Parece, mas não é: startup Mycotech cria relógio feito com “couro” de cogumelo

Chamado de Pala X Mylea, modelo foi criado pela marca Mycotech em uma parceria com o relojoeiro Pala Nusantara

Parece, mas não é: startup cria relógio feito com “couro” de cogumelo (Foto: Reprodução)

Uma startup da Indonésia chamada Mycotech criou uma pequena coleção de relógios feitos de cogumelos. Com aparência semelhante ao couro da vaca, o objeto foi desenvolvido em parceria com o relojoeiro Pala Nusantara e ganhou o nome de Pala X Mylea.

O acessório foi criado com o biocouro batizado de Mylea – material desenvolvido pela marca a partir do micélio do cogumelo. A startup também abriu recentemente uma campanha de financiamento coletivo na internet para impulsionar a produção do item.

No anúncio, ela também mostra uma série de outros itens que podem ser feitos com o mesmo material, com carteira e agendas.

Segundo a descrição, o Mylea, ao contrário do couro normal, absorve corantes mais rapidamente, o que reduz os custos de produção. Nesse processo, são usados corantes naturais extraídos de folhas, raízes e resíduos alimentares, que criam tons exclusivos.

A marca também avisa que o Pala x Mylea ainda tem traços de couro sintético, mas eles pretendem melhorar a qualidade para desenvolvê-lo totalmente com cogumelos.

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Inteligência artificial vai gerenciar startup brasileira DATA H

Foto: Shutterstock

A DATA H, startup brasileira de inteligência artificial (AI) da área de saúde, cibersegurança e processamento de linguagem natural, iniciou uma nova fase do seu projeto mais desafiante: o Ziggy Stardust, plataforma de inteligência artificial capaz de gerir uma empresa. A nova fase do Ziggy está focada na gestão de projetos e ajudará no trabalho das equipes da companhia, localizadas em diferentes partes do mundo.

O nome é inspirado na obra de David Bowie e tem os seus motivos. “Ziggy Stardust foi um marco da ópera rock. Um álbum que conta uma única história da primeira a última música. Na empresa, a plataforma fará o mesmo”, afirma Evandro Barros, CEO e cofundador da DATA H. Ele detalha: “O nosso Ziggy Stardust é a junção de todas as soluções de inteligência artificial desenvolvidas pela DATA H e será o responsável pela completa a gestão da empresa. Isso abarca desde ações da área administrativa até a entrega autônoma do cafézinho, quando iniciamos uma reunião”.

Com esse nível de automação, ninguém saberá tanto da empresa quanto o Ziggy, o que deve proporcionar um nível de eficiência operacional nunca visto. A meta da startup é atingir 70% de autonomia até o final de 2020. Ou seja, grande parte das decisões empresariais será feita por algoritmos que terão a capacidade de se adequar ao mercado de forma muito mais rápida que os executivos.

No entanto, isso não é novo na DATA H. O conceito nasceu no início da empresa, em 2016, com o nome Human Torrent. “Agora já conseguimos unir tecnologias capazes gerir risco de projetos, eficiência de desenvolvimento etc, de uma maneira em que humanos não conseguiriam, de forma efetiva”, observa Celso Azevedo, cofundador e CTO da startup.

O Ziggy, além de orientar os desenvolvedores e cientistas, cruza dados internos e externos para determinar o risco e as mensurações de um projeto. Sua base de dados leva em consideração dados de rede, modelos de código, reuniões de equipe e até comportamento de usuários tudo isso sendo processado em um poderoso conjunto de GPUs que equivalem a mais de 20 mil notebooks.

Startups vão mudar a forma como você compra, aluga ou reforma sua casa

O mercado global das chamadas construtechs, startups da construção e mercado imobiliário, já recebeu 4,4 bilhões de dólares em investimentos desde 2010
Por Karin Salomão

Gabriel Braga e André Penha, do Quinto Andar: negócio tem uma visita agendada a cada dois segundos (Germano Luders/EXAME)

Para a maioria dos brasileiros, comprar um imóvel será um momento único na vida — e as startups estão trabalhando duro para que ele seja o melhor possível. Ou, para os que não querem mais uma moradia fixa, que o processo de venda da residência ou a procura pelo aluguel perfeito sejam processos tão desburocratizados quanto pedir uma entrega por aplicativo. Em troca de suas ideias, esses negócios inovadores já conquistaram 4,4 bilhões de dólares nos últimos oito anos.

O avanço das startups já provocou mudanças significativas no mercado de varejo, instituições financeiras, mobilidade, alimentação, entre outros. Agora, chega ao mercado imobiliário e de construção civil para mudar a forma como pessoas compram, vendem e alugam imóveis. A inovação tardou a chegar ao mercado da construção por conta dos próprios desafios do setor. “As ondas de disrupção chegam primeiro ao setores mais fáceis de transformar. Depois, chegam a indústrias menos charmosas, mais velhas e resistentes”, diz Paulo Humberg, diretor da startup Key Cash e presidente da gestora de fundos para startups A5 Investimentos.

Empreender no mercado imobiliário também demanda mais capital e é uma empreitada menos escalável, já que depende muito de ativos físicos, os próprios prédios e casas, enquanto outros setores crescem facilmente com o avanço da tecnologia, como fintechs e comércio eletrônico. “Mesmo assim, o mercado imobiliário concentra os maiores ativos do mundo e tem contato com toda a população, já que todos moram em algum lugar”, diz ele.

O mercado global das chamadas construtechs, startups da construção e mercado imobiliário, já recebeu 4,4 bilhões de dólares em investimentos desde 2010, de acordo com levantamento do Pitchbook. Já no segmento de alimentação, foram 36,4 bilhões de dólares investidos e, em mobilidade, 70,5 bilhões de dólares.

A norte-americana Katerra é a maior do setor e recebeu em janeiro mais um aporte de 700 milhões de dólares do Softbank, avaliando a empresa em mais de 4 bilhões de dólares. Fundada por um ex-CEO da Tesla, ela atua no desenvolvimento de métodos de construção e usa componentes pré-fabricados para diminuir o tempo e custo da obra.

Oportunidades na crise

O surgimento de novas startups no mercado foi impulsionado pela crise econômica, que abalou principalmente o mercado imobiliário. Enquanto o mercado de construção estava em ascensão, a margem de lucro era muito grande, bem como o espaço para desperdício.

“Com a crise, a construção sofreu muito. As margens ficaram apertadas e deram lugar para a inovação“, diz George Lodygensky, analista de investimentos da Construtech Ventures, fundo voltado para o setor.

O surgimento de novas startups no setor chamou a atenção de investidores e de fundos de capital. Segundo o último mapeamento realizado pelo fundo, há mais de 560 construtechs no Brasil, a maior parte em São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais. No mundo, são cerca de 6 mil, 4 mil apenas nos Estados Unidos.

As novas startups atuam em áreas tão diversas quanto o próprio mercado, da inovação em materiais e métodos de construção à compra e venda dos imóveis. Como um setor pesado e burocrático, há inúmeros problemas e pontos de fricção – e, portanto, oportunidades para startups buscarem solucionar essas questões.

Lucas Vargas, presidente do Grupo Zap (Germano Lüders/EXAME)

Ondas de inovação

As primeiras brasileiras surgiram atacando o problema de compra e venda de imóveis, que costuma ser uma experiência cheia de burocracia e de tensão.

“É uma transação de baixa recorrência para empresas, mas para o consumidor comprar um imóvel pode ser o negócio mais importante de sua vida. Por isso, transformar essa experiência traumática pode gerar mais valor para as empresas”, diz Lodygensky.

A pioneira no país é o Grupo Zap, que surgiu em 2017 com a fusão dos portais Zap, do Grupo Globo fundado em 2000, e VivaReal, detido por seus fundos de investimento e criado em 2009. “As startups tentam resolver desafios básicos do mercado, como digitalizar a venda e aluguel e diminuir a burocracia para melhorar a experiência do usuário”, diz Lucas Vargas, CEO do grupo.

Mensalmente, o grupo gera 4 milhões de contatos de interessados para 8 milhões de anúncios de imóveis e recebe 40 milhões de visitas. O grupo oferece também sistemas de gestão e de inteligência para corretores, para acompanhar melhor a jornada de um cliente.

Depois de digitalizar os anúncios, as empresas começaram a resolver a burocracia nesse processo. A KeyCash busca resolver a demora em comprar e vender um imóvel. A startup — inspirada na americana OpenDoor, que procura um investimento que a avalie em 3,7 bilhões de dólares — promete comprar um imóvel em apenas um mês e, depois, lidar com a venda.

A negociação acontece em cima de um cálculo feito com dados do mercado, sobre o valor real do imóvel. O cálculo leva em consideração a idade do prédio, se está perto de um metrô ou de escolas, as condições do imóvel e o histórico da região. Ao comprar rapidamente uma casa ou apartamento vazios, a empresa busca gerar liquidez no mercado. Em 2019, a expectativa é vender cerca de 120 apartamentos.

Para facilitar o processo de aluguel, foi criada a Quinto Andar, plataforma que dispensa fiador e seguro fiança. Citada pelo The New York Times como um dos 50 unicórnios do futuro, empresas com valor superior a 1 bilhão de dólares, a startup captou 250 milhões de reais em uma rodada de investimentos liderada pelo fundo americano General Atlantic, em novembro.

Os recursos serão usados para consolidar sua operação em outras cidades e estabelecer um sistema de parceria com as principais imobiliárias do país. A empresa está presente em São Paulo desde 2015 e iniciou a sua operação no Rio de Janeiro em 2018.

Para corretores

O aluguel ou compra e venda de um imóvel é um sufoco não apenas para os consumidores, mas também para corretores, pouco profissionalizados, com carteiras pequenas e com poucas vendas por ano.

A Homer busca facilitar o processo para os corretores de imóveis, eliminados da equação por algumas startups. A plataforma conecta corretores vendendo e comprando apartamentos, como um “Tinder” imobiliário.

Se o cliente de alguém busca um imóvel com varanda, piscina e três quartos em certa região da cidade, o sistema mostra todos os imóveis disponíveis na carteira de outros corretores. Assim, o corretor tem acesso a mais opções e pode fazer sugestões mais acertadas. O valor da comissão de venda é dividido igualmente entre os dois corretores.

Hoje, o cliente precisa entrar em contato com diversos corretores, que mandam muitas mensagens durante o dia com apartamentos que não se encaixam nos parâmetros ou faixa de preço que está buscando, o que cria obstáculos e tensão no processo.

“Com o Homer, trazemos ferramentas para melhorar o serviço e profissionalizar os corretores”, afirma a sócia-fundadora Lívia Rigueiral. Além do sistema de “match” entre corretores e imóveis, a Homer também realiza treinamentos e eventos.

A plataforma já tem 20 mil corretores cadastrados, com 1,4 bilhão de reais em potenciais vendas. A meta para 2019 é chegar a 100 mil cadastros, de aproximadamente 500 mil em todo o Brasil. A startup conta com o apoio e investimento da Ipanema Ventures.

Na reforma

Depois de comprar ou alugar, muitas vezes é necessário reformar. Pensando em facilitar o contato com profissionais como pedreiros, encanadores e pintores, Leôncio Neto criou a RenoveJá. A rede de franquias conecta o cliente a engenheiros, arquitetos e técnicos em edificações.

“Vi que muitas obras no Brasil ficavam inacabadas, sem muita tecnologia, com envolvimento de muitos profissionais e desperdício”, afirmou.

Leôncio Neto, da RenoveJá (Flaviano Dias/RenoveJá/Divulgação)

Por meio de franquias, a empresa oferece treinamentos e acesso a tecnologias de construção, como parede em drywall e spray de pintura. Em 2019, a empresa, que nasceu no Pernambuco, prevê expansão para o Sul e Sudeste e faturamento de 30 milhões de reais.

E o futuro?

As próximas ondas de inovação estão nos métodos de construção e na internet das coisas, segundo especialistas. É o caso da InovaHouse3D, brasileira que desenvolveu um método de impressão 3D para a construção. A máquina de impressão pode usar cimento para construir de forma mais rápida. Ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, a empresa quer levantar sua primeira casa nos próximos anos.

Seja por meio de softwares ou por materiais tecnológicos, as construtechs avançam em presença e em investimentos — bloco a bloco.

Startup de entregas Glovo anuncia fim de operação no Brasil

Em nota, a startup disse que precisava de mais investimento e tempo para atuar na região; operação se encerra no próximo domingo

A startup espanhola Glovo chegou ao mercado brasileiro em fevereiro do ano passado

A Glovo, startup espanhola de entregas de encomendas, anunciou nesta quinta-feira, 28, que encerrará sua operação no Brasil nos próximos dias. Em nota oficial, a empresa alegou que o País “é um mercado extremamente competitivo” e que precisaria de mais investimento e tempo para atuar na região.

A startup recentemente completou um ano de operação no Brasil, onde ainda é possível ver peças de publicidade comemorando a data espalhadas pelas cidades. No mês passado, executivos da companhia deram declarações de que a startup planejava mais que dobrar sua presença no País em 2019, ampliando a base de 21 para 50 cidades com o serviço. À época, a companhia estimava que o Brasil seria o principal mercado da Glovo em número de pedidos em pouco tempo.

Aos entregadores cadastrados na plataforma, a startup disse que o funcionamento se encerrará no próximo domingo, 3, às 23h59. Em nota enviada à imprensa, a Glovo diz que vai concentrar seus recursos em “nichos da América Latina, Europa, Oriente Médio e África, onde a empresa está alcançando uma participação de mercado significativa e gerando valor.”

No Brasil. A startup, que iniciou as atividades em janeiro de 2015 na Espanha, chegou ao mercado brasileiro em fevereiro do ano passado, como parte dos esforços para ampliar sua atuação na América Latina, onde ingressou após uma captação de 30 milhões de euros em setembro de 2017.

Aqui, a Glovo chegou a empregar 140 funcionários e tinha como concorrente a Rappi, Loggi, Uber Eats e o iFood. Na América Latina, a startup também está presente no Peru, Argentina, Uruguai, Chile, Equador, Costa Rica, Panamá e Guatemala

No Brasil, 37% dos alunos de faculdades de ponta miram carreira em startups

Universitário brasileiro tem deixado de lado ideia de trabalhar em multinacional para pensar em criar próprio negócio
Por Matheus Mans – O Estado de S.Paulo

Carolina Mendes vendeu brigadeiro para começar startup LaPag

Foi-se o tempo em que o sonho do universitário brasileiro era trabalhar em uma multinacional, de terno ou salto alto e um horizonte definido de carreira. Hoje, jovens começam a olhar para startups com outros olhos: 37% dos estudantes possuem interesse real de seguir carreira na área, seja abrindo ou trabalhando em uma empresa novata de tecnologia. Os números são de uma pesquisa recente encomendada pelo fundo de investimentos Canary, que tem entre seus apoiadores Mike Krieger, do Instagram, e David Vélez, do Nubank. 

Feita pela startup Spry e divulgada exclusivamente ao Estado, a pesquisa ouviu 357 alunos de faculdades de ponta do País, como USP, Unicamp, PUC-RJ, Insper e FGV. O levantamento indica que 21,3% dos entrevistados querem montar uma startup, enquanto 23,2% desejam trabalhar em uma empresa do tipo. Segundo a pesquisa, os estudantes veem no empreendedorismo chances de carreiras com desenvolvimento profissional, aliado a bons salários e maior qualidade de vida. 

O levantamento é o primeiro do gênero no País, mas está em linha com estatísticas recentes. Números de 2018 do Serviço Brasileiro de Apoio ao Empreendedorismo (Sebrae) indicam que 36% dos jovens entre 18 e 34 anos buscavam informações sobre abrir uma empresa ou já tinham negócios ativos – os dados, porém, incluem empresas tradicionais e franquias. 

Para especialistas, o porcentual de 37% surpreende. “Não esperávamos um interesse tão grande”, comenta Marcos Toledo, cofundador do Canary. Para ele, casos de sucesso como 99, Nubank e iFood ajudam a impulsionar o interesse. Na visão de Gilberto Sarfati, coordenador do mestrado de gestão e competitividade da FGV, há evolução. “Há alguns anos, empreendedor era chamado de aventureiro. Agora, é uma opção real.” 

Já Luís Gustavo Lima, sócio da aceleradora Ace, faz a ressalva de que essa é uma condição não tão ampla assim. “O número de jovens que almeja empreender é alto entre universidades de ponta, pois costumam ser estudantes de classe alta, com menos riscos a assumir”, diz. “Isso não ocorre com jovens das classes C, D e E, que não podem ‘não ligar’ para o salário”. 

Brigadeiro. Um dos maiores “mitos de origem” do Vale do Silício é o do estudante que deixa a faculdade para criar um negócio inovador. Foi assim com Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg – este último deixou Harvard após o Facebook receber um aporte de US$ 500 mil de Peter Thiel, um dos pais do PayPal. 

Aqui, o cenário é diferente: para conseguir capital para sua primeira startup, a paulistana Carolina Mendes vendeu brigadeiros nos corredores do Insper. “Foi assim que criei meu primeiro ‘fundo’ para a startup”, conta ela, que entrou em 2014 na faculdade para seguir a carreira da mãe no mercado financeiro. 

Aos 22 anos, ela é cofundadora da LaPag, fintech que busca solucionar problemas de pagamentos em salões de beleza, com um sistema próprio de cobranças e que facilita o controle do caixa. “Eu ia nos salões e percebia problemas na hora de pagar”, diz. Desde sua criação, a LaPag já foi acelerada pela Visa e recebeu R$ 1 milhão da própria Canary. “O bom de ser jovem é que há uma inquietude latente. Ter recebido informação sobre empreendedorismo na universidade ajudou muito a começar cedo”, diz Carolina. 

Ela é uma exceção, porém: segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), mais de 75% dos fundadores de startups do País têm mais de 30 anos. Só 6% têm até 25 anos de idade, no que pode se considerar um período próximo ao do ensino superior. Além da necessidade de buscar experiência no mercado, pesa a falta de informação nas salas de aula. 

Exemplo. “Eu nunca tinha ouvido o que era empreendedorismo até me formar”, diz Fernando Salaroli, presidente executivo da Spry, responsável pela pesquisa – ele se formou em Engenharia Civil na USP em 2013. Para ele, as universidades brasileiras precisam falar mais sobre startups, embora reconheça avanços na academia, como a criação de incubadoras próprias e a contratação de professores especializados. 

Clayton Oliveira, de 26 anos, é outro que começou a empreender na faculdade. Ao contrário de Carolina, porém, ele só foi descobrir que queria abrir uma startup enquanto fez um intercâmbio na Europa. “Foi lá que descobri como era bom impactar a vida das pessoas”, conta Oliveira. De volta ao Brasil, ele decidiu trancar o curso de engenharia na Universidade Federal do ABC e abrir sua primeira startup – a Marmotex, delivery de refeições para clientes corporativos, que acabou sendo vendida. 

Hoje, é presidente executivo da 99 Fórmulas, que liga pacientes com receitas de medicamentos a uma rede de farmácias de manipulação. A startup tem uma rede de 10 mil clientes e 35 estabelecimentos e promete remédios mais baratos. Oliveira, porém, é menos entusiasmado com o número de jovens interessados em startups. “Muita gente quer participar disso por estar na moda.

Precisa ter perfil específico para participar da rotina e dos desafios de uma startup”, avalia. “Não basta só ensinar empreendedorismo, é preciso mostrar o que dá errado.”

As 50 empresas mais inovadoras do mundo — com a startup brasileira Nubank na lista

Ranking da revista Fast Company deste ano é marcado pela ascensão das gigantes chinesas e pela presença da startup brasileira Nubank
Por Mariana Fonseca

Nubank: fintech se tornou o maior banco digital fora da Ásia (Nubank/Divulgação)

Segundo o horóscopo chinês, estamos no “ano do porco”, que traz sorte nos investimentos. Superstição ou não, as gigantes chinesas estão na crista da onda quando se fala em transformar setores. É o que mostra a revista Fast Company, em seu ranking anual sobre as 50 empresas mais inovadoras do mundo.

A primeira posição da lista está com a Meituan Dianping, que atua em setores tão diversos quanto reservas de hotéis e entrega de comida. A principal razão para sua coroação são seus resultados gigantes. A chinesa mediou 27,7 bilhões de transações, no valor de 33,8 bilhões de dólares, para mais de 350 milhões de pessoas em 2.800 cidades. Isso é o equivalente a 1.738 serviços mediados pela Meituan por segundo, com cada usuário utilizando o super aplicativo três vezes por dia, em média.

A empresa de mobilidade urbana Grab, de Singapura, ficou com a medalha de prata. A revista ressalta que o negócio expandiu para verticais como delivery de comida, reservas de hotéis, serviços financeiros. Em breve, incluirá serviços de saúde. Os esforços fizeram a Grab alcançar uma receita de 1 bilhão de dólares em 2018, atraindo 7,3 bilhões de dólares em investimentos ao longo de sua história.

A liga americana de basquete NBA ganhou o terceiro lugar, subindo sete posições. A Fast Company elogiou sua entrada nos esportes eletrônicos e em serviços de streaming, como a plataforma Twitch. Mesmo com o investimento digital, a liga de basquete quebrou seu recorde de frequentadores pela quarta temporada seguida. A receita total da NBA cresceu 25% em 2018.

Tanto a Meituan Dianping quanto a Grab não estavam presentes no ranking do ano passado. A lista é muito diferente da vista em 2018, que trazia as americanas Apple, Netflix e Square no pódio.

Outro ponto de atenção é a presença de um negócio brasileiro na lista. A fintech Nubank, mais conhecida por seu cartão de crédito sem anualidade e gestão completamente online, ficou na 36ª posição.

O ranking destaca como o Nubank se tornou o maior banco digital fora do continente asiático, com 5 milhões de usuários, e a ampliação para serviços como conta salário e saque em caixas eletrônicos. Recentemente, a startup também anunciou que fará empréstimos pessoais. A Fast Company analisa 35 indústrias a nível global para montar seu ranking.

Veja, abaixo, as 50 empresas mais inovadoras do mundo:

Posição Empresa
1 Meituan Dianping
2 Grab
3 NBA
4 The Walt Disney Company
5 Stitch Fix
6 Sweetgreen
7 Apeel Sciences
8 Square
9 Oatly
10 Twitch
11 Target
12 Shopify
13 AnchorFree
14 Peloton
15 Alibaba Group
16 Truepic
17 Apple
18 Unity Technologies
19 Domino’s
20 Plaid
21 Universal Music Group
22 Airtable
23 Lineage Logistics
24 Kano
25 Winc
26 Zola
27 LanzaTech
28 JioSaavn
29 Jumio
30 Foundation Medicine
31 Arterys
32 Alnylam Pharmaceuticals
33 Beautycounter
34 Sonder
35 Indigo Ag
36 Nubank
37 GOAT
38 Snøhetta
39 African Leadership University
40 Fanatics
41 Unmade
42 Modern Fertility
43 Rocket Lab
44 A24
45 Teachers Pay Teachers
46 Ammunition
47 Sesame Workshop
48 Acorns
49 Mozilla
50 Punch Bowl Social

Startups viram opção para quem não tem seguro saúde

Com ajuda de tecnologia, novatas podem otimizar consultas, exames e até mesmo cirurgias, barateando custos
Por Luiza Dalmazo – O Estado de S.Paulo

Mara Redigolo criou o Dandelin, um ‘clube de assinatura’ da Saúde

Toda semana ao menos um paciente do cirurgião cardiovascular Marcus Vinicius Gimenes lhe fazia o mesmo pedido. “Doutor, não tenho mais plano de saúde, o senhor pode me dar um desconto na consulta particular?” De tanto ouvir a frase, Gimenes usou sua veia empreendedora para criar o Consulta do Bem. A startup, baseada no conceito de economia compartilhada, oferece consultas, exames, vacinas e até cirurgias a preços acessíveis para quem não tem plano de saúde. 

A empresa foi comprada, há cerca de um mês, pela BenCorp, gestora especializada em benefícios de saúde para o setor corporativo. Gimenes, porém, não foi o único a explorar o filão: há diversas startups surgindo com foco em quem não tem seguro-saúde. De 2014 para cá, o total de brasileiros clientes ativos desse setor caiu 6%, para menos de um quarto da população. 

Assim como outros exemplos da economia compartilhada, o segredo do Consulta do Bem é usar recursos subaproveitados – no caso, horários vagos de médicos em seus consultórios. Com o apoio da tecnologia, é possível aproveitar o efeito de rede para ocupar esses espaços. Na média, diz Gimenes, esse tempo ocioso corresponde a metade do período de trabalho dos profissionais.

Ao usar o serviço da startup, o paciente agenda uma consulta com um dos 3 mil profissionais cadastrados na plataforma, a partir de horários previamente oferecidos pelo médico. O pagamento é feito na hora, pela internet – e cada sessão sai por R$ 100, um terço do preço de uma consulta normal. “Como o pagamento é feito antes da consulta, as ausências despencam. O paciente consegue pagar menos, e o médico aproveita melhor seu tempo”, diz o fundador da Consulta do Bem. 

Para os pacientes, a empresa tem um sistema parecido com o do Dr. Consulta, pioneira no setor, criada em 2011. Pelo site ou aplicativo da empresa, é possível agendar visitas a médicos, dentistas, marcar exames e pequenas cirurgias. A diferença é que os profissionais do Dr. Consulta atendem não em consultórios próprios, mas nas mais de 60 clínicas da startup, hoje distribuídas entre São Paulo e Rio de Janeiro. 

Clube. A tecnologia também foi o que permitiu o nascimento da Dandelin, em abril de 2018. É uma espécie de clube de saúde: o usuário acessa o app da empresa e, se precisar, marca seu procedimento com um dos mais de 400 médicos cadastrados. No fim do mês, a startup soma quantas consultas foram realizadas por seus clientes e divide os custos entre os “sócios”. 

O usuário, portanto, paga uma assinatura de custo variável – algo como a conta de água em um condomínio, por exemplo. Pode haver mês que o usuário fez cinco consultas e paga o equivalente a uma, assim como mês em que ele não vai ao médico e terá de pagar. “Invariavelmente, é bem menos que o valor da mensalidade do plano. Hoje, o máximo que se paga são R$ 100 por mês”, diz Mara Redigolo, cofundadora e diretora de operações da Dandelin. 

Tendência. Para especialistas, os serviços que miram aqueles que não têm planos de saúde tendem a crescer, porque há indícios de que os convênios médicos fiquem ainda mais caros. “A população está envelhecendo, o que aumenta a incidência de doenças crônicas e a complexidade nos tratamentos, subindo também o custo das mensalidades”, afirma Leonardo Nunes, especialista em saúde da Cèdre Consultoria. 

Além disso, o número de profissionais informais ultrapassou o de trabalhadores com carteira assinada pela primeira vez em cinco anos em 2017 – situação que ainda não foi revertida. Hoje, os planos de saúde individuais chegam a ser até 58% mais caros do que os coletivos, dependendo da região do país, o que torna os convênios inacessíveis para mais pessoas – os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Integração. Depois de se formar na Universidade Harvard e trabalhar dois anos no Quora, rede social de perguntas do Vale do Silício, a engenheira Deborah Alves voltou ao Brasil em maio de 2018 para colocar no ar a Cuidas, serviço voltado à saúde da família. Com foco corporativo, a companhia já conquistou cinco empresas como clientes – cada uma delas paga R$ 70 por mês para cada funcionário cadastrado, que pode usar serviços de acompanhamento de sua saúde. Além de consultas marcadas, a Cuidas também deixa que o usuário tire dúvidas em tempo real, pelo celular, resolvendo problemas comuns ou indicações de especialistas. 

“Para empresas que têm plano, é algo que diminui a sinistralidade e as faltas de funcionários que vão ao médico”, diz Deborah. “Já para as corporações que não têm, é um benefício que pode ajudar a atrair talentos.” Apesar de ter menos de um ano, a Cuidas já recebeu investimentos dos fundos Kaszek Ventures e Canary. Além da mensalidade paga pelas empresas, a Cuidas também fatura por consulta – recebe, em média, R$ 20 por sessão agendada. 

Atuar ao lado dos planos de saúde também é a meta da Central da Saúde, fundada em 2011 pelo empreendedor Bruno Peres. A empresa leva fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros profissionais à casa dos pacientes – muitas vezes, esses tratamentos não são cobertos pelos planos de saúde. Com mil profissionais parceiros, que realizam, em média, 5 mil procedimentos por mês, a empresa fechou 2018 com receita na casa de R$ 4 milhões. “O médico salva, mas é o fisioterapeuta que devolve a vida ao paciente”, brinca Peres.

Prevenção também vira negócio para startups 

Usuários da N2B, fundada por Luisa Cusnir e Cesar Terrin, podem se prevenir de doenças como sinusite e enxaqueca

A administradora Luísa Cusnir trabalhava na divisão de saúde de uma corretora de seguros e decidiu pesquisar por que o número de sinistros era tão alto. Descobriu que a maior parte das doenças – inclusive aquelas tratadas em pronto-socorro, como enxaqueca e sinusite – poderiam ser evitadas com prevenção baseada em alimentação adequada. Com esses dados em mãos, fundou em 2016 a N2B, empresa que auxilia as pessoas a se alimentarem melhor. 

Após receber investimento de R$ 150 mil da aceleradora de startups Ace há dois anos, além de um aporte recente e de valor não revelado da Sociedade Israelita Albert Einstein, a empresa soma 700 novos cadastros ao dia; hoje, já tem 60 mil usuários.

Os clientes podem mandar para a N2B quantas vezes quiserem imagens de suas refeições e um time de nutricionistas os ajudam remotamente a entender se estão se nutrindo de acordo com suas necessidades de saúde. “Só o fato de nos enviar as imagens dos alimentos já melhora a consciência sobre o quanto aquilo é saudável e, assim, tendem a ter menos de ir ao médico ou hospital”, explica Luísa.