Diane von Furstenberg sobre empoderamento feminino: “Requer prática todos os dias”

Referência na moda, a designer explica a sua relação com o feminismo, a importância da iniciativa #INCHARGE e como a moda é uma ferramenta desse processo empoderador
Por Marcela de Mingo

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Diane Von Furstenberg

Diane von Furstenberg é referência quando se fala em moda – e é impossível pensar no cenário fashion, hoje em dia, sem considerar os impactos do trabalho desenvolvido por ela. Além de ser a precursora do icônico vestido envelope, e ela sempre fez questão de unir o seu trabalho com um de empoderamento feminino.

Atualmente, além de tudo o que já desenvolve para a moda, Diane criou projetos que trabalham essa nova visão da mulher diante da sociedade. Um deles é o chamado #INCHARGE. Lançada no Dia Internacional da Mulher 2018, a iniciativa começou com uma discussão sobre o que significa ser uma mulher #INCHARGE (“no comando”, na tradução livre em português), e ofereceu uma linha de camisetas empoderadoras que teve 100% dos lucros revertidos para RME – a Rede Mulher Empreendedora -, e os estoques esgotados em poucos dias.

Agora, na sua segunda edição, a ideia ganha uma nova coleção de t-shirts incríveis, que serão vendidas na loja DVF aqui no Brasil, no Shopping Iguatemi, mantendo a doação dos lucros totais da linha para a RME (com os respectivos valores identificados nas etiquetas de casa modelo), além de uma nova rodada de conversas sobre o assunto.

Em entrevista exclusiva para Marie Claire, a própria Diane explicou que a ideia por trás do projeto veio das próprias consumidoras da sua marca: “Eu sempre disse que a mulher DVF é a mulher ‘no comando’. Nós criamos roupas para ela, para entregar a ela as ferramentas para ser a mulher que ela quer ser”.

A seguir, confira o nosso bate-papo com a estilista, que dá insights preciosos sobre o papel da mulher na sociedade, a ligação com a moda e como podemos evoluir para uma visão mais igualitária de mundo:

Qual a importância, no atual cenário da sociedade, de encorajar o empoderamento feminino?
Todas as mulheres são fortes, mas elas precisam ser encorajadas a não esconderem a sua força. Um movimento feminista começou mais uma vez este ano, e nós devemos dar continuidade a ele. Minha missão de vida é empoderar mulheres e dar a elas confiança.

Como você acredita que as mulheres podem transformar o empoderamento em algo praticável?
Eu acredito que elas precisam começar a agir para fazerem uma mudança positiva no mundo.

Como a moda está ajudando esse processo de empoderamento?
Confiança é essencial… roupas que fazem com que você se sinta bem ajudam.

Você acredita que encontrar o seu estilo pessoal pode ajudar com isso? Como?
Sim! Ser você mesma e construir o seu caráter são o primeiro passo.

O que significa, para você, ser uma mulher empoderada?
Isso requer prática todos os dias. Quando eu acordo me sentindo diminuída, eu me lembro que “Se você duvidar do meu poder, você dá poder para as suas dúvidas”.

Você é uma mulher que está sempre #INCHARGE, mas que também passou por desafios na sua vida pessoal e profissional. Como você superou essas dificuldades?
Quando você está de frente com obstáculos, você tem que enfrentá-los, e não ser iludida por eles.

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As mulheres no comando do novo calendário Pirelli

Famoso por imagens de modelos e celebridades em poses ardentes, Pirelli muda de foco e preza imagens onde o empoderamento feminino é a estrela principal

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Uma das imagens do making of do novo calendário Pirelli (Foto: Albert Watson/Divulgação)

Em sua 46ª edição e com a assinatura do fotógrafo escocês Albert Watson, o calendário Pirelli promete inovar. Em tempos de movimentos feministas como o #MeToo, ele prezará por imagens onde a elegância feminina é total. Uma antítese às versões anteriores, onde as modelos, atrizes e cantoras mais famosas do mundo surgiram em poses altamente sensuais.

O fotógrafo escolhido, de 76 anos, é famoso por seus cliques super-requintados e por retratos icônicos de personalidades como Steve Jobs Michael Jackson. As imagens evocam temas como sonhos e aspirações. “São mulheres, mas também homens, que pensam em como serão suas vidas amanhã, na próxima semana, no ano que vem”, declarou o artista ao jornal espanhol El Pais.

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Gigi Hadid no Hotel Carlyle em Nova York (Foto: Divulgação)

Outro destaque da edição é que em nenhum dos cliques a mulher está olhando para o fotógrafo, dá a impressão de viver em seu próprio mundo e não precisar da aprovação alheia. Outra das diferenças do projeto é que ele se apresenta como quatro filmes, capturados a partir de imagens congeladas que narram a história de quatro mulheres. Assim sendo, ao invés de 12 fotografias tradicionais, surgem 48 imagens.

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Gigi e Wang (Foto: Divulgação)

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Duas mulheres mais velhas e duas mais jovens são as protagonistas. Duas delas têm namorado e as outras duas estão cercada de amigos. A bailarina Misty Copelando surge em cena ao lado de seu namorado, o também bailarino Calvin Royal. Já a atriz Laetitia Casta posa com o bailarino Sergei PoluninJulia Garneré a terceira modelo e interpreta uma fotógrafa de botânica que vive em Miami ao lado da modelo Astrid Eika. A quarta história se passa em Nova York e traz Gigi Hadid no papel de uma milionária que vive na mítica cobertura do hotel Carlyle. Ao seu lado, está o designer de moda Alexander Wang. [Marie Claire]

Oksana Shachko, cofundadora do grupo feminista Femen é encontrada morta em Paris

Ucraniana Oksana Shachko, 31, teria se suicidado, segundo líder do movimento

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A ativista ucraniana Oksana Shachko durante protesto do Femen em Paris, em foto de 2012 – Kenzo Tribouillard/AFP

PARIS – Oksana Shachko , 31, cofundadora e ex-membro do grupo feminista Femen, foi encontrada morta em seu apartamento em Paris.

A líder do grupo, Inna Chevtchenko, afirmou à AFP que Oksana se matou. “Oksana foi encontrada ontem [segunda-feira], em Paris, em seu apartamento. Ela se suicidou.”

Anna Goutsol, outra cofundadora do movimento, confirmou a morte em um texto publicado em rede social, mas não deu detalhes sobre a causa da morte.

“A corajosa (…) Oksana Shachko nos deixou. Com seus amigos e sua família, estamos em luto, e esperamos a versão oficial da polícia. Até o momento, o que sabemos é que (…) o corpo de Oksana foi encontrado em seu apartamento em Paris. Segundo seus amigos, ela deixou uma carta de suicídio”, escreveu.

Com outras três militantes, Oksana Shachko fundou em abril de 2008, em Kiev, na Ucrânia, o Femen, movimento feminista que ganhou notoriedade na Europa por seus protestos —normalmente com manifestantes com seios à mostra— contra o turismo sexual, a homofobia e instituições religiosas.

Exilada na França desde 2013, Oksana deixou a organização e continuava seu trabalho como pintora. AFP e REUTERS

Subversive Sirens: conheça as mulheres que estão fazendo o nado sincronizado um esporte mais inclusivo

Em Minneapolis, cinco mulheres de 30 a 40 anos se uniram para formar um time de nado sincronizado mais “livre”

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Subversive Sirens (Foto: Reprodução/The LiLy)

Muitos respingos de água, menos precisão e zero barriga negativa. Com o intuito de transformar o nado sincronizado em um esporte mais aberto, o grupo Subversive Sirens, formado em Minneapolis, nos Estados Unidos, é tão incomum quanto o estilo de prática que ele propõe. Formado por cinco mulheres de entre 30 e 40 anos – das quais a maioria são gays e estão fora do padrão convencional de beleza – o Subversive Sirens quer mostrar de qualquer formato e tamanho de corpo é capaz de competir em um esporte olímpico.

“Minha treinadora era severa quanto a não espirrar água por todos os lados”, contou Zoe Hollomon – ativista gay e uma das integrantes do grupo –  sobre sua primeira experiência com nado sincronizado, ao jornal americano The Lily. Hollomon tinha 9 anos quando treinou nado sinzronizado pela primeira vez. “Tudo tinha que ser muito parecido com balé, feminino, bonito e delicado”, continuou.

É justamente essa noção do esporte que Hollomon, Signe Harriday, Nicki McCracken, Suzy Messerole e Tana Hargest querem desafiar. “Nós respeitamos as mulheres que fizeram nado sincronizado antes de nós, mas definitivamente queremos explodir toda a idéia de que você tem que fazê-lo de um certo jeito”, disse Holloman ao The Lily. “Queremos criar visibilidade apenas para dizer: ‘Ei, isso é para todos nós. Qualquer um pode’ “.

Início
O grupo começou inicialmente como uma dupla com Signe Harriday e Suzy Masserole e cresceu até englobar as cinco mulheres. Hoje, o time tem um coreógrafo de nado sincronizado profissional para guiá-las. O treinamento é feito com a ajuda do Northern Pikes, um grupo de nadadoras sênior que treinaram nado sincronizado por muitos anos e aceitaram ajudar o quinteto. “Elas são tão gentis e encorajadoras”, disse Hollomon. “Elas nos ensinam coisas como manter a contagem abaixo da água e como lidar com cãibras nos pés e nos dedos dos pés.”

Gay Games
Em agosto, as Sirens vão viajar para Paris para participar do 10o Gay Games, um torneio quadrienal que começou em 1982. Durante a competição elas planejam apresentar uma coreografia em grupo (ao som de Prince) além de dois duetos.

O aspecto livre e inclusivo das Subversive Sirens reflete a próprio missão dos Gay Games, que promovem a inclusão e têm lá algumas semelhanças com o torneio das Olimpíadas. Fundado sobre os princípios de participação e inclusão, os jogos não têm padrões qualificatórios mínimos e querem promover a igualdade no esporte e cultura.

‘Todas as mulheres deveriam ter um vibrador’, diz Maria Flor

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Maria Flor | Bispo / Trip

Maria Flor aparece bem natural em ensaio nu na “Trip”, que chega às bancas nesta quarta (18). A atriz, que está no elenco da segunda temporada de “3%”, no Netflix, manda a real sobre sexo, desejo e casamento. “Ninguém fala sobre a masturbação feminina, é meio que um tabu. Se uma menina fica muito tempo no banheiro, ninguém diz: ‘Você tava se masturbando, né?’, como acontece com os meninos”, compara. “Todas as mulheres deveriam ter um vibrador, é libertador”. Flor conta, sem neura, que já beijou mulheres. “Sempre num clima de festa e carnaval. Mas nunca transei com uma mulher, talvez por falta de oportunidade.”

Aos 34 anos, a atriz encara de frente seus questionamentos sobre a maternidade e diz que, hoje, lida melhor com as cobranças internas. “Rejeito a ideia de que as mulheres são obrigadas a ser mães. Ao mesmo tempo, sinto medo de chegar aos 60 e me arrepender”, assume. “Parei de me cobrar para ser uma mulher perfeita, gata, sarada, bem-sucedida e em um casamento perfeito. Sei que nunca serei essa pessoa.” [Maria Fortuna]

“Não sou japa”, diz Ana Hikari, que cogitou cirurgia contra estereótipo

Com sangue negro, índio e japonês, a atriz paulistana Ana Hikari, lançada em “Malhação”, ganha protagonismo na TV e luta para conquistar papéis que não se restrinjam a estereótipos que os descendentes de asiáticos têm de enfrentar: “Não me chame de japa”

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Ana Hikari usa Gucci (Foto: Fabio Bartelt (Monster Photo))

Ana Hikari tinha 6 meses de idade quando assistiu pela primeira vez a um filme de Godard. Envolta num sling no colo do pai, começou a frequentar círculos de cinema com o professor Almir Almas, 59 anos, na Universidade de São Paulo, onde ele dá aulas hoje. “Ela ia comigo a todos os eventos culturais”, lembra o pai. Antes dos 6 anos, já tinha visto Glauber Rocha, Kubrick e Tarantino. Tamanha ligação com a arte fez com que Ana, 23, escolhesse o palco como profissão. Ainda criança atuou em comercias, fez dança, teatro e canto. Na adolescência, prestou vestibular para Artes Cênicas na USP, que terminou no ano passado, quando foi escalada para interpretar Tina, uma adolescente militante, na última temporada de Malhação. O sucesso foi tanto que ela passou a integrar o time perene de atores da TV Globo. “Foi um encontro do destino”, diz a atriz, sobre sua escalação.

“Uma amiga do meu pai (a diretora de novelas Dayse Amaral) me levou para fazer um cadastro no Projac. Enquanto preenchia os papéis, uma produtora fez uma foto e ligou para alguém dizendo que havia uma menina asiática nos corredores da Globo.” Após testes, Ana entrou para o elenco. Nem sempre, no entanto, a questão étnica jogou a seu favor. Ela conta que a vida toda só participou de castings quando o briefing era uma “garota oriental”. “Nunca vi uma protagonista asiática na TV. Minha batalha é para que olhem para mim como alguém talentosa que pode ser qualquer personagem e não só a ‘japonesa’ da trama.” O autor de Malhação, Cao Hamburger, 56, a apoia. “A Ana é uma atriz versátil! Cabe a nós, autores e diretores, abrirmos as cabeças. Num país como o Brasil, não podemos ter essas limitações”, completa. Após a temporada na novela, Ana estará no elenco do curta They, que será rodado em São Paulo, com narrativa em inglês.

A luta contra o preconceito é antiga na vida da atriz. A maioria das pessoas a aborda com “brincadeirinhas” sobre o seu fenótipo. “Quando chegam falando japonês, emendo: ‘pode falar em português, sou brasileira’. Ao longo do tempo, essas brincadeiras se tornam microagressões.” Há dois anos, ao conhecer seu namorado, o poeta Gersinio Neto, 31, passou por uma dessas situações. “Chegou me dizendo ‘você é japa, né’ e eu ‘Não. Meu nome é Ana’. E ele se desculpou.” A atriz também luta contra a hipersexualização das mulheres asiáticas. Perdeu a conta de pretendentes que apareceram com este tipo de fetiche. “A recatada que na cama é pervertida. Sofri por conta desse imaginário.”

A escola foi outro ambiente onde Ana teve de enfrentar o preconceito por causa da aparência. “Já pensei em ‘ocidentalizar’ os olhos com cirurgia porque me achava feia. Não queria ser chamada de japa. O meu sonho era ter a maquiagem igual à das minhas amigas, colocar sombra no côncavo. Elas não sabiam me maquiar.” Embora sua mãe, a dentista Makiko Tkenaka, 53, seja filha de japoneses, o pai, Almir, vem de uma família de negros e índios. A miscigenação lhe conferiu a vivência do racismo também sob a perspectiva dos negros. “Vivo uma discriminação como asiática, mas não se compara ao que os negros vivem. O que meu pai sofre, nem vou chegar perto de sentir.” Na infância, ele ouvia questionamentos como “onde você pegou essa criança?”. “Outra vez, foi expulso de uma farmácia por pensarem que roubaria algo”, lembrou com os olhos marejados.

Engajada na causa amarela, a atriz segue grupos militantes como o Yellow Fever, Lotus PWR, Yo Ban Boo. “Temos que usar a internet para debater esses temas.” E estende: “O papel do Japão no Brasil é de agregar cultura e diversidade. Apesar de a imigração ter acontecido há 110 anos, as pessoas ainda não conseguem me reconhecer como brasileira”. [Lu Angelo]

Estudantes denunciam preconceito contra asiáticos em trabalho fotográfico

Trabalho de disciplina de Jessica Yumi e Celina Tanaka, estudantes de Londrina, retrata as formas de discriminação contra asiáticos e descendentes no Brasil

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Fotos do trabalho “Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil”

As estudantes de Psicologia da Universidade de Londrina Jessica Yumi e Celina Tanaka mergulharam fundo na cultura japonesa até decidirem criar uma galeria de fotos que denunciam o preconceito contra asiáticos e descendentes – o chamado preconceito amarelo – no Brasil.

“Depois de bastante pesquisa e leitura de teses, viemos com a ideia de demonstrar, por meio de fotografias, a permanência do preconceito anti-amarelo no Brasil, mais especificamente em Londrina, onde moramos”, disse Jessica.

Elas pediram para amigos e conhecidos enviarem relatos de preconceito, assédio e bullying que sofreram na vida e, a partir daí, criaram a exposição “Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil“.

Mesmo o Brasil sendo o país com mais japoneses e descendentes fora do Japão, a discriminação existe. “O preconceito não chega a ser, na maioria das vezes, violência ou criminalidade, mas são pequenas brincadeiras e frases que marcam a vida de um asiático como um estigma. Seguindo a filosofia de “shoganai” (não tem o que se fazer, não tem como evitar), as próprias vítimas nem percebem que estão sofrendo bullying ou um tipo de preconceito. Levam na esportiva mas são chamados de ‘japa’ ao invés do nomeou não são reconhecidos pelos seus esforços por causa de uma descendência”, explica a estudante. [Marie Claire]