As formas devastadoras como depressão e ansiedade afetam o corpo

Mente e corpo formam uma via de mão-dupla e se influenciam diretamente na saúde e na doença
Jane E. Brody, The New York Times – Life/Style, O Estado de S.Paulo

NYT - Life/Style (não usar em outras publicações).
Ilustração de Gracia Lam/The New York Times.

Não causa surpresa que a notícia de um diagnóstico de doença cardíacacâncer ou qualquer outra doença física limitante ou com risco de vida, provoque ansiedade ou depressão. Mas o inverso também pode ser verdadeiro: a ansiedade ou a depressão excessivas podem estimular o desenvolvimento de uma doença física séria e até mesmo impedir a capacidade de resistir ou se recuperar dela.

As consequências potenciais são particularmente oportunas, já que o estresse contínuo e as perturbações da pandemia continuam a afetar a saúde mental.

O organismo humano não reconhece a separação artificial das doenças mentais e físicas feita pelos médicos. Na verdade, a mente e o corpo formam uma via de mão dupla. O que acontece dentro da cabeça de uma pessoa pode ter efeitos prejudiciais em todo o corpo, bem como o contrário. Uma doença mental não tratada pode aumentar significativamente o risco de ficar fisicamente doente, e os distúrbios físicos podem resultar em comportamentos que pioram as condições mentais.

Jane E. Brody, The New York Times – Life/Style, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 05h00

Não causa surpresa que a notícia de um diagnóstico de doença cardíacacâncer ou qualquer outra doença física limitante ou com risco de vida, provoque ansiedade ou depressão. Mas o inverso também pode ser verdadeiro: a ansiedade ou a depressão excessivas podem estimular o desenvolvimento de uma doença física séria e até mesmo impedir a capacidade de resistir ou se recuperar dela.

As consequências potenciais são particularmente oportunas, já que o estresse contínuo e as perturbações da pandemia continuam a afetar a saúde mental.

O organismo humano não reconhece a separação artificial das doenças mentais e físicas feita pelos médicos. Na verdade, a mente e o corpo formam uma via de mão dupla. O que acontece dentro da cabeça de uma pessoa pode ter efeitos prejudiciais em todo o corpo, bem como o contrário. Uma doença mental não tratada pode aumentar significativamente o risco de ficar fisicamente doente, e os distúrbios físicos podem resultar em comportamentos que pioram as condições mentais.PUBLICIDADE

Em estudos que acompanharam pacientes com câncer de mama, por exemplo, o Dr. David Spiegel e seus colegas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford mostraram, décadas atrás, que as mulheres cuja depressão melhorava viviam mais do que aquelas cuja depressão se agravava. Sua pesquisa e outros estudos mostraram claramente que “o cérebro está intimamente conectado ao corpo e o corpo ao cérebro”, disse Spiegel em uma entrevista. “O corpo tende a reagir ao estresse mental como se fosse um estresse físico.”

Apesar dessa evidência, ele e outros especialistas dizem, o sofrimento emocional crônico é frequentemente ignorado pelos médicos. Normalmente, um médico prescreve um tratamento para doenças físicas como doenças cardíacas ou diabetes, sem se questionar por que alguns pacientes pioram em vez de melhorar.

Muitas pessoas relutam em procurar tratamentos para doenças emocionais. Algumas pessoas com ansiedade ou depressão podem temer serem estigmatizadas, mesmo reconhecendo que têm um problema psicológico sério. Muitas tentam tratar seu sofrimento emocional adotando comportamentos como beber muito ou usar drogas, o que apenas piora uma doença pré-existente.  

E às vezes, pessoas da família e amigos inadvertidamente reforçam a negação de sofrimento mental de alguém dizendo coisas como “ele é assim mesmo” e não fazendo nada para incentivá-los a buscar ajuda profissional.

Quão comuns são a ansiedade e a depressão?

Os distúrbios de ansiedade afetam aproximadamente 20% dos adultos americanos. Isso significa que milhões são acossados por uma superabundância de respostas de “luta ou fuga” que prepara o corpo para a ação. Quando você está estressado, o cérebro responde provocando a liberação de cortisol, o sistema de alarme da natureza. Ele evoluiu para ajudar os animais que enfrentam ameaças físicas, aumentando a respiração, elevando o ritmo cardíaco e redirecionando o fluxo sanguíneo dos órgãos abdominais para os músculos que ajudam a enfrentar ou  escapar do perigo.

Essas ações protetoras originam-se nos neurotransmissores epinefrina e norepinefrina, que estimulam o sistema nervoso simpático e colocam o corpo em alerta máximo. Mas quando eles são solicitados com muita frequência e indiscriminadamente, a superestimulação crônica pode resultar em todos os tipos de doenças físicas, incluindo indigestão, cólicas, diarreia ou prisão de ventre e um risco maior de ataque cardíaco ou derrame.

depressão, embora menos comum do que a ansiedade crônica, pode ter efeitos ainda mais devastadores sobre a saúde física. Embora seja normal se sentir deprimido de vez em quando, mais de 6% dos adultos têm sentimentos persistentes de depressão que acabam dificultando os relacionamentos pessoais, interferem no trabalho e no lazer e prejudicam sua capacidade de enfrentar os desafios da vida diária. A depressão persistente também pode exacerbar a percepção de dor de uma pessoa e aumentar suas chances de desenvolver dor crônica.

“A depressão diminui a capacidade de uma pessoa de analisar e responder racionalmente ao estresse,” disse Spiegel. “Elas acabam em um círculo vicioso com capacidade limitada para sair de um estado mental negativo.”

Para piorar as coisas, a ansiedade e a depressão excessivas frequentemente coexistem, deixando as pessoas vulneráveis a um conjunto de doenças físicas e à incapacidade de adotar e persistir na terapia necessária.

O tratamento pode combater o impacto emocional

Embora a ansiedade e a depressão persistentes sejam altamente tratáveis com medicamentos, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia, sem tratamento essas condições tendem a piorar. Segundo o Dr. John Frownfelter, o tratamento para qualquer condição funciona melhor quando os médicos entendem “as pressões que os pacientes enfrentam que afetam seu comportamento e resultam em danos clínicos”.

Frownfelter é internista e diretor médico de uma startup chamada Jvion. A organização utiliza inteligência artificial para identificar não apenas fatores médicos, mas também psicológicos, sociais e comportamentais que podem impactar a eficácia do tratamento na saúde dos pacientes. Seu objetivo é promover abordagens mais holísticas que tratem o paciente por inteiro, corpo e mente combinados.

As análises utilizadas pela Jvion, uma palavra hindi que significa “dar vida” podem alertar um médico quando a depressão de base estiver prejudicando a eficácia dos tratamentos prescritos para outra condição. Por exemplo, os pacientes em tratamento para diabetes que estão se sentindo desesperados podem não melhorar porque tomam a medicação prescrita apenas esporadicamente e não seguem uma dieta adequada, disse Frownfelter.

“Sempre falamos sobre a depressão como uma complicação de doenças crônicas”, escreveu Frownfelter no Medpage Today de julho. “Mas não falamos o suficiente sobre como a depressão pode levar a doenças crônicas. Pacientes com depressão podem não ter motivação para se exercitar regularmente ou cozinhar refeições saudáveis. Muitos também têm problemas para dormir o necessário.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

De quanta água você realmente precisa? Cai o mito de beber 2 litros por dia

Para a maioria das pessoas saudáveis, dizem os especialistas, o correto é só beber quando estiver com sede. Cerveja, café e chá também hidratam
Christie Aschwanden, do New York Times

Para a maioria das pessoas saudáveis, dizem os especialistas, o correto é só beber quando estiver com sede Foto: Freepik

Se você passou algum tempo nas redes sociais ou visitou um evento esportivo recentemente, com certeza foi bombardeado com incentivos para beber mais água. Os influenciadores e celebridades agora carregam garrafas de água do tamanho de um galão como o novo acessório da moda. O Twitter nos lembra constantemente de reservarmos mais tempo para nos hidratar. Algumas garrafas de água reutilizáveis carregam frases motivacionais do tipo “Lembre-se do seu objetivo”, “Continue bebendo” e “Você está quase terminando” — para incentivar mais litros de água ao longo do dia.

Os supostos benefícios do consumo excessivo de água são aparentemente infinitos — desde a melhoria da memória e da saúde mental ao aumento da energia e uma aparência melhor. “Mantenha-se hidratado” tornou-se uma nova versão da velha saudação “Fique bem”.

Mas o que exatamente significa “manter-se hidratado”?

— Quando os leigos discutem a desidratação focam a perda de qualquer fluido — , diz Joel Topf, nefrologista e professor clínico assistente de medicina na Oakland University em Michigan.

Mas essa interpretação é “totalmente desproporcional”, afirma Kelly Anne Hyndman, pesquisadora da função renal da Universidade do Alabama em Birmingham. Manter-se hidratado é definitivamente importante, diz ela, mas a ideia de que o simples ato de beber mais água tornará as pessoas mais saudáveis não é verdade. Tampouco é correto que a maioria das pessoas segue cronicamente desidratada ou que devamos beber água o dia todo.

Do ponto de vista médico, acrescentou Topf, a medida mais importante de hidratação é o equilíbrio entre eletrólitos como sódio e água no corpo. E você não precisa engolir copo atrás copo de água longo do dia para obter isso.

Quanta água eu realmente preciso beber por dia?

Todos nós aprendemos que oito copos de 250 ml de água por dia é o número mágico para todos, mas essa noção é um mito, explica Tamara Hew-Butler, cientista de exercícios e esportes da Wayne State University.

Fatores únicos como o tamanho do corpo, temperatura externa e quantidade de suor são importantes. Uma pessoa de 90 quilos que acabou de caminhar sob o sol forte obviamente deve beber mais água do que um funcionário de escritório de 60 quilos que passou o dia em um prédio com temperatura controlada.

A quantidade de água de que você precisa por dia também depende da sua saúde. Alguém com uma condição como insuficiência cardíaca ou pedras nos rins pode exigir uma quantidade diferente do que alguém que toma medicamentos diuréticos, por exemplo. Ou talvez você pode precisar alterar sua ingestão se estiver com episódios de vômitos ou diarreia.

Para a maioria das pessoas jovens e saudáveis, a melhor maneira de se manter hidratada é simplesmente beber água quando estiver com sede, disse Topf. Aqueles que são mais velhos, na casa dos 70 e 80 anos, podem precisar fornecer mais atenção para obter líquidos suficientes porque a sensação de sede pode diminuir com a idade.

E, apesar da tendência popular, não confie na cor da urina para indicar com precisão o seu estado de hidratação, disse Hew-Butler. Sim, é possível que uma urina amarela escura ou âmbar possa significar que você está desidratado, mas não há nenhuma ciência sólida para sugerir que a cor, por si só, deva levar você a ir beber um copo da bebida imediatamente.

Tenho que beber água para me manter hidratado?

Não necessariamente. Do ponto de vista puramente nutricional, a água é uma escolha melhor do que opções menos saudáveis, como refrigerantes açucarados ou sucos de frutas. Mas quando se trata de hidratação, qualquer bebida pode adicionar água ao seu sistema, explica Hew-Butler.

Uma noção popular é que beber bebidas com cafeína ou álcool desidrata você, mas, se isso for verdade, o efeito é insignificante, disse Topf. Um ensaio clínico randomizado e controlado de 2016 com 72 homens, por exemplo, concluiu que os efeitos hidratantes da água, cerveja, café e chá eram quase idênticos.

Você também pode obter água do que come. Alimentos ricos em líquidos e refeições como frutas, vegetais, sopas e molhos contribuem para a ingestão de água. Além disso, o processo químico de metabolização dos alimentos produz água como subproduto, o que também aumenta a ingestão, disse Topf.

Eu preciso me preocupar com os eletrólitos?

Alguns anúncios de bebidas esportivas podem fazer você pensar que precisa estar constantemente repondo eletrólitos para manter seus níveis sob controle, mas não há razão científica para a maioria das pessoas saudáveis ingerirem bebidas com eletrólitos adicionados artificialmente, disse Hew-Butler.

Eletrólitos como sódio, potássio, cloreto e magnésio são minerais carregados eletricamente que estão presentes nos fluidos do corpo (como o sangue e a urina) e são importantes para equilibrar a água em seu corpo. Eles também são essenciais para o funcionamento adequado dos nervos, músculos, cérebro e coração.

Quando você fica desidratado, a concentração de eletrólitos no sangue aumenta e o corpo sinaliza a liberação do hormônio vasopressina, o que acaba eliminando a quantidade de água que é liberada na urina para que você possa reabsorvê-la de volta em seu corpo e obter esse equilíbrio novamente, Hyndman disse.

A menos que você esteja em uma situação incomum — fazendo exercícios muito intensos no calor ou perdendo muito líquido por causa do vômito ou diarreia — você não precisa repor os eletrólitos com bebidas esportivas ou outros produtos carregados com eles. A maioria das pessoas obtêm eletrólitos suficientes de sua alimentação, disse Hew-Butler.

Beber mais água, mesmo sem sede, vai melhorar minha saúde?

Não. É claro que as pessoas com certas condições de saúde, como pedras nos rins ou uma doença renal policística autossômica dominante, mais rara, podem se beneficiar ao fazer um esforço para beber um pouco mais de água do que sua sede exige, disse Topf.

Mas, na realidade, a maioria das pessoas saudáveis que atribuem a sensação de mal-estar à desidratação pode, na verdade, estar se sentindo mal porque estão bebendo água em excesso, especulou Hyndman.

— Talvez eles tenham uma dor de cabeça ou se sintam mal, pensando: “Ah, estou desidratado, preciso beber mais”, e continuam bebendo cada vez mais e mais água, e continuam se sentindo pior e pior e pior.

Se você beber uma quantidade além da que seus rins podem excretar, os eletrólitos em seu sangue podem se tornar muito diluídos e, no caso mais brando, pode fazer você se sentir “mal”.

No caso mais extremo, beber uma quantidade excessiva de água em um curto período pode levar a uma condição chamada hiponatremia ou “intoxicação por água”.

— Isso é muito assustador e ruim — , disse Hyndman.

Se os níveis de sódio no sangue ficarem muito baixos, pode haver um inchaço do cérebro e problemas neurológicos como convulsões, coma ou até morte.

Em 2007, uma mulher de 28 anos morreu de hiponatremia após supostamente beber quase dois galões de água durante três horas enquanto participava de um concurso que desafiava as pessoas a beber água e urinar o menos possível. A condição pode ser mais comum entre os praticantes de exercícios físicos.

Top model Linda Evangelista diz estar desfigurada após fazer a criolipólise, procedimento de queima de gordura; conheça os riscos

Aos 56 anos, a modelo canadense, ícone de beleza nos anos 90, postou nas redes social que teve suas células adiposas aumentadas; técnica comum no Brasil
Evelin Azevedo

Modelo canadense Linda Evangelista. Foto: GIUSEPPE CACACE 21-09-2014 / AFP

A modelo canadense Linda Evangelista, de 56 anos, revelou nas redes sociais que um efeito colateral raro da criolipólise (CoolSculpting) a deixou “brutalmente desfigurada”. Ícone das passarelas nos anos 1990, ela contou que em vez de suas células de gordura diminuírem, o procedimento fez com que elas aumentassem, deixando maior a região submetida ao tratamento.

Linda Evangelista dividiu as passarelas e trabalhos fotográficos com nomes como Naomi Campbell e Cindy Crawford. Há alguns anos ela não se manifestava e tampouco aparecia publicamente, o que chamou a atenção dos fãs. Com isso, ela decidiu escrever um texto em suas redes sociais para explicar como o procedimento estético a levou para uma depressão.

“Hoje dei um grande passo para corrigir um erro que sofri e guardei para mim mesmo por mais de cinco anos. Para meus seguidores que se perguntam por que eu não tenho trabalhado enquanto as carreiras de meus colegas têm prosperado, a razão é que eu fui brutalmente desfigurada pelo procedimento CoolSculpting de Zeltiq, que fez o oposto do que prometia. [o procedimento] Aumentou, não diminuiu, minhas células de gordura e me deixou permanentemente deformada, mesmo depois de passar por duas cirurgias corretivas dolorosas e malsucedidas. Fui deixada, como a mídia descreveu, ‘irreconhecível’”.

Linda Evangelista na década de 90. Foto: Guilherme Pinto 29-02-1992 / Agência O Globo
Linda Evangelista na década de 90. Foto: Guilherme Pinto 29-02-1992 / Agência O Globo

Esse efeito colateral é conhecido como hiperplasia adiposa paradoxal ou HAP e, segundo os fabricantes de um dos aparelhos que realiza a criolipólise, tem uma taxa de incidência de 0,025%. Ou seja, ocorre um caso a cada 4 mil sessões. No entanto, um estudo feito por pesquisadores canadenses, sob a chancela da Sociedade de Cirurgia Plástica do país, que analisou mais de 8 mil sessões de criolipólise, mostrou que a hiperplasia adiposa paradoxal tem uma incidência um pouco maior do que os fabricantes estimam: entre 0,05% e 0,39%. Eles observaram que a maior parte dos casos (55%) ocorreu em homens e que 77,8% das pessoas afetadas tinham descendência europeia. As taxas de indecência caíram 75% quando os aparelhos de criolipólise foram trocados por modelos mais novos.

A criolipólise é um procedimento estético que consiste no resfriamento controlado das células de gordura localizada. Cada sessão pode durar de 30 minutos a 1 hora, dependendo do tamanho da região que será submetida ao tratamento. O congelamento causa a apoptose das células adiposas, ou seja, uma morte programada. O próprio corpo se encarrega de se desfazer das células mortas e os resultados aparecem cerca de 3 meses após a sessão. Em média, são eliminadas 25% das células de gordura da área tratada. Cada sessão custa entre R$ 2300 e R$2500. O tratamento pode ser feito na barriga, nas costas, braços, pernas e área do pescoço (para tirar a famosa “papada”).

De acordo Daniela S. Pimentel, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e médica dermatologista da Clínica Evive, de São Paulo, a HAP é visível — dá para ver mesmo quando a pessoa está vestida — e deixa a região submetida à criolipólise com o mesmo formato da ponteira usada no procedimento. Dá a impressão de que há um “estojo” ou um “pote de sorvete” por baixo da roupa do paciente.

— O tratamento para esse tipo de problema é a lipoaspiração. As células de gordura da região saem na cirurgia e o resultado fica perfeito. A fabricante do aparelho que uso para fazer a criolipólise na clínica onde eu trabalho custeia a lipo reparadora. O médico que realizou o procedimento deve acompanhar e orientar o paciente sobre a cirurgia — afirma Pimentel.

A dermatologista destaca a HAP não pode ser confundida com um resultado da criolipólise que tenha ficado abaixo da expectativa dos pacientes. Por isso, é importante ter o acompanhamento médico para avaliar se há ou não o efeito colateral. Ainda não se sabe as causas deste problema.

— Esse procedimento deve ser feito por um médico habilitado, que tenha uma boa experiência. O paciente deve ser informado dos possíveis efeitos colaterais e assinar um termo de consentimento, onde ele assume os riscos junto com o profissional de saúde — alerta Adilson da Costa, dermatologista e professor associado adjunto de dermatologia na Emory University, em Atlanta, nos EUA.

Outro efeito colateral — esse é mais comum — que está associado à criolipólise é a queimadura na região tratada. Isto ocorre quando há algum problema com a manta usada para proteger a região. Este item é descartável, e deve ser específico para aquele aparelho, ter boa qualidade e um tamanho adequado para cobrir a pele após o aparelho sugar a parte que será congelada. Há casos de clínicas que reutilizam as mantas ou cortam um pedaço delas para utilizar em outra sessão, com o objetivo de economizar, já que o material é caro.

Procurar boas referências é fundamental para diminuir os riscos do procedimento. É importante também ficar atento ao preço. Se for barato demais, desconfie.

Mecanismo cerebral

Emagrecer na vida adulta é uma das batalhas mais árduas que se possa ter. Metade das pessoas acima do peso, para se ter uma ideia, reportam dificuldade para emagrecer. Há explicações fisiológicas. É até os 20 anos que o número de células de gordura é definido no organismo. A partir de então, nada é capaz de diminuir essa quantidade — nem a mais rigorosa das dietas. Quando se perde peso, as células adiposas apenas perdem volume, mas continuam lá, ávidas para recuperar a dimensão anterior.

O ganho de peso também envolve mecanismos cerebrais. A obesidade acima de tudo, pode ser comparado ao vício, por envolverem o sistema de recompensa. Quanto mais se exagera no prato, como em um círculo vicioso,  mais se quer comer. O cérebro de quem está acima do costuma ter uma deficiência no neurotransmissor associado ao prazer — a dopamina. Para se sentirem satisfeitos, ingerem mais alimentos. O açúcar, sobretudo, capaz de estimular muito rapidamente o aumento da dopamina, é o maior vilão.

Dermatologistas alertam sobre uso indevido do Roacutan para afinar o nariz

Remédio para acne com isotretinoína pode provocar graves efeitos colaterais, como danos no fígado e aumento do colesterol
Davi Medeiros e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

Tratamento
‘Quem tomar para afinar o nariz pode arriscar a própria saúde a troco de nada’, alerta Isadora Andreotti, de 20 anos, que tomou o Roacutan para tratar da acne

A difusão de informações nas redes sociais sobre o suposto potencial de afinar o nariz de um medicamento para acne fez a Sociedade Brasileira de Dermatologia divulgar um alerta sobre os riscos de graves efeitos colaterais do uso inadequado do remédio, que pode causar danos no fígadoaumento do colesterol más-formações no feto, no caso de pacientes grávidas.

A entidade notou um aumento de publicações sobre benefícios de medicamentos com isotretinoína, mais conhecida pelo nome comercial Roacutan, inclusive com o incentivo a desafios para uso da substância. “É um remédio com muitos efeitos colaterais, como alteração no fígado e aumento do colesterol. No caso de gestantes, pode causar más-formações no feto. A gente sabe que ele dá uma atrofia na glândula sebácea, mas não tem embasamento científico de que o medicamento afina o nariz”, explica Beni Moreinas Grinblat, segundo secretário da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Grinblat diz que, além de casos de acne que necessitam do tratamento, há uma condição chamada rinofima que pode receber a indicação do medicamento, mas o quadro atinge principalmente idosos.PUBLICIDADEhttps://arte.estadao.com.br/uva/?id=2YJOVz

De acordo com a entidade, a preocupação com mulheres em idade fértil se dá pelo fato de que o risco de um bebê nascer com má-formação congênita chega a 30% caso o uso seja feito por mulheres grávidas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, a SBD informou que, juntas, as hashtags que convocam para o desafio usando a medicação – #roacutancheck e #roacutanchallenge – atingem 29 milhões de visualizações.

Apenas nos últimos sete dias, as buscas no Google por “Roacutan afina o nariz” aumentaram 900%. Mesmo com o crescimento, Grinblat pondera que o interesse está mais nas redes sociais do que nos consultórios. “As pessoas estão se desafiando, mas não sei o quanto, na prática, está acontecendo. No Brasil, não é um remédio fácil de comprar. Além da receita controlada, existe um termo de consentimento que tem de assinar na farmácia. Alguns pacientes, que já tomam, perguntam se é verdade. No consultório, eles estão desconfiados.” Os pacientes que fazem o tratamento são monitorados por meio de exames para verificar se estão tendo alterações no fígado e no colesterol.

Efeitos colaterais

Ter os olhos, boca e nariz ressecados não foi o que mais incomodou a estudante de Medicina Isadora Andreotti, de 20 anos, enquanto tomava Roacutan para acne, indicação do medicamento. Em sua primeira experiência com o remédio, ela teve de interromper o tratamento após alterações no fígado. Também houve aumento dos níveis de triglicerídios e colesterol.

“Fiz tratamento com Roacutan três vezes, com dois médicos diferentes”, diz. “Fiquei satisfeita com o resultado, mas ainda tenho algumas cicatrizes e manchas de acne.”

As reações relatadas por Isadora estão dispostas na bula do medicamento como “muito comuns” – quando ocorrem em 10% ou mais dos pacientes. Na mesma lista aparecem distúrbios na vesícula biliar, conjuntivite e dores no corpo. Desordens dos sistemas linfático, nervoso e respiratório também são efeitos possíveis, embora menos recorrentes. O documento ainda menciona casos raros de depressão, perda de peso, alterações na contagem de células brancas, insônia, entre outros.

As espinhas, motivo pelo qual a isotretinoína foi receitada a Isadora, foram embora. Os danos ao fígado e aos níveis de colesterol, descritos como reversíveis na bula, também desapareceram. O nariz, que nunca foi o foco do remédio, continua o mesmo. “Consegui o resultado que queria, mas quem tomar para afinar o nariz pode arriscar a própria saúde a troco de nada.”

A isotretinoína também pode ser usada em pessoas que fizeram rinoplastia, segundo Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Rinoplastia Estética e Reparadora pela Case Western University.

“Ela pode ser indicada para o pós-operatório quando a gente faz a cirurgia no nariz. Há trabalhos científicos que mostram benefícios do uso em baixas doses para o resultado do procedimento. Mesmo esses pacientes vão fazer o acompanhamento com cirurgião e dermatologista. O medicamento sozinho não afina o nariz.”

Rubez recomenda que as pessoas busquem informações sobre tratamentos em fontes confiáveis e sempre consultando especialistas da área. “Tem de tomar cuidado com procedimentos, ainda mais os adolescentes. Nessa idade, a gente nem opera. Espera chegar aos 16 anos.”

Em nota, o laboratório Roche Farma Brasil, responsável pela produção do medicamento no País, informou que, como a isotretinoína age nas glândulas sebáceas, pode desinchar a inflamação em casos específicos de peles oleosas acima do normal, causando a impressão de afinamento no nariz. Ainda de acordo com a Roche, o Roacutan é para o tratamento de formas graves de acne e não pode ser utilizado sem prescrição. 

Suposto serviço de saúde da Apple estaria encarando problemas

Como sabemos, a Apple atua em diversas pontas, sendo uma delas a da saúde. Tim Cook, por exemplo, já disse uma vez que “melhorar a saúde dos usuários é a maior contribuição da Apple à humanidade”.

Além de todos os recursos que rodeiam o Apple WatchWall Street Journal revelou recentemente que a companhia tinha alguns planos muito ambiciosos.

De acordo com a reportagem, esses planos começaram depois que o Apple Watch, cuja primeira versão foi lançada em 2015, provou ser um sucesso por seus recursos de saúde. Diante de uma torrente de dados de saúde reunidos pelo relógio, o COO1 da Apple, Jeff Williams, queria que “a Apple reinventasse o sistema de saúde nos Estados Unidos”.

Uma das ideias mais ambiciosas na área de saúde era um plano de oferta de medicamentos de atenção básica, concebido em 2016, de acordo com documentos e pessoas a par do plano. Uma equipe da Apple passou meses tentando descobrir como a enxurrada de dados de saúde e bem-estar coletados de usuários de seu smartwatch poderiam ser usados para melhorar a saúde.

Fontes anônimas disseram ao WSJ que Williams reclamava que os americanos só podem consultar o médico apenas uma vez por ano e somente quando souberem que algo está errado.

A reportagem revelou, ainda, que a Apple assumiu um punhado de clínicas de saúde em Cupertino e, em 2017, contratou a Drª. Sumbul Desai para administrar o que se chamava “Projeto Casper”. Em 2018, inclusive, comentamos que a companhia abriria clínicas para seus empregados com “o melhor sistema de saúde do mundo”.

O projeto, que está paralisado devido a “preocupações internas”, também pretendia oferecer para consumidores “um serviço de saúde abrangente que integraria os dados coletados do iPhone e do Apple Watch”.

A equipe decidiu que uma das melhores maneiras de concretizar essa visão era fornecer um serviço médico próprio, disseram pessoas familiarizadas com o plano, vinculando os dados gerados pelos dispositivos Apple com atendimento virtual e presencial fornecido pelos médicos da Apple. A Apple ofereceria cuidados primários, mas também monitoramento de saúde contínuo como parte de um programa de saúde personalizado baseado em assinatura.

Uma das iniciativas conduzida pela equipe da Drª. Desai mais recentemente foi um aplicativo chamado HealthHabit, o qual foi disponibilizado apenas para funcionários da Maçã. De acordo com as informações, o objetivo desse app era “conectar as pessoas com os médicos e incentivá-los a cumprir desafios de saúde”.

Segundo a reportagem, o aplicativo teve problemas como poucos downloads e inscrições — com metade dos usuários que baixaram o app não se inscrevendo no serviço. Separadamente, a equipe da Drª. Desai continua envolvida no lançamento dos novos recursos de saúde do watchOS 8.

Em resposta à reportagem, um porta-voz da Apple disse que muitas dos apontamentos do WSJ são “baseados em informações incompletas, desatualizadas e imprecisas”.

Veremos o que a Apple revelará com o tempo…

VIA 9TO5MAC

Tenho câncer. E agora? Jornalista Adriana Moreira divide sua jornada com a doença

Adriana Moreira

A jornalista Adriana Moreira: blog como canal de comunicação com outras mulheres diagnosticadas com câncer. Foto Arquivo Pessoal

Quantas vezes eu havia me olhado no espelho naquela semana? Mas, neste dia, o reflexo no espelho mostrava algo diferente. Minha mama esquerda parecia levemente maior que a direita, com o que parecia ser um calombo. Algo sutil, discreto, praticamente imperceptível. Poderia ser apenas o inchaço natural anterior à menstruação, poderia ser uma espinha, poderia não ser nada. Na dúvida, fiz o autoexame, na hora. Havia um nódulo.

Mas a menstruação veio e se foi e o nódulo continuava no mesmo lugar. O que me levou à fase 2, chuva moderada em pontos isolados: chorei discretamente (não queria alarmar ninguém à toa) enquanto buscava opções de médicos e procurava manter o otimismo (“vai dar benigno”, dizia). Depois dos exames feitos e do diagnóstico comprovado, a realidade me acertou com um tabefe no meio das fuças: tenho câncer, e agora?

Até o presente momento, em que estou oficialmente diagnosticada como portadora de câncer de mama e prestes a fazer a cirurgia para remover essa visita inconveniente (que não apenas entrou sem ser convidada como também não quer usar máscara e fala lançando perdigotos no ar), mudei de humor e sentimentos tanto quanto muda o clima em São Paulo em um dia de outono. Do solar a tempestades em menos de dez minutos, essa é a minha atual rotina.

Comecei com uma solar negação: não procurei um médico imediatamente. “Vou esperar depois da menstruação, vai que desincha e some?”, pensei. Afinal, isso não poderia acontecer comigo, logo comigo? (Sim, todos nos consideramos lindos alecrins dourados imunes aos dissabores da vida. Não fujo à regra.)

A notícia, não vou mentir, me trouxe a tempestade com raios, trovões, lágrimas, raiva e uma comilança desenfreada, com tudo o mais gorduroso e pior para a saúde possível. De que adiantaria ser saudável agora, já que eu já estava doente? Pela mesma razão, dei adeus aos exercícios físicos, os quais eu fazia todo dia.

Logo, no entanto, percebi que esse comportamento autodestrutivo não me levaria a lugar algum. Um solzinho discreto, entre nuvens. O que me trouxe à fase atual: vambora enfrentar isso aí. De peito aberto (sem trocadilhos), com bom humor (quando possível) e fazendo o que sei fazer: contar histórias e informar.

Dividir minha experiência nessa jornada – que vai durar sabe-se lá quanto tempo – é uma maneira de mostrar para outras mulheres que também têm câncer que elas não estão sozinhas. Ao todo, 316.280 mulheres foram diagnosticadas com algum tipo de câncer no ano passado no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O mais comum, 29% deles, é o  câncer de mama, o que corresponde a um total de 66 mil mulheres diagnosticadas no último ano.

Somos muitas, mas falamos pouco a respeito. Sim, há as campanhas de prevenção, mas sobre o dia a dia de quem enfrenta a doença não há tantas informações que não sejam técnicas. O tabu ainda é grande, as dúvidas são muitas. Terei de fazer quimioterapia? Entrarei na menopausa por causa dela? Como vai ser a cicatriz da cirurgia? Meu cabelo vai cair? Como estará minha autoestima ao fim desse processo? Quais os riscos de metástase?

Prometo compartilhar essas respostas aqui, de uma maneira muito franca e sem rodeios, com todos os altos e baixos e mudanças de clima que aparecerem nessa trajetória. Vale lembrar algo importante: câncer é algo bem particular, e há diversos tipos de tratamentos e procedimentos – quem avalia é o médico. Cada caso é um caso, e meu objetivo aqui é contar minha experiência. O que serve pra mim talvez não sirva pra você, ok?

Tenho consciência que, neste processo, parto de alguns privilégios: diferentemente da grande maioria da população brasileira, que precisa enfrentar filas de meses para marcar um exame de rotina, tenho um plano de saúde que me permitiu um diagnóstico rápido e uma cirurgia marcada para “o quanto antes”.

Bem diferente do cenário que minha mãe encontrou, há cerca de dez anos, quando também recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Mesmo com a suspeita, marcar exames e consultas antes de ter a confirmação do câncer foi uma via-crúcis no sistema público. Em compensação, depois do diagnóstico confirmado ela fez todo o tratamento pelo SUS, com médicos atenciosos e enfermeiras cuidadosas, recebendo toda a medicação necessária sem nenhum gasto. E, hoje, pode ser considerada curada. Mas isso é tema para um post futuro.

O fato é que ter alguém em casa que já passou por isso tem me ajudado muito a não “panicar” – eu vi como é, sei o que vou enfrentar. Minha mãe, por outro lado, me conforta com palavras como “é assim mesmo”, “comigo foi assim também”. E é por isso que decidi fazer esse blog: pra você, que está passando pelo mesmo que eu e não tem ninguém próximo para compartilhar dúvidas e sentimentos que vão além do diagnóstico médico. Ninguém solta a mão de ninguém.

Vamos falar mais a respeito? Que temas você gostaria de ver aqui? Conta pra mim lá no Twitter: @adrikka

PS: Este texto de apresentação foi escrito pouco antes da minha cirurgia para retirada do nódulo. Tudo correu bem – em breve, contarei tudo neste espaço.

Após anos de espera, saúde da mulher ganha foco de startups

Empresas de tecnologia estão criando produtos para atender às necessidades de saúde das mulheres; segmento ainda é pequeno
Por Farah Nayeri – The New York Times

As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook
As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook

As mulheres representam metade da população do planeta. Ainda assim, as empresas de tecnologia que atendem às suas necessidades específicas de saúde representam uma parcela minúscula do mercado global de tecnologia.

Em 2019, as “femtechs” – empresas de software e tecnologia que atendem às necessidades biológicas das mulheres – gerou US$ 820,6 milhões em receita no mundo e recebeu US$ 592 milhões em investimentos de capital de risco, segundo o site PitchBook. No mesmo ano, o Uber levantou US$ 8,1 bilhões ao abrir o capital. A diferença proporcionalmente é impressionante, sobretudo pelas mulheres gastarem cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook.

Aproveitando esse poder de compra, uma infinidade de aplicativos e empresas de tecnologia têm surgido na última década para atender às necessidades das mulheres, incluindo monitoramento de menstruação e fertilidade, e oferecendo soluções para gravidez, amamentação e menopausa. As startups médicas também entraram em cena para prevenir ou controlar doenças graves, como o câncer.

“O potencial de mercado é enorme”, diz Michelle Tempest, sócia da consultoria de saúde Candesic, com sede em Londres. Ela explica que uma das razões pelas quais as necessidades relacionadas às mulheres não tinham sido foco no campo da tecnologia até então é que a pesquisa em saúde foi esmagadoramente “adaptada ao corpo masculino”. 

Em 1977, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, excluiu mulheres em idade fértil de participarem de testes de medicamentos. Desde então, as mulheres têm sido sub-representadas nos ensaios clínicos com medicamentos, disse Michelle, por causa da crença de que as flutuações causadas pelos ciclos menstruais podem afetar os resultados dos testes e também porque se uma mulher engravidar após tomar um medicamento experimental, o medicamento pode afetar o feto. Como resultado, ela observou, “nós ficamos para trás”.

Futuro

O termo “femtech” foi criado por Ida Tin, a fundadora dinamarquesa do Clue, um app de monitoramento de menstruação e ovulação desenvolvido na Alemanha em 2013. Ida relembrou como teve a ideia para os serviço. Em 2009, ela se viu segurando um celular em uma mão e um pequeno dispositivo de medição de temperatura na outra e desejando que pudesse mesclar os dois para monitorar seus dias de fertilidade. 

Outra vertente das femtechs é conhecida como “menotech” e visa melhorar o estilo de vida das mulheres enquanto elas passam pela menopausa. Além delas, existem empresas de tecnologia médica focadas em alguns dos tipos de câncer que mais afetam as mulheres, como o câncer cervical e o câncer de mama.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer cervical é a quarta causa mais comum de câncer entre as mulheres em todo o mundo. Em 2018, cerca de 570.000 mulheres foram diagnosticadas com ele e até 311.000 morreram. A OMS anunciou em novembro um programa para erradicar completamente a doença até o ano de 2030.

A MobileODT, uma startup com sede em Israel, usa smartphones e inteligência artificial para fazer a triagem de câncer cervical. Leon Boston, CEO da empresa, disse que estava vendendo a tecnologia para cerca de 20 países diferentes, entre eles EUA, Índia, Coreia do Sul e Brasil, e está entrando em uma rodada de arrecadação de fundos para construir seu capital inicial de US$ 24 milhões.

Questionado a respeito do motivo de o mercado global de femtechs ser tão pequeno, Boston disse que isso se devia em parte ao “alto nível de regulamentação” envolvido na tecnologia médica. “Se a sua tecnologia estiver equivocada e apresentar um resultado errado, uma mulher que pensa que não tem um resultado positivo para câncer cervical, na verdade, tem”, disse ele. Por causa disso, “o mundo da tecnologia médica é lento para avançar”.

Mesmo assim, as perspectivas são favoráveis, segundo ele. “É muito raro haver um mercado completamente árido aberto para todo o potencial como temos hoje em tecnologia médica”, disse ele.

As previsões de dados parecem confirmar isso. Segundo um relatório de março de 2020 da Frost & Sullivan, uma consultoria de pesquisa e estratégia, a receita das femtechs deve chegar a US$1,1 bilhão em 2024. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Conheça os benefícios dos exercícios moderados

Além de garantir melhoras fisiológicas para os seus praticantes, modalidade é a mais indicada para práticas sem acompanhamento profissional
Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

Para melhorar sua saúde, Débora Luz passou a malhar durante a pandemia Foto: Taba Benedicto/Estadão

Se, de um lado, exercícios leves e fáceis são desestimulantes, do outro, os intensos podem provocar lesões e diminuir a frequência da prática de atividades físicas. Sendo assim, o moderado chega como o ideal, uma vez que o importante não é a prática, mas sim o hábito.

“Exercício moderado é aquele que você consegue fazer, mantendo uma conversa, mas fica um pouco ofegante. Se estiver conversando muito fácil, está leve demais e, se você não consegue falar, é porque já passou para o intenso”, explica a professora Alessandra Medeiros, do Departamento de Saúde, Educação e Sociedade da Unifesp

Outra maneira de medir a intensidade do seu treino é subtraindo sua idade de 220. Uma pessoa de 40 anos, por exemplo, tem o limite máximo de 180 batimentos por minuto (bpm). Ou seja, não é recomendado que ela faça atividades que obriguem o coração a bater mais rápido do que esse valor. “Para não submeter o corpo ao estresse físico, é ideal manter a frequência cardíaca entre 50% e 75% da máxima, que seria o exercício moderado”, esclarece o cardiologista Ricardo Casalino, líder da área médica do Qsaúde, empresa de saúde suplementar. No caso do nosso exemplo, entre 90 e 135 bpm.

A regra está um pouco ultrapassada, mas ela serve para quando a pessoa não pode fazer o teste ergométrico, que seria o ideal. “Do ponto de vista cardiovascular, a atividade que oscila entre esses dois lineares traz um benefício na prevenção de doenças”, diz Ricardo. Isso porque a atividade física tem um peso grande dentro da medicina preventiva. “A gente consegue conectá-la com saúde óssea, muscular, mental, cardiovascular e, hoje em dia, até em tratamento de doenças imunológicas.”

Foi pensando nisso que a influenciadora Débora Luz começou a se exercitar. “Fui à nutricionista e descobri que estava com sobrepeso e colesterol muito alto para a minha idade. Como a minha família tem um histórico de algumas doenças fisiológicas, decidi fazer alguma coisa”, conta. Hoje, ela vai de segunda a segunda na academia pelo bem-estar. O que a impulsiona é justamente a melhora da qualidade de vida gerada pela prática dos exercícios moderados. “Se não tivesse sentido essa diferença, eu não teria continuado.” 

Além de reduzir a ansiedade e o estresse, a prática pode melhorar a qualidade do sono, especialmente para quem tem insônia, os níveis de glicemia, pressão arterial e praticamente todos os parâmetros fisiológicos possíveis. A modalidade vai do objetivo, prazer e da limitação de cada um, mas, de modo geral, todos os exercícios geram benefícios para o indivíduo, desde que praticados regularmente. Os aeróbicos acabam sendo os mais escolhidos pela série de benefícios cardiovasculares que trazem. Porém, ao envelhecer, é comum perder massa muscular e força, o que dificulta as atividades da vida diária, como carregar uma sacola. “Por isso, o ideal é fazer um mix dos dois, e ambos podem ser moderados”, conclui Alessandra.

Exercícios moderados
Com medo de sofrer lesão, Vanessa treina com personal Foto: Vanessa Freitas

O exercício moderado também acaba sendo o mais seguro e mais fácil de as pessoas praticarem sem a supervisão de um profissional adequado, o que aconteceu em tempos de lives e aplicativos de exercícios. Foi o caso do publicitário André Castro, que faz aulas online.

“São aulas curtas, de até 30 minutos, com exercícios que utilizam objetos que tenho em casa”, diz. “Teoricamente, são cinco vezes por semana, mas às vezes a rotina aperta e preciso cancelar alguma.” Além de ganhar condicionamento físico, André afirma que treina pelo bem da saúde mental. “Sempre tive crises de ansiedade e consigo perceber um equilíbrio maior nas fases em que consigo fazer atividades com mais periodicidade. Meu corpo vai ‘pedindo’ por mais atividades.”

A frequência não interfere na intensidade do exercício. No entanto, o ideal é que a prática aconteça no mínimo três vezes por semana. Menos que isso, os efeitos positivos são muito pequenos. É importante lembrar ainda que, com o passar do tempo, o moderado pode virar leve. “Para a gente ter uma melhora no nosso condicionamento, tem de desafiar nosso organismo. Se a gente faz sempre a mesma coisa, chega uma hora que o organismo se acostuma e deixa de evoluir”, ensina Alessandra. Assim, de tempos em tempos, é importante variar os tipos de exercícios para garantir que sua intensidade continue no moderado. 

O momento atual coloca a prática do exercício físico em um patamar acima da importância que já tinha antes. “As pessoas não estão saindo de casa nem para trabalhar e ficam cada vez mais sedentárias”, explica Alessandra. Assim, além do treino, é preciso diminuir o tempo sentado dentro de casa. “A cada uma hora, levante para beber uma água ou fazer uma caminhada pela casa. Isso é de extrema importância”, aconselha. 

Foi justamente para não ficar parada que a analista de sistemas Vanessa Freitas passou a treinar. “Nunca tive problema de ficar oito horas sentada na frente do computador, mas, durante a quarentena, começou a doer minha coluna e lombar. Um dia, mesmo sem fazer exercício, minha coluna travou. Foi por causa dessas coisas que voltei a praticar”, afirma ela, que voltou a treinar em novembro com uma personal trainer, Mariana Oliveira. Por ter artrite reumatoide, uma doença inflamatória crônica que geralmente afeta as pequenas articulações das mãos e dos pés, Vanessa tinha medo de treinar sozinha e se machucar ou sofrer uma lesão.

O mais comum é nos preocuparmos com essas questões depois de mais velhos, quando os problemas realmente surgem. Por isso, a prática de atividades em crianças é extremamente recomendada, sobretudo na pandemia, já que muitas pararam de brincar e ter o gasto energético de antes. “Uma atividade muito legal para fazer com os pequenos dentro de casa são aqueles videogames de dança. Também dá para fazer circuitos pela casa, desde que sejam brincadeiras lúdicas e corporais”, sugere Alessandra.

Exercícios moderados
A personal Mariana Oliveira garante que os exercícios de sua aluna sejam feitos corretamente Foto: Vanessa Freitas

NYT 7 Minute Workout – Reserve 7 minutos para fazer esse treino

Versão mais leve de treino conhecido mantém você em movimento e longe do chão
Tara Parker-Pope, The New York Times, O Estado de S.Paulo

The Standing 7-Minute Workout

Quase oitos anos atrás, o preparador físico Chris Jordan publicou uma sequência simples de 12 exercícios em uma revista médica. Era notável porque combinava treinamento aeróbico e de resistência em uma única sessão de exercícios que durava apenas sete minutos.

“Como o peso corporal é a única forma de resistência, o programa pode ser realizado em qualquer lugar”, escreveu Jordan, que tem mestrado em fisiologia do exercício pela Universidade Leeds Metropolitan (agora conhecida como Universidade Leeds Beckett) e orientou sobre condicionamento físico tanto o exército britânico como a Força Aérea americana.

Depois que a revista do New York Times escreveu a respeito da pesquisa, sob a manchete “O treino científico de 7 minutos”, a rotina de exercícios tornou-se nada menos do que um fenômeno global. Dezenas de vídeos de exercícios e aplicativos surgiram em seguida.

O treino original de sete minutos era baseado em um programa de treinamento que Jordan desenvolveu como consultor de programa de preparação física civil para os funcionários da Força Aérea dos EUA que estavam na Europa. Mais tarde, enquanto treinava executivos no que hoje é o Johnson & Johnson Human Performance Institute em Orlando, Flórida, ele ajustou os exercícios no que chamou de “treino para quarto de hotel” para executivos ocupados que reclamavam de não ter tempo ou equipamento para fazer exercício durante viagens a trabalho.

Jordan, que é o diretor de fisiologia do exercício do instituto, disse que nunca ganhou dinheiro com o treino e reforçou que o aplicativo Johnson & Johnson Official 7-Minute Workout é gratuito.

Para tornar o treino acessível a mais pessoas, Jordan recentemente criou o Standing 7-Minute Workout (Treino de 7 minutos em pé), apropriado para todos os corpos, faixas etárias, tamanhos e condicionamentos físicos. Assim como o treino original, esse inclui exercícios cardiorrespiratórios, para os membros inferiores, superiores e abdômen – nessa ordem. Cada exercício dura 30 segundos, com apenas cinco segundos de intervalo entre eles. (Você pode ver um vídeo com o treino em nytimes.com/well.)

Para conseguir melhores resultados, faça cada exercício com uma intensidade relativamente alta – cerca de 7 ou 8 ou em uma escala de 1 a 10. Mas respeite seu ritmo e pare ao sentir dor. Sempre consulte um médico antes de começar qualquer programa de atividade física.

(30 segundos) Corrida estacionária: o objetivo é acelerar sua frequência cardíaca. Eleve os joelhos e mexa os braços. Escolha o ritmo que puder.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento com auxílio de cadeira: Fique de costas para a cadeira. Afaste os pés na largura dos ombros. Agora, agache dobrando os joelhos e abaixando-se na direção da cadeira e levante-se. (Não se sente!) Mantenha os braços estendidos para contrabalanceá-lo. Se você não puder agachar tanto, faça a metade do movimento. (A cadeira está lá para segurança, no caso de perder o equilíbrio.)

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão na parede: posicione as mãos contra a parede e ande com os pés para conseguir se inclinar em um ângulo confortável. Mantenha o corpo reto da cabeça aos calcanhares, abaixe-se em direção à parede e empurre-se contra ela. Se for muito difícil, deixe os pés mais próximos da parede. Caso seja fácil demais, afaste os pés da parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Abdominal bicicleta em pé: fique de pé com os pés na largura dos ombros, as mãos atrás da cabeça, cotovelos para fora. Levante o joelho direito e gire para alcançá-lo com o cotovelo esquerdo. Agora faça o oposto – encoste o cotovelo direito no joelho esquerdo levantado. Ao girar a parte superior do corpo, contraia o abdome. Se você não consegue tocar seu joelho com o cotovelo oposto, apenas chegue o mais próximo que puder, trazendo a parte superior do corpo em direção à parte inferior.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Boxe. Afaste os pés na largura dos ombros. Agora levante os punhos e dê socos e jabs no ar como um boxeador. O objetivo aqui é aumentar sua frequência cardíaca. Aumente o ritmo e adicione um agachamento se quiser torná-lo mais difícil.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento unilateral com auxílio de cadeira: Fique em pé próximo a cadeira com uma perna para frente e a outra para trás. Flexione a perna de trás na direção do chão e use a cadeira para se equilibrar, se necessário. Não deixe o joelho da frente ultrapassar os dedos dos pés ao flexioná-lo. Troque as pernas após 15 segundos.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão com auxílio da cadeira: Coloque as mãos na cadeira e ande com os pés para trás até que seu corpo esteja em um ângulo de 45 graus e a cabeça em direção aos calcanhares. Dobre os braços e abaixe-se até chegar o mais próximo possível da cadeira. Empurre de volta para a posição inicial. Se for muito difícil, volte para a flexão de parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Prancha na parede: Coloque os antebraços contra a parede para tirar a pressão dos pulsos. Ande com seus pés para trás até um ângulo confortável. Fique com o corpo reto da cabeça aos calcanhares, mantenha a posição e sinta seu abdômen trabalhando. Para torná-lo mais difícil, afaste ainda mais os pés da parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Polichinelos parados: Este é um polichinelo em câmera lenta – sem o salto! Comece em uma posição ereta com os braços ao longo do corpo. Dê um passo para a esquerda e levante os dois braços sobre a cabeça, as mãos se tocando brevemente. Retorne à posição inicial. Agora repita, dando um passo para a direita. Se for muito fácil, aumente o ritmo ou tente um polichinelo com salto.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento na parede: Posicione suas costas retas contra a parede e deslize até uma posição como se estivesse sentado, com os joelhos sobre os tornozelos. Estique os braços. Se for muito difícil, levante um pouco. Se for fácil demais, afunde ainda mais os quadris. Você deve sentir os músculos da frente da coxa queimando.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão de parede: Repita a flexão de parede, ou se preferir, a flexão com auxílio da cadeira. Você deve sentir os braços, ombros e tórax trabalhando enquanto se afasta e se abaixa de volta em direção à parede. Continue respirando!

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Abdominal lateral em pé: Coloque as mãos atrás da cabeça. Agora, incline-se para a direita, levantando o joelho direito para tocar o cotovelo direito. Depois, incline-se para a esquerda e repita, alongando-se para levar o cotovelo esquerdo ao joelho esquerdo levantado. Você vai sentir este exercício nos músculos abdominais laterais. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA