Morre Linda Brown, ícone da luta contra a segregação racial nas escolas dos EUA

Recusa de escola em a aceitar como aluna provocou histórica decisão do fim da doutrina de segregação racial na educação pública americana.

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Linda Brown com seus dois filhos, em imagem de abril de 1974 (Foto: AP Photo, File)

Linda Brown, uma mulher do Kansas que na década de 1950 ficou famosa por um processo que proibiu a segregação racial nas escolas dos Estados Unidos, morreu aos 76 anos, segundo informaram nesta segunda-feira (26) meios de comunicação locais.

Nascida em Topeka, capital do Kansas, Brown tinha 9 anos quando o seu pai, o reverendo Oliver Brown, tentou inscrevê-la em 1950 na escola pública primária mais próxima à casa da família.

A recusa da escola Summer School a aceitá-la por ser negra provocou quatro anos mais tarde a histórica decisão do litígio “Brown vs. Board of Education”, com o qual o Tribunal Supremo pôs fim à doutrina “segregada, mas igual” que regia na educação pública americana desde 1896.

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Foto sem data mostra Linda Brown (Foto: AP Photo, File)

O Supremo determinou que “separar (as crianças negras) de outras de idade e qualificações similares unicamente pela sua raça gera um sentimento de inferioridade quanto à sua posição na comunidade que pode afetar seus corações e mentes de um modo improvável de reverter”.

Além disso, concluiu que a segregação era uma prática que violava a cláusula de “proteção igualitária” prevista na Constituição.

Embora Brown tivesse dado o nome, o litígio agrupava vários casos recompilados pela Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, em inglês) de estudantes afro-americanos rechaçados em instituições educativas ao redor do país.

Um porta-voz da funerária de Topeka Peaceful Rest Funeral Chapel confirmou à imprensa americana que Brown morreu neste domingo por razões que não foram informadas.

Em entrevista à emissora “PBS” em 1985, por ocasião do aniversário de 30 anos da sentença, Brown disse sentir que a decisão do Supremo tinha tido “um impacto em todas as facetas da vida das minorias em todo o país”.

“Eu penso em termos do que fez para nossos jovens, na eliminação desse sentimento de cidadania de segunda classe. Acho que fez com que os sonhos, as esperanças e as aspirações de nossos jovens sejam hoje maiores”, acrescentou.

Embora ela tenha se tornado um ícone dos direitos civis, o “Brown” da sentença ” Brown vs. Board of Education” pertence ao seu pai, que foi quem apresentou o processo e que morreu em 1961. [EFE]

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Viola Davis se manifesta sobre morte de Marielle: ‘Mulher corajosa’

Dos Estados Unidos, atriz ressaltou que vereadora ‘lutou pelos direitos dos pobres nas favelas’

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Viola Davis e a vereadora Marielle Franco. Foto: Instagram / @violadavis

A atriz norte-americana Viola Davis se manifestou a respeito do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) nesta terça-feira, 20.

“Acabo de ler sobre esta mulher corajosa, Marielle Franco, que lutou pelos direitos dos pobres nas favelas. Eu estou me lenvantando e lutando com você, Brasil! Viva Marielle e Anderson”, escreveu a atriz.

Marielle foi morta na última quarta-feira, 14, quando retornava de um evento em direção à sua casa. O motorista do carro, Anderson Gomes, também morreu.

De Sex And The City para a política: Cynthia Nixon anuncia sua candidatura ao governo do estado de NY

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Cynthia Nixon: candidata ao governo do Estado de NY!

Depois de sondar o terreno por alguns meses, a atriz Cynthia Nixon, que interpretou a personagem Miranda Hobbes por anos no seriado Sex And The City, acaba de anunciar em seu perfil no Twitter que irá concorrer a candidatura para governadora do Estado de Nova York. “Amo Nova York e hoje anuncio minha candidatura. Junte-se a nós”, escreveu. Junto com a declaração, um vídeo de dois minutos foi divulgado e ao apertar o play é possível entender alguns pontos que levaram a atriz a assumir um novo posicionamento social.

“Nova York é minha casa. Eu nunca morei em nenhum outro lugar. Amo meu Estado, minha cidade, porém, algumas coisas precisam mudar”, declarou. Caso Cynthia ganhe ela será a primeira mulher assumidamente gay a ocupar o cargo.

Aos 51 anos, Cynthia se casou com Christine Marinoni em 2012 e atualmente dedica seu tempo para as causas da comunidade LGBTQ. Christine, que é advogada, trabalhava até o mês passado para o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, mas decidiu pedir demissão para poder contribuir financeiramente na campanha da mulher. Em suporte à candidatura, a atriz Rosie O’Donnell postou um Twitter onde afirma apoiar Cynthia: “Ela é única, brilhante, corajosa e esperta. Cynthia Nixon é uma verdadeira líder”, escreveu.

A atriz irá concorrer diretamente com o candidato Andrew Cuomo, que em entrevista ao jornal New York Times, informou não estar preocupado com seus oponentes. “Eu não estou nervoso com quem concorre comigo”, disse o governador na semana passada. “Haverá pessoas que irão concorrer comigo e as eleições funcionam assim e tudo bem”, declarou. Em uma pesquisa realizada pelo Colégio Siena de Nova York antes do anúncio público de Nixon mostra vitória aos democratas liderados por Cuomo com 66% contra 19% de Nixon.

Mulheres optam por conforto, e os sapatos de salto perdem espaço

Pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que as vendas de sapatos de salto caíram 12% no ano passado
Por Mariana Desidério

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Connie Wang
 CBS NEWS

São Paulo – Vender sapatos de salto alto não é tão bom negócio como no passado. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que as vendas de sapatos de salto caíram 12% no ano passado, enquanto as vendas de tênis para mulheres cresceram impressionantes 37%, chegando a uma marca de 2 bilhões de dólares.

De acordo com reportagem da CBS, o conforto tem se tornado tendência, pelo menos entre as americanas. Para Connie Wang, entrevista pela rede de televisão, está havendo uma “zuckerberguização dos ambientes de trabalho”.

O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, é famoso por usar sempre o mesmo figurino no trabalho: camiseta e calça jeans. Para Wang, essa simplificação está ganhando espaço em outros escritórios, inclusive entre mulheres.

“Algumas mulheres se sentem melhor com um par de sapatilhas e eu acredito que chegamos a um ponto na sociedade em que finalmente isso é mais do que aceitável no trabalho”, afirmou em entrevista à CBS.

Mulheres na tecnologia: estereótipos começam na infância

Pesquisa mostra que professores têm preconcepções sobre perfomance de meninas nas disciplinas Stem

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A personagem Shuri, de Pantera Negra: é ela quem comanda o laboratório de tecnologia no filme da Marvel

Levantamentos de publicações científicas nos principais periódicos do mundo apontam que existe uma grande disparidade entre homens e mulheres. A proporção, segundo a editora especializada Elsevier, é parecida em todos os lugares para que se olhe: apenas 30% dos artigos científicos são assinados por mulheres.

Esse número é ainda menor quando se olha para  as disciplinas conhecidas como Stem (ciências naturais, tecnologia, engenharia e matemática) — no Japão, por exemplo, elas são apenas 15% dos pesquisadores. Afinal, por que há tão poucas mulheres nesses campos do conhecimento? Uma pesquisa realizada em três cidades da América Latina aponta para parte da causa desse problema: é na infância que começam estereótipos e a falta de incentivos para que mulheres sigam nessas carreiras.

O estudo foi realizado entre abril e outubro de 2017 na Cidade do México, São Paulo e Buenos Aires e foi conduzido pela Cadeira Regional Unesco Mulher, Ciência e Tecnologia na América Latina (Flacso) com a associação Chicos.net e apoio da Disney América Latina. A pesquisa mostrou que a maioria dos meninos e meninas entre 6 e 10 anos afirma que as disciplinas Stem são para ambos os sexos. A maioria dos pais e mães também considera que não existem diferenças no desempenho entre meninos e meninas.

No entanto, foram detectados estereótipos mais fortes entre os professores. Em São Paulo, por exemplo, 80% dos professores não percebem diferenças nas salas de aula, mas, nesse mesmo grupo, um em cada três professores acha que existem diferenças entre os sexos. Os meninos, segundo esses professores, se destacam em matemática e informática.

“Há mais estereótipos de gêneros entre os os professores do que entre os pais”, afirma Gloria Bender, diretora da área de gênero, sociedade e políticas da Flacso. Ela alerta que a diferença entre professores e pais é um reflexo do baixo investimento em educação na região, onde professores foram treinados para uma outra época e ainda recebem pouco treinamento pelos governos. “O aluno chega na sala de aula sabendo mais sobre tecnologia do que o professor”.

“Além de servir de alerta, a pesquisa também nos ajuda a desenhar recomendações para melhorar esse cenário”, diz Marcela Czarny, presidente da Chicos.net. Entre as sugestões para os docentes estão o fomento de uma aprendizagem interdisciplinar e a revisão de atitudes, crenças e práticas que mostrem que as disciplinas Stem são complicadas ou para poucos. Os dados da pesquisa apontam que se as medidas não forem tomadas na infância, a diferença entre meninos e meninas nas disciplinas Stem aumenta a partir dos dez anos de idade.

No âmbito familiar, as atitudes também podem ser revistas. As pesquisadoras acreditam que o simples fato de mães jogarem videogame com seus filhos e filhas pode fazer diferença. “Não pode mais haver aquela diferença também sobre presentes de aniversário, com meninas ganhando maquiagem e garotos recebendo tablets”, acredita Czarny.

Do lado da Disney, apoiadora da pesquisa, há também um compromisso de mudança. De certa maneira, esse processo de representação já está nas produções do estúdio. Em Pantera Negra, filme em cartaz nos cinemas, a personagem responsável por inovações e todo o laboratório de tecnologia do super-herói é uma mulher — e negra, como todo o elenco. A recepção do público foi tanta que há montagens na internet em que mostram a personagem na capa da revista Wired, a principal publicação de tecnologia dos Estados Unidos. “A pesquisa também é importante para nossos desenvolvedores de conteúdo garantirem uma só representação do Stem”, diz Belén Urbaneja, diretora de Cidadania Corporativa da Disney. [Rafael Kato]

Rihanna critica Snapchat por anúncio com alusão a violência doméstica

Propaganda fazia referência à agressão que Chris Brown cometeu contra ela quando os dois namoravam

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Rihanna – Photo: Getty Images

Nesta quinta-feira, 15, a cantora Rihanna criticou uma propaganda veiculada no Snapchat que fazia referência ao caso de agressão de Chris Brown contra ela em 2009. A rede social pediu desculpas e retirou a propaganda de circulação.

“Eu adoraria acreditar que foi ignorância, mas eu sei que vocês não são tão burros assim. Vocês gastaram dinheiro para estimular algo que intencionalmente traria vergonha para vítimas de violência doméstica e fizeram uma piada disso!”, escreveu Rihanna em seu Instagram.

A propaganda era de um jogo de perguntas chamado Eu Prefiro, no qual o jogador deve escolher entre duas alternativa apresentadas. A peça publicitária trazia a escolha entre “Dar um tapa na Rihanna” e “Socar o Chris Brown”, em referência a um episódio no qual o cantor agrediu a artista dentro de seu carro quando os dois eram namorados, em 2009.

“[Em nome de] todas as mulheres, crianças e homens que foram vítimas de violência doméstica no passado e especificamente aqueles que ainda não conseguiram superar… Vocês nos decepcionou!”, escreveu a cantora ao aplicativo.
A propaganda já havia sido removida pelo Snapchat após usuários a criticarem. Um representante da rede social disse à BBC: “A peça publicitária foi revisada e aprovada por engano, uma vez que viola nossas diretrizes de anúncios. Nós removemos a propaganda assim que tomamos conhecimento e sentimos muito que isso tenha acontecido”.

Karlie Kloss acredita que há um lado empoderador no VSFS

“Nunca faria parte de algo em que não acredito”, declarou Karlie Kloss.

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Karlie Kloss – Victoria’s Secret Fashion Show 2017

Com o feminismo em pauta na moda, através das peças-manifesto de Maria Grazia Chiuri para Dior e looks de protesto nos red carpets, pela campanha Time’s Up, desfiles sensuais como o Victoria’s Secret Fashion Show geram controvérsias. Afinal, a lingerie sexy deve ser associada à objetificação feminina, ou também pode ser uma manifestação de poder?

Para a modelo e ativista Karlie Kloss, que tem um longo histórico trabalhando com a marca (de 2011 a 2014, com uma volta triunfal ao desfile em Xangai de 2017), o VSFS pode ser visto como algo relevante. “Há algo realmente poderoso em uma mulher que possui sua sexualidade e é responsável por ela”, explicou em entrevista ao Telegraph, neste domingo (11). “Quando uma mulher tem confiança e autoconhecimento, não há nada que ela não consiga alcançar”.

“O desfile celebra isso e permite que todas sejamos as melhores versões de nós mesmas. Seja usando sapatos, maquiagens ou lindas lingeries — se você tem controle e autonomia por si mesma, é sexy. Pessoalmente, adoro investir em um perfume poderoso ou uma lingerie, mas asseguro que esteja nos meus termos. Eu gosto de dar um exemplo positivo, então nunca faria parte de algo em que não acredito”, afirmou.