Alta da inadimplência chega às financeiras de grandes varejistas

Dependentes do ‘cartão de loja’, que somam até 40% das vendas, empresas já falam em frear crédito
Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

Desafio de varejistas é ‘dosar’ crédito aos cliente

Diante do cenário de restrição de crédito do País, as grandes varejistas – entre elas, RiachueloMarisa e Renner – criaram um sistema de crédito destinado a alimentar seu negócio principal, o varejo. São negócios como esses que alimentam o mercado de crédito mesmo em tempos como os atuais, de taxa básica em alta e fraca atividade econômica. No entanto, nesse momento, até elas estão de olho em um indicador que já apareceu negativo no balanço dos bancos: a alta da inadimplência.

O aumento dos calotes já apareceu nos números do primeiro trimestre de Marisa, Riachuelo e Renner, por exemplo – a primeira já anunciou, em seu balanço, que vai aumentar a provisão para eventuais calotes. Já o diretor financeiro da Riachuelo, Túlio de Queiroz, adiantou que pode começar a fechar a torneira de financiamentos, já que a varejista vai ficar mais seletiva na hora das liberações. “Isso claramente é um reflexo da questão macro que estamos vivendo”, disse Queiroz, na mais recente divulgação de balanço da empresa.

Dependência

As empresas, no entanto, têm de ser cuidadosas mesmo ao colocar o pé no freio, uma vez que, mesmo com o crescimento dos cartões de crédito no País nos últimos anos, seus “cartões de loja” ainda são muito importantes para seu faturamento. Quase 35% das vendas da Renner são feitas pelo crediário próprio. Na Marisa, esse número sobe para quase 39%. 

Por outro lado, o cartão é um trunfo dessas redes, já que, muitas vezes, representa o único acesso de parte dos consumidores a ferramentas de parcelamento. Especialista em varejo e sócio da consultoria Varese Retail, Alberto Serrentino lembra que o varejo voltado às classes C e D, que concentram a maior parte da população brasileira, depende do crédito. “Isso é algo que está incorporado ao modelo de negócio. O parcelado na venda no Brasil é necessário para atingir a massa”, aponta. 

É por isso que muitas varejistas optam por ter a financeira dentro de casa – caso de Riachuelo, Marisa e Renner. Nesses casos, quando a gestão do risco é feita diretamente, a concessão de crédito costuma ser maior do que quando um banco opera o serviço (como ocorre, por exemplo, na concorrente C&A). “A tentação da operação própria é se tomar um risco maior”, afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira do Varejo e Consumo (SBVC).

Risco

Além de financiar a compra de um produto de sua própria prateleira, algumas das varejistas também emprestam dinheiro, concorrendo com as financeiras. 

Nesse caso, o presidente da SBVC afirma que é necessário tomar cuidado, pois o risco é a varejista “esquecer” a atividade central em favor da financeira. “O grande drama de dar diretamente o crédito é que a financeira muitas vezes drena recursos que poderiam ir para a abertura de lojas, por exemplo”, diz Terra. “A empresa pode até acabar quebrando.”

É uma situação que as empresas precisam ter em mente especialmente em momentos de alta de juros. Um caso histórico de companhia que quebrou por causa do descontrole com o crédito foi o da Arapuã, que havia chegado a liderar a venda de eletrodomésticos no País. A crise dos chamados “tigres asiáticos”, em 1997, acabou pegando a companhia desprevenida. 

Na época, para controlar a fuga de capital externo, o Banco Central se viu obrigado a aumentar os juros, de uma só vez, de 20% para 40% ao ano. Resultado: a inadimplência explodiu, e quem não tinha reservas acabou sofrendo com os efeitos da mexida nas taxas.

Para Boanerges Ramos Freire, presidente da consultoria Boanerges, especializada em serviços financeiros, na cabeça do consumidor a relação com uma varejista é diferente da mantida com um banco. “O cliente não procura a varejista pelo crédito, mas por seus produtos”, diz Freire, lembrando que, por isso, é necessário que esses negócios saibam que sua concessão de crédito precisa estar sempre subordinada à atividade principal.  

Alta dos juros: risco e oportunidade para financeiras

Momentos de juros altos, como o atual, representam tanto um risco quanto uma oportunidade para as financeiras. Segundo a analista responsável pela cobertura do setor de varejo na XP, Daniella Eiger, as taxas maiores podem engordar a receita financeira desses negócios, uma vez que os empréstimos são invariavelmente atrelados à Selic, acrescida de taxa extra. Por outro lado, o risco de inadimplência é maior, já que a alta dos juros geralmente reduz a marcha da economia, prejudicando também a capacidade de pagamento dos consumidores. 

“De modo geral, estrategicamente vemos as financeiras das varejistas com bons olhos, ainda mais as voltadas à média e baixa rendas, já que se tratam de um ‘viabilizador’ de demanda e vendas”, afirma a especialista, tendo em vista o fato de que, via de regra, as financeiras tendem a liberar crédito a um público mais amplo do que os bancos, por exemplo.

A analista da XP lembra também que a varejista ganha nas duas pontas – no crédito e na venda realizada –, o que explica seu apetite maior por liberações. “O que as varejistas têm de tomar cuidado é em não dar dinheiro para todo mundo. Mas nosso entendimento é de que elas fazem isso com muita cautela”, ressalta.  

Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações

Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações
Por Agências internacionais – Reuters

Aquisição do Twitter por Elon Musk está suspensa, até que o bilionário e a empresa cheguem a um acordo sobre as contas falsas na plataforma

Investidores do Twitter foram à Justiça nesta quinta-feira, 26, para processar Elon Musk, fundador da montadora de carros elétricos Tesla e que, em abril, fechou um acordo para comprar a rede social de mensagens curtas por US$ 44 bilhões.

Segundo o processo, o bilionário é acusado de manipular negativamente o preço das ações da plataforma antes de anunciar o interesse na aquisição. Os investidores atestaram que o bilionário “economizou” cerca de US$ 156 milhões ao omitir, até 14 de março, a informação de que havia comprado 5% do Twitter.

A ação é coletiva e os investidores pedem uma quantia não especificada por danos punitivos e compensatórios.

Os investidores também nomearam o Twitter como réu, argumentando que a empresa tinha a obrigação de investigar a conduta de Musk. Eles, porém, não buscam indenização da rede social.

O grupo de acionistas disse que Musk continuou a comprar ações depois disso e, finalmente, divulgou no início de abril a fatia de 9,2% na empresa, de acordo com o processo aberto na última quarta-feira no tribunal federal da cidade americana de São Francisco, na Califórnia.

“Ao adiar a divulgação de sua participação no Twitter, Musk se envolveu em manipulação de mercado e comprou ações do Twitter a um preço artificialmente baixo”, disseram os investidores, liderados por William Heresniak.

No processo, os investidores disseram que a recente queda das ações da Tesla, na qual Musk é presidente executivo, colocou a capacidade do bilionário de financiar a aquisição do Twitter em “grande perigo”, já que ele deixou suas ações como garantia aos empréstimos necessários para a aquisição.

As ações da Tesla estavam sendo negociadas a cerca de US$ 705 cada na tarde desta quinta-feira, contra mais de US$ 1.000 no início de abril.

Os investidores também afirmaram que as críticas públicas de Musk ao Twitter, incluindo um tuíte de 13 de maio afirmando que o acordo para compra estava “temporariamente suspenso” até a empresa provar que as contas falsas representam menos de 5% de seus usuários, equivalem a uma tentativa de derrubar ainda mais o preço das ações.

Musk e seu advogado não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O Twitter não comentou.

XP fecha acordo com Educafro após polêmica de foto só com pessoas brancas

O escritório Ável Investimentos terá que promover processos seletivos com vagas exclusivas para negros e mulheres, além de instituir canal de denúncias sobre discriminação e assédio. ONG reconhece ações da XP

Funcionários da Ável Investimentos no terraço da empresa, em Porto Alegre — Foto: Reprodução internet

caso da foto de uma equipe de agentes de investimentos da XP apenas com profissionais brancos, que foi publicada em agosto do ano passado e viralizou nas redes sociais levantando questionamentos sobre a falta de representatividade na empresa, teve um desfecho. A foto chamou a atenção pela falta de negros e também pela presença reduzida de mulheres, dois grupos subrepresentados no mercado financeiro, apesar do avanço de programas de diversidade em muitas empresas.

Uma ação civil pública movida pela ONG Educafro, que atua em favor da inclusão educacional e profissional de jovens negros, contra a corretora e o escritório Ável Investimentos, credenciado à XP e responsável pela reunião da foto, foi encerrada por meio de um acordo. Com isso, não haverá o pagamento de danos morais coletivos pedidos pela ONG.

A Educafro reconheceu ações adotadas pela XP desde então em prol da diversidade na empresa, bem como as boas práticas de ESG (sigla em inglês para iniciativas ambientais, sociais e de governança) demonstradas pela corretora fundada por Guilherme Benchimol.

Já a Ável se comprometeu a concluir o plano de letramento em Diversidade e Inclusão que implementa, por meio de uma consultoria especializada, já contratada.

Desse modo, a Educafro considerou que o plano de diversidade apresentado pelo escritório de agentes autônomos é suficiente para tornar o quadro de colaboradores mais diverso.

Como parte do acordo, a Ável terá que criar processos seletivos com vagas exclusivas para populações vulnerabilizadas, notadamente negros e mulheres, e também promover a educação profissional para essas populações, visando sua capacitação e inserção no mercado de trabalho.

XP quer aumentar presença de negros de 20% para 32% dos funcionários

Nos últimos anos, a XP assumiu compromissos públicos para aumentar a diversidade na organização. As mulheres representam 34% do total de membros, o que equivale a um avanço de 12 pontos percentuais em apenas dois anos. Há o compromisso de atingir equidade de gênero até 2025.

Dentre os colaboradores, 20% se declaram como negros. Em 2020 eram 17%. O objetivo é chegar a pelo menos 32% de pessoas negras nos próximos três anos.Além de ter um Comitê de Diversidade e grupos de afinidade para fomentar os debates sobre o tema, a empresa terá que disponibilizar um canal confidencial para denúncias sobre comportamentos ofensivos de assédio ou discriminatórios, gerido de forma independente.

“Os autores reconhecem, de forma expressa, que a XP Investimentos elabora estratégia e desenvolve ações de curto, médio e longo prazo para a promoção da equidade e inclusão quanto à raça, gênero e orientação sexual, idade e de pessoas com deficiência no âmbito de seu ambiente de trabalho e de seu ecossistema de negócio, implementando e promovendo as melhores práticas de recrutamento, capacitação e treinamento e realizando seu adequado monitoramento, com foco na superação progressiva das metas estabelecidas, reconhecendo a efetividade das iniciativas apontadas (nos autos do processo)”, diz um trecho do acordo.

Musk precisa levantar mais US$ 6,25 bi para comprar Twitter após perder empréstimo

Bilionário busca levantar capital adicional com acionistas do Twitter
Nikou Asgari
Antoine Gara
Ortenca Aliaj

Elon Musk

NOVA YORK | FINANCIAL TIMES – Elon Musk precisará levantar mais capital para financiar sua compra do Twitter por US$ 44 bilhões, depois de deixar que uma linha de crédito de US$ 6,25 bilhões garantida por suas ações na montadora de carros elétricos Tesla expirasse.

Após a perda da linha de crédito, o montante de capital que Musk precisa garantir para concluir a transação está agora em US$ 33,5 bilhões, de acordo com documentos encaminhados por ele às autoridades regulatórias dos EUA nesta quarta-feira (25).

Essa é a mais recente reviravolta no esforço de Musk para comprar o Twitter. No início do mês, o presidente-executivo da Tesla alimentou especulações de que estava planejando abandonar a transação, depois de afirmar que ela “não podia seguir em frente” sem que a companhia oferecesse provas quanto ao seu número de contas falsas. Ele mais tarde acrescentou que “continuava a manter seu compromisso para com a aquisição”, mas indicou que pode desejar renegociar o preço de compra.

Musk está buscando levantar capital adicional para sua oferta pedindo a acionistas do Twitter, como Jack Dorsey, um dos fundadores da empresa, que convertam e incluam suas participações acionárias na transação, o que reduziria a quantia que ele teria de colocar no negócio.

A linha de crédito, originalmente em valor de US$ 12,5 bilhões, foi reduzida à metade neste mês quando Musk obteve US$ 7,14 bilhões de um elenco de investidores, entre os quais Larry Ellison, o bilionário fundador da Oracle; a bolsa de criptomoedas Binance; e o grupo de capital para empreendimentos Sequoia Capital.

Financiar a transação sem a linha de crédito vai reduzir a pressão sobre as ações da Tesla, que perdeu US$ 125 bilhões em valor de mercado um dia depois que a aquisição do Twitter foi anunciada. As ações da montadora de carros elétricos caíram em 25% desde o anúncio da transação.

Ao anunciar seu pacote de financiamento de US$ 46,5 bilhões para a compra do Twitter, Musk obteve linhas de crédito de uma dúzia de instituições de empréstimo, lideradas pelo banco Morgan Stanley, oferecendo US$ 62,5 bilhões em suas ações da Tesla como garantia.

Eliminar esse componente do acordo e elevar a quantia em dinheiro de que ele precisaria para bancar a transação vai resultar em atenção redobrada a como Musk planeja bancar essa porção da transação.

As ações do Twitter vêm sendo negociadas bem abaixo do preço de US$ 54,20 pelo qual Musk fechou seu acordo de aquisição. Depois da mais recente revelação do empreendedor, na quarta-feira, elas subiram em mais de 5% em transações posteriores ao fechamento do mercado, atingindo a cotação de US$ 39,20.

A tomada de controle do Twitter por Musk, uma transação de US$ 44 bilhões, seria uma das maiores aquisições alavancadas já realizadas e vem causando controvérsia desde o primeiro momento. O chefe da Tesla anunciou que permitiria que o ex-presidente americano Donald Trump voltasse à plataforma, avaliaria as regras de moderação de conteúdo que estão em vigor e combateria a proliferação de “bots”.

Tradução de Paulo Migliacci

‘Daqui a cinco anos, a gente se fala’, diz Vélez, do Nubank, sobre queda nas ações

Papéis do banco digital acumulam perda de 65% neste ano
Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

No Fórum Econômico Mundial, David Vélez, fundador do Nubank, mostrou que a forte queda das ações do banco digital não abalaram seus planos  Foto: Paulo Whitaker/ Reuters

DAVOS – A forte queda das ações do Nubank, que este ano acumulam perda de 65%, não abalou os planos de David Vélez, fundador do banco digital. “Nossa tese não mudou”, disse a um pequeno grupo de jornalistas brasileiros no Fórum Econômico Mundial, em Davos. “Daqui a cinco anos, a gente se fala”, completou, emendando que a estratégia do banco digital é de longo prazo.

Só na América Latina, há 240 milhões de pessoas fora do sistema financeiro, disse Vélez. Ao mesmo tempo, o mercado bancário da região é de US$ 1 trilhão.

“O modelo de um banco digital é muito mais rentável do que o de um banco tradicional, que não tem agências.” Por isso, esse US$ 1 trilhão vai aumentar “exponencialmente”, completou Vélez. Mas para isso, leva tempo. “O jeito de entender a gente é o longo prazo. Continuamos focados na construção dessa estratégia.”

No curto prazo, ressaltou o executivo, tem o ambiente mais adverso, que está penalizando as fintechs e empresas de tecnologia no mundo todo. Perguntado sobre a perspectiva de recuperação dos preços das ações do Nubank, ele evitou falar.

Vélez ressaltou que a instituição está com bons resultados, crescendo, chegou a 60 milhões de clientes, mas ainda “é uma formiguinha”. Por ora, o foco da operação é Brasil, Colômbia e México. Só no Brasil, são 57 milhões de clientes. No México, é o maior emissor de cartões e, na Colômbia, há uma lista de espera de 1 milhão de pessoas interessadas no cartão. “Estamos muito à frente no digital. Essa tese não muda.”

Remuneração

Sobre a polêmica gerada pela remuneração da diretoria do Nubank, de R$ 802 milhões, por ser um valor muito acima da média dos bancos brasileiros, e dos quais Vélez ficará com a maior parte, o executivo disse que “é tudo ou nada”. Ou seja, esse valor vai depender do desempenho do banco. Se não for atingido, esse valor não existe.

Pela primeira vez em Davos, Vélez disse que o evento é uma oportunidade de ter contatos com outras fintechs, investidores internacionais e falar de parcerias. Ele contou que o Nubank investiu em um banco na Índia e no Paquistão e sempre recebe contatos de empreendedores de outros países querendo saber da história do Nubank para montar algo parecido em seus países.

Ignorado

Vélez fundou o Nubank em São Paulo e, segundo ele, por muito tempo foi ignorado pelos bancões. “Ninguém olhava a gente por três ou quatro anos”. Neste momento, o executivo citou uma frase atribuída a Gandhi: primeiro te ignoram; depois riem de você; depois brigam com você e depois você ganha.

No curto período de vida do Nubank, Vélez contou que o banco digital já passou por diversas crises no Brasil, desde os ruídos políticos que levaram ao impeachment da Dilma Rousseff, pela recessão e pelos anos de baixo crescimento.

Twitter encara acionistas em primeira assembleia anual pós Musk

A assembleia, que acontece todos os anos com investidores da empresa, quer conversar sobre o futuro do Twitter sem discutir o acordo com Elon Musk

Twitter enfrentará acionistas céticos nesta quarta-feira, 25, na sua primeira assembleia anual após o processo de negociação da venda da plataforma para Elon Musk. O acordo de US$ 44 bilhões, que está temporariamente suspenso, ainda levanta dúvidas sobre sua conclusão pelo bilionário, que exige provas da quantidade de contas falsas existentes na rede social.

Apesar do anúncio público de Musk de que estava pausando as negociações, o Twitter afirmou que continua comprometido com o acordo pelo preço combinado. No entanto, os investidores não pareceram convencidos, já que as ações do Twitter fecharam na terça-feira, 24, em US$ 35,76 cada, representando um desconto de 34% em relação ao preço proposto por Musk, de US$ 54,20 por ação.

O encontro anual, que acontece virtualmente, vai dispor de uma sessão de perguntas e respostas entre executivos e investidores. A empresa, porém, afirmou que não vai atender a questionamentos que sejam relacionados à compra do Twitter por Musk. Com o negócio incerto, o bilionário também não deve estar presente na reunião.

Os investidores do Twitter devem votar cinco propostas de acionistas, que incluem pedir à empresa que produza um relatório sobre seu impacto nos direitos civis e outro sobre suas atividades de lobby. A administração se opõe a todas as propostas./COM REUTERS

B3 lança estágio de tecnologia para mulheres

Programa vai selecionar 20 jovens de cursos como ciência da computação e engenharia de softwares
Joana Cunha com Andressa Motter e Paulo Ricardo Martins

 B3, em São Paulo

SÃO PAULO – A área de tecnologia da B3 vai ter um programa de estágio só para mulheres.

O processo seletivo, que será lançado nesta quarta-feira (18), vai selecionar 20 jovens de cursos como ciência da computação, tecnologia da informação e engenharia de softwares com conclusão entre julho de 2023 e dezembro de 2024.

Além de mentorias, o programa conta com treinamentos e projetos de voluntariado. A companhia diz que o primeiro ciclo de contratações das estagiárias acontecerá seis meses após o início do programa, e o segundo, em um ano.

​O processo seletivo será realizado em parceria com Universia Consultoria.

Em momento delicado, Netflix demite 150 funcionários nos EUA

Corte de funcionários afeta também outros países e é parte de um plano de redução de gastos na empresa

Netflix criou modelo de negócio novo para consumir filmes e séries na internet
Netflix criou modelo de negócio novo para consumir filmes e séries na internet

A Netflix tem sentido o peso do relatório financeiro ruim, registrado nos três primeiros meses de 2022. Após demitir funcionários do Tudum, site de conteúdos sobre séries da empresa, a companhia confirmou o corte de 150 pessoas nesta terça-feira, 17. A informação foi revelada pelo site americano Deadline

De acordo com o site, os funcionários receberam o comunicado para deixar seus cargos, frente a crise que a empresa está enfrentando. Pela primeira vez em mais de uma década, o serviço de streaming perdeu usuários e registrou números fracos no balanço financeiro. 

No total, a empresa registrou uma queda de 200 mil assinantes na plataforma, número que reflete a suspensão do serviço de streaming na Rússia, por conta da guerra, e a competição de mercado com outros serviços, como Disney+, por exemplo.

“Como explicamos, nosso crescimento de receita mais lento significa que também estamos tendo que diminuir nosso crescimento de custos como empresa. Infelizmente, estamos demitindo cerca de 150 funcionários hoje, a maioria dos EUA”, disse um porta-voz da Netflix em comunicado ao Deadline. “Essas mudanças são impulsionadas principalmente pelas necessidades de negócios e não pelo desempenho individual, o que as torna especialmente difíceis, pois nenhum de nós quer dizer adeus a esses grandes colegas. Estamos trabalhando duro para apoiá-los nessa transição muito difícil”.

Os cortes também podem ter afetado funcionários de outros países, afirmou o Deadline. Em contato com a reportagem, a Netflix ainda não informou se algum colaborador no Brasil foi demitido. Nos EUA, as demissões representam cerca de 2% da força de trabalho da empresa no país. 

Ainda, várias áreas teriam sido atingidas, como criação, séries e filmes. Os níveis dos cargos também foi sortido: desde assistentes até diretores de divisões, como conteúdo — uma parte grande e importante na empresa — tiveram cortes nesta semana. 

Nos dias seguintes ao balanço financeiro, a queda das ações da Netflix na Bolsa de Valores americana representou mais de um terço da sua avaliação. Foi o maior declínio das ações da empresa em quase duas décadas. 

Estratégias

Com as ações despencando, a Netflix deve ampliar as opções de planos de assinatura para usuários nos próximos meses, afirmou o presidente da gigante do streaming, Reed Hastings, em conferência com investidores nesta terça-feira, 19. Segundo o executivo, os modelos devem ser de menor custo e baseados em anúncios pagos, em formato similar ao que fazem canais de televisão tradicionais.

“Aqueles que acompanham a Netflix sabem que sou contra a complexidade da publicidade e um grande fã da simplicidade das assinaturas”, declarou Hastings, também fundador da gigante junto com Ted Sarandos. “Mas sou mais fã ainda da escolha do consumidor. Faz muito sentido permitir aos clientes que eles escolham um modelo mais barato, se eles são tolerantes a anúncios.”

Segundo a companhia, os planos devem ser apresentados ao mercado em um ou dois anos, representando uma “animadora oportunidade para nós”. A Netflix garante que será a responsável por publicar os anúncios, e não usar serviços de terceiros, que podem comprometer a privacidade dos usuários.

Outra alternativa para a empresa pode ser ceder ao movimento de transmissão ao vivo. A Netflix recusou a possibilidade de ter um streaming em tempo real no ano passado, quando passou a ter uma divisão de jogos para celular. Agora, a proposta pode ser reconsiderada frente aos concorrentes diretos que já oferecem o serviço./COM REUTERS

Empresas de tecnologia cortam empregos na nova realidade do mercado

Setor analisa número de funcionários como uma maneira imediata de cortar custos
Dave Lee
Hannah Murphy

Logos de Facebook, Google e Twitter – Reuters

SAN FRANCISCO e NOVA YORK | FINANCIAL TIME – “É um dia difícil”, dizia a linha de assunto do email que Shelly Little recebeu de seus chefes na Carvana, uma loja online de carros usados.

A nota sinalizava que Little era um dos quase 2.500 funcionários demitidos pela empresa com sede nos Estados Unidos nesta semana, em um clima descrito por outro funcionário como “histeria em massa”. Desde o início do ano, as ações da empresa, famosa por vender carros em imponentes “máquinas automáticas” de vários andares, caíram 84%.

“Enquanto avalio as ramificações disso, tudo o que posso pensar é ‘uau'”, escreveu Little no LinkedIn, informando a seus amigos e colegas de trabalho que ela era um dos 12% que foram dispensados da Carvana.

Sua experiência reflete a súbita sobriedade que se abateu sobre o setor tecnológico dos Estados Unidos, motivada por uma profunda e ampla liquidação de ações, à medida que os investidores se preocupam com o aumento das taxas de juros e a desaceleração do crescimento econômico.

As empresas de capital fechado estão sendo forçadas a reajustar as expectativas sobre avaliações, acesso a financiamento e apetite por risco entre os capitalistas de risco, que talvez estejam dando mais valor à cautela.

“Acho que certamente é humilhante para muitas pessoas em tecnologia que pensavam que as coisas nunca seriam diferentes, ou não planejaram um dia chuvoso, ou estavam sendo um pouco bombásticas”, disse Semil Shah, fundador e sócio geral da Haystack, empresa de capital de risco sediada em San Francisco.

“Se você estivesse realmente contando as galinhas antes de chocarem, ou estivesse pensando em todas as riquezas que viriam, vai demorar um pouco.”

Nos mercados abertos, a Carvana foi uma das mais atingidas, mas não a única. A DoorDash, líder de mercado nos EUA em entrega de comida de restaurantes, caiu 49% no acumulado do ano. Affirm, uma das maiores do setor antes altamente badalado do “compre agora e pague depois”, caiu 75%. Shopify, a operadora de comércio eletrônico regularmente considerada a ameaça mais séria ao domínio da Amazon, caiu 67%. A imagem tinha sido ainda mais sombria até um aumento geral durante o pregão na sexta-feira (13).

Mesmo as grandes empresas de tecnologia, algumas das ações de crescimento mais seguro na última década, sofreram grandes quedas. Apple, Amazon, Alphabet e Meta tiveram coletivamente US$ 2,1 trilhões varridos de suas capitalizações de mercado. No caso da Apple, a queda de US$ 600 bilhões foi suficiente para vê-la destronada esta semana pela Saudi Aramco como a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo.

O fato de uma gigante de energia assumir seu lugar é ilustrativo da mudança na confiança dos investidores, de empresas com forte crescimento de receita, mas resultados mais instáveis, para apostas mais seguras, disse Brent Thill, analista da Jefferies.

“É um vômito da tecnologia em grande escala, completo, um verdadeiro botão de ejeção”, disse ele. “Menos de um ano se passou e todas as empresas de software de alto crescimento agora são malignas, sem lucros. Acho que há uma mudança total da tecnologia para setores defensivos, energia e serviços públicos.”

As empresas de tecnologia estão reagindo abordando o básico –cortando custos, reduzindo a queima de caixa e concentrando-se nos fundamentos.

“Tenho falado sobre fluxo de caixa livre mais do que pensei desde que tive minha primeira aula de contabilidade, é meio louco”, disse uma pessoa numa grande empresa de tecnologia.

Da mesma forma, na Uber, com as ações caindo 45% este ano, o executivo-chefe Dara Khosrowshahi disse à equipe em um memorando no fim de semana passado: “As balizas mudaram. Agora é sobre fluxo de caixa livre”.

“Em tempos de incerteza, os investidores buscam segurança”, acrescentou na nota, divulgada pela CNBC e verificada pelo Financial Times. “Eles reconhecem que somos líderes em escala em nossas categorias, mas não sabem o quanto isso vale. Aproveitando Jerry Maguire, precisamos mostrar a eles o dinheiro.”

Depois de renomear e reorientar drasticamente sua empresa no ano passado, a ânsia do executivo-chefe da Meta, Mark Zuckerberg, em torno do metaverso abriu caminho para um entusiasmo maior por grandes investimentos. A empresa de rede social prometeu no mês passado reduzir suas previsões de gastos em vários bilhões de dólares ao longo deste ano.

Com esse fim, a Meta puxou o freio de mão no forte crescimento do número de funcionários. De acordo com um memorando interno do diretor financeiro da companhia, David Wehner, obtido pelo FT, ela recrutou mais empregados no primeiro trimestre deste ano do que em 2021 inteiro –mas isso terminou.

“Precisamos dar outra olhada em nossas prioridades e tomar algumas decisões difíceis sobre quais projetos assumiremos em curto e médio prazo para alcançar a orientação de reduzir despesas com que nos comprometemos no relatório de ganhos”, escreveu ele, acrescentando: “Isso afetará quase todas as equipes da empresa”.

Uma nota de outro executivo da Meta disse que as entrevistas de emprego agendadas para possíveis funcionários de engenharia de nível júnior e médio serão “sensivelmente canceladas”.

O Twitter, potencialmente à beira da aquisição por Elon Musk, disse na quinta-feira (12) que não atingiu seus próprios “marcos intermediários” de crescimento, por isso está “reduzindo custos não trabalhistas para garantir que estamos sendo responsáveis e eficientes”.

Empresas de todo o setor tecnológico analisam de perto o número de funcionários como uma maneira imediata de cortar custos. O site Layoffs.fyi, que rastreia demissões entre startups de tecnologia de capital aberto e privado, registrou um aumento a partir de fevereiro, embora os níveis ainda estejam muito abaixo dos estágios iniciais da pandemia de coronavírus. A startup de entregas de comida Reef, a plataforma de celebridades Cameo e o aplicativo de dieta e bem-estar Noom estão entre as empresas privadas que demitiram funcionários.

Apenas se começa a sentir como a liquidação de tecnologia está impactando o setor privado e o ecossistema de financiamento que a sustenta.

De acordo com um relatório publicado pelo grupo de análise PitchBook esta semana, as empresas mais próximas de migrar para os mercados abertos e tentar arrecadar quantias maiores foram as primeiras a enfrentar ventos contrários, experimentando um “sentimento muito diferente dos investidores” em comparação com as altas avaliações em 2021.

Segundo a CB Insights, o financiamento global de capital de risco no primeiro trimestre de 2022 caiu 19% em relação ao trimestre anterior, a maior queda percentual desde o terceiro trimestre de 2012. O número de saídas públicas –seja por oferta pública inicial ou fusão com Spacs– caiu 45%.

Shah, da Haystack, disse que o dinheiro para startups já se tornou mais difícil de obter para empresas sem um modelo de negócios firmemente estabelecido.

“As pessoas ainda estão preenchendo cheques”, disse ele. “Mas se você está levantando 500 mil, 5 milhões ou 50 milhões, tem que lutar por eles muito mais do que teria que lutar um ano atrás.”