Ex-editora-executiva do NYT Jill Abramson é acusada de plágio em livro

Jornalista da Vice aponta trechos de reportagens não creditadas em obra de Jill Abramson

A então editora-executiva do jornal The New York Times, Jill Abramson, em Nova York – Kena Betancur/Reuters

SÃO PAULO –O repórter da Vice Michael Moynihan, em séries de tuítes na noite de quarta (6), acusou a ex-editora-executiva do New York Times Jill Abramson​, de reproduzir trechos de reportagens publicadas por veículos como a revista The New Yorker no recém-lançado “Merchants of Truth”, mercadores de verdade.

Abramson, que lançou o livro na terça (5), foi questionada sobre as acusações durante entrevista ao vivo na Fox News e negou plágio, citando as “70 páginas de notas de rodapé mostrando de onde veio a informação”. Acrescentou que “muitas pessoas da Vice têm reagido ao livro, não gostam do retrato da Vice”.

Os trechos citados por Moynihan são do capítulo que aborda a Vice, mas ele diz que há diversos casos. 

Outros jornalistas se somaram a ele, como Ian Frisch, que apontou também via Twitter sete trechos retirados e não creditados de uma reportagem sua para a revista Relapse.

Posteriormente, Abramson tuitou que toma “seriamente as questões levantadas e vai revisar os trechos”.

Seu livro, publicado pela ed. Simon & Schuster, aborda uma década de transformação no jornalismo, concentrando-se em NYT, que ela dirigiu por quase três anos (2011/14), Washington Post, BuzzFeed e Vice. [Nelson de Sá]


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Assinaturas digitais do jornal ‘The New York Times’ sobem 27%

Os bons números levaram o NYT a ter receita de US$ 709 milhões em seus negócios digitais

Sede do jornal New York Times

O jornal americano The New York Times anunciou ontem que teve alta de 27,1% no número de assinaturas digitais ao longo de 2018. A publicação tinha, no final de dezembro, 3,4 milhões de assinantes em sua versão online. Os bons números levaram o NYT a ter receita de US$ 709 milhões em seus negócios digitais. 

A expectativa, revelou a empresa em seus resultados financeiros para o período, é de bater a marca de US$ 800 milhões em faturamento digital até 2020. Outra meta para o futuro é a de chegar a 10 milhões de assinantes até 2025 – hoje, o New York Times tem ao todo 4,3 milhões de assinantes, incluindo sua versão impressa. Só no quatro trimestre de 2018, a empresa ganhou 265 mil novos assinantes – foi o melhor período para a publicação desde a eleição de Donald Trump à presidência americana, no final de 2016. O governo Trump, aliás, tem incentivado novas assinaturas do NYT. 

“Como vamos fazer para cumprir estes objetivos? Em primeiro lugar, com jornalismo”, disse Mark Thompson, presidente executivo do New York Times, na nota divulgada aos investidores. Em 2018, o jornal contratou 120 jornalistas, chegando a uma equipe total de 1600 pessoas em sua redação. É um recorde histórico para o veículo – que vai na contramão de outras publicações, como Vice Media e Buzzfeed, que anunciaram cortes recentes em suas equipes nos EUA. 

“Com as contratações e os números que o NYT revelou hoje, sua meta de bater US$ 800 milhões em receita digital em 2020 é algo realista”, destacou o professor Rosental Calmon Alves, professor do Knight Center for Journalism, da Universidade de Austin, no Texas, em sua conta no Twitter. 

Resultados totais

Ao longo do ano passado, o jornal teve receita de US$ 1,75 bilhões, em alta de 4,4% com relação a 2017 – os resultados online compensaram a queda de 10,2% no faturamento com publicidade no jornal impresso. 

Já o lucro caiu de US$ 90,5 milhões para 74,7 milhões – a empresa disse ter sido afetada por ter uma semana a menos em seu ano fiscal em 2018, na comparação com o ano anterior, bem como por ter tido maior fluxo de contratações. 

A empresa destacou ainda que tem US$ 826 milhões em caixa – parte desses recursos será utilizada para aumentar os dividendos aos acionistas, bem como exercer o direito à recompra do Edifício do New York Times até o final do ano, por US$ 250 milhões. 

Outro ponto interessante dos resultados da empresa é o fato de que 16% dos assinantes do New York Times estão fora dos Estados Unidos. “Há uma oportunidade para sermos produtores de notícia globais”, disse Meredith Levien, diretora de operações da empresa. 

Os bons números revelados ontem fizeram as ações do New York Times subirem 11,5% na bolsa de valores de Nova York, encerrando o dia cotadas em torno de US$ 30. Com isso, a avaliação de mercado da empresa está em torno de US$ 4,95 bilhões. 

‘NYT’ terá programação especial na Alexa para atrair novos leitores

Jornal americano lançará podcast diário com resumo de notícias, jogo interativo de perguntas e recursos de áudio pra reportagens de domingo

New York Times está apostando em programas informativos para asssitentes virtuais

O jornal The New York Times vai usar a Alexa, assistente virtual da Amazon, para alcançar novos leitores. Neste próximo fim de semana, o jornal americano lançará uma série de opções para os ouvintes como podcast diário resumido, um jogo com as notícias da semana e conteúdos exclusivos que completam a edição impressa de domingos.

O principal produto será um programa diário de três minutos, apresentado por Michael Barbaro, do podcast de notícias do jornal, o The Daily. Para ter acesso, o usuário precisará dizer, em inglês: “Alexa, habilitar o resumo de notícias do The New York Times.

A empresa também está apostando em um questionário interativo de múltipla escolha que desafia os ouvintes com perguntas sobre as notícias da semana. Segundo o jornal, a ideia é se usar a dinâmica dos jogos de curiosidade, populares entre usuários de assistentes de voz nos Estados Unidos.

Para alertar os leitores sobre o novo conteúdo, a edição impressa deste domingo terá várias reportagens especiais sobre a novidade. Páginas espalhadas pelo jornal vão estimular os leitores a perguntarem da Alexa sobre o conteúdo de áudio relacionado aquela reportagem, assim como recomendações de livros dos críticos do jornal e dicas de destinos de viagem.

 “Estamos interessados ​​em tecnologia de voz há algum tempo e sabemos que a descoberta é um desafio”, disse Dan Sanchez, editor de voz do NYT ao site americano The Verge. “Mas sabemos que temos o jornal impressão que podemos usar como trampolim para essas novas experiências.”

Experiências parecidas já foram feitas com dispositivos Alexa com empresas de mídia como BBC News. Segundo estudos no Reino Unido, acessados pelo The Verge, enquanto 46% dos usuários ouviam regularmente os resumos de notícias, apenas 1% os considerava a função como algo indispensável para um assistente virtual.

Jornal britânico Financial Times lança ferramenta que alerta quando há poucas mulheres em reportagem

Ideia do Financial Times é encorajar os jornalistas a equilibrarem os entrevistados

A ferramenta criada pelo Financial Times determina o gênero do especialista consultado com base em nomes e pronomes usados – Niklas Halle’n – 23.jul.15/AFP

WASHINGTON – Após perceber que apenas 21% das fontes ouvidas para as suas reportagens são mulheres, o jornal britânico Financial Times decidiu criar uma ferramenta digital para encorajar os jornalistas a equilibrar melhor os textos.

Anunciada no último dia 15, a “She Said He Said” (ela disse ele disse) determina o gênero do especialista consultado com base em nomes e pronomes usados nas reportagens . Quando há poucas mulheres, os editores de cada seção do jornal são alertados sobre a discrepância.

O jornal inglês, que cobre muitas áreas e indústrias ainda dominadas por homens, afirmou em comunicado que o objetivo é atrair mais leitoras do sexo feminino, que se identificam mais com textos que incluem citações de mulheres.

Antes desse recurso, o Financial Times havia lançado o Projeto JanetBot, para identificar a quantidade de mulheres em imagens na página inicial do jornal, e o Projeto XX, com o objetivo de produzir conteúdos específicos para o público feminino.

O próximo passo é lançar um recurso para detectar o desequilíbrio de fontes antes da publicação dos textos.

Os esforços para atrair o público feminino levaram o jornal a aumentar a proporção de colunistas de opinião mulheres entre março e agosto: foi de 20% para 30%.

A nova ferramenta repercutiu de forma positiva entre mulheres. Kristalina Georgieva, diretora executiva do Banco Mundial, compartilhou a notícia em uma rede social e escreveu que se você consegue medir o desequilíbrio, “você consegue mudá-lo”.

A repórter do The Guardian Kathleen McLaughlin escreveu que “adora ver o Financial Times dando passos tangíveis para aumentar a representação em suas páginas”. Já Claire Phipps, também do Guardian, disse que a ideia é “excelente” e “algo que todos nós na mídia devemos ter sempre em mente”. [Júlia Zaremba]

Após reportagem do NYT, agências de publicidade criticam Facebook

Segundo jornal, executivos ignoraram e ocultaram sinais de alerta sobre exploração de dados

Na primeira página do NYT traz reportagem com investigação de seis meses sobre o Facebook – Reprodução

NOVA YORK – Motor financeiro do Facebook, anunciantes importantes criticaram a forma como a gigante da tecnologia lidou com indícios de escândalos, um dia após o jornal The New York Times relatar que os principais executivos da empresa ignoraram e ocultaram sinais de alerta sobre exploração de dados e difusão de conteúdo tóxico.

O artigo destacava ainda uma campanha de lobby comandada por Sheryl Sandberg, à frente da publicidade do Facebook, para desviar a ira do público aos críticos da rede e a empresas rivais.

As revelações podem ser “a gota que faltava”, disse Rishad Tobaccowala, vice-presidente de crescimento do Publicis Groupe, um dos maiores grupos publicitário do planeta. “Agora estamos cientes de que o Facebook fará qualquer coisa por dinheiro. Eles não têm moral alguma”.

Anunciantes já reclamavam sobre a possibilidade de suas peças publicitárias serem divulgadas no Facebook ao lado de conteúdos que disseminavam desinformação e mensagens de ódio. 

Eles se queixam da maneira com a qual a empresa lida com os dados de seus consumidores e sobre sua forma de medir a audiência de anúncios e base de usuários. 

Essas preocupações não foram suficientes para reduzir os atrativos da vasta audiência trazida pelo Facebook e para desacreditar, por parte das empresas, que a rede social insistia em corrigir falhas.

Embora as agências de publicidade coloquem os anúncios em nome de seus clientes, cabe a eles decidir se anunciarão ou não no Facebook.

“As agências fazem recomendações, mas são os anunciantes que decidem quando algo se torna negativo para eles”, disse Marla Kaplowitz, presidente da 4A, uma organização setorial de publicidade.
Poucas empresas se dispuseram a deixar a plataforma.

“A posição dos anunciantes, há muito tempo, vinha sendo a de que o Facebook era manipulado por terceiros e por agentes inescrupulosos, mas eles sempre acreditaram que o Facebook estivesse tomando todas as medidas possíveis para evitar isso”, disse Rob Norman, consultor sênior da GroupM, divisão de compra de mídia do gigante da publicidade WPP.

Norman diz que o Facebook deveria ter um ombudsman, alguém que avaliasse os riscos do negócio para a sociedade e apresentasse relatórios quando a empresa anunciasse resultados, como fazem auditorias independentes.

“A empresa deveria reportar seu risco para a sociedade, e não apenas o risco financeiro para seus negócios”, afirma.

“Cometemos erros, mas sugerir que não estejamos concentrados em descobrir e resolver as questões rapidamente não é verdade”, disse Carolyn Everson, vice-presidente de soluções mundiais de marketing do Facebook, por email. 

“Nossos clientes confiam em nós para que os ajudemos a promover seus negócios, e quer isso signifique apoiar as maiores marcas do planeta ou um empreendedor iniciante, manteremos o foco em fazer o melhor trabalho para nossos parceiros, melhorar a segurança e a proteção de nossas plataformas e promover o bem social no planeta”.

Quase toda a receita do Facebook —que chegou a mais de US$ 40 bilhões (R$ 149,5 bilhões) no ano passado— vem dos anunciantes. 

Junto com o Google, o Facebook domina o mercado de publicidade digital e, mesmo que o crescimento de sua base de assinantes tenha desacelerado, a receita da empresa sobe a cada trimestre.

Mas as revelações desta semana podem abalar a confiança necessária ao marketing entre comprador e vendedor.

“Até agora, não importa o que você dissesse sobre o Facebook, não se podia dizer que fosse uma companhia dúplice”, disse Tobaccowala. “Mas a empresa diz uma coisa e faz outra completamente diferente”, completou. “E isso é muito difícil para um anunciante”.

A R/GA, agência digital que ganhou um prêmio do Facebook no ano passado, postou um link para a reportagem do NYT em sua conta no Twitter e acrescentou que “é hora de admitir que estávamos todos errados sobre o Facebook. As coisas são ainda piores”. Procurada, a agência não quis acrescentar comentários.

“O que mais ouço são marcas dizendo que a hora de só falar acabou. Não importa mais o que o Facebook diz, mas sim o que eles fazem e deixam de fazer”, disse, Dave Morgan, fundador e presidente-executivo da Simulmedia, que trabalha com anunciantes para criar publicidade televisiva direcionada.

Keith Weed, vice-presidente de marketing da Unilever,  dona de marcas como Omo e Dove, causou sensação neste ano ao anunciar que sua empresa não realizaria investimento publicitário em plataformas ou ambientes que “criem divisões na sociedade e promovam a raiva ou o ódio”.

A Unilever não respondeu a pedidos de comentário.

“Até agora, o histórico vem sendo o de que, não importa o que o Facebook faça, eles não param de ganhar dinheiro”, disse Tobaccowala. “A questão, então, é: simplesmente o que fará com que as pessoas acordem? THE NEW YORK TIMES

The New York Times supera a marca de 4 milhões de assinantes

Jornal agrega 203 mil novas assinaturas digitais no terceiro trimestre

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Versão impressa do jornal The New York Times – Associated Press

NEW YORK – A New York Times Company, empresa que edita o jornal The New York Times, anunciou que ultrapassou a marca de 4 milhões de assinantes, dos quais mais de 3 milhões exclusivamente digitais, no terceiro trimestre.

Entre os digitais, houve um acréscimo de 203 mil assinaturas no período, maior ganho desde o chamado “efeito Trump”, no quarto trimestre de 2016 e no primeiro de 2017, após a eleição presidencial. Naquele período, publicações que eram alvo de ataque do republicano tiveram um boom de assinaturas.

“Neste trimestre, as receitas de assinaturas representaram quase dois terços do total”, disse o presidente-executivo da empresa, Mark Thompson.

“Estamos investindo agressivamente em nosso jornalismo, produtos e marketing, e estamos vendo resultados concretos em nosso crescimento digital.”

A receita das assinaturas digitais cresceu 18%, para US$ 101,2 milhões. A publicidade online avançou 17%, para US$ 57,8 milhões.

Talvez mais importante para os acionistas, a companhia relatou que continua rentável. O faturamento líquido alcançou US$ 24,9 milhões, uma queda de 23% em relação ao ano passado, quando a empresa realizou um ganho único pela venda de uma represa de propriedade de uma fábrica de papel fechada em que a companhia tem um investimento em joint venture. Os lucros operacionais, a medida preferida da empresa, aumentaram 30% no período, para US$ 41,4 milhões.

Nem todos os novos assinantes buscam notícias. O “Times” relatou que do crescimento líquido de 203 mil em assinantes digitais 143 mil assinaram para ter novos produtos digitais, enquanto os demais pagam pelas seções de cozinha e palavras-cruzadas.

A receita digital durante os nove primeiros meses do ano ultrapassou US$ 450 milhões, a parte de crescimento mais rápido da empresa. O maior trimestre da companhia geralmente é o último do ano, quando os anunciantes gastam mais. Em 2015, The New York Times anunciou sua ambição de gerar US$ 800 milhões em receita digital anual até 2020.

A receita da publicidade impressa caiu 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas totais de publicidade aumentaram 7%.

No total, o faturamento aumentou 8%, para US$ 417 milhões. A companhia também acrescentou receitas do aluguel de quatro andares em sua sede depois de uma ampla reforma nos escritórios.

THE NEW YORK TIMES

UE aprova texto de projeto lei que pode beneficiar empresas de mídia

Polêmica, revisão da lei de direitos autorais pode obrigar gigantes de tecnologia a pagarem por reprodução de notícias e conteúdo de terceiros
Por Mariana Lima – O Estado de S. Paulo

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Texto de lei aprovado pelo parlamento da União Europeia só será decidido em janeiro de 2019


O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira,12, o texto do projeto de lei que vai atualizar as regras de direitos autorais para países pertencentes ao bloco – que inclui dois artigos polêmicos, um referente a pagamentos de conteúdos de empresas de mídia e entretenimento e outro sobre proteção de obras reproduzidas na web. A decisão final sobre a legislação, no entanto, só virá em janeiro de 2019.

Com as mudanças, as companhias de mídia passariam a ter o direito de exigir pagamentos de empresas de tecnologia quando trechos de notícias e outros conteúdos forem publicados em suas plataformas, como redes sociais, por exemplo. Além disso, os membros do parlamento decidiram, por 438 votos a 226, pela criação de regras que tornem empresas de tecnologia proativas no combate à violação de direitos autorais.

Mídia. O projeto dá a donos de jornais, gravadoras e produtoras de cinema o direito de exigir pagamento por compartilhamento de trechos de suas propriedades em plataforma de terceiros. A decisão afetaria diretamente Facebook e Google, que hoje reproduzem parte de reportagens e outros conteúdos, sem pagar nada por isso.

O projeto de lei não especifica a forma de ressarcimento, mas a expectativa é que as empresas de tecnologia desenvolvam ferramentas para facilitar o processo de cobrança e pagamento. Para Carlos Liguori, especialista em direitos autorais e coordenador de projetos em Inovação em Direito na Fundação Getulio Vargas (FGV), o artigo foi criado para apaziguar os nervos dos empresários de mídia. No entanto, segundo ele, essa pode não ser a melhor estratégia.

O especialista acredita ser possível que empresas como o Facebook criem estratégias para que companhias de mídia se sintam desestimuladas a compartilhar seu conteúdo na plataforma, numa tentativa de evitar o novo gasto. “Do jeito que foi criado, o texto pode contribuir para aumentar a propagação de notícias falsas”.

Proteção de obras. A nova lei deverá substituir a legislação vigente, criada em 2001, e que já atribuía algumas responsabilidades ao setor de tecnologia, como a obrigatoriedade de retirar do ar obras veiculadas sem autorização do detentor do direito autoral, quando este se queixar.

Outro artigo polêmico do projeto de lei obriga as empresas a fiscalizarem se arquivos enviados a suas plataformas ferem direitos autorais. Assim, antes de permitir a publicação de um vídeo no YouTube, por exemplo, a plataforma do Google teria de se certificar se este não inclui parte de um outro conteúdo protegido pela lei.

Segundo Mariana Valente, diretora geral do InternetLab, a proibição pode ir além de uma disputa entre empresas, afetando diretamente a liberdade de expressão dos cidadãos. “O processo de verificação automatizado é muito ineficiente e muitos produtores de conteúdo (na internet) podem ser lesados com isso.”

Para entrar em vigor, a nova lei precisará ainda do aval de membros da Comissão Europeia e do Conselho da União Europeia, que já se mostraram favoráveis às mudanças. Caso a lei seja aprovada, é provável que cada país ganhe alguns meses para se adequar às novas exigências da lei.

Brasil. Especialistas ouvidos pelo Estado acreditam que a nova legislação sobre direitos autorais da União Europeia pode reanimar a discussão sobre a atualização da lei brasileira, que é de 1998.

“A nossa lei de direitos autorais está desatualizada porque não foi preparada para a era digital”, diz Eduardo Magrani, coordenador da área de Direito e Tecnologia do ITS-Rio.

Outro fator que eleva a expectativa do debate é o fato de o Brasil costumar replicar as mudanças europeias. “Nossa lei do setor foi inspirada na legislação europeia”, diz Mariana Valente, diretora do InternetLab. “É natural que comecemos a debater aqui.”

Esta não seria a primeira vez que o Brasil se espelha na legislação europeia para se atualizar. Válida desde o começo do ano, a lei de proteção de dados pessoais da União Europeia foi fonte de inspiração da Lei Geral de Proteção de Dados, sancionada em agosto por Michel Temer.