Namoro de Keanu Reeves, 55, com a artista plástica Alexandra Grant de 46 causa espanto. Como assim?

Nina Lemos

Alexandra Grant e Keanu Reeves (Foto: Getty Images)

O ator e ídolo máximo da internet Keanu Reeves, de 55 anos, está namorando. Legal. Isso já seria notícia, já que ele é considerado o “crush mundial”, o cara que todo mundo queria ser (ou ter) e há 20 anos não assumia um namoro em público.

Mas o burburinho aumentou quando se soube quem era a namorada dele: uma mulher linda, artista plástica, que ele conhece há 10 anos. Mas… uma mulher de mais de 46 anos! Rufem os tambores! 

Claro, era para isso ser o normal. Afinal, a moça, a artista plástica Alexandra Grant, é nove anos mais nova que ele. E se fosse mais velha, o que teria de mais?

Mas acontece que a gente vive em uma sociedade machista em que o preconceito contra a idade grita e atinge mais as mulheres. Alguma dúvida? Provas não faltam: um ator namorando uma mulher mais nova, por exemplo, nem é notícia. Mas quando uma famosa namora um cara mais novo… tudo muda de figura!

Alexandra Grant e Keanu Reeves (Foto: Getty Images)

E, no caso de Keanu, bem, quando a gente vê um galã aparecendo com uma mulher que não é décadas mais nova? Quando a namorada tem mais de 40 (e não esconde isso, nem parece ter metade da idade?) Humm. Raríssimo!

No Twitter, enquanto o namoro de Keanu  era um dos assuntos do momento, li: “Keanu Reeves é o primeiro homem famoso da historia a a namorar uma mulher de sua faixa etária.”

Bem, claro que isso é exagero. Mas também não é completamente fora da realidade. É só dar uma olhadinha na vida amorosa dos colegas de Keanu da mesma faixa etária.

-George Clooney 58 anos, é casado com Amal Clooney, de 41 anos.

-Leonardo Di Caprio, de 44 anos, está namorando Camila Morrone, de 22.

-Johnny Depp, de 56, estaria namorando uma bailarina 30 anos mais nova.

-Hugh Grant, de 59, é casado com Ana Eberstein, de 39.

Não, não estou dizendo que essas pessoas não se amam e que não acontece de um casal com grande diferença de idade se dar mega bem. Só estou, de novo, repetindo o óbvio: a sociedade prega esse modelo. Se não fosse isso, ninguém estaria achando o que Keanu é incrível por não seguir o comum no caso dos galãs, que é, claro namorar uma menina linda e décadas mais nova. Ele quebra, sim, um tabu ao namorar uma mulher que é só um pouco mais nova.

A artista plástica Alexandra ainda comete o pecado de não pintar os cabelos e ostentar fios grisalhos. Pronto. Enquanto muitos acham o casal fofo e comemoram,  outros, inconformados, dizem que ela, na verdade, parece ser a avó dele.

Que Keanu sirva de inspiração para os seus fãs no mundo afora. E que eles se sintam livres para se apaixonar (e assumir) relacionamentos com as mulheres que bem quiserem. Afinal, mulher não é, ou não era para ser, um troféu que se exibe.

Mirem-se no exemplo de Keanu!

Mulheres sauditas aumentam participação no mercado de trabalho

Flexibilização de leis religiosas faz parte de plano para reduzir a dependência do petróleo
Raquel Landim

Mulheres vestindo abayas participam da Iniciativa de Investimento Futuro, em Riad – Fayez Nureldine – 31.out.2019/AFP

RIAD – “Eu esperei a minha vida inteira por isso.” A afirmação é de Hala Kudwah, sócia que lidera a área de serviços financeiros da consultoria PwC na Arábia Saudita, referindo-se ao turbilhão de transformações que estão ocorrendo em seu país, principalmente em relação às mulheres.

Nos últimos três anos, as mulheres sauditas conquistaram direitos básicos em outros lugares do mundo, como tirar passaporte, trabalhar no varejo, abrir um negócio, ser responsável legal de seus filhos ou mesmo dirigir —o que é fundamental num país de cidades cortadas por vias rápidas.

Kudwah é uma pioneira e ainda uma exceção. Com apoio do pai, estudou ciência da computação e matemática no Reino Unido. De volta a Riad, capital da Arábia Saudita, atuou por 29 anos no Samba Financial Group, um importante banco local.

Chegou ao posto de diretora geral e liderava uma equipe de dezenas de homens, mas era obrigada a ser extremamente discreta. Questionada sobre o que mudou na Arábia Saudita para as mulheres nos últimos anos, ela dá uma resposta forte: “nós nos tornamos visíveis”.

Com as mudanças recentes, principalmente o direito de dirigir, elas começaram a entrar mais fortemente no mercado de trabalho e podem ser vistas com suas abayas (longas túnicas negras) e seus hijabs (véus) em lojas, hospitais e setores administrativos das empresas.

A revolução que vem ocorrendo na Arábia Saudita começou em abril de 2016, quando o polêmico príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, que comanda o país na prática por causa da idade avançada do rei, lançou um programa de desenvolvimento chamado Visão 2030.

Antes do início da nova política, que é uma mistura de mudanças na economia e nos costumes, apenas 8% das mulheres sauditas trabalhavam fora. Hoje esse percentual está em 22%, e o objetivo declarado do governo é chegar em 30%.

A principal meta do Visão 2030 é reduzir a dependência da Arábia Saudita do petróleo, que responde por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 70% das exportações. Para isso, o governo quer incentivar a industrialização e promover o turismo.

No mês passado, o reino permitiu pela primeira vez a entrada de turistas. Antes disso só recebiam autorização para visitar a Arábia Saudita peregrinos religiosos a caminho das cidades sagradas do Islã Meca e Medina ou homens de negócio a convite de um empresário local.

Para desenvolver a indústria, o programa Visão 2030 elegeu dez setores prioritários (automotivo, defesa e construção civil, entre outros) e promete dar todo tipo de subsídio para atrair US$ 500 bilhões em investimentos privados. A meta é reduzir a participação do Estado na economia dos atuais 55% para 40%.

“Ao contrário de outras partes do Golfo, como Qatar ou a cidade de Dubai, temos um mercado interno grande, que pode alavancar nosso crescimento”, diz Khaled Mohammed Al-Aboodi, diretor gerente da Salic, estatal saudita que investe em empresas do setor agrícola no exterior. A empresa tem uma participação no frigorífico brasileiro Minerva.

O plano é financiar toda essa transformação com o dinheiro da abertura de capital da Saudi Aramco, estatal saudita do petróleo, cujos detalhes devem ser anunciados em breve. A expectativa é que a empresa atinja um valor de mercado de estonteantes US$ 2 trilhões —apenas 5% do capital será oferecido aos investidores.

Todavia, os planos do Visão 2030 esbarravam num problema: a falta de mão de obra. A Arábia Saudita já tem 9 milhões de trabalhadores estrangeiros —o equivalente a 30% da população, vindos de países pobres da Ásia como Índia, Bangladesh ou Filipinas— e não quer aumentar ainda mais esse contingente.

Foi aí que o governo se lembrou das mulheres e se deu conta de que metade da sua força de trabalho estava em casa submetida às rígidas leis da sharia, o código de conduta islâmico. Até pouco tempo atrás, a polícia religiosa saudita tinha o poder de punir e prender mulheres que não se comportassem adequadamente.

Portanto, além de uma abertura na economia, era preciso uma mudança profunda nos costumes. “Esse país está vivendo uma verdadeira revolução promovida pelo príncipe”, diz o embaixador do Brasil na Arábia Saudita, Marcelo Della Nina.

O viés econômico talvez ajude a explicar as contradições de MBS, como o príncipe é conhecido. Com apenas 34 anos, ele acumula os cargos de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, além de chairman dos conselhos que comandam a economia e a política externa, e exerce o poder com mão de ferro.

Ao mesmo tempo em que promove uma abertura sem precedentes, favorecendo principalmente as mulheres, MBS é acusado de ordenar atrocidades na guerra contra o Iêmen e de ser o mandante do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, colunista do Washington Post e crítico do regime.

Khashoggi foi morto e esquartejado após entrar no consulado saudita em Istambul na Turquia em outubro do ano passado. O escândalo que se seguiu à sua morte abalou os planos para a transformação do país.

Desde então a Arábia Saudita está em busca de reconhecimento internacional. Uma das principais apostas é a reunião do G20, em novembro de 2020. Para sediar o evento, os sauditas estão construindo uma enorme torre envidraçada no centro de Riad. Certamente poucas mulheres sauditas estarão no centro das discussões do G20, mas, pelo menos, elas já podem ambicionar alguma participação.

DIREITOS DAS MULHERES SAUDITAS

O que é o sistema de guardiões masculinos? Todas as mulheres sauditas têm guardiões legais, que podem tomar importantes decisões sobre as suas vidas sem consultá-las. 

Inicialmente, é o pai que desempenha esse papel; quando ela se casa, o marido assume a prerrogativa. Tios, irmãos, filhos ou outro familiar masculino também podem ocupar a posição. 

Uma mulher precisa da autorização de seu guardião para se casar, ficar em um abrigo para vítimas de abuso e sair da prisão, por exemplo. 

MUDANÇAS DOS ÚLTIMOS ANOS 

Ago.2019: viajar ao exterior sem um acompanhante masculino Sauditas com mais de 21 anos podem tirar passaporte e viajar sem pedir autorização a um guardião

Fazer registros em cartórios Elas passaram a poder tirar certidões de nascimento, casamento e divórcio

Jan.2019: ser notificada em caso de divórcio De acordo com as leis sauditas, os homens podiam formalmente se divorciar de suas esposas sem que elas fossem avisadas, o que dificultava que elas reivindicassem pensões e outros direitos

Jun.2018: dirigir Mulheres podem fazer aulas de autoescola e tirar carteira de motorista independentemente de autorização. Também não há restrições a locais aos quais elas podem ir de carro

Jan.2018: frequentar estádios de futebol Elas podem assistir às partidas em uma área separada, chamada de seção familiar. Os estádios foram adaptados para ter áreas exclusivas femininas, como banheiros, templos e estacionamentos

Set.2017: fazer de aulas de educação física Meninas não podiam praticar esportes em escolas públicas. Desde 2013, o governo autorizou a prática para essas escolas

8%
era a parcela das mulheres que trabalhavam fora de casa antes das reformas 

22%
é o índice atual

Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo realiza oficina de turbantes em alusão ao Outubro Rosa

Ação é aberta ao público em geral e será realizada nesta segunda-feira, 28

Oficina de turbantes será realizada em alusão ao Outubro Rosa. Foto: Pexels/@mentatdgt

Uma vez que a queda de cabelos pode ser uma das consequências do tratamento oncológico, bem como uma preocupação para quem o faz, a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo vai realizar uma oficina de turbantes africanos nesta segunda-feira, 28, na unidade BP Mirante. A ação faz alusão ao Outubro Rosa, mês de conscientização do câncer de mama.

O objetivo do evento é melhorar a autoestima das mulheres e reforçar a importância da valorização da autoimagem e de pensamentos positivos.

A aula, idealizada pelo hematologista José Ulysses Amigo Filho, será ministrada por Penha Crispim, professora de turbantes.

A oficina é aberta ao público geral, não apenas para quem está enfrentando a doença, uma vez que visa englobar a rede de apoio de quem está com câncer.

Os participantes ganharão os turbantes que fizerem na ocasião e poderão acessar o material completo com a história e contexto dos turbantes.

Serviço

Oficina de turbantes africanos

Data: 28/10/2019

Horário: das 14h às 17h

Local: Unidade BP Mirante (Rua Martiniano de Carvalho, 965 – Bela Vista)

Margaret Atwood é homenageada pela rainha Elizabeth no Castelo de Windsor

Criado em 1917, o prêmio é dado àqueles que fizeram ‘uma grande contribuição às artes, ciência, medicina ou governo que perdura por um longo período de tempo’
O Estado e Reuters

Margaret Atwood acaba de se tornar membro da Ordem de Companheiros de Honra da Inglaterra Foto: Aaron Chown/Pool via Reuters

Margaret Atwood aumentou sua longa lista de homenagens, nesta sexta-feira, 25, ao se tornar membro da Ordem de Companheiros de Honra por seus serviços à literatura, em um cerimônia no Castelo de Windsor, no Reino Unido. A autora canadense de 79 anos, que escreveu o romance distópico best-seller O Conto da Aia, de 1985, disse ter ficado “comovida” ao receber a homenagem da rainha Elizabeth, de 93 anos. 

O Conto da Aia foi adaptado com grande sucesso para a TV e The Handmaid’s Tale já foi renovada para a quarta temporada. A história se passa em um futuro próximo, no qual o estado da Nova Inglaterra foi desmantelado por um golpe teocrático do qual nasceu Gilead, regime tirânico que impõe castigos brutais e o estupro é um mandato do novo Estado, em meio a uma crise de infertilidade.

“Fiquei um pouco comovida. Você está contemplando muita história, e sou velha o suficiente para lembrar muito desta história”, disse Margaret Atwood à agência de notícias PA Media após a cerimônia, segundo uma citação da mídia britânica.

“Ela foi brilhante na guerra… quando você vê a rainha com essa idade e o cronograma que ela cumpre, é uma inspiração para todos, você segue em frente”.

Mais tarde Atwood posou para fotos diante do Castelo de Windsor.

Criado pelo rei George 5º em 1917, o prêmio é dado àqueles que fizeram “uma grande contribuição às artes, ciência, medicina ou governo que perdura por um longo período de tempo”. Segundo o site oficial da realeza, sempre existem 65 membros contemplados pela honraria.

Entre os atuais estão a atriz Maggie Smith, o ex-primeiro-ministro britânico John Major e a historiadora canadense Margaret MacMillan.

Ainda neste mês, Atwood conquistou o prestigioso prêmio literário Booker Prize, que dividiu em uma ocasião rara com a autora britânica Bernardine Evaristo, por The Testaments, a sequência de O Conto da Aia.

Dificilmente alguém pergunta a uma mãe se ela está bem

Mesmo se essa mãe for a duquesa Meghan Markle
RITA LISAUSKAS

Imagem: Reprodução ITV

A imagem da duquesa de Sussex, Meghan Markle, visivelmente emocionada respondendo à simples pergunta “como está a sua vida de mãe de primeira viagem?” pipocou na minha timeline e senti um aperto no peito ao ouvir sua resposta. A atriz começou dizendo que muitas mulheres se sentem vulneráveis quando estão grávidas e continuam frágeis ao enfrentar os primeiros tempos com um recém-nascido. “Você sabe como é”, comentou com o repórter, que assentiu e disse que lembrava bem das dificuldades que passou, mesmo tendo filhos já crescidos. Meghan parece se sentir acolhida com a colocação e agradece à pergunta, “ultimamente poucas pessoas têm me perguntando se estou bem”, diz, magoada.

A entrevista com a esposa do príncipe Harry, o sexto na sucessão pelo trono britânico, faz parte do documentário “Harry & Meghan, an African Journey”, exibido no último dia 20 pela ITV na Grã-Bretanha e produzido por uma equipe que acompanhou a viagem dos dois à África. Toda narrativa parece desenhada para vender a imagem de perfeição do novo casal real – e a gente sabe o quanto a sobrevivência da monarquia britânica depende da veneração dos seus súditos. Por isso, Meghan aparece rindo, brincando e abraçando crianças africanas em cenas que nos lembram as viagens da princesa Diana, mãe de Harry. O príncipe é mostrado quase sempre em companhia da esposa e do filho Archie, 5 meses. O documentário parece uma tentativa de humanizar a figura de Meghan que desde que se mostrou avessa ao excesso de regras reais e de invasão de sua privacidade e do seu filho, começou a ser massacrada pela imprensa.

Faça um exercício e jogue no googgle “Meghan Markle criticada” e entenda o que ela está falando. Meghan é alvo diário da imprensa britânica, vejo em uma primeira reportagem. Grávida, “tocava muito a barriga”, aponta uma publicação. “Já sabemos que você está grávida, não precisa chamar atenção o tempo todo!”, escreveu outro jornal, de forma muito, muito cruel. Também são comuns os textos que a compara com a cunhada Kate Middleton que, ao contrário dela, “nasceu para ser mãe”. Foi alvo de mais críticas ao ousar batizar o filho em uma cerimônia a portas fechadas, sem a participação da imprensa. Nem a divulgação da foto oficial no site da realeza aplacou o ódio contra Markle, já conhecida pelo epíteto “a duquesa difícil”. Qualquer mulher que questiona o status quo recebe uma alcunha como essa, já reparou?

Claro que Meghan não tem que se desdobrar em três como muitas de nós para dar conta de filho, de casa e de trabalho. Mas o julgamento que está enfrentando nós conhecemos muito bem, porque somos submetidas a ele. Se você trabalha demais, “não está nem aí para o bebê”. Se decide parar de trabalhar para cuidar de filho está “jogando fora a vida profissional”. Já tive meu bebê tirado do colo por uma mulher enquanto tentava consolá-lo porque, segundo ela, eu “não sabia” acalmar meu próprio filho. Uma conhecida foi denunciada ao conselho tutelar pela sogra porque o bebê era amamentado “só” com leite materno. E há alguns anos lembro de uma mãe que foi massacrada nas redes sociais porque o filho estava dormindo sobre uma fraldinha de pano no chão de um aeroporto.

Agora imagina só se cada vez que estivéssemos frágeis, tateando para entender como lidar com os nossos filhos e com a nova realidade de mãe aparecesse um paparazzo para nos fotografar e oferecer a foto para alguma publicação apontar o dedo ao que “fazemos de errado”. “Rita leva o filho para passear sem casaco em dia de frio.” ou então“Fernanda deixa a filha comer fast food”, “Daniela falta em mais uma reunião de trabalho porque seu bebê ficou doente”.  Pense como se sentiria se todas as suas escolhas e decisões virassem manchetes nos portais, alimentando uma caixa de comentários de leitores não menos cruéis que os jornalistas:  “Relapsa”. “Mãe irresponsável.” “Péssima profissional.” Essa é a realidade diária de Meghan Markle, a mais nova Geni do povo britânico.

Harry – assim como os pais dos nossos filhos – jamais enfrentariam tamanho massacre. Qualquer deslize seria facilmente perdoado e um simples passeio no parque devidamente registrado nas redes sociais é capaz de transformar os homens em “ótimos pais”, estrelinha concedida inclusive àqueles que nunca lavaram o uniforme da escola, planejaram uma lancheira ou pagaram pensão alimentícia. E quando esses homens se descontrolam por qualquer motivo, adivinhe: a culpa também é nossa. Hoje mesmo li que Meghan (mas podia ser qualquer uma de nós) “bota fogo na instabilidade do marido”. Não, esse não era um comentário de um vizinho fofoqueiro. Quem infere isso é uma reportagem que ainda estampa uma foto da duquesa de Sussex com um ar maquiavélico.

O puerpério, aquele período de alguns meses após o parto, é altamente desafiador para as mulheres. Os hormônios sofrem uma queda brusca, a amamentação muitas vezes se mostra difícil, o sono parece que nunca mais será como antes. Também ficamos extremamente mexidas quando nos damos conta da responsabilidade que é cuidar e educar uma criança. E a angústia não é exceção, mas sim regra: oito em cada dez mulheres enfrentam no puerpério uma onda de tristeza chamada ‘baby blues’ e duas em cada dez encaram a temida depressão pós-parto. É uma fase de muitas mudanças e de poucas mãos estendidas, sejam essas mães princesas ou plebeias. E assim como fazem com a Meghan, dificilmente alguém nos pergunta se estamos bem.

‘Política eleitoral, sozinha, não vai mudar as consequências do capitalismo racista globalizado’, diz Angela Davis

Filósofa americana exaltou o feminismo negro brasileiro e disse estar animada com o sucesso do discurso anticapitalista entre a juventude americana
Ruan de Sousa Gabriel

Angela Davis é um dos principais nomes do feminismo negro no mundo Foto: Arte de Lari Arantes

SÃO PAULO – A filósofa americana Angela Davis se recusa a escolher apenas um rótulo — feminista, antirracista, anticapitalista ou abolicionista — para definir seu ativismo.

– Não acredito que seja saudável escolher uma luta e dizer que é mais importante, mas reconhecer como as diferentes lutas se conectam — afirmou ela, em uma coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira no auditório do Parque Ibirapuera, em São Paulo. — Eu não posso ser uma militante antirracista sem falar da dimensão heteropatriarcal do racismo. Não posso ser feminista sem reconhecer o papel que o capitalismo e o racismo tiveram em moldar o patriarcado.

Sobre o assunto, Angela citou, inclusive, a feminista negra brasileira Lélia González, morta em 1994:

— Hoje chamamos isso de “interseccionalidade”, mas antes mesmo desse termo ser introduzido, Lélia González já pensava o racismo junto com os impactos da colonização nos povos indígenas, levando em conta que a maioria da população é formada por mulheres.

Angela Davis está no Brasil para lançar sua “Autobiografia” a convite da editora Boitempo, que publica seus livros por aqui, e da Fundação Rosa Luxemburgo. No livro, ela recorda as lutas sociais que sacudiram os Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970, quando ela militava no Partido dos Panteras Negras, organização revolucionária do movimento negro americano fundada em 1966 e atuante até 1982.

Por conta de suas relações com os Panteras Negras, Angela chegou a ser presa e enfrentou um julgamento acompanhado ansiosamente pelo mundo todo em 1970, aos 28 anos.

Em sua oitava visita ao Brasil, Angela preferiu não dar entrevistas individuais a jornalistas, mas uma coletiva de imprensa e conferências públicas e gratuitas. Ela prestou solidariedade às lutas dos indígenas e sem-teto brasileiros, dos curdos, dos palestinos e diz que os EUA têm muito o que aprender com o feminismo negro brasileiro.

— Estou extremamente impressionada a profundidade do trabalho realizado no Brasil. Para muitos de nós, o Brasil era um raio de luz, de esperança, até que vieram as eleições, e nós prometemos não pronunciar o nome de quem foi eleito, porque na tradição africana nomear é atribuir poder — destacou. — Mas continuo me impressionando e sentido esperança sempre que venho ao Brasil. Sinto um impulso coletivo aqui, principalmente entre os jovens, entre as jovens mulheres negras.

Angela confessou estar animada com a popularidade de políticos socialistas nos EUA, como o senador e pré-candidato à Presidência Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, ambos do Partido Democrata.

— É muito empolgante ver um número tão grande de jovens indo em direção ao anticapitalismo. Depois do Occupy Wall Street, assistimos à ascensão de um discurso anticapitalista que não víamos desde os anos 1930, quando houve grandes lutas sindicais e o Partido Comunista tinha centenas de milhares de membros — disse ela, que concorreu à vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista em 1980 e em 1984. — Hoje falamos do 1%. Todos sabem que é obsceno que uns poucos homens concentrem mais riqueza do que metade da humanidade. Qualquer um que tem algum sentimento pela humanidade precisa reagir.

No entanto, Angela alertou que não se deve depositar todas as esperanças nas eleições.

— Muitos jovens sabem que só a política eleitoral não vai mudar as consequências do capitalismo racista globalizado. Precisamos fazer mais do que eleger um presidente. Queremos tirar Donald Trump, mas isso não vai resolver os problemas mais profundos — disse. — As conversas sobre racismo e violência de gênero atingiram níveis sem precedentes nos EUA. Temos que continuar nessa direção, mas isso só vai acontecer se tivermos movimentos sociais radicais.

Angela terminou dizendo que só agora estamos lidando mais seriamente com a herança de séculos de escravidão e que, apesar da demora, está esperançosa.

— O racismo nunca permanece o mesmo, mas suas estruturas permitem que o racismo do passado tenha ressonância ainda hoje. Nós proclamamos a abolição da escravidão pensando que os impactos econômicos, culturais e sociais da escravidão fossem desaparecer automaticamente — disse. — O título de uma antologia feminista recente é “All the women are white, all the blacks are men, but some of us are brave” (em português, “Todas as mulheres são brancas, todos os negros são homens, mas alguns de nós são corajosos”) , e nós, os corajosos, vamos lutar contra o capitalismo, o racismo e o patriarcado. Vamos começar agora o que deveria ter sido feito um século e meio atrás. É só o começo. É muito empolgante, e não podemos parar.

Na noite desta segunda-feira, às 19h, Angela apresenta uma conferência pública e gratuita na plateia externa do Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer.

Na quarta-feira, dia 23, ela abre o “Encontro de cinema negro Zózimo Bulbul: Brasil, África e outras diásporas”, no Cine Odeon, no Rio.

Foi dada a largada para a primeira caminhada espacial totalmente feminina da NASA

A tripulação composta 100% por mulheres já está em missão

Jessica Meir e Christina Koch se preparam para comandar a primeira caminhada espacial 100% feminina da NASA (Foto: Instagram Jessica Meir/ Reprodução)

Um grande passo para as mulheres, um passo maior ainda para a humanidade: começou esta manhã a primeira caminhada espacial de tripulação 100% feminina da Nasa.

A missão, que está sendo transmitida ao vivo no YouTube da NASA, em que o mundo inteiro pode acompanhar o momento histórico, tem previsão de duração de seis horas.

As astronautas Christina Koch (em sua quarta caminhada espacial) e Jessica Meir (estreando em uma missão do gênero) vão trocar uma bateria defeituosa no exterior da Estação Espacial Internacional. 

A americana Christina Koch tem 40 anos e é formada em engenharia elétrica e física, com um mestrado em engenharia elétrica. Ela foi recrutada pela Nasa em 2013, quando fez seu primeiro de quatro vôos espaciais. Com uma carreira estelar (literalmente!), ela está no caminho de bater o recorde de vôo espacial mais longo entre mulheres, com 328 dias – de acordo com o site da NASA.

Já a astronauta sueca-americana-isralense Jessica Meir, de 42 anos, é formada em biologia com mestrado em estudos espaciais e doutorado em biologia marinha.