Morre Eva Wilma, aos 87 anos, vítima de câncer

Artista estava internada desde o dia 15 de abril, inicialmente para tratar problemas cardíacos e renais. O câncer foi descoberto no último dia 7 de maio
Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

Eva Wilma Riefle, premiada atriz e bailarina brasileira.

A atriz Eva Wilma morreu neste sábado, 15, aos 87 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, vítima de um câncer no ovário que, disseminado, levou a uma insuficiência respiratória. A artista estava internada desde o dia 15 de abril, inicialmente para tratar problemas cardíacos e renais. O câncer foi descoberto no último dia 7 de maio. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da artista. 

“Vivinha, é assim (sorridentes) que vamos lembrar de você. Obrigado pelos momentos maravilhosos que vivemos juntos e estarão eternamente em nossos corações”, escreveram os agentes da atriz no Instagram.

Foi uma bela mistura que produziu Eva Wilma Riefle, atriz que entrou para o imaginário do espectador brasileiro de cinema, teatro e televisão simplesmente como Eva Wilma. Seu pai (Otto Riefe Jr.) era um metalúrgico alemão da região da Floresta Negra que veio para o Brasil, mais exatamente para o Rio de Janeiro, em 1929, aos 19 anos, para trabalhar numa firma de metalurgia. A mãe, Luísa Carp, nasceu em Buenos Aires, filha de judeus ucranianos de Kiev que imigraram para a Argentina. Estava escrito que os dois se conheceriam em São Paulo, e foi onde Eva Wilma nasceu, em 14 de dezembro de 1933.

Apesar das dificuldades familiares – o pai quase foi preso durante a 2ª Grande Guerra e, na sequência, foi diagnosticado com mal de Parkinson –, recebeu educação esmerada, em escolas tradicionais. Teve aulas de canto, piano e violão com a mestra Inezita Barroso. Aos 14 anos, iniciou-se na carreira artística como bailarina clássica. No Corpo de Balé do Teatro Municipal chamou a atenção do diretor José Renato, que a chamou para integrar a primeira turma dso Teatro de Arena. Participou de espetáculos quer fizeram história – Judas em Sábado de Aleluia, Uma Mulher e Três Palhaços.

Diversificou-se, como mulher e atriz, e fez Boeing-Boeing, O Santo Inquérito, A Megera Domada, Black-Out. Os desafios foram ficando maiores – Um Bonde Chamado Desejo, Pulzt, Esperando Godot, dirigiu Os Rapazes da Banda, depois participou de Quando o Coração Floresce, Queridinha Mamãe, pela qual recebeu o primeiro Molière de Melhor Atriz, e O Manifesto. No cinema, começou como figurante em Uma Pulga na Balança, na Vera Cruz. Logo estava protagonizando filmes ao lado de Procópio Ferreira – O Homem dos Papagaios e A Sogra. Em 1955, ganhou o primeiro prêmio de cinema por O Craque, de José Carlos Burle. No ano seguinte, a cinebiografia de Francisco Alves, Chico Viola não Morreu, valeu-lhe o premio Saci, do Estado. E logo vieram os grandes filmes que pertencem à história – Cidade Ameaçada, de Roberto Farias, e São Paulo S.A., de Luiz Sergio Person.

Em 1953, a TV engatinhava quando Cassiano Gabus Mendes convidou-a para atuar no seriado Namorados de São Paulo, da Tupi, formando dupla com Mário Sérgio. Mudaram o ator e o nome do programa – virou Alô Doçura e Eva Wilma passou a contracenar com John Herbert. Casaram-se, tiveram dois filhos e o programa ficou dez anos no ar, entrando para o Guinness como a série mais longeva da televisão brasileira. Alô Doçura foi um marco. Naquele tempos, anos 1950 e 60, não se falava em sitcom, mas todo mundo seguia o casal da ficção, que virou casal da vida real. Cokm o fim da Tupi, Eva Wilma foi para a Globo. Mais prêmios, muitos prêmios. Eva Wilma ganhou todos. Se você fizer uma pesquisa no Google, é capaz de não acreditar na quantidade de prêmios que ela recebeu – Molière, Imprensa, APCA, Coruja de Ouro, Governador do Estado, Shell etc.

E não apenas no País. Recebeu uma homenagem em Cuba em 1966 pela atuação em O Amor Tem Cara de Mulher da TV Tupi; outra homenagem pela atuação no filme A Ilha, de Walter Hugo Khouri, no Festival de Berlim; e no Festival de Roma foi destaque pelo júri popular, no filme de Alberto Pieralisi, O Quinto Poder. Em 1969, ocorreu o episódio talvez mais bizarro da trajetória de Eva Wilma. Ela foi convidada para fazer um teste em Hollywood para o que seria o novo suspense do mestre Alfred Hitchcock. O filme era Topázio, uma história de espionagem, e Eva teve tratamento de estrela ao ser testada para o papel da espiã cubana, que, no final, foi interpretado por uma alemã, Karin Dor. A experiência foi importante porque, com outros trabalhos no teatro, mostrou que a doçura estava sendo substituída por uma dimensão mais madura e complexa.

Eva Wilma
Atriz Eva Wilma na peça ‘Azul Resplendor’, em 2013.  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Nem Eva nem Wilma – Simplesmente Vivinha, como no título de um programa em que interpretava a si mesma, em 1975. Vivinha nunca parou de fazer principalmente TV, e novelas, algumas séries. Roda de Fogo, O Direito de Nascer, Plumas e Paetês (explorando sua veia cômica), Ciranda de Pedra, Guerra dos Sexos, Sassaricando, Pedra Sobre Pedra, Anos Rebeldes, Pátria Minha, O Rei do Gado, A Indomada, Os Maias, Fina Estampa, A Grande Família, Verdades Secretas.

Casada por 21 anos (1955/76) com John Herbert, separou-se dele para viver mais 23 anos, de 1979 a 2002, até a morte do segundo marido, Carlos Zara. Socialite, trambiqueira, mulher comum. Eva Wilma, a Vivinha, tudo fez, e com o maior brilho. [2]Em 1973, interpretou as gêmeas Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia, novela de Ivani Ribeiro que fez sucesso nacional e internacional. Finalista para o prêmio de melhor atriz do ano, perdeu para Regina Duarte, por Carinhoso. Quem viu não se esquece jamais. A premiação era ao vivo, apresentada por Sílvio Santos na Globo. Perante o País inteiro, Regina, a namoradinha do Brasil, chamou Eva Wilma para receber o prêmio, que era dela por direito. O episódio resume a grandeza de uma artista que colegas, público e críticos aprenderam a amar e respeitar.

Agatha Moreira fala sobre ‘ressuscitar’ personagem de ‘Verdades secretas’: ‘Vivi um luto doloroso na época’

Amora Mautner, Agatha Moreira e Camila Queiroz (Foto: Arquivo pessoal)

Eis as protagonistas de “Verdades secretas” 2Camila Queiroz e Agatha Moreira, nos bastidores de gravação com a diretora da sérieAmora Mautner. Na continuação da história de Walcyr Carrasco, no Globoplay, Giovanna (Agatha), desconfiada das circunstâncias da morte do pai, Alex (Rodrigo Lombardi), contratará um detetive para investigar Angel (Camila). O papel caberá a Romulo Estrela. O elenco já está gravando suas primeiras cenas nos Estúdios Globo, no Rio.

Agatha adianta como será a volta das duas personagens:

– Vai ser um grande reencontro. Será exatamente como o público está esperando que seja, aliás, ouso dizer que até melhor. O Walcyr não está de brincadeira mesmo. Amo essa trama e já estou louca para mostrar para o espectador.

A atriz dá detalhes da nova fase de Giovanna:

– Ela estará mais madura, mais inteligente, mais feminista, mais dona de si. E também muito arrogante, prepotente e irônica como sempre foi. Cheia de humor e tiradas típicas – resume Agatha, que conta ainda como foi a sensação ao começar os trabalhos. – Foi uma loucura, nunca imaginei ter que ressuscitar uma personagem que enterrei. Vivi um luto superdoloroso na época. Mas está sendo uma delícia de desafio e uma grande oportunidade.

Angel, por sua vez, aparecerá casada, rica e com filho pequeno. Ela acabará vivendo um romance quente com o tal investigador, atrapalhando, assim, os planos de Giovanna.

Além de Agatha e Camila, retornarão à produção Guilhermina Guinle (Pia), Rainer Cadete (Visky), Dida Camero (Lourdeca) e Adriano Toloza (Igor), entre outros.

O tempo está correndo em novo cartaz de Loki, próxima série da Marvel

Disney divulgou um novo cartaz da série Loki, que foca na contagem regressiva para a estreia da série. Confira abaixo:

Loki revelará o que aconteceu com o personagem após os eventos de Vingadores: Ultimato. Além de Tom HiddlestonOwen WilsonGugu Mbatha-RawSophia Di Martino e Richard E. Grant também estão no elenco da série.

A estreia está marcada para o dia 9 de junho no Disney+ e a produção terá episódios inéditos às quartas-feiras.

1971: The Year That Music Changed Everything — Official Trailer | Apple TV+

Em uma era tumultuada, 1971 seria um ano de inovação musical e renascimento. Alimentado pela turbulência política e cultural da época, novos talentos explodiram em cena, as estrelas alcançaram novas alturas e as fronteiras se expandiram como nunca antes.

Produzida pelos vencedores do Oscar Asif Kapadia (“Amy”“Senna”) e James Gay-Rees (“Saída pela Loja de Presentes”), a docussérie combinará imagens de arquivo com depoimentos (contemporâneos e atuais) para ilustrar um período de mudanças e convulsão social nos Estados Unidos e no mundo — um período no qual, como opina Jimmy Iovine no trailer, a música não apenas refletiu o sentimento das ruas, mas também o influenciou e o guiou ativamente.

Entre os artistas e bandas destacados pela docussérie, teremos nomes lendários como Marvin GayeGeorge HarrisonSly StoneThe WhoJohn LennonAretha FranklinCurtis MayfieldBill Withers, os Rolling StonesBob MarleyGraham NashJoni Mitchell, T-RexAlice CooperThe DoorsIggy PopNeil Young e muito mais.

Composta de oito episódios, “1971: The Year That Music Changed Everything” chegará ao Apple TV+ no próximo dia 21, uma sexta-feira. Quem assistir ganha um doce (não disse de quem).

Maya Rudolph, as irmãs HAIM e os investidores de “Shark Tank” estão entre os participantes

A terceira temporada de “Carpool Karaoke” chegou ao Apple TV há mais de um ano, e desde então não tínhamos ouvido falar mais sobre a série. Para quem estava sentindo falta das divertidas conversas no carro, portanto, podem comemorar: a Maçã liberou agora há pouco, de surpresa, quarta temporada da produção.

São quatro novos episódios. O primeiro traz a comediante Maya Rudolph e as irmãs HAIM, enquanto o segundo junta o ator Keegan-Michael Key (da vindoura série “Schmigadoon!”) com o jogador de futebol americano Robert Gronkowski. O terceiro episódio reúne os irmãos Patricia e David Arquette, enquanto o último traz os famosos investidores da série “Shark Tank”.

Confiram um trailer da nova temporada:

“Carpool Karaoke”, como vocês provavelmente já sabem, é uma produção aberta para todos os usuários do aplicativo Apple TV. Isto é, você não precisa ter uma assinatura do Apple TV+ para assistir à série — basta acessar o aplicativo no seu iPhone, iPad, Mac, Apple TV ou smart TV/acessório compatível e procurar por ela.

‘Lupin’: Netflix divulga novo trailer e data de estreia da segunda temporada

Os novos episódios estarão disponíveis na plataforma de streaming em junho

Lupin é um seriado francês protagonizado pelo ator Omar Sy Foto: Instagram/ @netflixbrasil

O sucesso da série Lupin está de volta. A Netflix divulgou nesta terça-feira, 11, o primeiro trailer completo da parte dois da produção francesa. As primeiras fotos dos bastidores já tinham sido liberadas nas redes sociais da plataforma. 

Além disso, a Netflix revelou a data de estreia dos novos episódios. No dia 11 de junho, a novidade estará disponível para o público conferir no streaming. 

Segundo a sinopse, a busca de Assane, interpretado por Omar Sy, por vingança contra Hubert Pellegrini, cujo nome do ator é Hervé Pierre, devastou a família do protagonista da trama.

Porém, agora, ele é um dos rostos mais procurados da França. Assane precisa de um novo plano para cumprir seu objetivo, mesmo que, para isso, tenha que se colocar em perigo.

A segunda temporada de Lupin conta com cinco episódios, todos dirigidos por Ludovic e Hugo Gélin. O seriado é inspirado no livro Arséne Lupin: O Ladrão de Casaca, do autor Maurice Leblanc. O sucesso da trama, no início do ano, fez a busca no Google pelo livro disparar em 4.336%, segundo levantamento feito pela Decode. 

Na produção, Assane Diop é filho de um imigrante senegalês que se suicidou depois de ser erroneamente acusado de roubar um colar de seu ex-patrão, o patriarca de uma influente família parisiense. Desde então, o protagonista se empenha em um plano de vingança. 

Sweet Tooth | De HQ da DC Comics a série da Netflix

Na nova série da Netflix, o mundo fantástico da história criada por Jeff Lemire e publicada pela DC Comics ganha vida. Sweet Tooth é um conto de fadas pós-apocalíptico sobre um menino-cervo que embarca em uma aventura extraordinária. Produção executiva de Susan Downey e Robert Downey Jr. Todos os episódios de Sweet Tooth estreiam em 4 de junho, na Netflix.

Globo de Ouro sofre boicote da NBC, que não transmitirá a cerimônia, e da Netflix

Prêmio criticado por falta de diversidade chegou a anunciar mudanças, mas elas foram consideradas insuficientes

Imagem: Peter Kramer/NBC

Pouco após o grupo responsável pelo Globo de Ouro —a HFPA, sigla da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood— divulgar mudanças internas mirando o aumento de diversidade racial, artistas e empresas do setor intensificaram críticas e polêmicas envolvendo a premiação, ao romper parcerias importantes.

A começar pela emissora americana que usualmente transmite o prêmio, a NBC. Nesta segunda (10), ela anunciou que não transmitirá a cerimônia em 2022 devido à avalanche de críticas contra a organização por falta de diversidade e transparência.

“Continuamos acreditando que a HFPA está comprometida com uma reforma significativa. Mas uma mudança desta magnitude requer tempo e trabalho, e acreditamos que a HFPA precisa de tempo para fazê-lo bem”, informou a NBC em um comunicado.

Também a Netflix disse que não acredita nas novas políticas propostas “Não acreditamos que essas novas políticas propostas resolverão os desafios sistêmicos de inclusão e diversidade da HFPA, nem a ausência de transparência de suas operações”, afirmou Ted Sarandos, um dos diretores-executivos da Netflix, numa carta enviada aos organizadores do Globo de Ouro, na sexta (7).

“Portanto, estamos interrompendo todas as atividades com a HFPA até que mudanças mais significativas sejam feitas. A Netflix e muitos dos talentos e criadores com quem trabalhamos não podem ignorar o fracasso coletivo da HFPA em abordar essas questões cruciais com urgência e rigor.”

Desde uma investigação do jornal americano LA Times, publicada em fevereiro, o Globo de Ouro tem se tornado um grande alvo de denúncias e críticas.

A reportagem revelou que não havia, até então, nenhum negro entre os membros da associação, o que fez o grupo receber acusações de racismo.

Além disso, comitês do prêmio são acusados de fazerem parte de um esquema de troca de favores, no qual eleitores aceitam dinheiro, viagens e presentes em troca de indicações no Globo de Ouro. A HFPA, no entanto, nega a acusação de corrupção.

Na sexta, a associação anunciou a aprovação da inclusão de 20 novos membros, o aumento do recrutamento de jornalistas negros na equipe e a contratação de um diretor de diversidade.

“Entendemos que o trabalho duro começa agora”, disse Ali Sar, presidente da HFPA. “Continuamos dedicados a nos tornarmos uma organização melhor e um exemplo de diversidade, transparência e responsabilidade no setor.”

No entanto, as medidas não agradaram boa parte do setor do cinema e da TV de Hollywood, o que ficou evidente na onda de críticas feitas ao prêmio no mesmo dia.

Rival da Netflix, o Amazon Prime também suspendeu parcerias com a HFPA. Jennifer Salke, diretora do streaming, disse num comunicado que sua empresa aguarda “uma solução sincera e significativa” do prêmio.

Para a presidente da Time’s Up Foundation, Tina Chen, as novas medidas do Globo de Ouro são “insuficientes e pouco transformadoras”.

Mais de cem empresários de publicidade e relações públicas de Hollywood assinaram uma nota criticando a associação.

“Continuaremos a nos privar de quaisquer eventos da HFPA, incluindo coletivas de imprensa, a menos que essas questões sejam esclarecidas em detalhes com um firme compromisso que respeite a realidade da temporada de 2022, que se aproxima”, diz a nota.

No Twitter, o ator e cineasta americano Mark Ruffalo publicou um texto crítico ao Globo de Ouro e revelou que não se sente feliz por ter recebido o prêmio de melhor ator em série, por “I Know This Much Is True”, neste ano.

Depois dele, a atriz Scarlett Johansson, estrela de “Viúva Negra”, também se juntou aos profissionais do setor e rompeu laços com a associação do Globo de Ouro.

De acordo com a revista Variety, Johansson definiu a HFPA como “uma organização que foi legitimada por pessoas como Harvey Weinstein para ganhar o reconhecimento da Academia”.

A atriz afirmou ainda que aguarda uma reforma que seja realmente transformadora no prêmio.

“Ouvimos as preocupações sobre as mudanças que nossa associação precisa fazer e queremos garantir que estamos trabalhando diligentemente em todas elas”, disse Ali Sar, numa carta enviada à Netflix.

“Podemos garantir que nosso plano reflete a opinião de nossos apoiadores e críticos, e acreditamos que nosso plano irá conduzir a uma reforma e inclusão significativas em nossa associação, de uma forma que toda a indústria [do cinema e da TV] possa se orgulhar.”

‘The Girlfriend Experience’ discute inteligência artificial e desejo humano em nova temporada

Terceira temporada da série da Starzplay se passa em Londres e tem como protagonista Julia Goldani Telles, filha de mãe brasileira
Mariane Morisawa, Estadão

Cena da série The Girlfriend Experience
Cena da série The Girlfriend Experience Foto: Starzplay

Mais de três anos após o fim da segunda temporada de The Girlfriend Experience, a série em formato de antologia está de volta para sua terceira leva de episódios, todos os domingos, na Starzplay. Entre as mudanças, estão a entrada da alemã Anja Marquardt (Ela Perdeu o Controle, de 2014) no lugar dos roteiristas e diretores Lodge Kerrigan e Amy Seimetz, e a transferência de cenário dos Estados Unidos para Londres. 

“Como houve um bom tempo de distância da segunda temporada, eu tive muita liberdade e pude chegar com minha visão e meu ponto de vista”, disse Marquardt em entrevista ao Estadão, por videoconferência. 

Anja, que estava desenvolvendo projetos falando de tecnologia e ciência, acabou incorporando esses elementos à “experiência de namorada” do título. The Girlfriend Experience, a série, é um spin-off de Confissões de uma Garota de Programa (2009), filme dirigido por Steven Soderbergh, sobre uma prostituta de luxo em Manhattan durante a eleição presidencial de 2008. 

Soderbergh é produtor executivo da série, que a cada temporada foca em uma história diferente. Na primeira, uma estudante de Direito (Riley Keough) entrava para o mundo das namoradas de aluguel – garotas contratadas por uma empresa para oferecer companhia, consolo, conversa, sexo.

A segunda se passava no ambiente de arrecadação de fundos para o Partido Republicano e envolvia chantagem e uma ‘namorada’ entrando no serviço de proteção à testemunha. No elenco, Anna Friel, Louisa Krause e Carmen Ejogo. 

Nesta terceira temporada, Iris (a filha de brasileira Julia Goldani Telles, de The Affair) é uma estudante de neurociências que se muda dos Estados Unidos para Londres para trabalhar numa startup que estuda o comportamento humano e descobre que ser uma namorada lhe oferece vantagens nesse mundo – e vice-versa. 

“Ela tem essa vida científica, mas também entende, assim como a série, que ser uma ‘namorada’ é uma experiência que não trata apenas de sexo”, disse Telles em entrevista ao Estadão. “É uma experiência de conexão, de estar num relacionamento com uma pessoa, entender a pessoa. E essa é a parte que a Iris prefere. Ela gosta desse lado porque ela sente que pode traduzir esses componentes emocionais e variáveis para a sua vida científica e para ajudar na sua carreira.” 

Para Iris, as relações são transações. “Todas as relações íntimas têm uma troca, seja sexo, seja dinheiro, qualquer coisa. E ela sabe que essa é uma oportunidade única de colecionar dados como cientista para depois traduzir em algo que pode ajudar seu público na tecnologia”, contou a atriz. “Claro, ela tem um interesse pessoal nisso, que a gente não entende bem no início da série, mas que fica mais claro depois.”

Para Anja Marquardt, o tema da série é a questão do livre arbítrio versus o determinismo. “Mas desta vez também há um outro cruzamento, entre realidade e simulação, e é aí que eu encontro meus interesses. Em cada interação que nossa protagonista tem com um cliente, há um grau de simulação. Porque ela entra no lugar e decide rapidamente qual é a persona que vai usar para aquela pessoa especificamente. Mas, por ser humana, há um limite para a compartimentação dessa simulação.” 

Anja estava interessada em debater como as máquinas estão aprendendo muito mais rapidamente do que nós estamos como espécie. “E elas estão se tornando cada vez melhores na simulação do que nós somos ou no espelhamento do que nós somos em relação ao que somos capazes de aprender sobre o que somos”, afirmou. “E isso é interessante, fascinante e aterrorizante. Mas eu gosto de abordar questões sombrias no meu trabalho.”

Em muitos momentos, Iris parece estar fora de si. “Ela é muito corajosa, quase num nível sobre-humano”, disse a diretora e roteirista. “Mas depois vamos descobrindo melhor suas razões. E essa é a justaposição em que eu estava interessada.” De um lado, a experiência da namorada é de intimidade emocional e física. De outro, a neurociência pelo ângulo da inteligência artificial é algo um tanto distanciado, porque são máquinas e dados. 

Quando a pandemia foi declarada, os produtores e a equipe tiveram de discutir se isso ia afetar a história – sem dúvida, houve impacto na produção da série, que teve de seguir protocolos rígidos para poder acontecer e deixar todo o mundo seguro, num set em que a proximidade dos atores por vezes era inevitável. 

“Mas, no fim, vimos que não afetaria em nada a trama”, disse Anja. “Quando estava escrevendo, pensei que essa era a direção em que estávamos seguindo. E a pandemia só acelerou isso. Estamos todos nessa experiência gigantesca de viver virtualmente. Só estamos aqui vendo o rosto uma da outra por causa da tecnologia. Se não fosse por ela, estaríamos conversando por telefone. Então, quem sabe, haja algo de bom nisso tudo. Depende de como vamos usar a tecnologia seguindo adiante, acho.”

‘The Girlfriend Experience’ fala de desejos humanos

Julia Goldani Telles, tem 26 anos, é filha de brasileira e morou em Campinas e no Rio de Janeiro quando era pequena, antes de voltar a seu país natal, os Estados Unidos. De uma família de acadêmicos, começou sua carreira como atriz na adolescência, na série Bunheads, de Lamar Damon e Amy Sherman-Palladino, que durou apenas uma temporada. Seu papel mais famoso antes de Iris foi como a filha mais velha do casal Solloway em The Affair. Ela falou ao Estadão meio em inglês e meio em português.

Como vê a questão da tecnologia nos relacionamentos pessoais dos seres humanos?

Pessoalmente, eu tive de aprender muito para fazer essa personagem. Eu não sabia muito sobre a relação entre os desejos humanos e a tecnologia. Tem muitas coisas que ainda não entendemos sobre tecnologia. Mas estava mais preocupada com o que a motiva e por que ela escolheu esse campo em particular, por que faz o que faz. 

Quando percebeu que queria ser atriz?

Sempre quis, no fundo. Eu gostava de ver filmes e fingir ser outras pessoas. E era uma criança sensível. Quando eu estava na segunda série, a mãe da minha amiga escreveu a peça que a classe ia apresentar e me deixou ser a estrela, porque ela sabia que eu queria ser atriz. Mas essa foi toda a minha experiência de atuação até fazer a série Bunheads e começar minha carreira, já adolescente.

Seus pais são acadêmicos, um dos seus irmãos é físico e o outro, engenheiro. Você mesma fez sociologia. Acha que isso influencia suas escolhas como atriz?

Acho que sim. O Steven Soderbergh, que é o produtor executivo da série, é um dos diretores que mais lida com temas sociológicos. The Girlfriend Experience pareceu a interseção lógica entre meu interesse em sociologia e meu interesse em cinema e televisão.