Em família: Catherine Zeta-Jones e a filha, Carys Douglas clicam primeira campanha juntas

Mãe e filha posaram em Roma em fashion film e campanha da bola Peekaboo, da Fendi
MARIE CLAIRE

Catherine Zeta-Jones e Carys Douglas na campanha #MeandMyPeekaboo da Fendi (Foto: Divulgação)

Depois de duplas como Kris Jenner e Kim Kardashian, Cindy Crawford e Kaia Gerber, agora é a vez de Catherine Zeta-Jones e a filha, Carys Douglas, estrelar uma campanha de moda juntas. A atriz vencedora do Oscar e sua filha de 16 anos – a mais nova de seus dois filhos com o marido Michael Douglas – foram as protagonistas do mais recente episódio da série #MeAndMyPeekaboo da Fendi, comemorando a bolsa clássica da grife italiana. 

Catherine Zeta-Jones e Carys Douglas na campanha #MeandMyPeekaboo da Fendi (Foto: Divulgação)

Filmada em Roma, a campanha leva a dupla pelas ruas da cidade eterna, passando pelos cartões postais romanos como Pallazo Altemps e Pallazzo della Civilità Italiana, onde fica o headquarters da Fendi. Em entrevista sobre a parceria das duas na campanha, Catherine falou sobre o vínculo com a caçula. “Nós somos muito próximas, falamos sobre tudo”, contou. “Tenho muito orgulho dela. A melhor parte de tudo isso é ser mãe da Carys”.

Carys também não deixou de elogiar a mãe. “Tenho sorte de ter um relacionamento tão maravilhoso com minha mãe. É realmente especial. Nosso senso de humor é bem parecido, por isso estamos sempre rindo quando estamos juntos. Ela é honestamente a pessoa mais engraçada que eu conheço”, finalizou. 

Catherine Zeta-Jones e Carys Douglas na campanha #MeandMyPeekaboo da Fendi (Foto: Divulgação)

Camila Coutinho: influenciadora de moda, nativa digital e escalável

Com mais de 2,4 milhões de seguidores, a recifense fez de seu nome uma empresa e fecha negócios com multinacionais
Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

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Camila Coutinho criou o blog Garotas Estúpidas em 2006, quando ainda era estudante de design de moda no Recife (PE) Foto: Felipe Rau/Estadão

Já ouviu falar das empresas Garotas Estúpidas e Camila Coutinho? Multinacionais da indústria da moda e agências de publicidade as têm no topo de suas listas para campanhas, contratos de licenciamento de produtos e disputam visibilidade em seus canais online. Ainda não se situou?

Uma das pioneiras dos blogs de moda, a pessoa física Camila Coutinho desbrava a internet há 13 anos, desde que era estudante de design de moda. Passou por períodos em que o Instagram ainda não existia, muito menos o termo influenciador digital. Com o Garotas Estúpidas, blog que começou como uma plataforma para falar do mundo das celebridades e da moda, ela transformou seu hobby em negócio.

Nativa digital, disruptiva e escalável. Parece uma startup. Mas é Camila Coutinho. Recifense, residente em São Paulo. Tem 32 anos de idade e 2,4 milhões de seguidores. Camila assinou o primeiro licenciamento de produto em 2015 para uma coleção da Riachuelo e, no mesmo ano, tornou-se embaixadora digital da Pantene no Brasil. Desde então, assinou contratos com marcas como Hering, H.Stern, Nivea e TRESemmé.

Para posicionamento de marca, Camila – a pessoa física – é presença garantida nas semanas de moda mais importantes do mundo. Já Camila – a pessoa jurídica – mantém uma empresa com equipe de seis pessoas, além dela. “É estranho ainda me ver como CEO.”

Ela não revela números de faturamento, mas conta que, após um reposicionamento do Garotas Estúpidas, do ano passado para cá a marca cresceu 600%, ao deixar as repostagens de lado e focar em conteúdo exclusivo.

Mudança de @

A história remonta a 2006, quando lançou o blog Garotas Estúpidas. Aos 20 anos, tinha tanto acesso no site que, após uma conversa despretensiosa com o pai, resolveu registrar o domínio. “Ele me disse que eu deveria comprar o nome e registrar o domínio porque poderia virar algo legal”, conta. E virou. 

Logo em seguida à compra, entrou o primeiro anúncio – de uma instituição de ensino. No segundo, de uma marca norte-americana de óculos, Camila já começou a enxergar o blog como negócio. “Rapidamente eu já estava abrindo uma empresa, contratando contador e me portando de maneira diferente”, lembra.

Por cerca de oito anos, Camila Coutinho era a voz e o rosto do endereço. Cravou seu nome no mundo da moda e na internet. Acompanhou mudanças importantes, como a chegada das redes sociais, principalmente o Instagram, que a levou inclusive a adaptar o modelo do negócio. 

Há cinco anos, decidiu separar as marcas Garotas Estúpidas e Camila Coutinho. “Eu era o @garotasestupidas no Instagram e já tinha 1 milhão de seguidores. Decidi separar os perfis por feeling, após participar de um evento em Los Angeles. Tinha que limitar as postagens que fazia mesmo tendo muito conteúdo”, conta ela, explicando que não dava para só falar de Camila Coutinho no Garotas Estúpidas.

Em 2014, buscou @camilacoutinho no Instagram e descobriu que já tinha dona. Resolveu comprar o domínio. “Posso dizer que foi a melhor coisa que já comprei na minha vida”, confessa, aos risos.

“Foi um investimento de branding. Tinha percebido que eram duas marcas independentes, com forças diferentes. Comercialmente falando, hoje eu tenho ações que vendo só para Garotas Estúpidas e outras só para Camila Coutinho”, conta.

A influenciadora digital já fechou contratados com multinacioinais da indústria da moda e beleza, como Dior, Nivea e H.Stern  Foto: Felipe Rau/Estadão

Relação marca e público 

Assim como Camila acompanha a evolução da internet, ela também vive as mudanças no comportamento do seguidor/consumidor. O ponto principal é o posicionamento de suas marcas, ou de marcas parceiras, sobre temas que causam grande engajamento e comoção nas redes sociais.

“Estamos no meio de uma mudança muito grande. Pela primeira vez, desde que comecei, eu tive que ligar para uma marca para ouvir uma satisfação sobre um erro que cometeram”, revela ela, que é cobrada por seus seguidores.

Sobre sua atitude individual, independentemente de marcas parceiras, Camila é categórica. “As pessoas se tornaram marcas e isso é um casamento de valores. Não é sobre ter mais seguidores, mas cuidar bem da comunidade que você já tem. E às vezes isso significa perder seguidores e ganhar em posicionamento.” 

Hoje com seus dois negócios dentro do Instagram, Camila reflete sobre essa dependência, mas lembra que viveu muito tempo na internet sem a rede social e pensa que há outras coisas por vir. “Se o Instagram acabar, vai estar todo mundo no mesmo barco e vai ter uma outra coisa aí, para a gente usar.”

Atualmente em uma viagem na China, Camila quer conhecer e explorar o potencial do streaming. “É uma viagem de estudo, para ver o que está acontecendo por lá. Também penso que o Whatsapp é uma coisa muito forte, porque as comunidades são muito fortes. Você ter o e-mail do seu leitor ou um outro contato, uma outra forma de falar com ele, é muito importante.”

Camila em making-off de campanha para uma marca de sapatos. Foto: Reprodução/Instagram 

Jeanne Damas nos mostra sua nova boutique, Rouje e restaurante, Chez Jeanne| Vogue Paris

Jeanne Damas acaba de abrir sua própria boutique e restaurante em Paris, realizando um sonho de infância. A Vogue Paris fez uma visita guiada a Rouje e Chez Jeanne para ver de perto os batons e vestidos, provar o cardápio e conhecer alguns dos segredos de beleza da modelo.

Director/ Producer – Nikki Petersen
Director of Photography – Thibault Della Gaspera
Editor – Elie Pszenny
Color Grade – Etienne Baussan
Editor-in-chief – Jennifer Neyt

Apartamento é naturalmente chique com muita madeira

O lar parisiense de Lucia Pica é moderno e ousado, assim como a maquiagem que ela cria para Chanel
Lucy Halfhead – Bazaar

Foto: Josh Shinner

“A maquiagem nunca deve ser usada como máscara, apenas deve realçar o que já está ali”, diz a italiana Lucia Pica, cuja abordagem moderna da beleza e o talento para criar looks frescos e naturais fizeram dela uma das maquiadoras mais influentes do mundo. Como diretora criativa global de Make-up e Cores da Chanel, é responsável por desenvolver até oito novas coleções a cada ano e também participa da concepção das campanhas de beleza e dos visuais de passarela da marca.

Lucia divide seu tempo entre casas no leste de Londres e em Paris, onde ela abriu as portas de seu iluminado apartamento no 6º arrondissement, com sua aparência habitual: lábios vermelhos aveludados, franja perfeita e olhos esfumaçados. Vestindo um jeans Levi’s 501 vintage, um suéter de cashmere Margaret Howell, escarpins Chanel e brincos Sophie Bille Brahe, Lucia é simpática e acolhedora.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

O apartamento é decorado com uma atraente coleção de móveis da metade do século 20, que vai de uma mesa de jantar Pierre Chapo a uma chaise longue Igor Rodrigues – adquirida na Piasa, a famosa casa de leilões de Paris – e a uma mesa de centro George Nakashima. Um sofá de veludo vintage acrescenta um toque de glamour, junto com as luminárias de parede Rupprecht Skrip, um vaso de Mathilde Martin e obras de arte assinadas por Harley Weir, Ben Barlow e Jason Brinkerhoff. “Você não está apenas comprando um item, está comprando a história e a magia também”, diz Lucia.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Nascida em Nápoles, ela cresceu cercada pelos coloridos afrescos da cidade, aos quais credita a fascinação precoce pela maquiagem. “Me trancava no banheiro e passava uma hora me maquiando. Depois, tirava tudo e saía como se nada tivesse acontecido”, conta. Ao chegar a Londres, aos 22 anos, ela se matriculou em um curso na Greasepaint Make-Up School e nunca mais olhou para trás. “Londres foi tão libertadora, foi incrível conhecer todas essas pessoas que pensavam como eu”, relembra. “É uma cidade que abraça todas as culturas, e essa diversidade e a liberdade de expressão me ajudaram a abrir a cabeça e ser criativa.”

Depois de trabalhar na butique cult de maquiagem Pout, em Covent Garden, e atrás do balcão da Shu Uemura, Lucia conseguiu um posto como assistente de Charlotte Tilbury. “Tive tanta sorte de conseguir essa oportunidade”, conta. “Era ótimo trabalhar para Charlotte, porque ela não é apenas talentosa, mas também muito carinhosa, solidária e uma boa mentora.”

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Em 2008, após três anos aprimorando sua arte, Lucia decidiu ser freelancer. “Foi assustador, mas eu estava determinada a encontrar meu próprio estilo e um time – os fotógrafos e stylists que poderiam criar o melhor trabalho comigo.” Sua carreira solo deslanchou quando colaborou com alguns dos mais influentes fotógrafos da indústria, incluindo Alasdair McLellan, Willy Vanderperre e Juergen Teller.

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

Após a saída de Peter Phillips, ex-diretor criativo de maquiagem da Chanel, que foi para a Dior, Lucia ficou como freelancer na casa por um ano e meio, até ser nomeada a primeira diretora criativa global de Make-up e Cores, em 2015. Conhecida por usar tons vivos e batons fortes, trabalhou ao lado de Karl Lagerfeld para produzir maquiagem para complementar as coleções de moda dele. “Me sinto tão grata de ter tido a chance de colaborar com ele nos desfiles e campanhas publicitárias”, diz. “Você espera que uma figura tão incrível seja distante e fria, mas ele não era assim. Era generoso, doce, engraçado e carinhoso.”

Foto: Josh Shinner
Foto: Josh Shinner

A estreia de Lucia, “Le Rouge Collection nº 1″, surgiu de sua paixão pela cor vermelha e é tida como um dos matizes fundamentais no universo de Chanel, enquanto a nova coleção inverno 2019, “Noir et Blanc de Chanel”, é inspirada na estética monocromática de Paris e no preto e branco da paleta da grife. “Amo trabalhar com esta marca incrível e tradicional, mas quero adicionar modernidade e mostrar luxo de forma mais experimental”, diz ela.

Foto: Josh Shinner

Foto: Josh Shinner

Viagens de pesquisa para encontrar novas cores e texturas também são parte importante do processo da designer criativa – a recente coleção verão 2019 “Vision of Asia: the Art of Detail” foi influenciada por suas visitas a Tóquio e Seul, e, em 2018, ela colocou dentro de um vidro um tom amarelo-canário, observado durante uma passagem por sua terra natal, Nápoles, que se tornou o esmalte mais cobiçado do ano. “O conceito pode ser bonito e sonhador, porém, tenho de trazê-lo à realidade e garantir que aquelas cores sejam adaptáveis à pele e ao rosto de uma mulher.”

Coleção de bolsas Chanel - Foto: Josh Shinner
Coleção de bolsas Chanel – Foto: Josh Shinner

Sem surpresa, uma espiada no guarda-roupa de Lucia revela uma abundância de peças, sapatos e acessórios Chanel. “Gosto de me mostrar feminina, porém, forte, algo que Chanel faz muito bem”, afirma. “Às vezes, tenho esses momentos de querer parecer uma princesa em um evento, então, uso um desses lindos vestidos de renda da coleção Métiers d’Art, de 2016, desfilados em Roma.”

Um dos quartos do apartamento - Foto: Josh Shinner
Um dos quartos do apartamento – Foto: Josh Shinner

Outras grifes preferidas são The RowCrista Seya – “para camisas elegantes e trench coats” – e a boa e velha Celine, que ela usa com joias de Sophie Buhai e do designer brasileiro Fernando Jorge. Para o toque final, ela explica: “Sempre aplico Chanel Rouge Audace, Obscure ou Nightfall. Minha mãe nunca saía de casa sem batom e eu acabei sendo igual”.

Três mulheres e um truque de styling para te inspirar: o escarpin amarelo flúo

Tracee Ellis Ross, Victoria Beckham e Margot Robbie vão te convencer de que o arremate perfeito para qualquer look não precisa ser sem graça

Tracee Ellis Ross (Foto: Instagram Tracee Ellis Ross/ Reprodução)

A febre dos tons neon que energizou os looks dos fashionistas em 2018 pode ter dado espaço a tons terrosos e neutros, mas isso não quer dizer que as cores caprichadas nos megawatts saíram de cena.

Muito pelo contrário: são elas que ainda contribuem com bem-vindos pontos de cor nos looks desta temporada, mostrando-se mais versáteis do que você imaginava. Duvida?

Pois três famosas te mostram aqui que um escarpin amarelo flúo pode ser o complemento perfeito, qualquer que seja seu estilo.

Victoria Beckham e o ponto de cor nos pés

Victoria Beckham (Foto: BACKGRID)

Os tons neon como pontos de cor isolados nos looks são o truque de styling favorito das fashionistas que se renderam a cores mais sóbrias nesta próxima estação. 

Acertando mais uma vez no aerolook e na alfaiataria, Victoria Beckham é a inspiração perfeita para seus looks de meia estação ao combinar a calça cáqui, suéter azul e blazer xadrez com um par de escarpins amarelo flúo.

Margot Robbie e a alfaiataria monocromática

Margot Robbie (Foto: Getty Images)

A bordo de um terno Attico, Margot Robbie mostra que o monocromatismo aliado à alfaiataria é a atualização perfeita para quem ainda não encerrou seu relacionamento com cores flúo. Seu segredo é apostar em peças de corte clássico e atemporal e beleza bem cool e radiante.

Tracee Ellis Ross e o neon + neon

Tracee Ellis Ross (Foto: Instagram Tracee Ellis Ross/ Reprodução)

Em um look da neolabel de Sterling Ruby, Tracee Ellis Ross é a inspiração para quem gosta de looks ultracoloridos e com pegada pop. O par da modelo, de PVC com pontos de cor amarelo flúo, é made in Brazil, e faz parte da coleção da Schutz.

Para quebrar a profusão de tons acesos? Um bom batom vinho e bolsa preta.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade

Desfiles como os de Gucci e Prada na Semana de Moda de Milão reafirmam o poder da moda como representação de seu tempo
ADRIANA FERREIRA SILVA

Adriana Ferreira Silva (Foto: Divulgação/ Léo Faria)

Eu era adolescente quando percebi que a moda poderia me salvar. Não sendo o “padrão” desejado pelos rapazes à época (cabelos lisos e longos, de preferência loiros, bunda e peitos grandes etc.), descobri cedo que poderia chamar a atenção sendo “diferente”: de preto da cabeça aos pés, fui gótica; usando camisetas listradas e camisa de flanela xadrez amarrada na cintura, grunge; passei rapidamente pelo hippie, flertando com as saias longas e floridas e as sapatilhas de pano compradas no bairro da Liberdade para, enfim, me tornar clubber, usando botas plataforma e roupas coloridas. Moda para mim sempre foi atitude, comportamento. A mais perfeita expressão de uma personalidade.

Escrevo isso após finalizar a cobertura da Semana de Moda de Milão (17 a 22/9) e sob o impacto dos desfiles das coleções primavera/verão 2020, em especial das grifes italianas Gucci e Prada. Para além do objetivo final que é “vender roupa”, essa é uma indústria formada por artistas, sejam as costureiras, que levam horas cosendo, à mão, um lenço –no caso da Hermès, por exemplo, para fazer cada um de seus famosos “carrés” gasta-se bem umas 30 horas– ou estilistas, que inspirados por “n” razões são capazes de reler seu tempo na forma de um vestido ou um smoking –impossível não mencionar Yves Saint Laurent, o homem que nos permitiu usar essa peça até então masculina.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade (Foto: Arquivo pessoal)

Essa delicadeza em captar o “l’air du temps” apareceu em especial nas coleções de Miuccia Prada e Alessandro Michele. Num momento em que a representação mais forte da nova geração de consumidores é Greta Thumberg, adolescente de 16 anos que se recusa a atravessar o oceano de avião, por ser um meio de transporte muito poluente, e no qual estão em pauta o excesso de consumo e a destruição do meio ambiente –bem como a responsabilidade das indústrias da moda e da beleza nesse processo–, Miuccia reduziu sua criação “à essência”, “um antídoto à complexidade”. Na prática, saem de cena as peças que, na estação seguinte já poderiam estar “datadas” –quem se lembra das estampas de macacos? As mesmas que levaram a marca a ser acusada de racismo e à criação do comitê presidido pela ativista e diretora de cinema americana Ava Duvernay–, e entram roupas que devem atravessar gerações. Na passarela, obviamente, o que se destaca é a beleza e o caimento perfeito de casacos, saias, vestidos… Bem de perto (um dos privilégios de cobrir semana de moda é poder ver as coleções no dia seguinte e “pegar” nas roupas), isso se traduz em peças atemporais, que podem ser usadas hoje, no ano que vem ou em dez anos. Isso porque são tão benfeitas que, se bem-cuidadas, se tornam “acervo”, ou seja, passam de mãe para filha, neta etc. Como exemplo, vestidos “básicos” cobertos por bordados primorosos feitos em lantejoulas, as mesmas que aparecem compondo desenhos em casacos e tops. É uma aposta de risco, principalmente em se tratando de uma marca que não está entre as mais lucrativas do mundo, mas, de Miuccia, uma mulher conhecida por seu engajamento e sua refinada pesquisa, não se espera outra coisa.

A moda me salvou ao me permitir demonstrar atitude e criar uma personalidade (Foto: Arquivo pessoal)

Michele, por sua vez, deixou fashionistas boquiabertos ao propor um rompimento contra os “mecanismos que subjulgam e impõem regras de comportamento que são internalizadas pelos indivíduos”. Atento a essa onda conservadora que se espalha pelo mundo na forma de governos semiditatoriais e politicamente incorretos que atuam contra a globalização e para os quais é permitido desrespeitar as minorias, o estilista italiano, um do mais inovadores em atividade, sugere uma moda radical. Essa ideia, que tem como base uma teoria do filósofo Michel Foucault que fala sobre “biopolítica” (o poder das instituições sobre a vida e os corpos das pessoas) foi representada na passarela, primeiro, por modelos vestidos de branco da cabeça aos pés (algo impensável para a colorida Gucci), imóveis sobre passarelas rolantes, presos à camisas de força (muito desejáveis, por sinal), num ambiente que se assemelhava a um manicômio. Ao toque de uma sirene, o apagar de luzes, o cenário se torna quente, colorido (assista ao vídeo, é imperdível), e uma coleção cujo destaque são as peças do universo SM –vestidos transparentes usados com calcinhas fio dental, rendas– são o destaque, além do colorido e das referências aos anos 70 que fizeram a fama de Michele. Ao final, a palavra “orgasmique” impressa em uma bolsa resume o espírito da estação, que insinua o desejo, o sexo, o punk e os extremos como antídoto contra a caretice que tentam nos fazer descer goela abaixo (não sucumbiremos!).

Há, é claro, o espetáculo por si só e o escapismo. Ver J.Lo cruzar a passarela da Versace com a nova e ainda mais sexy versão do Jungle Dress, o vestido usado por ela no Grammy em 2000 –que, de tantas buscas nas redes, levou o Google a criar o Google Images–, me deixou, literalmente, sem voz. Assistir a uma apresentação da Dolce & Gabbana em seu habitat natural –com mulheres usando roupas e acessórios da marca da coroa ao sapato– é uma experiência antropológica que te faz sentir num filme de Federico Fellini, ou embarcar no psicodelismo flower power de Fendi e Peter Pilotto inspiram a ousar e sonhar.

No fim, pode até ser que tudo se resuma apenas a “vender roupas”, mas é bom pensar que existe muito mais por trás das peças que você escolhe para compor sua personalidade –sejam elas de supergrifes ou do brechó da esquina– do que apenas a indústria. Eu sigo querendo ser diferente (o mais possível!).

Costanza Pascolato: 80 anos de elegância

Costanza Pascolato se mantém como uma das principais referências de estilo no Brasil
Por Daniel Salles

Costanza Pascolato: novo livro, “A Elegância do Agora” (Divulgação/Divulgação)

Veio o fast fashion, chegaram as blogueiras, a crise contaminou a moda… e Costanza Pascolato se manteve como uma das principais referências de estilo no Brasil

Nascida na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, ela assistiu à reconstrução da Europa e ao processo de industrialização no Brasil, país que sua família adotou quando tinha 5 anos de idade. Testemunhou o nascimento do prêt-à-porter e incontáveis reviravoltas no mundo da moda, como o advento do fast fashion, das blogueiras e das influenciadoras.

E, aos 80 anos, completados no dia 19 de setembro, Costanza Pascolato se mantém como uma das principais referências de estilo no país. Adequada aos tempos atuais – ela própria tem mais de 600 mil seguidores no Instagram.

O aniversário foi marcado pelo lançamento de “A elegância do agora”, seu quinto livro, publicado pela Editora Tordesilhas. Nele a empresária e consultora de moda, que ganhou projeção no jornalismo de moda nos anos 1970, nas revistas femininas da Abril, rememora sua trajetória e dá dicas de comportamento e estilo. Uma delas? “Até os 60 você é jovem, depois fica adulta”.

Mais uma: “Siga sua personalidade, quem sabe se individualizar é quase uma revolucionária nos dias de hoje”. A obra foi escrita a partir de um depoimento dado à jornalista Isa Pessoa e tem fotos de Bob Wolfenson.