Serena Williams, capa do mês de dezembro da ‘Teen Vogue’ pede para mulheres apoiarem umas às outras

Tenista é a capa do mês de dezembro da revista ‘Teen Vogue’ e divide espaço com Naomi Wadler

Serena Williams on the December cover of “Teen Vogue.” Photo: Ronan McKenzie

Capa da revista Teen Vogue de dezembro, Serena Williams fez fortes declarações e pediu para as mulheres apoiarem umas às outras em publicação exclusiva do veículo voltado para celebridades e moda.

“Estamos em uma posição em que temos a oportunidade de usar nosso status e nossa rede social, e usar diferentes plataformas para falar sobre isso, porque muitas pessoas veem o que postamos e coisas que escrevemos”, afirmou Serena em entrevista à editora-chefe da Teen Vogue.

Ao lado da jovem ativista Naomi Wadler, convidada para participar da publicação de dezembro, Serena afirma que pode passar uma mensagem importante para as mulheres. “Nós temos de apoiar umas às outras. Eu sempre gosto de dizer que as mulheres deveriam se apoiar, porque o sucesso de uma mulher pode ser inspiração para outra. Se olharmos para tudo desta forma, podemos conquistar muito mais”, declara a tenista.

Questionada durante a entrevista sobre como está conciliando a vida de atleta e mãe desde fevereiro, quando voltou às quadras, Serena respondeu: “Honestamente, eu não sei. Eu vou para a cama todas as noites pensando: como eu passei por este dia?”.

Nesta temporada, Serena não conquistou títulos, mas voltou às quadras cinco meses após o nascimento da filha Alexis Ohanian Olympia. Recuperando o ritmo das competições, a tenista chegou as finais de Wimbledon do US Open. Ela também foi eleita pela Associação de Tênis Feminino (WTA) como a melhor tenista na categoria “retorno do ano”. 

serenawilliams
Teen Vogue 2018 • Story in Stories 
Photographer: @ronanksm
Stylist: @jasonbolden
Hair: @vernonfrancois
Makeup: @autumnmoultriebeauty
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Mulheres diplomatas relatam discriminação e dificuldade de avançar na carreira

Documentário traz depoimentos e lembra da primeira brasileira a ingressar no Itamaraty, há cem anos
Flávia Mantovani

Maria José Rebello, primeira mulher diplomata, na prova de admissão para o Itamaraty em 1918 – Divulgação

SÃO PAULO –A primeira embaixadora brasileira, Odette de Carvalho e Souza, nomeada em 1956, não era chamada pelo nome do cargo, mas de “dona Odette”. Outra pioneira no posto, Thereza Quintella, tinha que assinar os convites como “senhora ministro” e era chamada de embaixatriz (esposa de embaixador). “Eu dizia: por favor, me chame Thereza ou de embaixadora. Não quero ser embaixatriz”, conta.

Quintella, 80, foi a primeira mulher a dirigir o Instituto Rio Branco (a escola que forma os diplomatas brasileiros) e é uma das entrevistadas pelo documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia”, que aborda o tema quando se completam cem anos da admissão da primeira diplomata no Itamaraty.

Lançada nesta terça-feira (11) em São Paulo, a produção independente —bancada via financiamento coletivo e realizada por uma equipe formada principalmente por mulheres— costura depoimentos de diplomatas de diferentes gerações sobre a experiência de ser mulher na diplomacia e as dificuldades que enfrentaram e ainda enfrentam.

A primeira a quebrar essas barreiras foi Maria José Rebello, primeira diplomata e primeira mulher servidora pública concursada do país, que ingressou no Itamaraty em 1918, após passar em primeiro lugar na prova.

O discurso do então chanceler Nilo Peçanha ao anunciar sua aceitação revela o pensamento da época: “Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuasse à direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar a sua aspiração”, disse.

Depois disso, as mulheres foram proibidas de entrar para a diplomacia durante 16 anos, de 1938 a 1954. Foi neste ano que Thereza Quintella entrou para a diplomacia. “Fiquei sozinha por seis anos e meio até que viesse uma nova embaixadora. Eu era uma espécie de troféu”, conta.

A embaixadora Irene Vida Gala durante entrevista para o documentário – Divulgação

Os números apresentados na produção mostram que ainda se trata de um universo dominado por homens: as mulheres são apenas 23% dos diplomatas e 9,8% dos chefes de Embaixada no exterior.

Muitas delas estão em países de menos visibilidade. Na América do Sul, por exemplo, prioridade da política externa, nenhuma embaixada é chefiada por mulher. Também só houve uma mulher até hoje na chefia de gabinete do ministro das Relações Exteriores —Maria Nazareth Farani, entre 2005 e 2008.

Nos depoimentos, as entrevistadas dizem que precisam trabalhar mais para mostrar seu valor, que já sentiram necessidade de “se masculinizar” e ser “mais duras” para serem aceitas e que existe uma dificuldade de obter promoção para postos de mais relevância.

“É muito difícil ver mulheres nesses cargos de maior visibilidade. Nas promoções e remoções, existe uma diferenciação. E há uma fama de que é uma carreira muito difícil para a mulher por causa da família, das viagens”, disse à Folha Débora Baremboim-Salej, chefe do escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo.

A embaixadora, que está no Itamaraty desde 1979, conta que “carregava as filhas pelo mundo”. Após se casar com um colega de carreira, teve que abrir mão de 40% do salário para poder trabalhar no mesmo país que o marido. “O argumento era que um casal não podia ganhar mais do que o chefe, que era o embaixador, o que é um absurdo, porque eram duas pessoas trabalhando”, diz.  

De 1969 até 1985, era proibido que casais servissem juntos no exterior.

Para a embaixadora Irene Vida Gala, que está na carreira diplomática desde 1985, uma das formas de contornar o problema da falta de acesso das mulheres aos postos mais elevados seria com políticas afirmativas, como cotas ou simplesmente a divulgação de todas as vagas abertas para cargos no ministério e no exterior.

“Atualmente esses cargos são preenchidos só pela escolha dos chefes, que em geral estão rodeados de assessores homens. É um clube masculino ao qual as mulheres não têm acesso, por isso elas não ascendem nunca. Se qualquer um puder se candidatar, elas poderão concorrer e se mostrar”, afirma.

Gala, que serviu principalmente na África e se tornou referência no assunto, acredita que esse tipo de medida pode evitar a perda de novos talentos. “Eu não precisei de cotas, mas outras mulheres que poderiam ter chegado lá ficaram pelo caminho”, diz.

O documentário trata das questões específicas relacionadas às mulheres negras e às lésbicas na instituição. “Há muito poucos negros em geral diplomatas brasileiros. E se nós falarmos de mulheres negras é mais difícil ainda”, diz a diplomata Marise Ribeiro Nogueira, lembrando que houve uma época em que candidatos eram reprovados nas entrevistas por serem negros.

Outra cena mostra uma reunião do Grupo de Mulheres Diplomatas, coletivo que obteve conquistas como a criação de uma sala de amamentação e de um comitê de gênero e raça no ministério.

“Gostei de ver que elas se uniram para lutar contra as dificuldades”, disse Letícia Soares, 19, estudante de relações internacionais, após assistir ao filme. “Desde os 14 anos quero ser diplomata. Comecei a pensar se vou dar conta de conciliar com a família porque sonho em ser mãe, mas também não quero abrir mão da carreira.”

A diretora do documentário, Ivana Diniz, diz que quis mostrar que as barreiras enfrentadas pelas diplomatas atingem também outras mulheres: “Não queria que ficasse naquele nicho. A gente sabe que o que elas vivem é vivenciado por várias outras profissionais em todos os setores.”

“A nossa história não é diferente da de outras mulheres que ousam penetrar no ambiente masculino”, acrescenta Thereza Quintella. “É difícil, cheia de atitudes negativas, discriminação. Não foi uma curva ascendente, foi uma luta constante que não está totalmente vencida, pois igualdade ainda não há.”

O filme entra em cartaz em fevereiro no CineSesc e depois ficará disponível gratuitamente na internet.

Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia
​Brasil, 2018. Direção: Ivana Diniz. Classificação: livre. Em cartaz em fevereiro de 2019 no Cinesesc  

‘Se ninguém fala sobre isso, não existe justiça’, diz Angelina Jolie sobre violência sexual

Atriz ressalta a importância de debater o assunto entre homens e mulheres

Angelina Jolie está lutando contra o estigma social enfrentado pelos sobreviventes da violência sexual

Engajada com a causa da violência sexual, a atriz Angelina Jolie comentou o estigma enfrentado por pessoas que sobreviveram aos assédios. “Violência sexual ainda é um assunto tabu. Mulheres e homens sobreviventes, e crianças que nasceram desse estupro, são geralmente tratadas como se fossem eles que fizeram algo errado. Eles são rejeitados e estigmatizados, enquanto os culpados não são punidos. Isso é o que precisa mudar e quebrar o tabu é parte disso”, disse em entrevista à Marie Claire.

Em 2012, Angelina lançou uma iniciativa em parceria com o governo britânico, batizada de “Preventing Sexual Violence in Conflict” (em português, “prevenindo violência sexual em conflito”). Além de ajudar a cessar os casos de assédio, o projeto busca minar o estigma social enfrentado pelas vítimas. Desde seu lançamento, o Reino Unido já ajudou milhares de sobreviventes fornecendo suporte médico, social e legal.

Em novembro, um festival realizado em Londres reuniu uma série de filmes abordando a questão social do assédio, especificamente a discriminação enfrentada pelas vítimas. “Eu acho que filmes têm o poder de nos fazer viver dentro da experiência de outra pessoa de um jeito único e diferente. Mas também é uma maneira muito importante de iniciar uma conversa, dizendo que sim, essas coisas acontecem e aconteceram no nosso país e precisamos abordá-las. Depois de guerra, violência sexual é o assunto que ninguém quer falar a respeito, que é varrido para debaixo do tapete. E se ninguém fala sobre isso, não existe justiça, cura ou encerramento”, enfatizou Angelina.

A atriz também reforçou a importância de se debater o assunto entre homens e mulheres. “Eu não falo apenas com minhas filhas. Falo com elas junto aos seus irmãos. Talvez essa seja a distinção mais importante. Não é um problema apenas de mulheres, e a solução é trabalhar com homens e mulheres. E meninas e meninos. Homens e meninos também são vítimas desses crimes e todas as sociedades precisam ter bem claro que não se pode tolerar esse comportamento”, completou.

A cineasta do iPhone, Charlotte Prodger, vence o prêmio de 2018 da Turner

Bridgit, da artista Charlotte Prodger de Glasgow, é elogiado pelos juízes como “inesperadamente expansivo”

Charlotte Prodger vencedora do prêmio Turner 2018.

Uma série de clipes curtos filmados em um iPhone mostrando a paisagem rural escocesa a partir de uma janela de trem, uma camiseta em um radiador e um gato agarrado a uma lâmpada ajudou Charlotte Prodger a ganhar o prêmio Turner 2018.

Prodger foi nomeado o vencedor do prêmio de 25.000 libras pela novelista Chimamanda Ngozi Adichie em uma cerimônia em Londres na noite de terça-feira.

O artista de Glasgow faz obras de imagens em movimento há 20 anos e faz parte de muitos radares da arte contemporânea. Mas ela está longe de ser bem conhecida e o júri disse que seu trabalho recente representou um avanço para uma maneira nova e mais expansiva de trabalhar.
Falando depois de sua vitória, Prodger disse: “Eu me sinto muito honrado, realmente impressionado. É bem surreal. É uma sensação adorável.

A artista disse que usou um iPhone para seu trabalho porque estava sozinha e o telefone parecia uma extensão dela: “Por causa da facilidade de uso e da maneira como você pode usá-lo enquanto você está indo pelo mundo. Para mim, tudo está lá.

Perguntada sobre o que ela poderia fazer com o dinheiro do prêmio, Prodger disse: “Eu vou viver com isso. Eu pagarei meu aluguel e meu aluguel de estúdio e algumas contas. Talvez haja uma pequena surpresa … provavelmente uma jaqueta legal. Não me segure para isso!

Prodger (centro) recebeu seu prêmio da escritora Chimamanda Ngozi Adichie e da diretora da Tate, Maria Balshaw. Foto: Peter Nicholls / Reuters

Alex Farquharson, diretor da Tate Britain, que presidiu o painel de jurados, disse que o trabalho de Prodger representava o “uso mais profundo de um dispositivo tão prosaico quanto a câmera do iPhone que vimos na arte até hoje”.
Prodger, de 44 anos, ganhou por sua exposição individual no Bergen Kunsthall na Noruega, que contou com duas obras cinematográficas, Bridgit e Stoneymollan Trail. O filme de 32 minutos, Bridgit, está em exibição na Tate Britain, como parte da exposição do Turner.

O filme é difícil de explicar. Há muita coisa acontecendo, aparentemente ao acaso. Explora classe, gênero, sexualidade e deusas neolíticas.

Prodger filmou o trabalho ao longo de um ano e incluiu imagens dela em casa e em suas viagens. Sua narração inclui trechos de autobiografia – saindo em Aberdeenshire no início dos anos 90, as pessoas sendo incapazes de dizer se ela é um menino ou menina, a suposição de que sua namorada é sua filha. Ela também cita The Modern Antiquarian, de Julian Cope.

O artista descreveu a peça como sendo sobre a fluidez da identidade de uma perspectiva queer; uma exploração do entrelaçamento de paisagem, corpo, tecnologia e tempo.

Farquharson disse que o júri achava que Bridgit era “incrivelmente impressionante na forma como lidou com a experiência vivida, a formação de um senso de identidade através de referências diferentes”. Ele disse que o trabalho evoca tradições na arte da paisagem e tem peso psicológico. “Isso acaba sendo tão inesperadamente expansivo. Não é isso que esperamos de videoclipes gravados em iPhones ”.

O júri levou mais de quatro horas para chegar a essa decisão. “Eu acho que o júri estava unido em um sentimento de que este trabalho estava introduzindo algo novo para o meio cinematográfico e como ele é usado na arte”, disse Farquharson.

Todos os quatro nomeados – três indivíduos e um coletivo – fizeram o trabalho do filme, tudo isso de alguma forma política. Dependendo da sua perspectiva, a exposição deste ano foi a mais maravilhosamente cativante na memória ou o trabalho mais difícil. Certamente, não é um show que deve ser experimentado rapidamente; a Tate recomenda quatro horas e meia.

Ele dividiu os críticos. Laura Cumming, do Observer, chamou-a de melhor em anos, “por turnos, quebrando, absorvendo, seduzindo, altamente política, freqüentemente momentosa”. Waldemar Januszczak, do Sunday Times, escreveu: “Do começo ao fim, esse aparato de esmagar a alma é extraordinariamente horrível”.

O favorito de muitos visitantes era a Arquitetura Forense, um coletivo que foi descrito como uma “agência de detetives arquitetônicos” que investiga crimes de estado e abusos dos direitos humanos em todo o mundo.

Baseado na Goldsmiths, Universidade de Londres, o grupo é formado por arquitetos, cineastas, jornalistas, arqueólogos, cientistas, advogados e desenvolvedores de software. Para o prêmio da Turner, exibiu os resultados de suas investigações sobre as mortes durante uma invasão de madrugada de 2017 pela polícia israelense em uma aldeia beduína no deserto de Negev.

O prêmio Turner, em vigor desde 1984, muitas vezes exaspera e emociona em igual medida e não é estranho a controvérsias. O mais próximo que chegou este ano foi o protesto contra o artista Luke Willis Thompson, um neozelandês de ascendência europeia e fijiana.

Alguns criticaram o trabalho de vídeo de Autoportrait, um filme silencioso de Diamond Reynolds, a namorada de Philando Castile, morto a tiros pela polícia em Minnesota. Thompson foi acusado de lançar um olhar branco de classe média sobre os casos de sofrimento negro. Um grupo de manifestantes vestindo camisetas com o texto “Black Pain Is Not for Profit” protestou contra os sofás da exposição em setembro.

O quarto artista nomeado foi Naeem Mohaiemen, que exibiu dois filmes de 90 minutos, um sobre um homem que vive sozinho em um aeroporto abandonado e outro sobre momentos da história de Bangladesh.

O vencedor foi decidido por um júri composto por Oliver Basciano, um crítico de arte; Elena Filipovic, diretora do Kunsthalle Basel; Lisa Le Feuvre, diretora executiva da Fundação Holt-Smithson; e o romancista Tom McCarthy.

A exposição do Turner do ano passado foi em Hull. Este ano foi em Londres e, no ano seguinte, o circo rola para Margate.

• A exposição do prêmio Turner vai até o dia 6 de janeiro. 
Mark Brown – The Guardian

Michelle Obama usa palavrão para criticar executiva Sheryl Sandberg do Facebook

Ex-primeira-dama disse discordar de técnica para mulheres criada por Sheryl Sandberg

A ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, durante o evento em Nova York no Sábado (1º) – Mary Altaffer/Associated Press

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, usou um palavrão neste sábado (1º) para criticar Sheryl Sandbergvice-presidente de operações do Facebook. A executiva é conhecida por defender que as mulheres devem se impor no mundo corporativo —uma técnica que ela chamou de “lean in”.

“Isso é uma mentira”, disse Michelle sobre a ideia defendida por Sandberg. “Nem sempre ‘lean in’ [se impor] é o suficiente, porque essa merda não funciona sempre”, afirmou a primeira-dama a uma plateia de 19 mil pessoas em Nova York.  

“Essa coisa toda de ‘você pode ter tudo’. Não pode, não ao mesmo tempo”, completou ela, para riso do público. O evento fez parte da turnê de lançamento de seu novo livro, “Becoming“. 

Na sequência, a ex-primeira-dama se desculpou pelo palavrão. “Eu esqueci onde eu estava por um momento”, afirmou.

Sandberg publicou em 2013 o livro  “Lean In: women, work, and the will to lead” —traduzido em português para “Faça Acontecer: trabalho e a vontade de liderar” (ed. Companhia das Letras, 2013, 288 págs, R$ 44,90) .

Na obra, ela defende que as mulheres devem lutar para conquistarem o comando de grandes empresas e que não devem se satisfazer com posições subalternas. 

A executiva, número 2 do Facebook, está atualmente envolvida em uma polêmica campanha de lobby feita pela empresa desviar a ira do público aos críticos da rede.

Fiamma Zarife, big boss do Twitter, fala sobre autossabotagem, angústia e sentir-se intimidada

Sim, altíssimas executivas são tão humanas quanto eu e você. Elas falham, sentem-se inseguras, intimidadas. Mas altíssimas executivas dignas da nomenclatura falam a respeito. E sabem que isso só as torna mais interessantes. Por isso, uma salva de palmas a Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter. Num papo franco com Mônica Salgado, ela humaniza o sucesso como você nunca viu

Fiamma Zarife e Mônica Salgado (Foto: Arquivo pessoal)

“Melhor pedir perdão que permissão.” Uau, frase de efeito para levar para a vida. Cautelosa, Fiamma me explica que, quando a colocou em prática, numa das empresas pelas quais passou, tinha a bênção do então presidente. “Fiz muita coisa inovadora pensando assim. Ousar é preciso, mas tem que ser um risco controlado”, explica, acrescentando que, nos casos de multinacionais, quando se está longe da matriz “é necessário fugir um pouquinho dos guidelines para se adaptar ao mercado local”.

Hum, fugir dos guidelines talvez seja uma marca registrada da executiva? Pode bem ser. Aos 47 anos, a paulistana de origens árabe e italiana é formada em publicidade e propaganda, com pós em marketing, Fiamma já foi vice-presidente de conteúdo e serviços da Samsung na América Latina e passou por Claro, Oi e Petrobras Distribuidora, entre outras companhias. Bem-sucedida? Dã, obviamente! Mas a fim de compartilhar as vezes em que não se sentiu tão digna assim deste sucesso? Opa, isso é para poucas. Fugir dos guidelines, neste relato, significa fugir dos clichês de perfeição do que se convencionou chamar de sucesso. Com vocês, Fiamma Zarife.

“Me sabotei assim que descobri estar grávida”

Impressionante como a autossabotagem acomete muito mais as mulheres. Não apenas vejo isso acontecer ao meu redor. Vivi isso. Quando engravidei da minha filha, hoje com 15 anos, tive a maior cautela para contar a todos. Isso porque dez semanas antes havia perdido um bebê. E tinha contado pra Deus e o mundo. No fim, foi mais difícil gerenciar a frustração alheia do que a minha própria. Então, decidi esperar pelos três meses… mas o plano não saiu como desejado. Estava respeitando esse prazo quando, sem aviso prévio, meu chefe reuniu a equipe e anunciou minha promoção.

Atônita, fui à sala dele e disse: “Estou grávida. Fique à vontade para rever sua decisão”. Ele olhou bem pra mim: “Volte para o seu lugar porque ainda temos oito meses…”. E foi um dos períodos mais produtivos da minha carreira. Saí de licença numa sexta, e ela nasceu domingo. As pessoas me falavam: “Sabe que você terá que diminuir o ritmo, né?”. Isso me angustiava. Por quê? Amo meu trabalho. Não quero abrir mão de nada. Quero TUDO. E escolhi ser uma mãe workaholic. Até agora, está dando tudo certo.

“Ninguém me contou que a licença maternidade seria tão angustiante. E que eu sentiria falta do trabalho”

Vou resumir o sentimento: é como se você estivesse num ônibus em alta velocidade e de repente ele freia bruscamente e você é atirada para fora – sendo o ônibus uma metáfora da vida. Olhava para as pessoas na rua e pensava se algum dia andaria livremente de novo. É um mix de sentimentos. Você quer viver a maternidade, mas não se desconectar da vida lá fora. Na época, grandes mudanças aconteciam na empresa, um novo chefe havia chegado. Eu mandei até email para ele me apresentando, explicando porque estava fora. Como se precisasse… pode?

A verdade é que comecei a curtir de verdade no terceiro mês da licença. Tirei quatro e optei por usufruir dos 30 dias de férias mais tarde. Não aguentava mais ficar em casa.

Mas… quando você volta, percebe que está tudo lá, nada mudou de fato. Foi tudo tão intenso para mim que demorei sete anos para ter meu segundo filho, hoje com oito. A experiência é tão diferente! Tem uma previsibilidade, você sabe o que te espera. Fora que eu estava muito mais estabilizada emocional e profissionalmente.

“Tive muito medo de fracassar quando fui chamada para o cargo de diretora geral aqui do Twitter. E tentei me sabotar de novo”

Simplesmente não me sentia preparada. Inclusive, existem pesquisas que mostram que as mulheres precisam se sentir 100% preparadas para assumir cargos, enquanto os homens os aceitam sentindo-se 60% prontos. Hoje, percebo que, uma vez no cargo, você vai compondo, perseguindo os 100%.

Atenção: fazia apenas um ano e meio que estava na empresa. Entrei em 2015, como head de agência, responsável pelo relacionamento com  as agências de publicidade. Meu chefe, Guilherme Ribenboin, um dia me chamou na sala para dizer que estava indo para o Twitter de Nova York. Falei: “Puxa, que demais, parabéns! E quem é a pessoa que assumirá seu cargo aqui?”. Ele respondeu: “Você!”. No ato, aleguei que a pessoa não era eu, que havia ali gente muito mais merecedora, com mais tempo de casa. Cheguei a levantar uma lista de nomes para ele.

Guilherme me lembrou das qualidades que eu tinha. Palavras dele: postura, liderança, musculatura corporativa. Seria, segundo ele, a guardiã da cultura do Twitter no Brasil, uma conectora entre as áreas – características importantes para o esquema matricial em que operamos. Existem 12 áreas aqui que não se reportam a mim, e sim à matriz. Sob minha coordenação, tenho a área de vendas.

Enfim, depois de uma entrevista com o COO global, assumi como diretora geral no início de 2017.

“Fiquei intimidada na entrevista com o COO global do Twitter”

Sem dúvida, a entrevista mais difícil que já tive. Tinha que passar pelo crivo dele para ser de fato efetivada. Anthony Noto, então COO (chief operating officer), é um homem bastante sério. Tenho profundo respeito pela história dele. Ok, admito, ele inspira um pouco de medo. Me preparei muito para o encontro. Estudei balanço, tudo o que você imaginar sobre o Twitter. Mas sabe quando você estuda para uma prova e não sabe o que vai cair? Era assim que me sentia. Não tinha ideia do que ele perguntaria.

Durante o papo, eu estava sentada, e ele em pé, me olhando de cima. Isso não ajudou em nada. Além disso, Anthony é de difícil leitura. Eu não sabia se estava agradando. Foi então que ele me fez uma pergunta curiosa: “Quem ficaria chateado se você assumisse o cargo?”. Eu respondi: “Acho que todo mundo ficaria feliz”. ele gostou. Tenho a sensação de que essa resposta definiu meu futuro. E o resto é história. [Mônica Salgado]

Livro de Michelle Obama é o mais vendido em 2018; foram 2 milhões em 15 dias

Ex-primeira dama do Estados Unidos está com “Becoming” em várias listas de best-sellers
Por Marley Galvão

Michelle Obama, livro Becoming (Foto: Divulgação)

Em apenas 15 dias, a ex-primeira dama Michelle Obama abalou o mercado de livros americano e canadense. O livro Becoming, com suas memórias pessoais, já vendeu mais de 2 milhões de cópias desde o seu lançamento em 13 de novembro de 2018, de acordo com a Penguin Random House. Ou seja, ele é o livro mais vendido neste ano.

A notícia foi divulgada oficialmente pela editora Penguin Random House. A edição de capa dura terá 3,4 milhões de cópias a serem vendidas nos EUA e no Canadá. Após sua sexta impressão, o livro sem mantém em diversas listas de best-sellers nos dois países. 

Michelle também ocupa com sua obra literária o primeiro lugar nas listas de não-ficção do New York Times. No livro, ela conta sobre sua infância e a família, suas experiências profissionais e como ela conheceu e se apaixonou pelo ex-presidente Barack Obama, além do período em que morou na Casa Branca como primeira-dama.