“Não sou japa”, diz Ana Hikari, que cogitou cirurgia contra estereótipo

Com sangue negro, índio e japonês, a atriz paulistana Ana Hikari, lançada em “Malhação”, ganha protagonismo na TV e luta para conquistar papéis que não se restrinjam a estereótipos que os descendentes de asiáticos têm de enfrentar: “Não me chame de japa”

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Ana Hikari usa Gucci (Foto: Fabio Bartelt (Monster Photo))

Ana Hikari tinha 6 meses de idade quando assistiu pela primeira vez a um filme de Godard. Envolta num sling no colo do pai, começou a frequentar círculos de cinema com o professor Almir Almas, 59 anos, na Universidade de São Paulo, onde ele dá aulas hoje. “Ela ia comigo a todos os eventos culturais”, lembra o pai. Antes dos 6 anos, já tinha visto Glauber Rocha, Kubrick e Tarantino. Tamanha ligação com a arte fez com que Ana, 23, escolhesse o palco como profissão. Ainda criança atuou em comercias, fez dança, teatro e canto. Na adolescência, prestou vestibular para Artes Cênicas na USP, que terminou no ano passado, quando foi escalada para interpretar Tina, uma adolescente militante, na última temporada de Malhação. O sucesso foi tanto que ela passou a integrar o time perene de atores da TV Globo. “Foi um encontro do destino”, diz a atriz, sobre sua escalação.

“Uma amiga do meu pai (a diretora de novelas Dayse Amaral) me levou para fazer um cadastro no Projac. Enquanto preenchia os papéis, uma produtora fez uma foto e ligou para alguém dizendo que havia uma menina asiática nos corredores da Globo.” Após testes, Ana entrou para o elenco. Nem sempre, no entanto, a questão étnica jogou a seu favor. Ela conta que a vida toda só participou de castings quando o briefing era uma “garota oriental”. “Nunca vi uma protagonista asiática na TV. Minha batalha é para que olhem para mim como alguém talentosa que pode ser qualquer personagem e não só a ‘japonesa’ da trama.” O autor de Malhação, Cao Hamburger, 56, a apoia. “A Ana é uma atriz versátil! Cabe a nós, autores e diretores, abrirmos as cabeças. Num país como o Brasil, não podemos ter essas limitações”, completa. Após a temporada na novela, Ana estará no elenco do curta They, que será rodado em São Paulo, com narrativa em inglês.

A luta contra o preconceito é antiga na vida da atriz. A maioria das pessoas a aborda com “brincadeirinhas” sobre o seu fenótipo. “Quando chegam falando japonês, emendo: ‘pode falar em português, sou brasileira’. Ao longo do tempo, essas brincadeiras se tornam microagressões.” Há dois anos, ao conhecer seu namorado, o poeta Gersinio Neto, 31, passou por uma dessas situações. “Chegou me dizendo ‘você é japa, né’ e eu ‘Não. Meu nome é Ana’. E ele se desculpou.” A atriz também luta contra a hipersexualização das mulheres asiáticas. Perdeu a conta de pretendentes que apareceram com este tipo de fetiche. “A recatada que na cama é pervertida. Sofri por conta desse imaginário.”

A escola foi outro ambiente onde Ana teve de enfrentar o preconceito por causa da aparência. “Já pensei em ‘ocidentalizar’ os olhos com cirurgia porque me achava feia. Não queria ser chamada de japa. O meu sonho era ter a maquiagem igual à das minhas amigas, colocar sombra no côncavo. Elas não sabiam me maquiar.” Embora sua mãe, a dentista Makiko Tkenaka, 53, seja filha de japoneses, o pai, Almir, vem de uma família de negros e índios. A miscigenação lhe conferiu a vivência do racismo também sob a perspectiva dos negros. “Vivo uma discriminação como asiática, mas não se compara ao que os negros vivem. O que meu pai sofre, nem vou chegar perto de sentir.” Na infância, ele ouvia questionamentos como “onde você pegou essa criança?”. “Outra vez, foi expulso de uma farmácia por pensarem que roubaria algo”, lembrou com os olhos marejados.

Engajada na causa amarela, a atriz segue grupos militantes como o Yellow Fever, Lotus PWR, Yo Ban Boo. “Temos que usar a internet para debater esses temas.” E estende: “O papel do Japão no Brasil é de agregar cultura e diversidade. Apesar de a imigração ter acontecido há 110 anos, as pessoas ainda não conseguem me reconhecer como brasileira”. [Lu Angelo]

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Estudantes denunciam preconceito contra asiáticos em trabalho fotográfico

Trabalho de disciplina de Jessica Yumi e Celina Tanaka, estudantes de Londrina, retrata as formas de discriminação contra asiáticos e descendentes no Brasil

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Fotos do trabalho “Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil”

As estudantes de Psicologia da Universidade de Londrina Jessica Yumi e Celina Tanaka mergulharam fundo na cultura japonesa até decidirem criar uma galeria de fotos que denunciam o preconceito contra asiáticos e descendentes – o chamado preconceito amarelo – no Brasil.

“Depois de bastante pesquisa e leitura de teses, viemos com a ideia de demonstrar, por meio de fotografias, a permanência do preconceito anti-amarelo no Brasil, mais especificamente em Londrina, onde moramos”, disse Jessica.

Elas pediram para amigos e conhecidos enviarem relatos de preconceito, assédio e bullying que sofreram na vida e, a partir daí, criaram a exposição “Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil“.

Mesmo o Brasil sendo o país com mais japoneses e descendentes fora do Japão, a discriminação existe. “O preconceito não chega a ser, na maioria das vezes, violência ou criminalidade, mas são pequenas brincadeiras e frases que marcam a vida de um asiático como um estigma. Seguindo a filosofia de “shoganai” (não tem o que se fazer, não tem como evitar), as próprias vítimas nem percebem que estão sofrendo bullying ou um tipo de preconceito. Levam na esportiva mas são chamados de ‘japa’ ao invés do nomeou não são reconhecidos pelos seus esforços por causa de uma descendência”, explica a estudante. [Marie Claire]

Campanha de Stabilo chama atenção para as mulheres invisíveis da História

Campanha “Highlight the Remarkable” chamou a atenção das redes sociais por “grifar” mulheres que foram decisivas para os caminhos do mundo
Por Pedro Strazza

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Edith Wilson, ex-primeira-dama dos Estados Unidos que assumiu o comando quando o marido Woodrow Wilson sofreu um derrame

A fabricante alemã de canetas Stabilo resolveu usar de seus famosos marcadores para relembrar as importantes mulheres da História do mundo. Uma série de propagandas lançadas pela marca chamou a atenção da internet nos últimos dias por conta da maneira eficiente com a qual evidencia aquelas que foram esquecidas pelo tempo.

Criada pela DDB Group Germany e intitulada “Highlight the Remarkable” (algo como “Grife o Inesquecível” em português), a campanha é composta por três peças que aproveitam dos grifa-textos da empresa para denotar a participação discreta das mulheres em momentos históricos distintos. As pessoas e cenas escolhidas pela equipe são respectivamente Edith Wilson, ex-primeira-dama dos Estados Unidos que assumiu o comando quando o marido Woodrow Wilson sofreu um derrame; Katherine Johnson, matemática que foi fundamental na realização das missões espaciais americanas à Lua; e Lise Meitner, cientista que descobriu a fissão nuclear mas viu seu Nobel ser recebido pelo marido.

O que é curioso sobre “Highlight the Remarkable” é que a Stabilo lançou a campanha em abril na Alemanha, mas só agora ela parece ter chegado na internet. Foi um delay, porém, que não diminuiu o impacto da ideia proposta pela marca, com muitos usuários elogiando o caráter progressista da propaganda e o posicionamento da Stabilo. Confira as artes abaixo.

Campanha australiana convida homens a lutar contra o machismo

A proposta do governo é mostrar a necessidade de se intervir e conscientizar contra atitudes machistas até mesmo em uma roda de amigos
Por Pamela Malva

Desde 2016, o governo da Austrália vem fazendo diversas campanhas para lutar contra o machismo e a violência contra as mulheres. Através de vídeos e peças publicitárias, a Respect Women (Respeite as mulheres, em inglês) tem como objetivo acabar com atitudes misóginas.

Recentemente, uma nova campanha foi veiculada na televisão do país com o mesmo propósito. Nos vídeos da Call It Out (Chame atenção, em inglês), como foi chamada a ação, homens protagonizam diversas situações machistas e, muitas vezes, agressivas com mulheres.

O nome é um convite para os homens chamarem a atenção um dos outros quando presenciarem um comportamento inapropriado em relação às mulheres. Seja em um grupo de amigos, em um ônibus, ou em um churrasco com um amigo que você conhece há 20 anos, o ideal é sempre intervir deixando claro que tais atitudes são incorretas – e até mesmo criminosas.

Aborto legal e violência doméstica permitida: como são os direitos da mulher na Rússia

Entenda como funcionam alguns dos direitos da mulher no país da Copa do Mundo
Por Laura Reif

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A Rússia foi pioneira em questão de direitos reprodutivos, mas ao mesmo tempo a violência doméstica é permitida (Foto: Thinkstock)

A Rússia, país-sede da Copa do Mundo 2018, é muito mais do que as coloridas catedrais de Moscou e São Petersburgo. Recentemente, o caso dos brasileiros assediando uma mulher russa levantou o questionamento: como é ser mulher no país?

A Rússia não é conhecida por abraçar as causas das minorias, possui leis anti-LGBT e, mesmo assim, ainda supera o Brasil em um quesito: dos direitos reprodutivos da mulher.

Em 1920, três anos após o início da Revolução Russa, que deu origem à União Soviética, o aborto foi descriminalizado, passando por algumas regulamentações ao decorrer dos anos, mas ainda é permitido em todas as circunstâncias quando realizado até a 12ª semana da gravidez.

Fabíola Sucasas, promotora de Justiça do Estado de São Paulo, explica que, apesar da permissão, grupos religiosos têm se articulado para reverter a situação. O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo I, assinou em 2016 um pedido para proibir totalmente a prática no país. O texto conseguiu mais de 300 mil assinaturas, mas o aborto segue permitido e regulamentado.

A Rússia, assim como o Brasil, é um país laico, portanto não deveria haver abertura para que correntes religiosas interferissem em assuntos estatais, explica Fabíola. “Misturar Igreja e Estado pode trazer riscos à proteção dos direitos humanos. O uso da crença não pode e não deve justificar nenhuma violação a eles”, afirma ela.

Proibições trabalhistas

Enquanto a mulher russa tem autonomia sobre a gravidez, o cenário não é o mesmo no trabalho. A legislação do país proíbe que mulheres trabalhem em 456 ocupações e 38 ramos da indústria, como por exemplo mergulhadoras profissionais, paraquedistas e motoristas de ônibus, trabalhos considerados “muito árduos, perigosos ou nocivos à saúde das mulheres, sobretudo a sua saúde reprodutiva”, mesmo que elas tenham a formação necessária para o cargo.

Em 2016, o Comitê para a Eliminação da Discriminação contra Mulheres (CEDAW), da Organização das Nações Unidas, solicitou a revisão das regulações trabalhistas que fazem essas proibições, mas ainda não houve resultados.

O pedido do comitê teve início por conta do caso de Svetlana Medvedeva. Graduada em Navegação Marítima, a russa aplicou-se para uma vaga de capitã em navios de uma empresa e, apesar de ter se destacado no processo seletivo, recebeu uma resposta negativa, pois o cargo estava na lista do governo de profissões “perigosas ou nocivas” e banidas às mulheres. Com o apoio da ONU, ela venceu no papel, mas a Justiça não fez com que a empresa a contratasse e nem mudou a legislação.

Violência contra a mulher

Em fevereiro de 2017, o presidente Vladimir Putin sancionou uma lei polêmica que despenaliza a violência doméstica e dá “carta branca” para homens baterem em suas mulheres, desde que não deixem marcas ou quebrem ossos. A pena para o agressor que não descumprir os requesitos é uma multa ou trabalho voluntário. Caso a agressão aconteça novamente no período de um ano, ele pode ser preso, porém é a própria vítima que deve coletar e apresentar evidências da violência.

“Não tenho dúvidas que a mudança legislativa da Rússia é lamentável e um imenso retrocesso no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres”, lamenta Fabíola.

Ela explica que o Mapa da Violência de 2015 aponta que o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, enquanto a Rússia está em 4º. “A Rússia já foi criticada pelo comitê da CEDAW em razão da falta de legislação apropriada e implementação de políticas adequadas para o enfrentamento da violência contra as mulheres e a violência doméstica.”

Para Fabíola, o retrocesso russo traz à tona a realidade da vulnerabilidade à violência em que as mulheres estão inseridas e frisa que esse tipo de lei é uma violação aos direitos humanos. Isso sem levar em consideração a violência psicológica, igualmente nociva às mulheres. “Entender como atos criminosos de violência doméstica apenas aqueles que causem lesões físicas nas vítimas torna as outras espécies de violência algo banal, que não tenha nenhuma relevância ou relação com as demais”, diz.

Segundo a ONU, nenhuma nação conseguiu eliminar a discriminação contra mulheres

Conclusão foi feita por especialistas das Nações Unidas em relatório feito em Genebra, na Suíça

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Na Irlanda do Norte, mulheres protestam a favor da liberação da pílula abortiva (Foto: Charles McQuillan/Getty Images)

Há exatamente 25 anos atrás, no dia 25 de junho de 1993, a ONU criou a Declaração e Programa de Ação de Viena. Nela, destacam-se os direitos das mulheres como “uma parte indivisível dos direitos humanos”. Mas será que isso foi cumprido. A resposta é não.

Os especialistas das Nações Unidas Alda Facio, da Costa Rica, Meskerem Geset Techane, da Etiópia, Melissa Upreti, do Nepal e dos EUA, Ivana Radacic, da Croácia, e Elizabeth Broderick, da Austrália, em relatório feito em Genebra, na Suíça, disseram que nenhum país eliminou com sucesso a discriminação contra a mulher ou alcançou a plena igualdade de gêneros. Para eles, a poligamia, o casamento infantil, a mutilação genital feminina, os crimes de honra e a criminalização das mulheres por comportamento sexual e reprodutivo são problemas graves ainda não solucionados. O documento mostra, ainda, que houve um aumento do autoritarismo, de crises econômicas e da desigualdade que colocaram desafios consideráveis para alcançar e consolidar os direitos femininos.

Entre os avanços dos últimos anos, o grupo cita os “passos importantes” dados em diferentes regiões em prol dos direitos femininos. Os mais recentes são esforços alcançados por meio do voto popular e de ações legislativas e judiciais, em especial para garantir direitos reprodutivos. Mas considera lentos os progressos quanto aos direitos das mulheres e à plena igualdade, e que as realizações até agora conquistadas correm o risco de serem revertidas. [Marie Claire]

6 atitudes de Meghan Markle que provam o quanto ela irá impactar o mundo

Antes mesmo de se tornar duquesa, a esposa de Harry já se dedicava a promover mudanças sociais. Seu primeiro ato de sucesso foi na infância
Por Isabella D’Ercole

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Meghan Markle e Rainha Elizabeth II (Foto: Getty Images)

A atriz americana Meghan Markle se casou com o príncipe Harry cercada de obrigações com a monarquia. Tudo indica, porém, que ela não vai deixar calar a feminista que construiu desde a infância. Há pelo menos seis atitudes em sua biografia sinalizando como poderá impactar o mundo.

Confira quais são elas:

1. Ela sabe da importância da representatividade

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 (Reprodução/Getty Images)

Filha de pai branco e mãe negra, Meghan não tinha referências para se espelhar enquanto crescia. De bonecas Barbie a heroínas do cinema e da TV, nenhuma se parecia com ela. Seu maior exemplo é a mãe, Doria Ragland, assistente social, professora de ioga que trabalha em uma casa para idosos.

Foi ela quem inspirou Meghan a fazer trabalho voluntário, interesse que se tornou afinidade com o príncipe Harry. “Cresci vendo; então me pergunto como é possível não fazer”, escreveu ela em seu site de lifestyle, The Tig, hoje desativado.

2. Defende mais mulheres na política para acabar com a pobreza no mundo

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 (Trabalhos voluntários/Divulgação)

Aos 13 anos, juntou-se a um grupo que servia comida para moradores de rua, em Los Angeles, e passou a se dedicar ao trabalho voluntário. Com medo dos arredores, recebeu sua maior lição de um mentor. “Ele me disse que era importante colocar as necessidades dos outros na frente dos nossos medos”, contou em um discurso.

Adulta, começou a defender a equidade de gênero em governos. Foi nomeada, inclusive, advogada para participação política e liderança na ONU Mulheres. No cargo, visitou Ruanda, um dos países com maior número de mulheres no Parlamento, que tem na pobreza um dos maiores desafios a enfrentar.

3. Acredita no feminismo como ferramenta de mudança social

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 (Reprodução/Reprodução)

Quando criança, Meghan tinha pendurado no quarto um pôster de “Rosie the Riveter”, a emblemática personagem feminista da Segunda Guerra que mostra os braços fortes e fala: “Nós podemos”. Aos 11 anos, quando assistiu a um comercial de detergente anunciando que “Mulheres por toda a América estavam lutando contra vasilhas e panelas engorduradas”, sentiu-se mal. Por que a louça suja cabia a elas? “Não é para as crianças crescerem achando que as tarefas do lar só cabem à mãe”, teria dito ao pai, Thomas Markle.

Incentivada por ele, escreveu cartas para Hillary Clinton, então primeira-dama americana, uma jornalista, uma renomada advogada de direitos femininos e para a marca. Recebeu respostas de incentivo e, em um mês, o sujeito do slogan foi trocado para pessoas. “Falo para as jovens: ‘Não acreditem que vocês são pequenas’,” disse em um discurso na ONU em 2015.

4. Luta pela educação de meninas

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 (Visão Mundial Canadá/Divulgação)

Formada em artes dramáticas e relações internacionais pela Universidade de Northwestern, em Chicago, Meghan afirma que a educação tem poder transformador. Entretanto, ao se juntar à organização Visão Mundial, descobriu que em alguns países um dos empecilhos à educação formal das meninas é a falta de produtos de higiene e de banheiros nas escolas, o que as impede de frequentar as aulas durante a menstruação. “Em um ano, isso dá a elas 145 dias de desvantagem em relação aos meninos. A maioria acaba desistindo dos estudos”, escreveu ela em uma coluna para a revista Time.

Em janeiro de 2017, visitou a Índia para acompanhar projetos de empoderamento das jovens e de conscientização das comunidades em que elas vivem. Viu também ações para que o governo entenda a importância de mudanças (inclusive legislativas), que promovam a independência e a liderança feminina.

5. Combate o racismo

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 (Jack Taylor / Freelancer/Getty Images)

No colégio, Meghan precisou preencher uma ficha e identificar-se como branca ou negra. Não conseguiu. A professora dizia que sua aparência era branca, mas ela tinha em casa a mãe negra e sabia que isso fazia diferença. Na infância, viu pessoas chamarem sua mãe de babá.

Ainda pequena, em uma viagem de carro, o avô avisou-a de que precisariam entrar por outra porta do restaurante porque eram negros. E mais recentemente, ouviu uma mulher no trânsito gritar um xingamento racista para Doria. Por anos, Meghan teve dificuldade de defender quem ela acreditava ser de verdade.

E não conseguia papéis porque os estúdios não sabiam em que categoria enquadrá-la. “São provas de que há muito racismo velado nos Estados Unidos. Essa questão me faz entender que já percorremos um bom caminho, mas há muito mais pela frente”, escreveu ela em um artigo para a revista Elle, em 2015.

6. Escolhe o caminho da sustentabilidade

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Príncipe Harry e Meghan Markle (Foto: Getty Images)

No início deste ano, a imprensa internacional ficou impressionada com o figurino usado pela futura duquesa em um compromisso oficial com o príncipe Harry. O look composto de calça jeans, blusa de lã, botas e sobretudo era lindo. Mais do que isso, ecologicamente correto.

Meghan escolhe somente marcas que desenvolvem produtos com o mínimo de dano à natureza. A calça, por exemplo, tem garantia por toda a vida, podendo ser recuperada pela fábrica quando necessário. O objetivo é gerar menos resíduos e estimular o consumo consciente.

Até o vestido frente-única, usado na festa de seu casamento, seguia esse padrão. Ele foi criado pela estilista vegana e eco-friendly Stella McCartney sob um rol de cuidados para assegurar a produção sustentável.