SoundCloud tem dinheiro até o 4º trimestre após demissões

soundcloud_berlin_nove_2.jpgUm dos maiores serviços de música do mundo, o SoundCloud ainda está lutando para encontrar o modelo de negócios ideal para sua plataforma. Afinal, de acordo com reportagem publicada pelo site de tecnologia TechCrunch nesta quinta-feira, 13, a empresa possui dinheiro o suficiente até o quarto trimestre deste ano, mesmo após demitir 40% de seus funcionários e fechar os escritórios de Londres e San Francisco,  para se focar em Berlim e Nova York.

A companhia é diferente de seus rivais Apple, Amazon e Spotify, já que ela se baseia mais em músicos amadores e menos nos artistas comerciais, servindo para um público específico. No entanto, o SoundCloud ainda não encontrou uma forma de lucrar com este tipo de conteúdo e com toda sua base de usuários, que permanece em 175 milhões há três anos.

Com a notícia de que o caixa da empresa está acabando, voltou a circular o boato de que a empresa será adquirida por um rival — afinal, o Spotify já mostrou interesse, numa oferta que foi posteriormente retirada. Em entrevista ao site TechCrunch, uma porta-voz se esquivou das notícias. “O SoundCloud está totalmente financiado para o quarto trimestre. Continuamos confiante de que todas as mudanças feitas na semana passada nos colocam no caminho da lucratividade e garantem a viabilidade a longo prazo”.

Dinheiro na mão. O SoundCloud arrecadou, em junho, US$ 100 milhões de um grupo de investidores, que incluía o Twitter. Com isso, empresa foi valorizada para aproximadamente US$ 700 milhões, de acordo com o Re/Code.  O cofundador Alex Ljung disse em entrevista em Berlim nesta semana que a empresa estava angariando fundos, embora ele se recuse a comentar um rumor de que estava tentando arrecadar US$ 250 milhões. Em março deste ano, a empresa ainda pegou um empréstimo de US$ 70 milhões, que precisará ser pago em breve.

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Na França, Google vence caso de US$ 1,3 bilhão sobre impostos

google parisO Google venceu na Justiça, nesta quarta-feira, 12, um recurso contra as demandas de autoridades francesas para que pagasse € 1,1 bilhão (US$ 1,3 bilhão) em impostos atrasados.

O tribunal administrativo de Paris determinou que a divisão irlandesa da gigante norte-americana de Internet, Google Ireland Limited, não estava sujeita a impostos corporativos e sobre valor agregado no período de 2005 a 2010, derrubando as exigências do governo francês.

A decisão a favor do Google, agora parte da holding Alphabet, seguiu a recomendação de um conselheiro da corte, de que o Google não possuía uma “presença permanente” ou suficiente para justificar a cobrança do imposto.

Nesta quinta-feira, 13, o governo francês disse que vai apelar da decisão. “Faz parte dos interesses do Estado”, disse o ministro Gerald Darmanin, após ser questionado no parlamento sobre o assunto. [Reuters]

Ações da PayPal disparam em Wall Street após acordo com Apple

Jornais se unem contra Google e Facebook, que aceleram parcerias

new york times HQ.jpgVista da fachada do prédio do jornal “New York Times”, em Nova York (EUA)


Os jornais americanos, liderados por “New York Times” e “Wall Street Journal”, intensificaram nesta semana o confronto com Google e Facebook, que por sua vez ampliaram as ofertas de parceria com os veículos.

A News Media Alliance (NMA), entidade que representa os dois jornais, o “Washington Post” e perto de 2.000 publicações impressas e digitais, solicitou na segunda (10) que o Congresso americano permita que o setor negocie coletivamente com os dois gigantes digitais.

Pediu isenção temporária das normas antitruste, para poder enfrentar “um duopólio que está absorvendo toda a receita publicitária”, a ponto de controlar hoje “mais de 70% dos US$ 73 bilhões [R$ 238 bilhões] gastos em publicidade digital” nos EUA, anualmente.

De sua parte, o Facebook apresentou também na segunda-feira, horas depois, sua proposta para incluir na ferramenta Instant Articles os veículos que cobram assinatura mensal, mas permitem algum acesso gratuito, notadamente o “NYT” –no Brasil, a Folha foi pioneira na adoção desse sistema, chamado de “paywall poroso”.

A receita com assinaturas digitais se tornou prioritária para os veículos, com a queda na publicidade causada pela ascensão de Google e Facebook. No ano passado, “NYT” e “WSJ” perderam mais de 20% de sua receita publicitária.

Segundo pessoas familiarizadas com a negociação, a plataforma social planeja implantar até o fim do ano, globalmente, dois formatos já presentes na indústria de jornais: um com dez ou mais textos de acesso aberto e os demais fechados, o “paywall poroso”; e outro com grupos de conteúdo aberto e fechado, o chamado “freemium”.

Os veículos controlariam o conteúdo e teriam acesso a todos os dados dos assinantes. “Estamos em conversas iniciais com diversas organizações de mídia sobre como podemos dar melhor suporte aos modelos de negócio por assinatura no Facebook”, afirma Campbell Brown, jornalista contratada pela plataforma em janeiro para comandar suas parcerias jornalísticas.

Já o Google, mais adiantado nas parceiras (leia aqui ), divulgou no final da semana o financiamento de 107 projetos de “jornalismo de alta qualidade” em 27 países europeus, para veículos como o jornal digital espanhol “Público” e o grupo estatal alemão Deutsche Welle.

O programa de financiamento da plataforma começou há dois anos e é restrito à mídia europeia. Nesta terceira rodada, estão sendo distribuídos mais de 21 milhões de euros (R$ 78 milhões). Em nota sobre as críticas dos jornais e o anúncio da NMA, o Google afirma:

“Queremos ajudar os veículos jornalísticos a terem êxito em sua transição para o digital. Nos últimos anos criamos vários produtos, desenvolvidos especificamente para ajudar a distribuir, financiar e apoiar jornais. É uma prioridade e vamos manter o compromisso de ajudá-los em seus desafios e oportunidades.”

12 a 18 Meses
Os gigantes digitais estão sob questionamento na União Europeia, que há duas semanas multou o Google em 2,4 bilhões de euros (R$ 8,9 bilhões), por prática monopolista no serviço de busca. Dias depois, o parlamento alemão aprovou lei estabelecendo multas de até 50 milhões de euros (R$ 198 milhões) para redes sociais, como o Facebook, que não apagarem conteúdo falso (calunioso) ou de ódio em menos de 24 horas.

A reação institucional europeia aos dois se acentuou desde a virada do ano, diante das notícias falsas que, disseminadas por suas plataformas, influenciaram votações como aquela que levou à saída do Reino Unido da União Europeia.

A ausência de reação semelhante nos EUA é um dos argumentos dos jornais para defender a negociação coletiva com os dois gigantes digitais. “Os reguladores antitruste se recusaram a tratar do crescente domínio do Google e do Facebook, possibilitando que se apropriassem da economia da informação”, afirma David Chavern, que preside a News Media Alliance.

A entidade destaca que órgãos americanos como a FTC (o Cade americano, de defesa concorrencial) “permitiram que o Google tomasse o controle da indústria de publicidade on-line comprando Doubleclick, AdMob e AdMeld, assim como o concorrente em mapas Waze, e autorizaram o Facebook a comprar dois concorrentes diretos, Instagram e WhatsApp”.

Em nota, a News Corp. de Rupert Murdoch, que edita o “WSJ”, afirmou ser necessário “focalizar o público e o Congresso no comportamento anticoncorrencial do duopólio digital”. E o presidente da NYT Co., Mark Thompson, afirmou que “a temperatura está subindo, em preocupação e em alguns casos raiva, quanto à relação assimétrica com as grandes plataformas”.

Há três semanas, ao festejar os 150 anos do “La Stampa”, com participação de Thompson e de Jeff Bezos, dono do “Washington Post”, o presidente do grupo italiano Exor, John Elkann, que controla não só o jornal mas a Fiat, alertou para a urgência da negociação com Google e Facebook:

“Haverá uma janela de oportunidade nos próximos 12 a 18 meses, para estabelecer um relacionamento e encontrar uma maneira de fazer os pagamentos funcionarem. Precisamos proteger o que as pessoas compram e impedir a pirataria [nas plataformas].” [Nelson de Sá – Folha]

Empreendedoras relatam assédio de investidores no Vale do Silício

02VALLEYWOMEN3-articleLargeLindsay Meyer, em sua casa em São Francisco: “Senti que precisava tolerar aquilo porque esse é o preço de ser uma fundadora mulher não branca”, afirmou a empreendedora de ascendência asiática ao The New York Times


São Paulo – Um lado obscuro do Vale do Silício veio à tona nas últimas semanas pela voz de diversas mulheres que denunciaram terem sofrido assédio ao buscarem investimento para suas startups.

Os casos surgiram na esteira do emblemático relato da ex-engenheira do Uber Susan Fowler, que denunciou em detalhes a cultura da empresa em proteger líderes acusados de assédio sexual e ainda punir quem os denunciava. O episódio culminou com a saída do CEO Travis Kalanick.

Agora, as denúncias envolvem nomes conhecidos do ecossistema do Vale do Silício. Dentre os investidores denunciados estão Chris Sacca do fundo de investimentos  Lowercase Capital – conhecido por sua participação no programa Shark Tank -, Dave McClure, da incubadora 500 Startups, e Justin Caldbeck, do Binary Capital.

As denúncias apareceram em reportagens do The New York Times e do site The Information.

Um dos casos é o da empreendedora Lindsay Meyer, cuja startup recebeu um investimento de 25 mil dólares de Justin Caldback. Isso fez com que o investidor se sentisse à vontade para enviar mensagens constrangedoras à empreendedora. Numa dessas mensagens ele pergunta se ela se sentia atraída por ele, e por que ela preferia estar com seu namorado em vez de estar com ele, relata o NYT.

“Senti que precisava tolerar aquilo porque esse é o preço de ser uma fundadora mulher não branca”, afirmou a empreendedora de ascendência asiática ao jornal americano.

Outra empreendedora acusou o investidor Chris Sacca de ter tocado seu rosto sem o seu consentimento, o que a fez se sentir desconfortável. O investidor escreveu um longo texto no Medium pedindo desculpas por seu comportamento.

“(…) Não há dúvidas de que eu falei e fiz coisas que fizeram algumas mulheres se sentirem desconfortáveis, inseguras, inapropriadas e desencorajadas.”, diz o texto (leia a íntegra aqui, em inglês).

Em mais uma denúncia, a empreendedora Sarah Kunst disse ter sido assediada por Dave McClure quando buscava um emprego na incubadora 500 Startups. Segundo o NYT, McClure enviou uma mensagem para ela dizendo: “Fiquei confuso tentando decidir se eu te contratava ou te paquerava”.

O investidor também se desculpou publicamente, num texto em que chamava a si mesmo de “aberração” (veja aqui).

Reportagem do site Inc.com lembra que, em 2012, o mesmo McClure desafiou publicamente quem reclamavam da falta de investimento em negócios liderados por mulheres. “Perdoem-me se estou ficando cansado das pessoas me dizerem (…) o que os HOMENS deveriam fazer para ajudar as MULHERES em tecnologia (claro que eles poderiam fazer mais, mas francamente o problema é de vocês, não deles)”, escreveu o investidor.

Não, McClure, esse não é um problema só das mulheres. Os casos acima lançam luz à falta de presença de mulheres entre as fundadoras de startups no Vale do Silício e mostram como ainda estamos longe de um ambiente com iguais condições para o desenvolvimento dos negócios, sejam eles liderados por homens ou por mulheres. [Mariana Desidério]

Samsung espera ‘volta por cima’ com resultados do 2º trimestre

104134642-GettyImages-143447993.530x298.jpgA Samsung divulgou nesta sexta-feira, 7, as previsões para o resultado financeiro da empresa entre abril e junho de 2017 – e a expectativa é boa: segundo a empresa, o lucro no 2º trimestre deste ano pode crescer 72% na comparação com o ano passado, chegando a US$ 12,11 bilhões.

O resultado, diz a Samsung, está sendo impulsionado pela alta nos preços de chips de memória, uma das principais unidades da empresa. Na última terça-feira, a Samsung disse que vai investir US$ 18,6 bilhões para ampliar sua liderança no setor, bem como na fabricação de telas de próxima geração.

Os números finais deverão ser divulgados apenas no final deste mês. No entanto, eles mostram uma boa recuperação para a empresa depois da crise de credibilidade que a Samsung teve no final do ano passado, quando teve de retirar do mercado o smartphone Galaxy Note 7, após casos de incêndio e explosões.

Para o final de agosto, a Samsung pretende lançar o Galaxy Note 8, uma nova versão da linha de aparelhos premium, contrariando a teoria de que, após o fracasso do Note 7, a empresa descontinuaria o modelo.

No resultado financeiro do 2º trimestre, será possível entender como a Samsung prevê as vendas do Galaxy Note 8 – e compreender as estimativas da empresa para a comercialização do aparelho após o problema do ano passado. [Reuters]

União Europeia multa Google em € 2,4 bilhões por monopólio em compras online

1498568463599Margrette Vestager, a comissária da União Europeia para concorrência, durante anúncio de multa


O órgão de defesa da concorrência da União Europeia impôs uma multa recorde de € 2,42 bilhões ao Google em decisão divulgada na manhã desta terça-feira, 27. Conforme a UE, o grupo multinacional sofre a sanção por abusar de sua posição dominante em buscas na internet para favorecer seu próprio comparador de preços para compras online, o Google Shopping.

“O que o Google tem feito é ilegal sob as normas antimonopólio da União Europeia. Ele nega a outras empresas a oportunidade de competir com seus méritos e inovação”, disse a comissária europeia da Competência, Margrethe Vestager, em coletiva de imprensa na sede da UE, em Bruxelas.

Até então, a maior multa aplicada pelo bloco econômico por ‘abuso de posição dominante’ era de € 1,06 bilhão, imposta em 2009 à fabricante de computadores Intel.

A agência de notícias Reuters havia antecipado nessa segunda-feira, 26, a expectativa de que a sentença de uma multa recorde ao Google fosse divulgada hoje pela UE. A receita anual do grupo é estimada em € 67,5 bilhões (U$ 76 bilhões) e a multa poderia chegar até 10% desse valor. A investigação sobre favorecimento durou sete anos e foi desencadeada por uma série de queixas de concorrentes.

Em uma postagem em seu blog oficial nesta terça-feira, o Google afirmou que não concorda com a decisão e que está avaliando se entrará com um recurso. “Acreditamos que a decisão da União Europeia sobre nossa ferramenta de compras online subestima o valor dessas conexões fáceis e rápidas”, disse Kent Walker, vice-presidente sênior e conselheiro do Google, no blog oficial. “Enquanto alguns sites de comparação de preços naturalmente querem que o Google os mostre de forma mais proeminente, nossos dados mostram que as pessoas prefere links que levem elas diretamente aos produtos que elas querem, não para sites onde elas terão de repetir a busca.”

Além de pagar a multa, o Google recebeu um prazo de 90 dias para mudar suas práticas na região, o que deve impôr à empresa uma mudança em seu algoritmo de busca. Caso a empresa não modifique suas práticas no prazo, novas multas podem ser anunciadas pela União Europeia.

Novos capítulos. A contrário do que era previsto, a multa anunciada por Margrethe Vestager, chefe do órgão de defesa da concorrência da União Europeia, não compreende dois outros processos por monopólio que o Google enfrenta na Europa.

Além do processo sobre compras online, que teve a decisão anunciada hoje, o Google enfrenta desde 2010 uma investigação sobre como o sistema operacional Android pode ter dificultado a concorrência no ambiente digital, já que vem com diversos aplicativos da mesma marca pré-instalados. Isso levou ao inicio de um processo contra a companhia no ano passado.

A terceira investigação sobre o Google, relacionada a como as ferramentas de publicidade da empresa podem ter restringido a escolha dos consumidores, resultou em outro processo em julho de 2016.

Esses dois outros processos também podem levar o Google a enfrentar multas na região no futuro, caso a empresa não mude suas práticas.

Com AFP e Reuters