Facebook se reúne com bancos centrais sobre moeda digital libra

Representantes da rede social terão que prestar esclarecimentos sobre a ameaça da moeda à estabilidade financeira mundial

Mark Zuckerberg é presidente executivo do Facebook

Representantes da libra, moeda digital do Facebook, se reuniram com oficiais de bancos centrais de diferentes países nesta segunda-feira, 16, na cidade de Basileia, na Suíça, para prestarem esclarecimentos sobre a ameaça da moeda à estabilidade financeira mundial. De acordo com jornal Financial Times, eram esperados representantes de 26 bancos centrais, no que pode ser considerado o primeiro grande encontro entre o Facebook e autoridades desde de que a rede social anunciou seu projeto em junho.

Segundo o jornal, a reunião teve representantes de bancos centrais dos Estados Unidos e o Banco da Inglaterra. O encontro foi convocado por um grupo de trabalho criado pelo G7 para examinar as moedas digitais como a do Facebook. 

Benoît Coeuré, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu, presidiu o evento. Durante o encontro, ele disse: “As criptomoedas apoiadas em ativos praticamente não foram testadas, especialmente na escala necessária para executar um sistema global de pagamentos. Elas dão origem a vários riscos sérios relacionados a prioridades de políticas públicas. O padrão para a aprovação regulatória será alto”.

Após as observações de Coeuré, David Marcus, principal executivo do Facebook que supervisiona o projeto, disse no Twitter que a Libra Association, entidade que funciona como um comitê financeiro da moeda, continuará a envolver bancos centrais, reguladores e legisladores para resolver preocupações.

Anunciado em junho, o projeto da libra conta parceiros de peso, incluindo nomes tradicionais do mercado financeiro (Visa, Mastercard e PayPal), empresas de tecnologia (UberLyftSpotify e eBay) e fundos de capital de risco do Vale do Silício (Ribbit Capital e Thrive Capital). Cada um dos participantes teve de colaborar com uma quota mínima de US$ 10 milhões para compor as reservas da moeda. O projeto vem sendo criticado por reguladores de todo o mundo, que estão preocupados com seu impacto no sistema financeiro e também com o potencial de uso da Libra na lavagem de dinheiro./COM REUTERS

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Uber demite centenas de pessoas das áreas de engenharia e produtos

O período é delicado para o Uber, que está tentando ganhar posição como empresa de capital aberto

Em julho, o Uber demitiu 400 pessoas da sua equipe de marketing

A vida não está fácil para o Uber. O aplicativo de transporte anunciou centenas de demissões nesta terça-feira, 10, nas áreas de engenharia e produtos, de acordo com o site TechCrunch. Ao todo, 435 pessoas foram demitidas, o que representa 8% de cada departamento. É a segunda onda de demissões nos últimos meses: em julho, a empresa demitiu 400 pessoas da sua equipe de marketing em vários escritórios ao redor do mundo.

Uber disse que as demissões fazem parte de um projeto de “redefinir e melhorar o trabalho do dia a dia”. Em comunicado, a empresa disse: “Hoje, estamos fazendo algumas mudanças para colocar a companhia de volta aos trilhos, o que inclui a redução do tamanho de algumas equipes para garantir que tenhamos uma equipe apropriada de acordo com nossas principais prioridades”. 

O período é delicado para o Uber, que está tentando ganhar posição como empresa de capital aberto.  A empresa fez sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em maio deste ano – o Uber estreou na Bolsa de Valores de Nova York com ações negociadas em US$ 42, abaixo do seu preço de IPO, que era de US$ 45. 

Nos últimos meses, a empresa vem registrando grandes prejuízos. No seu balanço do segundo trimestre, o Uber registrou uma perda de US$ 5,2 bilhões e teve receita de US$ 3,2 bilhões, abaixo das expectativas dos analistas. O resultado do segundo trimestre mais do que quintuplicou as perdas de US$ 878 milhões que a companhia registrou no mesmo período do ano passado. 

O Uber diz que tem mais de 27 mil funcionários ao redor do mundo. 

Lançamento da Amazon derruba ações de concorrentes na Bolsa brasileira

Entre as afetadas estão Magazine Luiza, Via Varejo, que detém Casas Bahia, e B2W, dona da Americanas
Júlia Moura

Modelo é adotado até por empresas que nasceram digitais e sentiam perder clientes que iam comprar em lojas físicas
Magazine Luiza – Divulgação

As ações de varejistas brasileiras tiveram fortes quedas na Bolsa nesta terça-feira (10), após o anúncio da concorrente Amazon de um plano de assinaturas que inclui frete grátis por R$ 9,90 mensais. O benefício é válido para qualquer produto que esteja em centros de distribuição do Brasil.

Com a ofensiva da gigante americana, os papéis da Magazine Luiza tiveram a maior queda do Ibovespa, com recuo de 5,5%, a R$ 32,32, menor patamar desde julho. 

A B2W, dona da Submarino e Lojas Americanas, teve queda de 4,83%, a segunda maior do índice, a R$ 4,40.

Já a Via Varejo, responsável pela administração da Casas Bahia, Pontofrio e do e-commerce do Extra, caiu 3,3%, a R$ 6,78. 

Lojas Americanas, que têm suas próprias ações listadas na B3, registrou queda de 3,2%, a R$ 17,86. 

O Ibovespa, maior índice acionário da Bolsa brasileira, teve leve queda de 0,14%, a 103.3031 pontos. 

Na véspera, as varejistas também registraram fortes quedas. B2W caiu 5,6% e Via Varejo e Magazine Luiza, 5% cada.

Em relatório, a XP Investimentos afirma não ver grandes mudanças no cenário competitivo de comércio online com o anúncio da Amazon, mas espera volatilidade nas ações do setor.

“Vemos o movimento da Amazon como mais um passo importante para a estruturação da sua operação de e-commerce no Brasil, embora o serviço Prime seja restrito com relação ao número de produtos ofertados e quantidade de cidades com entrega em dois dias”, diz a XP.

A corretora cita, para efeitos de comparação, o B2W Prime, que oferece frete grátis e entrega rápida em alguns produtos selecionados, por R$ 79,90 ao ano. O programa, no entanto, é restrito a cerca de 2.500 municípios do país.

“É importante destacar que nos últimos anos vimos uma consolidação cada vez maior dentre alguns potenciais vencedores no e-commerce brasileiro (o que não deixa o progresso da Amazon impossível, mas mais difícil)”, diz relatório do BTG Pactual, que cita Magazine Luiza, B2W e Mercado Livre.

H&M suspende compra de couro do Brasil por crise na Amazônia

Grupo atribuiu decisão à preocupação ambiental com incêndios na floresta; 18 outras marcas tomaram decisão semelhante na semana passada

Marcas globais têm manifestado preocupação com a floresta 

ESTOCOLMO – A H&M, segunda maior varejista de moda do mundo, disse nesta quinta-feira, 5, que parou de comprar couro do Brasil temporariamente por causa das preocupações ambientais ligadas a incêndios na Amazônia. Na semana passada, VF Corporation, empresa responsável por 18 marcas como Timberland, Kipling e Vans, também informou ter interrompido o abastecimento de couro e curtume do Brasil para os negócios internacionais. 

O avanço das queimadas na região amazônica causou repercussão global nas últimas semanas e levou o presidente Jair Bolsonaro a enviar as Forças Armadas à floresta para combater as chamas. A postura do governo federal sobre o problema 

“Por causa dos graves incêndios na parte brasileira da Floresta Amazônica e às conexões com a produção de gado, decidimos suspender temporariamente o couro do Brasil”, afirmou a H&M em comunicado por e-mail. “A proibição permanecerá ativa até que existam sistemas de garantia críveis para verificar se o couro não contribui para danos ambientais na Amazônia”, afirmou o documento.

Conforme a H&M, a maioria do couro do grupo é originária da Europa e que uma parte muito pequena é do Brasil.

Em alerta. A gigante de alimentos Nestlé também afirmou na semana passada que a política de negócios da empresa será “revisada” para garantir alinhamento com o padrão de fornecimento ambientalmente responsável. /REUTERS

Peppa Pig inicia nova ‘onda’ de fusões de estúdios de TV

E.One, companhia dona do desenho animado, foi comprada por US$ 4 bi; outros negócios estão na mira
Agências internacionais

Peppa Pig, o desenho, foi comprada pela Hasbro. Foto: Reprodução

Um negócio anunciado há cerca de dez dias – a compra do estúdio Entertainment One (E.One), do Canadá, pela fabricante de brinquedo Hasbro, por US$ 4 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) – poderá iniciar uma nova “onda” de aquisições de estúdios de televisão.

Em um momento em que a televisão tornou-se a rainha da mídia, ganhando espaço em relação ao cinema, uma série de ativos pode ser alvo de disputa em breve. Segundo a revista The Hollywood Reporter, entre os candidatos a virar alvo de novos investidores estão a Lionsgate, a MGM TV e o canal AMC (este último, responsável pela série Mad Men). Existem até comentários de que a Mattel possa adotar a mesma estratégia da rival Hasbro e investir em televisão.

Um negócio bilionário pode ser motivado por uma propriedade específica, atraindo assim um investidor de fora do ramo de mídia. No caso da E.One, o fiel da balança foi a personagem Peppa Pig – popular no mundo todo e uma febre na China. O desenho recebeu o aval do governo chinês como um conteúdo próprio para crianças em idade pré-escolar. Na nação de 1,4 bilhão de habitantes, Peppa tem até seu próprio parque temático, nos moldes da Disney, aberto no início de 2019.

Múltiplo

Entre os estúdios que podem ser alvo de potenciais fusões ou aquisições, o que está sendo olhado mais de perto por compradores, até agora, é a Lionsgate TV. Segundo a revista, a boa notícia para essas produtoras de conteúdo é o fato de o múltiplo pago pela dona da Peppa Pig ter sido generoso – de 13 vezes o lucro bruto previsto pela E.One para o ano de 2020.

O estúdio proprietário da Lionsgate TV, que tem ações listadas em Bolsa, está precisando de boas notícias. Ao longo dos últimos dois anos, as ações da empresa caíram cerca de 45%. Na última sexta-feira, diante de uma disputa com a operadora de telecomunicações Comcast, os papéis da companhia chegaram a recuar 7%.

Água de Cheiro lança franquia de loja móvel em contêiner por R$ 119 mil

Claudia Varella
Colaboração para o UOL, em São Paulo

Simulação de uma loja contêiner, novo modelo de negócio da Água de CheiroImagem: Divulgação

A Água de Cheiro, rede de franquias de beleza e perfumaria, lançou em agosto mais um modelo de negócio: a loja contêiner, com investimento inicial de R$ 119 mil (inclui taxa de franquia, contêiner montado e estoque inicial). O franqueado irá desembolsar mais R$ 20 mil de capital de giro.

Segundo a empresa, uma das vantagens da loja contêiner (com 15 m²) é a possibilidade de flexibilização do ponto —o franqueado pode testar diferentes pontos de venda, de acordo com o público-alvo da marca.

A Água de Cheiro tem hoje 140 unidades em todo o país. Com o novo modelo de negócio, a meta da empresa é abrir 70 unidades até o final do ano, sendo dez no modelo de contêiner.

A empresa tem dois outros modelos de negócio: quiosque e loja completa, com investimentos de R$ 109 mil (taxa de instalação e capital de giro) e R$ 230 mil (taxa de instalação e capital de giro), respectivamente.

Antes de comprar franquia, veja algumas recomendações de especialistas, como não investir todo o seu dinheiro no negócio e ler atentamente a Circular de Oferta de Franquia (COF), uma espécie de raio-x da empresa.

Onde encontrar: Água de Cheiro – https://sejafranqueado.aguadecheiro.com.br/

Apple vende menos iPhones, mas serviços têm receita recorde de US$ 11,5 bi

Com produtos como Apple Music e iCloud, setor é visto como responsável pelo futuro da empresa e levou-a a bater US$ 1 tri em valor de mercado novamente; para os próximos meses, empresa lançará cartão de crédito e rival para Netflix
Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

Empresa arregimentou ‘caminhão de estrelas’ de Hollywood para seu serviço de streaming de vídeo

Em 2019, a Apple vive um momento de transição: enquanto vê as vendas do iPhone, seu principal produto na última década, desacelerarem, a companhia de Cupertino busca criar novos serviços para continuar agradando aos consumidores. Os resultados financeiros da empresa para o segundo trimestre do ano (e seu terceiro trimestre fiscal), revelados nesta terça-feira, 30, são reflexo disso. De um lado, a receita da empresa com seu principal produto caiu 13%. Do outro, o setor de serviços teve faturamento recorde, para a casa de US$ 11,5 bilhões. 

Para o mercado, a segunda notícia teve maior impacto que a primeira: após a revelação dos números, as ações da Apple eram negociadas com alta de cerca de 4,6% depois do fechamento do pregão da Nasdaq. Com a valorização, a empresa voltou a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado – marca que havia alcançado em julho do ano passado. 

Ao todo, a receita da Apple ficou estável, com alta de 1%, para a casa de US$ 53,8 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado; já o lucro no 2º trimestre ficou em US$ 10,05 bilhões, em queda de 12,8%. Os resultados negativos importam menos que o faturamento de serviços porque mostram que a aposta de Tim Cook na diversificação tem, ao menos até aqui, dado certo. 

Além disso, a empresa alcançou uma base instalada de 1,4 bilhão de dispositivos – que podem justamente usufruir de serviços como o streaming de música Apple Music e o armazenamento na nuvem iCloud. “Para nós, a coisa mais importante foi que a base instalada do iPhone segue crescendo”, disse Cook, à agência de notícias Reuters

Há ainda muito espaço para crescimento do setor de serviços: em março, a Apple anunciou uma série de novas ofertas para seus clientes, incluindo um cartão de crédito em parceria com o banco Goldman Sachs, um serviço de assinatura de games e um rival para a Netflix, o Apple TV+. Os três estão previstos para chegar ao mercado até o final do ano e podem render dólares significativos à companhia – em especial, a plataforma de streaming de vídeo, que terá produções de nomes como Steven Spielberg e Oprah Winfrey. 

Além disso, é necessário ressaltar que a divisão de iPhones foi a única que teve quedas expressivas na receita neste segundo trimestre. Macs, iPads e vestíveis tiveram altas na receita – foi ainda a primeira vez que a divisão liderada pelo Apple Watch faturou mais que a do tablet da empresa, em um claro sinal dos tempos. 

Outro fator que trouxe bom humor dos investidores foi o desempenho no mercado chinês: a Apple teve queda de 4% nas receitas na região; já o setor de celulares teve desaceleração média de 6% no período, devido ao impacto da guerra comercial entre EUA e China.