Samsung planeja investir US$ 116 bi em chips para desafiar rivais

Empresa quer reduzir sua dependência de chips de memória e produzir semicondutores para áreas como carros autônomos e inteligência artificial
Por Agências – O Estado de S. Paulo

A Samsung planeja investir US$ 116 bilhões em chips não destinados à memória até 2030. A estratégia da empresa é reduzir sua dependência do mercado de chips de memória, uma de suas divisões mais importantes, bem como desenvolver chips para acionar carros autônomos e dispositivos para inteligência artificial.

“O plano de investimento deve ajudar a empresa a alcançar a meta de se tornar líder mundial, não só em semicondutores de memória, mas também em chips lógicos até 2030”, disse a Samsung.

O plano enfatiza a ambição da empresa sul-coreana para desafiar as rivais – TSMC na fabricação de chips e Qualcomm em chips de processamento móvel – enquanto os contratos no mercado de chips de memória caem acentuadamente depois de anos de uma expansão sem precedentes.

Os fabricantes globais de semicondutores estão numa corrida para produzir chips poderosos para suportar novas tecnologias, como redes 5G, carros conectados e inteligência artificial (IA). É ainda um mercado que está em movimento de forte consolidação: em março, a fornecedora de chips Nvidia concordou em comprar a designer de chips israelense Mellanox por US$ 6,8 bilhões de dólares, batendo a rival Intel. A compra ajudará a empresa a impulsionar seu centro de dados e empresas de IA.

O agressivo plano de investimentos em semicondutores surge no momento em que o negócio de smartphones da Samsung, já o maior gerador de lucros, se esforça para retomar o crescimento. A maior fabricante de smartphones do mundo decidiu nesta semana adiar o lançamento de seu muito esperado telefone dobrável, após jornalistas relatarem problemas com a tela.

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Snap volta a crescer e anima acionistas com resultados do 1ºTri

Dona do Snapchat disse que aplicativo agora tem 190 milhões de usuários, quantidade maior que a estimada por analistas
Por Agências – Reuters

As ações da empresa dona do Snapchat mais que dobraram em valor neste ano

Snap finalmente voltou a ter novos usuários. A startup anunciou nesta terça-feira, 23, que a empresa o número de usuários ativos diariamente no aplicativo subiu para 190 milhões no primeiro trimestre do ano, superando as expectativas dos analistas. A novidade impactou em cheio nas ações, que eram negociadas em alta no pós-mercado.

Especialistas de Wall Street estimavam que a rede social apresentaria 187,2 milhões de usuários. Apesar de superar as expectativas, a Snap teve um desempenho pior que o ano passado, quando tinha 191 milhões de usuários diários ativos.

O bom desempenho é uma resposta aos 50 novas funcionalidades lançados pela Snap no ano passado. Entre as novidades da startup, há a reconstrução do aplicativo da rede social para usuários de Android, que sofria de falhas e tinha uma experiência pior que os usuários de iPhone.

A receita da Snap saltou 39% para US$ 320,4 milhões e superou a estimativa média de analistas que previa US$ 306,6 milhões. O crescimento foi ajudado em parte por novos formatos de anúncios, como publicidade ininterrupta em seus programas originais, que estão hospedados na página “Descobrir”, um painel no aplicativo que contém conteúdo do editor junto com o conteúdo do influenciador.

O foco da Snap na privacidade e na comunicação entre amigos também foi um trunfo da empresa. A estratégia ajudou a evitar problemas com desinformação e disseminação de conteúdo desagradável, que atormentaram os rivais Facebook e o YouTube.

Já o prejuízo líquido da empresa diminuiu para US$ 310,4 milhões ou US$ 0,33 por ação, ante US$ 385,8 milhões ou US$ 0,30 por ação, registrado um ano antes.

Futuro. Para o segundo trimestre, Snap disse que espera receita entre US$ 335 milhões e US$ 360 milhões. Isso se compara à estimativa média de analistas para receita de US $ 348,5 milhões.

As ações da empresa mais que dobraram em valor neste ano, impulsionado por novidades. No início deste mês, a Snap lançou uma plataforma de jogos dentro de seu aplicativo Snapchat, com jogos originais e de terceiros, como o Tiny Royale da Zynga Inc.

Na noite desta terça-feira, as ações da companhia eram negociadas com alta de 2,34%.

Wall Street tem lição a ensinar no combate às notícias falsas

Os bancos conhecem o perfil de seus clientes. Por que o Facebook não faz o mesmo?
Andrew Ross Sorkin, The New York Times

As plataformas de redes sociais como o Facebook, comandado por Mark Zuckerberg, podem fazer mais para reduzir a difusão de discursos de ódio na internet. Foto: Jim Watson/Agence France-Presse – Getty Images

Há exatamente um ano, o diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, depôs perante o congresso americano e se desculpou pelo papel desempenhado pela sua empresa na “difusão de notícias falsas, discurso de ódio e campanhas de interferência estrangeira nas eleições”. Ainda que seja insuficiente para resolver todos os problemas das grandes empresas de tecnologia, uma regra simples que sustenta o sistema bancário poderia melhorar muito a credibilidade das redes sociais.

Trata-se da ideia de “conhecer o cliente”, que não é nenhum mistério: levando em consideração as preocupações envolvendo privacidade, segurança e fraude, nenhum banco pode receber novos clientes sem verificar sua existência e analisar seu perfil. E se as empresas responsáveis pelas redes sociais agissem da mesma forma?

A ideia de aplicar uma regra desse tipo às redes sociais já foi sugerida antes, mas não encontrou muitos adeptos. Este pode ser o momento certo. Pensemos no seguinte: o Facebook disse ter fechado mais de 1,5 bilhão de contas falsas entre abril e setembro do ano passado. Primeiro, é necessário reconhecer as considerações práticas. A verificação do perfil do vasto universo de usuários das redes sociais seria uma tarefa hercúlea. Sozinho, o Facebook tem uma base de aproximadamente 2,3 bilhões de usuários.

Mas ao menos Facebook e Twitter reconhecem a importância da verificação, ao menos enquanto ideia: ambos oferecem distintivos azuis para confirmar a autenticidade de uma pequena porcentagem dos usuários, como as celebridades. E há também preocupações legítimas com o quanto os sites de redes sociais já sabem a respeito de seus usuários. Alguém deseja que saibam ainda mais? O que essas empresas fariam para proteger melhor as informações pessoais, tendo em vista seu fracasso no passado?

Se o processo de verificação pessoal dos usuários fosse expandido, o volume de notícias falsas e discursos de ódio poluindo as plataformas de redes sociais diminuiria muito. E as empresas não poderiam ignorar os casos restantes. Uma versão modificada daquilo que ocorre na indústria de serviços financeiros é uma possibilidade de funcionamento para esse processo de verificação aprofundado.

Ao abrir uma conta no banco, o cliente costuma apresentar informações pessoais, que são verificadas pela gerência para garantir sua veracidade. A verificação também é usada para determinar se a pessoa tem antecedentes criminais. Processos como esse ajudam a proteger os bancos.

Há um precedente para a adoção de um regime semelhante para as redes sociais. A rede social NextDoor, que ajuda as pessoas a se comunicarem com suas comunidades locais, requer que os usuários interessados enviem suas informações de cartão de crédito ou telefone celular, usadas pelo site em uma verificação cruzada. Quando a pessoa não tem alguma das duas coisas, a empresa envia um cartão postal para o endereço do interessado com um código que pode ser usado online.

Relatos indicam que a NextDoor tem dezenas de milhões de usuários, muito menos do que os bilhões encontrados em outras redes sociais. Se a introdução de um sistema universal em tamanha escala for demasiadamente desafiadora, um teste nos Estados Unidos e Canadá pode ser um bom começo. Mas a necessidade de uma regra do tipo “conheça o cliente” pode se tornar mais urgente conforme as redes sociais evoluem para se tornar serviços de mensagens particulares totalmente criptografadas, como os planos anunciados por Zuckerberg para o Facebook.

Trata-se de uma meta louvável, mas, se os usuários forem falsos, ou se não for possível responsabilizá-los pelo conteúdo que divulgam, a facilidade inata da divulgação de informações falsas em redes criptografadas pode trazer implicações ainda mais preocupantes. A não ser, é claro, que tenhamos um mecanismo viável de verificação das identidades individuais – possibilitando assim que as redes sociais conheçam seus clientes. Não parece nada além de bom senso. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Gigante inglesa SSP abrirá 18 lojas de alimentação em aeroportos brasileiros

Grupo inicia operações no País ainda este mês com a inauguração do primeiro de seis restaurantes e lojas no Galeão (RJ); outras seis unidades serão abertas em maio em Guarulhos (SP) e mais seis estão sendo planejadas para Salvador (BA)

Comida. No aeroporto de Guarulhos, indicações de abertura em breve de lojas da SSP Foto: Gabriela Biló/Estadão

A multinacional inglesa SSP, uma das maiores operadoras de restaurantes e lojas de alimentação nos aeroportos e nas estações de trem do mundo todo, está desembarcando no Brasil nos aeroportos internacionais de Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Salvador (BA). O Estado apurou que até o final deste mês será inaugurado o primeiro de seis restaurantes e lojas voltadas para o segmento de alimentação no aeroporto do Galeão (RJ). As demais serão abertas até meados do ano. No aeroporto de Guarulhos (SP) estão previstas seis lojas que devem começar a funcionar até o fim de maio.

Entre as oito marcas internacionais previstas para os dois aeroportos estão a cafeteria Ritazza; o restaurante contemporâneo Factory Bar & Kitchen; as padarias Upper Crust e Jamie’s Deli, do chef Jamie Oliver; a italiana Barzetti; a mexicana Mi Casa Burritos; a marca de cachorro-quente Monty’s Dogs & Cones; e a Camden Food, que serve refeições rápidas.

Quem circula atualmente pelo aeroporto de Guarulhos já pode ver indicações nos tapumes de que as marcas Factory e Jamie’s Deli estarão funcionando “em breve”.

Em novembro, a empresa presente em 33 países – com quase 40 mil empregados e faturamento no ano passado de 2,5 bilhões de libras (cerca de R$ 12 bilhões) –, anunciou em comunicado que entraria na América do Sul nos aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). De acordo com o comunicado, a companhia fez uma joint venture com a Duty Free Americas e assinou contratos de nove anos com os dois aeroportos.

Marcas locais. Além de Guarulhos e Galeão, o Estado apurou que estão sendo planejadas seis lojas no aeroporto internacional de Salvador (BA), onde serão desenvolvidas marcas locais com um toque brasileiro. Em seu site, a empresa destaca que a prática é comum atuar com marcas com características locais para tornar os restaurantes dos aeroportos mais aconchegantes.

Nos cálculos de especialistas, o investimento em 18 lojas previstas para os três aeroportos brasileiros somaria entre R$ 35 milhões e R$ 45 milhões. Um desembolso significativo num momento em que a economia brasileira patina, muitos empresários nacionais adiam projetos e os aeroportos operam abaixo do potencial.

No ano passado, 63,3 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos de Guarulhos e Galeão, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). 

Perspectiva

“Eles estão plantando em terreno fértil”, afirma Cristina Souza, diretora executiva da GS&Libbra, empresa especializada em food service do Grupo GS&Gouvêa de Souza. Apesar da lenta recuperação da economia, ela enfatiza que o brasileiro continua viajando de avião e usando serviços de alimentação nos aeroportos.

Na opinião da consultora, o movimento recente da International Meal Company (IMC), outra gigante do setor de food service – dona de marcas como Viena e Frango Assado e de restaurantes em rodovias do Estado de São Paulo – de iniciar entendimentos para a entrada do Grupo Sforza, do empresário Carlos Wizard, na companhia faz todo sentido.

Segundo Cristina, a IMC precisa de um parceiro para acelerar o crescimento de seus negócios provavelmente porque está pressionada pela chegada de um concorrente de peso.

Procurada, a IMC informou, por meio de nota, que não comenta a chegada da SSP nos aeroportos brasileiros. A assessoria de comunicação da SSP também não deu mais detalhes sobre os investimentos do grupo no País e limitou-se a reafirmar as informações divulgadas no comunicado.

O escritório especializado em arquitetura de varejo responsável pela implantação dos projetos das lojas, o Estúdio Jacarandá, também informou, em nota, que “por questões de confidencialidade não comenta trabalhos em andamento”.
Marcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

Os hotéis contra o Airbnb

Não é forçando regras antigas sobre novos negócios que resolveremos qualquer coisa
Por Pedro Doria – O Estado de S. Paulo

Designer, Brian Chesky fundou o Airbnb em 2008

O processo é bem mais discreto do que foi com o Uber. Mas começa a circular em Câmaras Municipais Brasil afora a ideia de regular serviços de aluguéis curtos tipo Airbnb. Há dois incentivos para a ofensiva. Um é dos hotéis, que como qualquer outra indústria tradicional se esforça para conter a concorrência que vem da disrupção digital. O outro é das prefeituras. Com caixa baixo, veem em cada hospedagem a possibilidade de fazer um dinheiro. O epicentro deste experimento é a mais importante cidade para o Airbnb no país: o Rio de Janeiro.

O Rio, aliás, não é importante só no Brasil. É uma das cidades mais populares do mundo na plataforma. Durante o Carnaval deste ano, chegou a terceira no ranking mundial em hospedagens simultâneas.

E é no Rio que tramita um projeto de lei que pretende transformar o negócio em hotelaria. Cada hóspede terá de preencher uma ficha, as casas particulares abertas na plataforma sofrerão inspeções e, claro, será preciso pagar ISS.

O projeto carioca não caiu do céu. Inspirou-se noutro, já tornado lei, da pequena Caldas Novas, em Goiás. Lá, uma região de águas termais, o argumento é de que seria concorrência desleal. O problema é que concorrência desleal tem definição legal: é preciso que a disputa por clientes seja dada de forma desonesta, quebrando a lei. O produto falsificado, por exemplo, ou a marca cujo nome lembre uma mais conhecida. Não é o caso.

O negócio da Airbnb criou problemas em várias capitais europeias. Tantos são os apartamentos reservados para a plataforma que o número de imóveis destinados a moradia diminuiu — e o aluguel aumentou. Em cima disso, os parlamentos decidiram regular, impondo limites.

Mas, no Brasil, este problema não existe. O valor do aluguel já está com viés de baixa, dada a recessão que o país enfrentou. Isto é mais verdade ainda no Rio, epicentro da crise moral e econômica, afetado pela corrupção tanto no negócio do petróleo quanto em seus próprios governos. E, mesmo no caso dos hotéis, não está claro que as plataformas de locação sejam de todo prejudiciais. Houve, sim, uma queda de 2015 para cá. Foi nacional, tem a ver com a crise. No Rio, foi mais grave. Mas o Rio também teve vários hotéis novos inaugurados, ampliando a oferta no entusiasmo dos Jogos Olímpicos onde não havia demanda. Segundo números do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, já há uma recuperação em curso e 2019 pode ser melhor do que 2014. Até em terras cariocas os números estão melhorando.

A questão fundamental, no entanto, é outra. Há um detalhe que difere o Brasil de outros países: a Lei do Inquilinato. Ela prevê regras para o aluguel por temporada, aquele que não passa de 90 dias. Se quem aluga não oferece limpeza diária do imóvel, café da manhã, ou outros serviços típicos de hotel, é difícil argumentar — do ponto de vista legal — que o negócio seja o mesmo. E a legislação já prevê como funciona a tributação no caso. O dono do imóvel alugado paga imposto de renda. Não ISS.

Há uma profunda transformação da economia no mundo. Existe, sim, impacto econômico causado pela entrada do digital. A indústria fonográfica foi afetada. A do cinema luta para concorrer com a Netflix. Todo o jornalismo está em busca de um novo modelo. Táxis ganharam Ubers. As lojas de departamento ganharam a Amazon. A indústria automobilística já está brigando com o Vale do Silício para saber quem sobreviverá no tempo dos veículos autônomos. E isto porque a impressão 3D não mexeu, ainda, com tudo quanto é fábrica que faz objetos.

Não é forçando as regras antigas sobre os novos negócios que resolveremos qualquer coisa. Até porque, quanto mais turistas recebe uma cidade, melhor para o todo da economia.

Rede social Pinterest estreia na bolsa com alta de 28%

Bons resultados da empresa em abertura de capital mostram apetite do mercado por startups de tecnologia; serviço de chamadas de vídeo Zoom também chegou à bolsa
Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

Pinterest: avaliação de US$ 16 bi na bolsa

As ações da rede social de compartilhamento de fotos Pinterest subiram 28,5% ontem, na estreia da empresa na bolsa de valores de Nova York. Cotados no começo do dia a US$ 19, os papeis da startup encerraram o pregão vendidos a US$ 24,40 – a valorização fez a empresa ser avaliada em US$ 16 bilhões. Além disso, o serviço de chamadas de vídeo Zoom também abriu seu capital, em valorização de 72% (leia mais no box).

Os bons números das duas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) mostram o apetite de Wall Street por aberturas de capital de tecnologia em 2019. “Quando se vê uma alta expressiva assim, há um indicador claro que a empresa gera interesse no mercado logo no início”, disse Chris Larkin, vice-presidente da consultoria E*Trade Financial Corp, à agência de notícias Reuters. 

No caso do Pinterest, a expectativa é de que a empresa – a primeira rede social a abrir capital desde o Snapchat, em 2017 – seja capaz de ter uma investida a longo prazo no mercado, dada sua capacidade de crescer em receita e em número de usuários. “Há muitas empresas que se atrapalham ao focar no curto prazo e nas notícias que saem na imprensa, mas estamos focados em construir a melhor versão possível do Pinterest nos próximos anos”, disse Todd Morgenfield, diretor financeiro da empresa, em nota. 

No final de março, o Pinterest tinha 291 milhões de contas ativas – alta de 22% contra o mesmo período do ano anterior. Fundada em 2010 por Ben Sillberman, Evan Sharp e Paul Sciarra, a empresa permite que usuários procurem por imagens de tópicos como decoração, moda ou viagens – com os resultados, chamados de pins (alfinetes) é possível criar “paineis de inspiração”. Para faturar, o Pinterest permite que anunciantes sugiram “alfinetes” para os usuários com seus produtos. 

Além de Pinterest e Zoom, o maior rival do Uber nos EUA, o Lyft, também entrou na bolsa em 2019, embora tenha apresentado resultados decepcionantes até aqui, com as ações operando 20% abaixo do preço do IPO. Até o final do ano, ainda há a expectativa da chegada do Uber, do aplicativo de comunicação corporativa Slack e também do Airbnb, outro representante da economia compartilhada. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Pinterest abre capital e aumenta a lista de unicórnios na bolsa

Rede social de busca e compartilhamento de fotos é avaliada em 12,7 bilhões de dólares na sua estreia na bolsa de Nova York

Pinterest: companhia levanta cerca de 1,6 bilhão em seu IPO após precificar suas ações a 19 dólares cada (Brendan McDermid/File Photo/Reuters)

O momento é otimista para as startups do Vale do Silício. Nesta quinta-feira (17), a rede social de compartilhamento de imagens Pinterest começa a vender suas ações na bolsa de Nova York a 19 dólares cada, superando a meta inicial de precificação entre 15 e 17 dólares.

Semanas atrás, a companhia havia diminuído sua expectativa de valuation na sua estreia no mercado de ações, mas surpreendeu e atingiu a marca de 12,7 bilhões de dólares, o que indica que há uma demanda dos investidores por esse tipo de empresa.

Por temer ter sido avaliada de maneira superestimada, ao apresentar os papéis de entrada da abertura de capital, o Pinterest queria uma avaliação de mercado de 11,3 bilhões de dólares, menor que a obtida dois anos antes, de 12,35 bilhões. Com a demanda maior na abertura, a rede social acabou elevando o preço das ações e conseguiu levantar um total de de 1,6 bilhão de dólares. A partir desta quinta, seus papéis estão na bolsa de Nova York sob o símbolo “PINS”.

Especula-se que a postura cautelosa da rede social de imagens tenha sido por causa do IPO da Lyft, serviço de transporte por aplicativo concorrente da Uber na América do Norte. No dia 28 de março, a Lyft abriu capital com valuation de 24,3 bilhões, mas desde então suas ações já caíram de 78,3 dólares para 59,5.

Assim como Lyft e Uber, o Pinterest perde dinheiro, mas tem cerca de 630 milhões de dólares em caixa. Entre 2017 e 2018, por meio da venda de anúncios, a rede social aumentou sua receita em 60% e fechou o ano passado com faturamento de 756 milhões de dólares e prejuízo de 63 milhões de dólares. Ainda assim, é muito menos do que as perdas estratosféricas de outras startups com planos de ir à bolsa.

Essa proposta de crescimento consciente permeia a cultura da companhia. Criado em 2011 por Ben Silbermann, o Pinterest foca em anunciantes de pequeno e médio porte e se prepara para vender seus anúncios além dos países que falam inglês. Os administradores também estão investindo no desenvolvimento de conteúdo local e organizam um novo plano de marketing para enfatizar os benefícios de se apostar na rede social.

Em seus papéis para o IPO, a empresa ressaltou que seus propósitos são atender as demandas pessoais dos seus 250 milhões de usuários mensais, que utilizam a ferramenta para planejar projetos arquitetônicos, refeições e eventos pessoais. Para provar o sucesso de sua estratégia, a rede social só terá que conseguir manter seu valor dentro do mercado de ações. [Exane]