Netflix aumenta preços de assinaturas; Premium chega a R$ 55,90

Plataforma justifica aumentos citando qualidade do serviço e do catálogo
CAIO COLETTI

Os preços das assinaturas da Netflix vão aumentar a partir de hoje (22) no Brasil. O plano Premium, o mais caro da plataforma, vai passar a custar R$ 55,90 mensais, quando antes saía por R$ 45,90.

Confira todos os reajustes:

  • Plano básico (1 tela): R$ 25,90 – preço anterior R$ 21,90;
  • Plano padrão (2 telas, qualidade de vídeo em Full HD): R$ 39,90 – preço anterior R$ 32,90;
  • Plano Premium (4 telas, qualidade de vídeo em Ultra HD, HDR, Dolby Atmos): R$ 55,90 – preço anterior R$ 45,90.

Em comunicado ao site Omelete, a Netflix citou a qualidade do serviço e do catálogo como justifica para o aumento, frisando que os preços não eram reajustados desde 2019.

“Acreditamos que as pessoas tenham mais escolhas do que nunca e estamos comprometidos com a entrega de uma experiência ainda melhor para nossos assinantes. […] Continuaremos oferecendo os melhores conteúdos, entre filmes e séries, além de uma vasta variedade de gêneros. […] Novamente, oferecemos diversos planos, a partir de R$25,90 por mês, para que as pessoas possam escolher um preço dentro de suas necessidades.”

Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate se unem para concorrer com iFood

Parceria foi aprovada nesta quinta-feira, 15, pelo Cade; empresas vão criar e operar uma plataforma de delivery e de retirada de produtos em lojas, mas demais operações continuarão separadas
Lorenna Rodrigues, Fernanda Guimarães e André Jankavski, O Estado de S.Paulo

Rede Giraffas vai se juntar a Outback, Bob’s e Rei do Mate para criar e operar uma plataforma de delivery. Foto: Divulgação

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quinta-feira, 15, sem restrições, uma parceria (joint venture) entre empresas do setor de alimentação como Outback, Giraffas, Bob’s e Rei do Mate para criar e operar uma plataforma de delivery. As empresas pediram autorização preventivamente ao órgão para a união, evitando assim problemas concorrenciais no futuro.

A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 15. A ideia é que a nova ferramenta, chamada de Quiq, permita organizar em um só lugar todos os pedidos de delivery ou retirada no local (take away), reduzindo custos, além de tentar fazer concorrência aos apps de entrega, como o iFoodRappi e Uber Eats. A parceria entre as empresas se restringiria a essas áreas, não atingindo as operações tradicionais de venda presencial.

Em documento enviado em março ao Cade, o grupo de empresas argumenta ao órgão de concorrência que, ao se unir para criar um negócio para concorrer com apps já estabelecidos no mercado, a parceria traria “evidentes efeitos pró-competitivos, por representar a criação de um novo player”.

As companhias explicaram, ainda, que seus negócios continuariam a funcionar “de maneira independente em suas atividades originais”, não gerando efeitos concorrenciais em lojas físicas.

Em documento separado ao órgão que cuida da concorrência no País, foi mencionada a eventual entrada da Domino’s (rede de pizzarias) no acordo, posteriormante à protocolação original. No entanto, a Domino’s anunciou, na semana passada, a união de seus negócios aos do BK Brasil (Burger King), passando a fazer parte deste grupo, com 16% de participação.

Para Sérgio Molinari, consultor de food service, existem pontos positivos para as empresas que estão criando o Quiq, mas também há diversos riscos. O ponto positivo é diminuir as taxas pesadas cobradas pelos aplicativos. 

Restaurantes independentes, segundo Molinari, precisam pagar cerca de 25% do valor do pedido para as plataformas, enquanto os maiores conseguem contratos abaixo de 20%. “Para empresas que têm um tíquete médio mais baixo, pode fazer uma diferença na margem”, afirma.

Porém, hoje o mercado é dominado pelos três grandes aplicativos: iFood, Uber Eats e Rappi. O iFood, estima-se, tem mais de 70% do mercado. Então, abrir mão de estar nessas plataformas, pode causar um grande impacto nas vendas diárias. A saída, na visão do consultor, seria atrair mais grandes marcas para o negócio.

Para completar, a tendência que se vê no mercado é o usuário querendo ter cada vez menos aplicativos em seu celular. Empresas do setor de varejo, por exemplo, já estão criando seus superaplicativos. Nesta quinta, o Magazine Luiza anunciou a compra do site de vendas de eletrônicos e games KaBuM! por R$ 1 bilhão para incrementar ainda mais o seu aplicativo.

Apple cogita comprar o estúdio A24 por US$3 bilhões, diz Variety

O estúdio A24 está considerando uma venda por cerca de US$2,5 a US$3 bilhões, e uma das principais interessadas seria ninguém menos que a Apple. As informações, exclusivas, são da Variety.

O estúdio de filmes independente é o ganhador do Oscar por trás de “Moonlight” e “Uncut Gems”, e já estaria considerando diversos compradores há cerca de 18 meses. Não é certo de que essas discussões ainda estejam ocorrendo, mas a Apple seria uma das principais interessadas.

A relação da Maçã com o A24 não é nova. Em 2018, as duas empresas firmaram um acordo de múltiplos filmes, que gerou títulos como “On the Rocks” para o Apple TV+, assim como os futuros “Macbeth”“Sharper”“O Céu Está em Todo Lugar” e “Bride”.

Já ouvimos rumores, também, de que a Apple estaria interessada em adquirir a Hello Sunshine — produtora da atriz Reese Witherspoon, responsável por “The Morning Show”. Agora, essas informações corroboram o fato de que a Maçã está querendo realizar uma compra grande como essas.

Todavia, pessoas próximas ao estúdio afirmam que a empresa está focada na expansão e não está priorizando ser vendida. Enquanto isso, o A24 tem expandido suas operações para serviços de streaming, com títulos como “Euphoria” (HBO) e “John Mulaney & The Sack Lunch Bunch” (Netflix).

Mesmo que isso sejam apenas rumores, a aquisição do estúdio seria muito bem-vinda, principalmente devido ao grande sucesso do A24 desde a sua fundação em 2012. Obviamente, nenhuma das empresas quis comentar o rumor.

VIA IDOWNLOADBLOG

Apple poderá pagar US$1 bi por produtora de “The Morning Show”

Apple está sempre de olho em possíveis novas aquisições e, de acordo com uma nova reportagem do The Wall Street Journal, a companhia está interessada na Hello Sunshine — uma das produtoras mais prolíficas do Apple TV+.

Jennifer Aniston, CEO da Apple, Tim Cook e Reese Witherspoon

Os títulos produzidos pela Hello Sunshine para a Apple incluem “The Morning Show”“Truth Be Told”“My Kind of Country”“Surface” e “The Last Thing He Told Me”. A empresa também assina produções como “Little Fires Everywhere”, do Hulu, e “Big Little Lies”, da HBO.

Muitos devem não saber, mas a Hello Sunshine foi cofundada e é comandada pela atriz Reese Witherspoon, estrela de “The Morning Show”. Além disso, a ex-esposa de Steve Jobs, Lauren Powell Jobs, é uma das maiores investidoras da companhia.

Segundo as informações, a Hello Sunshine estaria em busca de possíveis compradores nos últimos meses e recebeu interesse de vários pretendentes — entre eles a Apple. De acordo com o WSJ, a empresa pode ser avaliada em até US$1 bilhão.

Ainda não há, entretanto, nenhuma confirmação de que a Hello Sunshine será vendida — nem que a Apple será sua compradora. Nesse sentido, a produtora estaria trabalhando com bancos de investimento para explorar suas opções, inicialmente.

Se a Apple de fato comprar a Hello Sunshine, certamente ela poderá ser incorporada ao grande negócio de produção da companhia e se envolver em ainda mais títulos originais do Apple TV+.

VIA MACRUMORS

Eduardo Saverin ultrapassa Jorge Lemann e se torna brasileiro mais rico do mundo, diz Forbes

Cofundador do Facebook tem fortuna estimada em US$ 19,4 bilhões, enquanto patrimônio de Lemann está estimado em US$ 19 bilhões 

O bilionário Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.  Foto: Edgar Su/Reuters

O brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, ultrapassou o empresário Jorge Paulo Lemann, sócio da AB Inbev e da 3G Capital, no ranking de bilionários da revista Forbes, se tornando o brasileiro mais rico do mundo. Saverin tem uma fortuna estimada em US$ 19,4 bilhões e está listado na 95ª posição no ranking. O patrimônio de Lemann, que agora é o segundo brasileiro mais rico do mundo, está estimado em US$ 19 bilhões na lista, com ele ocupando a 98ª posição. Saverin tem 39 anos, menos da metade da idade de Lemann, que tem 81. 

Eduardo Saverin nasceu em São Paulo, em 1982, mas se mudou para os Estados Unidos no início da década de 1990. Em 2012, ele renunciou à cidadania norte-americana e se tornou residente de Cingapura, onde mora atualmente, tendo ocupado a 4ª posição no ranking da Forbes de pessoas mais ricas do país asiático em 2020. 

Saverin foi colega do presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, na Universidade Harvard. Eles fundaram a rede social em 2004, quando ainda estavam na faculdade, com outros três colegas. Saverin ficou famoso mundialmente por ter acionado o Facebook na Justiça. Depois de um acordo milionário com Mark Zuckerberg, o brasileiro entrou no mercado de investimentos. A maior parte da fortuna de Saverin é proveniente de sua participação na rede social. 

O empresário também lançou, em 2016, o fundo de risco B Capital, ao lado do economista Raj Ganguly. O fundo administrado por Saverin tem como objetivo ser uma ponte entre o mundo corporativo e startups consideradas por ele como “de qualidade”. Entram no radar da B Capital startups em estágio inicial com soluções para serviços financeiros, assistência médica, transporte e bens industriais, entre outros setores.

Após ataques nas redes, Nubank cancela entrevista com Anitta, sua nova conselheira

Para especialistas, marcas têm de estar preparadas para ‘pacote completo’ ao se envolverem com celebridades – incluindo os aspectos negativos
Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

Nubank anunciou nesta semana que Anitta faria parte de seu conselho de administração.  Foto: Nubank

Depois de causar um barulho grande dentro e fora do mundo financeiro, ao anunciar Anitta em seu conselho de administração, nesta semana, o Nubank programava uma rodada de entrevistas à imprensa. A ideia era que explicassem como a diversidade iria além do marketing e dos “memes” das redes sociais. Mas tanto o Nubank quanto Anitta desistiram dos planos e cancelaram as conversas.

Não houve explicações oficiais sobre os motivos desse cancelamento. Porém, no mesmo dia do anúncio de sua ida ao conselho, Anitta foi atacada por bolsonaristas nas redes sociais. Como é de seu costume, se defendeu. No dia seguinte, a polêmica cresceu. A hashtag “Cubank”, que transformava o logotipo do banco e aludia à resposta inicial de Anitta aos seguidores do presidente Jair Bolsonaro, esteve entre os assuntos mais populares no Twitter o dia inteiro.

Seguida por 14 milhões de pessoas nessa rede, Anitta é um ícone de toda uma geração por vários motivos, dizem os especialistas. É um sucesso no mundo todo, mesmo vindo de uma família muito simples, do subúrbio do Rio de Janeiro. Exemplo de superação, meritocracia, solidariedade e empatia, em muitos episódios. Também não tem medo de se posicionar em temas que estão à flor da pele. Entre eles, inclusão social, aceitação da sexualidade e do próprio corpo, independência feminina e, nos últimos tempos, política. 

Ela chegou ao Nubank em um momento de ebulição, logo depois de uma mega capitalização que envolveu o todo-poderoso Warren Buffett, da Berkshire Hathaway. No último dia 8, a fintech atraiu um investimento de US$ 1,15 bilhão, o maior já realizado em uma startup latino-americana. Com isso, a avaliação do Nubank, que é uma empresa de capital fechado, chegou a US$ 30 bilhões. 

Segundo Maurício de Almeida Prado, sócio da consultoria Plano CDE, especializada em pesquisas nessas classes sociais, Anitta sabe criar vínculos com sua geração ao se apresentar como é. Em uma pesquisa recente sobre conservadorismo, os entrevistados da consultoria disseram que não gostavam de “lacração” (pessoas que ascenderam economicamente e agora se portam de forma arrogante) e nem de “mimimi” (a valorização do sofrimento). “Anitta fica no meio disso, em uma situação muito difícil que é não cair em nenhum dos dois extremos”, diz ele. “A identificação é imediata.” 

‘Pacote completo’

Ao chamar Anitta para seu conselho, dizem especialistas, o Nubank queria associar a atributos favoráveis da cantora. O problema é que toda a pessoa vem em forma de “pacote completo”. “Colocar famosos em cargos nas empresas virou uma fórmula pronta, não só no Brasil como no mundo”, diz Rafaella Lotto, sócia da YouPix, agência especializada em influenciadores digitais. Ela cita outros casos: Claudia Leitte com a comunicação dos cosméticos VênusIza como diretora criativa dos tênis OlympikusManu Gavassi como head de conteúdo do gim Tanqueray e a própria Anitta como head de criatividade do Skol Beats.

“Com o bônus, vem o ônus: a Anitta é uma pessoa que gera polêmica e, quando a marca se associa a ela, tem de ter condições de segurar o posicionamento que ela defende”, diz Lotto. Além disso, um conselheiro tem obrigações e responsabilidades legais junto à empresa e aos seus acionistas. “Tendo a achar que a escolha foi mais midiática do que prática: como uma pessoa que vive intensamente uma carreira bem-sucedida de cantora vai se dedicar com a seriedade que um conselho precisa?”, afirma.

Anitta, pessoa política

Como a cantora está sendo remunerada com participação em ações do Nubank, que tem planos de abertura de capital, o cancelamento das entrevistas pode ter sido influenciado por uma eventual intenção de reduzir os danos que as polêmicas políticas causariam. “A presença da Anitta é muito recente na política”, diz Fabio Mariano Borges, professor da ESPM especializado em tendências. “É até surpreendente que ela tenha posturas tão firmes nesse tema.”

Para ele, ao cancelar as entrevistas, o Nubank tentou colocar água fria numa fogueira que não queria ver arder ainda mais, com a polêmica nas redes sociais. Também tem responsabilidade junto a seus diversos públicos – e os ataques de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro não são só retóricos. Assim, para ele, faz sentido a preocupação.

Com tese de doutorado em boicotes digitais a empresas, ele diz que nenhuma das companhias atacadas foi fortemente afetada nessas campanhas de cancelamento digital. Ao contrário: todas as vezes que bancou posicionamentos nos quais acreditava nas redes sociais, se deu bem em termos de valorização de ações e vendas. 

Foi o que aconteceu com o Magazine Luiza e o programa de trainees para pretos e O Boticário e Natura, com a inclusão de homossexuais e pessoas trans em suas campanhas publicitárias. “Se o Nubank estiver bem assessorado em termos de comunicação, acreditar de verdade no que é associado com a Anitta e se mantiver firme, vai se dar muito bem”, afirma.

Procurado, o Nubank não comentou.

Fintech de energia solar, Solfácil recebe aporte de R$ 160 milhões para expandir negócios

Ainda neste ano, startup quer chegar ao agronegócio e lançar plataforma para o mercado como diferencial contra bancões
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Para Fábio Carrara, presidente executivo da Solfácil, diferencial da empresa está no conhecimento sobre o mercado de energia solar
Para Fábio Carrara, presidente executivo da Solfácil, diferencial da empresa está no conhecimento sobre o mercado de energia solar

Em meio a ameaça de crise energética no País, a startup Solfácil, dedicada a financiamentos para a implementação de energia solar em residências e empresas, anuncia nesta quarta-feira, 23, o aporte de R$ 160 milhões para expandir o negócio pelo Brasil. No segundo semestre, o objetivo é lançar uma plataforma para companhias do segmento aperfeiçoarem o relacionamento com clientes e adquirirem materiais de instalação de painéis fotovoltaicos.

A rodada de investimento, do tipo série B, foi liderada pela gestora americana QED Investors, fundo dedicado a startups de finanças (fintechs) e com diversas gigantes brasileiras no currículo, como Nubank e Loft. Também participou a Valor Capital Group, responsável por liderar a série A em 2020, de R$ 21 milhões. Devido ao crescimento de mais de 20 vezes no ano passado, a startup diz que precisou buscar mais dinheiro para continuar a expansão do negócio.

Fundada em 2018, a Solfácil faz a análise de crédito do cliente e seleciona parceiros para executarem o projeto na casa dos consumidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. O limite do empréstimo é de R$ 200 mil para pessoas físicas e R$ 500 mil para empresas, com prazo máximo de até 120 meses para pagamento,  carência de 6 meses até a primeira parcela e taxa de juros efetiva de 1,3%.

O diferencial da empresa, no entanto, não é apenas analisar o score dos indivíduos, coisa que bancos tradicionais e outras startups já fazem, como Banco do BrasilBV e a também fintech Mutual. Especializada no nicho de energia fotovoltaica, a Solfácil desenha um projeto que entrega maior e melhor eficiência energética, analisando quantidade de placas, pontos de incidência solar, sombreamento e posicionamento no telhado dos clientes. Além disso, a startup monitora se as instalações estão dentro do que era planejado e emite alertas para os instaladores realizarem correções.

“A análise de crédito tradicional é uma receita de bolo que já foi dominada pelos bancos, que têm muito mais informações por conta dos seus clientes. Mas nós somos os especialistas em energia solar e isso nos traz conhecimento do mercado”, explica ao Estadão o presidente executivo da startup, Fábio Carrara, acrescentando que a taxa de inadimplência da startup é menor que 1%.

Para Gilberto Sarfati, professor de inovação da Fundação Getúlio Vargas, a especialização pode ser vantajosa para que a startup vete projetos que não tragam muito benefício para o cliente, tornando o negócio mais resiliente a calotes, a principal dor de qualquer fintech. “Avaliar a viabilidade financeira de um projeto é algo bastante positivo”, afirma.

Poder solar

A Solfácil planeja crescer em um país “abençoado por Deus”, como diz a canção de Jorge Ben Jor. Por aqui, a incidência solar é muito acima da que é observada na Europa, por exemplo, onde países como a Alemanha são líderes apesar do clima menos vantajoso que o nosso. No entanto, há no Brasil pouca adesão a esse tipo de energia devido ao alto custo da importação de painéis solares e outros componentes. Isso ocorre mesmo com o retorno financeiro acontecendo de 4 a 6 anos graças à economia na conta de luz, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Por causa da alta incidência solar e do menor número de opções alternativas de financiamento na região, a maior parte dos clientes da Solfácil está no Nordeste. No total, a companhia tem 10 mil clientes financiados e mira a meta de 100 mil até o final de 2022, quando planeja atingir o volume de R$ 2,5 bilhões financiados — o número hoje está em R$ 60 milhões.

Para isso, a empresa quer se tornar também um ponto de parada para os integradores de painéis fotovoltaicos, e não só oferecer linhas de crédito apetitosas. “Somos uma fintech porque queremos solucionar o principal problema do setor, mas nos vemos mais como uma plataforma de soluções solares”, afirma Carra.

A “plataformização” parece ser o caminho. A Solfácil quer que instaladores usem a plataforma para buscar novos clientes e construir relacionamento com consumidores. Além disso, pretende criar um marketplace com fornecedores aprovados pela startup, dando um selo de qualidade aos materiais. O plano é colocar no ar essa plataforma já no próximo semestre. “Nosso diferencial competitivo fica muito maior e o crédito continua como commodity”, afirma.

Mark Zuckerberg fica de fora da lista dos 100 melhores CEOs dos EUA pela primeira vez

O ranking é elaborado pelo site de empregos Glassdoor e se baseia no índice de satisfação dos funcionários de cada empresa

Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook

Pela primeira vez desde 2013, o presidente executivo do FacebookMark Zuckerberg, ficou de fora da lista dos 100 melhores CEOs dos Estados Unidos. O ranking é elaborado pelo site de empregos Glassdoor e se baseia no índice de satisfação dos funcionários de cada empresa.

De acordo com a pesquisa, a aprovação de Zuckerberg caiu de 94% em 2019 para 88% neste ano – em 2020 o ranking foi interrompido por conta da pandemia. O desempenho ainda deixa Zuckerberg acima da média estabelecida pela lista (73%), mas não foi suficiente para colocá-lo entre os 100 melhores. 

O executivo que aparece no topo da lista é Rich Lesser, diretor do Boston Consulting Group, consultoria americana de gestão global – ele tem aprovação de 99% dos funcionários. Satya Nadella, da Microsoft, e Tim Cook, da Apple, ficaram com a 6ª e 32ª posição, respectivamente.

Para a análise, o Glassdoor oferece aos funcionários três opções simples para classificar os CEOs: aprovo, desaprovo ou “não tenho opinião”. 

O ranking começou a ser realizado em 2013. Desde então, presidente executivo do Facebook sempre esteve presente na lista – no primeiro ano, inclusive, foi eleito o melhor CEO, com 99% de aprovação.

The Economist: Uma nova era de bonança está chegando com a diminuição dos lockdowns

A rápida implantação de modelos de novos negócios pode ter lembrado executivos de que vale a pena investir; gigantes da tecnologia, como Apple e Samsung, já ampliam seus horizontes
The Economist

Apple
Apple e outras empresas de tecnologia ampliam investimentos Foto: Yara Nardi/ Reuters

À medida que os lockdowns diminuem no mundo rico, as pessoas começam a sair e gastar. Os restaurantes da Austrália estão lotados há meses. Os shoppings dos EUA estão cheios de gente esbanjando cheques de estímulo. Os cinemas da Grã-Bretanha voltaram a encher. Mas, nos bastidores, está só começando uma outra bonança de gastos potencialmente mais significativa.

As empresas estão começando a investir números altos. Nos EUA, os investimentos em bens de capital (“capex”) das empresas vêm aumentando a uma taxa anual de 15%, tanto em coisas pesadas, como máquinas e fábricas, quanto em bens intangíveis, como softwares. Empresas de outras partes do mundo também estão aumentando os gastos. Analistas do banco Morgan Stanley preveem um “ciclo de capex intenso”. O investimento global, avaliam, ficará 21% dos níveis anteriores à recessão até o fim de 2022. A consultoria Oxford Economics e a IHS Markit corroboram essa visão.

O otimismo marca uma grande mudança em relação à norma pré-pandemia. Nos EUA, o investimento interno bruto das empresas como parcela do PIB estava baixo desde o início dos anos 1980. Depois da crise financeira de 2007-09, foram necessários mais de dois anos para que o investimento global recuperasse o pico anterior. Em contraste, embora tenha caído mais abruptamente no início da pandemia, o investimento desta vez se recuperou mais rápido. A perspectiva de explosão do capex oferece a promessa de que a economia global não enfrentará uma reedição da década de 2010, quando o crescimento da produtividade e do PIB permaneceu teimosamente abaixo das tendências anteriores à crise. Mas será que esse otimismo vai durar?

Para entender por que os analistas estão tão otimistas, pensemos nas empresas presentes no S&P 500, o principal índice de ações dos EUA. Juntas, elas respondem por cerca de US$ 1 a cada US$ 7 do total de capital corporativo do mundo rico. Em um relatório recente, o Bank of America analisa as divulgações de lucros dessas empresas desde 2006 e conclui que os executivos estão mais otimistas com o capex. A The Economist analisou as 25 maiores empresas não financeiras do S&P 500 e descobriu que as expectativas dos analistas para o investimento em 2021 aumentaram 10% no ano passado.

Por enquanto, a recuperação do investimento está concentrada em alguns setores. Empresas globais de tecnologia devem aumentar o capex em 42% este ano, em relação a 2019. A Apple vai investir US$ 430 bilhões nos EUA em cinco anos. A TSMC, de Taiwan, a maior fabricante mundial de semicondutores, anunciou recentemente que investirá US$ 100 bilhões em fabricação nos próximos três anos. Os analistas avaliam que o capex da Samsung aumentará 13% este ano, depois de subir 45% em 2020.

As empresas de tecnologia estão gastando assim tão livremente em parte porque a pandemia criou novas demandas. Mais compras estão ocorrendo on-line. O trabalho remoto está aumentando. E novos equipamentos e softwares são necessários para que tudo isso funcione sem problemas. Pesquisa recente de Nicholas Bloom, da Universidade de Stanford, e Steven Davis e Yulia Zhestkova, da Universidade de Chicago, descobriu um grande aumento no número de pedidos de patente para tecnologias de trabalho em casa. O banco UBS avalia que as remessas de computadores para uso comercial aumentarão quase 10% neste ano.

Mas o entusiasmo não resume à tecnologia. No primeiro trimestre, as empresas do S&P 500 de varejo aumentaram o capex em 36% em relação ao ano anterior. Empresas como Target e Walmart estão tentando acompanhar os gigantes online. A Marks & Spencer, respeitada varejista britânica, anunciou recentemente que havia lançado 46 novos sites em mercados como Islândia e Usbequistão. Outros varejistas investem freneticamente para expandir a capacidade, pegos de surpresa pelo aumento nos gastos das famílias. Está faltando tudo, de sofás a banheiras de hidromassagem. 

Maersk, uma empresa de transporte marítimo, disse recentemente que compraria mais contêineres para diminuir os gargalos. A carteira global de encomendas de gigantescos navios subiu de 9% da frota existente em outubro para mais de 15% em abril.

Cautela

A grande questão é se esse boom de investimentos pressagia uma mudança ampla e duradoura em relação à fraca década de 2010. Nem todo mundo está impulsionando o capex: a análise da The Economist sugere que não se espera que cerca de metade das empresas do S&P 500 invista mais em 2021 do que em 2019. As empresas globais de petróleo e gás estão reduzindo um décimo em relação aos níveis pré-pandêmicos. As companhias aéreas também estão cortando os gastos. Muitos executivos, entre eles os de empresas de matérias-primas e bens industriais, continuam pregando a disciplina. 

Outra preocupação é a tendência de maior consolidação. Estudo do FMI sugere que empresas com mais poder de mercado podem estar menos interessadas em investir. Nos cinco anos anteriores à pandemia, por exemplo, o investimento empresarial americano em hotéis foi pouco maior do que nos cinco anos anteriores à crise financeira, embora a demanda estivesse muito maior.

Contrariando esse quadro, porém, as condições econômicas de hoje podem convencer as empresas relutantes a abrir a carteira. Em contraste com o período pós-crise financeira, as famílias têm muitas economias para gastar. Desta vez, uma resposta fiscal e monetária mais decisiva também permitiu que as empresas acumulassem caixa. A emissão de títulos por empresas americanas com classificação de investimento saltou para um recorde de US$ 1,7 trilhão em 2020, ante US$ 1,1 trilhão em 2019, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

Além disso, a realocação econômica provocada pela covid-19 e suas implicações serão sentidas por algum tempo. Os gerentes de certas indústrias, especialmente de semicondutores, já admitem que entraram na pandemia com pouquíssima capacidade ociosa e estão prometendo projetos plurianuais para compensar. E o mais importante, talvez: a rápida implantação de modelos de negócios inteiramente novos pode ter lembrado os executivos de que vale a pena investir. E o boom de investimentos pode estar só começando. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU