Grife bilionária de Kim Kardashian desafia a pandemia

A Skims, marca de shapewear da celebridade, é avaliada em US$ 1,6 bilhão
E-INVESTIDOR
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Kim Kardashian em frente à pop-up store da sua marca Skims em Los Angeles (Foto: Greg Swales/The New York Times)

  • Os confinamentos ocasionados pela pandemia fizeram com que as roupas apertadas de sua linha de produtos fossem parar no fundo do armário dos consumidores
  • A empresa de moda captou US$ 154 milhões em novos investimentos, o que, de acordo com Kim, elevou o valor da empresa para US$ 1,6 bilhão
  • É uma quantia surpreendente para uma marca de roupas com menos de dois anos, mesmo para uma grife fundada por tamanha celebridade

(Michael J. de la Merced/The New York Times) – Pouco depois de Kim Kardashian West lançar a Skims, sua grife de shapewear, em 2019, os confinamentos ocasionados pela pandemia fizeram com que as roupas apertadas de sua linha de produtos fossem parar no fundo do armário dos consumidores.

Mas a Skims sobreviveu. Mais que isso: tornou-se um negócio bilionário.

A empresa de moda captou US$ 154 milhões em novos investimentos, o que, de acordo com Kim, elevou o valor da empresa para US$ 1,6 bilhão. É uma quantia surpreendente para uma marca de roupas com menos de dois anos, mesmo para uma grife fundada por tamanha celebridade.

A Skims também consolida o status de Kim como uma bilionária por mérito próprio. Ao anunciar a entrada dela nesse clube, esta semana, a Forbes estimou o valor da Skims em um patamar muito abaixo daquele. Kim continuará a maior acionista da empresa após a negociação e, juntamente com seu sócio no empreendimento, Jens Grede, terá participação majoritária no capital da firma.

A Skims se beneficiou ao introduzir, oportunamente, modelos de pijamas e loungewear, com linhas de produtos como a “coleção conforto” impulsionando as vendas, enquanto as mulheres trocavam a moda fitness pelas calças de moletom. Mas os trajes apertados fizeram a Skims famosa, e essas linhas de produtos continuam centrais para a marca.

“Somos o básico favorito”, afirmou Kim em uma entrevista por Zoom, enquanto se preparava para uma sessão de fotos, mesmo que “ainda sejamos capazes de manter aquela essência do shapewear”.

Kim afirmou estar profundamente envolvida com o trabalho da Skims, da ajuda no design de produtos e coleções até a escolha dos profissionais que fotografarão as roupas, e disse estudar os dados relativos às vendas (assim como a maioria do produtos Kardashian, a Skims se tornou, em certas ocasiões, uma questão de família: Kanye West, o marido – atualmente separado – de Kim, estava “super envolvido” no começo, dando opiniões francas sobre os primeiros desenhos das embalagens da Skims, afirmou ela).

A Skims é uma entre muitas marcas novas de vestuário com foco principal no comércio eletrônico – um grupo que inclui também a Heist Studios e a Honeylove – que encontraram no shapewear uma oportunidade de negócios, em um nicho dominado havia décadas principalmente por uma única empresa, a Spanx. Antes de 2020, quando as vendas de shapewear diminuíram 30%, esse setor da moda gerava de forma consistente um pouco mais de US$ 500 milhões em vendas ao ano, ou 3% de todas as vendas de vestuário, de acordo com a empresa de pesquisas de mercado NPD. Como outros empreendimentos em shapewear, a Skims mirava os jovens.

A Skims definiu a si mesma com ênfase na inclusão, oferecendo nove tamanhos, até “5G”, em outros tantos tons de pele. Nas primeiras nove semanas de operação, a fila de espera para comprar seus produtos chegou a 2 milhões de pessoas, afirmou Grede. Até hoje, a Skims vendeu mais de 4 milhões de itens, com uma fidelização de clientes superior a 30%. Os produtos da Skims são vendidos nas lojas de departamento mais chiques, como a Nordstrom e a britânica Selfridges, e por vários revendedores online.

A Skims enfrentou problemas antes da pandemia. Um deles foi culpa da própria Kim: a empresa foi batizada inicialmente de Kimono, até que acusações de apropriação cultural a fizeram mudar de nome (“Mesmo que parecesse inocente para mim”, afirmou ela, “as pessoas não veem dessa maneira”).

Posteriormente, além da queda nas vendas de moda shapewear durante a pandemia, a empresa sofreu com atrasos na entrega das matérias-primas de seus tecidos, o que atrapalhou sua capacidade de desenvolver, produzir e, finalmente, vender novos produtos.

“Tivemos que descobrir novos fabricantes e ser criativos”, afirmou Kim. Mesmo assim, a Skims registrou US$ 145 milhões em vendas no ano passado e espera mais que dobrar esse montante, para US$ 300 milhões, este ano.

O futuro da Skims depende da maneira como a pandemia transformar o mercado de vestuário. “A moda shapewear, que é comprada para uso em ocasiões específicas, está em baixa durante a pandemia, bem em baixa”, afirmou Grede. Ele tem esperança de que, finalmente, haja um “reequilíbrio” nas vendas de produtos de diferentes categorias, com o retorno da demanda. Os sinais de varejistas como Anthropologie, que afirmou no mês passado que sete entre 10 de seus itens mais vendidos são vestidos, sugere que os consumidores talvez planejem retomar o uso de trajes mais formais.

Kristen Classi-Zummo, analista da NPD, traçou um prognóstico mais cauteloso, confirmando que essa categoria poderia se recuperar, mas ponderando que os consumidores que se acostumaram ao conforto insistirão em vestir roupas mais largas, mesmo que retomem certos aspectos do shapewear.

“Acredito que voltaremos a nos vestir bem”, afirmou Kristen, “mas tenho certeza que o visual e a sensação serão diferentes”.

(Tradução de Augusto Calil)

Brasileira Zenvia, que conecta empresas a clientes, prepara IPO de meio bilhão na Nasdaq

Por Rennan Setti

Cássio Bobsin, fundador e CEO da Zenvia | Divulgação

A brasileira Zenvia, candidata a “unicórnio” que conecta empresas a clientes por meio de ferramentas como SMS e WhatsApp, está preparando um IPO na Nasdaq. A companhia protocolou prospecto na SEC (Securities and Exchange Commission) nesta sexta-feira.

De acordo com o documento, o objetivo da companhia é levantar até US$ 100 milhões, ou mais de meio bilhão de reais. A oferta de ações está sendo coordenada por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Itaú BBA, UBS, Bradesco BBI e XP Investimentos. 

Sediada em São Paulo, a Zenvia nasceu em 2003 em Porto Alegre como uma solução de comunicação via SMS entre empresas e clientes, mas evoluiu para uma plataforma com outras ferramentas, como voz, chat e WhatsApp. No mês passado, a companhia anunciou fusão com a DI, cujos softwares digitalizam operações do varejo, bancos e seguradoras.

No ano passado, a Zenvia faturou R$ 492,5 milhões, um salto de 28% frente a 2019. Segundo o prospecto, a companhia tem 9,5 mil clientes ativos.

A companhia foi fundada pelo cientista da computação Cássio Bobsin, que é o CEO e também fundou a aceleradora WOW Startups. 

Em janeiro do ano passado, a companhia recebeu aporte de US$ 54 milhões em rodada liderada pela gestora Oria Capital, que já era investidora desde 2014. Também nesse ano, o BNDES aportou R$ 35,5 milhões na start-up. 

Microsoft compra Nuance Communications por US$19,7 bilhões

A empresa já licenciou sua tecnologia (que era usada na Siri) para a Apple

Microsoft fechou hoje um acordo para adquirir a Nuance Communications, líder em software de síntese por fala (speech to text), por US$19,7 bilhões. A empresa é conhecida por licenciar a tecnologia por trás da Siri, mas as informações são de que a Nuance e a Apple não trabalham mais juntas atualmente.

Em um comunicado anunciando o acordo, a Microsoft disse que pretende expandir suas tecnologias com foco em inteligência artificial e saúde — ambas áreas em que a Nuance teve um bom desempenho nos últimos anos.

A gigante de Redmond anunciou, no ano passado, o Microsoft Cloud for Healthcare, uma plataforma que fornece recursos para gerenciar dados de saúde em escala, tornando mais fácil para as organizações de saúde “melhorarem a experiência do paciente, coordenar o atendimento e impulsionar a eficiência operacional”, ao mesmo tempo em que ajuda a “apoiar a segurança, conformidade e interoperabilidade de dados de saúde”.

É importante notar que a Microsoft já tem vários produtos de reconhecimento de fala para serviços no Windows e no Azure — mas, como dissemos, o foco com a aquisição da Nuance está nas tecnologias voltadas para saúde.

A transação já foi aprovada pelo conselho da empresa e a Microsoft espera que o negócio seja fechado até o fim deste ano — estando sujeita à supervisão regulatória e à aprovação dos acionistas da Nuance.

Esse é a segunda maior compra da Microsoft até então, superada apenas pelos US$26,2 bilhões que a empresa pagou pelo LinkedIn, em 2016.

VIA TECHCRUNCH

Oprah, Kardashian e cia: conheça as mulheres bilionárias na lista da ‘Forbes’

Revista destaca as ‘self-made billionaires’, que fizeram fortunas com seu trabalho. Empresárias chinesas lideram o ranking
Thomson Reuters Foundation

A apresentadora e empresária Oprah Winfrey e a estrela dos reality shows Kim Kardashian estão na lista das ‘self-made billionaires’ da revista ‘Forbes’: mulheres que chegaram aos bilhões de dólares por seu trabalho e investimentos Foto: Arte

LONDRES – Kim Kardashian, estrela dos reality shows e empresária é agora uma bilionária na lista da Forbes. E junto com ela estão outras “self-made billionaires”, ou seja, mulheres que chegaram aos bilhões na conta bancária pelo sucesso de seu trabalho.

A “Forbes” estima que Kardashian, de 40 anos, hoje tenha “US$ 1 bilhão (eram US$ 780 milhões em outubro) graças a dois negócios lucrativos, a KKW e a Skims, mas também à televisão, publicidade e um número de pequenos investimentos”.

Mas ela não está sozinha na lista. Em fevereiro, Whitney Wolfe Herd se tornou a mais jovem mulher a se tornar bilionária com seu trabalho, depois que as ações de sua empresa, o app de relacionamentos Bumble, fizeram seu début no mercado. Aos 31 anos, a criadora do aplicativo no qual as mulheres dão o primeiro passo é também uma das mais jovens mulheres a liderar uma empresa com ações na bolsa.

Oprah Winfrey, empresária e superestrela da mídia (US$ 2,6 bilhões) também está na lista, que traz muitas mulheres chinesas. De acordo com o índice de bilionários da Bloomberg, as “self-made billionaires” representam menos de 5% das 500 pessoas mais ricas do mundo.

Os EUA têm a maioria dos bilionários, com 724, seguidos pela China, com 698, segundo a lista da Forbes.

Veja abaixo cinco outras mulheres que ficaram bilionárias por conta própria, segundo a lista da “Forbes”

1. Zhong Huijuan, CEO da farmacêutica Hansoh

A chinesa Zhong tem US$ 19.7 bilhões e é a mais rica mulher “self-made billionaire” do mundo. A farmacêutica Hansoh fabrica produtos para doenças do sistema nervoso central, oncologia, infecções, diabetes, trato digestivo e tratamentos cardiovasculares.

2. Wu Yajun, co-fundadora da Longfor Properties

Também chinesa, Wu tem US$ 19.1 bilhões e é a segunda na lista. Ela foi jornalista até que decidiu entrar para o mercado imobiliário e começar a Longfor Properties.

3. Diane Hendricks, co-fundadora da ABC Supply

Como presidente da ABC Supply, maior fornecedora de telhados e coberturas dos EUA, Hendricks tem US$ 8 bilhões e é a americana melhor colocada na lista de “self-made billionaires” da “Forbes”.PUBLICIDADEhttps://a5f697b8a6f50f00819f09a8f38f9575.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

4. Meg Whitman, ex-CEO do eBay

Whitman, que tem $6.2 bilhões, é reconhecida por ter feito o eBay crescer e se tornar uma empresa lucrativa. Uma das executivas mais importantes do Vale do Silício, ela já presidiu a Hewlett Packard. Recentemente, foi chefe executiva do app Quibi, de streaming de vídeos, que já não está em operação.

5. Sheryl Sandberg, diretora operacional do Facebook

Sandberg, que tem US$ 1,8 bilhão é uma das mulheres mais poderosas na tecnologia e também é conhecida pela iniciativa “Lean in”, que defende que as mulheres estejam em funções de liderança e aponta para as barreiras de gênero que as impede de chegar lá.

Após ser comprada pelo Nubank, Easynvest se antecipa a aval do Banco Central e zera taxas

Marcelo Mota

Escritório da Easyinvest / Foto: Pedro Moleiro/Easynvest/Divulgação

Easynvest não esperou o sinal verde do Banco Central (BC) para afinar sua operação pela filosofia do Nubank, que comprou a plataforma em setembro. A plataforma de investimentos vai zerar a partir de segunda as taxas de corretagem para transações com ações, opções e BDRs, os recibos de ações estrangeiras negociadas no mercado brasileiro. As transações de renda fixa já eram isentas da taxa e, com a ampliação, 99% das transações realizadas na B3 via Easynvest ficam livres da cobrança.

Compra já teve aval do Cade

A aquisição da plataforma pelo Nubank já tem o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão regulador da concorrência, mas, enquanto o BC não dá sua bênção ao negócio, é vedado aos executivos de ambos os lados combinar o jogo. Isso não impediu que a Easynvest se alinhasse à estratégia do futuro dono do negócio, que frequentemente abre mão de rentabilidade para ganhar participação no mercado.

Segundo o presidente da Easynvest, Fernando Miranda, contrapartidas pela receita perdida só virão a médio prazo. Em compensação, espera ver não só o aumento do número de clientes como mais transações de quem já está na plataforma. Para quem amargou em 2020 um prejuízo de quase R$ 33 milhões, perda quatro vezes maior que a registrada no ano anterior, a medida é uma demonstração de fôlego para brigar pelo mercado.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 09/04, às 15h00.

Nubank contrata Matt Swann, ex-Amazon e ex-Booking, como novo CTO

O Nubank, maior banco digital do mundo, anuncia hoje a contratação de Matt Swann como novo diretor-chefe de tecnologia (Chief Technology Officer). 

Swann tem experiência de 25 anos em equipes de Engenharia de Software e de Produto nos EUA 

Com 25 anos de experiência liderando equipes de Engenharia de Software e de Produto em empresas de crescimento exponencial como Amazon e Booking e também passagens em cargos de gestão em instituições globais como Citibank, Oracle e Motorola, o executivo chega ao Nubank para continuar impondo o ritmo acelerado de crescimento e de inovação que o banco digital vem trilhando nos últimos anos.

“Tornar-me CTO de uma empresa tão promissora como o Nubank, ainda mais tendo a missão de continuar o fantástico trabalho de um profissional como Ed (Edward Wible, co-fundador do Nubank), foi determinante para minha escolha. A cultura da empresa, fortemente alinhada com o propósito de melhorar a vida financeira de milhões de pessoas, também foi um fator que me atraiu para esta oportunidade”, afirma Matt Swann. 

O então CTO da empresa, Edward Wible, tinha o desejo de voltar a contribuir mais diretamente com a construção dos sistemas e da infraestrutura da empresa, e passa, agora, a ocupar a diretoria de Plataformas Tecnológicas. Wible participou ativamente do processo de escolha do novo CTO e está bastante entusiasmado com a contratação de Swann. 

“Matt traz um enorme repertório de experiência em domínios técnicos e uma expertise em desenvolvimento em larga escala que poucos líderes no mundo possuem. Estou animado em lhe dar as boas-vindas. Tenho certeza que ele vai fortalecer nossa equipe e nos ajudar a seguir crescendo e superando complexidades e desafios que tem aumentado à medida que ampliamos nossa base de clientes e nosso portfólio de produtos”, afirma Wible.


O Nubank tem crescido a um ritmo exponencial. A empresa soma hoje mais de 35 milhões de clientes. Em média, 36 mil pessoas por dia se tornaram clientes do banco digital em 2020. O produto de seguro de vida, lançado em dezembro passado, atingiu 100 mil clientes em menos de três meses; e a adoção do Pix pelos clientes foi enorme — a empresa detém hoje cerca de 30% do market share em número de transferências num universo com mais de 700 instituições. Ainda, o número de contas de PJ cresce a uma velocidade acelerada e as possibilidades no mercado de investimentos são inúmeras após a aquisição da Easynvest.

“No Nubank, estamos sempre olhando para o futuro e procurando antecipar movimentos para manter o ritmo de inovação e crescimento. Ser capaz de escalar nossas operações de maneira sustentável é uma vantagem competitiva importante. E foi nisso que pensamos quando eu e Ed decidimos contratar alguém que já passou por hiper-crescimento em empresas globais. Matt é um profissional que nos ajudará a atravessar os desafios que toda expansão exige e dará continuidade ao brilhante trabalho que Ed realizou nos oito últimos anos”, explica David Vélez, CEO e fundador do Nubank. 

O banco digital tem contratado diversas lideranças globais nos últimos anos. Em maio de 2019, a empresa anunciou a chegada da norte-americana Renee Mauldin — executiva com passagens pelo Google, Uber e Twitter — como diretora-chefe de RH (Chief People Officer). Em janeiro do ano passado, o banco digital trouxe Jag Duggal do Facebook para chefiar a área de Produto (Chief Product Officer) assim como Youssef Lahrech, ex-Capital One, que hoje ocupa o cargo de Chief Operating Officer no Nubank.

Em meio à pandemia, Brasil adiciona 11 bilionários à lista global da ‘Forbes’

No ranking que considera residentes no País, figuram um total de 56 empresários e executivos; entre estreantes na lista da revista, estão Guilherme Benchimol (XP), Ilson Mateus (Grupo Mateus) e o colombiano David Vélez (Nubank)

Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos. Foto: Felipe Rau/Estadao

A revista americana Forbes divulgou nesta terça-feira, 6, o novo ranking global dos bilionários em 2021. São 2,7 mil pessoas no total. Deste contingente, 56 moram no Brasil, sendo que 11 são novatos na lista – a expansão da presença nacional se deu apesar da crise gerada pela pandemia de covid-19, que fez a economia do País recuar mais de 4% em 2020. Entre os que aparecem pela primeira vez no ranking estão David Vélez (cofundador do Nubank, que é colombiano, mas mora no Brasil), Guilherme Benchimol (fundador da XP) e Ilson Mateus (Grupo Mateus). 

Houve uma mudança na metodologia neste ano. No levantamento atual, a publicação considerou o país de domicílio de executivos e empresários. Desta forma, bilionários brasileiros como Jorge Paulo Lemann, sócio da gigante das bebidas AB InBev e das operações globais da Kraft Heinz e do Burger King, não entram mais na conta brasileira. Lemann mora na Suíça. Da mesma forma, segundo a revista, Antonio Luiz Seabra, da Natura, também aparece como listado pelo Reino Unido. 

Quando essa divisão de domicílio é desconsiderada, e entram na conta empresários brasileiros residentes ou não no País, a presença nacional na lista sobe para um total de 65 pessoas. Mais uma vez, o avanço foi grande – por este método, havia 45 brasileiros listados em 2020. Esses executivos e empresários têm, no total, um patrimônio de quase US$ 220 bilhões – forte alta sobre os US$ 127 bilhões registrados no ano passado, de acordo com a revista. 

Parte dos estreantes na lista da Forbes tem sua ascensão ligada ao crescimento de seus negócios, a investimentos recebidos de fontes privadas ou a aberturas de capital. A XP, por exemplo, abriu o capital na Nasdaq (bolsa americana ligada ao setor de tecnologia) no fim de 2019, mas empreendeu forte crescimento no ano passado. Por isso, Benchimol, seu fundador, agora aparece como representante brasileiro no ranking global de bilionários (veja a lista de “novatos” ao lado).

Já o banco digital Nubank recebeu um aporte de US$ 400 milhões (mais de R$ 2 bilhões) em janeiro de 2021, em uma operação liderada pelo GIC, fundo soberano de Cingapura. Desta forma, o banco fundado por Veléz, que passou a figurar no ranking, chegou a uma avaliação total de US$ 25 bilhões, de acordo com fontes de mercado. Uma abertura de capital já está no horizonte da instituição financeira. A aposta dos investidores é que, como ocorreu com a XP, o Nubank também opte por abrir seu capital nos EUA.

Outro caso curioso da lista é o de Ilson Mateus, ex-garimpeiro que fundou o Grupo Mateus, um dos destaques do setor de atacarejo da região Nordeste. No ano passado, em operação comandada pela XP, a empresa captou R$ 4,63 bilhões em seu IPO (oferta inicial de ações na B3, a Bolsa paulista). O empresário fundou a companhia no Sul do Maranhão, ao lado da primeira esposa, Maria Ribeiro, que também entrou para o ranking de bilionários da Forbes. 

Dança das cadeiras

Na edição brasileira publicada em setembro do ano passado, cujos valores eram listados em reais, o banqueiro Joseph Safra havia desbancado Lemann como o brasileiro mais rico

Com a morte de Safra, em dezembro de 2020, seus herdeiros passaram a constar na lista global da Forbes de forma conjunta, com fortuna de mais de US$ 7 bilhões. No entanto, segundo a publicação, Lemann voltou a ser o brasileiro mais rico, com fortuna de US$ 16,9 bilhões – o suficiente para assumir a 114.ª posição em todo o mundo.

Veja quem são os novos bilionários que moram no Brasil: 

Veja todos os bilionários que moram no Brasil: 

  • Marcel Herrmann Telles, da ABInbev, com US$ 11,5 bilhões;
  • Jorge Neval Moll Filho, da Rede D’Or, com US$ 11,3 bilhões;
  • Família Safra, com US$ 7,1 bilhões;
  • Dulce Pugliese de Godoy Bueno, da Amil, com US$  6 bilhões;
  • Alceu Elias Feldmann, da Fertipar, com US$ 5,4 bilhões;
  • Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza, com US$ 5,3 bilhões;
  • David Vélez, do Nubank, com US$ 5,2 bilhões;
  • Luís Frias, do PagSeguro, com US$ 4,6 bilhões;
  • Andre Esteves, do BTG Pactual, com US$ 4,5 bilhões;
  • Candido Pinheiro Koren de Lima, do Hapvida, com Us$ 3,7 bilhões;
  • Franco Bittar Garcia, do Magazine Luiza, com US$ 3,5 bilhões;
  • Pedro de Godoy Bueno, do Dasa, com US$ 3 bilhões;
  • Joesley Batista, da JBS, com US$ 2,9 bilhões;
  • Wesley Batista, da JBS, com US$ 2,9 bilhões;
  • Luciano Hang, da Havan, com US$ 2,7 bilhões;
  • Guilherme Benchimol, da XP, com US$ 2,6 bilhões;
  • Abilio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, com US$ 2,6 bilhões;
  • Jose Luis Cutrale, do Sucocitrico Cutrale, com US$ 2,5 bilhões;
  • Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,5 bilhões;
  • Carlos Sanchez, da EMS (produtos farmacêuticos), com US$ 2,5 bilhões;
  • Andre Street, da StoneCo, com US$ 2,5 bilhões 
  • Eduardo de Pontes, da StoneCo, com US$ 2,4 bilhões;
  • Fernando Roberto Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • João Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • Walther Moreira Salles Junior, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • Jose Joao Abdalla Filho, do Banco Clássico, com US$ 2,2 bilhões;
  • Miguel Krigsner, do Boticário, com US$ 2,2 bilhões;
  • Rubens Menin Teixeira de Souza, do MRV, com US$ 2,2 bilhões;
  • Julio Bozano, do Banco Bozano, com US$ 2,1 bilhões;
  • Fabricio Garcia, do Magazine Luiza, com US$ 2,1 bilhões;
  • Flavia Bittar Garcia Faleiros, do Magazine Luiza, com US$ 2,1 bilhões;
  • João Alves de Queiroz Filho, da Arisco, com US$ 1,9 bilhão;
  • Ermirio Pereira de Moraes, do Grupo Votorantim, com US$ 1,9 bilhão;
  • Maria Helena Moraes Scripilliti, o Grupo Votorantim, com US$ 1,9 bilhão;
  • João Roberto Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • José Roberto Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • Roberto Irineu Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • Jorge Pinheiro Koren de Lima, do Hapvida, com  US$ 1,8 bilhão; 
  • Candido Pinheiro Koren de Lima Junior, com US$ 1,8 bilhão; 
  • David Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,7 bilhão; 
  • Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho, do Itaú Unibanco, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Daniel Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Jorge Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Ruben Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Alexandre Grendene Bartelle, da Grendene, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Lirio Parisotto, da Videolar, com US$ 1,5 bilhão; 
  • Fernando Trajano, do Magazine Luiza, com com US$ 1,5 bilhão;
  • Samuel Barata, da DPSP, com US$ 1,4 bilhão;
  • Maurizio Billi, da Eurofarma, com US$ 1,4 bilhão;
  • Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, do Itaú Unibanco, com US$ 1,4 bilhão;
  • Jayme Brasil Garfinkel, da Porto Seguro, com US$ 1,4 bilhão;
  • Guilherme Peirao Leal, da Natura, com US$ 1,4 bilhão;
  • Anne Marie Werninghaus, da Weg, com US$ 1,1 bilhão;
  • Ilson Mateus, do Grupo Mateus, com US$ 1,4 bilhão;
  • Maria Pinheiro, do Grupo Mateus, com  US$ 1 bilhão

Prédios corporativos ganham novo perfil de inquilinos

Setor imobiliário conta com aumento da demanda de empresas de tecnologia, saúde e finanças para tentar reduzir a taxa de vacância
Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

Edifício B32, em São Paulo, foi entregue com 60% de seus andares alugados Foto: Felipe Rau/Estadão

Após uma onda de devoluções de escritórios no rastro do home office, no ano passado, uma leva de novas empresas começa, aos poucos, a ocupar esses espaços, dando uma fisionomia nova aos prédios corporativos que antes tinham um perfil “tradicional”, com baias, salas fechadas e de reuniões. Esse processo de mudança, capitaneado por companhias que foram na contramão da atividade econômica e cresceram em meio à crise, como as de tecnologia, saúde e de assessoria financeira, traz um alento ao setor, que conta com isso para tentar diminuir um pouco a chamada taxa de vacância. 

As estimativas iniciais de especialistas é que o porcentual de empreendimentos sem inquilinos possa superar os 20% até o fim deste ano só na cidade de São Paulo, o dobro do observado no período pré-pandemia. Há um outro problema à vista: a chegada dos prédios que ficarão prontos agora em 2021.

Levantamento da Buildings, empresa de pesquisa imobiliária voltada para o segmento de imóveis comerciais, mostra que 31 novos edifícios deverão ser incorporados em breve ao mercado em São Paulo. Em metragem, considerando os projetos de classe A, são mais 352 mil metros quadrados de área para aluguel ou venda, em comparação aos 220 mil metros em 2020 – aumento de 60%.

“A decisão pela construção desses empreendimentos foi tomada há cerca de três anos, quando havia uma indicação de queda na taxa de vacância”, afirma o sócio-diretor da Buildings, Fernando Didziakas. Segundo ele, a solução pode estar nas empresas que estão fazendo planos de crescimento. “Na pandemia, as empresas conseguiram se adaptar ao home office, mas isso, no longo prazo, não vai se manter integralmente. As empresas vão continuar precisando de espaços físicos, mas a retomada poderá vir de novas empresas que estão chegando ao mercado e aquelas que estão crescendo.”

Um sinal disso é o que aconteceu em um dos edifícios já entregues no início do ano, o B32, localizado no bairro do Itaim, em São Paulo. Ele foi entregue com 60% de seus andares alugados, grande parte para empresas de tecnologia. Apenas o Facebook reservou espaço equivalente a 30% do edifício. Já o e-commerce Shopee, com sede em Cingapura, e que viu seu negócio se expandir rapidamente no Brasil em meio à pandemia, tinha alugado uma área de 4 mil metros quadrados. Agora, já planeja sua expansão, disse uma fonte ao Estadão.

Em outro movimento, a fintech Creditas também não para de expandir seu espaço próximo à Marginal Pinheiros. A mexida no mercado também passa por executivos de bancos e gestoras de investimento que começam a tirar do papel projetos de voo solo e, para isso, precisam de espaço físico para suas atividades. 

Saúde

O responsável pela Pesquisa e Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield, Jadson Andrade também cita empresas dos ramos de seguro, energia e saúde. Neste último caso, Andrade comenta que algumas empresas estão recorrendo a prédios corporativos para montar clínicas e até mesmo hospitais, quando conseguem fazer a adaptação necessária no empreendimento. A Prevent Senior, por exemplo, alugou no ano passado um prédio corporativo na Avenida Brigadeiro Luís Antônio para construir um hospital. Ficou ainda com o antigo prédio onde funcionava a Fnac, em Pinheiros, e outro na Marginal.

“Os escritórios começam a ser adaptados para a nova realidade e para as demandas que começam a surgir agora”, diz Caio Castro, sócio da gestora de fundo imobiliários RBR. Essa adaptação tem passado por maior espaçamento entre os pontos de trabalho e, ainda, áreas de interação, algo que vem se mostrando necessário após o esgotamento do trabalho em casa em 100% do tempo.

Como a inteligência artificial da Loft determina os preços de apartamentos

Após aporte milionário, startup de compra e venda de apartamentos revela o funcionamento de seus algoritmos
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Fundada em 2018, a Loft encarou entraves do mercado imobiliário brasileiro ao tentar utilizar dados para a venda e compra de imóveis
Fundada em 2018, a Loft encarou entraves do mercado imobiliário brasileiro ao tentar utilizar dados para a venda e compra de imóveis

Historicamente, a negociação de um imóvel no Brasil tem ar de mistério. Quase sempre, as partes realizam o ritual de tentar tirar vantagem sobre um preço cuja origem está longe de ter precisão científica. É algo que a Loft, que na semana passada recebeu um aporte de US$ 425 milhões e agora tem valor estimado de US$ 2,2 bilhões, está tentando mudar. Na receita da startup de compra e venda de imóveis estão inteligência artificial (IA) e volumes absurdos de dados – a ideia é que os algoritmos possam ser “corretores” não apenas no sentido de serem negociadores, mas também no de elementos que ajustam a rota dos preços de apartamentos.

Quando Mate Pencz e Florian Hagenbuch fundaram a Loft em 2018, a inspiração eram as americanas Opendoor e Zillow – empresas que utilizam dados do setor para realizar transações de compra e venda de imóveis. Mas tinha um detalhe: nos EUA, as informações do setor imobiliário são organizadas de forma mais centralizada, o que permite o uso ligeiro de algoritmos. No Brasil, ao contrário, as informações são fragmentadas. Então, a Loft precisou primeiro construir um banco de dados “básico” antes de colocar a IA para funcionar. 

A opção mais óbvia seria fazer a coleta de informações de classificados. Nas palavras de Pecz, isso seria um erro. “As informações de classificados não refletem os valores reais dos imóveis. Eles são um reflexo daquilo que as pessoas imaginam ser os valores”, diz ele ao Estadão. Era necessário cavar mais fundo. 

A empresa passou a abordar cartórios de registros de imóveis para a compra de grandes volumes de matrículas – o objetivo era ter dados de localização, metragem e transações de pelo menos 20 anos. “No começo, os funcionários dos cartórios olhavam para a gente com desconfiança. Foi preciso explicar o que estávamos fazendo”, lembra Márcio Reis, vice-presidente de produtos da Loft. 

No início, as informações eram referentes à região dos Jardins, em São Paulo, primeira em que a Loft atuou. Detalhe: muitas das informações estavam impressas. Reis diz que foi preciso criar algoritmos de visão computacional para extrair as informações dos documentos, como data, endereço e valores. Ainda assim, as informações eram insuficientes. “Perdemos dinheiro nas primeiras transações, porque nossas ferramentas ainda não estavam ajustadas”, diz Pencz. 

Dados de cartório, contudo, não eram suficientes para descobrir metragem, endereços e valores dos imóveis. O próximo passo: comprar bases de dados de prefeituras, referentes a IPTU, e dos Correios para os endereços. “Nenhuma delas é perfeita, então foi preciso agregá-las para fazer o ‘tira-teima’”. Todas são acessíveis publicamente – a diferença é que poucas pessoas fariam isso sozinhas. 

O tamanho do banco de informações seguiu a expansão da empresa. Depois dos Jardins, a empresa demorou quase um ano para chegar ao segundo bairro, o Itaim. No período, não apenas o banco de dados foi se desenvolvendo, como também os algoritmos que pegam essas informações e determinam os preços – os Jardins foram o laboratório da Loft. Atualmente, a empresa está em 116 bairros em São Paulo e 14 no Rio de Janeiro. 

O algoritmo também evoluiu: atualmente, ele está na sua quarta geração e foi batizado de “Robson” – cada versão da IA leva um nome humano. Antes do Robson, existiram David, Leia e Amadeus. Cada nova versão analisa mais fontes de dados e agrega novas tecnologias e recursos de inteligência artificial. 

O que também ajudou a empurrar os algoritmos é a entrada de dados de clientes. Um dos pontos mais discutidos em inteligência artificial é o uso de “dados não tradicionais”. Ou seja: informações que não pertencem a bancos oficiais relacionados a determinados segmentos (por exemplo: dados de um birô de crédito para quem busca financiamento), mas que revelam bastante sobre a pessoa. No caso da Loft, a maneira como o cliente se relaciona com a plataforma entrega informações. Por exemplo, a opção por um tipo específico de acabamento na reforma ou a demanda por uma certa de planta de imóvel. 

Houve um reforço ainda maior em relação aos dados de clientes quando a empresa abriu em agosto de 2020 o marketplace, no qual é possível comprar e vender diretamente. Funciona não apenas como uma nova frente de negócios, mas também como uma nova porta de entrada de dados sobre precificação. 

Inflação e outros fatores 

Além de dados imobiliários e dos clientes, o algoritmo da Loft olha para inflação, taxa de juros e índice de lançamentos imobiliários em determinado bairro. “Uma característica do setor é que existem poucos dados. Durante a vida, as pessoas compram e vendem poucos imóveis, então a IA precisa ser capaz de olhar para transações do passado e fazer os ajustes de inflação e juros”, diz Reis. 

No início, a startup tinha dois algoritmos separados: um para precificação baseado nos dados imobiliários e outro para o ajuste de preço baseado em fatores econômicos. Tudo isso foi fundido e, atualmente, a IA da Loft opera com um único e complexo modelo.

Outros dados pouco comuns também passaram a alimentar a máquina. Informações da prefeitura, como nível de arborização e taxas de criminalidade dos bairros, do Detran, como volume de tráfego, e do IBGE, como nível de emprego dos bairros, também fazem parte da conta. Dados do Google Maps, sobre a presença de comércio e serviços, também já são considerados. Reis explica que a empresa já tem tecnologia para detectar quando um bairro começa se tornar mais badalado ou mais decadente, mas que ainda não está utilizando esses dados. 

Todas as informações são mantidas atualizadas para tentar refletir em tempo real os valores dos apartamentos. Reis diz também que a empresa segue sempre em busca de mais dados para deixar a IA refinada. 

Temores

“Temos uma sociedade dividida entre digital e analógica. É preciso ficar atento para não excluir uma parte da população quando um segmento é digitalizado”, diz Anderson Soares, coordenador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG). De fato, existe uma preocupação de que startups do setor imobiliário colaborem para gentrificação de bairros, colocando preços altos e expulsando moradores ligados às regiões. É algo que Pencz refuta: “A IA traz transparência ao processo, evitando a especulação”, diz.      

Especialistas em IA concordam que a tecnologia traz pragmatismo a um mercado acostumado com intuição, mas lembram que é sempre importante manter a transparência do algoritmo. “A IA pode tomar decisões inexplicáveis para o usuário humano, que pode então ficar na dúvida sobre o que está acontecendo. A empresa precisa explicar o que levou a IA a tomar uma particular decisão”, diz Fabio Cozman, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.  

“Por exemplo, no caso de uma decisão um pouco surpreendente, a explicação poderia ser: ‘este preço foi dado levando em conta a média do bairro X e também o fato de o apartamento ter uma vista muito bonita para o parque Z’”, diz.

Outro temor é que a IA possa apresentar algum tipo de viés que prejudique quem está negociando com a Loft. Quanto a isso, Reis é claro: a empresa trabalha para deixar o algoritmo preciso e transparente, mas também preserva uma margem.  “Somos uma empresa e temos de ter a nossa margem. Quando compramos um apartamento, o preço oferecido não é o quanto o imóvel vale. A negociação precisa cobrir os custos e ter margem”, diz. Segundo ele, porém, o algoritmo sempre será justo na oferta, considerando também esses fatores. Ele lembra também que quem usa o marketplace para negociar o imóvel com terceiros pode ter um valor maior.   

Em relação a outros tipos de viés, Reis afirma que nunca detectaram algo problemático na versão pública dos algoritmos, apenas em versões de testes. “Somos uma startup e sempre podemos melhorar. A IA, porém, permite abrir a caixa preta do setor imobiliário”. 

Em outras palavras: no mundo imaginado pela Loft, não existe chance de acertar o preço de um apartamento perguntando para um parente próximo ou para o porteiro do prédio.

IA faz a detecção de pessoas em fotos após polêmica

Não é só na definição do preço de apartamentos que a Loft utiliza inteligência artificial. Os algoritmos precisaram entrar em ação após um caso grave envolvendo a companhia. Em julho de 2020, o anúncio de um apartamento à venda por R$ 475 mil no bairro de Pinheiros, São Paulo, causou escândalo ao trazer a imagem de uma idosa em uma cama hospitalar instalada na sala do imóvel. 

O caso, claro, caiu mal dentro da empresa, que acionou o time de IA para desenvolver um algoritmo de visão computacional capaz de detectar pessoas e imagens impróprias nos cômodos. Quando os algoritmos enxergam algo de errado nas fotos dos anúncios, a equipe de auditoria de imagens é acionada para intervir diante do problema. Atualmente, a ferramenta é usada internamente, mas, segundo a startup, deverá ser disponibilizada em breve para os clientes durante a criação de anúncios.