Dia Internacional da Menstruação: como o mercado de higiene menstrual evoluiu nos últimos anos

Com uma projeção de crescimento global de quase sete bilhões de dólares até 2025, o setor de cuidados íntimos enfrenta desafios que vão muito além da inovação e do lucro
GIULIANA CURY

No Dia Internacional da Higiene Menstrual, a Vogue faz um panorama sobre o mercado nacional do menstrual care (Foto: Harley Weir/Art Partner)

A conta é simples: na média, uma pessoa tem aproximadamente 450 ciclos menstruais durante a vida. O que equivale a cerca de sete anos. Durante o período menstrual, a expectativa é de que sejam usas mais ou menos 20 absorventes por ciclo, chegando à conta de quase dez mil absorventes higiênicos durante toda a idade fértil.

Analisando os números levantados pelo Fluxo Sem Tabu, projeto que fornece artigos de higiene íntima para vulneráveis, dá para enxergar o potencial desse mercado. Some-se a isso, mais esse dado: no Brasil, 30% da população menstrua. São 60 milhões de pessoas, segundo apuração da Girl Up, um movimento da Fundação das Nações Unidas para a igualdade de gênero, feita com base nos dados do Censo (IBGE, 2010). Sessenta milhões de potenciais consumidores de absorventes.

Com tanta gente menstruando, é natural que o setor global do segmento aumente na casa dos bilhões, como apontado pela agência americana MarktsandMarkts. No Brasil, a venda de absorventes também apresentou crescimento: foram quase 21% em 2021, segundo a ABIHPEC. Os números podem passar a impressão de que o cenário é positivo no mundo da higiene íntima. Mas não é. E no Dia Internacional da Higiene Menstrual, lembrado neste 28 de maio e que traz luz a como o mercado acolhe pessoas que menstruam, Vogue mergulha no tema.

Coletor menstrual (Foto: Getty Images)

Por mais difícil que seja acreditar, em pleno século XXI, mais de 500 milhões de mulheres em todo o mundo, cerca de 25% da população que menstrua, sofre de “pobreza menstrual”. Segundo a Days for Girls, organização norte-americana de caridade, são mais de 500 milhões de pessoas que não têm condições de adquirir o produto de higiene íntima. O cuidado menstrual ainda enfrenta grandes desafios, como tabus, preconceito, falta de informação, de equidade e de políticas públicas sociais e fiscais.

No Brasil, uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, encomendada pela Always, mostrou que 5,5 milhões de mulheres já faltaram no trabalho por não terem dinheiro para comprar absorvente, gerando prejuízo de R$ 2.4 bilhões por ano na economia brasileira. Quando falamos de falta na escola, o número sobe para 14 milhões de meninas. “O estudo mostrou que, apesar de ser um item essencial para a maioria das mulheres, muitas delas não têm acesso a ele”, disse Natalia Passarinho, diretora de marketing de Always, à Vogue. “Como marca, sabemos que temos o papel de levar informação sobre menstruação e apoiar a comunidade de diferentes formas. Uma das nossas iniciativas, a Aceleradora Social Always, é justamente para auxiliar projetos que ajudam pessoas em vulnerabilidade menstrual”, completa a executiva.

Não é luxo. É essencial

Criado em 2014 pela ONG alemã WASH United, o Dia Internacional da Higiene Menstrual veio com a missão de quebrar vários tabus sobre o tema, trazendo para a mesa de debates questões como a importância dos cuidados menstruais e de conscientizar o mundo sobre os problemas enfrentados por quem não tem acesso à produtos de higiene menstrual e nem de higiene básica. (A título de curiosidade: a data 28/5 foi escolhida porque o ciclo menstrual dura, em média, 28 dias e, a menstruação em si, cerca de cinco dias.)

A importância desse chamado se faz entender quando nos deparamos com dados como estes:

  • No Brasil, 713 mil meninas não possuem banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. E ainda: 900 mil não têm acesso a água canalizada na residência e 6.5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.
  • Na Índia, cerca de 80% das meninas ainda usam panos gastos no lugar de absorvente.
  • No Quênia, aproximadamente 50% das meninas em idade escolar não têm acesso à produtos menstruais.
  • Em Pequim, quase 70% das estudantes entrevistadas em uma pesquisa admitiram que tentam esconder os absorventes higiênicos que carregam.
  • No Reino Unido, 52% das adolescentes entrevistadas para um estudo disseram que faltaram à escola no período menstrual e, dessas, quase 1 em cada 10 admitiu que faltaram por não poderem pagar ou acessar produtos de higiene.

“A falta de dignidade menstrual é um problema mundial, que engloba a desigualdade social, falta de estrutura e de educação sobre o tema”, falou Isabella Maimone, Senior Brand Manager da Johnson & Johnson Consumer Health Brasil, em entrevista à Vogue. Uma pesquisa de Sempre Livre realizada em 2021, em parceria com os Institutos Kyra e Mosaiclab, mostrou que quando não têm acesso às condições ideais, muitas pessoas afetadas pela pobreza menstrual fazem uso de itens não indicados para absorver a menstruação, como sacolinha de supermercado, roupas velhas, panos, filtro de café e até jornal ou miolo de pão. “Por isso, é de extrema importância que a população tenha informações corretas sobre o tema, além de condições dignas de higiene”, completa Isabella.

Outro ponto que acaba reforçado a pobreza menstrual é o chamado “Tampon Tax”, termo criado nos Estados Unidos para descrever o imposto sobre absorventes, que tributa os produtos menstruais como itens não essenciais. O termo correu o mundo e ganhou até uma expressão irmã, “Pink Tax” (imposto rosa), que se refere à discriminação baseada em gênero, apontando que produtos para mulheres são mais caros do que os similares masculinos. Para você ter uma ideia, no Brasil, o imposto dos absorventes é, em média, 34,48%, enquanto o do preservativo masculino é 18,75%. E mais uma diferença: preservativos são distribuídos gratuitamente pelo SUS. Absorventes, ainda não.

Agentes de mudança

Alguns países já entenderam a importância de dar dignidade e igualdade a quem menstrua. O Quênia foi o primeiro a abolir a tributação sobre produtos de higiene menstrual, em 2004. Austrália, Canadá, Índia, Jamaica, Nicarágua, Nigéria, Tanzânia, Líbano, Malásia, Colômbia, África do Sul, Namíbia, Ruanda e Reino Unido tomaram a mesma medida. Países membros da União Europeia não têm permissão para impostos com taxa zero, mas usam o imposto mínimo, 5%, enquanto não resolvem essa situação. Apenas a Irlanda, por enquanto, não cobra imposto nos absorventes – isso porque já não cobrava antes de entrar para UE. A Alemanha, por sua vez, adotou a classificação de itens essenciais para os  produtos menstruais e, assim, conseguiu reduzir o imposto sobre absorventes de 19% para 7%. Nos Estados Unidos, dos 50 estados, 30 ainda taxam absorventes.

No Brasil, a luta para acabar com o imposto desse item também se dá de forma local. Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão, Bahia e São Paulo, por exemplo, isentaram o ICMS (imposto estadual sobre circulação de produtos) de absorventes íntimos, que ainda sofrem as taxações PIS (Programas de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social). Há várias ações sendo feitas também em estados e municípios para a distribuição de absorventes para estudantes de escolas públicas, nos presídios e para pessoas em situação de vulnerabilidade. Agora, essa iniciativa se tornou nacional com o decreto finalmente assinado pelo presidente da República em março.

Vale destacar, ainda, iniciativas como as da Escócia e Peru, que aprovaram leis que garantem artigos de higiene menstrual para qualquer pessoa que menstrue. Outra boa notícia veio da Espanha, que aprovou, em maio, um projeto de lei que dá até três dias de licença no trabalho para mulheres com fluxo intenso ou que sofrem de cólicas fortes. O país se juntou ao grupo que já oferece licença menstrual: Japão, Coréia do Sul, Indonésia e Zâmbia.

Um mercado engajado

Além das questões tributárias, políticas e sociais, questionamentos como sustentabilidade, inclusão, disrupção, fizeram o mercado de higiene íntima se mexer nos últimos tempos. “Se pararmos para pensar que a última grande inovação em cuidados para menstruação tinha aparecido na década de 30, com o coletor menstrual em 1937, estava mais do que na hora de pensarmos em novas soluções, novas opções”, avalia a educadora menstrual Raíssa Kist. Junto com uma amiga da faculdade de engenharia química — e por meio de crowdfunding — Raíssa fundou a Herself, empresa que pensa e produz soluções para o período menstrual. É da marca a primeira linha brasileira de biquínis e maiôs absorventes reutilizáveis. “Acreditamos na moda como ferramenta de transformação e de inclusão. Por isso, criamos essa tecnologia que faz com que a menstruação não seja um fator limitante para a prática de esportes aquáticos ou mesmo para momentos de lazer”, diz Raíssa. São estampas e modelos diferentes em 16 tamanhos (do 30 ao 60). Esse ano, a marca lançou a primeira calcinha absorvente pensada para mulheres com deficiência, com abertura na lateral. Elas também atuam no social, com a Escola da Menstruação, que ministra aulas sobre o tema e oferece oficinas em presídios femininos, para ensinar as mulheres a produzirem absorventes reutilizáveis.

Absorvente lavável, Herself (Foto: Divulgação)

Preocupação com a sustentabilidade também foi um dos motivos que levaram duas amigas a lançarem a primeira marca nacional de absorventes descartáveis, a Amai, feitos com 100% algodão orgânico e sem plástico (usam bioplástico biodegradável). As empreendedoras Luri Minami e Erika Tomihama foram atrás de tecnologia para fazerem um produto que não causasse dano para as mulheres (sem fragrância, sem corantes, hipoalergênicos) nem para o planeta. Hoje, felizmente, já é possível encontrar outras marcas de absorventes 100% orgânicos. A Amai também atua no combate à pobreza menstrual, doando 1% de suas vendas para o projeto Fluxo sem Tabu.

Sejam empresas pequenas, médias ou gigantes do setor; com produtos reutilizáveis, como os coletores menstruais ou calcinhas absorventes; ou os descartáveis com responsabilidade ambiental. Com versões anatômicas, noturnas, pensadas para diferentes fluxos… Não importa. O que realmente interessa é que marcas, governos, entidades e sociedade se unam em torno de um único objetivo: levar dignidade para as pessoas que menstruam.

Linha do tempo do mercado de higiene menstrual

> 1800 – Eram usados para conter a menstruação tecidos dobrados e reutilizáveis.
> 1890 – Surge na Alemanha absorventes descartáveis feito com bandagens.
> 1894 – São criados nos Estados Unidos os primeiros absorventes para consumo, feitos de um tecido com capacidade de absorção e com uma cinta para prender à cintura.

A partir da década de 30 surgem os absorventes descartáveis como conhecemos:

1933 – É criado o absorvente interno.
1937 – O coletor menstrual é lançado.
2014 – Surge nos Estados Unidos a calcinha absorvente.

Vibrador: médicos devem prescrever uso regular do acessório para mulheres, afirmam pesquisadores

Os benefícios da prática incluem melhora na saúde do assoalho pélvico e na saúde sexual de forma geral, além de redução da dor vulvar

Os vibradores podem e devem ser considerados dispositivos terapêuticos, não apenas brinquedos sexuais, afirmam os pesquisadores. — Foto: Unsplash

Pesquisadores do Cedar-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos, afirmam que médicos deveriam prescrever o uso regular de vibradores para suas pacientes mulheres. Em artigo publicado recentemente na revista The Journal of Urology, a equipe concluiu que a prática comprovadamente traz benefícios médicos, como melhora na saúde do assoalho pélvico, redução da dor vulvar e melhorias na saúde.

Diversas pesquisas já haviam indicado os impactos positivos da masturbação feminina frequente na saúde física e mental. Entretanto, haviam poucas informações sobre o uso de vibradores como auxílio à masturbação e se eles têm impactos positivos na saúde. para averiguar essa questão, eles revisaram bancos de dados de estudos sobre o assunto. Foram encontrados 558 artigos, mas apenas 21 foram incluídos no estudo por se adequarem em todos os critérios estabelecidos pelos pesquisadores.

Em sua análise, os pesquisadores encontraram evidências de uma série de benefícios do uso regular do vibrador, incluindo melhora na saúde do assoalho pélvico, redução da dor vulvar e melhorias na saúde sexual geral. Eles também encontraram casos de uso regular de vibradores levando a melhorias na incontinência urinária, juntamente com aumento da força muscular do assoalho pélvico.

De acordo com a equipe, liderada pela pesquisadora Alexandra Dubinskaya, usar vibrador durante a masturbação reduz o tempo que uma mulher leva para atingir o orgasmo e também ajuda a alcançar orgasmos múltiplos, o que contribui para a redução do estresse e melhora na saúde sexual geral, segundo informações de outros estudos.

Diante disso, os pesquisadores concluem que os vibradores podem e devem ser considerados dispositivos terapêuticos, não apenas brinquedos sexuais. Eles sugerem que é hora de especialistas em medicina pélvica feminina, cirurgia reconstrutiva e até mesmo médicos em geral começarem a prescrever vibradores para suas pacientes.

Mulheres demoram mais para perceber sintomas de doença cardíaca

Mesmo quando procuram assistência médica, encontram mais dificuldade do que homens para receberem tratamento
Anahad O’Connor

New research shows that women may not realize their symptoms point to heart trouble, and that medical providers are not picking up on it either. (Charlotte Fu/The New York Times) -- FOR EDITORIAL USE ONLY WITH NYT STORY SLUGGED SCI HEART DISEASE WOMEN BY ANAHAD OÕCONNOR FOR MAY 16, 2022. ALL OTHER USE PROHIBITED. --
Novas pesquisas indicam que mulheres podem não perceber sintomas de doença cardíaca – Charlotte Fu/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – A doença cardíaca é a principal causa de morte de homens e mulheres nos Estados Unidos, matando quase 700 mil pessoas por ano. Mas estudos indicam há anos que mulheres têm propensão maior que homens a descartar os sinais de alerta de um ataque cardíaco, às vezes aguardando horas ou mais antes de ligar para o número de emergência ou procurar um hospital.

Pesquisadores agora tentam entender a razão disso. Eles descobriram que as mulheres frequentemente hesitam em buscar assistência médica porque tendem a ter sintomas de ataque cardíaco mais sutis que os dos homens –mas, mesmo quando chegam a ir ao hospital, os médicos são mais propensos a minimizar a urgência de seus sintomas ou atrasar o tratamento.

Autoridades de saúde dizem que a doença cardíaca em mulheres permanece em grande medida subdiagnosticada e subtratada, e que esses fatores contribuem para resultados piores e índices de mortalidade mais altos entre as mulheres.

A maioria dos estudos sugere que a razão principal por que as mulheres demoram a buscar ajuda médica e por que frequentemente recebem um diagnóstico equivocado está nos sintomas que elas apresentam.

Embora a dor ou desconforto no peito seja o sinal mais comum de ataque cardíaco tanto em homens quanto em mulheres, as mulheres que sofrem ataque cardíaco têm muito menos chance que os homens de sentir qualquer dor no peito. Em vez disso, frequentemente têm sintomas que podem ser difíceis de vincular a problemas cardíacos: falta de ar, suores frios, mal-estar, fadiga, dor mandibular e nas costas.

Um artigo da American Heart Association descobriu que os ataques cardíacos são mais letais em mulheres que não apresentam dor no peito, em parte porque significa que pacientes e médicos demoram mais a identificar o problema.

Mas, mesmo quando mulheres desconfiam que estejam tendo um ataque cardíaco, encontram mais dificuldade que homens em receber tratamento.

Estudos mostram que há probabilidade maior de serem informadas que seus sintomas não têm origem cardiovascular. Muitas mulheres ouvem de seus médicos que os sintomas estão todos em sua cabeça.

Um estudo constatou que mulheres que se queixam de sintomas condizentes com doença cardíaca, incluindo dor no peito, têm duas mais chances de ser diagnosticadas com uma doença mental, em comparação com homens que se queixaram de sintomas idênticos.

MULHERES ENFRENTAM ESPERAS MAIS LONGAS

Num estudo publicado este mês no Journal of the American Heart Association, pesquisadores analisaram dados de milhões de visitas a salas de emergência antes da pandemia e constataram que as mulheres que se queixaram de dor no peito, especialmente as mulheres não brancas, tiveram que aguardar em média 11 minutos mais para ser atendidas por um médico ou enfermeiro do que os homens que se queixaram de sintomas semelhantes.

As mulheres tiveram menos chance de ser admitidas no hospital, receberam avaliação médica menos completa e tiveram menos chance de fazer exames como eletrocardiograma, que pode detectar problemas cardíacos.

A cardiologista Alexandra Lansky, do Yale-New Haven Hospital, nos Estados Unidos, mencionou uma paciente que procurou vários médicos para queixar-se de dor na mandíbula, mas foi encaminhada a um dentista, que extraiu dois molares. Quando a dor mandibular não desapareceu, a mulher procurou Lansky, que descobriu a origem cardíaca do problema.

“Ela acabou fazendo uma cirurgia de ponte de safena, porque a dor na mandíbula era causada por doença cardíaca”, disse Lansky, que dirige o Centro Yale de Pesquisas Cardiovasculares.

Ao longo dos anos as autoridades de saúde lançaram várias campanhas públicas para tentar zerar a disparidade de gênero no atendimento cardiovascular. O governo federal e a American Heart Association lançaram campanhas de conscientização da doença cardíaca e seus sintomas em mulheres.

A Women’s Heart Alliance fez o mesmo, tendo no ano passado começado a publicar anúncios no Facebook, Instagram e milhares de estações de rádio e televisão. Ao som de música de Lady Gaga, os anúncios pedem às mulheres que “reconheçam os sinais” de um ataque cardíaco, avisando que podem ser tão difusos quanto transpiração, tontura ou fadiga incomum.

Em janeiro um grupo de cientistas publicou um estudo que investigou os fatores que levam mulheres a demorar a buscar assistência médica para seus problemas cardíacos. O estudo concluiu que a ausência de dor ou desconforto no peito é uma das grandes razões.

Publicado no periódico especializado Therapeutics and Clinical Risk Management, o estudo analisou 218 homens e mulheres que receberam atendimento em razão de ataque cardíaco em quatro hospitais distintos de Nova York antes da pandemia. Constatou que 62% das mulheres não sentiram dor ou desconforto no peito, comparadas com apenas 36% dos homens. Muitas mulheres relataram falta de ar e sintomas gastrointestinais como náusea e indigestão. Cerca de um quarto dos homens também relatou sentir falta de ar ou mal-estar gastrointestinal.

No final, 72% das mulheres que sofreram um ataque cardíaco esperaram mais de 90 minutos até ir a um hospital ou ligar para o número de emergência 911, contra 54% dos homens. Um pouco mais de metade das mulheres ligaram para uma pessoa da família ou amiga antes de chamar o número 911 ou ir ao hospital, coisa que foi feita por apenas 36% dos homens.

DOENÇA CARDÍACA VEM CRESCENDO ENTRE MULHERES MAIS JOVENS

“Nem mulheres nem homens entendem que um ataque cardíaco não precisa necessariamente provocar dor no peito ou sintomas impressionantes como se veem em filmes”, comentou a dra. Jacqueline Tamis-Holland, autora do estudo de janeiro e cardiologista no Mount Sinai Morningside, em Nova York.

Segundo ela, há outros fatores que motivam a demora. Um deles é que as mulheres não se consideram tão vulneráveis à doença cardíaca quanto os homens.

Estudos anteriores também mostraram que elas têm maior tendência a descartar seus sintomas, atribuindo-os a estresse ou ansiedade. Elas também tendem a desenvolver doença cardíaca em idade mais avançada que os homens.

No estudo de Tamis-Holland, as mulheres que tiveram ataque cardíaco tinham em média 69 anos de idade, enquanto a idade média dos homens era 61.

Mas mulheres mais jovens não são imunes à doença cardíaca. Na realidade, estudos recentes constataram que ataques cardíacos e mortes por doença cardíaca vêm aumentando entre mulheres na faixa dos 35 aos 54 anos, em parte devido a um aumento nos fatores de risco cardiometabólicos como hipertensão e obesidade.

Especialistas dizem que é preciso mais informação e educação para ajudar mulheres e homens a reconhecer os sinais e fatores de risco de doença cardíaca.

Mas Lansky disse que também quer empoderar as pessoas a defender sua própria causa. Se você suspeita que há algo de errado com sua saúde, não deixe que o médico ou hospital a rejeite enquanto não receber respostas.

“Se você não está se sentindo normal e acha que um problema cardíaco é uma das causas possíveis, explicite isso”, ela recomendou. “Diga: ‘Acho que posso estar tendo um ataque cardíaco e quero fazer um eletrocardiograma só para ter certeza’. Ninguém na sala de emergência vai dizer que você não pode fazer o eletro. Mas às vezes o profissional de saúde não está pensando nessa possibilidade. Logo, é bom mencioná-la.”

Tradução de Clara Allain

Agência de medicamentos dos EUA autoriza calcinha protetora para sexo oral

É a primeira vez que uma roupa íntima ganha essa classificação, criando uma nova opção de prevenção a infecções
Pam Belluck

Casal se abraçando
Shelly, uma enfermeira do estado de Washington, decidiu experimentar a calcinha porque ela e seu noivo, Ashton, estavam tendo problemas para voltar a praticar sexo oral após um câncer – Jovelle Tamayo/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – Esta é uma história sobre infecções, sexo e roupa íntima. Mais especificamente, é sobre infecções sexualmente transmissíveis, sexo oral e calcinhas ultrafinas, superelásticas e de sabor baunilha.

A FDA (Food and Drug Administration) autorizou as calcinhas a serem consideradas proteção contra infecções que podem ser transmitidas da vagina ou do ânus durante o sexo oral. É a primeira vez que uma roupa íntima ganha essa qualificação.

As calcinhas fazem parte de uma área da saúde sexual que é insuficientemente estudada, mas importante, em que as poucas opções de proteção disponíveis são vistas como incômodas e quase nunca são usadas.

“O sexo oral não é totalmente isento de riscos”, disse a Dra. Jeanne Marrazzo, diretora da divisão de doenças infecciosas da Universidade do Alabama em Birmingham. Ela disse que a necessidade de métodos de proteção vem ganhando importância porque mais “adolescentes vêm iniciando sua primeira atividade sexual com sexo oral”. Segundo ela, para pessoas de todas as idades, uma barreira protetora agradável de usar “pode reduzir a ansiedade e aumentar o prazer ligado a esse comportamento em particular”.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), doenças infecciosas como herpes, gonorreia e sífilis podem ser transmitidas pelo sexo oral. O risco de transmissão do HIV da vagina por meio de sexo oral é considerado muito baixo, disse o CDC. Mas o HPV, ou papilomavírus humano, é mais facilmente transmissível dessa maneira, e infecções de boca ou garganta decorrentes de alguns tipos de HPV podem evoluir para câncer oral ou de pescoço, disse a agência.

Imagem em close mostra as mãos de duas pessoas segurando e esticando uma calcinha
A FDA autorizou a calcinha de látex como proteção contra a transmissão de DSTs durante o sexo oral – Jovelle Tamayo/The New York Times

A frequência com que as pessoas transmitem infecções dessa maneira não está clara e é difícil de estudar, porque a maioria das pessoas que fazem sexo oral fazem sexo vaginal ou anal no mesmo encontro, disse o Dr. Kenneth Mayer, diretor de pesquisas médicas do centro comunitário de saúde Fenway Health, no Massachusetts, que atende principalmente pacientes que se identificam como LGBTQIA+.

“A autorização deste produto pela FDA oferece às pessoas outra opção para se protegerem contra DSTs durante o sexo oral”, disse Courtney Lias, diretora do setor da FDA que encabeçou a revisão da calcinha protetora.

O único produto previamente autorizado para oferecer proteção durante o sexo oral era uma chamada “dental dam”, ou barreira bucal —uma folha de látex fina e retangular (ou às vezes de poliuretano) que normalmente precisa ser mantida em posição com as mãos para formar uma barreira entre a boca e os genitais.

Como sugere o nome, a barreira bucal, inventada em 1864 e feita originalmente de borracha, foi criada para isolar dentes durante procedimentos odontológicos. Mas a crise da Aids levou à preocupação com a transmissão sexual de infecções, e no início dos anos 1990 uma firma australiana, Glyde Health, criou uma barreira bucal inspirada principalmente pelas preocupações de mulheres que fazem sexo com mulheres, conforme disse um representante da companhia.

Não há muitos dados sobre a frequência de utilização da barreira, mas um estudo feito em 2010 com 330 mulheres australianas que fizeram sexo com mulheres constatou que apenas 9,7% delas disseram ter usado a barreira bucal alguma vez e apenas 2,1% afirmaram usá-las com frequência. Um estudo do CDC em 2021 descobriu que o uso de barreiras bucais e outros métodos de sexo seguro é infrequente entre mulheres que fazem sexo com mulheres.

As barreiras bucais são vendidas online e em sex shops, mas não são encontradas amplamente em farmácias, e geralmente custam mais que camisinhas. A página da CDC na internet sobre barreiras bucais mostra como cortar uma camisinha para fabricar uma barreira bucal, mas essa ideia tampouco parece ter ganho popularidade.

“Muitas pessoas relatam que usar barreira bucal é incômodo, desajeitado e tira todo o prazer do sexo oral, tanto para quem dá quanto para quem recebe”, disse Chris Barcelos, professora adjunta de estudos de mulheres, gênero e sexualidade na Universidade de Massachusetts em Boston. “Elas são ainda mais odiadas que as camisinhas.”

Melanie Cristol teve a ideia de criar uma calcinha que atuasse como barreira bucal depois de passar sua lua de mel no México com sua então esposa, em 2014. Cristol, que na época era advogada corporativa, descobriu que tinha uma infecção que podia ser sexualmente transmitida.

Percebendo como eram limitadas as opções de proteção, ficou “superdesanimada”, ela contou, recordando que quando foi educadora sexual na faculdade e mencionou barreiras bucais, “as pessoas olharam como se eu fosse louca”.

“Eu queria me sentir sexy e autoconfiante, queria usar alguma coisa que fosse feita para meu corpo e para fazer sexo”, ela explicou.

Em 2018 ela abriu uma empresa que começou a vender calcinhas descartáveis para “pessoas com vulvas”. Ela deu o nome Lorals a seu produto, em parte porque o som do L “evoca palavras como ‘love’ e ‘lust’ [amor e tesão, em inglês] e lembra um pouco o movimento que você faz” durante o sexo oral.

Imagem em close mostra a mão de uma pessoa segurando uma embalagem no formato quadrado escrito: Lorals
Melanie Cristol deu o nome Lorals a seu produto, em parte porque o som do L “evoca palavras como ‘love’ e ‘lust’ [amor e tesão, em inglês] e lembra um pouco o movimento que você faz” durante o sexo oral – Jovelle Tamayo/The New York Times

Disponível na versão biquíni ou shortinhos, a calcinha é feita de látex tão fino quanto o material de que são feitas camisinhas. Ela veda a parte interna das coxas para impedir o vazamento de fluidos, disse Cristol. A empresa promove seu uso por uma série de razões, incluindo quando a mulher está menstruada, quando um parceiro tem a barba áspera ou quando uma pessoa viveu traumas no passado e não quer se expor demais.

Cristol disse que, em resposta ao feedback de consumidores, a empresa reduziu a intensidade do sabor baunilha, acrescentou mais amido de milho para reduzir a viscosidade e vai introduzir uma versão transparente, além da versão atual, que é preta e opaca.

Na quinta-feira a empresa vai começar a vender calcinhas explicitamente para proteção contra infecções. Segundo Cristol, elas serão semelhantes a seus outros produtos, mas atenderão aos padrões de uniformidade mais rigorosos exigidos para a autorização do FDA.

“O interessante é que a empresa basicamente erotizou a proteção, algo que os fabricantes de camisinhas vêm tentando fazer há anos, sem muito sucesso”, disse Marrazzo.

A FDA disse que não exigiu ensaios clínicos humanos, mas, como faz com camisinhas, autorizou a Lorals depois de a empresa ter apresentado documentação extensa sobre a espessura, elasticidade, força e outras características do produto. No último ano a FDA também licenciou duas outras empresas que produzem barreiras bucais, fato que talvez sugira um aumento de interesse por parte dos consumidores.

Casal posando pra foto abraçado
Shelly e Ashton disseram que as calcinhas os ajudaram a experimentar o sexo oral novamente, e o sabor de baunilha era “como se você estivesse comendo um biscoito” – Jovelle Tamayo/The New York Times

Duas usuárias das calcinhas Lorals, cujos dados de contato foram fornecidos pela empresa e que pediram para ser identificadas apenas por seus primeiros nomes devido à delicadeza do assunto, descreveram vários motivos que as levaram a usar a roupa íntima.

Wisty, 28 anos, que se identifica como pansexual, já fez sexo com homens e mulheres e usa o pronome neutro (they/them), disse que as calcinhas são “uma solução que eu não sabia que precisava”.

Residente na região de Boston, dançarina e praticante da cura energética reiki, Wisty disse que tem herpes simples, uma infecção comum que em casos raros pode provocar condições inflamatórias graves. “Eu queria encontrar alguma coisa que me facilitasse impor os limites que desejava”, disse Wisty. “Queria poder explorar e curtir minha sexualidade e ao mesmo tempo ter a tranquilidade e segurança de saber que estou protegida contra o risco de meus fluidos se espalharem.”

Shelly, 29 anos, enfermeira no estado de Washington, contou que viu as calcinhas no TikTok num momento em que ela e seu noivo, Ashton, estavam tendo dificuldade em voltar a praticar sexo oral depois de um câncer que necessitou cirurgia reconstrutiva ter modificado a mobilidade da língua de Ashton e sua capacidade gustativa. Depois do tratamento contra o câncer, o sexo oral, que no passado havia sido a atividade sexual favorita deles, fazia Ashton sentir que estava engasgando, e eles não o praticavam havia quase dois anos.

“Era uma coisa tão importante, que Ashton curtia muito mais que sexo penetrativo ou qualquer outra coisa”, contou Shelly. Sem fazer sexo oral, ela contou que sentira “muita insegurança, pensando que ele talvez tivesse perdido o interesse” por ela.

Ela encomendou a calcinha “e passamos umas duas horas só olhando para ela”, disse Shelly. “Pensamos, ‘o que é isso? Tem cheiro de baunilha. Estica ao infinito. O que é isso?’.”

O uso da calcinha durante o sexo oral funcionou muito bem, contou Shelly. Ela disse que mal sentiu a calcinha e que Ashton informou que a textura era semelhante à da pele e o sabor era “como um cookie”.

Shelley disse que aprecia a proteção contra infecção, porque Ashton provavelmente é vulnerável a cânceres que podem ser provocados por infecções sexualmente transmissíveis.

A experiência sexual foi especialmente importante, ela disse. “Achei que eu nunca mais voltaria a sentir aquilo. E ele ficou superentusiasmado quando percebeu: ‘Vou poder fazer tudo’.”

Tradução de Clara Allain.

A melatonina não é uma pílula para dormir; veja como usá-la

O ‘hormônio do vampiro’ pode agir como uma dose de pôr do sol, enganando seu corpo para que ele sinta que é hora de dormir
Por Amelia Nierenberg

A melatonina pode ajudar a melhorar o sono, mas é importante consultar um médico antes de começar a suplementação.
A melatonina pode ajudar a melhorar o sono, mas é importante consultar um médico antes de começar a suplementação.  Foto: Damir Spanic/Unsplash.com

THE NEW YORK TIMES LIFE/STYLE – Muitas pessoas pensam na melatonina como uma ajuda natural para dormir, como o chá de camomila em forma de pílula. Até o nome do popular suplemento dietético parece sonolento – aquele longo “o” quase faz você bocejar no meio da palavra. Mas a melatonina também é um hormônio que nosso cérebro produz naturalmente, e os hormônios, mesmo em quantidades minúsculas, podem ter efeitos potentes em todo o corpo.

“Existem alguns usos clínicos para ela, mas não da forma com que é comercializada e usada pela grande maioria do público em geral”, disse Jennifer Martin, psicóloga e professora de medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Melatonina é um hormônio e, como qualquer um deles, é preciso certo cuidado ao tomar suplementação.
Melatonina é um hormônio e, como qualquer um deles, é preciso certo cuidado ao tomar suplementação.  Foto: Dadu Shin

Os especialistas recomendam fortemente que as pessoas consultem seus médicos ou um especialista em sono antes de tomar melatonina, em parte porque o suplemento não aborda muitos problemas de saúde subjacentes que podem estar atrapalhando o sono. A ansiedade pode causar insônia, assim como uma série de outras doenças potencialmente graves, como apneia do sono, síndrome das pernas inquietas ou distúrbios de humor como depressão, que podem exigir tratamento médico.

melatonina, no entanto, é relativamente barata e prontamente disponível em farmácias locais nos Estados Unidos (em outros países, normalmente requer receita médica), e muitas pessoas vão sair e comprar por conta própria. Então, qual é a melhor abordagem para tomar melatonina? Aqui está o que os especialistas disseram.

Como a melatonina funciona?

Durante o dia, a glândula pineal do tamanho de uma ervilha do cérebro permanece inativa. Algumas horas antes do nosso momento natural de dormir, quando começa a escurecer lá fora e a luz que entra em nossa retina desaparece, a glândula é ativada para inundar o cérebro com melatonina.

“A melatonina às vezes é chamada de ‘hormônio da escuridão’ ou ‘hormônio do vampiro’”, porque sai à noite, disse Matthew Walker, professor de neurociência e psicologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, e autor do livro Por que nós dormimos. À medida que os níveis de melatonina aumentam, os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, caem. A respiração fica mais lenta. Logo, nossas pálpebras começam a fechar.

Em vez de um gatilho para apagar as luzes, a melatonina age mais como um dimmer, desligando as funções diurnas e ligando as funções noturnas. Portanto, tomar um suplemento de melatonina é como tomar uma dose de pôr do sol, enganando seu corpo para que ele sinta que é noite. Ela não faz você dormir tanto quanto diz ao corpo que é hora de dormir.

“Pode levar várias horas”, disse a Dra. Ilene M. Rosen, médica de medicina do sono e professora associada de medicina da Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, “o que penso ser o equívoco sobre como a melatonina é usada.”

A melatonina pode fazer você se sentir um pouco mais sonolento quando a toma, mas tem um impacto maior na regulação do tempo geral do ciclo sono-vigília e ajuda a definir o relógio circadiano, o relógio interno de aproximadamente 24 horas que informa ao seu corpo a hora do dia e sincroniza-o com o mundo exterior.

“O impacto que isso tem em nosso sono depende da hora do dia em que você toma”, disse Martin, que também é porta-voz da Academia Americana de Medicina do Sono. “Se você toma uma pílula para dormir no meio do dia, você se sentirá sonolento. Se você toma melatonina no meio do dia, não tem necessariamente esse efeito.”

Drogas hipnóticas como Zolpiden ou Benadryl geralmente fazem com que as pessoas se sintam sonolentas imediatamente, e o efeito sedativo desses medicamentos “excede em muito o que elas obtêm da melatonina”, disse o Dr. Alon Y. Avidan, professor de neurologia e diretor do Centro de Distúrbios do Sono da UCLA.

Quão eficaz é a melatonina?

Em uma análise publicada em 2013 no PLOS One, que combinou resultados de 19 estudos envolvendo 1.683 homens e mulheres, as pessoas que tomaram suplementos de melatonina adormeceram sete minutos mais rápido e aumentaram o tempo total de sono em oito minutos. Isso pode não parecer muito, mas houve muita variação individual, e os pesquisadores descobriram que a melatonina também melhorou a qualidade geral do sono, incluindo a capacidade das pessoas de acordar sentindo-se revigoradas.

Mas não há garantia de que a melatonina funcione para você.

A Dra Sabra Abbott, professora assistente de neurologia em medicina do sono na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, disse que a reclamação mais comum que ela ouve dos pacientes é “tentei melatonina e não funcionou”. Muitos também se sentem de ressaca ou grogues na manhã seguinte.

A Dra Martin disse que, em muitos estudos, a melatonina não funciona melhor do que um placebo, mas acrescentou: “Uma ressalva que sempre gosto de mencionar é que os placebos funcionam muito bem para a insônia”.

E a dosagem?

Nós naturalmente produzimos melatonina em nossos cérebros, mas apenas em quantidades de picogramas, ou um trilionésimo de grama, que a Dra Rosen descreveu como “um cheiro dela saindo ao entardecer”.

Os suplementos de melatonina vendidos sem receita vêm em doses muito mais altas de miligramas, ou um milésimo de grama. Essa é uma grande diferença, embora a quantidade que finalmente atinge o cérebro se aproxime mais dos níveis naturais.

Muitos especialistas recomendam começar com a menor dosagem disponível – 0,5 miligrama a 1 miligrama, 30 minutos a uma hora antes de dormir – e observar como você se sai a partir daí. Se isso não tiver efeito, a dose pode ser aumentada gradualmente.

“Se você tentar uma dose, mantenha-a por alguns dias antes de fazer um ajuste”, disse Martin. “É uma daquelas coisas que podem não acontecer da noite para o dia.”

“Fique de olho em como você se sente no dia seguinte”, disse Abbott. “Sentir-se grogue ou de ressaca é um sinal de que a dose provavelmente está muito alta.”

Existem efeitos colaterais?

A boa notícia: a curto prazo, pelo menos, é improvável que a melatonina cause algum dano.

“Em comparação com a maioria das outras pílulas para dormir, o perfil de efeitos colaterais é muito melhor”, e não vicia, disse o Dr. Bhanu Prakash Kolla, professor associado de psiquiatria e consultor do Centro de Medicina do Sono da Clínica Mayo. Mas como a melatonina pode causar sonolência, a Clínica Mayo adverte que você não deve dirigir ou operar máquinas dentro de cinco horas após a ingestão.

A melatonina afeta nossos sonhos?

“De longe, o efeito colateral mais comum que os pacientes me relatam é que seus sonhos se tornam muito mais vívidos”, disse Abbott. Os cientistas não sabem ao certo por que isso acontece.

O Dr. Kolla também atendeu pacientes que têm pesadelos ou sonhos perturbadores, que também são comuns com pílulas para dormir. “Nesse caso, você tenta diminuir a dose”, ele disse. “Ou, se for muito problemático, interrompa o uso.”

Como os médicos usam a melatonina?

Os médicos do sono podem usar a melatonina para ajudar os pacientes com distúrbios do ritmo circadiano a regular seus ciclos de sono-vigília. Por exemplo, durante a pandemia, o Dr. Avidan disse, “vimos aquelas pessoas que se tornam super notívagas” incapazes de adormecer até às 2 ou 3 da manhã.

Os especialistas também sugerem que as pessoas usem uma luz forte pela manhã para ajudá-las a acordar, que tem “propriedades de alerta e pode suprimir qualquer produção remanescente de melatonina”, disse a Dra Abbott.

Você deve tomar melatonina para jet lag?

O jet lag é um distúrbio do ritmo circadiano, embora temporário, e a melatonina pode ajudar. Para aliviar os piores efeitos, os médicos recomendam consultar uma das várias calculadoras on-line disponíveis, que perguntam seu destino e pontos de chegada, seu tempo de voo e seus padrões normais de sono. Dois sites que o Dr. Avidan recomenda são Jet Lag Rooster ou a calculadora da Fleet Street Clinic.

“Eles estão tentando lhe dizer quando tomar a melatonina para que seu corpo saiba: ‘Ah, está anoitecendo para onde estou indo’”, disse Rosen, explicando como você pode usar o suplemento antes de sua viagem para reajustar seu relógio biológico.

Como você escolhe uma marca confiável de melatonina?

Como outros suplementos alimentares, a melatonina não é regulamentada pela Food and Drug Administration, o que significa que pode haver grande variação entre os produtos. (No Brasil, o uso de melatonina como suplemento foi autorizado pela Anvisa em 2021.) Um estudo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine descobriu que o conteúdo de mais de 70% dos suplementos de melatonina variava amplamente de suas alegações de rótulo (nos EUA). A concentração variou de 83% a menos do que a quantidade listada a 478% a mais.

O Dr. Kolla aconselhou procurar por um rótulo BPL (boas práticas de laboratório) ou BPF (boas práticas de fabricação), que se refere às regulamentações federais destinadas a afirmar que um produto tem a qualidade e pureza anunciadas. “Você realmente não sabe o que está comprando, então está confiando no fabricante”, ele disse. A melatonina vem em comprimidos, gomas ou líquido; a escolha se resume à preferência pessoal, acrescentou.

Quais são as alternativas para a insônia crônica?

Os médicos do sono recomendam fortemente que as pessoas com insônia crônica procurem a terapia cognitivo-comportamental, um tratamento psicológico de curto prazo que pode ajudar a chegar à raiz do problema.

“Se você der melatonina a um paciente e não complementar com terapia comportamental para insônia, pode não ver necessariamente os efeitos que busca”, disse o Dr. Avidan.

Muitos comportamentos comuns também podem dificultar o sono – e sua manutenção – incluindo o uso de nossos telefones perto da hora de dormir, o que pode dificultar a produção natural de melatonina. A meditação pode ajudar, assim como os banhos quentes e os quartos frescos, ou o abandono da cafeína e do álcool.

“Há muitas outras coisas que as pessoas podem fazer para dormir melhor”, disse a Dra Martin. “Elas são apenas mais difíceis.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

Da anorexia à compulsão, por que a incidência de transtornos alimentares nas adolescentes nunca foi tão alta

Em busca de imagem ‘ideal’, jovens propagam hashtags de dietas mirabolantes nas redes sociais, e especialistas atrelam fenômeno ao desenvolvimento de distúrbios
Thayz Guimarães

A atriz e influenciadora Dora Figueiredo desenvolveu um quadro de depressão e transtornos alimentares Foto: Divulgação

RIO — Uma nova hashtag tem ganhado força nas redes sociais e apavorado os médicos. Em pouco tempo, #TudoQueEuComoEmUmDia e suas variações passaram a reunir milhões de vídeos de meninas filmando e narrando as refeições restritas que fazem em 24 horas. Disfarçada de brincadeira, a tendência opera sob uma lógica cruel de difusão e incentivo a dietas mirabolantes, que sem comprovação científica ou acompanhamento profissional podem desencadear transtornos alimentares sérios em troca do contorno “ideal”.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 4,7% da população brasileira sofre de transtornos alimentares. Entre os adolescentes, o índice chega a espantosos 10%. A incidência é maior entre o público feminino, com sete a oito mulheres para cada homem diagnosticado com quadros como os de bulimia, anorexia, transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) e compulsão.

— As redes e a mídia têm um efeito muito danoso para algumas pessoas, especialmente adolescentes, que ainda estão em formação — afirma o psiquiatra Fábio Salzano vice-coordenador do Ambulim, o programa de tratamento de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP). — Eles não têm maturidade para discernir que, às vezes, uma imagem no Tik Tok ou no Instagram é extremamente difícil de ser reproduzida de maneira natural e saudável.

Influências tóxicas

A influenciadora digital, atriz e apresentadora Dora Figueiredo, de 28 anos, é uma dessas pessoas. Com mais de 750 mil seguidores no Instagram (e outras centenas de milhares do Twitter e TikTok), ela internalizou, desde muito nova, que a magreza era um pré-requisito para ser bonita, elegante e bem-sucedida. As redes sociais, um namoro tóxico e até mesmo a relação com a família contribuíram para ativar diversos gatilhos que a levaram a desenvolver problemas como depressão, ansiedade, anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

— Eu tinha por volta de 15 anos quando comecei a tomar anticoncepcional e engordei um pouquinho. Só que eu me via muito maior do que era de fato. Achava que estava gorda, que comia demais, sendo que pesava uns 48kg e tinha 1,70 m de altura. Quando algum médico dizia que meu IMC [índice de massa corporal] estava muito abaixo do mínimo saudável, eu me recusava a aceitar. Falava para mim mesma que nunca vestiria mais que [manequim] 38 ou pesaria mais que 60 kg — diz Figueiredo.

Segundo especialistas, os transtornos mais comuns entre jovens são a anorexia, em que o paciente sente a necessidade de manter um peso abaixo do padrão e tem uma visão distorcida do próprio corpo; compulsão alimentar, quando ingere grande quantidades de alimentos de uma só vez e com frequência; bulimia, que inclui quadros de compulsão, seguidos de medidas para perder peso, como vomitar ou ingerir laxantes e purgativos; e o TARE, que pode ser mais comum em crianças e se caracteriza pela não ingestão de certas comidas, causando restrições.

Quadros alterados

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que quem sofre de anorexia pode manter um peso normal, embora o corpo esteja enfraquecido e mostre alterações de frequência cardíaca e pressão arterial. Havendo alguma desconfiança por parte da família, o recomendado é buscar avaliação médica.

— Transtornos alimentares podem trazer complicações clínicas, como mudanças endócrinas, complicações metabólicas, alterações ósseas e hidroeletrolíticas (levando a risco de arritmias, por exemplo) — explica Mariana Dimitrov, pós-doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Em casos extremos, também podem levar à morte. a taxa de mortalidade na anorexia gira em torno de 5% a 6%. Já a taxa de mortalidade da bulimia varia de 0,5% a 2%, mas o índice de suicídios entre pacientes com o transtorno é maior, diz a especialista.

Segundo Salzano, o problema tem raízes multifatoriais, incluindo questões genéticas, familiares, socioculturais e também de personalidade. Ele explica que também existem consequências no cérebro, em neurotransmissores como adrenalina, dopamina e serotonina.

— À medida que a pessoa perde muito peso, ela vai deixando de ingerir nutrientes, principalmente na anorexia. E isso faz também com que ocorra um déficit de fabricação desses transmissores cerebrais, o que, por sua vez, facilita com que a pessoa entre num processo obsessivo, que favorece com que ela queira perder cada vez mais peso — explica o médico.

Quem vê a desenvoltura da influencer Dora Figueiredo nas redes não imagina que ela só começou a falar sobre seus transtornos alimentares com a própria terapeuta há uns três ou quatro anos. Foi depois de uma relação extremamente tóxica e um término de namoro traumático que ela entendeu — e aceitou — que precisava de ajuda. Hoje em dia, ela conta que está bem, se cuidando, mas que isso não significa que os transtornos não a afetam mais. É algo que “te acompanha para o resto da vida”, ela diz.

— Para sair desse ciclo de ódio com meu próprio corpo, eu tive que chegar ao fundo do poço e dar um impulso de volta. Mas é um trabalho diário, você precisa estar sempre atenta aos gatilhos que te deixam mal. Hoje, pelo menos, entendo que ficar perseguindo padrões me toma não só tempo de vida, como felicidade. E eu não posso deixar para ser feliz só quando eu estiver pesando tantos quilos. Eu quero ser feliz hoje.

Mulheres que contraíram Covid-19 relatam menopausa repentina e TPM amplificada

“Não há indicação de uso de hormônios nessa fase. É preciso tratar os sintomas, como insônia e alteração do humor”, afirma a endocrinologista Isabela Bussade
Isabela Caban

Mulheres que contraíram Covid-19 relatam problemas Foto: Shutterstock

A administradora Paula Domenico testou positivo para Covid-19 em julho passado, aos 46 anos. Perdeu olfato, paladar, teve um pouco de febre, dor de cabeça e saiu do quadro sem maiores danos. Logo depois, estranhou a queda de cabelo acentuada, a pausa na menstruação e passou a sofrer com uma forte onda de calores. Mostrou os exames de sangue à endocrinologista Isabela Bussade, que levou um susto: os níveis de alguns hormônios estavam compatíveis com uma menopausa aguda. “Essa paciente tinha um exame de três meses antes com tudo normal”, compara a médica. Um efeito do vírus na saúde reprodutiva da mulher? Os estudos são recentes e há cautela em afirmações contundentes, mas nos consultórios, ginecologistas e endocrinologistas vêm observando casos como o de Paula e ainda outros com alterações entre encurtamento do ciclo menstrual, aumento no volume do sangramento e piora em sintomas típicos do climatério e da TPM.

Há explicação para os sinais que têm deixado um grupo de mulheres à beira de um ataque de nervos no pós-Covid. Isabela Bussade esclarece que, por se tratar de uma doença inflamatória sistêmica, ela acomete diversas glândulas, como a hipófise, a tireoide e o ovário, podendo mexer, portanto, na secreção hormonal feminina. A menopausa seria consequência. “Até o momento, estudos clínicos publicados revelam que esse quadro tende a ser transitório. Importante ressaltar que não há indicação de uso de hormônios nessa fase. É preciso tratar os sintomas, como insônia, alteração do humor, queda capilar…”, elucida a endocrinologista. Mês passado, Paula repetiu o exame de sangue e tudo voltou aos números de antes: “Eu só queria que aqueles calores cessassem e não ficar careca. Passou”.

Para a designer Roberta Fontes, de 32 anos, foi difícil lidar com uma TPM amplificada logo após contrair o vírus, em setembro. Ela sempre sofreu com o período pré-menstrual, mas desconfiou que tinha algo errado: “Foi um pouco antes da primeira menstruação que tive após a doença. Achei que estava com depressão, mas quando veio, aliviou. No mês seguinte, de novo. Comentei com a minha médica, seguimos observando e melhorou. Retornou à TPM que sempre foi”.

Desde que as pacientes voltaram a marcar consultas de rotina, a ginecologista e obstetra Aparecida Monteiro recebe relatos sobre desajustes em ciclos menstruais e humores pós-Covid. E nota não haver um padrão de idade entre elas. “Tem uma adolescente de 16 anos que, por 60 dias, ficou com sangramentos irregulares, por exemplo. E uma de 47 que voltou a sentir fortes enxaquecas na TPM”, conta. Já as alterações hormonais aconteceram em mulheres a partir dos 40 anos, de forma transitória, como indicam as pesquisas. “Vi uma curva grande de flutuação desses hormônios sexuais nessa faixa etária, que se estabilizam em cerca de 90 dias”, completa.

Presidente da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac), o ginecologista Rogério Bonassi afirma não existir comprovações que relacionem climatério e menopausa com a Covid-19. “O que estudos mais bem delineados mostram é que o estrogênio tem efeito protetor. Mulheres em idade fértil, com bons níveis de estrogênio, teriam menor probabilidade de hospitalização do que as que estão na menopausa”, esclarece.

Unanimidade entre os especialistas é o olhar mais abrangente que se deve lançar sobre o cenário da pandemia. O psiquiatra e professor, considerado um dos pesquisadores mais influentes do mundo, explica que o estresse deixa o cortisol desequilibrado, podendo interferir na TPM e na interrupção da menstruação: “A pandemia alterou o ritmo social e biológico. Ficou tudo muito desregulado e essa mudança impacta a saúde física e mental”.

Vício em games é reconhecido como doença pela OMS; conheça os sinais do distúrbio

Especialistas alertam para consequência dos excessos, mas ressaltam lado positivo dos jogos
Giulia Vidale

O vício em games entrou na CID, classificação de doenças da OMS Foto: Editoria de Arte

SÃO PAULO — Agora é oficial. O chamado distúrbio de games é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O que sacramentou a decisão foi a publicação no mês passado de uma versão atualizada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, chamada CID-11.Nela, o problema é definido como um padrão de comportamento caracterizado pela perda de controle sobre o tempo de jogo, sobre a prioridade dada aos jogos em relação a outras atividades importantes e a decisão de continuar de frente à tela apesar de consequências negativas.

O diagnóstico é dado quando os prejuízos afetam de forma significativa as áreas pessoais, familiares, sociais, educacionais e ocupacionais ao longo de cerca de 12 meses. A descrição lembra você? Ou alguém muito próximo?

— Esse é um problema que já vem ocorrendo há muito tempo, mas que piorou. Hoje, a quantidade de jovens que passam horas e até dias na frente do videogame aumentou muito— relata o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Ele conta o caso de um paciente que chegava a ficar 55 horas seguidas conectado. Não levantava nem para ir ao banheiro, fazendo as necessidades nas calças. Outras pessoas param de tomar banho, se afastam dos amigos, perdem o emprego ou o total interesse pelo estudo.

Nada é de graça

Uma boa parte do problema está no modelo de negócios das desenvolvedoras de games, setor aquecido por recentes aquisições bilionárias por parte das big techs. Dizem que não precisa pagar para começar a jogar.

Mas quanto mais tempo elas mantêm os clientes engajados, mais conseguem vender “vantagens”. Por isso, analisam constantemente o comportamento dos usuários e testam novas maneiras para evitar que desliguem ou façam outra coisa.

— Os jogos de hoje não têm mais game-over nempause. Se a pessoa sai,ela desassiste seu time. Isso pode gerar medo de retaliação e o famoso F.O.M.O. [sigla para a expressão em inglês fear of missing out, ou medo de ficar de fora]. O tempo de vida roubado é terrível— diz Nabuco, da USP.

Muita calma nessa hora

Como sempre acontece quando se descreve casos extremos, é necessário cautela para não cair em graves generalizações. Os games também podem ser benéficos. Representam uma oportunidade de dar uma relaxada depois de um dia de muito trabalho ou estudo. Permitem entrar numa realidade diferente e divertida. Também está comprovado que podem ajudar em casos de ansiedade.

A maioria dos jogadores, obviamente, não leva vidas disfuncionais. Estudo publicado no Jornal de Psiquiatria da Austrália e Nova Zelândia no ano passado estima que cerca de 2% da população mundial sofre do transtorno. Mais pesquisas são necessárias para que se tenha uma ideia melhor.

Mesmo que seja uma percentagem mínima que sofra de distúrbio de games, o problema é que, ainda assim, é muita gente. Se o cálculo australiano estiver certo, há 154 milhões de viciados no mundo.

A Entertainment Software Association, associação comercial da indústria de videogames nos Estados Unidos, estima que haja cerca de 2,6 bilhões de players em todos os continentes. Segundo estimativa da Game Brasil, consultoria especializada no mercado digital, 7 em cada 10 brasileiros afirmam que jogam.

Estado x família

No ano passado, a China, que é o maior mercado de videogames do mundo, introduziu novas regras para a quantidade de tempo que crianças e adolescentes podem jogar. São três horas por semana, limitado a uma hora por dia, das 20h às 21h e apenas às sextas-feiras, fins de semana e feriados.

No Ocidente, não há notícia de medida tão drástica. As tentativas de coibir os exageros se dão dentro de casa. Nabuco recomenda o engajamento parental. Isso inclui, além de regular e limitar o tempo gasto no videogame, deixar o computador ou o console no ambiente comunitário da casa para que haja supervisão. Checar esporadicamente que tipo de jogo a criança está jogando, sentar ao lado dela para entender como o jogo funciona e, principalmente, tentar engajá-las em atividades off-line.

Quem está vulnerável

O perfil de quem sofre de dependência em jogos eletrônicos costuma ser de pessoas do sexo masculino e de classe média. Normalmente, o uso abusivo começa na pré-adolescência ou adolescência.

Pessoas que apresentam doenças mentais prévias, como depressão, têm mais chances de desenvolver o transtorno. O mesmo vale para quem já enfrenta problemas familiares e baixa autoestima, já que, enquanto jogam, elas se sentem parte de alguma coisa que não têm na vida real e ainda se beneficiam do bem-estar provocado pela liberação de dopamina no cérebro.

Ajuda para viciados

O tratamento para o transtorno de jogos eletrônicos é similar ao de outros vícios: psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos. A ideia por trás da designação da OMS não é estigmatizar nem proibir os games. Ela procura justamente contribuir para a ampliação do números de diagnósticos e do maior acesso aos diferentes tipos de ajuda, já que as seguradoras de saúde serão pressionadas a pagar pelo tratamento, pois agora passa a ser reconhecido como uma condição médica.

Mas, de novo: há uma grande diferença entre ser um jogador entusiasmado e ser um viciado. A preocupação exagerada de pais sobre os efeitos dos games nos filhos ainda não foi reconhecida pela OMS como transtorno obsessivo. Ainda não.

Luiza Brunet lança marca de produtos nutracêuticos focada nas mulheres 40+

A modelo e empresária mergulhou no mercado de wellness e, para estrear a sua nova empreitada, lança um suplemento para melhorar a libido

Luiza Brunet lança marca de nutracêuticos para mulheres na menopausa (Foto: Divulgação)

Luiza Brunet deu um novo passo como empresária e acaba de anunciar sua mais nova empreitada no mercado de saúde e bem-estar, uma marca de produtos nutracêuticos (compostos alimentares que atuam como suplemento nutricional) voltados para o autocuidado e o sexual wellness feminino.

Batizada com o seu nome, a marca tem como proposta atender problemas comuns na vida de mulheres 40+ e 50+ que, após a menopausa ou até mesmo antes, passam a enfrentar situações como a perda de libido, o cansaço mais intenso, o aumento de peso, a flacidez da pele, entre outros sintomas que aparecem com o passar dos anos.

A empresária conta em nota que recorreu aos nutracêuticos e passou a se sentir melhor depois de acrescentá-los à sua rotina: “É fundamental se cuidar, ter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios. A reposição de determinados nutrientes ajuda nesse cuidado e a contornar questões importantes da saúde da mulher. Com isso, envelhecer bem fica mais fácil.”

O primeiro produto a compor a linha é o Volúpia, um suplemento com ativos que ajudam a afastar o desânimo e a falta de desejo sexual. O produto é feito à base de cacau hidrolisado, ômega 3 e 9, vitaminas do complexo B, magnésio e zinco quelados.

“O passo número um para o empoderamento feminino é o bem-estar e a saúde. A mulher precisa estar bem, saudável e fortalecida para se apropriar da sua autonomia e liberdade”, complementa Luiza. 

Os suplementos da marca contam com ativos naturais extraídos de plantas, minerais e vitaminas e que foram desenvolvidos pela bióloga e doutora em biomedicina Bárbara Mangiaterra. Além de contar com a ajuda de uma autoridade no ramo farmacêutico, Luiza idealizou a marca em sociedade com o empresário da área de healthcare Paulo Scarpa Junior. Os produtos serão vendidos pela empresa farmaceutica Befreemundi.