Facebook cria sistema que dá notas para credibilidade de usuários

Desenvolvido há um ano, sistema foi criado pela empresa para combater disseminação de notícias falsas; cada pessoa recebe uma avaliação, em uma escala que vai de zero a um
Por Elizabeth Dwoskin – O Estado de S. Paulo

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Desde 2015, o Facebook dá aos usuários a habilidade de relatar se acreditam que uma publicação é falsa; agora, essa ‘capacidade’ também é medida pela rede

O Facebook começou a dar uma “nota de reputação” a seus usuários, medindo o nível de credibilidade que cada pessoa merece, em uma escala que vai de zero a um. Nunca revelado antes, o sistema tem sido desenvolvido pela rede social no último ano e mostra como a empresa tem evoluído suas ferramentas, incluindo a confiança de cada conta, para lutar contra atores maliciosos em sua plataforma.

Segundo Tessa Lyons, gerente de produto encarregada de lutar contra a desinformação, o sistema começou a ser desenvolvido como parte do esforço da empresa para lutar contra a disseminação de notícias falsas. É uma sofisticação de um método usado há muito por empresas de tecnologia, que têm confiado em avisos de seus usuários sobre conteúdo problemático, perigoso ou malicioso para removê-lo de suas plataformas.

“Não é incomum que algumas pessoas nos digam que algo é falso só porque discordam com sua premissa ou que estejam tentando especificamente atingir um jornal ou veículo de imprensa”, disse Lyons. De acordo com a executiva, porém, a nota de cada usuário não é um indicador absoluto da credibilidade de cada usuário. Para ela, o valor é uma das milhares de medidas que a rede social têm utilizado para entender riscos – a empresa também está monitorando qual usuários tem uma propensão a marcar conteúdo de outros como “problemático” ou quais publicações, como jornais ou emissoras de TV, são consideradas confiáveis pelas pessoas. Também não está claro quais são os outros critérios que a rede usa para determinar a nota de alguém, se todos os usuários têm essa nota e de que jeito essas notas são utilizadas.

De qualquer forma, os testes de reputação são uma resposta do Vale do Silício a inúmeros problemas – da interferência russa nas eleições às notícias falsas, passando por pessoas que se aproveitam das brechas nas regras das empresas. Mais que isso: são uma resposta movida por algoritmos para remover ameaças. Hoje, o Twitter, por exemplo, mede o comportamento de contas na rede de um usuário para saber se o tweet daquela conta específica deve ser incentivado a se espalhar pela rede, via algoritmo.

Por outro lado, esses sistemas de credibilidade tem um funcionamento opaco e as empresas estão “cheias de dedos” para explicar como operam – parte da ressalva, porém, vem justamente do fato de que, ao abrirem a caixa-preta, poderão dar mais recursos para os agentes mal-intencionados. No entanto, não são poucos os pedidos por transparência.

“Não saber como (o Facebook) nos julga é desconfortável”, diz Claire Wardle, diretora do First Draft, um laboratório de pesquisas da Universidade de Harvard que tem estudado o impacto da desinformação e é parceiro do Facebook na área de checagem de notícias. “A ironia é que eles não podem nos dizer como fazem isso, porque, se fizerem, os algoritmos saberão que estão sendo enganados.”

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Waze lança serviço de carona no País com viagens a partir de R$ 2

Motoristas que usam aplicativo da empresa poderão oferecer viagens a passageiros; Brasil é o primeiro país a receber serviço da israelense que faz parte do Google

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Noam Bardim é presidente executivo do Waze

A partir desta quarta-feira, 22, milhões de brasileiros poderão usar o Waze não só para se guiar pelo trânsito infernal das grandes cidades, mas também para oferecer ou pedir uma carona. Isso porque a empresa anunciou, nesta terça-feira, 21, o lançamento do serviço de caronas Waze Carpool no País inteiro. Com ele, motoristas poderão receber uma ajuda de custo para a gasolina, enquanto passageiros terão a chance de fazer viagens mais rápidas e confortáveis – os preços podem variar entre R$ 4 e R$ 25, mas, promocionalmente, as caronas custarão R$ 2, em campanha subsidiada pelo aplicativo, que pertence ao Google desde 2013.

“Queremos tirar carros das ruas. Nosso maior competidor é a pessoa que dirige sozinha”, disse o israelense Noam Bardim, presidente executivo do Waze, durante evento realizado em São Paulo na manhã desta terça-feira. A cidade não foi escolhida à toa: hoje com 4,4 milhões de usuários ativos todos os meses, a capital paulista é a maior cidade do Waze no mundo. Em média, o paulistano usa o Waze por pelo menos 90 minutos por dia. O Brasil, por sua vez, é o segundo maior mercado do aplicativo de navegação, perdendo só para os Estados Unidos. Ao todo, o Waze tem 100 milhões de usuários no mundo.

Para o executivo, o serviço faz parte da missão do Waze, que é acabar com o trânsito. “Se não mudarmos nosso comportamento, tecnologia nenhuma vai nos salvar”, disse ele, ao apoiar o serviço, que já vinha sendo testado no País nos últimos dois meses, com parceria com empresas como Natura e Petrobras. Nessa fase, a empresa calcula ter oferecido 40 mil km em caronas – o suficiente para se dar uma volta na Terra. Além disso, o Waze também fez testes com o serviço em Israel, onde nasceu, e na Califórnia, onde fica a sede do Google.

A meta da empresa, porém, não é concorrer com serviços como Uber e 99. “Não queremos profissionais, por isso limitamos o uso do serviço a duas viagens por dia para o motorista”, explicou Bardim. Além disso, a empresa recomenda que os “caroneiros” sentem no banco da frente, de forma a construir uma relação de comunidade. “Não queremos colocar mais carros na rua, mas sim, aproveitar algo que está lá e não é utilizado”, afirmou, comparando seu serviço com o Airbnb, startup que aproveita quartos vazios em residências para transformá-las em serviços de hospedagem.

Como funciona. O motorista que quiser oferecer caronas pelo Waze precisará apenas se cadastrar para o serviço, no mesmo aplicativo que já usa todos os dias. Já o usuário que pretende pegar carona precisa baixar um novo aplicativo, o Waze Carpool, já disponível para iOS e Android. Em ambos os casos, será preciso que o usuário se cadastre, fazendo um perfil com foto e programando sua rota diária, bem como horários de saída de casa e do trabalho – por enquanto, o foco da empresa está mesmo na ida e na volta para o emprego. “No futuro, poderemos ajudar quem vai a um grande evento, como um show ou um jogo de futebol”, especula Bardim.

Para aumentar a segurança, o usuário também pode vincular seu perfil à sua conta de redes sociais como Facebook e LinkedIn, ou inserir seu email corporativo. Quem quiser também pode restringir as opções de companhia na carona: é possível viajar apenas com pessoas da mesma empresa ou do mesmo gênero. A parte de pagamentos também é simples: o passageiro cadastra seu cartão de crédito, enquanto o motorista insere uma conta bancária no aplicativo – tudo funciona com o Pagar com Google, sistema da gigante americana.

Por um período promocional, as viagens custam apenas R$ 2 para os passageiros – já os motoristas receberão o valor cheio da corrida. “É algo que conseguimos fazer porque o Google tem bolsos fundos e acredita que isso pode melhorar nossa vida”, conta o israelense. Quando a promoção se encerrar, o motorista poderá escolher o valor da carona – a média é que viagens de até 5 km custem R$ 4; já trechos entre 5 km e 40 km ficarão por R$ 10; acima disso, haverá aumento por quilômetro, até atingir-se R$ 25. Por enquanto , o Waze não vai faturar com o serviço – segundo Douglas Tokuno, diretor do Waze Carpool no País, a meta é ganhar escala e aprender com os usuários.

Cada viagem também poderá ser avaliada por passageiros e motoristas, tal como acontece no Uber, mas não há um critério definido para isso, diz o Waze. “Pode ser mais sobre a conversa do motorista do que sobre a viagem em si, porque não é um serviço”, diz André Loureiro, diretor-geral do Waze no Brasil.

Faixa de carona. O evento de lançamento do Waze também contou com a presença do secretário municipal de transportes de São Paulo, João Octaviano. Ele saudou a iniciativa da empresa e fez até um comentário jocoso sobre a situação do trânsito na cidade. “Aqui, já é possível até marcar uma reunião no congestionamento, porque (é algo que) acontece todo dia”. Ele também fez menção a uma possível mudança nas regras de trânsito na cidade. “Imagina se a gente colocar uma via exclusiva só para quem anda com carro compartilhado?”, comentou, sem no entanto, dar detalhes sobre a iniciativa.

É uma prática comum em cidades americanas – Los Angeles, por exemplo, têm pistas em vias que só podem ser usadas por quem está com duas ou mais pessoas dentro do carro. Para Noah Bardim, presidente executivo do Waze, a medida poderia ser um incentivo para seu serviço. “Na Califórnia, vimos motoristas que ofereciam caronas de graça só para usar a faixa de carro compartilhado. Não é algo difícil.”

Questionado sobre porque resolveu lançar o serviço no País todo, Bardim se mostrou aberto às possibilidades. “Não sabemos se vai dar certo em São Paulo ou no Rio, mas pode dar certo em Fortaleza. Precisamos resolver o problema e abrir o teste em todo lugar, para depois irmos refinando o aprendizado.”

Jovens chineses vivem sem Google e sob censura

Ao contrário de seus pais, chineses com até 30 anos de idade aceitam história ‘oficial’ do governo e se resignam a usar imitações de gigantes americanas da web
Por Li Yuan – THE NEW YORK TIMES

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Shen Yanan, 28, resume o espírito local: ‘os apps da China têm o que preciso’

Wei Dilong, 18 anos, vive em Liuzhou, no sul da China. Ele gosta de basquete, hip-hop e super-heróis. Pretende estudar química no Canadá quando for à universidade. Wei é um adolescente chinês típico. Isso também se reflete em seus hábitos na internet: nunca ouviu falar do Facebook ou do Twitter e tem uma mínima noção do que é o Google. “Seria como o Baidu?”, questiona, referindo-se ao serviço de busca líder na China.

Hoje, uma geração de chineses chega à idade adulta com uma internet muito diferente da que existe no resto do mundo. Na década passada, a China bloqueou Google, Twitter, Facebook e milhares de sites estrangeiros. Em seu lugar, surgiram inúmeros sites chineses, que oferecem as mesmas funções, mas com forte dose de censura.

É algo que cria uma defasagem enorme em relação a outros países. Acostumados com os serviços online e aplicativos domésticos, muitos chineses não se interessam em saber o que foi censurado, o que permite às autoridades em Pequim criarem um sistema alternativo que compete com a democracia liberal ocidental. E é uma tendência que se propaga: hoje, a China exporta seu modelo de internet censurada para outros países, como Vietnã, Tanzânia e Etiópia.

Para as gigantes de internet dos EUA, a esperança de uma participação no mercado consumidor chinês – o maior do mundo, vale lembrar – se torna cada vez mais um sonho impossível.

Nos últimos tempos, o Partido Comunista da China deixou claro que vai aumentar o controle ideológico sob a presidência de Xi Jinping. No primeiro semestre, a Cyber Administration China, órgão regulador da internet no país, informou ter fechado ou revogado as licenças de mais de três mil sites.

As empresas americanas, porém, continuam buscando “furar a Muralha da China”. Em julho, o Facebook tentou abrir um escritório no país, mas teve sua licença retirada. Já o Google, diz o site The Intercept, estaria trabalhando em uma versão censurada de seu motor de busca para voltar ao mercado chinês, de onde saiu em 2010. O projeto provocou protestos dos funcionários da gigante, que veem nele uma ameaça à privacidade dos usuários. E mesmo que consigam entrar na China, as americanas terão de se defrontar com a apatia dos jovens locais.

Indiferença. Após uma pesquisa de 18 meses, dois economistas, das universidades de Pequim e de Stanford, chegaram à conclusão de que os universitários chineses são indiferentes quanto a ter acesso a informação sensível e censurada. O método foi simples: eles forneceram a mil estudantes do país ferramentas gratuitas para contornarem a censura.

Mais da metade deles não fez uso delas. Entre os que fizeram, quase nenhum perdeu tempo navegando por sites de notícias outrora bloqueados. “Nossa pesquisa sugere que a censura na China é eficaz. O regime não só dificulta o acesso à informação sensível, mas também fomenta um ambiente em que os cidadãos não fazem questão dessas informações”. É o caso de Zhang Yegiong, de 23 anos. “Cresci com o Baidu, estou acostumado com ele”, disse ela, que trabalha em um serviço de e-commerce local.

É uma atitude bem diferente de quem nasceu na década de 1980, uma geração “rebelde”. Um de seus integrantes mais famosos era Han Han, blogueiro que questionava os valores do país. Hoje, não há chineses como ele – nem o próprio Han, que hoje tem 40 milhões de seguidores no Sina Weibo, o Twitter chinês. Suas postagens, porém, versam sobre seus negócios, filmes e carros de corrida.

Em março, quando a chinesa Tencent, dona do WeChat, uma espécie de WhatsApp chinês, realizou uma pesquisa com 10 mil pessoas nascidas depois de 2000, 80% dos entrevistados disseram que a China está no seu melhor momento. Quase a mesma porcentagem se disse otimista com seu futuro.

É no que crê Shen Yanan, de 28 anos, que trabalha num site de imóveis em Baoding, perto de Pequim. Ela se descreve como patriota e otimista. Todas as noites, assiste a novelas coreanas no celular, mas não tem nenhum app de notícias – afinal, não se interessa por política. Mesmo quando foi ao Japão, só usou o Google Maps. “Os apps chineses têm tudo que preciso”, diz.

Já Wen Shengjian, de 14 anos, quer ser um rapper, inspirado em ídolos como Drake e Kanye West. Para ele, porém, as críticas sociais não funcionariam na China – “um país em desenvolvimento e que precisa de estabilidade social”. É o discurso do Partido Comunista, que os livros repetem o tempo todo.

Fã de basquete, o jovem até conhece nomes como Google, Facebook e Instagram. Mas nunca os usou – um amigo de seu pai lhe disse que “não são apropriados para o desenvolvimento do socialismo chinês.” Ele concorda: “não precisamos deles”.

/ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

‘Este foi o ano mais difícil da minha carreira’, diz Elon Musk

Em entrevista ao The New York Times, fundador da Tesla chorou ao falar sobre os problemas pessoais e da carreira, lamentou não ter férias e como seus tuítes causaram um caos a uma de suas empresas
Por The New York Times – O Estado de S.Paulo

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Presidente da Tesla, Elon Musk falou ao The New York Times sobre as dificuldades vividas neste ano

Elon Musk estava em sua casa em Los Angeles, lutando para manter a compostura. “Este foi o ano mais difícil e doloroso da minha carreira”, disse ele. “Foi excruciante.”

O ano ficou mais intenso para Musk, presidente da fabricante de carros elétricos Tesla, depois que ele declarou no Twitter na semana passada que esperava converter fechar o capital da empresa. O episódio deu início a um furor nos mercados e dentro da própria Tesla, e ele reconheceu na quinta-feira, 16, que estava se desgastando.

Em uma entrevista de uma hora para o jornal The New York Times, ele se engasgou várias vezes, notando que quase perdeu o casamento de seu irmão neste verão e passou seu aniversário nos escritórios da Tesla enquanto a empresa corria para atingir metas de produção esquivas em um novo modelo crucial.

Perguntado se a exaustão estava prejudicando sua saúde física, Musk respondeu: “Não foi ótimo, é verdade. Eu tive amigos que estão realmente interessados. ”

Os eventos iniciados pelo tuíte de Musk provocaram uma investigação federal e enfureceram alguns membros do conselho, segundo pessoas próximas ao assunto. Depois disso, aumentaram os esforços para encontrar um executivo número 2 e ajudar a aliviar a pressão em cima de Musk, disseram fontes.

Alguns membros do conselho expressaram preocupação não apenas sobre a carga de trabalho de Musk, mas também sobre seu uso de Ambien — um remédio usado contra insônia –, disseram duas pessoas familiarizadas com o conselho.

Por duas décadas, Musk tem sido um dos empreendedores mais ousados ​​e ambiciosos do Vale do Silício, ajudando a fundar várias empresas de tecnologia influentes. Ele muitas vezes carregou-se com bravatas, dispensando críticas e saboreando os holofotes que vieram com seu sucesso e fortuna. Mas, nesta entrevista, ele demonstrou um nível extraordinário de autorreflexão e vulnerabilidade, reconhecendo que suas inúmeras responsabilidades executivas estão causando um grande prejuízo pessoal.

“Sem querer”. Na entrevista, Musk forneceu uma linha de tempo detalhada dos eventos que levaram às postagens no Twitter em 7 de agosto, nas quais ele disse que estava considerando levar a empresa a um patamar de US $ 420 por ação. Ele afirmou que tinha “financiamento garantido” para tal acordo – uma transação que provavelmente valeria mais de US $ 10 bilhões.

Naquela manhã, Musk acordou em casa com sua namorada – a artista Grimes -, e se exercitou cedo. Então, ele entrou em um Tesla Model S e se dirigiu ao aeroporto. Foi no caminho que Musk digitou sua mensagem fatídica.

Musk disse que viu o tuíte como uma tentativa de transparência. Ele reconheceu que ninguém além dele havia visto ou revisto antes de postar.

As ações da Tesla dispararam. Investidores, analistas e jornalistas ficaram intrigados com o tuíte – publicado no meio do pregão oficial do dia, um momento incomum para divulgar notícias importantes – incluindo o preço citado por Musk. Ele disse na entrevista que queria oferecer um ágio de cerca de 20% sobre o que as ações estavam sendo negociadas, que teria sido de cerca de US$ 419. Ele decidiu aumentar para US$ 420 – um número que se tornou código para a maconha no folclore da contracultura.

“Parecia um carma melhor em US$ 420 do que em US$ 419”, disse ele na entrevista. “Mas eu não estava me referindo a maconha, para ser claro. Maconha não é útil para a produtividade. Você apenas fica sentado lá como uma pedra.”

Musk chegou ao aeroporto e voou em um avião particular para Nevada, onde passou o dia visitando uma fábrica de baterias da Tesla conhecida como Gigafactory. Teve reuniões com gerentes e trabalhou em uma linha de montagem. Naquela noite, ele voou para a área da Baía de São Francisco, onde realizou reuniões até tarde da noite.

O que Musk queria dizer com “financiamento garantido” tornou-se uma questão importante. Essas duas palavras ajudaram a impulsionar as ações da Tesla.

Mas esse financiamento estava longe de ser seguro.

Dúvidas. Musk disse estar se referindo a um investimento potencial do fundo de investimento do governo da Arábia Saudita. Ele teve extensas conversas com representantes do fundo de US$ 250 bilhões sobre a possibilidade de financiar uma transação para tornar Tesla uma empresa de capital fechado – talvez até de uma forma que garantiria a maior parte da empresa para os sauditas. Uma dessas reuniões ocorreu em 31 de julho na fábrica de Tesla, de acordo com uma pessoa familiarizada. Mas o fundo saudita não se comprometeu a fornecer dinheiro, disseram duas pessoas nas discussões.

Outra possibilidade em consideração é que a SpaceX, empresa de foguetes de Musk, ajudaria a financiar saída da bolsa de valores e assumiria uma participação acionária na montadora, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

O tuíte de Musk deu início a uma reação em cadeia.

Uma hora e 20 minutos após a publicações, com as ações da Tesla subindo 7%, a bolsa de valores Nasdaq interrompeu as negociações, e Tesla publicou uma carta aos funcionários explicando as razões para possivelmente tornar a empresa privada. Quando as ações voltaram a ser negociadas, elas continuaram a subir, encerrando o dia com um ganho de 11%.

No dia seguinte, investigadores do escritório da Securities and Exchange Commission (SEC) em São Francisco pediram explicações a Tesla. Normalmente, essas informações relevantes sobre os planos de uma empresa pública são apresentadas em detalhes após uma extensa preparação interna e emitidas por meio de canais oficiais. Os membros da diretoria, pegos de surpresa pela declaração de movimentação de mercado do presidente-executivo, ficaram irritados por não terem sido informados, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto. Eles se esforçaram para montar uma declaração pública tentando neutralizar um alvoroço crescente sobre a comunicação aparentemente aleatória.

Musk disse na entrevista que os membros do conselho não se queixaram do seu tuíte. “Não me lembro de receber nenhuma comunicação do conselho”, disse ele. “Eu definitivamente não recebi ligações de diretores chateados”.

Mas logo após o Times publicar sua entrevista com Musk, ele acrescentou através de um porta-voz da Tesla que Antonio Gracias, diretor independente da Tesla, havia de fato entrado em contato com ele para discutir a publicação, e que ele concordou em não tuitar novamente sobre o possível acordo de fechamento de capital, a menos que ele tenha discutido com o conselho.

“Tá tudo bem”. Na entrevista, Musk acrescentou que não se arrependia de seu post no Twitter – “Por que eu iria?” – e disse que não tinha planos de parar de usar a rede social. Alguns membros do conselho, no entanto, disseram recentemente a Musk que ele deveria excluir o Twitter e se concentrar em fazer carros e lançar foguetes, segundo pessoas a par do assunto.

A investigação da SEC parece estar se intensificando rapidamente. Apenas alguns dias após o pedido de informações da agência, a diretoria da Tesla e a Musk receberam intimações da SEC, segundo uma pessoa a par do assunto. Os membros do conselho e Musk estão se preparando para se reunir com funcionários da SEC, na próxima semana, disse a pessoa.

Cansaço. Musk alternava entre risos e lágrimas. Ele disse que trabalhava até 120 horas por semana recentemente – repetindo o motivo que citou em um recente pedido público de desculpas a um analista que ele havia repreendido. Na entrevista, Musk disse que não tirou mais de uma semana de folga desde 2001, quando estava de cama com malária.

“Houve momentos em que não saí da fábrica por três ou quatro dias “, disse ele. “Isso realmente me evitou de ver meus filhos e amigos”. Musk parou de falar, aparentemente dominado pela emoção.

Ele completou 47 anos em 28 de junho e disse que passou as 24 horas completas de seu aniversário no trabalho. “A noite toda – sem amigos, nada”, disse, lutando para pronunciar as palavras.

Dois dias depois, ele foi escalado para ser o padrinho do casamento de seu irmão, Kimbal, na Catalunha, na Espanha. Musk disse que ele voou diretamente da fábrica, chegando apenas duas horas antes da cerimônia. Imediatamente depois, ele voltou ao avião e retornou direto para a sede da Tesla, onde o trabalho de fabricação do Modelo 3 estava acontecendo.

Musk parou novamente.

“Eu pensei que o pior tinha acabado”, disse ele. “Mas do ponto de vista da dor pessoal, o pior ainda está por vir.”

Ele culpou os vendedores a descoberto – investidores que apostaram que as ações da Tesla perderão valor – por muito do seu estresse. Ele disse que estava se preparando para “pelo menos alguns meses de extrema tortura dos vendedores a descoberto, que estão desesperadamente empurrando uma narrativa que possivelmente resultará na destruição de Tesla”.

Referindo-se aos vendedores a descoberto, ele acrescentou: “Eles não são burros, mas não são super inteligentes. Eles estão bem. Eles são espertos.”

Mais de uma vez. Os tuítes de Musk em 7 de agosto foram os mais recentes de vários surtos que haviam sido investigados. Ele brigou com os vendedores a descoberto e com os analistas por fazer perguntas “chatas e sem graça”. E depois de enviar uma equipe de engenheiros de uma de suas empresas para ajudar a resgatar membros de uma equipe de futebol na Tailândia, ele atacou um mergulhador que desprezou o gesto, ridicularizando-o no Twitter chamando-o de pedófilo.

Para ajudar a dormir quando ele não está trabalhando, Musk disse que às vezes toma Ambien. “Muitas vezes é uma escolha de não dormir ou Ambien”, disse ele.

Mas isso tem preocupado alguns membros do conselho, que notaram que às vezes a droga não adormece Musk, mas contribui para as sessões do Twitter no fim da noite, de acordo com uma pessoa familiarizada. Alguns membros do conselho também estão cientes de que Musk usou drogas recreativas.

Os executivos da Tesla tentam há anos recrutar um diretor de operações ou um executivo número 2 para assumir algumas das responsabilidades diárias de Musk. Um par de anos atrás, Musk disse, a empresa se aproximou de Sheryl Sandberg, que é o segundo executivo mais alto do Facebook.

Musk disse que “pelo que sei”, “não há buscas ativas no momento”. Mas pessoas familiarizadas com o assunto disseram que uma busca está em andamento, e uma pessoa disse que se intensificou após os tuítes de Musk.

Posicionamento. Em resposta, a Tesla forneceu uma declaração que atribuiu ao seu conselho, excluindo Musk. “Houve muitos rumores falsos e irresponsáveis ​​na imprensa sobre as discussões do conselho da Tesla”, disse o comunicado. “Gostaríamos de deixar claro que o compromisso e dedicação da Elon para a Tesla é óbvio. Nos últimos 15 anos, a liderança da Elon na equipe Tesla levou a Tesla a crescer de uma pequena startup a ter centenas de milhares de carros na estrada que os clientes adoram, empregando dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo e criando um valor significativo para os acionistas no processo.”

Musk disse que não tinha planos de abrir mão de sua função dupla como presidente e diretor executivo.

Mas, acrescentou, “se você tem alguém que possa fazer um trabalho melhor, por favor, me avise. Eles podem ter o trabalho. Existe alguém que possa fazer melhor o trabalho? Eles podem ter as rédeas agora mesmo.”

Ações da Tesla caem 9% após entrevista de Musk ao ‘New York Times’

Ao jornal americano, executivo disse que seu tuíte sobre ‘fechar o capital’ da empresa não foi revisado por ninguém; Elon Musk chegou a chorar durante a entrevista
Por Agências – Reuters

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Elon Musk é o presidente executivo da Tesla 

As ações da fabricante de carros elétricos americana Tesla caíram 9% nesta sexta-feira, 17, depois que o presidente executivo da empresa, Elon Musk, disse ao jornal americano New York Times que ninguém revisou sua recente declaração com a proposta de fechar o capital da empresa. Os papéis da empresa encerraram o dia cotados a US$ 305,50.

Divulgada pelo Twitter, a oferta de Musk dava conta de que ele gostaria de tirar a Tesla da bolsa de valores caso o preço das ações da empresa chegasse a US$ 420. A declaração incentivou os investidores na época, mas depois rendeu desconfiança do mercado e também uma investigação pela agência regulatória Securities and Exchange Comission (SEC, na sigla em inglês).

O jornal também disse que a Tesla está em busca de um executivo para ser o braço-direito de Elon Musk, tirando pressão do presidente da empresa. Nos últimos meses, Musk tem sido muito criticado pelos problemas de produção da fabricante de carros elétricos, com dificuldades para entregar unidades o suficiente para atingir a demanda do sedã Model 3, além de seu comportamento errático e polêmico no Twitter – recentemente, ele chegou a chamar um dos bombeiros do caso dos meninos da Tailândia de pedófilo.

Na entrevista, Musk disse que não tem planos de renunciar a seu posto duplo na companhia – hoje, além de presidente executivo, ele também é presidente do conselho. Nem todos pensam assim. “O conselho pode revisar o duplo papel de Musk na empresa, além da pressão da SEC”, disse Ivan Feinseth, analista da Tigress Financial Partners. “Pode ser um problema de governança, mas também é algo que pode desapontar muitos, porque a visão e a personalidade de Musk estão intrinsecamente ligados à empresa.”

Choro. Na entrevista, que durou cerca de uma hora, Musk chegou a chorar algumas vezes. “Esse ano foi o mais difícil e doloroso da minha carreira. Foi excruciante”, disse. Ele admitiu, por exemplo, que houve ocasiões em que não saiu da fábrica por três ou quatro dias ininterruptos. “Tive de fazer isso e fiquei sem ver meus filhos ou amigos”.

Ele disse ainda que houve semanas em que trabalhou cerca de 120 horas e que passou as 24 horas de seu aniversário na empresa. “Toda a noite, sem amigos, sem nada”, reiterou. Musk também comentou que não passa uma semana longe do trabalho há quase duas décadas – a última vez que fez isso foi em 2001, quando contraiu malária.

Financiamento. Além de muita discussão se Musk agiu da maneira correta ao anunciar a proposta de fechar o capital da Tesla pelo Twitter, também se discute sobre qual será a fonte de financiamento para que o executivo consiga concretizar a proposta.

Segundo Musk, as principais fontes de recursos serão de fundos que tem investido em tecnologia, como o PIF, da Arábia Saudita, o Mubadala, de Abu Dhabi, e o japonês SoftBank. O executivo, porém, pode ganhar uma ajuda “dele mesmo”: segundo o New York Times, a empresa de engenharia aeroespacial de Musk, a SpaceX, pode também participar da negociação, segundo fontes próximas ao assunto.

Hoje, Musk tem 20% da empresa, que estaria avaliada em US$ 72 bilhões, caso seus papeis atingissem US$ 420. Ele já disse várias vezes que gostaria de fechar o capital da empresa, para reduzir a pressão pública, seja por parte de investidores de “curto prazo”, que buscam lucrar com alta das ações, ou da imprensa.

Aplicativos fazem do Android ‘mais que um sistema’, diz Anwar Ghuloum, diretor do Google

Para Anwar Ghuloum, diretor de engenharia da plataforma, serviços como Google Maps e Play Store são diferencial do sistema operacional, que fez 10 anos em 2018 e acaba de ganhar nova versão

sede-google-610x400Em 2018, o sistema operacional Android está completando 10 anos de existência, sendo usado todos os dias por mais de 2 bilhões de pessoas no mundo todo. Para Amwar Ghuloum, diretor sênior de engenharia responsável pela plataforma, o sistema se transformou em algo maior do que apenas uma base para smartphones, graças aos aplicativos do Google. “Hoje, conseguimos mudar bastante a cara do Android apenas atualizando os nossos aplicativos, como o Google Maps ou o Play Services”, explicou o executivo, em entrevista a jornalistas da América Latina realizada na última semana.

Para ele, o ápice desse paradigma poderá ser conferido no Android 9.0 Pie, nova atualização do sistema operacional que começa a chegar aos celulares – por enquanto, apenas os aparelhos desenvolvidos pelo próprio Google, os Pixel, receberam a versão. Anunciado em maio, durante a conferência de desenvolvedores Google I/O, o Android 9.0 Pie traz foco em duas áreas: inteligência artificial (IA) e bem-estar digital.

Na primeira, diz Ghuloum, os usuários poderão sentir mudanças não só na maneira como interagem com o aparelho – com presença cada vez maior de comandos de voz e do assistente pessoal Google Assistant –, mas também no desempenho. “Com IA, conseguimos melhorar o uso de processamento do celular, ao tentar prever, por exemplo, quais aplicativos devem ser mantidos em segundo plano, a partir da chance do usuário precisar deles na próxima hora”, explica.

Um sistema parecido também está sendo usado para melhorar o gasto de bateria, o que pode deixar os smartphones mais eficientes do ponto de vista energético. Isso para não falar em pequenos detalhes. “Se o usuário está com o email aberto e coloca o celular em modo avião, preservaremos os dados daquelas mensagens para que ele possa respondê-las enquanto estiver desconectado”, afirma Ghuloum. A ideia, aqui, é identificar as necessidades dos usuários antes mesmo que eles saibam que precisam de uma funcionalidade específica.

O novo sistema também traz uma série de funções para o usuário controlar melhor seus hábitos de uso do smartphone. Entre elas, será possível configurar a tela do celular para que ela seja exibida em preto-e-branco após as 22 horas – a fim de desestimular seu uso – e também limitações de tempo ao uso de certos aplicativos. É uma tendência no mercado de tecnologia: recentemente, Apple e Facebook anunciaram funções semelhantes. Para Ghuloum, é algo positivo. “Os celulares são dispositivos convenientes, mas não superam a vida real. Eles devem melhorar a nossa vida, e não consumi-la aos poucos”, diz o executivo. “É importante fazer as pessoas refletirem sobre quanto tempo gastam.”

Multa. O novo sistema do Google é também o primeiro a ser lançado depois da multa de R$ 19,3 bilhões imposta pela União Europeia, em julho, por encorajar as fabricantes a já instalarem previamente aplicativos e serviços em seus dispositivos. Além da pena financeira, a gigante americana também terá de fazer alterações no sistema – algo que ainda não está presente no Android 9.0 Pie, uma vez que o Google ainda recorre da decisão. E talvez não aconteça tão cedo, afirmou Ghuloum.

“Decidimos não mudar nada tecnicamente no Android porque acreditamos que foi uma decisão de negócios. Não sou advogado, mas sentimos que o Android ajudou a criar um ecossistema competitivo, não o contrário”, declarou o executivo, durante a entrevista. “Nosso time ficou desapontado com a decisão da UE.” Enquanto isso, aqui no Brasil, já se cogita uma investigação semelhante – nesta semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) afirmou que analisa a questão.

Ecossistema. Durante a entrevista, Ghuloum também reforçou a importância de outras versões do Android. A principal delas, na visão do executivo, é o Android Pie Go – uma roupagem “light” do sistema, com aplicativos mais simples e projetada para smartphones de entrada, populares em países emergentes. Nesta semana, o Google anunciou que o sistema vai começar a ser liberado para as fabricantes no último trimestre de 2018, voltado especialmente para celulares com até 1 GB de memória RAM.

Ele também reafirmou que haverá novidades em breve para três sistemas “primos” do Android, que ultimamente foram deixados de lado pela empresa: o Android Wear, para dispositivos vestíveis; o Android Auto, voltado para conectividade nos carros; e o Android TV, para TVs conectadas. “Algumas das coisas que fizemos com otimização de bateria ou Assistant poderão estar disponíveis em breve para os sistemas. É um ecossistema forte”, garantiu o executivo. É esperar para ver.

Rede social LinkedIn lança plataforma de cursos online em português

LinkedIn Learning, no ar desde 2016, chegou ao Brasil oficialmente nesta quinta-feira, 16, para assinantes da rede social