Como se faz espionagem digital

A China está em posição de vantagem para implantar o maior esquema de espionagem

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China é suspeita de espionar americanos por meio de chips em computadores

Uma história absurda de tão grande, publicada na última edição da Bloomberg Businessweek, tem chamado bem menos atenção do que deveria. Porque, no Vale do Silício, é o tema dominante. Se for confirmada, estamos perante a maior operação de espionagem digital da história. E toda lógica do livre mercado promovida pela globalização entra em xeque. No centro da discussão, está uma dúvida fundamental: é possível confiar na China para fabricação de hardware? Porque, se não for, vai ser produzido onde?

Mas o problema é : a Bloomberg pode ter cometido um grave erro de apuração.

Segundo a reportagem, em 2015, ao comprar um software de compressão de vídeo para seu sistema de streaming de séries e filmes, a Amazon esbarrou num problema gigante. Os programas rodam em servidores da Supermicro, empresa que só nos EUA produz computadores de grande porte para mais de 30 companhias. Os responsáveis por uma auditoria de segurança contratados pela Amazon, porém, descobriram nestas máquinas um chip mínimo, do tamanho da ponta de um lápis, que não estava no projeto original. Um chip espião.

O processo de fabricação de apetrechos digitais não tem nada de simples. Envolvem uma série de fabricantes e montadores em inúmeros países diferentes. E o problema localizado pelos consultores da Amazon estava na placa mãe dos servidores. Uma placa montada na China com componentes colhidos de inúmeros fabricantes.

A Supermicro é uma empresa curiosa. A maioria das companhias que trabalham com servidores pesados têm suas máquinas no parque. Americana, sediada em San José, na ponta do Vale do Silício, é toda comandada por executivos chineses e tocada por engenheiros chineses. Uma empresa americana na qual a cultura interna é estrangeira. Não é a única — num país de capitalismo multicultural como os EUA, é até razoavelmente comum.

O mínimo chip espião não estava no projeto das placas mães. Mas veio assim do fornecedor estrangeiro e, de tão pequeno, ninguém reparou que ali havia um intruso. E, no entanto, uma vez ligada a máquina, este chip começava a enviar para algum ponto da China informações sobre o que passava por aquele servidor. Segundo a Bloomberg, a Amazon localizou o problema e informou ao FBI de presto. Só que a Amazon nega terminantemente a história.

A revista afirma que a Apple também descobriu o problema, quando um de seus engenheiros percebeu uma anomalia no comportamento do tráfego de sua nuvem. Aqueles envios contínuos para um ponto estranho do planeta de dados. Os planos eram de comprar 30 mil servidores da Supermicro. Foram abortados. A Apple também nega — terminantemente — ter descoberto qualquer coisa do tipo.

Na terça, a Bloomberg apresentou um novo personagem à narrativa. É Yossi Appleboum, um especialista israelense que apresentou aos jornalistas documentos detalhados pelos quais mapeia como ele e sua equipe descobriram outro chip espião em servidores Supermicro. No seu caso, o cliente espionado era uma das principais empresas de telecomunicações americanas. Ele não revela qual.

Sem mais confirmações, é uma história de deixar qualquer um inseguro. A China, porém, está se fechando. Muitas das grandes empresas de tecnologia por lá têm participação estatal, ou então oficiais das Forças Armadas em seus conselhos ou direção. Como os fabricantes são muitos, é virtualmente impossível detectar em que momento da montagem um espião assim foi colocado.

Boa parte de nosso hardware é produzido por lá. O país está em posição de vantagem para implantar o maior esquema de espionagem digital existente. Pedro Doria – O Estado de S.Paulo

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Facebook deleta centenas de contas que disseminavam desinformação nos EUA

A empresa disse que comportamentos caça-cliques sobre assuntos políticos estão aumentando; a rede social disse que foi o comportamento das contas, e não o conteúdo, que motivou a remoção das contas.

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O Facebook vem sendo duramente criticado por interferir nas eleições de 2016 nos Estados Unidos

A rede social Facebook disse nesta quinta-feira, 11, que deletou 559 páginas e 251 perfis que, segundo a empresa, disseminam desinformação e spam na plataforma – a maioria delas sobre assuntos políticos. A decisão acontece semanas antes das eleições indiretas dos Estados Unidos. De acordo com o jornal The New York Times, as contas eram administradas por americanos.

Segundo uma postagem do blog do Facebook, as contas problemáticas usam estratégias como criar perfis falsos e multiplicar contas com o mesmo nome para gerar mais tráfego na rede, com o objetivo de aumentar curtidas, compartilhamentos – ou seja, inflam artificialmente o engajamento e a popularidade dentro da plataforma. De acordo com a rede social, as contas deletadas infringem as políticas da plataforma contra conteúdo e spam “não autênticos”.

A empresa disse que foi o comportamento das contas, e não o conteúdo, que motivou a remoção das contas. Apesar de o Facebook fazer referência ao aumento de contas desse tipo que disseminam “conteúdo político sensacionalista”, ele não fala que esse foi o motivo da remoção.

O Facebook disse que as contas como as que foram deletadas nesta quinta-feira, 11, estão “cada vez mais” promovendo um conteúdo político e que “muitas vezes não dá para diferenciá-las de um debate político legítimo”

“Esses comportamentos têm tipicamente uma motivação financeira, não política”, disse a empresa. O Facebook afirmou também que apesar de comportamentos caça-cliques tradicionalmente aparecerem em assuntos como desastres naturais ou fofocas de celebridades, hoje a busca por audiência usa bastante conteúdos políticos.

Esforço. O Facebook vem sendo duramente criticado por interferir nas eleições de 2016 nos Estados Unidos – em março deste ano ano, foi revelado que a consultoria Cambridge Analytica usou dados pessoais de 87 milhões de usuários numa tentativa de manipular as eleições americanas em 2016. Depois disso, a rede social vem se esforçando para criar recursos e tomar medidas para evitar que o problema se repita.

Em outras ocasiões o Facebook deletou centenas de páginas falsas que disseminavam desinformação sobre política em países como o Rússia e Irã. No Brasil, em julho deste ano, a empresa retirou do ar uma rede de 196 páginas e 87 perfis pessoais relacionados ao Movimento Brasil Livre (MBL), após uma investigação que detectou contas abertas com identidades falsas.

Apple compra licença da fabricante de chips Dialog por US$ 600 milhões

Empresa anglo-alemã desenha semicondutores que gerenciam energia para o iPhone
Por Agências – Reuters

James Murdoch pode substituir Musk na presidência do conselho da Tesla, diz jornal Financial Times 

James Murdoch, filho de Rupert Murdoch, é o presidente executivo da 21st Century Fox; ele sinalizou que quer o posto, segundo a reportagem
Por Agências – Reuters

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Diretor executivo da 21st Century Fox, James Murdoch

O diretor executivo da 21st Century Fox, James Murdoch é o principal candidato para substituir Elon Musk na presidência do conselho da Tesla, informou o jornal Financial Times nesta quarta-feira, 10, citando duas pessoas familiarizadas com o assunto.

James Murdoch, que é filho de Rupert Murdoch, deixará o comando 21st Century Fox assim que o grupo de mídia concluir a venda de grande parte de seus ativos para a Walt Disney. Ele deve ser sucedido por seu irmão Lachlan Murdoch na direção da empresa.

Murdoch já teria sinalizado que quer o posto, segundo a reportagem. A agência de notícias Reuters não conseguiu contatar James Murdoch para comentar. A Tesla e a 21st Century Fox não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Acordo. No mês passado, a Tesla e o Elon Musk fecharam um acordo com o órgão regulador das empresas listadas em bolsa nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Comission (SEC), depois que Musk foi processado por fraudar tuítes sobre a saída da Tesla da Bolsa.

O acordo prevê o pagamento de uma multa de US$ 40 milhões – US$ 20 milhões pela Tesla e US$ 20 milhões pelo seu presidente executivo –, além do afastamento de Musk da presidência do conselho de administração da companhia.

Google promete acabar com as ligações de telemarketing

Ferramenta para Android escaneia ligações e permite que usuário marque o número indesejado como “spam”
Por Ariane Alves

Sem título
Liza Ma, diretora de produto do Google, apresenta o “Call Screen” (Google/Reprodução)

São Paulo — Quem adquirir o Pixel 3, novo modelo da linha de smartphones do Google, contará com um aliado na tarefa de se livrar das irritantes ligações de telemarketing. A empresa apresentou nesta semana uma nova funcionalidade capaz de escanear mensagens automáticas e reconhecer números suspeitos.

Chamada de “Call Screen”, a ferramenta faz parte do Google Assistente e estará presente em todos os celulares da linha Pixel, que possui sistema Android, até novembro.

A medida aprimora a interação do usuário com as ligações e é um passo além de apenas saber de antemão o número de quem está do outro lado da linha.

Quando ativado, o “Call Screen” responde a ligação de forma automática para o dono da linha e transcreve a resposta da outra pessoa na tela em tempo real.

Os modelos atuais do Google Pixel já contam com funções inteligentes para prever chamadas de possíveis equipes de vendas, classificando os números como suspeitos de serem “spam” e permitindo o filtro por parte dos usuários, como é o caso de smartphones da Samsung.

Subestimando o inimigo

Apesar de promissora, a função pode não surtir o efeito esperado na vida real. Isso porque as operadoras de telemarketing fazem de tudo para driblar sistemas de reconhecimento e obter êxito em suas ostensivas tentativas de realizar o maior número de vendas possível.

Muitos serviços de telemarketing rastreiam os números que atendem as ligações – como seria o caso de quem ativasse o “Call Screen” – e os classificam para receber ainda mais ligações. Além disso, muitos optam por submeter seus números a sistemas que escondem a verdadeira identidade do dono das chamadas, dificultando o reconhecimento pelos telefones que as recebem.

Pelo jeito, o resultado do esforço do Google para assegurar que seus clientes não sejam importunados terá que ser visto na prática.

O Google Pixel 3, assim como seus antecessores, não tem previsão de lançamento oficial no Brasil.

Confira o vídeo oficial (em inglês) de divulgação do “Call Screen”:

Snapchat anuncia séries originais para conquistar usuários

A rede social fez parceria com produtoras e escritores de Hollywood; os seriados terão novos episódios diários, serão exibidos na vertical e serão curtos
Por Agências – Reuters

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Desde o começo do ano, as ações da empresa Snap caíram 52%

O Snapchat, rede social conhecida pelas suas mensagens efêmeras, anunciou nesta quarta-feira, 10, que o aplicativo exibirá séries originais em parceria com produtoras e escritores de Hollywood.

Os seriados terão novos episódios diários, serão exibidos na vertical e serão curtos – para se adequar à visualização em celulares, os episódios terão duração de cinco minutos. Para assistir aos episódios, os usuários podem acessar a página de perfil do programa na rede social.

Uma das atrações será a série de documentários Growing Up is a Drag, sobre o amadurecimento de estrelas adolescentes, produzido por Bunim/Murray, a produtora por trás do reality show de sucesso Keeping Up with the Kardashians.

Os episódios incluirão seis segundos de publicidade, assim como os shows que já existem no Snapchat, que reproduzem conteúdos de parceiros como a Discovery.

Reação. O Snapchat tem lutado para atrair novos usuários, após os rivais Facebook e Instagram introduzirem recursos semelhantes aos do Snapchat em seus próprios aplicativos. Desde o começo do ano, as ações da empresa Snap caíram 52%.

Facebook lança ‘botão de contexto’ no Brasil

Ferramenta quer dar mais informações para que usuários possam saber o que ler, confiar e compartilhar. Recurso passa a ser disponível também no México, Argentina e Colômbia.

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Botão de contexto’ permite ao usuário checar mais informações sobre um artigo compartilhado no Facebook — Foto: Divulgação/Facebook

O Facebook lançou nesta terça-feira uma nova ferramenta que permitirá que usuários no Brasil, México, Argentina e Colômbia chequem mais informações quando um artigo é compartilhado na rede social.

Segundo a empresa, em artigo oficial, a ideia por trás da ferramenta é “proporcionar mais contexto às pessoas, para que elas possam decidir por si mesmas o que ler, confiar e compartilhar.”

Chamado de “botão de contexto”, o novo recurso permite que os usuários do Facebook possam checar mais informações sobre um artigo compartilhado, como descrição do veículo na Wikipedia, artigos relacionados sobre o mesmo tópico e informações de dados de compartilhamento daquele artigo específico.

Recentemente o Facebook passou por forte escrutínio de legisladores nos Estados Unidos e na Europa, depois que a rede social foi usada para influenciar resultados em eleições americanas. O escrutínio é resultado do escândalo da empresa Cambridge Analytica, que acessou indevidamente os dados de 87 milhões de usuários. Com essas informações em mãos, a firma, que trabalhava para a campanha de Donald Trump à presidência dos EUA em 2016, criou mecanismos para rastrear o posicionamento político dessas pessoas e conseguir mudá-lo.

Desde então, o Facebook tem investido em ferramentas que aumentem a segurança na rede e ajudem a diminuir a difusão de boatos.

A nova ferramenta já estava em teste nos EUA desde o ano passado e agora foi expandida para os países da América Latina.

Além dos recursos testados originalmente, o Facebook está disponibilizando duas novas informações: “compartilhado por amigos”, que mostrará quais amigos compartilharam o artigo; e “mais sobre este link”, que dará uma amostra de outras histórias publicadas pelo mesmo veículo.

“Também iniciamos um pequeno teste nos EUA para ver se é mais fácil avaliar a credibilidade de um artigo quando fornecemos mais informações sobre o autor dele”, dizia o artigo, que foi assinado por Taylor Hughes, engenheiro de software, Jeff Smith, designer de produto, e Alex Leavitt, pesquisador de experiência de usuário.