Quem são os millennials que tentam salvar a Playboy?

Revista é repaginada sob nova direção – jovem e mais inclusiva
Jessica Bennett, The New York Times

Ana Dias fotografando a capa de julho, Teela LaRoux. As modelos em ensaios nus são agora fotografadas principalmente por mulheres Foto: Stephanie Noritz para The New York Times

LOS ANGELES – “Será um ensaio fotográfico com nu completo a ser realizado debaixo d’água”, dizia uma mulher ao telefone, cuja voz podia ser ouvida nos cubículos vizinhos. A pessoa do outro lado da linha parecia não compreender. “Estou dizendo que não será em terra firme.”

Era uma manhã na central da Playboy Enterprises, e os editores preparavam o fechamento da edição de verão. Debatiam as pautas enquanto, na cozinha, um barista decorava o café com leite desenhando orelhas de coelho na espuma. No seu escritório, Shane Singh, editor executivo da Playboy, explicava que o ensaio subaquático, a ser fotografado naquele fim de semana, seria para a capa da revista.

“A água deve representar a fluidez sexual e de gênero”, disse Singh. As mulheres posando na água – os membros entrelaçados como em uma pose de balé – não eram apenas modelos, mas também ativistas. Uma delas usa a arte performática  e a mídia digital para compartilhar histórias a respeito da epidemia de AIDS. Outra é uma dançarina subaquática que promove a preservação dos oceanos. A terceira, uma artista belga, filmou a si mesma caminhando nua por um bairro de judeus ortodoxos no Brooklyn durante um feriado (foi expulsa por uma turba).

Trata-se de uma nova Playboy, mais inclusiva – se acreditarmos nos seus executivos, e se estivermos dispostos a aceitar mais uma reinvenção dessa antiga marca. Faz tempo que se debate o lugar de uma publicação cujo lema é “Entretenimento para homens” em um mundo mais igualitário. Mas, quando o fundador da Playboy, Hugh Hefner, morreu em 2017, essa discussão ganhou força: teria sido ele uma voz visionária da libertação sexual e da liberdade de expressão, ou um safado que fomentava a misoginia?

Na época, a Playboy vivia uma atordoante sequência de tentativas de recomeço. Nos anos mais recentes, a revista teve a tiragem e periodicidade reduzidas; os anúncios deixaram de ser impressos; diretores executivos foram substituídos; e, mais notável, a nudez foi brevemente banida – antes de ser trazida de volta, com a campanha “Nudez é normal”. No início do ano passado, o financista Ben Kohn, que ajudou a fechar o capital da Playboy em 2011 e atua agora como diretor executivo, disse ao Wall Street Journal que pensava em se livrar da revista, para se concentrar no licenciamento e nas parcerias.

Mas a Playboy foi relançada este ano – dessa vez com papel de luxo, sem anúncios, e com periodicidade trimestral. É editada por um triunvirato da geração millennial: Singh, declaradamente gay, 31 anos; Erica Loewy, 26 anos, diretora de criação; e Anna Wilson, 29 anos, supervisora de fotografia e multimídia. O resultado é uma revista virtualmente irreconhecível, totalmente diferente daquela criada por Hefner. Uma porta-voz da Playboy disse que a família Hefner não detém mais nenhuma participação financeira na empresa.

A edição de verão, atualmente nas bancas, traz uma entrevista com Tarana Burke, fundadora do movimento MeToo; quadrinhos queer; e uma reportagem a respeito de brinquedos eróticos unissex. Durante o seu auge, nos anos 1960 e 1970, a Playboy chegava a quase sete milhões de assinantes, publicando obras de Andy Warhol, Margaret Atwood e Hunter S. Thompson, além de entrevistas com Martin Luther King Jr. e Fidel Castro.

Mas então vieram revistas mais explícitas como Penthouse e Hustler, e então a internet, que desfez o modelo do erotismo e da pornografia impressa e paga, tornando-a digital e gratuita. A Playboy estava perdendo dinheiro e, com isso, Hefner obteve um financiamento para fechar o capital da empresa.

Certos aspectos da marca continuaram rendendo: destilados e perfumes da Playboy; colaborações com grifes da moda; um cassino em Londres; uma casa noturna recentemente reaberta em Nova York e mais – especialmente na China, onde a marca tem mais de três mil lojas, disse Kohn. De acordo com ele, os consumidores gastam cerca de US$ 3 bilhões nos produtos e serviços da marca a cada ano. O relançamento da revista fazia sentido como forma de “extensão da marca”.

“Falamos muito a respeito do que é o olhar de Playboy e da necessidade de diversificar isso”, disse Rachel Webber, 37 anos, diretora de marketing. Ela chegou no ano passado vindo da National Geographic em parte por causa da oportunidade de trazer uma marca “tradicional” para a era moderna. “É um pouco como estar em uma aula de estudos de gênero”. Indagada a respeito da possiblidade de reinventar a Playboy, Joanna Coles, ex-editora-chefe da Cosmopolitan, disse: “Sob a ótica atual, Hugh Hefner é grotesco, e as mulheres dele são vítimas. A publicação pertence ao passado, como o figurino de Hugh”.

De acordo com Kohn, a revista alcança atualmente “uns duzentos mil” assinantes. Três quartos desse público são de homens. Depois de assumir o comando, dois anos e meio atrás, ele disse ter recuperado cerca de US$ 15 milhões em parcerias e acordos de licenciamento de produtos que “não representavam mais a marca”. Ele acrescentou que a empresa deseja expandir suas atividades para o ramo da cannabis, cuidados com a pele, brinquedos eróticos e bem estar sexual.

Desde janeiro, Rachel trabalhava com sua equipe na redação de uma declaração de missão da empresa refletindo a nova direção seguida. De acordo com ela, o objetivo é alcançar um público metade feminino. “Para mim, ser relevante é mais importante do que pensar em um público-alvo”, disse ela. “Mas acredito que, para sermos relevantes, temos que assumir posicionamentos em relação às questões e interessar igualmente a todos os gêneros.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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Veja a campanha do ‘New York Times’ eleita como melhor filme publicitário em Cannes Lions

A relevância do jornalismo profissional em um mundo cada vez mais dominado por fake news foi o tema da campanha para o The New York Times que ganhou o Grand Prix (Grande Prêmio) de Film Lions no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2019.

A campanha destacou qualidades do bom jornalismo: rigor, perseverança, determinação e coragem. Os conteúdos foram amarrados pela frase “a verdade vale a pena”. A série de cinco filmes ficou a cargo da Droga5, agência do publicitário premiado David Droga que recentemente foi vendida à Accenture.

Para compor o clima de cada um dos filmes, a Droga 5 criou uma tipologia que explicava o contexto de cada tema abordado e recrutou os jornalistas que fizeram as reportagens retratadas para narrar os vídeos, amplificando a sensação de urgência dos temas abordados, como a limpeza étnica em Mianmar e o grupo terrorista Isis.

Além de receber o prêmio de Film, a série de comerciais do NYT também recebeu o prêmio em Film Craft, que elege os filmes publicitários com o melhor resultado técnico (veja um dos vídeos acima). [Fernando Scheller]

Google lança iniciativas de incentivo ao jornalismo no Brasil

Empresa dará bolsas de até R$ 1 milhão para projetos inovadores no setor na América Latina e criará incubadora para startups de notícias em SP
Por Bruno Capelas e Giovanna Wolf – O Estado de S.Paulo

Projeto já investiu R$ 36 milhões em projetos de apoio ao jornalismo no País, diz Marco Túlio Pires, coordenador do Google News Lab no Brasil

Google anunciou nesta quinta-feira, 6, em evento em São Paulo, diversas iniciativas para apoiar o jornalismo na América Latina. A principal delas é a criação de um desafio de inovação para novos modelos de negócios ou produtos jornalísticos na região – os projetos selecionados poderão receber uma bolsa de até R$ 1 milhão do Google News Initiative (GNI), área de apoio da companhia ao jornalismo. 

As inscrições estão abertas no site do GNI até 23 de julho e podem contemplar qualquer iniciativa no setor, seja ela feita por uma grande empresa jornalística, uma ONG ou um profissional freelancer. Para avaliar os projetos, o Google vai considerar que os resultados devem ser positivos não só para a iniciativa em si, mas também para o ecossistema de imprensa da América Latina. 

Segundo Marco Túlio Pires, coordenador do Google News Lab no Brasil, o GNI já investiu R$ 36 milhões em projetos de apoio ao jornalismo no País; no mundo, os aportes feitos pela gigante americana estão na casa de US$ 120 milhões. Anunciado em março de 2018, o programa prevê desembolsos de US$ 300 milhões em iniciativas no setor ao longo de três anos. 

O Google também divulgou a criação da Incubadora Jornalística de Nativos Digitais, que oferecerá mentoria e espaço físico para iniciativas inovadoras no setor dentro do campus da empresa voltado a startups em São Paulo. A incubadora vai apoiar empresas jornalísticas que estejam sendo criadas do zero, com acesso a produtos e mentores da gigante americana, bem como recursos para seu desenvolvimento. 

Pires também ressaltou o Laboratório de Assinaturas, programa da qual o Estado faz parte – junto de Folha de São PauloO Estado de Minas e Nexo Jornal – e cuja meta é auxiliar empresas da região a ter excelência em assinaturas, com apoio da consultoria Mather Economics e da Associação Mundial de Jornais (WAN-IFRA). 

Outro compromisso do Google assumido ontem é o aporte de R$ 2 milhões em associações e consórcios de mídia do País, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), que oferecerão seminários, cursos e programas de checagem de fatos. 

O Instituto Para Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) vai liderar a próxima fase do Projeto Credibilidade, consórcio que busca entender padrões de qualidade no jornalismo digital brasileiro. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), por sua vez, deve oferecer uma série de seminários online e conteúdo digital para auxiliar o fluxo de trabalho e negócios em redações no País.

Jornal New York Times vai à TV em defesa dos valores do jornalismo

The Weekly, programa de documentários com repórteres, estreia com exuberância visual e grande apuro dramático
Nelson de Sá

Ilustração do jornal New York Times criada para o semanal The Weekly – Divulgação

O primeiro episódio já mostrou a exuberância de imagens e ao mesmo tempo o rigor jornalístico que seriam de esperar do New York Times. Não faltou também apuro dramático, talvez até demais. 

O The Weekly segue o projeto iniciado no podcast The Daily, do mesmo jornal. Mergulha nas reportagens, buscando aprofundá-las e não facilitá-las para a audiência, no caso, do canal FX e da plataforma de streaming Hulu. 

Estreou com intervalos comerciais robustos, um sinal positivo quanto à sua viabilidade. A primeira temporada acompanha mais de 30 jornalistas, dos 1.600 do Times. 

Escolhido para abrir o projeto, o primeiro episódio foi de impacto emocional. Conta a história de crianças e adolescentes negros de Louisiana manipulados –alguns agredidos– por uma escola privada que promete levá-los às universidades de elite. 

Muito da emoção vem dos estudantes, em especial do ex-aluno Anthony Edmond, de sua irmã e de sua mãe, que retratam o conflito de enfrentar os donos da escola. Mas vem também das duas repórteres. 

Erica L. Green, que cobre educação, ocupa a tela com tensão dramática, o que dá ares quase ficcionais ao documentário. Por exemplo, é ela quem expõe, diante da câmera, o dilema de estar expondo alguns dos jovens, aqueles que de fato entraram nas universidades, ao risco de serem expulsos, por fraude. 

Sua colega, Katie Benner, setorista do Departamento de Justiça, não tem a mesma presença teatral, mas levanta a história, publicada em novembro. E é quem, ao que parece, consegue a notícia que acompanha agora o vídeo, de que o FBI abriu investigação. 

O episódio é redondo em estrutura dramática, o que talvez explique sua escolha para a estreia, indo da apresentação das personagens aos obstáculos que enfrentam e até um desenlace ou quase, com a recém-descoberta investigação. Nem sempre será assim, em se tratando de realidade. 

O objetivo expresso do New York Times é defender o jornalismo, que está “sob ataque como nunca antes”. Para tanto, a opção é ser transparente, detalhar como é feita uma apuração, como demora, segue padrões e envolve questionamentos como o de Green. 

Mas no primeiro episódio o público foi levado a algo muito próximo de torcer pelas jornalistas, transformadas em protagonistas e, mais até, em modelos de bravura. 

Talvez seja melhor esperar pelo segundo. Vai acompanhar a investigação sobre a cerimônia de posse de Trump, com narração de Maggie Haberman, repórter que o segue desde seus tempos de magnata em Nova York. 

THE WEEKLY
Televisão
Avaliação: muito bom
Quando: Domingos, às 22h, no FX, e às segundas na plataforma Hulu, ambos nos Estados Unidos

Podcast eleva receita do The New York Times com publicidade

Nicho ajuda a impulsionar faturamento no digital; empresa ganha 223 mil assinantes online
NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES

Fachada do prédio do jornal The New York Times, em Manhattan – Reuters

A New York Times Co., que edita o jornal The New York Times, anunciou resultados melhores que os esperados para o primeiro trimestre. Os avanços no número de assinaturas e publicidade digitais mais que compensaram o declínio das operações em papel.

O número total de assinaturas pagas (digitais e impressa) ultrapassou 4,5 milhões. Desses, mais de 3,5 milhões pagam por acesso aos produtos online da companhia, alta de 29% ante o mesmo período em 2018, o que representa acréscimo de 223 mil assinaturas.

A receita da publicidade online foi destaque, com crescimento de 19%, para US$ 55 milhões —impulsionada pela divisão de podcasts, especialmente o The Daily, programa baseados nas notícias do dia. 

A receita das assinaturas digitais, somada à da publicidade digital, subiu 16%, para US$ 165,4 milhões. A empresa não revelou números específicos da divisão de podcasts.

O Times vem registrando avanços firmes como veículo online. No ano passado, gerou mais de US$ 709 milhões em receita digital, o que torna provável que atinja a meta de US$ 800 milhões que anunciou para 2020. No início do ano, Mark Thompson, presidente-executivo da empresa, estabeleceu outra meta ambiciosa: elevar o número de assinantes a mais de 10 milhões em 2025.

Enquanto o negócio digital cresce, a operação impressa diminui. A receita de publicidade em papel caiu 11,9%, para US$ 69,5 milhões, e a de assinaturas nessa plataforma recuou 2,6%, para US$ 16,1 milhões.
A companhia também anunciou a estreia do site Parenting, dirigido a “pais que querem ajuda para ter e criar filhos hoje”. O produto é visto como um serviço separado, como os apps Cooking e Crosswords, e o objetivo é fazer dele um novo produto a ser vendido por assinatura.

O lucro operacional no primeiro trimestre foi de US$ 34,6 milhões, semelhante ao do mesmo período de 2018, e a receita total subiu 6,1%, para US$ 439 milhões. Analistas previam lucro de US$ 27 milhões e receita de US$ 436,5 milhões.
Tradução de Paulo Migliacci

Editores reclamam de favoritismo e problemas com o Apple News+

Entre os novos serviços da Maçã, anunciados no mês passado, o Apple News+ é o único que está disponível para usuários (nos Estados Unidos e no Canadá, isto é). Apesar da euforia inicial, no entanto, a plataforma já é alvo de críticas e questionamentos por um grupo bem importante para o serviço: os próprios editores.

De acordo com uma publicação do Digiday, alguns editores que se juntaram ao Apple News+ estão insatisfeitos com o lançamento do serviço e reclamaram sobre uma série de problemas, incluindo dificuldades com a formatação de artigos na plataforma, design confusoexperiência de usuário falha, entre outros.

Porém, uma outra grande queixa não está relacionada com as características intrínsecas do serviço, mas com o comportamento da própria Apple, que estaria favorecendo grandes editores às custas de outras publicações menores.

Segundo os reclamantes, todos os editores que participam do Apple News+ receberam um email para entrar em contato com representantes da gigante da Cupertino. Contudo, um grupo seleto de participantes foi convidado para um canal privado do Slack, por meio do qual eles poderiam se conectar com a Apple mais diretamente.

Como é possível imaginar, o grupo de editores que não possui tal contato mais direto com a Apple não ficou nem um pouco contente com essa possível “diferença de tratamento”. Um desses editores anônimos disse que a Apple “está jogando com favoritismo”.

O relatório aponta, ainda, que a Apple se absteve de fornecer modelos de artigos para os editores. Embora a Maçã tenha firmado com os editores certa liberdade na criação e no design de seus artigos, ela terceirizou o problema de layout e conteúdo para outras empresas, as quais deixaram bastante a desejar, segundo os editores.

Além disso, vários editores reclamaram da falta de ferramentas para digitalizar seus conteúdos de acordo com as exigências da Apple. Em muitos casos, as revistas e os jornais digitais são basicamente uma conversão do que é feito no impresso, e isso depende de alguns serviços que convertem texto e anúncios individualmente.

Nesse sentido, os editores de revistas menores, que não têm recursos para transferir seus produtos para o serviço, estão considerando um conjunto desfavorável de opções: investir em recursos de design e desenvolvimento para criar algo bonito sem saber se há um público para apreciá-lo; usar um modelo estabelecido, que faz com que seu conteúdo seja exatamente igual ao de dezenas de outros editores; ou trabalhar mesmo com PDF1 e esperar que a experiência de usuário diferente não lhe custe leitores.

Com base em todas as queixas, o Digiday descreveu que os primeiros problemas que assolam o Apple News+ “não auguram nada de bom para seu futuro a longo prazo, a menos que a Apple adapte sua abordagem”, como também destacou o Gizmodo, que fez um review(não tão positivo) da recém-lançada plataforma de revistas.

Ainda veremos se esses problemas se revelarão grandes o suficiente para afetar o serviço da Maçã. No entanto, se as dores de cabeça de formatação continuarem, provavelmente o Apple News+ será mais uma plataforma de coleção de PDFs digitalizados — o que definitivamente não vale os US$10 cobrados mensalmente pela sua assinatura. [MacMagazine]

VIA CULT OF MAC

200 mil pessoas assinaram o Apple News+ em 48h, mas serviço pode ameaçar revistas

200 mil pessoas assinaram o Apple News+ em 48h

Dentre as quatro novidades apresentadas pela Apple no seu último evento especial, só a plataforma de publicações Apple News+ teve lançamento imediato nos Estados Unidos — e a resposta dos consumidores parece ser razoavelmente positiva, até o momento.

De acordo com dados publicados pelo New York Times, mais de 200 mil usuários assinaram o serviço — que custa US$10 mensais e tem um mês de testes gratuito — em suas primeiras 48h de disponibilidade. Os números vêm de fontes próximas do assunto não-divulgadas pelo jornal.

Apenas a efeito de comparação, o moribundo serviço da Texture — adquirido pela Maçã no ano passado e usado como base para construção do Apple News+ — nunca teve 200 mil assinantes, nem no seu momento de maior popularidade. Claro, a comparação é injusta, já que estamos falando de um serviço vindo de uma startup basicamente desconhecida contra uma plataforma amplamente divulgada por uma das maiores empresas do mundo; ainda assim, os números indicam um caminho interessante para o serviço de Cupertino neste início de vida.

Algumas editoras também estão animadas com esses primeiros passos do Apple News+: Pamela Wasserstein, CEO1 da New York Media (que publica revistas como New YorkThe Cut e Vulture), afirmou que a plataforma ajudaria as publicações a “alcançarem uma nova audiência” num ambiente que “parece certo”.

A opinião da editora, entretanto, parece ter algumas indicações contrárias, como veremos a seguir.

Ameaça para revistas?

Em um artigo escrito para o Monday Note, o analista Frederic Filloux alertou as editoras para um possível corte significativo de receita por leitor caso o Apple News+ se consolide como uma opção viável e popular para o mercado americano.

O cálculo de Filloux é simples: atualmente, o mercado de revistas gera cerca de US$27 bilhões por ano — o que, por si só, representa uma queda de cerca de 40% em relação a uma década atrás. Esses US$27 bilhões se convertem em cerca de US$120/ano por leitor, o que representa o mesmo que o Apple News+ gera por usuário, já que o serviço custa US$10 por mês.

O problema é que a Apple fica com metade dessa receita — o que significa que, caso sua plataforma se torne uma via de acesso “padrão” para revistas, as editoras perderão metade da sua receita nos próximos anos.

Projeção de perda de receita das revistas com o Apple News+

A situação, claro, não é tão simples e varia de acordo com as revistas: o analista calcula, por exemplo, que a New Yorker perderá 88% de sua receita caso o Apple News+ se torne extremamente popular; já a WIRED, com uma inserção muito mais intensa de publicidade, terá uma perda de apenas 12% — isso estimando que cada leitor passe cerca de 15% do seu tempo na plataforma na WIRED, e 20% na New Yorker.

Algumas publicações já parecem ter percebido que a plataforma pode representar um problema. A ausência do New York Times e do Washington Post no Apple News+, por exemplo, já foi amplamente notada, e uma reportagem publicada recentemente pela Vanity Fair afirma que não foi por falta de tentativa: Eddy Cue, vice-presidente sênior de software e serviços para internet da Apple, passou boa parte dos últimos meses nos escritórios dos dois jornais, mas não obteve sucesso — especialmente porque a Apple recusou-se a diminuir sua taxa de 50% para as duas editoras. [MacMagazine]