Executivos discutem futuro do jornalismo mundial e como atrair leitores

Pela primeira vez no Brasil, evento debate mídia e faz homenagem ao ministro Celso de Mello por defesa da liberdade de imprensa
Júlia Barbon

Digital Media LATAM 2019 | ANER

RIO DE JANEIRO – Em quais histórias vale a pena investir? Foi a pergunta (sem resposta) que fez Josh Schwartz, chefe de dados da Chartbeat, empresa que analisa o comportamento de leitores em site de notícias.

Ele tentava explicar à plateia, composta de executivos de empresas de mídia de ao menos 22 países, principalmente da América Latina, o que vem mudando em termos de consumo de jornalismo no mundo.

É para responder a perguntas como essa que eles se reúnem nesta semana no Hotel Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, em dois dias e meio de palestras, desta segunda (11) até quarta-feira (13).

O evento, chamado Digital Media Latam, é promovido anualmente desde 2013 e acontece no Brasil pela primeira vez neste ano. Ele é organizado pela Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA, na sigla em inglês).

Os mais de 350 empresários de mais de 80 empresas discutem nesses dias como atrair e fidelizar leitores, quais modelos de assinatura e negócio podem dar certo e quais tipos de narrativa funcionam.

Josh Schwartz, da Chartbeat, bateu na tecla do “mobile”, que deve ser prioridade dos editores. Ele citou que a participação dos celulares nas buscas do Google, por exemplo, passou de 50% para 80% em apenas três anos, enquanto o uso do computador vem caindo continuamente.
 
Por outro lado, o leitor do desktop tem sido mais leal: quase nenhum dos usuários que leem no celular estão logados (registrados) nos sites midiáticos analisados pela plataforma.

O “lugar” de onde o leitor vem também faz diferença. Quem chega até a notícia por newsletters (emails com as principais novidades) e por mensagens no WhatsApp ou Instagram têm mais chances de fazer um cadastro e mais tarde adquirir uma assinatura no veículo.

Analisar a última história que o usuário leu antes de decidir realizar essa assinatura também pode ser uma boa forma de entender o próprio público, mas não há uma resposta mágica sobre como lidar com a audiência, lamenta ele.

A editora de digital e audiência da Folha, Camila Marques, participa de dois painéis da conferência, ao lado de veículos nacionais e internacionais: um sobre como os grandes veículos do Brasil têm feito a transição para o digital e o outro sobre os desafios de implantar uma estratégia de receita com assinantes na América Latina.

Em abril deste ano, por exemplo, o magistrado anulou decisões da Justiça do Paraná que determinaram que a rádio Jovem Pan removesse de seu site um vídeo em que o jornalista Marco Antonio Villa fala sobre os salários do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Também são homenageados os jornalistas Ricardo Boechat, que trabalhava na Band, e Clóvis Rossi, decano da Redação da Folha, que morreram neste ano.

Facebook busca trégua com jornais ao lançar serviço de notícias

Acusada de afetar os negócios da imprensa, empresa vai pagar jornais para exibir reportagens a usuários; teste começa nos EUA
Por Mike Isaac e Mark Tracy – The New York Times

Mark Zuckerberg e Robert Thompson, presidente da News Corp., falam sobre iniciativa jornalítisca da rede social 

O Facebook e a indústria editorial são amigos há tempos, mas é uma relação de fachada: às vezes, há união, mas a competição é mais presente. Nos EUA, os dois lados formaram uma trégua incerta ontem, quando a empresa divulgou o Facebook News, sua mais recente incursão em publicações digitais. O produto é uma nova seção do aplicativo móvel da rede social dedicada inteiramente ao conteúdo de notícias, no qual a empresa aposta para trazer usuários de volta ao site regularmente para consumir notícias.

O Facebook News trará matérias de uma série de publicações, incluindo The New York TimesThe Wall Street Journal e The Washington Post, além de sites como Buzzfeed. Algumas histórias serão selecionadas por uma equipe de jornalistas profissionais, enquanto outras serão adaptadas aos interesses dos leitores ao longo do tempo usando a tecnologia de aprendizado de máquina do Facebook.

“Sentimos uma responsabilidade porque obviamente há a consciência de que a internet trouxe perturbação ao modelo de negócios do setor de notícias”, disse Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, em entrevista. “Criamos uma maneira diferente de fazer isso, que acreditamos ser melhor e mais sustentável”.

O Facebook pagará por uma variedade de conteúdo de dezenas de publicações – incluindo alguns acordos na casa dos milhões de dólares. O esforço foi elogiado. “Mark Zuckerberg parece comprometido em garantir que o jornalismo de alta qualidade tenha um futuro viável e valorizado”, disse Robert Thomson, presidente executivo da News Corp., que controla a Fox, em comunicado. “É absolutamente apropriado que o jornalismo de alta qualidade seja reconhecido e recompensado.”

Entre tapas e beijos

O relacionamento entre o Facebook e as grandes publicações tem sido tenso. Como o Facebook e o Google dominam o mercado de publicidade online, absorvendo até 80% da receita, as empresas jornalísticas veem os gigantes da tecnologia como uma limitação às suas expansões digitais.

Ao longo dos anos, o Facebook cortejou as publicações por meio de diferentes iniciativas de jornalismo, como o a ferramenta de vídeos ao vivo Facebook Live e os Instant Articles – um produto no qual os editores forneciam artigos que apareciam na íntegra na rede social. 

Mas essas relações azedaram quando o Facebook mudou sua estratégia, deixando as publicações se sentindo insultadas quando a rede social mudou de planos. Depois de promover fortemente parcerias para projetos de vídeo, por exemplo, o Facebook decidiu não renovar alguns acordos de vídeo com editores, com efeitos catastróficos. A Mic, uma editora digital com o objetivo de atingir aos jovens, foi forçada a colocar-se à venda por uma avaliação abaixo do mercado, depois que seu acordo não foi renovado pelo Facebook.

Zuckerberg admitiu a tensão entre a rede e as empresas e disse que experiências passadas mudaram sua abordagem. “Não será algo passageiro: os acordos são de vários anos”, disse ele. “Elaboramos uma fórmula agora pela qual poderemos pagar de forma sustentável pelo conteúdo.” / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Apple News+ chega à Austrália e ao Reino Unido com várias publicações locais

Apple News+ veio ao mundo em março passado e conquistou muitos adeptos em seus primeiros dias de vida, mas esteve, até hoje, restrito a dois países: Estados Unidos e Canadá. Agora, não mais: finalmente, o “Netflix de periódicos” da Maçã está fazendo sua primeira expansão para além da América do Norte, chegando à Austrália e ao Reino Unido.

Na Austrália, o serviço custa AU$14,99 por mês (cerca de R$42, em valores de hoje) e também conta com vários periódicos do país — entre eles, The AustralianDaily TelegraphHerald SunCourier MailThe AdvertiserAustralian Geographic e as versões locais de Women’s HealthElleVogue e Harper’s Bazaar.

Na Terra da Rainha, o Apple News+ custa £9,99 por mês — ou, em conversão direta por valores de hoje, R$51 mensais. Ele conta com cerca de 150 periódicos, incluindo publicações locais de grande importância, como The Times (e The Sunday Times), EmpireHello!CyclistGrazia e as versões britânicas de EsquireElle e Cosmopolitan.

Apple News+ no Reino Unido

Em ambos os casos, australianos e britânicos podem acessar, também, várias publicações de interesse internacional — como é o caso de Wall Street JournalLos Angeles TimesNational Geographic e Rolling Stone. A Apple também oferece, nos dois países, um mês de testes grátis (como é padrão nos seus serviços) e suporte ao Compartilhamento Familiar do iCloud, para que até seis pessoas de uma mesma família utilizem o Apple News+ pagando apenas uma assinatura.

Vale notar, em meio a isso tudo, uma declaração de Robert Thomson, CEO da News Corp. (conglomerado de mídia responsável por algumas das publicações citadas acima), ao Business Wire. O executivo não mediu palavras ao valorizar os esforços da Apple na área de notícias — e, ao mesmo tempo, desqualificar uma das suas principais concorrentes.

Nós estamos orgulhosos de fazer uma parceria global com uma empresa que acredita verdadeiramente na importância da confiabilidade e no fato de que jornalismo de valor tem seu custo. A Apple tem agido positiva, honrosa e decididamente na mudança da paisagem digital, enquanto outros provedores, como o Google, preferem o hype e a hipocrisia.

São palavras fortes vindas de uma das maiores empresas do mundo na área. Basta saber, agora, quando é que a Apple vai levar toda essa potência para outras localidades — aposto que há bastante interesse para um serviço do tipo aqui no Brasil, por exemplo. [MacMagazine]

VIA 9TO5MAC

WarnerMedia divulga primeiro relatório de diversidade e inclusão da história de Hollywood

Documento mostra que companhia nestes termos está próxima de alcançar o equilíbrio em seu quadro de funcionários, mas ainda precisa fazer o mesmo em suas produções
Pedro Strazza

WarnerMedia lança relatório provisório de diversidade e inclusão 2018

No ano passado, a então Warner Bros. se comprometeu a colher dados para o início da produção de um relatório anual sobre o status de diversidade e inclusão em seu quadro de funcionários e executivos, aderindo oficialmente ao Production Diversity Policy que buscava garantir a preservação destes valores entre os diferentes setores de Hollywood. Passado doze meses, este documento enfim foi divulgado no dia de hoje (26) pelos canais da WarnerMedia, revelando dados interessantes da companhia no tocante a estas questões específicas.

Intitulado “WarnerMedia 2018 Diversity and Inclusion Interim Report”, o relatório é o primeiro do tipo a ser produzido por qualquer um dos grandes estúdios de Hollywood e se divide em três grandes áreas maiores da empresa, incluindo aí a força de trabalho, conteúdo produzido e programas de parceria com terceiros. Nesta primeira versão a companhia optou por focar em diversidade sob a ótica da etnicidade e gênero, mas garantiu que as próximas edições devem incluir dados sobre a porcentagem de representação e funcionários LGBTQ+.

A boa notícia é que em questão de quadro de funcionários a WarnerMedia está num cenário bem positivo em termos de diversidade. Se em nível global a porcentagem de contratados masculinos e femininos da empresa é respectivamente de 54% e 46%, no território estadunidense a divisão é ainda melhor, equilibrada entre 53% de funcionários homens e 47% de mulheres. Além disso, cerca de metade das novas contratações e promoções da empresa foram destinados ao público feminino, incluindo aí a chegada de Ann Sarnoff em junho como nova CEO da Warner Bros..

O equilíbrio também vale para diversidade racial, embora em menor escala. Os dados coletados pela companhia indicam que 42% dos funcionários fora das posições de gerenciamento pertencem a pessoas não brancas, mas nos cargos superiores esta porcentagem diminui para até 20%. Em defesa desta tendência, a WarnerMedia alega que a tendência é que nos próximos anos esta piramidação seja resolvida pelas escaladas na hierarquia dos novos funcionários.

Analisando a composição dos funcionários sem a divisão hierárquica, as três maiores etnias da força de trabalho do estúdio são branca (61), negra (12,91%) e latina (10,77%).

Já na produção o desafio é um pouco maior. Na televisão, posições para membros que não sejam homens brancos é reduzida na programação da WarnerMedia, com as mulheres possuindo apenas 34% dos papéis e 23% de trabalhos atrás das câmeras. Trabalhadores não brancos tem ainda menos espaço, possuindo 24% dos papéis e 23% de posições nos bastidores.

A disparidade se acentua nos filmes, com mulheres ganhando apenas 28% dos papéis e 24% dos trabalhos nos bastidores e pessoas não brancas recebendo 16% das participações no elenco e 20% de funções atrás das câmeras.

Sobre a pesquisa, o CEO da WarnerMedia John Stankey comenta que fica feliz com os resultados positivos exibidos no documento, mas reconhece os problemas a serem resolvidos dentro da empresa: “Enquanto estou incrivelmente orgulhoso com o que este relatório apresenta e nossa dedicação contínua por transparência, eu reconheço que nós ainda temos muito trabalho a fazer em todos os níveis. Nós sabemos que diversidade, inclusão e pertencimento são importantes para nossos funcionários, parceiros criativos, consumidores e sucesso.” escreve o executivo no comunicado.

Você poder ler o relatório na íntegra neste link.

Peppa Pig inicia nova ‘onda’ de fusões de estúdios de TV

E.One, companhia dona do desenho animado, foi comprada por US$ 4 bi; outros negócios estão na mira
Agências internacionais

Peppa Pig, o desenho, foi comprada pela Hasbro. Foto: Reprodução

Um negócio anunciado há cerca de dez dias – a compra do estúdio Entertainment One (E.One), do Canadá, pela fabricante de brinquedo Hasbro, por US$ 4 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) – poderá iniciar uma nova “onda” de aquisições de estúdios de televisão.

Em um momento em que a televisão tornou-se a rainha da mídia, ganhando espaço em relação ao cinema, uma série de ativos pode ser alvo de disputa em breve. Segundo a revista The Hollywood Reporter, entre os candidatos a virar alvo de novos investidores estão a Lionsgate, a MGM TV e o canal AMC (este último, responsável pela série Mad Men). Existem até comentários de que a Mattel possa adotar a mesma estratégia da rival Hasbro e investir em televisão.

Um negócio bilionário pode ser motivado por uma propriedade específica, atraindo assim um investidor de fora do ramo de mídia. No caso da E.One, o fiel da balança foi a personagem Peppa Pig – popular no mundo todo e uma febre na China. O desenho recebeu o aval do governo chinês como um conteúdo próprio para crianças em idade pré-escolar. Na nação de 1,4 bilhão de habitantes, Peppa tem até seu próprio parque temático, nos moldes da Disney, aberto no início de 2019.

Múltiplo

Entre os estúdios que podem ser alvo de potenciais fusões ou aquisições, o que está sendo olhado mais de perto por compradores, até agora, é a Lionsgate TV. Segundo a revista, a boa notícia para essas produtoras de conteúdo é o fato de o múltiplo pago pela dona da Peppa Pig ter sido generoso – de 13 vezes o lucro bruto previsto pela E.One para o ano de 2020.

O estúdio proprietário da Lionsgate TV, que tem ações listadas em Bolsa, está precisando de boas notícias. Ao longo dos últimos dois anos, as ações da empresa caíram cerca de 45%. Na última sexta-feira, diante de uma disputa com a operadora de telecomunicações Comcast, os papéis da companhia chegaram a recuar 7%.

Quem são os millennials que tentam salvar a Playboy?

Revista é repaginada sob nova direção – jovem e mais inclusiva
Jessica Bennett, The New York Times

Ana Dias fotografando a capa de julho, Teela LaRoux. As modelos em ensaios nus são agora fotografadas principalmente por mulheres Foto: Stephanie Noritz para The New York Times

LOS ANGELES – “Será um ensaio fotográfico com nu completo a ser realizado debaixo d’água”, dizia uma mulher ao telefone, cuja voz podia ser ouvida nos cubículos vizinhos. A pessoa do outro lado da linha parecia não compreender. “Estou dizendo que não será em terra firme.”

Era uma manhã na central da Playboy Enterprises, e os editores preparavam o fechamento da edição de verão. Debatiam as pautas enquanto, na cozinha, um barista decorava o café com leite desenhando orelhas de coelho na espuma. No seu escritório, Shane Singh, editor executivo da Playboy, explicava que o ensaio subaquático, a ser fotografado naquele fim de semana, seria para a capa da revista.

“A água deve representar a fluidez sexual e de gênero”, disse Singh. As mulheres posando na água – os membros entrelaçados como em uma pose de balé – não eram apenas modelos, mas também ativistas. Uma delas usa a arte performática  e a mídia digital para compartilhar histórias a respeito da epidemia de AIDS. Outra é uma dançarina subaquática que promove a preservação dos oceanos. A terceira, uma artista belga, filmou a si mesma caminhando nua por um bairro de judeus ortodoxos no Brooklyn durante um feriado (foi expulsa por uma turba).

Trata-se de uma nova Playboy, mais inclusiva – se acreditarmos nos seus executivos, e se estivermos dispostos a aceitar mais uma reinvenção dessa antiga marca. Faz tempo que se debate o lugar de uma publicação cujo lema é “Entretenimento para homens” em um mundo mais igualitário. Mas, quando o fundador da Playboy, Hugh Hefner, morreu em 2017, essa discussão ganhou força: teria sido ele uma voz visionária da libertação sexual e da liberdade de expressão, ou um safado que fomentava a misoginia?

Na época, a Playboy vivia uma atordoante sequência de tentativas de recomeço. Nos anos mais recentes, a revista teve a tiragem e periodicidade reduzidas; os anúncios deixaram de ser impressos; diretores executivos foram substituídos; e, mais notável, a nudez foi brevemente banida – antes de ser trazida de volta, com a campanha “Nudez é normal”. No início do ano passado, o financista Ben Kohn, que ajudou a fechar o capital da Playboy em 2011 e atua agora como diretor executivo, disse ao Wall Street Journal que pensava em se livrar da revista, para se concentrar no licenciamento e nas parcerias.

Mas a Playboy foi relançada este ano – dessa vez com papel de luxo, sem anúncios, e com periodicidade trimestral. É editada por um triunvirato da geração millennial: Singh, declaradamente gay, 31 anos; Erica Loewy, 26 anos, diretora de criação; e Anna Wilson, 29 anos, supervisora de fotografia e multimídia. O resultado é uma revista virtualmente irreconhecível, totalmente diferente daquela criada por Hefner. Uma porta-voz da Playboy disse que a família Hefner não detém mais nenhuma participação financeira na empresa.

A edição de verão, atualmente nas bancas, traz uma entrevista com Tarana Burke, fundadora do movimento MeToo; quadrinhos queer; e uma reportagem a respeito de brinquedos eróticos unissex. Durante o seu auge, nos anos 1960 e 1970, a Playboy chegava a quase sete milhões de assinantes, publicando obras de Andy Warhol, Margaret Atwood e Hunter S. Thompson, além de entrevistas com Martin Luther King Jr. e Fidel Castro.

Mas então vieram revistas mais explícitas como Penthouse e Hustler, e então a internet, que desfez o modelo do erotismo e da pornografia impressa e paga, tornando-a digital e gratuita. A Playboy estava perdendo dinheiro e, com isso, Hefner obteve um financiamento para fechar o capital da empresa.

Certos aspectos da marca continuaram rendendo: destilados e perfumes da Playboy; colaborações com grifes da moda; um cassino em Londres; uma casa noturna recentemente reaberta em Nova York e mais – especialmente na China, onde a marca tem mais de três mil lojas, disse Kohn. De acordo com ele, os consumidores gastam cerca de US$ 3 bilhões nos produtos e serviços da marca a cada ano. O relançamento da revista fazia sentido como forma de “extensão da marca”.

“Falamos muito a respeito do que é o olhar de Playboy e da necessidade de diversificar isso”, disse Rachel Webber, 37 anos, diretora de marketing. Ela chegou no ano passado vindo da National Geographic em parte por causa da oportunidade de trazer uma marca “tradicional” para a era moderna. “É um pouco como estar em uma aula de estudos de gênero”. Indagada a respeito da possiblidade de reinventar a Playboy, Joanna Coles, ex-editora-chefe da Cosmopolitan, disse: “Sob a ótica atual, Hugh Hefner é grotesco, e as mulheres dele são vítimas. A publicação pertence ao passado, como o figurino de Hugh”.

De acordo com Kohn, a revista alcança atualmente “uns duzentos mil” assinantes. Três quartos desse público são de homens. Depois de assumir o comando, dois anos e meio atrás, ele disse ter recuperado cerca de US$ 15 milhões em parcerias e acordos de licenciamento de produtos que “não representavam mais a marca”. Ele acrescentou que a empresa deseja expandir suas atividades para o ramo da cannabis, cuidados com a pele, brinquedos eróticos e bem estar sexual.

Desde janeiro, Rachel trabalhava com sua equipe na redação de uma declaração de missão da empresa refletindo a nova direção seguida. De acordo com ela, o objetivo é alcançar um público metade feminino. “Para mim, ser relevante é mais importante do que pensar em um público-alvo”, disse ela. “Mas acredito que, para sermos relevantes, temos que assumir posicionamentos em relação às questões e interessar igualmente a todos os gêneros.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Veja a campanha do ‘New York Times’ eleita como melhor filme publicitário em Cannes Lions

A relevância do jornalismo profissional em um mundo cada vez mais dominado por fake news foi o tema da campanha para o The New York Times que ganhou o Grand Prix (Grande Prêmio) de Film Lions no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2019.

A campanha destacou qualidades do bom jornalismo: rigor, perseverança, determinação e coragem. Os conteúdos foram amarrados pela frase “a verdade vale a pena”. A série de cinco filmes ficou a cargo da Droga5, agência do publicitário premiado David Droga que recentemente foi vendida à Accenture.

Para compor o clima de cada um dos filmes, a Droga 5 criou uma tipologia que explicava o contexto de cada tema abordado e recrutou os jornalistas que fizeram as reportagens retratadas para narrar os vídeos, amplificando a sensação de urgência dos temas abordados, como a limpeza étnica em Mianmar e o grupo terrorista Isis.

Além de receber o prêmio de Film, a série de comerciais do NYT também recebeu o prêmio em Film Craft, que elege os filmes publicitários com o melhor resultado técnico (veja um dos vídeos acima). [Fernando Scheller]