Empresas tentam dançar no ritmo dos millennials

Novos consumidores têm prioridades diferentes das gerações anteriores e estratégia é tentar se adaptar a isso
The Economist, O Estado de S.Paulo

27jpHOST5-articleLarge.jpg
Novo conceito. Características dos millenials impulsionaram o Airbnb Foto: Ruth Fremson/NYT

As pessoas mais velhas não são as únicas a se esforçarem muito para serem modernas e juvenis. Empresas estabelecidas há um bom tempo também. Basta olhar para a Procter & Gamble (P&G), uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo, que este ano inscreveu no escritório federal de patentes dos Estados Unidos as marcas LOL, NBD, WTF e FML, abreviaturas comumente usadas em mensagens de texto e mídias sociais.

Se for bem-sucedida, a empresa de 181 anos planeja usar as frases para comercializar sabão, produtos de limpeza e purificadores de ar para jovens compradores. É um sinal da ânsia das grandes empresas em atrair consumidores da geração Y.

Para muitas empresas, eles são um mistério. A consultoria KPMG calcula que quase metade não sabe como os millennials – tipicamente definidos como aqueles nascidos entre 1980 e 2000 – diferem de seus colegas mais velhos. Isso pode ser porque essas diferenças são exageradas.

De acordo com a Ipsos-Mori, uma empresa de pesquisas de opinião, a geração do milênio é “o grupo mais negligentemente descrito que já observamos”. Muitas das afirmações sobre eles são simplificadas ou erradas. Costuma-se dizer, por exemplo, que eles ignoram anúncios convencionais; na verdade, eles são fortemente influenciados pelo marketing.

Dados esses equívocos, não é de admirar que as empresas, às vezes, os compreendam mal. Em fevereiro, a MillerCoors, uma cervejaria americana, lançou a Two Hats, uma cerveja com sabor de frutas leves que, segundo a cervejaria, se adequaria aos gostos e orçamentos da geração do milênio (slogan: “Cerveja boa e barata. Espere, o quê?”). Os consumidores apenas esperaram; a cerveja foi retirada das prateleiras após seis meses. Mas alguns estereótipos sobre a geração do milênio têm raízes na realidade. As empresas estão descobrindo que três abordagens amplas têm tido sucesso ao tentar vender para esse consumidor: transparência, experiências (sobre as coisas) e flexibilidade.

No primeiro deles, a transparência, as marcas mais jovens abriram o caminho. Em roupas, um exemplo é a Everlane, uma fabricante de roupas vendidas online sediada em São Francisco. A empresa revela as condições sob as quais cada peça de roupa é feita e quanto lucro ela gera como parte de sua filosofia de “transparência radical”.

Algumas grandes companhias fizeram mudanças drásticas. A ConAgra, uma gigante americana de alimentos, simplificou suas receitas e eliminou todos os ingredientes artificiais de muitos de seus lanches e refeições prontas.

Após anos de queda, as vendas estão crescendo novamente; a geração do milênio agora responde por 80% do aumento de seus clientes. “Trazer essas pessoas tem sido absolutamente essencial para o crescimento das marcas”, diz Bob Nolan, vice-presidente sênior de percepções e análises da ConAgra.

Adaptação. O apreço dos millennials por experiências em vez de “coisas” também é real. Plataformas online, como a Airbnb, tiraram proveito do gosto dos jovens por gastar em feriados, jantares e outras atividades que fazem parte do universo Instagram, além de algumas empresas mais antigas que existem no universo físico.

Em 2016, o JP Morgan Chase lançou o Sapphire Reserve, um cartão de crédito premium que oferece generosas recompensas por gastos com viagens e refeições. Anunciado como “um cartão para acumular experiências”, o produto de US$ 450 ao ano tem sido um sucesso entre os millennials ricos, que representam mais da metade dos portadores de cartão.

Os consumidores mais jovens também têm mais dívidas, menos ativos e menos segurança no emprego do que as gerações anteriores. Nesse ponto, a flexibilidade é importante. O Ally Bank, subsidiária da Ally Financial, o antigo braço financeiro da General Motors, por exemplo, não cobra de seus clientes nenhuma taxa de manutenção ou exige que eles mantenham saldos mínimos. Tais características conquistaram a lealdade dos millennials.

Modelos de negócios estão sendo reformulados para atender à geração do milênio, que tem fobia a comprometimentos. Grandes montadoras, incluindo GM, Volvo e BMW, oferecem serviços de assinatura para seus carros, com acesso a novos veículos sem complicadas obrigações financeiras.

No entanto, muitas empresas ainda têm uma visão muito homogênea dos millennials, diz Laura Beaudin, sócia da consultoria Bain & Company. “Se você quer entrar em sintonia com um grupo que se orgulha da diversidade, ter uma solução ‘tamanho único’ não faz sentido”, diz ela. Outras empresas, no entanto, adotam a individualidade dos clientes – em maio, a casa de moda italiana Gucci lançou versões personalizadas de uma sacola popular e um par de tênis como parte de uma campanha chamada Gucci DIY. Sabe-se que a Gucci mantém um quadro de funcionários com menos de 30 anos para aconselhar seu chefe. Espera-se que mais empresas deem ouvidos aos jovens. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

© 2018 THE ECONOMIST NEWSPAPER

Anúncios

Michelle Obama lança plataforma para investir na educação de meninas

Plataforma de financiamento colaborativo permitirá que qualquer pessoa ajude a investir em projetos de educação de meninas em seis países

michelle-obama-2
Michelle Obama

Atualmente, segundo a USAID (agência dos EUA para desenvolvimento internacional) 98 milhões de garotas não estão frequentando a escola. As razões são muitas: falta de dinheiro, gravidez precoce, ameaças de segurança e ausência de suporte familiar. Esse cenário, presente em vários países do mundo, foi lembrado por Michelle Obama. Neste 11 de outubro, considerado o Dia Internacional da Menina pela ONU, a ex-primeira dama dos Estados Unidos lançou uma iniciativa global para suporte à educação de meninas no mundo.

O objetivo da iniciativa, chamada de Global Girls Alliance, é criar uma rede que unirá apoiadores e investidores a comunidades e cidades onde há meninas fora da escola. E, que assim, pode trabalhar para que elas recebam bolsas de estudos, programas de orientação e até ajuda financeira para estudar. Segundo Michelle, houve um “processo rigoroso” de seleção de locais onde seria importante investimento para garantir o acesso das garotas à educação. “Fizemos uma parceria com a plataforma GoFundMe e vamos criar uma plataforma para que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa dar apoio à educação de meninas de vários países”, diz Michelle. Atualmente, seis projetos em em seis país diferentes estão disponíveis para receber contribuições financeiras. Há possibilidade hoje de ajudar garotas que moram em Washington, Uganda, Malawi, Índia, Gana e Guatemala.

Em artigo publicado nesta quinta-feira na CNN, Michelle conta que a ideia da iniciativa surgiu em sua última viagem ao exterior como primeira-dama. Na ocasião, ela visitou uma escola em Unification Town, localizada em uma pequena vila a uma hora de Monróvia, capital da Libéria, na África Ocidental. “Estive em uma sala de aula onde a única luz que vinha era do exterior. À medida que o tempo foi se fechando e as nuvens se acumulando, a sala inteira escureceu e eu tive dificuldade de ver os rostos de quem estava bem à minha frente”.

Deste dia, Michelle guardou a lembrança das alunas que, a despeito da escuridão, estavam ali. Caminhavam quilômetros ou acordavam de madrugada para trabalhar e conseguir pagar pelo ensino. A presença delas também dependia do arranjo que faziam em casa: estavam na escola quando não precisavam cozinhar, cuidar dos irmãos menores ou fazer atividades domésticas. “Isso quando elas não precisavam se casar adolescentes, desistir dos estudos, e viver em função dos objetivos de um homem”.

Com a Global Girls Alliance, Michelle quer garantir que garotas como as que conheceu, e tantas outras que vivem a mesma situação no mundo, não precisem desistir dos estudos por imposições alheias. “A evidência é clara. As meninas que frequentam a escola ganham salários mais altos, têm menores taxas de mortalidade materna e menor probabilidade de contrair malária e HIV. E estudos mostraram que educar meninas não é bom apenas para as meninas, é bom para todos nós”.

Além disso, Michelle diz que quer ajudar a enfraquecer uma mentalidade que ainda impera em muitos locais: a crença de que porque elas são mulheres, elas merecem uma educação inferior. “É a mesma mentalidade tóxica que impede meninas aqui nos Estados Unidos de acreditarem que podem se tornar cientistas da computação ou CEOs”, diz. Ao final do artigo, Michelle lembra que “o futuro de nosso mundo é tão brilhante quanto o futuro de nossas meninas”.

Apple compra licença da fabricante de chips Dialog por US$ 600 milhões

Empresa anglo-alemã desenha semicondutores que gerenciam energia para o iPhone
Por Agências – Reuters

James Murdoch pode substituir Musk na presidência do conselho da Tesla, diz jornal Financial Times 

James Murdoch, filho de Rupert Murdoch, é o presidente executivo da 21st Century Fox; ele sinalizou que quer o posto, segundo a reportagem
Por Agências – Reuters

james-murdoch-e1454970607705
Diretor executivo da 21st Century Fox, James Murdoch

O diretor executivo da 21st Century Fox, James Murdoch é o principal candidato para substituir Elon Musk na presidência do conselho da Tesla, informou o jornal Financial Times nesta quarta-feira, 10, citando duas pessoas familiarizadas com o assunto.

James Murdoch, que é filho de Rupert Murdoch, deixará o comando 21st Century Fox assim que o grupo de mídia concluir a venda de grande parte de seus ativos para a Walt Disney. Ele deve ser sucedido por seu irmão Lachlan Murdoch na direção da empresa.

Murdoch já teria sinalizado que quer o posto, segundo a reportagem. A agência de notícias Reuters não conseguiu contatar James Murdoch para comentar. A Tesla e a 21st Century Fox não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Acordo. No mês passado, a Tesla e o Elon Musk fecharam um acordo com o órgão regulador das empresas listadas em bolsa nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Comission (SEC), depois que Musk foi processado por fraudar tuítes sobre a saída da Tesla da Bolsa.

O acordo prevê o pagamento de uma multa de US$ 40 milhões – US$ 20 milhões pela Tesla e US$ 20 milhões pelo seu presidente executivo –, além do afastamento de Musk da presidência do conselho de administração da companhia.

Netflix comprará complexo de estúdios para produzir séries originais

O complexo da ABQ Studios será o primeiro adquirido pela Netflix e poderá movimentar US$ 1 bilhão em dez anos
Por

saul410-1.jpg
Estúdio que será comprado pela Netflix foi usado para produzir Better Call Saul

Com o objetivo de investir mais em sua produção original, a Netflix anunciou nesta terça-feira (9) que está comprando seu primeiro complexo de estúdios. A empresa está prestes a finalizar um acordo para adquirir a sede da ABQ Studios na cidade de Albuquerque, no Novo México.

Em sua etapa final, a negociação de compra dos estúdios foi levada a frente por conta da contribuição de autoridades locais. O acordo envolve um incentivo de US$ 10 milhões do governo do Novo México e de US$ 4,5 milhões da prefeitura de Albuquerque.

Nos próximos 10 anos, a expectativa é que o estúdio movimente US$ 1 bilhão com a produção de filmes e séries originais. Nesse período, a empresa também espera oferecer cerca de mil empregos por ano aos trabalhadores da região.

E as filmagens não devem ficar restritas ao novo complexo. O objetivo é filmar novas produções em outros locais ao redor do Novo México. As séries Chambers e Messiah, por exemplo, já estão sendo filmadas na região de Albuquerque e criaram cerca de 700 empregos.

“Nossa experiência produzindo programas e filmes no Novo México nos levou a aproveitar a chance de estabelecer um novo centro de produção aqui”, disse Ty Warren, vice-presidente de produção física da Netflix.

O complexo que será comprado pela Netflix conta com nove estúdios que totalizam 52 mil metros e já foi usado na produção de títulos como Logan e Better Call Saul. Ele deverá ajudar a empresa a atingir a meta de que metade do conteúdo disponível na plataforma seja original.

Com informações: NetflixEngadgetThe Verge.

Snapchat anuncia séries originais para conquistar usuários

A rede social fez parceria com produtoras e escritores de Hollywood; os seriados terão novos episódios diários, serão exibidos na vertical e serão curtos
Por Agências – Reuters

snap
Desde o começo do ano, as ações da empresa Snap caíram 52%

O Snapchat, rede social conhecida pelas suas mensagens efêmeras, anunciou nesta quarta-feira, 10, que o aplicativo exibirá séries originais em parceria com produtoras e escritores de Hollywood.

Os seriados terão novos episódios diários, serão exibidos na vertical e serão curtos – para se adequar à visualização em celulares, os episódios terão duração de cinco minutos. Para assistir aos episódios, os usuários podem acessar a página de perfil do programa na rede social.

Uma das atrações será a série de documentários Growing Up is a Drag, sobre o amadurecimento de estrelas adolescentes, produzido por Bunim/Murray, a produtora por trás do reality show de sucesso Keeping Up with the Kardashians.

Os episódios incluirão seis segundos de publicidade, assim como os shows que já existem no Snapchat, que reproduzem conteúdos de parceiros como a Discovery.

Reação. O Snapchat tem lutado para atrair novos usuários, após os rivais Facebook e Instagram introduzirem recursos semelhantes aos do Snapchat em seus próprios aplicativos. Desde o começo do ano, as ações da empresa Snap caíram 52%.

Nubank vira maior startup latina com aporte de US$ 180 mi de chinesa

Novo patamar. Dona de serviços como WeChat e WePay, populares na Ásia, Tencent adquiriu participação minoritária na brasileira; para especialistas, investimento ajudará empresa de cartões de crédito a ganhar escala e se tornar banco digital ‘completo’

NU BANK
Oportunidade. Para Vélez, do Nubank, laço com chinesa foi oportunidade imperdível

A startup brasileira Nubank, conhecida pelo seu cartão de crédito roxo, anunciou ontem que recebeu uma rodada de investimentos de US$ 180 milhões da chinesa Tencent, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. De acordo com o site americano The Information, que antecipou a notícia, o investimento faz o Nubank ser cotado em US$ 4 bilhões, tornando-se a maior startup de capital fechado da América Latina.

Segundo as companhias, US$ 90 milhões serão investidos diretamente na empresa, enquanto outros US$ 90 milhões serão utilizados pela asiática para comprar participação de outros acionistas da startup brasileira. Ao todo, a chinesa deve ter uma fatia de cerca de 5% dentro do Nubank, disseram fontes próximas ao assunto.

Fundado em 2013, pelo colombiano David Vélez, o Nubank tem registrado crescimento expressivo nos últimos meses: há duas semanas, divulgou ter 5 milhões de clientes em seu cartão de crédito controlado por aplicativo, 20% mais do que tinha em fevereiro. Além disso, a empresa também tem 2,5 milhões de usuários em sua conta bancária digital, a NuConta, lançada há cerca de um ano.

“O projeto do Nubank é ser um banco digital completo. Uma avaliação de mercado de US$ 4 bilhões é condizente com o potencial da empresa”, avalia Guilherme Horn, diretor executivo de inovação da consultoria Accenture. Na visão do especialista, os números atuais do Nubank o credenciam como um dos maiores bancos digitais do mundo, mesmo atuando apenas no Brasil – em entrevista recente, David Vélez negou ter planos de expansão para a América Latina no curto prazo.

Já para o presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Amure Pinho, o investimento mostra a força do ecossistema brasileiro de startups, mesmo em meio à crise. “É um sinal de que nosso mercado consumidor interno tem apetite”, afirma ele, ressaltando que o investimento ajudará o Nubank a brigar de frente com as instituições bancárias tradicionais brasileiras. “A empresa tem tudo para ser a maior emissora de cartões do País em breve.”

Destino. Em comunicado divulgado à imprensa, o presidente executivo do Nubank, David Vélez, ressaltou que a empresa não “precisava de mais capital neste momento” – em março, a startup recebeu um aporte de US$ 150 milhões do fundo DST Global. “Já geramos caixa operacional desde o ano passado, mas não poderíamos deixar passar a oportunidade de ter a Tencent conosco.” Para especialistas ouvidos pelo Estado, a troca de conhecimento com a chinesa será o principal ganho do Nubank na operação.

“Os chineses têm um grande conhecimento para fazer negócios ganharem escala”, diz Horn, da Accenture. “Além disso, mudanças que já estão maduras na China ainda não aconteceram aqui, como toda a revolução na área de pagamentos.”

É um setor que a chinesa tem experiência: hoje, é dona do WePay, um dos serviços de pagamentos móveis mais populares do mundo. Ele funciona dentro do WeChat, espécie de WhatsApp chinês, utilizado por mais de 1 bilhão de pessoas atualmente. Além disso, a Tencent também tem participações em empresas como Tesla, Snap e o aplicativo de transportes Didi. Avaliada em US$ 360 bilhões, a chinesa também é dona da Riot, produtora do sucesso dos games League of Legends. Bruno Capelas e Giovanna Wolf Tadini – O Estado de S. Paulo