Google e chinesa Tencent fazem acordo de patentes

Parceria reduz potencial de litígio entre empresas e mostra que gigante de buscas está de olho no mercado chinês

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Pony Ma Huateng, presidente executivo da Tencent

O Google fechou um acordo de licenciamento de patentes com a chinesa Tencent, em mais um movimento de sua busca para crescer na China, onde seus principais produtos, como o serviço de buscas e o Gmail, são bloqueados pelo governo local.

A empresa de tecnologia dos EUA já havia assinado acordos similares antes com a Samsung, a LG e a Cisco, mas a parceria com a Tencent é a primeira com uma grande empresa de tecnologia chinesa.

O pacto com a empresa chinesa de mídia social e de jogos Tencent cobre uma ampla gama de produtos e abre caminho para a colaboração tecnológica no futuro, esclareceu o Google nesta sexta-feira, sem divulgar termos financeiros do negócio.

O Google não revelou o escopo do novo acordo de patentes e a Tencent não respondeu imediatamente a perguntas sobre quais produtos o contrato de patente cobriria.

“Trabalhando juntos em acordos como este, as empresas de tecnologia podem se concentrar na construção de melhores produtos e serviços para seus usuários”, disse Mike Lee, chefe de patentes do Google.

Além de reduzir a possibilidade de processos contra a Tencent, o acordo reforça a intenção do Google de entrar na China – em 2017, a empresa inaugurou um laboratório no país e lançou uma versão do Google Translate com o mandarim. / REUTERS

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Receita da IBM registra primeira alta desde 2012

Companhia conseguiu aumentar participação de áreas estratégicas para 49% da receita; principal desafio para 2018, segundo diretor financeiro, será aumento de impostos

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Empresa volta a crescer após 6 anos; ações disparam

A receita da IBM voltou a crescer pela primeira vez desde 2012, de acordo com balanço financeiro do quarto trimestre de seu ano-fiscal de 2017. A empresa conseguiu receita de US$ 22,5 bilhões, um crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os bons resultados, porém, não foram suficientes para convencer os investidores e as ações da companhia fecharam o dia de ontem com queda de 4,5%, embora tenham registrado ganhos de 10% em valor só em 2018.

Em relação às perdas, a IBM teve prejuízo de US$ 1,05 bilhão, devido a uma cobrança de impostos de US$ 5,5 bilhões relacionada à aprovação de uma nova legislação tributária nos Estados Unidos.

Esse é o primeiro crescimento que a IBM registra no quarto trimestre do ano desde o primeiro trimestre de 2012, quando a companhia mudou sua estratégia para dar maior foco às áreas de computação em nuvem, tecnologias de análise de grandes conjuntos de dados, segurança e mobilidade. De acordo com a empresa, as iniciativas nessas áreas geraram US$ 11,1 bilhões em receita no último ano, ou 49% da receita total — há um ano, elas representavam 35% do total.

A receita da IBM com computação em nuvem aumentou 24% na comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a US$ 17 bilhões — do total, US$ 9,3 bilhões foram representados por serviços nessa área. A divisão de computação cognitiva, que é centralizada na tecnologia Watson, alcançou uma receita de US$ 5,4 bilhões, alta de 3% em relação ao quarto trimestre de 2016.

A IBM encerrou o ano de 2017 com US$ 12,6 bilhões em caixa, o que permite que a companhia tenha flexibilidade para novas aquisições no setor.

Expectativas. O diretor financeiro da empresa, James Kavanaugh, afirmou na conferência de resultados que a IBM continuará a “manter um alto nível de investimento” em 2018 para aumentar sua capacidade de entrega nas quatro áreas estratégicas definidas pela companhia no passado.

O maior desafio da companhia este ano serão os impostos. A IBM estima uma taxa de imposto operacional de 16% este ano, no ano passado a taxa foi de 12%

Dona do Snapchat demite 24 funcionários em Nova York e Londres

Com dificuldades nos últimos trimestres, empresa está concentrando funcionários em sua sede em Los Angeles; parte dos demitidos pertence ao time de conteúdo

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Aplicativo tem enfrentado problemas para crescer; Snapchat ganhou apenas 5 milhões de usuários nos últimos três meses

A Snap, empresa que é dona do aplicativo de mensagens efêmeras Snapchat, demitiu nesta semana 24 funcionários em seus escritórios de Nova York e Londres – as informações são do site norte-americano especializado em tecnologia Cheddar.

Segundo a publicação, parte dos demitidos trabalhava na área de produção de conteúdo da empresa, ao lado de parceiros como o BuzzFeed, para criar histórias para a aba Discover do aplicativo. Além disso, o restante da equipe dos dois escritórios foi convidada a se realocar em Los Angeles, onde a empresa tem sua sede principal.

A notícia chega semanas depois da grande reforma feita no Snapchat no final do ano passado, que deveria separar as interações dos amigos das publicações feitas por grandes empresas de mídia e influenciadores, presentes na aba Discover. Disponível inicialmente apenas nos Estados Unidos, a reforma está aos poucos sendo implementada em outros países, embora a empresa não dê estimativas de quando ela estará em todo o mundo. Relatórios iniciais, porém, mostram que a atualização não está surtindo efeito.

Em um estudo interno feito com dados confidenciais e vazado na imprensa norte-americana dá conta de que pouca gente usa a aba Discover, com apenas 20% da atenção dos usuários diários da empresa. Outra notícia que afetou a área de conteúdo da empresa recentemente foi o fim do programa da emissora CNN no anplicativo.

Os últimos meses têm sido bem fracos para a Snap, com crescimento de usuários abaixo do esperado e grandes perdas – entre julho e setembro do ano passado, a empresa teve mais de US$ 500 milhões em prejuízo, sendo US$ 40 milhões derivados apenas do fracasso dos óculos com câmeras de vídeo Spectacles. 

Apple pode encerrar produção do iPhone X pela baixa demanda de compra, diz analista Ming-Chi Kuo

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Apple iPhone X 

O iPhone X é um ótimo aparelho, convenhamos. Porém, infelizmente para a Apple, ele não tem vendido o número desejável de unidades quando falamos sobre uma das maiores companhias de smartphones do mundo: devem sair 18 milhões de iPhone X até o final do primeiro trimestre de 2018. Anteriormente, os analistas esperavam um número de até 30 milhões de aparelhos vendidos.

Por causa disso, o analista Ming-Chi Kuo, conhecido por análises acertadas aos investidores, acredita que a Apple vai abandonar a fabricação do iPhone X no inverno de 2018 — ou seja, a partir do terceiro trimestre deste ano.

Dessa maneira, Kuo adiciona que a Apple vai focar apenas na produção dos novos iPhones, que serão três para 2018. Segundo os rumores, os três modelos terão uma tela de corpo inteiro com o notch do X, nos seguintes tamanhos de tela: 6,1″ LCD partindo de US$ 650, 6,1″ LCD partindo de US$ 750 com hardware melhor e um de 6,5″ OLED, que provavelmente partirá de US$ 1 mil.

Aliás, o analista acredita que o notch (entalhe) do iPhone X foi um dos causadores da baixa demanda na China: boa parte dos consumidores não achou a solução da Apple elegante o suficiente. No Brasil, o iPhone X virou uma barreira pelo preço inicial: R$ 6.999. [Felipe Payão@felipepayao

Fonte(s) Engadget

Apple promete investir US$ 30 bi e pagar US$ 38 bi em impostos nos EUA

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Apple Park + Steve Jobs Theater 

TIM BRADSHAW
DO “FINANCIAL TIMES”

A Apple prometeu investir mais de US$ 30 bilhões na expansão de suas operações nos Estados Unidos, depois do corte de impostos aprovado no mês passado pelo governo Trump, e fará um pagamento extraordinário de impostos de US$ 38 bilhões para repatriar lucros auferidos no exterior.

A fabricante do iPhone afirmou que os investimentos —que incluem um novo campus nos Estados Unidos, centrais de processamento de dados e mais de 20 mil novos empregos— a ajudarão a fazer uma “contribuição direta” de US$ 350 bilhões à economia dos Estados Unidos nos próximos cinco anos.

Boa parte dessa contribuição virá de investimentos planejados anteriormente com fornecedores nacionais, que ela estima devam atingir US$ 55 bilhões em 2018.

O compromisso para com o investimento interno é o maior já assumido por uma companhia americana desde que o presidente Donald Trump assinou a lei de reforma tributária. Trump costuma criticar a Apple e outras grandes empresas de tecnologia por sua dependência da fabricação no exterior.

O pagamento extraordinário de impostos estimado em US$ 38 bilhões “provavelmente será o maior desse tipo já realizado”,anunciou a empresa nesta quarta-feira (17).

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O anúncio da Apple surge depois que diversas empresas americanas se comprometeram a acelerar o investimento interno ou a elevar salários e bonificações para seus empregados nos Estados Unidos, com a aprovação da legislação tributária.

A Walmart anunciou planos para aumentar seu salário-piso de US$ 9 para US$ 11 por hora, e a Fiat Chrysler anunciou bonificações para cerca de 60 mil trabalhadores.

Como parte de seu compromisso, a Apple vai expandir seu fundo de investimento em projetos industriais avançados nos Estados Unidos, e investirá centenas de milhões de dólares em fornecedores norte-americanos como a Corning, que fabrica o vidro para a tela do iPhone, e a Finisar, cujos componentes ópticos são parte do sistema de câmera de “realidade aumentada” do iPhone X.

O plano da Apple para um novo campus surge apenas alguns meses depois da inauguração do Apple Park, uma construção em forma de nave-espacial que abriga sua nova sede, em Cupertino.

As novas instalações, cujo local ainda não foi anunciado, terão por foco a assistência técnica e ajudarão a criar mais de 20 mil novos empregos nos Estados Unidos nos próximos cinco anos, além da força de trabalho de 84 mil pessoas que a companhia já emprega nas áreas de varejo, engenharia e outras, em seu país de origem.

A expansão das instalações da Apple surge no momento em que a Amazon está decidindo onde construir sua segunda sede, depois de receber um dilúvio de ofertas e incentivos de cidades e regiões de todo o país interessados em atrair a gigante do comércio eletrônico.

Outros US$ 10 bilhões do investimento planejado pela Apple serão dedicados a centrais de processamento de dados para acionar a App Store, iTunes e iCloud.

“A Apple é uma história de sucesso que só poderia ter acontecido nos Estados Unidos, e nos orgulhamos de nosso longo histórico de apoio à economia do país”, disse Tim Cook, o presidente-executivo da Apple.

“Acreditamos profundamente no poder da engenhosidade americana, e o foco de nossos investimentos estará em áreas nas quais poderemos ter impacto direto sobre a criação de empregos e a preparação para empregos. Temos um senso profundo de responsabilidade quanto a retribuir ao nosso país e ao nosso povo por ajudarem a tornar possível esse sucesso.” Tradução de PAULO MIGLIACCI

Como o Spotify criou uma ‘jukebox’ no meio da nuvem

O Spotify transformou o jeito de se ouvir música, mas, agora, para fazer dinheiro, terá de mudar o setor de novo
Por The Economist – O Estado de S.Paulo

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Daniel Ek, fundador e presidente executivo do Spotify

Em poucos anos o Spotify evoluiu, deixando de ser o pesadelo de alguns dos mais importantes músicos para se tornar talvez o maior benfeitor desses profissionais. A companhia sueca transformou a maneira como as pessoas ouvem música e elas se acostumaram a pagar pelo serviço depois de a pirataria digital ter arruinado as vendas. As receitas globais derivadas do streaming de música, segmento que o Spotify domina com 70 milhões de assinantes, mais do que triplicaram em três anos, para um valor estimado em US$ 10,8 bilhões ao ano, superando pela primeira vez as vendas físicas e digitais de músicas e álbuns.

Mas se está auferindo milhões para outros, o serviço vem perdendo dinheiro – com um prejuízo operacional de quase US$ 400 milhões em 2016, porque paga no mínimo 70% da sua receita para o setor fonográfico, a maior parte em royalties. E agora que se prepara para abrir o capital na Bolsa de Valores de Nova York, precisa convencer os investidores de que tem um caminho para a lucratividade. Algumas pessoas admitem que o Spotify pode encontrar um, mas às custas das gravadoras que ele enriqueceu, ou seja, pagando menos royalties; conseguindo que elas (e outros) paguem pelas promoções e serviços de dados; e até competindo diretamente, firmando acordos com os artistas. Em outras palavras, o serviço só conseguirá lucrar reformulando novamente o setor.

O lado econômico da música gravada mudou duas vezes na era da internet antes do surgimento do streaming, primeiro com os serviços de compartilhamento ilegal de arquivos como Napster, e depois com o iTunes da Apple em 2014, que desintegrou o disco. As vendas de música no varejo despencaram de US$ 14,6 bilhões em 1999 para US$ 6,7 bilhões em 2014. O Spotify, cujo serviço de streaming começou em 2008, era uma fonte de receita menor, mas um importante recurso para artistas que acreditavam que jamais lucrariam ganhando menos de um centavo por música tocada.

Escala. Mas Daniel Ek, fundador do Spotify, há muito tempo argumenta que as virtudes do streaming são evidentes somente quando atingem uma escala. O que começou a se verificar. Além dos assinantes do Spotify que pagam US$ 10 por mês (e pelo menos 70 milhões utilizam seu serviço gratuito ancorado em anúncios publicitários), Apple Music conta com 30 milhões de assinantes e outros serviços têm pelo menos mais 70 milhões, segundo a consultora MIDia Research.

Músicas de artistas mais populares hoje ultrapassam normalmente 1 bilhão de reproduções nos serviços. “Shape of You”, de Ed Sheeram, foi a mais baixada em 2017, ouvida 1,4 bilhão de vezes. Em média, um bilhão de reproduções nos serviços de assinatura propicia US$ 7 milhões para as grandes gravadoras, com talvez US$ 1 milhão indo para os artistas. Outra parte do dinheiro vai para autores e compositores.

Com uma liderança forte e cada vez maior sobre seus concorrentes, o Spotify se tornou o mais importante distribuidor do setor. A empresa de pesquisa Redburn calcula que no primeiro trimestre de 2017 o serviço representou 17% dos US$ 5 bilhões em receitas auferidas pelas gravadoras.

A mais óbvia força do Spotify é sua capacidade de criar estrelas por meio dos seus algoritmos de recomendação e playlists, como os DJs de rádios faziam habitualmente. O serviço tem mais de dois bilhões de playlists; muitas são produzidas pelos usuários, mas as listas criadas pelo próprio serviço atraem milhões de seguidores. O serviço terá de ser cauteloso na maneira como transformar em dinheiro esse potencial. Mas no ano passado a empresa começou a testar “músicas patrocinadas” no seu serviço gratuito.

Outra fonte de poder está nos seus dados granulares sobre os hábitos dos ouvintes, que vão desde onde as músicas são ouvidas mais e a que horas, até que ações os ouvintes de algumas músicas tendem a apreciar. O serviço fornece muitos dados sem nenhum custo para o setor; alguns ele necessita fornecer (para calcular os pagamentos de royalties), outros ele considera prudente fazer.

Daniel Ek diz que oferecer os dados gratuitamente ajuda os artistas a utilizarem melhor a plataforma, o que também beneficia o Spotify. Seus dados já são utilizados por gravadoras, artistas, promotores e vendedores de ingressos quando planejam lançamentos de álbuns, colaborações de artistas e concertos. Mas, para analistas, à medida em que cresce, o Spotify deveria aproveitar muito mais os seus dados e conseguir um bom preço dos promotores de eventos ao vivo, digamos, como os vendedores de ingressos.

De streaming a gravadora. O mais interessante trunfo do serviço é que ele poderia usar essas vantagens para se tornar uma gravadora de música, trabalhando diretamente com os artistas. Matthew Ball, analista, afirma que o Spotify começou a firmar acordos com artistas em que ele paga um valor adiantado e promete uma porcentagem das receitas de streaming menor do que paga para as gravadoras, mas bem maior do que os artistas recebem hoje.

Este acordo matematicamente pode ser mais simples para artistas já estabelecidos, cujo desempenho é mais previsível. Mas com seus dados e playlists, o Spotify consegue identificar, elevar e teoricamente firmar contratos com artistas ainda emergentes também.

Mas tornar-se uma gravadora não é para já, em parte porque isso vai enfurecer os que fornecem a maior parte das músicas para o serviço. Mas o crescimento das atividades centrais do Spotify têm um custo que é difícil de ignorar. Os pagamentos de royalties constituem uma despesa enorme. A concorrência de outros serviços também torna difícil aumentar os preços que cobra. Para se financiar, o Spotify contraiu uma dívida de US$ 1 bilhão em 2016, com base em condições que permitem que dois dos credores, o grupo de private equity TPG e o fundo de hedge Dragoneer, converta dívida em ações, tornando uma abertura do capital desejável.

O serviço na verdade negociou reduções de royalties no ano passado, começando com o Universal Music Group, divisão da Vivendi e maior fornecedor de música para o serviço. Acordos similares foram fechados com o Warner Music Group e Sony Music. Mas os patrões dos grandes selos há muito tempo estão em conflito com uma empresa que mudou todo o seu setor. No início eram céticos quanto aos lucros do Spotify. Hoje têm a preocupação se estão criando um futuro rival, do mesmo modo que os estúdios de Hollywood licenciaram seu conteúdo para Netflix. Pela primeira vez em 20 anos, o setor de música vem crescendo vigorosamente. A luta para saber quem sairá vitorioso apenas começou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

Mudar feed é uma aposta arriscada para negócio lucrativo do Facebook

Logo FACEBOOK
Mudança é aposta arriscada para o negócio da rede social

FARHAD MANJOOR
DO “NEW YORK TIMES”

Imagine um magnata dos biscoitos. Ele descobriu uma maneira de ganhar muito dinheiro distribuindo o produto de graça, e em menos de uma década criou um império.

Mas de repente seu reino começa a desmoronar. Cientistas estão preocupados por as pessoas estarem comendo biscoitos demais e dizem que elas estão adoecendo por isso –mas mesmo assim elas não param de comer, pois quem consegue dizer não a um biscoito grátis?

Também há preocupações com o fato de os biscoitos que ele distribui estarem expulsando a comida normal do mercado; depois do sucesso de sua companhia, os vendedores de frutas e legumes também começaram a oferecer biscoitos gratuitos, e agora toda a comida consiste de biscoitos. O vício em biscoitos pode até ter ajudado um governo estrangeiro a influenciar uma eleição, no país do magnata dos biscoitos.

E por isso o magnata decide fazer alguma coisa. Convoca seus melhores confeiteiros e lhes diz que a partir daquele dia eles não devem mais se preocupar só com distribuir o maior número possível de biscoitos gratuitos e estufar as barrigas das pessoas. Diz que agora adotará uma abordagem holística para a experiência dos biscoitos.

O objetivo é que as pessoas comam alguns biscoitos, mas não demais, e por isso será preciso torná-los menos viciantes e mais “significativos”. Talvez seja necessário colocar cenouras, couve e brócolis nos biscoitos.

Que espécie de fabricante desejaria que os consumidores comam menos biscoitos? Aparentemente, o Facebook.

Na quinta (11), como parte de seus esforços para fazer da rede social uma força que trabalhe para o bem, Mark Zuckerberg anunciou que o Facebook realizará mudanças significativas em seu feed de notícias, que passará a priorizar posts que causem o que a rede define como “interações significativas” com amigos e parentes e reduzirá a prioridade de coisas como artigos e vídeos noticiosos, que, segundo a empresa, encorajam as pessoas a percorrer passivamente a tela do feed.

O esforço parece útil, e até mesmo nobre, se considerarmos que Zuckerberg admitiu que a mudança não beneficiaria os seus negócios, pelo menos em curto prazo. Mas, se você pensar no negócio principal do Facebook como a distribuição de biscoitos gratuitos, e não como operar uma rede social, as dificuldades do plano se tornam evidentes.

Se as pessoas não costumam gostar de biscoitos saudáveis, será que querem mesmo um Facebook mais significativo? Não é fato que aquilo que fez com que nos viciássemos no Facebook é a indignação fácil que ele propicia –o açúcar, não o brócolis? E, se o modelo de negócios subjacente do Facebook se baseia no tempo que todos nós passamos lá comendo, será que a rede será mesmo capaz de resistir à pressão de nos servir mais biscoitos?

Essas questões não significam que o novo plano de Zuckerberg vá fracassar. Mas, se ele deseja mesmo fazer com que o tempo que passamos no Facebook seja mais positivo, suspeito que o Facebook terá de mudar muito mais radicalmente do que seu líder nos revelou. Não bastará que se torne um fornecedor de biscoitos um pouco mais saudáveis; pode ser necessário que abandone de vez o negócio do açúcar. E o que acontece a todos aqueles bilhões em futuros lucros, nesse caso?

O que o Facebook não pode prever é como o mundo reagirá –como usuários, anunciantes, investidores e concorrentes mudarão seu comportamento diante de um feed com menos engajamento.

Zuckerberg é renomado por ser um competidor feroz e impiedoso. Se os negócios começarem a sofrer por causa do feed mais saudável, duvido que mantenha sua decisão.

O principal atrativo do feed sempre foi a indignação viral fácil. O que sempre o moveu foi a possibilidade dedar um “like” rápido sobre algo que desperte interesse passional passageiro do usuário, que logo depois esquece o assunto.

Os usuários querem biscoitos, e não brócolis. É difícil ver de que maneira isso poderia mudar agora.