Casa Branca terá Conselho para Políticas de Gênero no governo de Joe Biden e Kamala Harris

Julissa Reynoso, advogada e ex-embaixadora, e Jennifer Klein, estrategista-chefe da organização Time’s Up, vão liderar o grupo que trabalhará junto com outras áreas da administração democrata para reduzir desigualdes que foram exacerbadas pela pandemia de Covid-19 New York Times

Joe Biden e Kamala Harris, presidente e vice-presidente dos EUA, anunciaram a criação de um Conselho para Políticas de Gênero, que, na Casa Branca, será um guia para diversas áreas do governo democrata Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O governo de Joe Biden e Kamala Harris, que tomam posse nessa quarta-feira (20) como presidente e vice-presidente do EUA, anunciou a criação do Conselho de Políticas de Gênero da Casa Branca, que guiará as decisões sobre o tema na administração democrata.

O conselho, uma promessa de campanha de Biden, será liderado por Jennifer Klein, estrategista-chefe da organização Time’s Up, que liderou o movimento contra assédio e abuso sexual que culminou no #metoo, e por Julissa Reynoso, advogada e ex-embaixadora, que também será assistente de Biden e chefe da equipe da primeira-dama Jill Biden.

Julissa Reynoso, advogada e ex-embaixadora será uma das líderes do novo Conselho de Políticas de Gênero, na Casa Branca Foto: Ivan Franco/European Pressphoto Agency / NYT
Julissa Reynoso, advogada e ex-embaixadora será uma das líderes do novo Conselho de Políticas de Gênero, na Casa Branca Foto: Ivan Franco/European Pressphoto Agency / NYT

O conselho deverá coordenar as políticas de governo para as mulheres, o que inclui uma variedade de temas, áreas e o trabalho de diversas agências federais. A equipe de transição de Biden e Harris afirmou que o novo conselho trabalhará com o Conselho de Políticas Domésticas, o Conselho Nacional Econômico e o Conselho de Segurança Nacional.

“Da saúde, economia, educação e segurança nacional – todos os temas são temas das mulheres”, disse, em um comunicado da equipe de trandição do governo Biden-Harris, Susan E. Rice, a nova diretora do Conselho de Políticas Domésticas.

No mesmo comunicado, Joe Biden afirmou que a pandemia de Covid-19 exacerbou muitas das desigualdades econômicas e pessoais que as mulheres já enfrentavam.

Confira a participação da poetisa Amanda Gorman na posse de Joe Biden e Kamala Harris

A poeta americana Amanda Gorman, de 22 anos, lê um poema durante cerimônia de posse de Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos, no Capitólio, em Washington Foto: POOL / REUTERS

Lady Gaga e Jennifer Lopez se apresentaram na posse do presidente eleito dos Estados UnidosJoe Biden, neste dia 20, em Washington. Mas uma jovem ainda desconhecida do grande público roubou a cena. Aos 22 anos, a poeta Amanda Gorman leu o poema de sua autoria na cerimônia, “The hill we climb” (“A montanha que escalamos”, em tradução livre).

Alguns dos versos mais emocionantes do poema de Amanda são:

“Pois sempre há luz, se apenas formos corajosos o suficiente para vê-la, se apenas formos corajosos o suficiente para sê-la”;

“Ser americano é mais do que um orgulho que herdamos. É o passado para o qual entramos e como o consertamos”

“A Democracia pode ser temporariamente postergada, mas não pode ser permanentemente derrotada”.

Amanda, ainda desconhecida do grande público, leu um poema de sua autoria na cerimônia, intitulado “The hill we climb” (“A montanha que escalamos”, em tradução livre Foto: POOL / REUTERS

Quem é Amanda

Ela encorpa o time de outros cinco autores que se apresentaram em posses presidenciais (todas de eleitos democratas), como os consagrados Robert Frost (da posse de John F. Kennedy em 1961) e Maya Angelou (da posse de Bill Clinton em 1993).

Nascida em Los Angeles, Califórnia, e formada pela Universidade de Harvard, Gorman foi escolhida pela futura primeira-dama, Jill Biden, e definiu a oportunidade como uma “honra” em seu Instagram (ela tem cerca de 50 mil seguidores).

Sua trajetória é marcada pelo ativismo, focando em questões como diáspora africana, feminismo, raça e marginalização. O seu poema “In the Eye Of” (No olho do), de 2018, evoca o poder destrutivo dos furacões e foi incluído em uma antologia de arte dedicada à sustentabilidade. Gorman já declarou que quer se candidatar a presidência dos EUA em 2036.

A autora já alcançou alguns feitos em sua curta carreira. Em 2017, foi mais jovem poeta a abrir a temporada literária da Library of Congress (a biblioteca nacional americana), teve um poema seu adquirido pela Morgan Library and Museum de Nova York, e assinou um contrato com a Viking Press (selo da Penguin Random House) para publicar um livro infantil. Ah, e também já leu um poema seu na MTV.

A poeta contou em entrevistas que recebeu o convite para a posse em dezembro. Ela escreveu especialmente para a cerimônia o poema “The hill we climb” (A montanha que escalamos, em tradução livre), inspirado na traumática invasão ao capitólio por extremistas apoiadores de Donald Trump, no último dia 6.

“Aquele dia me deu uma segunda onda de energia para terminar o poema”, disse Gorman em entrevista à rede de TV americana ABC. “O poema não é cego. Não vira as costas para as evidências de discórdia e divisão”.

Na mesma entrevista, a poeta disse que não recebeu orientações específicas em relação ao conteúdo do poema, mas foi aconselhada a enfatizar o espírito do união do país e não “falar mal” de outros políticos (como o presidente Donald Trump).

Além de Amanda, estiveram na cerimônia de posse Lady Gaga, cantando o hino americano, e Jennifer Lopez, que gritou em espanhol, no meio da música “This land is your land”: Uma nação com liberdade e justiça para todos!”.

Para o evento virtual de posse estão confirmados Tom Hanks, Justin Timberlake, New Radicals e Foo Fighters.

Kamala Harris vai fazer história, assim como sua família ‘grande e misturada’

Vice-presidente eleita poderá ampliar as ideias rígidas sobre dinâmica familiar politicamente aceitável

Kamala Harris sorri
A vice-presidente eleita dos EUA, Kamala Harris, fala com a imprensa em estúdio em Atlanta, na Geórgia – Saul Loeb – 11.ago.20/AFP

THE NEW YORK TIMES – Quando Kamala Harris for empossada como vice-presidente dos Estados Unidos, ela representará muitas “primeiras”: primeira mulher vice-presidente, primeira mulher negra, primeira de ascendência indiana. Mas há outro marco que estará em exposição: o de sua família.

Enquanto Kamala ascende a essa função sem precedentes, observada por seus entes queridos, milhões de americanos verão uma versão expandida da família americana olhando de volta para eles —uma que poderá ampliar as ideias rígidas sobre dinâmica familiar politicamente aceitável ou papéis de gênero.

A família de Kamala está pronta para esse momento. Sua sobrinha, Meena Harris, já usa uma camiseta “Titia Vice-Presidente”. Sua enteada, Ella Emhoff, que estuda arte em Nova York, pretendia tricotar um terno para a ocasião (ela optou por um vestido).

Kerstin Emhoff, mãe dos enteados de Kamala —sim, Kamala e a ex de seu marido são amigas—, poderá levar na bolsa um ramo de sálvia: ela tem certeza de que o Capitólio precisa de uma defumação.

E, claro, o marido de Kamala, Doug Emhoff, estará lá —marido orgulhoso e apoiador, o cônjuge vice-presidencial provavelmente estará tirando fotos da mulher, estreando seu novo papel de primeiro segundo- cavalheiro do país (e agora no perfil do Twitter para comprovar).

Para as mulheres, uma vida familiar pública geralmente é importante de uma maneira mais carregada: é uma forma de compensar a percepção de “dureza” que as mulheres políticas tendem a carregar.

Como explicou Susan Douglas, professora de comunicação na Universidade de Michigan, enfatizar a maternidade pode “suavizar a imagem” de uma política que precise falar, por exemplo, sobre guerra ou processar pessoas para cumprir sua função.

Essas expectativas podem significar que não há muito espaço para escapar de uma definição estreita de família —o que torna a família Harris-Emhoff ainda mais significativa.

“É notável”, disse Ralph Richard Banks, professor de direito na Universidade Stanford que escreveu sobre raça, gênero e padrões familiares. “De certas maneiras, eles estão na vanguarda de diferentes aspectos das famílias americanas e como elas estão mudando.”

Alguns poderiam dizer que são um reflexo de onde os americanos já estão. Hoje, o número de casais que têm uma união interracial é de aproximadamente 1 em 6, número que, juntamente com o de casamentos interreligiosos, vem aumentando desde 1967, segundo o Pew Research Center.

Kamala, filha de uma indiana e de um jamaicano imigrantes, foi criada com práticas cristãs e hindus, enquanto seu marido, que é branco, frequentava um acampamento de férias judeu —em seu casamento, Kamala participou do ritual judaico de quebrar uma taça.

Ela tinha mais de 40 anos quando se casaram —mais velha que a idade média do primeiro casamento para mulheres no país, embora esse número continue subindo.

Emhoff era divorciado, com dois filhos do casamento anterior, o que os situava entre os 25% que não vivem com os dois pais biológicos, segundo o Censo americano. Kamala não tinha filhos. Muitos americanos não têm, enquanto as taxas de fertilidade atingem um piso histórico nos últimos anos. Ela já disse várias vezes que ser “Momala” para seus enteados é o seu papel “mais importante”.

“As pessoas têm mais opções”, disse Banks. “Essa é uma mudança de toda a sociedade, mas muitas vezes não é tão visível em posições de poder.”

FAMÍLIA GRANDE E MISTURADA

No discurso em que aceitou a nomeação para concorrer à vice-Presidência, durante a Convenção Nacional Democrata, em agosto, Kamala falou sobre sua mãe, Shyamala Gopalan Harris, uma imigrante que chegou à Califórnia quando adolescente com o sonho de ser pesquisadora do câncer e criou Kamala e sua irmã, Maya, depois de se divorciar do pai das meninas. Na maior parte da vida de Kamala foram só as três.

Quando Maya engravidou aos 17 anos e teve sua filha, Meena, foram as quatro. “Minha avó e minha tia foram segundas mães para mim”, disse Meena Harris, 36, que faz aniversário no mesmo dia que a tia. (Maya Harris, assim como Kamala e Emhoff, não quiseram ser entrevistados para esta reportagem.)

Naquele discurso, Kamala comentou que família não é só a de sangue, mas “a família que você escolhe”. A dela inclui sua melhor amiga, Chrisette Hudlin, em cujo casamento ela anunciou sua candidatura a secretária da Justiça e de cujos filhos é madrinha. Foi Hudlin quem a apresentou ao advogado da área de entretenimento “engraçado, autogozador” que se tornaria seu marido.

Doug Emhoff nasceu em Nova York e foi criado em Nova Jersey e num subúrbio de Los Angeles, filho de Barb e Mike, uma dona de casa e um designer de calçados que, mais recentemente, fundaram o grupo “Avós para Biden” no Facebook. Durante 16 anos ele esteve casado com Kerstin Emhoff, com quem teve Cole, 26, e Ella, 21, cujos nomes prestam homenagem a John Coltrane e Ella Fitzgerald.

Como diz Kerstin Emhoff, o casamento era bastante tradicional: Doug cuidava das finanças, ela fazia as tarefas domésticas. Ambos trabalhavam em tempo integral. “Isso fazia parte de nossa ligação —éramos dois profissionais apaixonados”, disse Kerstin.

As crianças cursavam o ensino fundamental e médio quando os pais se separaram, e Emhoff foi morar num apartamento próximo. Elas se alternavam em semanas na casa do pai —chamando a si mesmos de “Equipe do Palazzo” devido ao nome do condomínio, aprendendo a fazer as coisas que a mãe cuidava.

ANFITRIÃO NACIONAL

Doug Emhoff se tornará o primeiro membro masculino do reduzido grupo de cônjuges da Casa Branca —papel que não tem descrição de cargo nem salário ou deveres formais.

Tradicionalmente, as primeiras e segundas-damas desempenharam o papel de anfitriãs: decorar a casa para festas, organizar almoços, enviar receitas familiares anualmente a uma revista para o “Concurso do Biscoito da Primeira-Dama”.

Muitas primeiras e segundas-damas também se concentraram em trabalho mais robusto e políticas específicas: nos últimos anos, voltaram sua atenção para a alfabetização infantil (Laura Bush), alimentação saudável (Michelle Obama) e famílias militares (Jill Biden). Melania Trump começou a campanha “Seja Melhor”, visando conter o bullying.

Mas as regras não escritas permanecem, como “fique na sua faixa”. Eleanor Roosevelt, importante nas negociações do New Deal, ouviu que devia “se limitar ao tricô”, e esse sentimento perdurou.

Laurel Elder, professora de ciência política no Hartwick College e coautora do livro “American Presidential Candidate Spouses” (esposas de candidatos presidenciais americanos), chamou isso de “o novo tradicionalismo”: a ideia de que os americanos preferem esposas que são ativas e visíveis no apoio a seus parceiros (a parte nova), mas que não se desviem de seus papéis secundários (a parte tradicional).

“Apesar de as mulheres hoje fazerem tudo, as expectativas das pessoas para as esposas do presidente e vice-presidente são muito tradicionais”, disse ela. “Os americanos estão muito divididos sobre se elas devem ter uma profissão —e realmente não querem que sejam assessoras políticas.”

Jill Biden e Karen Pence continuaram dando aulas enquanto seus maridos serviram como vice-presidentes —e, como primeira-dama, Jill Biden será a primeira a manter um emprego em tempo integral.

Seu colega na vice-Presidência, Doug Emhoff, abandonou a carreira profissional de advogado de artistas. É ligeiramente mais complicado que um ato puramente feminista —havia questões sobre se seu emprego poderia apresentar conflitos de interesse—, mas pode ao mesmo tempo ser visto como totalmente conformista ou absolutamente radical, segundo Elder. “Ver um homem assumir esse papel é surpreendente, emocionante e um pouco desorientador, já que contesta ideias muito antigas”, disse ela.

‘TITIA VICE-PRESIDENTE’

Quando a “grande e misturada” família Harris-Emhoff, como Ella Emhoff a descreveu, reunir-se nesta semana, será o primeiro encontro de todos em mais de dois meses. A última vez foi na semana da eleição, em uma casa em Delaware, onde a notícia estava em todas as telas, e Kamala repetia —pelo menos no começo: “Isto é ótimo, não é? Vocês não adoram estar aqui? Não adoram estar todos juntos?”.

Eles se distraíram com jogos, karaokê, comida —e esperaram ansiosamente pelos resultados oficiais de uma eleição que projetaria sua unidade familiar a um nível maior de visibilidade. “Uma noite se transformou numa festa, todos dançaram”, disse Cole Emhoff.

Em outras palavras, apenas uma família reunida —esperando que a história acontecesse.

A vida que eles conheceram antes deixará de existir nesta quarta (20), mas eles tentarão manter certa normalidade. Emhoff e Kamala são os únicos membros da família imediata que viverão em Washington o tempo todo. Os almoços de domingo —uma tradição que hoje acontece por meio do Zoom— continuarão, mas, na nova função, Kamala talvez tenha menos tempo para fazer seus famosos pimentões recheados.

Emhoff continuará sendo “Doug” para seus filhos —hábito que eles adquiriram quando pequenos e que seria difícil mudar agora. Kamala ainda é “Momala” para seus enteados e “titia” para suas sobrinhas, sobrinhos e afilhados. E Meena Harris aprendeu a não tentar chamar sua tia de “Kamala”.

“Ela vira a cabeça rápido e diz: ‘Meu nome é Titia, não admito que você me chame de Kamala!'” De todo modo, ela tem um novo nome, segundo Meena Harris: “Senhora VP [vice-presidente] Titia”.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Conheça Amanda Gorman, a poeta da posse de Joe Biden

Jovem de 22 anos é formada em Harvard e foi escolhida pela primeira-dama, Jill Biden

A poeta Amanda Gorman, que participará da cerimônia de posse de Joe Biden Foto: TONY LUONG / NYT

Lady Gaga e Jennifer Lopez se apresentaram na posse do presidente eleito dos Estados UnidosJoe Biden, neste dia 20, em Washington. Mas uma jovem ainda desconhecida do grande público roubou a cena. Aos 22 anos, a poeta Amanda Gorman leu o poema de sua autoria na cerimônia, “The hill we climb” (“A montanha que escalamos”, em tradução livre).

Atualização: Confira a participação da poetisa Amanda Gorman na posse de Joe Biden e Kamala Harris.

Alguns dos versos mais emocionantes do poema de Amanda são:

“Pois sempre há luz, se apenas formos corajosos o suficiente para vê-la, se apenas formos corajosos o suficiente para sê-la”;

“Ser americano é mais do que um orgulho que herdamos. É o passado para o qual entramos e como o consertamos”

“A Democracia pode ser temporariamente postergada, mas não pode ser permanentemente derrotada”

A poeta americana Amanda Gorman, de 22 anos, lê um poema durante cerimônia de posse de Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos, no Capitólio, em Washington Foto: POOL / REUTERS
Amanda, ainda desconhecida do grande público, leu um poema de sua autoria na cerimônia, intitulado “The hill we climb” (“A montanha que escalamos”, em tradução livre Foto: POOL / REUTERS

Quem é Amanda

Ela encorpa o time de outros cinco autores que se apresentaram em posses presidenciais (todas de eleitos democratas), como os consagrados Robert Frost (da posse de John F. Kennedy em 1961) e Maya Angelou (da posse de Bill Clinton em 1993).

Nascida em Los Angeles, Califórnia, e formada pela Universidade de Harvard, Gorman foi escolhida pela futura primeira-dama, Jill Biden, e definiu a oportunidade como uma “honra” em seu Instagram (ela tem cerca de 50 mil seguidores).

Sua trajetória é marcada pelo ativismo, focando em questões como diáspora africana, feminismo, raça e marginalização. O seu poema “In the Eye Of” (No olho do), de 2018, evoca o poder destrutivo dos furacões e foi incluído em uma antologia de arte dedicada à sustentabilidade. Gorman já declarou que quer se candidatar a presidência dos EUA em 2036.

A autora já alcançou alguns feitos em sua curta carreira. Em 2017, foi mais jovem poeta a abrir a temporada literária da Library of Congress (a biblioteca nacional americana), teve um poema seu adquirido pela Morgan Library and Museum de Nova York, e assinou um contrato com a Viking Press (selo da Penguin Random House) para publicar um livro infantil. Ah, e também já leu um poema seu na MTV.

A poeta contou em entrevistas que recebeu o convite para a posse em dezembro. Ela escreveu especialmente para a cerimônia o poema “The hill we climb” (A montanha que escalamos, em tradução livre), inspirado na traumática invasão ao capitólio por extremistas apoiadores de Donald Trump, no último dia 6.

“Aquele dia me deu uma segunda onda de energia para terminar o poema”, disse Gorman em entrevista à rede de TV americana ABC. “O poema não é cego. Não vira as costas para as evidências de discórdia e divisão”.

Na mesma entrevista, a poeta disse que não recebeu orientações específicas em relação ao conteúdo do poema, mas foi aconselhada a enfatizar o espírito do união do país e não “denegrir” outros políticos (como o presidente Donald Trump).

Além de Amanda, estiveram na cerimônia de posse Lady Gaga, cantando o hino americano, e Jennifer Lopez, que gritou em espanhol, no meio da música “This land is your land”: Uma nação com liberdade e justiça para todos!”.

Para o evento virtual de posse estão confirmados Tom Hanks, Justin Timberlake, New Radicals e Foo Fighters.

Conheça as 30 mulheres CEOs do S&P 500

Das 500 empresas que figuram o S&P 500, apenas 30 são comandadas por mulheres
LUIZ FELIPE SIMÕES
luiz.correa.lipecah@estadao.com

Adena Friedman, presidente e CEO da Nasdaq. (Foto: Mike Cohen/The New York Times)

  • Em 2019, apenas 25 mulheres estavam no comando de empresas listadas no índice
  • O S&P 500 é um índice do mercado de ações que mede o desempenho das 500 maiores companhias listadas em Bolsa nos EUA

Embora o número de mulheres em cargos de liderança tenha aumentado significativamente nos últimos anos, ainda há um longo caminho pela frente para eliminar a disparidade nos mercados.

Um estudo feito pelo índice Spencer Stuart, realizado com base nas declarações das próprias empresas, constatou que das 500 companhias listadas no S&P 500, apenas 30 possuem mulheres como CEOs. Para efeito comparativo, em 2019 eram apenas 25.

O levantamento mostra ainda que as mulheres representam 47% dos novos diretores, o maior número registrado até então. Entretanto, elas ainda são apenas 28% dos membros do conselho do S&P 500.

Quer saber quem são essas mulheres? O E-Investidor reuniu as 30 CEOs que comandam empresas do S&P 500. Confira:

1. Mary T. Barra, General Motors Company (GM)

Comandando uma das maiores montadoras do mundo desde 2014, Mary Barra foi eleita presidente do conselho administrativo da GM em 2016. Antes de se tornar CEO, Barra atuou como vice-presidente, Head de desenvolvimento de produtos globais e também como responsável por compras e da cadeia de abastecimento, sendo responsável pelo design, engenharia e qualidade dos veículos GM lançados pelo mundo.

Além disso, Barra também atua no conselho de diretores da Walt Disney Company, no conselho de curadores da Universidade de Duke na Carolina do Norte/EUA e no Detroit Economic Club.

2. Corie Barry, Best Buy

Corie Barry iniciou sua carreira na Best Buy em 1999. De lá para cá, assumiu uma série de cargos nas áreas financeiras e operacionais até se tornar CFO em 2016.

Barry assumiu a chefia da Best Buy em 2019, que atualmente conta com mais de 125 mil funcionários. Sob sua liderança, a companhia caminha para se tornar um dos melhores lugares para se trabalhar na América. Antes de trabalhar na empresa, Barry atuou como auditora na Deloitte & Touche.

3. Gail Boudreaux, Anthem, Inc

Chefiando uma das maiores empresas de planos de saúde dos EUA, Gail Boudreaux foi nomeada CEO da Anthem em 2017. Ao longo de mais de três décadas trabalhando na área da saúde, Bordeaux mostrou um bom histórico de liderança em negócios multibilionários.

Devido a sua experiência no setor, nos dois primeiros anos à frente da Anthem, Bordeaux fez as ações da companhia se valorizarem em 20%, o que rendeu aplausos de colegas e também de Wall Street.

4. Michele Buck, The Hershey Company

Antes de ingressar na Hershey’s, Michele Buck trabalhou por 17 anos na Fraft/Nabisco. Em março de 2017, tornou-se a primeira mulher CEO da companhia e alcançou a presidência do Conselho de Administração em 2019.

Buck já passou por vários cargos de senioridade dentro da Hershey’s. O último deles como Chief Operating Officer, comandando o dia a dia as operações na América do Norte e também supervisionando os negócios na América do Sul.

5. Debra A. Cafaro, Ventas, Inc.

À frente da Ventas desde 1999, Debra Cafaro é uma das líderes da indústria dos fundos de investimentos imobiliários, ou REITs, na sigla em inglês.

Supervisionando a execução de uma estratégia, a CEO aumentou a capitalização de mercado da companhia de US$ 200 milhões para US$ 28 bilhões em 2019. Ela também é proprietária e membro do Comitê de Gestão do time de hockey Pittsburgh Penguins.

6. Safra A. Catz, Oracle Corporation

Comandando a Oracle desde 2014, Catz integra o conselho administrativo da empresa desde 2001. Já atuou como presidente e também como diretora financeira da companhia. Antes de ingressar em 1999, trabalhou como diretora do HSBC Holdings plc.

Atualmente, também atua como diretora da Walt Disney Company.

7. Joanne Crevoiserat, Tapestry, Inc.

Joanne Crevoiserat atua como CEO da Tapestry, empresa dona das marcas Coach, Kate Spade e Stuart Weitzman. É responsável por conduzir a agenda de crescimento estratégico da companhia.

Crevoiserat ingressou na Tapestry em 2019 como diretora financeira e se tornou CEO em julho de 2020. A empresária atuou por mais 30 anos na indústria do varejo e de multimarcas. Já trabalhou como Chief Operating Officer da Abercrombie & Fitch.

8. Mary Dillon, Ulta Beauty, Inc.

Dillon foi nomeada CEO da Ulta Beauty em julho de 2013. Desde que ingressou na companhia, Dillon e seu time mais do que dobraram as receitas da empresa. Ela também lidera uma base de associados composta por 92% de mulheres e, sob sua liderança, o conselho de diretores se tornou um dos mais diversos entre todas as grandes empresas públicas dos EUA.

Antes de ingressar na Ulta Beauty, Dillon atuou como presidente da divisão Quaker na PepsiCo, e também como Global Chief Marketing Officer e vice-presidente executivo da McDonald’s Corporation.

9. Michelle Gass, Kohl’s Corporation

Em frente a Kohl’s desde maio de 2018, Michelle Gass é responsável por supervisionar uma base de mais de 1160 lojas e 100 mil associados em todo EUA.

Gass juntou-se a Kohl’s em 2013 como Head Customer Officer está comprometida a construir uma cultura pautada pelo propósito, além de acelerar a diversidade e inclusão na companhia e definir as metas e estratégias de ESG. Antes de entrar na empresa, Gass trabalhou por mais de 16 anos no Starbucks, ocupando diversos cargos de liderança.

10. Lynn J. Good, Duke Energy Corporation

Lynn Good é CEO da Duke Energy, uma das maiores holdings de energia da América. Sob o seu comando, a companhia está focando em servir com qualidade seus clientes, além de direcionar o caminho para um futuro energético mais limpo e inteligente.

Antes de se tornar CEO, em 2013, Good atuou como diretora financeira da Duke Energy.

11. Tricia Griffith, The Progressive Corporation

Griffith ingressou na companhia de seguros Progressive em 1988, como representante de reivindicações. Passou por vários cargos de liderança até ser diretora de recursos humanos, em 2002.

Em 2016, Griffith foi nomeada CEO e também presidente do conselho administrativo da companhia.

12. Vicki Hollub, Occidental Petroleum Corporation

Em frente a Occidental desde abril de 2016, Vicki Hollub trabalhou por 35 anos na empresa internacional de extração de petróleo e gás. Durante sua jornada, Hollub ocupou uma variedade de cargos técnicos e administrativos em quatro países: Estados Unidos, Rússia, Venezuela e Equador.

A empresária é membro do conselho administrativo desde 2015. Também atua como presidente do Conselho Consultivo do Secretário de Energia dos EUA, presidente do Conselho de Negócios EUA-Colômbia e membro do Fórum Econômico Mundial.

13. Jennifer M. Johnson, Franklin Resources, Inc.

Jennifer Johnson ingressou na Franklin Resources em 1988 como co-presidente. À frente da Holding americana conhecida como Franklin Templeton, Johnson é responsável pela operação e também pela definição das estratégias de longo prazo.

Em 2014, foi uma das 10 executivas nomeadas para a primeira edição da lista “Melhores Mulheres em Gestão de Ativos”, da Money Management Executive.

14. Margaret Keane, Synchrony Financial

Margaret Keane é diretora executiva da Synchrony, uma das maiores empresas de serviços financeiros ao consumidor dos EUA. Foi responsável por liderar a IPO da companhia em julho de 2014.

A CEO assumiu o cargo em 2011 e apareceu na lista das 25 mulheres mais poderosas em finanças, da American Banker, por 12 anos consecutivos.

15. Reshma Kewalramani, Vertex Pharmaceuticals

A médica indiana Reshma Kewalramani comanda a Vertex, empresa biofarmacêutica americana com sede em Boston. A doutora ingressou na Vertex em 2017, quando assumiu o cargo de Diretora Médica e Vice-presidente Executiva de Desenvolvimento Global de Medicamentos e Assuntos Médicos.

Kewalramani alcançou a liderança da farmacêutica em abril de 2020 e também atua como presidente do conselho administrativo da companhia.

16. Christine A. Leahy, CDW Corporation

Christine A. Leahy é CEO da CDW, empresa fornecedora de produtos e serviços de tecnologia para negócios, governos e educação, desde janeiro de 2019.

Antes de assumir a liderança, Leahy atuou como chefe das receitas. Sua função era ser responsável por todas as unidades da empresa voltadas para o cliente, incluindo suas organizações corporativas, públicas e pequenas empresas.

17. Sue Y. Nabi, Coty Inc.

Sue Nabi é uma empreendedora e inovadora da beleza. Antes de se tornar CEO da Coty, dona de marcas de luxo como Burberry, Hugo Boss e Gucci, trabalhou por 20 anos na L’Oréal, empresa que também presidiu.

Nabi chegou ao comando da Coty em setembro de 2020, possui um mestrado avançado em Gestão de Marketing pela Paris Business School ESSEC e é engenheira agrônoma e ambiental por formação.

18. Phebe N. Novakovic, General Dynamics Corporation

Antes de ingressar na General Dynamics, conglomerado de empresas de defesa americano, Phoebe Novakovic trabalhou na CIA e também no Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Novakovic é uma das únicas mulheres executivas no espaço militar-industrial e assumiu a liderança da gigante de defesa em 2013.

19. Lisa Palmer, Regency Centers Corporation

Pouco mais de um ano à frente da Regency Centers Corporation, fundo de investimento imobiliário de shopping centers, Lisa Palmer é CEO desde janeiro de 2020.

Na companhia desde 1996, Palmer já passou por diversos cargos de liderança na companhia até chegar à liderança. Antes disso, trabalhou na Accenture e na GE.

20. Kristin Peck, Zoetis

A Zoetis é uma empresa farmacêutica americana focada em medicamentos e vacinas para animais de estimação e gado. Comandando a companhia desde janeiro de 2020, Kristin Peck também é membro do conselho administrativo da empresa.

Peck ajudou a Zoetis a conduzir a sua IPO em 2013, na época em que era vice-presidente executivo. Antes de ingressar na companhia, a diretora trabalhou por cerca de 8 anos na Pfizer.

21. Linda Rendle,The Clorox Company

Linda Rendle assumiu a liderança da Clorox, empresa de bens de consumo norte-americana, após 20 anos dentro da companhia. Lá, passou por diversos cargos de liderança, entre eles vice-presidente executiva de Limpeza, Internacional, diretora de vendas, entre outros.

Antes de ingressar na Clorox, trabalhou por dois anos na Procter & Gamble.

22. Barbara Rentler, Ross Stores, Inc.

CEO desde julho de 2014, Barbara Rentler já foi presidente e diretora de Merchandising e também vice-presidente executiva da Ross Stores, rede de lojas de departamento dos EUA, onde trabalha desde 1986.

23. Lori J. Ryerkerk, Celanese Corporation

Nomeada para o cargo de CEO em abril de 2020, Lori Ryerkerk atualmente comanda a Celaneses, empresa de produtos químicos com sede no Texas.Antes de ingressar Celaneses, Ryerkerk trabalhou em diversas empresas do setor petrolífero, como Shell, Hess Corporation e Exxon.

24. Lisa Su, Advanced Micro Devices, Inc.

Presidente do conselho administrativo e CEO desde 2014, a doutora Lisa Su foi uma das pessoas responsáveis por reerguer a AMD (Advanced Micro Devices), fabricante de processadores e placas de vídeo. Antes de comandar a empresa, Su foi diretora operacional na mesma companhia.

Desde que assumiu o cargo, em outubro de 2014, as ações da AMD, principal concorrente da Intel, já se valorizaram em mais de 4.300%

25. Julie Sweet, Accenture

CEO desde setembro de 2019, Julie Sweet também atua no conselho de diretores da Accenture, empresa de consultoria e gestão. Antes de chefiar a companhia, Sweet trabalhou como diretora executiva, conselheira geral e diretora de conformidade.

Apesar de ter ingressado na companhia em 2010, foi sócia por 10 anos do escritório de advocacia Cravath, Swaine & Moore LLP.

26. Sonia Syngal, Gap Inc.

Sonia Syngal é CEO da marca de roupas Gap desde março de 2020. Quando entrou na companhia, em 2004, a executiva passou por diversos cargos de liderança e gerenciamento, incluindo diretora administrativa para os negócios da empresa na Europa, vice-presidente para a divisão Internacional e divisão de Outlet Internacional.

Antes de ingressar na Gap, trabalhou na Ford Motor e na Sun Microsystems.

27. Carol Tomé, United Parcel Service Inc.

Tomé é a 12ª pessoa a comandar a United Parcel Services, ou UPS, uma das maiores empresas de logística do mundo. A executiva foi a primeira outsider a chefiar a companhia e também a primeira mulher.

Antes de ingressar na UPS, Tomé trabalhou como vice-presidente executiva e diretora financeira da The Home Depot, Inc, uma das maiores varejistas do mundo.

28. Jayshree Ullal, Arista Networks, Inc.

Presidente e CEO da Arista há mais de 10 anos, Jayshree Ullal é responsável pelos negócios e liderança de pensamento da empresa americana de redes de computadores.

Foi responsável pela condução do processo de IPO companhia em 2014. Antes disso, Ullal trabalhou como vice-presidente sênior da Cisco.

29. Kathy Warden, Northrop Grumman Corporation

CEO e presidente do conselho administrativo desde janeiro de 2019, Kathy Warden é a segunda mulher dessa lista a comandar uma empresa da indústria aeroespacial e defesa, a Northrop Grumman Corporation.

Antes de ingressar na companhia, trabalhou na General Dynamics e na Veridian Corporation e também na GE.

30. Adena Friedman, Nasdaq Inc.

Quando Adena Friedman tornou-se CEO da Nasdaq em janeiro de 2017, ela se estabeleceu como a primeira mulher a liderar uma bolsa de valores global. A executiva ingressou na companhia em 1993 como estagiária.

Esta foi a segunda vez que a executiva passou pela Nasdaq, em sua primeira passagem, além de estagiária atuou como CFO e vice-presidente executiva de estratégia corporativa. Antes, Friedman trabalhou como CFO na Carlyle Group, multinacional americana de private equity.

Linguagem machista de anúncios de emprego afasta mais de metade das mulheres de vagas na Engenharia

Pesquisa revelou que o uso de linguagem mais inclusiva e abandono de termos relacionados à masculinidade atrai mais mulheres a setores dominados por homens
Thomson Reuters Foundation

Pesquisa mostra que anúncios de emprego que utilizam termos machistas e expressões relacionadas à masculinidade desencorajam candidaturas de mulheres Foto: Freepik

LONDRES – A linguagem tendenciosa em alguns anúncios de emprego na Grã-Bretanha impede que até uma em cada duas mulheres se candidatem a vagas, disse um estudo divulgado na última quarta-feira (13), em meio a um impulso para atrair mais mulheres para setores dominados por homens. 

A Openreach, que opera a maior parte da rede de banda larga do país, descobriu que o interesse das mulheres em se candidatar a um emprego na área de engenharia aumentou em mais de 200% quando foram feitas alterações na linguagem utilizada no anúncio.

A empresa perguntou a 2 mil mulheres sobre dois anúncios diferentes para o mesmo cargo, e descobriu que elas foram desencorajadas por frases machistas como “sujar as mãos” e também menções a escalar um poste telegráfico. 

“Ficamos surpresos ao ver a diferença que a linguagem faz”, disse Kevin Brady, diretor de recursos humanos da Openreach, que busca recrutar mulheres para 500 dos 2.500 novos empregos de engenharia este ano — dez vezes mais que os níveis históricos. 

“Esperamos que este seja o catalisador para ajudar a quebrar as barreiras que impedem as mulheres de considerarem um papel na engenharia.”  

Enquanto 80% das mulheres disseram que não pensariam em trabalhar na área de engenharia, 56% se interessaram pelo emprego depois que o anúncio foi reformulado, incluindo a substituição da palavra “engenheiro” por “coordenador de rede”.

O novo anúncio também listava habilidades em uma linguagem mais neutra, estipulando que os candidatos não deveriam ter medo de altura e ser bons em concluir tarefas. 

Pouco mais de 3% dos engenheiros da Openreach são mulheres, em comparação com 11% dos engenheiros a nível nacional. 

Com um quarto das entrevistadas, que tinham entre 18 e 55 anos, dizendo que ainda acreditavam que certas funções eram mais adequadas aos homens, os pesquisadores afirmaram que as descobertas têm também implicações para muitas outras indústrias. 

A legisladora Caroline Nokes, presidente do Comitê de Mulheres e Igualdade do Parlamento, disse que encorajar mais mulheres na engenharia tem sido uma batalha durante décadas.

“Este estudo dá um grande passo no sentido de remover barreiras que impediriam às mulheres se considerarem aptas para papéis que são perfeitamente capazes de desempenhar”. 

Hilary Leevers, presidente-executiva da organização Engineering UK, que trabalha para aumentar a diversidade no setor, pediu a outras empresas que revisassem a linguagem que usam em seus anúncios. 

O estudo, realizado com linguistas especialistas em Paisagem Linguística, também mostrou que 55% dos entrevistados possivelmente estavam pensando em uma nova carreira por causa da pandemia. 

“Nunca houve um momento mais importante para derrubar as barreiras de recrutamento e abrir setores anteriormente fechados”, disse Brady, da Openreach. 

Apple lança novos projetos em prol de igualdade racial nos EUA

Como ventilado ontem, a Apple acabou de fazer um grande anúncio — e ele realmente não tem nada a ver com novos produtos, nem sobre tornar suas lojas físicas postos de vacinação contra a COVID-19.

Mais especificamente, a companhia divulgou um conjunto de novos projetos importantes como parte da sua Iniciativa sobre Equidade e Justiça Racial (Racial Equity and Justice Initiative, ou REJI), anunciada em 2020, para “ajudar a desmantelar as barreiras sistêmicas às oportunidades e combater as injustiças enfrentadas pelas comunidades de cor” nos Estados Unidos.

Entre esses projetos estão a construção do Propel Center, um centro de inovação e aprendizado global pioneiro para faculdades e universidades historicamente negras (HBCUs); a primeira Apple Developer Academy nos EUA para oferecer “suporte à educação em programação e tecnologia” para alunos em Detroit e investimento em capital de risco para empreendedores negros e pardos, entre outros.

Veja o que o CEO1 da Apple, Tim Cook, falou sobre a iniciativa:

Somos todos responsáveis pelo urgente trabalho de construir um mundo mais justo e equitativo — e esses novos projetos enviam um sinal claro do compromisso duradouro da Apple. Estamos lançando as iniciativas mais recentes da REJI com parceiros em uma ampla gama de setores e experiências — de alunos a professores, desenvolvedores a empreendedores e organizadores de comunidades a defensores da justiça —, trabalhando juntos para capacitar comunidades que sofreram o impacto do racismo e da discriminação por tempo demais. Estamos honrados em ajudar a concretizar essa visão e em corresponder nossas palavras e ações aos valores de equidade e inclusão que sempre valorizamos na Apple.

Propel Center em Atlanta

Propel Center

Como dissemos, o Propel Center será um centro de inovação e aprendizado voltado para a comunidade HBCU de Atlanta (Geórgia). Para isso, a Apple está investindo US$25 milhões, além de fechar parcerias com a Southern Company e uma série de outras empresas, para criar um ambiente de educação e especialização acessível para comunidades negras.

O centro foi projetado para apoiar a próxima geração de diversos líderes, fornecendo currículos inovadores, suporte de tecnologia, oportunidades de carreira e programas de bolsa de estudos. O Propel Center oferecerá uma ampla gama de cursos educacionais, incluindo inteligência artificial e aprendizado de máquina, tecnologias agrícolas, justiça social, artes do entretenimento, desenvolvimento de aplicativos, realidade aumentada, design, preparação de carreira e empreendedorismo. Os especialistas da Apple ajudarão a desenvolver currículos e fornecer orientação contínua e suporte de aprendizagem, além de oferecer oportunidades de estágio.

Como parte da parceria da Apple com as HBCUs, a empresa também está estabelecendo duas novas concessões para apoiar programas de engenharia dessas faculdades: a primeira delas para subsidiar as faculdades de engenharia das HBCUs e, a segunda, para apoiar educadores das HBCUs em Pesquisa e Desenvolvimento com programas de orientação, assistência para o desenvolvimento de currículos e fundos para equipar seus espaços de laboratório.

Apple Developer Academy em Detroit

Iniciativa social da Apple

Ainda neste ano, a gigante de Cupertino abrirá uma Apple Developer Academy em Detroit — a primeira dos EUA. A escolha do local não foi ao acaso: de acordo com a Apple, Detroit tem uma “vibrante comunidade negra de empreendedores e desenvolvedores”.

A instituição foi projetada para “capacitar jovens empreendedores, criadores e programadores negros, ajudando-os a cultivar as habilidades necessárias para empregos na economia de aplicativos iOS em rápido crescimento”.

Os cursos da Apple Developer Academy — lançados em colaboração com a Universidade Estadual do Michigan — serão abertos a todos os alunos de Detroit, independentemente de sua formação acadêmica ou de qualquer experiência anterior em programação.

A Apple espera que o projeto alcance cerca de 1.000 alunos todos os anos, oferecendo um currículo que abrange programação, design, marketing e habilidades profissionais.

Financiamento de parcerias e comunidades

Iniciativa social da Apple

Para abordar as barreiras sistêmicas de acesso e financiamento enfrentadas por empreendedores negros e pardos, a Apple também anunciou dois novos investimentos em capital de risco e espaços bancários, ambos projetados para fornecer capital a empresas de propriedade de minorias.

O primeiro financiamento, de US$10 milhões, será voltado para a Harlem Capital — uma empresa de capital de risco com sede em Nova York — para apoiar seus investimentos nos próximos 20 anos.

Já o segundo financiamento, no valor de US$25 milhões, visa ajudar a Siebert Williams Shank, uma companhia que fornece capital para pequenas e médias empresas, a apoiar companhias que operam ou atendem a mercados em desenvolvimento que promovem iniciativas de crescimento inclusivo.

Por fim, a Maçã está fazendo uma contribuição para o The King Center, um memorial vivo ao legado do Dr. Martin Luther King Jr. para “compartilhar seus ensinamentos e inspirar novas gerações a levar adiante seu trabalho inacabado”. [MacMagazine]

Com maioria conservadora, Suprema Corte dos EUA aprova restrição a medicamentos abortivos

Primeira decisão desde a chegada da juíza Amy Coney Barrett apoia exigência do FDA para que mulheres se desloquem até unidades de saúde para pegar medicamentos, apesar da pandemia e da entrega em domicílio realizada por farmácias. Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas se opôs à medida
New York Times

Com maioria conservadora, Suprema Corte dos EUA reintegrou requerimento para que mulheres que desejam interromper a gestação usando medicamentos se apresentem pessoalmente no hospital ou consultório médico Foto: NYT

WASHINGTON — Em sua primeira decisão sobre aborto desde a chegada da juíza conservadora Amy Coney Barrett, a Suprema Corte dos EUA aprovou um requerimento federal para que as mulheres que desejam interromper uma gestação usando medicamentos se apresentem pessoalmente no hospital ou consultório médico.

A ordem da Suprema Corte não foi assinada, e os três juízes progressistas discordaram. O único integrante da maioria conservadora a oferecer uma explicação foi o presidente da Suprema Corte, juiz John Roberts, que afirmou que a medida é limitada e está de acordo com a visão de especialistas.

A questão, ele escreveu, não era se o requerimento impõe “uma carga desnecessária no direito da mulher ao aborto de maneira geral.” Ao contrário, ele escreveu, era se um juiz federal deveria palpitar sobre uma determinação do FDA (órgão do governo dos EUA que controla medicamentos e alimentos)  “por causa da avaliação da Corte sobre o impacto da pandemia de Covid-19.”

“Aqui, como em contextos relacionados em respeito as respostas do governo à pandemia”, escreveu o juiz, citando uma opinião anterior, “a minha visão é que a Corte deve consideração significativa as entidades políticas responsáveis e que têm “a experiência, a competência e a perícia para avaliar a saúde pública.”

Voz discordante, a juíza Sonia Sotomayor, acompanhada da juíza Elena Kagan, afirmou que a maioria está gravemente errada.

“Manter o requerimento do FDA” para pegar pessoalmente a pílula abortiva “durante a pandemia não apenas trata o aborto excepcionalmente, como impõe uma carga desnecessária, irracional e injustificável as mulheres que buscam exercer seu direito de escolha”, escreveu Sotomayor.

Ela sugeriu que o próximo governo reconsidere o tema:

“Podemos apenas esperar que o governo reconsidere e mostre mais cuidado e empatia com as mulheres que procuram uma medida de controle sobre suas saúdes e vidas reprodutivas nesses tempos inquietantes”, escreveu Sotomayor.

Julia Kaye, advogada da União Americana pelas Liberdades Civis, disse que a Suprema Corte deu um passo incomum.

“A decisão da Corte rejeita a ciência, a compaixão e décadas de precedentes legais em serviço da agenda anti-aborto do governo Trump”, disse Kaye em comunicado. “É incompreensível que a prioridade do governo Trump em fim de mandato seja, sem necessidade, colocar em risco ainda mais pessoas durante esse sombrio inverno da pandemia — e é arrepiante que a Suprema Corte o tenha permitido.”

‘Fardo desnecessário ao direito constitucional ao aborto’

O juiz Theodore D. Chuang, da Corte distrital de Maryland, bloqueou o requerimento federal por causa da pandemia de Covid-19, afirmando que a ida desnecessária a uma unidade de sáude durante a crise sanitária certamente impõe um fardo desnecessário ao direito constitucional ao aborto.

O caso se refere a uma restrição aos medicamentos abortivos, que são permitidos nas primeiras dez semanas de gestação. Cerca de 60% dos abortos realizados nos EUA nessas semanas usam dois medicamentos em vez de uma cirurgia.

O primeiro medicamento, Mifepristone, bloqueia o efeito da progesterona, sem o qual o revestimento do útero se desfaz. O segundo medicamento, Misoprostol, tomado entre 24 e 48 horas depois do primeiro, induz a contração do útero e o faz expelir conteúdo.

A medida da Suprema Corte requer que as mulheres vão pessoalmente a unidades de saúde pegar o Mifepristone e que assinem um formulário, mesmo que elas já tenham consultado seus médicos remotamente. As mulheres podem tomar os medicamentos quando e onde quiserem. Não há requerimento para que elas peguem o Misoprostol pessoalmente, e este medicamento está disponível em farmácias e também pode ser entregue em casa.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e outros grupos representados pela entidade entrou com um processo para suspender a exigência para que mulheres retirem pessoalmente os medicamentos abortivos durante a pandemia. Não há uma boa razão, o grupo diz, para exigir a ida a uma unidade de saúde se o medicamento pode ser entregue.

O juiz Chuang bloqueou a medida em julho, afirmando que pedir a mulheres grávidas, muitas delas pobres, para se deslocarem impõe um risco desnecessário e também um atraso, particularmente quando a pandemia forçou muitas clínicas a reduzirem seus horários de funcionamento.

Ele impôs uma restrição nacional, ponderando que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas tem mais de 60 mil membros que exercem a medicina em todos os 50 estados americanos e que esses membros formam cerca de 90% dos obstetras e ginecologistas dos EUA.

Um painel de três juízes da Quarta Corte de Apelação, em Richmond, na Virginia, recusou por unanimidade a determinação do juiz Chuang enquanto uma apelação seguia adiante. O governo Trump, que costuma procurar a intervenção emergencial da Suprema Corte quando perde em cortes mais baixas, pediu, em agosto, para que os juízes barrassem a decisão de Chuang.

Em outubro, quando viu o caso pela primeira vez, a Suprema Corte emitiu uma ordem incomum devolvendo o caso ao juiz Chuang, afirmando que um relatório mais compreensivo ajudaria a revisão da Corte” e o instruindo a decidir em 40 dias. Enquanto isso, o requerimento do FDA continuou suspenso.

Chuang emitiu sua opinião pela segunda vez no dia 9 de dezembro, mais uma vez bloqueando o requerimento: “O risco à saúde se tornou mais grave”, escreveu.

O governo Trump voltou à Suprema Corte. Seu documento evidenciava principalmente dados dos estados de Indiana e Nebraska, onde as leis continuavam a exigir que as mulheres fossem pessoalmente às unidades de saúde buscar os medicamentos.

Nesses estados, o governo afirmou à Corte, o número de abortos aumentou em comparação ao ano anterior. Isso mostrava, segundo o governo Trump, que a exigência não representava uma carga inconstitucional ao direito ao aborto.

O argumento, responderam advogados do Colégio de Obstetras e Ginecologistas, “desafia princípios rudimentares da análise de estatística”. Muitos fatores poderiam ser os responsáveis pelo aumento no número de abortos nesses dois estados durante a pandemia, escreveram, incluindo complicações no acesso a contraceptivos, desemprego e outras circunstâncias “que tornaram a gravidez indesejada mais provável e a chegada de um filho menos sustentável para alguns.”

A juíza Sotomayor também não ficou impressionada com o argumento do governo:

“Ler a estatística insignificante e os dados escolhidos a dedo pelo governo não é mais informativo do que ler folhas de chás”, declarou.

Conheça a nova geração de nutricionistas que avalia o comportamento da paciente e nunca prescreve dietas restritivas

Para essa turma, a proibição gera compulsão e e fatores como gênero, raça e classe devem ser levados em consideração
Kamille Viola – O GLOBO

Avessa a dietas restritivas e a receitas milagrosas para o emagrecimento, uma nova geração de nutricionistas adeptos da abordagem comportamental vem utilizando as redes sociais para incentivar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida, sem demonizar alimentos ou culpabilizar os indivíduos Foto: André Mello

RIO – Eles defendem a existência de políticas públicas que permitam à população o acesso a uma alimentação saudável e chamam a atenção para a importância dos recortes de classe, gênero e raça ao se falar em nutrição. Avessa a dietas restritivas e a receitas milagrosas para o emagrecimento, uma nova geração de nutricionistas adeptos da abordagem comportamental vem utilizando as redes sociais para incentivar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida, sem demonizar alimentos ou culpabilizar os indivíduos.

— Tem muita gente falando sobre nutrição, alimentação e saúde nas redes sociais e que, às vezes, não tem nem formação para isso, ou passa as informações de uma maneira superirresponsável. O papel dos nutricionistas e de outros profissionais é levar conhecimento de qualidade e com evidência científica, de forma consciente — diz a nutricionista Fernanda Imamura, de São Paulo.

Embora o estudo do comportamento alimentar leva em conta aspectos fisiológicos, sociais, culturais e emocionais da alimentação, e não apenas o peso do paciente. Entre as técnicas utilizadas pelos profissionais, está o mindful eating (comer com atenção plena). Eles também defendem que não existem alimentos proibidos e que restrição leva à compulsão, entre outras coisas.

O nutricionista Erick Cuzziol, que atende em São Paulo e São Caetano do Sul (SP), busca levar seu conhecimento para ajudar a combater essa forma de discriminação. Para ele, embora a obesidade seja considerada uma doença, ela ainda é vista como “falta de vergonha na cara”.

— Ainda se enxerga a obesidade como um comportamento, uma falha de caráter. Então, quando eu recebo um paciente obeso, sempre tento mostrar para ele que é uma condição crônica e que ele não pode pensar: “Agora eu vou emagrecer X, Y ou Z curei, acabou.” Não. Essa pessoa precisa de qualidade de vida. Precisa, de maneira progressiva, sentir benefícios. Por exemplo: “Minha disposição melhorou”, “Meu sono melhorou”, “Eu não estou tendo mais tanta vontade de doce”.  — afirma.

A nutricionista Gabriela Vilasboas Foto: Divulgação
A nutricionista Gabriela Vilasboas Foto: Divulgação

Gabriela Vilasboas, de Guanambi (BA), chama atenção para a importância de uma nutrição antirracista, ou seja, que leve em consideração o recorte racial e combata o racismo estrutural também nas questões que impactam o acesso à comida. A nutricionista afrima que as casas comandadas por pessoas pretas têm um percentual de apenas 15,8% de segurança alimentar, enquanto as chefiadas por pessoas pardas totalizam 36,9%. Já nos lares comandados por pessoas brancas, o percentual de segurança alimentar chega a 51,5%.

— Onde é que está a maior parte das pessoas negras nas cidades? Nas zonas periféricas, onde os alimentos in natura, as verduras e as frutas, chegam com maior dificuldade. Quando a gente fala em cultura alimentar africana, as pessoas imaginam, por exemplo, o acarajé. Mas não é só isso. Ela é riquíssima em frutas, verduras e raízes. — pontua.

Para ler a matéria completa, clique aqui.