Instagram lança verificação para ajudar usuários com conta invadida

A Verificação de Segurança é uma orientação que guia o usuário na checagem de informações de perfil e de contato na rede social

Segundo o Instagram, a novidade já está disponível, mas chega primeiro para aquelas contas que já sofreram alguma tentativa de invasão anterior

Instagram anunciou nesta terça-feira, 13, um reforço em seu método de segurança de login no app. Agora, além da autenticação em dois fatores, a rede social vai orientar os usuários sobre a atualização de informações no perfil, de e-mail e de contato para recuperação da conta em caso de invasão de conta por meio da Verificação de Segurança. O serviço está disponível para quem já teve o app invadido. 

Segundo o Instagram, o lembrete para os usuários é uma forma de garantir que todas as medidas de segurança possíveis de serem habilitadas no app estejam de fato, ativas. Para isso, o app vai guiar a configuração a partir da aba de segurança. 

Na opção, o app pede para que os usuários verifiquem todas as informações preenchidas na conta, como e-mail, número de telefone, confirmar as contas com que compartilham informações de login e a forma do acesso à conta. A medida, porém, não substitui a autenticação em dois fatores, por exemplo, e visa ser apenas uma camada a mais para relembrar os usuários da segurança da rede social. 

Segundo o Instagram, a novidade já está disponível, mas chega primeiro para aquelas contas que já sofreram alguma tentativa de invasão anterior. A empresa não afirmou se pretende ampliar a funcionalidade da ferramenta também para outros usuários da plataforma. 

Como o ‘STF do Facebook’ pode ditar os rumos da moderação de conteúdo da internet

Decisões do Comitê de Supervisão podem gerar precedentes com capacidade de influenciar até mesmo plataformas concorrentes
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Facebook precisa mostrar que o Comitê não é apenas uma jogada para se proteger de regulações, dizem especialistas

Antes da pandemia, a desinformação em redes sociais já era um problema grave. Com a crise sanitária, porém, publicações mentirosas viraram casos de vida ou morte. Foi nesse cenário – e com essa pressão – que o Facebook criou em maio do ano passado um Comitê de Supervisão para decidir o que fica e o que deve sair da plataforma. Desde então, o órgão publicou 11 decisões e tem se mostrado um experimento importante que pode vir a ditar os rumos da moderação de conteúdo na internet. 

No atual arranjo, o Comitê é uma espécie de “Supremo Tribunal Federal (STF)” do Facebook para tratar sobre postagens que devem permanecer ou não no Facebook e no Instagram. Quando a remoção de um conteúdo tem potencial para gerar debate e precedente, é o Comitê que toma a decisão final. O Facebook é obrigado a acatá-la mesmo que sua posição inicial tenha sido oposta – o presidente executivo da empresa, Mark Zuckerberg, não pode ignorar o órgão caso ele não goste das soluções propostas. Além disso, o Comitê pode fazer sugestões mais amplas sobre as políticas de conteúdo da rede social.  

O Comitê conta hoje com um grupo de 20 pessoas escolhidas pelo Facebook, composto por integrantes da academia e de organizações da sociedade civil especializados em temas de direitos humanos – o painel reúne pessoas de 18 países diferentes e deve chegar a ter 40 membros. Um fundo de investimento independente da companhia financia o projeto, sendo que o Facebook fez uma doação inicial de US$ 130 milhões.

Ao todo, desde dezembro, 16 casos já foram selecionados para discussão, alguns apontados por usuários e outros solicitados pelo próprio Facebook. Tanto as decisões quanto os casos em discussão são publicados no site do Comitê, com detalhamento daquilo que está em debate. Em algumas situações, há um espaço para pessoas e organizações enviarem suas contribuições. Um caso brasileiro, por exemplo, mobilizou neste mês entidades, como centros de pesquisa, para opinarem sobre como o Facebook deveria lidar com uma publicação de um conselho médico estadual do Brasil dizendo que lockdowns são ineficazes.

Com as discussões ocorrendo de forma pública, o Comitê pode ganhar peso fora das fronteiras do Facebook e passar a moldar a moderação de conteúdo em toda a internet. “É  importante que todas as decisões sejam públicas. À medida que o Comitê for desenvolvendo seus entendimentos, pode-se criar uma jurisprudência. Não é aquela de tribunal, mas não deixa de ter o potencial de influenciar como a internet funciona”, afirma Diogo Coutinho, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). 

“Cada caso é um precedente que cria um padrão a ser usado em uma próxima situação semelhante. No médio prazo, esses parâmetros podem ser utilizados mesmo por empresas que não tenham um comitê”, diz.

Influência

O próprio Facebook espera que o Comitê possa ser um exemplo para outras decisões de governança de conteúdo na internet. Além disso, o fato de o órgão ser independente também abre a possibilidade de que sejam criadas dentro dele estruturas, como comitês adicionais, voltadas a outras plataformas – ainda não há informações, porém, de que arranjos do tipo estejam em andamento. 

Nenhuma outra rede social tem hoje uma estrutura de moderação de conteúdo semelhante ao Comitê, com debate público sobre casos específicos. O TikTok tem um Conselho Consultivo de Segurança no Brasil composto por seis especialistas em meios digitais, que oferece apoio ao aplicativo em casos de discurso de ódio, bullying, desinformação e temas políticos – o debate, contudo, é apenas interno. “Embora não publiquemos as discussões que tivemos, acreditamos que o trabalho do Conselho se tornará visível à medida que ele desempenha um papel significativo na formação de nossas políticas e abordagem aos desafios que enfrentamos”, disse a empresa em resposta ao Estadão

Já o Twitter afirma que guia sua moderação em regras pré-estabelecidas, que estão disponíveis publicamente. “Além disso, contamos com um Conselho de Confiança e Segurança que reúne mais de 40 especialistas e organizações para nos aconselhar à medida que desenvolvemos nossos produtos, programas e as regras”, afirma a rede social.

YouTube, por sua vez, explica que remove conteúdo que esteja em desacordo com suas políticas de comunidade: “Nosso Gabinete de Inteligência monitora notícias, mídias sociais e relatos de usuários para detectar novas tendências a respeito de conteúdo inapropriado e trabalha para garantir que nossas equipes estejam preparadas para resolver os problemas antes que eles se tornem grandes”, afirma. A empresa também diz que conta “com avaliadores externos de todos os cantos do mundo para fornecer informações sobre a qualidade dos vídeos. Esses avaliadores se baseiam em diretrizes públicas para orientar seu trabalho”. 

À prova

Antes de se tornar modelo para a concorrência, entretanto, o Comitê do Facebook ainda tem questões a serem respondidas. A primeira é o custo. “Não é qualquer empresa que consegue sustentar esse modelo – o orçamento foi de milhões de dólares. Há o risco de que essas estruturas possam aprofundar a situação de domínio das grandes plataformas”, afirma Artur Pericles Monteiro, coordenador de pesquisa de liberdade de expressão do InternetLab.

Para provar que o Comitê é um modelo de governança promissor, o Facebook também tem de mostrar que a iniciativa não é apenas uma jogada para que a empresa se proteja de autoridades e instituições públicas, que estão cada vez mais de olho nas empresas de tecnologia. 

“É uma solução engenhosa: se a coisa ficar muito complicada, o Facebook pode terceirizar isso para cabeças independentes. A autorregulação pode ser boa, mas não substitui necessariamente a regulação estatal”, diz Coutinho. 

Para João Pedro Favaretto Salvador, pesquisador do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação da FGV Direito SP, é importante que exista um experimento desse tipo, apesar de ser cedo para dizer se ele dará certo. “A moderação de conteúdo é um trabalho difícil. As plataformas terem a humildade de dizer que não dão conta de fazer isso sozinhas é um primeiro passo”, diz.  

Facebook lança seu concorrente do Clubhouse e suporte a podcasts

Depois de um longo período de testes, o Facebook deu mais um passo para a nova moda das redes sociais e anunciou o lançamento oficial das Live Audio Rooms, salas de bate-papo ao vivo — inicialmente restritas aos Estados Unidos.

"Live Audio Rooms", novo produto do Facebook — e rival do Clubhouse —, rodando no iOS

Algumas figuras públicas e alguns grupos já podem iniciar os eventos, mas qualquer pessoa pode ser convidada para apresentar. No entanto, há um limite de até 50 usuários como anfitriões ao mesmo tempo. Já o número de ouvintes é ilimitado.

Outros recursos interessantes também foram apresentados, tais como legendas ao vivo e notificações quando amigos ou seguidores entrarem em uma sala. Haverá um botão de “levantar a mão” para quem quiser falar, bem como as reações, que estarão disponíveis durante todo o evento.

Por enquanto, apenas usuários do Facebook para iOS podem iniciar as salas. Quem usa Android podem apenas se juntar a elas.

Quanto aos grupos, os administradores podem controlar quem tem permissão para criar uma sala: moderadores, membros ou apenas administradores. Além disso, os anfitriões também podem selecionar uma organização sem fins lucrativos ou uma determinada arrecadação de fundos para apoiar durante a conversa com um botão que aparece no chat.

Ao contrário do Clubhouse, que chamou grande nomes do Vale do Silício para atrair ouvintes, o Facebook anunciou uma ampla lista de influenciadores que terão acesso antecipado à nova ferramenta. Dentre as personalidades, estão alguns músicos (TOKiMONSTA, D Smoke e Kehlani), figuras da mídia (Joe Budden e DeRay Mckesson) e atletas (Russell Wilson e Omareloff).

Podcasts na rede social

Além disso, o Facebook está disponibilizando podcasts na plataforma. Usuários poderão ouvi-los por meio de um miniplayer ou de um player que toma a tela inteira com controles de reprodução, incluindo a capacidade de ouvir enquanto a tela está desligada.

Podcasts no Facebook

Eles poderão encontrar os programas nas páginas dos criadores de conteúdo e no Feed de Notícias, e há como reagir, comentar, marcar e compartilhar seus favoritos. A equipe da rede social prometeu lançar as legendas automáticas para podcasts entre setembro e outubro, bem como um recurso de clipes (Soundbites) onde os ouvintes podem criar e compartilhar seus trechos favoritos.


As novidades chegam poucos dias depois que o Spotify lançou seu aplicativo de salas de áudio, o Greenroom, e meses após a chegada do Stage Channels ao Discorddo Reddit Talk e do Twitter Spaces.

Há rumores de que o LinkedIn está trabalhando em sua própria versão desse novo molde de rede social — assim como o Slack. Enquanto isso, os downloads e o hype em torno do Clubhouse têm diminuído drasticamente.

As salas de áudio podem ou não ser o futuro das redes sociais, mas o Facebook parece ter a intenção (e dinheiro) para investir extensivamente nessa nova modalidade. Será que a moda pega? [MacMagazine]

Spotify adquire a Podz, para aprimorar descoberta de podcasts

A tecnologia da plataforma será integrada ao Spotify até o fim deste ano

Spotify anunciou nesta semana a aquisição da Podz, uma plataforma de descoberta de podcasts que permite a criadores promover seus conteúdos usando clipes de áudio selecionados por meio de inteligência artificial.

O Spotify planeja integrar a tecnologia da plataforma ao seu catálogo (composto por mais de de 2,6 milhões de podcasts) até o fim de 2021.

O Spotify tem especialistas em aprendizado de máquina focados em melhorar a descoberta de áudio por quase uma década, mas há mais trabalho a ser feito. Acreditamos que a tecnologia da Podz complementará e acelerará os esforços do Spotify para conduzir a descoberta, entregar aos ouvintes o conteúdo certo no momento certo e acelerar o crescimento da categoria em todo o mundo.

O aplicativo da Podz (que não está mais disponível) permitia criar um feed de clipes de áudio retirados de podcasts usando um sistema baseado em mais de 100.000 horas de áudio.

No Spotify, esses clipes “darão aos ouvintes a oportunidade de acompanhar os momentos-chave dos episódios de podcasts, encorajando-os a descobrir e ouvir novos conteúdos”. Vale notar que, no mês passado, o serviço de streaming passou a permitir o compartilhamento de trechos específicos de podcasts.

O anúncio do Spotify acontece um dia depois de o Facebook sigilosamente confirmar que levará programas de podcasts à rede social a partir de 22 de junhode acordo com o The Verge. Assim como no Spotify, criadores também terão a opção de divulgar clipes curtos inteligentes para promover seus conteúdos no Facebook.

Facebook desenvolve método para desmascarar deepfakes em redes sociais

Empresa acredita que vídeos falsos irão se tornar grande problema na plataforma

Essa pessoa não existe: os rostos acima foram criados no site ‘thispersondoesnotexist.com’, com algoritmo desenvolvido por pesquisadores para explicar o conceito de fake faces

Facebook está desenvolvendo um método para desmascarar as polêmicas deepfakes, nome dado a vídeos falsos que recriam o rosto e voz de personalidades para dar verossimilhança ao conteúdo inverdadeiro.

De acordo com publicação do site especializado The Verge, nesta quinta-feira, 17, a empresa de Mark Zuckerberg trabalha em conjunto com a Universidade do Estado de Michigan (MSU, na sigla em inglês) para usar engenharia reversa nas deepfakes, analisando as imagens com o uso de inteligência artificial (IA) para detectar a veracidade delas. Até o momento, o projeto está em fase de pesquisa e não tem data para ser concluído.

A parceria entre o Facebook e a universidade irá permitir a identificação de assinaturas de modelos de criação de deepfakes. Atualmente, um dos problemas dos pesquisadores é identificar quais são esses traços únicos criados, que costumam ser escondidos pelos autores dos vídeos falsos. O modelo, portanto, permitiria identificar e expor esses moldes.

Em um exemplo citado, os pesquisadores esperam que a ferramenta analise diversas deepfakes em busca de “assinaturas” desses autores, que podem ser revelados caso o modelo funcione propriamente. O problema é que, no ramo de IA, diversas ferramentas novas são publicadas todo dia, o que impede que contra-ataques sejam feitos a tempo de impedir problemas.

No ano passado, o Facebook realizou uma competição para detecção de deepfakes, mas o algoritmo vencedor teve acerto de 65,2%, o que indica o tamanho do problema.

Fenômeno do TikTok, Khaby Lame faz primeira ação no Brasil com 99

Influenciador fará série de seis vídeos para “estrear” o canal da marca na rede social
por Pedro Strazza

99 divulgou nesta sexta (11) que firmou parceria com Khaby Lame, influenciador senegalês naturalizado italiano que ganhou o mundo com seus vídeos que apontam o jeito mais prático de se fazer as coisas. Além da marca ser a primeira brasileira com quem o usuário realiza uma ação, a parceria marca o início dos trabalhos da 99 com o TikTok, onde lançou seu perfil na data de hoje.

De acordo com a empresa, a campanha contará com seis vídeos apresentados pelo influenciador, que vai introduzir as diferentes formas pela qual a 99 descomplica a vida das pessoas – incluindo produtos como o 99Pop, o 99Food e o 99Entrega. O primeiro conteúdo já está no ar no perfil e mostra Lame mostrando como é mais fácil pedir pra companhia entregar itens nos destinos que você mesmo levar os mesmos numa bicicleta. Confira abaixo.

A campanha é tocada pela CP+B, com a curadoria do conteúdo sendo feito junto do núcleo de Growth Content da 99 e a intermediação com Lame pela agência MField. No anúncio, o influenciador se diz “lisonjeado” pela oportunidade e escreve que “É a realização de um sonho fazer campanha no Brasil”.

“O mercado olha para grandes criadores como o Khaby como mídia, por conta do seu grande alcance. Mas, nós preferimos olhar para a autenticidade e criatividade dos seus conteúdos.” escreve o diretor de marketing solutions da companhia Cleber Paradela na divulgação; “Afinal, essas são as alavancas que os tornam perfis com números tão expressivos. Além disso, o Khaby entrega por meio de seu conteúdo dois dos valores que levamos aos nossos clientes: conveniência e praticidade”. Segundo a 99, a marca vai investir em ações de cauda longa dentro do TikTok, com o material sendo levado a outras redes sociais e canais.

Tinder agora permite bloquear pessoas pelo número de telefone

Nunca mais encontre um familiar ou um ex-namorado enquanto desliza na rede

Se você usa ou já usou algum app de namoro, certamente sentiu em algum momento um terrível temor ao imaginar uma pessoa conhecida (um amigo, um familiar, um colega de trabalho, um ex-namorado) encontrando e bisbilhotando seu perfil. Pois ontem, Tinder anunciou uma forma mais prática de evitar esse tipo de incidente.

A partir de agora, você pode bloquear contatos na plataforma diretamente pelo número de telefone deles. É possível adicionar números individualmente ou, se preferir, simplesmente importar toda a sua lista de contatos para o app. Desta forma, você garante que nenhuma pessoa conhecida (que você tenha o número salvo, pelo menos) lhe encontrará paquerando na internet.

A medida é preventiva, isto é, ao entrar nas configurações da sua conta e editar sua lista de contatos bloqueados, a ideia é que você saia adicionando todos os números de possíveis pessoas que não queira encontrar no aplicativo, esteja ela no Tinder ou não — se ela vier a se cadastrar no app posteriormente, já entrará na plataforma devidamente bloqueada por você.

Obviamente, isso é uma faca de dois gumes: ao bloquear uma pessoa, você também não verá o perfil dela na rede ou sequer saberá se ela está por lá. Ainda assim, trata-se de uma novidade muito bem-vinda — afinal de contas, ninguém merece bater de cara com sua própria irmã num app de namoro (e sim, eu falo por experiência própria).

O recurso de bloquear contatos pelo número de telefone já está disponível. Aproveite!

Twitter chega aos 15 anos tentando se reinventar, mas sucesso está em xeque

Rede social tenta acrescentar novos recursos para se manter relevante, mas não quer abandonar a essência de conversas em tempo real
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Na corrida por tentar se renovar, o Twitter pode acabar deixando para trás a sua essência, focada em acontecimentos do momento

“Estou apenas configurando meu Twitter”, tuitou Jack Dorsey, fundador da empresa, em 21 de março de 2006. Embora inocente, o primeiro tuíte da história sintetizava bem o espírito do serviço nos anos seguintes: uma ferramenta para publicações curtas e eficientes sobre assuntos do momento, mesmo que esses temas sejam extremamente pessoais. Ao atingir 15 anos no ar, porém, a empresa tenta se reinventar. Com a forte concorrência de outras redes sociais, o Twitter vem rascunhando e lançando novas ferramentas para manter o frescor da primeira década e meia. É um processo que parece empolgante, mas especialistas questionam se isso será suficiente para manter o passarinho azul voando.

Nesta quinta, 27, a rede social deixou vazar o que deve ser a principal novidade da plataforma em anos: o Twitter Blue, um serviço de assinatura que terá ferramentas exclusivas como editar tuítes já publicados, pastas para guardar publicações por temas, mudança de cor da plataforma (azul, vermelho, amarelo, roxo, laranja e verde) e um modo de leitura para reunir em um só texto longos fios de tuítes (ou threads). O preço? R$ 15,90 no Brasil (ou US$ 2,99 nos Estados Unidos). 

Antes disso, no início do mês, o Twitter lançou os Espaços, o tão aguardado recurso “inspirado” nas salas de áudio do Clubhouse — a rede social exclusiva que bombou no início deste ano, mas que vem perdendo fôlego. A chegada do Twitter dá um chacoalhão no mercado porque é a primeira grande empresa a lançar sua solução depois do rival (Facebook, por exemplo, também desenvolve algo parecido para não ficar atrás dos concorrentes) e porque, ao contrário do adversário recém-chegado, já existe um público estabelecido na plataforma. Agora, as pessoas podem falar da CPI da Covid em salas de voz e em tempo real, por exemplo. 

Recentemente, a empresa finalizou a compra da Scroll, plataforma de notícias para assinar e ler notícias de portais como Insider, BuzzFeed e USA Today sem anúncios (espécie de streaming de notícias). Além dela , o Twitter comprou a Revue para tentar construir um sistema de newsletter. O ritmo de compras da empresa em 2021 indica que algo acontece nas entranhas do mundo de Jack Dorsey. Foram seis aquisições até agora, maior número desde 2015, quando a rede social abocanhou oito startups. Nas últimas semanas, já é possível dar “gorjetas” para as contas favoritas

A ferramenta recente que teve maior adesão até agora foi inspirada na concorrência: os “fleets”, inspirados nos “snaps” curtos e autodeletáveis do Snapchat (que seriam copiados pelo Instagram, onde ficaria mais conhecido pelos “stories”). O problema é que os fleets são excessivamente longos para uma rede social tão conhecida pela instantaneidade. 

“A pergunta que fica é: qual é a essência da plataforma hoje em dia? O que ela consegue inovar dentro desse ‘what’s happening’?”, reflete Gustavo Daudt Fischer, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Desafio

O grande desafio de todas essas novidades é não só reter a fiel base da plataforma, mas também atrair novos usuários, o principal calcanhar de Aquiles do Twitter nos últimos anos, e aumentar as fontes de receitas.

É algo com o qual o mercado financeiro parece concordar. No último balanço da empresa, referente ao primeiro trimestre deste ano, as ações da companhia despencaram 10% após o fim do pregão, quando o Twitter desapontou os investidores e revelou um crescimento abaixo da expectativa, de 7 milhões de usuários monetizáveis diariamente ativos na plataforma — a principal métrica para analisar o sucesso de uma rede social. No total, a plataforma somou até março de 2021 um total de 199 milhões de usuários, abaixo dos 200 milhões esperados pelo mercado.

“Para trazer novas audiências e fortes receitas, não basta continuar monetizando a sua base existente de usuários. É preciso trazer uma audiência adicional”, afirma Yuval Ben-Itzhak, o presidente executivo da Socialbakers, empresa de marketing de mídias sociais. Para ele, os Espaços são aperfeiçoamentos à plataforma, e não necessariamente inovações, já que a solução é encontrada em concorrentes.  “E, para inovar, o Twitter precisa criar novas experiências com novos propósitos. Manter retenção é bom, mas não é o suficiente.”

O CEO da Socialbakers acrescenta que, ao contrário de outras redes sociais, o Twitter não está focando em turbinar a comercialização dentro da plataforma, como faz o Grupo Facebook, que incentiva compras por meio de publicidade e páginas próprias para vendedores em suas redes. “Ainda não estamos ouvindo isso do Twitter e o mercado espera algo maior do que esses aperfeiçoamentos”, diz.

O diretor acadêmico da escola Digital House, Edney Souza, aponta que nem todas as novidades anunciadas e projetadas podem funcionar. Para ele, os Espaços podem não atrair novos usuários, mas o projeto de gorjetas tem potencial de fisgar influenciadores digitais de plataformas como Instagram. Como efeito prático, a publicidade digital acompanha esses perfis que trazem consigo prestígio e milhões de seguidores.

“Nós vivemos a era da democratização do acesso ao conteúdo de pessoas com milhões e milhões de seguidores. As pessoas tiveram preferência pelo YouTube porque a plataforma monetiza automaticamente os canais. Posteriormente, o Instagram atraiu por conta da monetização. Se o Twitter conseguir transformar isso em receita alternativa para os influenciadores, pode ser interessante”, explica Souza, acrescentando que a medida pode não ser suficiente para atrair esses perfis com alcance massivo: “Desenvolver um mecanismo de modelo de receita não garante dinheiro para a plataforma.”

“A criação das bonificações do Twitter é o primeiro passo de nosso trabalho para criar novas maneiras de receber e mostrar apoio com dinheiro pela plataforma”, afirma em entrevista por e-mail ao Estadão a gerente sênior de produtos do Twitter, Esther Crawford. Segundo ela, a empresa estuda criar salas de bate-papo em tempo real com ingressos pagos para entregar nos Espaços. “O recurso é uma maneira para que os anfitriões sejam recompensados pelas experiências que estão criando, obtendo apoio financeiro ao mesmo tempo em que oferecemos aos ouvintes acesso exclusivo às conversas que mais lhes interessam.”

Esther Crawford é a gerente de produtos do Twitter
Esther Crawford é a gerente de produtos do Twitter

Identidade

Por outro lado, a empresa vive um dilema. Na corrida por tentar se renovar, a empresa pode acabar deixando para trás a sua essência, focada em acontecimentos do momento. “O Twitter está em uma crise de identidade de adolescente, de ver para onde vai seguir”, diz Fischer. 

No passado, tentativas muito abruptas de mudanças não deram certo. Em 2015, a plataforma comprou o Periscope, ferramenta de vídeo em tempo real (ou seja, de lives), mas o recurso parecia inovador demais para a época e foi fechado em 31 de março deste ano. Antes disso, em 2012, comprou o Vine, rede social de vídeos curtos que é a precursora do TikTok, mas, também à frente de seu tempo, foi descontinuada em 2016. 

Assim, a maior inovação do Twitter continua sendo o lançamento do “próprio Twitter”. Ou seja, o foco em acontecimentos em tempo real ainda é o forte do serviço. “O Twitter ainda é a única plataforma onde as coisas acontecem de forma massiva em tempo real”, afirma Edney Souza. 

Além de aliado de grandes eventos, o Twitter se tornou sinônimo de plataforma para desculpas de celebridades, anúncios presidenciais (o ex-presidente americano Donald Trump e o presidente Jair Bolsonaro são exemplos de chefes de Estado que usam a plataforma de maneira extraoficial) e de boletins noticiosos. 

É nisso que o Twitter aposta: “Somos, e continuaremos sendo, um serviço onde as pessoas podem ter conversas para se manterem informadas sobre o que está acontecendo”, afirma Esther. 

Resta saber se as novidades a caminho não irão distorcer os objetivos da empresa ao mesmo tempo em que trazem frescor para a plataforma. É uma grande equação sem respostas simples. Mas virar adulto nunca foi fácil.

WhatsApp irá permitir transferência de histórico de iPhone para Android (e vice-versa)

Aplicativo também trabalha em solução que permite transferir o histórico de diferentes números de telefone

WhatsApp não revela data de lançamento de recursos de atualização do aplicativo

WhatsApp trabalha em um recurso que irá permitir a transferência do histórico de mensagens entre dispositivos de diferentes plataformas, informou na quinta-feira passada o site especializado WaBetaInfo, que acompanha futuras atualizações do mensageiro. Atualmente, a novidade está em testes tanto em celulares Android quanto iOS.

A transferência de mensagens entre um dispositivo e outro soluciona a dor de cabeça de quem trocou de marca de smartphone, ou seja, saiu de um iPhone e foi para Android (ou vice-versa), já que hoje há transferência de dados apenas quando o usuário permanece na mesma plataforma.

Ao configurar o novo smartphone, o WhatsApp irá perguntar ao usuário se quer mover o histórico, ressaltando que esse é o único momento em que a função poderá ser utilizada. Junto com as mensagens, mídias também serão transferidas.

Outro recurso em desenvolvimento é a transferência do histórico para diferentes números de telefone, algo útil para quem está trocando de DDD ou mesmo de país. Dessa maneira, seria possível manter todos os contatos e conversas idênticos, apesar da troca de chip com a operadora de telefonia.

Ainda não está claro como a tecnologia funcionaria, mas ambos os recursos estão em testes e não têm data de lançamento anunciada, diz o WaBetaInfo.