Natalie Portman: “Pare a retórica de que uma mulher é louca ou difícil”

A vencedora do Oscar de melhor atriz em 2011 fez uma lista de conselhos sobre o que as pessoas podem fazer para ajudar as mulheres e aumentar a igualdade
Por Estadão Conteúdo

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Natalie Portman 

Natalie Portman mandou um recado para os homens que têm o hábito de chamar as mulheres de “loucas” ou “difíceis”, em discurso como homenageada no evento Variety’s Power of Women Event, na última sexta-feira, 12.

A vencedora do Oscar de melhor atriz pelo filme Cisne Negro (2011) fez uma lista de conselhos sobre o que as pessoas podem fazer para ajudar as mulheres e aumentar a igualdade no mundo.

Uma das sugestões da israelense, no entanto, se sobressaiu e arrancou aplausos da plateia: “Pare a retórica de que uma mulher é louca ou difícil”, disse Portman. “Se um homem lhe disser que uma mulher é louca ou difícil, pergunte a ele: ‘Que coisa ruim você fez com ela?’”.

Portman também foi ovacionada quando enfatizou a importância da diversidade. “Se algum grupo em que você está tem pessoas que só se parecem com você, mude esse grupo”, sugeriu.

Na ocasião, foram homenageadas ainda a ativista Emma Gonzalez, as atrizes Tiffany Haddish e Regina King e a escritora, produtora e atriz Lena Waithe.

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Efeito reverso: lei para proteger prostitutas na França gera aumento da violência

Trabalhadoras do sexo dizem que são obrigadas a correr riscos
Elian Peltier e Emma Bubola, The New York Times

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Algumas prostitutas da França dizem que enfrentam mais violência em decorrência de uma lei de 2016 que castiga seus clientes. Vigília em homenagem a Vanesa Campos, morta em agosto. Foto: Lionel Bonaventure/Agence França-Presse – Getty Images

PARIS – Para muitas prostitutas na França, a morte de Vanessa Campos foi uma prova do crescente perigo enfrentado por elas depois que o parlamento aprovou dois anos atrás uma lei penalizando aqueles que pagam pelo sexo, em vez daqueles que o oferecem.

Vanessa Campos, uma peruana de 36 anos, fazia parte de um grupo de prostitutas transgênero que trabalhavam em Bois de Boulogne, um parque arborizado no oeste de Paris. Certa noite, em meados de agosto, ela foi baleada e morta quando ladrões tentaram roubar seu cliente, que sobreviveu.

“Morrer na mata assim não é jeito de terminar a vida”, lamentou Giuliana, peruana de 38 anos que anunciou apenas o primeiro nome, temendo pela própria segurança.

Os clientes de uma prostituta podem agora ser multados em até 1.500 euros, ou cerca de 1.750 dólares, e aproximadamente 2.800 pessoas receberam a punição até o momento, de acordo com o Ministério do Interior.

A lei tinha como objetivo coibir a prostituição e aumentar a segurança para as prostitutas. Mas, de acordo com elas, o trabalho se tornou muito mais perigoso.

As prostitutas dizem que um dos fatores que resulta numa maior exposição à violência é o fato de os clientes exigirem agora locais mais afastados para o sexo, para evitar possíveis patrulhas policiais.

Há cerca de 30 mil prostitutas na França, de acordo com as estimativas do governo, e 93% delas são estrangeiras. Vanessa fazia parte de um subgrupo de prostitutas transgênero latino-americanas que trabalhava no Bois de Boulogne nos dois anos mais recentes, e as colegas dizem que o local afastado onde ela esperava clientes facilitava a ação de um grupo de ladrões que atacaram a elas e seus clientes repetidas vezes.

Cinco pessoas foram acusadas de latrocínio no caso de Vanessa. Para alguns, a morte dela deixou claro o quanto a violência contra prostitutas recebe pouca atenção.

“A classe política se mantém em silêncio”, disse Thierry Schaffauser, presidente da Strass, um sindicato de prostitutas na França, após a morte dela. “Nossas mortes são normalizadas. A morte de uma prostituta é como a morte de um personagem de videogame. Ninguém se importa.”

Quarenta e dois por cento das prostitutas na França dizem ter sido mais expostas à violência depois que a lei de 2016 entrou em vigor, de acordo com um levantamento envolvendo 583 prostitutas realizado este ano para a Médecins du Monde e outras organizações não governamentais.

“Elas têm muito menos controle de suas condições de trabalho, pois o número de clientes diminuiu depois que a lei entrou em vigor”, disseram os autores de um relatório resumindo os resultados. “Os clientes se sentem no direito de ditar mais condições” porque acreditam que recai sobre eles o risco jurídico, disseram os autores.

Os defensores da lei argumentam que, ao punir os clientes e reduzir a demanda, a prostituição deve diminuir.

Para Schaffauser, as políticas que tratam as trabalhadoras do sexo como vítimas pioram a situação ao misturar prostituição com tráfico de seres humanos. Embora reconheça que muitas pessoas são obrigadas a se prostituírem, ele diz que outras, como ele, querem apenas trabalhar.

“As autoridades enxergam equivocadamente todos os trabalhadores do sexo como vítimas de algum tipo de violência, e não querem dar ouvidos se dizemos que não pensamos em abandonar a prostituição”, disse ele em entrevista. “Enquanto isso, a violência real envolvendo as trabalhadoras do sexo está aumentando, e as autoridades dizem, ‘Veja como o trabalho com sexo é violento’. É como um círculo vicioso.”

Michelle Obama lança plataforma para investir na educação de meninas

Plataforma de financiamento colaborativo permitirá que qualquer pessoa ajude a investir em projetos de educação de meninas em seis países

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Michelle Obama

Atualmente, segundo a USAID (agência dos EUA para desenvolvimento internacional) 98 milhões de garotas não estão frequentando a escola. As razões são muitas: falta de dinheiro, gravidez precoce, ameaças de segurança e ausência de suporte familiar. Esse cenário, presente em vários países do mundo, foi lembrado por Michelle Obama. Neste 11 de outubro, considerado o Dia Internacional da Menina pela ONU, a ex-primeira dama dos Estados Unidos lançou uma iniciativa global para suporte à educação de meninas no mundo.

O objetivo da iniciativa, chamada de Global Girls Alliance, é criar uma rede que unirá apoiadores e investidores a comunidades e cidades onde há meninas fora da escola. E, que assim, pode trabalhar para que elas recebam bolsas de estudos, programas de orientação e até ajuda financeira para estudar. Segundo Michelle, houve um “processo rigoroso” de seleção de locais onde seria importante investimento para garantir o acesso das garotas à educação. “Fizemos uma parceria com a plataforma GoFundMe e vamos criar uma plataforma para que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa dar apoio à educação de meninas de vários países”, diz Michelle. Atualmente, seis projetos em em seis país diferentes estão disponíveis para receber contribuições financeiras. Há possibilidade hoje de ajudar garotas que moram em Washington, Uganda, Malawi, Índia, Gana e Guatemala.

Em artigo publicado nesta quinta-feira na CNN, Michelle conta que a ideia da iniciativa surgiu em sua última viagem ao exterior como primeira-dama. Na ocasião, ela visitou uma escola em Unification Town, localizada em uma pequena vila a uma hora de Monróvia, capital da Libéria, na África Ocidental. “Estive em uma sala de aula onde a única luz que vinha era do exterior. À medida que o tempo foi se fechando e as nuvens se acumulando, a sala inteira escureceu e eu tive dificuldade de ver os rostos de quem estava bem à minha frente”.

Deste dia, Michelle guardou a lembrança das alunas que, a despeito da escuridão, estavam ali. Caminhavam quilômetros ou acordavam de madrugada para trabalhar e conseguir pagar pelo ensino. A presença delas também dependia do arranjo que faziam em casa: estavam na escola quando não precisavam cozinhar, cuidar dos irmãos menores ou fazer atividades domésticas. “Isso quando elas não precisavam se casar adolescentes, desistir dos estudos, e viver em função dos objetivos de um homem”.

Com a Global Girls Alliance, Michelle quer garantir que garotas como as que conheceu, e tantas outras que vivem a mesma situação no mundo, não precisem desistir dos estudos por imposições alheias. “A evidência é clara. As meninas que frequentam a escola ganham salários mais altos, têm menores taxas de mortalidade materna e menor probabilidade de contrair malária e HIV. E estudos mostraram que educar meninas não é bom apenas para as meninas, é bom para todos nós”.

Além disso, Michelle diz que quer ajudar a enfraquecer uma mentalidade que ainda impera em muitos locais: a crença de que porque elas são mulheres, elas merecem uma educação inferior. “É a mesma mentalidade tóxica que impede meninas aqui nos Estados Unidos de acreditarem que podem se tornar cientistas da computação ou CEOs”, diz. Ao final do artigo, Michelle lembra que “o futuro de nosso mundo é tão brilhante quanto o futuro de nossas meninas”.

Anthony Vaccarello fala com exclusividade sobre seu processo criativo na Saint Laurent

À frente da maison há pouco mais de dois anos, o designer belga reforçou a imagem de mulher forte e empoderada, que entende a força de seu corpo e o exibe, sem medo, em uma moda elegante. À Marie Claire Brasil, ele fala sobre seu processo criativo e mostra, em ensaio exclusivo, a coleção de outono-inverno 2018/19 que chega ao país neste mês
Por Laura Ancona Lopez, De Paris

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Moda YSL – O belga de ascendência italiana Anthony Vaccarello, à frente da Saint Laurent desde 2016 (Foto: Divulgação da Saint Laurent)

Fazia 11 graus negativos em Paris quando, finalmente, as luzes da passarela da Saint Laurent, montada aos pés da Torre Eiffel, se acenderam. Mas não completamente. A coleção outono-inverno 2018/19, que você vê neste ensaio, foi exibida quase na penumbra, em um cenário todo preto, como boa parte das peças do desfile. O fio de claridade que atingia as modelos de cima para baixo, no entanto, realçou as texturas e sobreposições de camadas dos looks ultrasexies e com acabamento sofisticado que só Anthony Vaccarello, 36 anos, consegue dar.

À frente da marca francesa desde abril de 2016, o designer belga de ascendência italiana apostou com força na sensualidade chique que fez a fama da maison, e que seu fundador, Yves Saint Laurent, definiu tão bem ao dizer que “Chanel libertou as mulheres, eu as empoderei”.

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Binx Walton usa vestido de paetês e brincos de metal (Foto: Divulgação)
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Camille Hurel usa vestido e chapéu de lã, brincos de metal e cristal e cinto de couro (Foto: Saint Laurent)

“Moda sempre teve a ver com mudanças, evolução”, afirmou Vaccarello com exclusividade à Marie Claire. “Não sinto nenhuma pressão de estar à frente de uma grife como a Saint Laurent. Aqui, tenho liberdade pra expressar minha visão sobre o negócio, com paixão. Acho que só assim dá para empurrar os limites e ir em frente.”

Sua maneira de extrapolar esses limites? Pernas completamente à mostra em microvestidos como o preto nada básico de Adut Akech, modelo sudanesa que nasceu em um campo de refugiados, alçada à fama pelo designer; shorts de couro fetichistas; ombros exagerados, bem 80’s, em praticamente todas as modelagens femininas. É sexy, mas não é óbvio. Tem aquela mistura irresistível de alfaiataria e sex appeal que Saint Laurent inventou, e que Vaccarello evoluiu.

Tanto que é hoje “a” marca de luxo mais desejada por jovens de até 25 anos: é fresh, é contemporânea, é perfeita para um #ootddo Instagram. Não por menos, tem como garota-propaganda a top Kaia Gerber, representante máxima dessa geração, filha adolescente de Cindy Crawford. “Não quero só fazer as melhores roupas”, diz Vaccarello. “Quero instaurar uma nova visão [sobre a moda].”

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Kaia Gerber usa jaqueta de paetês, blusa de seda, chapéu de lã e couro e brincos de metal, resina e cristal (Foto: Divulgação)
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Fran Summers usa vestido de seda bordado (Foto: Divulgação)

Sua missão não era simples: suceder Hedi Slimane (hoje na Céline), que fez voltar as atenções da indústria novamente à Saint Laurent. Mas, tal qual o francês, ele sabe capturar o espírito do tempo. E o nosso zeitgeist fala diretamente com os millennials, com as mídias sociais, com o feminismo. Não por menos, suas mulheres têm ombros largos, quase masculinos, e montam-se em saltos grossos vertiginosos, que as fazem 15 centímetros mais altas sem desequilibrar.

São maiores, mais firmes e seguras do que os garotos da passarela, vestidos com calças skinny de visual displicentemente rocker. A impressão, ali, é de que elas podem tudo. “Essas mulheres não têm medo de serem superfemininas, mas também não têm o menor problema em vestir peças do guarda-roupa do homem”, diz Vaccarello.

“Meu trabalho é focado em quatro conceitos-chave: liberdade, sensualidade, segurança e elegância – que é exatamente o que eu acredito que uma mulher queira passar através das roupas”, diz ele. “Por isso que, em vez de cair na armadilha de copiar o legado de uma marca da importância da Saint Laurent, procuro entendê-lo. Assim consigo unir minhas ideias e criar.”

Para o designer, não se divertir (nem se inspirar) durante esse processo não está nos planos. “Para mim, moda é uma fantasia escapista. E é isso que tanto me atrai nela: é como um sonho.” 

Grupo Arquitetas Negras faz vaquinha virtual para lançar revista

Projeto quer levantar o debate pelo fim do racismo e discriminação de gênero no setor

arquitetas_negras_mg.jpgCriado em março deste ano, o projeto Arquitetas Negras tem como objetivo levantar o debate pelo fim do racismo e da discriminação de gênero na arquitetura. Com as arquitetas Gabriela de Matos e Bárbara Oliveira à frente da organização, o grupo agora encara um novo desafio ao lançar na internet uma “vaquinha” no site Benfeitoria para lançar uma revista impressa com conteúdo pensado e produzido exclusivamente por arquitetas negras. Para isso, elas precisam arrecadar R$ 96.307 até o dia 30 de outubro.

“Apesar de puxarmos para a arquitetura, é uma discussão de todas as áreas, é da sociedade, sobre qual é o lugar da mulher negra”, diz Gabriela.

Entre os problemas que as participantes do grupo relatam, aparece a falta de reconhecimento na profissão. “Muitas reclamam também de não serem aceitas pela estética negra em grandes escritórios”, disse Gabriela. “Nós subimos esse degrau, queremos estar bem representadas, mostrando que estamos produzindo, que nosso trabalho tem conteúdo.”

O projeto participa junto a outros quinze do edital Canal Negras Potências, criado pelo portal Benfeitoria junto ao Fundo Baobá e o Movimento Coletivo (plataforma de investimento social da Coca-Cola Brasil). Pelo modo matchfunding, cada R$ 1 arrecadado pelo Arquitetas Negras é somado a mais R$2 do Movimento Coletivo até que a meta total do projeto seja atingida. Caso contrário, o dinheiro é devolvido aos doadores.

Para a produção da revista, também estão sendo selecionados projetos de arquitetura feitos por mulheres negras, inscritos no edital proposto pelas organizadoras. Para isso, é preciso passar por uma seleção de curadores reunidos pelo Arquitetas Negras.

Na política americana, mulheres são alvo de ataques

Candidatas a diversos cargos chegam a desistir de concorrer por casos de vandalismo e ameaças de estupro e de morte
Maggie Astor, The New York Times

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Erin Schrode, 27, foi assediada durante a sua campanha ao Congresso em 2016. As ameaças continuam até hoje, acrescentou Foto: Erika P. Rodriguez para The New York Times

Quatro dias antes das primárias do Congresso em 2016, em seu distrito no Norte da Califórnia, Erin Schrode acordou com dezenas de milhares de mensagens. Estavam em toda parte, no seu e-mail, no celular, no Facebook, no Twitter e no Instagram.

“Todos riam da ideia de estuprá-la em grupo e depois esmagar sua cabeça”, uma delas dizia.

“É engraçado ficar imaginando se ela aguentaria uns vinte mais ou menos por 8 ou 10 horas”, afirmava outra, sugerindo novamente um estupro em grupo.

Isto aconteceu há dois anos, desde que Erin, hoje com 27, foi derrotada nas primárias democratas e foi em frente. Mas as ofensas – a lama venenosa das provocações online, repletas de misoginia e antissemitismo, que incluía imagens retocadas do seu rosto no formato de um abajur nazista, e referências a “pré aquecer os fornos” – nunca pararam.

“Ela precisa parar de mexer as mãos como uma drogada”, disse um tuíte este ano. “Mais um plano feminazi fracassado!” proclamou outro.

O ciclo eleitoral americano de 2018 trouxe uma verdadeira onda de mulheres que decidiram candidatar-se. Um número recorde aspirara, no passado ou agora, a uma cadeira no Senado, na Câmara dos Deputados e ao cargo de governadora, segundo informa o Center for American Women and Politics da Rutgers University de Nova Jersey.

Muitas outras se candidataram aos legislativos estaduais e a uma cadeira nas Câmaras Municipais. Ao longo de todo o processo, elas estão descobrindo que o assédio e as ameaças, já comuns para as mulheres, podem agigantar-se nas disputas políticas – principalmente se a candidata pertence a um grupo minoritário.

No ano passado, abusos de caráter sexista e antissemita contribuíram para fazer com que Kim Weaver, democrata de Iowa, abandonasse a sua candidatura contra o deputado Steve King.

Alguém entrou em sua propriedade durante a noite e colocou uma tabuleta escrita “vende-se”. O site neonazista The Daily Stormer publicou um artigo (que não está mais disponível) com o título “A prostituta que concorre contra Steve King”, lembra Kim, engrossando o teor das ameaças.

Um conhecido no governo alemão até telefonou para alertá-la por ter visto uma conversa ameaçadora em um quadro de recados extremista, e perguntou se ela dispunha de um segurança pessoal.

“Normalmente, eu sou uma pessoa bastante corajosa, mas quando você se sente em um aquário e não sabe quem lhe está atirando pedras, a situação se torna desconcertante”, disse Kim, 53. “Você não sabe se se trata de uma pessoa que está sentada no subsolo da casa da mãe, na Flórida, ou se é um branco supremacista que adora armas e odeia você, e mora a um quarteirão de distância”.

Quando Kim se retirou da disputa, King sugeriu que ela havia inventado as ameaças. “Eu queria #KimWeaver na disputa – e não fora”, ele tuítou. “Os democratas a tiraram da disputa – não foram os republicanos. As ameaças de morte provavelmente nem existiam, foram inventadas”.

Emily Ellsworth , 31, republicana de Utah, disse que quando procurou o apoio de delegados do partido para concorrer ao Senado Estadual, este ano, um delegado a assediou em diversos eventos e mandou uma dezena de mensagens pelo Facebook. Só parou depois que ela desativou sua conta.

As mensagens não eram de cunho explicitamente sexual, ela disse, mas fizeram com que ela sentisse que  “ele realmente queria forçar um relacionamento mais pessoal e tinha dificuldade para aceitar os limites que eu havia estabelecido”.

Morgan Zegers, 21, uma republicana que concorria à Assembleia do Estado de Nova York, contou que foi chamada de “a perfeita dona de casa republicana”, e frequentemente teve de deletar comentários vulgares de sua página do Facebook. Lauren Underwood, 31, candidata a Câmara dos Deputados em Illinois, lembra que quando estava visitando um apoiador, um cidadão republicano local parou perto dela e se ofendeu ao saber que Lauren concorria contra um amigo seu no Congresso.

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“É importante para mim mostrar um bom diálogo sobre as questões políticas e não assustar as mulheres que pretendem candidatar-se”, diz Morgan Zagers, que apaga regularmente comentários vulgares em sua página do Facebook Foto: Nathaniel Brooks para The New York Times

“Ele se endireitou, postou-se na minha frente com grande imponência, curvando-se como se fosse me agredir porque eu tinha a audácia de concorrer ao cargo”, disse Lauren, acrescentando que o seu partidário a defendeu.

O assédio não é nenhuma novidade para as mulheres na política, ou em qualquer outro lugar – os homens o enfrentam também, principalmente se são afro-americanos ou judeus. Mas, no caso das mulheres, o assédio se dá a toda hora, frequentemente é de cunho sexual, e só veio à tona nestas eleições, em parte porque há muitas mulheres concorrendo e em parte porque elas passaram a expor abertamente as experiências pessoais.

Participantes do Women Win, um fórum realizado em junho pelas mulheres democratas que concorrem no Texas, afirmaram que descobriram um sentimento de camaradagem na iniciativa.

“Estar na sala com todas essas mulheres que falam dos mesmos problemas que eu tenho fez com que eu me sentisse muito mais normal”, comentou Samantha Carrillo Fields, 31, uma candidata à Câmara do Texas, referindo-se não apenas à questão da segurança, mas também a outras formas de misoginia durante a campanha. “Foi muito bom receber esta confirmação”, afirmou.

Em um vídeo de 2017 realizado pelo Womens’s Media Center, as que foram eleitas descreveram suas experiências como parte de uma campanha chamada #NameItChangeIt, que encoraja as mulheres a se manifestarem sobre o assédio. E as mulheres, agora, se mostram mais dispostas a fazê-lo em comparação a alguns anos atrás.

Quando Rebecca Thompson, democrata, concorreu à Câmara de Michigan em 2014, notou que uns estranhos começaram a segui-la até em casa, à saída de alguns eventos, e passavam devagar de automóvel várias vezes em frente à sua casa. A certa altura, alguém arrombou o seu carro. No final da campanha, contou, passou a dormir na casa do seu companheiro porque tinha medo de ficar na sua.

“Eu me senti desprotegida durante toda a campanha”, afirmou Rebecca, 35 anos. “Parecia quase uma guerra psicológica, como se tentassem me enlouquecer. Fiquei apreensiva o tempo todo, porque não sabia aonde podia ir, em qualquer lugar da cidade, sem ter a sensação de estar sendo seguida”.

Na época não se sentiu à vontade para falar a este respeito. “Dizia a mim mesma que tinha de aguentar esta situação. Se essas coisas acontecessem agora, acho que me sentiria segura para denunciá-las”.

Mesmo assim, algumas candidatas entrevistadas disseram inicialmente que não haviam sido assediadas – mas quando foram mencionados alguns exemplos, como ameaças em mensagens na mídia social, acabaram falando que, de fato, já haviam passado por isto. Como muitas participantes do movimento #MeToo, estas candidatas observaram que certo grau de misoginia já é tão esperado que parece uma coisa banal.

“As coisas que as pessoas falam acabam se tornando comuns”, disse Mya Whitaker, 27, democrata que se candidatou à Câmara Municipal de Oakland, Califórnia. “O fato de ser uma mulher negra e de existir, em alguns casos, é suficiente para irritar as pessoas”.

Um tipo diferente de percepção de normalidade ocorre no outro extremo do espectro, em que o assédio é tão perverso e constante que ultrapassa a capacidade de reação.

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Mya Whitaker disse que o fato de ser uma mulher negra é suficiente para ser assediada por algumas pessoas Foto: Cayce Clifford para The New York Times

Desenvolvedora de videogames independente em 2014, Brianna Wu foi alvo de abuso durante o GamerGate, quando mulheres que trabalhavam neste setor foram vítimas de assédio.

Agora, Wu, 41, democrata que concorre ao Congresso em Massachusetts, disse que as ameaças de morte e de estupro são tão rotineiras que parou de se preocupar tanto. Mesmo quando as pessoas atiraram objetos pela sua janela ou vandalizaram o carro do seu marido, e até quando enviaram fotos dela, ao estilo paparazzi, em sua própria casa.

“Muitas vezes, olhava aquilo e pensava: eu sei que deveria sentir alguma coisa neste momento. Sei que deveria ficar apavorada, irada ou estressada. A esta altura, já não sinto mais nada”, contou. “É quase como se o medo fosse um músculo sobrecarregado, e não conseguisse fazer mais nada no meu corpo”.

Muitas afirmam que, por princípio, não se intimidam a ponto de calar. Outras dizem que seus ideais políticos são muito mais importantes do que isto.

Frequentemente, Wu e outras insistiram com possíveis candidatas para que não se deixassem dissuadir. Morgan Zegers contou que foi por isso que deletou os comentários sexistas do Facebook.

“Muitas mulheres leem a minha página. Para mim, é importante mostrar um bom diálogo sobre as questões políticas e não assustar as mulheres fazendo com que desistam de se candidatar”.

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Brianna Wu disse que o assédio que ela sofreu como desenvolvedora de videogame em 2014 fez com que se tornasse insensível ao que agora sofre como candidata ao Congresso Foto: Kayana Szymczk para The New York Times

Algumas consideram o assédio uma dificuldade que terão de superar se quiserem mudar os sistemas que a mantêm.

O governo ainda é composto majoritariamente de homens que nunca sofreram assédio sexual, enquanto “um número enorme de mulheres experimenta este tipo de coisa”, disse Lauren.

“Acho que faz parte da oportunidade de concorrer em nome do progresso”, acrescentou. “É uma oportunidade de consertar isto e impedir que aconteça no futuro”.

Ariana Grande teria sido assediada por pastor em velório de Aretha Franklin; vídeo

Durante o discurso, o pastor Charles H Ellis ficou abraçado à cantora e tocou seu seio direito

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Ariana Grande no funeral de Aretha Franklin (Foto: Getty Images)

Ariana Grande foi escolhida para homenagear Aretha Franklin, que morreu no último dia 16, em seu funeral nesta sexta-feira (31), em Detroit. Durante a homenagem, a cantora passou por um momento, no mínimo, desconfortável, e teria sido assediada pelo pastor Charles H Ellis. [Confira o vídeo abaixo]

Após a performance da jovem para o clássico You Make Me Feel Like [A Natural Woman], o pastor Charles, que conduzia a cerimônia, foi visto tocando os seios de Ariana. Ele abraçou a garota para agradecê-la por sua participação e disse não conhecer o trabalho da intérprete de God is a Woman.

“Quando vi Ariana Grande na programação, pensei que era algum prato novo do Taco Bell”, ‘brincou’ o pastor Charles, se referindo a uma famosa rede de fast-food dos Estados Unidos. Nesse momento, o pastor já estava com os braços em volta da cantora, tocando o seio direito dela.

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Ariana Grande fez uma homenagem no funeral de Aretha Franklin (Foto: Getty Images)

Em um vídeo, publicado por um fã-clube da cantora no Twitter, é possíver perceber que Ariana não conseguiu esconder o constrangimento. “Esta é só mais uma de muitas provas de que vivemos numa sociedade composta por homens desrespeitosos, exigimos respeito”, dizia a publicação.

Além dele, o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton também teve a postura condenada por usuários no Twitter, por olhar as costas de Ariana, de cima a baixo, repetidas vezes.

No Twitter, a #RespectAriana, uma referência a canção feminista da própria Aretha, traz mensagens de apoio para a cantora. “Uma pena ver que assediadores como esse homem ganham palco em um lugar onde as pessoas vão para exercer sua fé e religião. Como sempre a hipocrisia e a falta de noção dominam”, escreveu outra usuário da Twitter. [Marie Claire]