Big Little Lies | “Não há planos para 3ª temporada”, diz criador

Segundo ano estreará em junho

Shailene Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman em cena da série “Big Little Lies”

O criador de Big Little LiesDavid E. Kelley, afirmou que não há planos para uma terceira temporada. “Gostamos do nosso final na segunda temporada e provavelmente será isso”.

Reese Witherspoon, uma das protagonistas e produtora executiva, brincou que esta não é a primeira vez que Kelley diz isso. Afinal, originalmente, a ideia era que a produção fosse uma minissérie. Porém, segundo o DeadlineNicole Kidman foi firme e confirmou que este é o fim da série.

A nova temporada explorará “a malignidade das mentiras, a durabilidade das amizades, a fragilidade do casamento e, é claro, as relações familiares. Os relacionamentos vão se desgastar, as lealdades vão se corroer e o potencial para violências emocionais e físicas deverá surgir“.

David E. Kelley assina o roteiro, baseado na história de Liane Moriarty, e a produção executiva junto de Nicole KidmanReese WitherspoonBruna Papandrea, Jean-Marc ValléeNathan RossGregg Fienberg e Andrea Arnold, que também dirigirá todos os sete episódios.

A segunda temporada estreará em junho, ainda sem data divulgada. [Mariana Canhisares]

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Kim Kardashian fala como se sente com a espera pelo 4° filho

No programa de Jimmy Fallon, empresária revelou que se mantém calma e que ouviu falar que pais de quatro filhos são os mais esclarecidos

Kim Kardashian (Foto: Getty Images)

Kim Kardashian esteve no programa de Jimmy Fallon na última quinta-feira (7), e falou pela primeira vez sobre as expectativas da chegada de seu quarto filho, que virá via barriga de aluguel.

“Bebê número quatro está a caminho. Eu estava levemente estressada, minha casa está tão cheia. Mas ouvi dizer que pais de quatro filhos são mais calmos e esclarecidos do que os outros pais”, disse ela.

O apresentador se mostra surpreso com a revelação de Kim, que acrescentou: “Eu senti uma grande mudança da primeira para o segundo, foi uma sensação de primeira para o vigésimo. Foi bem mais difícil do que do segundo para a terceira, para mim”, disse a dona da marca KKW Beauty sobre os filhos, North West, de 5 anos, Saint West, de 3 e a pequena Chicago, de 1 ano.

Jimmy concordou com as afirmações de Kim: “Sim, porque você nunca mais dorme. Você tem que dizer adeus ao sono”, brincou ele.

Em seguida, os dois passaram a falar um pouco sobre a rotina como mãe, de Kim, e Jimmy mencionou uma recente foto publicada por ela, em que North West aparece literalmente dormindo sobre os ombros de Kanye West. A empresária revelou que, sobre esta situação, ela consegue ver o quanto North é parecida com o pai.

“Uma coisa que você pode saber sobre o Kanye, é que ele pode dormir em qualquer lugar. Como num consultório médico, estou fazendo um exame e ele começa a roncar. Qualquer lugar que eu o levo, ele ronca. Me deixou em um restaurante, uma vez, na França, eu nem estava entendendo, eles não estavam falando inglês. Ele simplesmente dormiu na mesa. É o pior. Então definitivamente ela é exatamente como ele”, revelou.

Confira a entrevista de Kim Kardashian para Jimmy Fallon:


Gwyneth Paltrow e Netflix fecham acordo para produção de série documental

Empresa da atriz, Goop, será o foco da atração

Gwyneth Paltrow  (Lachlan Bailey, WSJ. Magazine)

Gwyneth Paltrow fechou um acordo com a Netflix para a produção de uma série documental focada na Goop, empresa de estilo fundada pela atriz em 2008 (via Variety).

Ainda sem título, a atração deve estrear entre setembro e novembro, com episódios de 30 minutos que terão a participação da editora-chefe do site, Elise Loehnen, além da própria atriz. Com a ajuda de médicos e especialistas, as duas falarão de temas relacionados ao bem-estar físico e espiritual.

Além da série documental, a Goop tem um podcast exclusivo para a Delta com a participação de nomes famosos, como Oprah Winfrey. Com foco nos projetos digitais, a empresa vai pausar a publicação de sua revista trimestral, que retorna após o lançamento da série da Netflix. [Camila Sousa]

Grown-ish é renovada para a 3ª temporada pela Freeform

Derivado de Black-ish receberá episódios inéditos

Grown-ish, série derivada de Black-ish, foi renovada para a terceira temporada pela ABC. A informação foi revelada pelo canal durante o TCA, apresentação das emissoras para a Associação de Críticos Televisivos dos EUA [via Variety].

Criado por Kenya Barris, o programa acompanha Zoey Johnson (Yara Shahidi) entrando na universidade, onde encontra diariamente problemas sociais, políticos e de relacionamento.

Ainda não há previsão de estreia para o terceiro ano. No Brasil, a primeira temporada de Grown-ish está disponível no catálogo da Netflix. [Arthur Eloi]

The Handmaid’s Tale | June pede que a América acorde no trailer da 3ª temporada

Vídeo foi mostrado durante o Super Bowl 2019

A terceira temporada de The Handmaid’s Tale teve trailer divulgado durante o Super Bowl 2019, que mostra June (Elisabeth Moss) pedindo que as pessoas parem de acreditar nas ilusões.

Ainda não há previsão de estreia para o terceiro ano de The Handmaid’s Tale. No Brasil, o seriado é transmitido pelo Paramount Channel na TV e pelo streaming Globoplay.

Kardashians: lições sobre acúmulo de capital

Imagem: Arte/Hysteria

Linda Marxs
Da Hysteria

Quando me dei conta de que dediquei quase um terço da minha vida à maior de todas as séries sobre privilégio branco da história da humanidade precisei tirar algo de útil. Então fiz uma análise econômica do fenômeno.

O ano passado foi difícil. Depois que me dei conta de que só assisto a série de branco, cheguei a uma conclusão ainda mais dura de aceitar: eu havia dedicado quase um terço da minha vida à maior de todas as séries sobre privilégio branco da história da humanidade, Keeping Up with the Kardashians.

Eu não só havia gasto mais de dez anos keeping up com a vida da dinastia Kardashian-Jenner, como havia consumido todos os spin-offs da série, lido todas as fofocas, comprado produtos e dedicadas horas intermináveis a debates com outros fãs.

Desolada em saber que com este mesmo número de horas eu poderia ter construído casas, feito trabalho voluntário ou outro curso universitário, percebi que precisava fazer algo com este conteúdo sistematizado. Por isso realizei uma análise econômica profunda sobre acumulação de capitais partindo da vida de minas brancas e ricas de Calabazas.

A origem das grandes fortunas

Em 2016 o Peterson Institute, centro americano de pesquisas econômicas, publicou uma pesquisa sobre a origem da riqueza dos super-ricos e demonstrou que a maioria das grandes fortunas americanas atualmente é formada por empresários e fundadores de empresas. Na Europa e na América Latina é diferente: a herança é a maior fonte de riquezas dos milionários.

Os Kardashians, todavia, acumulam ambas as fontes. Sendo a herança de Robert Kardashian, o pai já falecido e advogado famoso que atuou no caso OJ Simpson. Ou seja, antes de ficar famosa, a família já possuía capital social para circular entre os ricos e famosos e produzir riquezas.

Outro ponto de acúmulo de riqueza detectado na pesquisa é o casamento. Como pudemos acompanhar na última década, as Kardashians (no feminino por se tratar de um matriarcado) se casam invariavelmente com parceiros milionários ou em vias de ser, tornando seus herdeiros ainda mais ricos do que a geração pioneira.

O papel da sorte nos negócios

Kris Jenner, a momager da família, começa a potencializar seus negócios ao se casar com Bruce Jenner (atualmente Caitlyn Jenner), na época um milionário atleta olímpico que passou, sob os cuidados de Kris, a ganhar dinheiro fazendo palestras motivacionais. Ou seja, o ambiente já era próspero até que um crime muda a trajetória desta família e projeta ao infinito o seu  poder de acumulação de capital: uma sex tape de Kim Kardashian e seu ex-namorado é lançada ao público. Daí veio a suposta transação financeira entre a Kris Jenner e a empresa Vivid Entertainment, produtora de filmes adultos, que assumiria o vídeo. Logo depois, vem a
criação de um reality show, seus destinos são selados e a família passa a fazer parte do mercado de varejo, aumentando seu alcance para milhares de pessoas.

Negócio familiar

A ideia de criar um reality show contando a história da família veio da matriarca e na época foi aceita pelos filhos como uma forma de divulgar seus outros negócios e rentabilizar com publicidade. As irmãs tinham uma marca de roupa e achavam que isso traria visibilidade para a marca. O que elas não esperavam é que suas vidas se tornariam suas grandes commodities e que o laço familiar seria uma fonte de dinheiro. Criar um negócio familiar baseado em ser uma família é uma forma genial e infinita de produzir e acumular capital, e neste negócio as Kardashians se tornaram grandes mestres da geração de capital.

Diversidade de ativos

O francês Thomas Piketty, economista e autor do Capital no Século XXI, best-seller onde faz uma crítica ao marxismo perante o cenário do capitalismo moderno, afirma que a tese de acúmulo infinito de capital de Karl Marx não haveria se concretizado neste estágio do capitalismo dada a hiper-concentração de riquezas. Provavelmente Thomas não assiste ao reality show, pois saberia que é uma antítese à sua crítica.

Além de acumularem e monopolizarem o mercado dos reality shows e da cultura pop, elas ainda multiplicaram de forma quase infinita as possibilidades de ganhos com suas imagens. Potencialmente as Kardashians podem ganhar dinheiro com absolutamente qualquer coisa e possuem uma imensa cartela de ativos. Cada membro da família é um produto em si que pode ser vendido no varejo em diferentes aspectos e produtos licenciados. Meias, emojis, calças jeans, imóveis, programas de TV, jogos de celular, ações de hamburguerias, maquiagem, palestras, o fato é que qualquer um dos liderados por Kim Kardashian, grande totem da capitalização, tem o potencial de ser um grande sucesso no varejo.

Apropriação cultural e diversidade real

No caso das Kardashians é bastante complicado estabelecer os limites da apropriação cultural. Mas o fato é que muitas das grandes fortunas vêm justamente da utilização de tecnologias, saberes e identidades de outras culturas para criar produtos e ganhar dinheiro. É inegável que as Kardashians, até mesmo por uma aproximação, se apropriaram de símbolos e imaginários da cultura negra num clássico blackfishing para consolidar sua marca e ganhar mais dinheiro.

Diversidade importa

Porém, Keeping Up with the Kardashians é um dos produtos de entretenimento em massa atuais que têm maior diversidade real. Vai além de brancas fazendo blackface e saindo com jogadores de basquete. Negros, jovens adultos, transsexuais, crianças,  gordos, mães, vários tipos humanos aparecem no show com algo em comum: são todos milionários.

Enquanto empresas falham miseravelmente em reproduzir a diversidade em seus produtos e campanhas, a família Kardashian-Jenner já está projetada para o futuro com uma nova geração de novos personagens: crianças negras milionárias demonstrando o poder do young money da terceira geração.

Keeping Up with the Kardashians não é apenas um dos melhores e mais consistentes produtos de entretenimento, mas também um grande símbolo do capitalismo, seu desenvolvimento e o poder de acumulação do capital. Só espero que no futuro seja reconhecido e laureado como o fenômeno sócio-midiático-econômico que é.

Unbreakable Kimmy Schmidt – 4ª Temporada

Com cada vez mais dificuldade para manter o otimismo, Kimmy Schmidt apresenta seus episódios finais

Qualquer desavisado que se disponha a assistir Unbreakable Kimmy Schmidt fora de seu contexto pode se deparar com peças soltas demais de um quebra-cabeça que é quase impossível montar. Comédias são, por definição, produtos de absorção imediata, mas a série da Netflix pode ser complicada de ser digerida em muitas instâncias: seu descolamento da realidade é severo para alguns gostos. Concebida por Tina Fey e Robert Carlock para ser uma alegoria constante, o programa ainda é como qualquer comédia que se baseia no ridículo, mas o faz com permissões absurdas, irreais, que inesperadamente compõem um cenário que muitas vezes choca por estar desconfortavelmente ligado à verdade.

Apesar de seu ritmo alucinado e das piadas que muitas vezes são tão extremas que não conseguem causar riso nenhum, existe uma trama muito triste por trás de tudo isso. Kimmy (Ellie Kemper) foi sequestrada por um reverendo tarado que manteve ela e outras mulheres num bunker por mais de quinze anos. Qualquer pessoa que tivesse passado por tamanha privação e por tantos traumas de ordem sexual e psicológica, sairia da experiência com vontade de culpar o mundo por todo esse desespero. Kimmy, no entanto, ainda sorri, ainda quer sorver a vida, ainda tem um espírito otimista e – como diz o título – inquebrável. Essa sempre foi a grande sacada da série, a grande ideia que fez com que a produção fosse tão aclamada. Seria, então, cômica a ideia do otimismo como centro motor da vida de alguém? Ainda que esse alguém tivesse sido tão vilipendiado?

Os criadores brincam com a ideia dentro da própria gênese do seriado: é claro que a resposta seria não e exatamente por isso que o mundo de Kimmy é sempre tão tomado de realidades distorcidas. Ela vive a experiência pós-bunker intensamente, cercada de gente tão delusional quanto ela, mas por mais que os episódios sejam escritos dentro dessa membrana tão categórica de surrealismo, o objetivo é fazer vazar vislumbres de realidade bruta entre uma piada maluca e outra. A protagonista segue sua trilha de otimismo absoluto, no meio de toda aquela insanidade, mas vão ficando pelo caminho pitadas de provocação sócio-política-cultural que são tão mordazes quanto em qualquer comédia mais “séria”. Durante todos esses quatro anos a história central de Kimmy parecia não ser o ponto mais importante, mas quando chegamos a sua última temporada, percebemos que sua origem e seu presente formam uma parte essencial do legado que a série quer deixar após partir.

Unbreakable
Desde o primeiro minuto em que saiu do bunker, tudo que Kimmy quis foi descobrir como se ajustar no mundo que ela não viu evoluir. Para isso, ela tenta tudo: um monte de trabalhos e praticamente uma epifania por capítulo. No curso desses quatro anos, não é incomum ver Ellie Kemper dando o melhor de sua expressão “eureka” a cada vez que Kimmy tinha uma grande ideia sobre como salvar um amigo ou procurar uma nova possibilidade. Na quarta temporada, então, a missão dos criadores é tentar fazer a personagem encontrar essa linha de chegada, essa paixão que a movesse pelos caminhos certos, dando-lhe a sensação de ajuste que faltava e conseguindo com isso, também, reajustar a vida dos amigos.

É bom ver que o plot do livro que Kimmy escreve não é abandonado, porque faz muito sentido que, em seu modo otimista de ver o mundo, houvesse espaço para cobrir de lúdico suas experiências. Mais uma vez ela faz de tudo para fantasiar com sua dura realidade, o que é coerente com a personagem e também justo e poético. Ainda que essa seja uma série louca (com uma das melhores musiquinhas de abertura da história) e que em nada se leva a sério, na hora de encerrar a trajetória, era preciso pensar em quais seriam os caminhos minimamente coesos para cada um deles – sobretudo para Kimmy.

Na primeira parte da temporada (que foi dividida em duas), o que o quarto ano apresenta é um cenário de opressão para a pobre Kimmy, que se vê desacreditada e perseguida. Do seu jeito, a série aproveita o ensejo das denúncias de abuso e assédio; e prepara uma trama que mostra a posição vitimizada de Kimmy sendo colocada em dúvida, e toda e qualquer piada com as declarações machistas tanto de celebridades quanto de um senso-comum-anônimo são agudas, certeiras, afiadas. Até mesmo o genial episódio especial que satiriza documentários como Making a Murderer tem um objetivo: mostrar como as vítimas sempre são culpadas e os criminosos viram estrelas de TV ou recebem centenas de cartas românticas enquanto estão na prisão. A série ataca todos os lados, não fica faltando nenhum.

Já na segunda parte eles precisam arrumar a casa para as despedidas inevitáveis. Como sempre, Lilian (Carol Kane) e Jacqueline (Jane Krakowski) tem plots mais quebradiços, embora ainda sejam maravilhosas. Os roteiros precisaram mesmo resolver a vida de Titus (Titus Burgess), um personagem que se tornou tão grande quanto a própria Kimmy, o que se refletiu na maneira como os dois praticamente conduzem todas as reviravoltas finais. Essa segunda parte dos episódios brinca de “como seria se Kimmy não tivesse sido sequestrada”, reaviva os sonhos de Titus de estrelar O Rei Leão e coloca Kimmy diante da encruzilhada derradeira: encontrar sua paixão, continuar tirando algo de bom de tudo que ela passou de ruim. De certa forma, os roteiros oferecem para a personagem uma perspectiva conformada e gentil: “Eu preciso acreditar que tudo que vivi precisava acontecer para que eu tivesse chegado até aqui. Esse era o destino. Preciso acreditar nisso, ou ficaria maluca“.

Então, toda a loucura dá lugar a uma certa “doce tristeza”, quando fica claro que as coisas estão se arrumando para chegar ao fim. Participações especiais, personagens antigos reaparecendo, cenas emocionais quebrando o senso de ironia constante dos roteiros. Unbreakable Kimmy Schmidt passa por um último ano tão cheio de coisas ruins para satirizar que, em muitos momentos, tudo parecia mesmo “quebrável”. A sensação de “cansaço” que a série provoca ocasionalmente talvez também seja resultado de todos esses ponderamentos. Quando Kimmy recorre à arte para lidar derradeiramente com sua tragédia, os criadores estão nos dando a resposta final: existem algumas maneiras de enfrentar as mazelas do mundo e aqui está a mais louca e mais contagiante. Todos temos muito a aprender com Kimmy, por mais incrível que isso pareça. [Henrique Haddefinir]