Quer ser chefe? 8 mulheres CEOs falam sobre como chegaram lá

Além dos conselhos, as diretoras dividem as dores e delícias de ocupar as posições mais altas de suas empresas
FLÁVIA BEZERRA

Dia Internacional da Mulher é comemorado neste dia 08 de março (Foto: Reprodução)

Um exercício rápido para fazer nesta sexta, 08, Dia Internacional da Mulher: quantas mulheres são diretoras ou ocupam cargos de liderança na empresa em que você trabalha? Provavelmente, poucas. Segundo dados divulgados pelo IBGE no ano passado, a participação das mulheres em nos cargos gerenciais diminuiu nos últimos anos: em 2011, elas respondiam por 39,5% destes cargos. Cinco anos depois, o número passou para 37,8%.

Pensando nisso, a revistaGlamour conversou com 8 líderes sobre as dores e delícias de ocupar as posições mais altas de suas empresas. Todas deram dicas sobre como chegar lá e (adivinha só?) comentaram sobre como o machismo esteve presente na trajetória delas. Inspire-se abaixo:

CAMILA COSTA, CEO da ID\TBWA (agência de publicidade digital), investidora anjo e mentora de startups lideradas por mulheres
“Hoje, lidero mais de 100 pessoas e tento fazer isso por exemplo e de forma zero impositiva. Sem dúvida, liderar é meu maior desafio, mas também minha maior alegria. É preciso ouvir muito, ter conhecimento para orientar e vontade para se envolver. Às vezes, também é necessário sair da visão de líder e enxergar com os olhos de cada pessoa do time. A forma de liderar feminina é, geralmente, diferente do jeito masculino. Isso não é demérito, muito pelo contrário… É fortaleza! A minha dica é: sejam autênticas, dedicadas e proativas. Busquem sempre conhecimento e conteúdo. Tragam temas relevantes e novidades para as rodas de conversa ou na orientação de seus times. E não se esqueçam de tirar o melhor proveito do dom especial que recebemos: o do cuidado. Afinal, fortalecendo pessoas e promovendo a diversidade, podemos impactar com relevância e inspiração.”

MARINA PROENÇA, COO da ClickBus, plataforma de vendas online de passagens rodoviárias
“Conseguir ser executiva de alta performance, conciliando vida pessoal e profissional é um grande desafio. Por muito tempo, abandonei família, casa e amigos. Atualmente, os fins de semana, feriados e as últimas semanas do ano são 100% deles. E atente-se ao machismo que vive dentro de você. Eu, por exemplo, já pensei ‘ah, não vou pedir equiparação salarial porque, apesar de trabalhar mais e entregar mais resultados, ele é mais experiente’. Por isso, a importância de compartilhar conteúdo e criar debates sobre o tema com o time. Quer chegar na diretoria? Desenvolva visão sistêmica, estratégica, capacidade analítica e, principalmente, habilidade de compreender as pessoas do seu time e não criar empecilhos, mas facilitar o caminho dos seus liderados. Para se destacar? Nada diferente dos homens: foque na entrega dos resultados.”

ALEXANDRA AVELAR, country manager da Socialbakers, empresa global de marketing de mídia social
“Nunca tive uma líder mulher. Junto com a objetividade masculina, herdei o machismo velado. Não entendia o que era a maternidade, suas necessidades e direitos. Acabava perdendo em empatia, sem nem mesmo perceber. Quando engravidei, embora já tivesse aprendido e mudado bastante, pude entender melhor o que está envolvido ali. Não foi fácil sentir na pele a falta de compreensão que um dia foi minha. O momento mais difícil da minha carreira, aliás, foi ter sido demitida após a licença-maternidade. Por tudo isso, temos que unir forças e educar. Educar gestores, educar nossas crianças… Eu mesma, antes de ser mãe, não tinha acesso a informações que tenho hoje, com as quais tento conscientizar outros líderes. Ah!, e saiba tirar vantagem da atual ‘desvantagem’ de ser mulher. A forma como lidamos com as emoções, a preocupação com o todo, o cuidado (que nos é tão peculiar), os aprendizados da maternidade… Essas podem ser fortalezas, se permitirmos. Não precisamos deixar de lado a feminilidade para isso. Agora, para se destacar, é preciso se preparar e ir à luta. A gente pode mais do que imagina.”

JULIANA PROSERPIO, co-founder da Echos, consultoria de inovação de design thinking
“Comecei na Echos aos 25 anos. Em reuniões, tinha muita dificuldade de conseguir mostrar credibilidade e falar. Era mulher, a mais nova da turma e ainda propunha algo desconhecido. Me lembro de uma reunião de início de projeto que não conseguia nem terminar uma frase e logo era interrompida. A estratégia foi começar a levar uma pessoa de apoio, um homem mais velho que me passava a voz. É lógico que funcionou… Hoje, porém, não investiria na mesma estratégia, pois ela reforça a estrutura machista. Por causa disso, acredito muito nos programas internos de desenvolvimento e conscientização dos funcionários. Ampliar a capacidade de comunicação e de contar histórias, além da empatia, também são importantíssimos.”

TAHIANA D’EGMONT, CMO da MaxMilhas, empresa de passagens aéreas com desconto emitidas por milhas de quem deseja vender
“Como comecei a trabalhar muito jovem, era vista como ‘pouco importante’ em reuniões com pessoas mais experientes na sala (e, em sua grande maioria, homens). O que me ajudou a superar este desafio foi me preparar muito, evoluir constantemente e entregar valor não só no discurso, mas, principalmente, na ação. Já tive que lidar e, ainda lido, com a atenção de uma reunião 100% centrada nos homens. Também me incomoda muito quando eles tentam me explicar em detalhes questões técnicas que já sei.. Sempre tenho que falar ‘essa parte eu já sei, vamos ao que realmente importa?’. Todos devem reconhecer seus privilégios e dores para que, em conjunto, possamos evoluir como plurais. Líderes mulheres e homens precisam entender que seus resultados vêm do resultado do time e não das suas conquistas pessoais.”

LIVIA RIGUEIRAL, CEO do Homer, ferramenta de parcerias imobiliárias exclusiva para corretores 
“Já trabalhei em uma empresa em que, após ser promovida e passar a gerenciar pessoas mais velhas do que eu, colegas homens e mulheres acreditavam fielmente que eu estava tendo um caso com o chefe. Foi bem difícil para mim na época. A equipe já não conversava comigo direito e ainda falavam mal de mim pelas costas. Me lembro de um estudo da consultoria Mckinsey, de 2011, que destacava que homens são promovidos segundo o potencial, enquanto as mulheres, com base no que elas já realizaram. A partir daí já dá para entender porque a liderança feminina acontece menos: se somos promovidas pelo que já realizamos, como vamos ser líderes se não temos liderança no CV? Outro aspecto importante é a licença-paternidade estendida… Ela tem que acontecer! É fato que a licença-maternidade impacta tanto na diferença de salário, quanto no alcance da liderança. E, por fim, meninas: não percam a autenticidade. A sociedade está acostumada com um padrão de liderança mais masculino e, muitas vezes, mais agressivo. Por isso, muitas acham que para ser boas precisam ser rudes.”

ISABELA VENTURA, CEO da Squid, plataforma de marketing com digital influencers
“Embora com melhorias, sabemos que o mercado de trabalho ainda é hostil e torturante para muitas mulheres. Precisamos parar de criticar o feminismo e começar a pensar que todas as as políticas que igualam oportunidades às mulheres são bem-vindas. Ser feminista é acreditar na igualdade social, política e econômica de ambos os sexos. Eu, infelizmente, nunca tive a oportunidade de ser liderada por uma mulher, mas tive a sorte der ser inspirada por homens incríveis. Me lembro bem quando recebi o melhor e mais valioso conselho de um grande líder, que me disse que meu medo de ser julgada me reprimia. O medo está, de fato, na base de muitas das barreiras que nós enfrentamos: medo de não ser admirada. Medo de não fazer a escolha certa. Medo de ser antipática. Medo de ser uma fraude. Medo de ser julgada como péssima profissional… Mas, atenta: características exclusivamente humanas e femininas, como criatividade, imaginação, intuição e emoção, serão ainda mais importantes no futuro. As máquinas são muito boas em simular, mas não em ser. E é aí que, ao meu ver, o feminino vira o jogo.”

CRISTIANA BRITO, diretora de relações institucionais e sustentabilidade para a América Latina da BASF, empresa química
“Enfrentar o preconceito é um dos maiores desafios do meu dia a dia. É claro que todos temos desafios. É preciso inovar, estar atualizada e buscar aprender sempre, independentemente do gênero. Mas, reconhecer sua capacidade para exercer determinada função e notar barreiras para o crescimento simplesmente porque se é mulher, poxa, realmente é muito frustrante. E como lido com isso? Insisto no meu ponto, deixo bem claro, volto no assunto quantas vezes for necessário. Se eu vejo alguma mulher tendo a opinião abafada em uma reunião, por exemplo, procuro apoiá-la de forma delicada, mas mantendo a firmeza. Trabalhando no livro ‘Mulher alfa: liderança que inspira’, pude perceber que disciplina, empatia, coragem e resiliência são características essenciais, que fazem a diferença feminina. Também podemos incluir assertividade, dedicação, poder de decisão, sociabilidade, flexibilidade, curiosidade e respeito. Boas líderes são mulheres que inspiram os que estão a sua volta. E é importante lembrar que as mulheres têm características de liderança diferentes dos homens, o que é ótimo! Equipes mistas são muito mais produtivas.”

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Após #MeToo, altos executivos relatam temor em orientar mulheres

Especialistas afirmam que o movimento se tornou um problema de gestão de riscos para os homens
Katrin Bennhold, The New York Times

Alguns executivos no Fórum Econômico Mundial disseram evitar reuniões a sós com colegas mulheres. Foto: Gian Ehrenzeller/EPA, via Shutterstock

DAVOS, SUÍÇA – Os homens participando da reunião anual do fórum Econômico Mundial em janeiro estavam preocupados com muitas coisas. Uma desaceleração econômica global, ameaças à segurança cibernética, populismo, guerra. E também orientar projetos com mulheres na era do movimento #MeToo, de acordo com o que muitos disseram. “Agora, penso duas vezes antes de passar tempo sozinho com alguma jovem colega”, disse um executivo americano das finanças, que pediu para não ser identificado porque o assunto é “demasiadamente polêmico”.

“Também me sinto assim”, disse outro executivo. O movimento #MeToo abriu as portas para que as mulheres denunciassem os assédios dos quais são vítimas, obrigando as empresas a levar o assunto mais a sério. Mais de 200 homens de destaque perderam seus empregos, e quase a metade deles foi substituída por mulheres.

Mas, numa consequência indesejada, as empresas tentam minimizar o risco de assédio sexual simplesmente limitando o convívio entre funcionárias e executivos do alto escalão, o que na prática exclui as mulheres de importantes oportunidades de orientação e exposição. “Basicamente, o movimento #MeToo se tornou um problema de gestão de risco para os homens”, disse Laura Liswood, secretária-geral do Council of Women World Leaders.

É um problema admitido por muitos. Em fevereiro do ano passado, duas pesquisas online a respeito dos efeitos do #MeToo no ambiente de trabalho identificaram que quase metade dos homens em cargos de gestão se sentia pouco à vontade com mulheres em atividades comuns do trabalho, como o trabalho em dupla ou a socialização. Um em cada seis administradores se disse reticente ao orientar uma colega, de acordo com os estudos, que, juntos, tiveram quase 9 mil participantes adultos nos Estados Unidos.

“Alguns homens me disseram que evitam jantar com uma orientanda, ou que temem designar uma mulher para trabalhar em parceria com um colega”, disse Pat Milligan, que comanda as pesquisas em liderança feminina para a empresa de consultoria Mercer. “Se permitirmos que isso ocorra, o resultado será um recuo de décadas. As mulheres precisam do apoio desses líderes, que, em sua maioria, ainda são homens”, disse. Além da questão da orientação, outros indicadores de igualdade de gênero estão piorando.

Em dezembro, o Fórum Econômico Mundial previu que seriam necessários 202 anos para alcançarmos a igualdade de gênero no ambiente de trabalho. Em 2016, essa estimativa era de 170 anos. Das empresas da lista Fortune 500, apenas 24 tinham mulheres na direção executiva em 2018, uma queda em relação às 32 do ano anterior.

“A questão de gênero produziu uma fadiga”, disse Pat, apontando que o movimento #MeToo surgiu após uma década dedicada à conscientização do público para os desequilíbrios entre os gêneros. “Estávamos defendendo bem a igualdade para as mulheres e a questão estava avançando bastante. Então, veio o #MeToo”.

Cesárea em menina de 11 anos aquece discussão sobre aborto na Argentina

Nem a menina nem a mãe dela foram consultadas antes do procedimento — que, inicialmente, se tratava de um aborto legal e previsto por lei
Por Tamires Vitorio

#NiñasNoMadres: hashtag ganhou força depois de menina de 11 anos ser submetida à uma cesárea sem seu consentimento ou de seus pais (Instagram/Reprodução)

São Paulo — Lúcia, uma menina de 11 anos, foi abusada sexualmente pelo namorado de sua avó em Tucumán, na Argentina, e entrou com um pedido para a realização de um aborto. No país, o procedimento é legal em algumas condições, como má formação do feto, se a gravidez colocar em risco a saúde da mãe ou (como aconteceu com Lúcia) em casos de estupro.

A gravidez foi descoberta quando estava perto de completar cinco meses. A família então entrou com o pedido formal para a realização do aborto no fim de janeiro, mas ele demorou cerca de três semanas para ser acatado. “Eu quero que tirem o que o velho colocou em mim”, teria dito ela ao juiz do caso.

No entanto, nesta quarta-feira (27) (quando o procedimento deveria acontecer), a médica Cecília Ousset desistiu de realizar o aborto e, em vez disso, fez o parto por cesárea na criança alegando que “seria arriscado abortar”, mas que não havia como a menina completar a gestação porque seu “corpo não estava pronto para uma gravidez de 23 semanas” e que ela “não estava em condições psicológicas por conta dos abusos que sofreu”.

Mesmo assim, o bebê prematuro veio ao mundo. Nem a menina e nem a mãe dela foram consultadas previamente. Os médicos afirmaram que as chances de o neném sobreviver são bastante baixas e que o estado de saúde dele é grave.

O estuprador, que tem 65 anos, está preso. A advogada da família afirmou que “a vontade da menina deveria ter sido levada em conta”.

Protestos contrários 

Grupos feministas da Argentina se posicionaram contra o caso e afirmaram que os profissionais da área da saúde de Tucumán demoram para acatar pedidos de aborto para que, com a gestação avançada, eles não consigam realizar o procedimento — que é previsto por lei desde 2012.

Também nesta quarta, um grupo de mulheres se organizou para protestar contra a situação. A hashtag #NiñasNoMadres (“Meninas, não mães”) está repleta de relatos de meninas que passaram por situações parecidas e tiveram que ter os bebês frutos de estupro mesmo tendo o aborto garantido como direito.

A “Campanha Pelo Aborto Legal” pede a investigação e a expulsão dos profissionais envolvidos no caso e afirma que Ousset foi responsável por “torturar” a menina de 11 anos.

No começo de 2019, outro caso parecido esteve no centro do debate sobre o aborto na Argentina e suas implicações: uma menina de 12 anos, que havia sido estuprada por um homem de 60 na província de Jujuy, também foi submetida a uma cesária sem seu consentimento ou de seus pais.

Legalização do aborto

No ano passado, uma proposta de lei que pretendia legalizar totalmente o aborto até a 14ª semana de gestação (cerca de três meses) foi aprovada pela Câmara dos Deputados da Argentina, mas rejeitada pelos senadores.

O novo ano parlamentar argentino se inicia nesta sexta-feira (1) e pode trazer novamente à tona o debate sobre a legalização do aborto.

A resposta de Lady Gaga ao ex-namorado é inspiração para todas

Muitas mulheres devem ter se reconhecido no papel da garota que permite ser humilhada
Mariliz Pereira Jorge

Foto: Jeff Kravitz/FilmMagic/Getty Images

Em 2010, Lady Gaga contou à revista Cosmopolitan o seguinte: “eu tive um namorado que me disse que eu nunca seria bem-sucedida, nunca seria nomeada a um Grammy, nunca teria uma música de sucesso e que ele esperava que eu fosse um fracasso. Eu disse que um dia ele não seria capaz de pedir uma xícara de café numa lanchonete sem me ver ou me ouvir”. A declaração voltou a circular esta semana, depois que a cantora ganhou o Oscar, a quinta vitória nessa temporada de premiações.

Acredito que muitas mulheres devem ter se reconhecido no papel da garota que permite ser humilhada porque acredita que aquilo é amor. Impossível não me identificar com a fala a cantora. De segura e independente, passei aos poucos a acreditar que era, na maior parte do tempo, apenas equivocada em tudo que fazia, falava, vestia. Nunca apanhei de namorado algum, nem cheguei perto disso, mas me submeti a uma série de violências psicológicas que deixaram marcas profundas no coração e na alma.

Todo mundo pergunta a mesma coisa: por que as mulheres se submetem a isso? Simples. Porque os maus tratos não acontecem desde o começo. Porque tudo o que é dito tem uma aura de proteção. Porque a gente não percebe que o buraco em que estamos mergulhando fica cada vez mais fundo e, de repente, não conseguimos sair de lá sem ajuda.

Eu tinha um trabalho invejado, morava num apartamento bacana, tinha amigos descolados, pagava as minhas contas, corria meias maratonas, era referência em moda e baladas para minhas amigas. Quando me dei conta, tinha me transformado numa mulher frágil e amedrontada. Eu dividia a vida com uma pessoa que deveria me valorizar e me estimular, mas não perdia a chance de fazer exatamente o contrário. Para o meu bem, claro.

Eu era criticada por tudo. Pelas minhas roupas, meu corte de cabelo, meu gosto musical, minhas opiniões políticas, os livros que lia, os que não lia, o jeito de dirigir, de passar o fio dental, como pegava os talheres. O meu trabalho, de repente, não tinha muito propósito. Minhas medalhas de meias maratonas, valor nenhum. Minhas amigas não eram, lá, muito inteligentes. Minha família morava muito longe, então, ficava difícil ir visitar.

Primeiro, são apenas comentários aleatórios. Você estranha, acha graça, discorda. Ele fala de novo, em tom de brincadeira. Os dois riem. Então, ele repete mais uma vez. Parece que realmente se preocupa, que quer o melhor para você – e só você não está vendo o que é melhor para você. Então, ele começa a elogiar outras mulheres que se enquadram na descrição que ele gosta. Aquelas que fazem, agem, falam, se vestem, diferente do que você é. Você fica insegura. Bingo.

Sem perceber a armadilha, você faz a primeira mudança. Qual é o problema de pintar o cabelo de uma cor que não combina com você ou cortar de um jeito do qual não gosta? Cabelo cresce. Você detesta o resultado, mas ele elogia e assim você fica infeliz, mas não é mais criticada. Um dia ele chega em casa com uma roupa que seria a última que você compraria. Você experimenta e ele diz que você está linda. Quando se dá conta, as coisas de que mais gosta estão no fundo da gaveta.

Cortei o cabelo, mudei o guarda-roupa, convivia com gente por quem não tinha o menor interesse, deixei de sair para dançar, porque ele achava que “não era um programa para casal” (sério), não ia mais à praia porque “aquele sol todo, que horror”. Carnaval? Nem pensar. O meu trabalho não era algo exatamente importante, qualquer pessoa poderia fazer a mesma coisa. E, claro, ficava sempre muito implícito que eu deveria agradecer por ter alguém como ele. Afinal, eu era muito melhor agora graças a ele, que tinha me mostrado todo meu potencial. E as minhas limitações, obviamente. Você vira outra pessoa para agradar alguém que tira a sua paz, a sua alegria, a sua personalidade, a vida que você tinha. Eu vivia um pânico interior. Tinha medo de dizer, de fazer, de vestir, de pensar algo que virasse motivo para ser criticada ou, nos momentos de breve lucidez, razão para brigas. Eu evitava discussões porque acabava sempre achando que no fundo ele estava certo.

Quando olho para trás é difícil acreditar que deixei as coisas chegarem àquele ponto. Mas a minha história é parecida com a de milhares de outras mulheres. Com sorte, mas muita sorte mesmo, um dia você acorda em tempo de juntar os caquinhos espalhados, coloca num saquinho e arrasta para a terapia, na esperança de que aquelas peças espalhadas voltem a se encaixar e você possa se encontrar com você mesma. Foi um longo caminho até que consegui fazer as pazes com a pessoa que eu era e que desprezei para ter uma vida que não era minha e ser absolutamente infeliz.

Para mim, e para a maioria das garotas que já passou pelo mesmo calvário, a melhor vingança é ser escandalosamente feliz sendo apenas a pessoa que a gente é. Olha que coisa. Mas imaginar a cara do meu ex cada vez que dá de cara com meu nome na primeira página ou na home da Folha, jornal preferido dele, me deixa feliz como se tivesse ganhado o Oscar.

Tatuagem temporária com frase ‘Minha roupa não é um convite’ será distribuída no carnaval

Acessório, que será oferecido gratuitamente, foi criado pela marca digital de moda Amaro e o coletivo feminista Não é Não
Por Gabriela Marçal

A tatuagem temporária traz a mensagem ‘Minha roupa não é um convite’ Foto: Cedida pela assessoria de imprensa da Amaro

Infelizmente, o assédio sexual é um crime comum durante as festas e blocos de carnaval. Portanto, discutir o problema nesse período do ano é fundamental, e sempre é válido ressaltar a premissa: a culpa nunca é da vítima. Ou da roupa que ela está usando. Para que isso fique muito claro a folia, a Amaro em parceria com o coletivo feminista Não é Não lançou nesta sexta-feira, 15, a tatuagem temporária ‘Minha roupa não é um convite’.

Com essa iniciativa, a mensagem contra a agressão vai estar escrita no corpo das mulheres com todas as letras.

Tatuagem foi criada pela marca digital de moda Amaro e o coletivo feminista Não é Não Foto: Cedida pela assessoria de imprensa da Amaro

Dez mil tattoos serão distribuídas gratuitamente em blocos de carnaval, nosguide shops e parceiros da Amaro.

O Coletivo Não é Não foi criado em 2017 para dar visibilidade e combater o assédio contra as mulheres.

Candidata Michal Zernowitski choca Israel ao trocar partido ultra-ortodoxo pelo trabalhista

Michal Zernowitski cresceu em partido religioso que não permite que mulheres se candidatem
David M. Halbfinger, The New York Times

Michal Zernowitski disse que em Israel há uma “revolução” a caminho entre os ultra-ortodoxos que querem mudanças. Foto: Corinna Kern para The New York Times

TEL AVIV – Em Israel, aproximam-se as primárias, e o antiquado Partido Trabalhista, que vem perdendo apoio e está desesperado para projetar energia e vitalidade, convidou seus 44 candidatos ao Parlamento para uma troca de ideias no campus de uma universidade. Na frente de uma sala de aula, estão sentados vários candidatos de centro-esquerda – um titular há muito no cargo, um conhecido jornalista de esquerda, um líder da minoria druza – e outro, nunca visto neste tipo de reunião, uma mulher ultra-ortodoxa.

Michal Zernowitski cresceu em um partido religioso que não permite que as mulheres se candidatem. Os partidos políticos apoiados pela maioria dos seus vizinhos em Elad, um reduto ultra-ortodoxo, pertencem à coalizão de direita que governa o país e que ela abomina. Michal, 38, escolheu um caminho diferente. É difícil imaginar algo mais árduo.

Michal aguarda a sua vez, sorri, levanta e faz um discurso que impressiona e abre as mentes. A sua fala é uma crítica ao sistema de educação financiado pelo Estado, mas administrado pelos ultra-ortodoxos, o Haredi, no qual, afirma, “a procedência de uma pessoa determina “quem frequentará boas escolas”. Ela conta que se tornou uma pioneira por ser uma mulher ultrarreligiosa que trabalha na indústria tecnológica, mas queixa-se de que os seus filhos estão parados ”no mesmo lugar em que eu estava”.

E critica asperamente os partidos haredi, que segundo ela, estão meio século atrasados na questão dos direitos das mulheres, dos direitos dos gays e em muitas ouras questões, e o governo de direita sobre o qual estes partidos exercem enorme influência, porque acrescenta, ele ignora os problemas que afetam as comunidades haredi por não querer se contrapor aos seus parceiros de coalizão.

E explica aos jovens urbanos que talvez nunca tenham conversado com os seus vizinhos de chapéu preto ou de peruca, que “uma revolução” está a caminho entre os ultra-ortodoxos: os “novos haredim”, como ela os chama – gente mais jovem, mais preparada que viaja para diversos lugares para trabalhar – têm fome de mudança. “Há um fosso enorme entre o que o establishment ultra-ortodoxo faz e o que as pessoas querem”, afirma.

Michal – que obedecendo às restrições usa uma peruca – se considera a personificação dos anseios de uma geração de eleitores ultra-ortodoxos. “Eles tentam integrar-se em Israel e sair dos seus guetos”, disse. Mas para ser eleita ela irá precisar quase de um milagre: o partido escolhido por ela, o trabalhista, está em frangalhos. Algumas pesquisas mostram que ganhará apenas sete cadeiras no Knesset, em comparação com 18 no atual governo. 

Em uma reunião dos candidatos trabalhistas em Jerusalém, Michal, que é casada com um advogado e tem quatro filhos, falou a uma sala lotada. Mais tarde, Izzy Almog, 81, sorriu para ela. “Não fique ofendida, não sei quais serão as suas chances. Mas você é um investimento a longo  prazo”.

Maju Coutinho é a primeira mulher negra a ocupar a bancada do Jornal Nacional

Jornalista sua esteia como apresentadora no telejornal neste sábado (16.02)

Maju Coutinho para a Vogue Brasil, em 2016 (Foto: Bob Wolfenson/Arquivo Vogue)

A jornalista Maria Julia Coutinho, conhecida como Maju Coutinho, passará a integrar o time fixo de apresentadores do Jornal Nacional da Rede Globo a partir do próximo sábado (16.02), de acordo com a colunista Patrícia Kogut do jornal O Globo.

Maju será a primeira mulher negra na história a ocupar a bancada do telejornal desde sua primeira exibição, em 1969. Ela integrará a equipe que se alterna aos finais de semana. Trata-se de um fato histórico para o jornalismo brasileiro e um grande passo na questão de representatividade negra no país. 

A jornalista, que começou sua trajetória na emissora em 2007 como repórter de rua, ficou conhecida por sua forma arrojada de apresentar os boletins meteorológicos do programa. Ela também já havia sido apresentadora do Jornal Hoje e do SPTV e apresenta o Papo de Almoço, da Rádio Globo.

Maju e Naomi usam vestidos Herchcovitch;Alexandre e sandálias, Prada (Foto: Bob Wolfenson)

A jornalista já esteve nas páginas da Vogue Brasil, em 2016, para um editorial com personalidades brasileiras negras ao lado da top britânica Naomi Campbell.