Série japonesa ‘Não vou fazer hora extra, e ponto final!’ faz sucesso ao desafiar a cultura de trabalho excessivo no país

‘Não vou fazer hora extra, e ponto final!’ faz país discutir o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
Ben Dooley E Eimi Yamamitsu / The New York Times

Kaeruko Akeno, escritora cujo romance inspirou a série ‘Não vou fazer hora extra, e ponto final!’ Foto: NORIKO HAYASHI / NYT

TÓQUIO – Recentemente, enquanto o mundo sintonizava o último episódio de “Game of Thrones”, o Japão se deleitava em seu próprio mundo televisivo de fantasia. Nele, uma mulher ousa deixar o trabalho às 18h em ponto. A determinação de Yui Higashiyama, uma gerente de projetos de trinta e poucos anos cuja maior vontade é sair do trabalho e seguir até seu bar preferido para um happy hour, abala o escritório fictício de web design onde trabalha.

Uma supervisora e colegas de trabalho bitolados tentam frustrar seus planos. Quando sua equipe enfrenta um prazo aparentemente impossível de cumprir no episódio 9, ela deixa de lado o compromisso resoluto de equilibrar trabalho com vida pessoal e dramaticamente declara: “Vou fazer hora extra!”

Higashiyama é a protagonista da série “Não vou fazer hora extra, e ponto final!” – um sucesso da televisão japonesa que conquistou o público em um país com uma ética de trabalho nacional perigosamente intensa e, por vezes, mortal.

O programa tem levado os profissionais a falar sobre suas dificuldades em encontrar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mesmo quando as maiores empresas japonesas e as autoridades governamentais os incentivam cada vez mais a pegar leve. Os criadores da atração dizem conhecer bem o problema.

—  Eu acreditava que dar um tempo significava ser preguiçoso. Demorei muito tempo para aceitar o fato de que não há problema em não trabalhar nos fins de semana ou à noite durante a semana — diz Kaeruko Akeno, autora do romance de mesmo nome que inspirou a série de TV.

Histórias parecidas são deprimentemente comuns. Os trabalhadores japoneses estão entre os que trabalham o maior número de horas no mundo todo. Em 2017, mais de um quarto da população empregada em regime integral empenhou-se em média mais de 49 horas por semana, segundo um relatório do governo, efetivamente trabalhando em seis dos sete dias.

Em alguns casos extremos, tal dedicação ao ambiente de trabalho pode levar à morte. Em 2017, dados do governo mostraram que o trabalho excessivo custou 190 vidas – na forma de exaustão, ataques cardíacos, suicídios –, um número que tem se mantido mais ou menos constante na última década.

Os motivos pelos quais as pessoas se entregam tanto ao trabalho são complexos, afirmou Yoshie Komuro, executiva-chefe da Work Life Balance, empresa de consultoria que ajuda empregadores a reduzir as jornadas extras de funcionários.

Ela explicou que, além das atitudes culturais relacionadas ao trabalho pesado, algumas organizações reduzem custos, confiando nas horas extras, e os funcionários aceitam as longas jornadas pelo pagamento extra e para agradar a seus superiores – geralmente, as promoções dependem mais do tempo gasto à mesa do que da produtividade propriamente dita.

O governo japonês tomou medidas para reduzir as longas horas e mudar as regras culturais que permeiam o universo laboral. Em abril, a tempo da estreia da atração na TV, uma nova lei entrou em vigor, limitando as horas extras a não mais do que 45 por mês e 360 por ano, exceto em ocasiões especiais. E o Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês promoveu um programa batizado de Sexta-Feira Premium, pedindo às empresas que liberem seus profissionais algumas horas mais cedo na última sexta-feira de cada mês.

Jogando contra

Na atração, a esclarecida executiva-chefe da empresa de Higashiyama encoraja os funcionários a ir embora na hora certa. O que impede seus colegas de fazê-lo são outros colaboradores e supervisores que simplesmente não conseguem se conter – um sentimento familiar a muitos fãs do programa.

“Em última análise, o sistema sempre depende de alguém que vá até o limite. O problema é o sistema de trabalho japonês, em que o excesso é a norma”, escreveu um fã no Twitter. A ideia de que o trabalho requer sacrifícios pessoais está profundamente enraizada na cultura japonesa e exacerbou muitos dos outros problemas sociais do país.

O fato de a protagonista ser uma mulher confere mais drama à série, em um país onde as mulheres – particularmente as mães – enfrentam discriminação no mercado de trabalho. As mulheres que querem ser bem-sucedidas no mundo corporativo japonês geralmente se sentem mais pressionadas para provar seu valor, ao mesmo tempo que precisam equilibrar as demandas familiares, um dilema enfrentado por uma das personagens da trama.

“Apenas ao dizer: ‘Não vou fazer hora extra’, a heroína da série está cometendo um ato de rebeldia”, escreveu Tomohiro Machiyama, conhecido crítico de cinema, no Twitter. Referindo-se a Higashiyama, ele disse: “Ela está claramente mostrando uma estratégia para os problemas hoje enfrentados pelo Japão, desde os baixos salários até as baixas taxas de natalidade.”

Terremoto interrompe exibição

No romance, a decisão de fazer hora extra leva à derrocada da protagonista: ela se torna viciada em trabalho, acaba em um hospital e perde um novo namorado, este com uma atitude decididamente mais relaxada quanto ao próprio emprego. Na série de TV, contudo, que foi ao ar em abril, Higashiyama está destinada a um final mais feliz, garantem os produtores.

Depois que um terremoto atingiu o noroeste da principal ilha do Japão (nenhuma destruição mais preocupante foi relatada), um anúncio emergencial interrompeu o fim da temporada. Não demorou para os fãs postarem no Twitter a piada de que o elenco tinha saído mais cedo aquele dia.

Akeno, que usa um pseudônimo para proteger a privacidade da família, baseou o romance em suas experiências pessoais na vida corporativa japonesa. Em seu primeiro emprego, ela atuou em um tipo de empresa que apelida de “empresa obscura”, uma expressão japonesa para ambientes organizacionais que exploram funcionários.

Quando Akeno se formou na faculdade, no início dos anos 2000, o Japão enfrentava uma recessão intensa e era difícil arrumar trabalho. Muitas pessoas de sua idade acabavam saltando de um emprego temporário para outro ou simplesmente desistindo do mercado de trabalho. Aqueles que atingiram a idade adulta na época “são inseguros quanto ao emprego. Temos medo de ser descartados, se não formos úteis às empresas”, revelou.

A situação mudou. Uma força de trabalho envelhecida e uma recente onda de crescimento econômico lento, porém relativamente estável, tornaram os profissionais mais valiosos. “Não vou fazer hora extra, e ponto final!” explora as mudanças na maneira de pensar o trabalho entre os millenials e seus contemporâneos japoneses.

Embora o governo e os profissionais mais jovens estejam fazendo pressão por jornadas mais curtas, os funcionários mais velhos, criados sob a crença de que o trabalho deve triunfar sobre tudo, parecem não se sentir confortáveis com a ideia de empenhar-se apenas 40 horas por semana.

Akeno contou que essa cultura permeou outras partes da vida japonesa. Quando ela deixou o trabalho para se tornar uma escritora, viu-se trabalhando praticamente sem parar. Quando teve o segundo filho, ficou escrevendo até a hora de ser levada para a sala de parto.

Ela disse que só parou para tomar conta do bebê. Por fim, disse, o corpo parou de funcionar propriamente e demorou dois anos para que se recuperasse completamente. “O que é considerado honroso não é quanto você atinge, mas sim como você consegue ficar sem descansar”, observou.

Os produtores da atração têm as próprias histórias relacionadas ao trabalho. Kasumi Yao, a primeira pessoa a indicar a série para a emissora japonesa TBS, não tira férias há 12 anos, afirmou. Yao teve a ideia para o drama depois de encontrar o romance de Akeno em uma livraria e se apaixonar pelo título, que tem um tom desafiador e atraente para os japoneses.

Quando a TBS anunciou o título do programa, alguns comentadores on-line ficaram perplexos. “Eles diziam coisas como: ‘Ir para casa na hora certa não é normal? Se algo tão óbvio serviu de base para um drama, o Japão está com sérios problemas'”, lembrou Junko Arai, segundo produtor da série.

Quanto a Akeno, ela continua trabalhando muito. Como a heroína de seu romance, ela nunca teve a intenção de ficar no centro de uma guerra sobre horas de trabalho. Só queria trabalhar um pouco menos e aproveitar a vida um pouco mais. Mas, graças ao sucesso do livro, está tendo dificuldade em se distanciar das tarefas.

“Falo da minha experiência apenas porque sinto que preciso”, justificou. E concluiu: “Gostaria que alguém pudesse fazer isso por mim.”

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Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix recomenda pé no freio

PATRÍCIA KOGUT

Escritório da Netflix em Los Angeles (Foto: Reuters/Lucy Nicholson)

Sabe esse catálogo imenso e as coproduções milionárias da Netflix? Eles podem estar com os dias contados. De acordo com uma extensa reportagem do site Theinformation.com, a ordem na empresa agora é ter mais cuidado com os gastos.

A diretriz veio de Ted Sarandos, diretor de conteúdo, numa reunião com executivos. Uma das razões para esse esforço é tentar evitar o caixa negativo. A outra, prevenir futuros prejuízos. É que o mercado de streaming, em mutação, vai se transformar mais ainda num futuro próximo com a entrada de serviços, como o da Disney, da NBCUniversal e da WarnerMedia. Eles, até aqui, eram fornecedores da Netflix. Agora, passarão a oferecer suas próprias produções. A NBC, por exemplo, avisou que, ano que vem, “The office” vai sair da Netflix. Sarandos recomendou concentração das atenções em produtos que conquiste a audiência. Não basta ter programação que provoque um buzz nas redes ou traga prestígio, mas não conquiste um público amplo, aconselhou. Cada atração do catálogo deve valer a pena, disse ele, de acordo com uma fonte que estava na reunião.

Verdade que eles ainda gastam muito. Por exemplo, anunciaram que farão “The prom”, que terá direção de Ryan Murphy. Essas mega-atrações ajudam a manter a carteira de assinantes (149 milhões no mundo). Por outro lado, Sarandos citou “Operação fronteira”, com Ben Affleck, como exemplo de um filme caro demais (US$ 15 milhões) para o público que atraiu. É como diz a canção: o futuro começou. E ele não é necessariamente sorridente para a Netflix.

Com atores já adolescentes, 3ª temporada de ‘Stranger Things’, da Netflix, é ainda mais assustadora

Na nova temporada, os amigos cresceram, e as relações mudaram. Foto: Netflix

Existe uma ameaça emergindo sorrateiramente na cidadezinha de Hawkins, nos EUA, na aguardada 3.ª temporada de Stranger Things, que estreia na Netflix nesta quinta, 4. Mais do que isso não é possível entregar para se evitar spoilers. Há também um novo hospedeiro na trama – não podemos citar nomes nem dar detalhes aqui, mas fica a dica: preste atenção no trailer da série.

O suspense e o terror continuam a dar o tom à nova temporada de Stranger Things, mas é interessante perceber como as ligações afetivas entre os personagens ganharam um peso ainda maior agora.

A amizade entre Will (Noah Schnapp), Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) foi ponto de partida para a trama já na 1.ª temporada. Ali Will foi levado ao Mundo Invertido e, graças à ação de seus amigos, de sua mãe, Joyce (Winona Ryder), e à superpoderosa Eleven (Millie Bobby Brown), ele conseguiu ser resgatado.

Essa rede de amizade, que aumentou com a entrada de uma então nova personagem, Max (Sadie Sink), o salvou também na 2.ª temporada. Só que, até então, eles eram apenas crianças. Agora, nesta nova temporada da série, o ano é 1985 e a turma já entrou na fase da adolescência.

E assim como os atores, os personagens cresceram diante dos olhos do público. Período de amores, desamores, ciúmes e emoções à flor da pele. Mike e Eleven estão namorando, assim como Lucas e Max. Dustin volta apaixonado de um acampamento de ciências. Will se sente deslocado diante dessa nova fase na vida dos amigos. Tem saudade do tempo em que eram só eles quatro.

Mas, apesar das adversidades e das diferenças, é a amizade entre eles que vai falar mais alto e os fortalecerá para enfrentar os perigos que se espreitam pelos subterrâneos.

Há um elemento novo e importante na trama: o shopping que foi inaugurado na cidade e que esvaziou as pequenas lojas da cidade. Boa parte da trama se desenrola nesse shopping e, sem novamente entrar em detalhes, ele se torna símbolo do capitalismo desenfreado, do vale-tudo.

E, enquanto isso, o terror toma conta da cidade aos poucos, em cenas mais assustadoras ainda do que nas temporadas anteriores. Prepare-se para muitos sustos. [Adriana Del Re]

“Sandman”, de Neil Gaiman, deve virar série da Netflix

Projeto foi recusado pela HBO por ser muito caro, mas o preço não foi um problema para a Netflix
Por Soraia Alves

Robin Marchant/Getty Images; Courtesy of DC ENTERTAINMENT; Frederick M. Brown/Getty Images Neil Gaiman (left), David Goyer

Segundo informações do Hollywood Reporter, a Netflix vai adaptar “Sandman”, obra de Neil Gaiman, para uma série em sua plataforma.

Embora o acordo ainda não esteja finalizado, a Netflix e a Warner Bros. já estão perto de assinar o contrato para a produção da série, que terá Allan Heinbergcomo roteirista (“Mulher-Maravilha”), além do próprio Neil Gaiman e David Goyer (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”) como produtores executivos.

Para realizar o projeto, a Netflix gastou um bom dinheiro. De acordo com o Hollywood Reporter, a Warner apresentou a ideia para diferente empresas, incluindo a HBO, que teria recusado a proposta por conta do preço.

O alto valor do projeto, no entanto, não foi um problema para a Netflix, que aceitou pagá-lo para garantir a adaptação em sua plataforma. E já está sendo chamada de “a série de TV mais cara já produzida pela DC Entertainment”.

Apesar dos detalhes, a Netfix ainda não anunciou oficialmente a produção de “Sandman”, nem há uma previsão para a data de lançamento.

Letitia Wright e John Boyega vão estrelar série de Steve McQueen

GABRIELA ANTUNES

Letitia Wright e John Boyega (Foto: AFP)

Atores de duas das franquias mais famosas do mundo, “Star wars” e “Vingadores”, John Boyega e Letitia Wright foram escalados para protagonizar “Small axe“, série de antologia criada por Steve McQueen, diretor de “12 anos de escravidão”. A produção é uma parceria da Amazon com a BBC.

A primeira temporada da atração, que terá seis episódios, contará histórias ambientadas na comunidade de West Indian, em Londres, dos anos 1960 até o início dos anos 1980. Alguns dos temas abordados serão racismo e imigração.

O título da antologia (“Pequeno machado”, em tradução livre) foi retirado de um provérbio jamaicano conhecido em toda a região do Caribe: “Se você é a grande árvore, nós somos o pequeno machado”. É também o nome de uma música de Bob Marley, do álbum “Catch a fire”, de 1973.

Malachi Kirby, Shaun Parkes, Rochenda Sandall, Alex Jennings e Jack Lowden também estão no elenco da série. As gravações começaram essa semana, em Londres. Ainda não há previsão de estreia.

Temporada final de “Orange Is The New Black” ganha trailer

A sexta temporada de Orange is The New Black será lançada no dia 26 de julho
Por Estadão Conteúdo

Piper Chapman fora da prisão marca trailer da última temporada de Orange is the New Black

Netflix divulgou nesta quarta-feira, 26, o trailer oficial da sétima e última temporada de Orange Is The New Black. O seriado que mostra a vida de mulheres em uma prisão nos Estados Unidos chegará ao fim no dia 26 de julho.

O trailer traz personagens principais como Taystée, Crazy Eyes, Red, Nick, Pennastucky, Alex e Piper. As personagens lidam com questões sobre o passado e o futuro.

A sexta temporada de Orange is The New Black deixou a comédia de lado para focar em temas como a privatização de presídios, motins e políticas de imigração. No último episódio, a protagonista Piper termina de cumprir sua pena e volta à sociedade.

Em maio, a Netflix divulgou um teaser com atrizes que fazem parte do elenco principal cantando You’ve Got Time, música de abertura da série composta por Regina Spektor. Tudo em clima de ‘bastidores’ – e até um pouco melancólico. Confira:

Ator Jussie Smollett volta a ser investigado por episódio de falsa denúncia

Juiz de Chicago identificou irregularidades no caso e apontou procurador especial para retomar as investigações

O ator Jussie Smollett, de ‘Empire’, chegou a ser preso por falsa denúncia. Foto: E. Jason Wambsgans/Chicago Tribune/Pool via Reuters

Um juiz de Chicago ordenou que o ator Jussie Smollett seja investigado novamente por conta do episódio de falsa denúncia. Em março, o ator de Empire havia sido indiciado por 16 crimes, mas teve as acusações retiradas pela promotoria.

De acordo com a AP, o juiz Michael Toomin apontou um procurador especial para o caso após identificar “irregularidades sem precedentes”.

Ele pretende entender por que a procuradora Kim Foxx retirou as denúncias. “Se existem motivos razoáveis para continuar com o processo contra Smollett, no interesse da justiça, o procurador especial pode tomar tal ação”, disse o juiz em comunicado.

Entenda o caso

Em janeiro de 2019, Jussie Smollett foi hospitalizado após sofrer um suposto ataque de teor racista e homofóbico. No decorrer das investigações, a polícia levantou a suspeita de que o ator da série Empire teria contratado dois homens para encenar a agressão, porque estava sendo cotado para deixar a série.

Smollet acabou sendo preso, mas foi liberado após pagar uma fiança de US$ 300 mil (aproximadamente R$ 1 milhão). A polícia de Chicago chegou a indiciar o ator por 16 crimes sob a acusação de falsa denúncia às autoridades, mas a promotoria retirou as acusações poucas semanas depois alegando que era a resolução mais apropriada para o caso.

Por conta da polêmica, o personagem Jamal Lyon, interpretado pelo ator, foi cortado da série Empire, mesmo após ser renovada para uma sexta temporada.