R. Kelly é preso em Chicago por posse de pornografia infantil

Indiciamento por crimes sexuais inclui 13 acusações de pornografia infantil, corrupção de menores e obstrução de justiça
AGÊNCIAS – AP

O cantor R. Kelly, em março de 2019. Foto: Ashlee Rezin/Chicago Sun-Times via AP

O cantor R. Kelly, de 52 anos, foi preso na noite da última quinta-feira, 11, em Chicago, com base em acusações de crimes sexuais, informou o porta-voz da promotoria Joseph Fitzpatrick. Ele acrescentou, ainda, que o indiciamento inclui 13 acusações de pornografia infantil, corrupção de menores e obstrução de justiça.

Esta é a segunda vez neste ano que Kelly é preso em Chicago por acusações de abuso sexual. O cantor, cujo nome verdadeiro é Robert Kellyfoi preso em fevereiro e acusado de abuso sexual de quatro mulheres, três delas eram menores de idade quando os supostos abusos ocorreram. O cantor se declarou inocente destas acusações e foi colocado em liberdade sob fiança.

Depois, em 30 de maio, a promotoria do condado Cook registrou outras 11 acusações, incluindo o de uma mulher que acusa o cantor de abusar sexualmente dela quando era menor de idade.

Os advogados de Kelly ainda não comentaram a prisão. Fitzpatrick disse, entretanto, que ainda não foi fixada uma data para o julgamento.

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Mother’s Daughter I Miley Cyrus lança clipe empoderado ao lado da mãe

Cantora ainda convidou diversas mulheres fora do padrão em música sobre feminismo

Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)

Miley Cyrus lançou na manhã desta terça-feira (2) seu clipe para Mother’s Daughter, música de seu novo EP, She is Coming.

No vídeo, Miley celebra mulheres de diferentes corpos e raças, e ainda ganha companhia de sua própria mãe, Tish Cyrus, que aparece na letra da canção, descrita por Miley como “um hino feminista”.

Miley Cyrus lança novo clipe ao lado da mãe, Tish (Foto: Instagram/Reprodução)

Compartilhando imagens de algumas das estrelas do clipe, elas deixaram depoimentos sobre a importância da música. “Lutei minha vida toda para ser vista e ouvida. Nunca me senti preparada para esse mundo. Nunca entendi o significado de valor próprio”, desabafou a atriz e compositora Melanie Sierra.

Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)

“Mulheres como eu, jovens e velhas, me dão eperança de continuar a lutar pela nossa liberdade como mulheres de pele escura!”, festejou a modelo Trydryn Scott. “Quero ter uma vida boa apesar da opressão. Sigo lutando pela liberdade de ser quem sou”, disse Aaron Philip, modelo negra, trans e com deficiência.

Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)
Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)
Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)
Miley Cyrus lança novo clipe (Foto: Instagram/Reprodução)

‘Estou triste e enojada’, diz Taylor Swift sobre a venda de direitos dos seus primeiros álbuns

A compra bilionária se deu pelo empresário e caçador de talentos Scooter Braun, com o qual a cantora tem desentendimentos

Taylor Swift no iHeartRadio Wango Tango, na Califórnia. Foto: Mario Anzuoni/Reuters

Taylor Swift afirmou no último domingo, 30, em sua página do Tumblr, que está “triste e enojada” após os direitos sobre os seus seis primeiros álbuns, que pertenciam à gravadora Big Machine, serem vendidos.

Isso ocorreu porque o empresário Scooter Braun anunciou a compra da empresa, cujo dono era Scott Borchetta, no domingo por mais de US$ 300 milhões (R$ 1.1 bilhão, na cotação atual), segundo a Billboard.

Taylor afirmou que não teve a oportunidade de comprar suas próprias produções e chegou a receber uma proposta para tê-las de volta, mas recusou.

“Por anos eu implorei por uma chance de possuir o meu trabalho. Em vez disso, tive a oportunidade de voltar à Big Machine Records e ‘ganhar’ um álbum de volta de cada vez, um para cada novo que eu entregasse. Eu fui embora porque sabia que uma vez que assinasse esse contrato, Scott Borchetta venderia o rótulo, vendendo assim a mim e meu futuro”, escreveu.

“Eu tive que fazer a escolha de deixar para trás o meu passado. Música que escrevi no chão do meu quarto e vídeos que sonhei e paguei com o dinheiro que ganhei me apresentando em bares, clubes, arenas e estádios”, completou.

Bullying e revolta: a briga com Scooter Braun

A cantora alegou ainda que Scooter Braun é manipulador e fez bullying contra ela. Isso porque Justin Bieber postou uma imagem no Instagram ao lado de Braun e Kanye West, em agosto de 2016, com a legenda: “E aí, Taylor Swift?”.

Apesar de parecer inocente, a publicação não animou a cantora, uma vez que o rapper retirou o prêmio da mão dela no VMA 2009, questionando o motivo de ela ter ganhado. Além disso, Kanye West lançou a música Famous, também em 2016, com o verso “Eu sinto que eu e Taylor ainda poderíamos transar / Por quê? / Eu fiz essa vadia famosa”.

Assim, a artista interpretou que o novo dono da Big Machine estava debochando da situação na rede social.

“Agora, Scooter me tirou o trabalho da minha vida, que eu não tive a oportunidade de comprar. Essencialmente, meu legado musical está prestes a ficar nas mãos de alguém que tentou desmantelá-lo”, critica.

Taylor Swift revelou que “ficava em paz” com o fato de que, eventualmente, Scott Borchetta venderia a Big Machine, mas nunca imaginou que o comprador seria Braun. “Toda vez que as palavras ‘Scooter Braun’ saíram dos meus lábios, foi quando eu estava chorando”, desabafou.

Philip Glass – Metamorphosis | complete

Philip Glass – Metamorfose (1988)
Eu fiz esse disco usando um velho e incrível piano (um dos meus instrumentos favoritos na verdade) Steinway & Sons. (Steinway oficialmente parou a produção do Modelo O em 1924, mas eu acho que este foi construído em torno de 1925-1926 de acordo com o número de série).

“Metamorphosis One” – 00:00
“Metamorphosis Two” – 06:54
“Metamorphosis Three” – 13:59
“Metamorphosis Four” – 19:09
“Metamorphosis Five” – 26:29

“Metamorphosis”, refere-se e inspirou-se no conto de 1915 The Metamorphosis de Franz Kafka. Enquanto todas as peças foram escritas em 1988, algumas foram escritas para uma encenação de Metamorphosis, enquanto outras foram para um documentário chamado The Thin Blue Line, dirigido por Errol Morris.

“Metamorphosis One” é tocada em um episódio de Battlestar Galactica por Kara “Starbuck” Thrace. Dentro da narrativa, seu pai compôs e executou a peça. Também é tocado no final da série de Person of Interest, Return 0. “Metamorphosis Two” formou a base de um dos principais temas musicais do filme As Horas. É também a música que a banda de rock americana Pearl Jam usa como música de apresentação para os shows.

God Control: Novo clipe de Madonna tem cena chocante de tiroteio em boate

Madonna no clipe de God Control
Imagem: Reprodução/YouTube

Madonna liberou hoje o seu novo videoclipe, para a música God Control. Acompanhando a letra politizada, que pede por maiores restrições na venda de armas de fogo, o vídeo inclui uma chocante cena em que a popstar e vários amigos são vítimas de um tiroteio em uma boate.

God Control é dirigido por Jonas Åkerlund, que já trabalhou em diversos clipes de Madonna, como Music, Ray of Light, Jump e Celebration. A drag queen Monét X Change, que venceu a última edição do RuPaul’s Drag Race All Stars, faz participação especial como uma das amigas de Madonna.

Em um teaser lançado nessa semana, Madonna falou do conceito por trás da música e do clipe: “Quando você está sentada em seu apartamento o dia todo pensando na decadência da humanidade, você fica triste. Depois de um tempo, quer sair para se divertir. Para onde uma garota pode ir nessa situação? A boate!”.

“Eu tentei trazer [no clipe] o mundo da discoteca, e da liberdade, e então fazer tudo isso ser silenciado por uma coisinha pequena de metal, que pode acabar com a vida de alguém. Armas precisam ser ilegais”, completou Madonna.

O vídeo de God Control ainda traz cenas reais de protestos por maiores restrições à venda de armas de fogo, e termina com uma frase da escritora e ativista Angela Davis: “Eu não vou mais aceitar as coisas que não posso mudar. Eu vou mudar as coisas que não posso aceitar”.

O clipe também pode ser lido como uma referência a um tiroteio em massa específico: o da boate Pulse, em Orlando (EUA). Em 12 de junho de 2016, um jovem invadiu a boate LGBTQ+ armado e matou 49 pessoas, ferindo outras 53.

15 grandes hinos LGBTQ+ da música

De Madonna a Lady Gaga e Pabllo Vittar
JULIA SABBAGA

Madonna – Vogue (Official Music Video)

O mês de junho é o marco do orgulho LGBTQ+, e para celebrar a época vamos relembrar as maiores músicas que se tornaram hinos deste movimento, desde as canções mais clássicas dos anos 80 até os hits das novas gerações. Confira:

“I’M COMING OUT” – DIANA ROSS

Escrita por Bernard Edwards e Nile Rodgers, o hit de Diana Ross de 1980 se tornou uma das canções mais icônicas da cultura LGBTQ+, basicamente, pelo seu título. Apesar da cantora usar a expressão “estou saindo” como um símbolo do fim de seu contrato com a motown, a frase foi identificada como “estou saindo do armário”, que começava a ser popularizada no início dos anos 80.

“TRUE COLORS” – CYNDI LAUPER

A triste canção “True Colors”, de Cindy Lauper, é dedicada pela cantora ao seu amigo Gregory Natal, que faleceu de AIDS pouco antes do lançamento, em 1986. Depois que a faixa se tornou uma música comumente associada ao movimento gay, Lauper também fundou o True Colors Fund, organização que auxilia jovens LGBTQ+ em situação de rua nos EUA.

“DANCING ON MY OWN” – ROBYN

A dançante e triste faixa da Robyn, “Dancing on My Own”, é um dos casos de canção que não tem nem letra nem título em relação ao movimento mas se tornou um símbolo LGBTQ+. A letra fala sobre dançar sozinho em uma balada enquanto o amor não correspondido se envolve com outra, uma história de solidão que muitos se identificaram. Em entrevista à Out, a cantora comentou a associação: “acho que é uma música sobre se expor – muito fisicamente – e se ela parece um hino gay eu aceito isso como um grande elogio”.

“WE EXIST” – ARCADE FIRE

“We Exist”, do Arcade Fire, é uma singela canção que foi aclamada por sua letra e seu clipe, que tratam sobre igualdade e auto-afirmação na comunidade LGBTQ+. “Falando como se não existíssemos, mas nós existimos. Pai, é verdade, sou diferente de você, mas me diga por que eles me tratam desse jeito”, diz a letra. O vídeo traz Andrew Garfield no papel de uma mulher transgênero.

“IT’S RAINING MEN” – THE WEATHER GIRLS

Um dos maiores hits dos anos 80, “It’s Raining Men” é um dos hinos mais memoráveis da comunidade LGBTQ+. Lançada em 1982, o hit foi composto por Paul Jabara e Paul Shaffer e foi oferecido para diversos outros ícones que recusaram a canção, como Diana Ross, Cher e Barbara Streisand. Quem aceitou foi o The Weather Girls, que acabou como uma banda de hit só, mas um hit que acabou se tornando símbolo de um movimento.

“I WANT TO BREAK FREE” – QUEEN

Freddie Mercury é um dos maiores símbolos da causa LGBTQ+, mas surpreendentemente a música do Queen que mais marcou como uma faixa de orgulho gay não é de sua composição. “I Want To Break Free”, lançada no álbum The Works de 1984, foi escrita pelo baixista John Deacon, e se tornou símbolo pela letra, que traz um pedido por libertação. A associação pouco teve a ver com o clipe da música, que traz os integrantes do Queen vestidos de mulheres, em uma paródia do seriado inglês Coronation Street.

“SISSY THAT WALK” – RUPAUL

Já falando sobre a nova geração de hinos, “Sissy That Walk”, da RuPaul, é uma das mais citadas. A faixa de 2014 imortalizou uma das frases mais usadas por RuPaul Charles nas competições de RuPaul’s Drag Race, algo como “remexe esse andar”. A música traz uma letra cheia de mensagens de empoderamento como “sou uma mulher rainha, mãe da casa de nenhuma vergonha” ou “a não ser que estejam pagando suas contas, não se importe com aqueles idiotas”.

“YOU MAKE ME FEEL (MIGHTY REAL)” – SYLVESTER

Continuando na tradição de hits disco, “You Make Me Feel (Mighty Real)”, do Sylvester, lançada em 1978, se tornou um hino em grande parte pelo próprio performer, um ícone gay conhecido por sua aparência andrógena. Sylvester se tornou um símbolo da causa por ser celebrado por sua diferença, e “You Make Me Feel (Mighty Real)”, seu maior hit, chegou a entrar para a história como uma das faixas no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos EUA.

“GIRLS LIKE GIRLS” – HAYLEY KIYOKO

A americana Hayley Kiyoko é um dos grandes nomes da representatividade LGBTQ+ dos dias de hoje, e uma das suas canções mais significativas é “Girls Like Girls”, de 2015. A música traz uma letra singela sobre garotas que gostam de garotas (“tanto quanto homens”), e o vídeo chamou atenção por uma história delicada de duas garotas que se gostam. Sobre sua importância para a comunidade, Hayley falou à revista Elite Daily: “Fico feliz de colocar minhas histórias para fora porque podem ajudar gerações mais novas. Eu espero que minha música possa ajudar gerações a ganharem confiança e poderem aproveitar mais a vida”.

“GO WEST” – PET SHOP BOYS

A faixa de 1979 do Village People, “Go West”, só se tornou uma frequente presença em listas de hinos LGBTQ+ quando ganhou um cover do Pet Shop Boys, recheado de sintetizadores. A faixa ganhou uma gravação oficial em 1993, depois que o duo apresentou o cover em um show beneficente em Manchester, que arrecadou fundos para vítimas de AIDS. Apesar do título ser uma referência à colonização dos EUA, “Go West” se tornou um símbolo de uma liberação do movimento.

“INDESTRUTÍVEL” – PABLLO VITTAR

Pabllo Vittar é um dos maiores símbolos da causa LGBTQ+ atualmente, mas é sua música mais melancólica que marca a lista de hinos. “Indestrutível”, faixa do seu primeiro álbum, Vai Passar Mal, fala sobre a superação. Em seu clipe, Pabllo aproveitou a oportunidade para denunciar a violência contra jovens LGBTQ+, chamando atenção a casos de bullying e violência nas escolas.

“I WILL SURVIVE” – GLORIA GAYNOR

Lançada em 1978, o lendário hit “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, é uma letra bem clara de empoderamento feminino, mas se tornou um símbolo pela causa LGBTQ+ por ser uma história de superação. Frases como “Eu passei tantas noites me sentindo mal por mim mesma, costumava chorar, mas agora eu ergo a cabeça e você me vê como alguém nova” ressoava muito com a comunidade que começava a se expressar mais publicamente na época.

“BORN THIS WAY” – LADY GAGA

Uma escolha bem óbvia na lista é “Born This Way”, faixa título do segundo álbum da Lady Gaga, lançado em 2011. A faixa é um hino dedicado à indivíduos que não se encaixam na norma, que ecoou principalmente na comunidade LGBTQ+ por frases como: “Independente de gay, hétero ou bi, lésbica, ou vida transgênero, eu estou no caminho certo, baby, nasci para sobreviver”. Em entrevista à EW, Elton John chamou “Born This Way” do novo hino LGBTQ+ [via Pride]: “Esta é a nova ‘I Will Survive’. É o novo hino gay”.

“YMCA” – VILLAGE PEOPLE

O Village People não poderia ficar de fora de uma lista de hinos LGBTQ+, afinal, o grupo formado nos anos 70 tinha o público gay como seu foco. A carreira do conjunto marcou com hits que também poderiam ser mencionados aqui, como “Macho Man” ou “Go West” (que entrou na lista na versão do Pet Shop Boys), mas seu hino mais memorável foi “Y.M.C.A”, lançado em 1978. Apesar de uma letra que poderia ser totalmente inocente, a faixa descreve como era divertido fazer parte da associação de jovens cristãos, o que foi entendido por muitos como um significado duplo.

“VOGUE” – MADONNA

Madonna é frequentemente citada como uma das maiores inspirações no movimento LGBTQ+, e um dos principais motivos para isso foi o lançamento de “Vogue”, em 1990. A faixa e o seu memorável clipe marcaram como propulsores do estilo de dança característico, que dominava a subcultura, ao mainstream. Apesar de críticas de apropriação cultural, já que a dança se originou em comunidades negras e latinas do Harlem, Madonna marcou a história do pop com a responsável por levar movimentos de danças geralmente associadas à comunidade LGBTQ+ ao povo geral. Até hoje, “Vogue” é considerada um dos maiores hinos do movimento.

‘Chora, boy’: Clara Tannure, ex-estrela mirim gospel filha da pastora Helena Tannure se joga no pop laico inspirada em Britney

Clara Tannure é de família evangélica influente e cantou no Crianças Diante do Trono. Ela ouvia Rouge escondida e imitava popstars no espelho. Agora, virou promessa pop e polêmica religiosa.
Por Rodrigo Ortega e Thais Pimentel, G1

Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

“Chora, boy” é um som para sacudir boates LGBT, mas faz tremer também igrejas evangélicas. O primeiro clipe de Clara Tannure, 24 anos, repercute entre fãs de música pop e divide o mundo gospel. A letra de poder feminino e o clipe com beijo gay contrastam com o sobrenome famoso de Clara.

Sua mãe, Helena Tannure, já cantou no Diante do Trono, um dos maiores grupos gospel do Brasil, ligado à poderosa Igreja Batista da Lagoinha, com sede em Belo Horizonte. Vídeos da pastora Helena sobre temas como a defesa da submissão feminina têm milhões de views no YouTube.

Na casa de Clara em BH, só entrava música gospel. Regra da mãe e o pai, João Lúcio Tannure, também pastor. Clara sabia todos os louvores de cor e até participou da versão mirim do Diante do Trono. Mas ela tinha também outros interesses… 

“Lá em casa sempre foi só música evangélica, desde que me entendo por gente. Meus pais eram bem rígidos de não tocar música ‘do mundo’. Sempre louvor. Mas quando eu tinha uns 12 anos, na escola, via as amiguinhas escutando Rouge e fui escondida procurar as músicas”, lembra Clara.

A internet satisfez a curiosidade da menina pelo pop no início do anos 2000. “Eu já escutava rádio escondida quando minha mãe saía de casa. Gostava de Luka, Kelly Key… Mas o YouTube facilitou. Eu sonhava em ser como a Britney. Mas minhas roupas tinham que ser ‘bem comportadas'”.

“Não podia barriga de fora. Eu via as mulheres nos clipes poderosíssimas, usando o que queriam. E eu ‘performava’ sozinha no espelho”, lembra Clara.

Ela era mini-celebridade gospel entre os colegas evangélicos – que eram muito nos colégios Batista e Cristão de BH. “Fiz DVDs do Crianças Diante do Trono até 16 anos. Tenho um carinho gigantesco por eles. A gente amava ensaiar, cantar. Na escola tiravam foto com a gente, era divertido.”

Clara Tannure  — Foto:  Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

Desistência do trono

A menina tinha tudo para virar princesa do gospel, seguindo sua mãe e outras celebridades como Ana Paula Valadão, que saíram do Diante do Trono. Mas não foi o que aconteceu.

“Fui para a faculdade, trabalhar, viver a vida real.”

“Comecei a pensar que não concordava com tudo o que era dito na igreja, e com o que as pessoas queriam de mim. Preferi me afastar. Não por achar que é um ambiente ruim, mas não concordar.”

A família não deu a bênção para o afastamento. “Teve conflito, porque era muito importante para eles. Eu era adolescente, eles queriam me envolver, e aí tinha que obedecer. Não foi fácil. Agora tenho 24 e moro sozinha, trabalho, tenho a minha autonomia”, ela descreve.

Telemarketing e ‘mundo real’

“Desde cedo já quis ter meu dinheiro para ter minha vida e tomar as minhas decisões”, diz a cantora. Ela já trabalhou com telemarketing, caixa de bar e diagramadora para começar a pagar as contas. Hoje, trabalha no departamento de marketing de uma marca de sapatos e acessórios.

“Eu me formei em Publicidade [no Centro Universitário Una]. Depois fiz Design Gráfico na UEMG [Universidade do Estado de Minas Gerais]. Mas meu sonho é viver de música. Desde que eu tinha 15 anos eu comecei a compor, tocar violão.”

Na faculdade, o sobrenome não tinha a mesma força do colégio. “Era um ambiente mais tranquilo em relação a religião e à fama da minha família. Tinha gente que me reconhecia, mas bem menos. Tinha mais liberdade. Fiz um grande amigo que foi o primeiro contato com uma pessoa gay.”

Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de 'Chora boy' — Foto: Reprodução / YouTube
Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de 'Chora boy' — Foto: Reprodução / YouTube
Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de ‘Chora boy’ — Foto: Reprodução / YouTube

Bi fora da bolha

Ela tinha vários gostos em comum com o melhor amigo da faculdade – e não só o amor por divas pop. “Eu vivia numa bolha, eu não sabia o que estava pegando lá fora. Foi ele quem me mostrou muitas coisas, deu uns toques, ajudou a questionar as coisas que eu tinha sido ensinada. “

“Lembro de pensar novinha: gosto de homossexuais, mas isso é pecado. Fui pensando: ‘será que o pessoal não dá interpretação errada? Não querem justificar preconceito com a fé deles?’ As pessoas não se abrem ao mundo. Fui entendendo, amando meus amigos gays.”

Ela aprendeu sobre tolerância e sobre a própria sexualidade. “Eu sempre soube que eu não era heterossexual. Sentia só uma ‘vontadinha’. Gostava de homem e mulher. Hoje isso é mais falado, mas ainda a coisa de bissexualidade é mais difícil. As pessoas acham que é porque você é indeciso.”

Pizza com lágrimas

A nova vida fora da igreja mexeu no plano de ser cantora. “Gosto muito Britney, Beyoncé, Miley, Selena, Demi. Mulheres fortes, que cantam o que querem e são quem são. Sempre fui fanzoca de pop. O tempo foi passando, eu buscava outras coisas, mas queria mesmo era cantar.”

“Percebi que não cantava porque não queria magoar nem ofender ninguém. Eu teria que ser uma cantora gospel. Eu era destinada a isso. Demorou até ter a maturidade de saber que não tem problema.”

“Falei com minha mãe: ‘Quero muito ser cantora pop, mas não para te fazer mal, para te afrontar. Mas o que eu quero dizer talvez pode não agradar seu público'”, lembra.

A cena da conversa foi inusitada. “A gente estava comendo uma pizza e comecei a falar. Eu chorei, ela chorou. Foi engraçado a gente emocionada na pizzaria e o povo olhando”, ela conta. No fim, a mãe entendeu, diz Clara.

“Ela falou: ‘Não vai ofender, eu te amo, mesmo sem concordarmos’. Amor é isso. Não é querer mudar o outro. Uma mãe vai educar, mas uma hora o filho vai decidir. Não é culpa sua, é responsabilidade dele. Todo mundo faz suas próprias escolhas. “

‘Chora, boy’: amor 👍 e rancor 👎

Passadas as lágrimas na pizzaria, nasceu “Chora, boy”. “Fiquei um tempo tentando pensar numa música ‘chicletinha’, escrevi várias coisas. O Dedé [Santaklauss, produtor musical] me ajudou. E fui chamando amigos para ajudar no vídeo. Cada um fez uma coisa, sem cobrar.”

A música junta batidas de brega e funk brasileiros com eletrônica e pop gringos, em sintonia com cantoras brasileiras em alta como Pabllo Vittar e Duda Beat e também com nomes da cena de BH como Rosa Neon e o próprio Dedé Santaklauss.

O resultado foi rápido para uma artista iniciante. “Teve 100 mil views em menos de uma semana, foi surreal”, ela comemora. “Por outro lado é chato, pois parte do público está sendo bem maldoso. Estou sofrendo ataque nas redes.”

Na primeira semana, o clipe teve 4 mil avaliações positivas (“joinhas”) e 5,2 mil negativas no YouTube. “Está com mais ‘dislikes’ que ‘likes’. Com isso, eu fico chateada. Um público que deveria estar falando de amor, respeito, está me atacando.”

Um dos comentários no YouTube diz: “Quanto a esse estilo de vida aí… Tá ‘bem demais’ mesmo? Mundo de nojeira, falsidade, prazer efêmero… Fico imaginando a vida tão abençoada que você estaria vivendo hoje se tivesse escolhido seguir os conselhos de seus pais”.

Outro internauta comenta: “Dá muita pena… Mas Deus é compaixão e misericórdia e ele vai resgatar no tempo dele… Essa alma é de Jesus!!”.

“Acho complicado. Não tem que orar para a pessoa fazer o que você quer. Se quiser orar para Deus me abençoar, ter minha vida feliz, por minha saúde, ótimo”, diz Clara.

Ela diz receber muitas mensagens privadas agressivas: “Espero que em algum momento eles superem, pois não quero ofender. Mas também tem muitas mensagens bonitas de gente que era ‘criança viada’, que era fã da época gospel, e sobre o poder feminino.”

Também há evangélicos que a defendem. O comentário mais curtido do vídeo diz: “Sou cristão. Sou fã do Diante do Trono. Mas tenho convicção de que agora não é o momento de falar pra Clara o que ela deve ou não fazer. Deus deu livre arbítrio pra todos serem ou fazerem o que quiserem.”

Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

Escândalo gospel

Mesmo antes de ganhar clipe, a música da filha de Helena Tannure virou prato cheio para sites como “Fuxico Gospel” e “Buxixo Gospel”, que cobrem babados do meio religioso. Há várias notas do tipo: ‘”Ex-estrela do Diante do Trono ‘vira a cabeça’, mergulha na bebida e diz odiar crentes”.

Outra manchete diz: “Pastora Helena Tanure casa filho em cerimônia dos sonhos enquanto filha quer ser Lady Gaga e internautas não perdoam”.

No clipe, Clara joga fora uma revista com o título “Fuxico Gospel”. Mas a cantora nega que alimenta qualquer desavença ou ódio.

“Muita gente reclama de eu misturar linguagem evangélica nas redes sociais. Vivi uma vida inteira ali, lógico que guardei algo do jeito de falar. Não é deboche. Coloquei uma foto com minhas amigas, algumas drags, e uma legenda de música evangélica. Não teve maldade.”

“Pessoas desejando o meu mal, isso é complicado. Usando a religião para perpetuar preconceito, ser agressiva. É importante olhar para sua própria vida e ser uma pessoa boa. Espero que as pessoas entendam que não quero brigar. “

Desviada e resolvida

Após a reação intensa, a mãe evita falar. “Ela prefere não render esses comentários, para proteger a ela e a mim”, diz Clara “Mas ela está envolvida nos projetos dela, faz muita coisas, ajuda muita gente.” Mesmo em caminho tão diferente, ela fala com carinho de Helena

“Quando falam da minha mãe, fico chateada. É uma mulher forte, foda, vive o que prega, acredita em tudo que faz. Uma mulher que admiro. Fez um ótimo trabalho de mãe. Imagino que não é fácil para ela. Mãe ver filho sofrer ataque é difícil. Acham que estão ajudando, mas não.”

Clara já prepara sua segunda música, mas ainda não diz o nome. “Hoje eu estava andando na rua, me pararam. Falaram: ‘Ou, eu amei seu clipe'”, ela comemora.

“Não frequento a igreja, nem pretendo voltar. Mas acredito em Deus e nas pessoas. Acho que não precisa ter religião e seguir certas regras para ter uma vida com fé, que faça diferença. Quem tem religião, ótimo. Quero tocar a vida das pessoas, mas este não é o meu caminho.”