Costanza Pascolato: 80 anos de elegância

Costanza Pascolato se mantém como uma das principais referências de estilo no Brasil
Por Daniel Salles

Costanza Pascolato: novo livro, “A Elegância do Agora” (Divulgação/Divulgação)

Veio o fast fashion, chegaram as blogueiras, a crise contaminou a moda… e Costanza Pascolato se manteve como uma das principais referências de estilo no Brasil

Nascida na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, ela assistiu à reconstrução da Europa e ao processo de industrialização no Brasil, país que sua família adotou quando tinha 5 anos de idade. Testemunhou o nascimento do prêt-à-porter e incontáveis reviravoltas no mundo da moda, como o advento do fast fashion, das blogueiras e das influenciadoras.

E, aos 80 anos, completados no dia 19 de setembro, Costanza Pascolato se mantém como uma das principais referências de estilo no país. Adequada aos tempos atuais – ela própria tem mais de 600 mil seguidores no Instagram.

O aniversário foi marcado pelo lançamento de “A elegância do agora”, seu quinto livro, publicado pela Editora Tordesilhas. Nele a empresária e consultora de moda, que ganhou projeção no jornalismo de moda nos anos 1970, nas revistas femininas da Abril, rememora sua trajetória e dá dicas de comportamento e estilo. Uma delas? “Até os 60 você é jovem, depois fica adulta”.

Mais uma: “Siga sua personalidade, quem sabe se individualizar é quase uma revolucionária nos dias de hoje”. A obra foi escrita a partir de um depoimento dado à jornalista Isa Pessoa e tem fotos de Bob Wolfenson.

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Audrey Gelman é a primeira CEO a aparecer grávida na capa de uma revista de negócios

Como a sua companhia se foca em construir espaços para mulheres, seu exemplo mostra que é possível ser empreendedora sem abrir mão da vida pessoal
Por Karin Salomão

CEO da The Wing, Audrey Gelman

Com oito prédios de escritórios nos Estados Unidos e investimentos que já chegaram a 117 milhões de dólares, The Wing poderia ser apenas uma nova versão da WeWork, empresa de aluguel de escritórios corporativos. Mas, enquanto sua rival enfrenta polêmicas e desconfiança em torno de seu prejuízo bilionário e processo de oferta pública inicial de ações, as unidades já inauguradas da The Wing são lucrativas. Outra diferença está em seu público: ela é inteiramente voltada para mulheres, das funcionárias às clientes e fornecedoras de café e outros produtos.

A CEO e fundadora da The Wing, Audrey Gelman, não é apenas uma das poucas empreendedoras mulheres. É também a primeira a aparecer grávida em uma capa de revista de negócios. Ela é o destaque desta edição da revista americana Inc.

Para ela, aparecer na capa durante a gravidez tem uma importância especial. Como a sua companhia se foca em construir espaços para mulheres e redes de apoio para o empreendedorismo feminino, seu exemplo mostra que é possível ser empreendedora sem abrir mão da vida pessoal.

“Você não pode ser o que não pode ver. Então eu acho que é importante que mulheres vejam que é possível liderar um negócio com crescimento acelerado e também começar uma família”, disse a empreendedora para a revista Today.

Em 2012, a então presidente do Yahoo Marissa Mayer também foi o destaque da edição da Forbes sobre as 50 mulheres mais poderosas do mundo. A executiva estava grávida na época, mas não quis ser fotografada e preferiu usar uma foto antiga.

Ao contrário da WeWork, sua concorrente mais conhecida, a The Wing não busca uma abertura acelerada de novos escritórios, mas sim “criar qualidade e significado e fazer tudo com intenção”. Com oito prédios, a companhia espera abrir mais nove até o fim do ano. Todos os empreendimentos estão em edifícios ou regiões com inspiração feminina: de antigos hospitais para mulheres a bairros tradicionalmente femininos. Há eventos voltados ao público interno com famosos que atuam desde em Hollywood ao Vale do Silício – apenas em 2019, esses eventos devem atrair 2 mil pessoas, diz a Inc. Até os produtos vendidos nos escritórios, como cafés ou sacolas de tecido, são feitos por fornecedoras mulheres.

Essa distinção, pensada para incentivar o empreendedorismo feminino, levantou críticas. Devido a um processo por discriminação em 2018, a The Wing passou a aceitar homens e mudou sua comunicação para ser mais neutra – no entanto, o rosa continua sendo a cor prevalente na decoração. Também há críticas ao alto custo de locação. O valor da mensalidade vai de 185 a 250 dólares, o aluguel de uma sala de reunião pode chegar a 50 dólares a hora e um simples almoço pode chegar a 14 dólares, o que inibe o acesso de uma grande faixa de empreendedoras e freelancers. 

Apesar das críticas, a empresa tem cerca de meio milhão de seguidores nas redes sociais e entusiastas famosas, como a atriz Meryl Streep e a roteirista Lena Dunham. Até o fim do ano, deve ter 15 mil membros em seus escritórios e 175 funcionários. 

Embora a empresa não pare de crescer, Gelman irá tirar licença maternidade – sua última reunião como CEO foi em julho. Ela incentiva abraçar os dois mundos. “O mundo está mudando. E às vezes é difícil desacelerar e dizer ‘bom, isso é diferente. Isso nunca aconteceu antes’”.

‘Mulheres não precisam ser perfeitas’, diz Reshma Saujani, fundadora da Girls Who Code

A advogada americana Reshma Saujani criou uma ONG nos Estados Unidos para ensinar meninas e mulheres a programar; ela acaba de lançar o livro ‘Corajosa Sim, Perfeita Não’ no Brasil

Reshma Saujani é uma das principais ativistas do mundo pela redução da desigualdade de gênero no setor de tecnologia

A primeira programadora do mundo foi uma mulher, Ada Lovelace. A americana Grace Hopper, já nos anos 1950, foi uma das criadoras da pioneira linguagem Cobol e ajudou a criar o termo “bug”. Mas hoje, apenas 24% dos cientistas da computação no mundo hoje são mulheres. “Isso não faz sentido: a tecnologia está cada vez mais presente na nossa rotina e nós, mulheres, queremos mudar a realidade”, afirma a advogada americana Reshma Saujani, uma das principais ativistas do mundo pela redução da desigualdade de gênero no setor de tecnologia.

Desde 2012, Reshma é a presidente executiva da organização sem fins lucrativos Girls Who Code (mulheres que programam, em tradução livre do inglês), que ensina programação para meninas e mulheres nos Estados Unidos – com programas espalhadas pelo país, a instituição já mudou a vida de 185 mil pessoas nos últimos anos. É uma forma, segundo a americana, de evitar que a presença feminina no setor caia – segundo estimativas da ONG, sem iniciativas de inclusão, o número de mulheres em tecnologia pode cair para 22% no País.

Para a advogada, trata-se de uma questão de estímulos. “Desde a infância, as Barbies transmitem a ideia de que matemática é chato e fazer compras no shopping é legal. As meninas acabam desistindo antes de tentar”, diz ela ao Estado, em entrevista realizada durante a última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, onde esteve para lançar seu livro Corajosa Sim, Perfeita Não – uma tese de que o perfeccionismo imposto às mulheres, desde cedo, é um obstáculo para seu sucesso no mercado de trabalho.

Por que há tão poucas mulheres na ciência da computação?
É uma questão de cultura. Desde a infância, as Barbies transmitem a ideia de que matemática é chato e fazer compras no shopping é legal. Se uma menina ligar a televisão e assistir a um programa sobre engenheiros e cientistas da computação, sempre verá homens. Com isso, estamos dizendo para as mulheres que essa indústria não é para elas – e, infelizmente, elas estão escutando. Além disso, há o sentimento de que programação é muito difícil e é preciso ser um “nerd” para ser bom na área, e isso não é verdade. Nós ensinamos as meninas a não desistirem antes de tentar.

De que forma a ONG ajuda meninas a entrar no mundo da programação?
Temos programas tanto para meninas que ainda estão na escola como para mulheres que já saíram dela. Uma das atividades da ONG é um curso de verão imersivo de duas semanas com aulas de programação para garotas entre 10 e 18 anos em várias cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Boston e Seattle. Queremos despertar nas meninas o interesse pela ciência da computação, para elas considerarem a área como uma possível faculdade e uma carreira a ser seguida.

O que o setor de tecnologia ganha trazendo para o mercado cientistas da computação mulheres?
Se você perguntar para uma garota o que ela quer fazer quando crescer, provavelmente ela vai dizer que quer resolver algum problema. Algo relacionado à educação, à mudança climática e até à cura do câncer. Elas têm muita vontade de mudar o mundo. A presença de mulheres nesse setor pode conectar muitas tecnologias a transformações reais.

Como as empresas de tecnologia podem ajudar a incluir as mulheres no mercado?
Cerca de 130 corporações apoiam a Girls Who Code e elas têm sido boas parceiras. É preciso, entretanto, mudar a cultura: como a maioria da força de trabalho é masculina, as empresas não estão acostumadas a trabalhar com mulheres. As companhias devem ser receptivas e dar suporte às mulheres. Isso não envolve só a admissão, mas também dar o espaço para elas poderem ser promovidas. Não faz sentido contratar mulheres e forçar elas saírem da indústria um tempo depois.

O seu livro diz que o perfeccionismo está sufocando as mulheres no mercado de trabalho. Por que ele é um problema?
Escrevi o livro com base em conversas que tive com outras mulheres e também a partir de experiências com as meninas participantes dos programas da Girls Who Code. Muitas mulheres nem sequer tentam começar a programar porque acreditam que não são boas o suficiente. Até mesmo quando estão programando, não confiam no seu trabalho.

E de onde vem isso?
Desde crianças, elas são ensinadas a serem educadas e a não se machucarem, enquanto os meninos são incentivados a se sujar e até a escalar brinquedos. Eles são ensinados a serem corajosos; elas, a a serem perfeitas. Isso faz com que as mulheres tenham medo de falhar. Por isso, se sentem infelizes e reprimem seus sonhos. É comum mulheres não se candidatarem para vagas de emprego porque não se sentem qualificadas para isso – mesmo quando são qualificadas de fato.

Como as mulheres podem mudar esse comportamento?
Com coragem. E essa força é como um músculo: precisa ser exercitada. É uma prática para ser construída no dia a dia. Além disso, é preciso praticar a imperfeição e cometer erros.

Que conselho você daria para uma menina brasileira que quer ser programadora?
Vá em frente, o mundo está esperando por você.

Livro: Corajosa sim, Perfeita não
Editora: Sextante
Preço oficial: R$ 24,99

“Homem não tem idade, mulher, sim”, desabafa Christine Fernandes sobre diferença de tratamento

A atriz levanta questões relacionadas a idade e fala também sobre o conservadorismo crescente no Brasil e no mundo, a ameaça às artes e de seus projetos para o futuro
THIAGO BALTAZAR (@THIAGOBALTAZAR)

Christine Fernandes (Foto: Vinícius Mochizuki)

Se Christine Fernandes fosse um homem, além da desigualdade salarial, assédio, machismo e tudo o mais que as mulheres enfrentam todos os dias, ela evitaria responder ao menos uma pergunta: sobre a idade. A atriz, desde que deixou de ser considerada jovem num mundo cruel para quem ultrapassa a marca dos 30 anos, é constantemente questionada sobre o que faz para enfrentar o envelhecimento.  “Acho isso um sintoma do que nós mulheres vivemos. A objetificação. Homem não tem idade, mas nós, sim”, diz ela à Vogue.

É por isso que Christine se recusa a ser definida não somente pelos seus 51 anos bem vividos, mas também pela profissão. Nascida nos Estados Unidos, ela foi jogadora de vôlei, se tornou modelo no Japão e ganhou fama com o trabalho de atriz no Brasil. Não é pouco! Mas, também, não é o suficiente para a fazer desacelerar. “Tenho ainda muitos sonhos no horizonte. Um deles é me dedicar a escrever e, quem sabe, poder mudar a forma de alguém ver o mundo com o que brota dos meus pensamentos.”

Entre um projeto e outro, Christine também não abre mão de dedicar um tempo para cuidar de si própria. “Pelo menos três vezes por semana faço alguma atividade física durante uma hora, no mínimo. Preciso de endorfina e de musculatura para segurar a gravidade. É física!”, acredita. “Isso também ajuda na minha saúde. As consequências como bem-estar são bônus”.

Todo esse preparo físico, Christine mostra em “Malhação – Toda Forma de Amar” interpretando a vilã Karina, cujo discurso é semelhante ao do conservadorismo que ganhou força no Brasil e no mundo nos últimos anos.

Christine Fernandes (Foto: Vinícius Mochizuki)

“Karinas existem aos montes por aí. Ela faz parte de uma elite que olha sempre primeiro o seu próprio umbigo. O outro tem pouca importância. O coletivo, para gente como ela, não existe”, diz. O mal que pessoas como sua personagem podem provocar na sociedade irão custar caro para gerações futuras, acredita ela.

“Estamos em franco regresso em relação a algumas questões, isso é fato, entre elas na liberdade artística e preservação do meio-ambiente. Isso não é só triste, mas é muito preocupante. Tenho muito receio do futuro, quando nossos filhos e netos terão essa conta a pagar”, teme.

A atriz, que é mãe de um adolescente de 16 anos, porém, ainda tem esperança. “Desejo realmente viver ainda em um mundo onde haverá mais sororidade entre nós mulheres e não sejamos medidas nem por nossa aparência, gênero, raça, idade, nem preferências sexuais, mas sim pelo nosso caráter e ética. Afinal, tudo o que nos define, nos limita”.

Em sequência de ‘O Conto da Aia’, Offred assombra Gilead

Em ‘The Testaments’, relato em primeira pessoa da Tia Lydia revela como juíza esclarecida se torna mulher cruel
Marina Della Valle

A escritora Margaret Atwood em evento de lançamento de ‘The Testaments’, em Londres DYLAN MARTINEZ/ Dylan Martinez/Reuters

As engrenagens do tempo e da história podem nos colocar em situações surpreendentes, e disso Margaret Atwood sabe bem. A autora canadense viu “O Conto da Aia”, seu livro mais conhecido, se transformar em fenômeno pop 30 anos depois de seu lançamento com o sucesso estrondoso da série que o transpôs para as telas em meio aos questionamentos trazidos pela vitória de Trump e movimentos como o #MeToo.

Na segunda-feira (9), meses antes de completar 80 anos, Atwood esteve no centro de um evento digno dos lançamentos dos grandes best-sellers, com filas de fãs vestidos a caráter ansiosos pela meia-noite, para finalmente botarem as mãos na continuação de “O Conto da Aia”, batizada de “The Testaments” (os testamentos), com lançamento no Brasil previsto para novembro, pela Rocco.

Nas filas, como hoje costuma acontecer em protestos, mulheres vestiam o uniforme vermelho das aias, personagens destinadas à escravidão reprodutiva na teocracia fundamentalista de Gilead, como Offred, protagonista de “O Conto da Aia”, interpretada por Elisabeth Moss na série da plataforma de streaming Hulu.

Atwood, porém, já dissera que não via uma continuação para a voz de Offred. Sua solução foi girar o holofote e trazer Gilead de volta em outras vozes. “The Testaments”, que se passa 15 anos depois dos acontecimentos de “O Conto da Aia”, leva ao leitor três “testemunhos”: o de duas garotas jovens, Agnes e Daisy, e o de uma velha conhecida dos leitores e fãs da série: Tia Lydia, supervisora cruel das aias, interpretada por Ann Dowd. Único escrito em primeira pessoa, o testemunho de Tia Lydia revela uma mulher cruel, inteligente, ardilosa e, porque não, engraçada.

No lançamento de “The Testaments”, Atwood declarou que quis abordar as maneiras como regimes como Gilead acabam. É nesse ponto que Tia Lydia é central à trama. Termina também por examinar quem possibilita que tais regimes floresçam e sigam em frente. É provável que a maioria dos leitores de “O Conto da Aia” e espectadores da série se identifiquem com Offred e sua ânsia por liberdade. Mas, se estivessem em Gilead, quem de fato seriam? Comandantes, tias, esposas?

Como uma juíza esclarecida, como foi Lydia em sua vida pregressa, se transforma na mulher cruel que faz parte das engrenagens de um sistema que mata e oprime outras mulheres? Esse é um dos motivos que faz do testemunho (memórias?) de Lydia o mais interessante dos três.

A relação entre a obra de Atwood e o roteiro do seriado –dinâmica que pode ser um tanto problemática, como bem sabem os fãs de “Game of Thrones”– se desenvolveu em uma espécie curiosa de simbiose entre autores. A série extrapola o livro, e a história de Offred vai além da contada por Atwood –a mulher confusa de destino incerto se transforma em membro importante da resistência a Gilead. “The Testaments” incorpora esse desenvolvimento, incluindo a segunda filha de Offred, Nicole, levada ainda bebê para o Canadá na série, transformada em símbolo tanto pela resistência quanto por Gilead no novo livro. Em contrapartida, de acordo com uma entrevista de Atwood, a autora convenceu a produção a não matar Tia Lydia, já então centro da continuação de “O Conto da Aia” que ainda escrevia.
Se Offred pouco aparece de fato em “The Testaments”, sua sombra é um pano de fundo para toda a trama, algo maior que assombra Gilead e fortalece o movimento Mayday, que opera rotas de fuga e vazamentos prejudiciais ao regime teocrático. Sabemos um pouco mais sobre seu destino, mas são os elementos já presentes no livro anterior e na série que amarram a nova trama, embora não caiba revelar aqui o que os leitores logo descobrirão com “The Testaments” em mãos.

Assim como em “O Conto da Aia”, os homens de Gilead são personagens opacos em “The Testaments”. Sabemos mais sobre o funcionamento do regime, mas não muito sobre o que fazem os poderosos comandantes, topo da estrutura social da teocracia. Além de Lydia, temos os depoimentos de jovens que não presenciaram a criação de Gilead: Agnes cresceu dentro do regime, com fé em seus desígnios, até ir descobrindo aos poucos as podridões escondidas sob o tapete. Daisy segue para Gilead depois de crescer no Canadá.

Os leitores (e espectadores) sabem que as cores das vestes são muito importantes em Gilead: deixam à vista a posição de cada um naquela sociedade. Quando a capa de “The Testaments” foi revelada, trazendo uma aia com roupa verde, em vez do vermelho característico, surgiram várias teorias a respeito. Ao fim da leitura, a capa parece se referir à ideia mais associada ao verde: a esperança. Mas quanta? Como sempre, com Atwood nada é simples. Ainda bem.

THE TESTAMENTS *****
Preço 432 págs., R$ 52,90 (ebook)
Autor Margaret Atwood
Editora Penguin Random House

Margaret Atwood afirma que acontecimentos políticos inspiraram continuação de ‘The Handmaid’s Tale’

Distopia de 1985 se tornou referência para ativistas feministas
Sonia Elks, Reuters

Ativistas vestidas como personagens do livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, realizam ato no Parque de la Memoria, em Buenos Aires. Foto: AFP PHOTO / ALEJANDRO PAGNI

A escritora canadense Margaret Atwood disse que ações para limitar o acesso das mulheres ao aborto, especialmente nos Estados Unidos, a levaram a escrever a sequência de The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia), que foi lançada nesta terça-feira em um evento cultural ansiosamente aguardado.

Em The Testaments, Atwood retoma a história de 1985 sobre um futuro totalitário no qual mulheres férteis são sujeitadas à servidão sexual para repovoar um mundo às voltas com um desastre ambiental.

A escritora disse que não planejou uma continuação da história, que se passa na fictícia Gilead, na região norte-americana da Nova Inglaterra em um futuro próximo, mas que acontecimentos políticos da vida real a levaram a repensar a decisão.

“À media que o tempo passava… ao invés de nos distanciarmos de Gilead, começamos a nos aproximar dela — particularmente nos Estados Unidos”, disse ela em uma coletiva de imprensa em Londres à qual compareceram várias dezenas de jornalistas de uma série de países.

“Se vocês olharem as medidas legislativas de uma série de Estados dentro dos Estados Unidos, podem ver que alguns deles estão quase lá. Mas o que estas leis restritivas sobre os corpos das mulheres estão reivindicando é que o Estado seja dono de seu corpo”.

O aborto é um dos temais mais polarizadores da política norte-americana. Aqueles que se opõem ao aborto muitas vezes citam crenças religiosas para classificá-lo como imoral, enquanto defensores qualificam as restrições como uma intrusão nas escolhas médicas das mulheres e prejudiciais à saúde.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que diz se opor ao aborto em muitos casos, se uniu a muitos de seus colegas republicanos em tentativas de limitar o acesso a abortos legais.

“Para uma sociedade que afirma valorizar a liberdade individual, eu diria a eles que, evidentemente, vocês não pensam que esta liberdade individual se estende às mulheres”, disse Atwood, que faz 80 anos em novembro, aos jornalistas, que foram recebidos por mulheres vestidas como as personagens do livro.

O Conto da Aia é louvado há tempos por ser visto como uma referência para as ativistas feministas, e sua autora diz que todos os atos de repressão de Gilead se basearam em acontecimentos da vida real.

As críticas de The Testaments foram variadas. Muitos elogiaram-no por seu ritmo rápido e sua dramaticidades, mas alguns argumentaram que carece da profundidade do romance que o antecedeu.

Atriz Camila Mendes da série Riverdale conta que sofreu agressão sexual na faculdade

Atriz de ‘Riverdale’ fez uma tatuagem simbólica após o episódio

Camila Mendes – BEAU GREALY

Camila Mendes, da série Riverdale, falou em entrevista à Women’s Health sobre os tempos difíceis que viveu antes de se tornar uma atriz de sucesso. Hoje aos 25 anos, ela contou que sofreu abuso sexual no início da faculdade.

Após deixar uma escola preparatória na Flórida, a transição de Camila para a graduação de artes na Universidade de Nova York foi difícil.

“Eu tive uma experiência muito, muito ruim. Fui drogada por alguém que me agrediu sexualmente”, contou a atriz. “Isso me deixou em uma confusão interna”, disse.

Ela relata que contou com o apoio de um amigo do ensino médio, que estava na mesma universidade que ela, para lidar com a questão. “Pelo menos eu o tinha – ele estava lá e isso tornou tudo ótimo”, disse.

Camila tem uma tatuagem nas costelas, em que se lê “to build a home” (construir um lar, em português), que traz força para a atriz. “Eu fiz a tatuagem depois do meu primeiro ano [de faculdade]”, disse. “Ela me lembrou do que é importante para mim, construir um lar, dentro de mim e no meu ambiente”, completou.