Microsoft e AT&T fazem parceria de mais de US$2 bilhões

As duas também trabalharão juntas na chamada computação de ponta para aplicações que precisam de tempos extremamente pequenos na transmissão de dados
Por Agências – Reuters

Microsoft faz acordo de US$ 2 bilhões com a AT&T

A Microsoft e a operadora americana AT&T disseram nesta quarta-feira, 17, que chegaram a um acordo sob o qual a empresa de telecomunicações irá usar o serviço de nuvem Azure da Microsoft para as suas necessidades de computação e fornecer o software Office 365 para grande parte de sua força de trabalho de 268 mil pessoas.

Sob o acordo, a Microsoft e a AT&T também trabalharão juntas na chamada computação de ponta, que verá a tecnologia da Microsoft implantada na próxima rede 5G da AT&T para aplicações que precisam de tempos extremamente pequenos na transmissão de dados, como sistemas de controle de tráfego aéreo para drones. O acordo de vários anos vale mais de US$ 2 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

O acordo é uma grande vitória da Microsoft, que está lutando para ganhar quota de mercado contra a Amazon Web Services, a maior provedora de serviços de nuvem pública em que os clientes executam seus aplicativos de software em centros de dados gerenciados pela fornecedora.

A AT&T continuará a gerenciar suas próprias operações de rede principais para telefones celulares e outros dispositivos. Mas John Donovan, presidente-executivo da empresa, disse à Reuters que o acordo é uma mudança fundamental para a provedora de telecomunicações colocar a “nuvem pública em primeiro lugar”, o que significa que dependerá predominantemente de centros de dados construídos por outros para alimentar o resto de seus negócios.

Para a Microsoft, a empresa também ganhará uma parceira para vender seus serviços de computação de ponta, que ajudarão desenvolvedores de software a escrever programas para situações como fábricas cujas máquinas possuem sensores para coletar dados ou lojas de varejo equipadas com sensores e câmeras para ajudar a manter os estoques atualizados.

“Nossa tradição geral de ser uma empresa de ferramentas para desenvolvedores, combinada com as capacidades de rede da AT&T, é única”, disse o presidente-executivo da Microsoft, Sayta Nadella, à Reuters.

‘The enemy within’: a série cancelada nos EUA que acaba de estrear aqui

Cena de ‘The enemy within’ (Foto: Divulgação)

A NBC americana anunciou na semana retrasada que “The enemy within” vai acabar ao fim da primeira temporada. Não que a sua audiência seja de todo ruim. Ela não é um estouro, mas o problema é a sua curva, descendente. Com esse argumento, a rede cancelou essa que seria uma forte candidata a ganhar o coração dos fãs daquelas séries que “são ruins, mas são boas”. Aqui no Brasil, entretanto, a aventura acaba de estrear na Fox Premium 2. O enredo mistura drama e espionagem e pode ser uma boa dica para quem busca o puro entretenimento.

Seguimos o passo a passo de uma equipe do FBI que se esforça para capturar um terrorista com uma longa ficha corrida de ataques pesados. Esse vilão, o russo Mikhail Tal (Lev Gorn), comanda uma rede imensa que atua dentro dos EUA. É uma organização quase impossível de rastrear. A polícia se encontra num beco sem saída, quando o chefe da equipe, o agente Keaton (Morris Chesnut), decide recorrer à ajuda de Erica Shepherd (Jennifer Carpenter). Ela é uma ex-agente da CIA e está numa cadeia de segurança máxima por traição. Mesmo enfrentando forte resistência dentro da corporação, ele leva adiante seu intento.

A trama de ação se mistura a enredos paralelos e aos pequenos dramas pessoais dos personagens. “The enemy within” tem figuras multifacetadas e seu roteiro é cheio de ambições. Apesar disso, são muitos os truques fáceis e as viradas previsíveis. Mesmo assim, a série prende a atenção, tem bons ganchos e diverte. Merecia, sim, mais uma temporada. [Patrícia Kogut]

Café vegano em Jerusalém se rebela contra ultraortodoxos

População ultrarreligiosa cresce em tamanho e influência e afeta vida cotidiana dos israelenses
Loveday Morris e Miriam Berger / THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

Alex Dvorkin no café Bastet: luta pelo secularismo Foto: Loveday Morris / WashingtonPost

O Bastet, um café vegano e aberto aos LGBTs, com suas mesas espalhadas na calçada no centro de Jerusalém, é um oásis secular para os moradores que gostam de tomar uma bebida para relaxar numa cidade que praticamente fica imobilizada no sábado em razão do shabat. Mas, a cada semana, um grupo de ultraortodoxos desfila em frente ao café, mostrando seu desagrado com o desacato ao dia de descanso.

Num sábado recente, as funcionárias do café decidiram reagir, levantando suas camisetas e mostrando o sutiã, numa tentativa de afastar os manifestantes. O confronto é o reflexo de uma tensão observada em Israel hoje a respeito da real natureza do Estado, fundado por sionistas seculares, mas com uma população ultrarreligiosa que cresce em tamanho e influência.

Essa tensão ficou bem à mostra no mês passado, ao frustrar os esforços do premiê Binyamin Netanyahu para formar um novo governo e levar uma nação atônita às urnas pela segunda vez este ano. Netanyahu necessitava de duas facções concorrentes, secular e religiosa, para formar uma maioria no Parlamento e elas ficaram num impasse diante da legislação que propõe a obrigação do serviço militar pelos ultraortodoxos, como os demais judeus.

Os partidos ultrarreligiosos se opõem à medida. No entanto, Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa, ultranacionalista, resiste à influência dos ultraortodoxos. As pessoas que o cercam dizem que a questão do alistamento militar se insere na sua preocupação mais abrangente com uma comunidade minoritária que recebe benefícios sociais e isenções fiscais do Estado e contribui menos do que os outros judeus que pagam impostos. Influências externas, como filmes, internet  ou conviver com israelenses seculares são desencorajadas, quando não proibidas.

Os ultraortodoxos formam uma comunidade religiosa que abrange uma série de seitas que decidiram se segregar da sociedade israelense para levar uma vida em que a observância religiosa é primordial. Na fragmentada democracia parlamentar israelense, os partidos políticos que representam os ultraortodoxos se tornaram poderosos e influentes nos últimos anos.

Para israelenses como Klil Lifshitz, jovem lésbica de 28 anos que abriu o café Bastet, há dois anos e meio, o espaço que vem diminuindo para o secularismo é preocupante.

“Eles têm cada vez mais poder”, disse ela, referindo-se aos ultraortodoxos. “Enquanto continuarem a ter poder na formação de coalizões e governos, basicamente vão ter o que desejam.”

Foi durante uma costumeira manifestação no mês passado, convocada pelos ultraortodoxos para protestar contra o que qualificam como um desacato ao sabath, quando o país hospedou o concurso Eurovisão da canção, que as garçonetes do café decidiram assumir uma posição. E disseram que seu objetivo foi proteger suas mesas e mostrar seu ponto de vista ideológico.

Desde então, eles fizeram uma pausa nos seus protestos. “É uma vitória”, disse Mira Ibrahim, uma das garçonetes que decidiu tirar a camiseta, embora a sensação de triunfo tenha sido ofuscada pela reação dura da polícia contra os manifestantes que deixou o pessoal do café incomodado. Mas, embora a equipe do café Bastet tenha vencido uma pequena luta, a batalha maior só deve se intensificar. Os ultraortodoxos, conhecidos como haredim, formam 12% da população, mas constituem o segmento de israelenses que mais cresce com as mulheres dando à luz uma média de 6,9 filhos.

Nos primeiros dias do Estado de Israel, muitos ultraortodoxos se opunham ao movimento sionista secular que criou a nação, temendo que ele eliminasse sua forma de judaísmo. Hoje seu poder é cada vez maior no Parlamento de 120 membros e recentemente conquistaram 16 assentos, para promover seus interesses.

E não são apenas eles que insistem que Israel seja governado segundo as leis religiosas. Na segunda-feira Netanyahu rejeitou apelos do seu aliado político Bezalel Smotrich, um judeu religioso – não ultraortodoxo – para o sistema judiciário de Israel ser fundamentado na lei judaica.

“Israel não será um Estado  ‘halacha’” “, disse Netanyahu no Twitter, usando o termo para a lei judaica baseada no Talmude.

Um Estado religioso é o  desejo de  Avraham Menkes, rabino ultraortodoxo, que considera o recrutamento militar uma ameaça à sua comunidade. Segundo ele, o serviço nacional tem por fim tirar os imigrantes judeus de um cadinho de culturas de todo o mundo e dar a elas uma identidade uniforme.

Menkes dirige o Comitê para salvar o Mundo do Torá, grupo que realiza protestos contra as iniciativas de alistamento dos membros da sua comunidade. Por seu ativismo foi preso dez vezes. Na parede do seu apartamento em Jerusalém está a foto de um protesto realizado há dois anos. Um grupo de manifestantes se reúne nas ruas e fica sentado de costas sendo molhados pelos canhões d’água da polícia.

“Estou nessa foto”, disse ele, explicando que se ocultava sob o casaco preto, parte do traje tradicional ultraortodoxo. A questão do alistamento militar veio à tona em 2017 quando a Suprema Corte decidiu que isentar os radicais religiosos do serviço militar era ilegal e pediu ao Parlamento para elaborar uma nova lei, mais equitativa.  (Em Israel os homens devem prestar o serviço militar por quase três anos, e as mulheres dois anos).

As isenções para a população haredim existem desde o nascimento de Israel. Em 1949 o fundador do país, David Ben-Gurion, concedeu a isenção para 400 estudantes religiosos porque muitos estudiosos judeus morreram no Holocausto. Desde então o seu número disparou. A questão do alistamento militar tem alimentado a ira de muita gente da população em geral. O emprego entre os homens ultraortodoxos é de apenas 50%, pois muitos preferem os estudos religiosos. O governo os apoia com isenções de impostos e pagamentos de polpudos benefícios.

“Os israelenses que servem o Exército e trabalham muito para sobreviver acham que eles são parasitas e vivem do dinheiro que recebem do governo que usa os impostos que pagamos para isso”, disse Carlo Strenger, professor de filosofia e psicologia da Universidade de Tel-Aviv, que tem alertado que Israel está se destruindo pelo medo e ressentimento. Para ele, uma estrutura federativa, que ofereça aos ultraortodoxos e cidadãos árabes em Israel uma maneira de viver sem se sentirem em perigo seria a resposta.

Liberman trata como prioridade a aprovação de uma nova lei que estabelece cotas de alistamento para os ultraortodoxos e multa as escolas religiosas que não cumprirem a ordem. Aryeh Vishnevetsky, porta-voz do partido Yisrael Beitenu, de Lieberman, afirmou que o tratamento igual é uma questão de princípio. E é por isso que o partido também exigiu que os tribunais formados por rabinos ultraortodoxos  retirem seu pedido para que alguns imigrantes russos realizem testes de DNA para provar sua herança judaica.

Essas preocupações são parte da resistência às demandas dos ultraortodoxos que prejudicam a vida secular, como a exigência de fechamento dos supermercados aos sábados, afirmam os partidários de Lieberman.

Mas eles dizem que não querem mudar a maneira como os religiosos vivem suas vidas. “Não queremos transformar ninguém numa pessoa secular”, disse Vishnevetsky, acrescentando que é mais fácil para os haredim encontrarem trabalho depois de prestarem o serviço militar. Mas, na opinião de Menkes, todos os jovens haredim que são alistados perdem sua religião. Recentemente foi seu sobrinho que tirou seu quipá depois de prestar o serviço militar. “Ele foi para o Exército como um haredi e agora diz que descobriu o mundo”, disse ele.

Na loja da esquina a alguns metros da rua no bairro de Shmuel Hanavi, em Jerusalém, Haim, de 26 anos, relatou como prestou o serviço militar contra a vontade da família. Embora ainda use o quipá preto e o traje branco e preto dos haredim,  disse que agora é ateu, mas já se considerava secular mesmo antes de ir para o Exército. Segundo ele, para muitos ultraortodoxos que buscam uma saída, o Exército oferece uma.

“É uma porta de saída da comunidade. Os rabinos aqui têm medo de que as pessoas se relacionem com gente de fora. O Exército é um desses lugares, em que elas se misturam com indivíduos seculares.”

Há um ano e meio ele concluiu o serviço militar e mudou de casa por “razões econômicas”. Encontrar um emprego é difícil para os que deixam a comunidade porque sua formação se concentra em estudos religiosos. Sua família permitiu que ele retornasse para casa sob algumas condições, incluindo a maneira de se vestir.

Haim disse que muitas pessoas no seu bairro estão furiosas com Liberman. Elas o acusam de provocar uma disputa religiosa em busca de poder ou de uma vendeta pessoal contra Netanyahu. Mas depois da posição de Liberman com relação ao alistamento, ele disse que pensa em votar nele.

Embora muitos fora de Israel considerem o conflito com os palestinos a luta decisiva de Israel, Haim disse que o confronto entre esses dois mundos – o religioso e o secular – é o mais catastrófico e certamente vai se intensificar no futuro, à medida que a população ultraortodoxa cresce.

Ele prevê que Israel chegará ao momento mais crítico quando o equilíbrio entre as comunidades judaicas não mais se sustentarem e os judeus seculares começarem a deixar Israel porque se tornou um país muito repressivo. “Num determinado ponto o país vai se romper”, alertou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Amos Goldreich amplia casa com terraço vitoriano e cria uma casa cheia de luz

O cliente se aproximou da Amos Goldreich Architecture para criar uma extensão lateral, bem como a reforma interna do primeiro andar de uma casa vitoriana em Finsbury Park, em Londres.

“O briefing era ampliar a cozinha com uma extensão lateral e fazer mais espaço no piso térreo com soluções de armazenamento eficientes por toda parte. A extensão é concluída em tijolo, para complementar o tom do tijolo de ações de Londres da casa existente. Uma grande janela de vidro sem moldura, que funciona internamente como um assento de janela, dá vista para o jardim a partir da nova extensão lateral cheia de luz e da cozinha. A extensão lateral é formada por aletas estruturais de madeira, revestidas externamente em zinco, na parede da parede do tijolo. Uma grande luz de teto traz a luz do dia para a cozinha e melhora as conexões entre os espaços que ligam a sala de estar da frente com o jardim das traseiras. Recursos energeticamente eficientes, incluindo iluminação LED e novos encanamentos com piso aquecido na cozinha e área de jantar, também adicionam uniformidade estética e reduzem a desordem. As alterações internas incluem uma cozinha IKEA modificada com frentes de contraplacado e um design de ilha de cozinha personalizado. Um novo WC convidado foi adicionado atrás da cozinha. Um guarda-roupa oculto foi construído na parede da sala de estar para fornecer armazenamento para casacos e sapatos. Este projeto ofereceu a oportunidade de trazer tanto pensamento criativo para a mesa – queríamos criar algo caseiro, funcional e familiar, mas com um forte senso de design, o que realmente eleva o esquema de uma remodelação a uma “transformação”. Apenas mostra que você não precisa de um orçamento enorme ou de espaço para criar uma casa bonita e única. Os clientes tiveram o prazer de trabalhar e estamos muito satisfeitos em vê-los se acomodando confortavelmente à paternidade em seu novo ambiente ”, diz Amos Goldreich.

almington-street-house-london-amos-goldreich6
almington-street-house-london-amos-goldreich4
Brick extension
almington-street-house-london-amos-goldreich3
Bespoke kitchen island
almington-street-house-london-amos-goldreich8
Kitchen
almington-street-house-london-amos-goldreich1
almington-street-house-london-amos-goldreich7
almington-street-house-london-amos-goldreich9
Exterior
almington-street-house-london-amos-goldreich10
Floor plan

Bilheteria EUA: Vingadores: Ultimato, The Intruder, Casal Improvável, Uglydolls, Capitã Marvel

Vingadores: Ultimato – Avengers: Endgame. EUA, 2019. Direção: Anthony Russo e Joe Russo

Pela segunda semana seguida, Vingadores: Ultimato fica em primeiro na bilheteria dos EUA com arrecadação de US$145,8 milhões só nesse fim de semana. Isso fez com que o filme tenha passado a marca de US$2 bilhões globais, tornando-se o longa mais rápido a conseguir chegar neste valor – para referência Avatar, que ainda lidera o ranking de maiores bilheterias, precisou de 47 dias para conseguir o mesmo.

Em segundo, TheIntruder, suspense com Dennis Quaid, levou US$11 milhões em seu fim de semana de estreia – o suficiente para pagar o orçamento de US$8 milhões e ainda lucrar.

Casal Improvável– comédia romântica com Seth Rogen Charlize Theron – estreia com US$10 milhões em terceiro, com Uglydollsvindo em quarto com US$8 milhões. Ironicamente, quem fecha o top 5 também é a Marvel: o filme-solo da Capitã Marvel, em sua nona semana em cartaz, ainda levantou US$4,2 milhões (só nos EUA, o filme já fez US$420 milhões, tendo passado de US$1 bilhão na bilheteria global).

Teste com ‘curtidas’ no Instagram preocupa influenciadores

Plataforma deixa de mostrar número de likes para evitar distúrbios, mas usuários temem perder atenção de marca
Por Bruno Romani – O Estado de S.Paulo

Depressão tem origem além de rede social, diz Aline Souza

Em meio a fotos de pôr-do-sol, comidas e gatinhos fofos, uma nuvem cinza começou a pairar no universo do Instagram nesta semana. Desde sexta-feira, 3, a rede social de fotos testa no Canadá uma mudança na plataforma: parar de mostrar, para todos os usuários, a contagem de curtidas que aquela publicação recebeu – a partir de agora, só o dono da postagem saberá o quanto é popular. A intenção é boa: melhorar o ambiente do app, que há anos é acusado de deteriorar a saúde mental dos usuários com imagens de um estilo de vida perfeito e inalcançável. Mas teve quem não gostou.

Mesmo sem data para chegar ao Brasil, o “fim da contagem de curtidas” gerou dúvidas em uma parcela de influenciadores e aspirantes a celebridades da rede social. “Para quem trabalha com Instagram e precisa ser notado, não achei que foi uma boa”, diz Aline Jesus de Souza. Com 36 anos e uma conta com quase 30 mil seguidores interessados em decoração, ela faz parte de um grupo que teme não ter como chamar a atenção de marcas e potenciais parceiros.

“Como vamos analisar um conteúdo sem saber a curtidas? Como as empresas vão interpretar isso? Será que vão continuar dando importância para a rede ou ela perderá a credibilidade?”, questiona Vanessa Manfredini, de 32 anos e um perfil com 45 mil seguidores.

Para Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais, cujo trabalho é fazer a ponte entre anunciantes e influenciadores, também enxerga alguns problemas no novo modelo. “Para as marcas, o número que continuará visível é a quantidade de seguidores. A tendência é que o foco nisso se agrave”, diz. “Além disso, o influenciador vai continuar ‘na neura’. Ele vai continuar vendo os próprios likes e tentando entender o que fez um post dar certo ou não”.

Se a métrica que passar a importar for o número de seguidores, há ainda outro medo para os influenciadores: o temor de que perfis que compram seguidores, prática bastante criticada dentro do Instagram, sejam nivelados a quem está conquistando público organicamente. “Tem blogueira que compra muitos seguidores, mas têm poucas curtidas. Agora todo mundo vai achar que é igual. Não vai dar para identificar quem é quem nesse primeiro momento”, diz Ana Clara Benevides, 23, influenciadora digital especializada em moda, com 129 mil seguidores. “Não acho interessante essa democratização”.

Saúde mental

A medida foi anunciada nesta semana por Adam Mosseri, chefe do Instagram, durante a conferência de desenvolvedores do Facebook, a F8. Segundo ele, a intenção é que os usuários apreciem as imagens e se desapeguem do número de curtidas, tentando manter o ambiente saudável. “Não podemos dizer se vai dar certo ou se vai ser só mais um teste, mas é algo que estamos tentando para melhorar o ambiente”, disse Mosseri. É uma resposta a anos de críticas – em 2017, um estudo da agência de saúde pública do Reino Unido considerou o Instagram a pior rede social para a saúde mental e o bem estar das pessoas.

Há quem não acredite nas boas intenções da companhia de Mark Zuckerberg. “Depressão e problemas de autoestima são coisas que têm origem além das redes sociais. Acho uma loucura o Instagram esconder as curtidas como se isso fosse resolver a saúde mental das pessoas”, diz Aline.

A possível mudança, porém, não vai acabar com os pedidos de likes feitos pelos influenciadores. Aline, por exemplo, lembrou os seus seguidores que embora o número fique escondido, a curtida ainda é importante para o seu perfil. E a ideia não é apenas apresentar esse dado para parceiros. “O algoritmo do Instagram usa as curtidas para determinar quais conteúdos vão aparecer no feed das pessoas. Isso não mudou”, diz. Há um certo temor entre elas de que os números escondidos desestimulem novas curtidas.     

“A curtida sempre foi uma métrica de vaidade”, diz Isabela Ventura, presidente da Squid, empresa de marketing com foco em microinfluenciadores – isto é, quem está começando. “Olhamos para o conteúdo, a originalidade, a comunidade na qual o influenciador está inserido”, explica. Além disso, métricas internas não foram desativadas do Instagram, de forma que os influenciadores ainda podem gerar relatórios para as marcas. Atraí-las, porém, pode ser um desafio. /COLABOROU EMILLY BENKHE