MC Soffia lança single sobre protagonismo negro

Música já está disponível em todas as plataformas digitais e faz parte do primeiro EP da jovem rapper de 15 anos
CLAY BRITO

Novo single da Mc Soffia: “É o hype” (Foto: Divulgação)

MC Soffia lançou hoje, 02, seu novo single“É o hype”. A canção,que já está disponível em todas as plataformas digitais, fala sobre o protagonismo negro e como ele pode incomodar a sociedade: “As ‘preta’ e os ‘preto’ no hype… quebrando a sociedade”, diz a letra. 

A música foi feita em parceria com o produtor do grupo Recayd Mob, o Lucas Spike, e abusa da batida Trap (o estilo de instrumental do Rap).

Mês passado a cantora lançou “Money”, cuja letra desconstrói o estereótipo dos negros pobres e trabalhadores. As duas músicas fazem parte do primeiro EP da rapper: o “Soffisticada”, que será lançado em breve.

Mc Soffia foi uma das ganhadoras da categoria “Gente Que Faz”, no Prêmio Geração Glamour 2018.

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Leitoras fazem fila por cópia da Vogue britânica editada por Meghan Markle

‘Espero que as leitoras se sintam tão inspiradas quanto eu’, disse a duquesa
JAYSON MANSARAY

Leitoras britânicas fazem fila para ter edição da Vogue que foi editada por Meghan Markle SIMON DAWSON / REUTERS

LONDRES – Leitoras entusiastas pela família real britânica fizeram fila nesta sexta-feira (2) para comprar a nova edição da revista Vogue britânica, que teve como editora convidada Meghan Markle, 37,duquesa de Sussex e mulher do príncipe Harry.

Meghan, que teve o primeiro filho em maio, passou sete meses trabalhando com o editor-chefe da Vogue britânica, Edward Enninful, na edição de setembro, que destacou 15 mulheres que ela considera “Forças da Mudança” na capa.

“Eu queria ser uma das primeiras… e estava muito empolgada”, disse Vanessa Forstner, vendedora de carros de luxo de 29 anos que entrou na fila em frente à loja Condé Nast Worldwide News, no centro de Londres.

Sandria Plummer, 55, outra das que esperaram para comprar a revista, disse estar entusiasmada com a diversidade de conteúdos escolhidos por Meghan. “É especial porque a duquesa de Sussex é a editora deste mês e… é uma coisa que só se tem uma vez na vida, é um item de colecionador, então estou empolgada por ter duas cópias agora”, disse.

A duquesa de Sussex, Meghan Markle – Reuters

Meghan Markle disse em um comunicado que tentou direcionar o foco da edição de setembro –normalmente a mais lida do ano– “aos valores, causas e pessoas que causam impacto no mundo hoje”.

A capa da revista conta com figuras como a ativista climática adolescente Greta Thunberg, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden, a boxeadora Ramla Ali e a atriz e ativista dos direitos das mulheres Salma Hayek Pinault. “Espero que as leitoras se sintam tão inspiradas quanto eu pelas ‘Forças da Mudança’ que encontrarão nestas páginas”, disse Meghan.

A edição também traz uma “conversa sincera” de Meghan com a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama e uma entrevista de Harry com a primatóloga Jane Goodall na qual ele debate a “tendência inconsciente” ao racismo.

Rainhas do Crime | “Filmes feitos por mulheres não são só para mulheres”

Diretora Andrea Berloff fala sobre questões atuais abordadas em um filme de anos 70
JULIA SABBAGA

Rainhas do Crime, filme da DC/Vertigo

Em Rainhas do Crime, a adaptação cinematográfica da HQ The Kitchen, da Vertigo, três mulheres tomam o poder da máfia para conseguir pagar as contas depois da prisão de seus maridos. Marcando a estreia de Andrea Berloff (indicada ao Oscar pelo roteiro de Straight Outta Compton: A História do N.W.A) na direção, o filme pode cair na armadilha de ser chamado um “filme de mulher”, mas para Berloff, se afastar desta noção era uma prioridade. Durante uma visita ao set do filme em Nova York, o site Omelete conversou com a diretora sobre a questão.

Chamando seu projeto sempre como um “filme de gângster” em primeiro lugar, e citando referências de Martin Scorsese e O Poderoso Chefão, Berloff faz questão de esclarecer que o filme não tem medo de ser violento. Ela diz que tomou cuidado para que Rainhas do Crime não tivesse medo de retratar a frieza da Nova York dos anos 70 e espera que a energia passada de uma produção liderada principalmente por mulheres não seja entendido de modo errado. Relembrando o sucesso de Oito Mulheres e Um Segredo, Berloff falou sobre um mundo em transição, em que o protagonismo feminino está deixando de ser associado a um público só: “Nós temos que superar a ideia de que um filme protagonizado por mulheres é feito para mulheres”, ela explica, também lembrando que nomes marcantes como Domhnall GleesonCommonBill Camp e Brian d’Arcy James completam o elenco liderado por Elizabeth MossMelissa McCarthy e Tiffany Haddish: “Nós temos um elenco incrível de homens nesse filme. A gente sempre fica falando que precisamos fazer um derivado focado nos homens de Rainhas do Crime”.

Isto não quer dizer, no entanto, que o filme terá receio de lidar com questões de gênero, fazendo o esforço de falar sobre questões atuais sem escapar dos moldes dos anos 70. Questionada sobre seus principais desafios na adaptação, Berloff explicou: “Em primeiro lugar, precisava ser divertido. Se ele não entretém, ninguém vai assistir (…) Em segundo lugar, eu quis me certificar que eu estou contando uma história que tem nuances o suficiente para ser trazida para os dias de hoje”. Afinal de contas, ela conclui, o objetivo final, além de entreter, foi inspirar: “Eu espero que seja inspirador. As mulheres deveriam querer estar no poder, deveriam saber como é ter poder na sua comunidade, no seu mundo”.

O que animou a cineasta para a temática veio de um sentimento específico de explorar a ascensão das minorias, temática mais do que atual. Berloff descreve que a aventura de imaginar a dominação feminina em um cenário ou local de trabalho tão tradicionalmente masculino é um exercício intrigante, já que a união de mulheres em poder é definitivamente diferente do cenário familiar liderado pelas figuras masculinas. Em última instância, o molde que Berloff usou em Rainhas do Crime é certamente atual: “O mundo está começando a entender que se você não dá poder a certas pessoas, se você não dá chance, você não pode se surpreender quando elas quiserem derrotar o sistema”.

Rainhas do Crime estreia em 8 de agosto.

Coletivo desenvolve primeiro banco de imagens LGBT+ do Brasil

Plataforma foca na representatividade desse público e busca mudar a forma como é visto na publicidade

A plataforma Tem Que Ter traz fotos de pessoas LGBT+ em situações comuns do dia a dia. Foto: Urich Santana/Tem Que Ter

Representatividade é importante em todos os espaços e agora não há mais desculpas, pelo menos em termos de publicidade ou trabalhos de divulgação, para não incluir pessoas LGBT+ sem estereótipos. Isso porque o coletivo gaúcho Viva Voz lançou recentemente o primeiro banco de imagens brasileiro focado na representatividade LGBTI+, o Tem Que Ter.

As fotos, de autoria de cinco fotógrafos parceiros, mostram pessoas em situações comuns do dia a dia, o que evita a representação de forma estereotipada.

A ideia, segundo as idealizadoras descrevem, partiu do fato de que a representatividade LGBTI+ é quase nula na propaganda brasileira. Quando há alguma manifestação nesse sentido, que foge do padrão heteronormativo, os estereótipos são reforçados. 

Por isso, o grupo resolveu questionar e também ajudar a dar visibilidade para homens e mulheres homossexuais, bissexuais, trans, intersexo e todas as expressões possíveis de gênero.

“Nosso projeto busca transformar a maneira como a população LGBTI+ é representada na publicidade brasileira, reforçando a visibilidade da existência de corpos e sujeitos diversos através da quebra de estereótipos”, diz a descrição no site.

Segundo Brainstorm 9, o Tem Que Ter foi um dos 14 trabalhos contemplados com bolsas no SaferLab, iniciativa da SaferNet Brasil em parceria com o Google.org e a Unicef Brasil para estimular a criação de projetos contra o discurso de ódio na internet.

As fotos podem ser baixadas gratuitamente por meio do www.temqueter.org.

Fotógrafas mulheres dominam festival francês com novo olhar sobre sexo

Festival de Arles, mais tradicional mostra de fotografia, completou 50 anos
Cristianne Rodrigues

Fotografia da artista chinesa Pixy Liao Reprodução

ARLES (FRANÇA) Em sua 50ª edição, o festival de fotografia Rencontres d’Arles, um dos mais tradicionais do mundo realizado todo ano na cidade francesa, destaca a força do olhar feminino.

Nele, imagens se apresentam como ferramenta de reflexão sobre as relações pessoais, um espelho refletindo a condição da mulher, da sublimação do cotidiano à exploração da intimidade como reduto da liberdade.

O trabalho de Pixy Liao é o mais inovador da seleção deste ano. Associada a uma estética pop, a artista chinesa radicada em Nova York vem se questionando sobre as relações de poder, a dinâmica dos gêneros, as pressões socioculturais e o impacto das convenções nas relações amorosas da China do século 21. 

Na série fotográfica “Uma Relação Experimental”, Liao apresenta um audacioso ensaio de autorrepresentação, criando uma mise en scène bem-humorada sobre o conflito de submissão do masculino à dominação feminina. 

“Enquanto mulher educada na China, eu acreditava que só podia me relacionar com um homem mais velho e mais maduro do que eu. Até que encontrei Moro, que é mais jovem, e me tornei a pessoa que tinha a autoridade e o poder na dinâmica do casal. Meu namorado é japonês e esse projeto descreve uma relação de amor e ódio”, conta a artista.

Fotografia da artista chinesa Pixy Liao Reprodução

O festival traz também uma mostra histórica sobre a condição feminina nos Estados Unidos dos anos 1970, quando o feminismo toma grande impulso naquele país. [ x ]

É nesse momento, depois da legalização do aborto, que Eve Arnold, Abigail Heyman e Susan Meiselas publicam livros de gênero até então inédito associando imagens e testemunhos para questionar os estereótipos presentes nos papéis desempenhados pelas mulheres na vida amorosa, familiar e profissional. 

Enquanto Arnold aborda o caráter obsessivo e aprisionante dos cuidados com a aparência, Heyman  registra as tarefas domésticas invisíveis que enchem sua vida tais como as compras no supermercado ou a limpeza da casa. 

Banais e entediantes, essas atividades, que até então jamais tinham sido objeto de um ensaio fotográfico, se tornam espelho para as mulheres americanas ao mostrar a crueza da condição feminina. 

É nesse momento também que Susan Meiselas flagra em imagens os corpos das profissionais do strip-tease no nordeste dos Estados Unidos. Captadas nos momentos de pausa entre um espetáculo e outro, as imagens mostram mulheres fora do contexto de contemplação masculina, em que, libertas da necessidade de seduzir, revelam seus sonhos e suas ambições.

Pouco mais tarde, numa Espanha recém-liberta do jugo franquista, Ouka Leele se torna protagonista de uma contracultura por meio da fotografia.

Ela mostra até que ponto esse movimento representou um grito de liberdade para a juventude de Madri, onde todos os excessos eram possíveis —e passíveis de serem fotografados. Sexo, drogas e rock n’ roll, personagens underground e artistas emergentes num ambiente festivo do qual Pedro Almodóvar é hoje seu mais célebre representante surgem nessas imagens.

Leele apresenta uma série de obras que partem da imaginação e se concretizam na fotografia, com o auxílio do teatro e da pintura. Segundo a artista, suas obras não têm por função fazer uma crítica social, elas são na verdade uma sublimação do cotidiano, uma “mística doméstica”.

Construída nesse período marcado por grandes agitações políticas mas também por uma forte resistência, a obra da tcheca Libuše Jarcovjáková apresenta a vida noturna de Praga sob o regime comunista nos anos 1970 e 1980, num contexto sombrio de privação da liberdade.

Foi na companhia dos personagens homossexuais e transsexuais por ela retratados que Jarcovjáková conquistou a liberdade que marcaria sua linguagem fotográfica, por muito tempo rejeitada pela academia local.

Outro ponto culminante do festival é a obra da cineasta e fotógrafa grega Evangelia Kranioti, com seus impactantes afrescos audiovisuais das sociedades contemporâneas. Em entrevista recente, ela definiu seus projetos como declarações de amor às mulheres e aos homens marcados pela solidão.

“São seres sem referências, habitados por questionamentos e dúvidas, que vivem entre um profundo desejo de serem esquecidos e a imperiosa vontade de se reinventar, formando uma errância íntima e iniciática.” 

Numa das séries, a artista acompanha a tripulação de um navio em travessia pelo Mediterrâneo, onde a cada porto os marinheiros alimentam amores negociados e passageiros. Ela confronta ainda o drama de seres vivos que migram para as necrópoles do Cairo como uma derradeira solução de moradia. 

Noutro trabalho, Kranioti explora as múltiplas facetas da cidade do Rio de Janeiro no momento em que convergem o carnaval e as agitações políticas do ano passado, “partindo da ideia de se travestir no seu sentido mais amplo para abordar a transformação do corpo íntimo e do corpo social”.

É na construção dessa obra de estética misteriosa que Evangelia Kranioti trava contato com Luana Muniz, a rainha da Lapa, ícone queer desaparecido há dois anos,  uma figura que se tornou uma alegoria pungente do Brasil contemporâneo.

Histórias de horror vão fundo na ansiedade materna

Ficção literária está emprestando cada vez o gênero de terror para explorar os medos das mães
Alexandra Alter, The New York Times

Uma safra crescente de obras de ficção usa o horror para descrever as ansiedades e as questões modernas da maternidade. Foto: Tony Cenicola/The New York Times

Anos atrás, a romancista Helen Phillips acordou com os gritos da sua filhinha. Não conseguiu acalmar a criança, que estava tendo um pesadelo e gritava: “Quero a mamãe! Quero a mamãe!”. “Foi um dos momentos mais assustadores da minha vida”, disse Helen. “Esta é uma metáfora da maternidade. Sempre teremos de enfrentar coisas que nos dão toda a dimensão da nossa impotência”.

Aquele momento deu origem a uma cena inquietante do seu novo livro, The Need, um thriller que explora os tormentos psicológicos e físicos da maternidade. A narrativa gira em torno de Molly, uma paleobotânica mãe de duas crianças, praticamente incapaz de dormir, cuja estressante rotina doméstica, certa noite, é conturbada por um intruso do outro mundo. Ele representa o medo mais angustiante de Molly: o de que algo ruim possa acontecer com as crianças.

Para Helen, 37, escrever sobre uma ameaça sobrenatural foi a maneira mais precisa de sondar o terreno emocional da maternidade. The Need pertence a uma safra crescente de obras de ficção surreal especulativa que usa o horror para captar o pânico, a insegurança e as pressões que as jovens mães enfrentam. A exaustão que beira a alucinação. 

A sensação de que o nosso corpo se tornou uma fonte de alimento e deixa de nos pertencer. As tarefas intermináveis e monótonas, pontuadas por picos de adrenalina, emanadas de um pavor crescente e constante. E se a febre no meio da noite for o sinal de uma doença que é o prenúncio da morte? E se eu não conseguir cuidar dela?

No livro de suspense de Vanessa Lillie, Little Voices, que será publicado perto do fim do ano, uma mulher não consegue amamentar o filhinho prematuro e precisa bombear constantemente o leite durante a noite. Então começa a ouvir uma voz ameaçadora que a leva a crer que esteja sendo possuída.

“Ele nunca vai sentar ou levantar ou engatinhar ou andar”, diz a voz. “Você não foi feita para ser mãe”. Orange World, a história título da última coletânea de Karen Russell, fala de Rae, que faz um pacto com o diabo para manter o seu recém-nascido vivo. O diabo exige ser alimentado todas as noites às 4h44 da madrugada.

Desgastada pela impossibilidade de dormir, Rae se sente isolada, indefesa e até mesmo louca. No romance de estreia de Melanie Golding, Little Darlings, publicado recentemente, a protagonista, Lauren, teme não estar preparada para cuidar dos gêmeos que choram constantemente. Mais tarde, ela se convence de que os seus bebês foram roubados por uma velha bruxa e substituídos por crianças semelhantes, e acha que o seu corpo não produz mais leite para os dois sósias que não param de chorar.

Melanie, que mora em Gloucester, Inglaterra, e seus dois filhos, hoje com sete e nove anos, disse que o romance foi inspirado em parte por sua difícil experiência no parto, e por lendas folclóricas europeias sobre crianças trocadas, filhos de fadas postos no lugar de filhos de seres humanos.

Estas histórias se articulam em torno de antigas ansiedades, mas soam como contemporâneas em suas descrições da moderna maternidade. Muitas falam de temas como o processo fisicamente brutal do parto e da amamentação, a dificuldade de equilibrar a carreira e o cuidado dos filhos, a pressão que as mulheres sofrem para subverter as suas necessidades pelas dos filhos, o medo de serem julgadas por seu modo de agir em relação aos filhos, e o fato da possibilidade de cada novo filho acabar com a sua identidade.

Helen Phillips, que mora em Nova York, disse que em The Need procurou captar não apenas o medo que ela sente enquanto mãe, mas a ferocidade quase igualmente aterradora do amor maternal. “O amor que nos sentimos por eles é absurdamente tenso, intenso, visceral, animal”, ela disse.

“Ela se perguntava se as outras mães experimentavam este estado permanente de ligeiro pânico”, escreve Helen em The Need. “Que fenômeno era estar com os filhos, passar cada momento tão agudamente consciente do abismo, do eventual sofrimento espreitando a cada segundo”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Curtidas desaparecem do Instagram, mas a pressão social não

A minha foto em uma ilha grega vai ganhar mais curtidas do que a sua em Veneza? Para acabar com essas disputas de egos, o Instagram parou de exibir as curtidas em alguns países, pois muitos jovens lidam muito mal com a pressão social nas redes.

Imagem: iStock

“O Instagram se antecipa ao fato de que o nosso fascínio pela quantidade está diminuindo, existe uma nova forma de conceber as relações sociais”, declarou à AFP o sociólogo francês Stéphane Hugon, especialista em inovação social e tecnologias.

O Instagram, uma rede para compartilhar imagens que tem mais de um bilhão de usuários em todo o mundo, parece ter se conscientizado da “pressão” sofrida por alguns de seus usuários.

Seu chefe, Adam Mosseri, anunciou no começo de julho novas ferramentas contra o assédio, como o aparecimento de uma mensagem de advertência contra comentários de ódio, gerada por um programa de inteligência artificial.

Além disso, a rede está testando uma nova função em seis novos países (Brasil, Austrália, Itália, Irlanda, Japão e Nova Zelândia, depois do Canadá): o número total de “likes” (curtidas) não aparecem mais debaixo de cada imagem – só o autor da publicação pode vê-lo.

“Queremos que o Instagram seja um lugar onde as pessoas se sintam confortáveis para se expressar”, explicou uma encarregada do Facebook, proprietário do Instagram, para Austrália e Nova Zelândia, Mia Garlick.

“Esperamos que esta prova faça com que a pressão diminua […] para que a gente possa se dedicar a compartilhar aquilo de que gosta”.

O Instagram promove uma competição de popularidade e que as pessoas queiram se destacar sobre as demais? É o que parece acontecer na Itália, um país onde a cultura da imagem é muito presente, segundo o sociólogo Simone Carlo.

“No Instagram, existem as mesmas compulsões vistas na sociedade: divertir-se, mostrar-se, receber a aprovação dos demais. São comportamentos que estão presentes desde sempre na sociedade italiana”, explicou à AFP o professor universitário milanês, especialista em relações sociais online, embora este fenômeno não seja exclusivo da Itália.

“Nos meios digitais, se dá a ideia de falar de nós mesmos, de fazê-lo para satisfazer o próprio ego”, acrescentou André Mondoux, sociólogo canadense e professor da Universidade de Quebec em Montreal (UQAM).

O mal-estar aparece quando “a atenção que recebemos diminui” e o usuário perde esse “tempo de deleite viciante”.

“Acabar com seguidores falsos”

Em 2017, um estudo da Royal Society for Public Health classificava o Instagram como a pior rede social para a saúde mental dos jovens no Reino Unido de acordo com 14 critérios, como a percepção de si próprio, a ansiedade e o assédio.

Mas, embora os “likes” desapareçam, o mesmo não ocorrerá com as fotos – às vezes retocadas e cheias de filtros – de uma falsa realidade socialmente perfeita.

Essena O’Neill, uma influenciadora australiana, denunciou em 2015 os enganos e as manipulações das fotos que publicou na rede e deu conta do mal-estar que sentiu reescrevendo todas as legendas para contar a história de cada um dos cliques.

Os sociólogos contatados pela AFP se mostraram divididos sobre os efeitos que as medidas tomadas pela plataforma podem ter.

Para Simone Carlo, deixar de se concentrar nos “likes” pode melhorar o bem-estar dos internautas, mas “ao mesmo tempo, a aprovação popular continuará disponível para quem desejar”. melhorar o bem-estar dos internautas, mas “ao mesmo tempo, a aprovação popular continuará disponível para quem desejar”.

Andre Mondoux não vê que isto vá representar uma grande mudança para o usuário médio, mas considera que a motivação da plataforma provavelmente seja combater os “falsos ‘likes'” comprados para aumentar a popularidade de alguns influenciadores.

O objetivo do Instagram é fazer frente à “economia da microinfluência”, acrescentou Laurence Allard, professora da Universidade de Lille e da de Paris 3.

“Queremos moralizar este negócio dos pequenos ‘influencers’, acabar com os seguidores falsos e com todo um conjunto de práticas e de atores relacionados a eles, mas aos quais o Instagram não é capaz de controlar”, acrescentou a socióloga, especialista em costumes no meio digital.

Assim, Allard entrevê o fim da guerra entre “influencers”, mas ao mesmo tempo prevê “uma mudança na unidade de medida da popularidade”, que poderia se basear, por exemplo, nos “emoticons em forma de coração, deixados nos comentários ou no número total de comentários”. [Universa]