Podcast eleva receita do The New York Times com publicidade

Nicho ajuda a impulsionar faturamento no digital; empresa ganha 223 mil assinantes online
NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES

Fachada do prédio do jornal The New York Times, em Manhattan – Reuters

A New York Times Co., que edita o jornal The New York Times, anunciou resultados melhores que os esperados para o primeiro trimestre. Os avanços no número de assinaturas e publicidade digitais mais que compensaram o declínio das operações em papel.

O número total de assinaturas pagas (digitais e impressa) ultrapassou 4,5 milhões. Desses, mais de 3,5 milhões pagam por acesso aos produtos online da companhia, alta de 29% ante o mesmo período em 2018, o que representa acréscimo de 223 mil assinaturas.

A receita da publicidade online foi destaque, com crescimento de 19%, para US$ 55 milhões —impulsionada pela divisão de podcasts, especialmente o The Daily, programa baseados nas notícias do dia. 

A receita das assinaturas digitais, somada à da publicidade digital, subiu 16%, para US$ 165,4 milhões. A empresa não revelou números específicos da divisão de podcasts.

O Times vem registrando avanços firmes como veículo online. No ano passado, gerou mais de US$ 709 milhões em receita digital, o que torna provável que atinja a meta de US$ 800 milhões que anunciou para 2020. No início do ano, Mark Thompson, presidente-executivo da empresa, estabeleceu outra meta ambiciosa: elevar o número de assinantes a mais de 10 milhões em 2025.

Enquanto o negócio digital cresce, a operação impressa diminui. A receita de publicidade em papel caiu 11,9%, para US$ 69,5 milhões, e a de assinaturas nessa plataforma recuou 2,6%, para US$ 16,1 milhões.
A companhia também anunciou a estreia do site Parenting, dirigido a “pais que querem ajuda para ter e criar filhos hoje”. O produto é visto como um serviço separado, como os apps Cooking e Crosswords, e o objetivo é fazer dele um novo produto a ser vendido por assinatura.

O lucro operacional no primeiro trimestre foi de US$ 34,6 milhões, semelhante ao do mesmo período de 2018, e a receita total subiu 6,1%, para US$ 439 milhões. Analistas previam lucro de US$ 27 milhões e receita de US$ 436,5 milhões.
Tradução de Paulo Migliacci

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Editores reclamam de favoritismo e problemas com o Apple News+

Entre os novos serviços da Maçã, anunciados no mês passado, o Apple News+ é o único que está disponível para usuários (nos Estados Unidos e no Canadá, isto é). Apesar da euforia inicial, no entanto, a plataforma já é alvo de críticas e questionamentos por um grupo bem importante para o serviço: os próprios editores.

De acordo com uma publicação do Digiday, alguns editores que se juntaram ao Apple News+ estão insatisfeitos com o lançamento do serviço e reclamaram sobre uma série de problemas, incluindo dificuldades com a formatação de artigos na plataforma, design confusoexperiência de usuário falha, entre outros.

Porém, uma outra grande queixa não está relacionada com as características intrínsecas do serviço, mas com o comportamento da própria Apple, que estaria favorecendo grandes editores às custas de outras publicações menores.

Segundo os reclamantes, todos os editores que participam do Apple News+ receberam um email para entrar em contato com representantes da gigante da Cupertino. Contudo, um grupo seleto de participantes foi convidado para um canal privado do Slack, por meio do qual eles poderiam se conectar com a Apple mais diretamente.

Como é possível imaginar, o grupo de editores que não possui tal contato mais direto com a Apple não ficou nem um pouco contente com essa possível “diferença de tratamento”. Um desses editores anônimos disse que a Apple “está jogando com favoritismo”.

O relatório aponta, ainda, que a Apple se absteve de fornecer modelos de artigos para os editores. Embora a Maçã tenha firmado com os editores certa liberdade na criação e no design de seus artigos, ela terceirizou o problema de layout e conteúdo para outras empresas, as quais deixaram bastante a desejar, segundo os editores.

Além disso, vários editores reclamaram da falta de ferramentas para digitalizar seus conteúdos de acordo com as exigências da Apple. Em muitos casos, as revistas e os jornais digitais são basicamente uma conversão do que é feito no impresso, e isso depende de alguns serviços que convertem texto e anúncios individualmente.

Nesse sentido, os editores de revistas menores, que não têm recursos para transferir seus produtos para o serviço, estão considerando um conjunto desfavorável de opções: investir em recursos de design e desenvolvimento para criar algo bonito sem saber se há um público para apreciá-lo; usar um modelo estabelecido, que faz com que seu conteúdo seja exatamente igual ao de dezenas de outros editores; ou trabalhar mesmo com PDF1 e esperar que a experiência de usuário diferente não lhe custe leitores.

Com base em todas as queixas, o Digiday descreveu que os primeiros problemas que assolam o Apple News+ “não auguram nada de bom para seu futuro a longo prazo, a menos que a Apple adapte sua abordagem”, como também destacou o Gizmodo, que fez um review(não tão positivo) da recém-lançada plataforma de revistas.

Ainda veremos se esses problemas se revelarão grandes o suficiente para afetar o serviço da Maçã. No entanto, se as dores de cabeça de formatação continuarem, provavelmente o Apple News+ será mais uma plataforma de coleção de PDFs digitalizados — o que definitivamente não vale os US$10 cobrados mensalmente pela sua assinatura. [MacMagazine]

VIA CULT OF MAC

200 mil pessoas assinaram o Apple News+ em 48h, mas serviço pode ameaçar revistas

200 mil pessoas assinaram o Apple News+ em 48h

Dentre as quatro novidades apresentadas pela Apple no seu último evento especial, só a plataforma de publicações Apple News+ teve lançamento imediato nos Estados Unidos — e a resposta dos consumidores parece ser razoavelmente positiva, até o momento.

De acordo com dados publicados pelo New York Times, mais de 200 mil usuários assinaram o serviço — que custa US$10 mensais e tem um mês de testes gratuito — em suas primeiras 48h de disponibilidade. Os números vêm de fontes próximas do assunto não-divulgadas pelo jornal.

Apenas a efeito de comparação, o moribundo serviço da Texture — adquirido pela Maçã no ano passado e usado como base para construção do Apple News+ — nunca teve 200 mil assinantes, nem no seu momento de maior popularidade. Claro, a comparação é injusta, já que estamos falando de um serviço vindo de uma startup basicamente desconhecida contra uma plataforma amplamente divulgada por uma das maiores empresas do mundo; ainda assim, os números indicam um caminho interessante para o serviço de Cupertino neste início de vida.

Algumas editoras também estão animadas com esses primeiros passos do Apple News+: Pamela Wasserstein, CEO1 da New York Media (que publica revistas como New YorkThe Cut e Vulture), afirmou que a plataforma ajudaria as publicações a “alcançarem uma nova audiência” num ambiente que “parece certo”.

A opinião da editora, entretanto, parece ter algumas indicações contrárias, como veremos a seguir.

Ameaça para revistas?

Em um artigo escrito para o Monday Note, o analista Frederic Filloux alertou as editoras para um possível corte significativo de receita por leitor caso o Apple News+ se consolide como uma opção viável e popular para o mercado americano.

O cálculo de Filloux é simples: atualmente, o mercado de revistas gera cerca de US$27 bilhões por ano — o que, por si só, representa uma queda de cerca de 40% em relação a uma década atrás. Esses US$27 bilhões se convertem em cerca de US$120/ano por leitor, o que representa o mesmo que o Apple News+ gera por usuário, já que o serviço custa US$10 por mês.

O problema é que a Apple fica com metade dessa receita — o que significa que, caso sua plataforma se torne uma via de acesso “padrão” para revistas, as editoras perderão metade da sua receita nos próximos anos.

Projeção de perda de receita das revistas com o Apple News+

A situação, claro, não é tão simples e varia de acordo com as revistas: o analista calcula, por exemplo, que a New Yorker perderá 88% de sua receita caso o Apple News+ se torne extremamente popular; já a WIRED, com uma inserção muito mais intensa de publicidade, terá uma perda de apenas 12% — isso estimando que cada leitor passe cerca de 15% do seu tempo na plataforma na WIRED, e 20% na New Yorker.

Algumas publicações já parecem ter percebido que a plataforma pode representar um problema. A ausência do New York Times e do Washington Post no Apple News+, por exemplo, já foi amplamente notada, e uma reportagem publicada recentemente pela Vanity Fair afirma que não foi por falta de tentativa: Eddy Cue, vice-presidente sênior de software e serviços para internet da Apple, passou boa parte dos últimos meses nos escritórios dos dois jornais, mas não obteve sucesso — especialmente porque a Apple recusou-se a diminuir sua taxa de 50% para as duas editoras. [MacMagazine]

Apple fecha com a Vox para seu serviço de notícias; CEO do New York Times alerta editores

Apple assina com a Vox para serviço de assinatura de notícias

À medida que nos aproximamos do evento especial da Apple, que ocorrerá no dia 25 próximo, mais detalhes acerca das (possíveis) novidades da Maçã começam a pipocar aqui e ali. Desta vez, Bloomberg informou que a Maçã fechou com a Vox para o seu serviço de notícias.

Vox faz parte do grupo Vox Media, que também é responsável pelo The VergeSBNation e Eater. Apesar disso, nenhuma dessas empresas deverão participar do serviço da Maçã inicialmente, segundo uma fonte anônima.

Atualmente, a Vox não oferece nenhuma opção de assinatura própria, mas o seu CEO1, Jim Bankoff, afirmou que esse modelo de cobrança seria adicionado ao site até o fim deste ano — o que poderá acontecer em breve, com um empurrãozinho da Apple.

A gigante de Cupertino está tentando reunir ainda mais contribuidores e editores para o seu serviço, que foi apelidado internamente como “Apple News Magazines”, segundo a Bloomberg. Entre os possível parceiros da Maçã na empreitada estão: Wall Street JournalCosmopolitanWIREDNew Yorker e Men’s Health.

Sobre o possível acordo com a Vox, tanto a Apple quanto o site de notícias se recusaram a comentar, naturalmente.

CEO do New York Times alerta editores

Enquanto algumas empresas decidiram participar do serviço de notícias da Apple, outras ficaram com o pé atrás — ou melhor, os dois pés. Como divulgamos ontem, o Washington Post e o New York Times recusaram a oferta da Maçã; agora, o presidente e CEO do jornal novaiorquino, Mark Thompson, explicou para a Reuters o porquê.

Mark Thompson, presidente e CEO do New York Times | Credito: Lucas Jackson (Reuters)

Thompson contou que confiar na distribuição de terceiros pode ser perigoso para os editores, alertando-os do risco de perderem o controle sobre seu próprio produto. Ele argumentou que aceitar os termos da Apple seria passar todo o poder para a gigante de Cupertino, e que a decisão provavelmente voltaria a prejudicar os editores que se juntaram ao serviço.

O executivo comparou essa questão à mesma experiência vivenciada pelos estúdios e emissoras de televisão com a Netflix, na qual essas empresas venderam seus conteúdos para a gigante de streaming de vídeo só para descobrir que isso se tornaria um negócio unilateral algum tempo depois.

Mesmo que a Netflix lhe oferecesse bastante dinheiro… será que realmente faz sentido ajudá-la a construir uma base gigantesca de assinantes a ponto de poder gastar US$9 bilhões por ano produzindo seus próprio conteúdo e me pagar menos e menos pelo meu conteúdo?

A opinião de Thompson também parte do pressuposto que a Maçã estaria abarcando 50% do valor da assinatura, ele declarou, ainda, que essa plataforma “misturaria as empresas jornalísticas”.

Nós tendemos a ser bastante desconfiados sobre a ideia de quase habituar as pessoas a encontrar o nosso jornalismo em outro lugar. Também estamos genericamente preocupados com o fato de o nosso jornalismo ser embaralhado em uma espécie de Magimix [liquidificador] com o jornalismo de todos os outros.

A Apple deverá cobrar US$10 pelo serviço de jornais e revistas sob demanda; além disso, a empresa deverá anunciar, na próxima segunda-feira, outra novidade muito especulada: o “Apple Video” (nome fictício), seu próspero serviço de streaming de séries e filmes. [MacMagazine]

Publicações importantes ficarão de fora do “Netflix de revistas” da Apple

A não ser que estejamos todos vivendo uma enorme e delirante alucinação coletiva, a Apple apresentará na próxima segunda-feira (junto à sua plataforma de streaming de séries/filmes) a nova modalidade do app News, que funcionará como uma espécie de “Netflix de revistas” — isto é, um serviço de acesso ilimitado a publicações selecionadas por um preço fixo mensal. Até aí tudo bem.

A pergunta que não quer calar, claro, tem a ver com quais publicações comprarão a ideia da Apple e entrarão na plataforma — um fator crucial para o sucesso ou fracasso da empreitada. Bom, segundo o New York Times, o horizonte é majoritariamente positivo para a Maçã, mas poderia ser melhor.

De acordo com a reportagem de Mike Isaac, o Wall Street Journal, um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos, já deu sinal verde para participar do serviço. Dois outros nomes importantíssimos — o Washington Post e o próprio NYT —, entretanto, parecem ter dado para trás e não farão parte da jogada por conta da já comentada divisão de lucros exigida pela Apple, considerada abusiva.

Além dos problemas relacionados ao dinheiro, as publicações também teriam torcido o nariz para a posição da Apple de não compartilhar com elas informações pessoais dos assinantes, como endereços de email e números de cartão de crédito — dados que as editoras costumam utilizar para expandir o marketing dos seus produtos e sua base de assinantes.

Voltando para o lado positivo das coisas, outra matéria — essa, do Business Insider — lista mais algumas publicações que farão parte do “Netflix de revistas” da Maçã: CosmopolitanWIREDThe New Yorker e Men’s Health. Essa informação não chega a ser uma surpresa, entretanto, já que todas já faziam parte da Texture, a plataforma adquirida pela Apple no ano passado que oferecia um serviço parecido.

A matéria do NYT reforça o provável preço do serviço da Maçã: US$10 mensais. A essa hora, entretanto, é mais frutífero sentarmos e esperarmos até a segunda-feira que vem, não é verdade? [MacMagazine]

Disney conclui processo de compra da Fox por US$ 71 bilhões

Com compra da Fox, empresa ganha fôlego para competir com Netflix, Amazon e AT&T no setor de streaming de vídeo

Filmes e seriados da Fox vão fazer parte de serviço de streaming da Disney

A Walt Disney Company anunciou nesta quarta-feira, 20, ter encerrado o processo de aquisição dos ativos de cinema e televisão da 21st Century Fox. Anunciada em julho do ano passado, a negociação de US$ 71 bilhões deu à empresa do Mickey alguns dos personagens mais populares do mundo, como X-Men, Simpsons, Avatar e Arquivo X. 

Além disso, a empresa ganhou um reforço para seu serviço de streaming de vídeo, que será lançado até o final do ano. Chamada de Disney+, a plataforma será apresentada pela primeira vez aos acionistas da companhia em abril. Em alguns países, a Disney ainda terá de se desfazer de alguns negócios – no Brasil, o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) ordenou que a empresa venda a Fox Sports, uma vez que já é dona da ESPN e concentraria o setor de esportes na TV paga. 

Para assumir o controle da Fox, a Disney enfrentou uma longa batalha de negociações com o grupo americano Comcast, dono de NBC e Universal. A Comcast perdeu a briga para ficar com a Fox, mas comprou a participação da empresa de Rupert Murdoch na rede de TV por assinatura britânica Sky, mantendo a competição no setor. 

Com o fim da aquisição, a Fox também abriu capital na Nasdaq nesta terça-feira: a empresa nomeou o ex-deputado americano Paul Ryan e o presidente executivo da Fórmula 1, Chase Carey, para seu conselho de administração. A nova empresa, chamada de Fox Corp, terá ativos como os canais de notícias da empresa, os jornais Wall Street Journal e The Sun e a rede de transmissão da companhia. O grupo deve gerar cerca de US$ 10 bilhões em receitas anuais. 

Em carta aos funcionários da Disney, o presidente executivo Robert Iger chamou o trabalho que a empresa terá nos próximos meses de “desafiador”. “Gostaria de dizer que a parte mais difícil já ficou para trás. Teremos trabalho para unir nossos negócios para criar uma empresa global e dinâmica, com experiências que vão desafiar a indústria nos próximos anos e gerações a seguir”, declarou o executivo. Ele ainda pediu paciência aos funcionários, porque a empresa deve cortar cerca de 4 mil funcionários nos próximos meses. / COM REUTERS

Por que grandes marcas estão investindo em superproduções de curta duração para a internet?

Custos da mídia tradicional e restrições legais ajudam mudança
Tony Goes

Imagem de superprodução da Campari para internet – Divulgação

A pré-estreia do filme “Entering Red” não ficou nada a dever à de um blockbuster hollywoodiano. Na manhã de 5 de fevereiro deste ano, houve uma coletiva de imprensa em um cinema de Milão, com a presença das estrelas e do diretor. À noite, uma festa com direito a tapete vermelho e dezenas de fotógrafos.

As credenciais do filme são impressionantes. O diretor é Matteo Garrone, do premiado “Dogman”, representante da Itália no último Oscar e atualmente em cartaz no Brasil. Os atores principais são a cubana Ana de Armas (de “Blade Runner 2049”) e o italiano Lorenzo Richelmy (da série “Marco Polo”).

Só que “Entering Red” não é um longa-metragem. É um curta com 12 minutos de duração –disponível, por enquanto, apenas na internet.
 
Também é, para todos os efeitos, um comercial de Campari –ou melhor, um exemplar do chamado “branded content”, ou conteúdo patrocinado. Um número crescente de marcas importantes vem optando por esse estilo de comunicação.

Já é o terceiro ano consecutivo que Campari —o bitter vermelho que também é principal produto do Campari Group, especializado em bebidas alcoólicas— foge dos habituais comerciais de 30 segundos, preferindo investir quase toda sua verba de publicidade na produção de um curta-metragem com nomes consagrados do cinema e veiculação prioritária nas redes sociais.

O primeiro filme da campanha “Red Diaries” saiu em 2017. “Killer in Red” foi assinado por Paolo Sorrentino (Oscar de filme estrangeiro por “A Grande Beleza”) e estrelada pelo britânico Clive Owen (da série “The Knick”).

O filme foi visualizado cerca de 20 milhões vezes, tanto no canal de Campari no YouTube como em outras redes. Parece pouco se comparado ao público atingido pela TV. Mas os resultados foram satisfatórios, a ponto de a marca repetir a experiência em 2018 e 2019 (a Campari não divulga quanto investe na produção). O segundo curta-metragem, lançado no ano passado, “The Legend of Red Hand”, teve direção de Stefano Sollima (“Sicario: Dia do Soldado”), com Zoe Saldana (a Gamora de “Guardiães da Galáxia”) no papel principal.

Um filme para a internet tem um trunfo insuperável: o custo de veiculação é praticamente zero. No entanto, a Campari também promove o lançamento do curta em mídias tradicionais. Uma versão reduzida de “Entering Red” será exibida nos cinemas.

No caso de uma bebida alcoólica, ainda existe uma vantagem extra. Diversos países proíbem ou restringem (como o Brasil) a veiculação de anúncios da categoria na TV. Online, basta um aviso de que o material é inadequado para menores de 18 anos.

“Nós percebemos que os consumidores não gostam mais que alguém lhes diga o que fazer”, afirma Andrea Neri, diretor global de marcas italianas do Campari Group. “Eles preferem uma conversa de mão dupla, no ambiente das redes sociais.”

“Além do mais, Campari sempre se associou à arte e ao cinema”, prossegue Neri. É verdade: a Galleria Campari, na sede da empresa nos arredores de Milão, reúne mais de um século de peças publicitárias assinadas por grandes nomes das artes plásticas e do design. Este ano, Campari também será um dos patrocinadores do Festival de Veneza.

Como nos anos anteriores, também em 2019 foram convidados seis bartenders de diferentes países para criar coquetéis com Campari. A paulista Jéssica Sánchez, hoje baseada no Rio, representa o Brasil e aparece em “Entering Red”. Assim como o ator Joaquim Lopes, escolhido como embaixador da marca no nosso país. Todos os três curtas da campanha “Red Diaries” podem ser vistos no canal de Campari no YouTube, com legendas em diversos idiomas –inclusive o português.
 
Este é apenas um exemplo do avanço do “branded content” sobre a propaganda tradicional. Uma consequência importante dos novos hábitos de consumo, em que o streaming substitui a chamada TV linear (nada mais do que a televisão convencional, com canais e grades de programação). E vem mais por aí: as mudanças estão apenas começando.