Kate Bush flutua no mar em clipe minimalista de “And Dream of Sheep”

img-1040513-kate-bush

por Rolling Stone EUA
Kate Bush colocou em risco a própria saúde para gravar o vídeo minimalista de “And Dream of Sheep”, que integrará o futuro álbum triplo ao vivo Before the Dawn. O clipe da melancólica balada, que foi registrada originalmente no disco Hounds of Love (1985), mostra a britânica à deriva no mar, flutuando com o auxílio de um colete salva-vidas.

A fim de tornar mais realista o videoclipe, Kate gravou uma nova linha vocal dentro de um tanque d’água no Pinewood Studios, em Buckinghamshire, na Inglaterra.

“Ela ficou tanto tempo imersa na água durante o primeiro dia de filmagem que contraiu uma leve hipotermia”, disse a equipe da cantora em um comunicado no vídeo. “Ela se recuperou depois de um dia de descanso e em seguida continuou as gravações. Todos concordaram que isso deu maior autenticidade à performance.”

As imagens foram projetadas em uma tela suspensa durante os 22 shows que a cantora fez no Hammersmith Apollo, em 2014, marcando o retorno dela aos palcos depois de quase três décadas sem se apresentar ao vivo.

O disco triplo ao vivo Before the Dawn, que será lançado nesta sexta, 25, no Reino Unido, conterá os três atos das performances realizadas há dois anos: O primeiro incluirá sete faixas da carreira de Kate Bush; o segundo será formado, em parte, pela íntegra do álbum The Ninth Wave e também pela segunda metade de Hounds of Love; e o terceiro LP contará com A Sky of Honey, e a segunda metade de Aerial.

Assista abaixo ao clipe de “And Dream of Sheep”.

Anúncios

American Music Awards: os melhores looks, os melhores Instas, os melhores momentos

15043532_1357877397555996_8868462332087369728_n
Lady Gaga e Selena Gomez no backstage do AMAs (Foto: Instagram/Reprodução)

Los Angeles foi tomada por uma das últimas premiações do ano na noite de domingo (20.11), quando o American Music Awardsreuniu uma turma estrelada da músicos e – sim! – modelos para sua edição 2016. Quer ficar por dentro dos fatos mais importantes do evento musical e se inspirar com os looks que cruzaram o red carpet? Vogue mostra tudo que você precisa saber sobre o AMAs ao longo desta página; confira!

Gigi Hadid cruzou o red carpet do AMAs usando look Roberto Cavalli (Foto: Getty Images)Gigi Hadid cruzou o red carpet do AMAs usando look Roberto Cavalli (Foto: Getty Images)

1. Os 6 looks de Gigi Hadid
Eleita apresentadora da edição 2016 do AMAs, Gigi Hadid – que dividiu o palco com o comediante Jay Pharoah – fez jus à sua reputação de extrovertida e confiante, divertindo a plateia a noite toda com sua beleza e bom humor. Mas não foi só a personalidade da top que roubou a cena no palco da premiação: com nada menos que seis trocas de looks, a modelo surgiu vestindo criações de Roberto Cavalli (vestido branco de renda), Atelier Versace (vestido vermelho com um ombro só e macacão bordado), Julien MacDonald (conjunto bordado e vestido nude de croco) e Nicolas Jebran (longo preto com gola rulê). Quem assinou o styling foi Monica Rose.

No palco, Gigi trocou de look cinco vezes (Foto: Getty Images)No palco, Gigi trocou de look cinco vezes (Foto: Getty Images)
Gigi Hadid no AMAs (Foto: Getty Images)Gigi Hadid no AMAs (Foto: Getty Images)
Selena Gomez emocionou a plateia com seu discurso (Foto: Getty Images)Selena Gomez emocionou a plateia com seu discurso (Foto: Getty Images)

2. O discurso (e o retorno!) emocionante de Selena Gomez
Após passar meses em uma clínica de reabilitação para tratar a depressão, Selena Gomez fez sua primeira aparição pública na noite de domingo (20). Linda de vestido Prada, ao receber o prêmio de Melho Artista Feminina de Pop/Rock, ela deu um discurso puro e emocionante, que fez com que muitos espectadores derramassem lágrimas por sua sinceridade. “Acho que posso dizer que, goste ou não, vocês sabem tudo sobre a minha vida. Eu precisei parar tudo porque eu tinha absolutamente tudo, mas estava completamente quebrada por dentro. Eu me mantive de pé até onde foi possível para não desapontar vocês, mas eu me mantive de pé demais a ponto de desapontar a mim mesma”, declarou Selena. “Eu não quero ver seus corpos no Instagram. Eu quero ver o que está aqui [aponta para o coração]. Não estou tentando obter validação de ninguém, mesmo porque eu não preciso disso. Tudo que posso dizer, do fundo do meu coração, é que sou muito grata por ter a oportunidade de compartilhar o que eu amo todos os dias com pessoas que eu amo. Devo dizer muito obrigada a todos os meus fãs, porque vocês são extremamente fiéis e eu não sei o que fiz para merecê-los. Se você está quebrado por dentro, você não precisa ficar assim. Se você me respeita ou não, há apenas uma coisa que você deve saber sobre mim: eu me importo com as pessoas. Muito obrigada por isso. Esse prêmio é pra vocês”.

Chrissy Teigen: sexy até dizer chega (Foto: Getty Images)Chrissy Teigen: sexy até dizer chega (Foto: Getty Images)

3. O look ultrasexy de Chrissy Teigen
Modelo, apresentadora, foodie, rainha do Twitter e esposa de John Legend, Chrissy Teigen abraçou sua sensualidade e ousadia ao escolher um vestido com fenda ultrareveladora para participar do AMAs. Ao revelar a lateral do quadril e a ausência de lingerie, o vestido preto de Yousef Akbar foi um dos looks mais comentdos da noite.

Behati Prinsloo (Foto: Getty Images)Behati Prinsloo (Foto: Getty Images)

4. O corpão pós-gravidez de Behati Prinsloo
Ela pode até estar fora do casting da edição 2016 do Victoria’s Secret Fashion Show, mas, dois meses após dar à luz Dusty Rose, Behati Prinsloomostrou que já está com o seu corpão de angel em plena forma. Ao acompanhar o marido, Adam Levine, no American Music Awards, a top – que vestia look Vivienne Westwood – cruzou seu primeiro red carpet após o nascimento da filha.

Keke Palmer x Bella Hadid (Foto: Getty Images)Keke Palmer x Bella Hadid (Foto: Getty Images)

5. O look repetido de Keke Palmer
Ao desfilar no tapete vermelho do AMAs 2016, a cantora Keke Palmerchamou a atenção por escolher um look praticamente idêntico ao usado por Bella Hadid há um mês em Nova York. Coincidência? Pouco próvavel: enquanto o conjunto prata transparente combinado a casaco de pele pink e sandália metalizada de Bella era da estilista Fannie Schiavoni, o de Keke era de Natalia Fedner, que não apenas copiou as peças da modelo, mas também o styling. Tenso!

Ciara (Foto: Getty Images)Ciara (Foto: Getty Images)

6. Ciara surge linda – e gravidíssima!
Casada há três meses com Russel Wilson, a cantora Ciara debutou sua barriguinha de grávida ao surgir com vestido p&b da grife de Stephan Rolland no AMAs. Linda!

Lady Gaga (Foto: Getty Images)Lady Gaga (Foto: Getty Images)

6. A apresentação descalça de Lady Gaga
Apresentando Million Reasons – um dos hits de seu novo álbum, Joanne – no AMAs, Lady Gaga emocionou a plateia e seus millhares de fãs com show intimista que incluiu um banquinho, uma guitarra e pés descalços.

7. O red carpet estrelado
Heidi Klum, Selena Gomez, Milla Jovovich, Karlie Kloss, Ariana Grande
… Veja os melhores looks que circularam pelo tapete vermelho abaixo!

Selena Gomez usa vestido Prada (Foto: Getty Images)Selena Gomez usa vestido Prada (Foto: Getty Images)
Lady Gaga usa look Brandon Maxwell (Foto: Getty Images)Lady Gaga usa look Brandon Maxwell (Foto: Getty Images)
Chrissy Teigen usa vestido Yousef Akbar e clutch Monique Lhuillier (Foto: Getty Images)Chrissy Teigen usa vestido Yousef Akbar e clutch Monique Lhuillier (Foto: Getty Images)
Karlie Kloss usa Versace (Foto: Getty Images)Karlie Kloss usa Versace (Foto: Getty Images)
Ariana Grande usa Alexander McQueen (Foto: Getty Images)Ariana Grande usa Alexander McQueen (Foto: Getty Images)
Hailee Seinfeld usa Elie Saab (Foto: Getty Images)Hailee Seinfeld usa Elie Saab (Foto: Getty Images)
Heidi Klum usa macacão Wolk Morais (Foto: Getty Images)Heidi Klum usa macacão Wolk Morais (Foto: Getty Images)
Milla Jovovich usa Elie Saab (Foto: Getty Images)Milla Jovovich usa Elie Saab (Foto: Getty Images)
Teyana Taylor usa Steven Khalil (Foto: Getty Images)Teyana Taylor usa Steven Khalil (Foto: Getty Images)

Sharon Jones morre aos 60 anos

sharonjones-1

A cantora de soul e blues Sharon Jones, 60, morreu na noite desta sexta-feira, 18. Ela lutava desde 2013 contra um câncer no pâncreas. “Nós estamos profundamente entristecidos ao anunciar que Sharon Jones faleceu após uma batalha heroica contra o câncer de pâncreas”, diz um comunicado no perfil oficial da cantora, no Faceboook.

Sharon havia vindo para o Brasil, pela última vez, para um show na casa Bourbon Street, no ano passado. Mesmo em pleno tratamento, ainda com as rejeições do organismo ao tratamento quimioterápico, como a queda de cabelo, ela subiu no palco e fez uma apresentação alucinante. Fruto da retomada do soul da década de 2000, Sharon trazia a força de Tina Turner do início de carreira. Sua voz era grande, seu repertório seguia a cartilha dos anos 1970, reforçado pela banda Dap-Kings, e ela brincava com o público. Era amada nos Estados Unidos.

Foi uma lady mesmo quando cedeu a base de sua banda para a gravação do antológico disco Back to Black, de Amy Winehouse. “Amy é um grande talento e fiquei contente que os rapazes tenham contribuído para o sucesso do disco dela”, disse, cheia de diplomacia. “Toda essa coisa em relação a Amy foi muito boa para que o meu trabalho e o do Dap-Kings ficasse mais conhecido.”

Sharon Jones nasceu em Augusta, Geórgia, a mesma terra de James Brown, rei maior do universo da soul music. Ainda criança, ao lado dos irmãos, Sharon tentava imitar os passos de Brown. Só no final dos anos 1990, depois de várias formações nos anos 1980 e de cantar muito em igrejas nos anos 1970, ela aparece em uma sessão soul como voz de apoio da lenda do funk, Lee Fields.

O câncer foi o único desafio que Sharon não venceu. Depois de ouvir das gravadoras que não conseguiria ser ninguém, dentre outras coisas, por ser “baixinha demais” e “velha demais”, Sharon se tornou uma expressão das mais respeitadas no novo soul.

Ao ser diagnosticada com câncer na vesícula biliar, afastou-se brevemente dos palcos para retornar com o disco Give The People What They Want, em 2014. Foi quando passou a fazer shows como fossem todos os últimos de sua vida.

Putz! Kanye West é vaiado em show por declarar apoio a Donald Trump

kanye-253d0f3100000578-0-image-m-51_1422814569313

O rapper Kanye West expressou pela primeira vez seu apoio ao presidente republicano eleito dos Estados Unidos Donald Trump e recebeu vaias e assobios de fãs. A fala aconteceu durante uma apresentação em San Jose, na Califórnia, na noite de quinta-feira. West disse à plateia que não votou nas eleições presidenciais de 8 de novembro, “mas, se tivesse votado, teria votado em Trump”.

O músico manteve o silêncio durante a agressiva campanha eleitoral de 2016, enquanto estrelas de Hollywood e outros pesos pesados da música, como Beyoncé, Katy Perry e Bruce Springsteen, apoiaram a democrata Hillary Clinton.

“Odeio o fato de que, por eu ser uma celebridade, todos me disseram para não falar que adorei os debates”, disse Kanye em vídeos de comentários publicados por espectadores do show no Twitter e no YouTube. “Adorei a abordagem (de Trump)”, acrescentou Kanye, que no ano passado declarou que estava cogitando concorrer a presidente do país em 2020.

Muitos na plateia zombaram, e parte do público escreveu que as pessoas atiraram objetos no cantor. Kanye ainda gritou “construa esse muro” durante o show, uma referência aparente à promessa de campanha de Trump de construir um muro na fronteira com o México e de intensificar a investigação contra 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA.

Eletrônico I Com show no Brasil, Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin, do Air, relembram seus melhores momentos

air-2016

Por Gaía Passarelli, com exclusividade para FFWMAG 42
O que estava acontecendo na música pop quando o Air apareceu, em 1998? Na ressaca do grunge, era a música eletrônica que mandava no mundo. David Bowie flertava com o drum and bass e tinha acabado de lançar Earthling. O Radiohead vinha do celebrado OK Computer e Madonna voltava para as pistas de dança com Ray of Light. O líder do Blur, Damon Albarn, abandonava o britpop e lançava a banda de cartoon eletrônico Gorillaz, enquanto Björk começava seu processo de ultrarrefinamento musical com Homogenic. Nas pistas da Europa, Daft Punk, Les Rythmes Digitales, Étienne de Crécy e outros eram apanhados dentro do guarda-chuva do french touch, uma musica eletrônica de inspiração analógica com pé na disco.

Foi nesse cenário que apareceu o Air (sigla para amour, imagination, rêve, em português, amor, imaginação e sonho), dupla formada pelos parisienses Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin. O Air era diferente de todas as outras bandas, mas, ao mesmo tempo, conversava com tudo que estava acontecendo na época. Franceses, elegantes, cheios de boas referências estético-musicais, Dunckel e Godin propunham composições eletrônicas suaves de climão chanson vintage usando equipamentos analógicos. Com um disquinho de cinco músicas (Premiers Symptômes, de 1997) chamaram a atenção o suficiente para que uma gravadora encomendasse um álbum completo. O resultado foi Moon Safari, um dos discos essenciais da década de 1990.

Trilha sonora da nossa vida
Quase 20 anos depois, Moon Safari continua tão fresco e delicioso quanto em 1998 – eu sei porque ouvi na época e recentemente de novo, preparando-me para entrevistar a dupla por telefone. Na ligação cortada entre São Paulo e Paris, Dunckel foi o primeiro a explicar essa característica de longevidade do som do Air: “Nós sempre olhamos para o futuro”, diz. “Todos os artistas pensam em sua própria evolução, querem seguir em frente. Foi isso que fizemos.”

Olhar para o futuro não evitou que o Air se tornasse uma banda clássica. Por isso, chegando aos 20 anos de carreira, Dunckel e Godin acharam que era hora de revisitar o catálogo. “Nossa música é atemporal. Queríamos que o público de hoje entendesse quem somos e também queríamos mostrar aos fãs o que realizamos nessas duas décadas,” continua Dunckel.

Essa revisitação ganha forma física com a coletânea Twentyears, digna de colecionador. Em edição de luxo em vinil, vem com um disco com sucessos como “Sexy Boy”, “Kelly Watch the Stars” e “How Does It Make You Feel” e outro com 14 faixas raras ou nunca lançadas, incluindo colaborações com Charlotte Gainsbourg, Jarvis Cocker e Françoise Hardy. “Fazer as escolhas foi duro,” explica Godin. “Mas também foi bom, porque temos muito orgulho do que criamos.” Da seleção de faixas menos conhecidas, ele destaca “Run”, de Talkie Walkie, de 2004. “É uma bela canção. Como a maior parte de nossas músicas, não soa antiga e segue atual.”

Para os dois, Talkie Walkie é um ápice da história do Air – se não a melhor fase, a predileta. É nele que estão composições como a delicada “Alone in Kyoto” e “Cherry Blossom Girl”. Na mesma época, a dupla se apresentou em um Hollywood Bowl lotado, acompanhada de orquestra sinfônica. Subir ao palco em que se apresentaram Beatles e Sinatra “foi uma confirmação do nosso sucesso”, diz Godin. “Somos muito sortudos por ter tido esse momento.”

Na estrada
Godin segue contando que, mais difícil que separar as faixas para Twentyears, foi escolher as músicas da turnê de comemoração dos 20 anos de carreira. “Temos tocado muito em festivais pelo mundo, antes ou depois de outras bandas, e por isso temos bem menos tempo do que gostaríamos.”

Esse é um motivo para o show do Air no Popload Gig, em novembro, em São Paulo, ter pinta de ocasião especial: a noite é só deles. No palco, as composições ganham versões mais orgânicas, experimentais e longas que nos discos, ora dançantes, ora contemplativas. O visual do show é limpo e sofisticado, com luzes coloridas criando formas acima da dupla, sempre vestida em roupas brancas, que refletem melhor a luz.

O outro motivo que torna especiais as apresentações do Air em 2016 é um hipotético fim da banda. Sem sucesso comercial desde o ótimo Love 2, de 2009, e sem lançar material novo desde 2014, quando saiu Music for Museum (uma encomenda do Palácio de Belas Artes de Lille lançado em edição limitada em vinil transparente), a dupla não sabe dizer se há um futuro criativo para ela. “É incerto, nós não sabemos o que vai acontecer. Mas eu certamente não enxergo um novo álbum nos próximos três ou quatro anos”, afirma Dunckel.

Godin não acha que o AIR esteja em má forma, mas concorda que a prioridade atual é a turnê. “O foco agora são os shows. Depois, vai depender da inspiração. Sem inspiração, não há material novo.”

Respirando
Inspiração é a palavra-chave, e a dupla admite se sentir pouco inspirada, inclusive com o estúdio próprio em Paris, o Atlas. “É um ótimo lugar, amamos o espaço, tem uma tremenda coleção de equipamento”, diz Godin. “Mas o lado ruim é que o estúdio nos deixa numa situação muito estável e confortável, e precisamos de instabilidade para fazer as coisas acontecerem”, conta Dunckel.

De fato, sair da zona de conforto foi o que fez um dos grandes momentos da carreira do Air: a trilha sonora atmosférica e etérea de As Virgens Suicidas, de 1999. “Foi um trabalho diferente, mas não foi difícil. Na época, a Sofia [Copolla, diretora do filme e amiga da dupla] ainda não era famosa, então fomos muito livres para criar em cima do que acreditávamos que o filme fosse. Vendo hoje, talvez a trilha seja dark demais para o filme”, diz Godin.

Estar confortável não significa que os dois músicos estejam parados. Dunckel, que cita o norte-americano Daniel Lopatin, conhecido como Oneohtrix Point Never, como inspiração atual, está animado com o segundo disco de seu projeto solo, chamado Darkel. “Tenho ouvido muita música eletrônica e acompanhado arte digital”, conta. Já Godin, casado com a brasileira Iracema Trevisan, ouve hip-hop. Ira, que foi baixista do CSS, é formada em moda e, depois de mudar para Paris, trabalhou na Lanvin e Kenzo. Hoje cuida de sua própria marca de lenços estampados, a Heart Heart Heart. “É ela quem escolhe a música em casa”, revela Godin, mencionando Kendrick Lamar. Mas seus trabalhos solo vão em outra direção: em 2015, ele lançou disco inspirado na obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach. E música brasileira, como bossa nova, também faz parte das referências. “A música brasileira é extremamente sofisticada, o nível de musicalidade de vocês é muito alto.”
E que fã do Air nunca pegou um pouco de jeitinho bossa nova nas melodias da dupla, certo?
O Air se apresenta em São Paulo dentro do Popload Gig:
Data: Terça-feira, 15 de novembro
Horário: 20h (portão) / 22h (show)
Local: Audio (av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca)
Compre ingressos aqui
*A FFWMAG é uma publicação semestral e a edição de número 42 com 4 capas especiais já está à venda nas principais bancas do Brasil, na rede da Livraria Cultura e loja online (www.livrariacultura.com.br)

Todos me copiam’, diz a cantora e modelo jamaicana Grace Jones

grace-jones_.jpg

Ícone da moda e da música, Grace Jones tem fama de imprevisível. Aos 68 anos — nem confirmados ou desmentidos —, a cantora, compositora, atriz e modelo jamaicana atende a ligação do GLOBO com um pedido de desculpas por ter desmarcado a entrevista na noite anterior: “Eu havia tomado muito champanhe para conversar com você”, soltando a primeira das muitas gargalhadas que daria ao longo do papo.
Como modelo, de visual andrógino e excêntrico, a multiartista trabalhou com nomes como Andy Warhol, o estilista Yves St. Laurent, o artista Keith Haring e o fotógrafo Jean Paul Goude, com quem teve um filho, Paulo. Em 1977, ela iniciou uma trajetória musical que renderia dez discos de estúdio. Inquieta, Grace ainda atuaria no cinema, onde se destacou em papéis como a bond girl de “007 — Na mira dos assassinos” (1985).
No sábado, a estrela, que não se apresentava ao público carioca desde 1996, traz sua faceta musical para o Festival Back2Black, na Cidade das Artes. Um dia antes, canta em São Paulo, no Tom Brasil. Ao longo de meia hora, a artista não perdeu o humor nem quando criticou Donald Trump, discursou sobre o aborto ou analisou o cenário atual da música pop: “Todos me copiam”, resumiu.
Em sua autobiografia, “I’ll never write my memoirs”, você menciona que foi bastante maltratada por seu padrasto durante a infância. O que mudou em sua vida desde o lançamento do livro, no ano passado?
Apenas a atitude das pessoas. Agora, elas ficam mais animadas quando me veem. Percebo excitação em seus olhos, estão mais empoderadas. A única coisa que aprendi daquilo foi que eu jamais trataria meus filhos da mesma maneira. Você deve ser forte para não repetir o ciclo.
Seu último disco, “Hurricane”, saiu em 2008. Que tipo de música você tem feito?
Estou trabalhando num novo álbum, “She”, há três anos, influenciada por minhas raízes africanas. O resultado será um misto de ritmos fantásticos e hipnóticos.
Você tem um histórico de posicionamento a favor das causas feministas. O que achou da eleição de Trump?
Os EUA nunca aceitariam uma mulher como presidente. Eles colocariam um animal, qualquer coisa na Casa Branca, menos uma mulher. Acho que vou me lançar como candidata nas próximas eleições (risos). Mas eu provavelmente perderia minha voz. Bem, que eles lidem com quem escolheram.
O que acha dele ter sido eleito depois do mandato do primeiro presidente negro da História dos EUA?
Não entendo essas identificações e rótulos. Acho que Deus está rindo de nós. Acredito que todos são parcialmente negros. Todo mundo tem um pouco de sangue africano. Minha neta não poderia ser mais irlandesa. Ela é mais branca que a neve, tem cabelo ruivo e sardas. Então, todo mundo é um pouco negro. A África foi o começo de tudo. Mas estou em choque com a eleição do Donald Trump. Foi horrível com o Bush, será muito pior agora com ele. Gosto de ser uma pessoa positiva, mas essa é a sensação que eu tenho.
Como lidou com os comentários de Trump considerados racistas e misóginos?
Um candidato não pode chegar e dizer que vai mudar o que custou anos para ser conquistado, como o direito ao aborto. Você precisa ser uma mulher para falar sobre isso. Até que um homem engravide e tenha um filho, ele não tem direito de opinar sobre esse tema. Não é uma questão masculina. Eu apoio o direito das mulheres. Amo a Hillary, não sei como não a elegeram. O Trump abusa de mulheres, é apavorante. Foi o mesmo com o Brexit. Nada mais faz sentido no mundo para mim, exceto a Jamaica.

Onde você vive atualmente?
Na estrada. Mas divido meu tempo entre a Jamaica e Londres, meus lugares de inspiração. Os EUA não são nada inspiradores atualmente.
Falando em inspiração, você influenciou muitos artistas. Como você vê a música pop de hoje?
Eles todos me copiam. Isso é bastante óbvio.
Alguém especificamente?
Não vou citar nomes, mas eles sabem muito bem quem são. E não apenas mulheres, homens também. Inclusive, tem gente que copia meu figurino enquanto eu ainda estou em turnê. É muita cara de pau! Talvez eu mencione uns nomes no meu próximo livro.
Você considera algum artista pop atual original?
Eu adoro a abordagem do Gorillaz. Amava a Amy Winehouse. Também gosto bastante da Wunmi, daquela “Greedy body” (cantarola o refrão três vezes), além do Chronixx.
Você frequenta o Brasil desde os anos 1970. Chegou inclusive a se casar de surpresa por aqui, em 1996…
Você sabia do meu casamento? Passei anos tentando me separar dele (o segurança turco Atila Altaunbay), mas ele havia desaparecido do mapa. Parece que ele deu uma entrevista recentemente. Algum jornalista o encontrou.
Então você não está oficialmente separada?
Ainda não. Mas, agora, eu já sei para onde mandar os papéis do divórcio, pelo menos.
Fora o casamento, quais são suas melhores lembranças do Brasil?
Eu amo o país de vocês, as escolas de samba. Visitei algumas no Rio, antes do carnaval, e aprendi a sambar. Fiz o roteiro turístico todo. Lembro-me bastante das praias, e, principalmente, das pessoas. Os brasileiros são muito parecidos com os jamaicanos. São alegres, sorridentes. Somos todos da mesma tribo, apesar dos idiomas diferentes. O mesmo navio deixou escravos na Jamaica e no Brasil. Sinto-me muito próxima de vocês, temos o mesmo sangue.
Como artista, você sente que existe uma pressão para se manter jovem a qualquer custo?
De maneira alguma. É por isso que eu pareço eternamente jovem (solta uma gargalhada). Preocupação apenas envelhece.
Desculpe-me pela indelicadeza, mas há informações distintas sobre sua data de nascimento: seria 1948 ou 1951?
Nunca digo (risos). Acho que isso não importa, nem penso em idade. As pessoas envelhecem quando pensam que estão ficando velhas. Mas eu me sinto como vinho, com mais sabedoria. Sou feliz do jeito que sou. Pareço jovem talvez pelo DNA de minha família. Meu pai chegou aos 86 anos sem nenhuma ruga no rosto. Talvez eu ganhe uma ruga com o passar do tempo. O segredo é não se preocupar, como dizia o Bob Marley (cantando a melodia de “Three little birds”). As pessoas se preocupam tanto com isso que estão ficando deformadas, fazendo todo tipo de coisa em seus rostos e corpos. Algumas chegam inclusive a morrer durante esses procedimentos, como a Joan Rivers. Por que se matar para parecer mais jovem?
Você faria cirurgia plástica?
Não gosto de sofrer, não me submeteria a tanta dor por nada.
Você foi uma das pioneiras da MTV. Em tempos hiperconectados, como unir música e vídeo em torno de algo criativo?
Os jovens artistas se expõem de qualquer maneira no YouTube, sem nenhum tipo de preparação ou orientação. Mesmo os talentosos se perdem em meio a tanta informação. Fica tudo igual, na sarjeta. É muito difícil ser original atualmente.
Você costumava dizer que era uma rebelde. O que faz você se rebelar hoje em dia?
A internet. Ela é nociva, as pessoas simplesmente não conversam mais. Estamos todos imersos na Matrix. A internet te transforma num zumbi.
*Colaborou Silvio Essinger
SERVIÇO
Onde: Cidade das Artes — Av. das Américas 5.300, Barra (33240102).
Quando: Sáb, a partir de 19h (Grace Jones: 1h).
Quanto: De R$ 250 a R$ 400.
Classificação: 16 anos.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO BACK2BLACK 2016
19h: Palestra com Daúde, Lellêzinha (Dream Team do Passinho), Deize Tigrona, Rico Dalasam e MC Linn da Quebrada. Mediação: Monique Evelly.
20h30: Batalha dos Barbeiros.
20h30: Show Baiana System (Brasil).
21h30: Festa Batekoo
22h30: Show Nós por Nós (Brasil), com Daúde, Deize Tigrona, MC Linn da Quebrada, Rico Dalasam, Tássia Reis + Dream Team do Passinho
Meia-noite: Festa Batekoo
01h: Show Grace Jones (Jamaica)
02h30: Festa Batekoo

Kraftwerk é proibido de se apresentar em Buenos Aires por causa de lei anti-música eletrônica

KraftwerkGE270411.jpg

O grupo alemão Kraftwerk pode ter que cancelar seu show em Buenos Aires devido a uma lei que que proibe apresentações de música eletrônica na cidade. A lei passou a valer em setembro como uma resposta governamental à morte de seis pessoas relacionadas ao uso de drogas no festival Time Warp.
Os responsáveis pelo show do grupo alemão já haviam conseguido liberação do governo em julho, no entanto, o órgão responsável decidiu proibir a apresentação, a menos de 15 dias da realização do show, que acontece no dia 23 de novembro no estádio Luna Park e já conta com 70% dos ingressos vendidos.
Em declaração o jornal Clarín, os responsáveis pelo show argumentam que o show do Kraftwerk é completamente diferente da Time Warp.
“Eles usam sintetizadores, mas a proposta é completamente diferente: se trata de um concerto para todas as idades, tem uma hora e meia de duração e só terá refrigerantes à venda”, destacou.
Até o momento, a prefeitura de Buenos Aires não se manifestou sobre a possível realização do evento.