Amazon começa a vender eletrônicos no País e ameaça rivais locais

Gigante americana, que durante 4 anos vendeu apenas livros no Brasil, começa hoje a ofertar produtos como TVs, celulares e computadores, que representam 40% do comércio online nacional; movimento fez ações de rivais como B2W e Magazine Luiza despencarem

1508281987986Alex Szapiro, presidente da Amazon no Brasil: aposta no marketplace para crescer no País


A chegada da gigante americana de e-commerce Amazon à área de eletrônicos no Brasil promete ser um “ponto de virada” na competição do setor. A confirmação de que a companhia iniciará hoje a atuação em novos segmentos foi suficiente para afetar as ações das líderes do comércio eletrônico nacional. Apenas no pregão de ontem na B3, bolsa paulista, o papel do Magazine Luiza teve queda de 7,94%, enquanto o da B2W – dona da Americanas.com – caiu 5,6% (na semana, ambas tiveram baixas da ordem de 20%). Segundo analistas, o mercado financeiro vê a Amazon como uma séria ameaça ao crescimento das rivais nacionais.

A companhia americana, que chegou ao Brasil em 2012, atuava até agora somente em um segmento relativamente pequeno, o de livros, no qual conseguiu se tornar um nome relevante, representando até 10% da receita de grandes editoras, apurou o Estado. Com o início das vendas de eletrônicos, celulares e itens de informática, a Amazon passa a brigar em um terreno muito mais amplo, já que os novos setores de atuação da empresa no País somam 41% da receita do e-commerce nacional.

Segundo Pedro Guasti, presidente da eBit, especializada em e-commerce, o tíquete médio dos eletrônicos é alto, de R$ 700, e bem superior ao preço de um livro.

Nova força
Amazon chega aos principais segmentos do comércio eletrônico brasileiro

Sem título24O presidente da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, afirma que pretende aplicar a experiência que já adquiriu no País em market place – revenda de produtos de terceiros – aos eletrônicos. “Nos tornamos um dos principais canais de venda de vários sebos e livrarias no Brasil e agora queremos fazer o mesmo com os vendedores de eletrônicos”, diz.

Para se mostrar competitiva no País, a companhia está reduzindo a comissão cobrada para listar os produtos em seu site – nos EUA, a taxa média é de 15%; por aqui, ficará em 10%. Segundo fontes, a média brasileira gira em torno de 12%.

Uma das “queridinhas” do mercado financeiro – que levantou mais de R$ 1,56 bilhão na Bolsa há menos de um mês –, o Magazine Luiza depositava suas perspectivas de crescimento justamente no marketplace, segmento em que agora terá a Amazon como concorrente. O mesmo caminho era trilhado pela B2W, líder do comércio eletrônico brasileiro e dona de marcas como Americanas.com, Submarino e ShopTime.

Comportamento das ações
Chegada da Amazon ao setor afetou papéis de varejistas de eletrônicos

Sem título11Segundo o analista Guilherme Assis, do banco Brasil Plural, é natural que a concorrência da Amazon faça o mercado revisar para baixo as expectativas de crescimento das marcas nacionais. Embora o consumidor brasileiro seja menos “fiel” a sites de e-commerce do que o americano – onde a Amazon nada de braçada, dominando da venda de alimentos à de eletrônicos –, o analista do Brasil Plural diz que a americana é uma rival capaz de brigar pela liderança, pois tem muita capacidade de investimento.

O professor de marketing Silvio Laban, da escola de negócios Insper, define a Amazon como um “urso de 800 quilos”. “Se ela entrar na sala em que você estiver, vai sentar onde quiser. Então, saia de perto.”

Desafios. Isso não quer dizer, porém, que o mercado brasileiro não tenha desafios específicos. O analista Roberto Indech, da Rico Investimentos, lembra que o País oferece dificuldades do ponto de vista tributário e logístico – e que nem todos os grupos estrangeiros se dão bem por aqui. “É só lembrar o caso da francesa Fnac, que atuava justamente no setor de eletrônicos, e resolveu sair do Brasil”, exemplifica.

A Fnac, na verdade, está pagando cerca de R$ 130 milhões para deixar o País, valor que será investido nas lojas da companhia antes do repasse da operação à Livraria Cultura.

Líder do setor de marketplace no País, o site argentino Mercado Livre diz que é até surpreendente que a Amazon tenha levado tanto tempo para se estabelece no Brasil. “O mercado brasileiro está em franco crescimento”, diz Stelleo Tolda, diretor de operações do Mercado Livre, lembrando que a empresa cresceu 51% no volume de eletrônicos vendidos no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Procuradas, as redes Via Varejo e Magazine Luiza não se pronunciaram. /Claudia Tozetto e Fernando Scheller – O Estado de S. Paulo

Novo vídeo aéreo do Apple Park mostra obra quase completa

A cada dia, estamos mais próximos do término das obras no Apple Park. E, como acontece mês a mês, Matthew Roberts nos trouxe novamente imagens em 4K capturadas pelo seu drone a fim de nos mostrar cada detalhe.

De acordo com o vídeo, a construção megalomaníaca está “quase completa”, o que é possível observar já que avistamos menos equipamentos circulando o local.

A parte de paisagismo também parece estar chegando ao fim, com algumas árvores ainda sendo transportadas, porém o que era antes uma grande porção de terra agora já está coberto de verde. Os caminhos que ligam o campus aos edifícios da Apple nos arredores estão sendo todos pavimentados.

O vídeo também mostra o início das obras de uma área interessante, própria para atividades esportivas, com uma quadra de basquete e de tênis, assim como um local para atividades físicas (fitness center) de cerca de 9.300m². O que podemos ver claramente como finalizado é o Visitor Center (Centro de Visitantes), com seu terraço que dá vista para a nova sede da Maçã.

Pouco a pouco, a “espaçonave” vai se tornando realidade. []

O que a Apple diz ter feito para evitar que o Face ID seja racista

download (1).jpgQuando a Apple apresentou seu novo sistema de reconhecimento facial para desbloquear o smartphone, o Face ID, em setembro, enfrentou algumas questões sobre como a empresa iria evitar problemas de segurança e enviesamento que já tinham acontecido em sistemas de reconhecimento facial similares. O senador de Minnesota Al Franken foi uma das muitas pessoas que estavam curiosas para saber como exatamente a Apple iria assegurar o sucesso do Face ID. Nesta semana, a Apple respondeu a uma série de perguntas que haviam sido enviadas pelo gabinete de Franken no dia seguinte ao anúncio do sistema.

Os primeiros sistemas de reconhecimento facial da HP e Google falhavam em reconhecer pessoascom peles escuras. Em 2009, uma webcam da HP falhou na hora de registrar pessoas negras. E em 2015, o reconhecimento facial do Google Fotos categorizou pessoas negras como gorilas. Se o Face ID cometer erros similares, pode ser um sinal de que a Apple não treinou o sistema para reconhecer os rostos de forma diversificada.

Embora Franken tenha levantado muitas questões sobre a privacidade e a segurança do Face ID, a maioria delas foi respondida no artigo técnico da Apple. No entanto, Franken também questionou sobre o enviesamento do algoritmo, escrevendo: “Quais passos a Apple tomou para assegurar que o sistema foi treinado em uma amostragem diversificada de rostos, em termos de raça, gênero e idade? Como a Apple está protegendo o viés racial, de gênero e de idade no Face ID?”

Nesta segunda-feira (16), a vice-presidente de políticas públicas da Apple nas Américas, Cynthia Hogan, deu algumas respostas:

A acessibilidade do produto a pessoas de diversas raças e etnias foi muito importante para nós. O Face ID utiliza redes neurais de combinação facial que desenvolvemos utilizando mais de um bilhão de imagens, incluindo infravermelho e imagens com profundidade coletadas em estudos conduzidos com o consentimento informado dos participantes. Trabalhamos com os participantes de todo o mundo para incluir um grupo representativo de pessoas levando em consideração o gênero, idade, etnia e outros fatores. Ampliamos os estudos conforme o necessário para oferecer um maior grau de precisão para um leque diverso de usuários. Além disso, uma rede neural que é treinada para detectar e resistir a tentativas de desbloquear seu telefone com fotos ou máscaras.

A resposta da Apple à questão do enviesamento é bem promissora. O ponto que Hogan coloca sobre o consentimento é chave – pesquisadores já enfrentaram reações negativas por utilizarem fotos de pessoas transsexuais sem permissão para treinar redes neurais. Mas teremos que esperar para ver o quão bem o Face ID funcionará no iPhone X quando ele chegar às mãos dos consumidores.

“Valorizo a boa vontade da Apple a se engajar com o meu gabinete sobre esses problemas e estou feliz de ver os passos que a companhia deu para levar em conta a privacidade dos usuários e as preocupações com segurança”, disse Franken em um comunicado. “Planejo acompanhar a Apple para descobrir mais sobre como a empresa pretende proteger os dados dos consumidores que decidirem utilizar a tecnologia de reconhecimento facial da última geração do iPhone.” []

Imagem do topo: Apple

Netflix supera a marca de 100 milhões de assinantes no mundo

Empresa ganhou 5,3 milhões de usuários entre julho e setembro deste ano, chegando a 104 milhões de contas pagas; ações da empresa sobem após o fim do pregão

netflix_hires_005O serviço de streaming de vídeo Netflix anunciou nesta segunda-feira, 16, que superou pela primeira vez a marca de 100 milhões de assinantes. Ao divulgar seus resultados financeiros para o período entre julho e setembro de 2017, a empresa disse que conquistou 5,3 milhões de novas contas pagas no período, chegando a 104 milhões de usuários pagantes.

Com a notícia, as ações da empresa subiram 2,3% na bolsa de valores Nasdaq após o fim do pregão da segunda-feira, chegando a serem negociadas a US$ 207. A maior parte do crescimento veio de fora dos Estados Unidos, onde a empresa conquistou 4,45 milhões de novos assinantes. Agora, a empresa tem 52,7 milhões de assinantes “internacionais”, contra 51,4 milhões nos EUA – é a primeira vez que o resto do mundo ultrapassa o país-sede do serviço de streaming.

Ganhar assinantes globais é bom para a empresa porque reduz sua dependência do mercado norte-americano, e mostra que a companhia agiu corretamente ao investir em sua expansão internacional. Desde janeiro de 2016, a Netflix está disponível em quase todos os países do mundo – fica fora apenas de Cuba, China, Chechênia, Coreia do Norte e Síria. Para o próximo trimestre, a empresa prevê que terá 6,3 milhões de novas assinaturas, impulsionada por atrações como a segunda temporada da série Stranger Things.

Investimento. A Netflix, sediada na Califórnia, pretende continuar investindo pesado na produção de conteúdo original para se diferenciar de rivais no mercado como Amazon Prime Video e Hulu.

No balanço divulgado nesta segunda-feira, a empresa disse que pretende investir US$ 8 bilhões em conteúdo em 2018 – aumentando em US$ 1 bilhão uma estimativa divulgada anteriormente. “Nosso futuro depende de conteúdo original exclusivo, que dê satisfação aos assinantes da Netflix em uma grande variedade de gostos”, disse Reed Hastings, presidente executivo da plataforma, em carta divulgada aos acionistas junto com os resultados financeiros.

Em 2017, a Netflix vai gastar US$ 6 bilhões em conteúdo, incluindo acordos com atores como Adam Sandler e roteiristas como Shonda Rhimes (da série de TV Grey’s Anatomy).

Entre julho e setembro de 2017, a Netflix faturou US$ 2,99 bilhões, em alta de 30,3% na comparação com as receitas do mesmo período do ano passado. Já o lucro ficou na casa de US$ 130 milhões, distribuindo US$ 0,29 por ação.

São Paulo ganha domínio de internet personalizado

Desde junho, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR vem liberando a criação de sites identificados com sites e regiões metropolitanas do Brasil; já são 39 cidades com domínios próprios

avenida-paulista_raul-junior.jpgA partir desta segunda-feira, 16, será possível registrar um novo site da cidade de São Paulo sob o domínio “sampa.br”. Desde junho, o Registro.br, serviço ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) liberou a possibilidade de criação de sites identificados com cidades e regiões metropolitanas pelo País.

Qualquer pessoa física ou jurídica brasileira pode se registrar com o novo domínio paulistano. Para efetuar o cadastro, basta entrar no site do Registro.br e efetuar a solicitação.

Hoje, além de “sampa.br”, existem outros 38 domínios de cidades já criados. Entre eles, estão nomes como “jampa.br”, referente a João Pessoa, “floripa.br”, de Florianópolis e “poa.br”, de Porto Alegre. Até o final do mês, Feira de Santana (BA) vai receber o “feira.br”, enquanto Joinville (SC) terá o “joinville.br”.

Os apelidos para cada município foram selecionados com base em uma pesquisa online feita pelo NIC.br. “Para nós, é de suma importância manter o diálogo aberto e consultar as preferências da comunidade antes de ampliar as opções para o registro do ‘.br'”, explica Demi Getschko, diretor presidente do Núcleo.

Para as outras cidades com mais de 500 mil habitantes que ainda não ganharam um domínio personalizado, a votação para o melhor apelido continua. Municípios como Manaus, Curitiba e Santo André ainda estão abertos para o envio de sugestões.

Hoje, o Brasil tem cerca de 3,9 milhões de endereços registrados sob o domínio .br e o custo de manutenção de cada endereço é de R$ 40 ao ano.

Vídeos curtos alimentam sonho de US$ 2 bilhões

IW_05_VIDEO1Jeffrey Katzenberg, que vendeu a DreamWorks Animation por US$ 3,8 bilhões, pretende criar programas de dez minutos para dispositivos móveis. (Ahn Young-Joon/Associated Press)


Quando Mark Zuckerberg fundou o Facebook e saiu à procura de investidores, sua primeira rodada de financiamento pedia US$ 1 milhão. Quando Travis Kalanick buscou financiamento para a Uber, ele conseguiu que investidores colocassem US$ 1,25 milhão em seu negócio. Reed Hastings, da Netflix, levantou US$ 2,2 milhões. A ideia de captação de recursos de Jeffrey Katzenberg está em uma escala muito diferente. Katzenberg, executivo veterano de Hollywood e fundador da DreamWorks Animation, está tentando levantar US$ 2 bilhões para sua nova startup de televisão.

O enorme valor não impediu que virtualmente todas as grandes companhias de mídia e tecnologia — Apple, CBS, Disney, Google, Spotify e Verizon, entre elas — marcassem reuniões com ele. E diversas empresas de private equity de Wall Street estão em volta. Katzenberg, 66, está convencido de que seu novo produto, chamado New TV, pode transformar drasticamente o formato da televisão para dispositivos móveis. Ele pretende criar a versão da próxima geração para a HBO ou a Netflix, construída com o propósito de ser assistida em telefones e tablets, com um conteúdo de qualidade em formato curto — imagine um Game of Thrones em que cada episódio tenha um arco de história de dez minutos.

Ele pretende criar produções grandes e caras, com o custo de US$ 100 mil o minuto (um minuto de programação com alta produção no YouTube pode custar US$ 10 mil). E ele pretende atrair talentos de primeira linha para trabalhar tanto diante quanto detrás das câmeras. Esse é um motivo para o pedido de financiamento ser tão alto: os talentos de Hollywood não farão vídeos de dez minutos a não ser que sejam pagos conforme estão acostumados.

O número de jovens que usam seus dispositivos móveis para assistir a conteúdo em vídeo é espantoso. Globalmente, 72% de todos os vídeos são assistidos em dispositivos móveis, segundo a provedora de plataforma para vídeo Ooyala.

A aposta de Katzenberg está sendo levada a sério em razão de seu longo histórico de sucesso e sua tese provocativa sobre o modelo de televisão atual. “O desenho e a arquitetura da narrativa atendem ao paradigma do negócio, não ao contrário”, afirmou, acrescentando que programas feitos nos formatos de meia hora ou uma hora não fazem sentido atualmente.

Katzenberg espera criar uma emissora de qualidade superior sustentada por uma combinação entre vendas de assinatura e de espaços de publicidade. Ele não acha que tirará do negócio empresas de televisão; na verdade, ele espera que as grandes emissoras de televisão invistam e produzam conteúdo para o serviço.

Katzenberg vendeu no ano passado a DreamWorks Animation para a Comcast por US$ 3,8 bilhões. Ele afirmou que teve uma revelação enquanto desenvolvia a ideia para sua nova companhia, chamada WndrCo, de que “o conteúdo” não era o santo Graal.

“O conteúdo é o criador do rei, não é o rei”, afirmou. “O rei é a plataforma. HBO é o rei. Netflix é o rei. Spotify é o rei”.

Até agora, a maior parte do conteúdo de formato curto tem sido relativamente barata de produzir, em razão da qualidade mais baixa das produções — e os consumidores têm assistido de bom grado.

Mas Katzenberg afirmou que sempre há uma oportunidade para criação de um produto de alta qualidade e haverá “um subgrupo bem significativo de pessoas que efetivamente pagaria por isso”. Segundo ele, “há uma base montada de um bilhão e meio de pessoas que assistem a 45 minutos de vídeos em smartphones todos os dias”. [Andrew Ross Sorkin]

Comunidades amish se adaptam à tecnologia

Uma moça em seu comprido traje tradicional e de coifa branca saiu do mercado dos produtores rurais, abriu a mão que segurava um celular e começou a procurar em algumas telas, aparentemente esquecida da movimentação ao seu redor.

Não muito longe, um homem com quase 70 anos, barba prateada e chapéu de palha de aba larga, ajustou as configurações de uma serra elétrica controlada por computador. Logo, começou a serrar peças para gazebos que são vendidos online e entregues em todo o país.

Os amish não abriram mão de suas carroças puxada por cavalos. A rígida exclusão de vários tipos de tecnologia deixou seu estilo de vida parcialmente inalterado desde o século 19: nada de automóveis, TVs e aparelhos elétricos, por exemplo.

Mas computadores e smartphones estão entrando em algumas comunidades, trazendo-as para o século 21. A nova tecnologia criou oportunidades para alcançar a prosperidade entre os amish. Um empreiteiro pode ligar para um cliente de seu local de trabalho. A padaria pode aceitar cartões de crédito.

Mas para as pessoas que se mantêm separadas de grande parte do mundo exterior, estes novos instrumentos tecnológicos trouxeram o temor das consequências do acesso à internet: o medo da pornografia, o medo de as redes sociais levaram os jovens a namorar moças que não são da comunidade e da conexão com o mundo com possibilidades aparentemente ilimitadas.

“A vida amish reconhece o valor dos limites estabelecidos”, afirmou Eric Wesner, que escreve para o blog Amish America. “O espírito da internet vai contra a ideia de limites”.

John, que trabalha com uma serra computadorizada, comparou-a à proibição dos automóveis.

“Não usamos automóveis como uma maneira de nos mantermos unidos”, disse. Ele e outros entrevistados preferiram não se identificar, por causa do sentimento de humildade amish.

“Há sempre a preocupação com o que possa levar nossos jovens a abandonarem a igreja e entrarem no mundo”, explicou John.

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A rígida exclusão de vários tipos de tecnologia faz com que alguns amish ainda vivam como no século 19. (Ashley Gilbertson para The New York Times)


A internet também ameaça outro elemento de unidade entre os amish: para uma sociedade em que a educação formal acaba depois da oitava série, os mais jovens aprendem uma profissão ou um ofício ao lado de um parente ou de outro membro da comunidade.

“Se você procura isso na internet, não está pensando”, afirmou Levi, outro carpinteiro. “Quanto mais as pessoas se tornarem dependentes da tecnologia, mais vão querer ficar sentadas atrás de uma mesa”.

Alguns jovens não concordam. “Não podemos viver como vivíamos há 50 anos, porque muitas coisas mudaram”, disse Marylin, 18.

Calcula-se que a população amish dos Estados Unidos chegue a 313 mil pessoas, um aumento de 150% em relação a 25 anos atrás, mostra uma pesquisa. As grandes famílias são a razão principal: as mulheres casadas têm, em média, sete filhos, os casamentos amish são muito mais numerosos e os jovens se casam muito antes do que os americanos em geral.

Em razão do rápido crescimento populacional, alguns amish procuram zonas mais rurais, em lugares como a parte norte do estado de Nova York. Outros passaram a trabalhar no comércio.

Moses Smucker abriu uma loja de produtos alimentícios na Filadélfia. Seis dias por semana ele pega uma condução da área de Lancaster para a cidade. “A Filadélfia tem um ritmo muito agitado”, observou. Quando vou para casa, posso usar o meu cavalo”. E acrescentou: “Tudo fica muito mais lento”.

Muitos amish fazem uma distinção entre o que é permitido no trabalho — smartphones, acesso à internet — e o que continua proibido em casa.

No entanto, as divisões podem ficar confusas. Ligar uma casa à rede elétrica pública é algo inaudito, mas muitas casas têm eletricidade produzida por geradores e painéis solares. Refrigeradores movidos a propano são encontrados em muitas cozinhas. Serviços de “táxis amish”, dirigidos por pessoas de fora da comunidade, são uma maneira de circular sem violar a regra contra a posse de um automóvel.

Por enquanto, alguns membros da comunidade aparentemente conseguem manter sob controle a moderna tecnologia. Sam, 29, que fazia entregas para a Amish Country Gazebos, hoje trabalha com o computador na loja da companhia. “Vejo perfeitamente sua utilidade no que se refere aos números — oh, meu Deus — para ficar livre de toda essa papelada”, comentou.

Mas a tecnologia tem o seu lugar, que, segundo ele, e é no trabalho. “Nunca pensei em levar um computador para esta propriedade”, disse, indicando sua casa.

Não muito distante dali, sua esposa cortava a grama com um cortador de empurrar. Em uma horta próxima, seus dois filhos pequenos corriam atrás de borboletas. [Por Kevin Granville e Ashley Gilbertson]

Presidente da Samsung renuncia ao cargo e cria váculo de liderança

Em carta aos funcionários, Kwon Oh-hyun anuncia que deixará o comando da companhia, apesar de previsão de lucro recorde divulgada pela empresa

409546_47796991Kwon Oh-hyun, presidente executivo da Samsung anunciou nesta sexta-feira, 13, em carta aos funcionários, sua renúncia ao comando da empresa. O movimento surpreendeu o mercado, já que a companhia divulgou também, em sua previsão para os resultados do terceiro trimestre, um lucro recorde de US$ 12,8 bilhões, crescimento de 179% na comparação com o mesmo período do ano passado. “Felizmente estamos tendo recordes agora, mas isso é fruto de decisões e investimentos feitos no passado”, afirmou Oh-Hyun.

Maior fabricante global de chips de memória, smartphones e TVs, a Samsung também deve bater seu recorde anual de receita, graças a alta na demanda por chips. A venda de semicondutores, estimada em US$ 7,2 bilhões, também puxou a alta no trimestre.

Segundo o comunicado oficial da empresa, Kwon Oh-hyun, funcionário desde 1985, deve permanecer como presidente do Conselho de Administração até o fim do seu mandato, em março de 2018. “Enquanto somos confrontados com uma crise sem precedentes, creio que chegou a hora de a companhia começar de novo, com novo espírito e nova liderança”, disse o executivo. A crise a que se refere o executivo é a prisão de Jay Y. Lee, herdeiro da empresa, acusado de envolvimento em um escândalo que levou ao impeachment da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

Jay Lee foi preso preventivamente em fevereiro, um mês antes da destituição da presidente, e condenado a cinco anos de prisão no fim de agosto.  Entre as acusações estavam crimes como corrupção, desfalque, ocultação de recursos no exterior e lavagem de dinheiro. O bilionário ainda deve apelar para a Suprema Corte.

Atualmente, a companhia é o principal conglomerado sul-coreano, com mais de 60 empresas afiliadas e ativos que ultrapassam US$ 320 bilhões. A empresa também é a maior fabricante global de smartphones, com mais de 20% de participação nas vendas, bem à frente de sua maior rival, a Apple.

A soma do valor de mercado das empresas da Samsung com capital aberto representa hoje aproximadamente 30% do valor de mercado do índice da bolsa de valores sul-coreana Kospi. [Agências – AFP e Reuters]

Valor: Amazon começa a vender eletrônicos no Brasil ainda neste mês

179407_1_producto_amazon_desata_ira_un_pais_prohiben_su_venta_1_460x290Já faz um bom tempo que vemos especulações sobre quando a Amazon vai finalmente começar a vender aparelhos eletrônicos no Brasil — assim como faz em vários outros mercados. Vale lembrar que atualmente a companhia limita-se a comercializar livros físicos, digitais e e-readers Kindle.

Pois agora, há informações de as novas operações estão muito perto de serem iniciadas. Para sermos mais específicos: isso tudo deve começar já no dia 18 de outubro (quarta-feira da próxima semana). A informação é do jornal Valor Econômico — que afirma ainda que a Amazon deve optar por essa data para chegar com ofertas agressivas para conquistar o público brasileiro já durante a Black Friday deste ano.

Em um primeiro momento, especula-se que a Amazon não vá entrar no mercado sendo uma vendedora direta. Em vez disso, ela estaria negociando com várias outras lojas virtuais para que funcione como uma agregadora no formato marketplace — sistema em que as lojas utilizam a plataforma Amazon para suas vendas virtuais.

Especula-se que a Amazon comece a vender eletrônicos no Brasil somente no método de vendas por Marketplace

Dessa maneira, espera-se que a Amazon no Brasil seja responsável pela venda de eletrônicos dos mais diversos tipos, incluindo smartphones, câmeras e consoles de vídeo game. Será que veremos realmente essa “nova Amazon” chegando de uma vez por todas no mercado brasileiro? Se sim… Quando será que poderemos vê-la como uma vendedora direta por aqui? [Tecmundo]

IBM encontra nova mão de obra na Índia

c28cc157-69a8-440a-ab89-58fba2d47541.jpg_story_detail.jpgUma máquina IBM 1401 de 1959, exposta no Museu Industrial & Tecnológico Visvesvaraya, em Bangalore. (Philippe Calia para The New York Times)


BANGALORE, Índia — A IBM dominou o início da era da computação com invenções como o mainframe e o disco flexível. Seus escritórios e fábricas, em todos os Estados Unidos, eram centros de inovação muito antes da Microsoft e do Google.

Mas na última década, a IBM mudou seu centro de gravidade para a Índia, tornando-a um exemplo de high-tech da globalização que o governo de Trump critica violentamente.

A companhia emprega 130 mil pessoas na Índia, 33% do total da sua força de trabalho.

Suas atividades abrangem toda a gama de operações da IBM, desde a gestão das necessidades na área de computação de gigantes globais, como AT&T e a Shell, até pesquisas em campos como pesquisa visual, inteligência artificial e visão computacional para automóveis autônomos.

“A IBM Índia, no sentido mais autêntico, é um microcosmo da companhia IBM”, afirmou Vanitha Narayanan, presidente de operações da companhia na Índia, no principal campus da IBM em Bangalore, onde as torres de escritórios têm nomes de campos de golfe americanos, como Peachtree e Pebble Beach.

As operações na Índia contribuíram para baixar os custos da IBM, que registrou 21 trimestres consecutivos de queda da receita.

Outras grandes companhias americanas, como a Oracle e a Dell, também empregam a maior parte de sua mão de obra no exterior. Mas a IBM é diferente, porque ela emprega mais pessoas em um só país estrangeiro do que nos Estados Unidos como um todo.

O número de funcionários da companhia na Índia quase dobrou desde 2007, embora tenha encolhido nos Estados Unidos por causa das demissões e das aquisições. A IBM se recusa a revelar os números exatos, entretanto, pessoas de fora calculam que ela emprega atualmente muito menos que 100 mil pessoas em suas instalações americanas, em comparação com 130 mil em 2007. Dependendo da função, os salários pagos aos trabalhadores indianos são a metade ou um quinto dos pagos aos funcionários americanos, segundo dados postados pela empresa de pesquisa Glassdoor.

Ronil Hira, professor da Universidade de Harvard em Washington, disse que a gama de operações da IBM na Índia mostra que a transferência dos empregos para o exterior ameaça inclusive os melhores empregos na área de tecnologia nos EUA.

“As elites de ambas as partes ouviram essa história do iPhone da Apple: olha, tudo bem se levamos para fora as operações menos especializadas, porque vamos sair dessa”, disse. “Mas não são apenas os empregos de nível inferior, também os empregos de alto nível estão partindo”.

Embora outros titãs da tecnologia também tenham montado enormes complexos satélites na Índia, a IBM chamou a atenção do presidente Donald J. Trump. Pouco antes das eleições de novembro, ele a acusou de demitir 500 funcionários do Estado de Minnesota e de transferir seus empregos para a Índia e outros países, afirmação que a Índia desmentiu.

Trump tenta reduzir o que, segundo ele, é um número excessivo de estrangeiros tirando os empregos na área de tecnologia que pertenciam aos americanos. Em abril, ele assinou um decreto desestimulando a concessão de visto de trabalho temporário H-1B para profissionais (mão de obra qualificada com formação universitária) da área de tecnologia com salário mais baixo, a maioria dos quais vem da Índia. A IBM foi a sexta maior beneficiária desse vistos em 2016, de acordo com dados federais.

Sediada em Armonk, Nova York, a empresa se mostra suscetível quando se afirma que os americanos estão perdendo empregos para os indianos. Depois da vitória de Trump nas eleições, a diretora-executiva da IBM, Ginni Rometty, prometeu criar 25 mil novos empregos nos Estados Unidos. Rometty, que ajudou a elaborar a estratégia de expansão na Índia quando era diretora da divisão de serviços globais da IBM, também discutiu com a nova administração planos de modernização da tecnologia da máquina do governo e a expansão do treinamento tecnológico para pessoa que não chegaram a concluir os estudos superiores. Ela também fez parte de um dos conselhos de assessoria de empresas de Trump, hoje extinto.

Segundo William Lazonick, professor de Economia da Universidade de Massachusetts em Lowell, que estudou a globalização de empresas, a IBM e outras da área de tecnologia se beneficiaram extremamente com a mão de obra de baixo custo da Índia, dotada de um elevado grau de especialização tecnológica e fluente em língua inglesa.

“A IBM não criou isto”, afirmou. “Mas a IBM seria uma companhia totalmente diferente não fosse a Índia”.

A presença considerável da IBM na Índia, hoje, é mais impressionante considerando que ela saiu completamente do país em 1978, depois de uma disputa com o governo a respeito de leis sobre propriedade estrangeira.

A IBM voltou à Índia por meio de uma joint venture com a Tata, em 1993. A direção da IBM via o potencial da Índia como mercado e como base que lhe permitiria atender aos clientes do mundo inteiro. A companhia assumiu o controle total da operação, e, em 2004, conseguiu um contrato de US$ 750 milhões ao longo de dez anos da Bharti Airtel, uma das maiores companhias telefônicas da Índia.

Hoje, a Índia não presta apenas serviços aos clientes globais da IBM. Ela é o centro das iniciativas da companhia, que visam ajudar as empresas a atender à próxima grande fatia de clientes: os bilhões de cidadãos mais pobres que foram ignoradas pela revolução tecnológica.

“Eu quero que a Índia seja meu centro de inovação sustentável”, disse Narayanan. [Vindu Goel]