Ayn Rand ainda é a guru do Vale do Silício?

ayn rand mayAyn Rand em agosto de 1957. Suas obras influenciaram muitos dos maiores empresários dos dias de hoje. (Allyn Baum/ The New York Times)

Poucos filósofos da literatura exerceram tanta influência nos negócios e na política norte-americana quanto Ayn Rand, principalmente agora que Donald J. Trump ocupa a Casa Branca.

O presidente Trump afirmou que Ayn Rand é sua escritora favorita e que “The Fountainhead” (A nascente) é seu romance preferido. O secretário de Estado Rex W. Tillerson referiu-se a “A revolta de Atlas” como um de seus livros preferidos, e falando sobre o livro, o diretor da CIA, Mike Pompeo, afirmou: “Realmente me impressionou”.

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, o maior fundo de hedge do mundo, disse em um artigo que o livro de Ayn “capta perfeitamente as tendências” do governo Trump. “Esta nova administração odeia pessoas e políticas socialistas fracas e improdutivas”, escreveu, “e admira os indivíduos fortes, confiantes e geradores de lucros”.

Nos negócios, a influência de Ayn é particularmente intensa no Vale do Silício, onde seus princípios filosóficos fundamentais — “o homem existe para proveito próprio, a conquista de sua felicidade é seu propósito moral mais elevado, ele não precisa se sacrificar pelos outros nem sacrificar os outros para si” — exercem um apelo óbvio nos empreendedores que se fizeram por si. No ano passado, a revista “Vanity Fair” proclamou a escritora a figura mais influente da área de tecnologia, superando o próprio Steve Jobs.

Contudo, muitos devotos de Ayn Rand tiveram problemas. A abrupta saída de Travis Kalanick, diretor-executivo do serviço de caronas Uber, é a queda mais recente de um destacado executivo que se identifica com a escritora. Kalanick usou a capa original de “A nascente” como seu avatar no Twitter até 2013.

O gerente do fundo hedge Edward S. Lampert, que, segundo alguns, aplicou os princípios de Ayn Rand à gestão das lojas Sears e Kmart, quase levou estas varejistas à bancarrota.

Andrew F. Puzder, o primeiro indicado de Trump para o cargo de secretário do Trabalho, é um ávido leitor da escritora. Ele é também o ex-principal executivo da CKE Restaurants, que administra as cadeias de fast food Hardee’s e Carl’s Jr., e cujo proprietário de capital privado, o Roark Capital Group, tem o nome do herói arquiteto de “A nascente”. Puzder teve de retirar sua indicação depois das acusações de que suas companhias de restaurantes maltratavam os trabalhadores e faziam propaganda sexista.

jpgTravis Kalanick, ex-executivo do Uber. Certa vez, ele usou a capa de “A nascente” como seu avatar no Twitter. (Evan Agostini/Invision, via Associated Press)


O fundador do supermercado Whole Foods, John Mackey, libertário e admirador de Ayn, precisou ceder o controle da companhia à Amazon e a Jeff Bezos.

E depois há o envolvimento do governo Trump em escândalos, em que a devoção aos ensinamentos de Ayn pouco têm contribuído para fazer avançar a agenda legislativa do presidente.

“O empreendedor de Ayn Rand é uma espécie de Prometeu, herói do capitalismo”, explica Lawrence E. Cahoone, professor de filosofia da College of the Holy Cross em Worcester, Massachusetts. “Mas ela nunca explora realmente como o empreendedor dinâmico administra de fato uma empresa”.

“Ela foi uma autora de roteiros e de obras de ficção”, prosseguiu. “Era motivada por um ódio intenso ao comunismo, e juntou estas coisas de maneira muito eficiente. Talvez tenha exercido alguma influência, principalmente sobre os empreendedores. Mas não era absolutamente uma economista. Não acho que o que ela escreve possa ser usado como manual empresarial”, disse.

Os defensores de Ayn Rand afirmam que o problema não é o fato de Kalanick e outros terem se baseado na filosofia da autora, mas de não terem ido longe o suficiente. “Na realidade, poucos representantes do mundo empresarial leram seus ensaios e sua filosofia e a estudaram em profundidade”, disse Yaron Brook, presidente-executivo do Instituto Ayn Rand.

Brook afirmou que, embora Kalanick seja “obviamente um homem de talento, cheio de energia e idealista, ele se inspirou de maneira superficial em suas ideias e usou sua filosofia para justificar sua chatice”.

E acrescentou que Ayn jamais teria tolerado maus-tratos aos empregados. “Ela tinha um enorme respeito pelas pessoas que trabalhavam duro e que faziam um bom trabalho, fosse um secretário de Estado ou um trabalhador das ferrovias”.

Segundo Cahoone, Ayn “nunca precisou, na realidade, administrar coisa alguma. Vivia cercada de pessoas que a consideravam uma figura mítica. Ela não tinha funcionários, tinha adoradores”. [James B. Stewart]

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Lucro da Alphabet, dona do Google, supera expectativa mesmo após multa

17117112 (1)O lucro líquido do Google caiu 27,7% no segundo trimestre do ano em comparação ao primeiro


A Alphabet, holding controladora do Google, registrou queda de 27,7% no lucro do segundo trimestre em comparação ao primeiro. A queda é resultado da multa recorde de € 2,4 bilhões imposta à empresa pela União Europeia.

Ainda assim, o resultado superou as expectativas. O lucro líquido da empresa caiu para US$ 3,52 bilhões, ou US$ 5,01 por ação, ante US$ 4,88 bilhões, ou US$ 7 por ação um ano antes. Analistas esperavam lucro de US$ 4,49 por ação.

O Google foi multado por favorecer seu serviço de comparação de preços nas buscas realizadas no site, em detrimento de concorrentes, segundo autoridades europeias.

A receita cresceu cerca de 21%, para US$ 26 bilhões, no trimestre encerrado em 30 de junho, superando a estimativa dos analistas de US$ 25,65 bilhões, segundo levantamento da Thomson Reuters.

A receita foi impulsionada pela forte demanda publicitária em dispositivos móveis e pelo YouTube.

A receita publicitária do Google, que representa a maior parte do negócio, cresceu 18,4%, para US$ 22,67 bilhões.

A receita de outras unidades, incluindo os celulares Pixel, a Play Store e o serviço de nuvem, saltaram 42,3%, para US$ 3,09 bilhões. [Reuters]

Fundo bilionário do Soft Bank inicia aportes em startups do Vale do Silício

SoftBank_Silicon_Valley.jpgSoftBank inicia investimentos com seu novo fundo Vision Fund


O banco japonês Soft Bank anunciou que está investindo quase US$ 500 milhões em empresas de tecnologia do Vale do Silício, por meio de seu novo fundo multibilionário, o Vision Fund. O aporte foi anunciado antes do discurso do presidente da empresa, Masayoshi Son, nesta quinta-feira, 20, no congresso anual do grupo, o SoftBank World.

Os primeiros investimentos do Vision Fund foram na empresa de robótica Brain Corp — sediada em San Diego — e na Plenty, que cria tecnologias agrícolas em São Francisco. Em paralelo, o grupo lidera uma rodada de financiamento de US$ 159 milhões para a Nauto — empresa do Vale do Silício que cria tecnologias para veículos autônomos.

Investimento. O Vision Fund foi criado no final do ano passado com a junção do capital do Soft Bank e o fundo soberano da Arábia Saudita e Abu Dhabi, juntamente com grandes empresas de tecnologia, entre elas Apple, Qualcomm, Foxconn e Sharp. Unidos, eles formam o maior fundo para inovação do mundo. O presidente do grupo japonês diz que os investimentos trarão uma “revolução da informação”, indo desde a inteligência artificial até a internet das coisas.

Son também prometeu ao presidente norte-americano Donald Trump que o Vision Fund vai investir US$ 50 bilhões e criar 50 mil postos de trabalho nos EUA. Já a Arábia Saudita espera que a iniciativa traga diversidade para a economia do país. Mas são os primeiros aportes que vão ditar o tom dos investimentos e o impacto do fundo.

Aportes. Uma das primeiras empresas a receber apoio do fundo é a Plenty, que hoje está levantando US$ 200 milhões para fazer o que chama de “reconstrução do sistema alimentar”. De acordo com o presidente executivo Matt Barnard, as fazendas da empresa conseguem produzir alimentos hiper-orgânicos —  sem pesticidas — e reduzem o consumo de água em até 99%.

A companhia cultiva os alimentos na vertical, dentro de torres iluminadas com luzes LEDs. As instalações ficam próximas às cidades, para evitar custos de transporte e armazenamento. Com os investimentos, eles esperam construir uma rede de fazendas com este modelo ao redor do mundo.

O outro investimento do Vision Fund é na Brain Corp, que aposta na automação dos veículos que hoje são operados manualmente em armazéns e indústrias. A empresa recebeu US$ 114 milhões e foi apoiada pela fabricante de chips Qualcomm. O primeiro projeto deles foi em um robô que limpa pisos, algo que os fundadores esperam que seja tão comum quanto computadores e celulares no futuro.

Já a Nauto, que faz parte da incubadora do fundador do Android, Andy Rubin, foi a última empresa do Vale do Silício a receber um aporte financeiro de milhões de dólares para pesquisas com carros autônomos. O principal projeto deles é um dispositivo que pode ser instalados nos carros existentes para ajudar na condução.

Inicialmente, a Nauto espera atrair empresas de veículos comerciais que estejam interessadas em rastrear e melhorar a segurança de seus motoristas. A longo prazo, a empresa espera aplicar a tecnologia para o desenvolvimento de carros autônomos.

Netflix supera expectativas e chega a 99 milhões de assinantes

netflixA Netflix superou as expectativas do mercado nesta segunda-feira, 17, ao anunciar que chegou à marca de 99 milhões de assinantes em todo o mundo. O anúncio foi feito durante a divulgação de resultados financeiros da empresa para o trimestre entre abril e junho de 2017: no período, a empresa ganhou 5,2 milhões de assinantes, quando esperava ter apenas 3,2 milhões de novas contas.

O bom resultado fez as ações da empresa chegarem a US$ 177, em valorização de 10% após o fechamento do pregão desta segunda-feira na bolsa de valores Nasdaq. Além disso, a empresa também empolgou os investidores ao anunciar que deve bater a marca simbólica de 100 milhões de assinantes no próximo trimestre – a maioria deles, diz a empresa, deverá estar fora dos Estados Unidos.

Ganhar assinantes globais é bom para a empresa porque reduz sua dependência do mercado norte-americano, e mostra que a companhia agiu corretamente ao investir em sua expansão internacional.

Desde janeiro de 2016, a Netflix está disponível em quase todos os países do mundo – fica fora apenas de Cuba, China, Chechênia, Coreia do Norte e Síria. Hoje, há 48,71 milhões de assinantes da Netflix fora dos Estados Unidos – em um ano, a empresa ganhou 15 milhões de novas contas no mundo. Dentro dos EUA, o crescimento foi de apenas 4 milhões de assinatnes.

Hoje, a Netflix já tem mais de 100 milhões de usuários – segundo o balanço divulgado nesta segunda-feira, há 103,9 milhões de contas ativas do serviço de streaming. O número, no entanto, considera também os usuários que estão no período de testes de um mês gratuito do serviço.

Receitas. Entre abril e junho de 2017, a Netflix faturou US$ 2,8 bilhões, em alta de 32,3% na comparação com as receitas do mesmo período do ano passado. Já o lucro ficou na casa de US$ 66 milhões – a empresa tem investido pesado na criação de conteúdo original, em séries como House of Cards, Stranger Things, Master of None e The Crown.

Além de atrair o público, os programas também conquistaram o reconhecimento da crítica: na última semana, os programas da empresa receberam 91 indicações ao Emmy, um dos principais prêmios da TV americana, em um recorde histórico para a empresa.

Segundo a empresa, mais de 1 bilhão de horas de vídeo são assistidas através de seu serviço de streaming todas as semanas. “Ainda há muito espaço para crescermos no mercado”, disse a Netflix, em sua carta aos investidores. “O YouTube tem 1 bilhão de horas de vídeo consumidas todos os dias.”

Cancelamentos na Netflix marcam reviravolta do streaming

Los Angeles – Ainda chocado com o cancelamento de Sense8 e The Get Down? As duas séries foram mais duas vítimas da mudança da Netflix — e essa transformação está apenas começando. Uma década atrás a ex-locadora de DVDs online se converteu numa plataforma de streaming on demand. Agora, ela finalmente está se metamorfoseando naquilo que, em última análise, sempre quis ser: um estúdio independente para o século 21, agindo um tanto como uma produtora, e um tanto como um emissora de televisão.

Como seu ex-gestor de conteúdo e atual diretor de negócios do YouTube, Robert Kyncl, afirma, a Netflix (e suas companheiras e concorrentes como Amazon, Hulu, Crackle) tem a vantagem de não depender de “nacos de tempo”como modelo de negócios — suas ofertas são ao gosto e à conveniência do freguês. Não levando em conta essa imensa diferença, o posicionamento atual da Netflix é o mais parecido que ela provavelmente jamais será de uma “televisão normal”.

Como uma “televisão normal” a Netflix agora tem um ciclo anual de programação, ao final do qual se passa a peneira. Ao contrário da “televisão normal”, a Netflix não julga seu conteúdo original apenas pelo parâmetro da audiência. O número de acessos conta, é claro, mas a fórmula que a plataforma parece estar empregando como definidora de “sucesso” leva em conta alguns fatores. O número de acessos e desempenho do número de novos assinantes durante o período de existência da série contra um elemento chave: o custo de produção da série.

“Nossa meta é, em primeiro lugar, manter o assinante na nossa plataforma”, disse o co-fundador e CEO da Netflix, Reed Hastings no Mobile World Congress de Barcelona. “É por isso que não nos interessamos por eventos esportivos. Queremos conteúdo que possa interessar e atrair plateias de forma permanente, e não para um único evento. Para fazer isso, temos que oferecer conteúdo que se conecte com nossos assinantes e faça sentido, financeiramente, para nós.”

Sense8 e The Get Down — mais sua companheira de corte, Girlboss — não foram as primeiras séries canceladas da Netflix. Antes delas não mais foram produzidos episódios de Longmire (depois de seis temporadas), Lilyhammer (três temporadas), Hemlock Grove (três temporadas), Marco Polo (duas temporadas), Richie Rich (duas temporadas) e Bloodline (três temporadas). Para uma plataforma que tem mais de 10 mil títulos em seu catálogo — e isso inclui as temporadas já produzidas de todas essas séries — o número de cancelamentos é baixo. Estas oito séries canceladas caem em dois perfis: ou são séries de muito baixo orçamento – Girlboss, Hemlock Grove, Richie Rich – que não se “conectaram com os assinantes” o suficiente, ou são séries de orçamentos muito altos, muitas delas filmadas em locações fora dos Estados Unidos, com grandes elencos.

Em algum momento a fórmula número de acessos + novos assinantes – custo de produção ativou o sinal vermelho.

Em 2016 a Netflix gastou 5 bilhões de dólares em produção de conteúdo original, contra uma receita de 6,7 bilhões de dólares no ano anterior. Este ano ela inaugurou um complexo de escritórios e estúdios no coração de Hollywood, e anunciou um investimento de 10 bilhões de dólares em produção original: a promessa de um bolo maior, mas com muito mais fatias, diversificando a produção e cobrindo, dessa forma, uma área maior onde o conteúdo possa achar e manter seu público.

Na transição para sua vida como o novo estúdio independente da indústria, a Netflix já está se comportando como aquilo que quer ser, e sabiamente contrapondo-se ao modo operacional do establishment: em vez de poucos blockbusters caros, muitos títulos com orçamentos mais razoáveis – os projetos medianos que os estúdios não querem mais fazer, e que sempre foram o feijão com arroz tanto da “TV normal” quanto do cinema independente.

E no meio desse turbilhão, a Apple, quietamente, entrou na briga com sua primeira investida no universo do conteúdo original: a série reality Planet of the Apps, onde candidatos a empreendedores digitais fazem o pitch de suas startups para um painel de investidores. Disponível na Apple Music (aplicativo exclusivo dos dispositivos Apple), a série foi descrita pela revista especializada Variety como “um projeto que deve ter sido desenvolvido num guardanapo durante um coquetel e depois todos se esqueceram de que precisava de mais coisa.” (A segunda série da Apple, o reality Carpool Karaoke –inspirado no quadro de enorme sucesso criado por James Corden para The Late Late Show- estará disponível em agosto).

Para corrigir o curso, a Apple foi, como a Netflix e o YouTube antes dela, buscar talento na velha indústria de produção: Jamie Erlicht e Zack Van Amburg, desde 2005 co-presidentes da Sony Television, o ramo mais financeira e criativamente saudável do atribulado estúdio. Erlicht e Amburg são os executivos que desenvolveram e viabilizaram séries como Breaking Bad (e sua versão colombiana, Metastasis), Better Call Saul, The Crown, The Shield, Bloodline (para a Netflix) e Sneaky Pete (para a Amazon).

Desde meados de junho a dupla é responsável pelo novíssimo departamento de vídeo da Apple, criado especialmente para eles, e hierarquicamente subordinado a um só executivo – Eddy Cue, vice presidente sênior de software e serviços da Apple (uma classificação curiosa para uma operação que se presume focada em narrativas audiovisuais).

A Apple Music tem 27 milhões de assinantes, e a nave-mãe está claramente interessada em expandir o formato além de um serviço de música. Ou seja – como disse  me disse Robert Kyncl —, “se você está no business de produzir conteúdo, você está na época certa.” Ana Maria Bahiana, de Exame Hoje

Por que IPOs como o do Snap são malsucedidos?

snap banner (1).jpgSnap: ações caíram pela primeira vez abaixo de seu preço no IPO nesta semana (Dado Ruvic/Illustration/Reuters)


Por Alex Barinka, da Bloomberg

A Snap e a Blue Apron Holdings, duas das aberturas de capital mais esperadas do ano, se transformaram rapidamente em exemplos de empresas cujas altas avaliações privadas não passaram no exame dos mercados públicos.

A urgência dos investidores para ficar com uma fatia do que poderia ser o próximo grande sucesso — uma aposta na inovação futura — ajudou a dar impulso às avaliações de empresas privadas deficitárias que enfrentam uma concorrência feroz. Os investidores do mercado público estão mostrando relutância em recompensar valores de mercado altos sem provas de saúde financeira e crescimento futuro. Isto inclui a Snap e a Blue Apron, cujas ações são cotadas abaixo do preço inicial do IPO.

Embora o sucesso de uma empresa não dependa exclusivamente de seu valor de mercado, a desconfiança pode corroer o relacionamento com os clientes, o estado de ânimo dos funcionários e a capacidade de levantar mais fundos. Isto é uma advertência para empresas novas que aceitam fundos privados e poderia ser um indicador ameaçador para as gigantes privadas da tecnologia ainda não listadas em bolsa: se superarem o que os investidores podem tolerar, as ações se expõem a serem bombardeadas.

As ações da Snap, criadora do Snapchat, o aplicativo de fotos que desaparecem, caíram pela primeira vez abaixo de seu preço no IPO, de US$ 17 por unidade, na segunda-feira e continuaram caindo na terça, quando chegaram a US$ 15,44. O valor de mercado da empresa, de cerca de US$ 18,2 bilhões, marca um contraste decepcionante com a meta máxima de avaliação de US$ 40 bilhões descrita por uma pessoa com conhecimento do assunto em outubro.

Airbnb, Dropbox
A Snap foi um dos maiores unicórnios — empresas privadas com avaliações superiores a US$ 1 bilhão. Tendo acumulado às vezes bilhões de dólares com avaliações cada vez maiores, nomes como Airbnb, a plataforma de aluguel de alojamento de US$ 31 bilhões, ou o Dropbox, a empresa de armazenamento em nuvem de US$ 10 bilhões, talvez tenham que dar aos investidores uma oportunidade de saída. Isso será um verdadeiro teste para saber se essas avaliações ainda estão em pé.

A Blue Apron enfrenta seu próprio rival gigante. Três dias antes do IPO da empresa de entrega de pacotes de refeições, a Amazon.com abalou o setor de alimentação inteiro com um acordo para comprar a Whole Foods Market por US$ 13,7 bilhões.

A empresa com sede em Nova York acabou vendendo suas ações por US$ 10 em 28 de junho, menos de dois terços da sua meta inicial de preços e o segundo maior corte para um IPO nos EUA em cinco anos. Ao levantar US$ 300 milhões, a Blue Apron atingiu um valor de mercado de cerca de US$ 1,9 bilhão, abaixo da avaliação de US$ 2 bilhões obtida por ela em uma rodada de financiamento privada em 2015, quando tinha menos da metade das vendas líquidas que registrou no ano passado.

“É importante notar que esta não é uma empresa de tecnologia só porque os pedidos são recebidos digitalmente”, escreveu Chuck Cerankosky, da Northcoast Research, em uma nota aos clientes na terça-feira. “Não temos dúvidas de que a Blue Apron faz um produto excelente para os consumidores. No entanto, nós consideramos que para os investidores as ações são menos atraentes.”

SoundCloud tem dinheiro até o 4º trimestre após demissões

soundcloud_berlin_nove_2.jpgUm dos maiores serviços de música do mundo, o SoundCloud ainda está lutando para encontrar o modelo de negócios ideal para sua plataforma. Afinal, de acordo com reportagem publicada pelo site de tecnologia TechCrunch nesta quinta-feira, 13, a empresa possui dinheiro o suficiente até o quarto trimestre deste ano, mesmo após demitir 40% de seus funcionários e fechar os escritórios de Londres e San Francisco,  para se focar em Berlim e Nova York.

A companhia é diferente de seus rivais Apple, Amazon e Spotify, já que ela se baseia mais em músicos amadores e menos nos artistas comerciais, servindo para um público específico. No entanto, o SoundCloud ainda não encontrou uma forma de lucrar com este tipo de conteúdo e com toda sua base de usuários, que permanece em 175 milhões há três anos.

Com a notícia de que o caixa da empresa está acabando, voltou a circular o boato de que a empresa será adquirida por um rival — afinal, o Spotify já mostrou interesse, numa oferta que foi posteriormente retirada. Em entrevista ao site TechCrunch, uma porta-voz se esquivou das notícias. “O SoundCloud está totalmente financiado para o quarto trimestre. Continuamos confiante de que todas as mudanças feitas na semana passada nos colocam no caminho da lucratividade e garantem a viabilidade a longo prazo”.

Dinheiro na mão. O SoundCloud arrecadou, em junho, US$ 100 milhões de um grupo de investidores, que incluía o Twitter. Com isso, empresa foi valorizada para aproximadamente US$ 700 milhões, de acordo com o Re/Code.  O cofundador Alex Ljung disse em entrevista em Berlim nesta semana que a empresa estava angariando fundos, embora ele se recuse a comentar um rumor de que estava tentando arrecadar US$ 250 milhões. Em março deste ano, a empresa ainda pegou um empréstimo de US$ 70 milhões, que precisará ser pago em breve.