Facebook dobra gastos com segurança de Mark Zuckerberg

Presidente-executivo recebeu em R$ 87,7 milhões em 2018
Hannah Murphy

Mark Zuckerberg – CEO Facebook 

SAN FRANCISCO – O valor total da remuneração de Mark Zuckerberg quase dobrou em 2018, para US$ 22,6 milhões (R$ 87,72 milhões), depois que “sentimentos negativos” associados ao Facebook e ao seu presidente-executivo resultaram em alta dramática no custo de sua segurança pessoal, de acordo com documentos financeiros submetidos pela companhia às autoridades americanas na sexta-feira (12).

O aumento dos pagamentos foi revelado em documentos apresentados pela companhia às autoridades regulatórias, que também revelaram mudanças na composição de seu conselho. Dois integrantes veteranos do conselho, Reed Hastings, presidente-executivo da Netflix, e Erskine Bowles, figura política do Partido Democrata, deixarão seus postos em maio, enquanto Peggy Alford, presidente-executiva do PayPal, passará a integrá-lo.

Zuckerberg tem um salário básico anual de US$ 1, de acordo com os documentos. Mas sua remuneração total, que inclui custos de viagem e segurança, subiu a US$ 22,6 milhões no ano passado, ante US$ 9,1 milhões em 2017.

O aumento se deve principalmente a uma alta de 32% no custo da segurança pessoal “em suas residências e em viagens pessoais”, para quase US$ 10 milhões, ante US$ 7,6 milhões em 2017. O pacote também inclui mais US$ 10 milhões —sem impostos—, para cobrir os custos de segurança pessoal de Zuckerberg e de sua família, e os custos de viagens em aviões privados, que subiram de US$ 1,5 milhão em 2017 para US$ 2,6 milhões em 2018.

Em comparação, Jeff Bezos, presidente-executivo e fundador da Amazon, recebeu US$ 1,6 milhão para cobrir seus arranjos de segurança em 2018, enquanto Dara Khosrowshahi, presidente-executivo da Uber, recebeu pouco mais de US$ 2 milhões para esse fim, de acordo com informações prestadas por suas empresas às autoridades.

A noticia surge em um momento no qual o Facebook vem sofrendo críticas intensificadas da parte do público e das autoridades, depois do escândalo da Cambridge Analytica, que envolvia o uso indevido de informações de consumidores, e pelo medo de que a companhia não esteja fazendo o bastante para conter a difusão de conteúdo nocivo e desinformações por meio de seus apps.

“Acreditamos que o papel de Zuckerberg o coloque em posição única: ele é sinônimo do Facebook e, como resultado, os sentimentos negativos dirigidos à nossa empresa são muitas vezes associados, e transferidos, a Zuckerberg”, afirmou a companhia nos documentos.

“Zuckerberg é um dos executivos mais reconhecidos do planeta, em grande parte por conta do tamanho de nossa base de usuários e de nossa exposição continuada à mídia mundial e à atenção legislativa e regulatória”, acrescentou o Facebook.

A segunda em comando do Facebook, a vice-presidente de marketing Sheryl Sandberg, teve remuneração total de US$ 23,7 milhões, da qual US$ 18 milhões em opções de ações.

A empresa também anunciou na sexta-feira a indicação de Alford, vice-presidente de mercados básicos do PayPal, para seu conselho, em um sinal de que o Facebook está de olho em ampliar suas oportunidades na área de pagamentos e comércio eletrônico.

Alford antes foi vice-presidente financeira da Chan-Zuckerberg Initiative, a organização de caridade de Zuckerberg.

Hastings, da Netflix, e Bowles, reitor emérito da Universidade da Carolina do Norte, não serão reconduzidos ao conselho durante a assembleia anual de acionistas do Facebook, a companhia anunciou. Os dois faziam parte do conselho desde 2011.

O Facebook vem investindo pesadamente em sua plataforma de vídeo, Watch, nos últimos 18 meses, em uma iniciativa que pode colocá-la em concorrência direta com a Netflix, nesse segmento.

“[Hastings e Bowles] são duas das pessoas mais sábias com quem já tive a oportunidade de trabalhar”, escreveu Zuckerberg em um post em sua página pessoal do Facebook. “Estou agradecido por tudo que eles fizeram para levar adiante a missão do Facebook e por tudo que me ensinaram nos últimos oito anos”.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

FINANCIAL TIMES

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3 lições do acordo entre Beyoncé e Adidas

Forbes Brasil
Janice Gassam
Getty Images
© Fornecido por BPP Publicações e Participações Eireli Getty Images

Recentemente, a cantora Beyoncé anunciou um grande acordo com a marca esportiva Adidas. Por meio da parceria, a artista norte-americana criará vestuário e calçados para a empresa, além de relançar sua marca Ivy Park, anteriormente vendida nas lojas da rede Top Shop.

Logo depois das notícias sobre o contrato, um vídeo começou a circular na internet com o jornalista Nick DePaula, da ESPN, alegando que a cantora havia recusado uma parceria com a marca concorrente Reebok em função da falta de diversidade entre os membros da equipe. No vídeo, DePaula conta que a artista negou tal acordo dizendo: “Ninguém desta marca reflete meu passado, minha cor de pele, minhas origens e meus planos”.

Usar Beyoncé como o rosto de uma marca pode ser uma atitude nada autêntica se os criadores e designers dos produtos não forem, eles mesmos, retratos da diversidade. Enquanto a veracidade das afirmações ainda não é comprovada, e a Reebok não se pronuncia, o caso levanta uma discussão sobre pontos importantes que muitas empresas enfrentam atualmente: diversidade e inclusão. Elas devem garantir que seus funcionários sejam de diversas origens, pois isso se tornou importante para os consumidores.

A capacidade de atrair e promover profissionais diversos se tornou uma parte essencial da estratégia competitiva de uma organização. A falta de foco pode fazer com que a companhia perca sua vantagem competitiva, diminuindo a lucratividade. Seus funcionários refletem a demografia de seus clientes? Existe diversidade entre os membros do conselho administrativo? Se a resposta for “não”, talvez seja hora de reavaliar e reformular sua estratégia corporativa.

Veja, nas fotos abaixo, lições que aprendemos com o caso de Beyoncé e maneiras pelas quais as corporações podem se diversificar para estimular a lucratividade e a produtividade:

1. Diversidade começa no topo

Slide 1 de 3: 1. Diversidade começa no topo

Para melhorar a representatividade em sua organização, deve haver diversidade entre os líderes da empresa. Mulheres, por exemplo, são mais propensas a contratar outras executivas, o que aumentará a representatividade feminina. Quando os funcionários não se identificam com ninguém da liderança, isso afeta seu moral e engajamento. Com as redes sociais, desigualdades no local de trabalho se tornaram evidentes, podendo afetar a percepção dos clientes. 

O site e as campanhas de marketing, no entanto, não devem apresentar diversidade se essa não for a realidade da empresa. Para ampliar essa característica entre a liderança, uma boa ideia é começar por dentro. Em vez de realizar uma contratação externa, a corporação pode optar pela promoção de um funcionário com bom desempenho, por exemplo.

Para melhorar a representatividade em sua organização, deve haver diversidade entre os líderes da empresa. Mulheres, por exemplo, são mais propensas a contratar outras executivas, o que aumentará a representatividade feminina. Quando os funcionários não se identificam com ninguém da liderança, isso afeta seu moral e engajamento. Com as redes sociais, desigualdades no local de trabalho se tornaram evidentes, podendo afetar a percepção dos clientes.

O site e as campanhas de marketing, no entanto, não devem apresentar diversidade se essa não for a realidade da empresa. Para ampliar essa característica entre a liderança, uma boa ideia é começar por dentro. Em vez de realizar uma contratação externa, a corporação pode optar pela promoção de um funcionário com bom desempenho, por exemplo.

2. É preciso priorizar a diversidade na estratégia organizacional

Slide 2 de 3: 2. É preciso priorizar a diversidade na estratégia organizacional

Pesquisas da McKinsey & Company mostram que existe uma relação significativa entre a diversidade corporativa e os resultados financeiros de uma empresa. A diversidade de gênero, assim como a de cultura e etnia, foi correlacionada com maior lucratividade. 

A consultoria sugere que uma forma de expandir a diversidade da organização é priorizá-la na estratégia organizacional. Não existe uma abordagem única para a diversidade e a inclusão, e as políticas devem ser feitas sob medida com base nas questões em foco. Além de aumentar a lucratividade, uma maior diversidade permite que a organização seja mais criativa. Pesquisas indicam que companhias com funcionários diversos são mais capazes de alavancar mercados insuficientemente atendidos. A diversidade satisfaz a necessidade dos funcionários de serem ouvidos, o que lhes permite expressar opiniões e ideias. No final das contas, criatividade e inovação também afetam os resultados da empresa.

Pesquisas da McKinsey & Company mostram que existe uma relação significativa entre a diversidade corporativa e os resultados financeiros de uma empresa. A diversidade de gênero, assim como a de cultura e etnia, foi correlacionada com maior lucratividade.

A consultoria sugere que uma forma de expandir a diversidade da organização é priorizá-la na estratégia organizacional. Não existe uma abordagem única para a diversidade e a inclusão, e as políticas devem ser feitas sob medida com base nas questões em foco. Além de aumentar a lucratividade, uma maior diversidade permite que a organização seja mais criativa. Pesquisas indicam que companhias com funcionários diversos são mais capazes de alavancar mercados insuficientemente atendidos. A diversidade satisfaz a necessidade dos funcionários de serem ouvidos, o que lhes permite expressar opiniões e ideias. No final das contas, criatividade e inovação também afetam os resultados da empresa.

3. Diversidade é responsabilidade de todos

Slide 3 de 3: 3. Diversidade é responsabilidade de todos

Diante desse cenário, várias empresas introduziram funções executivas especializadas em diversidade, muitas vezes rotuladas como “diretor de diversidade”. Na verdade, criar esse papel pode ser problemático, pois torna a diversidade um problema exclusivo do executivo encarregado, em vez de uma questão organizacional pela qual todos são responsáveis. Para ampliar a diversidade dentro da empresa, todos os funcionários devem se sentir responsáveis ​​por promover uma cultura de inclusão. Ela deve estar no DNA da corporação. 

Considere adotar recompensas para iniciativas inclusivas. Esse incentivo foi uma estratégia eficaz para a Intel e pode ser uma maneira de expandir a diversidade corporativa. Assim, por meio dessas ações, há um foco mais intenso na inclusão, o que pode levar a um maior sucesso.

Diante desse cenário, várias empresas introduziram funções executivas especializadas em diversidade, muitas vezes rotuladas como “diretor de diversidade”. Na verdade, criar esse papel pode ser problemático, pois torna a diversidade um problema exclusivo do executivo encarregado, em vez de uma questão organizacional pela qual todos são responsáveis. Para ampliar a diversidade dentro da empresa, todos os funcionários devem se sentir responsáveis ​​por promover uma cultura de inclusão. Ela deve estar no DNA da corporação.

Considere adotar recompensas para iniciativas inclusivas. Esse incentivo foi uma estratégia eficaz para a Intel e pode ser uma maneira de expandir a diversidade corporativa. Assim, por meio dessas ações, há um foco mais intenso na inclusão, o que pode levar a um maior sucesso.

Uber confirma IPO, mas alerta investidores sobre a possibilidade de nunca dar lucro

Aplicativo de transportes oficializou a entrada na Bolsa, prevista para acontecer no início de maio; IPO pode ser o maior da história dos Estados Unidos

IPO do Uber, previsto para acontecer no começo de maio, pode ser o maior da história dos EUA

O Uber confirmou na última quinta-feira, 11, que fará a sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Nova York. A empresa deve divulgar até o fim do mês a faixa de preço estimada para suas ações e, então, abrir capital no início de maio. A estimativa é que o Uber seja o maior IPO da história dos Estados Unidos, superando a chinesa Alibaba, que em 2014 faturou US$ 25 bilhões.

Junto com a confirmação, a empresa de transporte divulgou dados da companhia. Segundo o Uber, hoje o aplicativo conta com 91 milhões de usuários, incluindo os que usam o app de delivery de refeições Uber Eats. A empresa disse ainda que perdeu US$ 3 bilhões apenas em 2018.

O Uber também ressaltou aos futuros investidores que talvez nunca dê lucros. Isso aconteceria devido a uma característica do mercado em que a empresa atua ­- que conta com forte incentivo financeiro para motoristas e descontos em viagens para passageiros.

Em documento entregue a Comissão de Valores Imobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), o Uber disse que fechou 2018 com receita de US$ 11,3 bilhões, um aumento de 42% em comparação com ano anterior, mas abaixo do crescimento de 106% que ocorreu entre 2016 e 2017.

A empresa também definiu um valor de US$ 1 bilhão para o espaço reservado, mas não especificou qual será o tamanho do IPO. A agência de notícias Reuters informou nesta semana que o Uber planeja vender cerca de US$ 10 bilhões em ações, o que garantiria à companhia um valor de mercado estimado entre US$ 90 bilhões e US$ 100 bilhões.

Bancos de investimento já haviam dito à Uber que ela poderia valer até US $ 120 bilhões. Fontes próximas à empresa informaram, no entanto, que o Uber não está mais cogitando que terá esta avaliação pós-IPO.

Agora, o Uber está liberada para fazer uma série de apresentações para investidores, chamada de roadshow. De acordo com a Reuters, esses encontros estão previstos para iniciar na semana de 29 de abril.

Wall Street. A confirmação do Uber acontece duas semanas depois que a Lyft, sua principal rival dos EUA, abriu capital na Bolsa. Apesar de bater as expectativas dos investidores no primeiro dia de pregão, as ações companhia não tem tido bom desempenho nos últimos dias.

Na última quinta-feira, as ações da Lyft fecharam o dia valendo US$ 61,01, um preço 15% menor que o registrado no IPO. As quedas são vistas como um sinal de esfriamento para outras companhias de tecnologia que devem abrir capital nos próximos meses: além do Uber, o Airbnb e o Pinterest estão na lista.

Desafios e benefícios. Atualmente o Uber enfrenta questões sobre como vai adotar uma frota de veículos autônomos, tecnologia vista como potencial redutor de custos, mas que também poderia atrapalhar seu modelo de negócio.

No ano passado, o aplicativo foi protagonista de uma disputa legal sobre segredos comerciais envolvendo a unidade de veículos autônomos Waymo da Alphabet Inc, dona do Google. No processo, a Waymo alegava que um de seus ex-engenheiros, que se tornou chefe do projeto de carro autônomo do Uber, levou consigo milhares de documentos confidenciais.

O Uber revelou no processo que poderia ter que pagar uma taxa de licença para a Waymo ou enfrentar um atraso substancial no desenvolvimento de sua tecnologia de carros autônomos se a avaliação inicial de sua tecnologia por um especialista independente for confirmada.

Uma vantagem que o Uber provavelmente mostrará para os investidores é que ele é o maior competidor na maioria dos países em que opera. Esta vantagem é vista pelos analistas como crucial para que o modelo de negócios do Uber seja lucrativo em médio e longo prazo.

Apesar disso, o Uber afirmou em seu comunicado que sua posição de liderança nos Estados Unidos e no Canadá foi “significativamente afetada por eventos adversos de publicidade” e que sua posição em muitos mercados tem sido ameaçada por descontos de outras empresas.

O Uber disse que sua participação de mercado caiu na maioria das regiões no ano passado, embora a taxa de declínio tenha diminuído. A empresa reivindica mais de 65% de participação de mercado nos Estados Unidos e no Canadá, contra os 39% da Lyft  no mercado americano.

Fontes alegam, todavia, que a empresa está estudando forma de dar algumas ações para motoristas que, entre outros critérios, completaram mais de 2.500 viagens.

Papel. Agora, além de responder a perguntas sobre as finanças do Uber, o presidente da empresa Dara Khosrowshahi será encarregado de convencer os investidores de que ele mudou com sucesso a cultura e as práticas de negócios após uma série de escândalos constrangedores nos últimos dois anos.

A empresa foi alvo de uma série de acusações de assédio sexual, violação de dados ocultada de reguladores, uso de software ilícito para fugir das autoridades e suborno no exterior. Khosrowshahi ingressou no Uber em 2017 para substituir o co-fundador da empresa, Travis Kalanick, que foi demitido do cargo de presidente.

Os números secretos da Uber: US$ 1 bi no Brasil, US$ 11 bi no mundo

Em documento para abrir seu IPO, empresa de transporte por aplicativo revelou números inéditos e prejuízo que supera o da Amazon
Por Carol Oliveira, Karin Salomão

UBER: Brasil é o segundo maior mercado da empresa, que quadruplicou o faturamento por aqui nos últimos dois anos

Uber deu entrada na noite desta quinta-feira em seu aguardado IPO e, com isso, a empresa de transporte por aplicativo divulgou números até então inéditos sobre sua operação, incluindo mais detalhes sobre o Brasil.

Já se sabia que o Brasil era o segundo maior mercado da Uber no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Com os números divulgados hoje, é possível ter uma dimensão melhor das operações da empresa por aqui.

No Brasil, a empresa faturou 959 milhões de dólares no ano passado, um crescimento de 115% em relação a 2017. A longo prazo, o crescimento é impressionante no país, com o faturamento subindo 406% em relação a 2016. No mundo, a Uber teve faturamento de 11,3 bilhões de dólares em 2018 (crescimento de 149% em relação a 2017 e 318% desde 2016).

O número de usuários no mundo fechou 2018 em 91 milhões e cresceu 35% em relação a 2017. A Uber tem mais de 22 milhões de usuários no Brasil e mais de 600 mil motoristas parceiros, estando presente em mais de 100 cidades.

A Uber chegou ao Brasil em 2014, inicialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, para operar na Copa do Mundo de futebol daquele ano. No Brasil, as principais concorrentes são a brasileira 99 (comprada no ano passado pela chinesa Didi Chuxing) e a espanhola Cabify.

São Paulo também está entre os destaques do comunicado da empresa, estando entre as cinco maiores regiões metropolitanas onde a Uber opera. No ano passado, 24% do valor das corridas (sem descontar o percentual pago ao motorista) veio desta cinco regiões metropolitanas, que são, além de São Paulo, Los Angeles, Nova York, São Francisco e Londres.

Apesar de ser o segundo mercado da Uber no mundo, o Brasil ainda está longe dos Estados Unidos, país natal do serviço e que responde por mais de metade do faturamento da Uber no mundo. Em 2018, a empresa faturou 6 bilhões de dólares no país.

Desde que foi fundada, em 2010, a Uber realizou no mundo mais de 10 bilhões de viagens. Só no ano passado, foram 5,2 bilhões de corridas, com os passageiros percorrendo 41,8 bilhões de quilômetros. A companhia está presente em 700 cidades e 63 países ao redor do mundo e realiza 14 milhões de viagens por dia.

Mas embora tenha crescido na casa dos três dígitos nos últimos anos, a Uber acredita que ainda está longe de atingir o máximo de seu potencial. A empresa aponta que somente 2% da população nos 63 países em que opera usou seus serviços no último trimestre de 2018. “Apesar de termos crescido em uma escala incomparável, só estamos começando”, afirma a empresa no documento.

O lucro virá?

O problema é que o ritmo de crescimento está diminuindo, em vez de aumentar. O faturamento do último trimestre de 2018, de 2,97 bilhões de dólares, foi praticamente igual ao do trimestre anterior, de 2,94 bilhões. Ou seja, para conquistar os 98% da população que falta, a empresa precisará voltar a acelerar. O dinheiro da abertura de capital pode ser uma boa oportunidade. A questão é que uma nova frente de investimentos em marketing e em promoções dificultaria ainda mais um desafio crônico da companhia: ganhar dinheiro.

O caminho da empresa até o IPO não foi fácil. O documento divulgado nesta quinta-feira mostra que a Uber teve 6,8 bilhões de dólares de prejuízo entre 2014 e 2018. Algo comum entre startups, mas, ainda assim, uma perda maior até mesmo que a da varejista Amazon em seus primeiros anos. Nos primeiros 17 trimestres (ou quatro anos) de operação, a empresa fundada por Jeff Bezos teve prejuízo de 2,8 bilhões de dólares.

A companhia também enfrentou obstáculos regulatórios, disputas com prefeituras, protestos de taxistas e ações trabalhistas desde a sua criação.

“Claro que, ao ir do ponto A ao ponto B, não fizemos tudo certo. Alguns dos atributos que fizeram da Uber uma startup de sucesso – um senso de empreendedorismo feroz, nossa vontade de tomar riscos que outros não teriam e a famosa agitação da Uber – levaram a erros no meio do caminho”, escreveu o CEO Dara Khosrowshahi no prospecto.

Mesmo após a abertura de capital, os desafios devem continuar. Os mercados de mobilidade pessoal, entrega de alimentos e logística para indústria são altamente competitivos, com rivais maduros, bem estabelecidos e com custos baixos em quase todos os grandes mercados da Uber.

Para se manter competitivo nesses mercados, a empresa corta as taxas de serviço e oferece incentivos aos motoristas e promoções aos consumidores. Assim, a empresa apresenta perdas significativas desde o início e não tem previsão de lucro.

“Esperamos que nossas despesas operacionais cresçam consideravelmente no futuro próximo e podemos não alcançar lucratividade”, escreveu a empresa.

Crescimento da rival

O início dos processos para o IPO da Uber vem duas semanas depois de a Lyft, principal concorrente nos Estados Unidos, fazer sua oferta pública de ações. A Lyft foi a primeira de uma série de IPOs de empresas de tecnologia esperados para este ano. Mas desde o lançamento das ações, em 29 de março, a empresa vem vendo o valor dos papéis caírem dia após dia, com preocupação dos investidores sobre a potencial de lucratividade da empresa.

As ações da Lyft, inclusive, chegaram a seu menor patamar nesta quinta-feira, pressionadas pela proximidade do IPO da maior concorrente. A ação fechou o pregão a 60,12 dólares, quase 16,5% abaixo dos 72 dólares por ação da abertura de capital.

A Uber deve enfrentar os mesmos questionamentos e desconfiança dos investidores. Apesar do comunicado trazendo mais detalhes sobre as finanças da companhia, ainda não se sabe quanto custará uma ação da empresa: os números oficiais e o preço das ações devem ser divulgados somente no fim do mês, com a primeira oferta na bolsa vindo somente em maio.

A imprensa noticiou que a Uber espera arrecadar cerca de 10 bilhões de dólares com as ações lançadas no mercado, além de obter uma valorização de 90 a 100 bilhões de dólares, segundo o jornal Wall Street Journal. O jornal americano também aposta que as ações devem ficar entre 48 e 55 dólares.

Com o IPO, Uber e Lyft se lançam na corrida por usuários e investidores — mas ainda continuarão longe da corrida pelo lucro.

Gigante da fast fashion, H&M lança coleção feita de resto de frutas e alga

Em busca de práticas de menor impacto ambiental, a empresa sueca faz da inovação uma importante aliada para estimular mudanças no mercado mundial da moda
Por Vanessa Barbosa

Coleção Conscious Exclusive: novos materiais de origem vegetal. (H&M/Divulgação)

São Paulo – A rede de fast-fashion H&M vai lançar no dia 11 de abril uma nova linha de roupas feitas com materiais ecológicos, que incluem tecidos fabricados a partir de folhas de abacaxi, cascas de laranja e algas.

Presente em mais de 69 mercados e com mais de 4800 lojas, a rede sueca faz da inovação uma importante aliada para estimular mudanças no setor. Segundo a revista Voguetrês materiais serão utilizados na confeição das peças: piñatex, fibra laranja e espuma BLOOM. E há muita inovação por trás deles.

Feito a partir da fibra de folhas de abacaxi, o tecido de piñatex atuará como alternativa para o uso de couro. A empresa fabricante dessa matéria-prima (Ananas Anam Ltd) explica em seu site que a fibra é geralmente queimada ou descartada depois que a fruta é colhida. Assim, seu reaproveitamento para fins fabris dá aos agricultores uma renda adicional, conferindo ao piñatex uma chancela de responsabilidade ambiental e social.

Produzida pela empresa italiana Orange Fiber, a fibra de laranja também é um subproduto da produção da fruta. Ela é sintetizada a partir das cascas de laranjas usadas na indústria de sucos e que seriam jogadas fora. Os tecidos são  formados por um fio de celulose semelhante à seda que pode se misturar com outros materiais, conferindo sensação suave e sedosa ao toque, descreve a empresa em seu site.

O terceiro material de origem sustentável, o BLOOM Foam,  é uma espuma feita de biomassa de algas, que aparecerá nos sapatos da nova coleção. Em geral, as solas convencionais são feitas de derivados de petróleo, tendo uma origem fóssil e poluente. De acordo com a BLOOM Foam, sapatos feitos com o seu material evitam que o equivalente a 225 garrafas plásticas de água retornem para o ambiente.

A nova coleção, batizada de H&M Conscious Exclusive, terá um preço mais elevado, entre 25 e 300 dólares, e trará desde calças de cintura alta e terninhos a vestidos e botas de vaqueiro de patchwork. Outros materiais utilizados na coleção incluem poliéster reciclado, algodão orgânico, linho orgânico, seda orgânica, plástico, vidro e prata reciclados.

Essa não é a primeira investida da empresa com materiais ecológicos. Em 2012, a marca lançou sua primeira coleção “verde”, onde todas as peças foram feitas com algodão orgânico, cânhamo (fibra da maconha) e poliéster reciclado. Outras oito surgiram desde então, incluindo a atual. 

 (H&M/Divulgação)

Um guarda-roupa indigesto para o Planeta
Como outras investidas da gigante da moda, a nona coleção busca confrontar um dos maiores problemas da indústria fashion: a geração de resíduos. De um lado, a produção de roupas demanda recursos naturais em níveis colossais, como água e energia, e de outro, gera montanhas de lixo.

De acordo com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a indústria da moda rápida contribui com aproximadamente 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa e consome mais energia do que as indústrias de aviação e transporte combinadas. Recursos que vão parar no lixo: 85% dos produtos têxteis acabam em aterros sanitários, segundo a ONU. Para agravar, o setor produz 20% de toda a água residual gerada por processos fabris, carregada de substâncias químicas nocivas utilizadas no tingimento. 

Todo esse ciclo de produção e descarte de roupas acontece no curto espaço de tempo imposto pela lógica do negócio de fast fashion, com varejistas que chegam a lançar mais de 12 coleções ao ano. Nesse contexto, materiais de origem ecológica e biodegradáveis como os da coleção da H&M aparecem como substitutos menos agressivos ao meio ambiente, tanto na sua origem quanto no descarte. Ainda que se trate de coleções limitadas, é um modelo que pode amplificar o debate sobre sustentabilidade na moda e inspirar a indústria como um todo a buscar soluções escaláveis.

De acordo com a H&M, 57% de todos os materiais usados ​​pelo grupo são orgânicos, reciclados ou de origem sustentável. Quando se considera apenas o algodão, 95% do insumo usado nas coleções da marca é reciclado ou de origem sustentável (produzido de forma orgânica ou com menor aplicação de defensivos agrícolas). A meta da marca é aumentar esse percentual a cada ano até alcançar 100% de materiais de origem sustentável até 2030. Agora, é esperar para ver se o resto do mercado da fast fashion segue o exemplo.

Richard Branson lança companhia ferroviária que promete fim dos carros nos EUA

Richard Branson || Créditos: Reprodução/Instagram

Considerado um dos empreendedores mais inovadores da atualidade, Richard Branson resolveu investir em uma indústria que fez algumas das maiores fortunas do começo do século passado: a ferroviária. Na última quinta-feira, o empresário britânico inaugurou a Virgin Trains USA, com a qual promete transformar o setor de transporte público dos Estados Unidos ao ponto de fazer com que os americanos vendam os carros que têm na garagem para embarcar em seus trens, conforme disse aos jornalistas.

E o que a Virgin Trains USA tem de tão especial assim que a diferencia da concorrência? De acordo com Branson, a empresa que a princípio vai operar exclusivamente na Flórida nasce apostando na ideia de que o segredo de qualquer bom negócio está na qualidade dos serviços prestados. “Há tempos que os americanos buscam qualidade nessa área”, ele explicou numa coletiva, antes de lembrar que a grande maioria das companhias ferroviárias dos EUA foi fundada há mais de cem anos.

E como não é homem de falar coisas da boca pra fora, Branson – cujo patrimônio pessoal é estimado em US$ 4,2 bilhões (R$ 16,2 bilhões) – fez questão de atender os passageiros presentes na viagem inaugural da Virgin Trains USA, que partiu de Miami com destino a uma cidade próxima de lá, servindo a todos eles chá e biscoitos. Em outras ocasiões, o bilionário chegou a se vestir de aeromoça para agradar clientes – nesse caso, os da Virgin Airlines, a aérea que o tornou famoso nos anos 1980. (Por Anderson Antunes)

*

Abaixo, um post de Branson no Instagram sobre o mais novo negócio dele:

Tribunal dá prazo de duas semanas para acordo entre Musk e órgão regulador

O presidente executivo da Tesla está sendo acusado de violar um acordo com a SEC, sobre seus tuítes polêmicos

Elon Musk é presidente executivo da Tesla

A Justiça deu um prazo de duas semanas para o presidente executivo da Tesla, Elon Musk, e a Securities and Exchange Comission (SEC) resolverem se o bilionário violou um acordo de fraude com órgão regulador, sobre seus tuítes polêmicos. A notícia é do jornal The New York Times. Nesta quinta-feira, 4, Musk esteve em uma audiência no tribunal federal de Manhattan sobre o caso. 

De acordo com a reportagem, a juíza Alison Nathan, do tribunal federal de Manhattan, disse para ambos os lados terem bom senso e “respirarem fundo”.

Segundo a agência de notícias Reuters, o tribunal também ordenou que o Elon Musk e a SEC tenham um encontro de pelo menos uma hora para tentarem resolver as preocupações do órgão regulador com o uso irresponsável do Twitter pelo executivo. 

Entenda o caso. Musk é acusado de violar um acordo com a SEC feito em outubro de 2018, após o bilionário postar em sua conta pessoal no Twitter que cogitava tirar a empresa da Bolsa caso o preço da ação batesse US$ 420. O acordo dizia que Musk só poderia publicar na rede social com um monitoramento prévio feito pela Tesla.  

A SEC acusou o executivo de violação em fevereiro deste ano, porque ele publicou informações relevantes sobre a Tesla no Twitter sem pedir a aprovação de advogados da empresa. A batalha diz respeito a um tuíte que Musk postou para seus mais de 24 milhões de seguidores no Twitter: “A Tesla fabricou 0 carros em 2011, mas fará cerca de 500 mil em 2019”.

Quatro horas depois, Musk se corrigiu, dizendo que a produção anual provavelmente seria de cerca de 500 mil até o final do ano, com entregas no ano totalizando 400 mil.

Os advogados de Musk argumentaram que o tuíte anterior apenas reafirmava uma previsão que ele havia feito em 30 de janeiro, quando disse que a produção do Model 3 poderia totalizar entre 350 mil e 500 mil veículos.

Em uma entrevista em dezembro ao programa “60 Minutes”, da CBS, Musk disse que não tem respeito pela SEC. Ele também disse que seus tuítes não foram revisados com antecedência desde o acordo.