Ashley Graham fala sobre assédio sexual no início da carreira

Modelo e ativista também conta como a união entre mulheres pode criar forças contra situações de abuso.

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Ashley Graham, top plus size mais famosa do mundo

Além de ser uma das tops mais influentes da atualidade, Ashley Graham tem sido uma voz importante no mundo da moda: ela fala sobre questões de auto-estima, sobre pressões sociais e também sobre representatividade na indústria. Dessa vez, enquanto era entrevistada no programa The View, da BBC, a modelo compartilhou uma memória dolorida de sua adolescência, e também falou sobre como compartilhar nossas experiências pode nos fortalecer contra assédios e imposições.

Ela descreveu a situação com um assistente de fotografia, em um trabalho como modelo, aos 17 anos. “Ele me atraiu até a entrada do lugar, e me empurrou em um closet. Ele se exibiu pra mim e disse: ‘olha o que você fez comigo o dia inteiro. Agora toque-o.’”

Ela conta que, felizmente, conseguiu escapar do lugar — mas que não teve clareza para fazer uma reclamação formal para ninguém sobre o incidente. “Se eu soubesse o que eu sei agora, e vendo todas as mulheres enfrentando isso e dizendo ‘eu também’, eu teria acabado com aquele cara.” E finalizou: “eu provavelmente teria gritado, ou chamado minha agência.”

O compartilhamento dessa experiência traumática faz parte de um momento muito importante para a indústria da moda, a indústria cinematográfica e também para outras mulheres com outras vivências. No Golden Globes, as atrizes vestiram-se de preto contra as recentes denúncias que inundaram Hollywood — e a decisão foi parte tanto do projeto #Time’sUp, que declara que já chegou a hora de dar fim aos assédios, quanto do projeto #MeToo, que afirma que compartilhar esses momentos faz com que as pessoas ao redor entendam que esse tipo de situação não é rara. Através dessa consciência, e da conexão entre mulheres, o cenário descrito por Ashley pode mudar.

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Feministas chamam Deneuve e intelectuais de ‘aliadas dos porcos’

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Catherine Deneuve – Berlinale International Film Festival 2017. ‘

A feminista Caroline de Haas e outras 30 militantes francesas reagiram nesta quarta-feira (10) ao artigo de opinião publicado ontem no jornal “Le Monde” que defendeu a “liberdade” dos homens de “importunar” as mulheres e apontou “uma onda purificatória” após o escândalo do produtor de cinema americano Harvey Weinstein.

Em outro texto, intitulado “Os porcos e seus aliados têm razão de ficar preocupados”, as feministas condenam o manifesto contracorrente, dizendo que ele tenta abafar um debate durante muito tempo oprimido pela sociedade. “Somos vítimas de violências, não temos vergonha e estamos determinadas a acabar com as violências sexistas e sexuais”, escrevem.

Acusando as cem signatárias do campo opositor, entre elas a atriz Catherine Deneuve e a crítica de arte Catherine Millet (autora do livro “O Outro Lado de Catherine M.”) de terem se aliado aos “porcos” em alusão ao movimento #MeToo (eu também, em português) e #BalanceTonPorc (denuncie seu porco, em tradução) surgidos após as denúncias contra Weinstein.

Caroline de Haas afirma que as mulheres que consideraram a onda de denúncias uma questão de “puritanismo” são “em sua maioria reincidentes na defesa de pedófilos e na apologia do estupro”.

Em março passado, Deneuve, 74, gerou polêmica ao defender na televisão o cineasta Roman Polanski, acusado de estupro de menor há mais de 40 anos nos Estados Unidos.

No texto publicado no Le Monde, as atrizes, escritoras, pesquisadoras e jornalistas dizem que “o estupro é um crime”. Porém, consideram que “paquerar de forma insistente ou desajeitada não é um delito, assim como o galanteio não é uma agressão machista”.

Redigiram o artigo Sarah Chiche (escritora e psicanalista), Catherine Millet (crítica de arte e escritora), Catherine Robbe-Grillet (atriz e escritora), Peggy Sastre (autora, jornalista, tradutora) e Abnousse Shalmani (escritora e jornalista). Deneuve e dezenas de outras mulheres endossaram as colocações.

“Não nos reconhecemos neste feminismo”
Há homens que foram “sancionados no exercício de sua profissão, obrigados a se demitir, quando seu único erro foi ter tocado um joelho, tentado ganhar um beijo, falado coisas ‘íntimas’ durante um jantar profissional, ou ter enviado mensagens de conotação sexual a uma mulher que não sentia uma atração recíproca”, asseguram as mulheres que assinam o artigo do Le Monde.

“Enquanto mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo”, diz o coletivo, acrescentando que defende “uma liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual”.

Governo reage
O manifesto polêmico também gerou reações no governo. A secretária de Estado para a Igualdade de Mulheres e Homens, Marlène Schiappa, disse pelo Twitter desconhecer homens que tenham sido denunciados por terem colocado a mão num joelho feminino, como minimizou o artigo “tolerante” com os avanços masculinos.

Em outro tuíte, a ex-ministra francesa dos Direitos das Mulheres Laurence Rossignol lamentou “esta estranha angústia de deixar de existir sem o olhar e o desejo dos homens, que leva mulheres inteligentes a escrever enormes estupidezes”.

“Insulto às feministas”
Este é “um artigo para defender o direito de agredir sexualmente as mulheres e para insultar as feministas”, dispara Caroline de Hass. “Toda vez que os direitos das mulheres evoluem, que consciências são despertadas, as resistências aparecem”, constata a militante.

Ela lembra que diariamente dezenas de mulheres são vítimas de assédio sexual e estupro na França.

Comentando ponto a ponto os argumentos do manifesto apoiado por Deneuve, as feministas consideram que a argumentação “mistura deliberadamente uma relação de sedução, baseada no respeito e no prazer, com uma violência”. [Adriana Moysés – RFI]

*

Assédio sexual
Confira a seguir um resumo sobre os principais casos de assédio sexual e estupro em Hollywood reportados recentemente.

Harvey Weinstein
No caso que foi o estopim para a avalanche de acusações em Hollywood, o outrora poderoso produtor de 65 é acusado de ter assediado e estuprado mulheres ao longo de três décadas. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Ashley Judd e Gwyneth Paltrow. Bob Weinstein, irmão de Harvey, também foi acusado de assédio. Mais recentemente, Salma Hayek também escreveu ao “New York Times” sobre o abuso cometido pelo produtor, dizendo que ele “também foi meu monstro”.

Kevin Spacey
O ator de 58 anos foi acusado pelo colega Anthony Rapp de o ter assediado fisicamente quando a vítima tinha 14 anos. O ator mexicano Roberto Cavazos fez acusações semelhantes. Após as acusações, a Netflix suspendeu a última temporada da série “House of Cards” e afastou o ator do programa, além de cancelar o lançamento do filme “Gore”, protagonizado por Spacey.

Louis C.K.
O comediante e diretor de 50 anos confirmou as acusações de assédio sexual feitas contra ele por cinco mulheres, publicadas em reportagem do “New York Times”. Em dois relatos, o comediante se masturbou em frente a atrizes sem o consentimento delas. Após as denúncias, a estreia do filme “I Love You, Daddy”, de Louis C.K., foi cancelada. A Netflix também cancelou a produção de um especial com o comediante.

James Toback
Segundo o “Los Angeles Times”, mais de 30 mulheres denunciaram o diretor e roteirista de 72 anos de cometer assédio sexual. Autor da reportagem, Glenn Whipp disse ter sido contatado por 193 mulheres com acusações semelhantes contra Toback, autor do roteiro de filmes como “Bugsy” e “O Apostador”.

Roman Polanski
Além de ter estuprado uma garota de 13 anos em 1977, o cineasta franco-polonês de 84 anos também é alvo de, pelo menos, outras quatro acusações contra mulheres menores de idade, entre elas a atriz Charlotte Lewis. Em Paris, uma retrospectiva de sua obra foi alvo de críticas por um grupo feminista.

Dustin Hoffman
O ator que tem hoje 80 anos foi acusado de ter assediado sexualmente a escritora Anna Graham Hunter, então com 17 anos, no set do telefilme “A Morte de um Caixeiro-Viajante”, em 1985. Reportagem mais recente da “Variety” aponta outras três mulheres acusando o ator.

Brett Ratner
A atriz Natasha Henstridge diz ter sido forçada a fazer sexo oral no diretor de “A Hora do Rush” e “X-Men: O Confronto Final” nos anos 1990. Além dela, outras atrizes e modelos, como Olivia Munn e Jaime Ray Newman, também relatam casos semelhantes envolvendo ele. Rattner, 48, nega as acusações.

Ed Westwick
O ator conhecido por “Gossip Girl” foi acusado de estupro por Kristina Cohen e Aurélie Wynn. Ele nega. A polícia de Los Angeles abriu investigação sobre o primeiro caso. Com isso, a BBC suspendeu a exibição “Ordeal by Innocence”. As gravações já iniciadas da segunda temporada de “White Gold”, da Netflix, também foram suspensas.

John Lasseter
O diretor da Pixar e dos filmes “Toy Story” e “Vida de Inseto” decidiu tirar licença de seis meses após admitir erros ligados a condutas de assédio sexual. Colaboradoras reclamaram de um excesso “invasivo” de abraços e outras situações desconfortáveis.

Site reúne perfis das 50 mulheres pioneiras na arquitetura americana

Nova iniciativa quer trazer visibilidade ao trabalho de arquitetas nos Estados Unidos
Por Giovanna Maradei I Fotos: Divulgação

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Ray Kaiser Eames (Foto: Divulgação)

São muitas as reivindicações dos movimentos feministas atuais.  O pagamento de salários iguais é um deles, o direito sobre o próprio corpo é outro, e por aí vai. Uma reivindicação, no entanto, parece estar no fundo de todas as outras. É a busca pelo reconhecimento da história, vivida e escrita pelas mulheres. Uma dívida que a cada dia fica mais cara, mas que começa a ser revertida por iniciativas como a Pioneering Women of American Architecture, tema da primeira reportagens da coluna Feito por Elas de 2018!

Criado pela Beverly Willis Architecture Foundation, o site lançado em dezembro de 2017, elege as 50 mulheres pioneiras na arquitetura norte-americana. A plataforma reúne informações sobre a carreira e o trabalho de profissionais de peso, todas nascidas antes dos anos 1940 e com duas características em comum: um trabalho de extrema relevância para a história da arquitetura nos EUA e um assustador anonimato.

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Norma Merrick Sklarek: primeira mulher afro-americana a receber a licença de arquiteta pela Universidade de Columbia e a tornar-se membro do Instituto Americano de Arquitetos (AIA).
Quando se formou, nenhuma firma de arquitetura quis contratá-la, levando Norma a trabalhar no Departamento de Serviços Públicos de Nova Iorque. Só foi possível exercer sua profissão 4 anos mais tarde, quando conseguiu um emprego fixo em um escritório de arquitetura. Após sair da firma, abriu seu próprio escritório em conjunto com mais duas arquitetas: “Siegel, Sklarek, Diamond”. Ela viveu até 2012.

O grupo de pesquisa, definido pelo próprio site como “um dos maiores a se dedicar exclusivamente às contribuições das mulheres para os EUA”, incluiu um júri de historiadores da arquitetura, que se responsabilizou pela escolha dos nomes, além de autores selecionados a dedo para mergulhar na história de cada uma dessas mulheres e traçar seus perfis independentes.

Para além da relevância histórica, o projeto se destaca por, indiretamente, deixar evidente duras consequências do machismo na sociedade, como a profunda ausência de nomes femininos nos registros históricos e a subvalorização do trabalho feminino, uma vez que profissionais com muitos louros e perfis bastante diversos, quando conhecidas pelo público, costumam ter sua obra reduzida a pequenas colaborações ao trabalho de seus renomados maridos (ou outros grandes profissionais homens).

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Marion Mahony Griffin (Foto: Divulgação)

É o caso, por exemplo, de Ray Eames, artista e designer que fez carreira ao lado do marido, Charles Eames e hoje divide até mesmo a página da Wikipedia como ele. E Marion Mahony Griffin; que fez inúmeros trabalhos ao lado de Frank Lloyd Wright, mas também foi eleita pelo crítico Reyner Banham “a primeira mulher arquiteta dos EUA (e talvez do mundo) que não precisa dar satisfações em um mundo de homens”.

“Mais para frente, esperamos que este projeto possa mover a arquitetura criada pelas mulheres para o centro da história arquitetônica e convidar mais mulheres jovens para estudar e praticar a arquitetura”, contam Mary McLeod e Victoria Rosner, codiretoras do projeto.

As pesquisadoras também fazem questão de ressaltar que, além dos marcantes trabalhos no desenvolvimento de projetos de urbanismo, arquitetura e design, as mulheres perfiladas “quebraram muitas barreiras, tanto sexuais quanto raciais, desafiando as instituições da própria arquitetura, bem como muitas das convenções sociais e estereótipos de gênero de seu tempo”. Apenas mais um grande motivo para celebrar suas trajetórias hoje e sempre.

Entre ‘luto’ e glamour, Globo de Ouro expõe mundo de fachada de Hollywood

Não foram as tendências, tampouco as grifes milionárias os assuntos do tapete vermelho deste Globo de Ouro.

A campanha “Time’s Up” (ou “o tempo acabou”), engendrada por atrizes inconformadas com a lista quilométrica de mulheres assediadas pelo produtor Harvey Weinstein, escureceu a passarela do cinema com um infinito desfile de vestidos pretos.

Enlutadas, as atrizes, indicadas a prêmios ou só de passagem, aderiram ao movimento impulsionado nas redes sociais por Reese Whiterspoon e Kerry Washington.

Vendido nas entrevistas como ponto de virada na história da indústria, o projeto mostrou, sob a ótica do estilo, todas as formas de usar a cor sem cair no marasmo —mas, quanto ao propósito ativista, ele só expôs o mundo de fachada em que vive a constelação de Hollywood.

Agentes de relações públicas sabem que é “cool” ser engajado. Sendo assim, mesmo que seus clientes tenham ficado calados durante anos, condescendentes com o histórico de abusos de Weinstein, nada diferente do pretinho básico cairia bem.

Também não cairia bem escolher um vestido da grife que, até o ano passado, era uma das “preferidas” das atrizes nesse tipo de evento.

A Marchesa, da estilista e ex-mulher do produtor acusado, Georgina Chapman, não deu as caras no tapete vermelho. Mesmo com a separação do casal, nenhuma atriz estendeu uma mão à designer, que, aliás, sempre posou para a foto ao lado dessas mesmas celebridades.

Foi a vez, então, de grifes e estilistas desconhecidos terem seus segundos de fama. Como no vestido Kaufman Franco de Yvonne Strahovski, atriz da série “Handmaid’s Tale”, ou no Giambattista Valli da modelo Kendall Jenner.

O “ponto de virada” talvez tenham sido mesmo as dezenas de ideias possíveis para usar um vestido preto.

Do “bandage” anos 2000 de Mariah Carey ao deslumbrante Chloé da francesa Isabelle Hupert, as atrizes misturaram proporções, variaram nos decotes e escolheram bem transparências como há muito não se via na festa.

Millie Bobby Brown, a personagem Eleven de “Stranger Things”, despiu o princesismo de outrora e virou nova fashionista em seu Calvin Klein curto; Dakota Johnson, de Gucci, foi uma das várias que jogaram com aplicações de elementos prateados; e Catherine-Zeta Jones foi uma das poucas que não se importaram em mostrar pele demais.

Os homens também aderiram ao preto total, como apoio à causa feminina. Mais uma vez, outro exemplo de como uma roupa pode, pelo menos na foto, mascarar o silêncio de tantos anos. [Pedro Diniz]

Oprah Winfrey faz discurso poderoso contra assédio e racismo

Apresentadora foi homenageada no Globo de Ouro com o prêmio honorário Cecil B. DeMille

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Oprah Winfrey homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro (Kevin Winter / Getty Images)

Oprah Winfrey foi a homenageada da 75ª edição Globo de Ouro, na noite deste domingo, com o tradicional prêmio honorário Cecil B. DeMille. No ano anterior, a honraria foi entregue à Meryl Streep, que viu seu discurso viralizar na internet ao criticar Donald Trump e defender estrangeiros. Como esperado, Oprah também entregou um discurso forte, voltado para a defesa das mulheres e contra o assédio e o racismo.

“Em 1964, eu era uma menina, sentada no chão da casa da minha mãe, assistindo Sidney Poitier vencer o prêmio de melhor ator”, lembrou Oprah sobre o Oscar e o Globo de Ouro recebido pelo ator na época pelo filme Uma Voz Nas Sombras. “Ao palco veio o homem mais elegante que eu já vi. Me lembro da gravata branca e sua pele negra. Eu nunca tinha visto um negro homenageado assim. Depois, ele ganhou este mesmo prêmio. Tentei várias vezes explicar o que aquele momento significava para uma criança de um lugar tão humilde. Minha mãe entrou em casa, cansada de limpar a casa dos outros. E nesse momento, não consigo deixar de pensar que pode existir alguma pequena menina me assistindo receber este prêmio. Sou a primeira mulher negra a ganhá-lo. É uma honra, e um privilégio compartilhar a noite com todas elas, e todos os homens e mulheres que me inspiraram, me desafiaram e me trouxeram até aqui.”

Em seguida, a apresentadora agradeceu à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsáveis pelo Globo de Ouro, e aproveitou para homenagear aos membros da imprensa. “Vemos a imprensa sofrer um cerco hoje em dia. É preciso ter dedicação para se revelar a verdade, a injustiça. Revelar os tiranos e suas vítimas. Quero dizer que eu valorizo a imprensa mais do que nunca. Estamos tentando viver esse tempo difícil. Por isso, vou falar, que sei ao certo, que dizer a sua verdade é a ferramenta mais poderosa que temos. Tenho orgulho e me inspiro nas mulheres que tiveram a força e o poder de falar e compartilhar suas histórias particulares. Neste ano, somos a história.”

Oprah usou o fim de seu discurso para falar sobre o tema da noite: abuso sexual. “Não sofremos abuso só na indústria do entretenimento. É um problema que transcende local de trabalho, raça, cultura. Quero prestar um tributo às mulheres que suportaram anos de abuso e violência. Elas, como minha mãe, tinham contas para pagar, filhos para alimentar e sonhos para correr atrás. São mulheres com nomes que nunca saberemos. São trabalhadoras domésticas, em fabricas, em restaurantes, no mundo da tecnologia, militares.”

Ela finalizou lembrando a história de Recy Taylor, uma mulher negra que, em 1944, foi sequestrada e estuprada por seis homens armados enquanto voltava da igreja. “Ela procurou justiça em uma época que não havia justiça. Recy morreu há dez dias. Ela viveu em uma cultura de homens brutais. De pessoas que não acreditariam nela. Mas chegou a hora. O tempo dessas pessoas brutais acabou”, disse, antes de ser aplaudida de pé pela plateia.

“Espero que Recey tenha morrido sabendo que a verdade dela. e de tantas outas mulheres atormentadas naquela época, foi ouvida. Eu entrevistei e interpretei pessoas que passaram por coisas horríveis na vida, e todas elas tinham a capacidade de manter a esperança por um dia melhor. Mesmo nas noites mais terríveis. Que as meninas assistindo esta noite saibam que um novo dia está chegando. Quando esse dia chegar, será por que muitas mulheres magnificas, muitas que estão aqui a noite, e homens fenomenais, que as ajudaram, lutaram para serem os líderes que conduziram esse tempo em que ninguém mais precisa dizer ‘me too” (eu também)”, disse, lembrando o movimento online em que mulheres compartilharam casos de abuso com a hashtag #metoo.

Participação da mulher negra na publicidade brasileira aumentou em 2017, mas ainda com destaque para celebridades

Comunidade LGBT e pessoas com algum tipo de deficiência seguem “invisíveis” na propaganda

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Taís Araújo (Foto: Fabio Bartelt – Monster Photo) 

Pelo quinto ano consecutivo, a Heads Propaganda realiza a pesquisa “TODXS?”, que funciona como uma análise da representatividade na publicidade brasileira. O destaque para os resultados referentes a 2017 vai para o aumento da participação da mulher negra em campanhas de TV.

Em 2015, apenas 1% das mulheres em comerciais eram negras. Em 2016, 13%, e agora em 2017, 21%. O número ainda é baixo, e dentro dele, 69% dessas protagonistas negras são celebridades, mostrando que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a mulher negra fora dos holofotes seja mesmo representada.

imageQuando analisados sob a ótica do empoderamento, os comerciais que “empoderam ao quebrar estereótipos” chegaram a 31% do total e superam as campanhas que reforçaram estereótipos de gênero. Número ainda longe do ideal, mas superior aos 12% registrados em 2015 e aos 25% em 2016.

Já os comerciais que reforçam estereótipos de gêneros são 18%, mesmo percentual do período anterior.

Entre os homens, 87% dos protagonistas são brancos, o que mostra que a situação dos homens negros dentro da publicidade brasileira continua estagnada em apenas 7%, mesmo número dos anos anteriores.

image-1Comunidade LGBT e pessoas com deficiência
Embora reúna milhões de pessoas em todo o Brasil, o grupo formado por pessoas com algum tipo de deficiência ainda é invisível para a publicidade brasileira. De acordo com o estudo, somente 0,12% dos 2.451 comerciais de TV analisados tinham entre os personagens alguém com algum tipo de deficiência. Ou seja, três entre todos.

A mesma invisibilidade vale para a população LGBT, com apenas 0,33% da mesma representada em elencos de campanhas,  o que significa apenas oito comerciais entre os quase três mil analisados.

Campanhas digitais
Além da televisão, 142 marcas de 24  segmentos diferentes foram analisadas no Facebook, revelando que o quadro geral não é muito diferente. Entre as protagonistas mulheres, apenas 16% são negras, um resultado menor que da TV.

Já entre os homens, 19% dos protagonistas são negros, índice maior que os 11% de um ano atrás, mas ainda distante do ideal. Os brancos somam 72% de brancos.

Na rede social, 18% dos posts “empoderam ao quebrar estereótipos”, enquanto outros 6% reforçam estereótipos de gêneros. Já 73% são considerados neutros. O número elevado se justifica pela característica das redes de muitos posts com produtos, objetos em geral ou animações. [Soraia Alves]

Lourdes Maria junta-se à mãe Madonna pelo direito de não se depilar

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(Reprodução/Instagram)

Lourdes Maria, 21 anos, a filha de Madonna, 59 anos, uniu-se à mãe pelo direito de não se depilar em uma foto compartilhada no Instagram da cantora na última segunda-feira (1º). Na imagem, a jovem aparece com as axilas sem estarem depiladas com a legenda “estamos prontas para você, 2018!”

A foto é similar a uma imagem publicada por Madonna em 2014. Na ocasião, a diva do pop aparece também com a axila sem depilação e descreve a imagem da seguinte forma: “pelo comprido… não me importo!”

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Madonna: “pelo comprido… não me importo!”

Tanto a imagem de Madonna com a filha quanto a que a cantora aparece sozinha fazem parte do movimento #Sobaquember, em que mulheres compartilham fotos suas com as axilas sem depilar nas redes sociais a fim de eliminar o tabu social com os pelos femininos.

Assim, Lourdes soma-se a mãe e a outras famosas que também costumam aparecer com as axilas não depiladas, como Miley CyrusDrew BarrymoreScout Willis, Lola KirkeGigi Hadid, entre outras, como protesto aos padrões de beleza.