Plano do SoftBank para novo fundo é afetado por fracasso do WeWork

Redução do valor de mercado da empresa de escritórios compartilhados provoca desconfiança de potenciais parceiros dos japoneses no Vision Fund 2
Por Agências – Reuters

A We Company, dona da WeWork, esteve avaliada em US$ 47 bilhões em janeiro

O fundador e presidente executivo do SoftBankMasayoshi Son, está tendo dificuldades para captar dinheiro para um segundo fundo de investimento em tecnologia após a fracassada oferta pública da empresa do WeWork e da queda no valor de outros grandes investimentos, de acordo com duas pessoas familiarizadas com a situação.

Son ainda está determinado a avançar com o Vision Fund 2, apesar de alguns terem pedido um adiamento, disseram à Reuters as duas pessoas com conhecimento das discussões internas do SoftBank. É provável que o fundo seja muito menor, pelo menos no início, do que os US$ 108 bilhões que o SoftBank disse que tinha alinhado quando anunciou o fundo em julho, disseram as fontes.

Grandes investidores ainda não embarcaram no projeto, deixando um compromisso de US$ 38 bilhões do próprio SoftBank como o único grande investimento, de acordo com as fontes. E o tamanho desse investimento pode estar sendo questionado, dado alguns dos recentes contratempos que o Softbank sofreu e a falta de dinheiro disponível em seu balanço patrimonial, de acordo com uma análise da Reuters.

O Vision Fund e o SoftBank Group se recusaram a comentar a situação do Vision Fund 2.

A implosão no valor do WeWork e os questionamentos sobre seu modelo de negócio prejudicaram a reputação de Son como um investidor experiente e apontam para uma grande redução de valor do primeiro Vision Fund. O SoftBank e o Vision Fund juntos investiram mais de US$ 10 bilhões na empresa, investindo parte disso em um cenário no qual a empresa do WeWork foi avaliada em US$ 47 bilhões em janeiro. Mas o WeWork abandonou recentemente os planos para uma oferta pública inicial que teria avaliado a empresa em apenas US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões. 

Se o segundo fundo ficar muito aquém do objetivo de Son ou for descartado, terá amplas implicações para os investidores do Vale do Silício e empreendedores de Wall Street.

O primeiro Vision Fund, que levantou US$ 97 bilhões, transformou o mundo dos investimentos em tecnologia com enormes apostas em empresas em rápido crescimento, mas não comprovadas. Foi maior do que o valor agregado arrecadado por toda a indústria de capital de risco dos EUA em 2018, dando à Son uma enorme influência sobre o mercado de empresas iniciantes.

Os céticos dizem que os problemas no WeWork e o fraco desempenho no mercado de empresas que perdem dinheiro, como a Uber e a Slack, provocarão uma grande queda no valor das numerosas empresas iniciantes chamadas de unicórnios, que valem mais de um bilhão de dólares.

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Uber lança aplicativo para contratação de funcionários nos EUA

Com o serviço, empresas podem contratar trabalhadores temporários para funções como garçons e seguranças
Por Agências – Reuters

O Uber está tentando diversificar seus negócios 

O aplicativo de transporte Uber lançou um aplicativo chamado Uber Works para conectar empresas com trabalhadores temporários em funções como garçons e seguranças. O app, disponível por enquanto apenas em Chicago, nos Estados Unidos, mostrará aos trabalhadores os turnos disponíveis em uma determinada área e ajudará empresas com dificuldades para atender seus clientes durante o pico de demanda, disse o Uber.

“O Uber Works tem um painel de vagas e conectamos os usuários diretamente com empresas, incluindo restaurantes e outros, para ajudá-las a preencher turnos vagos”, disse um porta-voz da empresa à agência de notícias Reuters.

Os usuários do Uber Works podem obter informações detalhadas sobre turnos em que estão interessados, incluindo informações sobre salário bruto, local de trabalho e habilidades ou vestuário necessário.

O Uber tenta diversificar seu negócio principal em um momento em que as operações de transporte da empresa enfrentam concorrência a Ásia. A companhia também convive com problemas regulatórios em alguns países por classificar seus motoristas como contratados independentes, e não funcionários.

No mês passado, o Senado do Estado da Califórnia aprovou uma lei que faz empresas como o Uber classificarem parceiros como empregados – a regra passará a valer a partir de 1º de janeiro de 2020. Horas depois da decisão, uma motorista do Uber processou a empresa por classificar seus motoristas como trabalhadores independentes.

O ano não está bom para o Uber. A empresa estreou na Bolsa de Valores de Nova York em maio deste ano com ações negociadas em US$ 42, abaixo do seu preço de IPO, que era de US$ 45. Nos últimos meses, o aplicativo de transporte vem registrando grandes prejuízos: no seu balanço do segundo trimestre, o Uber registrou uma perda de US$ 5,2 bilhões e teve receita de US$ 3,2 bilhões, abaixo das expectativas dos analistas. A companhia levanta dúvidas sobre sua capacidade de crescer e afastar a concorrência.

Carrefour adquire participação em fintech para oferecer contas digitais

Por meio da fintech Ewally, o Carrefour vai oferecer uma conta digital que permitirá aos clientes pagar contas, transferir dinheiro, realizar cobranças e recargas de celular e bilhete de transporte
Por Flavia Alemi – O Estado de S. Paulo

O Carrefour pretende firmar parcerias com startups a fim de agilizar sua transformação digital

O Carrefour Brasil anunciou nesta terça-feira,1, a compra de 49% da fintech Ewally, com o objetivo de oferecer aos clientes uma conta digital administrada por meio de aplicativo. O valor da transação não foi revelado e está acordada uma opção de compra do controle pelo Carrefour após três anos.

Segundo o presidente executivo do Banco Carrefour, Carlos Mauad, a Ewally possui uma arquitetura que permite customizar as contas digitais, de modo que elas cheguem aos clientes com a cara do Carrefour. “A previsão é que até o final do ano já estejamos rodando um piloto nos nossos pontos de venda”, afirmou Mauad ao Broadcast.

Por meio da Ewally, o Carrefour vai oferecer uma conta digital que permitirá aos clientes pagar contas, transferir dinheiro, realizar cobranças e recargas de celular e bilhete de transporte. De acordo com Mauad, a plataforma é mais inclusiva do que o cartão Carrefour: por não oferecer crédito, não há necessidade de análise nos órgãos de proteção ao crédito.

“Os descontos e promoções que oferecemos aos nossos clientes que têm o cartão de crédito Carrefour serão estendidos a quem tiver a conta digital”, disse Mauad.

A aquisição da participação na fintech faz parte do plano do Carrefour de firmar parcerias com startups a fim de agilizar a transformação digital da companhia. Além da Ewally, o Carrefour tem contratos com a Rappi, na logística, e com a Cyber Cook, para criação de conteúdo.

“Queremos empurrar essa agenda no sentido de aprender como o cliente vai utilizar a plataforma de pagamento. O principal, agora, é ensinar esses clientes e tocá-los ao ponto de criar a digitalização”, afirmou a presidente executiva do Carrefour E-Business Brasil, Paula Cardoso.

No comunicado ao mercado sobre a operação, Mauad fala do potencial de alcance do produto. “Atualmente, um a cada três brasileiros ainda é desbancarizado, o que significa mais de 45 milhões de pessoas. Esse grupo movimenta, anualmente, cerca de R$ 800 bilhões e é essa fatia da população que queremos alcançar com esta solução inclusiva”.

Empresa de moda Forever 21 pede recuperação judicial nos EUA

Reestruturação deve provocar o fechamento de lojas em todo o mundo e saída da rede de países na Ásia e Europa.

Rede Forever 21 atua no Brasil desde 2014.

A empresa americana de moda Forever 21 anunciou neste domingo (30) que entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar uma falência, no mais recente caso das redes de lojas de rua obrigadas a uma reestruturação em consequência do avanço do comércio online.

A empresa recorreu ao “Capítulo 11” da lei americana de falências, que permite manter o controle e posse de seus bens enquanto administra uma reestruturação – situação similar à recuperação judicial prevista nas leis brasileiras.

A empresa possui atualmente mais de 800 lojas nos Estados Unidos, Ásia, Europa e América Latina. A rede atua no Brasil desde 2014.

Em comunicado, a Forever 21 informou deverá fechar entre 300 e 350 lojas em todo o mundo, incluindo 178 somente nos Estados Unidos.

“Como parte da estratégia de reestruturação, a companhia planeja sair da maioria de suas localizações internacionais na Ásia e na Europa, mas continuará suas operações no México e na América Latina”, afirmou a empresa.

Procurada pelo G1, a empresa não informou se haverá fechamento de lojas no Brasil, e afirmou apenas que continua a trabalhar de perto com consultores neste mercado “para determinar qual será a estratégia e o plano futuros. Nesse meio tempo, continuamos funcionando normalmente”.

Fundada em Los Angeles em 1984 pelo casal sul-coreano Do Won e Jin Sook Chang, a Forever 21 se tornou uma das lojas favoritas das adolescentes nos Estados Unidos, ao oferecer roupas similares às de grandes marcas de moda a preços acessíveis.

Competindo com empresas como H&M e Zara, a rede iniciou uma expansão agressiva no setor de roupa masculina e calçados após a crise econômica de 2008.

Mas os analistas consideram que a Forever 21 falhou no momento de reagir ao avanço das vendas online, assim como ao impacto da mudança de atitude dos consumidores pelo impacto no meio ambiente das redes “fast fashion” e sua preocupação com as condições de trabalho nas fábricas que elaboram seus produtos, destaca a agência France Presse.

Desde 2017, mais de 20 varejistas já entraram com pedido de recuperação judicial nos EUA, incluindo a Sears e a Toys ‘R’ US.

WarnerMedia divulga primeiro relatório de diversidade e inclusão da história de Hollywood

Documento mostra que companhia nestes termos está próxima de alcançar o equilíbrio em seu quadro de funcionários, mas ainda precisa fazer o mesmo em suas produções
Pedro Strazza

WarnerMedia lança relatório provisório de diversidade e inclusão 2018

No ano passado, a então Warner Bros. se comprometeu a colher dados para o início da produção de um relatório anual sobre o status de diversidade e inclusão em seu quadro de funcionários e executivos, aderindo oficialmente ao Production Diversity Policy que buscava garantir a preservação destes valores entre os diferentes setores de Hollywood. Passado doze meses, este documento enfim foi divulgado no dia de hoje (26) pelos canais da WarnerMedia, revelando dados interessantes da companhia no tocante a estas questões específicas.

Intitulado “WarnerMedia 2018 Diversity and Inclusion Interim Report”, o relatório é o primeiro do tipo a ser produzido por qualquer um dos grandes estúdios de Hollywood e se divide em três grandes áreas maiores da empresa, incluindo aí a força de trabalho, conteúdo produzido e programas de parceria com terceiros. Nesta primeira versão a companhia optou por focar em diversidade sob a ótica da etnicidade e gênero, mas garantiu que as próximas edições devem incluir dados sobre a porcentagem de representação e funcionários LGBTQ+.

A boa notícia é que em questão de quadro de funcionários a WarnerMedia está num cenário bem positivo em termos de diversidade. Se em nível global a porcentagem de contratados masculinos e femininos da empresa é respectivamente de 54% e 46%, no território estadunidense a divisão é ainda melhor, equilibrada entre 53% de funcionários homens e 47% de mulheres. Além disso, cerca de metade das novas contratações e promoções da empresa foram destinados ao público feminino, incluindo aí a chegada de Ann Sarnoff em junho como nova CEO da Warner Bros..

O equilíbrio também vale para diversidade racial, embora em menor escala. Os dados coletados pela companhia indicam que 42% dos funcionários fora das posições de gerenciamento pertencem a pessoas não brancas, mas nos cargos superiores esta porcentagem diminui para até 20%. Em defesa desta tendência, a WarnerMedia alega que a tendência é que nos próximos anos esta piramidação seja resolvida pelas escaladas na hierarquia dos novos funcionários.

Analisando a composição dos funcionários sem a divisão hierárquica, as três maiores etnias da força de trabalho do estúdio são branca (61), negra (12,91%) e latina (10,77%).

Já na produção o desafio é um pouco maior. Na televisão, posições para membros que não sejam homens brancos é reduzida na programação da WarnerMedia, com as mulheres possuindo apenas 34% dos papéis e 23% de trabalhos atrás das câmeras. Trabalhadores não brancos tem ainda menos espaço, possuindo 24% dos papéis e 23% de posições nos bastidores.

A disparidade se acentua nos filmes, com mulheres ganhando apenas 28% dos papéis e 24% dos trabalhos nos bastidores e pessoas não brancas recebendo 16% das participações no elenco e 20% de funções atrás das câmeras.

Sobre a pesquisa, o CEO da WarnerMedia John Stankey comenta que fica feliz com os resultados positivos exibidos no documento, mas reconhece os problemas a serem resolvidos dentro da empresa: “Enquanto estou incrivelmente orgulhoso com o que este relatório apresenta e nossa dedicação contínua por transparência, eu reconheço que nós ainda temos muito trabalho a fazer em todos os níveis. Nós sabemos que diversidade, inclusão e pertencimento são importantes para nossos funcionários, parceiros criativos, consumidores e sucesso.” escreve o executivo no comunicado.

Você poder ler o relatório na íntegra neste link.

Com valorização dos discos de vinil, obras raras chegam a mais de US$ 27 mil

Relatório mostra que, pela primeira vez em 33 anos, a venda de discos de vinil deve superar a de CDs, enquanto os valores dos discos sobem até 490%
Por Soraia Alves

No começo de setembro, a Associação da Indústria de Gravação da América (RIAA) divulgou um relatório no qual mostra que 80% da receita da indústria da música vem do streaming. Mas o que chamou mesmo a atenção nos dados divulgados foi a receita de vendas de discos de vinil, que está a caminho de superar a de CDs até o final do ano.

Essa será a primeira vez em 33 anos que os discos de vinil ultrapassam as vendas de CDs. E, seguindo o aumento das vendas, os preços dos discos também subiram em até 490%.

De acordo com a CNBC, o “boom” das vendas de vinis novos e usados aconteceu na última década, indo de uma representação de 55,8% entre 2010 e 2011 para 131,8% entre 2011 e 2012. Em relação aos valores, segundo dados do eBay, o aumento foi maior ainda. Em 2007, um disco de vinil novo (lançamento) custava em média US$ 4,80, e em 2017 esse preço já era de USS$ 28,40, um aumento de mais de 490%.

O “não barateamento” dos CDs ao longo dos anos também é fator que soma na conta, uma vez que um CD lançamento, hoje, pode chegar a ser vendido por US$ 30,00.

Mesmo que as plataformas de streaming tenham barateado a música para os ouvintes, muitos ainda valorizam o ritual de comprar e possuir um disco. Por isso mesmo o streaming não é visto como uma ameaça para as vendas de vinis. Alguns especialistas, inclusive, chegam a garantir que o consumo de música via streaming acaba até ajudando a vender mais discos.

Raridades supervalorizadas

Na pegada da valorização dos vinis, alguns títulos chegam a custar milhares de dólares. Como conta o Business Insider, em 2015, o executivo farmacêutico Martin Shkreli pagou US$ 2 milhões pela única cópia do registro “Once Upon a Time in Shaolin”, de Wu-Tang Clan.

Os valores de discos supervalorizados nos mercados online de compra e venda de vinis, porém, são mais baixos – mais ainda assim bem caros. Entre os títulos com preços mais altos vendidos na última década pela Discogs, site e banco de informações de música online com um grande mercado de discos, os valores variam de US$ 2 mil a quase US$ 30 mil.

Um dos exemplos é a cópia original de “Love Me Do”, dos Beatles, que ganhou apenas 250 impressões no lançamento porque o nome de Paul McCartney saiu escrito errado nos créditos – McArtney. Uma dessas cópias foi vendida pela Discogs por US$ 10.472,89, em março de 2018. Um ano antes, outra foi cópia já havia sido arrematada por US$ 14.845,17.

Das raridades mais caras do site/loja está o “The Black Album”, de Prince. Originalmente, o trabalho seria um acompanhamento do nono álbum do cantor, “Sign O ‘the Times”, mas Prince mudou de ideia poucas semanas antes do lançamento e ordenou que todas as 500 mil cópias fossem destruídas.

Por questões contratuais, o álbum não pôde ser completamente ignorado e um pequeno número de cópias promocionais em capas pretas, sem título, nome do artista ou qualquer referência foram entregues a algumas rádios.

Somando a raridade das cópias e a mística por traz da história, o “The Black Album” chegou a valer quase US$ 30 mil e foi comprado em junho de 2018 por US$ 27.500,00.

Riachuelo inaugura loja com espelho inteligente, área de convivência e venda de eletroportáteis

Em espaço antes ocupado pela Fnac no Morumbi Shopping, varejista cria unidade que será seu laboratório de inovações, enquanto prepara transformação de braço financeiro em banco múltiplo
Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

Nova loja da Riachuelo no Morumbi Shopping Foto: ALEX SILVA/ESTADAO

Em tempos nos quais a palavra “jornada do consumidor” entrou no vocabulário de todas as empresas, a Riachuelo inaugura na quinta-feira, 26, uma loja que pretende aproveitar esse movimento. A unidade conceito será aberta no Morumbi Shopping, em São Paulo e servirá como uma espécie de laboratório de inovações. No antigo espaço ocupado pela livraria Fnac, que saiu do Brasil há um ano, foram colocados espelhos inteligentes nos provadores, wi-fi de alta velocidade, espaço para carregar celulares, uma área destinada à venda de eletroportáteis e outra para reforma e customização de peças, além de armários para retirada de produtos. Além de, e é claro, as roupas da marca. 

“Os clientes estão exigindo que as lojas ofereçam mais serviços, comodidade, flexibilidade e rapidez para resolverem problemas, desejos e necessidades”, afirmou Oswaldo Nunes, presidente-executivo da Riachuelo ao Estadão/Broadcast. “E, claro, precisamos continuar oferecendo produtos e coleções com bom custo benefício, qualidade e coordenação de moda”.

Com a nova loja, a Riachuelo também vai reposicionar a linha de moda casa, que passa a se chamar Casa Riachuelo. “A gente vai estender um pouco mais a linha, trazendo alguns eletroportáteis, desde máquina Nespresso até equipamentos de uso para cozinha”, disse Elio Silva, diretor executivo de marketing.

Já nas inovações tecnológicas, a rede pretende gerar experimentação. No caso dos espelhos, a promessa é de que os clientes possam consultar no provador cores disponíveis do produto, solicitar novos itens, criar uma lista de desejos e compartilhar conteúdo nas redes sociais. Na área de reformas de roupas, a ideia é ter uma programação de ações que vai desde estamparia de camisetas até ajustes e consertos.

Além do investimento em experiência de compra, a Riachuelo montou uma área de convivência, com Wi-Fi de alta velocidade e espaço para carregar celular e computador.

Oswaldo Nunes, presidente executivo da Riachuelo
Oswaldo Nunes, presidente executivo da Riachuelo Foto: Adriano Adrião/Divulgação

Antes de expandir as ações para outras lojas da rede, a Riachuelo quer medir o sucesso dessas novidades entre os consumidores. Os armários para retirada de produtos, por exemplo, começaram a ser testados há um ano na loja da Avenida Paulista, e foram expandidos para outras unidades. Na loja do Morumbi Shopping, haverá a opção de retirada pelo armário via QR Code ou atendimento presencial. A unidade será a sexta inauguração da empresa neste ano, chegando a um total de 318 lojas no Brasil inteiro.

Para Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult, a expansão no ramo de moda casa segue a tendência dos grandes varejistas digitais em explorar as multicategorias de produtos, principalmente no marketplace, os shoppings virtuais nos quais as grandes marcas abrigam outros vendedores. Com a venda desses eletroportáteis e utensílios domésticos nas lojas físicas, porém, serão necessários investimentos em readequação do espaço e em storytelling, como é chamado o discurso para atrair o consumidor. “Vai precisar ser competitivo em preço ou em algum nível de serviço para disputar com as lojas especializadas”, observa. 

Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo
Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo Foto: Adriano Adrião/Divulgação

Ainda com relação às inovações tecnológicas, a empresa já está trabalhando para quando sua estrutura da plataforma digital e de marketing para o braço financeiro do grupo, a Midway Financeira, se tornar banco múltiplo. A Riachuelo segue no expectativa da autorização do Banco Central.

Câmbio

Ao mesmo tempo em que investe na nova frente para atender ao consumidor, a Riachuelo trabalha para reduzir o impacto cambial. O dólar acima de R$ 4 deverá reduzir as margens da empresa. Apesar de não ter proteção às variações do câmbio, Nunes demonstra tranquilidade com o tema porque o dólar em alta também afetará os concorrentes do varejo de moda.

Bangladesh, China, Índia, Turquia e Vietnã são alguns dos países nos quais as empresas do setor têm buscado fornecedores. Isso tem feito com que as coleções das grandes lojas seja cada vez mais internacional. “No caso da Riachuelo, os itens importados devem estar na faixa dos 25%, com concentração mais forte em inverno e em categorias que a indústria têxtil brasileira não tem vocação ou interesse em produzir localmente”, disse ele.

Sem a proteção cambial, o normal é que o dólar caro seja repassado ao consumidor, mas Nunes afirma que terá dificuldade em reajustar preços no atual momento de fraqueza da economia. “Claro que, num momento em que a economia cresce pouco e o desemprego ainda é alto, é difícil repassar para o preço final dos produtos a desvalorização do real, o que acaba, em alguma medida comprimindo um pouco as margens de todo mundo”, disse.

Apesar disso, ele afirmou que a Riachuelo tem uma vantagem estrutural, já que a empresa tem cerca de 75% do catálogo produzido em fábricas próprias. “Isso nos protege dessa variação do câmbio”, diz.

Crescimento orgânico

Sobre o futuro, a varejista reafirma a intenção de prosseguir com expansão orgânica no Brasil, onde o mercado é altamente pulverizado. No longo e médio prazos, Nunes afirmou que ainda há muito espaço para que as principais varejistas de moda no País – Renner, C&A, Pernambucanas, Marisa e a própria Riachuelo – cresçam sem precisar partir para aquisições. “Essas cinco concorrentes devem ter participação de 10% a 15% de todo o mercado de moda no Brasil. Tem 85% de mar aberto para todas navegarem juntas, sem precisar tirar mercado umas das outras”, disse.

No último mês, a notícia de que a norte-americana Forever 21 estaria prestes a pedir falência abriu especulações sobre quem poderia se interessar em assumir as operações. Para Nunes, há interessados em ocupar os pontos em shoppings importantes. Questionado se a Riachuelo poderia ser um deles, ele disse apenas que sua empresa tem espaço para crescer organicamente.

A expectativa de crescimento da Riachuelo para este ano, porém, é de que seja menor do que no ano passado. Em 2018, as vendas no critério mesmas lojas, ou seja, em lojas abertas há mais de 12 meses, subiram 3,7% e a receita líquida total de mercadorias avançou 7%, totalizando R$ 5,1 bilhões.

No segundo trimestre deste ano, as operações de todas as varejistas de moda foram prejudicadas pelo inverno de temperaturas amenas. A Riachuelo começou o ano com estoque elevado e expectativas vendas durante o inverno. Segundo Nunes, foi feito um ajuste na compra das peças deste ano.

“Hoje temos 35% menos estoque de inverno do que tínhamos na mesma época do ano passado. Isso é bom para a próxima estação, pois gente já pode iniciar uma coleção mais renovada, com mais frescor”, afirmou.