Google lança Pixel 4 com câmera dupla, tela de 90Hz e sensor de movimento; Nest Mini virá ao Brasil

Confiram todas as novidades anunciadas pela gigante de Mountain View

Depois da Amazon, da Microsoft e da própria Apple, chegou a vez do Google apresentar suas armas para o fim do ano e o início de 2020. E a gigante de Mountain View veio forte: depois de meses de vazamentos (alguns até dela própria), a empresa mostrou uma linha sólida, cheia de novidades interessantes — e alguns acenos ao Brasil, inclusive. Vamos dar uma olhada em tudo.

Pixel 4

A primeira das novidades do dia, como não poderia deixar de ser, são os novos smartphones do Google. Como já é tradição na linha, o Pixel 4 e o Pixel 4 XL são idênticos em quase tudo — exceto, claro, no tamanho (físico, bateria e tela/resolução); o foco da empresa continua sendo o poder fotográfico dos smartphones e em novas tecnologias que poderão ajudar os usuários.

Google Pixel 4

Para começar, temos — pela primeira vez na linha Pixel — um sistema de câmera dupla na traseira, com uma lente teleobjetiva de 16MP e um sensor grande-angular “Dual-pixel” de 12MP. A maioria das inovações, como de costume, está no software: temos um modo Live HDR1 que traz controles duplos de exposição e uma prévia em tempo real de como ficará a imagem final; um ajuste automático de balanço de branco usa aprendizado de máquina para deixar todas as fotos com os tons mais realistas possíveis.

O famoso modo noturno (Night Sight) também ganhou melhorias, e agora conta com um recurso específico (chamado de “fotografia astral”) para capturar céus estrelados, planetas ou satélites; você pode simplesmente deixar o telefone parado por alguns minutos na posição correta e o software levará em conta fatores como rotação e translação da terra e movimentos feitos pelo próprio aparelho.

Outra inovação dos Pixels 4 está na frente — e explica a enorme borda superior dos aparelhos. O chamado Motion Sense, nome comercial daquilo que o Google outrora chamou de Projeto Soli, é basicamente um radar instalado dentro do seu telefone que detecta sua presença e abre um leque de possibilidades.

Para início de conversa, ele permite que os aparelhos tenham o sensor facial mais rápido do mercado, com o radar trabalhando com a câmera frontal para detectar o rosto do usuário antes mesmo que ele pegue o telefone nas mãos. Não há informações sobre a confiabilidade do recurso, mas considerando que ele chegou aqui para substituir completamente a leitura de digitais, é de se considerar que o Google colocou aqui tecnologias de segurança aprofundadas.

Motion Sense tem outras cartas na manga: ele permite que o aparelho saiba quando você está por perto e deixe o Always-On Display ligado somente nesses momentos. Se um alarme ou chamada está tocando e o Pixel 4 percebe que você está levando as mãos até ele, o som é diminuído. E você pode realizar gestos básicos, como deslizar a mão por cima do aparelho, para silenciar alarmes/ligações ou passar faixas num serviço de streaming.

Os novos smartphones contam, ainda, com telas OLED2 HDR de 5,7 polegadas (FHD+, Pixel 4) e 6,3 polegadas (QHD+, Pixel 4 XL) com taxa de atualização de 90Hz — colocando os smartphones próximos dos iPads Pro com telas Pro Motion (no sentido de exibir animações muito mais fluidas e realistas — no caso do tablet, estamos falando de telas com taxa de atualização de 120Hz). Temos, também, processador Snapdragon 855, 6GB de RAM3, 64GB ou 128GB de armazenamento, alto-falantes estéreo, certificação IP68 e um coprocessador neural de aprendizado de máquina.

O recurso Active Edge permite que você “esprema” as laterais do smartphone para ativar a Google Assistente — que, por sua vez, chegou no Pixel 4 em nova versão. Agora, há processamento de voz com “latência quase zero”, respostas 10x mais rápidas e várias novas técnicas, como a habilidade de “assumir seu lugar” quando você é colocado na espera em uma chamada (a assistente simplesmente lhe enviará uma notificação quando você for atendido). Ela também tem novas integrações com apps nativos e processa comandos no próprio aparelho, em vez da nuvem.

Os novos smartphones partirão de US$800 (Pixel 4) e US$900 (Pixel 4 XL) nas cores “Just Black” (preto), “Clearly White” (branco). e “Oh So Orange” (laranja, edição limitada). As pré-vendas começam hoje, e as vendas serão iniciadas nos Estados Unidos na próxima quinta-feira (24/10) pelas maiores operadoras do país — fato inédito para o Google, que sempre preferiu trabalhar com uma ou duas telefônicas.

Será que o Pixel 4 vem para o jogo?

Pixel Buds

O Google apresentou também a nova geração dos seus novos fones de ouvido sem fio — que, agora, são totalmente sem fio, sem um cordão ligando as duas pontas. Os novos Pixel Buds contam com uma nova conexão Bluetooth de longa distância, que permite usá-los a até três cômodos ou um campo de futebol de distância do seu smartphone; em aparelhos rodando o Android 6.0 ou superior, é possível conectar os fones com apenas um toque.

Google Pixel Buds

Os fones também contam com todos os tipos de truques de software. Sensores detectam quando os Pixel Buds são retirados do seu ouvido, e outros conseguem “ler” sua voz por meio do movimento da sua mandíbula para assegurar que seus comandos para a Google Assistente serão entendidos mesmo em ambientes barulhentos. Falando nela, a assistente é profundamente integrada aos fones e pode ser acessada com um simples comando de voz.

Os Pixel Buds contam com uma superfície sensível ao toque para controle de músicas, chamadas e volume; o design dos fones é in-ear, mas uma abertura na parte inferior permite a passagem de sons do ambiente. Ah, e em mais um truque de software, os fones conseguem detectar quando alguém está falando com você e abaixam o volume automaticamente.

Em termos de bateria, os fones duram 5 horas com uma carga; combinando isso com as recargas fornecidas pelo estojo, temos 24 horas de uso; os Pixel Buds trazem, ainda, resistência a água e suor. O único problema é a disponibilidade: segundo o Google, os fones serão lançados somente entre março e junho de 2020, por US$180.

Nest Mini

O pequeno Nest Mini (nova versão do Google Home Mini, agora que a nomenclatura “Google Home” foi descontinuada) também foi anunciado no evento de hoje, e a sua maior novidade — para nós, brasileiros, pelo menos — é que o dispositivo será o primeiro alto-falante inteligente do Google a desembarcar na nossa querida república; já está no ar uma página em português referente ao produto, afirmando que ele estará disponível por aqui “em breve” e convidando os usuários a entrar numa lista de espera.

Google Nest Mini

Mesmo quase idêntico ao seu antecessor, o Nest Mini tem algumas novas cartas na manga. O som, por exemplo, está muito melhor, com reprodução de tons graves até 2x melhor; temos, agora, três microfones (contra os dois de antes) para lhe ouvir de qualquer lugar. O processador é mais rápido e permite que você conecte vários alto-falantes pela casa, criando um único sistema de som; um sensor de presença faz com que o Nest Mini se ilumine quando você se aproxima para controlar seu volume.

O acessório também é capaz de detectar o barulho do ambiente e aumentar ou diminuir o volume da reprodução para que você ouça a assistente ou sua música mesmo que algum ruído surja na sua presença. Além disso, o Nest Mini conta ainda com um suporte embutido para que você o acople na parede, como um quadro, e tem sua cobertura de tecido feita 100% com garrafas plásticas recicladas.

O Nest Mini será lançado, nos EUA, na próxima terça (22/10) por US$50. Ainda não há informações sobre o preço do dispositivo no Brasil, mas ficaremos atentos.

Nest Wifi

O Google também combinou sua Assistente com roteadores: com os novos Nest Wifi, você pode configurar sua internet doméstica com dispositivos estrategicamente localizados (por meio das chamadas redes mesh, ou de malha) que, adivinhem, também respondem aos seus comandos de voz, respondem perguntas e realizam tarefas.

Google Nest Wifi

Temos um dispositivo principal, o Router (Roteador), que pode ser conectado aos Points (Pontos), dispositivos secundários que estendem o alcance da sua rede Wi-Fi para outros lugares da casa. Uma combinação de um Router e um Point é suficiente para cobrir uma casa de 350m², por exemplo — mas vale notar que apenas o Point conta com a Google Assistente embutida.

A Assistente, aliás, poderá ser utilizada aqui para controlar a rede doméstica com uma ajudinha do app Google Wifi. Você pode, por exemplo, pedir que ela “pause a internet das crianças” na hora de dormir.

O Nest Wifi será vendido em pacotes, todos com um Router: o kit com duas peças sairá por US$270, enquanto o pacote com um trio de dispositivos custará US$350; os aparelhos são retrocompatíveis com os roteadores Google Wifi e serão lançados nos EUA no dia 4 de novembro. Não há, ao contrário do Nest Mini, menção sobre lançamento no Brasil.

Pixelbook Go

Acham que acabou? Pois o Google apresentou também o Pixelbook Go, o Chromebook mais acessível já feito pela empresa. Partindo de US$650, o portátil tem design ultrafino e especificações satisfatórias — incluindo uma tela de 13,3 polegadas (que, dependendo da configuração, pode ser Full HD ou 4K), processadores Intel m3, Core i5 ou i7, 8GB ou 16GB de RAM e armazenamento entre 64GB e 128GB. O modelo com tela Full HD aguenta 12 horas longe da tomada.

Google Pixelbook Go

Ao contrário das criações anteriores do Google, não temos aqui uma tela conversível nem nada do tipo; o Pixelbook Go é um laptop e apenas isso. Mas ele tem seus charmes, como uma parte de baixo texturizada (pensada para que você carregue o computador nas mãos com mais firmeza), uma dupla de alto-falantes estéreio e um trackpad multitouch de tamanho generoso. Ele roda, claro, o Chrome OS.

O Pixelbook Go já está em pré-venda nos EUA, na versão preta (a versão rosa será disponibilizada em breve), e chegará às prateleiras do país no dia 28 de outubro.

Stadia

Por fim (ufa!), o Google anunciou a data de lançamento da sua plataforma de jogos por streaming. O Stadia chegará no dia 19 de novembro nos seguintes países: Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. Ainda não há informações sobre o Brasil.

Nos EUA, o Stadia Pro custará US$10 mensais, com acesso à biblioteca de jogos (que desde já conta com títulos renomados como Red Dead Redemption 2, Destiny 2 e Assassin’s Creed Odyssey), transmissão 4K a 60FPS, HDR e som surround 5.1.

Seu progresso nos jogos é salvo na nuvem e acessível em qualquer dispositivo compatível. No ano que vem, jogadores poderão também usufruir do Stadia gratuitamente, num modelo onde os jogos serão adquiridos de forma individual (neste caso, a jogatina será limitada a 1080p).

Um kit de acesso, chamado “Founder’s Edition”já está sendo vendido pelo Google por US$130 e conta com uma unidade do Chromecast Ultra, um controle azul-marinho e duas assinaturas de três meses do Stadia Pro; quem adquirir esse pacote poderá acessar a plataforma já no dia da estreia. [MacMagazine]

VIA 9TO5MAC

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Remini: app usa inteligência artificial para recuperar fotos antigas

App que fez sucesso no Dia das Crianças aumenta nitidez e contraste de imagens em baixa qualidade; lista de permissões necessárias reacende discussões sobre armazenamento de dados
Por Ana Luiza de Carvalho – O Estado de S. Paulo

Aplicativo usa algoritmo para ‘limpar e restaurar’ imagens antigas

Com o lema “Brings memories back to life” (ou “Traga memórias de volta para a vida”, em tradução livre), o aplicativo de fotos Remini teve um ‘boom’ de popularidade na última semana. Não é à toa: às vésperas do Dia das Crianças, muitos usuários usaram o app para recuperar fotos antigas da infância, manchadas e com baixa qualidade. Isso porque o aplicativo usa um sistema de inteligência artificial para aumentar a nitidez e resolução das fotos e resolver pequenas falhas como ‘riscos’ nas imagens. 

O Remini está disponível na Play Store, loja de aplicativos do Android, e também na loja do iOS.  Além do melhoramento de imagens antigas, o app tem outros recursos, como o face mash up —que mistura diferentes rostos em uma cara só—, uma ferramenta que transforma fotos em desenhos e outra que colore fotos em preto e branco.

O aplicativo funciona com base em ‘créditos’: a versão gratuita permite três melhoramentos de imagem por dia. A partir disso, é preciso assinar o recurso Pro da ferramenta, que vende créditos a partir de US$ 4,99 (com 7 usos extras) até US$ 99,99 (com 230 créditos).

Uso de dados pelo app é questão nebulosa

Para utilizar as ferramentas do Remini é necessário fazer um registro no aplicativo  – o cadastro pede apenas e-mail e senha. Nos termos de privacidade, porém, o Remini deixa claro que as imagens são armazenadas em um banco de dados, o que reacende discussões sobre privacidade dos usuários e uso indevido de informações pessoais. 

Há poucas semanas, o aplicativo FaceApp, utilizado para envelhecer fotos de usuários, foi alvo de polêmicas por ser um repositório de reconhecimento facial e chegou a ser questionado pelo Senado americano.

Os termos de privacidade e uso do Remini afirmam que ele é desenvolvido pela Dagong Technology (ou Dayu Technology), empresa com sede em Pequim, na China. De acordo com o texto, o Remini não compartilha informações com terceiros sem a permissão do usuário, ‘a não ser nos casos indicados’. 

O aplicativo, porém, é pouco preciso em relação a quais são as circunstâncias de compartilhamento de dados. Uma das alternativas citadas é a requisição de informações pela Justiça, para segurança pessoal dos usuários. Além disso, o app cita explicitamente a análise de dados para desenvolvimento de produtos e serviços da própria empresa.

De acordo com o segundo artigo dos termos de uso, o app é regido pelas leis da República Popular da China – o que já gerou muita polêmica com outras empresas do país, uma vez que o governo pode requerer acesso às bases de dados das companhias que funcionam por lá. Já no quarto artigo dos termos e condições de uso, o Remini garante que usa uma ‘variedade de tecnologias de segurança’ e que a base de dados inclui informações como nome completo, número do celular do usuário e seu endereço IP. 

Mesmo em meio à falta de clareza com as implicações de privacidade sobre o uso do Remini, alguns usuários já se posicionaram quanto à questão nas redes sociais: 

SoftBank busca controlar WeWork por meio de pacote de financiamento, diz agência de notícias Reuters

No mês passado, a WeWork cancelou sua oferta pública inicial de ações
Por Agências – Reuters

SoftBank pode investir mais US$ 1 bi na WeWork

O grupo japonês SoftBank preparou um pacote de financiamento para a WeWork que lhe daria controle sobre a startup de escritórios compartilhados, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. A medida aumentaria significamente a participação do SoftBank na empresa, que já é de um terço, e diluiria ainda mais a influência do cofundador Adam Neumann. No mês passado, a startup cancelou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e Neumann concordou em renunciar ao seu cargo de presidente-executivo.

Anteriormente, a agência de notícias Reuters disse que o SoftBank estava em negociações para fazer um investimento de US$ 1 bilhão para permitir que a WeWork passe por uma grande reestruturação.

Sem uma nova infusão de dinheiro, a WeWork corre o risco de ficar sem dinheiro já no final de dezembro, disse a fonte.

O WeWork está trabalhando com o JPMorgan Chase para negociar um acordo de dívida de US$ 3 bilhões após o cancelamento do IPO no mês passado. A empresa enfrenta preocupações com seus padrões de governança corporativa, bem como com a sustentabilidade de seu modelo de negócio 

“O WeWork conseguiu uma grande instituição financeira de Wall Street para organizar um financiamento”, disse uma porta-voz da empresa. “Aproximadamente 60 fontes de financiamento assinaram acordos de confidencialidade e estão se reunindo com a administração da empresa ao longo da semana passada e na próxima semana.”

O WeWork perdeu US$ 1,9 bilhão em 2018. Nos primeiros seis meses de 2019, o prejuízo da companhia somou US$ 904 milhões, aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Pai do ‘vício nas telas’ Nir Eyal agora quer oferecer a cura

Após criar modelo usado por startups do Vale para atrair usuários, Nir Eyal crê que pessoas podem controlar compulsão
Por Nellie Bowles – The New York Times

Droga. ‘Não estamos injetando Instagram na veia’, diz Eyal

O israelense Nir Eyal ganhou fama nos últimos anos no Vale do Silício por um motivo bem particular: lançado em 2014, seu livro Hooked: How to Build Habit-Forming Products (Viciado: como criar produtos formadores de hábitos, em tradução livre) virou um guia prático para criar aplicativos de celular cativantes, capazes de “sutilmente motivar o comportamento do cliente” e “trazer continuamente o usuário de volta”. Agora, ele tem um antídoto para seu próprio método: o novo livro, Indistractable: How to Control Your Attention and Choose Your Life (Indistraível: como controlar sua atenção e escolher sua vida, em tradução literal). 

O primeiro livro era um guia para viciar – Dave McClure, fundador da incubadora 500 Startups, considerou a obra um “manual essencial para qualquer startup que busca entender a psicologia do usuário”. Isso foi em 2014, quando um app tipo caça-níquel era algo bom e empolgante e não algo digno de preocupação. O novo trabalho é um método para reverter o vício. 

Eyal, de 41 anos, não está sozinho nesta mudança de direção. Desde Hooked, muitas pessoas, como Tristan Harris, que foi responsável pela divisão de ética do Google, vêm propagando a ideia de que os telefones não são saudáveis e viciam. Antigos executivos do Facebook e WhatsApp se tornaram críticos da tecnologia. “Começaremos a perceber que ficar acorrentado ao celular é um comportamento de baixo prestígio, como fumar”, escreveu B. J. Fogg, pesquisador da Universidade Stanford. 

Mas, ao contrário de outros críticos, Eyal não acha que a tecnologia é o problema – e sim somos nós, humanos. “Falamos sobre vício, mas quando se trata do Candy Crush, é isso mesmo? Não estamos inalando Facebook ou injetando Instagram na veia”, diz ele. “Essas são coisas com relação às quais podemos fazer alguma coisa, mas preferimos pensar no que a tecnologia está fazendo por nós.”

No livro, ele traz um guia para libertar as pessoas de um vício que, acredita, elas nunca tiveram. É apenas uma rejeição da responsabilidade pessoal, em sua opinião. De modo que a solução é recuperar a responsabilidade, adotando inúmeras pequenas atitudes. 

Por exemplo: manter seu telefone no silencioso, cedendo menos às notificações. Enviar menos e-mails, mais rápidos. Não passar muito tempo no Slack. Ter apenas um laptop à mão durante reuniões. Introduzir a pressão social, por exemplo, sentando-se ao lado que alguém que pode ver sua tela. Estabelecer “pactos com preço” com pessoas, de modo que você pagará a elas se ficar distraído – mas certificar-se de “aprender” o que é compaixão antes de estabelecer o pacto

Claro que o novo livro de Eyal recebeu críticas. “A tentativa de Nir Eyal é de reverter o processo”, disse Richard Freed, psicólogo infantil que apoia que todos passem menos tempo diante da tela. “Essas pessoas que provocaram tudo isso estão tentando agora vendendo a cura. Mas eram elas que estavam vendendo a droga.”

Eyal disse que não está fazendo uma reversão. Seu modelo foi útil, certamente, e ele acreditava nas táticas. Mas não estava viciando as pessoas. É uma falha delas, afirmou, e não do Instagram, do Facebook ou da Apple. “É um desrespeito às pessoas que têm a patologia do vício afirmarem ‘ah, todos nós temos esta doença’”, disse ele. “Não, não temos”./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Mercado de computadores cresce no 3º trimestre, mas Apple perde espaço

Mesmo após atualizações nas linhas mais populares do Mac

Duas firmas de análise, a Gartner e a Canalys, divulgaram nos últimos dias seus relatórios de vendas globais de computadores no terceiro trimestre deste ano. Embora os números variem um pouco entre os dois levantamentos (já que a maioria das empresas não divulga dados precisos de vendas), a situação pintada por ambos é a mesma: as pessoas estão comprando mais máquinas — mas não necessariamente da Apple.

O relatório da Gartner mostra que a Maçã manteve o quarto lugar no mercado, com 5,1 milhões de computadores comercializados no período — uma queda em relação aos 5,3 milhões de Macs vendidos no mesmo período do ano passado. Com isso, a participação da Apple no segmento caiu de 7,9% para 7,5%; o mercado de PCs no geral, por sua vez, cresceu 1,1%.

Gartner sobre mercado global de computadores, terceiro trimestre de 2019

LenovoHP e Dell ocuparam o pódio do levantamento da Gartner, com a chinesa levando a medalha de ouro. As três viram crescimento nas suas vendas na comparação ano-a-ano, assim como a Acer, quinta colocada — ou seja, a Maçã foi a única que viu uma retração nas próprias vendas entre as cinco maiores empresas do segmento.

A Canalys, por sua vez, pintou um cenário parecido — mas com uma diferença importante: pelos números levantados por eles, a Apple também cresceu na comparação ano-a-ano. Segundo a firma, a Maçã vendeu quase 5,4 milhões de Macs no terceiro trimestre, contra pouco menos de 5,3 milhões no mesmo período do ano anterior. Isso não impediu a gigante de perder mercado, entretanto: como o mercado total de PCs cresceu num ritmo maior, a fatia da Apple caiu de 7,8% para 7,6%.

Canalys sobre mercado global de computadores, terceiro trimestre de 2019

As notícias são particularmente significativas para a Maçã porque suas duas linhas de portáteis, que representam boa parte das vendas de Macs, foram atualizadas (ainda que com poucas novidades) há poucos meses. Em outros tempos, os novos MacBooks fariam a Apple dar um salto nas vendas e conquistar números melhores, mas é possível que os consumidores não estejam mais interessados assim no que a Maçã tenha a oferecer em termos de computação — o que, naturalmente, é um abacaxi que Tim Cook e sua turma terão de descascar.

Resta saber como esse cenário ficará quando saírem os resultados do trimestre atual — especialmente considerando o prospecto do lançamento do novo Mac Pro e de um (suposto) MacBook Pro de 16 polegadas.

Opiniões?

VIA MACRUMORSAPPLEINSIDER

Com 6 milhões de posts sobre finanças desde 2018, Twitter torna-se o fórum oficial da área

Pesquisa mostra que rede social virou lugar de discussão do mundo financeiro, sendo que 20% dos usuários do País têm investimentos em títulos ou ações
Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

Twitter é a rede em que usuários mais falam do mercado financeiro 

O sentimento de que o Twitter virou um fórum para o mundo das finanças no Brasil acaba de ser provado com dados. A rede social fez uma pesquisa no País e identificou que 20% dos usuários do País têm investimentos em títulos ou ações. De janeiro de 2018 a julho de 2019 foram 6 milhões de tweets sobre finanças. O Twitter não abre o número de usuários no Brasil, mas globalmente a plataforma possui 139 milhões de pessoas ativas todos os dias. 

A pesquisa mostrou que, desses usuários com investimentos em títulos ou ações, 64% são homens, com renda mensal média de R$ 7.940, o que é 112% maior do que a renda média dos brasileiros. Deles, 50% são casados e 57% têm ensino superior. Em relação às faixas etárias, 29% tem entre 18 e 24 anos, 34% entre 25 e 34 anos, 19% entre 35 e 44 anos e 14% com mais de 45 anos. Os mais jovens também já fazem parte do grupo: 4% desse grupo tem entre 16 e 18 anos.

Essa foi a primeira pesquisa voltada ao universo de finanças realizada pelo Twitter Brasil. A pesquisa não abordou especificamente o “FinTwit”, ou melhor #FinTwit, oriundo das iniciais de “Financial Twitter”, que vem se expandindo rapidamente no Brasil.

Das conversas sobre finanças, 4,4 milhões das postagens foram sobre bancos, sendo que 55% dessas mensagens mencionavam os nomes dessas instituições financeiras, handles – o @ do banco -, ou hashtags de campanha. Segundo Camilla Guimarães, responsável pela área de pesquisa do Twitter no Brasil, o engajamento dos usuários do Twitter vem também na esteira do surgimento de fintechs, bancos digitais e os grandes bancos buscando entender o cenário. Apesar da chegada desses concorrentes, 63% das conversas são sobre os bancos.

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Lucas Andrade, da área de pesquisa do Twitter no Brasil, afirma que é possível identificar o público mais aberto às opções digitais, bem como o fato de os clientes quererem resolver seus problemas de forma independente, ou seja, com autonomia. Com relação aos bancos, levantamento também indicou que, além de independência e eficiência, é importante para os usuários, segurança de dados, experiência e cultura – no sentido de patrocínios culturais – e economia: 70% dos usuários dizem que tarifas baixas são um dos fatores mais importantes na hora de escolher um banco para abrir uma conta.

Segundo Guimarães, os usuários do Twitter que falam sobre seus bancos acabam interagindo mais sobre questões que envolvem a prestação de serviços. A pesquisa mostrou ainda que 85% dos usuários do Twitter disseram que ações de marketing dos bancos geram percepção mais positiva. Já 60% responderam que percepções mais positivas influenciam na decisão de escolher em qual banco abrir uma conta.

Em relação à satisfação, 54% disseram estar satisfeito em relação ao seu banco principal, 33% não estão satisfeitos nem insatisfeitos e 13%, contudo, afirmam estar insatisfeitos. 

Inteligência artificial permite a Pinterest reduzir em até 88% a presença de conteúdos de autoflagelação

Plataforma também removeu termos relacionados de busca e passou a oferecer central de suporte entre seus serviços
Por Matheus Fiore

Reception…

Mesmo que autoflagelo e depressão não sejam uma novidade, são tópicos que nunca estiveram em tanta evidência quanto estão hoje. Isso reflete não só nos índices de suicídio e crescimento de pessoas com transtornos psicossomáticos, mas também no conteúdo visto nas redes sociais.

Pinterest, rede social focada no compartilhamento de fotos, é uma das plataformas que mais tinha conteúdo de autoflagelo. A empresa, porém, afirma que reduziu esse conteúdo em 88% apenas com uso de inteligência artificial.

A empresa tem utilizado técnicas de aprendizado autônomo em softwares para identificar e automaticamente ocultar conteúdos que mostrem ou incitem autoflagelo. Com a tecnologia, o Pinterest consegue remover conteúdo do tipo três vezes mais rápido do que conseguia anteriormente.

Em adição ao uso do software, a empresa também está fazendo uma limpa em sua plataforma, removendo 4.600 termos e frases de busca relacionados a autoflagelo. Agora, se um usuário pesquisar pelos conteúdos removidos, será redirecionado para uma página que oferece apoio e privacidade para que a pessoa lide com a questão.

A medida é importante pois conteúdos do tipo acabam se retroalimentando e incitando outras pessoas a cometer autoflagelo. O fato de a empresa oferecer um canal de suporte também é essencial, pois garante que o assunto não vire tabu, apenas não seja incentivado ou romantizado pela comunidade.