Startup de benefícios Vee recebe R$ 200 milhões de investimento após fusão com a francesa Swile

Com o cheque, a brasileira quer transacionar na plataforma R$ 2 bilhões em 2022 e chegar a até 1 milhão de usuários até 2023
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee
Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee

A startup de benefícios Vee recebeu R$ 200 milhões em investimentos da francesa Swile, que opera no mesmo segmento e fundiu as operações com a brasileira no País com troca de ações. O Brasil é o maior mercado no setor de benefícios corporativos, com R$ 150 bilhões movimentados por ano em vale alimentação, vale refeição, pagamentos de bônus e premiações. Atrás, vêm França e México.

A Swile, startup que totaliza aportes de R$ 700 milhões, já pretendia aterrissar no Brasil como parte de sua estratégia de expansão internacional, mas optou pela fusão com a Vee, anunciada na quinta-feira, 11. Por aqui, a operação continuará a ser comandada pela brasileira, que atua desde 2018 no País e já soma mais de 50 mil beneficiários ativos e 800 mil empresas como clientes.

“A operação foi para garantir volume de investimentos, e não vender a companhia e sair dela, mas sim olhar para um mercado em que a gente acredita e brigar por investimentos”, conta ao Estadão Marcelo Ramos, cofundador da Vee e atualmente presidente do conselho da empresa. 

A startup espera aplicar o cheque de R$ 200 milhões para transformar o seu aplicativo de gestão a partir do conceito de “one stop shop” para os departamentos de Recursos Humanos, que poderão gerenciar folhas de pagamento, benefícios corporativos e outras soluções digitais para os colaboradores das empresas.

Esse movimento de digitalização foi acelerado em 2020, quando a pandemia de covid-19 forçou o confinamento das pessoas em suas casas e fez com que o trabalho fosse realizado em casa. A Vee respondeu criando já em março um “cartão home office”, destinado a empresas que queriam bancar custos de luz, telefone, internet ou de escritório dos seus trabalhadores. No ano, a startup viu serem transacionados R$ 73 milhões na plataforma, ante R$ 1,7 milhão de 2019.

Com a intensificação da digitalização, a perspectiva é que a startup atinja as metas de somar 590 mil usuários na plataforma, 9,1 mil clientes e de R$ 2 bilhões transacionados até 2022. Em 2023, o objetivo é fechar o ano com quase o dobro de usuários, em 1 milhão. 

O crescimento da Vee, no entanto, acontece em meio à pandemia de covid-19, cujo impacto sobre o mercado de trabalho formal, do qual o segmento de benefícios corporativos é altamente dependente, é gigantesco. Do primeiro trimestre de 2020 para os últimos três meses do mesmo ano, segundo o IBGE, a taxa de desocupação no Brasil saltou de 12,2% para 14,1%.

Para Marcelo Ramos, no entanto, o cenário de desarranjo econômico pós-pandemia não deve atrapalhar os planos da startup, que busca clientes do setor de pequenas e médias empresas, o mais afetado pelos lockdowns necessários para combater o novo coronavírus. Por oferecer um produto que reúne em uma única plataforma vários fornecedores, a Vee acredita ser uma boa solução conseguir fazer com que as PMEs migrem para o serviço. 

“Nosso modelo não faz com que a gente tenha problema de escala potencial”, afirma. “A gente embarca num mundo em que vai haver empresa fechando e demitindo pessoal, mas vai ter aquelas que vão buscar soluções alternativas para não mandar gente embora e perseverar na crise.”

SoftBank encerra parceria com a startup de hospedagens Oyo na América Latina

A Oyo afirma que continuará a operar na região com atendimento principalmente digital e administração direto da Índia; empresa vai demitir quase toda a sua equipe na América Latina

Os negócios da Oyo vêm sendo impactados desde o início da pandemia

O SoftBank deixará as operações comerciais da startup indiana de hospedagens Oyo na América Latina. O anúncio foi feito pelas empresas nesta quinta-feira, 11, e o fim da parceria acontece seis meses após as duas partes firmarem uma parceria focada na região.

O grupo japonês injetou US$ 75 milhões nas operações da Oyo na América Latina. Em setembro do ano passado, em meio às dificuldades impostas pela pandemia, a Oyo passou o controle de suas operações na América Latina para o SoftBank.

Apesar do fim da joint venture latino-americana com o SoftBank, a Oyo afirma que suas operações na região continuam. Porém, a empresa anunciou que passará a adotar um modelo de serviço principalmente digital, com atendimento remoto a clientes e proprietários de hotéis. A Oyo disse também que as mudanças vão exigir a demissão de quase toda a sua equipe na região – a startup não revela números. Os poucos funcionários que ficarão serão os responsáveis pelo contato diário com hoteleiros. Hoje, a Oyo possui cerca de 1 mil hotéis parceiros na América Latina, sendo 450 no Brasil.

Desde o início da pandemia, os dois escritórios da startup na região, no Brasil e no México, estão fechados. Agora, a empresa confirma que as atividades na região serão gerenciadas diretamente da Índia.

O SoftBank disse que a decisão foi tomada em conjunto com a Oyo devido aos desafios trazidos pela pandemia do coronavírus, e que não iria mais investir na empresa na região.

A Oyo tem enfrentado dificuldades em seus mercados em todo o mundo devido à crise do coronavírus, que atingiu em cheio a indústria do turismo e reduziu drasticamente sua força de trabalho. De acordo com o Wall Street Journal, a empresa agora vai focar sua atenção nos mercados em que sua operação é mais forte, como a Índia, a Europa e o Sudeste Asiático. / COM REUTERS

Após aporte do SoftBank, startup Cortex compra empresa de inteligência de dados ITB360

A Cortex, que atua na área de dados, recebeu no ano passado um investimento de R$ 170 milhões liderado pelo grupo japonês

Daniel Pires e Leonardo Rangel, fundadores da Cortex
Daniel Pires e Leonardo Rangel, fundadores da Cortex


Depois de receber um aporte de R$ 170 milhões liderado pelo SoftBank em junho do ano passado, a startup brasileira Cortex anuncia agora sua primeira aquisição: a empresa, que atua na área de dados, comprou a startup ITB360, especializada na coleta de informações sobre companhias para inteligência de vendas. 

Fundada pelos empresários Daniel Pires e Leonardo Rangel, a Cortex é dona de uma plataforma voltada a marketing e vendas que usa dados de mercado e informações internas de clientes, gerando previsões e recomendações para a tomada de decisão. Segundo a Cortex, a plataforma atende clientes como Unilever, SulAmérica e L’oreal.

Segundo Rangel, a ITB360 ajudará a Cortex a dar maior foco em soluções para inteligência de vendas. “Testamos diversas empresas. A ITB360 se destacou por ter dados de empresas a nível global e ter riqueza e qualidade de informações bem diferenciadas”, afirma o executivo. A startup adquirida diz ter mais de 17 mil fontes de dados em 150 países.

Também são investidores da Cortex os fundos Riverwood e Redpoint. 

Startups miram oportunidades de negócios dentro do WhatsApp

Geração de empresas constrói ferramentas para que o aplicativo de mensagens seja mais do que bate-papo
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Startup ChatClass, de Jan Krutzinna, criou robô para ensinar inglês dentro do WhatsApp; soluções já vão além do simples atendimento ao cliente
Startup ChatClass, de Jan Krutzinna, criou robô para ensinar inglês dentro do WhatsApp; soluções já vão além do simples atendimento ao cliente

Tudo começou com conversas entre amigos e familiares. Depois, vieram os grupos de trabalho. Por fim, surgiram os canais de atendimento. Agora, praticamente tudo acontece no WhatsApp: o app soma dois bilhões de usuários ao redor do mundo, sendo o Brasil seu segundo maior mercado, atrás apenas da Índia.

Nos últimos anos, a popularização do “zap” foi tamanha que abriu oportunidade para que startups criassem modelos de negócios mirando a plataforma – eles vão desde ferramentas para melhorar o contato entre empresas e clientes até soluções de educação e assinaturas para entrar em grupos.

Como o zap é um lugar de conversas, o serviço mais óbvio oferecido por essas startups é o chatbot (softwares de comunicação automática via mensagem). O segmento já tem um grande nome brasileiro: a startup mineira Take, que levantou um aporte de US$ 100 milhões em outubro de 2020. Veterana na área de tecnologia, ela nasceu em 1999 atuando com atendimento por SMS e venda de toques musicais para celulares – os famosos “ringtones” –, que faziam sucesso nos celulares de antigamente. Com o avanço da tecnologia, a Take teve de se adaptar aos novos tempos e hoje ajuda marcas como Coca-Cola e Itaú a conversarem com clientes pelo WhatsApp

A startup é dona de uma plataforma chamada Blip que, integrada ao WhatsApp, usa inteligência artificial para ajudar na automatização das conversas e também no direcionamento do cliente para atendentes humanos. “Não oferecemos apenas um chatbot. Nossa solução é um contato inteligente que consegue inclusive usar a localização do usuário para indicar um vendedor da loja mais próxima”, explica Roberto Oliveira, CEO da Take. O canal principal usado pela empresa hoje é o WhatsApp, mas ela também atua em plataformas como o Facebook Messenger e a assistente de voz Alexa, da Amazon

Em 2020, a Take foi ponte para dez bilhões de mensagens. A startup tem 1,2 mil clientes, e a meta em 2021 é ganhar 500 novos clientes por mês. “Além de melhorar nossa plataforma, a expansão internacional é uma das prioridades. Estamos abrindo operação no México, nos EUA e em Portugal”, diz Oliveira.  

Startup Take, de Roberto Oliveira, usa inteligência artificial para ajudar na automatização das conversas e também no direcionamento do cliente para atendentes humanos
Startup Take, de Roberto Oliveira, usa inteligência artificial para ajudar na automatização das conversas e também no direcionamento do cliente para atendentes humanos

Outro nome que aposta no atendimento via zap é a mexicana Yalochat, presente no mercado brasileiro há dois anos. A startup oferece uma plataforma para companhias personalizarem o atendimento de seus consumidores no app. No ano passado, ela ganhou um reforço “canarinho”: um aporte de US$ 15 milhões liderado pelo fundo B Capital Group, de Eduardo Saverin, o brasileiro cofundador do Facebook. “Há espaço para democratizar o uso de tecnologia e permitir que todos que tenham WhatsApp consigam usar serviços digitais”, disse Javier Mata, presidente executivo da Yalochat, em entrevista ao Estadão na época do investimento. 

Variedade

Atendimento ao cliente, porém, está longe de ser o único alecrim dourado do WhatsApp. A startup ChatClass, por exemplo, desenvolveu um robô que ensina inglês pelo app – os alunos praticam o idioma pela plataforma por meio de texto e áudio, recebendo feedback em tempo real, enquanto os professores acompanham o desempenho da turma com base nos dados disponibilizados pela ferramenta.

Fundada em 2014, a empresa já levantou um aporte de R$ 3 milhões, em rodada liderada pelos fundos Canary e Graph Ventures. “A educação digital no Brasil precisa ser democratizada, e não acredito que isso vá acontecer com iPad e apps sofisticados”, diz o alemão Jan Krutzinna, fundador da ChatClass, que se mudou para o Brasil em 2017. “O Brasil é um dos líderes em mensageria. A limitação de um país também cria espaço para inovação.” 

Segundo a startup, o robô de inglês já foi usado por 400 mil alunos de escolas públicas e particulares no Brasil. Para manter seu negócio, a startup aposta na oferta de alguns serviços pagos, como cursos que incluem aulas de conversação em grupo com mediação de professores. Além disso, a empresa faz contratos com escolas e editoras para o uso da ferramenta. 

Há também quem aposte no potencial dos grupos do WhatsApp. É o caso da ChatPay, fundada em 2020, que ajuda a criar grupos pagos no app. A empresa enxergou potencial nesses espaços, que começaram a ser usados por influenciadores e coaches, principalmente da área de saúde e bem-estar, para programas de orientação em assuntos como nutrição, emagrecimento e atividade física. Por meio da plataforma da ChatPay, os donos dos grupos podem vender vagas para acessar o “clubinho” – o pagamento pode ser único ou por assinatura. 

“Atendemos também nichos como grupos de investimentos e de mentorias”, diz Arthur Alvarenga, fundador da ChatPay. A startup passou por aceleração da americana Y Combinator e já levantou US$ 2,3 milhões. 

Empurrão

Ir além das mensagens simples é um plano do próprio WhatsApp, que pertence ao Facebook. Em 2018, a empresa lançou o WhatsApp Business, versão corporativa do app. Desde então, vem lançando recursos focados em vendas e atendimento ao cliente, como catálogo e carrinho de compras. É um caminho ditado pelo app chinês WeChat, que, por lá, já é uma plataforma que une comunicação, serviços, vendas e pagamentos. 

Na visão do WhatsApp, as startups têm sido fundamentais para ampliar o papel do app nos negócios. “Por ter inovação em seu DNA, elas são rápidas e antecipam movimentos de mercado com casos de uso relevantes”, disse Cristiane Reis, diretora de parcerias do WhatsApp para a América Latina, em nota ao Estadão

Para Guilherme Fowler, professor do Insper, contar com a ajuda de startups para turbinar o app é um caminho inteligente. “Sem elas, o WhatsApp teria de ser gigante para criar um cardápio grande de soluções – e levaria mais tempo. É mais eficiente e barato buscar empresas especializadas, focadas em tecnologia”, afirma. Por outro lado, apesar do potencial da plataforma, a relação com o aplicativo pode ser perigosa para as startups: “Esse movimento é uma tendência, mas as startups não podem ficar refém do WhatsApp. É preciso garantir o serviço também em outras plataformas, para não colocar o negócio apenas na mão do Facebook, que pode mudar as regras do jogo a qualquer momento”, diz Fowler. 

MadeiraMadeira abrirá 120 lojas físicas em 2021

Estratégia visa conquistar mais confiança do consumidor
Por Talita Nascimento – O Estado de S. Paulo

MadeiraMadeira terá 120 novos pontos físicos em 2021 
MadeiraMadeira terá 120 novos pontos físicos em 2021 

A MadeiraMadeira, startup curitibana que ganhou status de “unicórnio” ao ser avaliada em US$ 1 bilhão neste início de ano, pretende abrir 120 lojas durante 2021. A marca tem atualmente 10 pontos de venda físicos e deve, portanto, chegar a 130 até dezembro. Chamadas de guide shops, elas são espaços pequenos que permitem conhecer ao vivo alguns produtos e fazer encomendas online. Os lançamentos serão nas regiões Sul e Sudeste do País, onde já funcionam as lojas atuais.

Essa estratégia é uma forma mais barata de ganhar presença física e, assim, conquistar mais confiança do consumidor. “Depois da primeira visita, o cliente perde o medo, entende como funciona e passa a comprar sozinho no site”, diz Eduardo Yamashita, diretor de operações da consultoria de varejo Gouvêa. Para ele, este é um modelo que faz sentido para outras marcas com apelo digital e que também precisam educar o cliente à cultura do e-commerce.

Um estudo sobre o comportamento do consumidor brasileiro realizado pela plataforma integrada de pagamentos da empresa Adyen, o Adyen Retail Report, mostra que, de fato, a variedade de canais é importante para esse público. Perguntados se seriam mais leais a um varejista que permitisse comprar online e devolver na loja física, 71% dos pesquisados concordaram com essa afirmação. Apenas 5% discordaram e 24% ficaram neutros.

Já 77% disseram que seriam mais fiéis a um varejista que permitisse comprar, de dentro da loja, um item esgotado no local, porém disponível online. Nesse caso, o item seria enviado diretamente para sua residência. Apenas 6% discordaram da afirmação e 18% ficaram neutros. A Adyen é parceira da MadeiraMadeira na expansão das guide shops.

“Essa é mais uma etapa no repensar do papel da loja. Estar mais próximo do consumidor com custo menor de implantação e mais pontos de contato”, considera Yamashita. Das principais empresas de e-commerce presentes no Brasil, apenas o Mercado Livre e a Amazon não têm lojas físicas como parte de sua logística.

Para o Magazine Luiza, a Via Varejo e a própria Lojas Americanas – controladora do filhote digital B2W – a integração dos pontos de venda físicos e a compra online tem sido fundamental para facilitar a logística de entregas e fazer o produto viajar menos até o cliente.

Após aporte de US$ 190 mi, MadeiraMadeira é o primeiro ‘unicórnio’ brasileiro de 2021

Especializada em venda online de material de construção e de móveis, startup ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado, fundadores da MadeiraMadeira
Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado, fundadores da MadeiraMadeira

quarentena forçou muita gente a ficar em casa, o que acabou impulsionando alguns novos hábitos. Reformas e investimentos no lar ganharam força – afinal, a casa virou também escritório e escola. Ao mesmo tempo, o comércio online foi impulsionado. Não é coincidência, portanto, que o primeiro ‘unicórnio’ brasileiro de 2021 esteja ligado a esses dois novos hábitos. Especializada em venda online de material de construção e móveis, a startup curitibana MadeiraMadeira anuncia nesta quinta, 7, que o seu valor de mercado superou a marca de US$ 1 bilhão, após receber um aporte de US$ 190 milhões.

A rodada foi liderada pelo conglomerado japonês Softbank, que já havia investido R$ 110 milhões na empresa em 2019, e pela gestora de fundos de ações Dynamo. Participaram também Flybridge e Monashees, que já haviam feito aportes na empresa em rodadas anteriores, além de VELT Partners, Brasil Capital e Lakewood Capital. Essa foi a quinta rodada de investimentos da MadeiraMadeira, que acabou transformando a startup no 14º unicórnio brasileiro. 

“A janela de oportunidade para o investimento era positiva. Em um cenário assim, é preciso ficar atento para que outros competidores não passem na frente”, explica ao Estadão Daniel Scandian, cofundador e CEO da MadeiraMadeira. “Iniciativas que desenvolvemos, como o braço logístico, deram certo e decidimos acelerar as apostas. Investimentos que seriam feitos em três anos caíram para um”, diz. 

Fundada em 2009, a startup teve um ano bastante agitado em 2020. A companhia aumentou as vendas em 120% no ano – após queda de 50% em março, a startup teve um salto de 250% nos negócios em abril. Com isso, o time também dobrou. No começo de 2020, o quadro tinha 600 funcionários – terminou com 1.300. O objetivo da startup é chegar ao final de 2021 com 2.700 contratados. Outros números do ano passado que também orgulham o executivo são as inaugurações de dez centros de distribuição e de nove lojas físicas.   

“Esse investimento na MadeiraMadeira aconteceria independentemente da pandemia, pois a empresa já vinha apresentando bons números”, diz Paulo Passoni, sócio do Softbank na América Latina. “O mercado em que eles atuam ainda está no começo. Ele ainda é extremamente ineficiente. O relacionamento entre os fabricantes e o consumidor demora e o preço é alto. É isso que estamos tentando mudar com a MadeiraMadeira”, diz. 

Inspiração

Para o consumidor, uma das coisas que chama a atenção na startup é o fato de que ela oferece produtos, principalmente móveis, com preços baixos – uma escrivaninha pode custar a partir de R$ 110. Na plataforma, existem tanto vendas diretas como um marketplace. Scandian não entrega todo o segredo de como isso é possível, mas dá algumas pistas. 

“Trabalhamos com margens magras e economia de escala. Todos os ganhos que temos na cadeia repassamos ao consumidor. Temos metas internas para sempre reduzir os custos”, diz. É uma visão que lembra a de alguns fabricantes chineses de smartphones, como a Xiaomi, que se popularizaram recentemente por dispositivos bons e baratos. A inspiração para Scandian, porém, é mais antiga: “Queremos ser o que o Walmart foi nos anos 1970 e o que a Amazon foi na década de 1990”.

“O modelo da MadeiraMadeira também está ligado a comercializar diretamente o estoque dos fornecedores, o que reduz o número de ‘mãos’ na cadeia. Além de reduzir custos, é um formato que se encaixa bem no mundo de pandemia”, explica Guilherme Fowler, professor do Insper. De fato, o braço logístico da empresa deverá ser um de seus diferenciais. 

“Móveis não navegam na mesma malha que, por exemplo, uma caixa de tênis. Ítens grandes e pesados precisam de uma rede de distribuição diferenciada. É isso que permite à Madeira Madeira competir com os grandes nomes do comércio eletrônico. O foco deles não é esse”, diz Passoni.

Investimentos

A melhoria da logística de produtos está altamente ligada a um dos pontos de atenção da startup depois do investimento: melhorar a experiência do cliente. Recentemente, a MadeiraMadeira passou por uma situação incômoda. No final de dezembro, a jornalista Vera Magalhães publicou no Twitter reclamações sobre uma compra feita na MadeiraMadeira que supostamente não teve seu prazo de entrega cumprido. O barulho nas redes sociais chegou até a Scandian. 

Sem citar a jornalista, ele disse: “Recentemente, tive uma aula com a Luiza Trajano, do Magazine Luiza. Ela me ligou após um problema com um cliente que temos em comum. Foi um puxão de orelha para entender o quanto o cliente é importante. Rapidamente, montamos um plano de trabalho agressivo para 2021”, diz ele. 

Os especialistas também enxergam a satisfação do cliente como o grande desafio da empresa a partir de agora. “O desafio de qualquer e-commerce é como chegar até o consumidor. Com o crescimento, a escala aumenta, o que também aumenta as chances de problemas ocorrerem”, diz Felipe Matos, presidente eleito da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e colunista do Estadão. “Para um influenciador, é mais fácil reclamar, mas precisa funcionar para todo mundo”, diz. 

Para o Softbank, é possível reduzir o tempo de entrega de produtos grandes de duas semanas para cinco dias – ou até dois em cidades como São Paulo. 

Entre os outros investimentos que a empresa fará com o novo aporte estão: reforçar sua marca própria de móveis, aumentar a presença física e fazer aquisições de outras startups – um time interno já foi criado para avaliar possíveis negócios. Sobre o primeiro item, a MadeiraMadeira se inspira na sueca Ikea, que oferece o chamado “design democrático”, produtos atraentes por preços baixos.  

Já em relação às lojas físicas, o formato adotado é o de “guide shop” – espaços pequenos que permitem conhecer ao vivo alguns produtos e fazer encomendas online. Scandian diz que a pandemia ainda não permitiu explorar todo o potencial desses espaços que, segundo ele, tendem a crescer. Por outro lado, Passoni lembra que o contexto de pandemia permite negociar aluguéis mais baratos.

Abertura de capital 

Após virar unicórnio, Scandian admite que espera abrir o capital da companhia em algum momento. A escolha dos investidores na nova rodada é uma indicação. “Os novos investidores têm um perfil voltado ao mercado público de ações. Eles são investidores de mercado público com um pé no investimento privado – a ideia é orientar os passos até a abertura de capital.  Eles podem nos orientar da mesma maneira que fizeram os primeiros investidores da companhia”.

Ele, porém, não estima uma data para que isso ocorra. “Com essa nova captação, precisamos focar na execução e no retorno, o que nos tornará uma empresa mais sólida e maior. Queremos abrir o capital quando tivermos as nossas iniciativas mais provadas. Estamos montando um time para fazer o IPO em algum momento. E ele poderá acontecer tanto no Brasil quanto fora”, diz.   

Para Felipe Matos, a consolidação da MadeiraMadeira é também positiva para o ecossistema brasileiro de startups. “Começamos a ver os unicórnios brasileiros diversificando o perfil, saindo das fintechs”, diz – ele faz referência ao fato de que a maioria das startups nacionais mais valiosas são bancos digitais, como o Nubank, ou trabalham com crédito, como a Creditas. “Podemos gerar valor fora de um segmento específico. E isso é uma boa notícia”, diz.

Startups de moda circular querem revirar seu armário

Com apoio de tecnologia e celebridades, empresas de moda circular avançam com mudanças de comportamento
Por Giovanna Wolf e Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Formada em Direito, Luanna fundou a Troc, recém-adquirida pela Arezzo&Co
Formada em Direito, Luanna fundou a Troc, recém-adquirida pela Arezzo&Co

Seja em um brechó ou no boca a boca, não é de hoje a prática de comprar uma roupa seminova ou vender aquela peça que está ocupando espaço no armário. Nos últimos anos, a internet ampliou esses horizontes, mas, muitas vezes, o custo da operação não compensava a oportunidade de adquirir uma peça de segunda mão. Agora, porém, uma série de empresas tem usado a tecnologia para dar escala a esse processo: no lugar de lojas empoeiradas, elas usam plataformas e algoritmos para conectar guarda-roupas abarrotados a quem busca um novo look. 

São as chamadasstartups de moda circular, que vêm ganhando espaço no Brasil e atraindo a atenção do mercado. Com um acervo de 40 mil peças, a curitibana Troc ilustra bem esse interesse: em setembro, a empresa levantou um aporte com a Reserva. No mês seguinte, acabou tendo 75% de seu capital adquirido pela grife Arezzo&Co, que já havia comprado a marca de Rony Meisler anteriormente. 

Fundada em 2017 por Luanna Toniolo, a empresa surgiu depois que a advogada largou o Direito e foi estudar Marketing na Universidade Harvard. Nos EUA, ela percebeu uma movimentação forte no mercado de brechós online e também que a proposta poderia funcionar no Brasil, em uma nova tendência de consumo. “Além do problema de descarte de roupas, existe a acumulação, em que se perde dinheiro com peças estocadas. Era uma questão de tempo para esse tipo de serviço crescer por aqui”, conta ela. 

Com produtos como roupas, sapatos e bolsas, incluindo peças infantis, a Troc intermedeia toda a venda: se o vendedor for de Curitiba, sede da startup, ou de São Paulo, é só agendar a coleta do item na casa dele. Para outras cidades, o envio deve ser feito pelo correio. É a empresa que realiza a análise, a etiquetação, o cadastro e o anúncio das peças na plataforma digital, desenvolvida internamente. Depois da venda, a Troc fica com uma comissão que varia de acordo com o valor da peça – para roupas de até R$ 250, a taxa é de 60%. 

A Troc também possui um programa com grandes marcas, que permite ao consumidor repassar uma peça usada para ganhar desconto em uma nova compra – modelo bastante popular no mercado de smartphones e que agora aparece em novos setores. Sob o guarda-chuva da Arezzo, a plataforma da Troc agora pode ser acessada pelo site da grife. A startup, porém, continuará existindo no seu site independente e não vai se limitar somente à venda de produtos da Arezzo&Co. 

Segundo a grife, há vários motivos para a compra da Troc – como o foco em sustentabilidade e em tecnologia. “A Troc traz uma oportunidade de análise de dados, de entender o que os clientes têm no guarda-roupa e o tempo de uso das peças. Com isso, abrem-se possibilidades, como parceria com marcas que são muito usadas pelos clientes”, afirma Aline Penna, diretora de estratégia da Arezzo&Co. 

Sacola

Quem também mostra que o mercado está aquecido é a Repassa, que levantou um aporte de R$ 7,5 milhões em setembro, com participação dos fundos Redpoint eventures e Bossa Nova. A Repassa também tem uma loja própria, mas funciona de forma ligeiramente diferente. Quem quer vender precisa comprar uma sacola de R$ 25 (a “sacola do bem”) para enviar os produtos. Após o controle de qualidade pela startup, as peças são colocadas à venda no site. Quem está abrindo mão de uma roupa recebe 60% do valor da venda, que pode ser sacado, doado ou usado em novas compras – neste último caso, há o benefício de ter 10% de desconto. 

“As roupas ficam paradas porque as pessoas não têm tempo para fotografar, cadastrar e anunciar uma peça online. Assumimos, então, todo esse trabalho”, diz o publicitário Tadeu Almeida, fundador da Repassa. A startup tem ainda uma parceria com a C&A e faz um programa-piloto com a Renner para a distribuição de sacolas entre os clientes de programas de fidelidade das varejistas. 

Tadeu Almeida, fundador da Repassa
Tadeu Almeida, fundador da Repassa

Na vitrine

Para especialistas, a aceleração dos brechós online é reflexo de um amadurecimento da economia circular, que se tornou uma tendência contemporânea com a ideia de se viver com “menos posse e mais experiências”. “Essas propostas sempre tiveram importância sustentável, mas havia medo de gerar impacto econômico negativo. Mas elas estão mostrando o contrário, que é positivo criar valor e levar de volta para o mercado um recurso que estava parado”, afirma Daniel Guzzo, professor do Insper. 

Segundo ele, a quarentena também influenciou. “Muitos estão em casa revisitando seus armários e a crise também pode levar as pessoas a buscarem produtos mais baratos”, diz o professor. É algo sentido pelas startups: até o fim de novembro, a Repassa viu sua receita crescer 180% em relação a 2019. 

O setor está tão aquecido que já tem até uma empresa na Bolsa de Valores: nascida como um blog em 2009, a Enjoei já conectou quase 2 milhões de vendedores e 1,5 milhão de compradores. Na estreia na Bolsa, em novembro, a empresa captou R$ 1,13 bilhão. “A abertura de capital é um momento de financiamento para nossas frentes de expansão, como melhorar a experiência da plataforma e parcerias com marcas”, diz a cofundadora Ana Luiza McLaren. 

Luxo

Nesse universo de brechós 2.0, há também quem esteja focado em produtos de luxo. É o caso da Gringa, fundada em junho pela atriz Fiorella Mattheis, que começou a empresa após uma experiência pessoal. “Comecei vendendo minhas peças, mas não encontrei no Brasil um lugar que me passasse confiança. Aí vi oportunidade de negócio”, diz Fiorella ao Estadão. Segundo a atriz, a Gringa tem crescido cerca de 25% por mês e já vendeu mais de 500 produtos em sua plataforma. 

A atriz Fiorella Mattheis é dona do brechó online de luxo Gringa
A atriz Fiorella Mattheis é dona do brechó online de luxo Gringa

Outra startup que aposta em luxo e tem celebridades no meio é a Cansei Vendi, que tem a atriz Luana Piovani como uma das sócias. “Hoje, o valor médio de uma compra é de R$ 2,5 mil. Nós ajudamos o cliente a ter segurança por trás desse valor”, afirma Leilane Sabatini, CEO da empresa. A startup nasceu como uma conta no Instagram e depois, devido a alta demanda, acabou se estruturando com um site próprio.

Para Mariana Rocha, professora de moda da Faculdade Santa Marcelina, os brechós online ainda têm um longo caminho para conquistar o mercado em geral. “Ainda é um movimento muito restrito a um grupo mais informado e envolvido com reaproveitamento. Além disso, há um desafio cultural na resistência às roupas usadas.” 

Dentro do setor, há a expectativa de que celebridades e o apoio de grandes marcas ajudem a mudar essa visão. “Agora, temos a chancela de um grande grupo falando que moda circular é o futuro”, diz Luanna, da Troc. 

Facebook compra startup de atendimento a clientes Kustomer por US$ 1 bi, diz Wall Street Journal

Empresa confirmou a aquisição mas não o valor; o acordo é reflexo dos esforços da empresa de Mark Zuckerberg para monetizar seu negócio de mensagens

O Facebook tem uma longa história de negociação, tendo comprado mais de 100 empresas. A startup Kustomer já oferece serviços no Facebook Messenger e no Instagram
FOTO: NIALL CARSON / PA WIRE / ZUMA PRESS

Facebook anunciou nesta segunda-feira, 30, a aquisição da startup de atendimento ao cliente Kustomer. De acordo com o Wall Street Journal, que conversou com pessoas familiarizadas com o assunto, o acordo foi de US$ 1 bilhão. 

A aquisição é reflexo dos esforços da empresa de Mark Zuckerberg para monetizar seu negócio de mensagens, como o WhatsApp e o Messenger, que têm focado em conectar empresas com seus consumidores.

A Kustomer, que ajuda empresas a gerenciarem reclamações de clientes em múltiplas plataformas, já oferece atualmente alguns serviços no Facebook Messenger e no Instagram.

“Qualquer empresa sabe que quando o telefone toca, eles precisam atender. Cada vez mais, textos e mensagens são tão importantes quanto aquele telefonema – e as empresas precisam se adaptar ”, disse o Facebook em comunicado. 

Startup de aluguel de casa compartilhada, Yuca lança fundo imobiliário de R$ 40 mi

Valor será destinado à compra de imóveis pela empresa, que tenta transformar o mercado de locação residencial com ‘pacotão de serviços’ e gestão centralizada
Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca
Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca

startup de habitação Yuca anuncia nesta quinta-feira, 26, a criação de um fundo imobiliário no valor de R$ 40 milhões. Realizado com assessoria do Itaú BBA, o veículo de oferta restrita teve captação já realizada junto a investidores profissionais e instituições. A captação vai ajudar a empresa, fundada em 2019, a comprar imóveis para aumentar a oferta de seu serviço de locação residencial em São Paulo. 

Ao contrário de outras startups de locação, como o unicórnio QuintoAndar, a Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto. Além de aluguel, condomínio e IPTU, a empresa também oferece os móveis do apartamento, Wi-Fi, limpeza semanal e serviços de manutenção em um pacote só, que serve tanto para apartamentos individuais quanto para residências compartilhadas – neste segundo caso, a empresa capta imóveis de dois, três ou mais quartos e aluga-os por cômodo. 

“Hoje, você tem muitos jovens ou casais querendo morar em São Paulo em áreas que só tem imóveis de tamanho maior, então há um estoque desequilibrado. Nós queremos mudar isso e descomplicar a moradia na cidade grande”, explica Rafael Steinbruch, cofundador e líder da área imobiliária da empresa. Ele é sobrinho de Benjamin Steinbruch, da família controladora do Grupo Vicunha, de empresas como Vicunha Têxtil e CSN. 

Lógica de morar

Após trabalhar no fundo de investimento imobiliário Starwood Capital, ele fundou ao lado dos sócios Eduardo Brennand de Campos e Paulo Bichucher. O primeiro é da família do Grupo Brennand, de energia e cimento, criou a startup Parafuzo (uma espécie de “Uber das faxinas”) e é um dos sócios do fundo One.vc, investidor de nomes como Rappi e Loggi. Já Bichucher trabalhou no fundo Pátria Investimentos. No ano passado, a empresa levantou um aporte de US$ 6 milhões liderado pelo fundo Monashees e com participação, claro, do One.vc. Apesar dos sobrenomes, os executivos garantem que as famílias não tem investimento nem influência nas operações da Yuca. 

Segundo o trio, o preço médio de um quarto compartilhado hoje em um imóvel da Yuca em São Paulo fica na casa de R$ 2,5 mil – a meta da empresa, que atua em bairros como Jardins, Pinheiros e Paraíso, é reduzir esse valor com o tempo, aumentando a quantidade de imóveis disponíveis e também o número de regiões em que atua. Atualmente, a empresa tem 250 unidades (entre quartos e apartamentos individuais) e a meta é alcançar 400 até o final do ano. 

Hoje, a Yuca consegue captar imóveis junto a investidores que possuem apartamentos e desejam ter uma gestão simplificada do bem ou então fazendo crowdfunding com investidores para adquirir os ativos, que ficam sob gestão de uma empresa-irmã da startup. Ao tomar posse do apartamento, a empresa faz reformas e o adapta para a demanda do mercado – segundo a Yuca, o custo médio do metro quadrado que assume é de R$ 6 mil. “Muitos apartamentos têm desenhos antigos, incluindo quarto de serviço, é algo que hoje não faz sentido na nossa proposta”, diz Steinbruch. 

“Queremos inverter a lógica de morar, indo a partir da demanda e não da oferta dos imóveis que existem”, afirma Steinbruch. Segundo ele, usar um fundo imobiliário é uma estratégia para expandir o radar da empresa, que já mira bairros paulistanos como República, Campos Elíseos, Sé, Luz e Bom Retiro. Nestas regiões, a empresa busca converter também prédios inteiros de uso comercial para residências, trabalhando junto à Prefeitura para a mudança. Um exemplo recente foi o do Mirante do Vale, na região do Vale do Anhangabaú. A Yuca também pretende começar a atuar no segmento de habitação de impacto social, reduzindo o valor médio de suas locações. 

Para Alberto Ajzental, professor da FGV especialista em mercado imobiliário, a proposta da Yuca faz sentido – e leva ao mundo residencial uma tendência que os coworkings já tinham estabelecido no mundo dos escritórios. “Em vez de uma laje corporativa, eles dividem apartamentos entre pessoas: quem aluga tem uma sala e cozinha melhor em um bairro melhor, enquanto eles conseguem cobrar uma margem maior do que no aluguel individual”, afirma. Por outro lado, ele ressalta um risco não financeiro para a operação: “dividir um teto com pessoas que você não conhece pode ser complicado de administrar.” 

A Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto
A Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto

Dinheiro no bolso

Em seu fundo imobiliário, a Yuca promete um retorno médio de 8% ao ano, o que Steinbruch vende como um investimento interessante em tempos de taxa Selic a 2% ao ano, o que afetou a renda fixa. Segundo ele, a intenção da empresa é seguir utilizando fundos imobiliários como tática para expandir suas operações – deve captar mais uma vez no primeiro semestre de 2021 e até o final do ano pretende fazer distribuição pública, abrindo espaço para que qualquer investidor possa comprar uma cota a partir de valores em torno de R$ 100. 

Usar fundos imobiliários para financiar a expansão não é uma tática inédita entre as startups – nos últimos meses, nomes como Housi e Loft também lançaram veículos financeiros semelhantes para poderem se financiar, adquirindo imóveis. É uma forma esperta de expandir a operação sem comprometer o capital ou as ações da companhia, afirmam fontes do mercado ouvidas pelo Estadão. Para Ajzental, é uma maneira ainda de mitigar o risco dos investidores. “Investir em imóvel é algo tradicional no Brasil, mas é uma operação arriscada por conta do capital e do número de imóveis. Um fundo reduz esses riscos”, afirma o professor da FGV-SP. 

Mas a Yuca pretende também fazer uma rodada de aportes em breve: segundo Brennand, a intenção é captar um investimento Série A no início de 2021. Os valores, nesse caso, serão usados para expansão da infraestrutura da empresa: hoje, a Yuca tem 70 funcionários. “Em seis meses, depois do aporte, queremos ter duplicado isso”, afirma Brennand. Novas cidades, porém, estão longe dos planos da empresa – segundo os sócios da startup, a empresa ainda tem muito o que explorar no mercado paulistano antes de abrir novas praças.