Banda feminista russa Pussy Riot vem ao Brasil para dois shows

Em sua primeira visita ao País, grupo vai se apresentar em São Paulo e Recife

Pussy Riot toca no festival South By Southwest — Foto: Fabrício Vitorino/Globo.com

O grupo de punk rock feminista russo Pussy Riot anunciou nesta sexta-feira, 18, por meio de uma publicação em suas redes sociais, a primeira vinda ao Brasil, para dois shows no mês de abril. 

A primeira apresentação será no Festival Abril Pro Rock, em Recife, no dia 19. Já a segunda apresentação será em São Paulo, no dia 20 de abril, no Fabrique Club, como parte do Festival Garotas à Frente.

Este último festival servirá também como lançamento do livro homônimo de Sarah Marcus, sobre a história do movimento Riot Grrrl nos Estados Unidos. Em São Paulo, se apresenta também a banda brasileira Sapataria. As informações sobre vendas ainda não foram divulgadas. 

Já em Recife, no Abril Pro Rock, que será realizado em dois finais de semana, se apresentam também as bandas Amorphis, da Finlândia, Nuclear Assault, dos EUA, e ainda as brasileiras Malefactor, The Mist e Eskröta. Os ingressos por dia de festival, por enquanto em lote promocional, são vendidos por R$ 50. Os shows serão realizados no Baile Perfumado, na capital pernambucana.

O grupo

O Pussy Riot foi fundado em 2011 com o intuito de chamar a atenção para os direitos das mulheres na Rússia e protestar contra o governo de Vladmir Putin. Começou fazendo shows improvisados, como provocação política, até que duas integrantes, Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram presas pela primeira vez, por não terem autorização para uma apresentação pública. 

Tolokonnikova e Alyokhina foram libertadas apenas no final de 2013. A prisão delas fez o grupo aumentar ainda mais a sua luta e a repercussão do caso se tornou global. 

A mais recente polêmica envolvendo a banda Pussy Riot foi um protesto na final da Copa do Mundo da Rússia, em 2018, quando alguns membros da banda invadiram o campo, em protesto. Os integrantes chegaram a passar alguns dias presos.

Na música, o grupo chamou a atenção em 2016 ao lançar um videoclipe crítico à eleição de Donald Trump nos EUA, Make America Great Again.

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Spike Lee dirige clipe ‘Land of The Free’ da banda The Killers que critica muro de Donald Trump

Curta documental mostra embates entre imigrantes hispânicos e a polícia da fronteira

Cena do clipe ‘Land of the Free’, da banda The Killers – Divulgação

SÃO PAULO –A banda The Killers lançou na noite desta segunda (14) o clipe de sua nova música, “Land of The Free”. O vídeo, um curta documental que tem direção do cineasta Spike Lee, acompanha a movimentação de migrantes hispânicos e seus embates com a polícia anti-imigração na fronteira do México com os Estados Unidos. 

Há ali uma clara crítica ao muro que Donald Trump quer construir na divisa entre os dois países e que é motivo de uma queda de braço com os Democratas.

O diretor, que concorre na temporada de premiações com o politizado “Infiltrado na Klan”, é um notório opositor do presidente republicano, a quem ele nunca chama pelo nome e a quem prefere se referir como “filho da puta”.

Engajada, a canção dos Killers faz menção explícita à crise migratória e à controversa forma como Trump pretende abordar a questão.

Dizem os versos: “Na fronteira/ Vão erguer um muro/ Com vigas de aço e concreto/ Alto o suficiente para manter aquelas mãos imundas longe das nossas esperanças e dos nossos sonhos/ Pessoas que só querem o mesmo que nós”.

Spike Lee passou algumas semanas no fim do ano passado acompanhando famílias de imigrantes nos acampamentos próximos à fronteira. Há cenas de crianças brincando com “piñatas”, de sujeitos lendo a Bíblia e, sobretudo, de confrontos com os agentes de segurança do lado americano da divisa.

Expressão que dá título à música, “land of the free” (algo como “terra dos homens livres” ou “terra da liberdade”) é um epíteto comum aos Estados Unidos.

Em uma rede social, o vocalista Brandon Flowers disse que vê a si e a sua família nos “rostos dessas pessoas vulneráveis”. “Não faz muito tempo que minha avó e sua família migraram da Lituânia para escapar da opressão nos Estados Unidos.”

A canção é o primeiro trabalho inédito da banda The Killers desde 2017, quando o grupo lançou o álbum “Wonderful, Wonderful”. 

muro que Trump quer construir na fronteira com o México, para o qual exige uma soma de US$ 5,7 bilhões e que os adversários se recusam a liberar, provocou uma paralisação nos serviços do governo federal americano que já dura mais de 20 dias. 

Faith Rodgers, suposta vítima de R. Kelly afirma que foi ameaçada pelo músico

Advogada de Faith Rodgers diz que cantora foi vítima de ‘intimidação e represália’ após denunciar o artista
AGÊNCIA – AFP

Faith Rodgers, ao lado da advogada Gloria Allred, fala sobre as acusações de abuso sexual relacionadas a R. Kelly. Foto: Jeenah Moon/Reuters

A cantora Faith Rodgers, uma das supostas vítimas de R. Kelly, afirmou nesta segunda-feira, 14, que foi ameaçada pelo músico e sua equipe depois de tê-lo denunciado à Justiça e de sua advogada ter informado sobre a abertura de uma investigação em Nova York.

Gloria Allred, advogada da artista e reconhecida defensora dos direitos da mulher, disse a jornalistas que Faith foi vítima de “intimidação e represália” por parte do cantor após a denúncia contra ele. A mãe de Faith diz que ela e seu marido também foram ameaçados.

Faith e Kelly se conheceram em março de 2017 após um dos shows dela, quando a jovem tinha 19 anos.

Grande figura do R&B da década de 1990, autor da conhecida I Believe I Can Fly, R. Kelly ficou ainda mais em evidência depois que um documentário sobre ele foi lançado há alguns dias.

O material de seis horas chamado Surviving R. Kelly (Sobrevivendo a R. Kelly, em tradução livre), foi transmitido pelo canal de televisão pago Lifetime. O conteúdio mostrou várias mulheres que acusam o músico de ter tido relações sexuais com três adolescentes com menos de 16 anos de idade quando ele já era maior de idade.

Outras testemunhas afirmam que Robert Sylvester Kelly, verdadeiro nome dele, se rodeava de mulheres, as quais transformou em escravas sexuais e que atualmente estão isoladas de suas famílias.

Faith acusa R. Kelly e sua equipe de ter criado uma página no Facebook para desacreditá-la, ao publicar fotos de ambos tiradas em um lugar privado, segundo Gloria Allred. A advogada também representa outras duas supostas vítimas do músico. A página na rede social foi excluída horas após a publicação.

A equipe de Faith também disse que Kelly escreveu uma carta para sua advogada Lydia Hills, ameaçando a cantora com evidências médicas de que ela contraiu a doença depois de ter feito sexo com outro homem. O advogado do cantor, Steve Greenberg, disse que a suposta carta era “uma total invenção”.

Faith, atualmente com 20 anos, apresentou uma ação em maio de 2018 para obter uma compensação de R. Kelly, acusando-o de lhe ter contagiado com herpes genital, uma doença sexualmente transmissível.

Segundo vários veículos de comunicação locais, R. Kelly é alvo de uma investigação judicial em Atlanta, onde mora. Além disso, a polícia do condado de Cook, em Chicago, cidade natal do músico, fez várias verificações nos últimos dias, depois de uma chamada do promotor local para oferecer testemunhas.

The Weeknd entrega bissexualidade de Bella Hadid em nova música

The Weeknd usou linguagem explícita para sugerir um ménage à trois entre a top model e uma convidada. Casal está de volta após um breve hiato em que o cantor se envolveu com Selena Gomez

Bella Hadid e The Weeknd

The Weeknd deixou os fãs em polvorosa com seu novo single, Lost in Fire, lançado em parceria com o DJ francês Gesaffelstein. Não por causa da música em si, mas por causa de uma passagem da letra em que o artista faz comentários sobre a bissexualidade da sua namorada, a top model internacional Bella Hadid e usa linguagem explícita para sugerir sexo a três com ela e mais uma amiga convidada.

“Você disse que pode gostar de garotas/Você disse que está passando por uma fase/Mantendo seu coração seguro/Bem, garota, você pode trazer uma amiga/Ela pode cavalgar em cima do seu rosto/Enquanto eu transo com você” (“You said you might be into girls/ You said you’re going through a phase / Keepin’ your heart safe/ Well, baby, you can bring a friend/ She can ride on top your face/ While I f— you straight”).

Em um dos momentos mais, digamos assim, sentimentais da canção, The Weeknd abre o coração sobre as idas e vindas com Hadid – o cantor teve até um relacionamento com Selena Gomez antes de reatar com a modelo, coberto com intensidade pela mídia voltada a celebridades. “Entao nós perdemos muitas coisas no fogo/Levou um ano para que eu descobrisse” (“And we lost a lot of things in the fire/So it took a year for me to find out”).

Bella e The Weeknd começaram a namorar em 2015, mas romperam depois de uma série de conflitos em relação à agenda de trabalho em meados de 2017. No meio de 2018, o casal voltou e está morando junto em Nova York – os dois documentaram toda a passagem de ano pelo Instragram. A modelo disse que o namorado é quem melhor consegue fazê-la rir e é a “pessoa mais bonita que ela conhece”.

Um alvo eventual de “Lost In Fire” é o cantor Drake. The Weeknd registra o reconhecimento atribulado de paternidade do rapper após affair com atriz pornô Sophie Brussaux. “Quero ter um bebê com a garota certa… por que eu nunca vou ser o cara que vai se esconder” (“I just want a baby with the right one… cause I could never be the one to hide one”). Será que Bella já está preparando o enxoval?

Confira a seguir “Lost in Fire”.

Com menos ativismo e mais coração, folk se fortalece no Brasil

Bob Dylan é uma referência para as novas gerações de músicos nacionais no gênero
Julio Maria, O Estado de S.Paulo

O duo Horses and Joy, formado por Felipe Duarte, 25 anos, e Beatriz Tucci, 21 Foto: Gabriela Biló/Estadão

Uma cena cresce em São Paulo nos últimos anos, entre violões de cordas de aço, vozes abertas e canções que equilibram certa suavidade nas melodias de grupos dos anos 60 com o rock mais áspero dos 70. A frente folk não é nova entre os brasileiros. Sobretudo nos 70 e 80, a urbanização do que antes era decodificado como sertanejo fez surgir um legado de roqueiros rurais que só precisam de um violão para falar com o mundo. Sá, Rodrix & GuarabyraZé GeraldoRenato TeixeiraFagnerZé RamalhoRaul Seixas. Mais uma ideia do que um movimento, um comportamento musical do que um ritmo, era folk até mesmo quem não sabia o que era isso.

A segunda geração dessa turma tem origem há três ou quatro anos e vem se fortalecendo. Grupos de um folk menos comprometido com a poética da Casa no Campo dos 70 e sem a contestação política dos 60, usada por folkistas de origem americana, canadense ou inglesa, que têm em Bob Dylan sua bandeira mais alta. Dylan é um nome a ser lembrado com honras aqui, já que dois de seus discos estão fazendo aniversário de 55 anos. The Times They Are a-Changin’ e Another Side of Bob Dylan, ambos de 1964. O primeiro foi um choque ao mostrar um Dylan dono da própria palavra pela primeira vez em todas as canções e trocando alguma leveza dos álbuns anteriores pelo sangue nos olhos ao falar de racismo, lutas sociais e guerra. A canção The Times They Are…, ele disse, foi feita para se tornar um hino. Não se tornou como outras suas se tornariam, mas Dylan virou o estandarte.

O folk brasileiro não tem a mesma pretensão. Historicamente mais longe das barricadas e perto do coração, começa a falar além do amor e do desamor e a dar sinais de amadurecimento. Impressão Sua é uma canção que a dupla Devonts, um belo lugar entre o country, o rock e o folk, lançou em 2017. Sua força está na forma, não apenas no discurso. A música é sobre a violência policial em manifestações e se tornou uma espécie de hit. Escorrega ao usar o termo ‘mulato’ na canção, alvo de debates antirracistas, mas quer denunciar justamente isso, o racismo. “Hoje a escola liberou mais cedo / Não vai mais ter aula, que delícia / O professor não vem, tá com hematomas / Que ganhou na passeata de presente da polícia.”

A maior surpresa é o duo Horses and Joy, um impressionante encontro de vozes e personalidades. Felipe Duarte, 25 anos, e Beatriz Tucci, 21, conseguem colar uma voz à outra o tempo todo. São canções lindas, cantadas em inglês. Se apresentam como uma dupla “influenciada pela música folk e rock dos anos 60 e 70, que valoriza a sonoridade nostálgica com seu próprio toque de criatividade nas composições”. Agora, depois de um EP com cinco canções, Sunflower Sessions, eles preparam o lançamento do álbum Magnolia, com 11 canções.

Se o resultado das vozes vem do suor ou da inspiração? “Gostamos muito de brincar em casa com os violões, pensar em harmonias com ele. Quando colocamos as vozes, sai tudo muito natural”, diz Felipe. Gabriela é filha do guitarrista de rock Leandro Rosa com quem tudo começou. “Acabo levando algumas coisas que ele não conhece. É uma troca ótima.”

Outra dupla de destaque, Duas Casas, gravou um das faixas de Magnolia e prepara disco com músicas de Raul Seixas no espírito folk. Bezão vem do grupo Folk na Kombi e Nô Stopa, filha de Zé Geraldo, tem uma longa carreira. O folk, como cena, já é uma realidade.

Primeiro álbum ‘…Baby One More Time’ de Britney Spears completa 20 anos

‘…Baby One More Time’ foi lançado como single quando a cantora tinha apenas 16 anos
Javier Herrero – EFE

O single de mesmo nome do álbum foi lançado ainda em 1998. Foto: Reprodução de capa de ‘Baby One More Time’ (1998) / Britney Spears

…Baby One More Time, muito mais do que um álbum pop adolescente, cujo lançamento completa 20 anos neste sábado, 12, não apenas marcou o início da carreira de Britney Spears como reformulou o gênero musical com um padrão muito singular.

Fundamental para o sucesso foi a contribuição de Max Martin, um então jovem produtor e compositor sueco que se formou no glam metal, mas acabou mostrando um talento inusitado para as melodias do pop dançante.

Apadrinhado por Denniz Pop, o primeiro álbum de Britney chegou depois de Martin trabalhar para seus compatriotas Ace of Base, no álbum The Bridge, de 1995, e, sobretudo, nos primeiros álbuns de Backstreet Boys, o de mesmo nome do grupo, de 1996, e Millenium (1999).

De seu próprio punho e letra e de sua mentalidade como produtor, surgiram sucessos comerciais como Everybody (Backstreet’s Back),  I Want It That Way e também Baby One More Time, faixa-título do futuro álbum de Britney que foi descartada anteriormente pelos BSB e pelo trio de R&B TLC.

“Não haverá outra Madonna”, diziam sobre a cantora quando ela tinha 16 anos após passar sete deles como estrela infantil do programa de televisão The Mickey Mouse Club.

Foi assim até que um executivo da Jive Records teve a visão de contratá-la e reuni-la a Max Martin. Naquele momento, o pop e a indústria havia perdido o contato com seus potenciais ouvintes mais jovens. Martin ofereceu a ela Baby One More Time, que foi lançada como single em 23 de outubro de 1998 e se tornou em um dos mais vendidos da história.

Editado em formato de vinil pela primeira vez nas últimas semanas, a edição original de …Baby One More Time vendeu mais de 25 milhões de cópias em todo o mundo. Isso faz do álbum um dos mais vendidos da história, agora mais valioso, uma vez que a ‘princesinha do pop’ anunciou uma pausa musical para cuidar do pai.

Lady Gaga afirma que não trabalhará mais com R. Kelly

Declaração surge após diversas mulheres acusarem o cantor de assédio sexual; ela disse também que vai retirar a música que fez com ele das plataformas de streaming
Agência – Reuters

Lady Gaga afirma que não vai mais colaborar com R. Kelly.  (Jacopo Raule/GC Images/Getty Images)

Lady Gaga se comprometeu a remover de todas as plataformas de streaming um dueto que gravou com o cantor de R&B R.Kelly e a nunca mais colaborar com ele.

Os comentários da cantora, divulgados em uma longa publicação no Instagram e no Twitter na noite de quarta-feira, 9, surgem após diversas mulheres acusarem Kelly de assédio sexual, algumas vezes contra menores de idade, em um novo documentário.

Gaga disse acreditar nas mulheres e ter achado o documentário “absolutamente horripilante”.

“Eu apoio essas mulheres 1000%, acredito nelas e sei que elas estão sofrendo e com dor, e sinto fortemente que as vozes delas precisam ser ouvidas e levadas a sério”, escreveu a cantora. Em 2013, Gaga lançou o dueto Do What U Want (With My Body) com Kelly.

“Eu pretendo remover a música do iTunes e de outras plataformas de streaming e não trabalharei mais com ele”, declarou. “Eu peço desculpas, tanto pelo meu mau julgamento quando mais nova e por não ter me pronunciado mais cedo.”

“Como uma vítima de abuso sexual, eu fiz a música e o vídeo em um momento sombrio da minha vida e minha intenção foi criar algo extremamente desafiador e provocativo, porque estava com raiva e não tinha processado ainda o trauma que ocorreu na minha vida”, comentou a cantora.

Kelly, cantor e produtor de 52 anos, mais conhecido pelo sucesso I Believe I Can Fly, tem repetidamente negado as acusações de abuso, incluindo as presentes no novo documentário.

Em 2008, o cantor vencedor do Grammy foi julgado e absolvido em um caso por pornografia infantil em Chicago. O advogado de Kelly não respondeu a pedidos da agência Reuters por comentários sobre o documentário de seis horas Surviving R.Kelly, transmitido na semana passada pelo canal Lifetime.

O filme mostra entrevistas com diversas mulheres acusando o cantor de abuso sexual, psicológico e físico, assim como entrevistas com alguns de seus ex-empresários e produtores. A Reuters afirma que não foi capaz de verificar as acusações de maneira independente.

Na terça-feira, 8, uma procuradora de Chicago pediu que todos que alegam ter sofrido abuso de Kelly se apresentem para que as acusações possam ser investigadas.

“Não há nada que possa ser feito para investigar essas alegações sem a cooperação tanto das vítimas como de testemunhas. Nós não podemos buscar a justiça sem vocês”, afirmou a procuradora do condado de Cook, Kim Foxx, em coletiva de imprensa.