Samsung vai abrir três lojas focadas em experiências nos EUA

Fabricante anunciou abertura de lojas em Los Angeles, Nova York e Houston no mesmo dia de lançamento de Galaxy S10, quarta-feira, 20

Lojas da Samsung terão característica semelhante as da Apple

A Samsung está abrindo três lojas nos Estados Unidos dias antes do lançamento do Samsung Galaxy S10, segundo notou o site americano Engadget. As novas lojas de experiência da fabricante serão locadas em Los Angeles, Nova York e Houston e além de vender aparelhos, vai oferecer serviços de reparos.

De acordo com a fabricante, as novas lojas serão lançadas em resposta a uma demanda de consumidores que pediam uma melhor experiência dos produtos. Isso pode ser especialmente importante para a companhia que pretende lançar um modelo de celular de tela dobrável, que deve fazer uma nova aparição durante o lançamento do Galaxy S10 no evento de quarta-feira, 20, na próxima semana.

Além de ajeitar os aparelhos, as novas lojas devem ter experiências diferenciadas como uma área para jogos de 4K e para os óculos de realidade virtual da companhia. A loja deve vender também smartphones, vestíveis, tablets, TVs e aparelhos de smart home.

Com as novidades, a fabricante coreana dá indícios de que vai adotar ao estilo de lojas da concorrente americana Apple. Até o momento, a Samsung tem apostado em vender principalmente seus produtos no varejo e lançar lojas temporárias focando na venda do produto recém-lançado.

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Perto de abrir capital, Uber tem prejuízo de US$ 1,8 bilhão em 2018

Empresa ainda precisa mostrar a investidores que é capaz de gerar dinheiro se quiser se bem sucedida no mercado
Por Agências – Reuters

Dara Khosrowshahi, presidente executivo do Uber, tirou empresa do caos e quer levá-la à Bolsa

O Uber registrou prejuízo de US$ 1,8 bilhão em 2018, o primeiro ano fiscal em que foi totalmente comandado pelo iraniano Dara Khosrowshahi. Apesar da redução nas perdas – em 2017, a empresa perdeu US$ 2,2 bilhões –, a empresa ainda segue aquém de demonstrar que pode ser lucrativa, um desafio que precisa ser cumprido em breve, uma vez que a startup, avaliada em US$ 72,5 bilhões, pretende abrir seu capital na bolsa de valores este ano. 

Nesta sexta-feira, 15, a empresa divulgou seus números financeiros para o ano passado – apesar de ser uma empresa de capital fechado, sem obrigação de fazer isso, o Uber tem revelado seus números nos últimos trimestres como forma de ganhar a confiança do mercado. Ao todo, a receita da empresa no ano passado foi de US$ 11,3 bilhões – crescimento de 43%. É um faturamento recorde, mas o ritmo de crescimento da startup tem se reduzido: em 2017, a receita do Uber subiu 61%, na comparação com a temporada anterior. 

Ao longo de 2018, a empresa girou US$ 50 bilhões, entre corridas e entregas de comida por meio de seu serviço de delivery, o Uber Eats – nesse índice, a empresa cresceu 45%, na comparação ano a ano. São números considerados importantes pelo mercado para mostrar a trajetória da empresa, especialmente na tarefa futura de convencer investidores a apostar da empresa. 

Corrida. Em dezembro, o Uber preencheu o pedido para fazer sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), prevista para o segundo trimestre deste ano. A empresa está numa corrida com a rival Lyft para ser a primeira empresa do setor de aplicativos de transporte a fazer seu IPO nos Estados Unidos.

É uma meta de Khosrowshahi desde que assumiu a companhia, no final de 2017: de lá para cá, ele vendeu operações deficitárias em mercados como Sudeste Asiático e Rússia e contratou executivos-chave, como um diretor financeiro e um diretor de operações. Ele também investiu na expansão do Uber para outros setores, como bicicletas e patinetes elétricos, carros autônomos e carros voadores, tentando transformar o aplicativo da empresa em uma solução geral para qualquer tipo de transporte que o usuário precisar. 

Para ser bem-sucedida em seu IPO, porém, a empresa terá de convencer o mercado de que sua participação, trajetória de crescimento, escala global e diversidade de negócios – com apostas em comida e outros modais de transporte – podem fazer dela um investimento interessante, apesar de grandes prejuízos. “O Uber precisa mostrar que pode controlar gastos e fazer dinheiro, mostrando que seu modelo de negócios não está quebrado”, disse David Brophy, professor de finanças da Universidade de Michigan. “Também deve mostrar que pode ganhar dinheiro a despeito de problemas com motoristas, usuários e políticos.” 

Resultados da Avon decepcionam e ações desabam

Número de representantes caiu 6% e demanda por produtos da marca de cosméticos também sofreram queda
Por Reuters

Avon: Receita total da empresa caiu 11%  (Photo: Avon Cosmetics European Headquarters)

A receita trimestral da Avon veio abaixo das estimativas de analistas, refletindo a queda no número de representantes de vendas e uma diminuição na demanda por seus produtos na América Latina, fazendo suas ações caírem até 19 por cento.

Em teleconferência pós divulgação de lucro, o diretor financeiro, Jamie Wilson, disse que a fabricante de cosméticos viu suas maiores quedas de representantes ativos no Reino Unido, no Brasil e na Rússia no trimestre.

Às 15:56, a ação companhia tinha queda de 9,3 por cento.

Em geral, o número de representantes que vendem cosméticos exclusivos da Avon entre amigos, parentes e comunidades locais diminuiu 6 por cento no quarto trimestre.

As saídas vem poucos meses depois de a empresa lançar o plano de reestruturação “Open Up Avon”, para enfrentar a queda dos números de representantes. O plano visa expandir, recrutar e reter mais representantes, além de revitalizar o modelo de venda direta no mundo das compras na web.

Além disso, a fraca demanda por cosméticos no Brasil atingiu as vendas no segmento de beleza, que caíram 2 por cento.

A receita no sul da América Latina, incluindo Brasil e a Argentina, caiu 15 por cento, a 488,3 milhões de dólares.

As ações da empresa, que teve lucro ajustado em linha com as estimativas de analistas, após excluir uma despesa de reestruturação de 126 milhões de dólares, caíram 0,53 dólar, para 2,37 dólares por ação.

A receita total caiu 11 por cento, para 1,4 bilhão de dólares, abaixo da estimativa média de analistas de 1,43 bilhão de dólares, segundo dados do IBES da Refinitiv.

O prejuízo líquido atribuível à empresa foi de 77,6 milhões de dólares, ou 0,19 dólar por ação no trimestre, ante lucro de 91,5 milhões de dólares, ou 0,17 dólar por ação, um ano antes.

O comportamento de Jeff Bezos coloca a Amazon em risco?

Para especialistas, companhia não deve ser sentir os reflexos da vida pessoal do executivo
Por Elizabeth Dwoskin – The Washington Post

A notícia das fotos explícitas de Jeff Bezos não afetou o preço das ações da Amazon

As selfies explícitas de Jeff Bezos e os ataque públicos do tabloide National Enquirer o colocam no clube dos executivos do setor de tecnologia que se comportam mal. Mas seus problemas não devem prejudicar a Amazon – pelo menos no momento.

Na quinta-feira, Bezos postou uma longa carta no blog online da plataforma Medium acusando o Enquirer de tentar chantageá-locom a publicação de detalhes íntimos sobre seu caso extraconjugal com a ex-âncora de TV Lauren Sanchez. A carta, com insinuações sobre a relação da empresa matriz da Enquirer com o governo saudita e o presidente Donald Trump, chocou o mundo empresarial e Washington, intensificando um drama que estava antes confinado ao tabloide.

A publicação da carta foi algo bastante inusitado em se tratando de um líder empresarial, especialmente Bezos, que preserva vigorosamente sua privacidade e evita os holofotes, mesmo se tornando o indivíduo mais rico do mundo (ele é proprietário do Washington Post).

 Mas a notícia não afetou o preço das ações da Amazon. Verificou-se uma desvalorização de aproximadamente 2% na sexta-feira, mas que espelhou uma queda no mercado no geral.   Na semana passada, quando a vida pessoal de Bezos já estava envolvida em controvérsia – a companhia divulgou lucros recorde no terceiro trimestre consecutivo. O valor da ação da companhia caiu 5% quando o fundador da Amazon anunciou o divórcio de sua mulher MacKenzie, em nove de janeiro.

Embora a opção de tirar um selfie tenha sido “tresloucada”, a decisão de retaliar com “armas em punho”  foi mais estratégica e calculada, disse Jeffrey Sonnenfeld, membro da Leadership Studies da Escola de Administração de Yale. “Eles tentaram chantageá-lo em segredo e isso encerra o assunto. Ele está adotando a tática que alguns presidentes chamam de “choque e pavor” e está certo”.

O comportamento de Bezos difere da atitude de outros executivos de tecnologia influentes que causaram problemas para suas empresas, disse Sonnenfeld. Elon Musk, da Tesla, se drogou durante uma entrevista a jornalistas e fez um anúncio repentino no Twitter de que tiraria sua empresa da bolsa de valores, o que motivou uma ação das autoridades federais. O cofundador do Uber, Travis Kalanick criou um ambiente em que “tudo é permitido” e onde o assédio sexual proliferava, ao passo que outras violações de normas colocaram a empresa na mira das autoridades locais. Ele chegou a atacar um motorista do Uber em um vídeo.

Mas outros especialistas sublinham que, se a disputa entre Bezos e o tabloide se arrastar, legalmente ou publicamente, isso será um transtorno para o fundador da Amazon.

“Para um CEO de uma empresa com ações negociadas em bolsa, essa não foi a medida mais sábia”, disse Charles Elson, diretor do John L. Weinberg Center for Corporate Governance na Universidade de Delaware. “Ao tomar essa decisão, você somente chama mais atenção para as alegações. Foi um erro e David Pecker (dono do National Enquirer) vai revidar e isto vai tomar muito tempo de Bezos”.

A reação entre alguns funcionários da Amazon também é reveladora. O blog de Bezos foi rapidamente republicado nos bate-papos online dentro  da companhia logo depois de a carta ser publicada. A discussão se voltou imediatamente para o potencial impacto que ela teria sobre o preço das ações.

O pessoal mais próximo de Bezos pareceu indiferente ou o apoiou.

Roger McNamee, investidor do Vale do Silício que trabalhou com Bezos e é um crítico do Facebook e do Google, disse esperar que as medidas tomadas pelo executivo colaborem para forçar os tabloides e outros a pararem com suas táticas sujas.

Por outro lado, Bezos está deliberadamente defendendo sua vida privada. Ele é um executivo que não usa impropriamente os fundos da empresa e nem toma decisões que especificamente afetem as atividades da Amazon. Ao contrário do Google e do Facebook, onde o comportamento pessoal dos executivos tem provocado protestos acalorados de funcionários, a cultura da Amazon é mais pragmática e menos orientada por valores que os outros executivos entendem ser necessárias para se manterem.

“Acho que Jeff esclareceu bem este ponto na carta, e vai deixar que os resultados da Amazon falem por eles próprios”, disse Ted Maidenberg, investidor do Vale do Silício. “O caso terá impacto zero (sobre os negócios)”. /TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

Na China, a Apple sofre um golpe, e os trabalhadores sentem a dor

Os consumidores chineses ignoraram o novo iPhone XR da Apple. As horas extras desapareceram. E agora os trabalhadores estão desistindo
Por Ailin Tang c. 2019 New York Times News Service

EX-EMPREGADOS EM TERCEIRIZADA DA APPLE: eles fabricavam, mas não conseguiam pagar pelos iPhones / Yuyang Liu/The New York Times (/)

Huojiancun, China – A fila era bem longa, do comprimento de um campo de futebol.

Em uma manhã recente, mais de cem trabalhadores chineses que montavam e testavam iPhones da Apple faziam fila em frente ao Portão 7 da fábrica de eletrônicos Changshuo para receber sua indenização e seguir seu caminho. Eles chegaram a achar que trabalhar na linha de montagem lhes daria um salário bom o suficiente para que melhorassem de vida.

Isso foi antes que os consumidores chineses ignorassem o novo iPhone XR da Apple e seu preço de quase US$ 1 mil. A quantidade de trabalho diminuiu. As horas extras desapareceram. E agora os trabalhadores estão desistindo.

“Geralmente, tínhamos de 80 a 90 horas extras por mês”, disse Zhang Zhi, de 25 anos, que trabalhou por dois anos na fábrica, mas que agora estava na fila de demissão. Desde o fim de outubro, seus supervisores começaram a mandá-la para casa mais cedo e davam fins de semana de dois dias, afetando suas horas extras. Em dezembro, seu salário foi de cerca de US$ 370, quase metade do que ganhava nos meses mais movimentados.

Zhang encontrou um emprego de meio período em outro lugar que paga cerca de US$ 600 por mês. “É melhor do que ficar aqui”, disse ela.

As fábricas da China já fizeram produtos para o resto do mundo. Atualmente, cada vez mais, fazem produtos para a China também. Sua vasta e ainda emergente classe de consumidores abriu um mercado extremamente rentável para companhias globais como a Apple, a Nike, a General Motors e a Volkswagen. Essas empresas usam fábricas chinesas para atender a essas necessidades.

Hoje, os consumidores do país estão mais relutantes em gastar, e muitos dos trabalhadores que dependem disso foram atingidos. A demanda menor por bens de consumo levou ao fim de postos de trabalho e à redução de salários. Isso está agravando a desaceleração econômica chinesa, um grande desafio para Pequim, que poderia pôr o país em desvantagem na guerra comercial com o presidente Donald Trump.

A China não divulga dados confiáveis sobre trabalho, mas há muitos sinais de diminuição de empregos em fábricas. As montadoras e as indústrias químicas estão se movendo em um ritmo mais lento. O feriado do Ano Novo Lunar é em fevereiro, mas algumas empresas mandaram seus funcionários para casa em dezembro.

Huojiancun não é o único lugar onde as vendas fracas do iPhone estão causando impacto.

Na cidade de Zhengzhou, o emprego em uma fábrica que faz iPhones caiu de cem mil há um ano para cerca de 70 mil, de acordo com a China Labor Watch, que acompanha as condições de trabalho no país.

Em uma declaração, o proprietário da fábrica de Zhengzhou, o fornecedor taiwanês Foxconn, não quis comentar diretamente os números do grupo, mas disse que estava constantemente revendo suas operações e planejava adicionar mais de 50 mil postos de trabalho por toda a China nos primeiros três meses do ano.

Um porta-voz da Apple, Wei Gu, mencionou as declarações anteriores da empresa e se recusou a comentar mais.

Huojiancun é uma comunidade industrial nos arredores da brilhante Xangai. Lanchonetes, barracas de cartões telefônicos e outras pequenas empresas que abastecem os trabalhadores das fábricas permeiam as ruas estreitas e os becos em torno da Changshuo.

Seus operários fazem o iPhone, mas não podem pagar por ele. Mesmo quando seu pagamento estava no auge, os empregados da linha de montagem precisariam do salário de mais de um mês para comprar um iPhone XR básico. Ainda assim, os empregos lá eram muito procurados, porque em geral pagavam mais e ofereciam melhores condições de trabalho do que em outros lugares.

Hoje, a situação é mais complicada. Está cada vez mais difícil atrair funcionários, porque eles não querem passar muitas horas em uma linha de montagem. As empresas chinesas estão explorando cada vez mais a automação por causa do aumento dos custos trabalhistas.

Os supervisores evitavam que os trabalhadores fizessem muitas pausas e descontavam no pagamento infrações como jogar lixo no chão, disse Hou Fuan, funcionário da Changshuo que se demitira e estava voltando para a província de Henan. Quando os trabalhadores foram saindo, disse ele, muitos dos restantes começaram a ter horas extras outra vez, engordando seus contracheques, mas aumentando a carga de trabalho.

“Dentro da fábrica, os trabalhadores são rigidamente controlados”, disse Hou. “Se uma pessoa não trabalha direito, todos no grupo levarão uma bronca do líder. Mas ninguém grita muito quando não há muitos operários.”

A fábrica Changshuo é propriedade da taiwanesa Pegatron. Suas ações perderam quase um quarto de seu valor desde meados do ano passado, quando a guerra comercial com os Estados Unidos recrudesceu, e quando aumentou o ceticismo em relação aos modelos mais recentes do iPhone, que foram lançados em setembro.

Um porta-voz da Pegatron, Ming-Chun Tsai, não quis comentar sobre o negócio da Apple.

Todos os anos, antes dos tradicionais lançamentos de iPhones em setembro, a fábrica Changshuo contratava trabalhadores temporários para acomodar a demanda. Ela oferece bônus que podem variar de US$ 400 a US$ 1.300, disseram os trabalhadores. Os trabalhadores qualificados devem ter entre 18 e 45 anos, ser capazes de reconhecer o alfabeto ocidental e não ter tatuagens visíveis, disseram.

Muitos funcionários saem, em geral, antes do feriado do Ano Novo Lunar, quando recebem seu bônus normalmente. Mas os trabalhadores e as empresas locais disseram que mais gente que o habitual estava partindo este ano.

Huang Qionghuang possui uma barraca onde vende sutiãs que não disparam detectores de metal, peça essencial na fábrica que revista os trabalhadores para se certificar de que não estejam roubando ou trazendo câmeras para tirar fotos do iPhone mais recente. No passado, outubro era seu mês mais movimentado, mas as vendas caíram nos últimos meses e ela não quer reabastecer seu estoque. Os que estavam sendo vendidos eram os mais baratos, custando cerca de US$ 2,50.

“Em janeiro passado, ganhei mais que o meu aluguel. Agora não ganhei o suficiente para pagá-lo”, disse Huang.

“Este é o pior período desde que cheguei aqui há três anos”, afirmou ela.

A Pegatron tem uma presença grande em Huojiancun. Em seu site, ela diz que a fábrica emprega 70 mil pessoas. As placas de neon penduradas entre as barracas as chamam de “mercado noturno da Pegatron”. Durante épocas mais movimentadas, de acordo com comerciantes locais, as ruas e os becos ficam tão lotados que mal dá para andar.

Recentemente, disseram os comerciantes, o mercado noturno da Pegatron começou a ficar mais silencioso.

“Há menos funcionários na fábrica”, disse Xu Aihua, que abriu um restaurante local com sua mãe há oito anos. Enquanto fazia uma sopa de frango, Xu apontou para a rua quase vazia. “Viu? Não tem ninguém.”

Isso pode significar tempos difíceis para ele e sua mãe. Seu aluguel custa cerca de US$ 1.500 por mês. Um ano atrás, sua receita diária era de cerca de US$ 150. Nos últimos meses, ganhou metade disso.

Em um dia frio, na fila no Portão 7, Wang Xiaofeng esperava por uma indenização que poderia ser de cerca de US$ 150. Um ano atrás, seu turno de trabalho era relativamente estável, mas em dezembro suas horas extras diminuíram.

“Tive três ou quatro dias sem trabalho em uma semana. Quanto vou ganhar?”

Wang disse que tinha achado um novo emprego, que lhe garantia mais horas e, portanto, mais dinheiro.

“Tomei a decisão certa. Não me arrependo”, concluiu.


Startup de patinetes elétricos, Lime recebe aporte de US$ 310 milhões

Investimento deve ser usado para expansão da companhia em novos mercados e criação de novos produtos

Patinetes da Lime estão disponíveis atualmente em 15 países

A Lime, empresa americana de patinetes e bicicletas elétricas, divulgou nesta quarta-feira, 6, que levantou US$ 310 milhões em uma rodada de investimento série D. O montante foi garantido por empresas como Alphabet, Andreessen Horowitz, Bain Capital Ventures, Fidelity Investments, GV e IVP e dobrou valor de mercado da empresa para US$ 2,4 bilhões, contra os US$ 1,1 bilhão estimados anteriormente.

O valor aportado ajudará a startup a expandir o serviço para novos mercados, aumentar a equipe, aprimorar a tecnologia e criar novos produtos.

“Esse novo investimento demonstra a força fundamental de nossos negócios e a adoção cada vez mais rápida do Lime”, escreveu Toby Sun, presidente da startup em uma publicação oficial no blog da Lime. “Também continuaremos investindo em duas áreas críticas: segurança do piloto e colaboração da cidade”.

A Lime se posiciona no mercado como uma alternativa de transporte acessível aos meios tradicionais de última milha. A empresa garante, por exemplo, que 34% de seus usuários tem renda anual menor que US$ 50 mil.

Hoje, a empresa atua em 15 países, como Estados Unidos, Nova Zelândia, República Tcheca, Áustria, Polônia, França, Portugal, Grécia e Espanha. Não há previsão para a chegada da companhia no Brasil.

A startup também tem apostado em parcerias para crescer. Em junho, a Uber anunciou que começaria a oferecer em alguns mercados patinetes elétricos da Lime por meio de seu aplicativo, além de investir na startup. Em dezembro, a companhia também fechou acordo com o Google Maps  para mostrar a localização de seus patinetes em mais de 20 cidades.

Assinaturas digitais do jornal ‘The New York Times’ sobem 27%

Os bons números levaram o NYT a ter receita de US$ 709 milhões em seus negócios digitais

Sede do jornal New York Times

O jornal americano The New York Times anunciou ontem que teve alta de 27,1% no número de assinaturas digitais ao longo de 2018. A publicação tinha, no final de dezembro, 3,4 milhões de assinantes em sua versão online. Os bons números levaram o NYT a ter receita de US$ 709 milhões em seus negócios digitais. 

A expectativa, revelou a empresa em seus resultados financeiros para o período, é de bater a marca de US$ 800 milhões em faturamento digital até 2020. Outra meta para o futuro é a de chegar a 10 milhões de assinantes até 2025 – hoje, o New York Times tem ao todo 4,3 milhões de assinantes, incluindo sua versão impressa. Só no quatro trimestre de 2018, a empresa ganhou 265 mil novos assinantes – foi o melhor período para a publicação desde a eleição de Donald Trump à presidência americana, no final de 2016. O governo Trump, aliás, tem incentivado novas assinaturas do NYT. 

“Como vamos fazer para cumprir estes objetivos? Em primeiro lugar, com jornalismo”, disse Mark Thompson, presidente executivo do New York Times, na nota divulgada aos investidores. Em 2018, o jornal contratou 120 jornalistas, chegando a uma equipe total de 1600 pessoas em sua redação. É um recorde histórico para o veículo – que vai na contramão de outras publicações, como Vice Media e Buzzfeed, que anunciaram cortes recentes em suas equipes nos EUA. 

“Com as contratações e os números que o NYT revelou hoje, sua meta de bater US$ 800 milhões em receita digital em 2020 é algo realista”, destacou o professor Rosental Calmon Alves, professor do Knight Center for Journalism, da Universidade de Austin, no Texas, em sua conta no Twitter. 

Resultados totais

Ao longo do ano passado, o jornal teve receita de US$ 1,75 bilhões, em alta de 4,4% com relação a 2017 – os resultados online compensaram a queda de 10,2% no faturamento com publicidade no jornal impresso. 

Já o lucro caiu de US$ 90,5 milhões para 74,7 milhões – a empresa disse ter sido afetada por ter uma semana a menos em seu ano fiscal em 2018, na comparação com o ano anterior, bem como por ter tido maior fluxo de contratações. 

A empresa destacou ainda que tem US$ 826 milhões em caixa – parte desses recursos será utilizada para aumentar os dividendos aos acionistas, bem como exercer o direito à recompra do Edifício do New York Times até o final do ano, por US$ 250 milhões. 

Outro ponto interessante dos resultados da empresa é o fato de que 16% dos assinantes do New York Times estão fora dos Estados Unidos. “Há uma oportunidade para sermos produtores de notícia globais”, disse Meredith Levien, diretora de operações da empresa. 

Os bons números revelados ontem fizeram as ações do New York Times subirem 11,5% na bolsa de valores de Nova York, encerrando o dia cotadas em torno de US$ 30. Com isso, a avaliação de mercado da empresa está em torno de US$ 4,95 bilhões.