Dona da Louis Vuitton compra rede de hotéis do Copacabana Palace

Venda da Belmond foi avaliada em US$ 2,6 bilhões

Fachada do hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro /Gabriel Cabral/Folhapress

LONDRES –A Belmond, empresa com sede em Londres, oferece aos seus clientes ricos algumas das experiências de viagens mais opulentas que o dinheiro pode comprar, em lugares como o Hotel Cipriani, em Veneza; o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro; e nos trens da linha Orient Express, que conectam grandes cidades europeias.

Agora, em um sinal da crescente importância que essas experiências adquiriram no mercado de luxo, a Belmond está sendo comprada pela LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, da França, a maior empresa mundial de produtos de luxo, segundo o critério de vendas.

A LVMH, dona de marcas como Christian Dior, Louis Vuitton e Fendi, anunciou nesta sexta-feira (14) que pagaria US$ 25 por ação da Belmond, um ágio de mais de 40% sobre o mais recente valor de fechamento da companhia, em uma transação avaliada em US$ 2,6 bilhões.

“A Belmond oferece experiências únicas a viajantes seletos e controla diversos ativos excepcionais, nos destinos mais procurados”, afirmou Bernard Arnault, o presidente-executivo da LVMH, no comunicado que anuncia a transação, a primeira aquisição substancial realizada por sua empresa em mais de 18 meses.

A tomada de controle acionário, que deve ser concluída no primeiro semestre do ano que vem, amplia a carteira de hotéis do grupo LVMH, que já inclui os hotéis Cheval Blanc, em Courchevel, nas Maldivas, em St.Barthelémy e em Paris; e a cadeia de hotelaria Bulgari Hotels and Resorts.

Também coincide com uma mudança nos hábitos de muitos consumidores abastados, que estão trocando a compra de produtos de luxo por experiências opulentas.

Os gastos mundiais na chamada economia da experiência —que são impulsionados principalmente por consumidores da geração millenial—  devem atingir os US$ 8,2 trilhões em 2028, de acordo com o grupo de pesquisa de mercado Euromonitor. Já o mercado de produtos de luxo ingressa em um novo período de incerteza.

O crescimento de categorias que já estão muito aquecidas —como viagens, hospedagem, e comida e vinho caros—  despertou o interesse de compradores famintos pelas empresas com melhor desempenho nessas categorias.

“A transação da LVMH faz sentido se levarmos em conta o crescimento continuado no número de indivíduos de alto patrimônio, em todo o mundo, e a virada cada vez mais perceptível para o luxo experiencial”, disse Thomas Chauvet, diretor de pesquisa sobre ações europeias do setor de luxo no Citi, em nota a investidores na qual ele indica que a aquisição poderá ser usada pela LVMH para elevar as vendas de seus produtos.

A Belmond é proprietária, sócia ou administradora de 46 hotéis, restaurantes, trens e agências de cruzeiros fluviais de luxo. Sua carteira inclui acampamentos para safáris em Botsuana e o único hotel que fica no interior da cidadela de Macchu Picchu, no sul do Peru. A diária média nos hotéis da companhia varia de US$ 448 na Ásia a US$ 1.206 na Europa.

As ações da empresa subiram em 58% de agosto para cá, depois que o anúncio de uma revisão estratégica pelo conselho da Belmond deflagrou especulações sobre uma potencial batalha de aquisição entre a LVMH e grupos de capital privado como o Blackstone e o KKR.

Nos 12 meses encerrados em 30 de setembro, a Belmond teve US$ 140 milhões em lucros anteriores aos juros, impostos, depreciação e amortização, sobre uma receita de US$ 572 milhões.

“Estamos confiantes em que, como parte da família mundial de marcas de primeira classe da LVMH, a capacidade da Belmond para propiciar experiências luxuosas, inesquecíveis e únicas atingirá novos patamares”, disse Roeland Vos, presidente da Belmond. Tradução de PAULO MIGLIACCI
THE NEW YORK TIMES

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Com mais de 260 mil visitantes, CCXP 2018 gerou lucros de 50 milhões de reais para marcas

Feira teve uma média de gastos por pessoa de trezentos reais em produtos
Por Soraia Alves

 CCXP 2018

CCXP 2018 terminou neste domingo (9), com números que reafirmam o evento como o maior festival de cultura pop do mundo: Foram 262 mil visitantes passando pelas dependências do São Paulo Expo no total. Deste número, 50% corresponde a moradoras da própria cidade de São Paulo, enquanto o restante está distribuído pelos demais 26 estados e o Distrito Federal.

A média de gastos de quem passou pela CCXP nesse ano foi de R$ 300,00 em produtos lançamentos e itens de colecionadores.

Outro dado interessante é a presença feminina no cenário geek. Do total do público presente, 45% foi de mulheres. Se analisarmos o fator idade, até os 25 anos as mulheres compareceram em maioria em relação aos homens.

Falando em conteúdo, a CCXP18 também trouxe alguns recordes para o evento, como 42 delegações de Hollywood com participações internacionais de Jake Gyllenhaal, Sandra Bullock, Zachary Levi, Tom Holland, Brie Larson, entre outros.

Foram 103 marcas produzindo ativações especiais. Destas, 5 eram patrocinadoras e 8 apoiadoras. Já a área do Artists’ Alley trouxe um total de 530 quadrinistas, enquanto o Creators Stage recebeu mais de 120 nomes entre criadores de conteúdo e celebridades da TV.

De acordo com a organização do evento, a estimativa é que o faturamento das marcas chegue a R$ 50 milhões. A CCXP18 também gerou um total de 10 mil empregos, entre diretos e indiretos.

Por fim, foram quatro dias de evento, com um total de 41 horas de programação ininterrupta e 120 horas de live para o canal do Omeleteve, no YouTube, com um alcance potencial de 100 milhões de pessoas.

A CCXP 2019 também já teve data de realização confirmada: de 5 a 8 de dezembro.

Uber entra com documentação para abertura de capital, diz Wall Street Journal

Segundo bancos de investimento, o Uber deve chegar à Bolsa avaliado em US$ 120 bilhões; a Lyft, rival do Uber, entrou com o processo para iniciar as vendas de ações na última quinta-feira

O Uber já levantou US$ 20 bilhões em investimentos

O Uber entrou com documentos para fazer sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto. É um passo mais perto de um marco importante para uma das principais empresas do Vale do Silício. A notícia foi revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, na última sexta-feira, 7. 

A reportagem afirma que, segundo bancos de investimento, o Uber deve chegar à Bolsa avaliado em US$ 120 bilhões. A mais recente avaliação da empresa foi de US$ 76 bilhões, quando o Uber vendeu uma parte de suas ações para a Toyota por US$ 500 milhões.  

De acordo com o Wall Street Journal, há indícios de que o Uber pode abrir seu capital logo no primeiro semestre, o que seria antes do esperado por especialistas. O presidente executivo do Uber, Dara Khosrowshahi, disse anteriormente que esperava que a empresa estreiasse na Bolsa no segundo semestre do ano que vem.

Essa aceleração do relógio faz parte de um movimento geral dos chamados “unicórnios”, as startups de capital privado avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. De acordo com uma reportagem do The New York Times, diante de um volátil mercado de ações e da perspectiva de uma desaceleração econômica no ano que vem, serviços como o Uber avançaram com mais urgência para uma oferta pública inicial (IPO, sigla em inglês). 

Uma das fontes da reportagem afirmou que o Uber apelidou o planejamento de seu IPO de “Projeto Liberdade” – o nome é provavelmente uma referência aos funcionários e investidores que há anos esperam para venderem suas participações na empresa. 

Segundo a agência de notícias Reuters, a listagem do Uber deve ser a mais bem avaliada entre uma série de IPOs de empresas do Vale do Silício esperadas para o ano que vem – entre elas, estão o serviço de aluguéis Airbnb, a plataforma de mensagens corporativas Slack e o aplicativo de transporte Lyft. 

Corrida. A Lyft, rival do Uber, entrou com o processo para iniciar as vendas de açõesna última quinta-feira, 6. O IPO da Lyft deve acontecer ainda no primeiro semestre de 2019. Analistas acreditam que largar na frente do Uber em termos de IPO pode ser uma vantagem para a Lyft.

Enquanto o Uber já captou US$ 20 bilhões em investimentos, a Lyft levantou US$ 5,1 bilhões. O Uber tem 20 mil funcionários ao redor do mundo, um valor quatro vezes maior que o da Lyft. 

A Lyft tem um negócio menos complexo que o Uber. Ela opera apenas em cidades dos EUA e Canadá e não tem serviços de entregas, como o Uber Eats.  

Com a incerteza da economia, “unicórnios” da tecnologia se apressam em direção ao IPO

Diante de um volátil mercado de ações e da perspectiva de uma desaceleração econômica no ano que vem, serviços avançam com mais velocidade para oferecer ações
Por Erin Griffith e Mike Isaac* – The New York Times

Escritório da Uber

Durante anos, Uber e Lyft deixaram de lado a ideia de colocar suas ações em bolsa. Agora elas estão acelerando.

Diante de um volátil mercado de ações e da perspectiva de uma desaceleração econômica no ano que vem, os serviços de transporte avançaram com mais urgência para uma oferta pública inicial (IPO, sigla em inglês), disseram quatro pessoas que têm conhecimento dos planos das empresas, mas não estavam autorizadas a falar publicamente.

Originalmente, a Lyft pretendia listar suas ações em meados de 2019, mas começou a se mover mais rapidamente após a recente liquidação do mercado de ações e por causa do desejo de ir a público antes da Uber, disseram duas das pessoas. Na quinta-feira, a empresa, avaliada recentemente em US$ 15 bilhões, anunciou que entrou com confidencialidade para uma oferta pública inicial.

A Uber também acelerou seu relógio de IPO. A empresa já havia dito que estava pensando no outono de 2019 no hemisfério Norte para ir a público, mas reduziu o prazo devido a preocupações de que uma recessão possa estar chegando, disseram duas pessoas familiarizadas com os planos. A Uber agora poderia ir a público logo em abril, disseram eles. Os bancos de investimento disseram à companhia que ela poderia valer até US$ 120 bilhões em um IPO.

Os movimentos da Lyft e da Uber indicam quão complicado pode ser decidir quando ir a público em um momento em que os mercados de ações têm sido turbulentos e o quadro econômico mais amplo está turvo. O cálculo para quando uma empresa lista publicamente suas ações é muitas vezes um alvo em movimento, mas as ações da Uber e da Lyft terão peso especial com uma série de outras startups altamente valorizadas do Vale do Silício que também estão se preparando para abordar os mercados públicos.

A Airbnb, empresa de locação on-line, planeja estar pronta para ir a público em meados de 2019, embora não tenha definido um cronograma formal, disse uma pessoa com conhecimento do assunto. A Slack, empresa de colaboração online, disse que está se preparando para uma oferta pública, mas não tem um cronograma específico.

“As empresas que estavam falando sobre 2020 foram informadas de que a janela pode não estar aberta por tanto tempo quanto se pensava”, disse Barrett Daniels, sócio da Deloitte, que aconselha sobre IPOs. Ele disse que estava dizendo às empresas que “se um IPO estiver em seus planos, eu provavelmente estaria me preparando agora”.

Qualquer estreia no mercado de ações dessas empresas será o capítulo final da era dos “unicórnios”, as startups de capital privado avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Muitas dessas empresas, que nasceram após a recessão de 2008, pegaram carona na onda de uso dos smartphones, transformando empresas, como táxis ou entrega de compras do mercado, em serviços sob demanda. Eles também se beneficiaram de capital abundante de investidores privados, motivados por baixas taxas de juros.

Durante anos, muitos unicórnios não estavam com pressa de ir a público porque poderiam crescer facilmente com dinheiro de investidores privados e longe do escrutínio de Wall Street. Em 2016, Travis Kalanick, cofundador do Uber e então diretor executivo, falou para muitas startups de tecnologia quando disse em uma conferência que sua empresa iria a público “o mais humanamente possível”. Os funcionários ficariam distraídos com os movimentos das ações, disse ele.

Essas atitudes mudaram à medida que os investidores e os funcionários de tecnologia aumentaram a pressão sobre as empresas para que se tornassem públicas de forma a lucrar com suas ações.

“O fator que nos força é: como você lida com questões como reter funcionários?”, Disse Rick Heitzmann, diretor administrativo da FirstMark Capital, que é um investidor em unicórnios como Pinterest e Airbnb.

Mas a oscilação do mercado de ações, a guerra comercial com a China e outros países e a incerteza sobre a direção da economia estão pesando na tomada de decisões do IPO. Poucos executivos querem tornar suas empresas públicas quando o apetite dos investidores por ações pode estar minguando.

“As empresas que esperavam que tudo estivesse perfeito antes de ir a público poderiam ter-se saído melhor quando as coisas estavam boas o suficiente”, disse Heitzmann.

Sandy Miller, uma investidora de capital de risco da IVP, disse que várias empresas estavam se reunindo com potenciais investidores muito antes de entrar com um IPO, no que é conhecido como eventos pré-roadshow. “Essa é a única maneira de realmente saber que tipo de receptividade você terá” dos mercados públicos, disse ela.

Miller disse que espera um ano robusto para IPOs no próximo ano, mas as empresas podem não querer esperar até o final do ano para o lançamento. “Certamente há algumas nuvens de tempestade no horizonte”, disse ele.

Alguns unicórnios estão evitando a imprevisibilidade por completo. A WeWork, empresa de locação de escritórios avaliada em US$ 45 bilhões, foi muito citada como candidata à IPO. Mas em novembro, a empresa concordou em vender mais US$ 3 bilhões em ações para seu principal investidor, o fundo Vision da SoftBank. Esse acordo permitiu à WeWork impulsionar planos para uma listagem pública no futuro, disse uma pessoa familiarizada com a empresa.

Para Uber e Lyft, a maior questão que enfrentam dos investidores do mercado público é se seus negócios podem ser lucrativos. Expandir um serviço de passeio exige investimentos para recrutar motoristas em várias cidades, o que pode se tornar caro rapidamente. A Uber disse no mês passado que perdeu US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre, quando passou a investir em novas áreas, como bicicletas, patinetes e remessas de cargas.

*Tradução de Claudia Bozzo

Netflix: A regra é não ter regra

O teste para manter alguém no time é: se um indivíduo lhe contasse que iria embora, você lutaria bravamente por ele?
Por Maurício Benvenutti – O Estado de S.Paulo

Netflix HQ Los Gatos, Califórnia – EUA

O Netflix é uma das grandes empresas dessa nova era. Em seu manual de cultura, um trecho do livro O Pequeno Príncipe é apresentado: “Se você quer construir um navio, não chame as pessoas para coletar madeira, atribuir tarefas ou dar ordens. Em vez disso, ensine-as a desejar a imensidão do oceano.” Bonito, não? Mas, o que significa?

Uma das únicas regras do Netflix é não ter regras. Tudo é gerido com raríssimos controles. Para isso funcionar, há um foco monstruoso em só contratar talentos. Gente com desempenho adequado recebe uma generosa rescisão e vai embora. Não há espaço para medianos. O teste para manter alguém no time é: se um indivíduo lhe contasse que iria embora, você lutaria bravamente por ele? Duelaria com unhas e dentes para reverter isso? Se sim, a empresa vai tentar mantê-lo. Se não, esse empregado deve mesmo sair.

Para o Netflix, um ambiente de trabalho incrível é feito de colegas impressionantes. Por isso, o objetivo é ser um Dream Team onde todas as estrelas querem estar. 

Quando um novo funcionário entra, ele passa a conviver com duas palavras: liberdade e responsabilidade. Por liberdade, entende-se que as pessoas são livres para executar o trabalho da forma como acham melhor. Cada indivíduo prioriza atividades, toma decisões e assume riscos. Já a palavra responsabilidade reforça que todos são conscientes dos seus atos. Ou seja, você trabalha como deseja, mas é responsável pelas suas ações. Em alguns períodos do ano, o Netflix compartilha a visão do negócio para os próximos meses. É uma espécie de guia. Com esse artigo em mãos, cada pessoa, em conjunto com seus pares, estabelece as próprias tarefas, objetivos e metas. 

Não existe horário de trabalho. O empregado é avaliado pelos resultados, e não pelas horas trabalhadas. Também não há política de férias. Cada colaborador tira quanto tempo achar necessário. Além disso, em vez de possuir um setor para controlar gastos, a empresa só pede que as pessoas gastem o dinheiro da companhia como se fosse o delas. 

Para o Netflix, um talento excepcional produz mais e custa menos do que dois indivíduos regulares. Dessa forma, o objetivo é só ter gente extraordinária, responsável e bem remunerada. Por isso, os salários são baseados no mercado. Normalmente, cada profissional é estimulado a fazer entrevistas em outras empresas, identificar o seu valor e usar essa informação para negociar o quanto deve receber. Incrível, não?

O Netflix, portanto, criou um modelo que privilegia pessoas antes de regras. Lá, reina a máxima de William McKnight, presidente da 3M por décadas: “contrate estrelas e as deixe em paz”. Indivíduos talentosos prosperam na liberdade e são dignos de autonomia. Não é preciso ensiná-los a construir um navio. Basta, simplesmente, inspirá-los a cruzar o oceano. 

*É SÓCIO DA PLATAFORMA PARA STARTUPS STARTSE

Uber planeja comprar startup de patinetes elétricos, diz site The Information

Segundo o The Information, a aquisição será “multibilionária”; o aplicativo de transportes está negociando a compra da startup Bird e também cogita como uma outra opção a Lime

A startup de patinetes elétricos Bird foi criada por um ex-funcionário do Uber

O aplicativo de transporte Uber está negociando a compra da startup de patinetes elétricos Bird, em uma aquisição “multibilionária”, informou o site The Information neste final de semana. De acordo com a reportagem, como outra opção, o Uber também está mantendo negociações com a Lime, que também é empresa de patinetes. 

Segundo o site, o Uber pretende fechar a aquisição, seja com a Bird ou a Lime, até o final do ano. Se o acordo se concretizar, o Uber estará em uma posição de comando relevante dentro do mercado de compartilhamento de patinetes elétricos. 

O interesse do aplicativo de transportes em patinetes não é novo. Há informações de que o Uber está desenvolvendo um projeto de um patinete elétrico totalmente produzido pela empresa. Vale lembrar também que o Uber já tem investimentos na Lime. 

Em resposta à reportagem, o presidente executivo da Bird, Travis VanderZanden, disse que a empresa “não está à venda”. Entretanto, ele não negou as informações do The Information

Estratégia. visão do Uber para o futuro é ser um aplicativo que atenderá diversas demandas de transportes. Em entrevista para o site The Verge, em maio deste ano, Dara Khosrowshahi, presidente executivo do Uber, disse que o futuro da empresa não será feito só de carros, porque eles sozinhos não atenderão à demanda de transporte das cidades. O executivo enxerga que a solução é ter uma rede de transportes abrangente, que ofereça bicicletas, ônibus e carros. Dentro dos planos, também está o carro voador, o UberAir. 

Como a Microsoft conseguiu valer mais do que a Apple?

A Microsoft está emparelhada com a Apple na disputa pelo título de empresa mais valiosa do mundo, ambas valendo mais de US$ 850 bilhões, graças ao salto de 30% no valor de suas ações nos últimos 12 meses
Por Steve Lohr – The New York Times

Satya Nadella se tornou presidente executivo da Microsoft em 2014

Há poucos anos a Microsoft era considerada no mundo da tecnologia uma companhia desajeitada e difícil de administrar. Era uma empresa grande e ainda lucrativa, mas havia perdido seu brilho, ficando para trás nos mercados futuros como o de celulares, buscas, publicidade online e computação em nuvem. O valor das suas ações definhou, com um aumento de apenas 3% na década até o final de 2012.

Hoje a história é bem diferente. A Microsoft está emparelhada com a Apple na disputa pelo título de empresa mais valiosa do mundo, ambas valendo mais de US$ 850 bilhões, graças ao salto de 30% no valor de suas ações nos últimos 12 meses. Como isso aconteceu?

Uso de forças.  Existe uma explicação de curto prazo para a ascensão da Microsoft no mercado e também uma de longo prazo. No curto prazo,  a resposta do mercado acionário é de que a companhia se manteve melhor do que outras durante a recente venda de ações das empresas de tecnologia. Os investidores da Apple se mostram preocupados com a desaceleração das vendas dos iPhones. 

Facebook e Google enfrentam ataques persistentes sobre o seu papel na distribuição de fake news e teorias de conspiração e os investidores temem que as políticas de privacidade das companhias afetem usuários e anunciantes. 

Mas a resposta mais importante e consistente é de que a Microsoft se tornou exemplo de como uma empresa que já foi dominante pode fazer uso das suas próprias forças e não ficar prisioneira do seu passado. A companhia adotou plenamente a computação em nuvem, abandonou uma incursão equivocada no segmento dos smartphones e voltou às suas raízes como principal fornecedora de tecnologia para clientes corporativos.

A estratégia foi delineada por Satya Nadella logo depois de ele se tornar presidente executivo da empresa em 2014. Desde então o preço das ações da Microsoft quase triplicou.

Aposta na nuvem.  A trajetória da Microsoft na computação em nuvem  – processamento, armazenamento e software oferecido como um serviço pela Internet a partir de centros de dados remotos – foi lenta e por vezes estagnou.

Seus precursores no campo da computação em nuvem remontam à década de 1990, com o serviço online MSN e depois o motor de busca Bing. Em 2010, quatro anos depois de a Amazon entrar no mercado da nuvem, a Microsoft lançou seu serviço. Mas não ofereceu nada comparável ao serviço da Amazon até 2013, dizem os analistas.

O serviço em nuvem da companhia era um negócio paralelo. O centro de gravidade continuava a ser seu sistema operacional Windows, o elemento chave da riqueza e do poder da companhia durante a era do computador pessoal. Isto mudou depois que Nadella substituiu Steven Ballmer, que foi presidente executivo da Microsoft por 14 anos.

Nadella tornou o serviço em nuvem uma prioridade e hoje a empresa é a segunda maior no segmento, depois da Amazon.  E quase dobrou o valor de suas ações para 13% desde o final de 2015, de acordo com o grupo de pesquisa Synergy. As ações da Amazon mantiveram-se firmes em 33% no mesmo período.

A Microsoft também reformulou seus populares aplicativos do Office, como o Word, Excel e Power Point,  para uma versão em nuvem,  Office 365. Essa oferta agrada as pessoas que preferem usar o software como um serviço de Internet e a Microsoft passou a competir com fornecedores do aplicativo online como o Google. 

A recompensa financeira dessa mudança foi gradativa no início, mas vem se acelerando. No último ano, até junho, a receita da empresa subiu 15%, para US$ 110 bilhões, e o lucro operacional cresceu 13%, para US$ 35 bilhões.

“Essencialmente, Satya Nadella promoveu uma mudança drástica para a nuvem”, disse David Yoffie, professor da Harvard Business School. “Ele colocou a Microsoft de volta nos negócios de forte crescimento”.

É a percepção de que a Microsoft está na trilha do forte crescimento que estimulou o aumento do preço de suas ações. 

Abandono de apostas fracassadas. Quando a Microsoft adquiriu a unidade de celulares da Nokia em 2013, Ballmer elogiou a compra como um “salto corajoso para o futuro”. Dois anos depois, Nadella largou esse futuro, assumindo uma despesa de US$ 7,6 bilhões, quase o valor total da compra, e cortou 7.800 funcionários.

A Microsoft não iria competir com líderes da tecnologia de smartphone, como Apple, Google e Samsung. Inversamente, ela se concentrou no desenvolvimento de aplicativos e outros software para clientes empresariais.

A Microsoft tem uma franquia de sucesso que é o Xbox. Mas é uma unidade separada e embora gere uma receita de US$ 10 bilhões, este valor ainda é menos de 10% das vendas totais da empresa.

Sob o comando de Nadella a companhia se soltou. O sistema operacional Windows não é mais seu centro de gravidade, ou sua âncora. Os aplicativos Microsoft rodam não só no Macintosh da Apple, mas também em outros sistemas operacionais. O software livre e de fonte aberta,  antes rejeitado pela Microsoft, foi adotado como ferramenta vital para o moderno desenvolvimento de software.

Segundo Nadella, “precisamos ser insaciáveis em nosso desejo de saber o que ocorre fora e trazer esse conhecimento para a Microsoft”. Foi o que ele escreveu em seu livro “Hit Refresh” publicado no ano passado.

O desempenho financeiro da companhia e o preço de suas ações sugerem que a sua fórmula está funcionando. “A velha visão do mundo centralizada no Windows sufocou a inovação”, disse Michael Cusumano, professor da Sloan School of Management do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “A companhia mudou culturalmente. Hoje a Microsoft é novamente um lugar fascinante para trabalhar”.

Tradução de Terezinha Martino