Itaú compra a Zup, startup de Uberlândia, por R$ 575 milhões

Empresa tem 900 funcionários, é especializada em serviços de big data e já prestou serviços para empresas como Vivo, Santander e Nextel
Por Renato Carvalho – O Estado de S. Paulo

Os sócios da Zup: big data para grandes empresas

Itaú anunciou na noite desta quinta-feira, 31, que fechou a aquisição de 100% do capital da Zup, startup fundada em 2011, em Uberlândia (MG). O valor total da transação é de R$ 575 milhões, e a compra será feita em três etapas ao longo de quatro anos.

Na primeira etapa, o banco vai adquirir 51% da Zup por cerca de R$ 293 milhões. No terceiro ano após o fechamento da compra, o Itaú vai adquirir mais 19,6% do capital, e o restante será comprado no quarto ano.

O Itaú ressalta que a gestão e a condução dos negócios da Zup vão continuar separadas em relação ao banco. Em comunicado, a instituição financeira informa que a empresa tem 900 funcionários, e oferece soluções tecnológicas de acordo com a necessidade de cada cliente. 

A empresa é especializada em serviços de big data, com análises de grandes bancos de dados. Em seu histórico, a companhia já ajudou a desenvolver aplicativos para operadoras como Vivo e Nextel e bancos como o Santander. “Ajudamos essas companhias a se digitalizarem de forma mais rápida”, disse, em 2017, o cofundador da empresa Gustavo Debs, ao Estado

Negros empreendem mais do que brancos, mas faturam menos

Pesquisa do GEM com apoio do Sebrae mostra ainda que 45% dos afroempreendedores abrem negócio por necessidade, contra 28% dos brancos, e não por oportunidade
André Marinho, O Estado de S.Paulo

O dono da loja Afropolitan, Hasani Damazio (ao centro), e seus gerentes Paula Renata e Thiago Braziel. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Mônica Tavares, de 38 anos, já teve de fechar dois negócios. Sem experiência em gestão, não conseguiu manter uma banca de revistas e, mais tarde, uma livraria dedicada ao público LGBT+ em Salvador. “Eu precisava de renda. Minha mãe era profissional liberal e a gente passava muito sufoco”, lembra.

Os esforços da empreendedora – atuando no mercado mais por necessidade do que por oportunidade de negócio – retratam o cenário enfrentado por outros negros no País, como mostra pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), com entrevistas realizadas no ano passado em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e divulgadas agora com o apoio do Sebrae.

O GEM realiza pesquisas sobre empreendedorismo em cerca de 80 países, sob a coordenação de um consórcio liderado pela London Business School; no Brasil, é feita desde o ano 2000. Para este levantamento, foram entrevistados 2.000 brasileiros, divididos por gênero, raça, idade e região em proporção representativa dos brasileiros adultos.

A pesquisa revela que 38% da população do País empreende, com negócios formais e informais em diferentes estágios de maturação. Dentre estes empreendedores, 40% são autodeclarados pretos ou pardos, enquanto 35% são brancos (o restante inclui amarelos e indígenas).

“(Essa proporção) ocorre por falta de oportunidade no mercado de trabalho, porque a qualificação média deles é menor”, explica Marco Bedê, economista do Sebrae que participou da elaboração do estudo.

Entre os negros, o levantamento mostra que quase a metade (45,5%) abre a própria empresa por necessidade. A falta de alternativa justifica apenas 28,5% das aberturas de negócios entre os brancos.

Negócios iniciados por necessidade, diz o especialista, tendem a ter estruturas mais frágeis, porque representam a única opção de sustento para o indivíduo. “As pessoas que começam a empreender por oportunidade têm formação melhor e tempo maior para fazer planejamento”, aponta. 

Estudo e renda

Na terceira vez em que Mônica Tavares tentou empreender, a história foi diferente. Enquanto cursava administração de empresas, em 2012, ela se aproveitou da própria experiência para abrir uma consultoria para pequenos empresários em situação similar à dela. Hoje, a MEI Bahia emprega oito pessoas. “Fui percebendo demandas de mercados suprimidas, de perfis que não eram atendidos, como o meu.” 

Com o crescimento da empresa, ela não conseguiu terminar o curso de administração. “Uma das coisas pelas quais talvez empreendedores brancos não passem é ter que escolher entre estudar e trabalhar. Eu tive que fazer isso. Parei no sétimo semestre da faculdade”, revela.

De fato, a proporção de empreendedores brancos que concluíram o ensino superior (12,8%) é bem maior que a registrada entre negros (6,6%), ainda de acordo com a pesquisa.

A Afropolitan, aberta em 2018, é um dos negócios acelerados pelo investidor Hasani Damazio. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O abismo também é verificado nos caixas das empresas. A proporção de empreendedores negros em começo de negócio que ganham até dois salários mínimos é de 54%, sendo 37% no caso dos brancos.

Outro exemplo de empreendedora negra é a assistente social Rose Lourenço. Em abril, ela decidiu deixar o trabalho em uma ONG na periferia de São Paulo para se dedicar à Semente Crioula, grife de roupas infantis para crianças negras. O maior desafio, diz, é encontrar lugares onde expor seus produtos.

“Já coloquei na minha cabeça que este será o ano dos investimentos. Se não rolar até o ano que vem, eu vou procurar um emprego”, conta. O sonho de Rose é conseguir montar duas lojas: uma na região da rua Augusta, no centro, e outra em Salvador, na Bahia.

Enquanto isso, ela expõe os produtos em locais como a Afropolitan Station, boutique colaborativa na República, região central de São Paulo. O espaço, inaugurado em 2018, reúne 45 marcas de empreendedores negros de diversos segmentos.

Negro que investe em negro

Por trás do Afropolitan está o investidor-anjo Hasani Damazio, de 39 anos, que criou a loja e o marketplace ao lado da mãe, Elida Monteiro. “Não é que a gente queira segregar a economia. A maior forma de honraria que uma pessoa pode fazer à cultura negra é consumir produtos feitos por negros”, avalia.

A Afropolitan é só mais um dos projetos de Damazio focados no afroempreendedorismo. Brasileiro nascido em uma família de ativistas, ele cresceu na Catalunha, na Espanha, e morou em diferentes cantos do planeta, como São Paulo, Paris e República do Guiné. 

Nos Estados Unidos, onde estudou negócios e relações internacionais na Universidade de Nova York, conta ter sido despertado para a importância de aproveitar talentos negros no combate à desigualdade. “A maioria dos negros que empreende não teve um tio ou um pai empreendedor. Não teve as conversas de jantar sobre o sucesso dos negócios”, explica.

Peças vendidas na loja Afropolitan, no centro de São Paulo, que reúne 45 marcas de empreendedores negros. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O ímpeto deu origem ao Afro.Estate, fundo de investimentos voltado para aceleração de startups administradas por negros. Além da própria Afropolitan, a carteira é formada por outras duas empresas: a Awo Systems, que atua na busca de soluções de big data e inteligência artificial para afroempreendedores, e o Clube da Preta, clube de assinaturas que reúne produtos de mais de 200 marcas.

No caso do clube, todo mês os cerca de 380 assinantes recebem uma caixa com peças de roupas, livros, acessórios, entre outros itens feitos por empreendedores negros (planos a R$ 99,90 ou R$ 199,90 por mês).

“O Clube da Preta nasce de um desejo de ajudar microempreendedores que circulam pela periferia e sempre nos diziam que vendiam muito entre outubro e dezembro, mas que de janeiro a setembro tinham que se virar de outro jeito”, diz Bruno Brigida, sócio da empresa ao lado de Débora Luz.

Em contato com uma rede robusta de gestores negros, Brigida explica que um dos principais entraves para o sucesso desses negócios é a resistência dos consumidores. “No subconsciente, as pessoas que não são negras têm a percepção de que tudo o que vem dos negros é minorizado, ou seja, a qualidade não é boa”, avalia ele.

Brigida conta que o acesso restrito ao crédito também é um desafio. Ele diz que nunca havia conseguido recursos por meios tradicionais, até chegar a Afro.Estate.

Meta de 100 empresas e R$ 1 bilhão

Até 2020, o portfólio do fundo de Hasani Damazio deve chegar a cinco empresas. Para 2028, a meta é mais ambiciosa: reunir 100 empresas que, somadas, estejam avaliadas em R$ 1 bilhão. “Pretendo atrair, para cada uma delas, investimentos de R$ 1 milhão e, daí, conseguir valorizá-las a R$ 10 milhões”, calcula o investidor-anjo.

Os investimentos dele variam entre R$ 50 mil e R$ 250 mil, de acordo com as necessidades de cada negócio. As aplicações são de caráter produtivo, isto é, são direcionadas aos projetos, e não aos empresários.

“Nenhum real que eu invisto vai para a compra de uma casa, por exemplo. É tudo para o projeto”, diz ele, que adquire participação de entre 10% e 20% dos projetos em que investe.

Google quer comprar marca de relógios inteligentes Fitbit

Notícia fez ações das duas empresas subirem nesta segunda

Google teria interesse em comprar a Fibit 

A Alphabet, controladora do Google, fez uma oferta para adquirir a fabricante de dispositivos vestíveis Fitbit, disseram pessoas familiarizadas com o assunto nesta segunda-feira, 28.

Embora o Google tenha se juntado a outras empresas de tecnologia, como Apple e Samsung, no desenvolvimento de smartphones, a companhia ainda não desenvolveu seu próprio vestível – o Google Glass, aposentado em 2016, nunca chegou a perder a aura de experimental.

Não há certeza nem sobre o desfecho do acordo, disseram as fontes, ou sobre o preço exato que o Google ofereceu pela Fitbit. As duas companhias recusaram a comentar. As ações da Fitbit disparavam cerca de 27% após a notícia, o que dá à empresa um valor de mercado de US$ 1,4 bilhão. As ações da Alphabet subiam 2%.

Em janeiro, a Alphabet já havia desembolsado US$ 40 milhões em tecnologia para relógios inteligentes da Fossil – além da transferência de tecnologias, profissionais da Fossil foram contratados. Desde então, porém, nenhuma novidade sobre um possível relógio inteligente do Google foi revelada.  

Os dispositivos da Fitbit podem cair como uma luva no plano: eles acompanham os passos dados, calorias queimadas e distância percorrida pelos usuários. Eles também medem andares subidos, duração e qualidade do sono e ritmo cardíaco. / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

Spotify tem alta de assinantes acima do esperado e amplia lucro

Serviço chegou a 113 milhões de assinantes e tem lucro de € 241 milhões
Por Agências – Reuters

Spotify amplia número de assinantes acima do esperado 

O Spotify divulgou lucro acima do esperado nesta segunda-feira, 28, impulsionado por crescimento na base de assinantes de seu serviço de streaming de música. A empresa sueca, que superou a Apple Music na corrida para dominar o mercado de streaming de música globalmente, disse que seu número de assinantes aumentou 26 milhões em relação ao mesmo período do ano passado – ao final de setembro, registrava 113 milhões de assinantes. 

Isso ainda deixa a Spotify atrás dos 158 milhões de assinantes da Netflix, mas o número é pouco maior que os 112,9 milhões esperados por analistas, de acordo com dados da Refinitiv. O serviço de streaming de música mais popular do mundo por ampla margem, prevê um total de assinantes premium no quarto trimestre na faixa entre 120 milhões e 125 milhões.

A empresa espera que sua base total de usuários mensais cresça para faixa entre 255 milhões e 270 milhões no trimestre atual, acima da estimativa média dos analistas de 259,7 milhões. No terceiro trimestre, o lucro líquido foi de € 241 milhões, ou € 0,36 por ação, em comparação com € 43 milhões de euros, ou € 0,23 euro por ação, um ano antes. Analistas esperavam um prejuízo de € 0,29 euro por ação.

As despesas operacionais aumentaram 11%, para € 387 milhões, com despesas em vendas e marketing subindo quase 22% em relação ao ano anterior. A receita, no entanto, aumentou 28%, para € 1,73 bilhão nos três meses terminados em 30 de setembro. Analistas esperavam receita de € 1,72 bilhão.

Dona da Louis Vuitton faz oferta para comprar joalheira Tiffany, diz agência Reuters

Joalheria tem valor de mercado de R$ 47,6 bilhões

Joalheria Tiffany & Co

NOVA YORK | REUTERS – A LVMH, proprietária da marca Louis Vuitton, abordou a Tiffany & Co com uma proposta de aquisição, disseram pessoas familiares com o assunto à agência Reuters, num momento em que a joalheria americana enfrenta dificuldades com as tarifas sobre suas exportações para a China.

Há anos em busca por maneiras de expandir sua posição no mercado dos Estados Unidos, a LVMH fez uma oferta preliminar e não vinculante pela Tiffany no início deste mês, disse uma das fontes, no sábado.

A Tiffany contratou consultorias para examinar a oferta da LVMH, mas ainda não deu uma resposta, e não está certo que estaria disposta a negociar, acrescentou uma das fontes.

Não foi possível saber o preço exato da oferta da LVMH para comprar a Tiffany, que tem um valor de mercado de US$ 11,9 bilhões (R$ 47,6 bilhões).

As fontes pediram para não serem identificadas porque o assunto tem natureza confidencial. A LVMH não quis comentar, enquanto a Tiffany não respondeu até a publicação os pedidos de comentário. A Bloomberg News noticiou mais cedo no sábado (26) que a LVMH está em negociação como a Tiffany.

Dona de marcas como Fendi, Christian Dior e Givenchy, bem como da marca de champanhe Veuve Cliquot, a LVMH tem se destacado há muitos anos como uma das mais bem-sucedidas do setor de consumo de alto padrão, no qual nem todas as empresas têm conseguido se beneficiar no mesmo patamar do crescente apetite dos chineses por produtos de marca.

A Tiffany, por outro lado, não tem sido tão resiliente. Além das tarifas que têm sido impostas na guerra comercial entre os EUA e a China, um imposto menor sobre o consumo interno chinês também contribuiu para uma queda de dois dígitos nas vendas para turistas chineses nos EUA e em outros destinos.

Microsoft vence contrato de nuvem do Pentágono avaliado em US$ 10 bi

Vice-líder no mercado de computação em nuvem, empresa de Satya Nadella superou a líder Amazon em disputa cercada de polêmicas
Por Agências – Reuters

Satya Nadella é presidente executivo da Microsoft

Microsoft venceu nesta sexta-feira, 25, uma disputa importante no mercado de computação em nuvem: a empresa foi escolhida pelo Pentágono para um contrato de US$ 10 bilhões, divulgou o departamento de Defesa americano. Vice-líder do mercado de nuvem no mundo, com sua divisão Azure, a Microsoft bateu a Amazon, líder global e favorita para vencer a contenda. 

Chamado de Joint Enterprise Defense Infrastructure Cloud (JEDI), o contrato é parte de uma modernização digital do Pentágono, que pode deixar o Exército americano mais ágil – a meta é dar aos militares melhor acesso a dados, a partir de campos de batalha e localizações remotas. “Se eu estou numa guerra, quero a maior quantidade de dados o possível”, disse o general Jack Shanahan, ao explicar a repórteres em agosto o porquê do contrato – apesar de administrar o exército mais potente do mundo, o Pentágono tem tecnologia ainda bastante inadequada, dizem alguns oficiais. 

O processo foi cercado de polêmicas e conflitos de interesse – em especial, do presidente Donald Trump, um crítico conhecido da Amazon e seu fundador Jeff Bezos. Em agosto, Trump disse que sua administração estava revisando a proposta da Amazon para o contrato, após reclamações de outras empresas. 

A Oracle, que também disputou o processo, levantou várias dúvidas – uma das principais reclamações foi a de que um ex-funcionário da Amazon, trabalhando no Departamento de Defesa, acabou se demitindo para se reintegrar à Amazon durante a seleção. Nem isso, porém, levou à vitória da empresa, dizendo que se declarou “surpresa com a conclusão”. 

Em nota, a companhia disse que um “estudo detalhado das ofertas” poderia “levar claramente a uma conclusão diferente.” A Amazon está considerando recorrer da decisão final, disse uma fonte à agência de notícias Reuters. Já a Microsoft não comentou o assunto, mas se beneficiou da decisão: após a divulgação, as ações da empresa se valorizaram em 3% depois do fechamento do pregão da sexta-feira. 

Algumas empresas disseram ainda que um contrato com um único vencedor daria ao escolhido uma vantagem comercial. Em resposta, o Pentágono disse que planeja fazer diferentes acordos de nuvem com várias empresas no futuro. 

Snapchat ganha 7 milhões de usuários no 3º tri, mas ações caem 5%

Ao todo, o Snapchat tem 210 milhões de usuários ativos diariamente no mundo; previsão de receitas abaixo do esperado desanimou investidores, porém
Por Agências – Reuters

Snap lançou nova ferramenta publicitária 

A rede social de mensagens efêmeras Snapchat ganhou 7 milhões de usuários ao longo do terceiro trimestre de 2019, revelou nesta terça-feira, 22, a Snap, dona da plataforma. Os números fazem parte dos resultados financeiros da companhia para o período. 

Ao todo, o Snapchat tem 210 milhões de usuários ativos diariamente no mundo. Há um ano, a empresa tinha 186 milhões, comprovando sua retomada de popularidade em 2019.

Apesar dos números positivos, a empresa viu suas ações caírem cerca de 5% após o fechamento do mercado. Os investidores ficaram desanimados com a previsão de receitas abaixo do esperado para o quarto trimestre, na casa de US$ 540 milhões – a expectativa era de US$ 555 milhões. 

No terceiro trimestre, a empresa faturou US$ 446 milhões, alta de 50% ante o mesmo período de 2018. Mesmo assim, ficou no vermelho, com prejuízo de US$ 227 milhões entre julho e setembro.