Keith Jarrett encara um futuro sem piano depois de sofrer dois derrames

Músico rompe silêncio de anos e revela que é improvável que volte a se apresentar
Nate Chinen

O pianista Keith Jarrett – Daniela Yohannes/ECM Records/NY Times

THE NEW YORK TIMES – Da última vez que Keith Jarrett se apresentou em público, seu relacionamento com o piano era a menor de suas preocupações. Foi no Carnegie Hall, em 2017, algumas semanas depois do início do governo de um presidente novo e polarizador.

Jarrett —um dos mais elogiados pianistas vivos, um artista de jazz galvanizador que também gravou um grande repertório de música clássica— abriu o show com um discurso indignado sobre a situação política, e disparou comentários ininterruptos durante o concerto. Ele encerrou agradecendo a audiência por levá-lo às lágrimas.

Jarrett deveria voltar ao Carnegie Hall no mês de março seguinte para outro dos recitais solo que tanto fizeram para estabelecer sua lenda, como o capturado no disco “Budapest Concert”, que sai em 30 de outubro.

Mas o show no Carnegie Hall foi cancelado abruptamente, assim como as demais apresentações que o pianista tinha em seu calendário. Na época, a ECM, gravadora pela qual Jarrett lança seus trabalhos há muito tempo, mencionou problemas de saúde não especificados. Não houve atualizações oficiais sobre a situação de Jarrett nos dois últimos anos.

Mas este mês, Jarrett, 75, rompeu o silêncio e revelou claramente o que aconteceu com ele: um derrame no final de fevereiro de 2018, seguido por um novo acidente vascular em maio. É improvável que ele volte a tocar em público.

“Fiquei paralisado”, ele disse ao The New York Times, falando por telefone de sua casa, no noroeste do estado de Nova Jersey. “Meu lado esquerdo continua parcialmente paralisado. Consigo andar, com a ajuda de uma bengala, mas demorei muito tempo para isso. Foi preciso um ano ou mais de trabalho. E não estou me movimentando muito nem dentro de casa, para dizer a verdade.”

Jarrett não percebeu inicialmente como seu primeiro derrame tinha sido grave. “Fui com certeza apanhado de surpresa”, ele disse. Mas depois que emergiram novos sintomas, ele foi levado a um hospital, onde gradualmente se recuperou o bastante para ter alta. O segundo derrame aconteceu em casa, e ele foi internado em uma lar de repouso.

No período que passou lá, de julho de 2018 a maio deste ano, Jarrett fez uso esporádico da sala de piano, tocando alguns contrapontos com a mão direita. “Fiquei tentando fingir que era Bach com uma mão só”, ele disse. “Mas era só uma brincadeira.” Quanto tentou tocar alguns temas conhecidos de bebop em seu estúdio caseiro, recentemente, ele descobriu que tinha esquecido as melodias.

A voz de Jarrett é mais suave e fraca, agora. Mas ao longo de duas conversas cada qual com cerca de uma hora de duração, ele provou estar lúcido e legível, apesar de algumas falhas de memória ocasionais. Declarações mais pesadas ou canhestras eram pontuadas por um risinho que parecia uma exalação vagamente rítmica: ah-ha-ha-ha.

Criado na religião ciência cristã, que defende que tratamentos médicos sejam evitados, Jarrett retornou a essa âncora espiritual —até certo ponto. “Não costumo ficar indagando ‘por que eu?’, pelo menos não frequentemente”, ele disse. “Porque, como cientista cristão, a expectativa seria que eu dissesse ‘vade retro, Satanás’. E isso foi algo que de certa forma fiz, quando estava internado. Não sei se tive sucesso, porém, porque cá estou eu”.

“Não sei qual deve ser meu futuro”, acrescentou. “No momento, não sinto que sou um pianista. É tudo que posso dizer a esse respeito.”

Depois de uma pausa, ele reconsiderou. “Mas quando ouço música para piano tocada com as duas mãos, é muito frustrante, de um jeito físico. Se ouço Schubert, ou alguma coisa tocada suavemente, isso é mais que o bastante. Porque sei que não conseguiria mais fazê-lo. O máximo de recuperação que posso conseguir em minha mão esquerda é talvez voltar a ser capaz de segurar uma xícara. Assim, não estamos em uma daquelas situações do tipo ‘atire no pianista’. A situação é: ‘já levei o tiro’. Ah-ha-ha-ha.”

Se a perspectiva de um Keith Jarrett que já não se considera pianista é chocante, talvez isso aconteça porque é difícil recordar um momento em que ele não o tenha sido. Criado em Allentown, Pensilvânia, ele foi uma criança prodígio. De acordo com o folclore familiar, Jarrett tinha três anos quando uma tia apontou para um riacho próximo e disse que ele devia transformar seu ruído em música —o primeiro improviso dele ao piano.

O público mais amplo descobriu sua existência no final da década de 1960, quando ele se tornou parte de um grupo liderado pelo saxofonista e flautista Charles Lloyd que personificava o “zeitgeist”. O brilhante baterista do grupo, Jack DeJohnette, em seguida ajudou a encaminhar Miles Davis ao rock e ao funk. Jarrett seguiu o caminho do colega, e se tornou parte de uma versão incandescente da banda de Davis; nas gravações ao vivo, seus interlúdios ao piano elétrico são fascinantes.

Jarrett não demorou a chegar a um resultado semelhante em seus shows pessoais, permitindo que as passagens improvisadas se tornassem o evento principal. Ele estava trabalhando há alguns anos com essa abordagem, em 1975, quando tocou o que viria a ser conhecido como “The Köln Concert”, um marco sonoro hipnotizante que continua a ser um dos discos de piano solo mais vendidos de todos os tempos.

O disco também foi apontado como exemplo de triunfo sobre a adversidade, que incluía tanto dores físicas e a exaustão de Jarrett naquele momento quanto sua frustração por estar tocando um piano de má qualidade.

Keith Jarret após uma apresentação no teatro La Fenice, em Veneza, em um evento de jazz – Michele Crosera -19.ju.2006/AFP

Essa sensação de superar obstáculos intransigentes é um traço duradouro do mito de Jarrett. Às vezes, ao longo dos anos, chegava a parecer que ele mesmo criava obstáculos para sua carreira. Transformava seus concertos em testes de intensidade hercúlea, e costumava interrompê-los para ralhar com a audiência por tirar fotos ou porque alguém estava tossindo demais.

Um perfil de Jarrett publicado pela The New York Times Magazine em 1997 trazia uma manchete irônica: “O mártir do Jazz”. No ano seguinte, Jarrett anunciou que vinha lutando contra uma enfermidade complicada e misteriosa conhecida como síndrome de fadiga crônica.

Enquanto readquiria a força, ele gravou uma série de “songbooks” de baladas em seu estúdio caseiro, mais tarde reunidos no tocante e belíssimo disco “The Melody at Night, With You”. Depois ele voltou a reunir o trio com quem trabalhava há muito tempo, uma unidade magicamente coesa com DeJohnette e o virtuose do baixo Gary Peacock.

O primeiro show de seu retorno, em 1998, surgiu recentemente em disco, ampliando uma discografia já volumosa. O álbum captura um espírito de reunião jubiloso não só entre Jarrett e seus colegas de grupo, mas também entre o artista e seu público. O disco leva o título de “After the Fall”; a ECM o lançou em março de 2018, inadvertidamente pouco depois do primeiro derrame do pianista.

Perdas vêm abalando o círculo musical de Jarrett, recentemente. Peacock morreu no mês passado, aos 85 anos. Jon Christensen, baterista do influente quarteto que Jarrett liderou na Europa na década de 1970, morreu alguns meses atrás.

Jarrett também liderou um quarteto inovador nos Estados Unidos, nos anos 1970, e os demais membros —o saxofonista Dewey Redman, o baixista Charlie Haden, o baterista Paul Motian, todos figuras importantes do jazz moderno— também já morreram.

Diante dessas e de outras verdades difíceis, Jarrett não vem exatamente encontrando consolo na música, como seria o caso no passado. Mas ele extrai satisfação de algumas das gravações de sua última turnê solo pela Europa.

O pianista instruiu a ECM a lançar o concerto final da turnê no ano passado, com o título “Munich 2016”. E mostra ainda mais entusiasmo pelo show de abertura da temporada, “The Budapest Concert”, que ele chegou a pensar em definir como “o padrão ouro”.

Ao começar a chegar a um acordo com os trabalhos que registrou no passado como fato consumado, Jarrett não hesita em fincar suas bandeiras.

“Sinto que sou o John Coltrane dos pianistas”, ele disse, mencionando o saxofonista que transformou a linguagem e o espírito do jazz na década de 1960. “Todo mundo que tocou saxofone depois dele demonstrou o quanto lhe devia. Mas não por meio da música que faziam, que era só uma imitação.”

E é claro que imitação —mesmo imitação do próprio estilo— é anátema ante a invenção pura, partindo da página em branco, que Jarrett afirma ser seu método. “Não faço ideia do que vou tocar, antes de um show”, disse Jarrett. “Se tenho uma ideia musical, digo não a ela.” (Ao descrever seu processo, ele ainda prefere falar no presente.)

Para além de seus recursos criativos, as condições de cada show são únicas: as características do piano, o som da sala, o clima da audiência, até mesmo o jeito da cidade. Jarrett tinha tocado quatro vezes em Budapeste antes de seu show de 2016 na Sala Nacional de Concertos Bela Bartok, sentindo uma afinidade que atribui a fatores pessoais: sua avó materna era húngara, e ele estava acostumado desde a infância a tocar a música de Bartok.

“Eu sentia ter algum motivo para estar próximo daquela cultura”, ele afirmou.

O uso da música folclórica por Bartok e outros compositores húngaros foi mais um estímulo para conduzir Jarrett a uma qualidade sombria —“uma espécie de tristeza existencial, que podemos chamar de uma profundidade”— que é presença poderosa na primeira metade do concerto.

A segunda metade, algo que os admiradores de “The Köln Concert” apreciarão, traz algumas das composições improvisadas mais cintilantes da carreira de Jarrett. As baladas em questão, como “Part V” e “Part VII”, cintilam diante de bases atonais aceleradas ou derivadas do bebop, construindo gradualmente um argumento em favor de uma expressão madura que não teria sido possível em estágios anteriores de sua carreira.

Parte dessa evolução tem a ver com a estrutura dos concertos solo de Jarrett, que costumavam se desenrolar em arcos longos e ininterruptos mas agora envolvem uma série de peças separadas, com pausas para aplausos. Muitas vezes, a forma que serve como traço de união a esses concertos mais recentes só se torna aparente em retrospecto. Mas o concerto de Budapeste foi uma exceção.

“Eu percebi enquanto ainda estava tocando, o que explica porque o escolhi como o melhor show da turnê”, disse Jarrett. “Eu soube na hora. Sabia que havia alguma coisa acontecendo.”

O fator crucial, ele reconheceu, foi uma audiência incrivelmente receptiva. “Algumas audiências parecem aplaudir mais quando há algo de louco acontecendo”, ele disse. “Não sei por quê, mas não era o que eu estava procurando em Budapeste.”

Já que Jarrett produziu a vasta maioria de sua obra gravada diante de uma audiência, a reputação dele por ranzinzice talvez seja mais fácil de compreender como o lado turbulento de uma relação de codependência.

Ele expressou a questão de modo muito sucinto durante um concerto solo no Carnegie Hall em 2015, quando anunciou: “Eis uma coisa importante que ninguém parece perceber: eu não conseguiria sem vocês/”

Ao renegociar seus laços com o piano, Jarrett enfrenta a probabilidade de que aquela outra relação —a que o une ao seu público— tenha chegado ao fim.

“No momento, não consigo nem falar sobre isso”, ele disse, quando a questão surgiu, rindo sua risadinha enigmática. “É o que sinto a respeito.”

E embora a magnífica realização do concerto de Budapeste seja fonte de orgulho, não é difícil perceber que ela também pode ser interpretada como uma demonstração do espírito zombeteiro do universo.

“Só posso tocar com a mão direita, e isso não me convence mais”, disse Jarrett. “Cheguei a ter sonhos em que estou tão limitado quanto estou na realidade —e assim me vejo tentando tocar, em meus sonhos, mas eles são como a vida real.”

Tradução de Paulo Migliacci 

Adele deixa fãs impressionados em novo vídeo após emagrecer 45 kg

H.E.R., Adele, Kate McKinnon em promo do programa Saturday Night Live (Foto: Reprodução NBC)

É a primeira vez em três anos que Adele aparece em um programa de TV. Em um teaser para o próximo episódio de ‘Saturday Night Live’, a cantora mostrou sua surpreendente perda de peso de 45 kg e deixou os fãs boquiabertos. A cantora de 32 anos também deixou escapar um sotaque americano enquanto brincava com a tentativa da comediante Kate McKinnon de imitar um sotaque britânico.

Em outra parte do clipe, ao apresentar o convidado musical do episódio, a cantora H.E.R, Adele pareceu sugerir que ela se apresentaria sozinha, ao dizer: “Ou talvez [o convidado musical] seja eu?”. Adele, vencedora do Grammy por 15 vezes, deixou os fãs confusos sobre sua participação no programa: não se sabe se ela se apresentará cantando no programa de esquetes enquanto H.E.R também apresentará seu novo single, Damage, ou se Adele participará como atriz.

O último show ao vivo de Adele foi no final de sua turnê de 2017, pouco antes de ela desistir de seus dois últimos shows no Estádio de Wembley, após danificar suas cordas vocais. Na época, ela disse em uma carta que foi forçada a cancelar os shows para uma audiência de 100.000 pessoas em Londres, revelando que estava “desesperada” para fazer os shows – que ela chamou de um “marco” em sua carreira.

Já se passaram quase 12 anos desde que Adele apareceu como convidada musical do SNL pela primeira vez ao lado de Josh Brolin. Ela então voltou em 2015 ao lado de Matthew McConaughey. Adele disse: “Isso acabou iniciando minha carreira na América, então parece que o círculo está completo e eu simplesmente não poderia dizer não!”.

Gloria Groove inicia fase de R&B com o single “A Tua Voz”

Faixa inédita também ganhou clipe
ARTHUR ELOI

Para marcar o início de uma nova fase, a cantora Gloria Groove lançou hoje (22) o single inédito “A Tua Voz”, que também ganhou clipe. Veja acima.

Groove chama o projeto de Affair, e descreve a nova fase como “a era R&B”. O último single da cantora saiu em agosto de 2020, chamado de “Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim”, em parceria com Manu Gavassi.

Bruce Springsteen transforma saudade dos que já se foram em canções empolgantes de disco e filme

Cantor e compositor lança álbum com a lendária E-Street Band; ‘Letter to you’ traz 12 composições e documentário com os bastidores da gravação
Sérgio Luz

O cantor e compositor americano Bruce Springsteen, que lança o disco 'Letter to you' Foto: Divulgação/Danny Clinch
O cantor e compositor americano Bruce Springsteen, que lança o disco ‘Letter to you’ Foto: Divulgação/Danny Clinch

De seu amplo estúdio caseiro, em Nova Jersey, Bruce Springsteen aparece na tela da entrevista coletiva virtual aparentando pelo menos um par de décadas a menos que seus 71 anos recém-completados. E o vigor de sua aparência bronzeada é refletido em “Letter to you”, seu 20º disco autoral, que chega ao streaming no dia 23, acompanhado por um documentário com os bastidores da gravação, dirigido por Thom Zimny, na Apple TV.

O lançamento marca o segundo pacote de disco e filme lançado pelo cantor e compositor americano em pouco mais de um ano — o álbum solo de folk-country “Western stars” e seu contemplativo longa homônimo, também assinado por Zimny, saíram no meio de 2019. Primeiro CD de Springsteen com a sua lendária E-Street Band completa desde “Working on a dream” (2009), “Letter to you” reúne 12 canções com a sonoridade que marcou os grandes sucessos do artista, um rock vibrante de apuro pop e pegada radiofônica.

— Não havia escrito canções para a banda fazia uns seis ou sete anos. Me envolvi com diversos projetos, mas sempre tinha em um canto da cabeça a vontade de fazer um disco com o grupo, e, se eu pudesse, um disco de rock. Para mim, é o tipo de música mais difícil de compor — confessa Springsteen. — Esse desejo fica no ar, mas é necessário algo para acender a fagulha de uma maneira criativa.

Gravado ao vivo em estúdio com os oito integrantes da E-Street Band, da qual participa sua mulher, a cantora Patti Scialfa, “Letter to you” teve sua chama acesa quando o músico ganhou o violão de um fã e perdeu um velho amigo de infância.

— Eu fui visitá-lo mais ao sul, onde ele vivia. Além de mim, ele era o único sobrevivente da minha primeira banda (The Castiles). Quando ele morreu, só eu sobrei. É um sentimento estranho pensar em sua juventude e na partida de todas as pessoas que foram importantes para você naquele período. Então eu escrevi “Last man standing”. Quando compus essa, a represa arrebentou e todas as outras canções surgiram nos dez dias seguintes. E fiz tudo com o violão que um garoto me deu na saída da Broadway.

Além das novas faixas, a reflexão sobre a morte e a preocupação com o legado de sua obra geraram trabalhos em diferentes formatos nos últimos anos. O registro audiovisual da produção do álbum, com narração do próprio artista, é seu quarto projeto autobiográfico, seguindo o livro de memórias “Born to run” (2016), o espetáculo teatral “Springsteen on Broadway” — que ficou em cartaz em Nova York por 14 meses, entre 2017 e 2018 — e “Western stars”.

— Eu trabalhei pesado para poder verbalizar minha vivência. Bem, eu faço análise há 30 anos. Isso ajuda bastante! — diverte-se. — A tarefa do artista é passar o tempo examinando a própria vida. Ao fazê-lo, você acaba escrevendo um pequeno mapa para seus ouvintes examinarem suas experiências. É nisso que eu sempre foco.

As novas composições abordam temas sempre presentes na discografia de Springsteen, como solidão (“Last man standing”), amizade e união (na faixa-título), e perda e redenção (“Ghosts”). Apenas três músicas não são da nova safra: “Janey needs a shooter”, “If I was a priest” e “Song for orphans”, todas sobras da época de seu disco de estreia, “Greetings from Asbury Park, N.J.” (1973).

— Escolhi essas três casualmente, senti que funcionariam bem agora — conta Springsteen, que relembra as comparações com Bob Dylan por conta de sua poesia verborrágica no início de carreira. — Bem, eu escrevia letras selvagens quando tinha 22 anos, eram bem escritas e bastante divertidas. Mas me afastei desse estilo quase imediatamente por causa dessa comparação. Me arrependo um pouco disso. Olhando para trás, eu tinha um jeito original ao compor daquele jeito.

Um arrependimento
Um dos artistas mais conhecidos e amados dos EUA nos últimos 50 anos, Springsteen não tem a mesma fama abaixo da linha do Equador. E ele culpa a si mesmo por isso:

— Um dos meus maiores arrependimentos é não ter ido e ficado tempo suficiente na América do Sul para construir um público como fizemos na Europa e nos EUA. Foi uma tremenda oportunidade perdida.

Em 2013, em sua última passagem pela América Latina, contudo, ele agradeceu aos fãs tocando versões com letras originais para músicas de artistas de cada país. No Brasil, em São Paulo e no Rock in Rio, ele abriu os shows com uma versão apimentada por naipes de metais de “Sociedade alternativa”, clássico de Raul Seixas e Paulo Coelho.

— Conversei com pessoas locais sobre suas canções favoritas. Depois passei um tempo trabalhando meu péssimo talento com idiomas para interpretar da melhor maneira possível essas músicas. Me diverti muito.

Apesar de ter posicionamentos progressistas e assumir seu apoio ao Partido Democrata — ele tocou na posse de Barack Obama e endossou recentemente a campanha de Joe Biden à presidência dos EUA —, Springsteen não falou das eleições. Mas comentou sobre um tema importante no debate político americano após pergunta de um jornalista mexicano.

— A comunidade latina é hoje uma profunda parte do tecido do nosso país. Minha cidade natal, Freehold, estava morta há 20 anos. Se você for lá agora, há lojas e restaurantes mexicanos, todo tipo de negócios que os latinos trouxeram. São parte essencial dos EUA. Escrevi um disco sobre essas histórias, em 1995, quando morava na Califórnia, “The ghost of Tom Joad”. Até hoje é um dos meus álbuns favoritos.

Antes de encerrar a coletiva, ele ainda revela sua música predileta do novo trabalho, “House of a thousand guitars”, cuja introdução traz um (característico) exagerado riff de piano de Roy Bittan:

— Essa canção é o coração e a alma de todo o disco, uma metáfora para esse corpo de vida e experiência que tenho dividido com meu público. Nós entretemos, esperamos que você dance com nossas músicas, que encontre conforto nelas. É isso que continuo tentando fazer.

‘Temos que fazer isso de novo’, diz Mel C sobre retorno das Spice Girls

Cantora afirmou que pandemia atrasou os esforços para um retorno do grupo, que se apresentou em 2019 sem Victoria Beckham
JOÃO PEDRO MALAR – O ESTADO DE S.PAULO

Melanie Chisholm disse que existem ‘conversas’ sobre um retorno do grupo em 2021

O grupo musical Spice Girls fez sucesso no final da década de 1990 e no começo dos anos 2000, com muitos fãs que ainda esperam por um retorno do grupo. E, para alegria deles, a cantora Melanie Chisholm, que integrou o grupo como Mel C, disse que existem conversas sobre uma nova turnê especial das cantoras.

A possibilidade de um retorno do grupo Spice Girls em 2021 já tinha sido revelada por um jornal britânico em junho de 2020, e Mel C falou sobre isso em uma entrevista no programa Lorraine, na quarta-feira, 14, quando relembrou a breve turnê no Reino Unido e na Irlanda em 2019, sem a participação de Victoria Beckham.

Melanie Chisholm disse que existem 'conversas' sobre um retorno do grupo em 2021
Melanie Chisholm disse que existem ‘conversas’ sobre um retorno do grupo em 2021 Foto: Gilbert Tourte / Reuters

“Tivemos um ano incrível, no ano passado, nos apresentando em estádios, e nós temos que fazer isso de novo, nós falamos sobre isso toda hora”, comentou Melanie, que não descartou a possibilidade que, dessa vez, Victoria se junte a Mel C, Mel B, Geri Horner e Emma Bunton. 

Ela destacou, porém, que a pandemia do novo coronavírus “deixou tudo um caos”, e que isso está “atrasando o retorno das Spice Girls para os palcos”. “Mas eu estou fazendo dentro do meu poder para fazer isso acontecer”, afirmou a cantora.

O ano de 2021 é especial para o grupo, pois marca o aniversário de 25 anos do primeiro álbum das Spice Girls, que inclui o sucesso Wannabe. “Nós gostamos umas das outras mais do que nunca. Nós nos amamos e nos deixamos doidas na mesma medida, somos como família”, contou Mel C.

Perguntada sobre a possibilidade de um filme biográfico sobre o grupo, a cantora se animou com a ideia, mas não disse se algo está sendo desenvolvido. “Eu acho que é a hora perfeita para isso. A música e a história das Spice Girls, o começo [do grupo], tudo o que aconteceu no meio, são temas perfeitos para um filme.”

Britney Spears posta foto sendo carregada pelo namorado Sam Asghari na praia

Cantora ainda postou vídeo em que fala de seu verão

Britney Spears e Sam Asghari (Foto: Reprodução/Instagram)

Britney Spears usou seu Instagram, na noite de quarta-feira (14), para postar uma foto em dia de praia com o namorado, o personal trainer Sam Asghari, e ainda divulgou um vídeo falando sobre seu verão.

“Depois do meu último post, muitos amigos quiseram saber mais do meu verão. Claro! Por que não? Acho que o auge do meu verão foram dois amigos comigo na piscina e também tive duas festinhas. Foi bem divertido e, a meu ver, verão ainda está rolando”, disse Britney (assista clicando abaixo).

Recentemente Britney voltou a preocupar seguidores Isso porque eles pediram para ela usar vermelho, caso estivesse com problemas, e ela fez duas publicações seguidas falando sobre a cor.

“Vermelho em breve”, anunciou ela, em um post com a imagem de uma rosa vermelha. “Um gostinho de vermelho!!!! Obs: A primeira foto é a original!!!”, escreveu Britney, em uma sequência do mesmo clique, em que ela aparece com um top vermelho.

Esta não é a primeira vez que Brit deixa mistério sobre sua saúde mental no ar. Muitas pessoas acreditam que ela estaria totalmente debilitada durante a pandemia e seu pai, Jamie Spears, esteja controlando demais. Ele foi acusado até de tomar o celular da artista, que sofre de bipolaridade e já esteve internada em uma clínica psquiátrica em 2007. O movimento #FreeBritney (Britney livre) foi um dos assuntos mais comentados no mundo.

Britney Spears foi comparada, por seu próprio advogado, a um paciente em coma por supostamente não ter capacidade para assinar uma declaração juramentada, no longo processo sobre a tutela e conservadoria de sua fortuna, estimada em R$ 1,1 bilhão (US$ 200 milhões). De acordo com o TMZSam Ingham fez a analogia em uma nova audiência do caso.

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Segundo o site, o juiz do processo começou a fazer perguntas sobre Britney querer um co-conservador de sua propriedade, para trabalhar ao lado do pai da estrela. Ele perguntou então a Sam, se Britney assinaria uma declaração para que houvesse um relato em primeira mão de como ela se sente em relação à conservadoria. [Léo Gregório]

Cher faz raríssima apresentação no Billboard Music Awards

Cantora de 74 anos apresentou premiação na edição do evento musical

Cher (Foto: Getty Images)
Cher (Foto: Getty Images)

Cher, de 74 anos de idade, uma das maiores musas da música pop, fez uma aparição pública raríssima, ainda mais se tratando de uma premiação. Isso porque ela esteve no palco do Billboard Music Awards 2020, que aconteceu na noite de quarta-feira (14).

Cher subiu ao palco para apresentar o Billboard Icon Award, prêmio especial da noite, que foi dado ao astro da música country Garth Brooks. Cher, claro, virou assunto nas redes sociais pela presença.

ma das últimas aparições públicas de Cher foi em dezembro do ano passado, antes da pandemia do novo coronavírus, quando se apresentou no Madison Square Garden, em Nova York. Já no Billboard Awards, ela esteve na edição 2017, sendo inclusive uma das atrações musicais daquela edição. [Léo Gregório]

Cher (Foto: Getty Images)
Cher (Foto: Getty Images)
Cher (Foto: Getty Images)
Cher (Foto: Getty Images)

Tom Parker, do The Wanted, revela diagnóstico de tumor no cérebro

Cantor passou por sessões de quimioterapia e radioterapia após descobrir glioblastoma

Tom Parker, do The Wanted, ao lado de sua esposa grávida Kelsey

Tom Parker, 32, cantor que fez parte do grupo The Wanted, revelou ter sido diagnosticado com um tumor no cérebro em postagem feita em seu Instagram nesta segunda-feira, 12.

“Não há maneira fácil de dizer isso, mas eu infelizmente fui diagnosticado com um tumor no cérebro e já estou passando por tratamento”, contou, em seu Instagram. 

“Nós decidimos, depois de muita reflexão, que em vez de esconder isso e tentar manter um segredo, nós daremos uma entrevista em que poderemos esclarecer todos os detalhes e deixar todos saberem dos fatos”, prosseguiu Tom Parker.

Em entrevista à revista britânica OK!, ele conta que o problema é inoperável e já passou por sessões de radioterapia e quimioterapia. Segundo a publicação, a expectativa de vida de quem passa por problemas de saúde semelhantes varia entre três meses a um ano e meio.

Tudo começou quando o cantor sofreu algumas convulsões quando estava passando o verão na cidade de Norwich, no Reino Unido, com sua família. Após exames, descobriu ter um tipo de tumor chamado de glioblastoma.

Tom Parker é pai de Aurelia, bebê com pouco mais de um ano de idade. Sua esposa, Kelsey, descobriu estar grávida recentemente.

Ele afirma que seus ex-colegas de The Wanted têm mantido contato e demonstrado apoio: “Todos os quatro me mandam mensagens regulaermente e enviam diferentes artigos e possíveis tratamentos e terapias dos quais estão lendo sobre”.

Tom Parker ainda usou seu Instagram para agradecer o “amor, apoio e positividade” que recebeu após a repercussão de sua entrevista. “Estamos lutando contra isso graças a todos que estão atrás de nós lutando conosco”, escreveu. 

O grupo de música pop The Wanted, do qual Tom Parker fez parte, era formado também por Max George, Nathan Sykes, Jay McGuinness e Siva Kaneswaran. No Brasil, fez sucesso especialmente com as músicas Glad You Came Chase The Sun.

John Lennon sobrevive ao tempo como um espelho do homem desconstruído de 2020

Ex-Beatle, que completaria 80 anos, foi levado a reavaliar preconceitos, traumas, questões de poder, religião e a própria masculinidade. Com uma vantagem: dessa inquietação, o inglês fez canções que são patrimônio da humanidade
Silvio Essinger

O cantor e compositor John Lennon Foto: Divulgação

John Lennon não foi o melhor músico e — alguns vão objetar, mas subjetividades são sempre subjetividades — tampouco o mais bonito dos Beatles. Talvez até fosse o mais inteligente, o mais experimental, embora os fãs de Paul, de George e mesmo de Ringo sempre tenham lá seus argumentos.

O que não dá para negar é que, nesta sexta-feira do seu aniversário de 80 anos de idade, Lennon sobrevive na memória coletiva como o melhor espelho para o homem desconstruído de 2020 — aquele que foi levado a reavaliar preconceitos, traumas, questões de poder, religião e a própria masculinidade. Com uma vantagem: dessa inquietação, o inglês fez canções que são patrimônio da humanidade.

“E afinal, o que é rock’n’roll? Os óculos do John ou o olhar do Paul?” A troça, feita por Humberto Gessinger e seus Engenheiros do Hawaii na canção “O papa é pop”, põe na mesa a eterna rivalidade, camuflada no interior da parceria Lennon-McCartney, que serve de combustível até hoje para intermináveis conversas de bar (ou melhor, de Zoom, dados os tempos pandêmicos).

A banda inglesa Beatles Foto: Divulgação
A banda inglesa Beatles Foto: Divulgação

John era o beatle sarcástico, cerebral, revoltado, que não se esquivava das polêmicas — um irresponsável capaz de dizer que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. E Paul, o compositor do sentimento aflorado, que fazia as grandes canções de amor dos Beatles e que entendia como ninguém os anseios do seu público.

No entanto, nos 50 anos passados desde o fim dos Beatles, o público mudou, bem como as sensibilidades. As grandes canções de amor, é verdade, resistem, assim como Paul, que antes da pandemia continuava bem ativo nos maiores palcos do mundo. Mas o “zeitgeist” nervoso do pop de 2020 tem muito mais a ver com John, um artista que não se acanhou em transformar a terapia em arte, abrindo a alma diante do que a vida trazia para ele, fossem separações, crenças, mágoas, posições políticas, o mal-estar com si mesmo ou o pesadelo após o fim da lua-de-mel com as drogas.

“A única razão pela qual faço música e sou uma estrela é que aqui posso dar vazão às minhas repressões”, disse certa vez.

Sexo, raiva e ativismo

O cantor John Lennon e a mulher, Yoko Ono Foto: Divulgação
O cantor John Lennon e a mulher, Yoko Ono Foto: Divulgação

Ainda com os Beatles, Lennon pediu socorro ante o turbilhão de fama que o engolira (“Help!”) e falou de depressão (“You’ve got to hide your love away”), de infidelidade (“Norwegian wood (this bird has flown)”) e do incontrolável desejo sexual (“I want you (she’s so heavy)”). Em carreira solo, expôs sua raiva em relação a McCartney (“How do you sleep?”), mandou o povo ocupar as ruas (“Power to the people”) e, inspirado pela teoria do grito primal do psiquiatra Arthur Janov, exorcizou a perda da mãe, quando criança, em “Mother” — a intensa faixa de abertura de seu primeiro álbum pós-Beatles.