Terapias naturais e novos recursos ajudam mulheres a viver a fase da perimenopausa

Produtos à base de soja e lasers e radiofrequências são indicados
Talita Duvanel

Gwyneth Paltrow, de 46 anos, está na perimenopausa

Sinto as mudanças hormonais acontecendo: o suor, (a falta de)ânimo, uma onda de fúria sem razão.” Esse depoimento veio de ninguém menos que a atriz Gwyneth Paltrow, de 46 anos, que usou as redes sociais, há algumas semanas, para expor um momento inerente à existência de toda mulher: a perimenopausa e a menopausa. Independentemente da conta bancária, da classe social ou da etnia, ser mulher é também passar por isso, em menor ou maior grau.

O primeiro a usar a palavra “menopausa” foi o médico francês Charles Pierre Louis De Gardanne, no livro “De La Menopause: Ou De L’Age Critique Des Femmes” (em português, “Menopausa: ou a idade crítica das mulheres”), publicado originalmente em 1821. Do ponto de vista linguístico, dizem os médicos, o termo está relacionado à última menstruação, mas acabou se popularizando como sinônimo de climatério.

— A partir dos 45 anos, algumas mulheres já começam a viver a perimenopausa, ou seja, já têm sintomas provenientes da diminuição progressiva da produção de estrogênio, principal hormônio secretado pelo ovário. Elas começam a sentir as ondas de calor e a insônia, mas ainda menstruam — explica Ricardo Meirelles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Esse é justamente o momento da vida de Gwyneth Paltrow: ela sente diariamente o aumento da temperatura corporal, que acarreta suor excessivo, a falta de disposição (muitas vezes causada pela insônia) e as alterações de humor. Há também quem perceba um crescente ressecamento da mucosa vaginal, que faz da relação sexual dolorosa e, por consequência, desinteressante.

A psicóloga R., de 50 anos, viveu as agruras da perimenopausa por cerca de três anos. Praticante de atividade física desde a adolescência, ela sentiu dificuldades em manter o ritmo de exercícios, sofreu com um suor descomunal e ainda descobriu ter osteoporose. O enfraquecimento dos ossos, aliás, é um dos sintomas da diminuição de estrogênio no corpo feminino, assim como o aparecimento de doenças cardiovasculares.

— O período da perimenopausa foi o pior. Sentia muito desânimo, não tinha vontade de fazer nada. Tenho amigas que não dormem à noite, estão deprimidas. É um momento caótico na vida da mulher. Eu sigo lutando, porque sei que o estado mental é muito importante nessa fase — diz R.

A ginecologista Flavia Tarabini, da clínica Dr. André Braz e professora da Faculdade de Medicina da UFRJ, vê com frequência no consultório a depressão como uma das consequências dessa mudança fisiológica.

— Essa é a hora em que a mulher percebe o envelhecimento, e na nossa sociedade, infelizmente, isso pode levar a quadros depressivos — diz Flavia.

A perimenopausa é a janela de tempo ideal para começar a pensar em terapia hormonal, antigamente chamada de reposição. A expressão caiu em desuso no meio médico porque a ideia não é deixar a paciente com níveis de estrogênio e progesterona iguais aos de 20 anos antes, mas usar uma quantidade que cesse os desconfortos e aumente a qualidade de vida.

— O objetivo é dar a mínima dose possível para tirar o quadro de sintomas — explica Flavia.

Ainda há, no entanto, vários mitos envolvendo a terapia. Um deles tem a ver com câncer de mama. Em décadas passadas, usava-se um tipo de estrogênio sintético que levou à observação de aumento da doença nas pacientes. Hoje, a medicação é mais parecida com os hormônios naturalmente produzidos pelo corpo, e o risco é praticamente inexistente. No caso de problemas no endométrio, eles só têm chance de aparecer se a terapia for feita sem associar a progesterona a estrógenos. Claro que mulheres com histórico de tumores não devem se submeter a esse tratamento, mas todas as outras podem conversar com os médicos sobre a qualidade de vida que possam vir a ganhar.

Pré-requisito para usar a medicação é estar disposta a sempre fazer exames de rotina, como ultrassonografias transvaginal e mamária, mamografia e análise das taxas <de gordura e de glicose no sangue.

Quem não pode ou não quer tomar remédios tem outro tipo de ajuda para minimizar os efeitos do climatério: as terapias naturais.

Anúncios

Primeiro antidepressivo para pós-parto é submetido à aprovação

Medicamento submetido à aprovação das agências de saúde dos Estados Unidos e da Europa será o primeiro composto desenvolvido para a depressão pós-parto
Por Giulia Vidale

mae-bebe-depressao-pos-parto-261
Diagnóstico precoce - A mãe e o recém-nascido: a disfunção pode ter começo ainda durante a gravidez (Westend61/Getty Images)

Duas em cada dez mulheres no Brasil vivem uma das situações mais paradoxais da existência humana: estar com o bebê desejado e saudável nos braços e, no entanto, sentir uma tristeza abissal por tê-lo no colo. Acontece: ser mãe e com a maternidade virem o sentimento de culpa, o choro incontrolável e a prostração severa. Para a medicina, não há dúvida: trata-se de depressão pós-parto. A alta incidência do transtorno e a falta de clareza no diagnóstico, contudo, nunca foram capazes de produzir um tratamento específico para o distúrbio. Diz Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: “Havia duas barreiras, o tabu que ainda gira em torno da condição da mulher e os mecanismos muito específicos desse transtorno”. Ao menos o segundo obstáculo está próximo de ser superado com o primeiro medicamento desenvolvido para a depressão pós-parto. Com o nome de brexanolona, o novo composto foi submetido à aprovação das agências americana e europeia de saúde, FDA e EMA. Ambas as instituições já o classificaram como remédio “prioritário e inovador”.

Uma das principais hipóteses para as causas da depressão pós-parto é a gangorra nos níveis de hormônios no organismo feminino. Durante a gravidez, a mulher tem um aumento brutal de uma substância chamada alopregnanolona. Ela tem relação direta com um neurotransmissor de efeito calmante no organismo, o Gaba. No período pós-­parto, a queda da alopregnanolona é abrupta e algumas mulheres não se adaptam à diferença radical, o que leva à instabilidade emocional. O medicamento agora anunciado funciona como uma alopregnanolona sintética. “É uma abordagem refinada”, diz Joel Rennó Júnior, psiquiatra e diretor do Programa Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Até agora o tratamento mais popular para a depressão pós-parto tem empregado os antidepressivos comuns. Em especial os que agem na serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. O remédio, porém, leva um longo período para produzir efeito — não menos que duas semanas. A grande qualidade da brexanolona, injetável e administrável numa única dose, está justamente no tempo do início de ação no organismo: 48 horas. A diferença no calendário quanto ao começo do efeito é uma enormidade para quem sofre do terrível abatimento.

A brexanolona foi testada em 226 mulheres com idade entre 18 e 45 anos, com bebês de até 6 meses de vida. Todas elas haviam sido diagnosticadas com depressão pós-parto com vários graus de intensidade. As pacientes com depressão grave que receberam uma única dose da medicação tiveram redução considerável na intensidade do transtorno — apesar da presença de efeitos colaterais como sonolência e tontura. Conclusão: as portadoras de depressão severa passaram a sofrer da forma moderada ou leve do distúrbio. É como se uma mulher que não conseguisse levantar-se da cama para lidar com o filho pequeno passasse a fazer isso com alguma facilidade. Ela ainda tem o problema, sim, mas nada que a impeça de cuidar do filho. Como ainda não existem dados sobre a segurança do tratamento para a criança, as participantes tiveram de interromper a amamentação durante o estudo. A brexanolona deixa ainda em aberto uma questão fundamental: uma infusão é suficiente para o tratamento da doença ou serão necessárias novas doses em caso de retorno do transtorno? Por enquanto, os pesquisadores não conseguiram responder à pergunta.

arte-depressao-pos-partoApenas 30% das mães passam ­absolutamente incólumes por essa fase inicial tão delicada e intensa. As demais sofrem de depressão ou de tristeza. A tristeza, decorrente sobretudo da exaustão, das incertezas em relação a ter um bebê e da adaptação à nova vida, é completamente diferente da doença. Conhecida como baby blues, a tristeza é um sentimento deflagrado na primeira semana após o nascimento do bebê, em geral no terceiro dia, e termina espontaneamente por volta de duas semanas depois. A persistência ou a intensificação do abatimento são sinais de alerta para um quadro mais grave que requer tratamento. Deixada a seu próprio curso, a depressão chega a incapacitar para as atividades cotidianas, destrói laços afetivos, solapa a autoestima e provoca alterações abruptas de humor. Em cerca de 1% dos casos, as mulheres desenvolvem psicose pós-parto e podem chegar até a matar o bebê.

A vulnerabilidade da mulher ao descompasso hormonal da depressão é um histórico campo de estudos da medicina. Sabe-se, por exemplo, que problemas financeiros, conflitos com o parceiro e histórico familiar da doença podem ser o gatilho para o transtorno. Mas novos achados mostram um dado revelador: casos severos de depressão pós-parto podem ter tido sua origem ainda durante a gravidez, segundo trabalho publicado na revista científica The Lancet Psychiatry. Ou seja, o tratamento poderia, em tese, começar antes mesmo do parto. Não é uma decisão fácil, pois há sempre a sensação de que a chegada daquele pedacinho gostoso de gente possa resolver todos os problemas. O fato é que nem sempre é assim e, infelizmente, muitas vezes é tarde demais para perceber a escuridão.

O poder das pessoas positivas

Cultivar uma rede de amigos estimula uma vida mais saudável
Tara Parker-Pope, The New York Times

1_JxVmzBnMVP93iMx6RcVKKA.png
Pesquisadores acreditam que ter um grupo de amigos pode fazer mais pela saúde do que muitos tratamentos Foto: Lorraine Sorlet via The New York Times


Você convive com as pessoas certas para sua saúde e sua felicidade?

Em geral, nós nos preocupamos com a dieta e fazemos exercícios físicos para ter uma saúde melhor, entretanto, a ciência sugere que nosso bem-estar também é influenciado pelas pessoas que nos cercam.

Pesquisadores descobriram que certos comportamentos em relação à saúde podem ser contagiantes e que nossas redes sociais – formadas por pessoas reais ou online – podem influir na obesidade, na ansiedade e na felicidade. Um relatório divulgado recentemente constatou que a rotina de exercícios de uma pessoa é fortemente influenciada por suas redes sociais.

Nos últimos tempos, pude confirmar o poder da multidão ao participar de um cruzeiro sobre bem-estar. O evento atraiu um grupo de pessoas que compartilhavam das mesmas ideias e que, embora tivessem experimentado graus variados de adversidades em suas vidas, inclusive câncer, perda de visão e a perda recente de um ente querido, continuavam otimistas e animadas.

A idade do grupo variava dos 17 aos 90 anos. Um homem de mais de 80 anos, um espírito realmente inspirador, adotara um estilo de vida vegano e uma rigorosa rotina de exercícios para controlar seu diabetes. Outra companheira de viagem, uma mulher de mais de 50 anos que sobrevivera a um câncer no pulmão, me animou e me ajudou a realizar um exercício particularmente difícil.

Dan Buettner, pesquisador e colaborador da “National Geographic”, estudou os hábitos de saúde de pessoas que vivem nas chamadas zonas azuis – regiões do mundo em que os indivíduos vivem muito mais do que a média. Ele observou que as amizades positivas são um tema comum nessas zonas.

“Os amigos podem exercer uma influência quantificável e constante na saúde dos que as cercam, com resultados que uma simples dieta jamais poderia proporcionar”, afirmou.

Em Okinawa, no Japão, onde a expectativa média de vida para as mulheres é de cerca 90 anos, a mais alta do mundo, as pessoas formam uma espécie de rede social chamada moai – um grupo de cinco amigos que oferecem suporte social, logístico, emocional e até mesmo financeiro. “Tradicionalmente, os pais proporcionam um moai aos filhos desde seu nascimento e empreendem juntos uma jornada que dura a toda a vida”, disse Buettner.

Em um moai, o grupo se beneficia das situações positivas, como compartilhar de uma safra generosa, e as famílias se apoiam mutuamente quando uma criança adoece ou alguém morre. E também influenciam os comportamentos recíprocos  no que diz respeito à saúde ao longo da vida.

Buettner trabalha para a criação de moais em cerca de 20 cidades nos Estados Unidos. Em Fort Worth, no Texas, vários moradores formam moais para caminhadas – as pessoas se encontram para andar e estabelecer contatos entre si.

“Criamos moais que agora têm vários anos, e eles continuam exercendo uma influência saudável nas vidas de seus integrantes”, contou Buettner.

O segredo para formar um moai bem-sucedido está em começar reunindo pessoas que têm interesses, paixões e valores semelhantes. O grupo da zona azul tenta reuni-las com base na geografia, no trabalho e na programação da família. Depois, faz uma série de perguntas a fim de descobrir interesses comuns. Suas férias perfeitas seriam um cruzeiro ou uma viagem de mochila? Você gosta de rock ‘n’ roll ou de música clássica?

“Desse modo, você cria uma situação que levará a um longo relacionamento”, disse Buettner.

A equipe elaborou um teste para ajudar as pessoas a avaliarem os efeitos positivos de sua rede social. O teste consiste em fazer perguntas sobre sua saúde, quanto bebem, comem e se exercitam, assim como suas perspectivas. O objetivo é não menosprezar as menos saudáveis, mas identificar as pessoas que fazem mais pontos, e passar mais tempo com elas.

“Posso afirmar que a coisa mais importante que você pode fazer para aumentar a duração de uma existência saudável é cuidar de sua rede social mais próxima”, disse Buettner. Ele acha preferível um grupo de três ou cinco amigos do mundo real em lugar de amigos distantes no Facebook.

“Em geral, as pessoas querem interlocutores com os quais possam manter uma conversação interessante”, explicou, “pessoas que você pode chamar em um dia ruim e elas atenderão. Seu grupo de amigos é melhor do que qualquer medicamento ou suplemento contra o envelhecimento, e eles farão por você mais do que qualquer tratamento”.

Atriz Brigitte Nielsen tem bebê aos 54 anos e reabre debate sobre mães mais velhas

A artista dinamarquesa afirma que engravidou usando óvulos que havia congelado

Brigitte Nielsen
Aos 54 anos, atriz Brigitte Nielsen dá à luz a bebê gerado por fertilização in vitro 


Londres (Thomson Reuters Foundation) – Quão tarde é tarde demais para ser mãe? A atriz Brigitte Nielsen teve seu quinto filho aos 54 anos, reabrindo o debate sobre o crescente número de mulheres utilizando a fertilização in vitro para ter bebês mais adiante na vida. Nielsen afirmou que ela engravidou usando óvulos que havia congelado por volta dos 40 anos.

Especialistas em fertilidade dizem que a idade média de mães está crescendo solidamente ao redor do mundo, com mulheres cada vez mais se voltando a tratamentos de fertilidade para estender seus anos férteis.

Alguns renovaram pedidos para que mulheres priorizem ter crianças em seus anos mais jovens e férteis, mas outros dizem que planos de saúde precisam levar em conta as pressões que levam mulheres a adiar iniciar uma família.

“Nós devemos deixar as mulheres tomarem essa decisão por elas mesmas”, disse Katherine O’Brien, diretora de pesquisa da instituição de caridade British Pregnancy Advisory Service (BPAS).

“O que precisamos é um serviço de saúde que apoie suas decisões em vez de tentar compelir mulheres a terem filhos em um momento que não é certo para elas”, disse ela à Thomson Reuters Foundation. [Reuters]

Cinco alimentos para entrar no seu cardápio em 2018

Cinco alimentos para entrar no seu cardápio em 2018
Experts listam as “superfoods” da vez
Por Laura Stabile, Luiza Souza, Olga Penteado e Vitória Moura Guimarães

beleza-daqui-para-frente-19
Beleza: daqui para frente (Foto: Kinya, Bruna Castanheira / Arquivo Glamour, Gil Inoue, James Macari e Rafael Pavarotti / Arquivo Vogue, Imaxtree, Thinkstock e Divulgação)


Confira os alimentos que vão dar um up na sua alimentação em 2018, de acordo com a nutricionista Flávia Cyfer, e o endocrinologista Pedro Assed, ambos do Rio de Janeiro, e o médico nutrólogo Theo Webert, de São Paulo:

Chá de casca de cacau: rico em antioxidantes, vitaminas, minerais e teobromina, substância que acelera o metabolismo. É um diurético potente, combatendo também o inchaço.

Taioba: hortaliça com ação prebiótica, ou seja, alimenta as bactérias benéficas ao intestino que ajudam na manutenção da boa forma. Rica em vitaminas A, B e C, ferro, cálcio e potássio, vai bem em sopas e refogados.

Melão-de-são-caetano: também conhecido como melão amargo, é uma planta cujo principal trunfo é baixar os níveis de açúcar no sangue – ao reduzir a insulina, auxilia no emagrecimento. Com vitaminas C, A, K e do complexo B, tem grande poder antioxidante. Pode ser consumido em cápsulas ou chá.

Alho negro: ao passar por processo de fermentação, o alho comum fica ainda mais poderoso – é um excelente antioxidante, ajuda a regular a pressão arterial e é termogênico. Seu sabor é mais adocicado e menos ardido.

Moringa: típica da vegetação da região norte do Brasil, a planta tem propriedades anti-inflamatórias e é supernutritiva – tem três vezes mais potássio que uma banana e sete a mais de vitamina C que uma laranja. Seu pó pode ser misturado a shakes, e sua folha natural usada para chá.

A perigosa (e criminosa) prática sexual do ‘stealthing’

Termo em inglês, que se refere à prática de remover a camisinha durante o sexo sem avisar o parceiro, é considerado agressão sexual

pozhlvuxgc254x0
Stealthing: uma nova “tendência” sexual perigosa e considerada violação


Você já ouviu falar em ‘stealthing‘? Talvez não. Em português, a tradução literal seria algo como “dissimulação”, mas, o termo em inglês designa a prática, também considerada agressão, sexual de retirar a camisinha durante o sexo, sem o consentimento do parceiro. Embora pareça uma novidade de mau gosto, segundo um artigo escrito pela advogada americana Alexandra Brodsky, publicado recentemente no periódico científico Columbia Journal of Gender and Law, a prática é comum entre pessoas jovens sexualmente ativas e ainda pouco discutida.

O artigo teve grande repercussão nas redes sociais internacionais – com reações variando de indignação até vítimas relatando seu depoimento – por ter trazido à tona uma discussão ética sobre esse assunto controverso, de certa forma, e pouco discutido. Controverso porque, embora para muitas mulheres pareça óbvio que a prática foi um abuso, outras apenas a consideram um “sexo ruim”. Quando falamos dos homens que cometem, é ainda mais grave. Eles não só acreditam que isso é um “direito natural”, como disseminam a prática pela internet e até mesmo dão dicas de como remover o preservativo sem a parceira perceber. Segundo o estudo, os homens que praticam e promovem o stealthing “enraizam suas ações em misoginia e na crença da supremacia sexual masculina” frequentemente citando seu “direito de homem” de “espalhar sua semente”.

Embora não haja um registro de quantas pessoas passaram por isso – o abuso é mais comum em mulheres, mas homens homossexuais também já foram vítimas – Alexandra afirma que tem sido cada vez mais comum. Seu artigo baseia-se em relatos de vítimas e no aumento do número de ligações relatando o abuso a uma hotline de denúncias de estupro nos Estados Unidos. E ela conta que desde o que o artigo foi publicado, no último fim de semana, houve um aumento expressivo no número de histórias que chegaram até ela.

“Eu estou impressionada com o número de e-mails, tweets e mensagens pessoais que tenho recebido dizendo ‘isso aconteceu comigo’”, disse.

Alexandra escreveu o artigo enquanto ainda era uma estudante na Escola de Direito da Universidade Yale, nos Estados Unidos, após saber de relatos da prática. Rebecca (nome fictício, como o de todas as vítimas entrevistadas no estudo), por exemplo, doutoranda que trabalha em uma hotline de denúncias de estupro, notou o aumento de ligações de mulheres dizendo terem sofrido o abuso. Ela, inclusive, já passou por isso com um ex-namorado.

Rebecca conta que os relatos geralmente começam com a seguinte frase ” ‘Eu não tenho certeza se isso é estupro, mas…’. Todas elas se sentem violadas, mas não têm o ‘vocabulário’ que descreva exatamente o que aconteceu.’”, relata. E é justamente isso que Alexandra busca mudar com seu artigo: uma denominação formal e legal da prática, que a configure como um crime. Pois, muitas da vítimas sabem que sofreram uma agressão, mas não sabem como denunciar o abuso. Ou, quando o fazem, enfrentam diversos preconceitos.

Gravidez e DST
Segundo informações da rede americana CBS, todas as vítimas entrevistadas por Alexandra expressaram o medo de uma gravidez indesejada e de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Elas também relataram uma “clara violação da autonomia sobre seus corpos e da confiança que erroneamente colocaram no seu parceiro sexual”. Algumas, perceberam que o parceiro havia tirado o preservativo no momento da re-penetração, enquanto outras só perceberam na ejaculação. Em um caso, a mulher disse não ter percebido e só soube quando, no dia seguinte, o parceiro contou.

As vítimas também descreveram o pouco caso do parceiro em relação à suas preocupações.  “Nada disso o preocupou. Não o perturbou. Minha potencial gravidez e DST, era meu fardo.”, disse Rebecca.

Denúncia
Em seu relatório, Alexandra detalha um vasto número de opções legais que as vítimas podem procurar, nos Estados Unidos, embora nenhuma das entrevistadas tenha feito esse percurso e não haja registro de um caso denunciado que tenha chegado a julgamento no país, seja como acusação criminal ou ação civil.

O único caso conhecido de condenação por stealthing  aconteceu em janeiro, na Suíça. Uma mulher conheceu um homem pelo Tinder, aplicativo de encontros. Os dois marcaram um encontro e tiveram relações sexuais. Durante o ato, a mulher reparou que o parceiro tinha retirado o preservativo sem a avisar e sem consentimento. Após ser denunciado, o agressor foi condenado por estupro, na primeira vez em que um caso semelhante foi julgado como tal.

Entretanto, esse é apenas um caso. Na maioria, Alexandra reconhece que a lei falha em dar suporte à vítimas de violência sexual. “Juízes e juri tendem a simpatizar menos com vítimas que tiveram um relacionamento sexual prévio com o agressor e esse sempre sera o caso no stealthing.”, conta ela ressaltando que não gosta do termo stealthing. “Soa como algo trapaceiro e desagradável, mas como uma moda passageira “. Por isso, prefere “remoção não-consensual do preservativo”.

Danos emocionais e físicos
Alexandra acredita que, se houver um novo estatuto que nomeie explicitamente a remoção não-consensual de preservativo como uma agressão sexual, as vítimas conseguirão justiça. “Não é porque não acredito que existam instrumentos legais disponíveis, mas acho que um novo delito que especifica de forma muito específica a remoção não-consensual de preservativos como um dano nos ajudará a evitar alguns dos obstáculos comuns que as vítimas de violência de gênero enfrentam quando buscam justiça através dos tribunais “, afirma.

Afinal, essas vítimas experienciam danos emocionais, financeiros e físicos reais, para os quais, segundo ela, a lei deve providenciar solução por meio de compensação ou da simples oportunidade de serem ouvidas.

Abuso sexual no Brasil
Desde 2009, a legislação brasileira ampliou o conceito de estupro para praticamente qualquer contato físico não consentido – no que se inclui, naturalmente, apalpar a genitália de uma mulher, mas provavelmente aqui as vítimas também enfrentariam problema para configurar a remoção não-consensual de preservativo como estupro, já que, inicialmente, a relação sexual foi consensual.

Fibromialgia pode ser prevenida e amenizada com a ajuda da alimentação

film-tiff-gaga-20170908Lady Gaga cancela show no Rock in Rio depois de ser hospitalizada


Meu gosto musical é bem eclético, eu ouço Lady Gaga, mas não posso dizer que sou sua fã. Acho seu estilo e seu discurso interessantes, mas somos bem diferentes. Agora encontrei algo que temos em comum: uma doença autoimune. Como todos já sabem, ela tem fibromialgia, que atinge os sistemas fibroso e muscular, causando bastante dor. Eu descobri no início de 2009 que tenho uma doença muito menos conhecida, o ‘Mal de Addison’ que afeta a glândula suprarrenal, responsável pela formação de alguns hormônios, como o cortisol, cuja deficiência pode causar sintomas como fraqueza e cansaço excessivos e depressão. Como a maioria das outras autoimunes, são doenças de difícil diagnóstico porque os sintomas podem ser confusos e costumam se misturar aos de outros males.

Durante quase 1 ano e meio eu só conseguia fazer as tarefas básicas, não tinha força nem disposição para mais nada. Tinha medo de andar da minha casa até o metrô e não conseguir terminar o trajeto, que era de um quarteirão. Passei por diversos especialistas e fiz dezenas de exames, que não chegaram a nenhuma conclusão. Quando o quadro se agravou, já não suportava mais o peso da minha cabeça e tinha que ficar com ela encostada. Cheguei no hospital prestes a ter uma parada cardíaca. Fui internada e saí com a seguinte frase: “ela está assim porque não está querendo comer”. Quem realmente descobriu o que eu tinha foi a minha mãe, que é nutricionista, não tem especialização nesta área, mas, como toda boa mãe, nunca acreditou que fosse “frescura” e pesquisou até encontrar a real causa dos meus problemas. Fui internada novamente na madrugada de um sábado de carnaval e já chegamos com o diagnóstico e até parte do tratamento para a doutora de plantão, que fez os exames necessários e confirmou nossas suspeitas.  Nasci de novo.

Só fiz este relato pessoal para mostrar que as doenças autoimunes não são fruto da nossa imaginação, como muitas pessoas pensam, seus sintomas também não são uma desculpa de quem quer descansar de uma agenda atarefada. Quero ainda facilitar o diagnóstico de alguém que esteja lendo e se identifique com estes sintomas ou conheça alguém que se enquadre neste perfil. E mais, mostrar que, para este tipo de doença, há prevenção e tratamento. Embora tenham uma origem genética, 80% das chances de se desenvolverem vem do fenótipo que, como falei no post anterior,  é a influência do meio onde vivemos e dos hábitos que praticamos na nossa saúde. Recentemente, muitos cientistas têm intensificado as pesquisas sobre os fatores desencadeantes das doenças autoimunes. A novidade é que elas não são causadas por um sistema imunológico super ativado, como se pensava, mas pela desregulação dele. Este mau funcionamento pode ter origem em um intestino prejudicado por maus hábitos alimentares, como um consumo excessivo de aditivos químicos, presentes nos alimentos ultraprocessados, que interferem no equilíbrio da microbiota intestinal, e por consequência prejudicam a ação das células que toleram os agressores externos e evitam o aumento de auto-anticorpos; alteram a parede intestinal, permitindo a entrada de agressores no organismo; e inibem a absorção de micronutrientes que o protegem. Soma-se a isso, a baixa ingestão de comida de verdade, principalmente de frutas, verduras, legumes e fibras, que também protegem o organismo de agressores e executam funções,  como a de defesa.

Estudos recentes de universidades como a de Harvard, têm associado o alto consumo de glúten, a principal proteína do trigo, com as doenças autoimunes. Estes males são desencadeados por processos inflamatórios e o glúten tem um alto potencial inflamatório e ainda é, comprovadamente, responsável por ‘abrir buracos’ entre as células do intestino. A somatória de fatores como o desequilíbrio alimentar, o excesso de glúten, a predisposição genética, a deficiência de vitamina D e o estresse físico, mental e emocional, pode gerar inflamações ‘órgão de choque’ do organismo (aquele grupo de órgãos que é mais sensível a um desequilíbrio). No caso de quem doenças autoimunes, estes órgãos podem ser o intestino, a pele, os músculos, as glândulas, entre tantos outros. A doença celíaca, diretamente relacionada ao consumo de glúten, está entre as doenças autoimunes e o consumo do trigo moderno também é relacionado com o desencadeamento de várias outras delas. É muito importante pesquisar as possíveis causas de uma doença autoimunes, pois algumas poderão ser revertidas, outras poderão deixar de evoluir e, dessa forma, é possível preservar uma boa qualidade de vida. Combatendo as causas também é possível prevenir o aparecimento de uma nova doença autoimune, há mais de cem tipos de delas catalogadas. Isso é muito comum em quem sofre com elas, pois como as causas são semelhantes, se não forem combatidas, seguirão gerando seus efeitos nocivos sobre o organismo.

Desde 2009, faço um acompanhamento médico com reposição hormonal, sem previsão de término. Sei que mesmo com ele devo sempre ficar atenta ao que como. Retirei o glúten da minha rotina, mantive os aditivos químicos dos ultraprocessados afastados e  sigo investindo no consumo de comida de verdade, com muitas hortaliças e fibras, que são minhas aliadas. Estou fazendo a minha lição de casa. Não tive informações sobre como prevenir a minha doença a tempo de evitá-la, mas com as que tenho hoje pretendo impedir o surgimento de uma nova e conseguir manter uma boa qualidade de vida por muito tempo, algo que também não é comum entre aqueles que sofrem com alguma doença autoimune. [Juliana Carreiro]