Estilistas do SPFW customizam canudos by Coca-Cola

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Estilistas do SPFW customizam canudos by Coca-Cola Jeans (Foto: Divulgação)

Para celebrar a chegada do SPFW N42, a Coca-Cola Jeans convidou cinco estilistas para assinarem uma coleção especial de canudos.Alexandre Herchcovitch (A La Garçonne), Patricia Bonaldi(PatBo), Lolita Zurita Hannud (Lolitta), Vitorino Campos e Helô Rocha mostram suas porções criativas para os straws. O sexto canudo é assinado pela Coca-Cola Jeans, que estreia nas passarelas do evento paulistano.

Vitorino Campos, Helô Rocha, Lolita Zurita Hannud, Patricia Bonaldi e Alexandre Herchcovitch   (Foto: Reprodução)Vitorino Campos, Helô Rocha, Lolita Zurita Hannud, Patricia Bonaldi e Alexandre Herchcovitch (Foto: Reprodução)

Entre um desfile e outro, os convidados que passarem pelo espaço Coca-Cola, que será assinado pelo arquiteto e designer croata Marko Brajovic, vão conhecer a coleção de canudos e beber Coca-Cola na clássica garrafa de vidro. Tim tim!Estilistas do SPFW customizam canudos by Coca-Cola  (Foto: Divulgação)Estilistas do SPFW customizam canudos by Coca-Cola (Foto: Divulgação)

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RGirls NOW! Agnes Igoye: uma guerreira contra o tráfico humano

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Agnes distribui livros para crianças em Uganda
Por Monica Serino, de Nova York
A história da ativista Agnes Igoye parece saída de um filme. Na noite do dia 7 de março de 1972, seu pai, líder de uma tribo da etnia Teso, no norte de Uganda, atravessou a selva de bicicleta com sua mulher em trabalho de parto, a caminho do hospital para que ela desse à luz em segurança. Sabia que um leão rondava a região. Agnes nasceu saudável em Pallisa, na madrugada do dia 8, coincidentemente, o Dia Internacional da Mulher, data que celebra a causa que, desde seu primeiro respiro, a acompanha pela vida. O nascimento de meninas, segundo a tradição dos Teso, não é comemorado. Mulheres que não concebem meninos podem ser devolvidas às suas famílias e o dote pago por elas, cobrado de volta por maridos insatisfeitos. Agnes foi a terceira menina gerada em sua família e a tribo ansiava por um garoto que pudesse herdar a liderança de seu pai. Educado em uma escola de missão católica e, portanto, exposto a valores ocidentais, ele não sentia tal desapontamento. Jamais se frustrou com a chegada de suas meninas e fez questão que elas e os dois filhos tivessem a mesma educação. Todos terminaram a faculdade.

Hoje, Agnes é a voz mais importante no combate ao tráfico de pessoas – mais especificamente de mulheres – na África. Vice-coor­denadora de Prevenção do Tráfico Humano em Uganda, ela treina funcionários públicos para reconhecer e capturar traficantes. Esse trabalho perpassa 13 ministérios e já capacitou mais de 2 mil oficiais. Além disso, é fundadora do Huts for Peace (Cabanas pela Paz, em português), um projeto que acolhe sobreviventes – em geral, meninas e seus filhos gerados no cativeiro. Também lidera o End Child Trafficking (Fim do Tráfico de Crianças), em que uma equipe percorre as tribos do interior do país para alertar a população sobre os riscos que a rondam. Em abril, recebeu o Prêmio Internacional Diane von Furstenberg pelo conjunto de seu trabalho, no valor de 50 mil dólares. Pretende investir a quantia no centro de acolhimento dessas vítimas. Mais altruísta impossível, como mostra o depoimento a seguir.

Agnes em discurso sobre seu trabalho, nos Estados Unidos (Foto: .)Agnes em discurso sobre seu trabalho, nos Estados Unidos

Educação ocidental
“Meu pai era o filho mais velho do chefe da tribo e herdou as terras e a liderança do meu avô. Como foi educado na escola da missão católica, tinha uma visão diferente da dos demais. Era contra algumas tradições como, por exemplo, a poligamia. Rompeu com os costumes e educou os filhos de forma ocidental. Todos fizemos faculdade. Meu pai também se recusou a receber dinheiro ou bens em ‘troca’ de suas filhas para casá-las. Ele sabia como isso poderia contribuir para a violência doméstica.”

Memórias da guerra
“As lembranças mais duras da minha infância estão relacionadas ao Exército de Resistência do Senhor (ERS). Eram guerrilheiros cruéis, liderados por Joseph Kony, um fanático que se dizia enviado de Deus [o ERS chegou a ter 60 mil crianças em sua linha de batalha e deslocou 2 milhões de pessoas que fugiram de suas investidas]. Eu era adolescente, tinha uns 13 ou 14 anos, quando o ERS atacou minha vila. Meu pai não queria abandonar os Teso naquela situação. Mudou de ideia quando soube que estavam sequestrando as meninas. Viu minha prima sendo arrastada por um soldado da milícia. O irmão dela, meu primo, saiu correndo atrás, gritando: ‘Ela é minha mulher’. Foi o que a salvou. Não queriam as casadas, só as jovens virgens. Fomos morar em um convento, também em Pallisa, que servia de abrigo para refugiados. Recomeçamos a vida do zero porque o ERS tinha levado nossas coisas. Hoje, Kony é um dos criminoso mais procurados do planeta.”

Ugandenses em um campo de refugiados (Foto: .)Ugandenses em um campo de refugiados

Luta contra o crime
“Quando terminei a escola, nos anos 80, fui estudar ciências sociais. Comecei a trabalhar como agente na Imigração. Uma vez, um homem estava tentando atravessar a fronteira e senti que precisava detê-lo. Foi intuitivo. Durante a conversa, achei a maneira como ele falava estranha, estava machucado. Descobri que era membro do ERS, procurado por atrocidades. Obrigava as pessoas da comunidade a comer a carne dos parentes assassinados, por exemplo. A partir daí, passei a treinar policiais para detectar suspeitos. Pessoalmente, não sinto medo de fazer meu trabalho. Meus pais, vivos até hoje, ficam preocupados. Minha mãe reza por mim todos os dias.”

Escravidão moderna
“Na África, há todo tipo de tráfico de pessoas. Os criminosos atraem as vítimas com promessas de emprego. Pagam a viagem delas e depois cobram a quantia, dizendo que vão descontá-la do salário. Dizem, então, que as vítimas não estão rendendo. Há ainda o tráfico de órgãos, de crianças para adoção, para sacrifícios religiosos, e de meninas e meninos para servirem aos guerrilheiros. No tráfico de crianças, os próprios pais podem expor os filhos sem saber. Se alguém diz que vai dar uma boa educação para as crianças, eles acabam as entregando. São ludibriados.”

Prevenção e combate
“Trabalhamos em uma campanha pelo fim do tráfico infantil em Uganda, um projeto que tem apoio da Vital Voices [ONG americana fundada por Hillary Clinton], a End Child Trafficking. A ideia é informar a população. Como muitas comunidades não têm rádio nem televisão, levamos vítimas resgatadas nas escolas, para contarem o que houve aos alunos. São relatos de trabalho e casamento infantil (legais no país), crianças usadas como soldados nos conflitos. O método funciona. Em 2013, resgatamos por volta de 800 pessoas, o dobro do ano anterior. Isso não quer dizer que o tráfico aumentou, mas, sim, que há mais denúncia. O que podemos celebrar é a maior conscientização de toda a população.”

Recomeço
“Em Uganda, há um estigma sobre as vítimas do tráfico de pessoas que retornam para suas comunidades. As meninas voltam com filhos e os meninos, traumatizados com o que viram ou com os crimes que foram obrigados a cometer. Acabam marginalizados. Criamos o Huts for Peace, que acolhe resgatados. Construímos casas para abrigar 22 famílias e mais de 120 crianças órfãs estão sob nossos cuidados. Essas mulheres estão refazendo as comunidades e espalhando uma mensagem de paz e reconciliação.”

agnes1A ativista com Diane von Furstenberg durante premiação
(Fotos: Exchanges Photos Seguir / AFP PHOTO / Divulgação)

Jaden Smith é eleito pela ‘Times’ um dos adolescentes mais influentes de 2016

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Jaden Smith é um ícone de estilo e agora foi considerado pela Times um dos adolescentes mais influentes de 2016. De acordo com a revista, que divulgou a lista na quarta-feira (19), o filho de Will Smith está na lista junto com mais outros 29 jovens.

É que o rapaz tem sido a voz de adolescentes que não gostam de ser julgados por suas roupas. Esse ano, ele criou uma coleção chamada MSFTSrep, que, segundo o galã, foi feita para garotas que gostam do estilo tomboy e para garotos que gostam de usar saia.

Entre os nomes também estão Maddie Ziegler, que protagoniza a maiora dos clipes de Sia, a atriz da Disney Skai Jackson, Gaten Matarazzo, que tem deixado muita gente morrendo de fofura com seu personagem em Stranger Things e Sasha Obama, filha de Barack e Michelle Obama.

Você nunca viu uma casa como a de Gwen Stefani – e ela está à venda

A mansão, que já pertenceu à Jennifer Lopez, possui 1100 metros quadrados e fica em um condomínio fechado de luxo conhecido como The Summit,  em Beverly Hills, na Califórnia
O divórcio de Gwen Stefani foi um assunto recorrente na mídia nos últimos seis meses e agora, a casa que a cantora dividia com o ex-marido, o também cantor Gavin Rossdale, foi posta à venda por 35 milhões de dólares.

Com mais de 1.100m², a casa de seis quartos conta com uma academia profissional, cinema, diversas lareiras, piscina, quadra de tênis, cozinha externa e spa. Para completar, há uma casa de menor tamanho somente para convidados.

A propriedade ainda conta com escritórios para os gerentes da casa e uma casa de hóspedes.

Com praticamente todos os cômodos abertos para o exterior (e uma vista de dar inveja), o interior leva assinatura de Kelly Wearstler e apostou em uma base branca e preta para destacar as obras de arte e as peças vibrantes, como o tapete vermelho e o sofá rosa pink, na sala.

De acordo com a Variety, que publicou a notícia, The Summit foi comprado pelos cantores em 2006 por 13,25 milhões de dólares – menos da metade do que a dupla está pedindo atualmente.

Antes de Gwen e Gavin, a mansão pertenceu à também cantora Jennifer Lopez, que vendeu a casa em 2000 por aproximadamente 4,3 milhões de dólares.

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Conheça a carioca Arara, agência com olhar tropical

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Malu Barretto e Pedro Igor Alcantara no escritório da Arara, no Rio de Janeiro (Foto: Fred Othero e Fernando Schlaepfer)

Uma estrutura metálica gigante no topo do edifício Hilton Santos, no Flamengo, no Rio, marcou a cidade durante as Olimpíadas. A obra do artista francês JR fazia parte do projeto Inside Out, que cobriu endereços cariocas com rostos impressos em lambe-lambes. As manifestações artísticas foram produzidas pela carioca Arara, de Malu Barretto, 43, e Pedro Igor Alcantara, 37.

Amigos há 15 anos, eles decidiram unir forças em 2013. Cool e muito bem conectado, Pedro foi sócio de uma produtora cultural em São Paulo. Já Malu, que é casada com o artista plástico Vik Muniz (é dele a pintura de uma asa de arara que decora o escritório da dupla, na rua Dias Ferreira, no Leblon), trabalhou para marcas de luxo lá fora com o Valentino e Louis Vuitton (foram 14 anos entre Nova York, Milão e Roma) e para a L’Oréal, no Rio de Janeiro.

Bons de festa, pararam a cidade com o primeiro Baile da Arara, em 2015, que encerrou o Carnaval com dobradinha de Caetano Veloso e Seu Jorge no palco. Tudo o que fazem tem perfume tropical, assim como o nome da empresa. Perfume, aliás, é o tema de mais um projeto: a passagem de Jean Paul Gaultier pelo Brasil para divulgar suas fragrâncias, em outubro. [Rosana Rodini]

Consulesa da França Alexandra Loras revela planos de fazer TV no Brasil

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O futuro de Alexandra Loras em terras tropicais envolve seu retorno à TV. A francesa, formada pela conceituada L’École Livre de Sciences Politiques, irá estrelar uma atração na emissora que lançou Kim Kardashian à fama

Setembro foi o último mês de Alexandra Loras no cargo de consulesa da França em São Paulo. Na cidade desde 2012, a filha de mãe francesa e pai gambiano ganhou destaque na imprensa durante o exercício de seu cargo, que teve o ativismo pela causa negra e feminismo como seu foco. Agora, seu próximo passo é discutir direitos humanos na TV em um reality show. “É um projeto de conscientização para educar, de maneira lúdica, as pessoas sobre diversidade”, revelou à Marie Claire.

O programa deve estrear no final de 2017 no canal por assinatura E! Entertainment, mesma emissora que lançou Kim Kardashian, e suas irmãs, à fama em “Keeping Up With The Kardashians”. “É uma ferramenta poderosa para trazer a mudança que queremos ver no mundo”, disse. Na atração, Alexandra mostrará seu cotidiano em ações sociais nos bairros periféricos da capital paulista, segundo a própria.

Nesta entrevista exclusiva, Alexandra explicou a razão pela qual decidiu, ao lado do marido, o cônsul Damien Loras, permanecer no Brasil, falou sobre sua luta contra o racismo e como descobriu o feminismo em solo tropical.alexandra

Marie Claire – Você e o cônsul recusaram uma proposta de liderar a embaixada da França em Quebec, no Canadá, e abriram mão da chefia da missão francesa na ONU, em Nova York, após finalizarem o trabalho consular no Brasil. Por que?
Alexandra Loras – Escolhemos o Brasil para viver porque acreditamos que é aqui onde poderemos desenvolver nossa vida. A dinâmica, aqui, é mais flexível. Posso subir em um palco e verbalizar sobre assuntos delicados, como diversidade, fascismo e racismo e ser recebida de uma forma respeitosa. Descobri meu espaço de fala aqui. Nunca tive isso em Paris, mesmo sendo apresentadora de TV. Sempre quis voltar a morar nos EUA ou ir para o Canadá, onde tudo funciona, mas aqui tenho a oportunidade de mudar o mundo. Se for para lá não vou ter este espaço.

MC – Vocês pensam em voltar para a França?
AL – Me encaixo muito mais na sintonia daqui do em um país que se considera superior e civilizado. Me incomoda a “supremacia” escondida atrás do lema igualdade, liberdade e fraternidade, da qual somente a elite pode desfrutar. Fomos o opressor do mundo e hoje pedimos paz. A França é o quarto país que mais produz armas e está chorando quando esta violência se volta contra ela. Não me vejo mais evoluindo na França. Agradeço por ter me dado um senso crítico, mas como cidadã negra não me vejo evoluir no meu país neste momento.

Alexandra Loras (Foto: Luis Vilela)

MC – Quais são seus planos profissionais no Brasil agora que decidiu permanecer aqui?
AL – 
Estou com um projeto de TV sobre conscientização geral. Vamos educar de maneira lúdica as pessoas a respeito da diversidade pelo canal E! Entertainment. Será um reality show. As câmeras vão me acompanhar durante ações sociais com meninas nas favelas do Capão Redondo. Vamos fazer uma narrativa pop para quebrar estereótipos sobre favela. Também estou trabalhando como professora no curso de Pós Graduação em Educação e Relações Étnico-Raciais, da Faculdade Campos Salles, e estou escrevendo uma biografia pela editora Planeta para 2017.

MC – Por que escolheu a TV como forma de continuar trabalhando com causas sociais?
AL –
Os programas de TV são uma forma de educarmos o povo, a televisão é uma das ferramentas mais poderosas para trazer a mudança que queremos ver no mundo.Alexandra Loras (Foto: Luis Vilela)MC – Você foi convidada para ser a primeira negra a posar na capa da Playboy do Brasil, mas recusou.  O que a fez declinar a proposta?
AL – Eu declinei porque estou lutando pela representatividade da mulher em todos os espaços. Estar em uma capa é bom, mas estou lutando contra o clichê da mulher negra sendo sexualizada sempre. Quando decidi desfilar pela Vai-Vai no Carnaval, usei um vestido comprido, até os pés. Não queria parecer a morena gostosa.

MC – Como foi que começou a defender a causa feminista?
AL – Na França temos o exemplo de Simone Beauvoir, mas descobri o feminismo no Brasil, com o jeito dócil e coletivista das brasileiras. Elas me inspiraram a repensar o feminismo contemporâneo, enxergando o quanto podemos lutar com firmeza.  Precisamos deixar o homem entrar no debate, assim como o branco deve participar da discussão sobre a causa negra. É o homem que está com os privilégios nas mãos, por isso ele precisa escutar, ter empatia e compaixão sobre esses assuntos.Alexandra Loras (Foto: Luis Vilela)MC – No Brasil você foi vítima de racismo ao ser questionada o motivo de não estar usando branco, como as outras babás, em um clube paulistano. Ainda assim, há pessoas que acreditam em democracia racial. O que você diria a elas?
AL – Quando pessoas brancas falam sobre democracia racial para mim, eu digo: “Você deixaria de ser branca para ser negra? Gostaria de ganhar 40% do salário de um homem branco? Aceitaria não poder viver em certos bairros de São Paulo ou não poder comprar em certos espaços por ser inferiorizada? O negro não vai almoçar no shopping da elite porque não será bem atendido, haverá um segurança de olho nele. O branco não percebe isso, não vive isso. O branco não é constantemente barrado no aeroporto de Guarulhos, mesmo com passaporte diplomático, como eu. Na minha própria casa, onde recebia 6 mil pessoas por ano, várias vezes pensavam que eu era funcionária. Dizem que o cabelo crespo é ruim, duro. Isso só se escuta no Brasil, assim como: “você não é tão negra assim”. O Racista nunca se acha racista, precisamos educar as pessoas sobre isso. Um negro morre a cada 23 minutos e ninguém fala sobre isso. [Thiago Baltazar]

Gastronomia I ‘Não reparei que estava abrindo tanto o meu coração’, diz Paola Carosella sobre seu primeiro livro

pawCapa do livro ‘Todas as Sextas’, de Paola Carosella Foto: Divulgação


Quando beirava a adolescência, aos 12 ou 13 anos, a argentina Paola Carosella achou na TV e no programa de culinária Utilíssima um tapa-buraco para a solidão de esperar a mãe chegar em casa todo dia após o trabalho. Ocupava o tempo cozinhando e montando a mesa, aprendendo truques e improvisando com os ingredientes que tinha na geladeira, conta ela no seu primeiro livro, Todas as Sextas, a ser lançado no dia 8 de novembro em São Paulo.

Mais de 30 anos depois, ela própria está na TV, em rede nacional com o programa Masterchef Brasil, e traz a história da sua vida a público num livro que mescla autobiografia e receitas.
“Eu não reparei que estava abrindo tanto o meu coração até que o livro estava impresso”, disse a chef ao Paladar num papo no seu restaurante Arturito. “Eu também sentia que um dos motivos pelos quais eu tinha que contar a minha história era por causa do Masterchef. O programa mostra uma única Paola. É difícil imaginar o que aconteceu antes comigo.”

A chef Paola Carosella, que lança o livro 'Todas as Sextas'A chef Paola Carosella, que lança o livro ‘Todas as Sextas’ Foto: Jason Lowe|Divulgação


Assim, ela conta como foi entrar no mundo da cozinha ainda em Buenos Aires por volta dos 18 anos, conhecer chefs na França e trabalhar com o “pitoresco e colorido” Francis Mallmann. Foi por causa dele que ela chegou a São Paulo, em 2001, para abrir a Figueira Rubaiyat e, depois, construir a sua própria história.

É do Arturito, seu restaurante em Pinheiros, que sai o nome do livro, Todas as Sextas, já que a sua “volta” à rotina da cozinha depois de um tempo voltada à burocracia da casa se dá quando ela resolve preparar o menu-executivo “todas as sextas”.
Polvo na chapa à provençal com feijão manteiguinha, barriga de porco braseada lentamente com molho gribiche, joelho de porco com verduras e mostarda de Dijon – são receitas como essas, executadas para o menu de sexta-feira, que preenchem o livro, lançado pela Melhoramentos.

As fotos são de Jason Lowe, que Paola conheceu por admirar seu trabalho e hoje é marido da chef. O trabalho do fotógrafo guarda a peculiaridade e a estética ímpar de ser realizado com filmes analógicos numa Hasselblad de 1970. Confira a seguir trechos da entrevista com Paola.

Cebolas na brasa, coalhada e dukkah, de Paola CarosellaCebolas na brasa, coalhada e dukkah, de Paola Carosella Foto: Jason Lowe|Divulgação


Em que ritmo você escreveu o livro? Ao lê-lo, tem-se a sensação de que você sentou e jorrou as memórias de uma vez.
Não… (risos). Eu comecei o primeiro capítulo dois anos e meio atrás. Havia um pedido de outra editora, não funcionou, mas daí já havia a ideia de eu querer fazer um livro. Eu conheci o Jason (Lowe, seu atual marido) por causa disso e fizemos algumas fotos. Mas ainda não sabia qual era a coluna vertebral do livro.
Não me sentia confortável de fazer um livro “receitas da Paola” ou “receitas do Arturito”, precisava de algo mais sólido. Daí um dia pensei nos menus de sexta-feira do restaurante, porque foram eles que me conectaram com a cozinha depois de um momento muito intenso como “empresária”. Assim eu também poderia escolher as receitas, pois tenho 25 anos de cozinha, como afunilar as receitas?

Você fala em receitas, mas o livro também é uma autobiografia com nome e sobrenome de pessoas que passaram pela sua vida, momentos íntimos.
Eu não reparei que estava abrindo tanto o meu coração até que terminei o livro, até que ele estava impresso, na verdade. Acontece que eu não sabia como contar essas coisas se não trazendo as pessoas. Tem algumas ironias com algumas pessoas que pertencem a um passado muito distante, que não vão ler o livro (risos).
Mas eu não podia não falar do Francis Mallmann e não podia não contar com os poucos recursos literários que eu tenho o quão pitoresco e colorido ele é, o quanto ele mudou a minha vida. Eu não podia não falar dos Belarminos, do jeito que as coisas foram.
Se fosse para ser uma biografia escrita por uma ghost writer, eu preferia não fazer livro. Eu também sentia que um dos motivos pelos quais eu tinha que contar a minha história era por causa do Masterchef. O programa mostra uma única Paola, dentro de um frame. É difícil para quem vê essa Paola imaginar o que aconteceu antes comigo.

Profiteroles recheados de sorvete de baunilha com praliné e calda de chocolate, de Paola CarosellaProfiteroles recheados de sorvete de baunilha com praliné e calda de chocolate, de Paola Carosella Foto: Jason Lowe|Divulgação


Sobre essa imagem, você fala no livro dos momentos em que é “sargento” e das meninas lindas de cabelos soltos na cozinha de Francis. Quem é Paola hoje?
Eu consegui um equilíbrio, consegui montar uma cozinha por meio de muita disciplina. Consegui montar estruturas de trabalho e estruturas de pessoas que me acompanham e entendem essa disciplina. A disciplina existe, mas deixa que a gente seja amoroso nela. Eu não preciso ser mais sargento.
A Paola sargento aparece em Los Negros (restaurante de Francis Mallmann no Uruguai) em 1997 é porque a cozinha de lá era muito desorganizada. Se você quer que o resultado tenha muita qualidade, você tem de colocar muita disciplina. E, se você tem de colocar disciplina em quatro dias, como faz? Ou você vai embora ou alguém tem de gritar mais alto. Segundo Francis, foi a melhor temporada de Los Negros até hoje.
Tenho 25 anos de cozinha, 44 de vida, que faço agora em outubro, então ao longo do tempo você vai construindo, minimizando os excessos. O ziquezague entre os extremos fica cada vez mais suave. Você consegue um jeito de ter disciplina sem gritar. Tenho braços-direitos hoje que só com o olhar sabem o que precisa ser feito. Não o que “eu” quero, mas o que precisa ser feito no restaurante.

Como está hoje a sua rotina depois do período em que virou dona sozinha do Arturito e, desde 2014, com a ajuda de um novo sócio, Benny Goldenberg?
Benny entrou na minha vida e foi sensacional. Sou eternamente agradecida, porque ele me dá toda a estrutura que eu nunca tive para que eu possa ser uma cozinheira e para que também possa me aventurar em outras coisas, como a TV, que eu gosto de fazer e acho muito legal, e ainda o La Guapa (casa de empanadas), que ele fez crescer com sua força locomotora.
Hoje, sou eu que faço as mudanças do cardápio do Arturito, faço a ponte entre o que vai ser feito e os produtos que quero usar. Me relaciono muito mais com os produtores (como a Cooperapas, em Parelheiros). Nesse período de mudança, a cada três meses, eu me jogo dentro da cozinha, sou eu que comando os 15 ou 20 dias que demora esse processo. Tenho duas mãos direitas, Lucas e Mariú, que assumem depois que eu saio.
É um sistema que funciona porque toda brigada de cozinheiros precisa se manter vibrante e excitada. Ao mesmo tempo, você não pode viver em constante vibração. Então, ok, temos o cardápio novo, estamos empolgado, daí faz-se a repetição e cansa. Na hora em que você cansa está na hora de mudar o cardápio de novo.

E como é a sua presença hoje no restaurante, mesmo fora da cozinha?
Eu gostaria de estar mais no salão, mas tem muito pedido de foto. Isso não me incomoda, mas sinto que pode incomodar o cliente ao lado. Eu quero satisfazer esse pedido de foto porque entendo de onde vem o carinho, mas talvez a pessoa ao lado tenha vindo pela comida, não por mim. Então, não quero atrapalhar. Às vezes não estou tanto no salão quanto gostaria.

Como você vê hoje a cena dos orgânicos em São Paulo, que eram tão inacessíveis quando você abriu o Julia Cocina, em 2003?
Lindíssima. Acho que é o melhor momento: quando não está tudo feito ainda, tem muito para se fazer, então nós cozinheiros conseguimos nos envolver no processo de trabalhar em conjunto. A cena hoje não se compara com a época quando abri o Julia. Nem se compara. Hoje você consegue ovos orgânicos, de galinhas felizes, porcos criados soltos, pancs (plantas alimentícias não convencionais), queijos brasileiros, chocolate feito à mão. O cenário está incrível.

Paola e sua avó materna, Mimi, que a inspirou na cozinhaPaola e sua avó materna, Mimi, que a inspirou na cozinha Foto: Jason Lowe|Divulgação


No livro, você fala do impulso que o programa de TV Utilíssima te deu, e hoje é você que está na TV. Qual a diferença daquele tempo para hoje? E do papel da TV?
Difícil essa pergunta porque eu nasci inspirada na cozinha, venho de um berço onde tem muita cozinha. Então, a Utilíssima foi a minha companhia na solidão da minha adolescência e o que me fazia cozinhar para esperar a minha mãe. Mas o amor pela comida veio das minhas avós.
Hoje, vejo como o Masterchef inspirou muita gente. Não sei se a escolher a profissão de cozinheiro, mas a cuidar mais do que come, a deixar um pouco os industrializados de lado e a se aventurar na cozinha. É isso o que mais me interessa, que as pessoas não abandonem essa arte que é tão fundamental na construção de uma sociedade.
A atual temporada do programa, com profissionais, terminamos de gravar no último sábado e para mim foi a melhor que a gente fez. A gente fala muito da importância da formação, da não improvisação. Eu acho muito legal que a gastronomia seja uma opção de trabalho. É importante que se saiba que não é uma profissão que paga muito bem.
Mas a gastronomia tem esse poder de ser muito inspiradora e muito cativante para quem a faz. Os mais honestos são aqueles que sobrevivem apesar de não ganharem dinheiro por muitos anos.

Estando no ponto a que chegou hoje, sente saudade de alguma coisa do passado?
Sinto saudade dos tempos em que a única coisa que eu tinha que fazer na vida era cozinhar. Muitas saudades. Era muito simples. Não estou falando que não gosto do meu momento. É só uma nostalgia. Estou muito feliz e muito agradecida, a gratidão é tanta que às vezes sai do meu peito.

Mas sinto falta desses dias em que eu chegava de manhã na cozinha, abria a janela, deixava entrar o sol, pegava a xícara de café, montava minha mise en place perfeita e a única coisa que tinha que fazer era isso. Não tinha que pegar o celular e ficar respondendo perguntas para todo mundo. Naquela época, não havia outra distração.
Por mais que eu adore fazer mil coisas ao mesmo tempo, sinto saudades de ter tempo de fazer uma coisa por vez. E cozinhar, ser uma cozinheira que toca uma praça de um restaurante, não necessariamente a pessoa mais importante do restaurante. A ideia de ser uma anônima que está fazendo o seu trabalho me acalma, sabe? [Ana Paula Boni]

SERVIÇO

Todas as Sextas
Autora: Paola Carosella
Editora: Melhoramentos (352 páginas, R$ 139)
Lançamento no dia 8/11, às 18h
Livraria da Vila – Al. Lorena, 1.731, Jardins, tel. 3062-1063
A compra do livro nesta livraria a partir do dia 1º/11 dá direito a uma senha para a noite de autógrafos. Só serão distribuídas 400 senhas, e as fotos com a chef serão feitas por fotógrafo no local.