Membros da família Gucci expressam preocupação sobre ‘House of Gucci’: ‘Estão roubando nossa identidade para obter lucro’

Patrizia Gucci também demonstrou incômodo com a escalação do elenco

Adam Drive e Lady Gaga em “House of Gucci” Foto: Divulgação

Os herdeiros da Gucci expressaram suas preocupações sobre como “House of Gucci”, filme estrelado por Lady Gaga e Adam Driver, irá representá-los. Os bisnetos do fundador do império da moda Gucci, Guccio Gucci, apelaram ao cineasta Ridley Scott para que respeite o legado da família no longa. A informação é do jornal Daily Mail.

O filme é baseado  num livro que conta a história sobre o assassinato de um dos netos de Gucci, Maurizio, em 1995, e o subsequente julgamento e condenação de sua ex-mulher. A personagem de Lady Gaga, Patrizia Reggiani, está no centro da história e cumpriu 16 anos de prisão por encomendar a morte do cônjuge.

Uma das primas de Maurizio, Patrizia Gucci, está preocupada que o filme vá além de uma história baseada em fatos e comece a se intrometer na vida privada da família.

“Estamos realmente desapontados. Falo em nome da família”, ela disse. “Eles estão roubando a identidade de uma família para ter lucro, para aumentar a renda do sistema de Hollywood… Nossa família tem uma identidade, privacidade. Podemos conversar sobre tudo. Mas há uma fronteira que não pode ser ultrapassada”.

Patrizia afirmou que procurou a esposa de Ridley Scott, Giannina Facio, para esclarecimentos sobre o escopo do filme, mas não recebeu qualquer resposta.

Giannina se reuniu com membros da família Gucci no início dos anos 2000 para discutir outro projeto que deveria se concentrar nos papéis do pai de Patrizia Gucci, Paolo, e do avô Aldo, na expansão da marca para nível global.

Guccio Gucci fundou a casa de moda de luxo que leva seu nome há quase um século, em Florença. Os Guccis não são a primeira família italiana da moda a lutar contra representações nas telonas. A família Versace divulgou um comunicado em 2018 sobre a temporada de American Crime Story, de Ryan Murphy, que tratava do assassinato do fundador Gianni Versace, dizendo que a série de TV não foi autorizada e deve ser considerada “uma obra de ficção”.

Patrizia disse que sua família decidirá quais ações irão tomar depois de ver o filme e ainda reclamou sobre a escalação do elenco que, segundo ela, não corresponde com o perfil físico dos seus parentes.

“Meu avô era um homem muito bonito, como todos os Guccis, e muito alto, olhos azuis e muito elegante. Ele está sendo interpretado pelo Al Pacino, que já não é muito alto, e essa foto (feita por um paparazzi) o mostra gordo, baixo, com costeletas, muito feio… Vergonhoso, porque ele não se parece em nada com ele”, adverte.

Eles moram sozinhos, e contam como tem sido a experiência do isolamento

Práticas de autocuidado incluem filmes, livros, Agatha Christie, exercícios, plantas e novos hobbies
Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo

Orias Elias
Orias Elias vê filmes clássicos e conversa com Cheeba, sua fox paulistinha Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Não é simples contradizer a fina sabedoria de um mestre como Tom Jobim, mas, embora existam coisas que só o coração pode entender, é possível, sim, ser feliz sozinho. Vou te contar…

Com a experiência acumulada de um ano pandêmicopessoas que moram sozinhas aprenderam a viver em paz (dentro do possível em um cenário como o nosso), inventaram distrações, criaram hobbies, se engajaram em estudos ou no trabalho.

O ator e diretor de teatro Orias Elias, 62 anos, venceu o tédio dos dias repetidos dentro do apartamento na companhia de filmes e livros. O acervo de clássicos americanos dos anos 50, como Palavras ao Vento (com Rock Hudson e Lauren Bacall) e os filmes noir com Humphrey Bogart são os preferidos de Elias. 

“Adoro o cinema americano, os melodramas e os filmes mais leves. Preparo o ambiente e passo um bom tempo com meus filmes”, falou Elias. Além dos filmes, Orias investiu na compra de 25 livros da Agatha Christie, autora de romances policiais. “Não deixar esse momento da nossa vida dramático tem relação com valorizar o que se tem, com o cultivo de pequenos hábitos que nos trazem conforto”, completou.

De casa, Orias produz conteúdos para o YouTube, decora textos para futuros espetáculos e conversa muito ao telefone com amigos e colegas de trabalho. Ainda assim, se a solidão bate um pouco mais forte, ele tem a Cheeba para consolá-lo. “É uma fox paulistinha de 12 anos. É um ser vivo com quem converso e tenho cuidados. É uma companhia que ajuda muito neste período”, confessou. Quando a necessidade de “respirar” se faz presente, Orias sobe para o terraço do prédio onde mora – onde faz exercícios, toma sol e aprecia a paisagem.

A publicitária Luana Rodrigues Segatto, 32 anos, mora sozinha e neste período pandêmico encontrou no próprio apartamento razões para se sentir bem. “No começo da pandemia, existia essa sensação de viver uma mini férias, mas com o tempo passando, e a pandemia se agravando, fui entendendo que a vida não poderia parar”, disse Luana.

Luana começou a criar uma relação com seu apartamento. Ela encontrou formas de se identificar mais com o ambiente em que vive. “Enchi a casa de plantas. Busquei encontrar prazer em pequenas coisas. Minha casa ficou mais viva”, afirmou. 

Outra estratégia de Luana foi criar uma rotina que envolve acordar no mesmo horário, preparar seu café da manhã, cozinhar, fazer pausas no trabalho, se exercitar e acompanhar aulas de dança online. “A convivência comigo mesma tem sido uma descoberta muito boa. Também sou solteira. E isso ajuda neste momento. É um processo de autoconhecimento”, comentou. 

Luana Segatto
Luana Segatto passou a ter uma outra relação com sua casa, que ficou mais viva com as novas plantas Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Morar sozinho, e se sentir bem com isso, não é um privilégio dos mais jovens. O aposentado gaúcho Zózimo Luís de Oliveira Padilha, 87 anos, mora sozinho desde que perdeu a companheira de uma vida inteira, a Yara (com quem foi casado por 62 anos). “Depois de morar com a mulher que morei, não teria coragem de dividir uma casa com mais ninguém”, confessou.

Embora conte com todo apoio da família, Padilha preferiu morar sozinho – mesmo com as dificuldades de um ano de pandemia. É torcedor do Grêmio e leitor de livros espíritas e de obras de escritores como Isabel Allende e Gabriel García Márquez. “Eu me mantenho informado, atualizado e estou sempre em contato com as minhas filhas”, disse. “Já tomei as duas vacinas, mas continuo tomando todos os cuidados. Faço exercícios, ando pelo condomínio, e bebo muita água. “Faço tudo para estar bem e lúcido”, completou.

Padilha contou que as aulas de informática foram fundamentais para o sucesso do seu isolamento. “Tive essa sorte de aprender a mexer em tudo. Eu tive até Orkut, lembra dele. Hoje, tenho Instagram e fico ligado em tudo”, afirmou.

Já a gestora de projetos Bia Ferreira, 39 anos, vive em um apartamento de 30 m² no Catete, no Rio de Janeiro. No começo da pandemia, ela viu três trabalhos irem por água abaixo. “No início, eu me senti sozinha e com medo. Mas percebi que tinha algum dinheiro guardado e poderia me organizar. Comecei a imaginar novos projetos”, contou.

Sozinha em casa, viu o impulso criativo e o trabalho aumentarem. Emplacou projetos de marketing político e de caráter social – transformando-se em sócia de uma empresa. “Tenho trabalhado muito, fiz novos amigos e consegui manter minha saúde mental. Muitas portas foram abertas. Mesmo morando sozinha, tenho a sensação que estamos vivendo 20 anos em um”, lembrou.

O advogado Thiago Bernardo da Silva, 36 anos, também tem se virado bem no período. O segredo dele é manter uma certa rotina e evitar as armadilhas de “dormir depois do almoço” ou de “beber quase todos os dias”. Thiago tem acompanhado o noticiário sobre a covid de forma controlada e tentando não se expor excessivamente às más notícias. “Tento zerar a ansiedade e as preocupações. Faço exercícios, estudo inglês e mantenho contato profissional e com os amigos por telefone e meios digitais. Fora ter aprendido a cozinhar, assistir Netflix, Amazon…”, enumerou.

Mas o segredo para viver em paz sozinho foi ter descoberto um hobby. “Comprei uma vitrola e agora fico escutando discos de jazz, blues, MPB… Penso em coisas positivas e tento relaxar”, disse. Os discos e a distração ajudaram quando, no Natal, Bernardo pegou covid. “Claro, tive meus momentos de negatividade. Não recomendo, mas fui melhorando aos poucos e hoje estou muito bem”, completou. 

Autocuidado na pandemia

A psicóloga Desirée da Cruz Cassado, da The School of Life, aponta que “viver sozinho é diferente de ser sozinho”. “Sabemos que as pessoas estão mais vulneráveis, que somos seres gregários e que regulamos nossos comportamentos a partir do olhar do outro”, disse.

Para Desirée, as pessoas que moram sozinhas e estão passando bem por esse período pandêmico são “competentes em se ‘regular’ por elas mesmas, são pessoas que conseguem se engajar em comportamentos de autocuidado mesmo sem um grupo por perto”, disse.

A psicóloga completa dizendo que “as pessoas estão podendo olhar mais para dentro delas mesmas”. “A nossa atenção, antes da pandemia, se dividia entre as coisas de dentro e as coisa de fora. Agora, nosso pêndulo está para dentro, estamos cultivando a solitude e a boa introspecção”, afirmou. 

À frente do ‘Jornal Hoje’, Maju Coutinho reflete sobre os desafios de ocupar o posto em tempos de crise sanitária e turbulências políticas

Apresentadora fala também sobre infância, casamento e relação com o cabelo: ‘Estou numa relação de amor profundo’
Mariana Weber

Maju Coutinho Foto: Cassia Tabatini; styling Larissa Lucchese
Maju Coutinho Foto: Cassia Tabatini; styling Larissa Lucchese

Quando criança, Maju Coutinho brincava de ser o que é. Pilão virava microfone, mesinha servia de bancada de telejornal, miojo fazia as vezes de prato de programa de receitas. A menina cresceu, estudou Jornalismo, tornou-se repórter e apresentadora. Realizou tudo aquilo que imaginava, com exceção da parte da culinária — “Minha relação com a cozinha não é amigável”. O que não imaginava é que, aos 42 anos, seria a âncora do “Jornal Hoje” em um momento sem precedentes de crise sanitária, tensão política e proliferação de fake news. “É um desafio e tanto.”

E também um lugar exposto a ataques. “Eu me sinto às vezes em um looping em que não tenho muito sossego”, diz. Em março, Maju foi criticada por comentar “o choro é livre” ao discorrer sobre a necessidade de isolamento social no pico da pandemia. Voltou ao ar para se desculpar pela “expressão infeliz”. “Eu não estava de maneira nenhuma querendo me referir às pessoas que têm que sair para trabalhar, aos milhares de brasileiros que estão passando necessidade, que não recebem auxílio”, explica. “Fiz Jornalismo para lutar pela vida melhor de todos.” Os ataques também podem vir na forma de fake news. Como em fotos da jornalista na Praia do Leblon sem máscara que circulam nas redes — tiradas em 2019, antes de se falar em Covid. Ela até faz graça: “Gente, eu sou sustentável, mas há três anos que apareço com o mesmo biquíni!”

Já as postagens racistas de que foi alvo em 2015 tiveram como resposta uma ação judicial — que levou à condenação de dois acusados no ano passado. “Para quem está acostumado a sofrer racismo desde pequena, apesar de ser uma coisa horrorosa não é algo que derrube, porque você já está meio com a casca dura de levar no lombo”, diz. “Não significa que eu não sofra.” O apoio dos colegas e do público, com o movimento #somostodosmaju, ajudou a passar pelo caso, assim como a terapia que faz desde a época de faculdade. Também foi fundamental a formação que teve em casa. “Tive pais ligados ao movimento negro, muito conscientes.”

Maju Coutinho: equilíbrio perfeito Foto: Cassia Tabatini
Maju Coutinho: equilíbrio perfeito Foto: Cassia Tabatini

Filha de professores, Maju cresceu na Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo, em uma família de classe média baixa. “Tive uma infância normal, boa, com comida em casa, estudei em escola particular, viajei.” Para ela, é preciso tomar cuidado com os rótulos de sofredora, batalhadora e vencedora. “É uma armadilha, em dois sentidos. Primeiro porque você vende que só podemos sair de uma condição, e não é verdade, apesar de ainda sermos maioria nas classes pobres. Depois, porque vende a questão da meritocracia: se a Maju conseguiu todas conseguem. Mas eu já saí de um patamar distante de outras meninas negras. O que não significa que elas não possam chegar, mas talvez tenham um caminho mais duro.”

Elas têm, pelo menos, um exemplo diário na TV. E mandam fotos para a apresentadora, mostrando seus cabelos parecidos com os dela. “É um impacto muito bacana. Já valeu a vinda.”

Maju: à frente do do Jornal "Hoje" Foto: Cassia Tabatini
Maju: à frente do do Jornal “Hoje” Foto: Cassia Tabatini

A seguir, trechos da conversa que Maju teve por videoconferência a partir da sua casa no bairro do Campo Belo (SP), onde vive com o publicitário Agostinho Moura, 57 anos — os dois se conheceram na fila de um show e estão casados desde 2009.

O GLOBO: O “Jornal Hoje” está fazendo 50 anos. Como é assumir como âncora nesse momento tão desafiador para o jornalismo?

 Saí da previsão do tempo, em que dificilmente tinha um assunto muito pesado, e caí no “JH” no final de setembro de 2019. Então, passei poucos meses tranquila. E tranquila naquelas, porque a gente já tinha uma tensão política. Aí, em março de 2020, decretou-se a pandemia, com o jornal num horário estendido, de 45 para 85 minutos. Foi desafiante e ao mesmo tempo sinto um orgulho danado. Todo dia temos um esqueleto do que vai ser o jornal, mas enquanto apresento vão chegando notas, e vou entendendo o que está pegando no momento. É uma adrenalina.

Maju Coutinho Foto: Cassia Tabatini
Maju Coutinho Foto: Cassia Tabatini


Muitas pessoas comentam o mesmo: eu nunca imaginei passar por um momento assim. Como é transmitir isso quando você está no jornal?

É difícil. Ainda vou levar um tempo para digerir, porque agora estou na onda. E estou tentando me sustentar a cada dia, respirando, meditando, mas não tenho ainda clareza para fazer uma avaliação. Até falei no ar esses dias que parece aquele filme “Feitiço do tempo”, em que você está sempre no mesmo dia, mas com alguns detalhes mais macabros, as informações de morte escalando. É uma linha tênue. Não posso ser fria a ponto de ignorar o que está acontecendo nem ser dramática demais. Às vezes acerto, às vezes não, mas sinto essa corda bamba na comunicação de um negócio que é tão trágico que você também às vezes pode se anestesiar de tanto medo.

Como apresentadora negra, você ainda é minoria. Sente-se solitária?

Não tanto quanto há três anos. E a partir dos protestos antirracistas do ano passado, houve uma virada. Mas ainda tem um caminho pela frente. Já fico feliz de olhar para a tela e ver cabelos parecidos com os meus. Tento até disfarçar quando vai ao ar alguém parecida comigo, faço um sorrisinho de lado. Nunca tive isso. Glória Maria, Dulcineia [Novaes] e Heraldo [Pereira] eram praticamente os únicos, e não apareciam todos os dias. Estou diariamente entrando aqui com meu cabelo assim do jeito que é, cacheado, crespo.

Apresentadora enfrenta desafio diário Foto: Cassia Tabatini
Apresentadora enfrenta desafio diário Foto: Cassia Tabatini

Em um post no Instagram, escreveu “Meus cachos, minha vida”. Sua relação com eles sempre foi boa?

Não. Apesar de meus pais serem do movimento negro, minha mãe era uma mulher que alisava o cabelo. Olha, a Glória Maria foi mesmo corajosa, bato palmas, porque usou o blackzinho dela por muito tempo como repórter. Cresci vendo uma enxurrada de cabelos lisos e loiros. Não tinha consciência de que meu cabelo era assim. Minha mãe fazia trancinhas nele quando eu era pequena, depois alisei. Quando saiu a revista Raça, vi um cabelo todo trançado e pus trança. Aí tirei a trança e vi meu cabelo mais ou menos assim, mas ainda passava babyliss, que estragou os fios. Tive que colocar um aplique para eles crescerem. Agora que tirei e o cabelo está natural, estou numa relação de amor profundo. De entender quem ele é, como eu trato. Nunca tive isso antes.

Como era o envolvimento dos seus pais com o movimento negro?

Eles eram professores da rede pública — minha mãe coordenadora pedagógica, meu pai professor de português. Nos anos 1980, fizeram parte de um conselho de desenvolvimento da comunidade negra. Iam muito a reuniões, e eu ia junto. Isso foi importante na minha trajetória. Conheço outras pessoas que só se deram conta de que são negras quando chegaram à idade adulta. Eu não, já sabia desde que me entendo por gente, já fui colocada como negra pela família, no sentido de que nós somos uma comunidade. Quando nasci, minha mãe virou para uma amiga e falou: “Nossa, que medo, porque eu estou colocando uma mulher negra no mundo. Eu acho que vai ser muito difícil para ela”.

Quando foi alvo de ataques racistas (em 2015), você disse que já tinha criado uma casca dura. tinha sofrido isso em outros momentos da vida?

Desde pequena. Espero que as crianças que estão chegando agora encontrem um caminho diferente. Pequenininha, estudava em pré-escola particular e era a única negra, então a coleguinha achava que a minha casa, a minha comida, o meu xixi, tudo era preto. Hoje dou risada, mas para uma criança é dolorido. Tem também a questão de, quando se é negra como eu, com a pele mais escura, se é mais animalizada: macaco, essas coisas, é muito comum ouvir. Teve uma marcante, de um amigo-secreto, que hoje acho inimigo-secreto, mandar um bilhetinho: “Por que você não passa um condicionador nesse cabelo?”. Nesse nível. São essas coisas que fazem parte do racismo estrutural e que podem minar a confiança, a autoestima.

Maju: relação de amor com os cachos; Edição de moda: Patricia Tremblais. Beleza: Robson Jovino. Assistente de luz: Victor Cazuza. Digitec: Magu Mariotto. Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos. Coordenação de moda: Andre Puertas. Set Design: LSet. Tratamento de imagem: André Kawa. Agradecimentos: Estúdio Bob Wolfenson. Foto: Cassia Tabatini
Maju: relação de amor com os cachos; Edição de moda: Patricia Tremblais. Beleza: Robson Jovino. Assistente de luz: Victor Cazuza. Digitec: Magu Mariotto. Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos. Coordenação de moda: Andre Puertas. Set Design: LSet. Tratamento de imagem: André Kawa. Agradecimentos: Estúdio Bob Wolfenson. Foto: Cassia Tabatini

Tem vontade de ter filhos?

Nunca tive aquela vocação, aquele sentimento de ser mãe. Adoro crianças, as crianças gostam de mim. Meu marido tem dois filhos, né? Já é avô, inclusive, tem dois netinhos. Ele já tinha filhos adolescentes quando a gente se conheceu. E a gente se dá muito bem do jeito que a gente tá, então eu nunca tive essa supernecessidade de ser mãe. De repente, mude de ideia, adote ou engravide. Não estou falando que é um jogo fechado, mas no momento é isso.


Como está a sua rotina? Quem é você na pandemia?

Eu sou uma mulher monástica. Acordo cinco e pouco porque tenho que ler o máximo que eu puder de jornal, me inteirar, e tenho que me exercitar um pouco, então eu vou lendo numa bike aqui em casa. Quando dá para correr, saio. Chego na Globo às 8h15 e já começa: é fazer maquiagem acompanhando a reunião de pauta pelo celular, depois produzir várias chamadas. Então é me preparar, meditar três minutos e às 13h25 entro no ar e vou até às 15h. Chego às 15h com fome — acabei ganhando cinco quilos e tive que perder na pandemia, porque ano passado a gente ainda não estava habituado com essa tensão de ficar presa, então eu comi mesmo, comi doce, tudo. Vou para casa e, agora que tem o “Papo de Política” (na GloboNews), descanso um pouco e tento falar com as fontes para ter alguma coisa para o programa. E durmo cedo. Terminou o “JN” eu meio que já estou dormindo para dar conta.

Casal hetero de modelos trans embaralha conceito de gênero

Com identidades feminina e masculina trocadas, Lana Santucci e Estevan Vicent militam no cotidiano por uma representatividade positiva de transgêneros e travestis

A modelo Lana Santucci, que nasceu menino e virou mulher trans, namora há sete meses o tatuador Estevan Vicent, nascido menina, mas em processo de transição ao se assumir homem trans
A modelo Lana Santucci, que nasceu menino e virou mulher trans, namora há sete meses o tatuador Estevan Vicent, nascido menina, mas em processo de transição ao se assumir homem trans Divulgação / Álbum de família

Depois de sete meses de namoro, Lana e Vicent fazem planos de casar e ter filhos. Ela sonha com uma cerimônia tradicional, com pompa e circunstância, sendo levada pelo pai ao altar, envergando um vestido de noiva preto.

“Vai ser lindo, delicado”, diz a modelo Lana Santucci, 24. Assim como os detalhes do que irá vestir, ela também pensa no simbolismo da união dela, nascida menino e que aos 20 anos se assumiu trans, com Estevan Vicent, 26, menina de nascimento, mas que desde o ano passado iniciou processo de transição como homem trans.

“Eu sempre me relacionava com meninos gays que tinham pênis, agora namoro um menino que tem vagina”, explica Lana.

Identidades trocadas

Ela também se define como travesti, pois não pretende se livrar do órgão sexual masculino com o qual nasceu. Lana é legalmente mulher, trocou o RG e não revela como se chamava antes.

“É um nome morto, que morreu judicialmente quando todos os meus documentos foram retificados.”

A modelo, que já fechou desfiles de Alexandre Herchcovitch na São Paulo Fashion Week e integrou o elenco do reality show “Born to Fashion”, faz terapia hormonal há cinco anos.

“Tomo hormônios femininos, como estrógeno, e também bloqueador de testosterona”, relata a loura de 1m83, gestos finos e voz aveludada, filha de uma família de classe média paulistana, de origem húngara.

A sua cara metade ainda está em pleno processo de transição do feminino para o masculino. O tatuador e modelo comercial exibe um físico malhado em seu 1m63, estilo condizente com sua nova identidade de gênero.

Para ele, não tão nova assim. Desde criança, quando tinha cabelos longos e usava vestidos comprados pela mãe evangélica, Vicent diz se sentir um menino.

Como um casal trans e heterossexual, Lana e Vicent reafirmam que não vieram para confundir, mas para explicar e conscientizar, em um ativismo calcado no cotidiano.

“Somo um casal hetero, pois eu gosto de meninas, e ela, de meninos”, pontua Vicent.

Com paciência e didatismo, eles diferenciam conceitos de identidade de gênero (“O que eu sou? Homem ou mulher?”) de orientação sexual (“Quem eu amo?” , “Eu me apaixonei por um homem ou uma mulher?”, “Sou hetero ou homossexual?).

E vão respondendo todas as curiosidades: Lana é mulher, Vicent é homem; eles se amam; ela se apaixonou por um homem trans e ele, por uma mulher trans; o relacionamento dos dois é, portanto, hetero.

As questões se sucedem e são explicadas ora por ela ora por ele. “Também somos um casal transgênero por não nos identificamos com nosso sexo biológico, mas sim com um gênero diferente daquele que nos foi atribuído ao nascer”, define Lana.

Ou seja, ela nasceu com o órgão sexual masculino, o que levou os pais a registrá-la no cartório como pessoa do sexo masculino, mas assumiu identidade de gênero oposta.

Ainda assim, Lana deseja manter o órgão sexual biológico em sua versão feminina. “Nunca cogitei fazer uma cirurgia para retirar o pênis. Seria uma mutilação.”

Para Vicent, gênero é construção social desse sexo biológico. O que vai além, enfatizam ambos, das distinções anatômicas, como genitálias e aparelhos reprodutivos, que definem o sexo masculino ou feminino.

Em seus perfis nas redes sociais, as duas metades do casal chamam atenção pela beleza dela, ao mesmo tempo forte e delicada, e as tatuagens e o rosto marcante dele.

Lana mora em São Paulo e Vicent ainda vive com os pais em Itajaí (SC), onde nasceu. Estão separados por 695 km, mas por pouco tempo. Planejam morar juntos e casar no futuro, com a benção das respectivas famílias.

“Eu aqui com o útero coçando e minha sogra fazendo sapatinhos de bebê, socorro!”, escreveu Vicent no Twitter, onde depois comemorou o fato de a mãe tê-lo tratado pela primeira vez pelo pronome masculino ele. “Hoje nada vai estragar o meu dia, amém”.

Lana também faz desabafos nas redes sociais, mandando recado para a galera que acha que trans é só trans, quase uma profissão.

“Amada, formada em moda, trabalho como modelo, já fiz SPFW, Casa de Criadores, duas campanhas pra M.A.C, desfiles de temporada da À La Garçonne e Renner”, enumera. Saiu na revista “Elle” três vezes e também na “Vogue” portuguesa.

A militância se dá ainda pelos fato de os dois se colocarem como transexuais para desmistificar a disforia de gênero, desconforto por não reconhecer na forma física sua verdadeira manifestação de gênero.

Vale um parêntese longo sobre a sopa de letrinhas que define a comunidade LGBTQIA+, ao dar visibilidade a todas as formas de ser. As três primeiras letras se referem a gays, lésbicas e bissexuais.

As demais dizem respeito a como a pessoa se identifica e vai além do gênero feminino ou masculino: transgêneros (travestis ou transexuais), queer (pessoas que transitam entre os dois gêneros).

Um léxico que cresce com intersexualidade, assexualidade, e panssexualidade.

Universo tratado no documentário “Disclosure”, gancho para Lana e Vicent falarem sobre preconceitos e violência que cercam a condição de trans no Brasil e no mundo.

“A pessoa transgênero, homem ou mulher, é associada à morte, uma vida que não é importante”, afirma Lana. O Brasil é o recordista mundial em assassinatos de travestis e transexuais, lembra, segundo a Antra, associação nacional que os representa.

E costumam ser mortes brutais. “Não é com tiro, mas com 20 facadas. São atos hediondos”, ressalta a modelo.

Filha de um advogado e uma dona de casa, Lana é exceção em uma realidade em que travestis são marginalizadas e fazem programa para sobreviver.

“O meu sucesso e de outras modelos trans abrem portas para outras meninas trabalharem na moda”, avalia. A mais conhecida é Lea T.

Vicent lembra que ao serem rejeitados pelos familiares, muitos transgêneros são empurrados para as ruas e buscam na prostituição uma saída. “A família mata primeiro, quando não acolhe um filho ou uma filha trans.”

Ele costuma assumir um ar protetor quando sai com a namorada. Lana chama muita atenção. E os olhares nem sempre são amigáveis ou de admiração.

Mostrar-se como casal apaixonado, que anda de mãos dadas, trabalha, viaja e faz planos é uma forma de reforçar uma representatividade positiva.

“Queremos a naturalização dos nossos corpos,” diz Lana. O namorado emenda: “Ensinam que nascemos em um corpo errado. Não vejo assim. Somos diferentes. ”

Diferenças que suscitam novas discussões na hora de falar de filhos. “Eu penso muito nisso”, confessa Vicent. “Ele leva jeito com crianças”, afirma Lana.

E como fica a questão da maternidade, que é sempre associada à mãe? “Será que só mulheres podem gerar um filho?”, indaga Lana.

Vicent responde: “Me assusta a ideia de uma criança crescendo dentro de mim”, confessa o futuro pai, a quem caberia gestar o bebê.

Uma decisão a ser tomada no futuro, caso a relação caminhe para a constituição de uma nova família.

No caso deles, não seria preciso apelar para uma barriga de aluguel nem doação de óvulos ou esperma, opções para casais de gays e lésbicas.

“Um filho nosso seria 100% biológico e do casal”, lembra Lana, que antes de virar pai, por ser o portador dos gametas masculinos, e mãe, como representação feminina do casal, pretende subir ao altar. E, claro, ultrafashion, em seu vestido negro. [Eliane Trindade]

Modelo bielorrussa Alena Mayuk fala sobre o caminho até se tornar uma das principais influenciadoras da Itália

Alena Mayuk é natural do Leste Europeu, mas mantém um público de cerca de 100 mil pessoas na Itália.

Foto | Reprodução: Instagram

Curiosa pela vida, a modelo e influenciadora digital, Alena Mayuk, de 31 anos, é um exemplo de força de vontade, determinação e empreendedorismo. Em 2009, quando ainda estudava Línguas e Literaturas Estrangeiras em Milão, na Itália (logo após sair de seu país de origem, a Bielorrússia, no Leste Europeu), Mayuk começou a modelar e conta que foi uma trajetória marcada por momentos difíceis e de muita superação, principalmente para quem veio de um lugar difícil de se viver.

“É um país em desenvolvimento onde existe muita pobreza, onde existe um legado de mentalidade comunista, onde existem muitas desigualdades sociais. No meu país natal, posso garantir que a vida é 100 vezes mais difícil e complicada do que na Itália”, explica. A modelo viveu uma verdadeira aventura em sua vida. Alena chegou à Itália sozinha, com apenas 19 anos, e sem conhecer ninguém!

“Eu vim primeiro para Milão, inicialmente apenas para estudar (me formei em 2013 na Universidade de Milão, em Línguas e Literaturas Estrangeiras). Só mais tarde, pensei seriamente em trabalhar como modelo, quando me mudei para Florença (em 2013, após a formatura), e trabalhei muito desde então […] também obtive o Mestrado em Comunicação Digital, o que me permitiu agregar ao trabalho de modelo, como influenciadora, blogueira e especialista em marketing de mídias sociais e publicidade online. Estou muito feliz com a minha trajetória de vida”. E não para por aí! Com mais de 100 mil seguidores em seu Instagram, e mostrando que tem talento de sobra, Alena também tem seu próprio blog e transformou sua carreira de modelo em uma ”empresa” através do público que construiu e hoje fatura com anúncios para marcas e postagens patrocinadas.

“Acredito que todas as melhores coisas da vida devem ser conquistadas, com muito empenho, e as coisas que apenas ’caem do céu’ não trazem valor em nossas vidas, pois nunca poderemos apreciá-las adequadamente. E então eu gosto de ser independente, em todos os sentidos. Não gosto de restrições, particularmente não gosto quando alguém me ajuda, geralmente gosto de fazer as coisas sozinha”, revela a modelo e influenciadora digital.

Foto | Reprodução: Instagram

Recém-formada em Medicina, Ana Claudia Michels atua na linha de frente na luta contra a Covid-19: ‘Nenhuma aula nos prepara para algo do tipo’

‘Vou aprender muito com a vida, no dia a dia’, conta a eterna top, de 39 anos
Gilberto Júnior

Modelo de sucesso, Ana Claudia Michels se formou em medicina em 2019 Foto: Divulgação

Ana Claudia Michels chega para a batalha no pior momento da pandemia no Brasil. Formada em Medicina desde o fim de 2019, a catarinense, residente no Hospital Albert Einstein, começou a dar plantão num posto de saúde, da Zona Sul de São Paulo, na última quinta-feira, lidando diretamente com dezenas de casos de Covid-19. “Nenhuma aula nos prepara para algo do tipo. Vou aprender muito com a vida, no dia a dia”, conta a médica, de 39 anos. “Mas tive bons preceptores ao longo dessa jornada, iniciada em 2013. Encontrei muita gente inspiradora pelo meio do caminho. Estou pronta para a luta.”

Mãe de Iolanda, de 4 anos, e Santiago, de 2, Ana Claudia não entrou nessa história sem medo, acreditando ter super poderes. “Claro que tenho meus temores. Essas últimas variantes do coronavírus me assustam. Também fico aflita por causa dos meus filhos, de faltar para os meninos”, diz ela. “Aliás, criei um rito para não contaminar minha família. Tiro a roupa inteira no hall, tomo um banho potente e sigo todos os outros protocolos de segurança. Não saberia ficar longe das crianças. Não sei quem necessita mais de quem.”

Modelo de sucesso desde os 14 — com trabalhos para as marcas Louis Vuitton, Givenchy, Versace e Gucci no currículo, além de capas para as edições italiana, francesa e inglesa da revista Vogue —, a catarinense afirma que seu “sonho” sempre foi ser médica. “Mas minha carreira na moda deu tão certo, que fui adiando essa vontade. Por um instante, imaginei que não teria mais tempo, que estava ‘velha demais’ para tentar uma carreira diferente. Fiz um cursinho para ver se teria condições de encarar uma faculdade; e vi que seria possível, sim.”

Ana Claudia Michels atua na linha de frente na luta contra a Covid-19 em posto de saúde Foto: Reprodução
Ana Claudia Michels atua na linha de frente na luta contra a Covid-19 em posto de saúde Foto: Reprodução

A ideia inicial de Ana Claudia, presença cada vez mais rara nas passarelas (“Não estou aposentada. Só que prefiro passar minhas horas livres com meus filhos”, observa), era seguir o caminho da endocrinologia, mas acabou mudando de planos e, hoje, quer concentrar seus esforços na clínica médica ou geriatria. “Não me considero uma versão da Madre Teresa de Calcutá. Estudei Medicina porque existia esse desejo dentro de mim, eu quis isso… Eu me sinto felizarda em estar ocupando esse lugar. Sou completamente apaixonada por meu ofício”, comenta a médica.

Antes do fim da conversa, por telefone, a top traça um panorama da atual situação da profissão. “Há uma corrente que pensa que somos frios, mas somos objetivos, na verdade. No SUS (Sistema Único de Saúde) não conseguiríamos ser eficientes se as consultas fossem intermináveis”, analisa. “Sou paciente e sei que as pessoas que procuram atendimento estão fragilizadas. Porém, acredito que dá para aliar muitas doses de técnica com gotinhas de humanidade e empatia.” A moda e a medicina agradecem.

Alice Felis pede basta a comentários transfóbicos recebidos diariamente: “Chega”

Modelo espancada no Rio de Janeiro fez desabafo no Instagram, na noite desta sexta-feira (2)
RAFAEL GODINHO (@RAFAGODINHO)

Alice Felis (Foto: Divulgação/ Léo Fagherazzi)

Alice Felis quer dar um basta nos comentários transfóbicos que vem recebendo diariamente nas redes sociais, desde que virou notícia após ter sido espancada no Rio de Janeiro. Na noite desta sexta-feira (2), a modelo expôs alguns prints de ofensas no Instagram e fez um desabafo na legenda.

“Venho aguentando muito essa pessoa me atacando, mas hoje chega! Não dá para aguentar isso mais, sou sim uma mulher e mereço respeito sim, todas nós merecemos e vamos continuar lutando por isso juntas”, declarou.

“Melhorou muito, bem menininho”, ironizou o internauta. “Fica tão esquisito corpo masculino com salto”, apontou outro. “Deve ser muito chato de tudo ser falso e ter que fazer manutenção de tudo”, opinou um terceiro. “Deve ser bem complicado esconder as barbas e as manchas né?”, questionou o seguidor. “Primeira vez que te vejo com fisionomia masculina. Parabéns. Bem masculino”, comentou a mesma pessoa logo após Alice aparecer com o rosto desfigurado depois do espancamento.

O antes e o depois de Alice Felis após a cirurgia (Foto: Quem/ Ed. Globo)

Após passar por uma série de cirurgias plásticas reparadoras, Alice vem tentando retomar a carreira no mundo da moda. Recentemente, a influenciadora digital foi convidada para ser embaixadora de uma marca de cosméticos.

“Fui convidada para ser embaixadora da marca madame creme e em breve já devemos fazer a campanha publicitária. Com essa pandemia a vida da gente passou por uma mudança radical e estamos nos adaptando a uma nova realidade. Ainda tenho que fazer alguns procedimentos estéticos, entre eles a retirada do pomo, que ainda me deixa muito insegura, porque me incomoda bastante. 2021  está sendo um ano de reconstrução e retomada do amor ao próximo. Espero que a gente aprenda a lição”, disse Alice à Quem.

Paris Jackson fala de seu novo álbum, carreira de modelo e paixão pela música | Filter with Naomi

Sentar-se com a extremamente talentosa Paris Jackson foi realmente uma honra. Discutimos sua carreira musical e novo álbum, bem como sua atuação, modelagem, ativismo e trabalho em sustentabilidade.

Barbara Fialho, sobre relação à distância com filho de Bob Marley: ‘Minha vida está em pausa’

Top mineira também conta como é a vida ao lado da filha de 1 ano
Gilberto Júnior

Barbara Fialho usa vestido Kasia Kulenty na KA Store e botas Cori Foto: João Arraes

Antes do distanciamento social ser sugerido no Brasil como forma de retardar o avanço do novo coronavírus, em março de 2020, Barbara Fialho sabia que estava num momento decisivo de sua carreira como cantora. Modelo de sucesso, a mineira, de 33 anos, iria participar do quadro “Show dos famosos”, no “Domingão do Faustão”. “Seria uma oportunidade de tornar meu rosto conhecido do grande público. Afinal, eu entraria na sala das pessoas”, observa. A atração, assim como tantas outras coisas, acabou sendo cancelada e a garota de olhos de gato se dedicou exclusivamente à maternidade. “Há cinco anos, iniciei essa aventura na música. Fiz shows em palcos bacanas e cheguei a gravar com Seu Jorge. É algo realmente importante para mim.”

Jaqueta e bermuda, ambos Chloé, brincos e piercings, todos Animale Oro Foto: João Arraes
Jaqueta e bermuda, ambos Chloé, brincos e piercings, todos Animale Oro Foto: João Arraes

Enquanto espera o fim da pandemia, Barbara divide sua atenção entre os trabalhos de modelo e Maria, sua filha de 1 ano e 7 meses com o jamaicano Rohan Marley, herdeiro da lenda do reggae Bob Marley, com quem é casada desde março de 2019. “Apesar de todo caos mundial, os últimos 12 meses foram muito especiais. Pude acompanhar a evolução da minha filha. Vi nascer seu primeiro dentinho. Estava lá no momento em que ela engatinhou… Essas coisas não se repetem. Todo o resto dá para recuperar”, diz a modelo. “Mas confesso que foi difícil manter a positividade. Quando a energia caía, bastava olhar para a carinha de esperança da Maria para me recarregar novamente. Ela é meu antídoto para tudo.”

Vestido Nadruz e botas Isabela Marant Foto: João Arraes
Vestido Nadruz e botas Isabela Marant Foto: João Arraes

Por causa da crise sanitária, a família Fialho-Marley está separada — fisicamente. Rohan está em Miami, cuidando de seus negócios; Barbara, num apartamento em São Paulo. “Vim para o Brasil, em fevereiro do ano passado, por causa do programa do Faustão. E não vi mais meu marido. É muito difícil manter um relacionamento nessa situação. Mas como Maria é tudo para mim, tento focar apenas na menina. E ainda há o fato de eu não me sentir tão feliz em Miami. No período em que morei lá, minha produtividade diminuiu à beça, não tinha essa ajuda da minha mãe para cuidar da bebê… Meu plano é que estejamos todos juntos em breve. O amor por meu marido é gigante, absurdo. Sou capaz de fazer tudo por ele. Tento controlar a ansiedade para não destruir algo que é tão bom. Mas, no fim, a sensação é que minha vida está em pausa.”

Vestido Ganni na NK Store, calça Animale Jeans e sapatos Colcci Foto: João Arraes
Vestido Ganni na NK Store, calça Animale Jeans e sapatos Colcci Foto: João Arraes

Firme, sem perder a doçura, a mineira acrescenta: “Não sou alguém que busca a solução para as coisas em outra pessoa. A responsabilidade é minha, principalmente porque tenho uma filha. Quero que Maria seja uma típica brasileirinha, que come arroz e feijão, e fluente em português. Nossa língua tem uma malemolência deliciosa.”PUBLICIDADE

Camisa, jaqueta e calça, todos Isabel Marant, brincos e colar, todos Animale Oro Foto: João Arraes
Camisa, jaqueta e calça, todos Isabel Marant, brincos e colar, todos Animale Oro Foto: João Arraes

A maternidade mudou a maneira de Barbara enxergar a profissão de modelo, que exerce há 18 anos. Hoje, ela afirma que “se joga” muito mais numa sessão de fotos. “Para eu ficar longe da minha menina, tem que valer a pena. Não meço esforços para a campanha ficar incrível”, diz. “Ao longo da pandemia, pude ver ainda o desespero do mercado. Não está sendo fácil manter um negócio de pé. Mas, juntos, vamos superar isso. Nos últimos meses, aliás, tenho trabalhado bastante, três vezes por semana, no mínimo, sempre tomando todos os cuidados possíveis”, observa a top, que já desfilou para as grifes Dior, Alexander McQueen, Givenchy, Missoni e Bottega Veneta. Porém, foi na passarela da Victoria’s Secret que virou um nome realmente pop.

Barbara Fialho Foto: João Arraes
Barbara Fialho Foto: João Arraes

Entre 2012 e 2018, Barbara foi a modelo de prova da marca americana de lingerie, sendo testemunha ocular de grandes momentos da etiqueta, como as negociações para ter a cantora Lady Gaga no show, em 2016. Ela também viu a derrocada da casa, que perdeu espaço ao não promover a diversidade. No mundo da Victoria’s Secret, somente mulheres altas e magras tinham vez. “Reconheço que faltou dialogar com a diversidade. Parecia que o sonho não era para todas. Eu mesma era tida como exótica no início de nossa parceria. Para reverter esse quadro, acredito que a grife deveria olhar para sua própria história, repensar alguns pontos e abrir uma discussão sincera.”