Investimento inclusivo é o caminho para nova geração de startups

Qual será o retrato da geração de empreendedores que estamos ajudandoa construir
Por Camila Farani – O Estado de S. Paulo

Quando uma área do mercado se torna mais rentável e atrativa também acaba se transformando em menos acessível para grupos que são tradicionalmente excluídos

O financiamento de risco no mundo chegou a US$ 158,2 bilhões no terceiro trimestre do ano. Alcançamos a marca de 848 unicórnios – 127 novos só no período, segundo a CB Insights. No Brasil, as nossas startups receberam US$ 6,9 bilhões até setembro, um crescimento, segundo a Distrito, de 190% em relação a 2020.

Os números são superlativos e evidenciam um mercado impulsionado pelas novas demandas da transformação digital. Ao mesmo tempo, trazem um desafio urgente: a necessidade de termos mais pluralidade entre os atores desse novo mundo em construção.

Quando uma área do mercado se torna mais rentável e atrativa, algo que vem acontecendo com tudo que se refere ao digital, também acaba se transformando em menos acessível para grupos que são tradicionalmente excluídos.

Vamos pensar na tecnologia, que hoje move o mundo e onde está boa parte das oportunidades de emprego no Brasil. O perfil do profissional de Tecnologia da Informação no País é: homens brancos, jovens, heterossexuais, classe média e não portadores de deficiência, revelou o estudo Quem Coda o Brasil, feito pela ThoughtWorks, em conjunto com a PretaLab. Em 21% das equipes de tecnologia do País, não há sequer uma mulher, enquanto em 32,7% dos casos não há nenhuma pessoa negra.

Nos EUA, uma potência dos investimentos de risco, as fundadoras negras e latinas receberam apenas 0,64% do investimento total de VC desde 2018. O total médio de financiamento inicial para elas é de US$ 479 mil, um quinto da média de US$ 2,5 milhões para todas as startups. Esses dados fazem parte do banco de dados do ProjectDiane.

Construir times diversos, capazes de trazer novas perspectivas para a ideação de um produto ou solução e suas estratégias de mercado, é uma habilidade de liderança do futuro. Os resultados dessa pluralidade vão além da questão social. As empresas com times inclusivos se antecipam e se preparam para mais variáveis do que grupos homogêneos de colaboradores costumam fazer.

Como investidores, quando formos definir os investimentos, precisamos pensar na inovação, no potencial dos empreendedores, no modelo de negócios da empresa e no tamanho do mercado que endereçam, e não na raça ou gênero dos fundadores. Qual será o retrato da próxima geração de empreendedores que estamos ajudando a construir, e que terá a responsabilidade de responder aos desafios da sociedade contemporânea, gerar empregos e ajudar a tornar o Brasil mais competitivo?

Fundada por brasileiros na pandemia, startup Merama recebe aporte de US$ 225 mi

A empresa foi criada no final do ano passado, em meio ao boom do e-commerce, e atua investindo em pequenas e médias marcas que vendem seus produtos em marketplaces
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Renato Andrade e Guilherme Nosralla, fundadores da Merama
Renato Andrade e Guilherme Nosralla, fundadores da Merama

A startup Merama, que tem sede em São Paulo e na Cidade do México, anuncia nesta terça-feira, 28, que recebeu um investimento de US$ 225 milhões, cinco meses após ter levantado US$ 160 milhões. A empresa foi criada no final do ano passado, em meio ao boom do e-commerce, e atua investindo em pequenas e médias marcas que vendem seus produtos em marketplaces. 

A nova rodada foi liderada pelo SoftBank e pela Advent, e contou com a participação da Globo Ventures, empresa de investimentos do Grupo Globo. Monashees, Valor Capital, Balderton Capital e MAYA Capital, que já investiam na startup, também reforçaram a aposta. 

Inspirada em empresas americanas como Thrasio e Perch, que ajudam a consolidar vendedores terceiros na Amazon, a Merama tem como objetivo construir uma holding de marcas digitais na América Latina. A startup investe em vendedores, se torna parceira estratégica e ajuda as marcas a crescerem na área de vendas – estão hoje no portfólio da Merama empresas de diferentes segmentos como esportes, eletrônicos, pet e produtos para bebês. 

Além da injeção de capital, a Merama ajuda o empreendedor a gerenciar seus produtos em diferentes marketplaces e também a internacionalizar as vendas. A startup faz isso tanto na parte operacional e tecnológica, melhorando a forma como as marcas se conectam com as plataformas, quanto na parte estratégica, direcionando decisões como, por exemplo, qual preço deve ser colocado em cada marketplace. 

Com os novos recursos, o plano é fortalecer o catálogo de marcas – a ideia é firmar novas parcerias e também fornecer capital de giro para os vendedores existentes. Além disso, a startup pretende aprimorar tecnologias necessárias para os negócios. 

“Com o apoio de Advent, SoftBank e toda a nossa base de investidores, esperamos continuar nosso rápido crescimento e solidificar nossa posição como líder no segmento na América Latina”, disse em nota Renato Andrade, cofundador da Merama.

A Merama nasceu com um pé no Brasil e outro no México, e por isso se posiciona como uma startup latino-americana. Por trás do projeto, está um “grupão” de fundadores, sendo dois brasileiros: Guilherme Nosralla, que já passou por empresas como a consultoria McKinsey e o unicórnio Wildlife, e Renato Andrade, que também construiu carreira na McKinsey. Os outros criadores são o americano Sujay Tyle, o francês Olivier Scialom e o mexicano Felipe Delgado. Eles se conheceram porque tocavam projetos parecidos e um fundo de investimento sugeriu a aproximação das ideias. 

Além de Brasil e México, a Merama engloba marcas de outros países como Chile, Colômbia, Peru e Estados Unidos. 

Startup Cayena levanta R$ 20 mi para ‘temperar’ cozinhas com tecnologia

Na plataforma da Cayena, os estabelecimentos fazem uma lista de compras e o sistema mostra a combinação de distribuidores ideal para atender o pedido
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Fundadores da Cayena: Raymond Shayo (E), Pedro Carvalho e Gabriel Sendacz
Fundadores da Cayena: Raymond Shayo (E), Pedro Carvalho e Gabriel Sendacz

Do lado de fora dos restaurantes, a digitalização avançou nos últimos anos: plataformas de delivery com iFoodRappi e Uber Eats conseguiram conectar os estabelecimentos com os consumidores por meio de aplicativos. Com a ideia de levar essa mesma transformação para dentro das cozinhas, a startup Cayena anuncia nesta segunda-feira, 13, um investimento de R$ 20 milhões. 

A rodada foi liderada pelo fundo europeu Picus Capital e teve a participação de outros nomes como MSA Capital (investidor do Nubank), Coca-Cola Femsa, Astella Investimentos, FJ Labs, Canary e Norte Ventures. 

Fundada em 2019 por Pedro Carvalho, Raymond Shayo e Gabriel Sendacz, a Cayena é dona de um marketplace que conecta cozinhas a fornecedores de produtos. A startup atende estabelecimentos como restaurantes, bares, hotéis e dark kitchens – uma proposta que lembra a da startup colombiana Frubana, que iniciou operações no País em junho.  

“Hoje, a maioria dos restaurantes que precisa repor o estoque de insumos vai até atacados. Em geral, esses mercados ficam longe dos centros, é difícil comparar preços e há pouca opção de marcas”, afirma Carvalho, que conheceu os outros sócios durante a faculdade, no Insper. “Escolhemos esse setor para atuar depois de uma pesquisa bem analítica, em que estudamos diferentes mercados para identificar um grande problema”. 

Na plataforma da Cayena, os estabelecimentos fazem uma lista de compras e o sistema mostra a combinação de distribuidores ideal para atender o pedido – para isso, a startup cruza informações como prazo de entrega e forma de pagamento. O marketplace é fechado: a Cayena faz uma triagem de fornecedores, com etapas de testes, antes de incluí-los como opção para os restaurantes. Quem faz o trabalho de logística são os fornecedores, e a maioria das entregas são feitas de um dia para o outro. 

Em vez de cobrar mensalidade, a Cayena optou por um modelo de negócios que cobra uma taxa sobre o valor transacionado na plataforma. A empresa acredita que será favorecida pela mudança de mentalidade que a pandemia trouxe para o setor:  “Os restaurantes que ficaram abertos começaram a perceber que o processo de compras offline e desorganizado prejudica os negócios, ainda mais quando há falta de abastecimento”, diz Shayo. 

Fermento

Com os novos recursos, o plano é crescer o quadro de funcionários: a Cayena tem hoje 25 pessoas e espera contratar 100 no próximo ano, principalmente na área de tecnologia. 

Apesar de ainda estar focada no Estado de São Paulo, a startup já mira expandir para a América Latina no longo prazo. O primeiro passo foi a mudança para um nome com apelo internacional: a empresa iniciou a operação  com o nome Poupachef e, neste ano, trocou por Cayena. 

“Resolvemos uma dor comum da região, cujo mercado é super fragmentado com milhares de distribuidores”, afirma Carvalho. “Nosso maior desafio hoje é não abraçar todos problemas ao mesmo tempo, e focar em construir produtos bons aos poucos. É um setor carente de serviços, incluindo a parte financeira, que também está no nosso radar”. 

Saúde da mulher entra na mira de startups brasileiras

‘Femtechs’ nacionais começam a ganhar força em meio a frenesi internacional; investimento ainda é desafio
Por Bruna Arimathea e Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Criada por Flávia Deutsch (E) e Paula Crespi, startup Theia oferece acompanhamento personalizado em pré-natal, parto e pós-parto
Criada por Flávia Deutsch (E) e Paula Crespi, startup Theia oferece acompanhamento personalizado em pré-natal, parto e pós-parto

saúde da mulher exige cuidados específicos: é preciso acompanhar fertilidade, contracepção, gestação, menopausa e outras dinâmicas do corpo feminino. Com o crescimento das “healthtechs” (startups de saúde), empresas especializadas em soluções tecnológicas para saúde da mulher também vêm ganhando espaço – elas devem movimentar US$ 50 bilhões no mundo até 2025, segundo a consultoria americana Frost & Sullivan. Inspiradas em exemplos internacionais, essas startups, conhecidas como “femtechs”, começam a desenhar um novo mercado no Brasil. 

Um dos principais nomes do setor no País é a Theia. Criada em 2019 por Paula Crespi e Flávia Deutsch, a startup oferece atendimento clínico em pré-natal, parto e pós parto, por meio de uma rede de 38 especialistas entre ginecologistas, psicólogos, nutricionistas e pediatras. A femtech já recebeu R$ 7 milhões em investimentos das gestoras Kaszek (dos cofundadores do Mercado Livre) e Maya Capital (de Lara Lemann, filha do bilionário Jorge Paulo Lemann). 

“A gestação é o momento em que estamos mais engajadas com a saúde. Porém, ainda há muito desamparo. A Theia deixa de ver a mulher como a barriga que carrega o bebê e oferece um cuidado multidisciplinar”, afirma Flávia ao Estadão

A startup mantém uma operação presencial em São Paulo e atua em parceria com os hospitais Santa Joana, Pro Matre, São Luiz e Einstein para a realização dos partos – no restante do País, o acompanhamento é apenas remoto. Por meio de site ou app, a Theia coordena um caminho de cuidado para cada mulher: o sistema indica as consultas necessárias de acordo com a semana da gestação e sugere atividades (como rodas de conversa e leituras) correspondentes a cada fase da gravidez. A paciente pode pagar as consultas por planos de saúde ou então acertar separadamente – um atendimento obstétrico na Theia custa R$ 400, enquanto a sessão de terapia é R$ 200. 

Algumas femtechs, no entanto, ampliam o escopo para além da gestação. A Oya Care, fundada no ano passado, oferece um relatório de fertilidade para mulheres a partir de um exame de sangue e de uma consulta com uma ginecologista especializada em reprodução humana – o atendimento é remoto, com agendamento online.

O serviço, que custa R$ 300, está disponível no Rio de Janeiro e em São Paulo e conta com parcerias com laboratórios – uma enfermeira contratada pela startup coleta o exame na casa da mulher. Pacientes de outras localidades, que tiverem os exames em mãos, podem marcar apenas a teleconsulta na Oya. 

Stephanie von Staa Toledo, fundadora da Oya Care
Stephanie von Staa Toledo, fundadora da Oya Care

“Avaliando o exame e outros aspectos da vida da mulher, como histórico de saúde, estilo de vida e idade, a médica traça um planejamento personalizado. Ela orienta, por exemplo, se o caminho é uma consulta depois de seis meses ou se é congelar os óvulos”, explica Stephanie von Staa Toledo, fundadora da Oya Care. Em sua primeira captação, a startup levantou um aporte de US$ 790 mil (cerca de R$ 4 milhões, na cotação atual) no final do ano passado, liderado pela firma de capital de risco Canary. A empresa já testa outros produtos relacionados à saúde preventiva da mulher, como doenças sexualmente transmissíveis e contracepção. 

Outra startup que aposta nesse tipo de cuidado é a Fertilid. Lançada em julho de 2019, a femtech nasceu da experiência de Amanda Sadi com exames de fertilidade oferecidos por clínicas particulares. “Descobri que tinha um teratoma no ovário e desembolsei muito dinheiro quando fui fazer os procedimentos. A capacidade reprodutiva é um dado que as mulheres precisam saber sobre si e quase ninguém conhece isso a fundo”, conta Amanda. 

Com dois meses de operação e cerca de R$ 1 milhão captado com investidores-anjo, a Fertilid comercializa auto-exames de fertilidade. Por R$ 360, o kit chega na casa da paciente, que coleta uma amostra de sangue (uma picadinha como nos testes de diabetes) e a envia pelos Correios – a empresa também oferece a logística de retorno. Então, a startup, em parceria com laboratórios, gera um relatório que informa sobre reserva ovariana, características do ciclo menstrual e saúde dos ovários. A mulher também pode agendar uma consulta com especialistas da plataforma da Fertilid caso queira saber mais sobre o resultado.

Gestação

Comparadas a outras startups, inclusive dentro do segmento de saúde, as femtechs brasileiras ainda estão em estágio embrionário. Elas são consideradas um segmento dentro de healthtechs e recebem investimentos menores: os aportes no ramo estão nos níveis de investimento-anjo e semente, que são os primeiros cheques na vida de uma startup. Para especialistas, porém, o sucesso de femtechs em outros países está jogando luz sobre esse mercado no Brasil. 

Em agosto, uma femtech atingiu pela primeira vez o status de unicórnio (avaliação de mercado superior a US$ 1 bilhão) nos EUA. A startup Maven, que funciona como uma clínica digital para gravidez e fertilidade, alcançou a marca depois de receber um cheque de US$ 110 milhões – a rodada contou com a participação de celebridades como a apresentadora Oprah Winfrey. Segundo uma pesquisa do fundo Rock Health, focado em saúde digital, o total de aportes em femtechs no mercado americano cresceu 105% em 2020, chegando a US$ 418 milhões investidos. 

“Esse crescimento mundial está relacionado ao fato de mais mulheres estarem empreendendo. Ao criar um negócio, é natural que você olhe mais para os problemas que te afetam diretamente”, explica Fabiany Lima, fundadora da empresa de investimentos DiliMatch.

No Brasil, os obstáculos estão relacionados principalmente à mentalidade dos investidores. Para Rafaela Bassetti, presidente executiva do hub de investimentos Wishe, os fundos muitas vezes têm uma análise míope de que serviços para mulheres não são mercados grandes porque dividem o público pela metade. “Existe um pensamento de que uma startup só vai ser o unicórnio se atender 100% da população”, diz. As empreendedoras sentem essa desconfiança na pele. “Grande parte dos investidores homens diz que é um serviço nichado. Mas como um serviço que tem como público mais da metade da população mundial pode ser pensado como nicho?”, questiona Flávia, da Theia, que é mãe de dois meninos. 

Para destravar o crescimento, a chave, dizem os especialistas, é apoiar as empreendedoras. Agentes do ecossistema nacional já estão se movimentando: a Wishe, que é focada em investimentos em startups lideradas por mulheres, está trazendo para a empresa uma nova sócia, Raquel Horta, com experiência no setor de femtechs – o plano é fazer do hub uma peça de consolidação e impulsionamento desse mercado.  

“Os grupos que estão mais antenados com os movimentos fora do Brasil já entenderam a oportunidade. Quem investir primeiro vai se dar melhor”, afirma Rafaela. 

Livro Uma Verdade Incômoda sobre escândalos do Facebook mostra riscos do ‘crescimento a qualquer custo’ de startups

Jornalistas do ‘The New York Times’, Sheera Frenkel e Cecilia Kang mostram que Facebook teve responsabilidade em problemas de abuso de privacidade, discursos de ódio e desinformação
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Mark Zuckerberg, fundador e presidente executivo do Facebook

Há algum tempo, a imagem do Facebook como startup promissora e “queridinha” do Vale do Silício se dissolveu. Mark Zuckerberg, antes visto como um jovem genial, se acostumou a participar de sabatinas no Congresso americano. Os usuários mais atentos entenderam como os algoritmos trabalham para fisgar a atenção nas plataformas. Porém, os problemas de segurança e desinformação da plataforma ainda se apoiavam na justificativa de o mercado de redes sociais ser novo e estar aprendendo a controlar seus tentáculos.

O livro Uma Verdade Incômoda (Cia. das Letras, 364 p.) derruba esse argumento. Por meio de uma apuração jornalística extensa, as repórteres Sheera Frenkel e Cecilia Kang, do jornal americano The New York Times, mostram que o Facebook teve responsabilidade nos escândalos porque a companhia colocou em primeiro lugar metas de engajamento de usuários e desenvolvimento de produtos. 

Para o público em geral, o livro mostra com riqueza de detalhes como opera a máquina por trás do universo de curtidas e engajamento das redes sociais – as autoras não defendem uma posição radical de abandonar as plataformas, mas sim de usá-las entendendo como o produto funciona. Afinal, conhecendo a dinâmica, é possível usar redes sociais para se manter perto de amigos e familiares, sem necessariamente rolar o feed de notícias eternamente e compartilhar desinformação. 

A leitura, porém, pode ter valor especial com um público em específico: os “startupeiros”. A sequência de escândalos da rede social mostra o perigo de pisar no acelerador e focar apenas em crescer e inovar a qualquer custo. 

Apesar de ser difícil pensar no Facebook hoje como uma startup, já que a empresa foi fundada em 2004 e se tornou uma gigante de tecnologia, a rede social desde sua fundação adotou o mantra do Vale do Silício “move fast, break things” (acelere e atropele as coisas, em tradução livre). Mesmo depois de conquistar uma base de um bilhão de usuários, a companhia seguiu escolhendo o crescimento agressivo até quando havia riscos sérios em jogo. 

Na expansão para além dos Estados Unidos, por exemplo, as autoras mostram que o Facebook escolheu agarrar a meta do projeto “Próximo Bilhão de Usuários”, sem ponderar as diferenças culturais e políticas dos países que receberiam a plataforma. 

Esse crescimento desenfreado foi a raiz de casos como a incitação de violência em Mianmar, onde a rede social amplificou as tensões existentes na região. O livro mostra que a empresa sabia da quantidade de informações compartilhadas no país, mas não aumentou seu quadro de moderadores para monitorar o conteúdo. 

“Zuckerberg não estava preocupado com as consequências de uma expansão tão acelerada, sobretudo em nações que não tinham regimes democráticos”, diz um trecho do livro. “O primeiro a capturar os mercados locais ainda desatendidos estaria mais bem posicionado para o futuro crescimento financeiro”. Esse mesmo padrão de prioridade se repetiu em episódios como a Cambridge Analytica, em 2018, e a interferência russa nas eleições americanas de 2016. 

Expor esses bastidores em 2021 é ainda mais importante considerando que, neste ano, o Facebook alcançou a avaliação de mercado de US$ 1 trilhão pela primeira vez, tornando-se a companhia mais jovem nos Estados Unidos a chegar à marca. O feito foi atingido após uma vitória inicial em um processo antitruste da Comissão Federal de Comércio americana (FTC, na sigla em inglês): em uma primeira análise, um juiz dos EUA indeferiu a queixa, alegando que a FTC não conseguiu demonstrar que o Facebook tinha poder de monopólio no mercado de redes sociais. 

Olhando para essa avaliação de mercado e o lucro de US$ 10,4 bilhões que a empresa apresentou no último trimestre, o Facebook poderia ser um exemplo de sucesso. “Os empreendedores podem ver esses problemas e tentar desde cedo colocar especialistas em segurança no quadro de funcionários ao lado de engenheiros no desenvolvimento de ferramentas, por exemplo”, afirma Cecilia, em entrevista ao Estadão. “Mas algumas startups podem olhar para os lucros do Facebook e entender que esse modelo funciona.”. 

Ao abrir novos mercados e resolver “dores” dos clientes, é preciso pensar também em consequências que podem surgir. Está nas mãos dos fundadores de novas startups escolher qual caminho seguir. 

Fintech Cora, focada em PMEs, recebe aporte de US$ 116 milhões

Com os novos recursos, a startup pretende investir em novos produtos e alavancar a área de crédito; novo cheque chega apenas quatro meses após a rodada interior
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Igor Senra (D) e Leonardo Mendes, fundadores da Cora
Igor Senra (D) e Leonardo Mendes, fundadores da Cora

Depois de os primeiros bancos digitais brasileiros, como Nubank e Neon, digitalizarem o bolso do consumidor, uma nova onda de fintechs tem ganhado força no País oferecendo serviços financeiros digitais para empresas. Um dos símbolos desse movimento é a startup Cora, focada em pequenas e médias empresas, que anuncia nesta terça-feira, 24, um aporte de US$ 116 milhões (aproximadamente R$ 620 milhões). 

A rodada foi liderada pelo fundo americano Greenoaks Capital e teve participação das outras gestoras que já investiam na Cora (Ribbit Capital, Kaszek e QED Investors). Além disso, com esse aporte, os investidores chineses Tiger Global e Tencent tornaram-se sócios da startup. 

O novo cheque chega apenas quatro meses após a rodada interior – a fintech levantou US$ 26,7 milhões em abril. Igor Senra, presidente executivo e cofundador da Cora, afirmou ao Estadão que os investidores resolveram aumentar a aposta na empresa, antecipando a rodada que estava prevista para 2022.

“Não estávamos buscando um novo aporte, mas a ideia fez sentido com o nosso ritmo de crescimento. Durante uma rodada, já pensamos na próxima, e trazer esses novos investidores estrangeiros pode ser um laço para o próximo cheque”, diz Senra, que, ao lado de Leonardo Mendes, criou o sistema de pagamentos Moip, comprado pela alemã Wirecard em 2016 por R$ 165 milhões – depois disso, os dois fundaram a Cora juntos em 2019. 

A Cora oferece uma conta digital para pequenas e médias empresas, cujo objetivo é facilitar o recebimento de pagamentos (seja por Pix, TED ou boletos) e fazer projeções de fluxo de caixa – os serviços são plugados a um cartão de débito. A fintech recebeu licença do Banco Central para ser uma instituição financeira em outubro do ano passado e soma hoje 138 mil clientes. 

Com o aporte, a startup pretende aumentar sua prateleira de produtos – sem revelar detalhes, Senra afirma que estuda novas formas de recebimentos para a plataforma e melhoria de automatizações. Outra parte dos recursos será direcionada ao marketing e à aquisição de clientes.

Além disso, a Cora está investindo na área de crédito. A empresa já tem um projeto piloto com cartão de crédito, disponível para 3 mil clientes, e pretende agora expandir o serviço e incluir outras possibilidades, como antecipação de recebíveis. 

“Estamos olhando bastante também para o open banking, para conseguirmos nos beneficiar das aberturas. Quanto antes conseguimos ter as informações dos clientes, antes conseguimos dar o crédito”, afirma o presidente executivo da Cora. 

A fintech tem hoje 170 funcionários e planeja fechar o ano com 270 pessoas – no começo de 2021, eram 68.

Disputa

A Cora não está sozinha no mercado de bancos digitais voltados a PMEs. Outro nome do setor é a Linker, fundada por dois ex-funcionários da Neon, Daniel Benevides e Ingrid Barth, e um ex-Itaú, David Mourão. A conta digital da empresa permite que o empresário conecte as informações financeiras com sistemas de contabilidade online, gestão de clientes e de pagamento de funcionários. Em 2021, a Linker cresceu quatro vezes o volume total transacionado na plataforma e dobrou o número de clientes – a fintech não revela exatamente quantas empresas atende. 

O nicho também está na mira de outras startups que estão buscando se “fintechzar”. No começo deste mês, a Omie, dona de uma plataforma de gestão empresarial, levantou R$ 580 milhões com um plano claro: investir na combinação de serviços financeiros com tarefas de rotina, como emissão de notas fiscais e controle de fluxo de caixa. Ou seja, incluir um “internet banking” dentro do dia a dia das companhias, junto com a contabilidade. 

Para Senra, o diferencial da Cora para competir está no foco. “Nosso negócio é construir produtos financeiros específicos para atender as pessoas jurídicas. Somos especializados nisso”, diz. 

Com tecnologia, startup Safespace quer resolver ‘má conduta’ em ambientes de trabalho

Empresa aposta em inovações para aperfeiçoar ferramentas capazes de estimular que os relatos de má conduta em empresas se tornem, de fato, registros oficiais
Por Jayanne Rodrigues, especial para o Estadão/Broadcast – O Estado de S. Paulo

Na plataforma Safespace, as fundadoras criaram um canal de escuta que funciona em tempo real
Na plataforma Safespace, as fundadoras criaram um canal de escuta que funciona em tempo real

Em meio ao avanço nas denúncias e na publicidade de casos de abusos no ambiente corporativo, quatro amigas decidiram se unir para transformar o tema num negócio. Em 11 meses de atividade, a plataforma Safespace conquistou clientes como Creditas e NotCo, aportes de investidores como o do fundador da 99 e avançou em inovações para aperfeiçoar ferramentas capazes de estimular que os relatos de má conduta em empresas se tornem, de fato, registros oficiais.

Giovana Sasso, Natalie Zarzur, Rafaela Frankenthal e Claudia Farias trabalhavam em áreas como marketing, tecnologia e comunicação. Perceberam o negócio em potencial ao avaliar a fragilidade dos modelos de canais de denúncias no mercado, instrumento usado pelas áreas de conformidade (compliance) das companhias.

As ferramentas eram ultrapassadas, pouco eficientes e com baixo uso de tecnologia, como ligações e formulários, na visão das empreendedoras. “Precisamos construir confiança para que a pessoa queira se manifestar dentro da empresa antes de buscar qualquer apoio externo”, afirma a co-fundadora da Safespace Rafaela Frankenthal, que obteve referências após o mestrado em estudos de gênero em Londres.

O investimento inicial partiu do próprio bolso das fundadoras. Mas logo o projeto chamou a atenção e atraiu o suporte de 11 investidores-anjos, entre os quais Luciana Caletti, fundadora do antigo Love Mondays, Mariana Dias, CEO da Gupy, Ariel Lambrecht, fundador da 99 e Ann Williams, COO da Creditas.

A primeira captação institucional se deu pelo fundo Maya Capital, de Lara Lemann e Mônica Saggioro. A gestora da dupla investe em 28 startups, como Oico, Trybe, Zubale, Theia e Kovi.

Embora seja uma novata, a empresa vem crescendo em ritmo acelerado. Já conta com 40 clientes, entre médias e grandes empresas, e pretende triplicar de tamanho até o fim do ano.

Como funciona

Na plataforma Safespace, as fundadoras criaram um canal de escuta que funciona em tempo real e permite que a pessoa assediada descreva o fato por meio de perguntas geradas pelo sistema. Elas podem ser respondidas de forma anônima ou nominal.

Também é possível acompanhar o status do processo, desde a etapa de análise até a fase em que foi solucionado, com a validação que o ID do computador do usuário não vai ser localizado. Caso a pessoa ainda não esteja segura para enviar a denúncia, existe a possibilidade de arquivar o relato e enviar em outro momento.

Ao evidenciar um problema estrutural, em que muitas vezes quem denuncia tem medo de ser hostilizada por aqueles que ocupam cargos de poder, as fundadoras criaram uma nova ferramenta que permite ao denunciante saber se houve outro relato semelhante sobre o denunciado. Ao ser notificada de um novo relato, a primeira denunciante tem então a opção de formalizar o registro no canal.

“Se a gente consegue garantir para a pessoa que o relato dela só vai ser enviado se ela não tiver sozinha, a chance dela ter confiança para seguir é muito maior”, diz Frankenthal. Segundo ela, o novo modelo pode encorajar as denunciantes a se identificarem no registro.

Com as ferramentas dinâmicas, a empresa diz alcançar um índice de resolução seis vezes maior se comparado a outros canais de denúncias tradicionais.

O foco inicial é vencer a primeira barreira e garantir o registro. Uma pesquisa feita pelo LinkedIn em parceria com Think Eva, com 381 mulheres, revelou que 47% afirmaram ter sofrido algum tipo de violência durante a carreira.

Casos de repercussão nacional e internacional revelam a dificuldade das empresas em lidar com os relatos, como o recente episódio envolvendo o núcleo de humor da Globo, em que a acusação enfrentou barreiras dentro da instituição. Ou até mesmo do mundo de Hollywood, com o movimento #MeToo.

Vulneráveis

Em 2020, com parte da população em home office, o Ministério Público do Trabalho recebeu 4.826 denúncias de assédio moral no País, uma redução de 36% se comparado ao ano anterior. Mas a redução dos casos não significa um avanço. “Estar num ambiente digital não inviabiliza a ocorrência de assédio”, afirma Louize Oliveira, advogada e fundadora da SafePlace, plataforma digital com o objetivo de reduzir desigualdades de gênero no ambiente de trabalho.

Por isso, é necessário identificar a tipificação do assédio no home office. A equiparação salarial e a quantidade exagerada de atividades para além da função que o funcionário ocupa, são exemplos. “Isso revela um desnivelamento em relação a seus pares. Já vi processos trabalhistas que foram julgados entendendo que esse comportamento foi assédio moral.”

Segundo a advogada, o primeiro passo é que as empresas discutam os valores de maneira transparente. “Eu vejo os canais de denúncia como uma ferramenta dentro de um processo que é maior que isso”. Ela também considera que é indispensável ter, aliado ao compliance, um comitê de ética autônomo na empresa, “para que a investigação seja imparcial e que possa realizar a pesquisa de maneira sigilosa trazendo evidências”.

Repensar a cultura corporativa atinge diretamente a eficácia dos canais de escuta. “O canal é importante, mas sozinho não vai resolver o problema”, afirma a advogada.

Sem esse “match” entre ética, RH e compliance, a empresa pode ter impactos negativos. “Além de medidas judiciais que podem corroborar a responsabilidade do empregador, gera um dano de marca gigantesco em relação à sociedade”, diz Oliveira. Isso significa investimento alto para recuperar a imagem no mercado.

O trabalho para evitar esse risco passa por encarar o tema de frente na cultura corporativa. “Não podemos ver a denúncia como algo negativo, a empresa tem que ter uma postura pró-ativa. Hoje, os nossos clientes respondem a um relato em menos de 24 horas”, afirma Renata Frankenthal.

Startup Boxabl que construiu casa ‘box’ de Elon Musk quer captar US$ 50 mi

A Boxabl está aproveitando o sucesso nas redes sociais da casa que construiu para Musk e já tem mais de 50 mil pedidos na lista de espera por uma unidade

O modelo de 36 metros quadrados, o mesmo de Musk, é o que chama a atenção dos novos clientes da Boxabl

A Boxabl, startup americana de casas modulares, quer aproveitar a ‘fama’ por fabricar a atual casa de Elon Musk para crescer no mercado. Com unidades de cerca de US$ 50 mil, a empresa vai em busca de uma captação de US$ 50 milhões para alavancar o negócio — e já tem clientes em fila de espera para comprar as caixinhas e montar sua própria casa. 

O efeito foi imediato: Elon Musk confirmou, em suas redes sociais, que estava morando em uma unidade fabricada da Boxabl e o interesse pela startup cresceu expressivamente. Com apenas três casas construídas até o momento, a proposta é oferecer facilidade para quem não quer se preocupar muito com imóvel. As unidades pré-prontas contam com sala, banheiro, quarto e cozinha já estruturados e ainda podem ter adições, como um segundo andar, por exemplo. 

Mesmo com a comodidade de poder construir o mais próximo possível de uma casa — e não uma quitinete, por exemplo — o modelo de 36 metros quadrados, o mesmo de Musk, é o que chama a atenção dos novos clientes da Boxabl. Já são mais de 50 mil pedidos na lista de espera para adquirir a ‘Casita’, modelo mais popular da empresa. 

Galiano Tiramani, fundador da Boxabl, afirmou que está aproveitando o holofote recebido pela empresa desde a publicação de Musk e que toda a visibilidade tem impactado no negócio que fundou em 2017, a ponto de poder escolher quem investe ou não na startup. 

“Estou falando com fundos de capital, mas não é algo que temos que fazer. Rejeitamos aportes onde eles [investidores] queriam assumir o controle da empresa”, disse Tiramani em entrevista ao site americano Business Insider. “A situação é melhor com os investidores individuais. Continuamos no controle total. Estamos dando as cartas”. 

Mirando em uma captação de US$ 50 milhões, a Boxabl agora quer crescer e começar a gerar lucro, algo que ainda não aconteceu. Com sede em Las Vegas, Tiramani espera a validação da fábrica para atingir escalas ambiciosas na produção a là Elon Musk. 

“Assim que a fábrica for validada, nós vamos entrar na produção em grande escala e na automação que você vê em uma fábrica de automóveis — robótica completa e extremamente rápida. A Ford produz um caminhão F-150 a cada 53 segundos. Não há razão para não estarmos no mesmo nível”, completou Tiramani, ao Business Insider.

Startups avançam no mercado com soluções para facilitar a compra ou aluguel de imóveis

‘Proptechs’, empresas populares fora do Brasil, flexibilizam as regras do setor imobiliário e ajudam as pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio
Bianca Zanatta, O Estado de S.Paulo

Felipe Santos e Aram Apovian
Felipe Santos (E) e Aram Apovian, da aMORA: startup se propõe a comprar o imóvel escolhido pelo cliente. Foto: TIago Queiroz/Estadão

As proptechs (startups do setor imobiliário) vêm ganhando mercado apresentando soluções diferentes para problemas enfrentados por quem pretende comprar um imóvel. É o caso, por exemplo, da aMORA, que tem como público-alvo uma parcela de brasileiros que quer comprar um imóvel, mas depende de financiamento e não dispõe dos tradicionais 20% de recursos exigidos pelos bancos para dar entrada no processo.

A startup, fundada por três engenheiros civis, avalia e compra o imóvel escolhido pelo cliente, que dá 5% de entrada e paga uma mensalidade por 3 anos, quando finalmente pode decidir se quer ou não ficar com o imóvel. Parte das mensalidades, ao longo desse período, vai para um depósito criado pela própria empresa, que o cliente recupera no final do contrato.

“Nós mesmos passamos por uma série de dificuldades com aluguel e, depois, para comprar um imóvel. Aí nos perguntamos por que é tão difícil e por que ninguém faz algo que funcione melhor”, diz Aram Apovian, um dos sócios. “Antes, as pessoas costumavam casar e ter estabilidade financeira mais cedo. Hoje elas demoram muito mais para atingir essa estabilidade.”

Apesar do crescimento da “uberização” do morar (pessoas que buscam cada vez mais a moradia como serviço, e não como patrimônio), eles se perguntaram se a mudança de comportamento parava por aí. Após conduzirem uma série de pesquisas e mergulharem em estudos do Itaú BBA, entre outros, que apontam que 89% dos jovens brasileiros ainda consideram importante comprar um imóvel, mas apenas 20% têm o hábito de guardar dinheiro para planos de longo prazo, veio o insight. “A gente já conhecia modalidades mais flexíveis de aquisição lá fora, então por que não criar algo para o mercado imobiliário brasileiro?”

Operando oficialmente há dois meses, a proptech está começando a fechar os primeiros contratos. Depois da avaliação e compra, o cliente mora no imóvel como “super inquilino”, sem correr risco de ser despejado porque o proprietário quer retomar a casa, já que ela foi comprada sob encomenda para ele. “Ele pode reformar como quiser, passando apenas por uma aprovação muito light da empresa”, explica Apovian. As únicas contrapartidas são os 5% de entrada e a mensalidade, geralmente de 10% a 40% mais barata do que uma parcela de financiamento, e da qual saem os ganhos da aMORA e o valor mensal para a poupança do morador.

Garantia

Comum nos Estados Unidos e na Europa, o home equity, que usa bens imóveis como garantia, é outra prática ainda pouco explorada no Brasil e em que algumas startups decidiram apostar. A ideia de usar ativos imobiliários para que eles sirvam como lastro de crédito chamou atenção do Centro de Excelência da Votorantim (CoE), que criou recentemente a startup Avaliei para acelerar o processo de avaliação de imóveis que serão usados como garantia. Entre os clientes estão bancos, fintechs, proptechs e fundos de investimentos.

Com algoritmo próprio, a ferramenta Avaliação Digital realiza uma análise precisa em minutos, cruzando anúncios imobiliários, informações geoeconômicas e mercadológicas e outros dados públicos. A plataforma também oferece o laudo oficial de avaliação de forma ágil, em parceria com uma rede de profissionais. Um aplicativo exclusivo de vistoria, disponibilizado a um time de engenheiros e arquitetos, dispara as novas solicitações de laudo, com data e horário de atendimento.

Outra que trabalha com home equity é a Pontte, fintech que estima emprestar mais de R$ 400 milhões até o final do ano a pessoas físicas e jurídicas. Apesar de tudo ser controlado de forma 100% digital, a empresa também foca na humanização do financiamento imobiliário. “A tecnologia que usamos nos permite ter uma série de diferenciais, entre eles a análise de crédito mais flexível, a possibilidade de composição de renda com familiares, oferecer carência de até seis meses e a opção de ajustar o valor das parcelas ou até pular o pagamento caso as coisas fiquem difíceis”, afirma o presidente Marcelo Lubliner.

Sem fiador

Criada com o objetivo de facilitar a vida de inquilinos e proprietários, a CredPago registrou, de março e abril, sua melhor performance em 5 anos de existência, ampliando sua carteira em 135% em relação ao mesmo período de 2020. A startup oferece, entre diversas soluções, o aluguel sem fiador – uma das maiores dores de cabeça para os dois lados.

O serviço, que já chegou a 750 mil pessoas, garante cobertura de até 30 vezes o valor do aluguel em casos de inadimplência, sem cobrar nada dos inquilinos.