Acusação de estupro contra Polanski atinge estreia de seu filme J’accuse na França

Grupo de feministas protestaram nesta quarta-feira, 13, contra o lançamento do longa; no Twitter, internautas convocaram um boicote ao diretor
Christophe Archambault/ AFP, Agências

Roman Polanski
Feministas protestam contra Polanski durante a estreia do filme ‘J’accuse’ em Paris, na França Foto: Christophe Archambault/ AFP

A estreia do último filme de Roman Polanski na França, nesta quarta-feira, 13, foi marcada por protestos, devido a uma nova acusação de estupro contra o diretor, que abalou o apoio de que desfruta na indústria francesa do cinema.

A promoção de J’accuse, vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza, foi alterada e seus protagonistas Jean Dujardin e Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski, tiveram de cancelar as costumeiras entrevistas de promoção.

Várias feministas bloquearam na última terça-feira, 12, a pré-estreia do filme em um cinema parisiense, aos gritos de ‘estuprador Polanski’, enquanto no Twitter circulava um apelo ao boicote da obra.

O cineasta franco-polonês de 86 anos foi acusado na sexta-feira passada, 8, por uma francesa, Valentine Monnier, de tê-la estuprado depois de espancá-la em 1975, na Suíça, quando ela estava com 18 anos, segundo testemunho publicado no jornal Le Parisien. Por meio de seu advogado, Polanski negou essas acusações e disse que estuda uma ‘ação legal’.

O diretor é considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde, em 1977, foi acusado de estuprar uma menor de 13 anos. Outras mulheres alegaram terem sido abusadas sexualmente por ele nos últimos anos.

Perseguição

Denunciando o “séquito incondicional de intelectuais e artistas” que continuam a apoiar o diretor, Valentine disse que decidiu tornar público seu testemunho para contrariar comparações entre o cineasta e seu último filme.

J’accuse conta o erro judicial histórico de que o militar judeu Alfred Dreyfus foi vítima no final do século XIX, na França, por razões antissemitas. “Estou familiarizado com muitas das performances do aparato de perseguição exibido no filme”, disse o diretor, que afirma ter sido injustamente criticado durante anos pela opinião pública.

Um protesto popular o forçou em 2017 a recusar o convite para presidir o Prêmio César, o Oscar do cinema francês. Já a senadora socialista e ex-ministra Laurence Rossignol disse nesta quarta-feira que não irá assistir ao filme. “É um filme que não vou ver, porque não se pode premiar Polanski com isso. Não se pode virar a página”, afirmou, ao convocar o boicote.

Eu abuso

No Twitter, alguns internautas compartilharam a hashtag #BoicotePolanski, enquanto circulavam outras modificando o título do filme, como Eu abuso. Outros apoiaram o diretor, de família judia. “É muito sério agredi-lo neste momento, quando há um aumento do antissemitismo na Europa“, disse a diretora Nadine Trintignant.

Na pré-estreia oficial de terça-feira na Champs-Élysées, em Paris, à qual Polanski compareceu, muitos dos convidados disseram ‘diferenciar o homem do cineasta’. “Venho ver o trabalho do diretor. Não sei se do que é acusado é verdadeiro, ou não”, disse à AFP uma das espectadoras, Seny Carette.

Mas o escândalo levou a Sociedade Civil de Autores, Produtores e Produtores (ARP), da qual Polanski faz parte, a anunciar que estudará medidas contra membros que foram julgados por agressão sexual. “A seriedade do momento força nosso conselho de administração a se expressar”, declarou o ARP.

A decisão da ARP também veio depois da primeira vez em que uma conhecida atriz francesa, Adèle Haenel, denunciou na semana passada ter sido vítima de um ataque sexual na indústria. Ela acusou o diretor Christophe Ruggia de “assédio permanente”, quando ela era adolescente.

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Perfil: Quem é Jane Fonda, atriz que adotou as sextas-feiras como ‘dia para ser presa’

Dona de uma carreira impecável, ela conquistou dois prêmios Oscars enquanto protestava contra a Guerra do Vietnã; veja mais na biografia feita pelo ‘Estado’
Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

Atriz faz graça aos fotográfos após ser presa pela polícia na sexta-feira de 18 de outubro. Jane tem longo histórico de ativismo. Foto: Sarah Silbiger/ Reuters

Como hoje é sexta-feira, pode-se imaginar o que, desde cedo, está se passando na capital dos Estados Unidos. Uma senhora prepara-se para ser presa em algum momento do dia, alguém da guarnição prepara-se para prendê-la. A dama é uma famosa estrela de cinema e TV, Jane Fonda, que resolveu seguir o exemplo de uma garota sueca – Greta Thunberg – e instituiu as sextas-feiras como dia para tentar salvar o planeta.

Vestida com um casaco vermelho cintilante, ela tem protestado em frente ao Capitólio. Tem ido com amigos – Catherine KeenerRosanna ArquetteTed Danson -, ocupando as escadarias com chamamentos sobre a urgência da crise ambiental, que o presidente Donald Trump e seus epígonos ao redor do mundo insistem em minimizar.

Confiscam-lhe o celular, ela vai presa, batem a identidade. Terminam por libertá-la. Na semana que vem tem mais. Já foram quatro sextas-feiras, essa será a quinta e Jane, de 81 anos – nasceu em 1937 -, pretende continuar sendo presa até meados de janeiro, quando recomeça a produção da que está sendo anunciada como última temporada de Grace & Frankie, sua série (com Lily Tomlin) da Netflix. Para ela, a militância ecológica talvez seja uma novidade, mas não propriamente a militância. Nos anos 1960/70, Jane participou de manifestações nos campi das universidades norte-americanas. Com o então companheiro, Tom Hayden, foi ativista contra a Guerra do Vietnã. Chegou a ir a Hanói, via Paris, onde viveu com outro marido – o cineasta Roger Vadim -, para se solidarizar com os norte-vietnamitas, que sofriam ataques de napalm. Era chamada, pelo establishment militar, de Hanói Jane.

Jane Fonda
Da esquerda para a direita: Jane Fonda e Lily Tomlin durante a estreia de ‘Grace and Frankie’, série produzida pela Netflix Foto: Mario Anzuoni/ Reuters

Filha de Henry Fonda, um astro que pertencia à aristocracia de Hollywood, a mãe era uma socialite de Nova York. Não admira que tenha sido batizada como Lady Jayne. A mãe suicidou-se, e ela e o irmão, Peter Fonda – que morreu este ano -, foram enviados para internatos. O pai seguiu a rotina de casamentos e divórcios – só muitos anos mais tarde, quando Henry já estava no fim, Jane acertou os ponteiros com ele. Decidida a ser atriz, iniciou a carreira em casa – Hollywood -, mas foi para a França e se ligou a Vadim. Ele, que já iniciara o mito de Brigitte Bardot em E Deus Criou a Mulher, fez dela um mito sexual em Barbarella. Alternando Europa e EUA, Jane ganhou o primeiro Oscar – em 1972, por Klute, o Passado Condena, de Alan J. Pakula – e filmou com Jean-Luc Godard (e Yves Montand), Tout Va Bien, que foi seguido por Letter to Jane. Foi às ruas com os estudantes, apanhou da polícia protestando contra a guerra, foi chamada de antipatriótica por veteranos.

Jane Fonda
Jane Fonda virou um símbolo sexual ao interpretar uma viajante do espaço em ‘Barbarella’, filme de Roger Vadim lançado em 1968 Foto: IMDB/ Divulgação

Tudo isso faz parte de sua biografia. Ganhou outro Oscar de melhor atriz – em 1979, por Amargo Regresso, de Hal Ashby, justamente sobre a dificuldade de adaptação de veteranos da guerra. Casou-se com Ted Turner, virou garota propaganda dos benefícios das academias na busca da eterna juventude. Essa fase passou, mas agora uma outra Jane – outra? A mesma! – está de volta às ruas, e aos protestos. A causa ambiental, o aquecimento global. A série vai bem, obrigado. Grace & Frankie aborda com humor temas importantes de gênero. Como hoje é sexta, vale repetir, é dia de Jane Fonda ser presa. O tempo passa e ela não desiste do engajamento. Jane, em Hollywood, foi sempre assim. Não uma diva, uma esfinge inatingível. Uma mulher do seu tempo.

Atriz francesa Adèle Haenel acusa diretor Christophe Ruggia de assédio sexual e sacode cinema francês

‘Os monstros não existem. É nossa sociedade, nós, nossos amigos, nossos pais. É nisto que devemos prestar atenção’, afirmou a atriz
AFP

A atriz francesa Adèle Haenel (DOMINIQUE CHARRIAU VIA GETTY IMAGES)

As acusações de assédio sexual da atriz francesa Adèle Haenel contra o diretor Christophe Ruggia provocaram uma onda de comoção que pode contribuir para quebrar o silêncio sobre esta questão no cinema francês, dois anos depois do surgimento do movimento #MeToo.

A atriz, de 30 anos, que está abrindo caminho na cena internacional com o recente filme Retrato de uma jovem em chamas, acusou Ruggia de tê-la assediado quando ela era adolescente.

Suas declarações, apoiadas com uma investigação do jornal Mediapart, suscitaram o apoio de colegas, como a vencedora do Oscar Marion Cotillard, ao mesmo tempo em que a Promotoria de Paris abriu uma investigação preliminar.

Haenel denunciou na segunda-feira o “controle” que Ruggia exerceu sobre ela durante a filmagem de Les Diables, assim como o “assédio sexual permanente”, os “toques” repetidos e os “beijos forçados no pescoço” que ocorreram na casa do diretor e em vários festivais de cinema quando ela tinha entre 12 e 15 anos.

Ruggia, de 54 anos, voltou a refutar as acusações nesta quarta, mas admitiu ter “cometido o erro de brincar de ser um pigmaleão com os mal-entendidos e os obstáculos que esta postura suscita”.

“Não percebi que minha adulação (…) podia lhe parecer, devido a sua juventude, penosa em alguns momentos”, disse, pedindo-lhe “perdão”, em uma reação ao Mediapart.

A Sociedade de Diretores de Filmes da França, uma associação profissional que reúne 300 membros, reagiu no dia seguinte, expulsando Ruggia e oferecendo seu “apoio total” a Haenel.

Consequências

Embora outras atrizes francesas tenham acusado anteriormente um diretor, ou produtor, de assédio sexual, é a primeira vez que se trata de uma figura reconhecida, ganhadora de dois prêmios César, e que a acusação é feita abertamente, com o apoio de várias testemunhas.

“Estamos diante de um momento de mudança. É a primeira vez na França que uma atriz conhecida internacionalmente, que trabalha muito e está muito cotada, toma a palavra sobre este assunto”, afirma a jornalista Véronique Le Bris, fundadora do site cine-woman.fr, para quem as acusações de Haenel terão “consequências obrigatoriamente”.

Para a professora universitária Iris Brey, especialista na representação do gênero no cinema, “até agora, na França, não se tinha querido manter estas conversas pós #MeToo“.

Haenel explicou em uma emissão transmitida ao vivo no site Mediapart que havia decidido dar um passo à frente, porque o “mundo mudou”.

“Devo o fato de poder falar agora a todas aquelas que falaram no âmbito do #MeToo”, disse.

“Os monstros não existem”

“Para mim, é uma responsabilidade, porque posso me permitir, porque trabalho o suficiente”, desabafou a atriz. “Os monstros não existem. É nossa sociedade, nós, nossos amigos, nossos pais. É nisto que devemos prestar atenção”, advertiu.

Haenel decidiu não denunciar Ruggia à Justiça, lamentando que haja “tão poucas” condenações nesse tipo de casos. A Promotoria de Paris anunciou, porém, ter aberto uma investigação preliminar por “agressões sexuais” a uma menor por parte de uma “pessoa com autoridade”, assim como por “assédio sexual”.

Em sua intervenção, Haenel estimou ainda que há uma “violência sistêmica contra as mulheres no âmbito judicial”, algo que fez a ministra desta pasta reagir.

“Acredito que, pelo contrário, sobretudo com o que ela disse, deveria comparecer perante a Justiça, que pode se encarregar desse tipo de situação”, disse a ministra Nicole Belloubet.

O diretor francês Christophe Ruggia Foto: Francois Guillott / AFP

O testemunho de Haenel gerou uma avalanche de reações nas redes sociais.

“Adèle, sua coragem é um presente de uma generosidade sem igual”, escreveu Cotillard. “Você rompeu um silêncio tão pesado…”, acrescentou.

“Uma grande admiração por Adèle Haenel, que fala por todas aquelas que estão na sombra”, disse no Instagram a atriz Julie Gayet, companheira do ex-presidente François Hollande.

Ruggia afirmou que sua “exclusão social está em andamento”, lamentando que hoje em dia se acuse à margem da justiça, “no pelourinho midiático”.

Unifrance, organismo encarregado da promoção do cinema francês no exterior, também ofereceu seu apoio, “condenando sem reservas qualquer ato violento, ou comportamento inapropriado”. O órgão anunciou a elaboração, em breve, de um código de conduta dirigido aos profissionais que participam de seus eventos.

Namoro de Keanu Reeves, 55, com a artista plástica Alexandra Grant de 46 causa espanto. Como assim?

Nina Lemos

Alexandra Grant e Keanu Reeves (Foto: Getty Images)

O ator e ídolo máximo da internet Keanu Reeves, de 55 anos, está namorando. Legal. Isso já seria notícia, já que ele é considerado o “crush mundial”, o cara que todo mundo queria ser (ou ter) e há 20 anos não assumia um namoro em público.

Mas o burburinho aumentou quando se soube quem era a namorada dele: uma mulher linda, artista plástica, que ele conhece há 10 anos. Mas… uma mulher de mais de 46 anos! Rufem os tambores! 

Claro, era para isso ser o normal. Afinal, a moça, a artista plástica Alexandra Grant, é nove anos mais nova que ele. E se fosse mais velha, o que teria de mais?

Mas acontece que a gente vive em uma sociedade machista em que o preconceito contra a idade grita e atinge mais as mulheres. Alguma dúvida? Provas não faltam: um ator namorando uma mulher mais nova, por exemplo, nem é notícia. Mas quando uma famosa namora um cara mais novo… tudo muda de figura!

Alexandra Grant e Keanu Reeves (Foto: Getty Images)

E, no caso de Keanu, bem, quando a gente vê um galã aparecendo com uma mulher que não é décadas mais nova? Quando a namorada tem mais de 40 (e não esconde isso, nem parece ter metade da idade?) Humm. Raríssimo!

No Twitter, enquanto o namoro de Keanu  era um dos assuntos do momento, li: “Keanu Reeves é o primeiro homem famoso da historia a a namorar uma mulher de sua faixa etária.”

Bem, claro que isso é exagero. Mas também não é completamente fora da realidade. É só dar uma olhadinha na vida amorosa dos colegas de Keanu da mesma faixa etária.

-George Clooney 58 anos, é casado com Amal Clooney, de 41 anos.

-Leonardo Di Caprio, de 44 anos, está namorando Camila Morrone, de 22.

-Johnny Depp, de 56, estaria namorando uma bailarina 30 anos mais nova.

-Hugh Grant, de 59, é casado com Ana Eberstein, de 39.

Não, não estou dizendo que essas pessoas não se amam e que não acontece de um casal com grande diferença de idade se dar mega bem. Só estou, de novo, repetindo o óbvio: a sociedade prega esse modelo. Se não fosse isso, ninguém estaria achando o que Keanu é incrível por não seguir o comum no caso dos galãs, que é, claro namorar uma menina linda e décadas mais nova. Ele quebra, sim, um tabu ao namorar uma mulher que é só um pouco mais nova.

A artista plástica Alexandra ainda comete o pecado de não pintar os cabelos e ostentar fios grisalhos. Pronto. Enquanto muitos acham o casal fofo e comemoram,  outros, inconformados, dizem que ela, na verdade, parece ser a avó dele.

Que Keanu sirva de inspiração para os seus fãs no mundo afora. E que eles se sintam livres para se apaixonar (e assumir) relacionamentos com as mulheres que bem quiserem. Afinal, mulher não é, ou não era para ser, um troféu que se exibe.

Mirem-se no exemplo de Keanu!

Mulheres sauditas aumentam participação no mercado de trabalho

Flexibilização de leis religiosas faz parte de plano para reduzir a dependência do petróleo
Raquel Landim

Mulheres vestindo abayas participam da Iniciativa de Investimento Futuro, em Riad – Fayez Nureldine – 31.out.2019/AFP

RIAD – “Eu esperei a minha vida inteira por isso.” A afirmação é de Hala Kudwah, sócia que lidera a área de serviços financeiros da consultoria PwC na Arábia Saudita, referindo-se ao turbilhão de transformações que estão ocorrendo em seu país, principalmente em relação às mulheres.

Nos últimos três anos, as mulheres sauditas conquistaram direitos básicos em outros lugares do mundo, como tirar passaporte, trabalhar no varejo, abrir um negócio, ser responsável legal de seus filhos ou mesmo dirigir —o que é fundamental num país de cidades cortadas por vias rápidas.

Kudwah é uma pioneira e ainda uma exceção. Com apoio do pai, estudou ciência da computação e matemática no Reino Unido. De volta a Riad, capital da Arábia Saudita, atuou por 29 anos no Samba Financial Group, um importante banco local.

Chegou ao posto de diretora geral e liderava uma equipe de dezenas de homens, mas era obrigada a ser extremamente discreta. Questionada sobre o que mudou na Arábia Saudita para as mulheres nos últimos anos, ela dá uma resposta forte: “nós nos tornamos visíveis”.

Com as mudanças recentes, principalmente o direito de dirigir, elas começaram a entrar mais fortemente no mercado de trabalho e podem ser vistas com suas abayas (longas túnicas negras) e seus hijabs (véus) em lojas, hospitais e setores administrativos das empresas.

A revolução que vem ocorrendo na Arábia Saudita começou em abril de 2016, quando o polêmico príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, que comanda o país na prática por causa da idade avançada do rei, lançou um programa de desenvolvimento chamado Visão 2030.

Antes do início da nova política, que é uma mistura de mudanças na economia e nos costumes, apenas 8% das mulheres sauditas trabalhavam fora. Hoje esse percentual está em 22%, e o objetivo declarado do governo é chegar em 30%.

A principal meta do Visão 2030 é reduzir a dependência da Arábia Saudita do petróleo, que responde por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 70% das exportações. Para isso, o governo quer incentivar a industrialização e promover o turismo.

No mês passado, o reino permitiu pela primeira vez a entrada de turistas. Antes disso só recebiam autorização para visitar a Arábia Saudita peregrinos religiosos a caminho das cidades sagradas do Islã Meca e Medina ou homens de negócio a convite de um empresário local.

Para desenvolver a indústria, o programa Visão 2030 elegeu dez setores prioritários (automotivo, defesa e construção civil, entre outros) e promete dar todo tipo de subsídio para atrair US$ 500 bilhões em investimentos privados. A meta é reduzir a participação do Estado na economia dos atuais 55% para 40%.

“Ao contrário de outras partes do Golfo, como Qatar ou a cidade de Dubai, temos um mercado interno grande, que pode alavancar nosso crescimento”, diz Khaled Mohammed Al-Aboodi, diretor gerente da Salic, estatal saudita que investe em empresas do setor agrícola no exterior. A empresa tem uma participação no frigorífico brasileiro Minerva.

O plano é financiar toda essa transformação com o dinheiro da abertura de capital da Saudi Aramco, estatal saudita do petróleo, cujos detalhes devem ser anunciados em breve. A expectativa é que a empresa atinja um valor de mercado de estonteantes US$ 2 trilhões —apenas 5% do capital será oferecido aos investidores.

Todavia, os planos do Visão 2030 esbarravam num problema: a falta de mão de obra. A Arábia Saudita já tem 9 milhões de trabalhadores estrangeiros —o equivalente a 30% da população, vindos de países pobres da Ásia como Índia, Bangladesh ou Filipinas— e não quer aumentar ainda mais esse contingente.

Foi aí que o governo se lembrou das mulheres e se deu conta de que metade da sua força de trabalho estava em casa submetida às rígidas leis da sharia, o código de conduta islâmico. Até pouco tempo atrás, a polícia religiosa saudita tinha o poder de punir e prender mulheres que não se comportassem adequadamente.

Portanto, além de uma abertura na economia, era preciso uma mudança profunda nos costumes. “Esse país está vivendo uma verdadeira revolução promovida pelo príncipe”, diz o embaixador do Brasil na Arábia Saudita, Marcelo Della Nina.

O viés econômico talvez ajude a explicar as contradições de MBS, como o príncipe é conhecido. Com apenas 34 anos, ele acumula os cargos de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, além de chairman dos conselhos que comandam a economia e a política externa, e exerce o poder com mão de ferro.

Ao mesmo tempo em que promove uma abertura sem precedentes, favorecendo principalmente as mulheres, MBS é acusado de ordenar atrocidades na guerra contra o Iêmen e de ser o mandante do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, colunista do Washington Post e crítico do regime.

Khashoggi foi morto e esquartejado após entrar no consulado saudita em Istambul na Turquia em outubro do ano passado. O escândalo que se seguiu à sua morte abalou os planos para a transformação do país.

Desde então a Arábia Saudita está em busca de reconhecimento internacional. Uma das principais apostas é a reunião do G20, em novembro de 2020. Para sediar o evento, os sauditas estão construindo uma enorme torre envidraçada no centro de Riad. Certamente poucas mulheres sauditas estarão no centro das discussões do G20, mas, pelo menos, elas já podem ambicionar alguma participação.

DIREITOS DAS MULHERES SAUDITAS

O que é o sistema de guardiões masculinos? Todas as mulheres sauditas têm guardiões legais, que podem tomar importantes decisões sobre as suas vidas sem consultá-las. 

Inicialmente, é o pai que desempenha esse papel; quando ela se casa, o marido assume a prerrogativa. Tios, irmãos, filhos ou outro familiar masculino também podem ocupar a posição. 

Uma mulher precisa da autorização de seu guardião para se casar, ficar em um abrigo para vítimas de abuso e sair da prisão, por exemplo. 

MUDANÇAS DOS ÚLTIMOS ANOS 

Ago.2019: viajar ao exterior sem um acompanhante masculino Sauditas com mais de 21 anos podem tirar passaporte e viajar sem pedir autorização a um guardião

Fazer registros em cartórios Elas passaram a poder tirar certidões de nascimento, casamento e divórcio

Jan.2019: ser notificada em caso de divórcio De acordo com as leis sauditas, os homens podiam formalmente se divorciar de suas esposas sem que elas fossem avisadas, o que dificultava que elas reivindicassem pensões e outros direitos

Jun.2018: dirigir Mulheres podem fazer aulas de autoescola e tirar carteira de motorista independentemente de autorização. Também não há restrições a locais aos quais elas podem ir de carro

Jan.2018: frequentar estádios de futebol Elas podem assistir às partidas em uma área separada, chamada de seção familiar. Os estádios foram adaptados para ter áreas exclusivas femininas, como banheiros, templos e estacionamentos

Set.2017: fazer de aulas de educação física Meninas não podiam praticar esportes em escolas públicas. Desde 2013, o governo autorizou a prática para essas escolas

8%
era a parcela das mulheres que trabalhavam fora de casa antes das reformas 

22%
é o índice atual

Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo realiza oficina de turbantes em alusão ao Outubro Rosa

Ação é aberta ao público em geral e será realizada nesta segunda-feira, 28

Oficina de turbantes será realizada em alusão ao Outubro Rosa. Foto: Pexels/@mentatdgt

Uma vez que a queda de cabelos pode ser uma das consequências do tratamento oncológico, bem como uma preocupação para quem o faz, a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo vai realizar uma oficina de turbantes africanos nesta segunda-feira, 28, na unidade BP Mirante. A ação faz alusão ao Outubro Rosa, mês de conscientização do câncer de mama.

O objetivo do evento é melhorar a autoestima das mulheres e reforçar a importância da valorização da autoimagem e de pensamentos positivos.

A aula, idealizada pelo hematologista José Ulysses Amigo Filho, será ministrada por Penha Crispim, professora de turbantes.

A oficina é aberta ao público geral, não apenas para quem está enfrentando a doença, uma vez que visa englobar a rede de apoio de quem está com câncer.

Os participantes ganharão os turbantes que fizerem na ocasião e poderão acessar o material completo com a história e contexto dos turbantes.

Serviço

Oficina de turbantes africanos

Data: 28/10/2019

Horário: das 14h às 17h

Local: Unidade BP Mirante (Rua Martiniano de Carvalho, 965 – Bela Vista)

Margaret Atwood é homenageada pela rainha Elizabeth no Castelo de Windsor

Criado em 1917, o prêmio é dado àqueles que fizeram ‘uma grande contribuição às artes, ciência, medicina ou governo que perdura por um longo período de tempo’
O Estado e Reuters

Margaret Atwood acaba de se tornar membro da Ordem de Companheiros de Honra da Inglaterra Foto: Aaron Chown/Pool via Reuters

Margaret Atwood aumentou sua longa lista de homenagens, nesta sexta-feira, 25, ao se tornar membro da Ordem de Companheiros de Honra por seus serviços à literatura, em um cerimônia no Castelo de Windsor, no Reino Unido. A autora canadense de 79 anos, que escreveu o romance distópico best-seller O Conto da Aia, de 1985, disse ter ficado “comovida” ao receber a homenagem da rainha Elizabeth, de 93 anos. 

O Conto da Aia foi adaptado com grande sucesso para a TV e The Handmaid’s Tale já foi renovada para a quarta temporada. A história se passa em um futuro próximo, no qual o estado da Nova Inglaterra foi desmantelado por um golpe teocrático do qual nasceu Gilead, regime tirânico que impõe castigos brutais e o estupro é um mandato do novo Estado, em meio a uma crise de infertilidade.

“Fiquei um pouco comovida. Você está contemplando muita história, e sou velha o suficiente para lembrar muito desta história”, disse Margaret Atwood à agência de notícias PA Media após a cerimônia, segundo uma citação da mídia britânica.

“Ela foi brilhante na guerra… quando você vê a rainha com essa idade e o cronograma que ela cumpre, é uma inspiração para todos, você segue em frente”.

Mais tarde Atwood posou para fotos diante do Castelo de Windsor.

Criado pelo rei George 5º em 1917, o prêmio é dado àqueles que fizeram “uma grande contribuição às artes, ciência, medicina ou governo que perdura por um longo período de tempo”. Segundo o site oficial da realeza, sempre existem 65 membros contemplados pela honraria.

Entre os atuais estão a atriz Maggie Smith, o ex-primeiro-ministro britânico John Major e a historiadora canadense Margaret MacMillan.

Ainda neste mês, Atwood conquistou o prestigioso prêmio literário Booker Prize, que dividiu em uma ocasião rara com a autora britânica Bernardine Evaristo, por The Testaments, a sequência de O Conto da Aia.