Os hotéis contra o Airbnb

Não é forçando regras antigas sobre novos negócios que resolveremos qualquer coisa
Por Pedro Doria – O Estado de S. Paulo

Designer, Brian Chesky fundou o Airbnb em 2008

O processo é bem mais discreto do que foi com o Uber. Mas começa a circular em Câmaras Municipais Brasil afora a ideia de regular serviços de aluguéis curtos tipo Airbnb. Há dois incentivos para a ofensiva. Um é dos hotéis, que como qualquer outra indústria tradicional se esforça para conter a concorrência que vem da disrupção digital. O outro é das prefeituras. Com caixa baixo, veem em cada hospedagem a possibilidade de fazer um dinheiro. O epicentro deste experimento é a mais importante cidade para o Airbnb no país: o Rio de Janeiro.

O Rio, aliás, não é importante só no Brasil. É uma das cidades mais populares do mundo na plataforma. Durante o Carnaval deste ano, chegou a terceira no ranking mundial em hospedagens simultâneas.

E é no Rio que tramita um projeto de lei que pretende transformar o negócio em hotelaria. Cada hóspede terá de preencher uma ficha, as casas particulares abertas na plataforma sofrerão inspeções e, claro, será preciso pagar ISS.

O projeto carioca não caiu do céu. Inspirou-se noutro, já tornado lei, da pequena Caldas Novas, em Goiás. Lá, uma região de águas termais, o argumento é de que seria concorrência desleal. O problema é que concorrência desleal tem definição legal: é preciso que a disputa por clientes seja dada de forma desonesta, quebrando a lei. O produto falsificado, por exemplo, ou a marca cujo nome lembre uma mais conhecida. Não é o caso.

O negócio da Airbnb criou problemas em várias capitais europeias. Tantos são os apartamentos reservados para a plataforma que o número de imóveis destinados a moradia diminuiu — e o aluguel aumentou. Em cima disso, os parlamentos decidiram regular, impondo limites.

Mas, no Brasil, este problema não existe. O valor do aluguel já está com viés de baixa, dada a recessão que o país enfrentou. Isto é mais verdade ainda no Rio, epicentro da crise moral e econômica, afetado pela corrupção tanto no negócio do petróleo quanto em seus próprios governos. E, mesmo no caso dos hotéis, não está claro que as plataformas de locação sejam de todo prejudiciais. Houve, sim, uma queda de 2015 para cá. Foi nacional, tem a ver com a crise. No Rio, foi mais grave. Mas o Rio também teve vários hotéis novos inaugurados, ampliando a oferta no entusiasmo dos Jogos Olímpicos onde não havia demanda. Segundo números do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, já há uma recuperação em curso e 2019 pode ser melhor do que 2014. Até em terras cariocas os números estão melhorando.

A questão fundamental, no entanto, é outra. Há um detalhe que difere o Brasil de outros países: a Lei do Inquilinato. Ela prevê regras para o aluguel por temporada, aquele que não passa de 90 dias. Se quem aluga não oferece limpeza diária do imóvel, café da manhã, ou outros serviços típicos de hotel, é difícil argumentar — do ponto de vista legal — que o negócio seja o mesmo. E a legislação já prevê como funciona a tributação no caso. O dono do imóvel alugado paga imposto de renda. Não ISS.

Há uma profunda transformação da economia no mundo. Existe, sim, impacto econômico causado pela entrada do digital. A indústria fonográfica foi afetada. A do cinema luta para concorrer com a Netflix. Todo o jornalismo está em busca de um novo modelo. Táxis ganharam Ubers. As lojas de departamento ganharam a Amazon. A indústria automobilística já está brigando com o Vale do Silício para saber quem sobreviverá no tempo dos veículos autônomos. E isto porque a impressão 3D não mexeu, ainda, com tudo quanto é fábrica que faz objetos.

Não é forçando as regras antigas sobre os novos negócios que resolveremos qualquer coisa. Até porque, quanto mais turistas recebe uma cidade, melhor para o todo da economia.

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Facebook está desenvolvendo um assistente de voz, diz site CNBC

É provável que o assistente seja integrado ao Portal, dispositivo para chamadas de vídeo do Facebook, e dispositivos da Oculus, empresa de realidade virtual da empresa

A rede social trabalha nesse projeto desde o começo de 2018, segundo a CNBC

O Facebook está desenvolvendo um assistente de voz para competir com o Google Assistant, com a Alexa, da Amazon, e com a Siri, da Apple. A informação é do site CNBC, que conversou com pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo a reportagem, a rede social trabalha nesse projeto desde o começo de 2018. 

CNBC afirma que o responsável pelo desenvolvimento do assistente de voz do Facebook é o grupo que trabalha em hardwares como a Oculus, empresa de realidade virtual do Facebook.

De acordo com dois ex-funcionários do Facebook, que deixaram a empresa recentemente, o time que está criando o assistente fica na cidade de Redmond, em Washington. A diretora de realidade aumentada e virtual do Facebook, Ira Snyder, também está liderando o desenvolvimento do assistente. 

Não se sabe exatamente como o Facebook vai usar o assistente, mas é provável que ele seja integrado ao Portal, dispositivo para chamadas de vídeo da empresa, e o Oculus. O Portal foi anunciado em outubro do ano passado, com a promessa de conectar amigos e família, como se estivessem conversando no mesmo ambiente.

Pinterest abre capital e aumenta a lista de unicórnios na bolsa

Rede social de busca e compartilhamento de fotos é avaliada em 12,7 bilhões de dólares na sua estreia na bolsa de Nova York

Pinterest: companhia levanta cerca de 1,6 bilhão em seu IPO após precificar suas ações a 19 dólares cada (Brendan McDermid/File Photo/Reuters)

O momento é otimista para as startups do Vale do Silício. Nesta quinta-feira (17), a rede social de compartilhamento de imagens Pinterest começa a vender suas ações na bolsa de Nova York a 19 dólares cada, superando a meta inicial de precificação entre 15 e 17 dólares.

Semanas atrás, a companhia havia diminuído sua expectativa de valuation na sua estreia no mercado de ações, mas surpreendeu e atingiu a marca de 12,7 bilhões de dólares, o que indica que há uma demanda dos investidores por esse tipo de empresa.

Por temer ter sido avaliada de maneira superestimada, ao apresentar os papéis de entrada da abertura de capital, o Pinterest queria uma avaliação de mercado de 11,3 bilhões de dólares, menor que a obtida dois anos antes, de 12,35 bilhões. Com a demanda maior na abertura, a rede social acabou elevando o preço das ações e conseguiu levantar um total de de 1,6 bilhão de dólares. A partir desta quinta, seus papéis estão na bolsa de Nova York sob o símbolo “PINS”.

Especula-se que a postura cautelosa da rede social de imagens tenha sido por causa do IPO da Lyft, serviço de transporte por aplicativo concorrente da Uber na América do Norte. No dia 28 de março, a Lyft abriu capital com valuation de 24,3 bilhões, mas desde então suas ações já caíram de 78,3 dólares para 59,5.

Assim como Lyft e Uber, o Pinterest perde dinheiro, mas tem cerca de 630 milhões de dólares em caixa. Entre 2017 e 2018, por meio da venda de anúncios, a rede social aumentou sua receita em 60% e fechou o ano passado com faturamento de 756 milhões de dólares e prejuízo de 63 milhões de dólares. Ainda assim, é muito menos do que as perdas estratosféricas de outras startups com planos de ir à bolsa.

Essa proposta de crescimento consciente permeia a cultura da companhia. Criado em 2011 por Ben Silbermann, o Pinterest foca em anunciantes de pequeno e médio porte e se prepara para vender seus anúncios além dos países que falam inglês. Os administradores também estão investindo no desenvolvimento de conteúdo local e organizam um novo plano de marketing para enfatizar os benefícios de se apostar na rede social.

Em seus papéis para o IPO, a empresa ressaltou que seus propósitos são atender as demandas pessoais dos seus 250 milhões de usuários mensais, que utilizam a ferramenta para planejar projetos arquitetônicos, refeições e eventos pessoais. Para provar o sucesso de sua estratégia, a rede social só terá que conseguir manter seu valor dentro do mercado de ações. [Exane]

Para Melinda Gates, aplicativos não resolvem todos os problemas

Melinda e Bill Gates apoiam o projeto da startup Nimarai, que tem um software capaz de combater a oncocercose, uma doença tropical que causa cegueira
Por Maria Eduarda Cury

Melinda Gates – Photograph by Mamadi Doumbouya

Em uma recente entrevista ao jornal americano The New York Times, Melinda Gates, vice-presidente da organização filantrópica Bill e Melinda Gates e bacharel em ciência da computação, afirmou que uma das coisas que a incomodam no mundo da tecnologia é a ideia de que os aplicativos podem ser a solução para todos os problemas da sociedade.

“Mesmo quando se trata dos problemas sobre os quais Bill e eu costumamos falar, às vezes o mundo da tecnologia pensa que a solução é dar um aplicativo a cada pessoa. Bem, isto não vai mudar tudo”, disse ela, acrescentando que gostaria de ver mais inovações sendo criadas para resolver os grandes problemas sociais do mundo. “[É muito comum ouvir pessoas dizendo:] ‘Vamos criar a próxima grande tecnologia que rastreia o meu cachorro’. Isso é divertido e legal, mas, poxa, as pessoas estão morrendo.”

A Fundação Bill e Melinda Gates é mundialmente reconhecida por suas ações de caridade, especialmente na área da saúde pública. Na entrevista ao New York Times, Melinda Gates demonstra ter opiniões fortes sobre como a tecnologia tem sido utilizada para realizar melhorias na sociedade. Em sua opinião, aplicativos desenvolvidos por pessoas milionárias para uso individual são úteis – mas dois ou três são realmente necessários.

Recentemente, ela e o marido e parceiro de trabalho, Bill Gates, apoiaram um projeto da startup Nimarai, que desenvolve um software de inteligência artificial capaz de combater a oncocercose, uma doença tropical que causa cegueira e uma certa perda dos movimentos. Na África, cerca de 17 milhões de pessoas são afetadas pela enfermidade, que se propaga por meio de picadas de moscas negras.

O software desenvolvido pela startup Nimarai será capaz de atuar de forma não-invasiva para detectar as lesmas adultas presentes no organismo do infectado.

Além de apoiar projetos como esse, a Fundação tem outras iniciativas. Melinda Gates, por exemplo, vem reforçando a importância de se desenvolver um mapa virtual com os principais locais de contaminação de malária, a fim de desacelerar a propagação da doença.

“Cabe às empresas e aos governos superarem o medo e o otimismo ingênuo e serem práticos. Em vez de imaginar e esperar qual será o impacto da mudança tecnológica, eles podem guiá-lo”, disse a cientista da computação em uma artigo publicado no site da emissora CNN, no ano passado.

Melinda considera que o primeiro passo para mudar o mundo é colocar a tecnologia nas mãos dos bilhões de pessoas ao redor do mundo que não a possuem. Ao mesmo tempo, para ela, é preciso reduzir os preços dos celulares, que hoje são inviáveis para a população mais carente. “A tecnologia digital não ajudará a combater a pobreza se o seu mercado ajudar a empurrar as pessoas para a pobreza.”

Apple e Qualcomm entram em acordo após Intel desistir de produzir componente do iPhone

Intel abandou a produção de modems 5G para celulares, deixando o mercado nas mãos da Qualcomm

Apple e Qualcomm encerraram disputa 

A Apple e a Qualcomm decidiram nesta terça-feira, 16, abandonar todos os litígios em andamento e resolver uma disputa sobre royalties, chegando a um acordo sobre licença global de patente e fornecimento de chips. O acordo também inclui um pagamento de valor não revelado da Apple para a Qualcomm. 

As ações da Qualcomm dispararam mais de 20% no final da tarde, enquanto os papéis da Apple permanceram estáveis. A Apple entrou com um processo de US$ 1 bilhão contra a Qualcomm em janeiro de 2017, acusando a fabricante de chips de sobrecarga de chips e recusando-se a pagar cerca de US$ 1 bilhão em descontos prometidos. Depois, a Qualcomm entrou com ação judicial alegando que a Apple usou seu peso no ramo de eletrônicos para pedir a fornecedores como a Hon Hai para reter pagamentos de royalties da Qualcomm que a Apple tinha historicamente reembolsado para as fábricas.    

Como parte do acordo, a Qualcomm também encerrará o litígio com os fabricantes contratados da Apple. A Apple alegava que as práticas de patente da Qualcomm visavam manter o monopólio do mercado de chips de modem, que conectam smartphones a redes de dados sem fio.  Até 2016,  o iPhone da usava antes chips da Qualcomm, mas,  com o lançamento do iPhone 7, a Apple começou a usar chips de modem da Intel em alguns modelos.   

Em julho de 2018, a Qualcomm disse que acreditava que seus chips tinham sido completamente removidos da mais nova geração de iPhones lançada em setembro de 2018, deixando a Intel como o único fornecedor.

Mudança na Intel. A opção pelo acordo pode ser o resultado de uma decisão da Intel. Horas depois do anúncio das duas empresas, a Intel revelou que vai abandonar o mercado de modems 5G para telefones celulares para focar na produção de modens 4G e 5G para PCs e outros dispositivos inteligentes, além de concentrar esforços em equipamentos de infraestrutura 5G. Na prática, a Intel deixou todo o mercado de modems 5G de celulares nas mãos da Qualcomm. 

“No segmento de smartphones, não há um caminho claro para lucratividade e retornos positivos”, disse Bob Swan, presidente executivo da Intel, no comunicado da empresa.  Não está claro quando a Intel informou a Apple de sua decisão – nenhuma das empresas comentou o assunto. Apple e Qualcomm também não informaram os motivos de surpreendentemente encerrarem a disputa nos tribunais. 

O jornal japonês Nikkei informava na terça, 16, que a Apple estava preocupada com a capacidade da Intel de fornecer os chips para os modelos de iPhone lançados em 2020. / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

Número de assinantes da Netflix sobe, mas crescimento desacelera nos EUA

Joe Flint e Micah Maidenberg

NOVA YORK – A Netflix anunciou que o crescimento de sua base de assinantes nos Estados Unidos desacelerou no primeiro trimestre, em uma momento no qual a companhia está se preparando para enfrentar concorrência nova em Hollywood e os investidores estão avaliando sua capacidade de continuar mantendo um ritmo vertiginoso de crescimento.

A Netflix conquistou mais 7,9 milhões de assinantes pagos no exterior, no primeiro trimestre, 31% a mais do que no período em 2018. A empresa atraiu 1,7 milhão de novos assinantes nos Estados Unidos, ante 2,3 milhões no período um ano atrás.

A fraqueza nos Estados Unidos reforçou a importância dos mercados internacionais para a companhia criada 22 anos atrás.

No final de março, a Netflix tinha 148,9 milhões de assinantes pagantes em todo o mundo, superando sua previsão de 148,2 milhões para o período. Sob esse critério, ela passa todos os demais serviços de vídeo por assinatura.

A HBO e sua rede irmã Cinemax, combinadas, têm cerca de 140 milhões de assinantes em todo o mundo. O serviço de streaming Hulu só está disponível nos Estados Unidos e tem 25 milhões de assinantes.

Em seu trimestre mais recente, o lucro reportado pela Netflix subiu a US$ 344 milhões, ou 76 centavos de dólar por ação, ante US$ 290 milhões, ou 64 centavos de dólar por ação, no primeiro trimestre de 2018.

A receita da companhia cresceu em 22%, para US$ 4,52 bilhões. Isso representa o quarto trimestre consecutivo de desaceleração no crescimento de vendas da Netflix, mas a receita total ficou acima dos US$ 4,5 bilhões projetados pelos analistas consultados pela FactSet.

As ações da companhia subiram em 34% este ano, até agora, mas registraram queda de 1,3% em transações posteriores ao fechamento das bolsas.

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

Loja da Apple na 5ª Avenida de NY foi infestada por percevejos

Leia abaixo essa história, dias após a saída oficial da ex-chefona Angela Ahrendts.

Nova York

Apple Store temporária da Quinta Avenida em Nova York
Loja temporária da Apple na Quinta Avenida

Sim, é real: como informou o New York Post, a loja temporária da Apple na Quinta Avenida, em Nova York, foi infestada por percevejos — o que causou caos entre seus funcionários na última semana.

O espaço fica logo atrás do icônico cubo de vidro que guarda a loja “real” da Maçã, fechada para reformas até Deus sabe quando. Não se sabe se os insetos invadiram o (ou vieram do) local das obras, mas a situação no estabelecimento temporário parece estar realmente crítica há quase um mês.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, funcionários estão em estado de alerta, sentindo-se inseguros e com medo de levar a infestação para suas casas. Uma semana após a Apple enviar uma empresa de dedetização à loja e afirmar que “não havia mais motivo para preocupações”, os insetos voltaram a aparecer em grande quantidade — um dos empregados, inclusive, filmou um percevejo andando por seu agasalho.

Só na última sexta-feira (12/4), então, a administração da loja reconheceu que o problema persistia e orientou os funcionários a guardarem seus pertences em dois sacos plásticos, um dentro do outro, enquanto um cão farejador tentava encontrar o foco da infestação. Em um dia da última semana, a loja — que fica aberta 24h — fechou por algumas horas para tratar de um “vazamento de água”, mero disfarce para tratar do problema real.

Vestiário dos funcionários da loja temporária da Apple na Quinta Avenida após infestação de percevejos
Vestiário dos funcionários após infestação | Imagem: New York Post

Aparentemente, ao longo do fim de semana, os insetos foram definitivamente exterminados, mas a má-impressão dos empregados permanece. Um deles afirmou ao New York Post que “não deveria ir trabalhar sentindo-se inseguro e desprotegido”, enquanto outro reclamou que a Apple não avisou sobre o fechamento temporário da loja — alguns funcionários chegaram para trabalhar e deram de cara com as portas fechadas.

Há problemas para resolver aí, hein, Apple? [MacMagazine]