‘Não ser mãe não faz de mim uma mulher incompleta’, afirma Ana Paula Padrão

Apresentadora disse que a vontade que teve de engravidar estava mais relacionada à pressão social do que a um desejo pessoal

Ana Paula Padrão fala da decisão de não ser mãe (Foto: Reprodução Instagram)

Ana Paula Padrão aproveitou o Dia das Crianças para refletir sobre a escolha de não ter filhos. Nesta terça-feira, 12, a apresentadora compartilhou um desabafo nas redes sociais. 

Em um texto no Instagram, ela revelou que já sofreu um aborto espontâneo. Ana explicou que atualmente entende que a vontade de engravidar estava mais relacionada à pressão social e ao relógio biológico do que a um desejo pessoal. 

“Hoje é dia das crianças e não há crianças em casa. Eu não tive filhos. E, acredite em mim, a vida sem filhos não é uma vida vazia. Até pensei em engravidar tempos atrás quando a idade soou o alerta: agora ou nunca! Algumas tentativas fracassadas me fizeram, no entanto, compreender que eu estava inventando uma frustração que não existia antes”, iniciou.

“Eu não fui uma adolescente que sempre sonhou com uma casa repleta de filhos. No início da fase adulta também não pensei muito sobre o assunto. Diziam: uma hora o desejo chega! Não chegou. No entanto, o contexto de uma relação estável e o prazo final estabelecido pela natureza me fizeram tentar. Quando desisti da história foi até com sensação de alívio”, explicou.

“Os tratamentos são intensos, provocam variações hormonais bastante severas e ainda passei pela dor profunda de perder uma gravidez na décima semana. Além dessa questão física, o mais importante é que minha cabeça não estava convencida: será que quero mesmo ser mãe ou estou sendo levada a cumprir o papel social esperado de uma mulher? Hoje penso que talvez meu corpo tenha entendido esse conflito antes da minha consciência. Tenho uma vida perfeitamente feliz sem filhos”, afirmou.

A jornalista ainda reiterou que não tem a intenção de defender que as mulheres não tenham filhos. “Estou aqui mostrando que o fato de não ser mãe não faz de mim uma mulher incompleta nem uma pessoa triste. Ao contrário. Ter tido a possibilidade de viver minhas escolhas me realiza, porque elas combinam com quem eu sempre quis ser”, declarou. 

Nova crise do Facebook deve forçar indústria da tecnologia a sair das sombras

Após falhas da rede social virem à tona, gigantes do setor devem enfrentar pressão para revelar funcionamento de seus algoritmos
Por Bruna Arimathea e Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Nova denúncia coloca em xeque o coração do modelo de negócios do Facebook

Há algum tempo se sabe que o Facebook tem problemas – nos últimos anos, além de protagonizar o escândalo de violação de dados Cambridge Analytica, a rede social tem sido acusada de impulsionar conteúdos nocivos como discurso de ódio e desinformação. Nestas últimas semanas, porém, as falhas da empresa ficaram concretas e ganharam nova dimensão: Frances Haugen, ex-funcionária da companhia, detalhou publicamente como o Facebook repetidamente escolheu lucrar e não proteger a segurança de seus usuários. As regulações sobre gigantes de tecnologia, que já vinham sendo ensaiadas, ganharam ares de urgência. 

Frances tornou públicas pesquisas internas do Facebook que mostram negligência da empresa com a moderação de conteúdo em suas plataformas. As revelações, feitas inicialmente pelo jornal americano Wall Street Journal, indicam que o Facebook aumenta o alcance de publicações de ódio, permite a circulação de conteúdos sobre tráfico humano e de drogas, trata celebridades e políticos com regras diferenciadas e não mantém o mesmo nível de moderação em países fora dos Estados Unidos. Há também detalhes sobre o impacto do Instagram na saúde mental de crianças e adolescentes: os estudos mostram que 1 em cada 3 meninas que se sentiam mal com o próprio corpo ficavam ainda pior ao acessar o Instagram. 

Muitos desses problemas já eram apontados há anos por especialistas, mas as denúncias são impactantes: agora, há informações tangíveis, levantadas pela própria empresa, que corroboram as pesquisas. Ao mostrar os efeitos tóxicos dos algoritmos, a denúncia coloca em xeque o coração do modelo de negócios do Facebook — e, de certa forma, de toda a indústria da tecnologia do mundo atual. 

“Finalmente estamos chegando em um momento histórico em que as gigantes de tecnologia estão na fronteira de serem questionadas em seus poderes econômicos. Isso demorou muito para acontecer desde a última grande onda de pressão, marcada pelo caso antitruste da Microsoft nos anos 1990”, afirma Paulo Rená, professor de Direito no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). “Nesse cenário, esse tipo de denúncia ganha força”. 

No caso do Facebook, a ficha caiu para muita gente na última segunda-feira, quando todos os apps da companhia, incluindo WhatsApp e Instagram, sofreram um apagão por sete horas. Além de atrapalhar a comunicação entre usuários no mundo todo, a pane impactou empresas que dependem dos serviços para atender seus clientes – segundo o Facebook, 3,5 bilhões de pessoas usam os seus produtos no mundo. 

Inabalável

Valor da ação do Facebook continua crescendo apesar de quedas pontuais

Desgaste

A crise ainda se agrava pela quebra de confiança: a rede social manteve as pesquisas em sigilo e não tomou medidas suficientes para conter os problemas. “Iniciativas do Facebook como o Oversight Board [Comitê de Supervisão] sinalizam uma discussão, mas a empresa ainda tem feito muito pouco justamente porque é um modelo rentável”, diz Bruna Santos, integrante da coalizão Direitos na Rede, citando o órgão independente criado pelo Facebook em 2020 para moderação de conteúdo. 

Parece uma reprise: a falta de transparência também marcou o escândalo Cambridge Analytica, em 2018, em que foram usados indevidamente dados de 87 milhões de usuários da rede social para influenciar as eleições americanas – a empresa foi avisada do problema em 2015. Desde então, Mark Zuckerberg e sua empresa nunca conseguiram recuperar a imagem plenamente, e a nova crise deve sepultar de vez as chances disso acontecer.    

O Facebook tem rebatido as acusações, argumentando que as pesquisas estão sendo mal interpretadas. Em texto publicado na quarta-feira, 6, Mark Zuckerberg afirmou que os documentos internos que vieram à público precisam ser visualizados “como um todo”, e que foram retirados de contexto ao serem lidos individualmente. Sobre os estudos envolvendo adolescentes, a empresa exaltou pontos positivos da pesquisa e relativizou a importância de algumas descobertas que mostram danos causados pela plataforma – em alguns momentos, o Facebook questiona inclusive o trabalho de seus próprios pesquisadores. 

Partir para o ataque tem sido a nova estratégia adotada pela empresa. Recentemente, o jornal americano The New York Times revelou que Zuckerberg anunciou em agosto uma nova iniciativa chamada Project Amplify, que tinha como objetivo usar o feed de notícias do Facebook para mostrar às pessoas histórias positivas sobre a rede social. A ideia era promover publicações pró-Facebook – algumas delas escritas pela própria companhia. A rede social não esperava, porém, que a acusação mais forte contra a empresa nos últimos anos partiria de alguém que não apenas trabalhava lá, como também lidava diariamente com questões relacionadas à democracia e desinformação.

“O Facebook precisa vir a público dizer que errou e tomou decisões das quais se arrepende. É a única forma de seguir em frente e consertar a empresa. O primeiro passo é a honestidade”, afirmou Frances em seu depoimento. 

Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook
Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook

E agora?

Até hoje, o Facebook não sofreu nenhum grande impacto de regulação em seus negócios. Mesmo com a sequência de crises, a empresa mantém um ciclo de crescimento constante (ver gráfico abaixo). Seguindo essa trajetória, a companhia atingiu em junho US$ 1 trilhão em valor de mercado, tornando-se a companhia mais jovem nos Estados Unidos a chegar à marca. 

Durante audiência no Senado americano, a delatora do Facebook mostrou caminhos de como regular a empresa, com questionamentos que podem ser a chave para impulsionar regras mais duras para as empresas de tecnologia. Em vários momentos do depoimento, que durou quase quatro horas, Frances defendeu que o Facebook tem “salvação”, “mas não vai consertar seus próprios problemas”. 

Para ela, a transformação não acontecerá pela via mais discutida no último ano: o desmembramento do Facebook, que incorporou na última década o Instagram e o WhatsApp. “Os problemas envolvem desenhos de algoritmos e de inteligência artificial”, disse. Segundo Frances, os executivos poderiam seguir tomando decisões erradas mesmo se os apps fossem empresas separadas.

A ex-funcionária propõe que a regulação seja focada na transparência de algoritmos. As gigantes quase nunca revelam como eles funcionam: eles são hoje a “fórmula secreta” para o sucesso no mundo tecnológico. 

Para especialistas, a discussão aprofundada sobre algoritmos vista na audiência, com congressistas procurando entender o funcionamento da tecnologia, são de grande valor para o debate regulatório do setor. No entanto, eles ressaltam a importância da discussão extrapolar o Facebook daqui para frente.

“O Facebook tem o agravante de reunir vários apps. Mas outros serviços tecnológicos também funcionam com base em algoritmos e no tempo que os usuários passam na plataforma, como Twitter, YouTube, TikTok e Amazon”, afirma Rená. “Além disso, as regulações americanas devem ir além dos EUA e dialogar com interesses globais”. 

O caminho das pedras para a construção dessas novas regras está na informação. “Essa crise mostra o quanto precisamos de mais informações sobre as plataformas. Ela é um começo e não um lugar de chegada para entendermos o que acontece em uma rede social gigante”, diz Artur Pericles Monteiro, coordenador de pesquisa de liberdade de expressão do InternetLab.

Valeria Ledesma | Madrid Bridal Fashion Week 2021

Andrea Aguirre | Madrid Bridal Fashion Week 2021 | Digital Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video – Madrid Bridal Fashion Week/Spain)

Conheça os projetos brasileiros para jovens negros empreendedores que ganharam a atenção de Beyoncé

A BeyGOOD, organização filantrópica da cantora norte-americana, destaca iniciativas inovadoras ao redor do mundo. No Brasil, A Infill, Kurandé e Pan-African Vision conquistaram o reconhecimento da ONG
Eduardo Manhães

Beyoncé em ação social em Houston Foto: Reprodução/BeyGood

As impressoras 3D de Lucas Lima emperraram após 2019, quando viu o negócio dar uma alavancada após ganhar popularidade na mídia. Cria do Complexo do Alemão, ele teve uma infância focada nos estudos e, formado em Engenharia Mecânica, conseguiu desenvolver os equipamentos a partir de sucata, para baratear o custo. Agora, no entanto, o projeto promete ganhar fôlego renovado com a chancela de ninguém menos do que Beyoncé. No final de julho, o jovem de 26 anos teve sua foto publicada no Instagram da BeyGOOD, organização filantrópica da cantora norte-americana. A página destaca iniciativas inovadoras ao redor do mundo.

Lucas acredita que grandes oportunidades podem surgir com a divulgação. “A rainha (Beyoncé) me notou. Eu tive o reconhecimento da mídia no meu país, mas isso não gerou nenhum investimento e a Infill (nome de sua empresa) continua funcionando dentro de um quarto. Essa publicação me dá credibilidade nos mercados nacional e internacional, que é onde eu quero chegar um dia. Pretendo estar nos Estados Unidos, África e Ásia com tecnologia 100% made in favela”, vislumbra. Ser reconhecido por um ídolo pode parecer um sonho distante para muitos fãs, mas Lima faz parte de um grupo de brasileiros que está vivendo isso de uma maneira inesperada com Beyoncé. A responsável por realizar essa conexão é IvyMcGregor, diretora da BeyGOOD, fundada em 2013. Conhecida por seu perfil determinado e detalhista, a cantora escolhe parceiros a dedo. Nesse sentido, Ivy é seu braço direito.

Em visita ao Rio, em meados de julho, Ivy conheceu algumas personalidades, como as cantoras Elza Soares e IZA, e se reuniu com Ricardo Silvestre (do Black Influence, serviço de comunicação e agenciamento de criadores de conteúdo negros) e com jovens empreendedores que participam da incubadora da Pan-African Vision. A empresa independente atua em três segmentos: comércio exterior, consultoria de diversidade e aceleração de startups, e tem à frente Priscilla Cadette, Rogério Siqueira e o economista Maiko Pinheiro. Priscilla e Rogério também são embaixadores do Conselho Pan-Africano no Brasil, entidade da União Africana que promove a integração dos países da região com a comunidade negra em diáspora.

O encontro deu frutos, como a divulgação dos projetos no site de Beyoncé, na seção “Black Parade”, que dá visibilidade a iniciativas de negros pelo mundo. Nas redes sociais, a diretora demonstrou encanto com os “brilhantes empreendedores” e classificou a incubadora como uma ideia “engenhosa e necessária”. O entusiasmo também se transformou em convite para que Priscilla, líder do projeto, ganhe mentoria exclusiva de Ivy, “uma mulher guerreira, incansável na luta pelos pretos mundo afora”, nas palavras de Elza Soares.

O programa de aceleração da Pan-African Vision é formado por quatro projetos: além da Infill, das impressoras de Lucas, há o UnicaInstancia, da dupla Gilmar Bueno e Sara Raimundo, responsável por facilitar o acesso à Justiça; o Kurandé, de Claudio Marques e Felipe Garcia, com cosméticos desenvolvidos por meio de técnicas ancestrais; e a Aya Psicologia de Douglas Vidal, que oferece atendimento psicológico a preços populares.

A chancela chega para a UnicaInstancia um ano e três meses após a criação da plataforma de lawtech (ou legaltech). O que só fez aumentar as certezas da advogada Sara Raimundo. “Beyoncé dizia que não se sentia representada à mesa (de negócios), então levantou e construiu sua própria mesa. Esta é a oportunidade de construir a minha mesa. Com ela, aprendi a importância de criar um legado e entender o impacto que podemos ter na vida das pessoas”, emociona-se.

Em Cannes, filme brasileiro ‘Medusa’ afronta extremismo religioso na era Bolsonaro

Longa de Anita Rocha da Silveira fala muito sobre o Brasil atual com trama aparentemente distópica
Bruno Ghetti

Cena do filme 'Medusa', que Anita Rocha da Silveira apresenta no Festival de Cannes
Cena do filme ‘Medusa’, que Anita Rocha da Silveira apresenta no Festival de Cannes Bruno Mello/Divulgação

Nenhum filme 100% brasileiro disputa a Palma de Ouro deste ano, mas a Quinzena dos Realizadores, mostra que ocorre paralelamente em Cannes, reservou espaço para ao menos um longa “puro sangue” do Brasil.

E põe Brasil nisso. “Medusa”, da carioca Anita Rocha da Silveira, que estreia em Cannes nesta segunda, fala muito sobre o país de hoje, ainda que por meio de uma trama aparentemente distópica, repleta de fantasia e com uma estética que investe no artifício.

Assim como em seu longa de estreia, o instigante “Mate-me por Favor”, de 2015, a cineasta usa e abusa de uma linguagem propositalmente excessiva —desta vez, para falar de um Brasil em que o fanatismo neopentecostal revela sua face mais conservadora.

Mostrando cultos performáticos altamente kitsch, fiéis que defendem o reacionarismo como se fossem soldados e um pastor que seduz pelo discurso e pela pinta de galã, o filme chega por vezes a soar como uma caricatura do extremismo religioso no país.

“Mas essa parte da igreja é a que é mais próxima da realidade [no filme]”, diz a cineasta, em entrevista por vídeo, durante sua quarentena em Paris pouco antes do festival. “A gente viu muitos cultos. Tem muita coisa no YouTube, alguns filmados até com múltiplas câmeras. Transcrevemos sermões e começamos a entender essa linguagem”, conta a diretora, que recriou em seu filme muito do que descobriu em sua incursão pelo mundo da fé.

A protagonista é Mariana, a adorável Mari Oliveira, jovem evangélica, recatada e do lar. Ela e suas amigas participam do coro da igreja, em espetáculos com fundo de néon e letras musicais que misturam louvor com romantismo. Defendem valores tradicionais e aceitam o machismo daquele ambiente. Mas apesar da devoção a Jesus, são bem mais terrenas no que tange a própria vaidade –valorizam a aparência física tanto quanto a castidade e o pudor.

Os fiéis se policiam mutuamente o tempo todo e seguem o conselho do pastor de evitar contato com pessoas sem a mesma fé.

“Nos [cultos] neopentecostais, falam muito [a frase] ‘não confiem nas pessoas do mundo!’, que é uma expressão que nos ajuda a entender a desinformação que levou à eleição de 2018”, diz a diretora, em referência à potencial contribuição evangélica para o fenômeno do bolsonarismo. Embora ela mesma pondere que “é uma igreja que está dando apoio às pessoas em um lugar em que o Estado não vai”.

As garotas, apesar da vaidade, não podem aproveitar a própria formosura na satisfação de prazeres da carne. Talvez por isso hostilizem mulheres que levam uma vida mais mundana —à noite, saem mascaradas pelas ruas para espancar as sexualmente liberadas. O misterioso sumiço de uma das “pecadoras” guiará o filme, numa trama com ares de horror, em que o estranhamento formal coexiste com instantes cômicos e uma análise enfática daquela sociedade em desacerto.

“Em 2015, a gente já sentia esse retorno de uma certa extrema direita. Já desde [as manifestações de junho de] 2013 tinha alguma coisa ali pairando. O que me inspirou inicialmente foram histórias reais de garotas que se juntavam para agredir outra, que consideravam ‘piranha’”, afirma Silveira.

“E se juntavam não só para bater, mas às vezes para deixar a menina ‘feia’, cortando seus cabelos. Aí lembrei logo do mito grego da Medusa, que era uma sacerdotisa muito bonita, mas que um dia perdeu a pureza —por isso, foi castigada por Atena, que a tornou uma criatura horrorosa”, diz.

“Então fiquei pensando na construção da civilização, nessa lógica de uma mulher ter que ficar controlando outra e em como o machismo estrutural já está aí desde sei lá quando, impregnado em nós”, afirma a cineasta.

De fato, o grande alvo do longa é o conservadorismo patriarcal. O fanatismo religioso, claro, também está na mira, mas nunca há ali um questionamento no âmbito da espiritualidade. “Meu interesse não é criticar a fé de ninguém, mas certas vertentes que se apropriam da Bíblia para promover discursos homofóbicos, racistas e machistas, comportamentos intolerantes”, diz a carioca.

É difícil falar detalhadamente sobre “Medusa” sem incorrer em spoilers, mas digamos que a protagonista só consegue se liberar na base do grito. “Um berro contra o patriarcado”, conforme resume a própria diretora.

É um filme que causa estranheza, o que é coerente com o projeto estético da cineasta desde seus curtas, como o misterioso “Os Mortos-Vivos”, de 2012.

Há novamente uma câmera interessada na performatividade dos personagens e em sua dimensão mais corpórea, destacando organismos em decomposição, feridos, com hematomas —sintomáticos de uma sociedade não muito saudável.

Mas, desta vez, a fisicalidade feminina também cede espaço para a representação objetificada de corpos de homens; o exército evangélico traz rapazes se exercitando, com roupas coladas e músculos suados, em imagens que despertam tanto o pavor quanto a libido das personagens.

E o talento da diretora para mostrar ambiguidades por meio da reiteração excessiva do óbvio se mantém –a linguagem do excesso mobiliza sensorialmente o público.

Embora o filme não tenha o mesmo frescor de “Mate-me por Favor”, até pelo viés mais engajado, reitera que Silveira é uma das vozes mais autênticas do nosso cinema atual. Se a Medusa do mito tornava pedra quem olhava para ela, a de Silveira petrifica o espectador pelo poder de suas imagens —ao mesmo tempo em que o liberta, em sua mensagem progressista.

Jeff Bezos deixa a Amazon nesta segunda, mas comando da empresa já passava por mudanças

Dezenas de executivos de cargos superiores da Amazon partiram nos últimos 18 meses
Por Karen Weise – The New York Times

Jeff Bezos anunciou em fevereiro sua saída do comando da Amazon

SEATTLE – Andy Jassy  torna-se nesta segunda, 5, presidente-executivo da Amazon, assumindo as rédeas de seu fundador, Jeff Bezos – essa é uma das transições executivas mais observadas dos últimos anos. Mas uma mudança muito menos alardeada – embora profundamente significativa – já está em andamento na empresa. Dezenas de executivos de cargos superiores da Amazon partiram nos últimos 18 meses, muitos depois de trabalharem lá por mais de uma década.

É um nível incomum de disrupção dentro da empresa. Os executivos que estão saindo não representam uma grande fatia dos altos escalões, que agora tem centenas de vice-presidentes. Mas, durante anos, os líderes da Amazon foram considerados sobreviventes. Muitos estavam lá desde os primeiros dias da empresa. Eram leais à Amazon, cujo aumento no preço das ações muitas vezes os deixou ricos.

Bezos sintetizava esse relacionamento, assim como Jeff Wilke, que liderou o negócio de consumo global, e Steve Kessel, que administrou suas lojas físicas, e outros que introduziram e executaram programas importantes, como Alexa, entrega gratuita e grande parte de seus negócios em nuvem. Agora esses líderes se foram.

As saídas tão próximas de Wilke e Bezos equivalem a “mudanças épicas e tectônicas”, disse David Glick, ex-vice-presidente da Amazon que agora é o diretor de tecnologia da Flexe, uma startup de logística.

Wilke e Kessel se aposentaram, mas muitos vice-presidentes estão saindo para cargos importantes em empresas de capital aberto ou startups de crescimento rápido. Teresa Carlson, que por mais de uma década construiu o negócio de nuvem governamental da Amazon, em abril se tornou a diretora de crescimento da Splunk, que fornece software de dados. Greg Hart, que acompanhou Bezos de perto por um ano e depois lançou a Alexa e o Echo, agora é o diretor de produtos da imobiliária Compass. Maria Renz, outra executiva muito próxima a Bezos e que começou na Amazon em 1999, agora é executiva sênior da SoFi, uma empresa de finanças pessoais.

“A Amazon fez um trabalho melhor do que qualquer outra empresa na história do mundo em ficar mais tempo no Dia 1”, disse Glick, referindo-se a uma expressão que Bezos costumava usar para encorajar os funcionários a agirem como se estivessem em uma startup. “Mas você chega a um ponto em que é tão grande que fica difícil fazer as coisas. As pessoas querem se divertir um pouco mais”.

Ele fala “todos os dias”, disse Glick, com os líderes da Amazon que estão pensando se devem sair ou não.

“Você tem esse conjunto de pessoas que chegaram a VP e aí pensam: ‘OK, o que vou fazer agora?’”, disse ele.

A Amazon está enfrentando uma mudança que as gerações anteriores de empresas de tecnologia experimentaram à medida que cresciam e seus fortes fundadores se afastavam, disse David Yoffie, professor da Harvard Business School que atuou no conselho da Intel por 29 anos. A força de trabalho geral da Amazon dobrou no ano passado, para mais de 1,3 milhão.

“Intel, Microsoft, Oracle – você vê esse mesmo padrão”, disse ele.

Mesmo antes da saída do fundador, os executivos sentem que a empresa está se aproximando de uma nova era, disse ele.

“As pessoas ficam com a ideia de que Jeff vai fazer a transição, e isso as leva a começarem a pensar em outras opções”, disse ele, acrescentando que, à medida que as empresas crescem, os executivos geralmente encontram menos burocracia e mais vantagens financeiras para sair.

“Tivemos e continuamos a ter níveis notáveis de retenção e continuidade de liderança na empresa”, disse Chris Oster, porta-voz da Amazon. A média de mandato é de 10 anos para vice-presidentes e mais de 17 para vice-presidentes seniores, acrescentou.

Há muito tempo Bezos enfatiza a longevidade dos executivos. Em um fórum no ano de 2017, um funcionário perguntou a ele sobre a falta de diversidade em sua equipe sênior, conhecida como S-Team, que era quase exclusivamente branca e masculina. Bezos disse que era um benefício o fato de seus principais executivos estarem ao seu lado por anos.

Andy Jassy assume como presidente executivo da Amazon
Andy Jassy assume como presidente executivo da Amazon

Qualquer transição na equipe, disse ele, “acontece de forma muito incremental, ao longo de um vasto período de tempo”.

Nos últimos anos, Bezos se afastou de grande parte dos negócios do dia-a-dia da Amazon, concentrando-se em projetos estratégicos e empreendimentos externos, como sua startup espacial, a Blue Origin, dando ainda mais autonomia a seus executivos.

Bezos, 57 anos, voltou a se ocupar dos assuntos cotidianos no início da pandemia. Mas em fevereiro, ele anunciou que planejava deixar o comando Amazon e se tornar o presidente-executivo do conselho da empresa. Em 20 de julho, deve embarcar no primeiro voo espacial tripulado de sua empresa de foguetes.

O gesto de Bezos veio não muito depois de Wilke, há muito visto como um potencial sucessor, anunciar sua saída.

“Então, por que ir embora?”, Wilke escreveu em um e-mail para a equipe, em agosto, noticiando seu plano de se aposentar. “Chegou a hora”. Seu último dia foi 1º de março.

Bezos indicou Jassy, 53 anos, vice-presidente de longa data que construiu e dirigiu a divisão de computação em nuvem, para assumir o cargo de presidente-executivo. Jassy trabalhava tão intimamente com Bezos que era visto como um “dublê de cérebro”, ajudando a conceber e divulgar muitos dos mecanismos e cultura interna da empresa.

As mudanças no topo começaram uma reação em cadeia. Com a ascensão de Jassy, a Amazon Web Services precisava de um novo executivo-chefe. A divisão contratou Adam Selipsky, que dirigia a Tableau, uma empresa de visualização de dados que a Salesforce adquiriu em 2019. Selipsky havia trabalhado na AWS até 2016, quando o negócio de nuvem tinha menos de um terço do tamanho que tem agora.

Dave Clark, que comandava as operações de logística e armazenamento da Amazon, foi promovido à função anterior de Wilke, comandando todo o negócio de consumo da empresa. Ele já havia assumido a responsabilidade pelas lojas físicas da Amazon depois que Kessel, um membro da equipe S que começara na Amazon em 1999, se aposentou no início do ano passado.

E também estão se abrindo muitas outras vagas. Em abril, o site de notícias de negócios Insider registrou pelo menos 45 vice-presidentes e outros executivos que deixaram a Amazon desde o início de 2020 e, de lá para cá, partiram pelo menos outros seis.

Yoffie, o ex-membro do conselho da Intel, disse esperar mais mudanças nos próximos meses, à medida que Jassy começar a fazer mudanças como presidente-executivo.

“Eles querem imprimir sua marca”, disse Yoffie. “Eles sempre fazem isso”.

Este artigo foi originalmente publicado no New York Times. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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