Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações

Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações
Por Agências internacionais – Reuters

Aquisição do Twitter por Elon Musk está suspensa, até que o bilionário e a empresa cheguem a um acordo sobre as contas falsas na plataforma

Investidores do Twitter foram à Justiça nesta quinta-feira, 26, para processar Elon Musk, fundador da montadora de carros elétricos Tesla e que, em abril, fechou um acordo para comprar a rede social de mensagens curtas por US$ 44 bilhões.

Segundo o processo, o bilionário é acusado de manipular negativamente o preço das ações da plataforma antes de anunciar o interesse na aquisição. Os investidores atestaram que o bilionário “economizou” cerca de US$ 156 milhões ao omitir, até 14 de março, a informação de que havia comprado 5% do Twitter.

A ação é coletiva e os investidores pedem uma quantia não especificada por danos punitivos e compensatórios.

Os investidores também nomearam o Twitter como réu, argumentando que a empresa tinha a obrigação de investigar a conduta de Musk. Eles, porém, não buscam indenização da rede social.

O grupo de acionistas disse que Musk continuou a comprar ações depois disso e, finalmente, divulgou no início de abril a fatia de 9,2% na empresa, de acordo com o processo aberto na última quarta-feira no tribunal federal da cidade americana de São Francisco, na Califórnia.

“Ao adiar a divulgação de sua participação no Twitter, Musk se envolveu em manipulação de mercado e comprou ações do Twitter a um preço artificialmente baixo”, disseram os investidores, liderados por William Heresniak.

No processo, os investidores disseram que a recente queda das ações da Tesla, na qual Musk é presidente executivo, colocou a capacidade do bilionário de financiar a aquisição do Twitter em “grande perigo”, já que ele deixou suas ações como garantia aos empréstimos necessários para a aquisição.

As ações da Tesla estavam sendo negociadas a cerca de US$ 705 cada na tarde desta quinta-feira, contra mais de US$ 1.000 no início de abril.

Os investidores também afirmaram que as críticas públicas de Musk ao Twitter, incluindo um tuíte de 13 de maio afirmando que o acordo para compra estava “temporariamente suspenso” até a empresa provar que as contas falsas representam menos de 5% de seus usuários, equivalem a uma tentativa de derrubar ainda mais o preço das ações.

Musk e seu advogado não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O Twitter não comentou.

Jovens reivindicam em Cannes a ‘liberdade para criar’ com o TikTok

Pela primeira vez, a plataforma lançou um concurso de curtas-metragens, para dar visibilidade a criações “muito mais bem construídas do que (os tiktokers) costumam fazer”, explica Angèle Diabang, cineasta senegalesa, membro do júri do #TikTokShortfilm
Por O Globo Com AFP — CANNES

Mulher olha para o celular enquanto passa por um pôster publicitário do aplicativo TikTok exibido na Croisette durante o 75º Festival de Cinema de Cannes em 20 de maio de 2022 — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

Os vídeos curtos do TikTok representam a “liberdade para criar” sem a necessidade de investimento financeiro e a possibilidade de criar uma “nova gramática visual” com planos verticais, acreditam os jovens que usam este popular aplicativo, parceiro desta edição do Festival de Cannes.

Pela primeira vez, a plataforma lançou um concurso de curtas-metragens, para dar visibilidade a criações “muito mais bem construídas do que (os tiktokers) costumam fazer”, explica Angèle Diabang, cineasta senegalesa, membro do júri do #TikTokShortfilm, que entregou seus prêmios na sexta-feira.

Claudia Cochet, atriz francesa de 34 anos e tiktoker assídua, ganhou o prêmio de “melhor roteiro” por uma peça de três minutos, “Princesse moderne”.

— O TikTok me dá liberdade criativa e um público” e “me dá confiança para fazer as coisas por conta própria — afirmou.

Para o concurso #TikTokShortfilm, essa criadora quis abordar um tema sério, que em princípio não condiz com o tom lúdico da plataforma: a violência contra a mulher.

Excepcionalmente, filmou com uma câmera 16K. Sua criação não mostra violência física, e há poucas palavras, mas retrata muitos sinais do desconforto e da emoção em torno de uma menina abusada que acaba cometendo algo irreparável para se defender.

— Quando se é vítima de violência doméstica, não ousa dizer, mas pode mostrar — explicou Cochet.

‘Nova gramática visual’
O formato vertical do TikTok “nos permite reinventar toda uma nova gramática visual”, explicou Camille Ducellier, diretora francesa e membro do júri, durante a cerimônia de premiação.

— Esse enquadramento não é apenas algo que identifica o celular, mas também faz alusão a uma janela, a uma porta, e de repente se aproxima da pintura — disse.

Eric Garandeau, diretor do TikTok France, idealizador do concurso, disse que “dezenas de milhares de criadores” de 44 países participaram. O TikTok, diz ele, “nos leva de volta às origens do cinema”.

O esloveno Matej Rimanic, vencedor do Grande Prêmio, faz referência às primeiras criações do cinema com uma história de amor em preto e branco, na qual dois jovens de vinte e poucos anos trocam mensagens por meio de aviões de papel.

Já o japonês Mabuta Motoki se destacou com um vídeo sobre artesanato tradicional, segundo a rede “France Info”.

Por melhor edição, o neozelandês Tim Hamilton recebeu o prêmio com seu filme “Zero Gravity”.

O júri desta primeira edição foi heterogêneo, com os componentes variando de Khaby Lame, a segunda pessoa com mais seguidores na plataforma, ao cineasta franco-cambojano Rithy Panh, presidente do júri.

Pahn surpreendeu Cannes ao apresentar a sua demissão, aludindo à “pressão” da plataforma sobre a decisão da bancada. Horas depois, pouco antes da cerimônia de entrega de prêmios, anunciou que voltou a fazer parte do júri, que na sua opinião “voltou a ser soberano”.

Musk diz que equipe jurídica do Twitter o acusou de violar acordo de confidencialidade

Bilionário revelou que o tamanho da amostragem para verificação de contas falsas e automatizadas era de 100 usuários
Reuters

Elon Musk

NOVA YORK – O bilionário Elon Musk afirmou que a equipe jurídica do Twitter o acusou de violar um acordo de confidencialidade ao revelar que o tamanho da amostragem para as verificações da plataforma de mídia social sobre usuários automatizados (bots) e contas falsas era de 100.

“O departamento jurídico do Twitter acabou de ligar para reclamar que eu violei seu DNA ao revelar que o tamanho da amostra de verificação de bot é 100!” , disse o CEO  da fabricante de carros elétricos Tesla em tuíte no sábado.

Na sexta-feira, Musk chegou a afirmar que seu acordo de US$ 44 bilhões para fechar o capital do Twitter e torná-la uma de suas empresas estava temporariamente suspenso enquanto ele aguardava dados sobre contas falsas.

Horas depois, afirmou que continuava comprometido com a compra, mas disse que sua equipe testaria “uma amostra aleatória de 100 seguidores” no Twitter para identificar os bots.

Neste domingo, o bilionário voltou a defender o código aberto do algoritmo do Twitter como forma de combater robôs e evitar bugs. Em sua conta pessoal, Musk reafirmou que, com o atual modelo, os usuários estão “sendo manipulados pelo algortimo de maneiras que você desconhece”.

“Não estou dizendo que há malícia no algoritmo, mas está, sim, tentando entender o que você gostaria de ler e, ao fazer isso, inadvertidamente manipula/amplifica seus pontos de vista sem que você se dê conta do que está acontecendo”, afirmou, em uma publicação.

O Twitter havia estimado, no início deste mês, que contas falsas ou de spam representavam menos de 5% de seus usuários ativos diários e monetizáveis (ou seja, que rendiam dinheiro à plataforma) durante o primeiro trimestre deste ano.

No entanto, a rede social informou que havia feito uma reavaliação das estimativas e que o número poderia ser maior.

A resposta de Musk a uma pergunta motivou a acusação do Twitter.

Quando um usuário pediu a Musk para “explicar o processo de filtragem de contas de bots”, ele respondeu: “Eu escolhi 100 como o número do tamanho da amostra, porque é isso que o Twitter usa para calcular.

“Qualquer processo sensato de amostragem aleatória é bom. Se muitas pessoas obtiverem resultados semelhantes de forma independente para % de contas falsas/spam/duplicadas, isso será revelador. Eu escolhi 100 como o número do tamanho da amostra, porque é isso que o Twitter usa para calcular <5% falso/spam/duplicado”.

Musk tuitou durante as primeiras horas deste domingo que ainda não viu “qualquer” análise que mostre que a empresa de mídia social tem menos de 5%  de contas falsas.

Mais tarde, disse que “há alguma chance de ser mais de 90% dos usuários ativos diários”.

Ações do Twitter caem quase 11% na abertura da Bolsa de Nova York após Musk anunciar suspensão temporária de acordo de compra

Homem mais rico do mundo apontou pendências sobre a quantidade de contas falsas na plataforma de mídia social.

A abertura da Bolsa de Nova York nesta sexta-feira (13) registrou queda de 10,98% nas ações do Twitter.

A queda ocorreu horas depois de Elon Musk ater anunciado a suspensão temporária da compra do Twitter, à espera de detalhes sobre a proporção de contas falsas na rede social.

Duas horas depois, ele disse que “ainda está comprometido com a compra“.

Depois do anúncio, a ação do Twitter caiu em torno de 20% nas negociações prévias à abertura da Bolsa de Nova York, segundo a France Presse.

“O acordo (para a compra) do Twitter temporariamente suspenso por pendências em detalhes que sustentam que contas falsas de fato representam menos de 5% dos usuários”, afirmou, em um post na rede social.

No final de abril, o homem mais rico do mundo anunciou um acordo para comprar a rede social por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 215 bilhões).

Criada em 2006, a plataforma tem mais de 217 milhões de usuários mensais.

Elon Musk anuncia suspensão do acordo para comprar o Twitter

Aquisição dependeria de confirmação sobre número de contas falsas; pouco depois, bilionário diz que continua comprometido

Elon Musk

NOVA YORK | AFP e REUTERSElon Musk anunciou nesta sexta-feira (13) a suspensão temporária do acordo para comprar o Twitter. Posteriormente, o bilionário afirmou em post na rede social que ainda está comprometido com a aquisição. As ações da empresa desabam em Wall Street.

Segundo o bilionário, a compra depende da confirmação do número de usuários com contas de spam ou falsas na rede. No início deste mês, o Twitter havia estimado que contas falsas ou de spam representavam menos de 5% de seus usuários ativos diários —a rede divulgou ter 229 milhões de usuários que receberam publicidade no primeiro trimestre deste ano.

Segundo o dono da Tesla, reduzir o número dessas contas seria um de seus principais motivos para comprar a plataforma.​

O bilionário também já havia declarado que pretendia introduzir novas ferramentas, abrir o código dos algoritmos, combater os bots e autenticar “todos os humanos”.

Ele também disse que pretendia fechar o capital da empresa e, em entrevista posterior, afirmou que poderia reabri-lo após um intervalo.

Em entrevista nesta semana, Musk afirmou que restabeleceria a conta no Twitter do ex-presidente dos EUA Donald Trump, por considerar a proibição “moralmente errada”.

Nesta sexta, o Twitter não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência Reuters. Os representantes de Musk ou sua empresa Tesla Inc não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

AÇÕES DO TWITTER CAEM APÓS ANÚNCIO

A compra —uma das maiores da história corporativa— poderá tornar Musk um barão das redes sociais, com poder de controlar o que ele mesmo definiu como a “praça pública de fato do mundo”.

O homem mais rico do mundo ofereceu, no final de abril, US$ 44 bilhões pela empresa.

As ações do Twitter caíram 19% nas negociações pré-mercado em Nova York nesta sexta, após o anúncio de Musk. Não houve novo registro no site da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA explicando o comentário de Musk na manhã de sexta-feira.

Com a queda, os papeis atingiram o nível mais baixo desde que Musk divulgou sua participação na empresa no início de abril, segundo a agência Reuters.

A empresa de mídia social disse que enfrenta vários riscos até que o acordo com Musk seja fechado, incluindo se os anunciantes continuariam gastando no Twitter em meio a “possível incerteza em relação a planos e estratégias futuras”.

BILIONÁRIO PROMETEU USAR DINHEIRO PRÓPRIO NA COMPRA

Homem mais rico do planeta segundo a lista de bilionários da Forbes, com uma fortuna estimada em aproximadamente US$ 219 bilhões (R$ 1,1 trilhão), o CEO da Tesla havia informado que usaria uma parte de seu próprio patrimônio para ter a própria rede social.

Ao anunciar no final de abril o fechamento do acordo para adquirir o Twitter, declarou que desembolsaria quase metade do valor total —cerca de US$ 21 bilhões (R$ 104,3 bilhões)— em patrimônio pessoal —na pessoa física.

O modelo desenhado para a operação, contudo, acabou colocando sob pressão outros negócios do bilionário sul-africano —a fabricante de carros elétricos Tesla, por exemplo, viu suas ações afundarem com a perspectiva de que fossem dadas em garantia de empréstimos.

Musk articulava um empréstimo coletivo de até US$ 25,5 bilhões (R$ 126,6 bilhões) junto a grandes bancos de Wall Street, liderados pelo Morgan Stanley, que assessorou o bilionário durante as negociações pelo Twitter.

Desse montante, cerca de US$ 12,5 bilhões (R$ 62 bilhões) seriam oriundos de um empréstimo garantido pela participação detida por Musk na montadora Tesla. A fatia do bilionário na fabricante de veículos elétricos é estimada em cerca de US$ 170 bilhões (R$ 844,2 bilhões).

Investidores viram nessa medida o risco de que Musk tenha que vender parte de sua participação na empresa para honrar o compromisso assumido no financiamento do Twitter.

Segundo reportagem da agência Bloomberg, entre outras hipóteses levantadas por especialistas de mercado para que Musk garanta os recursos necessários estão atrair sócios para investir no negócio ou vender ativos que não as empresas sob seu controle —criptomoedas, por exemplo.

Em julho do ano passado, ele afirmou que detinha Bitcoin, Ether e Dogecoin, embora a quantidade não seja conhecida.​

Já os outros US$ 13 bilhões (R$ 64,5 bilhões) deverão ser obtidos no mercado por meio da emissão de dívidas de empresas controladas pelo empresário.

MULTA PELO ROMPIMENTO DO ACORDO É DE US$ 1 BILHÃO

Pessoas familiarizadas com o negócio afirmam que Musk teria se comprometido a pagar uma multa caso o negócio fracasse por motivos não relacionados a problemas de financiamento.

O valor seria de US$ 1 bilhão, considerado baixo nesse tipo de negociação —equivale a menos de 1% da fortuna do bilionário.

Não está claro como tal cláusula se aplicaria se Musk determinasse que os números de usuários do Twitter estavam incorretos.

TWITTER PERDEU EXECUTIVOS E SUSPENDEU CONTRATAÇÕES

Nesta quinta (12), a empresa confirmou a saída de dois executivos e também suspendeu a maioria das contratações na empresa, ainda sob a expectativa de que Elon Musk assumisse a plataforma.

Kayvon Beykpour, gerente geral que lidera a área de pesquisa, design e engenharia no Twitter, deixará a empresa, juntamente com o líder de produtos Bruce Falck, informou um porta-voz do Twitter à agência de notícias AFP.

Beykpour disse que foi demitido. “A verdade é que não era assim que eu imaginava deixar o Twitter, e não foi minha decisão”, informou em um tuíte Beykpour, que cumpria licença-paternidade quando recebeu a notícia.

Segundo ele, o CEO do Twitter, Parag Agrawal, pediu que ele deixasse a empresa, argumentando que “deseja conduzir a equipe por um caminho diferente”.

A plataforma também confirmou que suspendeu novas contratações a partir desta semana, e que está incorporando apenas cargos essenciais.

Fundado em 2006 com a proposta de ser uma rede de compartilhamento de status entre indivíduos em textos de no máximo 140 caracteres (posteriormente ampliados para 280), o Twitter transformou-se em um espaço relevante de debate, com a presença de formadores de opinião, políticos e celebridades. ​

Conheça a Mastodon, rede social que cresceu após Musk comprar o Twitter

Logo do Mastodon, rede social federada que faz parte do Fediverso, uma rede descentralizada e interligada de servidores operados de maneira independente – Reprodução

SÃO PAULO – A compra do Twitter por Elon Musk, no final de abril, pode ter gerado uma corrida a outra rede social menos conhecida e sem fins lucrativos: o Mastodon.

A plataforma, criada em 2016, permite a publicação de vídeos, fotos e textos de até 500 caracteres em uma linha do tempo que pode ser visitada por outros usuários, um modo de funcionamento bastante semelhante ao do Twitter.

O fundador e CEO do Mastodon, Eugen Rochko, vem publicando números do crescimento da sua plataforma desde 22 de abril, uma semana após a oferta de US$ 43 bilhões pelo gigante da internet.

“O número de usuários ativos mensais do Mastodon aumentou em 84.597 desde a divulgação da história da compra do Twitter”, afirmou ele na sua própria rede, em uma publicação de 27 de abril. Dois dias depois, os novos usuários ativos desde o fim de março já estavam em 176 mil.

Ao todo, a rede tem quase 3 milhões de usuários —500 mil deles ativos. No seu último balanço, o Twitter disse ter 217 milhões de usuários ativos.

No Google, a busca por “mastodon” (em português, mastodonte, um animal pré-histórico da família dos mamutes) teve um pico entre os dias 24 e 30 de abril.

Tamanho furor acontece porque a compra dividiu os usuários. O próprio criador da plataforma alternativa disse que uma das coisas que o motivaram a olhar para mídias descentralizadas em 2016 foi “o boato de que um controverso bilionário poderia comprar o Twitter”.

Musk, que se descreve como um absolutista da liberdade de expressão, planeja fechar o capital do Twitter para implementar as mudanças que deseja, o que inclui a revisão das políticas de moderação de conteúdo.

No Brasil, enquanto bolsonaristas celebravam a compra e ganhavam milhares de seguidores —fenômeno visto como inautêntico por analistas—, críticos de Musk lamentavam a notícia e cogitavam abandonar a plataforma.

Embora as redes sejam parecidas, há duas diferenças que podem ter pesado na escolha dos novos usuários: o Mastodon é federado e escrito em código aberto.

Por estar em código aberto, todos podem ver e baixar a “receita” do site, ou seja, as instruções que fazem a rede social ser como é. Ser federado significa que a plataforma compartilha parte do código com outras redes sociais também federadas, garantindo a interlocução entre elas.

Na prática, ao se cadastrar, o usuário deve escolher um servidor —serviço que mantém um site no ar. Seu nome de usuário fica vinculado aquele grupo, chamado de “instância”. São espécies de comunidades temáticas (brasileira, LGBT ou liberal, por exemplo) criadas por moderadores que querem abrir um espaço de debate.

Cada instância tem regras próprias, ou seja, o usuário tem mais poder na rede. A masto.donte.com.br, por exemplo, uma comunidade brasileira, veta discursos preconceituosos, linguagem violenta, apologia a governos totalitários e desinformação intencional.

“Conheci o Mastodon lá pra abril de 2017, numa das crises do Twitter”, afirma Renato Cerqueira, um dos fundadores da instância. “Na época, eu estava saindo do Facebook por discordar do tratamento de dados.”

Na opinião dele, o fato de ser federada muda a relação do usuário com a rede. A maioria dos servidores, diz, são menores, o que facilita o trabalho dos coordenadores das instâncias e dá mais agilidade nas respostas.

“A moderação é mais próxima e problemas tendem a ser resolvidos mais rapidamente”, afirma. “Pelo mesmo motivo, é mais fácil isolar servidores problemáticos. Servidores de extrema-direita, por exemplo, existem, mas são banidos pela maior parte dos servidores da federação e ficam isolados numa bolha própria.”

O código aberto permite ainda outros tipos de customização das instâncias. Algumas delas bloqueiam o envio de mensagens para usuários de outras instâncias, ou permitem a edição de textos em negrito ou itálico, por exemplo.

Nos últimos dias, o Mastodon ficou lento após o aumento de acessos. “Novamente estou trabalhando para arrumar isso. Por favor sejam pacientes”, afirmou Eugen Rochko na sua criação.

Funcionários do Twitter passaram anos tentando tornar a plataforma mais segura. Elon Musk poderia minar tudo isso

POR BILLY PERRIGO  26 DE ABRIL DE 2022 12H41 EDT

Ilustração de Tim O’Brien para TIME

Aqui está uma velha piada entre os funcionários do Twitter de que estar na plataforma é como jogar um grande jogo multiplayer online onde todos os dias há um personagem principal diferente – ou seja, uma pessoa que é criticada, assediada ou empurrada para o centro das atenções. De acordo com a piada, você tem apenas um objetivo no jogo do Twitter: nunca se tornar esse personagem principal.

Um dia em 2018, o personagem principal do Twitter era Vernon Unsworth, um mergulhador britânico que passou dias ajudando no resgate de um grupo de meninos tailandeses presos em uma caverna inundada. Depois que o bilionário Elon Musk ofereceu um submarino minúsculo aos mergulhadores de resgate, Unsworth disse à mídia que a ideia de Musk era apenas um golpe inútil de relações públicas. Musk então foi ao Twitter, onde (em tweets que mais tarde ele apagou) ele acusou infundadamente o homem de ser um “pedófilo”. Os tweets levaram centenas de fãs de Musk a atacar o mergulhador com ataques abusivos e humilhantes. Musk posteriormente se desculpou pelos tweets no tribunal, dizendo que não queria que eles fossem levados literalmente.

A saga foi um exemplo de dogpiling: um fenômeno em que poderosos usuários do Twitter estimulam legiões de seus fãs a assediar outra pessoa. Durante anos, equipes de funcionários do Twitter trabalharam – embora com sucessos limitados – para reduzir o dogpilling e outras formas comuns de abuso.

Em 25 de abril, esses funcionários do Twitter souberam que Musk, arquiteto da saga “pedo guy”, poderia se tornar seu novo chefe – depois que o conselho aceitou uma oferta de US$ 44 bilhões do homem mais rico do mundo.

Em comunicado anunciando que o Twitter havia concordado em deixá-lo comprar a rede social, o CEO da Tesla e da SpaceX falou em termos grandiosos familiares a quem segue seus pronunciamentos sobre colonizar Marte ou construir veículos elétricos: “A liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento. , e o Twitter é a praça da cidade digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade.”

Mas muitos na linha de frente da luta por espaços democráticos online questionaram se a propriedade de Musk do Twitter prejudicaria, em vez de reforçar, a democracia. Para funcionários que testemunharam o próprio comportamento de Musk na plataforma, as palavras do bilionário sobre liberdade de expressão soaram vazias. Com mais de 85 milhões de seguidores, Musk usou sua conta influente não apenas para direcionar insultos a críticos e compartilhar memes sobre ir ao banheiro, mas também, segundo os reguladores , para fazer “declarações públicas falsas e enganosas” que impulsionaram o preço das ações da Tesla. e prejudicou os investidores.

Alguns funcionários do Twitter acreditam que esse registro é um mau presságio para os esforços anti-assédio da empresa. “Várias vezes, seus seguidores foram os autores de assédio direcionado, e o uso de seu perfil encorajou o dogpiling – que são exatamente os comportamentos que estamos tentando limitar”, disse um funcionário da equipe de saúde da plataforma do Twitter, que trabalha para tornar o site um espaço online mais seguro para os usuários. “Desde que Trump foi banido, Musk se tornou o usuário número um do Twitter”, disse a pessoa. O funcionário, que não estava autorizado a falar publicamente, acrescentou que temia que a aquisição de Musk, no mínimo, reduziria a confiança do usuário nos esforços antiabuso do Twitter e, na pior das hipóteses, poderia resultar na despriorização ou cancelamento do trabalho.

Membros de comunidades marginalizadas – que são desproporcionalmente vítimas de ameaças e abusos online – estão entre as mais protegidas pelo atual sistema de moderação de conteúdo do Twitter. Ativistas dessas comunidades compartilham as preocupações dos funcionários do Twitter de que essas proteções possam ser revertidas. “Se Elon Musk assumisse o controle, o dano que seria causado se espalharia pelos funcionários do Twitter que não conseguiriam implementar as coisas de que precisam para manter a plataforma segura”, Jelani Drew-Davi, gerente de campanha do digital civil. grupo de direitos humanos Kairos, disse à TIME nos dias que antecederam o acordo. Como exemplo do histórico de Musk em assuntos semelhantes, Drew-Davi citou um processo alegando uma cultura de abuso racista desenfreado contra trabalhadores negros em uma fábrica da Tesla na Califórnia.

Desde a explosão do uso de mídia social há mais de uma década, pesquisadores e tecnólogos forjaram uma compreensão das maneiras pelas quais o design de sites de mídia social tem impacto no discurso cívico e, em última análise, nos processos democráticos. Uma de suas principais descobertas: sites que privilegiam a liberdade de expressão acima de tudo tendem a se tornar espaços onde o discurso cívico é abafado pelo assédio, restringindo a participação a poucos privilegiados.

Essa descoberta informou o trabalho recente do Twitter. Embora a empresa remova tweets e bane contas de infratores graves, grande parte de sua abordagem atual se concentra em estimular os usuários a serem mais gentis. Antes da oferta de Musk, uma das prioridades declaradas da plataforma era facilitar “conversas seguras, inclusivas e autênticas”. Também se comprometeu a “minimizar a distribuição e o alcance de informações prejudiciais ou enganosas, especialmente quando sua intenção é interromper um processo cívico ou causar danos offline”. Nos casos em que os tweets são considerados ruins para o discurso cívico, mas não ilegais – como desinformação ou insultos – os tweets podem ser removidos dos algoritmos de recomendação, o que significa que o Twitter não os impulsiona para os feeds de usuários que não seguem seu autor diretamente, em vez de ser totalmente excluído da plataforma.

“De certa forma, os objetivos [de Musk] estão alinhados com os nossos, pois certamente estamos interessados ​​em proteger a democracia”, diz o funcionário do Twitter da equipe de saúde. “Mas a ideia de trazer mais liberdade de expressão para a plataforma expõe sua ingenuidade em relação às porcas e parafusos. Muitas plataformas [foram] fundadas nesse princípio de liberdade de expressão, mas a realidade é que ou elas se tornam uma fossa que as pessoas não querem usar, ou percebem que há realmente a necessidade de algum nível de moderação.”

Analistas de negócios apontam que a moderação de conteúdo também é boa para os lucros. “Sem moderação de conteúdo vigorosa, a plataforma que Musk busca possuir seria inundada por spam, pornografia, desinformação anti-vacinação, conspirações de QAnon e campanhas fraudulentas para minar as eleições presidenciais de meio de mandato e 2024”, disse Paul Barrett, vice-diretor da NYU. Stern Center for Business and Human Rights, em um comunicado. “Esse não é um negócio com o qual a maioria dos usuários de mídia social ou anunciantes gostaria de se associar.”

O acordo de aquisição de Musk não foi uma história simples. Houve várias reviravoltas, pois o financiamento parecia duvidoso e o conselho de administração do Twitter parecia reticente, adotando uma estratégia conhecida como “pílula venenosa” para evitar uma aquisição. Durante todo o tempo, Musk apresentou sua busca como um desafio às elites intransigentes do Vale do Silício. Suas declarações sobre liberdade de expressão muitas vezes se alinham com os pontos de discussão republicanos de que os conservadores estão sendo injustamente censurados por empresas de tecnologia e – em um movimento que pode abrir as portas para o retorno do ex-presidente Donald Trump à plataforma – Musk disse que preferiria “ tempo limite” para usuários que quebram as regras do site, em vez de banimentos permanentes. (O Twitter baniu Trump permanentemente após 6 de janeiro de 2021, por incitação à violência durante sua tentativa de derrubar de forma não democrática os resultados das eleições de 2020.)

O debate sobre transparência no Twitter

Juntamente com compromissos vagos, incluindo adicionar um botão de edição e se livrar de spam na plataforma, o apelo mais substancial de Musk foi para que o Twitter fosse mais transparente sobre sua tomada de decisões. Ele quer que ele “abra o código” de seu algoritmo, para que os usuários possam descobrir quando o Twitter parou de recomendar seus tweets a outros usuários. “Essa ação deve ser tornada aparente”, disse ele em uma conferência TED em 14 de abril, “para que não haja manipulação nos bastidores, seja algorítmica ou manual”.

Mas os funcionários que trabalham nas trincheiras da moderação de conteúdo dizem que, embora a transparência total seja um objetivo nobre, informar os usuários sobre quais tweets específicos estão sendo “rebaixados” na prática daria aos maus atores informações úteis sobre como evitar os limites de spam, desinformação e discurso de ódio. De fato, o Twitter já está entre as redes sociais mais transparentes em termos de compartilhamento de como seu algoritmo funciona, além de pesquisar suas próprias falhas e compartilhar os resultados publicamente.

Essa pesquisa sugere que, na prática, visões mais conservadoras podem ter se beneficiado mais do design do algoritmo do Twitter. Em outubro passado, o Twitter divulgou uma pesquisa mostrando que seu algoritmo estava agindo de forma suspeita: no período que antecedeu as eleições de 2020 nos EUA, fontes de notícias partidárias de direita receberam um impulso maior do algoritmo do Twitter do que fontes de notícias moderadas ou de esquerda. A pesquisa também encontrou um efeito semelhante para políticos em seis dos sete países estudados, incluindo os EUA. Ela mostrou que o algoritmo do Twitter recomendou, a mais usuários, postagens de políticos de partidos de direita tradicionais do que de partidos centristas ou de esquerda.

Seis meses depois, essa equipe continua seu trabalho analisando o viés algorítmico, em meio a sugestões de alguns conservadores de que esse trabalho significa interferir na liberdade de expressão. As primeiras indicações sugerem, de acordo com o Twitter, que o impulso da plataforma de políticos de centro-direita não é uma qualidade intrínseca de seu algoritmo. Em vez disso, os pesquisadores descobriram que a amplificação muda ao longo do tempo de acordo com os tópicos com os quais as pessoas se preocupam e as mudanças na forma como os usuários se comportam. Os dados estão ajudando os pesquisadores a começar a entender o Twitter como um “sistema sociotécnico”, com definições sobre o que constitui níveis normais e anormais de amplificação algorítmica de conteúdo político. Tal entendimento pode um dia permitir que a empresa intervenha quando eventos perigosos do mundo real estiverem acontecendo. Mas fazer isso seria uma intervenção política necessariamente baseada nos valores do Twitter como empresa. Da noite para o dia, esses valores parecem ter mudado de “facilitar uma conversa saudável” para o autoproclamado “absolutismo” de liberdade de expressão de Musk.

No Twitter, onde o discurso é limitado a 280 caracteres por tweet, a discussão sutil de pesquisas complexas e julgamentos de valor não é fácil – e no clima febril, até os próprios funcionários do Twitter correm o risco de se tornar o temido personagem principal do Twitter. Rumman Chowdhury, líder da equipe que realizou a pesquisa de amplificação algorítmica, sugeriu em uma série de tweets que ela se opunha a Musk comprar a empresa, embora ela não tenha dito que isso era por medo de que sua aquisição significasse uma fim de seu trabalho. Em vez disso, seus comentários pareciam fazer referência à capacidade dele de armar multidões do Twitter contra os críticos. “O efeito arrepiante imediato de Musk foi algo que me incomodou significativamente”, escreveu ela. “O Twitter tem uma bela cultura de críticas construtivas hilárias, e eu vi isso em silêncio por causa de seus asseclas atacando funcionários.” Logo, ela silenciou suas notificações no tópico, acrescentando: “os trolls desceram”.

Da anorexia à compulsão, por que a incidência de transtornos alimentares nas adolescentes nunca foi tão alta

Em busca de imagem ‘ideal’, jovens propagam hashtags de dietas mirabolantes nas redes sociais, e especialistas atrelam fenômeno ao desenvolvimento de distúrbios
Thayz Guimarães

A atriz e influenciadora Dora Figueiredo desenvolveu um quadro de depressão e transtornos alimentares Foto: Divulgação

RIO — Uma nova hashtag tem ganhado força nas redes sociais e apavorado os médicos. Em pouco tempo, #TudoQueEuComoEmUmDia e suas variações passaram a reunir milhões de vídeos de meninas filmando e narrando as refeições restritas que fazem em 24 horas. Disfarçada de brincadeira, a tendência opera sob uma lógica cruel de difusão e incentivo a dietas mirabolantes, que sem comprovação científica ou acompanhamento profissional podem desencadear transtornos alimentares sérios em troca do contorno “ideal”.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 4,7% da população brasileira sofre de transtornos alimentares. Entre os adolescentes, o índice chega a espantosos 10%. A incidência é maior entre o público feminino, com sete a oito mulheres para cada homem diagnosticado com quadros como os de bulimia, anorexia, transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) e compulsão.

— As redes e a mídia têm um efeito muito danoso para algumas pessoas, especialmente adolescentes, que ainda estão em formação — afirma o psiquiatra Fábio Salzano vice-coordenador do Ambulim, o programa de tratamento de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP). — Eles não têm maturidade para discernir que, às vezes, uma imagem no Tik Tok ou no Instagram é extremamente difícil de ser reproduzida de maneira natural e saudável.

Influências tóxicas

A influenciadora digital, atriz e apresentadora Dora Figueiredo, de 28 anos, é uma dessas pessoas. Com mais de 750 mil seguidores no Instagram (e outras centenas de milhares do Twitter e TikTok), ela internalizou, desde muito nova, que a magreza era um pré-requisito para ser bonita, elegante e bem-sucedida. As redes sociais, um namoro tóxico e até mesmo a relação com a família contribuíram para ativar diversos gatilhos que a levaram a desenvolver problemas como depressão, ansiedade, anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

— Eu tinha por volta de 15 anos quando comecei a tomar anticoncepcional e engordei um pouquinho. Só que eu me via muito maior do que era de fato. Achava que estava gorda, que comia demais, sendo que pesava uns 48kg e tinha 1,70 m de altura. Quando algum médico dizia que meu IMC [índice de massa corporal] estava muito abaixo do mínimo saudável, eu me recusava a aceitar. Falava para mim mesma que nunca vestiria mais que [manequim] 38 ou pesaria mais que 60 kg — diz Figueiredo.

Segundo especialistas, os transtornos mais comuns entre jovens são a anorexia, em que o paciente sente a necessidade de manter um peso abaixo do padrão e tem uma visão distorcida do próprio corpo; compulsão alimentar, quando ingere grande quantidades de alimentos de uma só vez e com frequência; bulimia, que inclui quadros de compulsão, seguidos de medidas para perder peso, como vomitar ou ingerir laxantes e purgativos; e o TARE, que pode ser mais comum em crianças e se caracteriza pela não ingestão de certas comidas, causando restrições.

Quadros alterados

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que quem sofre de anorexia pode manter um peso normal, embora o corpo esteja enfraquecido e mostre alterações de frequência cardíaca e pressão arterial. Havendo alguma desconfiança por parte da família, o recomendado é buscar avaliação médica.

— Transtornos alimentares podem trazer complicações clínicas, como mudanças endócrinas, complicações metabólicas, alterações ósseas e hidroeletrolíticas (levando a risco de arritmias, por exemplo) — explica Mariana Dimitrov, pós-doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Em casos extremos, também podem levar à morte. a taxa de mortalidade na anorexia gira em torno de 5% a 6%. Já a taxa de mortalidade da bulimia varia de 0,5% a 2%, mas o índice de suicídios entre pacientes com o transtorno é maior, diz a especialista.

Segundo Salzano, o problema tem raízes multifatoriais, incluindo questões genéticas, familiares, socioculturais e também de personalidade. Ele explica que também existem consequências no cérebro, em neurotransmissores como adrenalina, dopamina e serotonina.

— À medida que a pessoa perde muito peso, ela vai deixando de ingerir nutrientes, principalmente na anorexia. E isso faz também com que ocorra um déficit de fabricação desses transmissores cerebrais, o que, por sua vez, facilita com que a pessoa entre num processo obsessivo, que favorece com que ela queira perder cada vez mais peso — explica o médico.

Quem vê a desenvoltura da influencer Dora Figueiredo nas redes não imagina que ela só começou a falar sobre seus transtornos alimentares com a própria terapeuta há uns três ou quatro anos. Foi depois de uma relação extremamente tóxica e um término de namoro traumático que ela entendeu — e aceitou — que precisava de ajuda. Hoje em dia, ela conta que está bem, se cuidando, mas que isso não significa que os transtornos não a afetam mais. É algo que “te acompanha para o resto da vida”, ela diz.

— Para sair desse ciclo de ódio com meu próprio corpo, eu tive que chegar ao fundo do poço e dar um impulso de volta. Mas é um trabalho diário, você precisa estar sempre atenta aos gatilhos que te deixam mal. Hoje, pelo menos, entendo que ficar perseguindo padrões me toma não só tempo de vida, como felicidade. E eu não posso deixar para ser feliz só quando eu estiver pesando tantos quilos. Eu quero ser feliz hoje.

Spotify desliga fundo de criadores voltado ao Greenroom

Empresa afirma que mudança faz parte de redirecionamento do investimento na criação de conteúdo ao vivo
Pedro Strazza

Imagem: FellowNeko / Shutterstock.com

Lançado há dez meses para concorrer com o Clubhouse, o Greenroom pelo visto já deixou de ser uma esperança dentro do ecossistema de negócios do Spotify. Em e-mail enviado na última segunda-feira (18) a todos os aplicantes, a companhia confirmou que o fundo de financiamento de criadores para a plataforma de conversas ao vivo não seguirá em frente.

“Nós planejamos mudar nosso foco para outras iniciativas envolvendo criadores de conteúdo ao vivo” escreve o Spotify no comunicado geral. Apesar da justificativa, a empresa não deu maiores detalhes do porquê da mudança de planos, além de não ficar claro se a plataforma chegou a emitir pagamentos a criadores de conteúdo pelo fundo.

Como bem nota o Podnews, a página original do programa do Greenroom dizia que a página de cadastro estava liberada e que pagamentos seriam emitidos “mais tarde no verão” americano de 2021, sendo recentemente alterada com uma nova previsão para 2022. Com nenhuma parte se pronunciando, fica o mistério.

Vale lembrar que há duas semanas o Spotify oficializou uma reestruturação do Greenroom que incluía um novo batismo, o Spotify Live, e uma inserção mais direta no aplicativo central da companhia. Na ocasião, foram anunciados programas exclusivos com estrelas como Hasan Minhaj e o Swedish House Mafia.