Evento de empoderamento feminino tem “festival” de estereótipos

Clichês chamaram atenção em encontro da Atlas Schindler para celebrar assinatura dos “Princípios de Empoderamento das Mulheres”, documento da ONU
Por Marina Verenicz

Mulher: sobraram alguns clichês durante evento sobre empoderamento feminino (Westend61/Getty Images)

“Três mulheres trabalhando juntas é difícil de lidar”, disse Jóia Bergamo, à frente do escritório de arquitetura e design de interiores Jóia Bergamo.

A declaração foi dada durante um evento sobre empoderamento feminino nos setores imobiliário e de construção civil,  promovido pela Atlas Schindler, fabricante suíça de elevadores, escadas e esteiras rolantes, nesta terça-feira (18), em São Paulo.

O propósito do encontro era a assinatura por parte da multinacional da carta de adesão aos “Princípios de empoderamento das mulheres”, projeto da ONU Mulheres e do Pacto Global das Nações Unidas que visa promover a equidade de gênero em atividades sociais e econômicas.

Durante o debate, outros clichês chamaram atenção. “Não precisamos partir para o feminismo, para o exagero, para termos equidade de gêneros”; “A mulher completa o homem”; “Meus filhos encaram que é normal uma mãe trabalhar”; “Há quatro anos as mulheres saíram de casa e começaram a trabalhar”.  Diante das frases, pessoas da plateia se mostraram incomodadas. Houve quem deixasse o local.

No palco, além de Jóia, estavam Marici Santos, diretora de serviços e modernização da Atlas Schindler, Eduardo Zangari, engenheiro civil e diretor da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC-SP), Gabriella Spinola, diretora do setor de compras da Accor, e Iná Quintas, sócia e diretora técnica da construtora e incorporadora Vértice.

Apesar de ser um evento para debater a promoção da diversidade, três dos debatedores disseram não ter políticas ativas que estimulem a representatividade de grupos minoritários em suas empresas. Para eles, é preciso contratar os melhores profissionais, independente do gênero, da cor ou orientação sexual.

Entre os convidados, estava Theo van der Loo, ex-CEO da Bayer. Conhecido por defender questões raciais e de gênero no mundo corporativo, o executivo pediu a palavra. Da plateia, ponderou que estavam sendo discutidas questões como cotas raciais, mas nenhum dos debatedores ali era negro. “A ausência dessas pessoas aqui não é porque não existem negros qualificados. Eu mesmo poderia indicar alguns para esse debate.”

Em resposta ao executivo, Márcia Pretti, gerente de contabilidade e coordenadora do Comitê de Diversidade & Inclusão da Atlas Schindler que mediava o debate, disse que erros fazem parte do processo de construção de políticas de igualdade.

Por telefone, van der Loo conversou com a VOCÊ S/A sobre o encontro. Ele lamenta o fato de, em geral, apenas homens brancos palestrarem. “Não é proposital. Pessoas privilegiadas acham que está tudo ótimo. Já os que sofrem têm outra visão.”

Sobre as declarações controversas, ele atenuou, dizendo que é preciso estar atento em como se posicionar sobre causas delicadas. “Devemos ter um comportamento adequado. Muitas vezes, as pessoas não se dão conta, falam no automático. Quando você se coloca no lugar do outro, você se dá conta da sua realidade”.

O debate estava previsto para acabar 11h30, mas terminou meia hora antes. Procurada, a assessoria da Atlas Schindler afirmou não ter, até a publicação dessa matéria, nenhum porta-voz disponível para falar sobre o assunto.

Em comunicado enviado à imprensa, Carlos Augusto Júnior, diretor de RH  e de pessoas da Atlas Schindler lembrou da importância de eventos para estimular o debate sobre diversidade. “Em um país como o Brasil, que deve levar mais de nove décadas para que mulheres se igualem aos homens, segundo dados do Fórum Econômico Mundial, estimular debates como este e se comprometer com o empoderamento feminino no ambiente corporativo é fundamental para que possamos melhorar este cenário e atuarmos como agentes ativos de um futuro mais igualitário, que possa ser desfrutado por homens e mulheres”, afirmou o executivo, em nota.

Anúncios

Ex-atriz pornô, a Shae de GoT ajuda a resgatar meninas que foram forçadas a casar

Sibel Kekilli em cena de Game of Thrones Imagem: Divulgação

“Sibel Kekilli é uma verdadeira heroína”, escreveu George R.R. Martin, autor dos livros As Crônicas de Gelo e Fogo, que deram origem a Game of Thrones. Em seu blog oficial, o escritor fez um post para falar sobre a atriz que viveu Shae na série da HBO, que já fazia parte da ONG Terre Des Femmes, que auxilia mulheres vítimas de violência, e agora também está em um novo projeto chamado PAPATYA, que resgata meninas que são sequestradas e forçadas a se casar.

“Sibel tem usado verba do seu próprio bolso para comprar computadores para essas garotas, além de criar um site de aconselhamento online que oferece ajuda para quem precisa”, escreveu o autor.

O autor elogiou a iniciativa da alemã. “Ela é mais do que uma atriz talentosa. Ela é uma pessoa do tipo gentil e bondosa também. Eu tenho orgulho em dizer que a conheço por ser uma mulher corajosa. Nesta era altamente politizada onde os famosos poderiam simplesmente ficar em silêncio e sorrir, Sibel nunca hesitou em falar o que pensa”, escreveu.

“Toda vez que ela fala, imediatamente vira alvo de abusos, ameaças de morte, xingamentos…E ela persiste mesmo assim”, concluiu, Martin.

Uma das primeiras retaliações que Sibel vivenciou veio da sua própria família. No início de carreira, a atriz fez filmes pornográficos, o que fez com que seus pais rompessem relações com ela.

Por causa de seu ativismo em defesa das mulheres, a atriz recebeu uma onda de ataques e ameaças em seu Instagram em 2017. A atriz fechou sua conta tornando-a privada e definiu seus agressores como “intolerantes e cheios de ódio”.

Angelina Jolie pede apoio internacional às crianças venezuelanas

Segundo a atriz, 20 mil crianças refugiadas podem ficar apátridas Julia Symmes Cobb

Angelina Jolie conversa com crianças em visita a Colômbia – Andrew McConnell/ Handout/ Reuters

A atriz Angelina Jolie pediu neste sábado que a comunidade internacional forneça mais apoio a três países sul-americanos com mais imigrantes da crise da Venezuela, dizendo que 20 mil crianças venezuelanas estão em risco de ficar sem direitos básicos de cidadania. 

Jolie falou na Colômbia como enviada especial do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Ela está em uma viagem de dois dias para se encontrar com imigrantes venezuelanos no país e se reuniu com o presidente colombiano, Iván Duque, em Cartagena. 

Quatro milhões de refugiados e imigrantes venezuelanos fugiram da crise humanitária e econômica em seu país natal. 

Mais de um milhão deles estão vivendo na Colômbia, onde o governo e agências de auxílio têm se esforçado para fornecer moradia, comida e cuidados de saúde a um fluxo de imigrantes que não para de crescer vindo de regiões já pobres e violentas na fronteira. 

Pais de crianças venezuelanas nascidas em outros países geralmente têm problemas para registrar o nascimento do bebê, porque não têm acesso a um número cada vez menor de consulados venezuelanos, ou porque não têm os papéis de imigração. 

“O presidente e eu conversamos sobre o risco de deixar mais de 20 mil crianças apátridas, sobre seu compromisso em sempre ajudar crianças”, afirmou Jolie, 44 anos, vencedora do Oscar, em uma entrevista coletiva. 

“Concordamos sobre a necessidade urgente de a comunidade internacional dar mais apoio à Colômbia, ao Peru e ao Equador, que estão carregando o fardo da crise.” 

Duque disse que esperava que a visita alertasse o mundo para a seriedade da crise imigratória. 

Ele, Jolie e autoridades da Acnur tiveram uma reunião produtiva na manhã de sábado, disse Duque, incluindo uma discussão sobre como nacionalizar crianças sem pátria. 

Jolie visitou imigrantes venezuelanos no Peru, em outubro do ano passado. Ela concluirá sua visita na cidade de Maicao, na fronteira, ainda neste sábado. 

A crise econômica da Venezuela levou à ampla escassez de comidas e remédios básicos, enquanto as hostilidades políticas motivaram onda de violência fatal.

Reuters

‘Sombrio Ermo Turvo’ reúne ficções breves de Veronica Stigger

Escritora brasileira tem como mote a deformação da realidade em seus textos
José Castello – O Estado De S. Paulo

A escritora Veronica Stigger, autora de ‘Sombrio Ermo Turvo’ Foto: Todavia

Veronica Stigger escreve para dilatar a realidade. A realidade banal, de nosso dia a dia, não a interessa. Nelson Rodrigues dizia escrever para revelar “a vida como ela é”. Talvez nenhuma ideia cause tanta repugnância a Verônica. Ela não escreve para refletir, para retratar, para mostrar, mas para deformar e esconder. Escreve para criar. Isso fica claro, em definitivo, com a leitura de Sombrio Ermo Turvo, seu novo livro, que acaba de sair pela editora Todavia.

Detenho-me em um relato como O Maquinista. Em plena madrugada, quatro homens se preparam para um ato que promete ser espetacular. Não sabemos o que planejam, sabemos apenas que envolve um maquinista, que serve na estação ferroviária. “Sejamos fortes, camaradas”, sussurra João. Mateus esconde o rosto no ombro do amigo, “como se quisesse cheirar sua nuca”. Estão juntos e agarrados a seu projeto. João traz consigo um martelo, Mateus um canivete suíço, Pedro uma corda, e Tiago uma chave de fenda. Preparam-se. Rezam. Ajeitam os capacetes. O Maquinista, sua vítima, permanece em seu posto. Mas, quando a ação parece enfim começar, o conto termina. Ficamos apenas com os preparativos para um ato que nunca conheceremos. Com esse corte abrupto, Stigger nos devolve seu relato, o empurra em nosso colo e mostra que agora cabe a nós, leitores, decidir.

Outro conto, O Livro, transcreve uma palestra a respeito de uma novela inédita, Rancho, de autoria de Veronica Stigger, ela mesma. Ou não será ela mesma, mas só um homônimo? A novela conta a história, em primeira pessoa, de uma mulher, Verônica também (mas com acento circunflexo), que viaja pelo mundo fazendo a leitura de um longo e mesmo poema chamado O Coração dos Homens. As Verônicas se desdobram; o leitor já não sabe onde pisa. Comenta a palestrante: “Muitas vezes, a escrita de Stigger beira o banal, o quase infantil, o frouxo mesmo, com certo apelo a uma sintaxe pouco brasileira.” Veronica não facilita as coisas para si. Ao contrário: sua escrita gosta de levantar obstáculos, de promover confusões, aprecia a opacidade e a imprecisão. Ela escreve, antes de tudo, para nos deixar assombrados e atônitos.

Passo a um relato mais longo, A Piscina, que se originou de uma improvisação de atores para a peça Salta!, do Coletivo Teatro Dodecafônico. A estrutura teatral se mantém – e nos desconcerta. A escrita se transforma em palco. Quatro mulheres e um homem contracenam em torno de uma piscina. Ao fundo, uma mesma voz, em várias versões, resume sua história, que envolve um trágico acidente de carro e o atropelamento de uma mulher. O relato é quebradiço e caótico, sem rumo, reproduzindo a estrutura desorganizada e aleatória da vida. “Cadê o contrarregra? Não tem contrarregra aqui? Que espelunca”, a voz protesta em dado momento. Retratar a vida não é amordaçá-la, ao contrário, é emparelhar com sua desordem. Horas litúrgicas nomeiam as várias cenas, enfatizando o caráter ritualístico. Longas conversas sobre bobagens, brigas tolas, discussões sobre nada. O relato talvez não passe de uma brincadeira. Mas será a vida diferente?

Veronica Stigger trata a ficção sem pompa, sem refinamento, sem estilo. Joga com as palavras – e aqui a sombra de Julio Cortázar se perfila atrás de uma pilastra. Se a vida é um jogo que jogamos com os olhos vendados, que outra coisa poderia ser a ficção? A narrativa se despedaça – porque a vida se despedaça também. Não, Stigger não se interessa pelas histórias “bem contadas”, ou pela arte de “escrever bem”. Os temas mais graves – a dominação, a manipulação, a atração sexual, a morte – são tratados como o que, de fato, são: partes repetitivas, e até desprezíveis, do humano. 

Podemos ter as melhores intenções, mas, na hora agá, a vida nos arrasta e fazemos sempre ao contrário. Está em O Boi, relato de onze linhas, que talvez seja uma parábola. Um homem, Eduardo, se prepara para matar um boi. Segue as instruções do estancieiro José, lendário praticante dessa arte. “José tinha sido claro: o tiro deveria ser dado pelas costas e na cabeça”. Parece que Eduardo entendeu tudo muito bem. “Porém, ao se aproximar do boi, sussurrou algo, talvez um nome, talvez uma prece”. Contrariando as instruções do mestre, esse murmúrio leva o boi, no instante do tiro, a olhá-lo nos olhos. Parece que é isso o que acontece – mas nada fica muito claro. 

Há sempre uma força viva que, traiçoeira, desmonta nossas melhores intenções. Estamos vivos, isto é: não somos donos de nós mesmos. Resta jogar o breve jogo da vida – e aqui a literatura se torna uma aliada de Veronica. Não importa muito o que fazemos, ou o que deixamos de fazer, no fim das contas estamos sempre diante de um enigma.

Polícia de São Francisco, nos EUA, celebra mês do Orgulho LGBT com uniformes nas cores do arco-íris

Brasão da polícia, bordado de dourado, será vendido a aproximadamente R$ 80 e os fundos serão doados para ONG

Polícia de São Francisco ganha uniformes e viaturas LGBTs em homenagem ao Stonewall. Foto: Facebook/@SFPD

Junho é considerado o mês do Orgulho LGBT. E para comemorar a ocasião, a polícia de São Francisco, nos Estados Unidos, produziu uniformes nas cores do arco-íris para os agentes e viaturas coloridas.

Além disso, o brasão da polícia, bordado nas cores dourado, também serão vendidos ao público por US$ 20 (aproximadamente 80 reais). O valor arrecadado será revertido para a ONG Larkin Streeth Youth Services, que cuida de pessoas que assumiram a homossexualidade, mas foram expulsas e casa e não têm mais moradia.

“O SFPD se esforça para ser um departamento diversificado e tem funcionários em quase todos os níveis. Queremos incentivar conversas positivas com as comunidades LGBTQ e o Pride Patch simboliza nossa inclusão”, diz a legenda da imagem publicada no perfil oficial do Departamento de Polícia de São Francisco no Facebook.

Assista ao vídeo:

Refugiada afegã Fariba Amini refaz vida na Grécia transformando botes em bolsas

Fariba Amini, que deixou o Afeganistão por causa da guerra, usa pedaços de borracha para suas produções

Fariba Amini, refugiada afegã, trabalha em suas bolsas em Atenas Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis

A afegã fugiu para a Grécia em 2016 sem documentos e com poucas perspectivas. Hoje ela fabrica e vende bolsas e bijuterias com o símbolo mais contundente da crise de refugiados da Europa: os botes e coletes salva-vidas antes espalhados pelas praias gregas.

 “As bolsas me lembram de como cheguei aqui, e os braceletes me lembram dos meus dias no campo, aquele tempo difícil”, conta Fariba, de 31 anos, acima do ruído da máquina, com uma fita métrica ao redor do pescoço.

“Quando comecei a trabalhar nas minhas costuras, elas foram um bálsamo para a minha alma. Elas me trouxeram paz.”

O porão do estúdio despojado no centro de Atenas que ela divide com outras estilistas postulantes a asilo está repleto de restos pretos e cinza de botes infláveis, coletes salva-vidas vermelhos e pilhas de tiras.

Bolsas feitas por Fariba Amini com restos de botes de borracha Foto: REUTERS/Alkis Konstantinidis

A parede laranja do estúdio é decorada com muitas de suas criações, como mochilas pretas, pastas e bolsas. Braceletes feitos com filetes coloridos estão expostos em uma mesa.

“Considerando que eu mesma vim de bote, sinto-me muito bem”, disse Fariba. “Quero mostrar a outros que estão vindo como imigrantes que podem fazer uso até das coisas mais comuns.”

Fariba e sua família foram forçados a deixar o Afeganistão quando ela tinha 5 anos depois que seu irmão morreu na guerra civil. No Irã, onde moraram durante duas décadas, as autoridades os proibiram de estudar ou trabalhar, disse.

Em 2016, eles partiram em uma jornada marítima curta, mas perigosa, da Turquia para a Grécia e foram parar em um campo improvisado insalubre no antigo aeroporto de Atenas, onde milhares viviam em barracas no terminal de chegada, com pouca comida e violência frequente.

Para sobreviver, Fariba aprendeu sozinha a criar peças sofisticadas vendo vídeos no YouTube – e logo as estava vendendo em bazares e para amigos.

Seus pais e sua irmã se mudaram para a Alemanha, mas Fariba, que recebeu status de refugiada na Grécia, ficou na esperança de fazer seu negócio incipiente decolar. /REUTERS

Clube da Preta reúne afro-empreendedores de moda e beleza em caixas mensais

Criado pelo casal Débora Luz e Bruno Brígida, clube de assinaturas é o primeiro a reunir apenas produtos criados por afrodescendentes
THALITA PERES

Débora Luz e Bruno Brígida (Foto: Reprodução/Instagram)

A museóloga Débora Luz tem 168 mil seguidores no Instagram, num perfil em que ela atua principalmente como uma digital influencer de moda e beleza, mas é como empresária que a brasiliense radicada em São Paulo potencializa o trabalho de mais 150 afro-empreendedores que fazem parte da startup Clube da Preta, clube de assinaturas que reúne apenas produtos de moda, beleza e acessórios criados por afrodescendentes de todo o Brasil.

“A ideia surgiu pela necessidade de muitos a minha volta”, diz Débora, que criou o projeto com o namorado, o administrador de empresas Bruno Brígida. “Dentro das minhas redes sociais, sempre fiz questão de valorizar o consumo consciente. Sou eu quem escolho com quem divido meu poder, meu dinheiro… Sempre falei sobre empoderamento, empatia com as mulheres, propor trabalhos e parcerias…”. A ideia, conta ela, veio de conversas com afro-empreededores, que notavam um crescimento nas vendas de seus produtos nos meses de novembro e dezembro “ou em data com cunha racial”. “Nos outros meses, eles não tinham renda nem trabalho full time para se sustentar”, explica.

Em 2017, Débora e Bruno estudaram o mercado e visitaram feiras voltadas ao afro-empreendedorismo e mapearam a produção. “Percebemos que os clubes de assinatura são uma tradição no Brasil”, conta Débora. “As pessoas estavam consumindo de verdade, então, começamos a desenhar o Clube da Preta”, explica ela, que trabalhou meses na ideia até chegar ao formato final.

Débora Luz (Foto: Reprodução/Instagram)

Dentro de uma caixa, a dupla reúne produtos de moda, beleza e acessórios, que vão de camisetas, turbantes, vestidos, pulseiras, colares, cremes e xampus para cabelo crespo e cacheado, até livros de autores negros, como Marcelo D´Salete, atualmente um dos mais importantes autores de HQ do mundo, premiado com o Eisner, o Oscar dos quadrinhos.

O controle da qualidade dos produtos e a história dos empreendedores são fatores importantes para os empresários serem aceitos na plataforma, que dá a opção de três caixas com produtos diferentes para a vendidos no site clubedapreta.com, com valores que vão de R$ 99,99 a R$ 199,99. “Ano passado, vendemos mais de 10 mil caixas e contamos com 400 clientes recorrentes”, conta Débora.

“Só contamos com feedbacks positivos. Uma designer de moda criou a 370, por exemplo, que trabalha apenas com sobras de tecidos biodegradáveis do banco de São Paulo e da cidade de São Vicente [litoral de São Paulo]. Ela, mãe e a tia trabalham juntas. A mais nova gerando renda para a geração mais velha. É gratificante ver as oportunidades de trabalho que as pessoas conseguiram com o Clube da Preta. Todos os dias, recebemos mensagens de superação, de saber que eles conseguem sustentar a família a partir do clube”.

Equipe da 370 (Foto: Reprodução/Instagram)

“Outra boa história é da Mapa Lingerie. A empreendedora percebeu que não tinha lingerie da cor da pele dela, então, passou a desenvolver a peça. Agora, a marca conta com escala maior, cresceu bastante. A Cervejaria do Complexo do Alemão fica dentro do bairro e tem um trabalho incrível: anualmente, as crianças da comunidade pintam as garrafas. O dinheiro com a venda é revertido para atividades locais, como educação, esportes, construção de casa, etc”.

Boxs do Clube da Preta (Foto: Reprodução/Instagram)

E, com 150 afro-empreendedores no Clube da Preta, Débora quer mais: “Para este ano, gostaria de ter uma plataforma mais intuitiva, ter mais clientes e conhecer mais pessoas através do Clube, gerando assim mais renda aos empreendedores. Quero também lançar novos produtos, expandir nossos negócios e fazer os parceiros crescerem com a gente”.