Djamila Ribeiro lança novo livro sobre feminismo negro

Em “Quem tem medo do feminismo negro?” a filósofa e colunista da ELLE aborda questões como interseccionalidade e empoderamento
Por Mariana Rudzinski

quem-tem-medo-do-feminismo-negroReferência em feminismo no Brasil, a mestre em filosofia política e colunista de ELLE Djamila Ribeiro está com livro novo! Quem tem medo do feminismo negro? reúne artigos em que Djamila propõe discussões sobre temas como origens do feminismo negroracismo e mobilizações em redes sociais. Ela também recorre a situações do cotidiano – intolerância à religiões de matriz africana e ataques a celebridades como Serena Williams, por exemplo – para tratar de conceitos como empoderamento e interseccionalidade. Além dos artigos, o volume traz um ensaio autobiográfico inédito em que a autora recupera memórias de sua infância para levantar a questão do silenciamento da cultura negra.

Quem tem medo do feminismo negro? chega nas livrarias hoje (08). Já na próxima quinta-feira (14), Djamila estará na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo, às 19h, para o primeiro evento de lançamento do livro.

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Plataforma oferece livros feministas para ler online e de graça!

A Cita Press, iniciativa independente, edita e disponibiliza trabalhos de escritoras mulheres que estejam em domínio público.
Por Mariana Rudzinski

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Capas dos livros disponíveis para leitura e impressão na Cita até agora. (Cita Press/Divulgação)

Tente se lembrar dos livros mais celebrados da literatura mundial e os primeiros que virão à cabeça provavelmente serão de escritores homens. Ainda que autoras mulheres sempre tenham produzido muitas obras importantes – e que várias estejam em domínio público, ou seja, podem ser encontradas gratuitamente -, elas são menos lidas e divulgadas. Com o objetivo de promover e dar destaque ao trabalho das escritoras mulheres, foi lançada a Cita Press, uma editora independente e digital que cria novas edições de livros escritos por mulheres que estejam em domínio público e os disponibiliza em seu site para leitura online ou impressão sem nenhum custo.

“A Cita tem como propósito principal facilitar o acesso à literatura feminista e celebrar o trabalho dessas mulheres que foram pioneiras em tratar a inequidade de gênero nos livros”, diz à ELLE Juliana Castro, designer gráfica colombiana e criadora da plataforma. Atualmente a Cita conta com seis títulos – todos em inglês -, que além do texto original trazem prefácios inéditos escritos por autores contemporâneos que explicam a relevância da obra nos dias de hoje.

Um dos trabalhos disponíveis é o famoso ensaio On the equality of the sexesescrito em 1790 pela ativista norte-americana Judith Sargent Murray. Ela defende a igualdade de gênero tendo como base a industrialização e o fim da vantagem concedida pela força física. “Escolhemos textos que falem sobre as dificuldades que as mulheres têm enfrentado por séculos e também sobre as oportunidades de mudança”, conta Juliana.

A plataforma, que foi oficialmente lançada em março deste ano, já está em processo de expansão. Em breve a Cita Press terá sua primeira obra em espanhol e há planos de parceria com novas autoras interessadas no acesso livre à literatura. “Dos 50 livros em domínio público mais lidos hoje no Goodreads – o maior site de recomendação de livros do mundo -, apenas cinco são de autoras mulheres. Isso precisa mudar”, defende Juliana. “Mulheres têm escrito há muito tempo e está na hora de lembrar e se orgulhar disso. E não há forma melhor de celebrar o trabalho dessas escritoras do que o lendo.”

Sinal do tempos: Miss América extingue o desfile de biquíni

Não vamos mais julgar as nossas candidatas pela aparência física’, afirmou a presidente Gretchen Carlson

Sem títuloO concurso de beleza Miss América anunciou nesta terça-feira que a prova do desfile de biquíni não fará mais parte da competição. “Nós não chamaremos mais de concurso e sim de competição. Não vamos mais julgar as nossas candidatas pela aparência física. Isso é algo grande”, afirmou a presidente da organização, Gretchen Carlson, durante o programa de televisão americano Good Morning America, exibido nesta terça-feira.

O desfile em roupas de banho acontece desde 1921, o primeiro ano do concurso de beleza, que premia as suas vencedoras com bolsas de estudo. “Nós estamos tirando a roupa de banho e indo para uma nova era”, diz um anúncio na conta oficial da competição no Twitter, acompanhado pela hashtag “byebyebikini” (adeus, biquíni, em tradução livre).

“Não vamos julgar mais a roupa, não importa o que elas usem. É o que sairá da boca delas que importa, quando falarem sobre os suas ações sociais”, complementou Gretchen. “As pessoas realmente estão interessadas na parte de talentos da competição. Esse é um novo começo. Estamos evoluindo junto com essa revolução cultural. Agora, nós somos abertos, inclusivos e transparentes.”

A nova decisão acompanha as mudanças da competição para se adequar ao movimento #MeToo, que tem levado diversas mulheres de Hollywood a falar sobre casos de assédio e abuso sexual, além da desigualdade de gênero dentro do ambiente de trabalho.

Em janeiro deste ano, foi anunciado que a apresentadora americana e miss América de 1989, Gretchen Carlson, presidiria a organização. Ela passou a ser uma grande voz na luta pelos direitos da mulher nos Estados Unidos, depois de denunciar casos de assédio contra o CEO da Fox News Roger Ailes, canal onde trabalhou entre 2005 e 2016.

Produtora musical Dorothy Carvello escreve livro sobre assédio sexual na indústria da música

Após a série de denúncias em Hollywood, chega a vez de gravadoras e artistas do ramo enfrentarem relatos de violência sexual

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 (Antonuk/ThinkStock)

A produtora musical Dorothy Carvello está escrevendo um livro que reúne relatos de abusos sexuais em grandes gravadoras, como a Warner, a Sony e a Universal. Após a série de denúncias de assédios em Hollywood, chega a vez da indústria da música lidar com a violência sexual.

O título Anything For a Hit: An A&R Woman’s Story of Surviving the Music Industry(Tudo por um hit: a história de uma mulher que sobreviveu à indústria da música, em tradução livre) é o primeiro após a era #MeToo – movimento fundado em 2006 para dar apoio a vítimas de violência sexual.

“Trabalhando 12 horas por dia e atendendo a todos os telefonemas de Ahmet Ertegun [ex-diretor da gravadora], vi tudo o que acontecia ali”, disse Dorothy à Variety, que há 25 anos atua na Atlantic Records.

O conteúdo da obra ainda não foi revelado e é mantido em segredo por revisores da Chicago Review Press, editora responsável por sua publicação. Porém, o que se sabe é que importantes nomes da indústria musical são citados. Entre eles estão o ex-diretor da Warner Doug Morris e o vocalista dos Rolling StonesMick Jagger.

Com 66% dos votos, Irlanda decide pela legalização do aborto

País não permitia interrupção da gravidez nem em casos de estupro; governo deve reformular a lei para liberar aborto nos 3 primeiros meses da gestação

IRELAND-ABORTION-REFERENDUMDUBLIN – A República da Irlanda anunciou neste sábado, 26, ampla vitória do ‘sim’ no referendo sobre a flexibilização da lei relacionada ao aborto – uma das mais restritivas do mundo. Segundo as autoridades, 66% do eleitorado – 1,4 milhão de pessoas – votou a favor da mudança da legislação atual na consulta popular realizada nessa sexta-feira, 25. Cerca de 724 mil votaram ‘não’.

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Defensores da legalização do aborto, a maioria mulheres, foram às ruas de Dublin para comemorar o resultado do referendo. Foto: Barry Cronin/AFP

O resultado é uma vitória histórica pelos direitos das mulheres no país de tradição católica conservadora. Mais de 64% da população foi às urnas para opinar sobre o tema – uma das participações mais altas já registradas em um referendo na Irlanda.

A população foi questionada sobre a manutenção ou extinção da emenda constitucional aprovada em referendo de 35 anos atrás, que proibiu a interrupção da gravidez em qualquer hipótese. Em 2013, parte da proibição foi retirada para permitir o aborto somente em casos de risco à vida da gestante. A intervenção seguia ilegal para casos de estupro, incesto ou malformação do feto. Mulheres que abortassem e profissionais que realizassem o procedimento poderiam ser punidos com até 14 anos de prisão.

El referéndum irlandés sobre el aborto transcurre con participación "animada"
Cartaz da campanha pelo “sim” à reforma da lei do aborto na Irlanda   Foto: EFE/ Aidan Crawley

Com o fim da ‘oitava emenda’, o governo deverá redigir uma nova legislação para permitir o aborto em todas as circunstâncias durante as primeiras 12 semanas de gravidez e, em casos excepcionais, até 24 semanas. A expectativa é de que as novas regras sejam aprovadas até o final deste ano.

O primeiro-ministro, Leo Varadkar, afirmou que este é um dia histórico no país. Ele disse querer garantir menos gestações de risco e melhor educação sexual nas escolas. Com o aval do referendo, Varadkar prometeu agir rápido para a formulação da nova legislação sobre o aborto.

“A violenta dor de décadas de maus tratos às mulheres irlandesas não pode ser apagada. No entanto, hoje garantimos que ela não precisa ser revivida”, disse o primeiro-ministro, em pronunciamento após o anúncio do resultado./ Reuters e NYT

Sinn Fein leader Mary Lou McDonald and Michelle O'Neill leader of Sinn Fein in Northern Ireland hold up a placard as they celebrate the result of yesterday's referendum on liberalizing abortion law, in Dublin
As líderes do movimento Sinn Fein, Mary Lou McDonald, e Michelle O’Neill, da Irlanda do Norte, celebram o resultado e levantam cartaz ‘O Norte é o próximo’.  Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters

Acusadoras de Weinstein expressam alívio por acusações de estupro

Produtor foi formalmente acusado de estupro após décadas de condutas sexuais impróprias

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Harvey Weinstein é levado para corte americana nesta sexta-feira, 25 Foto: REUTERS/Shannon Stapleton

LOS ANGELES — Mulheres de Hollywood expressaram alívio e esperança nesta sexta-feira, 25, quando o produtor Harvey Weinstein foi acusado de estupro após décadas de supostas condutas sexuais impróprias.

Weinstein foi recebido por diversos fotógrafos e cinegrafistas ao entrar em uma delegacia na cidade de Nova York para ser acusado de dois crimes de estupro e um de ato sexual criminoso envolvendo duas mulheres não identificadas. Ele foi posteriormente solto após uma fiança de 1 milhão de dólares em dinheiro.

Weinstein, de 66 anos, nega ter feito sexo não consensual com qualquer pessoa e seu advogado disse que seu cliente irá se declarar inocente.

A atriz italiana Asia Argento, uma das mais de 70 mulheres que acusaram Weinstein de conduta sexual imprópria, tuitou sobre a rendição do produtor.

“Este é o único filme pelo qual Harvey Weinstein será lembrado”, escreveu Argento. “Hoje Harvey Weinstein dará seu primeiro passo em sua inevitável descida ao inferno.”

Weinstein foi acusado após uma investigação de sete meses em Nova York e mais de 20 anos de supostas condutas impróprias.

A atriz Rose McGowan, que acusou Weinstein de ter a estuprado em 1997, disse no programa Megyn Kelly Today, da NBC, que nunca acreditou que este dia chegaria.

“Nós pegamos você, Harvey Weinstein, nós pegamos você”, escreveu McGowan posteriormente no Twitter.

As acusações contra o cofundador do estúdio de cinema Miramax ajudaram a levantar o movimento #MeToo, no qual pessoas compartilharam histórias de abusos sexuais, e a campanha Time’s Up contra assédio sexual no ambiente de trabalho.

Em comunicado, a campanha Time’s Up elogiou as acusações contra “um homem cujas ações foram tão notórias que geraram uma reavaliação global”.

A atriz Heather Graham, de Boogie Nights – Prazer Sem Limites, que falou sobre encontros perturbadores com Weinstein no início da década de 2000, escreveu no Twitter que, ao invés de focar nele, ela irá celebrar mulheres poderosas.

“Isto é somente o começo #OFuturoÉFeminino”, tuitou Graham.

Entre outras mulheres que se pronunciaram, a estrela de Poderosa AfroditeMira Sorvino, tuitou “#Justiça” ao lado de uma reportagem sobre Weinstein.

Louisette Geiss, outra acusadora de Weinstein, tuitou que já era hora. “Emocionada e muito orgulhosa de estar ao lado das bravas mulheres e homens que estão criando um novo normal”.

A jornalista Jodi Kantor, do New York Times e que compartilha um prêmio Pulitzer por sua reportagem sobre as acusações envolvendo Weinstein, listou no Twitter as reações que havia ouvido de vítimas. Elas incluíam lágrimas de alívio, prazer e náusea.

“O denominador comum: problemas para dormir na noite passada”, escreveu Kantor. [Reuters]

Michelle Obama divulga capa de seu livro de memórias, Becoming

‘Espero que minha caminhada inspire os leitores a encontrar coragem para se tornarem aquilo que desejam ser’, diz a ex-primeira-dama dos EUA

Sem título.jpgDepois de Michelle e Barack Obama negociarem com a Netflix, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos divulgou a capa de seu livro de memórias nas redes sociais.

Intitulado Becoming, o livro é um “trabalho de profunda reflexão” e convida os leitores a entrar no mundo dela e conhecer as várias experiências que a moldaram ao longo do tempo, informa o site oficial da publicação.

“Estou muito feliz de compartilhar com todos vocês a capa de Becoming. O processo de escrever este livro foi muito significativo e esclarecedor para mim. Enquanto me preparo para compartilhar Becoming este outono, espero que todos vocês também pensem sobre suas próprias histórias e confiem que elas os ajudarão a se tornarem quem desejam ser. Sua história é o que você tem, o que você sempre terá. É algo para possuir”, escreveu Michelle ao compartilhar a capa no Instagram.

No final de fevereiro, ela falou sobre a escrita do livro, que será lançado dia 13 de novembro. “Tem sido uma experiência pessoal profunda. Eu falo sobre as minhas origens e como uma garota do Lado Sul [região de Chicago, onde ela nasceu] encontrou a própria voz. Espero que minha caminhada inspire os leitores a encontrar coragem para se tornarem aquilo que desejam ser. Mal posso esperar para compartilhar minha história”, disse em um tuíte.