nova York pela preservação da Floresta Amazônica.
Aline – “Iniciei um protesto pela proteção da floresta Amazônica junto com duas amigas. Lá ficamos o dia todo recolhendo assinaturas das pessoas que passavam pela Union Square. Começamos com poucos participantes no protesto e no final do dia já estávamos com muita gente. Foram três mil assinaturas, além da repercussão que teve nas redes sociais. Isso aconteceu durante a Semana de Moda de NY, época de intensa circulação de pessoas pela cidade (mais do que o normal). Aproveitamos o momento para protestar contra o decreto do governo que liberava uma grande área da Amazônia para exploração mineral.”

Glamurama – Qual a melhor forma de incentivar mais pessoas às causas?
Aline – “A melhor forma é explicar, dividir informações. Por exemplo, as atitudes do dia a dia tem um impacto muito grande no meio ambiente e no mundo, como o uso de plástico, que demora uma média de 450 anos para se decompor. Já existem pesquisas que falam que se continuarmos a usar tanto plástico (canudos, sacolas de supermercados, garrafas) em 2050 teremos mais plástico nos oceanos do que peixes. Um levantamento da ONU mostra que 80% de todo o lixo marinho já é composto por plástico. Com pequenas mudanças podemos reverter a situação.”

Glamurama – Para uma pessoa leiga nos assuntos, qual a melhor forma de começar?
Aline – “Em casa. Mudar alguns hábitos no dia a dia e dividir informações com pessoas próximas como amigos e família.”

Glamurama – Como foi sua experiência ao participar do Kuarup. O que você levou de mais valioso e como aplica na sua vida?
Aline – “Passei 10 dias com eles, comendo a mesma coisa que eles (exceto carne, pois sou vegetariana), dormindo em redes e interagindo com a comunidade. Foi uma experiência muito rica e o que eu levo deles e reforço ainda mais nos meus posicionamentos é o respeito com a natureza, como a tratam de forma nobre, só tirando dali o que precisam.”

Glamurama – Você continua com sua carreira de modelo?
Aline – “Continuo com minha carreira de modelo transitando na maior parte do tempo entre Nova York [onde mora há mais de 10 anos] e Brasil. Na moda quero estar cada dia mais aliada a trabalhos que dialoguem com a forma que penso e ajo: consumo consciente, produção inteligente que respeite o meio ambiente… Acredito que a moda esteja levantando pautas importantes que refletem aquilo que a sociedade vive. Sabemos que se não nos atentarmos agora ao modo como tratamos a natureza, as consequências serão preocupantes.”

Glamurama – Quais os planos para 2019?
Aline – “Meu plano para 2019 é continuar no trabalho que amo e cada vez mais tentar coincidir a moda com o que acredito. Também quero melhorar como ser humano, no sentido de me conectar mais espiritualmente fazendo yoga e meditação. Quero ajudar no que for possível em relação ao planeta e meio ambiente, dividir e compartilhar conhecimento em busca da proteção ambiental e animal. E, por último, pretendo viajar bastante. Estou planejando minha próxima viagem para Índia ou Tailândia. A cultura deles é muito rica e eu adoraria fazer um retiro de Yoga e meditação nesses países.”

Por que asiáticos não conseguem dizer ‘eu te amo’?

Para eles, é mais importante demonstrar o afeto com sacrifício e gratidão
Viet Thanh Nguyen, The New York Times

Sandra Oh, na cerimônia da premiação do Globo de Ouro no dia 6 de janeiro, expressou seu amor pelos pais, um momento muito marcante para os asiático-americanos. Foto: Reuters

“Eu te amo” é uma frase de difícil expressão para asiático-americano. O título surpreendente do livro de memórias do escritor Lac Su é I Love Yous Are for White People: A Memoir (‘Eu te amo’ é para os brancos: uma biografia, em tradução livre), explora a devastação emocional que minou uma família vietnamita em suas experiências como refugiada. Tenho em parte a mesma formação de Lac Su, e de fato tem sido um esforço ao longo de toda a minha vida aprender a dizer, sem acanhamento, “eu te amo”. Posso fazê-lo para o meu filho, e é algo que afirmo de todo o coração, mas é um esforço que vem da minha consciência, e que ainda sinto quando digo isso ao meu pai ou irmão.

Por isso, quando a atriz Sandra Oh ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz pelo seriado Killing Eve, a parte mais emocionante de seu discurso de aceitação, para muitos de nós asiático-americanos, foi talvez o agradecimento que ela fez aos pais. Dirigindo-se a eles, na plateia, ela disse, em coreano: “Amo vocês”. Sandra estava emocionada, os pais, orgulhosos, e eu não pude deixar de projetar neles um dos dramas fundamentais da vida de imigrante e refugiado asiático: o sacrifício silencioso dos pais, a difícil gratidão dos filhos, que giram em torno da complexa expressão do amor.

Tantos dos nossos pais asiáticos lutaram, sofreram e suportaram coisas que estão além da imaginação dos filhos nascidos ou criados no conforto da América do Norte. Para os pais, esse sacrifício estava em dizer “eu te amo” sem precisar dizê-lo. E tantos de nós, filhos, tampouco precisamos dizê-lo, e, no entanto, espera-se que expressemos o amor por meio da gratidão, o que significa obedecer aos pais e atender aos seus desejos.

Muitos de nossos pais nos recomendaram que escolhêssemos uma boa formação, um bom emprego e que não comentássemos as coisas que eles tiveram de fazer para sobreviver. Eles encorajaram, ou forçaram, muitos de nós a nos tornarmos médicos, advogados e engenheiros, e a nos sentirmos envergonhados se não fizéssemos isso. 

O que esses pais não fizeram foi nos dizer que poderíamos nos tornar artistas, atores ou contadores de histórias, pessoas dedicadas a profissões aparentemente triviais, inseguras e instáveis. É por isso que tem sido tão raro para mim, quando dou palestras em diferentes lugares dos Estados Unidos, encontrar pais asiáticos que abracem seus filhos que não vão se tornarão “uma minoria modelo”.

Conheci poucos que me disseram com orgulho que seus filhos vão se tornar professores de inglês, ou se tornaram escritores ou artistas. Talvez os pais de Oh sejam esse tipo de pessoas. Às vezes desejo que meus pais fossem assim. Mas eu me tornei escritor apesar e, talvez, por causa da resistência à ideia, porque meus desejos não exteriorizados conflitavam com seu sacrifício não articulado. Tudo isso ocorre contra o pano de fundo de uma existência de exilados.

Eu cresci na cidade relativamente diferente de San José, Califórnia, nos anos 1980. Meus vizinhos eram gente mais velha da classe trabalhadora branca, imigrantes mexicanos e refugiados vietnamitas. Frequentei o ensino médio cercado majoritariamente por brancos, com apenas um punhado de estudantes de ascendência asiática. Nós sabíamos que éramos diferentes, mas achávamos um pouco difícil traduzir em palavras a nossa diferença. Nós nos definíamos “a invasão asiática”.

Ríamos do termo, mas, olhando para trás, estava claro que havíamos interiorizado o racismo da sociedade americana. No meu caso, tive a sorte de nunca ter recebido na cara um insulto racista. Mas todos sabíamos que, de algum modo, éramos vistos pelos outros americanos como invasores de seu país, mesmo que este fosse também o nosso país. A ironia está no fato de que nós não invadimos os Estados Unidos. Os Estados Unidos é que nos invadiram. Nós estávamos aqui porque os EUA haviam estado lá.

O que só percebi tardiamente foi que precisava – todos precisamos – de mais histórias que falassem da nossa experiência. Mais vozes pertencentes a pessoas como nós. Mais defensores contando as nossas historias à nossa maneira com os nossos rostos, as nossas inflexões, as nossas preocupações, as nossas intuições. Nós precisávamos estar no centro da história, o que incluiria todas as complexidades da subjetividade humana, não apenas as boas, mas também as más, a plenitude tridimensional que as pessoas brancas consideravam sua exclusividade com o privilégio de serem indivíduos.

Quando a imprensa começou a nos representar – no cinema e na televisão, com as piadas dos DJs nos programas matinais de rádio, os jornalistas sabichões -, só éramos os maus. Éramos coletivamente os vilões, os empregados, os inimigos, as prostitutas, os moleques de recados, os invasores.

Consequentemente, muitos de nós que observávamos essas imagens distorcidas e ouvíamos as piadas imbecis aprendemos a nos envergonhar de nós mesmos. Aprendemos a ter vergonha dos nossos pais. E a vergonha se somava à incapacidade de dizer “eu te amo”, uma frase que pertencia ao mundo maravilhoso dos brancos que víamos no cinema e na televisão.

Precisávamos aprender mais, mas a verdade é que os pais asiáticos também precisam saber mais. Não podemos ter orgulho dos nossos artistas e dos nossos filhos contadores de histórias somente quando eles ganham Globos de Ouro. Honramos seu sacrifício por nós, mas também é preciso encorajar os filhos a se manifestarem, a reivindicarem a própria voz, a correr o risco da mediocridade e do fracasso, a contarem suas histórias e as nossas histórias. Pelo menos não os impeçam.

Um colega do ensino médio que nos anos 1980 vivia na elite de Saratoga, cidade de maioria branca na Califórnia, contou que quando os asiáticos começaram a chegar – os “bons” profissionais asiáticos -, os brancos trataram de se mudar. Não importa quão grande terá de ser o sucesso dos asiáticos-americanos, ele não mudará esta dinâmica dos brancos que temem que nós sejamos os invasores asiáticos – temem que tiremos seus empregos, roubemos seus lugares no colégio da elite – a não ser que contestemos o racismo implícito e explícito.

Ainda somos a invasão asiática para muitos, e se não somos tão assustadores como éramos no passado, é pelo menos em parte porque hoje muitos americanos brancos têm mais medo da invasão muçulmana, mexicana e centro-americana. Muitos que talvez não desejassem ser nossos vizinhos, ao menos nos prefeririam aos afro-americanos.

Não podemos aceitar isso como o pedágio que temos de pagar para ingressar na sociedade americana. Se devemos nos afirmar e falar contra o racismo dirigido contra nós, precisamos também fazer isso quando ele nos beneficia. E nós o fazemos desafiando e mudando a história americana, subindo ao palco e contando as nossas próprias histórias, e esta é, na realidade, nossa maneira de dizer, “eu amo vocês” aos nossos pais, às nossas famílias, às nossas comunidades e ao nosso país.

Viet Thanh Nguyen é autor do livro The Refugees, publicado recentemente, e editor de The Displaced: Refugee Writers on Refugee Lives. Ele é professor de inglês na Universidade do Sul da Califórnia.

Halston vai ter sua vida contada em série de diretor de “O Assassinato de Gianni Versace”

Estilista ícone dos anos 70 e 80, Halston será vivido por Ewan McGregor

Halston e suas musas na Vogue americana em 1972 (Foto: Duane Michals/Reprodução)

Ícone da moda americana nos anos 70 e 80, habitué do Studio 54 ao lado de personagens lendárias como Liza Minnelli e Bianca Jagger e tão controverso quanto adorado, Halston terá sua vida retratada em uma minissérie estrelada por Ewan McGregor. 

Ainda sem data para começar as filmagens ou emissora responsável pela transmissão, Simply Halston tem roteiro assinado por Sharr White (The Affair) e direção de Dan Minahan (American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace). McGregor, White e Minahan atuam também como produtores executivos e as gravações serão encabeçadas pela Killer Films. 

Roy Halston Frowick, nome de batismo do estilista, começou sua carreira no métier dos chapéus e se tornou um dos milliners mais concorridos de Nova York, com ateliê na Bergdorf Goodmans – Jackie Kennedy usou uma de suas criações para a posse de JFK. Depois de uma mentoria de Charles James, célebre couturier americano, Halston criou seu próprio ateliê em 1968 e logo caiu nas graças das mulheres mais influentes e elegantes dos Estados Unidos – Anjelica Huston, Lauren Bacall, Margaux Hemingway, Elizabeth Taylor, para listar algumas. 

Em 1973, a grife foi vendida à Norton Simon Inc., o que deu início a mudanças irreversíveis na trajetória do designer. Em 1978, o antigo ateliê foi substituído por um andar inteiro no Olympic Tower, um edifício de 51 andares que traduzia a grandeza que a marca havia tomado. Noitadas, dependência química e boatos gravitavam em torno do estilista, que, em 1984, foi completamente desligado da companhia que havia criado e que levava seu nome – a decisão surgiu após reviravoltas na propriedade da marca, que acabou como parte do conglomerado Esmark Inc., onde foi subsidiária da International Play-tex, empresa que produzia, majoritariamente, sutiãs. 

Revoltado, Halston abandonou a criação de moda e viveu em uma espécie de exílio até sua morte, em março de 1990, por complicações decorrentes da AIDS. Ele tinha 57 anos e estava internado no Pacific Presbyterian Medical Center, em São Francisco. Mais sobre sua vida pode ser descoberto no livro Simply Halston: The Untold Story, de Steven Gaines, uma das obras-referência para a série a ser lançada. 

Customização: marca B You personaliza roupas que estão paradas no armário

A B You é uma empresa nova especializada em customizar peças de roupa segundo a personalidade dos seus clientes.

O colete desta imagem foi uma dessas personalizadas pela B You (Foto: Divulgação)

Quem está sempre ligado em moda sabe que a sustentabilidade também ganhou espaço (com razão) no cenário fashion. Ela apareceu ali de diversas formas, entre reutilização de materiais, aumento do número de compras em brechós e, claro, customização de peças antigas.

Uma forma de você dar vida nova para uma peça de roupa que já não tem mais tanto espaço no seu guarda-roupa é reformando aquele item para deixá-lo mais atual e com a sua cara. Esse, aliás, foi o motivo pelo qual a marca B You foi criada este ano.

“A B You carrega a ideia de que cada trabalho é pensado com cuidado para juntar a vontade e a personalidade da cliente”, explica Júlia Tavares, sócia da empresa, que se encarrega de fazer essa customização também em peças recém-compradas.

A ideia para o negócio surgiu da própria Júlia, mas ela não é a única que colocou o sonho em prática. Ela se uniu com três amigas, Luana Lopez, Júlia Sallum e Bia Oliveira, e o grupo tirou a ideia do papel em Ribeirão Preto, sua cidade natal. “É como se fosse uma extensão do que nós somos uma para a outra”, diz Bia sobre o empreendimento.

O serviço é totalmente personalizado: com profissionais capacitados e que trazem novas informações de moda, cada peça apresentada pelos seus clientes ganha nova vida. E todo esse cuidado começa desde o primeiro contato com a marca.

Já pensou em ter uma peça do seu guarda-roupa totalmente reformada? (Foto: Divulgação)

“Nós marcamos um horário e durante um papo descontraído conhecemos melhor o nosso cliente e tentamos tirar o máximo de informação. Após o bate papo, é feito um croqui para aprovação e depois de alguns dias a entrega do produto”, explica Luana.

A ideia é que os clientes não só sejam muito bem atendidos e saiam desse relacionamento com uma peça incrível para o seu guarda-roupa, mas que um look tem tudo a ver com transparecer a sua personalidade e quem você é de verdade. [Marie Claire]