Startup Boxabl que construiu casa ‘box’ de Elon Musk quer captar US$ 50 mi

A Boxabl está aproveitando o sucesso nas redes sociais da casa que construiu para Musk e já tem mais de 50 mil pedidos na lista de espera por uma unidade

O modelo de 36 metros quadrados, o mesmo de Musk, é o que chama a atenção dos novos clientes da Boxabl

A Boxabl, startup americana de casas modulares, quer aproveitar a ‘fama’ por fabricar a atual casa de Elon Musk para crescer no mercado. Com unidades de cerca de US$ 50 mil, a empresa vai em busca de uma captação de US$ 50 milhões para alavancar o negócio — e já tem clientes em fila de espera para comprar as caixinhas e montar sua própria casa. 

O efeito foi imediato: Elon Musk confirmou, em suas redes sociais, que estava morando em uma unidade fabricada da Boxabl e o interesse pela startup cresceu expressivamente. Com apenas três casas construídas até o momento, a proposta é oferecer facilidade para quem não quer se preocupar muito com imóvel. As unidades pré-prontas contam com sala, banheiro, quarto e cozinha já estruturados e ainda podem ter adições, como um segundo andar, por exemplo. 

Mesmo com a comodidade de poder construir o mais próximo possível de uma casa — e não uma quitinete, por exemplo — o modelo de 36 metros quadrados, o mesmo de Musk, é o que chama a atenção dos novos clientes da Boxabl. Já são mais de 50 mil pedidos na lista de espera para adquirir a ‘Casita’, modelo mais popular da empresa. 

Galiano Tiramani, fundador da Boxabl, afirmou que está aproveitando o holofote recebido pela empresa desde a publicação de Musk e que toda a visibilidade tem impactado no negócio que fundou em 2017, a ponto de poder escolher quem investe ou não na startup. 

“Estou falando com fundos de capital, mas não é algo que temos que fazer. Rejeitamos aportes onde eles [investidores] queriam assumir o controle da empresa”, disse Tiramani em entrevista ao site americano Business Insider. “A situação é melhor com os investidores individuais. Continuamos no controle total. Estamos dando as cartas”. 

Mirando em uma captação de US$ 50 milhões, a Boxabl agora quer crescer e começar a gerar lucro, algo que ainda não aconteceu. Com sede em Las Vegas, Tiramani espera a validação da fábrica para atingir escalas ambiciosas na produção a là Elon Musk. 

“Assim que a fábrica for validada, nós vamos entrar na produção em grande escala e na automação que você vê em uma fábrica de automóveis — robótica completa e extremamente rápida. A Ford produz um caminhão F-150 a cada 53 segundos. Não há razão para não estarmos no mesmo nível”, completou Tiramani, ao Business Insider.

Startups avançam no mercado com soluções para facilitar a compra ou aluguel de imóveis

‘Proptechs’, empresas populares fora do Brasil, flexibilizam as regras do setor imobiliário e ajudam as pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio
Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

Felipe Santos e Aram Apovian
Felipe Santos (E) e Aram Apovian, da aMORA: startup se propõe a comprar o imóvel escolhido pelo cliente. Foto: TIago Queiroz/Estadão

As proptechs (startups do setor imobiliário) vêm ganhando mercado apresentando soluções diferentes para problemas enfrentados por quem pretende comprar um imóvel. É o caso, por exemplo, da aMORA, que tem como público-alvo uma parcela de brasileiros que quer comprar um imóvel, mas depende de financiamento e não dispõe dos tradicionais 20% de recursos exigidos pelos bancos para dar entrada no processo.

A startup, fundada por três engenheiros civis, avalia e compra o imóvel escolhido pelo cliente, que dá 5% de entrada e paga uma mensalidade por 3 anos, quando finalmente pode decidir se quer ou não ficar com o imóvel. Parte das mensalidades, ao longo desse período, vai para um depósito criado pela própria empresa, que o cliente recupera no final do contrato.

“Nós mesmos passamos por uma série de dificuldades com aluguel e, depois, para comprar um imóvel. Aí nos perguntamos por que é tão difícil e por que ninguém faz algo que funcione melhor”, diz Aram Apovian, um dos sócios. “Antes, as pessoas costumavam casar e ter estabilidade financeira mais cedo. Hoje elas demoram muito mais para atingir essa estabilidade.”

Apesar do crescimento da “uberização” do morar (pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio), eles se perguntaram se a mudança de comportamento parava por aí. Após conduzirem uma série de pesquisas e mergulharem em estudos do Itaú BBA, entre outros, que apontam que 89% dos jovens brasileiros ainda consideram importante comprar um imóvel, mas apenas 20% têm o hábito de guardar dinheiro para planos de longo prazo, veio o insight. “A gente já conhecia modalidades mais flexíveis de aquisição lá fora, então por que não criar algo para o mercado imobiliário brasileiro?”

Operando oficialmente há dois meses, a proptech está começando a fechar os primeiros contratos. Depois da avaliação e compra, o cliente mora no imóvel como “super inquilino”, sem correr risco de ser despejado porque o proprietário quer retomar a casa, já que ela foi comprada sob encomenda para ele. “Ele pode reformar como quiser, passando apenas por uma aprovação muito light da empresa”, explica Apovian. As únicas contrapartidas são os 5% de entrada e a mensalidade, geralmente de 10% a 40% mais barata do que uma parcela de financiamento, e da qual saem os ganhos da aMORA e o valor mensal para a poupança do morador.

Garantia

Comum nos Estados Unidos e na Europa, o home equity, que usa bens imóveis como garantia, é outra prática ainda pouco explorada no Brasil e em que algumas startups decidiram apostar. A ideia de usar ativos imobiliários para que eles sirvam como lastro de crédito chamou atenção do Centro de Excelência da Votorantim (CoE), que criou recentemente a startup Avaliei para acelerar o processo de avaliação de imóveis que serão usados como garantia. Entre os clientes estão bancos, fintechs, proptechs e fundos de investimentos.

Com algoritmo próprio, a ferramenta Avaliação Digital realiza uma análise precisa em minutos, cruzando anúncios imobiliários, informações geoeconômicas e mercadológicas e outros dados públicos. A plataforma também oferece o laudo oficial de avaliação de forma ágil, em parceria com uma rede de profissionais. Um aplicativo exclusivo de vistoria, disponibilizado a um time de engenheiros e arquitetos, dispara as novas solicitações de laudo, com data e horário de atendimento.

Outra que trabalha com home equity é a Pontte, fintech que estima emprestar mais de R$ 400 milhões até o final do ano a pessoas físicas e jurídicas. Apesar de tudo ser controlado de forma 100% digital, a empresa também foca na humanização do financiamento imobiliário. “A tecnologia que usamos nos permite ter uma série de diferenciais, entre eles a análise de crédito mais flexível, a possibilidade de composição de renda com familiares, oferecer carência de até seis meses e a opção de ajustar o valor das parcelas ou até pular o pagamento caso as coisas fiquem difíceis”, afirma o presidente Marcelo Lubliner.

Sem fiador

Criada com o objetivo de facilitar a vida de inquilinos e proprietários, a CredPago registrou, de março e abril, sua melhor performance em 5 anos de existência, ampliando sua carteira em 135% em relação ao mesmo período de 2020. A startup oferece, entre diversas soluções, o aluguel sem fiador – uma das maiores dores de cabeça para os dois lados.

O serviço, que já chegou a 750 mil pessoas, garante cobertura de até 30 vezes o valor do aluguel em casos de inadimplência, sem cobrar nada dos inquilinos.

Novos ‘unicórnios’ explodem em 2021, mas status ainda mantém ‘magia’

Cenário pós-pandemia facilita o nascimento de startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Unicórnio é o nome dado às raras startups que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão de avaliação de mercado
Unicórnio é o nome dado às raras startups que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão de avaliação de mercado

Unicórnios não existem para além da imaginação humana. Mas eles são bem reais no mundo das startups. Para uma empresa de tecnologia, tornar-se unicórnio significa superar a poderosa marca de US$ 1 bilhão de avaliação de mercado. Por ser algo raro, é que a distinção é tão honrosa para investidores e empreendedores. Porém, em 2021, isso parece estar mudando com a expansão do clube de vitoriosas e, diante desse estouro global, surgem questionamentos se o status ainda serve para marcar as mais notáveis do mundo.

De acordo com a consultoria CB Insights, em 2021 há um número recorde de startups que se tornaram unicórnio: foram 209 até 22 de junho. O número supera com folga as turmas de 2020 (120), de 2019 (123) e de 2018 (122). No mundo todo, já são 725. Os motivos, dizem especialistas, vão além daquilo que essas empresas oferecem.

Um deles é a alta adoção de tecnologia durante a pandemia de covid-19, que alavancou não só as gigantes do setor (AppleAmazonMicrosoft e Google tiveram no ano passado desempenho financeiro recorde), mas também as startups, que aproveitaram a onda para surfar com os grandes tubarões do mercado. Setores como finanças, comércio eletrônico e logística atingiram novo patamar durante o ano passado.

Além disso, a queda global dos juros básicos, outra consequência da pandemia, aumentou o apetite por risco, fazendo crescer a demanda por investimentos no único setor em alta na renda variável, o de tecnologia. 

“Com tanta liquidez no mercado e menos empresas disponíveis para investir, a avaliação dessas startups sobe mais rapidamente e é por isso que vemos cada vez mais unicórnios”, explica Gustavo Araújo, presidente e fundador da empresa de inovação Distrito. “Inclusive, pode existir empresa por aí que talvez nem fosse unicórnio em um momento de taxa de juros mais equilibrada.”

Revisão da marca

Apesar do cenário composto por fatores externos a aquilo que as startups fazem, o mercado não vê motivo para rever o status ou criar novas distinções — ao menos por enquanto. Ser um unicórnio, afinal, parece ainda guardar certa magia.  

“Esse é um marco para ser revisado só daqui a 20 ou 30 anos, quando completarmos a transição de uma economia analógica para uma totalmente digital. Todo mundo já vai ter virado unicórnio até lá”, afirma Araújo.

Cristiano Freitas, diretor financeiro da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), acredita que haverá a popularização de novos termos, como os ainda mais raros “decacórnios”, as startups avaliadas em mais de US$ 10 bilhões (são cerca de 33 em todo o mundo, segundo a CB Insights). “Seria como subir a régua”, explica.

Para Diego Pérez, da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), ainda é importante ter maneiras de identificar um grupo seleto das empresas. Ele explica que  a diferença do momento atual para anos anteriores é que se tornar unicórnio virou o início de uma jornada global: “Até pouco tempo atrás, esse seria o último estágio antes de abrir capital na bolsa, mas hoje é o primeiro nível para se tornar uma empresa mundial. Continua sendo um marco, mas mudou o momento da jornada,” diz. 

Popularização do clube

Startups ‘unicórnio’ crescem após pandemia

DNA 

Segundo os especialistas, carregar o status indica que a empresa conseguiu “provar” o seu modelo de negócio. Isto é, existe uma base de clientes que pode crescer porque o produto é viável.

A distinção é ainda mais importante no mercado brasileiro, pois, apesar da explosão global, o clube de unicórnios nacionais é seleto. De 2016 até hoje, segundo a ABStartups, o Brasil gerou apenas 16 companhias avaliadas em mais de US$ 1 bilhão – elas totalizam apenas 0,11% de todo o ecossistema nacional.

Dentro desse pequeno grupo, apenas um nome é um gigante mundial: o Nubank, com valor superior a US$ 30 bilhões, o que faz da empresa a sétima maior startup do mundo e nosso único decacórnio, de acordo com o ranking da CB Insights. No levantamento nacional, o QuintoAndar aparece em segundo, com avaliação de US$ 4 bilhões.

O nome mais novo a se juntar publicamente ao grupo é a Hotmart, dedicada a ajudar na criação de conteúdo de influenciadores digitais para a internet. Discreta, a startup mineira demorou 13 meses para anunciar que superou a marca de US$ 1 bi, em fevereiro de 2020 — o movimento é diferente do que faz o mercado, que costuma fazer barulho. 

“Tornar-se unicórnio nunca foi nosso objetivo, mas é óbvio que isso é bom porque temos mais capital e a chance de investir no próprio produto e também no mercado de startups”, explica o diretor global de negócios estratégicos da Hotmart, Alexandre Abramo. Desde então, a companhia diz ter como principal compromisso ajudar o ecossistema a inovar, realizando aportes individuais e até aquisições — o objetivo é ajudar a formar eventuais companhias parceiras e a fortalecer o setor como um todo.

Pérez, da ABFintechs, aponta que existe um efeito cadeia ao se atingir o marco. Segundo ele, realizar aquisições são essenciais para que o unicórnio continue se expandindo de forma acelerada. Como efeito, isso permite ao criador da startup comprada ter um retorno antecipado do próprio investimento e esse dinheiro acaba sendo usado para criar novas startups, aquecendo o mercado. 

“Um unicórnio é uma entidade importante para o ecossistema. Ele é uma peça-chave para que os empreendedores continuem investindo”, explica Pérez.

Terapia online estoura no divã da pandemia e incrementa startups

Com saúde mental em alta há mais de um ano, empresas e plataformas como Zenklub, Vittude e Eurekka têm demanda crescente; avaliações psicológicas também viraram soluções na crise
Bianca Zanatta, Estadão

Zenklub
Os sócios-fundadores da Zenklub, Rui Brandão (à esq.) e José Simões.  Foto: Sillas Henrique/Zenklub

Com a pandemia do coronavírus avançando em seu segundo ano e o período de isolamento social esticando seus tentáculos a perder de vista, os brasileiros tiveram necessidade de encarar o divã de uma vez por todas. Segundo uma pesquisa da plataforma de saúde mental e desenvolvimento pessoal Zenklub realizada no primeiro trimestre de 2021, a quantidade de horas aproveitadas em sessões de terapia online no Brasil aumentou 1.856% em relação a 2019. Isso significa que, no último ano, os brasileiros passaram mais de 80 mil horas em sessões online com psicólogos.

Apesar de as mulheres ainda serem o público majoritário (69%), o novo cenário trouxe um universo novo de pessoas que nunca tinham entrado em um consultório, de acordo com o médico Rui Brandão, CEO da startup. 

“Todos sentiram um abalo emocional e a terapia deixou de ser tabu”, ele afirma. No caso dos homens, Brandão acredita que o anonimato do processo online ajudou. “Os clientes precisaram lidar com o relacionamento familiar, mas também passaram a ver o autoconhecimento como matemática, uma forma de construção da consciência psicológica para antecipar questões e prevenir algo pior”, explica.

Os resultados refletem a mudança de comportamento. Desde o início da pandemia, o faturamento da startup saltou 650% e o número de profissionais psicólogos que trabalham com a plataforma foi de 461, em maio de 2020, para mais de 5 mil. O Zenklub tem hoje 150 mil usuários finais e atende 300 empresas. O mundo corporativo, aliás, foi um dos grandes responsáveis pela guinada. 

“Em 2019, sabendo que a depressão vai ser a doença mais incapacitante, as empresas já estavam se abrindo um pouco mais para a importância dos cuidados com saúde mental, mas ainda era tabu”, observa Brandão. “Agora nos tornamos a pílula dourada para as organizações porque abraçar a saúde mental foi uma forma de acolher e dar segurança aos colaboradores. É um espaço muito maior do que só tratar a doença. É uma ferramenta de gestão que ajuda nas questões de desenvolvimento socioemocional dos liderados.”

Com forte atuação em psicoterapia e medicina, a startup de saúde e bem-estar Eurekka também expandiu o negócio na pandemia, criando um modelo de franquia e tornando-se um hub de startups para ajudar profissionais da área a ganhar mercado. A empresa oferece atendimento e ajuda emocional por meio da inteligência artificial e serviços como o Eurekka MED, com especialidades como clínica geral, nutrição e personal trainer.

Com sede em Porto Alegre, a startup possui hoje 40 franqueados distribuídos no País e faz mais de 2 mil atendimentos mensais. A alta na demanda gerou um faturamento de R$ 4,5 milhões em 2020 e a meta para 2021 é de R$ 20 milhões.

Outra que decolou na pandemia é a Vittude, fundada por Tatiana Pimenta, que completou 5 anos de vida em maio. A healthtech, que oferece soluções de saúde mental para usuários individuais e para o mundo corporativo, viu a receita crescer 540% só em 2020 e pretende quadruplicar o resultado em 2021. 

Um dos pulos do gato para chegar ao novo patamar foi o desenvolvimento da Vittude Match, ferramenta de inteligência artificial que auxilia na escolha do psicólogo mais indicado para cada demanda. 

Tatiana Pimenta, Vittude
Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude. Foto: Divulgação

Em maio de 2020, a startup tinha aproximadamente 12 clientes corporativos. Hoje são mais de 130, entre gigantes como Grupo Boticário, SAP, Sky, Saint-Gobain, Alelo e Olist, totalizando 450 mil vidas cobertas. Soma-se a isso o acesso mensal dos mais de 3 milhões de usuários únicos, atendidos por 850 psicólogos que trabalham ativamente com a Vittude (na lista de espera, há mais de 14 mil cadastrados).

Avaliação de riscos

Inserida no nicho de mensuração e previsão de riscos psicossociais por meio de tecnologia, a Bee Touch cresceu 70% entre março de 2020 e março de 2021 com soluções como a plataforma Avax Psi, que faz avaliações psicológicas digitais a partir da ciência de dados.

Hoje, a healthtech cobre mais de 300 mil vidas, alcançadas por meio de parcerias com instituições de Mato Grosso do Sul e São Paulo, como a OAB/MS e a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), da OAB paulista. 

No segundo caso, já foram realizadas mais de 2 mil consultas online desde o início da pandemia. A plataforma CAASPisco, desenvolvida pela Bee Touch, bateu 21 mil acessos. Ainda neste semestre, há a expectativa de um aumento de pelo menos 50% na cobertura de vidas, com a entrada de novas empresas no portfólio, e a previsão é de que o faturamento triplique até o final do ano.

Cinquentona repaginada 

Empresa cinquentenária com foco em pesquisa, desenvolvimento e geração de conhecimento para a área psicológica, a Vetor Editora migrou para o digital um mês antes do começo da pandemia, percebendo que as necessidades dos clientes estavam cada vez mais ligadas à agilidade nas avaliações psicológicas. 

De acordo com o CEO Ricardo Mattos, a nova plataforma, batizada de Vol (Vetor Online), trouxe funcionalidades para facilitar o uso no dia a dia. “Antes o psicólogo enviava o link para o avaliado, mas não conseguia acompanhar o teste de fato. Agora ele se conecta com o avaliado pela plataforma e não só vê a pessoa pela câmera como vê como ela está realizando o teste”, explica.

A empresa também apostou com força na área educacional, com o desenvolvimento do Idem (Itinerário do Ensino Médio) – avaliação aprofundada que vai apontar as questões socioemocionais do aluno e identificar suas aptidões para escolher o caminho a seguir no ensino médio -, aulas online ao vivo e cursos de EAD de psicologia forense e Entrevista Diagnóstica para Transtornos da Personalidade (E-TRAP), entre outros.

Outro braço que impulsionou o crescimento é o organizacional. “Hoje 80% dos usuários da Vol vêm do mercado de RH, de empresas que estão usando nossos instrumentos para fazer contratações”, comemora o executivo. 

Ele fala que os testes da Vetor possuem validação científica e por isso possibilitam fazer contratações mais assertivas, reduzindo o turnover nas empresas. “Fomos de 300 aplicações diárias no começo da pandemia para 3 mil agora”, fala Mattos. “A plataforma já passou de 1 milhão de aplicações na base.” 

Para Mattos, a grande sacada, além da digitalização, foi voltar ao nicho da terceirização de serviços que o fundador da empresa, Glauco Bardella, fazia muito no passado – e que hoje passou a ser uma forte demanda do mercado.

Após anos de espera, saúde da mulher ganha foco de startups

Empresas de tecnologia estão criando produtos para atender às necessidades de saúde das mulheres; segmento ainda é pequeno
Por Farah Nayeri – The New York Times

As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook
As mulheres gastam cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook

As mulheres representam metade da população do planeta. Ainda assim, as empresas de tecnologia que atendem às suas necessidades específicas de saúde representam uma parcela minúscula do mercado global de tecnologia.

Em 2019, as “femtechs” – empresas de software e tecnologia que atendem às necessidades biológicas das mulheres – gerou US$ 820,6 milhões em receita no mundo e recebeu US$ 592 milhões em investimentos de capital de risco, segundo o site PitchBook. No mesmo ano, o Uber levantou US$ 8,1 bilhões ao abrir o capital. A diferença proporcionalmente é impressionante, sobretudo pelas mulheres gastarem cerca de US$ 500 bilhões por ano com despesas médicas, segundo o PitchBook.

Aproveitando esse poder de compra, uma infinidade de aplicativos e empresas de tecnologia têm surgido na última década para atender às necessidades das mulheres, incluindo monitoramento de menstruação e fertilidade, e oferecendo soluções para gravidez, amamentação e menopausa. As startups médicas também entraram em cena para prevenir ou controlar doenças graves, como o câncer.

“O potencial de mercado é enorme”, diz Michelle Tempest, sócia da consultoria de saúde Candesic, com sede em Londres. Ela explica que uma das razões pelas quais as necessidades relacionadas às mulheres não tinham sido foco no campo da tecnologia até então é que a pesquisa em saúde foi esmagadoramente “adaptada ao corpo masculino”. 

Em 1977, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, excluiu mulheres em idade fértil de participarem de testes de medicamentos. Desde então, as mulheres têm sido sub-representadas nos ensaios clínicos com medicamentos, disse Michelle, por causa da crença de que as flutuações causadas pelos ciclos menstruais podem afetar os resultados dos testes e também porque se uma mulher engravidar após tomar um medicamento experimental, o medicamento pode afetar o feto. Como resultado, ela observou, “nós ficamos para trás”.

Futuro

O termo “femtech” foi criado por Ida Tin, a fundadora dinamarquesa do Clue, um app de monitoramento de menstruação e ovulação desenvolvido na Alemanha em 2013. Ida relembrou como teve a ideia para os serviço. Em 2009, ela se viu segurando um celular em uma mão e um pequeno dispositivo de medição de temperatura na outra e desejando que pudesse mesclar os dois para monitorar seus dias de fertilidade. 

Outra vertente das femtechs é conhecida como “menotech” e visa melhorar o estilo de vida das mulheres enquanto elas passam pela menopausa. Além delas, existem empresas de tecnologia médica focadas em alguns dos tipos de câncer que mais afetam as mulheres, como o câncer cervical e o câncer de mama.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer cervical é a quarta causa mais comum de câncer entre as mulheres em todo o mundo. Em 2018, cerca de 570.000 mulheres foram diagnosticadas com ele e até 311.000 morreram. A OMS anunciou em novembro um programa para erradicar completamente a doença até o ano de 2030.

A MobileODT, uma startup com sede em Israel, usa smartphones e inteligência artificial para fazer a triagem de câncer cervical. Leon Boston, CEO da empresa, disse que estava vendendo a tecnologia para cerca de 20 países diferentes, entre eles EUA, Índia, Coreia do Sul e Brasil, e está entrando em uma rodada de arrecadação de fundos para construir seu capital inicial de US$ 24 milhões.

Questionado a respeito do motivo de o mercado global de femtechs ser tão pequeno, Boston disse que isso se devia em parte ao “alto nível de regulamentação” envolvido na tecnologia médica. “Se a sua tecnologia estiver equivocada e apresentar um resultado errado, uma mulher que pensa que não tem um resultado positivo para câncer cervical, na verdade, tem”, disse ele. Por causa disso, “o mundo da tecnologia médica é lento para avançar”.

Mesmo assim, as perspectivas são favoráveis, segundo ele. “É muito raro haver um mercado completamente árido aberto para todo o potencial como temos hoje em tecnologia médica”, disse ele.

As previsões de dados parecem confirmar isso. Segundo um relatório de março de 2020 da Frost & Sullivan, uma consultoria de pesquisa e estratégia, a receita das femtechs deve chegar a US$1,1 bilhão em 2024. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Startup Muma lança consultoria gratuita para pequenos projetos de interiores

A empresa possibilita que clientes conversem com arquitetos e designers e recebam orientações para executar pequenas mudanças

Startup lança consultoria gratuita para pequenos projetos de interiores (Foto: Divulgação/Muma)

Após mais de um ano de isolamento social, o desejo de renovar os ambientes do lar ainda é bastante comum. Para auxiliar pessoas que querem fazer pequenas modificações em casa, a startup de design autoral e marketplace Muma lançou um serviço de consultoria gratuita para mudanças de móveis e decoração. A iniciativa, feita de forma virtual, permite que os clientes recebam orientações para executar o projeto por conta própria.

A consultoria oferecida pela empresa começa por meio de um formulário que visa entender qual é o estilo que o cliente mais se identifica e quanto ele pretende investir. Com base nisso, um consultor da Muma, arquiteto ou designer de interiores, agenda uma consultoria online de uma hora para ouvir as necessidades e interesses do usuário. Por fim, a startup produz um relatório completo para ajudar nas pequenas reformas, que inclui paleta de cores, lista de sugestão de produtos, layout 2D e até um moodboard.

De acordo com o fundador e curador da startup, Matheus Ximenes, a plataforma pode ser utilizada para quem pretende criar uma pequena área de home office ou um espaço para as crianças em casa, por exemplo. “Estar mais tempo em casa põe uma lente de aumento sobre os ambientes. Você sente muito mais a necessidade de estar num espaço agradável, aconchegante e adaptado às suas necessidades. No entanto, nem todo mundo tem o conhecimento necessário para harmonizar cores, texturas e tamanhos”, diz ele.

Além da consultoria para pequenas modificações de interiores, a startup oferece ainda informações sobre acabamentos de peças de mobiliário e customizações de forma gratuita. O atendimento personalizado ocorre por meio do WhatsApp da empresa (11 3031-9179).

Startups vivem boom de aquisições e aumentam a fila para IPOs

O volume de transações em fusões e aquisições de empresas de tecnologia cresceu pelo menos 34% nos primeiros meses de 2021 em relação a 2020
Por Felipe Matos – O Estado de S. Paulo

Outra novidade que parece estar começando a se consolidar são os IPOs de startups na B3

O ecossistema de startups começou o ano mais aquecido do que nunca. O volume de aquisições e fusões no setor atingiu níveis recordes e segue em tendência de crescimento, desde o ano passado. Dados da Slinghub mostram que houve 34 operações em 2021, ante 25 no primeiro trimestre de 2020 – um aumento de 34%, que deve ser ainda maior, considerando que ainda estamos na metade de março. No mesmo período de 2019, foram 20 operações.

Não é só o aumento na quantidade de operações que chama a atenção. O tamanho também. No começo deste mês, a Totvs anunciou a aquisição da RD Station, plataforma de software como serviço para marketing digital, por R$ 1,86 bilhão. Foi uma das maiores operações do tipo no país. A Locaweb vem também anunciando diversas aquisições. Só nos primeiros meses de 2021, ela comprou a Credisfera, Dooca Commerce, ConnectPlug e Samurai Experts.

Um movimento que chama a atenção nesse contexto é o aumento de operações encabeçadas por empresas tradicionalmente não tecnológicas, que começam a ver na aquisição de startups uma estratégia para acelerar os esforços de transformação digital. Um exemplo é da Raia Drogasil, que comprou a plataforma de big data Healthbit. Também vemos mais fusões e operações estratégias de consolidação entre startups, como a união das fintechs Geru e Rebel.

Outra novidade que parece estar começando a se consolidar são os IPOs de startups na B3. Após a estreia de movimentos bem sucedidos de empresas como Méliuz, Enjoei e Mosaico, a fila para a oferta de ações por novas empresas de tecnologia segue aumentando. Entre as que já sinalizam esse movimento estão a plataforma de contratação de serviços GetNinjas, o e-commerce Privalia e o programa de fidelidade Dotz. Com isso, o mercado brasileiro vai aprendendo a compreender e precificar empresas de tecnologia.

Todo esse cenário demonstra a chegada de uma nova fase de amadurecimento do ecossistema de startups no País. Só em 2020, foram investidos mais de R$ 20 bilhões no setor, que já é responsável pela geração de renda de milhões de pessoas, especialmente por meio de apps de economia compartilhada, como 99 e iFood.

Apesar da relevância e do enorme potencial de geração de desenvolvimento, as startups ainda lutam por reconhecimento e incentivo regulatório, já que o Brasil continua sendo um dos países mais complexos para o empreendedorismo. Por aqui, o Marco Legal das Startups caminha no Congresso cada vez mais desidratado, com um texto ainda aquém das necessidades, o que deixa o País muito atrás da maior parte dos países desenvolvidos.

*ESPECIALISTA EM EMPREENDEDORISMO E TECNOLOGIA, JÁ APOIOU MAIS DE 10 MIL STARTUPS NO BRASIL E É SÓCIO DA 10K.DIGITAL

Startup de benefícios Vee recebe R$ 200 milhões de investimento após fusão com a francesa Swile

Com o cheque, a brasileira quer transacionar na plataforma R$ 2 bilhões em 2022 e chegar a até 1 milhão de usuários até 2023
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee
Da esq. para dir., em pé, Marcelo Ramos e Raphael Machioni, cofundadores da Vee; sentados, Loïc Soubeyrand, CEO da Swile, e Eduardo Haidar, cofundador da Vee

A startup de benefícios Vee recebeu R$ 200 milhões em investimentos da francesa Swile, que opera no mesmo segmento e fundiu as operações com a brasileira no País com troca de ações. O Brasil é o maior mercado no setor de benefícios corporativos, com R$ 150 bilhões movimentados por ano em vale alimentação, vale refeição, pagamentos de bônus e premiações. Atrás, vêm França e México.

A Swile, startup que totaliza aportes de R$ 700 milhões, já pretendia aterrissar no Brasil como parte de sua estratégia de expansão internacional, mas optou pela fusão com a Vee, anunciada na quinta-feira, 11. Por aqui, a operação continuará a ser comandada pela brasileira, que atua desde 2018 no País e já soma mais de 50 mil beneficiários ativos e 800 mil empresas como clientes.

“A operação foi para garantir volume de investimentos, e não vender a companhia e sair dela, mas sim olhar para um mercado em que a gente acredita e brigar por investimentos”, conta ao Estadão Marcelo Ramos, cofundador da Vee e atualmente presidente do conselho da empresa. 

A startup espera aplicar o cheque de R$ 200 milhões para transformar o seu aplicativo de gestão a partir do conceito de “one stop shop” para os departamentos de Recursos Humanos, que poderão gerenciar folhas de pagamento, benefícios corporativos e outras soluções digitais para os colaboradores das empresas.

Esse movimento de digitalização foi acelerado em 2020, quando a pandemia de covid-19 forçou o confinamento das pessoas em suas casas e fez com que o trabalho fosse realizado em casa. A Vee respondeu criando já em março um “cartão home office”, destinado a empresas que queriam bancar custos de luz, telefone, internet ou de escritório dos seus trabalhadores. No ano, a startup viu serem transacionados R$ 73 milhões na plataforma, ante R$ 1,7 milhão de 2019.

Com a intensificação da digitalização, a perspectiva é que a startup atinja as metas de somar 590 mil usuários na plataforma, 9,1 mil clientes e de R$ 2 bilhões transacionados até 2022. Em 2023, o objetivo é fechar o ano com quase o dobro de usuários, em 1 milhão. 

O crescimento da Vee, no entanto, acontece em meio à pandemia de covid-19, cujo impacto sobre o mercado de trabalho formal, do qual o segmento de benefícios corporativos é altamente dependente, é gigantesco. Do primeiro trimestre de 2020 para os últimos três meses do mesmo ano, segundo o IBGE, a taxa de desocupação no Brasil saltou de 12,2% para 14,1%.

Para Marcelo Ramos, no entanto, o cenário de desarranjo econômico pós-pandemia não deve atrapalhar os planos da startup, que busca clientes do setor de pequenas e médias empresas, o mais afetado pelos lockdowns necessários para combater o novo coronavírus. Por oferecer um produto que reúne em uma única plataforma vários fornecedores, a Vee acredita ser uma boa solução conseguir fazer com que as PMEs migrem para o serviço. 

“Nosso modelo não faz com que a gente tenha problema de escala potencial”, afirma. “A gente embarca num mundo em que vai haver empresa fechando e demitindo pessoal, mas vai ter aquelas que vão buscar soluções alternativas para não mandar gente embora e perseverar na crise.”

SoftBank encerra parceria com a startup de hospedagens Oyo na América Latina

A Oyo afirma que continuará a operar na região com atendimento principalmente digital e administração direto da Índia; empresa vai demitir quase toda a sua equipe na América Latina

Os negócios da Oyo vêm sendo impactados desde o início da pandemia

O SoftBank deixará as operações comerciais da startup indiana de hospedagens Oyo na América Latina. O anúncio foi feito pelas empresas nesta quinta-feira, 11, e o fim da parceria acontece seis meses após as duas partes firmarem uma parceria focada na região.

O grupo japonês injetou US$ 75 milhões nas operações da Oyo na América Latina. Em setembro do ano passado, em meio às dificuldades impostas pela pandemia, a Oyo passou o controle de suas operações na América Latina para o SoftBank.

Apesar do fim da joint venture latino-americana com o SoftBank, a Oyo afirma que suas operações na região continuam. Porém, a empresa anunciou que passará a adotar um modelo de serviço principalmente digital, com atendimento remoto a clientes e proprietários de hotéis. A Oyo disse também que as mudanças vão exigir a demissão de quase toda a sua equipe na região – a startup não revela números. Os poucos funcionários que ficarão serão os responsáveis pelo contato diário com hoteleiros. Hoje, a Oyo possui cerca de 1 mil hotéis parceiros na América Latina, sendo 450 no Brasil.

Desde o início da pandemia, os dois escritórios da startup na região, no Brasil e no México, estão fechados. Agora, a empresa confirma que as atividades na região serão gerenciadas diretamente da Índia.

O SoftBank disse que a decisão foi tomada em conjunto com a Oyo devido aos desafios trazidos pela pandemia do coronavírus, e que não iria mais investir na empresa na região.

A Oyo tem enfrentado dificuldades em seus mercados em todo o mundo devido à crise do coronavírus, que atingiu em cheio a indústria do turismo e reduziu drasticamente sua força de trabalho. De acordo com o Wall Street Journal, a empresa agora vai focar sua atenção nos mercados em que sua operação é mais forte, como a Índia, a Europa e o Sudeste Asiático. / COM REUTERS