O que será da Netflix sem a Disney (e vice-versa)?

netflix disney displaysemana passada foi uma das mais agitadas na história recente da Netflix. Dois dias após anunciar sua primeira aquisição, a empresa de HQs Millarworld, do quadrinista Mark Millar, responsável por títulos como “Kick-Ass” e “Kingsman” e “Velho Logan”, a plataforma teve um de seus principais parceiros, a Disney, anunciando que romperia o acordo para lançar uma plataforma própria de Vídeo on Demand (VOD).

Ainda na quinta-feira, 10, Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, afirmou à Reuters que tenta negociar a permanência dos lançamentos da Marvel e da Lucasfilm, detentora de Star Wars. As duas empresas pertencem à Disney. Em nota publicada também na quinta-feira, a Netflix Brasil afirmou que o fim do acordo com a Disney está restrito aos Estados Unidos.

“Os assinantes da Netflix nos Estados Unidos terão acesso aos filmes da Disney no serviço até o final de 2019, incluindo todos os novos filmes que estrearão nos cinemas até o final de 2018. Continuamos a fazer negócios com a Disney globalmente em muitas frentes, incluindo o nosso relacionamento com a Marvel em andamento”, diz a nota da Netflix. No próximo dia 18, Marvel e Netflix lançam Os Defensores, que reúne os personagens de outras quatro séries desenvolvidas em parceria: Demolidor, Jéssica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro.

O movimento da Disney em desenvolver sua própria plataforma de distribuição e o da Netflix de adquirir uma empresa de conteúdo remetem a um caminho: a autonomia na produção de conteúdo próprio. “O maior interesse da Disney é aumentar suas chances de ganhos. Hoje, ela apenas comercializa seus conteúdos e a ideia agora é que também possa faturar com a distribuição”, observa Marcos Facó, diretor de comunicação e marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com Facó, no modelo atual, toda a inteligência de mercado, comportamento do consumidor e demais métricas estão nas mãos da Netflix. “A Disney entendeu que o proprietário do conteúdo deve possuir sua própria plataforma de distribuição. Porém, ainda não está claro se outros provedores de conteúdo farão o mesmo, o que compromete a Netflix. Devido aos baixos custos de streaming, a tendência é que os demais também passem para o modelo DTC (direct to consumer)”, observa.

Marcelo Forlani, sócio-fundador e diretor criativo do Omelete Group, explica que, com a aquisição da Millarworld, a Netflix continua sua busca por conteúdo. “Usando sua tecnologia e sua área de estratégia, o serviço de streaming monitora o consumo do conteúdo e sabe muito bem o que as pessoas procuram para assistir. Do outro lado, Mark Millar é o quadrinista que mais olha para Hollywood como objetivo final. Seus quadrinhos são claramente criados como storyboards, que já vão direto para um dos públicos mais exigentes e, ao mesmo tempo, fanáticos pelo que passam em suas mãos”, diz Forlani.

Em relação ao rompimento da Disney, Forlani observa que a notícia pode ter pego alguns consumidores finais de surpresa, mas é um movimento natural que o mercado já previa. “Como produtora de conteúdo original de altíssimo nível e rentabilidade, era realmente uma questão de tempo. O ponto agora é se a nova plataforma de streaming vai servir como ‘janela de exibição’ e vai conseguir se manter de pé. Já temos assinaturas de Netflix, Amazon Prime e HBO Go disponíveis. Nossos bolsos vão aguentar esta nova opção?”, diz Forlani.

João Paulo Rego, professor especialista em marketing digital da FGV Rio, explica que Netflix tem se focado cada vez mais em produções próprias, principalmente com séries e que possuem roteiro original, porém resolveu seguir os passos do sucesso de grandes estúdios como Warner Bros e Disney que respectivamente adquiriram DC Comics e Marvel. “A Netflix nunca ficou parada com o movimento de mercado, fez diversos experimentos com o licenciamento de propriedades terceiras como as da Marvel com bons resultados em seu canal digital. Porém há de ressaltar que o licenciamento de conteúdo pode ter cláusulas leoninas não só condicionantes para uso de seus conteúdos, mais em alguns casos até interferência na liberdade artística da produção”, diz Rego. [Luiz Gustavo Pacete]

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Soundcloud sobrevive após receber aporte de mais de US$ 170 milhões

Soundcloud-headquarters-Berlin-by-Kinzo_dezeen_468_30O serviço de música online SoundCloud recebeu uma rodada de investimentos “substancial” nessa sexta-feira, 11, e com isso conseguiu recursos para se manter no ar. Nos últimos meses, a empresa, uma das pioneiras do streaming online, demitiu 40% de seus funcionários e correu risco de falir.

A rodada foi liderada pelo banco de investimentos Raine Group e pelo fundo soberano de Singapura, o Temasek – os valores não foram divulgados pela empresa, mas fontes familiares com o assunto dizem que o investimento foi de US$ 170 milhões.

Com o novo aporte, o fundador Alexander Ljung deixará o cargo de presidente e assumirá a presidência do conselho – ele será substituído por Kerry Trainor, que já foi o presidente executivo do serviço de vídeo online Vimeo.

Em julho, o Soundcloud demitiu 173 funcionários e fechou suas operações em Londres e São Francisco – hoje, a empresa permanecerá com escritórios ativos em Berlim e Nova York. “O investimento vai nos ajudar a manter o Soundcloud com um futuro forte e independente, criando desenvolvimento e marketing de suas ferramentas usadas por milhões de criadores de áudio”, disse a empresa em nota.

No mesmo comunicado, o Soundcloud disse esperar que seu faturamento dobre nos próximos 12 meses, chegando a US$ 100 milhões. Gratuito, o serviço tem hoje dezenas de milhares de usuários em todo o mundo, segundo análises da indústria. Nos próximos meses, um dos principais desafios da nova equipe da empresa é descobrir como torná-la rentável e capaz de competir com serviços pagos como Spotify, Deezer e Apple Music.  [Reuters]

Evan Spiegel, CEO do Snap faz promessa aos investidores para frear quedas

snap HQ.jpgSão Paulo — Os fundadores do Snap, controlador da rede social Snapchat, informaram ontem que, até o final do ano, não irão vender ações que estão em suas mãos, em uma tentativa de não depreciar (ainda mais) os papéis.

O período em que executivos e investidores do Snap eram impedidos de colocar suas ações no mercado terminou no final do mês passado, mas, segundo Evan Spiegel, diretor-executivo da empresa, nem ele nem o co-fundador Bobby Murphy pretendem se desfazer de uma parte de seus papéis.

‘Nós acreditamos profundamente no sucesso a longo prazo do Snap”, disse ele em uma ligação com analistas.

A promessa, no entanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos dos investidores, que se decepcionaram com os resultados financeiros apresentados pela companhia. Ontem, os papéis caíram quase 17% na negociação após o fechamento das bolsas. Hoje, registram perdas de quase 14%.

Do IPO até agora, os papéis acumulam perdas de mais de 30%. As perspectivas não são nada animadoras, com o comportamento agressivo de concorrentes como o Facebook, que reproduziu em suas redes sociais funções criadas pelo Snapchat, como o compartilhamento de vídeos que somem depois de um período de tempo.

Números decepcionantes
O Snap informou ontem um aumento para 173 milhões de usuários ativos diários no segundo trimestre do ano. O número ficou abaixo do esperado por analistas, que previam algo em torno de 175 milhões de usuários/dia.

A receita mais que dobrou no período, para 181,7 milhões de dólares. O prejuízo líquido, no entanto, aumentou para 443,1 milhões de dólares, ante os 115,9 milhões de dólares registrados no mesmo período de 2016. [Rita Azevedo]

Grupo japonês SoftBank considera investir no Uber ou no Lyft

softbank-l-reutersO grupo japonês SoftBank, importante investidor global em startups de tecnologia, anunciou forte aumento no lucro trimestral e demonstrou interesse em fazer investimentos em empresas como Uber e Lyft no futuro.
“Estamos interessados em discutir com o Uber, também estamos interessados em discutir com a Lyft, não decidimos como”, disse o presidente executivo e fundador do SoftBank, Masayoshi Son.

Esta é a primeira vez que o SoftBank manifestou publicamente interesse pelo Uber, após ter aplicado recursos até agora no Grab, seu rival no Sudeste Asiático, e no Didi Chuxing, da China. A SoftBank também já investiu mais de US$ 100 milhões na brasileira 99, que compete com o Uber no mercado local.

No mês passado, uma reportagem informou que os acionistas do Uber e seu conselho estavam avaliando uma venda de ações para o SoftBank e outros investidores. “Se decidirmos fazer uma parceria e investir na Uber ou na Lyft, não sei qual será o resultado final”, disse nesta segunda-feira Son a repórteres em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados da SoftBank no primeiro trimestre.

O lucro operacional trimestral do SoftBank aumentou 50% na comparação anual, para 479 bilhões de ienes (US$ 4,32 bilhões de dólares), após incluir o Vision Fund, o maior fundo de private equity do mundo, como um novo segmento nos resultados, e registrar ganho de 105 bilhões de ienes em sua participação na fabricante de chips gráficos Nvidia. [Reuters]

Netflix anuncia a compra da editora de quadrinhos Millarworld

750_201787123145800Imagem do anúncio da compra da Millarworld pela Netflix Foto: Netflix/Reprodução


O serviço de streaming Netflix anunciou nesta segunda-feira, 7, que comprou a editora de quadrinhos Millarworld, criada pelo cartunista Mark Millar, o responsável pelas HQs Guerra Civil, na Marvel, e Kick-Ass, em sua própria companhia.

A aquisição é a primeira da Netflix desde que foi fundada. Além de comprar os direitos das histórias, a empresa agora é dona da editora dos quadrinhos em si.

O plano da Netflix e da Millarworld é levar para o streaming um universo baseado nos quadrinhos de Millar, com filmes, séries, programas infantis e animações.

“Esta é a terceira vez na história que uma grande companhia de quadrinhos é comprada neste nível”, lembrou Mark Millar em comunicado oficial. Antes desta compra, vieram a Warner Bros. com a aquisição da DC Comics e a Disney com a Marvel Comics.

No mesmo comunicado, o chefe de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, compara Mark Millar ao lendário Stan Lee. “Como criador e reinventor de alguns dos mais memoráveis personagens da história recente, como os Vingadores da Marvel e às franquias Kick-Ass, Kingsman, Wanted e Reborn, Mark é o mais próximo que se pode chegar de um Stan Lee dos dias atuais.”

Os valores da compra não foram revelados por nenhuma das partes. Em seus quase 20 títulos, a Millarworld já teve três levadas aos cinemas: Wanted, Kick-Ass e Kingsman. Juntos, filmes baseados nas três histórias arrecadaram quase um bilhão de dólares nos cinemas.

Google ofereceu US$ 30 bilhões pelo Snapchat em 2016, diz site de notícias ‘Business Insider’

snapchat C6tH9OHW0AA5X0OO Google tentou comprar o Snap, responsável pelo aplicativo de mensagens Snapchat, por US$ 30 bilhões no começo de 2016. A informação, divulgada pelo site de notícias Business Insider nesta quinta-feira, 3, não foi confirmada pelas duas companhias, mas três fontes de dentro das empresas afirmaram ao veículo norte-americano que presenciaram conversas entre executivos.

Ainda não está claro, porém, de quão formal foram as discussões entre as empresas, já que conversas informais entre executivos são frequentes no mundo da tecnologia. Ainda assim, no entanto, as fontes afirmaram que Google e Snap estavam muito próximos e que todas as conversas ocorreram logo antes de um investimento no Snapchat, que valorizou a empresa para US$  20 bilhões.

Além disso, uma das fontes afirmou ao site que Google e Snap voltaram a discutir uma possível compra pouco antes da abertura de capital do Snap em março, com a oferta de US$ 30 bilhões ainda válida. E agora a Snap está enfrentando um momento delicado, com ações sendo negociados em cerca de US$ 12,50 — e com um valor de mercado de, em média, US$ 14 bilhões.

Quando questionado pelo Business Insider a comentar a situação, representante do Snap disse que os “rumores são falsos”. O Google não quis comentar.

Resultado de Google e Facebook reflete domínio crescente sobre publicidade digital

mark zucker RTEmagicC_b7a4989d7aO CEO do Facebook, Mark Zuckerberg


Google e Facebook reportaram alta forte em suas receitas para o segundo trimestre, nesta semana, devido em parte ao domínio impressionante que exercem sobre o mercado de publicidade digital.

Alguns analistas afirmam que os anunciantes estão em busca de alternativas às duas gigantescas plataformas de internet que dominam o setor.

O Google deve responder por quase 41% do mercado de publicidade na internet dos Estados Unidos, que movimentará US$ 83 bilhões neste ano, de acordo com estimativas do grupo de pesquisa eMarketer. O Facebook terá fatia pouco inferior à metade da detida pelo rival, com cerca de 20% do mercado.

Que duas empresas detenham tanto mercado deixa os anunciantes vulneráveis aos preços que elas optem por impor, disse Justin Kennedy, vice-presidente de operações da Sonobi, uma empresa de tecnologia para publicidade.

Controle
Ele também acrescentou que depender do Google e do Facebook significa que é mais difícil controlar onde os anúncios aparecerão – algo que causou dificuldades a diversos anunciantes alguns meses atrás, quando seus anúncios foram veiculados em companhia de conteúdo extremista e violento no YouTube, controlado pelo Google, sem que eles fossem informados previamente.

A Alphabet, controladora do Google, afirmou em seu anúncio de resultados do segundo trimestre, nesta semana, que sua receita atingiu os US$ 23 bilhões, alta de 21% ante o período no ano passado, com base principalmente no crescimento robusto do YouTube e das buscas móveis. Mas ainda que a empresa tenha atraído 52% mais visitantes aos anúncios que veicula, ante os resultados do trimestre no ano passado, o faturamento do Google por clique publicitário caiu em 23%.

O Facebook, enquanto isso, reportou mais de US$ 9 bilhões em receita publicitária no segundo trimestre, 47% acima do resultado do período em 2016. Mas as empresa disse aos investidores que o crescimento publicitário deve se desacelerar, já que o número de anúncios exibidos no News Feed do Facebook não pode continuar subindo. A ênfase da rede social em destacar vídeos também desacelerará o crescimento publicitário, disse a companhia, porque eles oferecem menos oportunidades de veicular publicidade, comparados ao News Feed.

No Limite
Outros especialistas sugeriram que Google e Facebook estão se aproximando do limite, em seu poder sobre o mercado publicitário. Brian Wieser, analista da Pivotal Research, afirmou em nota de pesquisa neste mês que existem companhias capazes de desafiar o Google e Facebook. Ele mencionou a nova divisão Oath, da Verizon, que inclui a AOL e o Yahoo, como potencial alternativa às duas potências atuais. Porque é tanto grande provedora de acesso à internet quanto fonte colossal de tráfego na Web, a Verizon pode desenvolver uma estratégia para publicidade direcionada.

Jason Kint, presidente-executivo da Digital Content Next, uma organização setorial que representa empresas digitais como a ESPN e o “Washington Post”, disse que os anúncios de resultados demonstram que Facebook e Google estão posicionados para capturar a maior parte do crescimento no setor publicitário. Mas ele disse que seu domínio continuado seria prejudicial às duas empresas, em longo prazo.

“Elas são plataformas de descoberta, e sem um ecossistema saudável de notícias e entretenimento, suas plataformas se tornarão menos interessantes para os anunciantes, em longo prazo”, ele disse. “Está acontecendo discussão no setor, e são os anunciantes que estão conduzindo essa discussão. Eles desejam que seus anúncios sejam veiculados em ambientes de qualidade, e não em plataformas de mídia social”.

A Alphabet e o Facebook não responderam de imediato a pedidos de comentários. [Washington Post]

Tradução de PAULO MIGLIACCI