Influencers portugueses são duramente criticados por se arriscar atrás da ‘foto perfeita’

Raquel e Miguel se arriscam durante viagem ao Sri Lanka Foto: Reprodução/Instagram(@exploressaurus_)

O casal de influencers portugueses Miguel e Raquel, conhecidos no Instagram pela conta @exploressaurus_, está sendo duramente criticado por se arriscar do lado de fora de um trem em movimento para obter a “foto perfeita” para as redes sociais.

O clique foi feito quando o casal estava viajando pelo Sri Lanka:

Raquel e Miguel se arriscam durante viagem ao Sri Lanka Foto: Reprodução/Instagram(@exploressaurus_)

Miguel e Raquel documentam para 207 mil seguidores suas viagens pelo mundo. Seus destinos vão da “tradicional” Paris ao “exótico” Sri Lanka.

“Vocês arriscaram a vida por causa de uma foto? Apenas para postar uma imagem em rede social? Ou fizeram isso porque excita?”, criticou um seguidor.

“Nunca promoveria uma foto como essa já que há pessoas estúpidas o bastante para se sentirem encorajadas a recriá-la”, protestou outra pessoa na rede.

Após as críticas, a dupla se defendeu, afirmando que “o trem estava bem devagar”.

Mas o registro na linha férrea não foi o único momento arriscado da viagem pelo Sri Lanka. Quando visitava o Parque de Udawalawe, Raquel também foi clicada com o corpo para fora de um veículo, ao passar por um grupo de elefantes:

Raquel do lado de fora de veículo em parque selvagem Foto: Reprodução/Instagram(@exploressaurus_)
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Como o botão Curtir mudou a internet nos últimos dez anos

Fazendo aniversário, função que nasceu no Facebook fez usuários buscarem protagonismo na web e e criou um bilionário modelo de negócios
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Na sede do Facebook, em Menlo Park (EUA), turistas fazem fila para tirar fotos com o símbolo da rede

No princípio, as redes sociais eram o verbo. Sentimentos, desejos e teorias eram expressados – e respondidos – por texto. A natureza da internet passou a ser diferente quando, no dia 9 de fevereiro de 2009, o Facebook propôs uma singela questão aos seus membros: “Curtiu?”. Da maneira como as pessoas interagem (e as consequências psicológicas disso) aos modelos de negócios dos serviços mais populares da web: nada mais foi como antes, depois do “primeiro like”.

É curioso pensar que o Curtir demorou a existir. Criado em 2007 pela ilustradora Leah Pearlman, gerente de produto do Facebook na época, o recurso passou dois anos “na geladeira”. Mark Zuckerberg, fundador da rede social, não gostava muito dele, mas foi vencido pelo entusiasmo dos funcionários da empresa. “É uma forma rápida de dizer aos seus amigos que você curte o que eles estão postando”, dizia o texto que apresentava a função, escrito por Pearlman. “Isso deixa espaço nos comentários para elogios mais longos.”

Era algo novo: Orkut, MySpace e outros serviços da época eram organizados em textos e comunidades, bem como inúmeros fóruns que reuniam aficionados por qualquer tema – de PCs a cinema, algo que soa muito nerd hoje em dia. Os elementos visuais eram mais rudimentares. As pessoas já usavam emojis para se expressar em e-mails, por exemplo, mas eles serviam mais como complemento ao texto. 

O botão curtir permitia uma reação rápida – e até um pouco desinteressada – a qualquer coisa. Não à toa, ele teve sucesso imediato. “Em pouco tempo, publicações que tinham 50 comentários acabavam tendo 150 curtidas”, disse Pearlman, em entrevista à revista Vice, em 2017. 

Era o que o Facebook precisava: três meses após lançar o Curtir, a rede superou seu maior rival nos EUA, o MySpace. Mais que isso, ditou moda: em 2010, o YouTube trocou as estrelas de seu sistema de avaliação de vídeos por um polegar positivo. O Twitter fez testes até 2015, quando estabeleceu o coração como símbolo para “curtir” um tuíte. Instagram, LinkedIn e Tinder também incorporaram o recurso. “Hoje, é difícil imaginar uma rede social sem curtidas”, diz Luís Peres-Neto, professor da ESPM. 

Egotrip. “Com o curtir, as pessoas passaram a fazer mais publicações”, afirmou Pearlman à Vice. De participantes de uma rede, as pessoas agora se consideram protagonistas dela. “Há uma supervalorização da validação do próximo, do olhar de outras pessoas sobre tudo que o usuário faz”, diz Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais. 

É algo que tem gerado impactos na saúde mental: estudo feito pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) em 2017 mostrou que receber uma curtida ativa áreas do cérebro que respondem quando se recebe algo bom – como comer chocolate em um dia difícil.

Outras pesquisas já ligaram sintomas de depressão, ansiedade, solidão, baixa autoestima e tendências suicidas ao uso de redes sociais. “Tem gente com autoestima baixa que posta selfies todo dia, esperando reações. Quando não se recebe muitas curtidas, a tendência é ficar mais triste”, diz a psicóloga Anna Lucia King, do Instituto Delete, ligado à UFRJ. 

Manada. No mesmo estudo, pesquisadores da UCLA mostraram que o Curtir ajuda a gerar comportamentos de manada – se uma foto já ganhou muitos likes, é provável que mais pessoas devam se manifestar sobre ela. Por outro lado, os algoritmos das redes sociais consideram o número de curtidas para determinar o que será exibido a um usuário. Se ele curte sempre as mesmas coisas – e quem produz conteúdo busca temas populares para ganhar curtidas – o processo de criação de uma bolha está formado. Unidos, o “efeito manada” e o reforço do algoritmo geram uma reação em cadeia. 

As curtidas permitiram ainda uma forma eficiente para o funcionamento desses algoritmos. Na época, sistemas de reconhecimento de texto por inteligências artificiais eram bem mais rudimentares – até hoje, eles não entendem ironia. Há ainda a complexidade de diferentes idiomas. O Curtir, para o algoritmo, virou um tradutor universal: todos falam a mesma língua, com dois signos – “gostei” ou “não gostei”.

De quebra, as redes sociais passaram a identificar os gostos das pessoas, num prato cheio para a publicidade. É um ingrediente importante para o Facebook ter sobrevivido e gerado receita de US$ 16 bilhões em seu último trimestre fiscal; uma realidade muito diferente do Google com o Orkut, que nunca conseguiu faturar. Trocar curtidas por dinheiro virou um modelo comercial imperativo.

É nas curtidas, também, que surgem algumas das principais mazelas da internet atual – de “fazendas” com milhares de smartphones curtindo posts 24 horas por dia, inflando números de audiência por centenas de dólares, à interferência em eleições e fome por dados de usuários. A Cambridge Analytica, firma de marketing político que usou indevidamente dados de 87 milhões de perfis do Facebook, começou analisando justamente as curtidas. Com 150 publicações, os pesquisadores diziam saber mais sobre alguém do que seus pais ou irmãos. 

É algo que causou danos ao Facebook – fazendo a empresa rever políticas, perder dinheiro e colocando-a sob escrutínio global. Talvez, em breve, esse modelo já não seja mais tão curtido. / COLABOROU GIOVANNA WOLF

Hit adolescente, app chinês TikTok busca expansão

Com 500 milhões de usuários e vídeos curtos e engraçados, rede social reforça operação no País e busca ganhar espaço entre rivais
Por Bruno Romani – O Estado de S.Paulo

A paulista Maju Sanches tem 600 mil seguidores

Vídeos curtos, filtros divertidos e ferramentas espertas de edição. São essas algumas das armas que o aplicativo chinês TikTok pretende usar para fazer sua expansão global e provar que é um rival à altura do Instagram – tentando ser bem-sucedido em um desafio onde nomes como Vine e Snapchat já fracassaram. Lançado no fim de 2016, o app tem hoje 500 milhões de usuários – muitos deles, jovens – e chega a 2019 querendo mostrar que, tal como seu público, pode crescer e aparecer no universo das redes sociais. 

O funcionamento do TikTok não é muito diferente do que se vê, por exemplo, nos Stories – o serviço de mensagens efêmeras do Instagram. No app, é possível gravar vídeos verticais de até 15 segundos, que também podem ser editados e incrementados com filtros bacanas. Para faturar, a empresa exibe anúncios entre os vídeos e também vende “moedas” – elas podem ser compradas pelo público e cedidas pelos fãs aos influenciadores como forma de agradecimento. 

A ideia pode ser básica, mas rende: hoje, o TikTok é o principal negócio da Bytedance, startup chinesa avaliada em US$ 75 bilhões, segundo a consultoria CB Insights. É mais que o Uber (US$ 72 bilhões) e atrás apenas da fintech chinesa AntFinancial (US$ 150 bilhões). No 4.º trimestre de 2018, a Bytedance faturou cerca de US$ 7 bilhões.

Criada por Zhang Yiming, um programador de 35 anos, a empresa conseguiu um feito raro em seu país: crescer sem precisar do apoio de Tencent, Baidu e Alibaba, as gigantes locais de tecnologia. Agora, a startup precisa fugir de uma maldição: a da companhia chinesa que não consegue emplacar seu produto fora do país de origem.

Hoje, 60% do público do TikTok está na China. Até aqui, a maior parte de sua presença no Ocidente se deve a uma tacada de negócios: no fim de 2017, a Bytedance pagou US$ 1 bilhão no Musical.ly, aplicativo americano de vídeos de dublagem. Na época, o Musical.ly tinha 100 milhões de usuários – deles, 7,5 milhões estavam no Brasil. Os dois aplicativos coexistiram até agosto de 2018, quando usuários e funções do app americano foram integrados ao TikTok. Os principais temas dos vídeos são dança, culinária, viagens e humor – às vezes, de forma involuntária. 

Vergonha alheia. “O TikTok é bom para dar risada e quebrar o tédio”, diz Luísa Balbibot, de Caxias do Sul (RS). Com 19 anos, a estudante passa duas horas por dia no app. “Comecei a usar o TikTok porque muita gente compartilhava coisas engraçadas do aplicativo”, afirma a gaúcha. Há vídeos bobos – como um no qual ursinhos de goma dublam músicas da cantora Adele –, mas que atraem um público jovem. Segundo a consultoria Apptopia, 35% dos usuários do TikTok têm entre 11 e 20 anos. Outros 23% têm entre 21 e 30 anos. 

Os vídeos engraçados até depõem contra a plataforma – no Brasil, há certo preconceito com os usuários do TikTok. “Rola muito conteúdo que é pura vergonha alheia”, diz Luísa. No YouTube, é possível encontrar vídeos com reações ao conteúdo da plataforma chinesa, até mesmo ridicularizando o que se vê por lá. Além disso, a reportagem do Estado achou, em redes sociais, comentários “zoando” o TikTok, descrevendo o app como “bizarro” ou questionando se “alguém leva a rede a sério”. 

“Existem vídeos que viralizaram e acabaram associados à vergonha alheia. Mas não é só isso”, defende o carioca Luan Fernandes, de 26 anos. Com mais de 800 mil seguidores, Fernandes está entre os principais influenciadores do TikTok no Brasil. Em seus vídeos, ele faz esquetes de humor – como uma versão “fast food” do Porta dos Fundos. 

Crescimento. O Brasil é hoje visto com atenção pela Bytedance: a empresa tem cerca de 15 funcionários no País. Boa parte deles foi herdada do Musical.ly, mas a empresa segue contratando – em especial, para curadoria e apoio à comunidade de usuários e influenciadores. As entrevistas, apurou o Estado, são conduzidas pela matriz da empresa na China. Procurada pela reportagem, a empresa disse não ter porta-voz por aqui. 

Além de reforçar seu time, a empresa também investe na formação de influenciadores locais, oferecendo cursos e aconselhamento de carreira. “Quando entrei no app, eles me falaram como eu deveria me preocupar com minha imagem”, conta Maju Sanches, que tem cerca de 600 mil seguidores no País. Há até quem já tenha viajado pelo app para os EUA para ter aulas de produção de conteúdo – caso de Andressa Fontinele, que faz sucesso na rede com seus patins (leia mais abaixo). 

Mas dar apoio pode não ser suficiente para a empresa. É preciso faturar. O Snapchat, por exemplo, perdeu seu maior nome no Brasil (Thaynara OG) para o Instagram por algo parecido. Hoje, a maioria dos tiktokers (os produtores de conteúdo da rede) diz ganhar entre R$ 1,2 mil e R$ 2 mil por mês com o app. Fernandes é uma das poucas exceções: tem renda mensal de R$ 4 mil. 

Anunciantes ainda são escassos no TikTok. Para analistas, esse será um dos maiores problemas da empresa no Brasil – até pela restrição de publicidade para o público infantojuvenil. “Como a base de usuários é muito jovem, anúncios podem ser barrados”, avalia Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais. 

Para Inagaki, o aplicativo é interessante, mas tem potencial limitado – ao contrário de rivais como Facebook e Instagram. A rede social de Mark Zuckerberg, por sinal, tem se preocupado com o avanço do concorrente: sem muito alarde, lançou no ano passado um “clone” do TikTok, o Lasso. Por enquanto, pouco efeito foi causado – mas é cedo para dizer se a concorrência é um risco para os chineses. 

Também há dúvidas sobre o potencial da rede a longo prazo. “O TikTok vai ser sempre para o público teen ou vai criar funções para os mais velhos e evoluir com seus usuários?”, questiona Edney Souza, diretor acadêmico da Digital House. Tal como as incertezas da adolescência, é algo que parece não estar definido ainda. / COLABOROU MARIANA LIMA

Nano influenciadores digitais atraem marcas pensando em ‘pequena escala’

Nova tendência busca pessoas com apenas mil seguidores e que querem anunciar produtos nas redes sociais
Sapna Maheshwari, The New York Times

Alexis Baker é exemplo dentre os nano influenciadores e promove produtos para cerca de 2.700 seguidores no Instagram.  Foto: Alexis Baker

Provavelmente vocês ouviram falar dos influenciadores digitais, aquelas pessoas famosas na internet, que têm mais de um milhão de seguidores nas redes sociais, e ganham muito dinheiro promovendo várias marcas. Também devem ter ouvido falar em microinfluenciadores, que fazem a mesma coisa para um público menor na – no máximo algumas centenas de milhares de pessoas. Agora preparem-se para os nano influenciadores.

É o termo usado pelas companhias para descrever as personalidades que têm apenas mil seguidores e querem anunciar produtos nas redes sociais. O fato de não serem famosas é uma das qualidades que as torna acessíveis. Quando elas recomendam a marca de uma loção ou de móveis no Instagram, o que ela diz soa tão confiável quanto o conselho de um amigo.

As marcas gostam de trabalhar com elas em parte porque são de trato fácil. Em troca de produtos gratuitos ou de uma pequena comissão, os nanos falam o que as companhias pedem que falem. Com cerca de 2.700 seguidores no Instagram, Alexis Baker, 25, tinha uma presença relativamente comum nas redes, com suas fotos com roupas da moda e dos lugares onde passara férias maravilhosas em seu feed. Mas a sua persona online mudou quando em seus posts começou a falar de produtos como o xampu Suave Professional Rose Oil Infusion, a maquiagem Beyond Perfecting, da Clinique, e o Loco Coffee, uma mistura de café gelado e água de coco.

As pessoas que conhecem Alexis se surpreenderam quando hashtags usadas para publicidade de produtos começaram a aparecer na sua conta. Também ficaram impressionadas pelo fato de ela postar mensagens como influenciadora. “Meus amigos pensaram: ‘Espera aí – você não tem milhares de seguidores. Como conseguiu tantos contatos?’ contou. “Eu não sabia o que responder”.

Alexis, gerente de leasing do estado da Virgínia, disse que começou a fazer este “bico” depois de ser descoberta pela Obviously, que se define como “agência de marketing influenciador”. Para Mae Karwowski, diretora executiva da Obviously, os nano influenciadores constituem uma oportunidade de baixo custo e pouco utilizada. “Todo mundo que está no Instagram tem aquele amigo que todo mundo conhece e que recebe muitas curtidas, comentários e tem um bom conteúdo”, ela disse.

As companhias procuram pessoas relativamente desconhecidas nessa espécie de corrida ao ouro da publicidade, através de personalidades populares nas redes. Mas à medida que os influenciadores vão se tornando conhecidos, também passam a cobrar mais.

Em geral, eles acham os produtos que recebem grátis uma compensação justa pelos anúncios que postam. “Se este negócio estourar e virar uma atividade em tempo integral, maravilha”, disse Alexis. “Mas não é uma coisa que eu esteja procurando. Na realidade, adoro fazer isto”.

Krishna Subramanian, fundador da Captiv8, outra empresa influenciadora de marketing, é cético quanto a algumas marcas fazerem marketing dos seus produtos através de pessoas com um número de seguidores pouco expressivo na mídia social. “Será que eles conseguem mesmo mensurar alguma coisa dessa maneira e achar que está sendo um sucesso?”.

Mas Mae Karwowski confia na estratégia. A sua empresa tem 7.500 nanoinfluenciadores em seu banco de dados e planeja dobrar este número até março. “A geração mais jovem cresceu com esta tecnologia, por isso está acostumada a ver pessoas comentando sobre produtos de que elas gostam e recomendá-los; agora há mais disposição para participar disso. Você faz pequenas apostas em vez de dizer: ‘Nós vamos trabalhar com Kim Kardashian’”.

Fiamma Zarife, big boss do Twitter, fala sobre autossabotagem, angústia e sentir-se intimidada

Sim, altíssimas executivas são tão humanas quanto eu e você. Elas falham, sentem-se inseguras, intimidadas. Mas altíssimas executivas dignas da nomenclatura falam a respeito. E sabem que isso só as torna mais interessantes. Por isso, uma salva de palmas a Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter. Num papo franco com Mônica Salgado, ela humaniza o sucesso como você nunca viu

Fiamma Zarife e Mônica Salgado (Foto: Arquivo pessoal)

“Melhor pedir perdão que permissão.” Uau, frase de efeito para levar para a vida. Cautelosa, Fiamma me explica que, quando a colocou em prática, numa das empresas pelas quais passou, tinha a bênção do então presidente. “Fiz muita coisa inovadora pensando assim. Ousar é preciso, mas tem que ser um risco controlado”, explica, acrescentando que, nos casos de multinacionais, quando se está longe da matriz “é necessário fugir um pouquinho dos guidelines para se adaptar ao mercado local”.

Hum, fugir dos guidelines talvez seja uma marca registrada da executiva? Pode bem ser. Aos 47 anos, a paulistana de origens árabe e italiana é formada em publicidade e propaganda, com pós em marketing, Fiamma já foi vice-presidente de conteúdo e serviços da Samsung na América Latina e passou por Claro, Oi e Petrobras Distribuidora, entre outras companhias. Bem-sucedida? Dã, obviamente! Mas a fim de compartilhar as vezes em que não se sentiu tão digna assim deste sucesso? Opa, isso é para poucas. Fugir dos guidelines, neste relato, significa fugir dos clichês de perfeição do que se convencionou chamar de sucesso. Com vocês, Fiamma Zarife.

“Me sabotei assim que descobri estar grávida”

Impressionante como a autossabotagem acomete muito mais as mulheres. Não apenas vejo isso acontecer ao meu redor. Vivi isso. Quando engravidei da minha filha, hoje com 15 anos, tive a maior cautela para contar a todos. Isso porque dez semanas antes havia perdido um bebê. E tinha contado pra Deus e o mundo. No fim, foi mais difícil gerenciar a frustração alheia do que a minha própria. Então, decidi esperar pelos três meses… mas o plano não saiu como desejado. Estava respeitando esse prazo quando, sem aviso prévio, meu chefe reuniu a equipe e anunciou minha promoção.

Atônita, fui à sala dele e disse: “Estou grávida. Fique à vontade para rever sua decisão”. Ele olhou bem pra mim: “Volte para o seu lugar porque ainda temos oito meses…”. E foi um dos períodos mais produtivos da minha carreira. Saí de licença numa sexta, e ela nasceu domingo. As pessoas me falavam: “Sabe que você terá que diminuir o ritmo, né?”. Isso me angustiava. Por quê? Amo meu trabalho. Não quero abrir mão de nada. Quero TUDO. E escolhi ser uma mãe workaholic. Até agora, está dando tudo certo.

“Ninguém me contou que a licença maternidade seria tão angustiante. E que eu sentiria falta do trabalho”

Vou resumir o sentimento: é como se você estivesse num ônibus em alta velocidade e de repente ele freia bruscamente e você é atirada para fora – sendo o ônibus uma metáfora da vida. Olhava para as pessoas na rua e pensava se algum dia andaria livremente de novo. É um mix de sentimentos. Você quer viver a maternidade, mas não se desconectar da vida lá fora. Na época, grandes mudanças aconteciam na empresa, um novo chefe havia chegado. Eu mandei até email para ele me apresentando, explicando porque estava fora. Como se precisasse… pode?

A verdade é que comecei a curtir de verdade no terceiro mês da licença. Tirei quatro e optei por usufruir dos 30 dias de férias mais tarde. Não aguentava mais ficar em casa.

Mas… quando você volta, percebe que está tudo lá, nada mudou de fato. Foi tudo tão intenso para mim que demorei sete anos para ter meu segundo filho, hoje com oito. A experiência é tão diferente! Tem uma previsibilidade, você sabe o que te espera. Fora que eu estava muito mais estabilizada emocional e profissionalmente.

“Tive muito medo de fracassar quando fui chamada para o cargo de diretora geral aqui do Twitter. E tentei me sabotar de novo”

Simplesmente não me sentia preparada. Inclusive, existem pesquisas que mostram que as mulheres precisam se sentir 100% preparadas para assumir cargos, enquanto os homens os aceitam sentindo-se 60% prontos. Hoje, percebo que, uma vez no cargo, você vai compondo, perseguindo os 100%.

Atenção: fazia apenas um ano e meio que estava na empresa. Entrei em 2015, como head de agência, responsável pelo relacionamento com  as agências de publicidade. Meu chefe, Guilherme Ribenboin, um dia me chamou na sala para dizer que estava indo para o Twitter de Nova York. Falei: “Puxa, que demais, parabéns! E quem é a pessoa que assumirá seu cargo aqui?”. Ele respondeu: “Você!”. No ato, aleguei que a pessoa não era eu, que havia ali gente muito mais merecedora, com mais tempo de casa. Cheguei a levantar uma lista de nomes para ele.

Guilherme me lembrou das qualidades que eu tinha. Palavras dele: postura, liderança, musculatura corporativa. Seria, segundo ele, a guardiã da cultura do Twitter no Brasil, uma conectora entre as áreas – características importantes para o esquema matricial em que operamos. Existem 12 áreas aqui que não se reportam a mim, e sim à matriz. Sob minha coordenação, tenho a área de vendas.

Enfim, depois de uma entrevista com o COO global, assumi como diretora geral no início de 2017.

“Fiquei intimidada na entrevista com o COO global do Twitter”

Sem dúvida, a entrevista mais difícil que já tive. Tinha que passar pelo crivo dele para ser de fato efetivada. Anthony Noto, então COO (chief operating officer), é um homem bastante sério. Tenho profundo respeito pela história dele. Ok, admito, ele inspira um pouco de medo. Me preparei muito para o encontro. Estudei balanço, tudo o que você imaginar sobre o Twitter. Mas sabe quando você estuda para uma prova e não sabe o que vai cair? Era assim que me sentia. Não tinha ideia do que ele perguntaria.

Durante o papo, eu estava sentada, e ele em pé, me olhando de cima. Isso não ajudou em nada. Além disso, Anthony é de difícil leitura. Eu não sabia se estava agradando. Foi então que ele me fez uma pergunta curiosa: “Quem ficaria chateado se você assumisse o cargo?”. Eu respondi: “Acho que todo mundo ficaria feliz”. ele gostou. Tenho a sensação de que essa resposta definiu meu futuro. E o resto é história. [Mônica Salgado]

Google comemora 10 anos do Chrome com campanha “Não seja um browser”

Vídeo mostra como o Chrome se tornou uma ferramenta básica na vida cotidiana das pessoas
Por Soraia Alves

Para comemorar os 10 anos do Chrome neste mês, o Google lançou a campanha especial “Don’t Be a Browser”. Criada em parceria com a agência Virtue, ponto central do filme destaca como o Chrome se tornou uma ferramenta básica na vida cotidiana das pessoas.

Wireframes com abas cercam cenas de várias atividades de diferentes pessoas, como um pai fazendo zoom em um toboágua como parte da comemoração do aniversário de seu filho, entre outros.

Segundo Cameron Farrelly, Diretor Criativo da Virtue, “Por 10 anos o Chrome tem sido a janela para a informação do mundo e um facilitador de atividades. O ‘Don’t Be a Browser’ é um tributo a todas as maneiras diferentes pelas quais as pessoas estão fazendo, consertando, construindo, perseguindo, desafiando, aprendendo e descobrindo com o poder do Chrome“.

A campanha também apresenta um site de acompanhamento que mostra aos usuários como eles podem “fazer mais” com o Google Chrome.

Entre as novidade que o Google anunciou para a nova versão do Chrome está um novo gerenciador de senhas, que impede o uso da mesma senha em diversos sites.

Apenas 15% dos jovens dos EUA dizem usar o Facebook, mostra estudo

As novas redes sociais favoritas são o Instagram e o Snapchat; pesquisa do Common Sense Media mostra que a vida social dos jovens está dominada pela tecnologia

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Estudo mostra que os jovens preferem se comunicar por mensagens em vez de conversar pessoalmente


A tecnologia domina a vida social de jovens americanos entre 13 e 17 anos: eles preferem se comunicar por mensagens em vez de conversar pessoalmente. É o que mostra um estudo da organização não governamental Common Sense Media, publicado no site Axios. Se em 2012 apenas 34% dos jovens usavam redes sociais várias vezes ao dia, em 2018 esse número subiu para 70%. Dentro disso, enquanto 68% deles usavam o Facebook em 2012, esse número caiu para 15% este ano – os jovens dos Estados Unidos estão preferindo usar redes sociais como Snapchat e Instagram.

A pesquisa mostra também que a relação entre jovens e tecnologia é complexa, e não é feita só de encanto: muitos deles reconhecem os perigos. Segundo o estudo, uma parcela de 72% dos adolescentes acredita que as empresas de tecnologia manipulam os usuários para passarem mais tempo nos aparelhos. Além disso, quase metade dos entrevistados afirmam que às vezes gostariam de voltar para a época em que não existia rede social.

Outro ponto do estudo que evidencia a contradição que existe na cabeça dos jovens americanos é o fato de 44% dos adolescentes afirmarem que se frustram quando seus amigos estão usando seus celulares em encontros, ao mesmo tempo que 55% deles admitem que quase nunca deixam de usar o celular quando saem com os amigos.

Apesar das angústias, os adolescentes acham que as redes sociais têm efeito positivo em suas vidas –  cerca de 25% diz que as redes sociais fazem com que eles se sintam menos solitários.