Oito hábitos que deixam seu metabolismo preguiçoso – e como tirá-los da rotina

Ficar sentada por muito tempo, pular o café da manhã ou não dormir direito são alguns dos vilões clássicos

Tomar o café da manhã certo é imprescindível para manter o metabolismo funcionando ao longo do dia (Foto: divulgação / Explora)

Você já deve ter percebido que o seu metabolismo só fica mais lento conforme você envelhece. Para não agravar a situação e melhorar a performance desse processo, vale dar uma olhada na lista abaixo e conferir se você é adepto de algum hábito que está desacelerando seu metabolismo sem que você perceba.

1 – Pular o café da manhã
Comer um café da manhã nutritivo é sempre uma boa maneira de começar sua manhã. Durante o sono, seu metabolismo diminui e comer acaba sendo o toque de despertar dele, ajudando a queimar mais calorias ao longo do dia. Quando você pula a primeira refeição do dia, a mensagem que seu corpo recebe é que ele precisa conservar as calorias.

2 – Comer errado pela manhã
Também não adianta comer qualquer coisa no café da manhã. Se você pedir uma coxinha na padaria ou um pastel na feira da sua rua, vai acabar acordando com o pé esquerdo. Em vez disso, opte por alimentos com proteínas e fibras, como ovos, iogurte e frutas.

3 – Ficar sentada por muito tempo
As vezes mal percebemos, mas passamos o dia inteiro sentados. Seja na cadeira do escritório, no carro ou no sofá assistindo uma maratona no Netflix, ficar nessa mesma posição por longos períodos coloca seu corpo no modo de conservação de energia, o que significa que o seu metabolismo pode sofrer. Esse costume pode afetar diretamente a capacidade do corpo de regular o açúcar no sangue, a pressão sanguínea e o processo de quebra de gordura corporal.

4 – Não comer proteína suficiente
Componente imprescindível para manter um peso saudável, os ingredientes proteicos promovem diversas atividades boas no nosso corpo, como alimentar nossos músculos e propiciar a sensação de saciedade. Além disso, a molécula desse tipo de alimento requer mais energia para quebrar do que a dos carboidratos ou da gordura, então você acaba queimando mais calorias durante a digestão. Agora, a falta desse tipo de alimento em uma rotina alimentar pode causar problemas na construção da massa muscular.

5 – Não dormir direito
Uma noite mal dormida é o suficiente para deixar você se sentindo lento e prejudicar seu processo cognitivo. Estudos mostram também que a qualidade do sono interfere diretamente na performance do metabolismo e no equilíbrio hormonal.

6 – Não tomar bastante água
Em um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, pesquisadores descobriram que beber 500 mililitros de água (cerca de dois copos) aumenta a taxa metabólica em 30% e que esse pico dura por mais de uma hora. Portanto, beba água ao longo do dia para se manter hidratado e, de brinde, você ganha o benefício adicional de um metabolismo potencializado.

7 – Ficar estressada
Deadlines, trânsito e outros problemas ao longo do dia podem deixar uma pessoa estressada. Quando isso acontece, o corpo produz um hormônio chamado cortisol, uma espécie de esteroide que leva ao aumento do nosso apetite, nos faz desejar comfort food, diminui nosso desejo de se exercitar e reduz a qualidade do nosso sono, afetando negativamente o metabolismo.

8 – Deixar de fazer treinos HIIT
Exercícios de cardio são ótimos para queimar calorias de forma rápida, mas, depois de correr ou pedalar, o pico de perda de peso da atividade retorna rapidamente ao normal. Porém, quando você faz treinos HIIT (High Intensity Interval Training, termo inglês) ou de resistência, sua queima de calorias permanece elevada enquanto seus músculos se recuperam, ou seja, por um bom tempo depois do treino.

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Uso de ar-condicionado requer cuidados com a hidratação para evitar problemas de saúde

No verão, utilização do aparelho pode refrescar, mas é preciso prevenir doenças respiratórias

Uso de ar condicionado no verão requer cuidados com a hidratação para evitar problemas de saúde. Foto: Pixabay

Com um calor de mais de 30ºC, é muito difícil resistir à tentação de ficar em um ambiente com um ar-condicionado e, de preferência, com uma temperatura bem baixa. O entra e sai de lugares mais frescos para outros mais quentes pode causar problemas de saúde. Mas quais as consequências do uso excessivo do ar-condicionado?

Não existe um tempo mínimo ou máximo para a exposição ao ar fresco, porém, a manutenção periódica do equipamento é recomendada. Para pessoas que já têm doenças como rinitesinusite,asma ou bronquite, o ideal é manter a hidratação. “Os problemas são pequenos e relacionados ao ressecamento das vias respiratórias, ou seja, nada muito grave se a pessoa repuser os líquidos. Mas o ar-condicionado precisa estar com a manutenção em dia”, ressalta o médico Marcelo Vivolo Aun, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

Para fazer a hidratação adequada, é necessário ingerir uma boa quantidade de líquidos ao longo do dia e a umidificação das vias aéreas, com soro fisiológico nasal, por exemplo. Algumas pessoas pensam que os pacientes que são alérgicos não podem ficar expostos ao ar-condicionado, mas essa informação é falsa, de acordo com o médico Marcelo Vivolo Aun: “Ácaros e fungos, importantes causadores de alergias respiratórias, não sobrevivem em ambientes com ar frio e seco, que é o que ocorre pelo uso de ar-condicionado. Isso quer dizer que o aparelho pode ser benéfico no controle da quantidade desses alérgenos”.

O diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia acrescenta que, nos Estados Unidos, é recomendável que pacientes com alergias tenham ar-condicionado em casa para diminuir o contato com ácaros e fungos. “Porém, se for um aparelho não limpo adequadamente, na periodicidade correta, os dutos ficam repletos desses agentes, que podem voltar ao ambiente e serem inalados a cada novo uso”, afirma.

A periodicidade de limpeza do ar-condicionado vai depender a instrução de cada fabricante do aparelho. Em todos os casos, se houver algum desconforto respiratório, o mais aconselhado é consultar um especialista.   

Bichectomia: entenda o que é, os benefícios e os riscos da cirurgia

Cirurgia plástica retira a bola de Bichat (tecido gorduroso das bochechas) e deixa o rosto com aparência mais magra

bichectomia vem sendo muito procurada por quem quer ter um rosto com aparência mais magra, com mais ângulos.

A técnica em alta precisa ser recomendada e executada por profissionais como cirurgiões plásticos, craniofaciais e bucomaxilofaciais.

Também é fundamental que o procedimento ocorra em um ambiente cirúrgico que tenha condições de atender o paciente caso ocorra alguma complicação.

O que é bichectomia?
A bichectomia é uma cirurgia plástica para retirada da bola de Bichat – tecido gorduroso localizado na região interna das bochechas.

A bichectomia é uma cirurgia plástica para retirada da bola de Bichat – tecido gorduroso localizado na região interna das bochechas.

A cirurgia plástica envolve dois cortes dentro da boca, um de cada lado. O procedimento estético, que dura cerca de 30 minutos, pode ser feito com anestesia local.

“Para a realização da bichectomia, é realizado um corte de um centímetro, na região interna das bochechas, para a retirada da bola de Bichat, que é uma estrutura gordurosa presente entre dois músculos responsáveis pela mastigação. Como consequência, o rosto fica com um visual mais fino”, diz o cirurgião plástico Sérgio Morum.

A cirurgia plástica de bichectomia envolve dois cortes dentro da boca, um de cada lado
A cirurgia plástica de bichectomia envolve dois cortes dentro da boca, um de cada lado Foto: Lesly Juarez/ Unsplash

Qual é a função da bola de Bichat no organismo?
“A bola de Bichat é importante nos primeiros anos de vida, para ajudar na sucção e alimentação dos bebês. Na idade adulta, ela serve como uma estrutura gordurosa entre os músculos da face, porém com pouca função fisiológica”, explica o cirurgião plástico Henrique Lopes Arantes.

Em quais casos a bichectomia é indicada?
Segundo Arantes, a cirurgia é indicada para pacientes que possuem hipertrofia (aumento) das bolas de Bichat, que se machucam por morder a parte interna da bochecha ou que, por motivos estéticos, querem ter um rosto mais afinado.

Para que serve a bichectomia?
“A bichectomia é feita para fins estéticos. O cirurgião avalia o rosto do paciente, já que não é possível detectar a bola de Bichat por exames. Ele identifica onde está localizada a gordura, e a retira. Não é necessário realizar um segundo procedimento, visto que essa gordura é acumulada no rosto apenas uma vez”, afirma Morum.

O procedimento cirúrgico para retirar essa gordura da bochecha dura cerca de 30 minutos Foto: Jessica Oto/ Unsplash

Como é a recuperação da bichectomia?
O tempo de recuperação depende de cada paciente, mas em média dura 14 dias.

“No primeiro dia após a bichectomia, o paciente precisa cumprir uma dieta líquida fria ou gelada, e, no segundo, apenas dieta pastosa macia, como arroz e frango”, explica Morum.

Na primeira semana, é necessário evitar esforço físico, a ingestão de alimentos quentes, sucção ou uma mastigação vigorosa e abertura exagerada da boca. O inchaço pode ser mais evidente nos primeiros sete dias após a cirurgia.

Quais são os riscos da bichectomia?
Apesar de a bichectomia ser considerada simples, o cirurgião plástico Vitorio Maddarena ressalta que, como qualquer cirurgia, também existem alguns riscos.

Caso seja retirada muita gordura, o paciente pode perder a habilidade de sucção com a boca e com o passar dos anos o rosto pode ficar excessivamente fino.

“Quando a bichectomia não é feita corretamente, a longo prazo o rosto pode ficar mais caído. Mas isso é muito raro de acontecer. Se retirar apenas o excesso, o resultado será apenas a melhora estética”, afirma Maddarena.

Outro problema que pode acontecer durante a cirurgia é um corte acidental e errôneo de algum nervo ou músculo. “Isso pode levar a sérias complicações, como hematomas, perda de movimentos, com consequente rosto torto e fístula salivar, ou seja, a saída de saliva por lugares errados”, diz o cirurgião.

O cirurgião plástico Henrique Lopes Arantes comenta que também existe o perigo de ocorrer sangramento, infecção e outros problemas na cicatrização.

A bichectomia pode ser feita com anestesia local, mas precisa ocorrer em um ambiente cirúrgico Foto: Kyle Loftus/ Unsplash

Quais são as contraindicações do procedimento?
A intervenção cirúrgica é inadequada para pessoas que não têm a bola de Bichat com tamanho acima do normal. Também não é aconselhada para pacientes sem condições clínicas ideais. Arantes ressalta que não recomenda a bichectomia quando existe uma “expectativa irreal do resultado” do procedimento. [Marcia Marçal]

Terapias naturais e novos recursos ajudam mulheres a viver a fase da perimenopausa

Produtos à base de soja e lasers e radiofrequências são indicados
Talita Duvanel

Gwyneth Paltrow, de 46 anos, está na perimenopausa

Sinto as mudanças hormonais acontecendo: o suor, (a falta de)ânimo, uma onda de fúria sem razão.” Esse depoimento veio de ninguém menos que a atriz Gwyneth Paltrow, de 46 anos, que usou as redes sociais, há algumas semanas, para expor um momento inerente à existência de toda mulher: a perimenopausa e a menopausa. Independentemente da conta bancária, da classe social ou da etnia, ser mulher é também passar por isso, em menor ou maior grau.

O primeiro a usar a palavra “menopausa” foi o médico francês Charles Pierre Louis De Gardanne, no livro “De La Menopause: Ou De L’Age Critique Des Femmes” (em português, “Menopausa: ou a idade crítica das mulheres”), publicado originalmente em 1821. Do ponto de vista linguístico, dizem os médicos, o termo está relacionado à última menstruação, mas acabou se popularizando como sinônimo de climatério.

— A partir dos 45 anos, algumas mulheres já começam a viver a perimenopausa, ou seja, já têm sintomas provenientes da diminuição progressiva da produção de estrogênio, principal hormônio secretado pelo ovário. Elas começam a sentir as ondas de calor e a insônia, mas ainda menstruam — explica Ricardo Meirelles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Esse é justamente o momento da vida de Gwyneth Paltrow: ela sente diariamente o aumento da temperatura corporal, que acarreta suor excessivo, a falta de disposição (muitas vezes causada pela insônia) e as alterações de humor. Há também quem perceba um crescente ressecamento da mucosa vaginal, que faz da relação sexual dolorosa e, por consequência, desinteressante.

A psicóloga R., de 50 anos, viveu as agruras da perimenopausa por cerca de três anos. Praticante de atividade física desde a adolescência, ela sentiu dificuldades em manter o ritmo de exercícios, sofreu com um suor descomunal e ainda descobriu ter osteoporose. O enfraquecimento dos ossos, aliás, é um dos sintomas da diminuição de estrogênio no corpo feminino, assim como o aparecimento de doenças cardiovasculares.

— O período da perimenopausa foi o pior. Sentia muito desânimo, não tinha vontade de fazer nada. Tenho amigas que não dormem à noite, estão deprimidas. É um momento caótico na vida da mulher. Eu sigo lutando, porque sei que o estado mental é muito importante nessa fase — diz R.

A ginecologista Flavia Tarabini, da clínica Dr. André Braz e professora da Faculdade de Medicina da UFRJ, vê com frequência no consultório a depressão como uma das consequências dessa mudança fisiológica.

— Essa é a hora em que a mulher percebe o envelhecimento, e na nossa sociedade, infelizmente, isso pode levar a quadros depressivos — diz Flavia.

A perimenopausa é a janela de tempo ideal para começar a pensar em terapia hormonal, antigamente chamada de reposição. A expressão caiu em desuso no meio médico porque a ideia não é deixar a paciente com níveis de estrogênio e progesterona iguais aos de 20 anos antes, mas usar uma quantidade que cesse os desconfortos e aumente a qualidade de vida.

— O objetivo é dar a mínima dose possível para tirar o quadro de sintomas — explica Flavia.

Ainda há, no entanto, vários mitos envolvendo a terapia. Um deles tem a ver com câncer de mama. Em décadas passadas, usava-se um tipo de estrogênio sintético que levou à observação de aumento da doença nas pacientes. Hoje, a medicação é mais parecida com os hormônios naturalmente produzidos pelo corpo, e o risco é praticamente inexistente. No caso de problemas no endométrio, eles só têm chance de aparecer se a terapia for feita sem associar a progesterona a estrógenos. Claro que mulheres com histórico de tumores não devem se submeter a esse tratamento, mas todas as outras podem conversar com os médicos sobre a qualidade de vida que possam vir a ganhar.

Pré-requisito para usar a medicação é estar disposta a sempre fazer exames de rotina, como ultrassonografias transvaginal e mamária, mamografia e análise das taxas <de gordura e de glicose no sangue.

Quem não pode ou não quer tomar remédios tem outro tipo de ajuda para minimizar os efeitos do climatério: as terapias naturais.

Primeiro antidepressivo para pós-parto é submetido à aprovação

Medicamento submetido à aprovação das agências de saúde dos Estados Unidos e da Europa será o primeiro composto desenvolvido para a depressão pós-parto
Por Giulia Vidale

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Diagnóstico precoce - A mãe e o recém-nascido: a disfunção pode ter começo ainda durante a gravidez (Westend61/Getty Images)

Duas em cada dez mulheres no Brasil vivem uma das situações mais paradoxais da existência humana: estar com o bebê desejado e saudável nos braços e, no entanto, sentir uma tristeza abissal por tê-lo no colo. Acontece: ser mãe e com a maternidade virem o sentimento de culpa, o choro incontrolável e a prostração severa. Para a medicina, não há dúvida: trata-se de depressão pós-parto. A alta incidência do transtorno e a falta de clareza no diagnóstico, contudo, nunca foram capazes de produzir um tratamento específico para o distúrbio. Diz Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: “Havia duas barreiras, o tabu que ainda gira em torno da condição da mulher e os mecanismos muito específicos desse transtorno”. Ao menos o segundo obstáculo está próximo de ser superado com o primeiro medicamento desenvolvido para a depressão pós-parto. Com o nome de brexanolona, o novo composto foi submetido à aprovação das agências americana e europeia de saúde, FDA e EMA. Ambas as instituições já o classificaram como remédio “prioritário e inovador”.

Uma das principais hipóteses para as causas da depressão pós-parto é a gangorra nos níveis de hormônios no organismo feminino. Durante a gravidez, a mulher tem um aumento brutal de uma substância chamada alopregnanolona. Ela tem relação direta com um neurotransmissor de efeito calmante no organismo, o Gaba. No período pós-­parto, a queda da alopregnanolona é abrupta e algumas mulheres não se adaptam à diferença radical, o que leva à instabilidade emocional. O medicamento agora anunciado funciona como uma alopregnanolona sintética. “É uma abordagem refinada”, diz Joel Rennó Júnior, psiquiatra e diretor do Programa Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Até agora o tratamento mais popular para a depressão pós-parto tem empregado os antidepressivos comuns. Em especial os que agem na serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. O remédio, porém, leva um longo período para produzir efeito — não menos que duas semanas. A grande qualidade da brexanolona, injetável e administrável numa única dose, está justamente no tempo do início de ação no organismo: 48 horas. A diferença no calendário quanto ao começo do efeito é uma enormidade para quem sofre do terrível abatimento.

A brexanolona foi testada em 226 mulheres com idade entre 18 e 45 anos, com bebês de até 6 meses de vida. Todas elas haviam sido diagnosticadas com depressão pós-parto com vários graus de intensidade. As pacientes com depressão grave que receberam uma única dose da medicação tiveram redução considerável na intensidade do transtorno — apesar da presença de efeitos colaterais como sonolência e tontura. Conclusão: as portadoras de depressão severa passaram a sofrer da forma moderada ou leve do distúrbio. É como se uma mulher que não conseguisse levantar-se da cama para lidar com o filho pequeno passasse a fazer isso com alguma facilidade. Ela ainda tem o problema, sim, mas nada que a impeça de cuidar do filho. Como ainda não existem dados sobre a segurança do tratamento para a criança, as participantes tiveram de interromper a amamentação durante o estudo. A brexanolona deixa ainda em aberto uma questão fundamental: uma infusão é suficiente para o tratamento da doença ou serão necessárias novas doses em caso de retorno do transtorno? Por enquanto, os pesquisadores não conseguiram responder à pergunta.

arte-depressao-pos-partoApenas 30% das mães passam ­absolutamente incólumes por essa fase inicial tão delicada e intensa. As demais sofrem de depressão ou de tristeza. A tristeza, decorrente sobretudo da exaustão, das incertezas em relação a ter um bebê e da adaptação à nova vida, é completamente diferente da doença. Conhecida como baby blues, a tristeza é um sentimento deflagrado na primeira semana após o nascimento do bebê, em geral no terceiro dia, e termina espontaneamente por volta de duas semanas depois. A persistência ou a intensificação do abatimento são sinais de alerta para um quadro mais grave que requer tratamento. Deixada a seu próprio curso, a depressão chega a incapacitar para as atividades cotidianas, destrói laços afetivos, solapa a autoestima e provoca alterações abruptas de humor. Em cerca de 1% dos casos, as mulheres desenvolvem psicose pós-parto e podem chegar até a matar o bebê.

A vulnerabilidade da mulher ao descompasso hormonal da depressão é um histórico campo de estudos da medicina. Sabe-se, por exemplo, que problemas financeiros, conflitos com o parceiro e histórico familiar da doença podem ser o gatilho para o transtorno. Mas novos achados mostram um dado revelador: casos severos de depressão pós-parto podem ter tido sua origem ainda durante a gravidez, segundo trabalho publicado na revista científica The Lancet Psychiatry. Ou seja, o tratamento poderia, em tese, começar antes mesmo do parto. Não é uma decisão fácil, pois há sempre a sensação de que a chegada daquele pedacinho gostoso de gente possa resolver todos os problemas. O fato é que nem sempre é assim e, infelizmente, muitas vezes é tarde demais para perceber a escuridão.

O poder das pessoas positivas

Cultivar uma rede de amigos estimula uma vida mais saudável
Tara Parker-Pope, The New York Times

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Pesquisadores acreditam que ter um grupo de amigos pode fazer mais pela saúde do que muitos tratamentos Foto: Lorraine Sorlet via The New York Times


Você convive com as pessoas certas para sua saúde e sua felicidade?

Em geral, nós nos preocupamos com a dieta e fazemos exercícios físicos para ter uma saúde melhor, entretanto, a ciência sugere que nosso bem-estar também é influenciado pelas pessoas que nos cercam.

Pesquisadores descobriram que certos comportamentos em relação à saúde podem ser contagiantes e que nossas redes sociais – formadas por pessoas reais ou online – podem influir na obesidade, na ansiedade e na felicidade. Um relatório divulgado recentemente constatou que a rotina de exercícios de uma pessoa é fortemente influenciada por suas redes sociais.

Nos últimos tempos, pude confirmar o poder da multidão ao participar de um cruzeiro sobre bem-estar. O evento atraiu um grupo de pessoas que compartilhavam das mesmas ideias e que, embora tivessem experimentado graus variados de adversidades em suas vidas, inclusive câncer, perda de visão e a perda recente de um ente querido, continuavam otimistas e animadas.

A idade do grupo variava dos 17 aos 90 anos. Um homem de mais de 80 anos, um espírito realmente inspirador, adotara um estilo de vida vegano e uma rigorosa rotina de exercícios para controlar seu diabetes. Outra companheira de viagem, uma mulher de mais de 50 anos que sobrevivera a um câncer no pulmão, me animou e me ajudou a realizar um exercício particularmente difícil.

Dan Buettner, pesquisador e colaborador da “National Geographic”, estudou os hábitos de saúde de pessoas que vivem nas chamadas zonas azuis – regiões do mundo em que os indivíduos vivem muito mais do que a média. Ele observou que as amizades positivas são um tema comum nessas zonas.

“Os amigos podem exercer uma influência quantificável e constante na saúde dos que as cercam, com resultados que uma simples dieta jamais poderia proporcionar”, afirmou.

Em Okinawa, no Japão, onde a expectativa média de vida para as mulheres é de cerca 90 anos, a mais alta do mundo, as pessoas formam uma espécie de rede social chamada moai – um grupo de cinco amigos que oferecem suporte social, logístico, emocional e até mesmo financeiro. “Tradicionalmente, os pais proporcionam um moai aos filhos desde seu nascimento e empreendem juntos uma jornada que dura a toda a vida”, disse Buettner.

Em um moai, o grupo se beneficia das situações positivas, como compartilhar de uma safra generosa, e as famílias se apoiam mutuamente quando uma criança adoece ou alguém morre. E também influenciam os comportamentos recíprocos  no que diz respeito à saúde ao longo da vida.

Buettner trabalha para a criação de moais em cerca de 20 cidades nos Estados Unidos. Em Fort Worth, no Texas, vários moradores formam moais para caminhadas – as pessoas se encontram para andar e estabelecer contatos entre si.

“Criamos moais que agora têm vários anos, e eles continuam exercendo uma influência saudável nas vidas de seus integrantes”, contou Buettner.

O segredo para formar um moai bem-sucedido está em começar reunindo pessoas que têm interesses, paixões e valores semelhantes. O grupo da zona azul tenta reuni-las com base na geografia, no trabalho e na programação da família. Depois, faz uma série de perguntas a fim de descobrir interesses comuns. Suas férias perfeitas seriam um cruzeiro ou uma viagem de mochila? Você gosta de rock ‘n’ roll ou de música clássica?

“Desse modo, você cria uma situação que levará a um longo relacionamento”, disse Buettner.

A equipe elaborou um teste para ajudar as pessoas a avaliarem os efeitos positivos de sua rede social. O teste consiste em fazer perguntas sobre sua saúde, quanto bebem, comem e se exercitam, assim como suas perspectivas. O objetivo é não menosprezar as menos saudáveis, mas identificar as pessoas que fazem mais pontos, e passar mais tempo com elas.

“Posso afirmar que a coisa mais importante que você pode fazer para aumentar a duração de uma existência saudável é cuidar de sua rede social mais próxima”, disse Buettner. Ele acha preferível um grupo de três ou cinco amigos do mundo real em lugar de amigos distantes no Facebook.

“Em geral, as pessoas querem interlocutores com os quais possam manter uma conversação interessante”, explicou, “pessoas que você pode chamar em um dia ruim e elas atenderão. Seu grupo de amigos é melhor do que qualquer medicamento ou suplemento contra o envelhecimento, e eles farão por você mais do que qualquer tratamento”.

Atriz Brigitte Nielsen tem bebê aos 54 anos e reabre debate sobre mães mais velhas

A artista dinamarquesa afirma que engravidou usando óvulos que havia congelado

Brigitte Nielsen
Aos 54 anos, atriz Brigitte Nielsen dá à luz a bebê gerado por fertilização in vitro 


Londres (Thomson Reuters Foundation) – Quão tarde é tarde demais para ser mãe? A atriz Brigitte Nielsen teve seu quinto filho aos 54 anos, reabrindo o debate sobre o crescente número de mulheres utilizando a fertilização in vitro para ter bebês mais adiante na vida. Nielsen afirmou que ela engravidou usando óvulos que havia congelado por volta dos 40 anos.

Especialistas em fertilidade dizem que a idade média de mães está crescendo solidamente ao redor do mundo, com mulheres cada vez mais se voltando a tratamentos de fertilidade para estender seus anos férteis.

Alguns renovaram pedidos para que mulheres priorizem ter crianças em seus anos mais jovens e férteis, mas outros dizem que planos de saúde precisam levar em conta as pressões que levam mulheres a adiar iniciar uma família.

“Nós devemos deixar as mulheres tomarem essa decisão por elas mesmas”, disse Katherine O’Brien, diretora de pesquisa da instituição de caridade British Pregnancy Advisory Service (BPAS).

“O que precisamos é um serviço de saúde que apoie suas decisões em vez de tentar compelir mulheres a terem filhos em um momento que não é certo para elas”, disse ela à Thomson Reuters Foundation. [Reuters]