A favor da privacidade, Tim Cook da Apple defende acordo bilionário com o Google

Crítico do modelo de negócios do Google, Tim Cook se rende à empresa: “Melhor buscador”

Tim Cook defende o acordo com o Google

Mesmo com um longo histórico de ataques ao modelo de negócios do Google, Tim Cook, o executivo-chefe da Apple, defendeu o acordo bilionário que mantém o Google como o buscador padrão nos dispositivos da maçã. O posicionamento ocorreu numa entrevista ao site Axios exibida nos EUA pela HBO na noite do último domingo (18).

Perguntado sobre o motivo por aceitar bilhões de dólares do Google, que ganha dinheiro a partir de dados dos usuários, Cook disse: “Acho que o buscador deles é o melhor, e isso é importante. Olhe, porém, para o que fizemos com os controles que construímos [no Safari]. Temos navegação privada. Temos prevenção contra monitoramento inteligente. Tentamos criar maneiras de ajudar nossos usuários durante em suas rotinas. Não é algo perfeito e eu seria o primeiro a dizer isso. Mas ajuda bastante”.

Segundo o Goldman Sachs, a Apple recebe anualmente US$ 9 bilhões do Google para que o buscador da companhia seja padrão no navegador Safari, na assistente de voz Siri e em outros serviços. Ser o buscador padrão garante ao Google um número maior de visitas, o que é transformado em anúncios publicitários a partir dos dados dos usuários. 

Ao longo dos anos, porém, Cook tem sido um crítico desse modelo de negócios e um defensor da privacidade. Em 2015, em um evento em Washington (EUA), ele disse: “Acreditamos que o cliente deveria ter o controle sobre suas próprias informações. Você pode gostar desses chamados serviços gratuitos, mas não acreditamos que eles deveriam ter os dados do seu email, seu históricos de buscas e agora até das fotos de suas família vendidos para anunciantes para sabe lá Deus qual objetivo”. Na época, o Google havia acabado de lançar o Google Photos.     

No restante da entrevista, o chefão da Apple tentou manter-se ao lado dos defensores da privacidade. Ele disse: “Se você olhar para trás, falavamos de privacidade muito antes do iPhone, por isso sempre acreditamos que privacidade está no centro de nossas liberdades civis. Essa não é uma questão de privacidade versus lucros, ou privacidade versus inovação técnica. Isso é uma falsa escolha. Seu dispositivo tem muita inteligência sobre você, mas eu não tenho que ter isso como empresa”. 

Como já fez outras vezes, ele também defendeu que os EUA tenha regulação governamental dos dados dos usuários, coisa que o Brasil e a União Europeia estabeleceram neste ano. 

“De maneira geral, não sou um grande fã de regulação. Acredito no mercado livre, mas temos que admitir quando o mercado livre não está funcionando, e não funcionou aqui. Acho inevitável que teremos algum tipo de regulação”. 

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iFood recebe aporte de US$ 500 mi e mira em crescimento global

Maior empresa de entrega de refeições no País, iFood aposta em pedidos por voz e em serviços para restaurantes
Por Mariana Lima – O Estado de S. Paulo

iFood, comprado em 2013 pela Movile de Fabrício Bliosi, vale mais de US$ 1 bilhão

Maior empresa de delivery de refeições no Brasil, o iFood anunciou nesta terça-feira, 13, que recebeu um aporte de US$ 500 milhões, a maior rodada de investimentos já alcançada por uma empresa de tecnologia da América Latina. O app revelou ainda que, desde março do ano passado, faz parte do seleto grupo de unicórnios do País – nome dado às startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. 

A operação conta com a participação de três sócios do aplicativo: a Movile, empresa que controla o app, o fundo americano de tecnologia Naspers Ventures e a brasileira Innova Capital – mantido por Jorge Paulo Lemann. O valor pode ficar ainda maior, já que a empresa está aberta a propostas de outros investidores globais que sejam estratégicos para o crescimento da companhia. Até então, a maior rodada de investimentos da região tinha sido a do Nubank, de cartões de crédito, que recebeu em outubro US$ 180 milhões da chinesa Tencent

Para Felipe Matos, empreendedor e autor do livro 10 Mil Startups, o investimento é emblemático porque funciona como um símbolo do desenvolvimento do mercado brasileiro de startups. “O iFood é um unicórnio, que está dentro de outra empresa que também vale US$ 1 bilhão, e que está recebendo meio unicórnio de investimento. Isso, num País que até o fim do ano passado nunca tinha tido nenhuma startup digital chegando a essa cifra, diz muita coisa sobre o amadurecimento do setor.”

O montante será usado para ajudar a companhia, em 14 meses, a duplicar o número de cidades em que atua e a triplicar o total de restaurantes. Para isso, a companhia vai investir principalmente em tecnologias, como inteligência artificial, e na fusão e aquisição de novas empresas.

Fogão como rival. Hoje, a companhia comemora que gasta, em média, 35 minutos entre o momento em que uma refeição é escolhida no iFood e a entrega na casa do cliente. A média já é menor que o tempo de preparo de um jantar simples – salada verde de entrada e macarrão com molho branco –, mas a empresa quer melhorar a experiência dos usuários para que deixem de cozinhar. “Nosso maior concorrente é o fogão. Queremos convencer as pessoas a cozinharem menos e terem mais comodidade”, explica Carlos Moyses, presidente do iFood.

 Para ganhar fôlego e ter ideias, a startup brasileira tem buscado inspiração nos gigantes de tecnologia do Vale do Silício e da China, como Amazon, Facebook e Tencent.

Entre as inovações previstas para entrar no aplicativo, está a possibilidade de pedir uma refeição por voz. “A ideia é que após dizer ‘quero um frango com salada’ para seu celular ou dispositivo de voz, a pessoa receba a refeição na sua porta minutos depois. Nós teríamos todo o trabalho por trás depois do pedido”, explica Fabrício Bloisi, fundador da Movile e presidente do conselho do iFood

Outra aposta de crescimento é a criação de soluções para facilitar o dia-a-dia nos restaurantes. Hoje, a empresa já oferece o iFood Shop, uma plataforma que vende insumos para os estabelecimentos de acordo com a demanda de pedidos feitos no aplicativo. O serviço está disponível em São Paulo e Rio de Janeiro.

A startup também ajuda os restaurantes a administrarem os próprios pedidos, ao indicar as refeições que devem ser atendidas primeiro, os dias de maior demanda e os produtos mais vendidos. Para isso, o dono do estabelecimento precisa desembolsar um valor de licenciamento de R$ 100, mais uma taxa de comissão não revelada pela empresa.

“Hoje, existe toda uma cadeia de tarefas por trás de um pedido que não é atendida no mercado. Se tornarmos os restaurantes mais inteligentes nesse aspecto, temos certeza de que aumentaremos os pedidos no iFood”, diz Moyses, presidente do iFood.

Origem. Fundado em 2011 pelo empresário Felipe Fioravante, que comandou a empresa até o ano passado, o iFood foi comprado pela Movile em 2013, e cresceu por meio de uma estratégia agressiva de aquisições. Além do aplicativo de delivery de comida, a Movile (que nasceu no início dos anos 2000 como uma empresa de mensagem de texto criada por dois recém-formados da Universidade de Campinas, Maurício Bloisi e Fábio Póvoa) também é dona do aplicativo infantil PlayKids. 

Na época em que foi comprado, o iFood tinha 10 funcionários. Cinco anos depois, a startup tem mil colaboradores, metade do número total de funcionários do grupo Movile, que atualmente tem sete startups no portfólio. De um ano para cá, o aplicativo de comida cresceu 110% no Brasil, o que se significa um total de 100 milhões de pedidos por mês em 483 cidades do País, além de México e Colômbia. 

Futuro. A ambição da Movile é transformar o iFood em uma referência mundial no mercado de foodtechs, mas sem perder o foco na América Latina. “Somos uma empresa global, pensamos para além do Brasil e região, mas queremos nos manter como referência aqui”, diz Bloisi, da Movile, que tem como meta para o grupo transformar a Movile em uma empresa de 1 bilhão de usuários e US$ 10 bilhões em valor de mercado até 2020.

Para Matos a meta é audaciosa, mas possível. “Observando o quanto o iFood tem crescido, mantendo uma taxa constante desde que foi comprado, é muito possível da Movile chegar nesse valor de mercado em dois anos”, diz. “Precisamos lembrar que o iFood ainda não está presente em muitas cidades e em muitos restaurantes, há espaço para crescer tanto no Brasil como no mundo.”

Vinicius Machado, da consultoria de inovação Startora, acredita que a grande carteira de investimentos da Movile ajudará a atingir esse objetivo. “A Movile é peculiar porque tem várias startups de sucesso dentro do seu conjunto de negócios”, diz Machado. “Além do iFood e da PlayKids, a startup de venda de ingressos Sympla cresce cada dia mais. No ritmo que estão, a própria Movile vai lançar mais unicórnios no mercado em breve.” / COLABOROU BRUNO ROMANI

WeWork receberá investimento de US$ 3 bilhões do SoftBank

Com prejuízo no primeiro semestre, startup de escritórios compartilhados ganha novo fôlego

WeWork

No último mês de julho, a WeWork revelou que tinha levantado US$ 500 milhões de investidores. Em agosto, a empresa, que é privada, anunciou pela primeira vez em sua história seus resultados financeiros com prejuízo de US$ 723 milhões no primeiro semestre de 2018. No mesmo período do ano passado, as perdas foram de US$ 154 milhões. 

A startup de escritórios compartilhados, WeWork, assinou um acordo por um aporte de US$ 3 bilhões do banco de investimentos SoftBank. A informação é da Reuters, que também afirmou que o pagamento será parcelado em duas vezes. Em 15 de janeiro de 2019, ela deverá receber uma parcela de US$ 1,5 bilhão. A outra metade seria paga em 15 de abril.

A WeWork e a SoftBank mantém uma relação estreita, com funcionários do banco japonês utilizando vários escritórios da startup. 

Um unicórnio dentro de outro recebendo mais meio unicórnio de investimento

(iFood/Divulgação)

O anúncio do investimento de U$ 500 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão) pela Movile para o iFood consolida de vez um novo momento para startups no Brasil. Enquanto até o 2017 não havia nenhuma startup unicórnio declarada no país (empresas com valor superior s U$ 1 bilhão), o ano começou com grandes anúncios, com empresas como 99 e Nubank, seguidas dos IPOs da Pago Seguro e da Stone – com alguma controvérsia sobre se essas duas podem ser consideradas startups.

Correndo em paralelo estava a própria Movile, que embora não alardeasse publicamente, já era considerada uma empresa do raro time dos bilionários por especialistas de mercado. Especulava-se que não só a Movile seria um unicórnio, como carregava dentro dela um outro unicórnio: o iFood, empresa do grupo, que sozinha já estaria próxima de bater a cifra.

Se chegar ao clube dos unicórnios já é difícil – daí o nome, dada a “raridade” desse animal – o iFood agora se consagra como um unicórnio dentro de outro (a Movile), recebendo mais meio unicórnio de investimento. É um feito e tanto, que mostra a força do potencial das startups digitais no país e confirma a tendência de megainvestimentos por aqui – que até recentemente apenas muito rarmente chegavam na casa das centenas de milhões. É uma marca histórica para o ecossistema de startups do país e motivo de comemoração.

O status de unicórnio é muito mais psicológico do que qualquer outra coisa, não tem nenhum significado prático em si mesmo. Apenas simboliza um patamar ao qual poucas empresas conseguem chegar, especialmente no Brasil. A própria Movile chegou a declarar que se importava pouco com a marca, estando mais preocupada com outro bilhão: sua missão de alcançar 1 bilhão de usuários pelo mundo. Alguém duvida que eles chegarão lá? [Felipe Matos]

Movile e iFood anunciam que são os novos unicórnios brasileiros

Startup de entrega de comida recebeu uma nova rodada de investimento de US$ 500 milhões para expandir sua atuação no exterior e no Brasil
Por Mariana Lima – O Estado de S. Paulo

Fabricio Bloisi é presidente executivo da Movile, empresa dona do aplicativo de entregas iFood

iFood, startup brasileira de entrega de alimentos, anunciou nesta terça-feira, 13, uma nova rodada de investimento de US$ 500 milhões para expandir sua atuação no exterior e no Brasil. A startup também disse que desde o ano passado é mais um unicórnio brasileiro – empresa que vale mais de US$ 1 bilhão. 

“[A ideia de] Unicórnio traz uma distração para a empresa. Somos uma companhia que fala pouco e fazemos menos. Nossas métricas são outras como número de usuários e funcionários”, disse Bloisi.

Segundo o seu presidente do conselho, Fabrício Bloisi, a startup passou a valer US$ 1 bilhão em faturamento em março de 2017, mas só optou por anunciar os valores depois que recebeu o novo aporte.

O valor do novo aporte será usado em logística, tecnologia, promoções, contratação de funcionários e fusão e aquisições de novas empresas no Brasil e na América Latina.

O executivo também confirmou que a Movile, empresa que controla o iFood, já vale mais de US$ 1 bilhão desde o início do ano passado.

“Decidimos falar porque queremos passar otimismo para as empresas do Brasil de que a região é um destaque de investimentos em empresas de internet”, disse.

Outros investimentos. A Movile recebeu em julho deste ano uma rodada de investimento de US$ 124 milhões.  O montante foi investido na empresa por dois de seus principais acionistas, os fundos Naspers Ventures e o brasileiro Innova Capital – este último mantido por Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil.

Como Mark Zuckerberg se tornou ‘bom demais para fracassar’

Após as turbulências dos últimos dois anos, líderes do setor de tecnologia acreditam que o criador do Facebook deve deixar a empresa
Farhad Manjoo, The New York Times

Executivos de grandes empresas de tecnologia não costumam pagar por seus erros.
Photo: Mark Zuckerberg, CEO Facebook)

Em setembro, depois que o Facebook revelou que dezenas de milhares das contas de seus usuários tinham sido expostas numa falha de segurança, comecei a fazer a pessoas ligadas à indústria da tecnologia uma pergunta simples: será que Mark Zuckerberg ainda deveria estar no comando do Facebook?

Praticamente todos responderam que Zuckerberg ainda era o homem certo para o trabalho, ou até o único capaz de fazê-lo. Entre eles havia pessoas que trabalham atualmente no Facebook, pessoas que trabalhavam no Facebook, analistas financeiros, investidores, ativistas céticos em relação à tecnologia, ferrenhos críticos da empresa e alguns de seus mais entusiasmados defensores.

O consenso dizia mais ou menos o seguinte: mesmo com Zuckerberg – enquanto fundador, diretor executivo, presidente e acionista mais poderoso do Facebook – arcando com a maior parte da responsabilidade pela cataclísmica história recente da empresa, ele seria o único com estatura suficiente para consertá-la.

O fato de poucos serem capazes de imaginar um Facebook sem Zuckerberg, 34 anos, sublinha o quanto se tornou difícil fazer com que nossas maiores empresas de tecnologia respondam por seus atos. Sem ter sido eleito para nenhum cargo, Zuckerberg é agora uma das pessoas mais poderosas do mundo. O Facebook toma decisões que resultam em imensas consequências para a sociedade – e ele lucrou bastante com o caos resultante.

Mas, por causa da estrutura de propriedade do Facebook – na qual as ações de Zuckerberg têm 10 vezes mais peso que as ações comuns -, ele se vê numa situação de virtual onipotência, sem responder a ninguém.

Isso se encaixa num padrão. Ao longo das duas décadas mais recentes, as maiores empresas de tecnologia criaram um sistema no qual os executivos sofrem poucas consequências pessoais ou financeiras decorrentes de seus erros. As grandes empresas de tecnologia transformaram seus fundadores em acessórios – quando as empresas vão bem, eles recebem todo o crédito, e quando vão mal, eles são os únicos heróis capazes de consertá-las.

Zuckerberg se tornou grande demais para fracassar.

Além da falha de segurança, o Facebook foi implicado num colapso global da democracia, incluindo seu papel de vetor da campanha russa de desinformação durante a eleição presidencial americana de 2016.

Investigadores das Nações Unidas disseram que o Facebook foi instrumental para o genocídio em Myanmar; a rede social também foi ligada à violência na Índia, Sudão do Sul e Sri Lanka. Tivemos escândalos de privacidade, escândalos de publicidade, múltiplos inquéritos em andamento nos Estados Unidos, e o reconhecimento do efeito nocivo do uso do Facebook para a saúde mental.

Embora Zuckerberg tenha prometido repetidas vezes consertar o Facebook, os consertos da empresa frequentemente exigem novos reparos. Na última semana de outubro, repórteres mostraram que a recente jogada da empresa para reprimir os anúncios políticos não tinha funcionado – a Vice News comprou anúncios no Facebook alegando falsamente que tinham sido “pagos” pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e pelo Estado Islâmico.

Zuckerberg disse que consertar o Facebook seria seu desafio pessoal para 2018.

Pensemos na promessa de que um novo dispositivo de entretenimento para o lar, chamado Portal e anunciado em outubro, não coletaria informações dos usuários que possa ser usada em anúncios. Foi necessário desfazer a promessa, pois o sistema de coleta de dados do Facebook é tão onipresente que nem mesmo os funcionários da empresa parecem compreendê-lo totalmente.

“Me parece que ele falhou claramente nos dois anos mais recentes, e o motivo desse fracasso é o fato de ele não responder por seus atos”, disse Sandy Parakilas, ex-funcionária do Facebook que agora trabalha como estrategista-chefe de tecnologia para a organização ativista Center of Humane Technology. “Levando em consideração um cenário em que os demais acionistas e membros do conselho fossem mais influentes, é difícil imaginar que as mudanças não ocorreriam mais rapidamente.”

Uma solução pode ser conferir ao conselho mais poder sobre a empresa. A firma de investimentos Trillium Asset Management apresentou recentemente uma resolução de acionistas defendida por vários fundos estatais exigindo que Zuckerberg deixe a presidência do Facebook.

“Me parece que, ao adotarmos a medida de tirá-lo da presidência do conselho, teríamos uma importante mudança estrutural, impedindo que ele tivesse liberdade de ignorar as decisões dos outros e fazer valer sua posição”, disse Jonas Kron, executivo da Trillium.

Um porta-voz do Facebook disse que a empresa ainda não tinha se posicionado a respeito da resolução.

O que nos traz ao momento atual: se Zuckerberg não puder consertar o Facebook, ninguém mais poderá fazê-lo. Essa é a escolha que temos diante de nós, quer gostemos dela ou não.

Apple tem maior queda em três meses após fracos resultados de fornecedores

Analistas avaliaram quedas de fornecedores como consequência de vendas fracas de novos iPhones
Por Agências – Reuters

tim cook
Apple, de Tim Cook, deve vender menos iPhone este ano


As ações da Apple caíram para o menor patamar em três meses no pregão desta segunda-feira, 12, depois que três fornecedores da gigante de tecnologia anunciaram quedas em seus resultados. Os analistas entenderam que as baixas dos fornecedores indicam fraqueza nas vendas de iPhone, o que ajudou a derrubar as ações da empresa de Steve Jobs.

A Lumentum Holdings Inc., principal fornecedora da tecnologia de reconhecimento facial dos últimos modelos de iPhone disse, nesta segunda, que diminuiu US$ 70 milhões em suas previsões de receita. A fabricante justificou a queda com um corte recentemente anunciado “por um de seus maiores compradores” que, na interpretação de analistas, seria a Apple. As ações da Lumentum caíram quase 31% durante o pregão.

Três analistas disseram que a previsão da Lumentum apontava para uma redução de 20 milhões para 18 milhões de iPhones. No quarto trimestre, a Apple vendeu 46,9 milhões de iPhones, menos que os 47,5 milhões de smartphones previsto para o período.

“A Apple poderia ter acumulado muito estoque da Lumentum (…) e isso é um indicativo de vendas fracas do iPhone”, disse Mark Kelleher, analista da Davidson.

Alerta. A imprensa japonesa informou, no início deste mês, que a Apple disse às montadoras Foxconn e Pegatron, responsáveis pela fabricação do iPhone, que não precisaria de linhas de produção adicionais dedicadas ao iPhone XR, o mais barato dos novos lançamentos deste ano.

No último balanço, a Apple alertou seus investidores que as vendas de fim de ano ficariam abaixo das expectativas de Wall Street devido a uma queda nas vendas dos mercados emergentes, motivado pelos custos da variação cambial. No Brasil, o modelo premium mais recente da empresa, o iPhone XS Max, custa R$ 10 mil. Na Índia, por exemplo, usuários já estão trocando iPhone por alternativas mais baratas, como os smartphones de fabricantes chineses.