Suposto serviço de saúde da Apple estaria encarando problemas

Como sabemos, a Apple atua em diversas pontas, sendo uma delas a da saúde. Tim Cook, por exemplo, já disse uma vez que “melhorar a saúde dos usuários é a maior contribuição da Apple à humanidade”.

Além de todos os recursos que rodeiam o Apple WatchWall Street Journal revelou recentemente que a companhia tinha alguns planos muito ambiciosos.

De acordo com a reportagem, esses planos começaram depois que o Apple Watch, cuja primeira versão foi lançada em 2015, provou ser um sucesso por seus recursos de saúde. Diante de uma torrente de dados de saúde reunidos pelo relógio, o COO1 da Apple, Jeff Williams, queria que “a Apple reinventasse o sistema de saúde nos Estados Unidos”.

Uma das ideias mais ambiciosas na área de saúde era um plano de oferta de medicamentos de atenção básica, concebido em 2016, de acordo com documentos e pessoas a par do plano. Uma equipe da Apple passou meses tentando descobrir como a enxurrada de dados de saúde e bem-estar coletados de usuários de seu smartwatch poderiam ser usados para melhorar a saúde.

Fontes anônimas disseram ao WSJ que Williams reclamava que os americanos só podem consultar o médico apenas uma vez por ano e somente quando souberem que algo está errado.

A reportagem revelou, ainda, que a Apple assumiu um punhado de clínicas de saúde em Cupertino e, em 2017, contratou a Drª. Sumbul Desai para administrar o que se chamava “Projeto Casper”. Em 2018, inclusive, comentamos que a companhia abriria clínicas para seus empregados com “o melhor sistema de saúde do mundo”.

O projeto, que está paralisado devido a “preocupações internas”, também pretendia oferecer para consumidores “um serviço de saúde abrangente que integraria os dados coletados do iPhone e do Apple Watch”.

A equipe decidiu que uma das melhores maneiras de concretizar essa visão era fornecer um serviço médico próprio, disseram pessoas familiarizadas com o plano, vinculando os dados gerados pelos dispositivos Apple com atendimento virtual e presencial fornecido pelos médicos da Apple. A Apple ofereceria cuidados primários, mas também monitoramento de saúde contínuo como parte de um programa de saúde personalizado baseado em assinatura.

Uma das iniciativas conduzida pela equipe da Drª. Desai mais recentemente foi um aplicativo chamado HealthHabit, o qual foi disponibilizado apenas para funcionários da Maçã. De acordo com as informações, o objetivo desse app era “conectar as pessoas com os médicos e incentivá-los a cumprir desafios de saúde”.

Segundo a reportagem, o aplicativo teve problemas como poucos downloads e inscrições — com metade dos usuários que baixaram o app não se inscrevendo no serviço. Separadamente, a equipe da Drª. Desai continua envolvida no lançamento dos novos recursos de saúde do watchOS 8.

Em resposta à reportagem, um porta-voz da Apple disse que muitas dos apontamentos do WSJ são “baseados em informações incompletas, desatualizadas e imprecisas”.

Veremos o que a Apple revelará com o tempo…

VIA 9TO5MAC

Tenho câncer. E agora? Jornalista Adriana Moreira divide sua jornada com a doença

Adriana Moreira

A jornalista Adriana Moreira: blog como canal de comunicação com outras mulheres diagnosticadas com câncer. Foto Arquivo Pessoal

Quantas vezes eu havia me olhado no espelho naquela semana? Mas, neste dia, o reflexo no espelho mostrava algo diferente. Minha mama esquerda parecia levemente maior que a direita, com o que parecia ser um calombo. Algo sutil, discreto, praticamente imperceptível. Poderia ser apenas o inchaço natural anterior à menstruação, poderia ser uma espinha, poderia não ser nada. Na dúvida, fiz o autoexame, na hora. Havia um nódulo.

Mas a menstruação veio e se foi e o nódulo continuava no mesmo lugar. O que me levou à fase 2, chuva moderada em pontos isolados: chorei discretamente (não queria alarmar ninguém à toa) enquanto buscava opções de médicos e procurava manter o otimismo (“vai dar benigno”, dizia). Depois dos exames feitos e do diagnóstico comprovado, a realidade me acertou com um tabefe no meio das fuças: tenho câncer, e agora?

Até o presente momento, em que estou oficialmente diagnosticada como portadora de câncer de mama e prestes a fazer a cirurgia para remover essa visita inconveniente (que não apenas entrou sem ser convidada como também não quer usar máscara e fala lançando perdigotos no ar), mudei de humor e sentimentos tanto quanto muda o clima em São Paulo em um dia de outono. Do solar a tempestades em menos de dez minutos, essa é a minha atual rotina.

Comecei com uma solar negação: não procurei um médico imediatamente. “Vou esperar depois da menstruação, vai que desincha e some?”, pensei. Afinal, isso não poderia acontecer comigo, logo comigo? (Sim, todos nos consideramos lindos alecrins dourados imunes aos dissabores da vida. Não fujo à regra.)

A notícia, não vou mentir, me trouxe a tempestade com raios, trovões, lágrimas, raiva e uma comilança desenfreada, com tudo o mais gorduroso e pior para a saúde possível. De que adiantaria ser saudável agora, já que eu já estava doente? Pela mesma razão, dei adeus aos exercícios físicos, os quais eu fazia todo dia.

Logo, no entanto, percebi que esse comportamento autodestrutivo não me levaria a lugar algum. Um solzinho discreto, entre nuvens. O que me trouxe à fase atual: vambora enfrentar isso aí. De peito aberto (sem trocadilhos), com bom humor (quando possível) e fazendo o que sei fazer: contar histórias e informar.

Dividir minha experiência nessa jornada – que vai durar sabe-se lá quanto tempo – é uma maneira de mostrar para outras mulheres que também têm câncer que elas não estão sozinhas. Ao todo, 316.280 mulheres foram diagnosticadas com algum tipo de câncer no ano passado no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O mais comum, 29% deles, é o  câncer de mama, o que corresponde a um total de 66 mil mulheres diagnosticadas no último ano.

Somos muitas, mas falamos pouco a respeito. Sim, há as campanhas de prevenção, mas sobre o dia a dia de quem enfrenta a doença não há tantas informações que não sejam técnicas. O tabu ainda é grande, as dúvidas são muitas. Terei de fazer quimioterapia? Entrarei na menopausa por causa dela? Como vai ser a cicatriz da cirurgia? Meu cabelo vai cair? Como estará minha autoestima ao fim desse processo? Quais os riscos de metástase?

Prometo compartilhar essas respostas aqui, de uma maneira muito franca e sem rodeios, com todos os altos e baixos e mudanças de clima que aparecerem nessa trajetória. Vale lembrar algo importante: câncer é algo bem particular, e há diversos tipos de tratamentos e procedimentos – quem avalia é o médico. Cada caso é um caso, e meu objetivo aqui é contar minha experiência. O que serve pra mim talvez não sirva pra você, ok?

Tenho consciência que, neste processo, parto de alguns privilégios: diferentemente da grande maioria da população brasileira, que precisa enfrentar filas de meses para marcar um exame de rotina, tenho um plano de saúde que me permitiu um diagnóstico rápido e uma cirurgia marcada para “o quanto antes”.

Bem diferente do cenário que minha mãe encontrou, há cerca de dez anos, quando também recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Mesmo com a suspeita, marcar exames e consultas antes de ter a confirmação do câncer foi uma via-crúcis no sistema público. Em compensação, depois do diagnóstico confirmado ela fez todo o tratamento pelo SUS, com médicos atenciosos e enfermeiras cuidadosas, recebendo toda a medicação necessária sem nenhum gasto. E, hoje, pode ser considerada curada. Mas isso é tema para um post futuro.

O fato é que ter alguém em casa que já passou por isso tem me ajudado muito a não “panicar” – eu vi como é, sei o que vou enfrentar. Minha mãe, por outro lado, me conforta com palavras como “é assim mesmo”, “comigo foi assim também”. E é por isso que decidi fazer esse blog: pra você, que está passando pelo mesmo que eu e não tem ninguém próximo para compartilhar dúvidas e sentimentos que vão além do diagnóstico médico. Ninguém solta a mão de ninguém.

Vamos falar mais a respeito? Que temas você gostaria de ver aqui? Conta pra mim lá no Twitter: @adrikka

PS: Este texto de apresentação foi escrito pouco antes da minha cirurgia para retirada do nódulo. Tudo correu bem – em breve, contarei tudo neste espaço.

Após anos de espera, saúde da mulher ganha foco de startups

Empresas de tecnologia estão criando produtos para atender às necessidades de saúde das mulheres; segmento ainda é pequeno
Por Farah Nayeri – The New York Times

As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook
As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook

As mulheres representam metade da população do planeta. Ainda assim, as empresas de tecnologia que atendem às suas necessidades específicas de saúde representam uma parcela minúscula do mercado global de tecnologia.

Em 2019, as “femtechs” – empresas de software e tecnologia que atendem às necessidades biológicas das mulheres – gerou US$ 820,6 milhões em receita no mundo e recebeu US$ 592 milhões em investimentos de capital de risco, segundo o site PitchBook. No mesmo ano, o Uber levantou US$ 8,1 bilhões ao abrir o capital. A diferença proporcionalmente é impressionante, sobretudo pelas mulheres gastarem cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook.

Aproveitando esse poder de compra, uma infinidade de aplicativos e empresas de tecnologia têm surgido na última década para atender às necessidades das mulheres, incluindo monitoramento de menstruação e fertilidade, e oferecendo soluções para gravidez, amamentação e menopausa. As startups médicas também entraram em cena para prevenir ou controlar doenças graves, como o câncer.

“O potencial de mercado é enorme”, diz Michelle Tempest, sócia da consultoria de saúde Candesic, com sede em Londres. Ela explica que uma das razões pelas quais as necessidades relacionadas às mulheres não tinham sido foco no campo da tecnologia até então é que a pesquisa em saúde foi esmagadoramente “adaptada ao corpo masculino”. 

Em 1977, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, excluiu mulheres em idade fértil de participarem de testes de medicamentos. Desde então, as mulheres têm sido sub-representadas nos ensaios clínicos com medicamentos, disse Michelle, por causa da crença de que as flutuações causadas pelos ciclos menstruais podem afetar os resultados dos testes e também porque se uma mulher engravidar após tomar um medicamento experimental, o medicamento pode afetar o feto. Como resultado, ela observou, “nós ficamos para trás”.

Futuro

O termo “femtech” foi criado por Ida Tin, a fundadora dinamarquesa do Clue, um app de monitoramento de menstruação e ovulação desenvolvido na Alemanha em 2013. Ida relembrou como teve a ideia para os serviço. Em 2009, ela se viu segurando um celular em uma mão e um pequeno dispositivo de medição de temperatura na outra e desejando que pudesse mesclar os dois para monitorar seus dias de fertilidade. 

Outra vertente das femtechs é conhecida como “menotech” e visa melhorar o estilo de vida das mulheres enquanto elas passam pela menopausa. Além delas, existem empresas de tecnologia médica focadas em alguns dos tipos de câncer que mais afetam as mulheres, como o câncer cervical e o câncer de mama.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer cervical é a quarta causa mais comum de câncer entre as mulheres em todo o mundo. Em 2018, cerca de 570.000 mulheres foram diagnosticadas com ele e até 311.000 morreram. A OMS anunciou em novembro um programa para erradicar completamente a doença até o ano de 2030.

A MobileODT, uma startup com sede em Israel, usa smartphones e inteligência artificial para fazer a triagem de câncer cervical. Leon Boston, CEO da empresa, disse que estava vendendo a tecnologia para cerca de 20 países diferentes, entre eles EUA, Índia, Coreia do Sul e Brasil, e está entrando em uma rodada de arrecadação de fundos para construir seu capital inicial de US$ 24 milhões.

Questionado a respeito do motivo de o mercado global de femtechs ser tão pequeno, Boston disse que isso se devia em parte ao “alto nível de regulamentação” envolvido na tecnologia médica. “Se a sua tecnologia estiver equivocada e apresentar um resultado errado, uma mulher que pensa que não tem um resultado positivo para câncer cervical, na verdade, tem”, disse ele. Por causa disso, “o mundo da tecnologia médica é lento para avançar”.

Mesmo assim, as perspectivas são favoráveis, segundo ele. “É muito raro haver um mercado completamente árido aberto para todo o potencial como temos hoje em tecnologia médica”, disse ele.

As previsões de dados parecem confirmar isso. Segundo um relatório de março de 2020 da Frost & Sullivan, uma consultoria de pesquisa e estratégia, a receita das femtechs deve chegar a US$1,1 bilhão em 2024. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Conheça os benefícios dos exercícios moderados

Além de garantir melhoras fisiológicas para os seus praticantes, modalidade é a mais indicada para práticas sem acompanhamento profissional
Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

Para melhorar sua saúde, Débora Luz passou a malhar durante a pandemia Foto: Taba Benedicto/Estadão

Se, de um lado, exercícios leves e fáceis são desestimulantes, do outro, os intensos podem provocar lesões e diminuir a frequência da prática de atividades físicas. Sendo assim, o moderado chega como o ideal, uma vez que o importante não é a prática, mas sim o hábito.

“Exercício moderado é aquele que você consegue fazer, mantendo uma conversa, mas fica um pouco ofegante. Se estiver conversando muito fácil, está leve demais e, se você não consegue falar, é porque já passou para o intenso”, explica a professora Alessandra Medeiros, do Departamento de Saúde, Educação e Sociedade da Unifesp

Outra maneira de medir a intensidade do seu treino é subtraindo sua idade de 220. Uma pessoa de 40 anos, por exemplo, tem o limite máximo de 180 batimentos por minuto (bpm). Ou seja, não é recomendado que ela faça atividades que obriguem o coração a bater mais rápido do que esse valor. “Para não submeter o corpo ao estresse físico, é ideal manter a frequência cardíaca entre 50% e 75% da máxima, que seria o exercício moderado”, esclarece o cardiologista Ricardo Casalino, líder da área médica do Qsaúde, empresa de saúde suplementar. No caso do nosso exemplo, entre 90 e 135 bpm.

A regra está um pouco ultrapassada, mas ela serve para quando a pessoa não pode fazer o teste ergométrico, que seria o ideal. “Do ponto de vista cardiovascular, a atividade que oscila entre esses dois lineares traz um benefício na prevenção de doenças”, diz Ricardo. Isso porque a atividade física tem um peso grande dentro da medicina preventiva. “A gente consegue conectá-la com saúde óssea, muscular, mental, cardiovascular e, hoje em dia, até em tratamento de doenças imunológicas.”

Foi pensando nisso que a influenciadora Débora Luz começou a se exercitar. “Fui à nutricionista e descobri que estava com sobrepeso e colesterol muito alto para a minha idade. Como a minha família tem um histórico de algumas doenças fisiológicas, decidi fazer alguma coisa”, conta. Hoje, ela vai de segunda a segunda na academia pelo bem-estar. O que a impulsiona é justamente a melhora da qualidade de vida gerada pela prática dos exercícios moderados. “Se não tivesse sentido essa diferença, eu não teria continuado.” 

Além de reduzir a ansiedade e o estresse, a prática pode melhorar a qualidade do sono, especialmente para quem tem insônia, os níveis de glicemia, pressão arterial e praticamente todos os parâmetros fisiológicos possíveis. A modalidade vai do objetivo, prazer e da limitação de cada um, mas, de modo geral, todos os exercícios geram benefícios para o indivíduo, desde que praticados regularmente. Os aeróbicos acabam sendo os mais escolhidos pela série de benefícios cardiovasculares que trazem. Porém, ao envelhecer, é comum perder massa muscular e força, o que dificulta as atividades da vida diária, como carregar uma sacola. “Por isso, o ideal é fazer um mix dos dois, e ambos podem ser moderados”, conclui Alessandra.

Exercícios moderados
Com medo de sofrer lesão, Vanessa treina com personal Foto: Vanessa Freitas

O exercício moderado também acaba sendo o mais seguro e mais fácil de as pessoas praticarem sem a supervisão de um profissional adequado, o que aconteceu em tempos de lives e aplicativos de exercícios. Foi o caso do publicitário André Castro, que faz aulas online.

“São aulas curtas, de até 30 minutos, com exercícios que utilizam objetos que tenho em casa”, diz. “Teoricamente, são cinco vezes por semana, mas às vezes a rotina aperta e preciso cancelar alguma.” Além de ganhar condicionamento físico, André afirma que treina pelo bem da saúde mental. “Sempre tive crises de ansiedade e consigo perceber um equilíbrio maior nas fases em que consigo fazer atividades com mais periodicidade. Meu corpo vai ‘pedindo’ por mais atividades.”

A frequência não interfere na intensidade do exercício. No entanto, o ideal é que a prática aconteça no mínimo três vezes por semana. Menos que isso, os efeitos positivos são muito pequenos. É importante lembrar ainda que, com o passar do tempo, o moderado pode virar leve. “Para a gente ter uma melhora no nosso condicionamento, tem de desafiar nosso organismo. Se a gente faz sempre a mesma coisa, chega uma hora que o organismo se acostuma e deixa de evoluir”, ensina Alessandra. Assim, de tempos em tempos, é importante variar os tipos de exercícios para garantir que sua intensidade continue no moderado. 

O momento atual coloca a prática do exercício físico em um patamar acima da importância que já tinha antes. “As pessoas não estão saindo de casa nem para trabalhar e ficam cada vez mais sedentárias”, explica Alessandra. Assim, além do treino, é preciso diminuir o tempo sentado dentro de casa. “A cada uma hora, levante para beber uma água ou fazer uma caminhada pela casa. Isso é de extrema importância”, aconselha. 

Foi justamente para não ficar parada que a analista de sistemas Vanessa Freitas passou a treinar. “Nunca tive problema de ficar oito horas sentada na frente do computador, mas, durante a quarentena, começou a doer minha coluna e lombar. Um dia, mesmo sem fazer exercício, minha coluna travou. Foi por causa dessas coisas que voltei a praticar”, afirma ela, que voltou a treinar em novembro com uma personal trainer, Mariana Oliveira. Por ter artrite reumatoide, uma doença inflamatória crônica que geralmente afeta as pequenas articulações das mãos e dos pés, Vanessa tinha medo de treinar sozinha e se machucar ou sofrer uma lesão.

O mais comum é nos preocuparmos com essas questões depois de mais velhos, quando os problemas realmente surgem. Por isso, a prática de atividades em crianças é extremamente recomendada, sobretudo na pandemia, já que muitas pararam de brincar e ter o gasto energético de antes. “Uma atividade muito legal para fazer com os pequenos dentro de casa são aqueles videogames de dança. Também dá para fazer circuitos pela casa, desde que sejam brincadeiras lúdicas e corporais”, sugere Alessandra.

Exercícios moderados
A personal Mariana Oliveira garante que os exercícios de sua aluna sejam feitos corretamente Foto: Vanessa Freitas

NYT 7 Minute Workout – Reserve 7 minutos para fazer esse treino

Versão mais leve de treino conhecido mantém você em movimento e longe do chão
Tara Parker-Pope, The New York Times, O Estado de S.Paulo

The Standing 7-Minute Workout

Quase oitos anos atrás, o preparador físico Chris Jordan publicou uma sequência simples de 12 exercícios em uma revista médica. Era notável porque combinava treinamento aeróbico e de resistência em uma única sessão de exercícios que durava apenas sete minutos.

“Como o peso corporal é a única forma de resistência, o programa pode ser realizado em qualquer lugar”, escreveu Jordan, que tem mestrado em fisiologia do exercício pela Universidade Leeds Metropolitan (agora conhecida como Universidade Leeds Beckett) e orientou sobre condicionamento físico tanto o exército britânico como a Força Aérea americana.

Depois que a revista do New York Times escreveu a respeito da pesquisa, sob a manchete “O treino científico de 7 minutos”, a rotina de exercícios tornou-se nada menos do que um fenômeno global. Dezenas de vídeos de exercícios e aplicativos surgiram em seguida.

O treino original de sete minutos era baseado em um programa de treinamento que Jordan desenvolveu como consultor de programa de preparação física civil para os funcionários da Força Aérea dos EUA que estavam na Europa. Mais tarde, enquanto treinava executivos no que hoje é o Johnson & Johnson Human Performance Institute em Orlando, Flórida, ele ajustou os exercícios no que chamou de “treino para quarto de hotel” para executivos ocupados que reclamavam de não ter tempo ou equipamento para fazer exercício durante viagens a trabalho.

Jordan, que é o diretor de fisiologia do exercício do instituto, disse que nunca ganhou dinheiro com o treino e reforçou que o aplicativo Johnson & Johnson Official 7-Minute Workout é gratuito.

Para tornar o treino acessível a mais pessoas, Jordan recentemente criou o Standing 7-Minute Workout (Treino de 7 minutos em pé), apropriado para todos os corpos, faixas etárias, tamanhos e condicionamentos físicos. Assim como o treino original, esse inclui exercícios cardiorrespiratórios, para os membros inferiores, superiores e abdômen – nessa ordem. Cada exercício dura 30 segundos, com apenas cinco segundos de intervalo entre eles. (Você pode ver um vídeo com o treino em nytimes.com/well.)

Para conseguir melhores resultados, faça cada exercício com uma intensidade relativamente alta – cerca de 7 ou 8 ou em uma escala de 1 a 10. Mas respeite seu ritmo e pare ao sentir dor. Sempre consulte um médico antes de começar qualquer programa de atividade física.

(30 segundos) Corrida estacionária: o objetivo é acelerar sua frequência cardíaca. Eleve os joelhos e mexa os braços. Escolha o ritmo que puder.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento com auxílio de cadeira: Fique de costas para a cadeira. Afaste os pés na largura dos ombros. Agora, agache dobrando os joelhos e abaixando-se na direção da cadeira e levante-se. (Não se sente!) Mantenha os braços estendidos para contrabalanceá-lo. Se você não puder agachar tanto, faça a metade do movimento. (A cadeira está lá para segurança, no caso de perder o equilíbrio.)

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão na parede: posicione as mãos contra a parede e ande com os pés para conseguir se inclinar em um ângulo confortável. Mantenha o corpo reto da cabeça aos calcanhares, abaixe-se em direção à parede e empurre-se contra ela. Se for muito difícil, deixe os pés mais próximos da parede. Caso seja fácil demais, afaste os pés da parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Abdominal bicicleta em pé: fique de pé com os pés na largura dos ombros, as mãos atrás da cabeça, cotovelos para fora. Levante o joelho direito e gire para alcançá-lo com o cotovelo esquerdo. Agora faça o oposto – encoste o cotovelo direito no joelho esquerdo levantado. Ao girar a parte superior do corpo, contraia o abdome. Se você não consegue tocar seu joelho com o cotovelo oposto, apenas chegue o mais próximo que puder, trazendo a parte superior do corpo em direção à parte inferior.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Boxe. Afaste os pés na largura dos ombros. Agora levante os punhos e dê socos e jabs no ar como um boxeador. O objetivo aqui é aumentar sua frequência cardíaca. Aumente o ritmo e adicione um agachamento se quiser torná-lo mais difícil.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento unilateral com auxílio de cadeira: Fique em pé próximo a cadeira com uma perna para frente e a outra para trás. Flexione a perna de trás na direção do chão e use a cadeira para se equilibrar, se necessário. Não deixe o joelho da frente ultrapassar os dedos dos pés ao flexioná-lo. Troque as pernas após 15 segundos.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão com auxílio da cadeira: Coloque as mãos na cadeira e ande com os pés para trás até que seu corpo esteja em um ângulo de 45 graus e a cabeça em direção aos calcanhares. Dobre os braços e abaixe-se até chegar o mais próximo possível da cadeira. Empurre de volta para a posição inicial. Se for muito difícil, volte para a flexão de parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Prancha na parede: Coloque os antebraços contra a parede para tirar a pressão dos pulsos. Ande com seus pés para trás até um ângulo confortável. Fique com o corpo reto da cabeça aos calcanhares, mantenha a posição e sinta seu abdômen trabalhando. Para torná-lo mais difícil, afaste ainda mais os pés da parede.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Polichinelos parados: Este é um polichinelo em câmera lenta – sem o salto! Comece em uma posição ereta com os braços ao longo do corpo. Dê um passo para a esquerda e levante os dois braços sobre a cabeça, as mãos se tocando brevemente. Retorne à posição inicial. Agora repita, dando um passo para a direita. Se for muito fácil, aumente o ritmo ou tente um polichinelo com salto.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Agachamento na parede: Posicione suas costas retas contra a parede e deslize até uma posição como se estivesse sentado, com os joelhos sobre os tornozelos. Estique os braços. Se for muito difícil, levante um pouco. Se for fácil demais, afunde ainda mais os quadris. Você deve sentir os músculos da frente da coxa queimando.

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Flexão de parede: Repita a flexão de parede, ou se preferir, a flexão com auxílio da cadeira. Você deve sentir os braços, ombros e tórax trabalhando enquanto se afasta e se abaixa de volta em direção à parede. Continue respirando!

(5 segundos) Descanse.

(30 segundos) Abdominal lateral em pé: Coloque as mãos atrás da cabeça. Agora, incline-se para a direita, levantando o joelho direito para tocar o cotovelo direito. Depois, incline-se para a esquerda e repita, alongando-se para levar o cotovelo esquerdo ao joelho esquerdo levantado. Você vai sentir este exercício nos músculos abdominais laterais. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Tais Araújo posta foto sem blusa contando sobre primeira mamografia: ‘tudo que mexe com a saúde nos deixa vulnerável’

A atriz de 42 anos deu um depoimento sobre a experiência: ‘pela minha cabeça só passavam as piores possibilidades’

Tais Araújo posta foto contando sobre primeira mamografia: ‘tudo que mexe com a saúde nos deixa vulnerável’ Foto: Reprodução

Tais Araújo abriu seu coração e contou sobre a experiência de fazer a primeira mamografia. A atriz contou sobre seu sentimento de vulnerabilidade e como, no final das contas, foi tranquilo passar pelo procedimento. “Autocuidado está muito além do skincare”, escreveu.

“Ontem fiz minha primeira mamografia. É impressionante que tudo que mexe com a nossa saúde nos deixa vulnerável, quando é algo relacionado a saúde da mulher então… nossa, eu me sinto tão, mas tão vulnerável”, começou o post, que acompanhava a foto da atriz sem blusa segurando os seios.

Em seguida comentou sobre os medos e tensões que as mulheres sentem desse momeno. “Apesar de eu ter chegado no laboratório cheia de medo, que pela minha cabeça só passava as piores possibilidades, só me rodeavam as frases que já ouvi que mamografia doía, que era um horror, que apertava, machucava”, escreveu, e continuou. “Não senti dor, tem uma pressão sim, mas cada pessoa é uma pessoa, essa foi a minha experiência. Saí do exame pensando na importância de nos cuidar sempre, não só no outubro rosa, mas de janeiro a janeiro e que o autocuidado está muito além do skincare e até mesmo das meditações. Ir ao médico regularmente também é autocuidado”.

Conheça a nova geração de nutricionistas que avalia o comportamento da paciente e nunca prescreve dietas restritivas

Para essa turma, a proibição gera compulsão e e fatores como gênero, raça e classe devem ser levados em consideração
Kamille Viola – O GLOBO

Avessa a dietas restritivas e a receitas milagrosas para o emagrecimento, uma nova geração de nutricionistas adeptos da abordagem comportamental vem utilizando as redes sociais para incentivar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida, sem demonizar alimentos ou culpabilizar os indivíduos Foto: André Mello

RIO – Eles defendem a existência de políticas públicas que permitam à população o acesso a uma alimentação saudável e chamam a atenção para a importância dos recortes de classe, gênero e raça ao se falar em nutrição. Avessa a dietas restritivas e a receitas milagrosas para o emagrecimento, uma nova geração de nutricionistas adeptos da abordagem comportamental vem utilizando as redes sociais para incentivar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida, sem demonizar alimentos ou culpabilizar os indivíduos.

— Tem muita gente falando sobre nutrição, alimentação e saúde nas redes sociais e que, às vezes, não tem nem formação para isso, ou passa as informações de uma maneira superirresponsável. O papel dos nutricionistas e de outros profissionais é levar conhecimento de qualidade e com evidência científica, de forma consciente — diz a nutricionista Fernanda Imamura, de São Paulo.

Embora o estudo do comportamento alimentar leva em conta aspectos fisiológicos, sociais, culturais e emocionais da alimentação, e não apenas o peso do paciente. Entre as técnicas utilizadas pelos profissionais, está o mindful eating (comer com atenção plena). Eles também defendem que não existem alimentos proibidos e que restrição leva à compulsão, entre outras coisas.

O nutricionista Erick Cuzziol, que atende em São Paulo e São Caetano do Sul (SP), busca levar seu conhecimento para ajudar a combater essa forma de discriminação. Para ele, embora a obesidade seja considerada uma doença, ela ainda é vista como “falta de vergonha na cara”.

— Ainda se enxerga a obesidade como um comportamento, uma falha de caráter. Então, quando eu recebo um paciente obeso, sempre tento mostrar para ele que é uma condição crônica e que ele não pode pensar: “Agora eu vou emagrecer X, Y ou Z curei, acabou.” Não. Essa pessoa precisa de qualidade de vida. Precisa, de maneira progressiva, sentir benefícios. Por exemplo: “Minha disposição melhorou”, “Meu sono melhorou”, “Eu não estou tendo mais tanta vontade de doce”.  — afirma.

A nutricionista Gabriela Vilasboas Foto: Divulgação
A nutricionista Gabriela Vilasboas Foto: Divulgação

Gabriela Vilasboas, de Guanambi (BA), chama atenção para a importância de uma nutrição antirracista, ou seja, que leve em consideração o recorte racial e combata o racismo estrutural também nas questões que impactam o acesso à comida. A nutricionista afrima que as casas comandadas por pessoas pretas têm um percentual de apenas 15,8% de segurança alimentar, enquanto as chefiadas por pessoas pardas totalizam 36,9%. Já nos lares comandados por pessoas brancas, o percentual de segurança alimentar chega a 51,5%.

— Onde é que está a maior parte das pessoas negras nas cidades? Nas zonas periféricas, onde os alimentos in natura, as verduras e as frutas, chegam com maior dificuldade. Quando a gente fala em cultura alimentar africana, as pessoas imaginam, por exemplo, o acarajé. Mas não é só isso. Ela é riquíssima em frutas, verduras e raízes. — pontua.

Para ler a matéria completa, clique aqui.

Apenas 5% dos brasileiros baixaram o app Coronavírus – SUS

O app Coronavírus – SUS está entre nós há um bom tempo. Como explicamos, ele é o app oficial do governo brasileiro e utiliza a API1 criada pela Apple e pelo Google para notificar pessoas que tenham entrado em contato com outras infectadas pelo novo Coronavírus (SARS-CoV-2).

E você faz ideia de quantas pessoas no Brasil baixaram o app? Pois é, não muitas.

Como informou o Manual do Usuário, estudos apontam que é preciso pelo menos 60% de adesão de um app do tipo para que o controle da pandemia seja realmente eficaz — ainda que uma taxa de 20% já tenha algum resultado positivo na luta contra a COVID-19.

O site então entrou em contato com o Ministério da Saúde a fim de apurar o número de downloads do aplicativo Coronavírus – SUS no Brasil. E de acordo com o governo, até o fim de dezembro (mais especificamente até o dia 21/12) o app teve 10,6 milhões de downloads, sendo 1,9 milhão no iOS e 8,7 milhões no Android.

Na prática, isso significa que apenas 5% da população brasileira tem o aplicativo instalado em seus smartphones — o que não quer dizer que todos tenham ativado a notificação de exposição (um recurso adicionado meses depois do lançamento do app) e que, se alguém estiver com COVID-19, esteja informando ao app para que ele funcione da maneira correta, notificando outros usuários.

Conforme colocou o jornalista Rodrigo Ghedin:

Essa é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Com apenas 5% da população possivelmente usando o recurso de rastreamento, dificilmente teremos algum impacto no rastreio de pessoas infectadas e no controle da pandemia por aqui. Uma pena. [MacMagazine]

Juliano Moreira: o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento de transtornos mentais no Brasil

Cientista e professor baiano humanizou o tratamento de pacientes psiquiátricos no século 20 e lutou contra teses racistas que relacionavam miscigenação a doenças mentais no Brasil.
Por BBC

Moreira entrou na faculdade de Medicina aos 13 anos e, aos 18 anos, já era médico — Foto: Domínio público via BBC
Moreira entrou na faculdade de Medicina aos 13 anos e, aos 18 anos, já era médico — Foto: Domínio público via BBC

No início do século 20, ele “revolucionou o tratamento de pessoas com transtornos mentais no Brasil e lutou incansavelmente para combater o racismo científico e a falsa ligação de doença mental à cor da pele”.

É assim que o Google apresenta o trabalho do psiquiatra brasileiro Juliano Moreira, ao homenagear o trabalho do cientista e professor baiano neste dia 6 de janeiro, quando o nascimento dele completa 149 anos.

Moreira nasceu em Salvador, em 1872, filho de uma mulher negra que trabalhava em uma casa de aristocratas na Bahia — algumas biografias apontam que ela mesma era escrava e outros relatos mencionam que ela era descendente de escravos. Só em 1888 o Brasil aprovaria a Lei Áurea, que determinava o fim da escravidão.

Os relatos sobre a vida de Moreira destacam a condição de pobreza na origem dele e o fato de que teve que vencer fortes obstáculos para entrar na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos. Com apenas 18 anos, ele estava formado e era um dos primeiros médicos negros do país, segundo a Academia Brasileira de Ciências.

Ali começava a carreira de Moreira, que viria a ser considerado o fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil, como aponta artigo do Brazilian Journal of Psychiatry.

Moreira é um dos grandes nomes de estudiosos negros relevantes na história do Brasil e que muitas vezes são apagados de currículos escolares, em um exemplo de como a educação brasileira acentua desigualdade racial e dá menos atenção a heróis negros em diversas áreas.

Homenagem feita pelo Google a Juliano Moreira no dia em que ele completaria 149 anos — Foto: Google via BBC

Tratamento humanizado

Cinco anos depois de formado, Moreira se tornou professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Bahia, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Além da luta contra teses racistas que relacionavam a miscigenação a doenças mentais no Brasil, Moreira também é reconhecido por humanizar o tratamento de pacientes psiquiátricos.

Em 1903, assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. Lá, ele aboliu o uso de camisas de força, retirou grades de todas as janelas e separou pacientes adultos de crianças.

A Academia Brasileira de Ciências aponta que, graças aos esforços de Moreira, foi aprovada uma lei federal para garantir assistência médica e legal a doentes psiquiátricos. Ele também foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina legal e da Academia Brasileira de Ciências, da qual foi presidente.

Quando era vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Moreira recebeu Albert Einstein em sua primeira visita ao Brasil.

Durante sua carreira, também participou de muitos congressos médicos e representou o Brasil no exterior, na Europa e no Japão.

Ele morreu em 1933, em Petrópolis, depois de ser internado para tratamento de tuberculose. Após o falecimento dele, um hospital psiquiátrico na Bahia foi batizado como Hospital Juliano Moreira.