Álbum “Both Sides of the Sky” com músicas inéditas de Jimi Hendrix será lançado em 2018

Dez músicas inéditas do lendário guitarrista americano Jimi Hendrix serão lançadas no álbum “Both Sides of the Sky” em 9 de março de 2018. Hendrix morreu em 1970 aos 27 anos.

214147-970x600-1.jpeg
O guitarrista norte-americano Jimi Hendrix toca em Hamburgo (Alemanha), em 1967; ele teria completado 75 anos em novembro deste ano


O álbum completa a trilogia iniciada com “Valleys of Neptune”(2010) e “People, Hell and Angels”(2013), coletâneas que reúnem os trabalhos mais significativos dos arquivos do guitarrista.

O disco terá 13 gravações de estúdio feitas entre janeiro de 1968 e fevereiro de 1970 e será lançado em CD, vinil e em plataformas digitais.

Eddie Kramer, que trabalhou como engenheiro de gravação de todos os álbuns de Hendrix durante sua vida, disse que 1969 foi um ano “muito experimental” para o artista.

Muitas das faixas do projeto foram gravadas pelo trio que ficou conhecido como Band of Gypsys: Hendrix na guitarra e vocais, Billy Cox no baixo e Buddy Miles na bateria.

Confira as faixas de ‘Both Sides of the Sky’
1. Mannish Boy*
2. Lover Man*
3. Hear My Train A Comin’*
4. Stepping Stone*
5. $20 Fine*
6. Power Of Soul
7. Jungle*
8. Things I Used to Do
9. Georgia Blues
10. Sweet Angel*
11. Woodstock*
12. Send My Love To Linda*
13. Cherokee Mist*
*Músicas inéditas

Anúncios

A cantora Petite Meller em vídeo feito no Brasil por Cristina Streciwik

Petite Meller, artista francesa e recém indicada como artista revelação do ano no EMA da MTV, passou por Rio e São Paulo e foi registrada pela diretora Cristina Streciwik, da produtora Planalto. Ambas se conheceram durante a aventura de Petite por São Paulo. “A Petite ama a construção de imagem e conceitos visuais, e eu amo música e clipes, foi assim que surgiu nossa idéia de experimentar algumas coisas em um vídeo”, diz Cristina.

Além de diversos fashion films, como o último da marca inglesa Away to Mars, Cristina tem no portfólio alguns dos mais icônicos clipes da Banda Uó, Aldo The Band e a última campanha da Mercedes Benz com a artista Karol Conka cantando Noel Rosa.  A idéia do vídeo foi justamente fazer algo um pouco mais descompromissado do que um music video e mais solto que uma entrevista, mostrando um lado íntimo e diferente da artista em sua nova fase de busca e um mix estético entre o universo dela e de um Brasil não tão obvio, resultando em algo mais sóbrio e estranho. [Augusto Mariotti  – FFW]

Lançados por Madonna há 25 anos, ‘Sex’ e ‘Erotica’ continuam atuais

“Minha vagina é um templo de aprendizado.” A frase, até hoje capaz de desconcertar as mentes mais conservadoras, é apenas uma das muitas confissões sexuais feitas sem nenhum pudor por Madonna em seu livro “Sex”, que há 25 anos botava em xeque os preceitos da moral e dos bons costumes, ao lado do álbum “Erotica”. Era 1992, o feminismo estava muito longe de ser absorvido pelo pop, a homossexualidade era relegada aos guetos e o sexo estava cercado de tabus levantados pela epidemia de Aids. Madonna, então, inundou noticiários internacionais com imagens de nudez, sexo lésbico e sadomasoquismo ao melhor estilo “tirem as crianças da sala”.

Vendido como um livro de arte, “Sex” foi um daqueles produtos do universo pop que monopolizavam a mídia por dias. O pavio foi aceso pela revista “Vanity Fair”, ao qualificar o trabalho como “o mais sujo já publicado” e divulgar um ensaio exclusivo com Madonna encarnando uma ninfeta. Pronto! Todo mundo queria ver o que estava lá dentro. Quando a obra foi finalmente lançada, a embalagem aguçava ainda mais essa curiosidade. Numa alusão aos pacotes de camisinha, o livro vinha numa bolsa lacrada feita em poliéster fino prateado. Para abri-la, era preciso violá-la com tesoura ou faca.

A festa de lançamento foi um bochicho só. O produtor musical americano Shep Pettibone, que trabalhou com Madonna em vários álbuns, conta no livro “Madonna: 50 anos”, de Lucy O’Brien (Nova Fronteira), que havia no evento uma banheira cheia de pipoca com uma mulher nua dentro e uma moça servindo sushi com os seios nus sobre a bandeja.

— Mas a coisa mais louca é que havia umas portas com uns buracos para a gente espiar o que acontecia dentro dos cômodos, onde as pessoas faziam sexo — relembra ele.

O resultado de tanto marketing? Um milhão de cópias logo se esgotaram em todo o mundo. Houve quem se decepcionasse com o conteúdo, é verdade. Muitos críticos classificaram o livro como uma exploração esvaziada do sexo, e outros consideraram as fotos até comportadas diante de tanto estardalhaço. Mas o fato é que as páginas traziam belos cliques do badalado fotógrafo Steven Meisel, em que Madonna aparecia entre lésbicas, usava trajes sadomasoquistas e recheava um sanduíche sexual entre o rapper Big Daddy e a modelo Naomi Campbell.

Apesar da grande tiragem, os livros eram numerados, o que conferia um ar de exclusividade ao produto. Vendido por cerca de US$ 50 nos Estados Unidos e 700 mil cruzeiros no Brasil (cerca de R$ 778, segundo conversão do Banco Central), o preço também fazia com que a obra não fosse das mais acessíveis. Mesmo assim, houve filas de espera e muito burburinho na chegada dos exemplares.

Como noticiado pelo paulistano “Jornal da Tarde” na ocasião, uma unidade foi aberta e exposta na vitrine da Livraria Cultura da Avenida Paulista. Várias pessoas, então, aglomeraram-se para dar uma espiada.

— Isso é um absurdo — protestava um idoso ao diário, enquanto observava uma foto de Madonna dando um beijo na boca de Naomi.

Se muita gente não tinha a grana necessária para se entregar às páginas de luxúria, houve quem capitalizasse em cima da curiosidade alheia. Em Hollywood, um DJ cedia o seu exemplar ao custo de US$ 1 por minuto, para quem quisesse folheá-lo. A livraria Eldorado, em Belo Horizonte, repetiu a estratégia. Como relatou a “Folha de S. Paulo”, os fãs de Madonna podiam alugar o livro por dez minutos no estabelecimento. Para isso, precisavam desembolsar 15 mil cruzeiros (cerca de R$ 17).

A jornalista Erika Palomino acompanhava toda essa repercussão na época. Segundo ela, quando chegava uma notícia de Madonna, mexia-se nas páginas já diagramadas de um jornal para publicá-la com destaque.

— As pessoas ficaram muito chocadas. Nenhuma artista do pop, até então, havia sido tão ousada em assumir publicamente seus desejos e transformar isso em produto. Era uma época em que a comunidade gay estava ganhando mais visibilidade, e foi bastante corajoso por parte dela fazer isso. Certamente, Madonna contribuiu positivamente para esse processo, até mesmo de aceitação pessoal — comenta.

Lançado junto a “Sex”, o disco “Erotica” deixava a cena ainda mais apimentada. O clipe da faixa-título, que no Brasil estreou no “Fantástico”, mostrava a cantora na pele do seu alter ego Dita, inspirado na atriz alemã Dita Parlo. No vídeo, ela protagonizava cenas sensuais à semelhança do livro e terminava nua, pedindo carona na rua. A letra tinha versos como “Quando você colocar sua mão no fogo/ Nunca mais será o mesmo”.

A atriz Regina Restelli, que na época era conhecida como a “Madonna Brasileira” por sua semelhança física com a cantora, teve a oportunidade de assistir ao vídeo antes mesmo de ir ao ar.

— A gravadora tinha acabado de receber a cópia e me convidou. Era uma sensação ver aquilo. Tudo o que Madonna fazia era muito impactante. Naquele momento, ela chutou o balde. Não colocou só o dedo, mas a mão inteira sobre a sexualidade de cada um — recorda-se ela, que estrelou uma festa dada na Lagoa para lançar os produtos dessa fase da popstar. — Lembro-me de ter entrado no evento carregada por uns caras, com um filhote de leão.

Quanto à musicalidade do disco, Madonna buscou um som cru e teria exigido microfones menos sofisticados para que “o som ficasse tão sujo quanto os meus pés”, segundo reportagens. Em várias canções, ela sussurra suas provocações e, para as pistas, tinha uma versão de “Fever”, de Peggy Lee, além de “Bye bye baby” e “Deeper and deeper”. Na cota balada, ficava “Rain”, a canção mais doce do álbum. Todas entraram no repertório da turnê “The girlie show”, que dois anos depois aterrissaria no Brasil.

Para Thiago Soares, pesquisador de cultura pop da Universidade Federal de Pernambuco, “Erotica” é marcante por abordar de maneira tão forte a questão da sexualidade, por meio de uma figura já popularíssima naquele momento.

— A Madonna abriu espaço para a contestação na cultura pop. Algo que, antes, ficava muito restrito às bandas de rock. Com seus discos, ela mostrou que a pista de dança também pode ser um lugar de reflexão — avalia.

Um dos motivos que tornam “Erotica” valioso, na opinião de Thiago, é levantar uma reflexão sexual justamente num momento de eclosão da Aids. Como salienta, Madonna estava tão atenta a isso que no encarte da “Like a prayer”, disco de 1989, já havia um texto sobre o assunto.

— A transgressão não se resume ao fato de ser uma mulher falando de sexo, mas também de estar tocando no assunto quando era encarado como doença. As pessoas não queriam transar. E, por isso, o disco também tem uma lado melancólico muito forte. Em “Bad girl”, é como se ela relatasse a tristeza após uma orgia e, em “In this life”, ela homenageia amigos mortos pela Aids — elenca ele. — Madonna mostrava ali que transformar um tema em espetáculo não significa necessariamente esvaziá-lo. [Eduardo Vanini]

Crítica I ‘Utopia’, de Björk, contraria álbum antecessor com salto ao otimismo

Resultado de imagemA cantora islandesa Björk lança o álbum ‘Utopia’ nesta sexta-feira (24/11).


Björk está de mudança.

No álbum “Vulnicura”, de 2015, a cantora islandesa tinha construído seu lar musical entre dolorosas imagens que evocavam lagos envenenados, túneis de lava e areia movediça.

Com o lançamento de “Utopia” na sexta-feira (24), ela ergue agora uma outra casa e passa a morar dentro de canções marcadas pelo canto de passarinhos venezuelanos e pela brisa das flautas.

As aves gravadas no país-natal do produtor deste e de seu último álbum, Arca, e os instrumentos de sopro marcam o novo trabalho, assim como os violinos conduziam a narrativa de “Homogenic” (1997) e as vozes a capella determinavam sua “Medúlla” (2004).

“Utopia” tem a qualidade de seu próprio título: é um salto ao otimismo. Björk sobreviveu ao divórcio com o artista Matthew Barney, principal tema de “Vulnicura”, e o disco que agora entrega é inesperadamente feliz, como um gato de rua rolando na neve em Reykjavik.

As três primeiras faixas, em um total de 14, dão o tom do novo lar. “Arisen My Senses” inaugura a obra com uma delicada menção a um beijo, “apenas um beijo”. Na segunda, “Blissing me”, ela descreve dois amantes apaixonados “compartilhando MP3s” pela internet.

A canção seguinte, “The Gate”, descreve a transformação do “peito ferido” em um “portal” a partir do qual recebe e envia amor. “Estilhaçada em muitas partes que vão se reunir”, canta.

Há neste álbum toda a honestidade, às vezes incômoda, do restante da obra de Björk, somada a uma alegria quase eufórica, em uma batida de percussão sem ritmo regular. Mas, apesar do título, sua utopia admite concessões à ilusão de uma felicidade incondicional.

Mesmo tendo superado o ex, ela confessa em “Features Creatures”: “Sempre que vejo alguém da mesma altura que você penso estar a cinco minutos de distância do amor”.

Já em “Courtship”, sobre flertes, em um ritmo veloz como a dança do acasalamento de uma ave-do-paraíso, a islandesa discorre sobre o que chama de “sumo paralisante da rejeição”.

As menções ao divórcio e aos desencantos, no que parecem ser uma referência a Barney, ganham força no álbum a partir de “Sue Me” (“me processe, me processe”), em que Björk trata da “maldição” dos erros do pai, transmitida “à nossa filha, e à filha dela, e a filha dela”.

O encadeamento da frase acena a “Vulnicura”. Naquele álbum de 2015, a faixa “Quicksand” mencionava “minha continuidade, e a da minha filha, e a das filhas dela, e a das filhas dela”. Björk e seu ex-marido disputaram na Justiça a guarda da filha do casal, Isadora, de 15 anos.

Mas, ao contrário do disco anterior, Björk não sucumbe à dor e escapa, assim, da caverna escura em que gravou o clipe de uma de suas grandes canções de 2015, “Black Lake”.

Ela se despede na última faixa de “Utopia”, “Future Forever”, pedindo que o interlocutor “imagine um futuro”. Nessa canção, sustentada por sua voz, uma última palavra: “eterno”. [Diogo Bercito de REYKJAVÍK]

UTOPIA (ótimo) 
AUTOR: BJÖRK
GRAVADORA: ONE LITTLE INDIAN RECORDS

Ok Go usa 567 impressoras em mais um clipe inovador

Papeis coloridos e impressos em sincronia fazem a arte do clipe

Se tem uma coisa que a gente sempre espera dos clipes do Ok Go é que eles serão inovadores. E não foi diferente dessa vez. Para o vídeo da faixa “Obsession”, a banda de Chicago utilizou 567 impressoras que foram disponibilizadas em forma de painel atrás dos integrantes. Elas realmente imprimem folhas em branco ou coloridas enquanto a banda canta, tudo isso patrocinado por uma marca de papéis, a Double A.

As impressões seguem padrões de figuras e sincronia. A sugestão é que o clipe seja visto em 1140p ou 2160p, já que uma resolução menor pode causar distorção.

O vídeo tem direção de Damian Kulash, Jr. e Yusuke Tanaka. A banda também se preocupou em reciclar todas as folhas de papel utilizadas no clipe. A renda arrecadada com a reciclagem foi destinada ao Greenpeace.

“Obsession” faz parte do mais recente álbum lançado pelo Ok Go, “Hungry Ghosts”.[Soraia Alves]

Charlotte Gainsbourg lança novo disco ‘Rest’

A atriz e cantora retorna à música com álbum mais pessoal e abre o jogo sobre como encontrou conforto após a morte repentina da irmã

A imagem pode conter: 1 pessoaA capa do novo álbum (Foto: Divulgação)


Não foi dificil para Charlotte Gainsbourg tomar a decisão de deixar Paris. Após a morte da irmã, a fotógrafa Kate Barry (ela caiu do 4º andar do prédio onde morava), em 2013, a atriz e cantora fez as malas e mudou-se para Nova York com o marido, o diretor israelense Yvan Attal, e os três filhos (Ben, de 20 anos, Alice, de 15, e Jo, de 6). Sua ideia era trocar os ares intelectuais de Saint-Germain pela atmosfera criativa do West Village. “Essa nova vida abriu meus olhos para me redescobrir”, conta ela por telefone à Vogue, de sua casa, em Nova York. Foi na cidade que Charlotte iniciou uma nova imersão no universo musical. O resultado é Rest, seu primeiro disco em sete anos e também o primeiro em que ela assume totalmente a autoria da produção – sua discografia é conhecida por estar sempre atrelada a outros compositores, como o americano Beck, o inglês Jarvis Cocker e os franceses do Air.

Para quem é fã de canções como “Trick Pony” ou “Heaven Can’t Wait”, uma surpresa: nas faixas do novo disco, ela deixou para trás a sonoridade indie rock para se aventurar em beats eletrônicos. “Comecei a trabalhar com o [produtor francês] SebastiAn porque a música eletrônica é algo que sempre me atraiu. Tinha vontade de fazer um contraponto entre a minha voz, que é tímida e delicada, e sons mais brutais”, diz. Rest, no entanto, não deixa de ter um time de peso estampado no encarte (afinal, ela continua sendo uma Gainsbourg). “Há seis ou sete anos, encontrei Paul McCartney em um almoço e pedi a ele uma música  para colocar no meu álbum. Achei que ele se esqueceria, mas, tempos depois, ele me encaminhou uma demo por e-mail e disse que era minha”, conta, sobre a faixa “Songbird in a Cage”, que integra o novo disco. O ex-Beatle ainda passou uma tarde no estúdio com Charlotte para ajudá-la a gravar as guitarras.

Outro medalhão que integra o time de Rest é Guy-Manuel de Homem-Christo, mais conhecido como a metade do duo Daft Punk. É o francês quem assina a coautoria e a coprodução da música que dá nome ao álbum. Uma colaboração quase espontânea, segundo ela. “A princípio, a música não tinha nada a ver com o álbum. Mas, no último minuto, percebi o poder que ela tinha ao lado das outras.”

Ao lado da filha Alice Attal – na época, com apenas 12 anos – na campanha do inverno 2015 da marca Comptoir des Cotonniers (Foto: Reprodução)Ao lado da filha Alice Attal – na época, com apenas 12 anos – na campanha do inverno 2015 da marca Comptoir des Cotonniers (Foto: Reprodução)


A temática de Rest gira em torno de assuntos extremamente íntimos, que Charlotte diz ter explorado muito em seus diários na adolescência, mas que nunca teve coragem de aprofundá-los na música. “Agora, uso minhas composições como veículo para falar sobre a infância, meu pai e principalmente sobre minha irmã”, explica. A morte da fotógrafa aparece em pelo menos dois títulos: “Kate”, uma das primeiras canções gravadas por ela ao chegar a Nova York, e na própria faixa-título “Rest”, na qual Charlotte brinca com o significado da palavra (abreviação de rest in peace, que significa “descanse em paz” em inglês, e “fique”, em francês).

Charlotte Gainsbourg no colo da mãe Jane Birkin, em 1972 (Foto: Getty Images)Charlotte Gainsbourg no colo da mãe Jane Birkin, em 1972 (Foto: Getty Images)


É neste álbum ainda que Charlotte tomou coragem para escrever músicas em francês, algo que ela sempre evitou por receio de ser comparada ao pai, Serge Gainsbourg, um dos maiores compositores e letristas do país. “Foi uma vontade que reprimi por muitos anos. Demorei para entender e ocupar o meu lugar”, diz. A sombra da família é algo que Charlotte não nega carregar, mesmo aos 46 anos e com uma sólida carreira na música, no cinema e na moda (ela é musa de Anthony Vaccarello, rosto da YSL). Conta que até hoje busca aprovação da mãe, a ex-modelo Jane Birkin, em tudo que faz. “Ela sempre ouve minhas demos. Conhece meus medos profundamente – seu ponto de vista é muito importante para mim. Quando você ama alguém, quer agradar àquela pessoa.” No fim do nosso papo, ela brinca: “Mas quando minha mãe estava ouvindo este disco no meu computador, confesso que ela me pareceu um pouco frustrada.” Aperte o play! [Gustavo Abreu

Taylor Swift é uma máquina do pop de hoje em ‘Reputation’, mas a que custo?

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e noiteTaylor Swift é conhecida pelas despedidas cortantes, pela maneira fantasmagoricamente íntima de desmantelar as pessoas que lhe fizeram mal.

Como compositora e como cantora, o antagonismo sempre foi uma das bases de seu sucesso (é um dos dois polos de sua carreira —o outro é o da paixonite), e nenhuma estrela pop moderna comunicou os contornos de suas decepções com tamanha precisão emocional e sofisticação melódica.

“I Did Something Bad”, a terceira faixa de seu novo álbum, “Reputation”, carrega todos os traços de um dos clássicos ataques de Swift aos amores que a desapontaram: letras sobre homens que não sabem como se comportar, polvilhadas com detalhes suficientes para indicar a gravidade das deficiências do sujeito.

Mas o refrão é diferente. “Dizem que fiz algo de ruim/ Então por que me senti tão bem?” Na superfície, é um despertar, mas na verdade a letra representa um ataque. O alvo de Swift é ela mesma —sua inocência, sua ingenuidade, a maneira pela qual batalhar por ser perfeita talvez seja o mais grave dos defeitos.

O bombástico, inesperado e sutilmente poderoso “Reputation” é muitas coisas ao mesmo tempo: o primeiro álbum em que Swift diz palavrões (as interjeições amenas de discos anteriores não contam); o primeiro álbum em que ela fala de bebidas alcoólicas (e repetidamente, aliás); e o veículo para suas canções mais escancaradas sobre seu papel como agente sexual.

Swift já tem 27 anos, e as coisas que ela costumava se negar —ao menos nas canções— ficaram no passado.

Mas o disco também mostra Swift buscando recuperar as boas sensações do passado, ainda que esteja se movimentando em direção oposta à do período de 10 anos em que ela costumava seguir seus instintos musicais. E o conceito funciona. “Reputation” é fundamentalmente diferente de todos os álbuns precedentes de Swift por levar em conta —de fato priorizar— o tempo e o tom de seus concorrentes.

Pop Atual
“Reputation” é uma renegociação pública, e se engaja com a música pop nos termos que esta dita, e não nos termos pessoais de Swift.

E ainda que aquilo que esteja na moda na música pop —o soul noir pós-Drake ou o estilo gótico, dramático mas simples, de Halsey e Selena Gomez— não necessariamente evoque o que Swift tem de melhor, ela não hesita em adotar esses estilos, encontrando maneiras de incorporá-los ao seu arsenal, e de se incorporar a eles.

Algumas coisas se perdem, com certeza, mas o que o novo trabalho demonstra é que Swift é tão boa em destilar as ideias pop alheias quanto foi no passado em estabelecer seu percurso sui generis.

Isso significa deixar de lado as melodias memoráveis que sempre caracterizaram seu trabalho e adotar uma abordagem na qual a voz dela é usada como decoração ou tempero —o que estabelece a diferença entre canções que são Taylor até a medula e outras que ela apenas reveste de seu estilo.

Significa que ela continua a reduzir a ênfase nas narrativas densas que caracterizavam seu estilo no passado, o que já havia começando a fazer em “1989”, seu álbum anterior. Em algumas das canções do novo trabalho, Swift canta em um estilo que se aproxima do rap. (Lamento, mas a velha Taylor Swift não pôde vir ao estúdio hoje.)

E essas proposições, que isso fique claro, causam choque. No entanto, Swift ainda assim as adota, e prospera ao fazê-lo, como se estivesse se libertando de seu passado e ao mesmo tempo calculando que grau de mudança o mercado está disposto a suportar.

Todas as canções de “Reputation” são produzidas por Max Martin e seus associados ou por Jack Antonoff e Swift. Os dois produtores colaboram com ela há muito tempo, e os dois tiveram papel muito importante em definir o som do pop atual.

O lugar a que eles conduzem Swift é um R&B pop atenuado, com uma produção repleta de sintetizadores que fluem em um galope sensual. “Delicate”, um dos destaques do novo disco, soa um pouco como uma colaboração entre Drake e Rihanna. Na faixa, Swift canta aos sussurros, e demonstra uma preocupação mais forte com o ritmo. (Ela também usa vocais sintetizados por um vocoder em parte da canção.)

Algo semelhante, mas ainda mais escancarado, acontece em “Dress”, que, com as exalações audíveis de Swift soa como uma faixa da dupla Aluna George, que retomou o club-soul.

Essas canções enfatizam mais a cadência dos vocais de Swift que seu alcance ou melodia. E em algumas das faixas do novo trabalha ela adota uma espécie de canto falado, intermitente e não muito compatível.

Esse é um tema persistente em “Reputation”: tomar estilos e abordagens de empréstimo à música negra e abrandá-los a ponto de permitir que Swift os adote de maneira convincente.

O exemplo mais notável disso é “End Game”, uma canção com batida suave mas forte, e participações especiais de Future e Ed Sheeran. Que Swift se arriscasse a trocar suspiros melódicos com Future teria sido impensável cinco anos atrás, mas na faixa a pessoa que parece menos confortável é claramente Sheeran.

As ideias que Swift e seus produtores estão tomando de empréstimo já fervilham há muito tempo no pop comercial. (Nada em seu novo disco causa choque semelhante ao do uso de uma batida de dubstep por Swift em “I Knew You Were Trouble”, de 2012, quando isso ainda era novidade.)

O que é notável, porém, é que ela não tenha procurado por inovadores para incorporar essas ideias, e sim optado por usar Martin e Antonoff como alquimistas e filtros.

A abordagem também serve a outro propósito, que é protegê-la das limitações de sua voz. Algumas das canções do novo trabalho —”Don’t Blame Me”, especialmente, que lembra vagamente a Madonna da era dos corais gospel— pedem por melismas ou por uma abordagem vocal proveniente do soul, que combine garra e habilidade.

Mas não é esse o talento de Swift. Ela continua a cantar tão bem quanto no passado (mesmo que o novo álbum não a deixe se soltar), mas no novo trabalho seu canto brilha apenas em alguns trechos.

Isso acontece porque as canções de “Reputation” são a soma de partes muito diferentes; diversas delas viram em direções inesperadas, e essas viradas se sucedem. As guitarras, quando presentes, são ouvidas lá embaixo na mixagem.

Essa espécie de maximalismo estrutural vem se tornando um marco da era pop de Swift. “I Did Something Bad” tem a energia de uma motocicleta sendo acelerada, e os dois primeiros singles, “… Ready for It?” e “Look What You Made Me Do” empregam sons ásperos e segmentos em que o som cresce urgentemente para criar efeitos teatrais, abrasivos.

Isso é obra dos dois produtores: Martin e sua equipe cuidam de boa parte da ruidosa primeira metade do disco, e Antonoff domina a segunda metade, de tom mais emotivo. O tom de Swift muda ao longo do álbum, igualmente —no começo, ela mostra indignação e agressividade mas no final canta em ritmo quase que de canção de ninar.

Provocações
Ela continua a manter os adversários na mira: há cutucões em Kanye West e em um ou dois antigos namorados. Mas também nesses casos ela vira a lente de aumento na direção oposta. Algumas das letras mais cáusticas e conscientes do álbum falam sobre ela mesma.

“Getaway Car” é sobre o que acontece quando você pula alegremente de relacionamento em relacionamento. As imagens das letras de Swift estão entre suas melhores, nessa faixa: “As gravatas eram pretas, as mentiras eram brancas/ e à luz das velas tudo era cinzento/ Eu queria deixá-lo, e precisava de uma desculpa”.

Isso é material típico de Swift —ou foi, um dia. No novo álbum, a prioridade é outra. A faixa que fecha o disco, “New Year’s Day” é única canção acústica, e uma das melhores composições do projeto (embora pareça dever tanto a Sheeran quanto a Swift).

Também parece ser a única composição de “Reputation” que, ao ser ouvida, não leva o ouvinte a se perguntar exatamente que cara tem uma canção de Taylor Swift em 2017. Ao produzir seu álbum mais moderno —um disco em que ela visita sem temor o território dos adversários, e parece escapar ilesa—, Swift criou um enigma: se você está usando componentes reaproveitados dos outros, será que conseguirá recriar o seu eu? Tradução de PAULO MIGLIACCI

JON CARAMANICA
DO “NEW YORK TIMES”