Livro de Michelle Obama é o mais vendido em 2018; foram 2 milhões em 15 dias

Ex-primeira dama do Estados Unidos está com “Becoming” em várias listas de best-sellers
Por Marley Galvão

Michelle Obama, livro Becoming (Foto: Divulgação)

Em apenas 15 dias, a ex-primeira dama Michelle Obama abalou o mercado de livros americano e canadense. O livro Becoming, com suas memórias pessoais, já vendeu mais de 2 milhões de cópias desde o seu lançamento em 13 de novembro de 2018, de acordo com a Penguin Random House. Ou seja, ele é o livro mais vendido neste ano.

A notícia foi divulgada oficialmente pela editora Penguin Random House. A edição de capa dura terá 3,4 milhões de cópias a serem vendidas nos EUA e no Canadá. Após sua sexta impressão, o livro sem mantém em diversas listas de best-sellers nos dois países. 

Michelle também ocupa com sua obra literária o primeiro lugar nas listas de não-ficção do New York Times. No livro, ela conta sobre sua infância e a família, suas experiências profissionais e como ela conheceu e se apaixonou pelo ex-presidente Barack Obama, além do período em que morou na Casa Branca como primeira-dama.

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“Mulheres gostam do sexo tão ousado quanto homens”, diz diretora de pornôs Erika Lust

Insatisfeita com a produção do mercado pornográfico, a cientista política sueca Erika Lust decidiu produzir filmes voltados para mulheres
Por Luisa Bustamante

A diretora sueca Erika Lust

Formada em Ciência Política pela Universidade de Lund, na Suécia, a feminista Erika Lust decidiu largar tudo para entrar na indústria pornográfica aos 23 anos. Ao contrário da maior parte das mulheres nesse ramo, Erika foi trabalhar por trás das câmeras, como diretora. Lançou seu primeiro filme em 2004 na internet e, em alguns dias, atingiu milhões de downloads. Hoje, aos 41 e vivendo em Barcelona, Erika é referência feminista no mundo dos filmes adultos. Seus filmes, premiados no mundo inteiro, colocam as personagens mulheres num papel central e ativo, algo que, ela diz, a pornografia convencional não faz. Um de seus projetos, o XConfessions, que consiste em pequenos curtas produzidos a partir de fantasias sexuais compartilhadas por internautas, já levou à produção de mais de cem curta-metragens. Os filmes da diretora, que vem revolucionando o pornô, estão inseridos em um contexto feminista que, entre outros pontos, pretende transformar as bases da indústria do cinema adulto, quase totalmente dominada por homens. Confira os principais trechos de entrevista que Erika concedeu a VEJA.

A senhora sempre fala em suas palestras que está na hora da pornografia mudar. Por quê? A pornografia deveria mostrar as mulheres do ponto de vista do seu próprio desejo e não exclusivamente como objeto sexual do prazer dos homens. Eu gostaria de retornar à Era de Ouro da pornografia, nos anos 1970, quando, nos Estados Unidos, os filmes adultos eram grandes produções. O pornô era parte de uma expressão artística e sexual que desafiava a censura e as percepções tradicionais de amor e sexo. Infelizmente isso se perdeu na transição entre o VHS e a internet.

O que aconteceu? Os canais de vídeos pornô gratuitos só se importam com tráfego, não ligam para a mensagem que transmitem sobre o sexo. Por isso vemos muita pornografia que não inspira e é enfadonha. Falta valor cinematográfico, uma boa trama, desenvolvimento dos personagens, cenários bonitos, paixão de verdade, intimidade, diversão, criatividade, realismo, diversidade…

Por não gostar do que via que a senhora decidiu virar uma diretora de filmes adultos? Sim. Estudei ciência política e de gênero na Lund University, na Suécia, e estava lendo o livro “Hard core”, de Linda Williams, quando tive um insight.Percebi que a pornografia é, na verdade, um discurso sobre a sexualidade. É uma afirmação que expressa ideologia, valor e opinião sobre sexo e gênero. Naquele momento eu percebi que estávamos assistindo a todas estas representações de sexo, sexualidade e gênero sob o olhar de um grupo muito específico de homens brancos. Eu quis criar uma alternativa a esse olhar e fazer uma pornografia mais sensual e ética.

Por que a senhora critica a pornografia convencional? O problema é que tem muito conteúdo repetitivo e estereotipado que insiste em objetivar o corpo feminino. A cena tipicamente se desdobra através do olhar do homem, e a sua ejaculação parece ser obrigatória para acabar com a cena. A personagem feminina está sendo usada para satisfazer os outros, mas não a si mesma. A pornografia feminista é tão importante porque mostra que o prazer feminino é imenso. Não é que o prazer masculino não importe, mas estamos assistindo há muito tempo um tipo de pornografia que ignora completamente a sexualidade das mulheres. O olhar delas na indústria pornô dá uma perspectiva mais saudável e positiva sobre o sexo.

O que pensa sobre a ideia, muito comum, de que pornografia para mulher é mais light? É uma completa besteira. Não há como agrupar um gênero inteiro em um tipo específico de pornografia, as preferências sexuais são tão variadas quanto as personalidades. Pornografia para mulheres pode ser muitas coisas, áspera, múltipla, vulgar, romântica ou tudo isso ao mesmo tempo. Não é só lençol de cetim branco, pétala de rosa e música romântica. As mulheres gostam do sexo tão ousado quanto os homens, sacana mesmo.

No Brasil, um dos termos mais procurados em sites de pornografia é a palavra “novinha”, em referência à meninas menores de idade. O que acha disso? A fascinação com mulheres muito novas vem de muito tempo. Uma das explicações gira em torno da ansiedade masculina com o envelhecimento – talvez intimidados pelas demandas emocionais e eróticas de mulheres da mesma idade eles encontrem algum conforto na ingenuidade das mais jovens. Independente disso, a indústria pornográfica não está sozinha quando o assunto é a erotização das adolescentes. A sociedade e a mídia têm obsessão em ao mesmo tempo sexualizar e infantilizar as mulheres.

A senhora acredita que a pornografia exerce influência na autoestima de homens e mulheres e na sua relação com o próprio corpo? Sim, mas não é apenas a pornografia. Isso acontece com todo tipo de mídia. Se as pessoas só veem um tipo de corpo, magro, branco, jovem, isso pode ter um efeito negativo em todos que não se encaixam nesse perfil. É importante que as pessoas se vejam representadas. Nos meus filmes, procuro atores e atrizes de diferentes raças, etnias e identidades de gênero, bem como diferentes tipos de corpo. Os padrões de beleza tradicionais são muito limitados e não reconhecem que existem beleza em cada um de nós.

A pornografia pode ser usada para educação sexual? Não deveria, pois não é seu papel. A pornografia deve ser consumida por maiores de 18 anos como uma forma de entretenimento, não como educação sexual. O fato, porém, é que muitos adolescentes são expostos ao pornô antes dessa idade e isso se torna um problema ainda maior quando eles não têm acesso a recursos de educação sexual. Então, na prática, a pornografia já é usada como educação sexual.

E por que isso é ruim? Porque eles copiam o comportamento, linguagem e atos sexuais retratados nos filmes acreditando que aquilo é sexo de verdade. A maioria desses adolescentes está assistindo a pornografia mainstream disponível gratuitamente na internet, e grande parte deste conteúdo é extremamente problemática e misógina. São filmes que normalizam o comportamento violento e perpetuam a ideia de que as mulheres estão prontamente disponíveis para o sexo sem questionamento ou consentimento.

Isso também afeta as meninas? Elas podem aprender a priorizar o prazer dos homens e a depender deles para seu próprio prazer.

E como alertar os jovens para isso? Pais e escolas precisam conversar com seus filhos e alunos sobre pornografia, explicando que ela não representa a vida real, mas uma fantasia, que pode levar a extremos. É por isso que eu comecei um site sem fins lucrativos, The Porn Conversation, que oferece ferramentas para os pais conversarem com seus filhos em casa.

A senhora costuma ser criticada por ser mulher nessa indústria? Sim. Mas muitas vezes as pessoas ficam mais ofendidas por eu ser feminista do que por fazer pornografia. Na verdade, as pessoas ficaram incomodadas com a minha perspectiva feminista, não queriam reconhecer que muito do pornô convencional criado hoje é sexista.

O que as diretoras feministas têm feito para mudar a lógica dessa indústria?Elas injetam diretamente seus valores feministas nos filmes, com papéis de liderança por trás das câmeras. Elas participam de todo o processo: produção, direção, direção de arte, de fotografia, etc. Isso cria um espaço sexual positivo para as mulheres reivindicarem sua sexualidade, prazer e desejos. Os filmes promovem igualdade de papéis e não há estereótipos de gênero, o que é prejudicial tanto para homens quanto para mulheres.

Sophie Charlotte: “Ainda temos muitas castrações em cima do corpo da mulher”

Sobre suas cenas com nudez total em “Ilha de Ferro”, ela diz que optou por não fazer academia para mostrar uma mulher normal

Sophie Charlotte (Foto: Reprodução/Instagram)

Sempre atenta às notícias do que acontece no mundo feminino, Sophie Charlotte está surpresa com a polêmica que os seios expostos de Letícia Colin têm causado nas mídias sociais no ensaio de capa da Marie Claire de dezembro de 2018. A atriz, que também mostrou seu corpo em trabalhos na televisão, como na estreia de Ilha de Ferro, se mostra preocupada com a polêmica em torno deste assunto.

“A Letícia se propôs a fazer esta capa com muita entrega e disponibilidade para tocar neste assunto que ainda é um tabu. Mesmo sendo o país do Carnaval, ainda temos muitos pré-conceitos e castrações em cima do corpo da mulher. Este é um ponto importante. Meu trabalho com a Leona foi mostrar como uma mulher pode ter toda sua realidade, toda sua percepção e sanidade alterada por uma obsessão em nome de uma paixão. Ela se desestrutura e autodestrói por apostar todas as suas fichas em uma relação que acabou. É um relacionamento abusiva”, diz.

Ela relata que Ilha de Ferro foi um projeto muito intenso, com o qual aprendeu imensamente. Sophie revela que optou por mostrar um corpo de uma mulher normal e não fez dietas ou malhou para as cenas de nudez na série disponível no Globoplay.

“Eu fiz questão de não me internar em uma academia, como era de se esperar para um trabalho como este. Meu objetivo era mostrar um corpo real, de uma pessoa que está desestabilizada dentro de casa e, ao mesmo tempo, tendo liberdade de fazer topless ali. Ela não tem pudor. Não foi erotização do corpo da mulher, mas uma libertação”, acentua.

A atriz acredita que ainda exista um longo caminho pela frente para que o corpo da mulher deixe de ser um objeto erotizado e para que a opressão de vários séculos sobre ele sejam derrotados.

Sophie Charlotte (Foto: Reprodução/Instagram)

“É um processo gradual e longo de conscientização e empoderamento. Atitudes como as da Letícia são bem-vindas, mas pessoais. Nada deve ser imposto. Depois deste personagem, percebi que nossa voz tem de ser ouvida. Entregar-se para um personagem não é apenas mostrar seu corpo, emagrecer ou engordar por ele, não é deixar de ser você , mas é mostrar o seu talento e o seu tempo para mergulhar em uma história humana”, reflete. [Marie Claire]

Esquecidas pelo #MeToo, prostitutas protestam na França contra violência sexual

Elas pedem para serem incluídas em movimentos feministas por também serem vítimas de abusos

Discussão sobre legislação da prostituição na França durante feira para trabalhadores do sexo em Paris no dia 3 de novembro – Geoffroy van der Hasselt/AFP

Pouco mais de um ano após a revelação dos escândalos sexuais que desencadearam o movimento #MeToo, as prostitutas na França estimam terem sido excluídas do debate sobre a violência feita contra as mulheres. Alegando que também são vítimas de abusos, as trabalhadoras do sexo pedem para serem incluídas em movimentos feministas.

A indignação das prostitutas começou a ganhar voz e se tornar visível no fim de semana passado, durante uma manifestação em Paris contra a violência visando as mulheres.

O evento, que reuniu 80 associações feministas, contava no cortejo com organizações domo a Strass, entidade que se denomina Sindicato do Trabalho Sexual. Carregando cartazes com os dizeres #Nousaussi (Nós também), o grupo chamava a atenção para a situação das pessoas que vivem da prostituição, “as primeiras visadas pela violência”, segundo o Strass.

“Quando você é prostituta, é como se você não fosse mais uma mulher pela qual se merece lutar”, explica a militante Anne Darbes, 52 anos. Ela mesma diz ter abandonado a prostituição após ter sido vítima de uma agressão violenta por parte de um cliente.

“As prostitutas não são consideradas como iguais aos demais na nossa sociedade. São vistas como detritos”, se irrita Mickey Meji, prostituta sul-africana e militante. Ela faz parte do grupo de trabalhadoras do sexo vindas de diferentes países, a convite da associação francesa Mouvement du Nid (Movimento do Ninho) para denunciar em Paris a violência feita contra prostitutas.

PROSTITUTAS IMIGRANTES CLANDESTINAS SÃO AS MAIS VISADAS

Segundo Florence Lévy, pesquisadora do Instituto Sciences Po e que pesquisa o tema, a sociedade opõe a imagem da “mulher honesta abusada” àquelas que se prostituem. “Há agressores que se especializaram no ataque de prostitutas”, relata, lembrando que as mais visadas são as imigrantes clandestinas. “É um acúmulo de vulnerabilidades”, analisa.

Thierry Schaffauser, porta-voz do Strass, critica a intolerância das autoridades, que torna ainda mais difícil o debate. “Atualmente, a única resposta política proposta para lutar contra a violência visando os trabalhadores do sexo é a saída da prostituição. Mas isso não resolve o problema”, analisa.

TEMA DIVIDE FEMINISTAS

Algumas militantes feministas defendem que a prostituição representa, por sua natureza, uma violência contra as mulheres. Um argumento que acaba dividindo o debate.

“Claro que eu apoio um movimento como o #Metoo”, declarou a prostituta Nina. “Mas quando as feministas partem do princípio que a prostituição já é um estupro, não vejo como podemos ser levadas a sério quando somos realmente agredidas”, explica. “As trabalhadoras do sexo devem brigar para serem ouvidas”, completou.

“É muito fácil, em uma sociedade sexista patriarcal aproveitar de todas essas precariedades para excluir essas mulheres e seus testemunhos, inclusive nos movimentos políticos que deveriam permitir a conquista da igualdade”, ponderou Raphaëlle Rémy-Leleu, porta-voz do movimento Osez le féminisme (Ouse o feminismo), que luta pela abolição da prostituição.

A prostituição não é proibida na França. No entanto, uma lei adotada em 2016 pune os clientes com multas de cerca de 1.500 euros (R$ 6.500) e que podem chegar a 3.750 euros (mais de R$ 16 mil) em caso de reincidência.

“Somos obrigados a trabalhar na clandestinidade procurando espaços escondidos para realizarmos nosso trabalho porque os clientes têm medo de serem pegos pela polícia”, disse à RFI Juan Florian , outro porta-voz da Strass. Segundo ele, percebendo a vulnerabilidade das garotas e garotos de programa com a nova lei, quadrilhas passaram a se formar com o objetivo de saquear e violentar os profissionais do sexo. Para facilitar a organização dos roubos, muitos ainda se fazem passar por falsos clientes. RFI

Apple lança programa de imersão para incentivar mulheres desenvolvedoras

O novo programa da Apple visa ajudar as empresas lideradas por mulheres a aproveitar a tecnologia para causar um impacto significativo para seus clientes.

Seguindo uma série de iniciativas dedicadas à intensificação da diversidade nos seus campie no mundo da tecnologia em geral, a Apple anunciou hoje um novo programa dedicado especialmente ao incentivo da formação de mulheres na área do desenvolvimento. Trata-se de uma iniciativa batizada como Entrepeneur Camp (acampamento de desenvolvedoras).

A ideia do programa é muito legal: levar pequenas empresas e startups (que tenham o desenvolvimento de apps como seu principal negócio e sejam lideradas e/ou [co]fundadas por mulheres) para duas semanas de imersão no Apple Park, onde serão ministrados cursos e sessões de linguagem de programação, desenvolvimento, design, tecnologia, marketing e muito mais — tudo com um foco especial nas soluções e ferramentas da própria Maçã, claro.

Apple lança programa de desenvolvimento de aplicativos para apoiar mulheres empresárias

Para se candidatar ao programa, as empresas/startups têm de ser fundadas, cofundadas ou lideradas por mulheres e precisam ter pelo menos uma mulher na equipe de desenvolvimento; também é necessário que elas tenham pelo menos um aplicativo pronto ou em fase de protótipo. Os acampamentos ocorrerão trimestralmente e 20 empresas serão selecionadas para cada edição; 3 representantes de cada uma participarão do programa. As empresas escolhidas também ganharão 2 convites para a WWDC do ano seguinte.

A edição-piloto do acampamento ocorrerá já em janeiro de 2019, excepcionalmente com a seleção de 10 empresas. Já é possível se candidatar a uma vaga nesse link — basta cumprir os requisitos listados acima e ter uma conta de desenvolvedor na Apple.

O CEO Tim Cook compartilhou algumas palavras sobre a novidade:

A Apple está dedicada a ajudar mais mulheres a assumirem papéis de liderança no setor tecnológico e além. Nós nos orgulhamos de cultivar a liderança feminina na comunidade de desenvolvimento de apps com o novo Apple Entrepeneur Camp e nos inspiramos pelo trabalho incrível que já está sendo desenvolvido — e por tudo que ainda está por vir.

No anúncio do programa, a Apple lembrou que empreendedoras mulheres ainda encontram dificuldades para receber financiamento para seus projetos: em 2017, foi US$1,9 bilhão investido em projetos de liderança feminina contra US$83,1 bilhões em startups e empresas lideradas por homens. Apesar disso, negócios com mulheres à frente têm crescido com uma taxa 10x maior que a média americana; startups lideradas por mulheres, por sua vez, têm apresentado uma taxa de retorno 35% maior que aquelas capitaneadas por homens.

A edição piloto do programa, que ocorrerá já em janeiro de 2019, está aceitando inscrições.

Ou seja: não, não é simplesmente uma questão de aptidão ou interesse. Mulheres também querem desenvolver e empreender mas, muitas vezes, dão de cara com dificuldades baseadas no preconceito e na cultura sexista do mundo tecnológico (e do mundo em geral). Tomara que a iniciativa da Apple seja mais um passo em direção a um cenário mais igualitário! [MacMagazine]

Jornal britânico Financial Times lança ferramenta que alerta quando há poucas mulheres em reportagem

Ideia do Financial Times é encorajar os jornalistas a equilibrarem os entrevistados

A ferramenta criada pelo Financial Times determina o gênero do especialista consultado com base em nomes e pronomes usados – Niklas Halle’n – 23.jul.15/AFP

WASHINGTON – Após perceber que apenas 21% das fontes ouvidas para as suas reportagens são mulheres, o jornal britânico Financial Times decidiu criar uma ferramenta digital para encorajar os jornalistas a equilibrar melhor os textos.

Anunciada no último dia 15, a “She Said He Said” (ela disse ele disse) determina o gênero do especialista consultado com base em nomes e pronomes usados nas reportagens . Quando há poucas mulheres, os editores de cada seção do jornal são alertados sobre a discrepância.

O jornal inglês, que cobre muitas áreas e indústrias ainda dominadas por homens, afirmou em comunicado que o objetivo é atrair mais leitoras do sexo feminino, que se identificam mais com textos que incluem citações de mulheres.

Antes desse recurso, o Financial Times havia lançado o Projeto JanetBot, para identificar a quantidade de mulheres em imagens na página inicial do jornal, e o Projeto XX, com o objetivo de produzir conteúdos específicos para o público feminino.

O próximo passo é lançar um recurso para detectar o desequilíbrio de fontes antes da publicação dos textos.

Os esforços para atrair o público feminino levaram o jornal a aumentar a proporção de colunistas de opinião mulheres entre março e agosto: foi de 20% para 30%.

A nova ferramenta repercutiu de forma positiva entre mulheres. Kristalina Georgieva, diretora executiva do Banco Mundial, compartilhou a notícia em uma rede social e escreveu que se você consegue medir o desequilíbrio, “você consegue mudá-lo”.

A repórter do The Guardian Kathleen McLaughlin escreveu que “adora ver o Financial Times dando passos tangíveis para aumentar a representação em suas páginas”. Já Claire Phipps, também do Guardian, disse que a ideia é “excelente” e “algo que todos nós na mídia devemos ter sempre em mente”. [Júlia Zaremba]

Concentrix cria programa de diversidade focado em mulheres

Empresa de serviços desenvolve iniciativa para a equidade de gênero. No Brasil, a empresa conta com aproximadamente 55% de mulheres na liderança

Foto: Getty Images

Em busca de diversidade em sua equipe, a Concentrix criou o NOW (Network of Women), programa global que trabalha para aumentar a diversidade na companhia, envolvendo e capacitando a equipe feminina para acelerar o crescimento de suas carreiras.

No Brasil, a empresa conta com aproximadamente 55% de mulheres na liderança e cerca de 60% do seu quadro de mais de 3 mil colaboradores é feminino, mas, segundo a companhia, o objetivo é ir além.

Ana Rocha, superintende de operações da Concentrix e responsável pelo programa no Brasil, comenta que pessoas diferentes pensam de forma diferente e é justamente essa visão que agrega mais valor para o negócio. “Porém, não basta apenas diversificar o time, é preciso também incluir. Por isso, o engajamento nas atividades do programa NOW vai ajudar as mulheres da Concentrix a fazerem conexões pessoais e profissionais duradouras, além de aprenderem como aprimorarem suas carreiras”, disse.

O programa
A iniciativa teve início em agosto, com a realização de uma copa de futebol feminina. Em outubro, foram realizadas palestras que trataram de temas como câncer de mama, carreira, importância do idioma e coaching.

A Concentrix também realizou um encontro de networking, no qual a executiva sênior de operações, Tatiana Herculano, compartilhou suas experiências e trajetória profissional visando incentivar a equipe feminina.

Agora, o foco do programa é contribuir ainda mais para que as mulheres desenvolvam suas habilidades e cresçam na carreira por meio de atividades multidimensionais, que vão incluir eventos locais e cursos de orientação e liderança. [CW]