Senadores pedem que Apple e Google interrompam a coleta de dados de aplicativos que possam identificar aqueles que buscam abortos

Eles dizem que as informações pessoais podem ser vendidas para mineradores de dados que podem repassá-las a promotores ou “até vigilantes”.
Bree Fowler

Não há nada que impeça os criadores de dados de vender dados coletados por aplicativos. Getty

Um grupo de senadores está pedindo aos CEOs da Apple e do Google que proíbam os aplicativos em suas lojas de aplicativos de coletar dados que possam ser usados ​​para identificar mulheres que buscam abortos.

A carta de sexta-feira ao CEO do Google, Sundar Pichai, e ao CEO da Apple, Tim Cook , assinada por cinco senadores democratas e independentes, vem na sequência de um  rascunho vazado de uma próxima opinião majoritária  que indica que a Suprema Corte planeja derrubar Roe v. Wade, o 1973 decisão que estabelece o direito constitucional ao aborto.

Também segue a publicação na terça-feira de uma carta separada assinada por 42 senadores democratas e independentes e membros do Congresso, pedindo ao Google que pare de coletar e reter dados de localização de seus usuários, pois poderia ser usado para identificar pessoas que desejam obter abortos.

Na carta de sexta-feira, os cinco senadores expressam preocupação de que promotores antiaborto e outros tentem acessar e alavancar informações pessoais – incluindo dados relacionados à localização, atividade online, saúde e biometria – “de maneiras que ameacem o bem-estar daqueles que exercem seu direito de escolha.”

Muitos aplicativos nas respectivas lojas da Apple e do Google coletam rotineiramente esse tipo de dados e depois os vendem para corretores, escrevem os senadores. E não há nada que impeça esses corretores de compartilhar ou vender esses dados para promotores ou “até vigilantes”, diz a carta.

Especificamente, os senadores observam que os dados sobre a fertilidade de um usuário de aplicativo, um histórico de navegação mostrando interesse em contracepção ou informações de localização mostrando que um usuário visitou um ginecologista podem ser usados ​​por aqueles “que desejam atingir, intimidar e prejudicar indivíduos que procuram abortos ou indivíduos que simplesmente tomam medidas para promover sua saúde reprodutiva”.

As cartas pedem que as empresas se comprometam a revisar e atualizar suas políticas de uso e distribuição de dados para proteger a segurança das mulheres que buscam abortos. 

Representantes da Apple e do Google não responderam imediatamente aos e-mails pedindo comentários.

Os signatários da carta de sexta-feira foram os senadores democratas Edward Markey e Elizabeth Warren, ambos de Massachusetts: Cory Booker, de Nova Jersey; e Ron Wyden de Oregon; e o senador Bernie Sanders, um independente de Vermont.   

VIA CNET

Apple estaria atuando por leis de privacidade mais brandas nos EUA

A Apple vem apostando fortemente em um discurso de proteção à privacidade dos usuários — tanto que lançou recursos como a Transparência no Rastreamento em Apps (App Tracking Transparency, ou ATT) e a Retransmissão Privada (Private Relay) do iCloud+ em versões recentes dos seus sistemas operacionais.

Porém, enquanto premia usuários com mais opções para proteger seus dados no mundo virtual, a Maçã estaria trabalhando ativamente através de lobistas para aprovar leis estaduais de privacidade mais brandas nos Estados Unidos. Tal estratégia teria sido seguida também por outras gigantes de tecnologia, como AmazonGoogleMeta e Microsoft.

Essas empresas se aproveitam do fato de que, nos EUA, não há uma legislação federal única para proteção de dados online — como a LGPD (no Brasil) e a GDPR (na Europa) —, de modo que há uma divergência entre os estados sobre até onde as leis devem atuar quanto a esse tema.

Leis aprovadas em alguns estados, inclusive, contam com texto explicitamente escrito por empresas de tecnologia e seus lobistas, de modo que um senador estadual chegou a admitir que um projeto de lei de privacidade foi fornecido por uma dessas empresas. As informações são do The Markup, o qual relatou ocorrências envolvendo 445 lobistas e empresas de lobby em 31 estados.

Enquanto a polêmica é escancarada, as empresas envolvidas seguiram caminhos diferentes quanto a um posicionamento. Enquanto o Google afirmou que o apoio a certos grupos de lobistas não significa um endosso a toda a agenda das organizações, Apple e Amazon optaram por não se pronunciar. [MacMagazine]

Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações

Investidores do Twitter processam Elon Musk por manipulação de ações
Por Agências internacionais – Reuters

Aquisição do Twitter por Elon Musk está suspensa, até que o bilionário e a empresa cheguem a um acordo sobre as contas falsas na plataforma

Investidores do Twitter foram à Justiça nesta quinta-feira, 26, para processar Elon Musk, fundador da montadora de carros elétricos Tesla e que, em abril, fechou um acordo para comprar a rede social de mensagens curtas por US$ 44 bilhões.

Segundo o processo, o bilionário é acusado de manipular negativamente o preço das ações da plataforma antes de anunciar o interesse na aquisição. Os investidores atestaram que o bilionário “economizou” cerca de US$ 156 milhões ao omitir, até 14 de março, a informação de que havia comprado 5% do Twitter.

A ação é coletiva e os investidores pedem uma quantia não especificada por danos punitivos e compensatórios.

Os investidores também nomearam o Twitter como réu, argumentando que a empresa tinha a obrigação de investigar a conduta de Musk. Eles, porém, não buscam indenização da rede social.

O grupo de acionistas disse que Musk continuou a comprar ações depois disso e, finalmente, divulgou no início de abril a fatia de 9,2% na empresa, de acordo com o processo aberto na última quarta-feira no tribunal federal da cidade americana de São Francisco, na Califórnia.

“Ao adiar a divulgação de sua participação no Twitter, Musk se envolveu em manipulação de mercado e comprou ações do Twitter a um preço artificialmente baixo”, disseram os investidores, liderados por William Heresniak.

No processo, os investidores disseram que a recente queda das ações da Tesla, na qual Musk é presidente executivo, colocou a capacidade do bilionário de financiar a aquisição do Twitter em “grande perigo”, já que ele deixou suas ações como garantia aos empréstimos necessários para a aquisição.

As ações da Tesla estavam sendo negociadas a cerca de US$ 705 cada na tarde desta quinta-feira, contra mais de US$ 1.000 no início de abril.

Os investidores também afirmaram que as críticas públicas de Musk ao Twitter, incluindo um tuíte de 13 de maio afirmando que o acordo para compra estava “temporariamente suspenso” até a empresa provar que as contas falsas representam menos de 5% de seus usuários, equivalem a uma tentativa de derrubar ainda mais o preço das ações.

Musk e seu advogado não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O Twitter não comentou.

Inflação e sindicatos fazem Apple aumentar salários nos EUA

Em meio a uma relação no mínimo fragilizada com funcionários que desejam se sindicalizar e a subida da inflação nos Estados Unidos, a Apple decidiu aumentar o salário de seus funcionários varejistas e corporativos, de acordo com informações da Bloomberg. Com isso, o valor (por hora) para os trabalhadores do varejo subirá de US$20 para US$22 — embora em algumas regiões o piso seja maior.

Como destacado pelo repórter Mark Gurman, a Apple geralmente reajusta seus pagamentos por volta de setembro; neste ano, a mudança foi antecipada para julho a fim de (certamente) conter as tentativas de sindicalização.

A Apple está aumentando os salários para [funcionários] corporativos e varejistas. Os aumentos ocorrem normalmente em torno de setembro e agora serão antecipados para julho. O pagamento mínimo de varejo está aumentando 10%, de US$20 para US$22 ou mais, dependendo da localização. Movimento ocorre em meio à inflação, ao mercado de trabalho mais apertado e à sindicalização do varejo.

A Apple está aumentando os salários para [funcionários] corporativos e varejistas. Os aumentos ocorrem normalmente em torno de setembro e agora serão antecipados para julho. O pagamento mínimo de varejo está aumentando 10%, de US$20 para US$22 ou mais, dependendo da localização. Movimento ocorre em meio à inflação, ao mercado de trabalho mais apertado e à sindicalização do varejo.

O aumento foi anunciado apenas algumas horas depois que uma loja da Apple em Louisville (Kentucky) também anunciou planos de sindicalização. Como informamos, a Maçã se opôs a essas tentativas de diversas formas — e, mais recentemente, por meio de um vídeo interno no qual a vice-presidente sênior de pessoas e varejo, Deirdre O’Brien, fez um apelo aos funcionários.

Em uma declaração fornecida ao Wall Street Journal, a Apple comentou que “apoiar e reter os melhores membros da equipe do mundo nos permite oferecer os melhores e mais inovadores produtos e serviços para nossos clientes”.

A Apple tem aproximadamente 154.000 funcionários em tempo integral ou equivalente, de acordo com registros regulatórios. Além disso, seu salário mínimo está acima da média nacional dos EUA, que tem sido de US$7,25/hora desde 2009.

Musk precisa levantar mais US$ 6,25 bi para comprar Twitter após perder empréstimo

Bilionário busca levantar capital adicional com acionistas do Twitter
Nikou Asgari
Antoine Gara
Ortenca Aliaj

Elon Musk

NOVA YORK | FINANCIAL TIMES – Elon Musk precisará levantar mais capital para financiar sua compra do Twitter por US$ 44 bilhões, depois de deixar que uma linha de crédito de US$ 6,25 bilhões garantida por suas ações na montadora de carros elétricos Tesla expirasse.

Após a perda da linha de crédito, o montante de capital que Musk precisa garantir para concluir a transação está agora em US$ 33,5 bilhões, de acordo com documentos encaminhados por ele às autoridades regulatórias dos EUA nesta quarta-feira (25).

Essa é a mais recente reviravolta no esforço de Musk para comprar o Twitter. No início do mês, o presidente-executivo da Tesla alimentou especulações de que estava planejando abandonar a transação, depois de afirmar que ela “não podia seguir em frente” sem que a companhia oferecesse provas quanto ao seu número de contas falsas. Ele mais tarde acrescentou que “continuava a manter seu compromisso para com a aquisição”, mas indicou que pode desejar renegociar o preço de compra.

Musk está buscando levantar capital adicional para sua oferta pedindo a acionistas do Twitter, como Jack Dorsey, um dos fundadores da empresa, que convertam e incluam suas participações acionárias na transação, o que reduziria a quantia que ele teria de colocar no negócio.

A linha de crédito, originalmente em valor de US$ 12,5 bilhões, foi reduzida à metade neste mês quando Musk obteve US$ 7,14 bilhões de um elenco de investidores, entre os quais Larry Ellison, o bilionário fundador da Oracle; a bolsa de criptomoedas Binance; e o grupo de capital para empreendimentos Sequoia Capital.

Financiar a transação sem a linha de crédito vai reduzir a pressão sobre as ações da Tesla, que perdeu US$ 125 bilhões em valor de mercado um dia depois que a aquisição do Twitter foi anunciada. As ações da montadora de carros elétricos caíram em 25% desde o anúncio da transação.

Ao anunciar seu pacote de financiamento de US$ 46,5 bilhões para a compra do Twitter, Musk obteve linhas de crédito de uma dúzia de instituições de empréstimo, lideradas pelo banco Morgan Stanley, oferecendo US$ 62,5 bilhões em suas ações da Tesla como garantia.

Eliminar esse componente do acordo e elevar a quantia em dinheiro de que ele precisaria para bancar a transação vai resultar em atenção redobrada a como Musk planeja bancar essa porção da transação.

As ações do Twitter vêm sendo negociadas bem abaixo do preço de US$ 54,20 pelo qual Musk fechou seu acordo de aquisição. Depois da mais recente revelação do empreendedor, na quarta-feira, elas subiram em mais de 5% em transações posteriores ao fechamento do mercado, atingindo a cotação de US$ 39,20.

A tomada de controle do Twitter por Musk, uma transação de US$ 44 bilhões, seria uma das maiores aquisições alavancadas já realizadas e vem causando controvérsia desde o primeiro momento. O chefe da Tesla anunciou que permitiria que o ex-presidente americano Donald Trump voltasse à plataforma, avaliaria as regras de moderação de conteúdo que estão em vigor e combateria a proliferação de “bots”.

Tradução de Paulo Migliacci

‘Daqui a cinco anos, a gente se fala’, diz Vélez, do Nubank, sobre queda nas ações

Papéis do banco digital acumulam perda de 65% neste ano
Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

No Fórum Econômico Mundial, David Vélez, fundador do Nubank, mostrou que a forte queda das ações do banco digital não abalaram seus planos  Foto: Paulo Whitaker/ Reuters

DAVOS – A forte queda das ações do Nubank, que este ano acumulam perda de 65%, não abalou os planos de David Vélez, fundador do banco digital. “Nossa tese não mudou”, disse a um pequeno grupo de jornalistas brasileiros no Fórum Econômico Mundial, em Davos. “Daqui a cinco anos, a gente se fala”, completou, emendando que a estratégia do banco digital é de longo prazo.

Só na América Latina, há 240 milhões de pessoas fora do sistema financeiro, disse Vélez. Ao mesmo tempo, o mercado bancário da região é de US$ 1 trilhão.

“O modelo de um banco digital é muito mais rentável do que o de um banco tradicional, que não tem agências.” Por isso, esse US$ 1 trilhão vai aumentar “exponencialmente”, completou Vélez. Mas para isso, leva tempo. “O jeito de entender a gente é o longo prazo. Continuamos focados na construção dessa estratégia.”

No curto prazo, ressaltou o executivo, tem o ambiente mais adverso, que está penalizando as fintechs e empresas de tecnologia no mundo todo. Perguntado sobre a perspectiva de recuperação dos preços das ações do Nubank, ele evitou falar.

Vélez ressaltou que a instituição está com bons resultados, crescendo, chegou a 60 milhões de clientes, mas ainda “é uma formiguinha”. Por ora, o foco da operação é Brasil, Colômbia e México. Só no Brasil, são 57 milhões de clientes. No México, é o maior emissor de cartões e, na Colômbia, há uma lista de espera de 1 milhão de pessoas interessadas no cartão. “Estamos muito à frente no digital. Essa tese não muda.”

Remuneração

Sobre a polêmica gerada pela remuneração da diretoria do Nubank, de R$ 802 milhões, por ser um valor muito acima da média dos bancos brasileiros, e dos quais Vélez ficará com a maior parte, o executivo disse que “é tudo ou nada”. Ou seja, esse valor vai depender do desempenho do banco. Se não for atingido, esse valor não existe.

Pela primeira vez em Davos, Vélez disse que o evento é uma oportunidade de ter contatos com outras fintechs, investidores internacionais e falar de parcerias. Ele contou que o Nubank investiu em um banco na Índia e no Paquistão e sempre recebe contatos de empreendedores de outros países querendo saber da história do Nubank para montar algo parecido em seus países.

Ignorado

Vélez fundou o Nubank em São Paulo e, segundo ele, por muito tempo foi ignorado pelos bancões. “Ninguém olhava a gente por três ou quatro anos”. Neste momento, o executivo citou uma frase atribuída a Gandhi: primeiro te ignoram; depois riem de você; depois brigam com você e depois você ganha.

No curto período de vida do Nubank, Vélez contou que o banco digital já passou por diversas crises no Brasil, desde os ruídos políticos que levaram ao impeachment da Dilma Rousseff, pela recessão e pelos anos de baixo crescimento.

Twitter encara acionistas em primeira assembleia anual pós Musk

A assembleia, que acontece todos os anos com investidores da empresa, quer conversar sobre o futuro do Twitter sem discutir o acordo com Elon Musk

Twitter enfrentará acionistas céticos nesta quarta-feira, 25, na sua primeira assembleia anual após o processo de negociação da venda da plataforma para Elon Musk. O acordo de US$ 44 bilhões, que está temporariamente suspenso, ainda levanta dúvidas sobre sua conclusão pelo bilionário, que exige provas da quantidade de contas falsas existentes na rede social.

Apesar do anúncio público de Musk de que estava pausando as negociações, o Twitter afirmou que continua comprometido com o acordo pelo preço combinado. No entanto, os investidores não pareceram convencidos, já que as ações do Twitter fecharam na terça-feira, 24, em US$ 35,76 cada, representando um desconto de 34% em relação ao preço proposto por Musk, de US$ 54,20 por ação.

O encontro anual, que acontece virtualmente, vai dispor de uma sessão de perguntas e respostas entre executivos e investidores. A empresa, porém, afirmou que não vai atender a questionamentos que sejam relacionados à compra do Twitter por Musk. Com o negócio incerto, o bilionário também não deve estar presente na reunião.

Os investidores do Twitter devem votar cinco propostas de acionistas, que incluem pedir à empresa que produza um relatório sobre seu impacto nos direitos civis e outro sobre suas atividades de lobby. A administração se opõe a todas as propostas./COM REUTERS

WWDC22: evento presencial tem novas medidas contra COVID-19

Como muitos já devem estar bem cientes, a WWDC22 (que acontecerá daqui a pouco mais de uma semana) ocorrerá de forma virtual.

Steve Jobs Theater, no Apple Park

Este ano, porém, a Maçã decidiu convidar alguns desenvolvedores para acompanhar a keynote de abertura no Apple Park, os quais precisarão aderir a regras mais rígidas de prevenção ao novo Coronavírus (COVID-19) do que aquelas já anunciadas.

Em emails enviados aos desenvolvedores selecionados, a Apple informou que será necessário usar máscaras N95 em ambientes fechados e que um teste negativo de antígeno feito no dia anterior será exigido. Os participantes deverão enviar seus resultados para a companhia antes de chegarem ao ‌Apple Park‌.

Anteriormente, o site da Apple orientava que os desenvolvedores apresentassem testes feitos até três dias antes do evento e que as máscaras seriam opcionais. As novas exigências refletem o crescente número de casos de COVID-19 na Califórnia e em outros estados americanos.

Justamente devido a esse aumento de casos, surgiram especulações de que a Apple poderia cancelar o evento presencial — principalmente após a empresa adiar os planos de retorno presencial aos escritórios durante três dias por semana; mas, pelo visto, tudo ocorrerá como planejado, apenas com protocolos de proteção mais rígidos.

VIA MACRUMORS

Airbnb vai encerrar operações na China continental a partir de julho

Empresa se junta a outras companhias que saíram do país por divergências com censuras governamentais
Por Agências – Reuters

Empresa se junta a uma longa lista de empresas ocidentais, como Linkedin e Yahoo, que se retiraram da China nos últimos meses

Airbnb decidiu nesta terça-feira, 24, encerrar todos os anúncios e experiências na chamada China continental a partir de 30 de julho, de acordo com o canal americano CNBC. A empresa se junta a uma longa lista de plataformas de internet ocidentais que optaram por sair do mercado chinês.

A empresa fez o anúncio em sua conta oficial do WeChat sem detalhar as razões por trás da decisão. A empresa com sede em San Francisco disse que os usuários chineses ainda poderão reservar apartamentos e experiências no exterior. 

“Tomamos a difícil decisão de reorientar nossos esforços e suspender nossas casas e experiências de anfitriões na China, a partir de 30 de julho de 2022”, escreveu o cofundador do Airbnb, Nathan Blecharczyk.

O jornal chinês Global Times, citando uma fonte próxima à empresa, disse que o Airbnb decidiu fechar o negócio doméstico porque era muito caro e complexo de operar, o que foi ainda mais exacerbado pela pandemia de covid-19. O Airbnb não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.

A empresa se junta a uma longa lista de empresas ocidentais de internet, como Linkedin Yahoo, que se retiraram da China nos últimos meses. O território, em uma divisão política, representa a parte do continente do país, excluindo áreas como Hong Kong, Macau e a ilha de Taiwan.

Quase todas as principais plataformas de internet ocidentais, incluindo Google Facebook, deixaram de fornecer serviços para usuários finais na China continental, citando razões que englobam a dificuldade operacional no país, por conta de diversos mecanismos de censura do governo.

Os esforços da China para conter a disseminação da covid-19 também levaram a interrupções nos negócios em todo o país, com várias cidades fechadas, incluindo o principal centro econômico de Xangai.

O jornal americano New York Times informou que o Airbnb removeria cerca de 150 mil locações na China, dos seis milhões que possui em todo o mundo. As estadias na China representaram cerca de 1% dos negócios do Airbnb nos últimos anos, segundo os relatórios.

Fundada em 2008, a Airbnb começou a prestar serviços na China continental em 2015. A empresa fez esforços para localizar seus serviços, incluindo integração com plataformas chinesas como WeChat, da Tencent.

A empresa chinesa de aluguel por temporada de Meituan, Meituan Minsu, disse na terça-feira que formou uma equipe especial para ajudar os anfitriões existentes do Airbnb a colocar anúncios em sua plataforma. O Tujia, outro app de aluguel de casas, fez um anúncio semelhante no início do dia.

As ações do Airbnb subiram 0,7% nas negociações de segunda-feira, 23, na Nasdaq, mas recuaram 1,6% nas negociações pós-mercado.