Casas de madeira: Tenda lança projeto-piloto e quer ter 10 mil unidades em 5 anos

Tecnologia, comum no Canadá, EUA e Europa, usa madeira de reflorestamento e garante a construção em cerca de metade do tempo de um empreendimento de alvenaria estrutural; casas custam a partir de R$ 200 mil no Casa Verde e Amarela
Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

Modelo de casa de madeira que a Tenda lançou em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Foto: Tenda

Tenda lançou seu terceiro projeto-piloto de casas de madeira – um mercado praticamente inexplorado no Brasil e que a companhia pretende dominar nos próximos anos. O empreendimento fica na cidade paulista de Santa Bárbara D’Oeste. Ao todo são 75 unidades, das quais 35 foram vendidas em apenas 20 dias.

As casas têm dois dormitórios e área de 47,5 metros quadrados, com valores a partir de R$ 200 mil dentro do programa Casa Verde e Amarela. O empreendimento deve movimentar cerca de R$ 15 milhões em vendas.

Esse foi o primeiro projeto lançado com a marca da Alea, startup de negócios criado pela Tenda para desenvolver a construção em woodframe – modelo com uso intensivo de madeira, muito comum no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa.

“Esse nível de vendas mostra que tivemos uma boa aceitação”, avalia o diretor executivo da Alea, Marcelo Melo. “Estamos na fase de projetos-piloto, testando e aprendendo para começar o ramp up (expansão do projeto) a partir de 2023.”

O próximo lançamento será um conjunto de 168 casas em Iperó, cidade de 40 mil habitantes também no interior de São Paulo. Outros dois empreendimentos já haviam sido lançados em Mogi das Cruzes e Leme, somando 99 unidades – das quais mais de 60% vendidas numa faixa entre R$ 140 mil e R$ 180 mil dentro do programa habitacional.

A companhia está testando a aceitação do consumidor em relação às casas de madeira, ao preço e ao nível dos condomínios. Em Santa Bárbara D’Oeste, por exemplo, o padrão foi mais alto, com condomínio fechado, casas térreas, não geminadas e rodeadas de alamedas arborizadas.

Segundo a construtora, o woodframe é muito mais do que uma “casa de madeira”. A tecnologia cria uma parede composta por quatro elementos: na parte estrutural, o painel tem pilares de pinus de reflorestamento; o “recheio” é feito com cimento, gesso e uma membrana que faz com que a umidade saia da casa, mas não a deixe entrar. Além disso, segundo a Tenda, os materiais usados garantem conforto acústico e térmico. 

Perspectivas de crescimento

O volume de negócios ainda é tímido perto do que a Tenda vislumbra. A meta é fabricar 10 mil casas de madeira por ano a partir de 2026, o que representará um negócio de R$ 2 bilhões lá na frente. Para isso, o grupo investirá de R$ 75 milhões a R$ 100 milhões anuais nos próximos quatro anos.

O crescimento virá por meio da sua fábrica própria, recém ativada em Jaguariúna (SP), a 125 quilômetros de São Paulo. É de lá que saem vigas, pilares, paredes e outros elementos de madeira pré-moldados que são levados para montagem nos canteiros.

Com a industrialização, a expectativa é que cada obra leve aproximadamente 14 meses – cerca de metade de um empreendimento de mesmo porte erguido em alvenaria estrutural.

Por enquanto, o processo de fabricação ainda demanda etapas manuais que impedem a Alea de funcionar a todo vapor. A linha totalmente automatizada da planta de Jaguariúna entrará em funcionamento até o fim do ano, conta Melo. A partir daí poderá ter início a produção em larga escala.

A produção de casas de madeira – insumo que vem de florestas plantadas – também deve ser uma forma de driblar os aumentos de custos de materiais como aço e cimento. “O Brasil é o segundo maior produtor global da madeira de pinus, com 1,6 milhão de hectares. A nossa projeção de consumo é muito baixo perto disso. Então, temos a vantagem de poder acessar uma cadeia de fornecedores ampla e competitiva”, afirma Melo.

Elon Musk será o 1º trilionário do mundo graças à SpaceX, não à Tesla, prevê banco

Por Rennan Setti

Elon Musk

Homem mais rico do mundo, Elon Musk se tornará o primeiro trilionário do planeta (em dólares, claro), mas a queridinha Tesla não será a principal responsável. A previsão é de um analista do banco americano Morgan Stanley, que gastou tinta nesta terça-feira para pintar um cenário cor-de-rosa para o futuro da SpaceX, companhia espacial do magnata que vem ganhando manchetes ao levar turistas à órbita da Terra.

“Mais de um cliente nos disse que se Elon Musk se tornasse o primeiro trilionário … não seria por causa de Tesla. Outros disseram que a SpaceX pode eventualmente ser a empresa mais valiosa do mundo — em qualquer setor ”, escreveu Adam Jonas.

Para Jonas, a principal alavanca da companhia será a Starship, nova geração de foguetes que a SpaceX está desenvolvendo. A Starship será 100% reutilizável e terá a missão de levar cargas e pessoas à Lua e, eventualmente, a Marte.

“Essa tecnologia tem o potencial de transformar as expectativas dos investidores em torno da indústria espacial”, disse a nota de Jonas, enviada a investidores e reproduzida pelo site da CNBC.“Como disse um cliente:‘Falar sobre espaço antes da Starship é como falar sobre a internet antes da Google.’”

Mas o caminho será longo. A SpaceX representa menos de 17% do patrimônio de Musk, estimado em US$ 241,4 bilhões (mais de R$ 1,3 trilhão) pela Bloomberg. Estima-se que o bilionário tenha cerca de metade da companhia, que acaba de ser avaliada como um dos raríssimos “hectocórnios” do mundo — jargão para start-ups que valem pelo menos US$ 100 bilhões, ou cem vezes unicórnio.

Grande parte do seu patrimônio deriva hoje da Tesla, que vale hoje US$ 855 bilhões na Bolsa. 

Com Facebook fora do ar, Zuckerberg perde US$ 6 bi e é ultrapassado por Bill Gates

Cofundador da rede social ocupa agora o posto de quinto mais rico do planeta
Clayton Castelani

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, durante depoimento como testemunha ao comitê financeiro dos Estados Unidos, em Washington
O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, durante depoimento como testemunha ao comitê financeiro dos Estados Unidos, em Washington – Mandel Ngan/AFP

No dia em que redes sociais do Facebook saíram do ar em diversas partes do mundo, as ações da empresa fecharam em queda de 4,89%, o que representou uma redução de US$ 50,3 bilhões (R$ 272,7 bilhões) no valor de mercado da companhia nesta segunda-feira (4), cujo total agora é de quase R$ 917 bilhões (R$ 4,9 trilhões).

Também no intervalo de um dia, a fortuna pessoal de Mark Zuckerberg, cofundador e principal acionista do Facebook, diminuiu US$ 6,1 bilhões (R$ 33 bilhões). O patrimônio do agora quinto homem mais rico do planeta é de US$ 121,6 bilhões (R$ 659 bilhões). A quarta posição foi tomada pelo cofundador da Microsoft Bill Gates, que possui US$ 124 bilhões (R$ 672 bilhões).

À frente de Gates e Zuckerberg estão o fundador da SpaceX, Elon Musk (US$ 210,6 bi), o fundador da Amazon, Jeff Bezos (US$ 185,7 bi), e o diretor-executivo do grupo dono da Louis Vuitton, Bernard Arnault (US$ 153,3 bi), segundo o índice de bilionários da Bloomberg.

As redes sociais do Facebook, que incluem WhatsApp e Instagram, caíram em diversas partes do mundo nesta segunda (4). Além de brasileiros, usuários de Portugal, Reino Unido, Índia e Estados Unidos também ficaram sem acesso. No Brasil, foram mais de sete horas fora do ar. Os serviços começaram a retornar no início da noite.

Ainda não se sabe a causa da queda, mas o jornal New York Times, por meio de fontes do departamento de segurança do Facebook que quiseram anonimato, sustenta que a possibilidade de um ataque hacker é improvável.

As ações do Facebook têm sofrido baixas por questões conjunturais e, principalmente, devido à revelação de que a empresa tinha conhecimento desde 2019 de que a utilização da sua rede Instagram colocava meninas em risco.

Os papéis do Facebook já recuaram quase 15% desde 14 de setembro, quando o Wall Street Journal passou a publicar reportagens que sustentam que a companhia sabia que o Instagram é potencialmente danoso para a saúde mental das adolescentes. Antes das revelações, os papéis da empresa acumulavam alta de 37,83% neste ano.

O quadro geral de ações de empresas de tecnologia listadas no Nasdaq é de baixa e, nesta segunda, o índice caiu 2,14%. Outras big techs também recuaram, como Twitter (-5,79%), Zoom (-2,96%) e Amazon (-2,85%).

O mercado americano opera em viés de baixa devido à possível antecipação para 2022 de um ciclo de alta nos juros básicos do país em resposta à inflação gerada pela escalada de preços de energia no mundo e pela quebra das cadeias de suprimento durante a pandemia.

Nesse contexto, ações de empresas de tecnologia, bastante populares nos EUA, tendem a perder mais investidores para aplicações atreladas a juros, como os títulos do Tesouro americano.

Ações do Facebook caem mais de 5%, em dia com problemas no sistema e investigações

Ativos caíram para seu nível mais baixo desde junho

Papéis da empresa tinham queda firme nesta segunda-feira

 As ações do Facebook, negociadas na Bolsa de Nasdaq, tinham queda de 5,35%, sendo cotadas a US$ 324,66, por volta de 14h15, no horário de Brasília. Os papéis da empresa caíram para seu nível mais baixo desde junho nesta segunda-feira em meio a denúncias contra a empresa e a queda nos seus serviços.

O Facebook confirmou que usuários estão tendo dificuldades para acessar seus aplicativos, incluindo WhatsApp e Instagram, no início da tarde desta segunda-feira. Em nota, a empresa disse “estar trabalhando para que tudo volte ao normal o quanto antes”.

“Estamos cientes de que as pessoas estão tendo dificuldade para acessar nossos aplicativos e produtos. Estamos trabalhando para que tudo volte ao normal o quanto antes”, disse o Facebook em comunicado.

Usuários do WhatsApp, Facebook e Instagram relataram que estão enfrentando falhas no envio de mensagens e no carregamento de postagens das redes sociais na tarde desta segunda-feira.

Tesla vende recorde de 241,3 mil carros no 3º tri, acima de previsões

Analistas esperavam que a fabricante de carros elétricos entregasse 229,2 mil veículos no período
Por Agências – Reuters

Elon Musk, fundador da Tesla

Tesla afirmou neste sábado, 2, que entregou um recorde de 241,3 mil carros elétricos no terceiro trimestre deste ano, superando as estimativas de Wall Street. A marca foi atingida após Elon Musk, fundador e presidente executivo da empresa, pedir esforço para cumprir as metas.

Analistas esperavam que a fabricante de carros elétricos entregasse 229,2 mil veículos, de acordo com dados da Refinitiv.

A Tesla resistiu à crise de chips melhor do que rivais. As entregas gerais da empresa subiram 20% de julho a setembro em relação ao segundo trimestre, marcando o sexto ganho trimestral seguido.

Na China, o aumento das exportações para a Europa e a introdução do Model Y mais barato ajudaram a impulsionar a produção da Tesla, disseram analistas.

A Tesla disse que entregou 232 mil dos carros compactos Model 3 e veículos utilitários esportivos Model Y e 9,2 mil de Model S e Model X para clientes no trimestre.

A produção total no terceiro trimestre aumentou mais de 15% para 237,8 mil veículos em relação ao trimestre anterior.

10% das vendas da Cartier no Brasil já são feitas por meio do e-commerce nacional da marca, para o qual projeta-se crescimento de dois dígitos em 2021

Mesmo com o avanço da vacinação, a maison expande sua operação online no país
ALICE COY (@ALICECOY)

Cartier no Shopping Iguatemi, SP (Foto: Divulgação)

A Cartier lançou o seu e-commerce brasileiro em 2019, pouco tempo antes do mercado como um todo sofrer um colapso devido à Covid-19. Mesmo assim, os resultados alcançados pela marca em 2020 superaram as expectativas para os primeiros doze meses, totalizando um faturamento previsto somente para o quinto ano de operação. A e-boutique representou 10% das vendas da Cartier no Brasil e quase quintuplicou suas vendas comparadas a 2019. Para o próximo ano, preveem um crescimento de dois dígitos na operação online, mesmo com o avanço da campanha de vacinação e a maior abertura do comércio. Pretendem aumentar o orçamento destinado à expansão deste canal, investindo principalmente em comunicação, mas também no aperfeiçoamento da logística – passarão a oferecer, na cidade de São Paulo, entrega de até 4 horas.

“A impossibilidade de visitar e comprar em uma boutique física aumentou sem dúvidas as buscas e compras online. A desvalorização cambial e as barreiras internacionais levantadas às viagens também contribuíram para tal fenômeno. Os clientes demonstraram ao longo da pandemia uma maior flexibilidade em relação às compras de alto valor agregado, como joias, online”, diz Maxime Tarneaud, gerente-geral da Cartier no Brasil. “Nos períodos de maiores restrições da pandemia, durante os quais as boutiques permaneceram fechadas, o e-commerce foi muito importante para o relacionamento e suporte aos clientes. A Cartier implementou uma nova funcionalidade de vendas assistidas que permitiu aos vendedores das boutiques atender seus clientes através do e-commerce”, completa.

Apesar de ainda existir um estigma no mundo da joalheria quando o assunto são as vendas online, a maison se lançou nesse formato com sua operação norte-americana em 2010, e desde então se consolidou em diversos países, como a China em 2015, e mais tarde no Brasil, o que marcou o primeiro ponto na América Latina. De acordo com Tarneaud, “em nível mundial, mas sobretudo na América Latina, a pandemia afetou a maneira “como” e “onde” as pessoas consomem; desencadeando mudanças no comportamento de compra que provavelmente terão efeitos duradouros. Este momento sem precedentes acelerou a mudança (que já acontecia) em direção a um mundo mais digital e criou “confiança” em uma experiência de compra online que não existia antes. As pessoas foram incentivadas a experimentá-la e descobriram que é segura e eficiente. Passando a atender uma clientela que antes tinha seu consumo limitado por questões geográficas ou que busca pela comodidade e praticidade de comprar suas desejadas criações online; o e-commerce veio para somar às operações. Por isso, mesmo com a reabertura de nossas boutiques e flexibilização das medidas sanitárias, é esperado o contínuo crescimento deste canal”.

Parte da estratégia de expansão de negócio é fortalecer o relacionamento com clientes de diferentes localidades e aprimorar a experiência omnichannel, integrando as lojas físicas, online e os distribuidores de relógios. O maior desafio para vender joias virtualmente de acordo com Tarneaud são preocupações com a segurança durante o transporte, que precisa ser feito por transportadoras credenciadas e seguradas, e o atendimento personalizado ao cliente, um diferencial de marcas de luxo em geral, que para as vendas virtuais foi adaptado com um time treinado e dedicado exclusivamente para atender através dúvidas sobre tamanhos ou outros detalhes das peças por telefone, live chat, whatsapp e e-mail. De acordo com a grife, a região sudeste é a mais expressiva em vendas, mas há expectativa alta de crescimento em cidades fora desse circuito, em especial Brasília, Porto Alegre, Goiânia e Recife.

Netflix avança em games com compra de estúdio e lançamento de jogos

Empresa anunciou compra de estúdio e lançamento de jogos na Europa
Por Por Italo Bertão Filho – O Estado de S. Paulo

No mesmo dia em que anunciou a compra do estúdio, a Netflix lançou cinco jogos para dispositivos móveis em mercados europeus

Na guerra do streaming, a Netflix colocou dois trunfos na mesa. Na terça-feira, 29, a companhia anunciou o lançamento de cinco games para dispositivos móveis em mercados europeus e a compra de um estúdio de jogos. A diversificação de receitas faz parte da estratégia anunciada recentemente pela Netflix, que ainda depende do streaming para equilibrar seus balanços, ao contrário de concorrentes como DisneyAmazon Apple, cuja principal atividade não é o serviço.

A empresa depende dos resultados do serviços de streaming para seguir alavancando seu catálogo e produzindo conteúdos originais, o que explica a tentativa de diversificar suas receitas. Além disso, o mercado de games servirá para reter os assinantes da plataforma. Para entrar nesse segmento, a Netflix apostará inicialmente em jogos para celular.

A aquisição do estúdio Night School, cujo valor não foi divulgado, será a porta de entrada para um segmento pouco explorado pela empresa, que até hoje nunca havia investido em empresas do setor. Conhecido pelo jogo “Oxenfree”, de aventura sobrenatural, o estúdio seguirá trabalhando em uma continuação do jogo, “Oxenfree 2”.

De acordo com Mike Verdu, vice-presidente de desenvolvimento de jogos da Netflix, a compra do Night School se explica pelo potencial criativo da empresa que a Netflix quer agregar para sua estratégia comercial. “O compromisso [do estúdio] com a excelência artística e seu histórico comprovado os tornam parceiros inestimáveis”, afirmou em comunicado, segundo a revista Variety.

Novos games

No mesmo dia em que anunciou a compra do estúdio, a Netflix lançou cinco jogos para dispositivos móveis em mercados europeus: “Stranger Things: 1984”, “Stranger Things 3: The Game”, “Card Blast”, “Teeter Up” e “Shooting Hoops”, disponibilizados para clientes do streaming na Espanha, Itália e Polônia, sem custo adicional.

No final de agosto, os usuários da Polônia foram os primeiros a experimentarem o serviço de games, quando a Netflix disponibilizou, em fase de testes, os títulos “Stranger Things”. “Ainda estamos no início, mas empolgados em trazer esses jogos exclusivos como parte da assinatura da Netflix — sem anúncios e sem compras no aplicativo”, disse um porta-voz da empresa à agência Reuters.

Antes quase soberana no streaming, a Netflix tem sofrido concorrência cada vez maior de novos concorrentes como Disney+Prime Video e HBO Max e, em nível regional, do Globoplay. No segundo trimestre deste ano, a empresa perdeu 430 mil assinantes nos Estados Unidos e no Canadá. Além disso, registrou 1,5 milhão de assinantes a mais em todo o mundo, crescimento que foi 61% menor em comparação aos resultados do primeiro trimestre. A base total da Netflix, divulgada em julho, era de 209 milhões de assinantes. /COM INFORMAÇÕES DA REUTERS 

Por que o Google investiu US$ 2,1 bi em novo escritório em Nova York

Transação ocorre em um período precário para o mercado de escritórios da cidade; a rápida adoção do trabalho híbrido e o abandono de escritórios são ameaça ao setor imobiliário
The New York Times

Google
Google afirmou que sua decisão de comprar o Terminal St. John reflete a confiança na vitalidade da cidade de Nova York Foto: Brittainy Newman/The New York Times

NOVA YORK – O Google anunciou na semana passada que iria gastar US$ 2,1 bilhões para comprar um enorme edifício de escritórios na orla do rio Hudson, em Manhattan; pagando um dos maiores preços de compra dos últimos anos por um prédio de escritórios nos Estados Unidos e oferecendo uma pontada de otimismo ao setor imobiliário de Nova York, atingido com força pela pandemia e pela mudança para o trabalho remoto.

A transação ocorre durante um período precário para o mercado de escritórios da cidade, o maior do país, já que a rápida adoção do trabalho híbrido e o abandono de espaços para escritórios têm representado a ameaça mais grave ao setor em décadas.

Embora Manhattan tenha uma abundância de espaços para escritórios disponíveis para locação, alcançando marcos históricos durante a pandemia, as quatro empresas que formam as chamadas “gigantes da tecnologia – AmazonApple, Google e Facebook –  têm apostado em uma versão otimista sobre o futuro de Nova York.

As empresas aumentaram rapidamente suas operações e mão de obra, um dos poucos pontos positivos para Nova York, que tem sido atingida com mais força pelo preço econômico da pandemia do que qualquer outra grande cidade americana.

O Google já estava alugando, mas não ocupando ainda, um imóvel de aproximadamente 120 mil metros quadrados, conhecido como Terminal St. John, um antigo terminal de carga que está sendo reformado e expandido perto do Túnel Holland. A empresa tem 12 mil funcionários na cidade de Nova York – seu maior escritório satélite fora da sede na Califórnia – e disse que planeja contratar mais dois mil na cidade nos próximos anos.

“A energia, a criatividade e o talento de renome mundial de Nova York são o que nos mantém enraizados aqui e a razão de estarmos aumentando nosso compromisso com os planos de compra do Terminal St. John”, disse Ruth Porat, CFO do Google e de sua empresa-mãe, a Alphabet. “Esperamos continuar a crescer junto com esta cidade fora do comum e diversificada.”

De forma conjunta, as quatro gigantes empregam mais de 20 mil pessoas em seus escritórios em Manhattan. Mas seus funcionários não devem voltar a trabalhar cinco dias por semana neles tão cedo. Muitas empresas de tecnologia disseram que permitirão que os empregados trabalhem remotamente em um esquema híbrido mesmo depois do fim da pandemia. O Google recentemente adiou seus planos de retorno aos escritórios para o início de 2022 devido à altamente contagiosa variante Delta.

A velocidade com que a economia se recupera na cidade de Nova York, principalmente em Manhattan, pode depender da área de edifícios de escritórios, que antes da pandemia atraía 1 milhão de trabalhadores todos os dias, cujos gastos com coisas variadas, desde café antes do trabalho até almoços de negócios e shows da Broadway depois do expediente,  mantinham milhares de empresas. A ausência dessas pessoas durante a pandemia levou muitas lojas e restaurantes a fecharem em Manhattan.

As empresas adotaram o trabalho remoto durante a pandemia de uma forma como nunca haviam feito antes, decidindo que os funcionários poderiam continuar a trabalhar longe do escritório por alguns dias ou durante toda a semana depois de a pandemia acabar e até mesmo contratando novos empregados que planejam trabalhar remotamente por tempo indeterminado.

Como consequência, grandes empregadores como a Condé Nast e o JPMorgan Chase abriram mão de parte de seu espaço de escritório, contribuindo com quase 19% dos espaços de Manhattan disponíveis para aluguel, de acordo com a Newmark, uma empresa de serviços imobiliários, praticamente o dobro da média da última década.

Cerca de 28% dos funcionários de escritórios na região da cidade de Nova York, que inclui partes de Nova Jersey Connecticut e Pensilvânia, voltaram aos locais de trabalho na semana passada, mais do que o dobro da média de poucos meses atrás, de acordo com a Kastle Systems, uma empresa de segurança que monitora a apresentação de crachás em prédios de escritórios. A média dos Estados Unidos foi de 33,6%, segundo a Kastle.

Kate Lister, presidente da Global Workplace Analytics, uma empresa de consultoria que assessora empregadores em suas políticas de retorno ao escritório, disse que o trabalho em esquema híbrido continuaria sendo uma característica permanente da cultura corporativa após a pandemia. O espaço para escritórios não vai desaparecer, mas, acrescentou Kate, “O espaço total diminuirá”.

Ainda assim, as autoridades eleitas em Nova York procuram ver o anúncio do Google como um sinal da recuperação da cidade.

“Esse anúncio do Google é mais uma prova de que a economia de Nova York está se recuperando e se reerguendo”, disse a governadora democrata, Kathy Hochul, em um comunicado. “Estamos criando empregos, investindo em indústrias emergentes, impulsionando os nova-iorquinos e, juntos, estamos escrevendo nossa história de recuperação.”

O prefeito Bill de Blasio chamou o acordo de “um investimento histórico na cidade de Nova York”. 

Quando o prédio for inaugurado, depois de concluir as obras, o que deve acontecer em meados de 2023, o Google terá quase 290 mil metros quadrados de espaço para escritórios em Nova York, tornando-se um dos maiores locatários da cidade.

O Google chegou a Nova York em 2000 com um único funcionário de vendas que trabalhava em um Starbucks. A empresa selou seu compromisso com a cidade em 2010, ao comprar um prédio de 15 andares por US$ 1,8 bilhão, no bairro de Chelsea.

Na última década, o Google aumentou rapidamente sua mão de obra em Manhattan, contratando jovens engenheiros de universidades da região, atraindo profissionais do setor da tecnologia que não querem viver no Vale do Silício e expandindo seus departamentos de marketing e vendas. A empresa contratou cinco mil funcionários em Nova York desde o fim de 2018. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Balenciaga chega ao Fortnite: o que isso significa para o luxo

Em entrevista, Demna Gvasalia fala sobre a criação do novo mundo virtual da Balenciaga
LUCY MAGUIRE

Balenciaga faz parceria com o Fortnite da Epic Games (Foto: Divulgação)

O então flerte entre marcas de luxo e o mundo dos jogos deu um passo significativo nesta semana – a Balenciaga acaba de se tornar a primeira marca de luxo a fazer parceria com o Fortnite da Epic Games. Lançado em 2017, o game online é um verdadeiro fenômeno cultural com 400 milhões de usuários globais e fortes ligações com o universo da música e do esporte.

Agora, a indústria da moda também se torna parte dessa história graças à Balenciaga. A grife criou quatro roupas virtuais (as famosas skins ou “peles”) que os jogadores podem comprar, junto com acessórios, ferramentas e um destino Balenciaga virtual dentro do jogo. A ativação fica no ar por uma semana a partir de 20 de setembro e tem uma ligação com a “vida real”: uma edição limitada de chapéus, camisetas e moletons Balenciaga x Fortnite, vendida nas lojas físicas da Balenciaga e no site da marca.

“Nossa parceria com a Epic Games não começou com o Fortnite”, lembra Demna Gvasalia, diretor artístico da Balenciaga. “Nosso primeiro game, o Afterworld, foi construído com a Unreal Engine, tecnologia de design 3D de propriedade da Epic Games, para lançar nossa coleção de outono de 2021.”

Um novo marketing metaverso
As marcas querem chegar à Geração Z e seus 2,7 bilhões de jogadores em todo o mundo através de ativações que ligam os mundos digital e físico. Não à toa, a Louis Vuitton se uniu à League of Legends, em 2019, e em maio passado, a Gucci fechou parceria com a Roblox.

A colaboração do Fortnite com a Balenciaga vem na sequência de uma série de colaborações de altíssimo nível na música e no esporte. Em 2020, o show de Travis Scott no Fortnite atraiu 45 milhões de visualizações simultâneas. Outras colaborações incluíram a NFL (National Football League) e a NBA (National Basketball Association), bem como a Marvel.

“A Epic vem avaliando as parcerias de luxo há algum tempo”, diz a líder Emily Levy. “A Balenciaga foi considerada uma boa opção para essa primeira colaboração de moda por causa de seu trabalho já existente no metaverso.”

Balenciaga (Foto: Reprodução)
A coleção também conta com produtos físicos à venda (Foto: Divulgação)

O Afterworld, jogo proprietário da Balenciaga, lançado em dezembro de 2020, construiu um mundo distópico, com roupas fotorrealistas. “A partir daí, continuamos a nos inspirar na criatividade das comunidades do Unreal e do Fortnite”, diz Gvasalia. “Fez todo o sentido continuarmos virtualmente com a criação de looks Balenciaga autênticos para o Fortnite e uma nova linha de roupas físicas Fortnite para as nossas lojas.”

A receita da Epic Games atingiu U$ 5,1 bilhões em 2020, impulsionada pelo Fortnite e pela venda da moeda V-Bucks no jogo, usada ​​para comprar skins, acessórios e emotes (ações). As skins da Balenciaga custam 1000 V-Bucks, o que equivale a aproximadamente US$ 8 – sendo assim acessível a todos os jogadores.

Em abril de 2020, o jogador Fortnite de alto perfil Lachlan encenou um desfile de moda Fortnite no jogo, onde os jogadores podiam entrar e exibir suas skins. “O vídeo teve 11 milhões de visualizações no YouTube e mostrou o enorme apetite por moda no ecossistema Fortnite”, diz Levy.

O crescimento do Modo Criativo
O Fortnite era inicialmente mais conhecido por Battle Royale, um modo de jogo em que os jogadores lutam 1 contra 100. “No entanto, a base de usuários evoluiu nos últimos quatro anos”, diz Levy. Agora, 50% dos jogadores estão passando seu tempo no Modo Criativo do Fortnite, explorando diferentes experiências virtuais e criando seus próprios mundos virtuais. “Temos muitas pessoas diferentes em nossa comunidade. Portanto, sabemos que a moda interessa”, afirma Levy.

No momento, as marcas não podem vender itens no Fortnite de forma independente. As ativações de moda no jogo têm mais a ver com a consciência do mercado – atingindo um público-alvo difícil de “gente jovem, entusiasta, digital, nativa”, como diz Alan Cooper, diretor de comunicações de produto e consumidor da Epic Games.

Para a Balenciaga, o projeto mostra que seu envolvimento no metaverso está emergindo como um pilar estratégico de seu negócio, em vez de uma jogada de marketing pontual. Para a Epic Games, um dos benefícios da colaborações é aumentar a conscientização sobre o Unreal Engine, o software de desenvolvimento de design 3D em tempo real da Epic, que tem aplicativos, além de jogos, de arquitetura, cinema e moda.

O Unreal e o seu concorrente Unity (da Unity Technologies) permite aos usuários renderizar mundos virtuais em 3D em tempo real – um desenvolvimento relativamente novo, que está sacudindo o mundo do design. “Há uma verdadeira corrida para encontrar desenvolvedores talentosos de Unreal e Unity”, diz a futurista e especialista em metaverso Cathy Hackl – a tecnologia está avançando tão rapidamente que as universidades ainda não a alcançaram.

Balenciaga (Foto: Reprodução)
A loja virtual da Balenciaga é baseada nas localizações existentes da marca (Foto: Divulgação)

“É importante para nós mostrar a gama dinâmica do Unreal Engine”, diz Cooper. Os outdoors 3D físicos da colaboração da Balenciaga, renderizados usando o Unreal, estão sendo exibidos nas principais cidades como Nova York e Tóquio, com o objetivo de chamar a atenção de pessoas não familiarizadas com o Fortnite e, assim, despertar interesse.

“Estamos vendo marcas enormes e significativas percebendo que não precisam necessariamente fazer parceria com a Epic no nível de Travis Scott ou Ariana Grande. Elas podem trabalhar com a comunidade existente de criadores do Fortnite. As marcas podem contratar nossos jogadores para criar para eles. Podemos trabalhar para ajudar a direcionar isso”, continua Cooper.

Mais colaborações são prováveis, embora a Epic não divulgue detalhes ainda.

“Estamos apenas começando”, diz Levy. “Estamos ultrapassando os limites do que significa trazer cultura para o jogo.”

Cooper espera que a colaboração com a Balenciaga desperte o interesse no setor da moda de luxo. “Algumas dessas coisas, eu acho, são importantes apenas de uma perspectiva de provarem algo”, diz ele. “[Queremos] realmente inspirar a indústria e mostrar o que podemos fazer aqui.” 

Maghan McDowell também contribuiu com a reportagem deste artigo.

A matéria foi orginalmente publicada no Vogue Business