6 dicas que levam a uma vida longa e saudável

A endocrinologista e nutróloga Vânia Assaly, palestrante do Wired Festival, é especialista em envelhecimento saudável
Por Anita Porfirio (@NITAFP)

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Maye Musk em ensaio da Vogue Brasil (Foto: Zee Nunes)

Sim, envelhecer é inevitável, mas não é preciso temer um processo natural da vida se nos prepararmos para uma longa e saudável jornada. “Quando falamos em envelhecer bem, falamos em senescência natural, que é o envelhecimento sem doença”, explica Vânia Assaly, endocrinologista e nutróloga especializada em medicina preventiva.

Integrante da grade de palestras do Wired Festival, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 30.11 e 01.12, Vânia nos contou, de forma resumida, quais os principais fatores que levam a uma vida longeva e com muita saúde. Para adotar já!

1. Alimentação
“Uma dieta baseada em plantas, com baixa ingestão de gorduras de origem animal e alimentos superprocessados e industrializados tem se mostrado cada vez mais benéfica para uma longa vida saudável. Evitar a sobrecarga calórica também é fundamental.”

2. Exercícios
“Não é necessário fazer exercícios intensos. 30 a 45 minutos de atividade semanais são o suficiente. O mais importante é não ficar parado por muito tempo.”

3. Pertencimento
“Fazer parte de um grupo, quer seja de amigos, de família, é muito importante. Sentir-se parte de algo e ter o respeito dessas pessoas, pertencendo a algo, é ótimo para a saúde mental.”

4. Sono
“Vivemos com muita poluição luminosa, dos computadores, dos celulares, e isso altera nosso ciclo biológico e afeta a síntese de melatonina. A longo prazo, já foi observado que a privação de sono e o sono de má qualidade podem aumentar a incidência de obesidade, doenças vasculares e até câncer.”

5. Espiritualidade
“Não estou falando de religião, necessariamente, mas a conexão com algo maior, uma sensação de propósito, é um alívio ao sofrimento e uma fonte de inspiração.”

6. Natureza
“Quanto menos toxinas e contaminação tivermos em nosso cotidiano, melhor. Isso na alimentação, nos produtos que usamos em casa. Uma atenção extra ao que é natural, orgânico, é precisa.”

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ISARO lança peças customizadas e exclusivas em parceria com artista plástica Kaju

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Carteiras de couro customizadas

A nova coleção da ISARO, marca criada por Bel Rott, busca colocar em foco minorias como albinos, refugiados, imigrantes, trans, gays, lésbicas, negros e feministas. Pensando nisso, a neolabel se juntou à kaju, uma mas das artistas contemporâneas que mais se destaca no Brasil e no exterior, para criar peças customizadas, exclusivas e com parte da renda revertida para o Coletivo Trans Sol, que promove inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho pela costura.

A customização das peças foram feitas durante o evento ISARO et kaju, que aconteceu no feriado do dia 04/11. A arte de kaju é marcada pelo minimalismo, formas fluidas, linhas geométricas e cores sóbrias. “O conceito das peças da ISARO se juntam perfeitamente com o conceito da arte da kaju, pois ambas pregam o minimalismo, cores sóbrias e atenção aos detalhes”, conta Bel Rott, idealizadora e estilista da ISARO

As peças personalizadas com a arte da kaju vão desde roupas até acessórios, como bolsas e carteiras da coleção Les Invisibles. “Eu e a Bel já tínhamos o projeto de uma parceria do tipo, e com o lançamento da nova coleção que levanta a bandeira de várias minorias, resolvemos tirar esse projeto do papel”, explica kaju. Como a coleção se chama Les Invisibles, kaju espalhou nas peças rostos escondidos em meio aos traços minimalistas.

Mais informações sobre kaju:
http://kaju.ink/
https://www.instagram.com/bykaju/

Sobre a ISARO
A ISARO, criada por Bel Rott em 2016, busca trazer o conceito minimalista e clean para roupas e acessórios. E não tem como ser diferente, pois tendo o design escandinavo como principal inspiração, as peças têm a proposta de serem elegantes e timeless, além de favorecerem o corte andrógino — ou seja, apesar das peças serem divididas em masculinas e femininas, elas podem ser usadas por ambos os gêneros.

Com o conceito clean em seu DNA, a marca, que tem como slogan “minimalismo na pele”, se propõe a criar peças coringas. Bel Rott não só é a idealizadora da marca, como também desenha as peças e é a responsável por buscar tecidos e vistoriar a qualidade das roupas e acessórios.
Instagram: @isarobrand
Site: https://www.isarobrand.com

Gisele Bündchen revela ‘turbinada no peito’ em livro: ‘Não ficou como eu imaginava’

‘Fiquei incomodada e deprimida’, relembra a supermodelo

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Gisele Bündchen

Gisele Bündchen desembarca no fim de semana no Brasil para lançar (e autografar) sua biografia, batizada de “Aprendizados: minha caminhada para uma vida com mais significado”. Ela passará por São Paulo, no sábado, e Porto Alegre, no domingo. O livro é um relato honesto da trajetória da supermodelo até aqui. Gisele (Gise, para os íntimos) fala sobre trabalho, família, ataques de pânico e sobre o corpo — durante muito tempo, foi, inclusive, apelidade de “The Body” pela indústria da moda.

Numa passagem da obra, a gaúcha, de 38 anos, conta que ficou insegura com sua silhueta depois do nascimento dos filhos, Benjamin e Vivian Lake. “Quando chegava para fazer um trabalho, algumas pessoas faziam comentários, direta ou indiretamente. ‘O que aconteceu com seus peitos?’, diziam, ou ‘Seus seios ficaram tão pequenos!’. Alguns até sugeriam que eu colocasse um tipo de enchimento de silicone no meu sutiã”.

Gisele recorda que, de repente, ficou menos confiante com seu corpo, com seus seios. “Sentia que, de alguma forma, não conseguia mais corresponder às expectativas dos outros e dar o meu melhor. Ainda assim, era impossível voltar a ter o corpo de antes de ser mãe”. Ela, então, tomou uma “das piores decisões” de sua vida: plástica.

“Pensei assim: se der uma turbinada no peito, ninguém mais vai fazer esses comentários, e tudo vai ser como antes. Escolhi confiar no meu cirurgião, acreditando que ele sabia o que era melhor para mim… Quando a cirurgia acabou, não conseguia mais reconhecer meu corpo. Não ficou como eu imaginava. Fiquei incomodada e deprimida. Por que eu tinha feito aquilo comigo?… O aprendizado aqui é: ouça a sua voz interior em primeiro lugar, para ter clareza sobre o que você realmente quer, antes de tomar decisões importantes”.

Camila Coelho entrega seus segredos para se preparar para uma festa

Do rolo de quartzo que “molda” o rosto a exercícios no quarto, a brasileira divide com Vogue sua rotina pré-evento especial
Por Vívian Sotocórno

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Camila Coelho pronta para a festa da Michael Kors (Foto: Divulgação)

Acostumada a rodar o mundo e marcar presença nos eventos fashion mais concorridos do globo, a brasileira  Camila Coelho começa a se preparar para uma festa especial antes mesmo de seu avião posar na cidade. Em Los Angeles para o jantar de Michael Kors que celebrará a quinta edição da campanha Watch Hunger Stop, bem como a nomeação de Kate Hudson como embaixadora do United Nations World Food Programme, ela entrega para a Vogue seus cinco segredinhos pré-festa:

1. HIDRATAÇÃO: “Quando se trata de eventos especiais em outras cidades (fora da minha bela e calma Boston), eu começo a me preparar mesmo antes do meu voo aterrissar. Beber uma tonelada de água e usar meias de compressão não é apenas super saudável, mas ajuda a combater qualquer inchaço de rosto / corpo da altitude”, conta.

2. MÁSCARA: “Na noite anterior a um evento, eu tomo um cuidado extra com a minha pele, adicionando uma boa esfoliação facial à minha rotina. Adoro a máscara Summer Friday’s Overtime Scrub Mask, seguida de uma máscara hidratante para criar um glow sob a maquiagem. Meu dermatologista recomendou que eu usasse a máscara DERMASTIR Post-Op A, que não irrita a pele e ajuda na textura.”

3. ROLLER: “de manhã eu SEMPRE uso meu rolo massageador de quartzo para ajudar com a diminuir o inchaço do rosto e “moldá-lo”.”

4. CARDIO: “costumo fazer alguns exercícios de cardio leve, como saltos, no meu quarto de hotel para energizar, especialmente se eu estiver com jet lag!”

5. BODY GLOW: “Eu sempre termino meu look com um pouco de brilho corporal: ele garante um glamour extra nas fotos. Eu gosto de usar o Lorac Tantalizer nos braços, ombros e especialmente nas minhas pernas.”

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Camila Coelho (Foto: Reprodução/ Instagram)

Sapatilhas em tons de marrom finalmente foram criadas, 200 anos após as brancas

Bailarinas negras tingiam ou pintavam os sapatos com maquiagem para combinar com seu tom de pele
Alex Marshall – The New York Times

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Alexandra Hutchinson pinta suas sapatilhas com maquiagem Foto: An Rong Xu/The New York Times

Por quase toda a sua carreira, Cira Robinson – como muitas das bailarinas negras – teve um ritual: pintar suas sapatilhas para que elas combinassem com o tom de sua pele. A primeira vez foi em 2001, quando ela tinha 15 anos, no programa de verão do Dance Theatre do Harlem, em Nova York. A companhia disse que o calçado deveria ser marrom, como sua pele, não rosa, mas ela não conseguia achar nas lojas, então usou tinta em spray.

“Elas ficaram com relevo e… eca”, conta ela. Quando ela se juntou ao Dance Theatre, anos depois, começou a pintar com maquiagem. “Eu ia nas lojas mais baratas para comprar base”, do tipo que “você nunca colocaria em sua pele porque iria causar alergia. Barata tipo 2 dólares.”

Ela usava cinco tubos por semana, para tingir entre 12 a 15 pares – um processo conhecido como pancaking pelas bailarianas. Demorava entre 45 minutos e uma hora em cada par, conta, porque queria se assegurar que a base cobrisse cada fenda e cada pedaço de fita.

Ela achava o processo monótono? “Eu não tinha outra alternativa”, explica.

Mas agora, Cira, que é artista sênior no companhia britânica Ballet Black, não é mais obrigada a passar por isso. Em outubro, a Freed of London, que fabrica suas sapatilhas, começou a comercializar dois modelos pensados para dançarinas não-brancas: uma marrom e outra bronze.

Esta não é a primeira empresa a incluir esses produtos em seu estoque – a norte-americana Gaynor Minden o faz há mais de um ano – mas os novos calçados da Freed, uma marca mundial especializada em produtos de balé, colocou em foco o estranho ritual feito por muitas das bailarinas.

É também um lembrete que dançarinos negros – especialmente as mulheres – são uma raridade no balé. Elas permanecem pouco representadas no mercado, apesar dos sinais de mudança e o aumento da preocupação pela diversidade tanto nas escolas quanto nas companhias.

Os calçados não são o único lembrete da falta de representatividade na dança. Em setembro, Precious Adams, dançarina do English National Ballet, falou sobre o problema da meia calça rosa. “No balé, as pessoas têm um forte apego as tradições”, contou para o jornal britânico London’s Evening Standard. “Elas acham que usar meias marrons sob o tutu é de alguma forma errado.”

“Mas eu quero parecer da melhor forma possível no palco. Eu não sou daltonica, e acho que a rosa arruina o meu corpo.” Ela acrescenta que os dançarinos não podem fazer o que quiser e que os diretores decidem o figurino – e na maior parte das vezes, a uniformidade ganha.

Os dançarinos do corpo, particularmente, têm que se misturar ao grupo. Robinson, do Ballet Black, explica que os negros nem sempre podem usar sapatilhas ou meias do tom da sua pele, o que os colocaria em destaque.

Ela ainda conta que viu uma vez uma solicista do English National Ballet usar meias e calçados marrons, quando todos estavam de rosa – “mas ela era uma solista.” (Funciona diferente no Dance Theatre do Harlem e no Ballet Black, que são predominamentemente feitos por pessoas negras.) “Queremos mudar um pouco as tradicções”, continua Robinson. “Mas às vezes você não pode.”

Ainda assim, a novidade da Freed foi bem vista. “Isso não é sobre sapatos, é sobre quem pertence ao mundo do balé e quem não”, explica Virgina Johnson, diretora-artística do Dance Theatre. “É um sinal de que o universo está aberto a você.”

Ela conta que começou a dançar nos anos 1950 com sapatilhas rosas e só nos anos 1970, Arthur Mitchel, um dos fundadores de sua companhia, a Dance Theatre, decidiu que os dançarinos deveriam usar calçados que combinassem com a sua pele. Ela começou a pintar os sapatos com maquiagem.

“Foi incrível sub ir no palco sendo eu mesma, 100% da minha cor”, recorda. “uma forma, uma tom que tem integridade.”

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Ingrid Silva conta que o processo de pintar as sapatilhas com maquiagem é caro e demorado Foto: An Rong Xu/The New York Times

Ela lembra que a Capezio forneceu sapatilhas marrons para o Dance Theatre por um tempo, e depois os dançarinos começaram a tingir os seus calçados com um produto pensado para saltos de noivas. “Tinta para sapatos Evangeline”, conta Virginia. “Não pensei nesse nome em anos”. Desde 2012 a maior parte dos membros usam tinta acrílica e o figurinista mistura tonalidades para alcançar o tom exato de cada bailarino.

A brasileira Ingrid Silva é uma das que continua a usar maquiagem, inclusive compartilhando em seu canal no Youtube tutoriais para jovens de como o fazer. “As maiores reclamações são: é um processo longo e caro”, diz. “Eu uso o tom ebony brown da Black Opal, e custa 11 dólares o frasco, que rende para três pés.”

Ela usa uma média de dois pares por semana, o que significa que ela gasta 770 dólares ao ano em maquiagem para os sapatos, um valor significante se considerar o que ela ganha. (A marca recentemente começou a enviar para ela de graça a base.)

Para Ingrid, a novidade é positiva, mas uma variedade maior de tons é necessária. Ela explica que não pode usar as sapatilhas da Freed porque não são da sua cor. Esse lembrete se assemelha com o das marcas de beleza, que começaram a fabricar mais cores de base para atender a mais consumidores. (No ano passado, a Rihanna lançou a Fenty Beauty com 40 tons de base para suprir a demanda.)

E sapatos são apenas um dos problemas. “O mundo da dança ainda precisa aprender muito”, acrescenta. “Começando pelas companhias contratando mais pessoas não-brancas.”

Halloween fashionista: inspire-se nas campanhas da temporada para sua fantasia!

Noiva gótica da Gucci, ET da Moschino… Nunca o halloween foi tão fashionista!
Por Mariana Inbar (@Mariana_Inbar)

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Os ETs da campanha de inverno 2017 da Gucci (Foto: Divulgação)

Halloween tem tudo para ser mais uma oportunidade de dar vazão a looks fashionistas: afinal de contas, já vimos muitos famosos e anônimos fantasiando-se de Karl Lagerfeld ou Anna Wintour, levando para o dia das bruxas referências de ícones da moda que, com seus visuais tão marcantes, já se tornaram reconhecíveis bem além do universo da moda.

Cailtin Burke, diretora de estilo do e-commerce Moda Operandi, porém, expandiu o conceito de um Halloween fashionista no último fim de semana, ao dar o start nas comemorações da data fantasiada de ET glamurosíssima. A referência? A campanha de inverno 2018 da Gucci. Para replicar o visual das personagens, Caitlin lançou mão de um vestido de brechó (que, segundo ela, custou 20 dólares) e poderosos acessórios da casa italiana. O resultado? Divertidíssimo!

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Caitlyn Burke, diretora de estilo do Moda Operandi, de ET da Gucci (Foto: Instagram Caitlin Burke/ Reprodução)

Para quem quer seguir os passos de Caitlin, misturando moda e diversão neste dia das bruxas, as campanhas de inverno 2018 e Cruise 2019 estão repletas de boas referências para fantasias: de ETs na Moschino a Marilyn Monroe drag queen na Prada, não faltam boas ideias que, com muita originalidade e criatividade, são sucesso garantido. A dica de Caitlin? Garimpe brechós para roupas com muita personalidade e preços mais acessíveis que você não terá pena de readaptar para a noite. Finalize com acessórios marcantes (vale ugly sneakeróculos statement…) e divirta-se!

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Ainda sobre ETs: que tal se transformar na versão alienígena de Jackie O., assinada por Jeremy Scott? (Foto: Divulgação)
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A noiva gótica do Cruise 2019 da Gucci, que ganha um ar ainda mais dark graças a sua maquiagem, pode ser o ponto de partida perfeito para uma fantasia fashionista. (Foto: Divulgação)
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A campanha de inverno 2018 de Marc Jacobs aposta em chapéus misteriosos, olhos soturnos e peças oversized que injentam um tom sombrio às cores mais vivas. (Foto: Divulgação)
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Fantasiar-se de Marilyn Monroe pode ser lugar comum, por isso a versão drag queen da Prada pode ser o refresh perfeito ao look! (Foto: Divulgação)
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Que tal misturar várias padronagens de xadrez e se fantasiar de Cher Horowitz versão Versace? (Foto: Divulgação)

Elisabeth Moss compara série “The Handmaid’s Tale” à atualidade: ‘Achava que não havia mais pelo que brigar’

Ao dar vida à escrava sexual Offred, na premiada série “The Handmaid”s Tale”, a atriz americana tornou-se um símbolo da resistência feminista. Nos EUA e no Brasil, mulheres se vestem com os uniformes das personagens para protestar contra os governantes que ameaçam diminuir nossas liberdades e direitos. Em entrevista à Marie Claire, ela explica por que o enredo criado em 1985 nunca foi tão contemporâneo e defende que o debate em torno da equidade de gênero e da liberdade de expressão é essencial

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Elisabeth Moss para Marie Claire (Foto: Camila Armbrust)

SEMPRE ME CONSIDEREI UMA FEMINISTA, mas, como muitas mulheres da minha geração, achava que não tínhamos mais pelo que brigar. Acreditava que todos os direitos haviam sido conquistados”, disse Elisabeth Moss, 36 anos, enquanto chacoalhava a cabeça em sinal de arrependimento.

“Não imaginávamos que precisaríamos nos agarrar novamente às causas feministas como fizemos nos últimos meses. O movimento me transformou”, completa a atriz norte-americana, em um bar de vinhos em Manhattan, vestida toda de preto, com um boné e uma mochila. Foi lá que marcamos de nos encontrar para conversar sobre as questões que envolveram as mulheres em 2018 no mundo. Reflexões sobre a mais recente onda feminista é um tema recorrente em conversas na cidade, principalmente depois da eleição de Donald Trump, o presidente que faz declarações machistas e ameaça diminuir as liberdades das mulheres e de outras minorias, como imigrantes e transexuais. A diferença é que agora quem debateu esse tema comigo é a mulher que se tornou símbolo da resistência feminina, graças à impecável interpretação que faz da personagem Offred, protagonista de The Handmaid’s Tale – O Conto da Aia.

Inspirado no livro homônimo da escritora canadense Margaret Atwood, trata de uma sociedade em que as mulheres são propriedade do estado, proibidas de ler e escrever e, no caso de Offred, obrigadas a gerar filhos para famílias de elite. “Nunca interpretei uma história com paralelos tão claros com o que está acontecendo na realidade ao meu redor”, diz. “As fronteiras entre realidade e ficção são muito mais borradas do que com qualquer outro personagem que já vivi. Mas também é um tanto catártico pegar um pouco da raiva e da frustração que sinto como cidadã e transformar essa energia em um trabalho que acredito.” Não à toa, é possível ver o impacto de O Conto da Aia. O uniforme das escravas como Offred – capas vermelho sangue e capotas brancas – já foi inclusive copiado por ativistas em protestos por todo os Estados Unidos (e no Brasil também).

Foi o que aconteceu, por exemplo, quando parlamentares tentaram extinguir o Planned Parenthood, uma organização não-governamental que defende a legalização do aborto, entre outros direitos reprodutivos da qual Elisabeth é uma antiga defensora – prova de que ela não tem receio de sair em defesa dos direitos das mulheres. Quando ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em janeiro, inclusive, o dedicou às artistas do #MeToo. “Tive a sorte de não ter vivido coisas terríveis que muitas mulheres do cinema denunciaram”, diz. “Mas quando os movimentos #MeToo e #TimesUp explodiram, conversei com as minhas amigas e paramos para refletir sobre os encontros profissionais que tivemos e nos questionamos sobre certas atitudes de alguns homens. Estamos vivendo um momento de tomada de consciência.”

Entre os acusados do #MeToo e #TimesUP está o ex-chefe de Elisabeth, Matthew Weiner, criador de Mad Men – Inventando Verdades (2007-2015). Ex-roteirista da série, a americana Kater Gordon alegou que uma vez, quando eles estavam trabalhando até tarde, Weiner disse que queria vê-la nua e que Kater devia isso a ele. Weiner nega veementemente as acusações. A atriz é muito diplomática para tomar o partido de alguém, mas acredita que “é indiscutível o fato de que as mulheres precisam ter voz”. E continua: “Precisamos poder falar quando nos sentimos desconfortáveis com alguma situação. Quando não temos voz, é o mesmo que estar metida em uma merda de vestido vermelho, com uma merda de um capote branco na cabeça”, diz, em alusão às escravas da série.

Elisabeth é igualmente firme sobre a liberdade de expressão, mesmo quando o ataque se dirige a ela. Criada dentro da Cientologia, foi acusada de hipocrisia por causa do seu discurso no Globo de Ouro – a religião foi acusada de acobertar casos de assédio sexual. Esse é o único assunto que ela não discute. “Você não pode retirar de uma pessoa o direito de ter uma voz”, diz, quando levantei o tema durante nossa conversa. “Não posso negar o seu direito de dizer o que pensa. Se fizer isso, aí, sim, estarei sendo hipócrita”. E emendou: “Acredito profundamente na liberdade e nos direitos humanos. Se não tivesse casca grossa o suficiente para lidar com as críticas, não estaria nessa profissão há tanto tempo”. [Jane Mulkerrins]