Naomi Campbell – Luigi + Iango – Vogue Japan – June 2019

Vogue Japan com Naomi Campbell, photographed by Luigi + Iango and styled by Patti Wilson with hair by Luigi Murenu and makeup by Renee Garnes

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SPFWN47: Gloria Coelho apresenta a coleção Surf Couture

Gloria Coelho desfila a coleção de verão no Teatro FAAP (Foto: Aline Canassa / FAAP)

O Teatro FAAP foi mais uma vez palco do desfile da estilista Gloria Coelho para o São Paulo Fashion Week.  Com inspirações variadas, que vão do surf à série Game of Thrones, a coleção desenvolvida para o verão 2020 apresenta peças em couro, neoprene e muito tule nas cores off white, preto, verde militar, navy blue, goiaba, entre outras.

“A presença do tule sobreposto pela alfaiataria me impressionou muito e trouxe um romantismo interessante”, diz a professora Camila Rossi, coordenadora do curso de Moda da FAAP, que destaca ainda a forma como a estilista utiliza os metais em cintos e bolsas. “Essas peças na coleção da Gloria não são apenas acessórios, mas elementos gráficos que complementam a roupa”, comenta a especialista.

Na opinião da professora, a assimetria presente nas coleções da estilista também é um fator que enriquece o vestuário.  O professor de história da moda da FAAP, João Braga, acrescenta que a estilista consegue ser fiel ao seu estilo e identidade estética. “A Glória Coelho mantém a sua essência, mas sabe se renovar, estando atualizada aos tempos modernos”, explica.
FAAP MODA

SPFW: “Alguns falam que negro com dreads não é sinônimo de beleza”, diz modelo haitiano

Jean Woolmay Denson Pierre, de 23 anos, cruza pela quinta vez as passarelas da São Paulo Fashion Week. Em conversa com a Marie Claire, ele conta que se achava muito feio para ser modelo
PRISCILLA GEREMIAS

Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)
Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)

O modelo haitiano Jean Woolmay Denson Pierre, tem 23 anos e está pela quinta vez cruzando as passarelas da São Paulo Fashion Week. Em conversa com a Marie Claire, ele conta que se achava muito feio para ser modelo: “Os colegas da escola sempre me falavam que eu era muito escuro. Todo dia tinha uma brincadeira de mau gosto. Um dia pedi para um primo fazer umas fotos minhas, editei as imagens e postei no Facebook. Recebi muitos comentários legais e um fotógrafo do Haiti, chamado Gio, disse que eu tinha potencial e me chamou para fazer um ensaio fotográfico. Foi ai que minha carreira começou, aos 17 anos”, relembra.

No Haiti, o modelo foi coroado Rei do Carnaval e posou para revistas antes de chegar em São Paulo, em março de 2016, chegou a São Paulo no mês de março sem falar uma palavra em português e fazia cursinho para prestar o vestibular para Medicina, mas foi sua carreira como modelo que decolou. Na cidade, seus primeiros trabalhos foram com grandes marcas, como Nike, Lacoste, Fila e LAB Fantasma, dos irmãos Emicida e Fióti. “Daí decolou minha carreira de modelo internacional”, conta Jean.

O primeiro desfile do modelo no SPFW foi para a À LA GARÇONNE de Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza. “Foi incrível, estava sem palavras, me lembro que agradeci muito a eles por essa oportunidade de deixar um haitiano desfilar no SPFW”.

Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)
Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)

O sucesso não livrou Jean de sofrer racismo e xenofobia. “Todo dia… Já perdi jobs por causa do meu cabelo, têm marcas que falam que negro com dreads não é sinônimo de beleza e que se eu quiser fazer o trabalho tenho que cortar meu cabelo. Eu gosto do meu cabelo e não vou cortar porque uma empresa não o quer. Sempre vai ter outra marca que vai me aceitar do jeito que eu sou. Também tem desfile que eu não pego porque sou ‘diferente’, fora do padrão, não sou como os outros modelos. É triste, mas essa é a realidade na moda daqui. Já cheguei em trabalho que não tinha maquiagem para minha cor. Ainda é fraca a participação de pessoas negras na passarela, na TV e nos comerciais. Precisaria ter mais, porque isso ajuda as crianças negras a acreditarem nelas, que elas podem chega no topo também e cria autoestima”, diz.

Jean, além de modelo, faz faculdade de Química. “Estou no quinto semestre. Às vezes é difícil conciliar, chego atrasado por causa dos jobs, nem todos os professores entendem. Mas eu gosto de estudar, não dá pra ficar só modelando e pagando de famoso na internet. Coloquei uma coisa na minha cabeça: não vou ficar jovem pra sempre”.

Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)
Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)

Vinda para o Brasil
Muito antes de chegar a semana de moda da capital paulista, o modelo, que nasceu em Porto Príncipe, no Haiti, teve que enfrentar um terremoto em seu país que fez com que sua família se separasse por um tempo.

Quando o terremoto devastou o país, em 2010, a família de Jean mantinha um mercadinho em Porto Príncipe. “Perdemos muita mercadoria. Lembro de sentir o tremor, de ver árvores e casas caídas, pessoas machucadas, todo mundo correndo. Passamos um mês dormindo em cabanas porque não podíamos voltar para casa”, disse o modelo assim que chegou em São Paulo em entrevista ao G1.

Seu pai, Jean Wilder Pierre, morou nas Bahamas, em algumas ilhas do Caribe e nos Estados Unidos para trabalhar como chef de cozinha e sustentar a família de classe média no Haiti. Ele passou oito anos nos Estados Unidos, destes, cinco, com a esposa. Neste período, o modelo e o irmão cinco anos mais novo, Jean Jaime, ficaram no Haiti, sob os cuidados da avó. Em 2012, seu pai resolveu vir para o Brasil, no Paraná, depois que um amigo o ajudou a conseguir o visto.

Foram quatro anos no Brasil até o pai do modelo trazer toda a família que foi morar em Joinville (PR), mas Jean resolveu se mudar para São Paulo para fazer cursinho e continuar a carreira de modelo, contrariando a vontade do pai.

Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)
Jean Woolmay Denson Pierre (Foto: Reprodução/ Instagram)