Tatuagem temporária com frase ‘Minha roupa não é um convite’ será distribuída no carnaval

Acessório, que será oferecido gratuitamente, foi criado pela marca digital de moda Amaro e o coletivo feminista Não é Não
Por Gabriela Marçal

A tatuagem temporária traz a mensagem ‘Minha roupa não é um convite’ Foto: Cedida pela assessoria de imprensa da Amaro

Infelizmente, o assédio sexual é um crime comum durante as festas e blocos de carnaval. Portanto, discutir o problema nesse período do ano é fundamental, e sempre é válido ressaltar a premissa: a culpa nunca é da vítima. Ou da roupa que ela está usando. Para que isso fique muito claro a folia, a Amaro em parceria com o coletivo feminista Não é Não lançou nesta sexta-feira, 15, a tatuagem temporária ‘Minha roupa não é um convite’.

Com essa iniciativa, a mensagem contra a agressão vai estar escrita no corpo das mulheres com todas as letras.

Tatuagem foi criada pela marca digital de moda Amaro e o coletivo feminista Não é Não Foto: Cedida pela assessoria de imprensa da Amaro

Dez mil tattoos serão distribuídas gratuitamente em blocos de carnaval, nosguide shops e parceiros da Amaro.

O Coletivo Não é Não foi criado em 2017 para dar visibilidade e combater o assédio contra as mulheres.

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Candidata Michal Zernowitski choca Israel ao trocar partido ultra-ortodoxo pelo trabalhista

Michal Zernowitski cresceu em partido religioso que não permite que mulheres se candidatem
David M. Halbfinger, The New York Times

Michal Zernowitski disse que em Israel há uma “revolução” a caminho entre os ultra-ortodoxos que querem mudanças. Foto: Corinna Kern para The New York Times

TEL AVIV – Em Israel, aproximam-se as primárias, e o antiquado Partido Trabalhista, que vem perdendo apoio e está desesperado para projetar energia e vitalidade, convidou seus 44 candidatos ao Parlamento para uma troca de ideias no campus de uma universidade. Na frente de uma sala de aula, estão sentados vários candidatos de centro-esquerda – um titular há muito no cargo, um conhecido jornalista de esquerda, um líder da minoria druza – e outro, nunca visto neste tipo de reunião, uma mulher ultra-ortodoxa.

Michal Zernowitski cresceu em um partido religioso que não permite que as mulheres se candidatem. Os partidos políticos apoiados pela maioria dos seus vizinhos em Elad, um reduto ultra-ortodoxo, pertencem à coalizão de direita que governa o país e que ela abomina. Michal, 38, escolheu um caminho diferente. É difícil imaginar algo mais árduo.

Michal aguarda a sua vez, sorri, levanta e faz um discurso que impressiona e abre as mentes. A sua fala é uma crítica ao sistema de educação financiado pelo Estado, mas administrado pelos ultra-ortodoxos, o Haredi, no qual, afirma, “a procedência de uma pessoa determina “quem frequentará boas escolas”. Ela conta que se tornou uma pioneira por ser uma mulher ultrarreligiosa que trabalha na indústria tecnológica, mas queixa-se de que os seus filhos estão parados ”no mesmo lugar em que eu estava”.

E critica asperamente os partidos haredi, que segundo ela, estão meio século atrasados na questão dos direitos das mulheres, dos direitos dos gays e em muitas ouras questões, e o governo de direita sobre o qual estes partidos exercem enorme influência, porque acrescenta, ele ignora os problemas que afetam as comunidades haredi por não querer se contrapor aos seus parceiros de coalizão.

E explica aos jovens urbanos que talvez nunca tenham conversado com os seus vizinhos de chapéu preto ou de peruca, que “uma revolução” está a caminho entre os ultra-ortodoxos: os “novos haredim”, como ela os chama – gente mais jovem, mais preparada que viaja para diversos lugares para trabalhar – têm fome de mudança. “Há um fosso enorme entre o que o establishment ultra-ortodoxo faz e o que as pessoas querem”, afirma.

Michal – que obedecendo às restrições usa uma peruca – se considera a personificação dos anseios de uma geração de eleitores ultra-ortodoxos. “Eles tentam integrar-se em Israel e sair dos seus guetos”, disse. Mas para ser eleita ela irá precisar quase de um milagre: o partido escolhido por ela, o trabalhista, está em frangalhos. Algumas pesquisas mostram que ganhará apenas sete cadeiras no Knesset, em comparação com 18 no atual governo. 

Em uma reunião dos candidatos trabalhistas em Jerusalém, Michal, que é casada com um advogado e tem quatro filhos, falou a uma sala lotada. Mais tarde, Izzy Almog, 81, sorriu para ela. “Não fique ofendida, não sei quais serão as suas chances. Mas você é um investimento a longo  prazo”.

Maju Coutinho é a primeira mulher negra a ocupar a bancada do Jornal Nacional

Jornalista sua esteia como apresentadora no telejornal neste sábado (16.02)

Maju Coutinho para a Vogue Brasil, em 2016 (Foto: Bob Wolfenson/Arquivo Vogue)

A jornalista Maria Julia Coutinho, conhecida como Maju Coutinho, passará a integrar o time fixo de apresentadores do Jornal Nacional da Rede Globo a partir do próximo sábado (16.02), de acordo com a colunista Patrícia Kogut do jornal O Globo.

Maju será a primeira mulher negra na história a ocupar a bancada do telejornal desde sua primeira exibição, em 1969. Ela integrará a equipe que se alterna aos finais de semana. Trata-se de um fato histórico para o jornalismo brasileiro e um grande passo na questão de representatividade negra no país. 

A jornalista, que começou sua trajetória na emissora em 2007 como repórter de rua, ficou conhecida por sua forma arrojada de apresentar os boletins meteorológicos do programa. Ela também já havia sido apresentadora do Jornal Hoje e do SPTV e apresenta o Papo de Almoço, da Rádio Globo.

Maju e Naomi usam vestidos Herchcovitch;Alexandre e sandálias, Prada (Foto: Bob Wolfenson)

A jornalista já esteve nas páginas da Vogue Brasil, em 2016, para um editorial com personalidades brasileiras negras ao lado da top britânica Naomi Campbell.

No Japão, mães enfrentam jornadas intermináveis de trabalho

Mais mulheres estão ingressando no mercado de trabalho do Japão, mas os estritos papéis de gênero asfixiam suas ambições
Motoko Rich, The New York Times

Yoshiko Nishimasa trabalha  meio período e realiza a maior parte das tarefas domésticas. Seu marido raramente está em casa antes das 22h. Foto: Andrea DiCenzo para The New York Times

O trabalho nunca acaba para Yoshiko Nishimasa. Ela precisa completar diariamente os relatórios das crianças, sem falar nas inúmeras tarefas escolares que cuidadosamente deve conferir e aprovar. Ela mantém, inclusive, registros diários de suas conversas, atividades e refeições. Mas nenhuma dessas obrigações tem a ver com sua função. Tudo isso é exigido pela pré-escola dos filhos – antes de ela ir para o escritório.

Como tantas mães que trabalham no Japão, Yoshiko, 38, precisa desempenhar tarefas burocráticas que oneram esta força de trabalho em uma época na qual o país afirma precisar desesperadamente de mais mulheres como ela.

O objetivo explícito do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, é injetar mais energia na fraca economia do país, valorizando a contribuição da mão de obra feminina, iniciativa chamada “womenomics” (economia das mulheres).

No Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro, Abe elogiou o fato de 67% das mulheres japonesas estarem trabalhando, a cifra mais elevada de todos os tempos e “superior à dos Estados Unidos”. Entretanto, a maioria delas permanece em funções limitadas, e um dos maiores obstáculos para suas ambições – e da nação como um todo – é o ônus desproporcional que recai sobre seus ombros em casa.

É o legado das tradições do país e dos rígidos papéis de gênero. Embora as mulheres japonesas tenham ingressado na força de trabalho em patamares históricos, a avalanche de responsabilidades domésticas que lhes foram reservadas não diminuiu – e os homens não costumam ajudá-las. Na realidade, no Japão os homens dedicam menos horas às tarefas da casa e ao cuidado dos filhos em comparação com as nações mais ricas do mundo.

Segundo uma análise de Noriko O. Tsuya, da Keio University de Tóquio, as mulheres que trabalham mais de 49 horas por semana costumam dedicar aos afazeres domésticos mais de 25 horas semanais – enquanto seus maridos contribuem em média com menos de cinco.

Vejamos a rotina diária de Yoshiko. A pré-escola dos filhos mais novos exige que a família mantenha registros diários de suas temperaturas e de sua alimentação duas vezes ao dia, além da descrição do seu humor, das horas de sono e do tempo que passam brincando. A escola elementar do filho de oito anos e o programa depois da aula exigem que um dos pais assine pessoalmente cada tarefa de casa da criança.

O expediente doméstico só está começando para ela. Um jantar típico japonês muitas vezes exige a preparação de diversos pratos pequenos. Os lanches para levar à escola podem ser verdadeiras obras de arte. E é preciso levar em conta que as lavadoras de pratos ainda não são tão comuns, e a roupas molhadas, em geral, são postas para secar em varais. Ela faz a maior parte deste trabalho.

Seu marido, um consultor administrativo, muitas vezes fica no escritório até tarde ou sai para beber com os clientes – todas essas também são expectativas profundamente arraigadas no Japão, particularmente para os homens.

Mas a economia do Japão precisa de mulheres com formação superior preparadas para usar todo o seu potencial no trabalho. Depois da Segunda Guerra Mundial, depois de se casar ou ter filhos, as mulheres japonesas deixavam de trabalhar para cuidar da casa enquanto os maridos dedicavam longas horas ao emprego a fim de impulsionar a expansão industrial japonesa.

No final dos anos 1970, as mulheres casadas começaram lentamente a ingressar na força de trabalho. Então, quando as bolhas de ações e imobiliária do Japão estouraram no início dos anos 1990, um grande porcentual delas voltou a trabalhar para impedir que as finanças da família afundassem. Depois disso, o Japão lutou para se erguer de um prolongado período de estagnação. Em 2011, foi superado pela China como segunda maior economia do mundo.

Agora, com o declínio e o envelhecimento da população, os empregadores japoneses lutam contra uma aguda escassez de mão de obra. O país ainda se opõe a intensificar a imigração, por isso Abe ressaltou a importância de as mulheres trabalhadoras ajudarem a sustentar a economia no longo prazo. Mas cerca da metade da mão de obra feminina só tem empregos de meio período, e mais da metade em contratos temporários.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, menos de 1% das mulheres empregadas no Japão ocupam cargos na administração, em comparação com uma média de 4,6% nas nações mais desenvolvidas.

Como muitas companhias japonesas, a empregadora de Yoshiko aceita que ela tenha suas responsabilidades domésticas. Até o filho mais novo entrar no terceiro ano, ela só pode dedicar ao trabalho sete horas diárias, embora com um salário 30% mais baixo. A empresa nunca pede a ela que faça as horas extras que conseguia fazer antes do nascimento dos filhos. Mas por causa disso, há oito anos Yoshiko não tem uma promoção e recebeu poucos aumentos salariais.

“Quando perguntei o motivo, meu chefe disse que a minha produção era menor porque trabalho menos horas”, disse.

Um verdadeiro malabarismo

Depois que Yoshiko se formou em uma importante universidade em Tóquio, trabalhou para uma editora de livros escolares. Casou-se quatro anos mais tarde. E ficou chocada quando, automaticamente, a companhia mudou sua situação no emprego para meio período.

“O meu chefe explicou: ‘Você não é mais adequada para esse tipo de trabalho porque provavelmente terá de sair e ter filhos, certo?'”, lembrou.

Yoshiko Nishimasa pega a condução todos os dias para o trabalho. Depois de um expediente de sete horas, busca as crianças mais novas na escola. Foto: Andrea DiCenzo/The New York Times

Procurou outro emprego, mas ouviu dos possíveis empregadores que ela provavelmente não poderia trabalhar até tarde. “Seu marido compreende quanto você estará ocupada?”, questionavam.

A editora na qual encontrou trabalho não perguntou sua situação conjugal. Mas as horas eram pesadas, e quando ela engravidou, aos 29 anos, não reduziu seu ritmo de trabalho; muitas vezes Yoshiko continuava no escritório até a meia-noite. Sofreu um aborto no início da gravidez.

Engravidou novamente, mas continuou mantendo uma extenuante rotina de trabalho. Às vezes, ela saía às 22h. “Como eu era a primeira a sair, precisava pedir perdão às minhas colegas”, lembra.

Depois do parto, Yoshiko nunca pensou em deixar o emprego. Mas seu marido precisa atingir rigorosas metas para conseguir aumentos e promoções, e ela teve de reduzir as horas de expediente. 

“Teoricamente, seria ideal que eu precisasse trabalhar menos horas e Yoshiko mais”, contou o marido, Kazuhiro Nishimasa. “Mas, realmente, não é viável”.

Igualdade: um sonho distante

Pouco mais da metade das mães japonesas volta ao trabalho depois do nascimento do primeiro filho. Mas, frequentemente, elas só conseguem ocupações de meio período, enquanto os maridos continuam trabalhando um número brutal de horas, contribuindo para um fenômeno chamado “karoshi”, ou “morte por excesso de trabalho”.

Segundo especialistas, a cultura do excesso de trabalho no Japão é desnecessária, leva à ineficiência e à baixa produtividade. Se todos trabalhassem menos horas, as mulheres poderiam recuperar o atraso em relação aos homens, e a sociedade japonesa como um todo se beneficiaria, afirmam. Mas as arraigadas expectativas culturais são outro obstáculo.

No ano passado, a construtora de imóveis residenciais Daiwa House realizou uma pesquisa com 300 casais que trabalham e constatou que as mulheres realizavam cerca de 90% das obrigações domésticas, muitas delas sem que os maridos se dessem conta. Os resultados tornaram-se virais na hashtag “namonaki kaji”, algo como “obrigações domésticas invisíveis”.

“A consciência dos homens ainda é muito baixa”, disse Kazuko Yoshida, 38, designer gráfica e mãe de duas crianças. “Meu marido não tem o conceito de igualdade de gênero”.

O marido, Takashisa Yoshida, diz que quer estar mais envolvido com a educação dos filhos. Mas não se sente seguro para lidar com duas crianças.

Mães multitarefas

Em uma tarde de sexta-feira, Yoshiko saiu correndo do escritório para apanhar a filha Mei, de 5 anos, e o filho mais novo, Haruki, 2, e foi direto para a salinha de repouso da pré-escola dos meninos, onde ficam os colchões. Arrancou lençóis e cobertores e colocou um jogo novo que lavara em casa. Depois pegou os sapatos que Mei usa em casa, antes que uma professora lhe desse algum papel para a tarefa no fim de semana: confeccionar uma bandeira.

Na saída, Yoshiko carregou os dois na bicicleta e pedalou até em casa. Chegaram pouco depois das 18h. Dez minutos mais tarde, chegou também o filho mais velho, Kazuaki, de 8 anos, que participa do programa depois das aulas.

No Japão, homens dedicam menos horas ao trabalho doméstico e ao cuidado com os filhos em comparação a outras nações desenvolvidas Foto: Andrea DiCenzo/The New York Times

Yoshiko começou, então, a preparar a variedade de pratos para o jantar. Engoliu um pouco de comida enquanto carregava a lavadora e preparava o banho. Verificou a lição de casa de Kazuaki, enxaguou os pratos e guardou as sobras. As crianças tomaram banho uma depois da outra.

Pouco antes das 22h, o telefone tocou. Não era o marido, que estava bebendo fora com uns clientes. Era outra mãe, perguntando quando poderiam se encontrar na manhã seguinte, enquanto os maridos ainda estariam dormindo. Yoshiko voltou ao trabalho, a revisão dos diários para a pré-escola. Em um último esforço, passou o aspirador na sala. Finalmente, todos se enfiaram no quarto do casal, porque as crianças ainda estavam com vontade de brincar.

“Estou cansado”, disse Haruki a certa altura.

“Também estou cansada!”, observou Yoshiko. “Vamos para a cama”.

A casa finalmente se aquietou perto 23h. O marido ainda não tinha chegado em casa.

“Quem trabalha muitas horas consegue uma promoção”, explicou. “Os chefes têm empregadas em tempo integral”. / Hisako Ueno contribuiu para a reportagem.

Chega de calças e blusas largas. O uniforme de chefs agora é outro

As roupas de cozinha foram concebidas para homens, mas, até que enfim, o mundo culinário se distancia de uma mentalidade de clube do Bolinha
Por Khushbu Shah, do The New York Times

Mulheres chefs: Movimento #MeToo muda a mentalidade nas cozinhas  (Hero Images/Getty Images)

Os uniformes da chef doceira Natasha Pickowicz costumavam ser um problema diário. Ela percebeu que eles sempre eram muito grandes. Blusas enormes e calças largas eram a norma em muitos restaurantes. “O tamanho unissex é uma piada. Todas essas roupas são feitas para homens”, disse ela.

A vestimenta não só dava um ar desleixado, mas também atrapalhava na cozinha. “A blusa cai em cima do que você está fazendo, a calça arrasta no chão e te faz tropeçar”, contou Pickowicz.

Desde que se tornou o padrão na França do século XIX, o traje tradicional dos chefs é o conjunto formal e cheio de firulas conhecido como branco do chef: blusa justa com manga comprida e uma fileira dupla de botões na frente. Embora tecnicamente qualquer um pudesse ser chef, as roupas foram originalmente concebidas para os homens.

Mas, nos últimos anos, muitos proprietários de restaurantes e chefs adotaram uma nova estética em cozinhas profissionais que é menos hierárquica, mais confortável e inclusiva, para todas as formas, tamanhos e gêneros.

Conforme o mundo culinário vai se distanciando de uma mentalidade de clube do Bolinha – mais recentemente por causa do movimento #MeToo –, o mesmo acontece com empresas de uniformes de cozinha, como a Hedley & Bennett, a Tilit e a Polka Pants, que produzem roupas que são confortáveis e elegantes.

As três foram fundadas por ex-cozinheiros há quase seis anos para acabar com suas frustrações em relação aos uniformes tradicionais. A Hedley & Bennett, em Los Angeles, e a Tilit, em Nova York, estocam todos os seus estilos em tamanhos e cortes diferentes para homens e mulheres, para se ajustarem a uma grande variedade de corpos.

“Oferecer desde um PP feminino até um 4XG masculino era algo óbvio para nós”, disse Alex McCrery, que fundou a Tilit com sua esposa, Jenny Goodman. Ellen Bennett, fundadora da Hedley & Bennett, disse que criou produtos, como sua linha de avental “Big”, para se ajustarem a muitos tamanhos.

No Cafe Altro Paradiso e no Flora Bar, em Manhattan, a solução de Pickowicz foi uma camisa de manga curta branca e folgada com uma única fileira de botões ou colchetes no meio. Conhecida como camisa de lavar louças, já foi associada às pessoas que faziam o serviço sujo em restaurantes: limpeza e lavagem.

Danny Bowien, o influente chef da Mission Chinese Food, em Manhattan e no Brooklyn, começou a usar camisas de lavar louças na cozinha há uma década. No Kismet, em Los Angeles, a maioria dos membros da equipe prefere o frescor e a mobilidade dessas camisas, que também têm um bom custo benefício para Sara Kramer, a chef e uma das proprietárias.

Kramer também faz rodízio de camisetas brancas e pretas e jeans. “Chego até mesmo a usar macacão ou outra peça nada característica dos chefs”, disse ela.

A chef Dominique Crenn muitas vezes rejeita completamente a formalidade, e trabalha com roupas normais e um avental em seus restaurantes Atelier Crenn e Bar Crenn, em San Francisco.

As origens exatas do uniforme clássico de chef são obscuras. Amy Trubek, professora da Universidade de Vermont e autora de “Haute Cuisine: How the French Invented the Culinary Profession”, disse que as roupas eram brancas, como os uniformes de muitas outras profissões em 1800, porque representavam “a ideia de pureza, saneamento e limpeza do século 19”. Mesmo que as roupas – agora tipicamente feitas de poliéster duro e quente – não fossem o máximo do conforto ou praticidade, foram o padrão por quase dois séculos.

A ex-cozinheira Maxine Thompson abriu a Polka Pants, uma linha de calças de chef resistentes, mas elegantes, para as mulheres do setor, tentando combater a roupa de trabalho feia e com caimento ruim. “Os uniformes unissex eram todos horrivelmente largões; você precisava arregaçar a calça até o joelho ou amarrar a cintura abaixo dos seios. Eu sempre dizia: ‘Por que preciso ter uma aparência tão ruim?’”

Depois de se formar em moda, Thompson começou a costurar suas próprias calças, que tinham cintura alta e caíam bem. Ela agora vende esse modelo em dois comprimentos, que servem em mulheres de todas as alturas.

Thompson se inspirou no futuro para criar suas calças, mas o chef Angelo Sosa, que dirige uma marca de aventais chamada AOSbySosa, buscou no passado a inspiração para criar seu primeiro avental para mulheres. Chamado de Her-loom, o avental é uma homenagem à década de 1930, com um caimento retrô e maior cobertura na área dos seios. Sosa disse que o avental tem “alças mais largas, para aumentar o apoio, e o tecido tem uma elasticidade natural que se adapta bem ao corpo”.

Mas por que o movimento de deixar de lado os trajes formais e desconfortáveis não ocorreu, digamos, duas décadas atrás? Thompson atribui o fato ao aumento recente da cozinha aberta. Os chefs não ficam mais escondidos da sala principal. Em muitos restaurantes, a equipe é quase tão visível quanto o pessoal de frente da casa, com alguns cozinheiros chegando até mesmo a levar os pratos para as mesas.

Goodman disse que o papel do chef se tornou mais proeminente graças à ascensão dos chefs celebridades, do Instagram e de programas de culinária na TV. Bennett conta que viu uma “mudança de mentalidade” quando as pessoas perceberam a importância do pessoal da cozinha, e que esse orgulho se traduziu em melhores uniformes.

Trubek colocou de outra maneira: “É o fim da hegemonia francesa.” Enquanto mais cozinhas abandonam a dinâmica de seus antepassados franceses formais, é natural que o mesmo aconteça com o uniforme.

Para Pickowicz, as roupas mais casuais denotam o fim do ambiente masculino que há muito domina o setor. “Acho que sempre haverá pessoas que vão manter essa tradição, mas, para mim, é realmente animador ver alguns começando a abrir mão disso.”

Angelina Jolie faz visita de três dias a campos de refugiados rohingyas em Bangladesh

Assentamento é o maior do mundo e abriga 1 milhão de muçulmanos

Angelina Jolie vista campos de refugiados – AFP

A atriz Angelina Jolie visitou nesta segunda-feira (4) o maior assentamento de refugiados do mundo, que abriga cerca de 1 milhão de muçulmanos rohingya, em uma tentativa de colocar a luta deles de volta nas manchetes antes da Organização das Nações Unidas (ONU) fazer um apelo por US$ 920 milhões de financiamento.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram de Mianmar, país majoritariamente budista, 18 meses atrás, após uma onda de repressão militar descrita como um tipo de “limpeza étnica” por investigadores da ONU, e estão morando em campos de refugiados em Bangladesh sem sinal de que irão se mudar.

Um porta-voz do alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse que Angelina Jolie, uma enviada especial da agência, passará três dias visitando os campos para “avaliar” as necessidades dos rohingyas e os desafios que Bangladesh enfrenta para recebê-los.1 88

Angelina, 43, também irá se encontrar com a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que tem sido elogiada internacionalmente por se comprometer a não repatriar nenhum rohingya involuntariamente, e com o ministro de Relações Exteriores do país, AK Abdul Momen.

O porta-voz do Acnur disse que as falas de Angelina irão se centrar “na necessidade de soluções seguras e sustentáveis para a luta de uma das minorias mais perseguidas, os rohingyas”.

Segundo o porta-voz, a visita acontece antes do lançamento de um novo apelo que busca arrecadar US$ 920 milhões para continuar a atender às necessidades básicas dos rohingyas. No ano passado, as agências da ONU solicitaram US$ 950,8 milhões para a situação dos rohingyas. REUTERS

Ativista Sabrina Bittencourt que reuniu mulheres para denunciar João de Deus comete suicídio, diz ONG

Sabrina Bittencourt era mãe de três filhos e deixou carta com as razões para tirar sua vida, segundo informou ONG da qual ela fazia parte

Sabrina Bittencourt Foto: Reprodução/Facebook

BARCELONA – A ONG Vítimas Unidas informou que a ativista Sabrina Bittencourt, que ajudou a reunir mulheres para denunciar os abusos sexuais cometidos pelo médium João de Deus, cometeu suicídio neste sábado. Sabrina ajudou a reunir mulheres para denunciar os abusos sexuais cometidos contra elas pelo médium João de Deus. Ela tinha 38 anos e três filhos.

“O grupo Vítimas Unidas comunica com pesar o falecimento de Sabrina de Campos Bittencourt ocorrido por volta das 21h deste sábado, 02 de fevereiro, na cidade de Barcelona, na Espanha, onde vivia atualmente. A ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar sua própria vida”, diz o texto, assinado por Maria do Carmo Santos, presidente do grupo Vítimas Unidas, e por Vana Lopes, fundadora.

O GLOBO entrou em contato com Vana que, por mensagem, afirmou que estava muito abalada e havia sido medicada depois que recebeu a informação da morte através do ex-marido de Sabrina Bittencourt, Rafael Velasco