“Guerra na neve” é o foco do novo comercial da Apple filmado com o iPhone

Dando sequência à sua campanha “Filmado com iPhone” (“Shot on iPhone”) — o último comercial mostrou uma aventura nos desertos da Arábia Saudita —, a Apple publicou hoje um novo, agora focado nas festividades natalinas.

Uma cinemática luta com bolas de neve Filmada no iPhone 11 Pro pelo diretor David Leitch.

Intitulado “Snowbrawl”, nele temos uma luta cinematográfica com bolas de neve filmada com o smartphone topo-de-linha da Maçã e dirigida por David Leitch.

Além do filme, a Apple publicou também um making of da produção:

Veja os bastidores com o diretor David Leitch, enquanto ele transforma uma luta de bolas de neve em um épico filme de ação.

Lembrando também que a Maçã já soltou o seu comercial de Natal de 2019 — e que não tem nada a ver com guerras de bolas de neve, por sinal.

Tim Cook, Elon Musk, Satya Nadella, Sundar Pichai e outros CEOs pedem que Trump mantenha EUA no Acordo de Paris

Desde que Donald Trump anunciou suas intenções de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, o importante tratado climático assinado em 2015, as reações choveram de todos os lados. No Vale do Silício, especificamente, a notícia foi encarada com muita negatividade: vários executivos importantes expressaram contrariedade em relação à saída, e a Apple garantiu que continuaria comprometida com os termos do acordo mesmo com a saída dos EUA.

Agora, mais de dois anos depois (e com o governo americano nas tratativas finais para deixar o acordo), vários CEOs e figuras importantes do mundo empresarial americano se juntaram para assinar uma carta endereçada a Trump. O motivo ainda é o mesmo: pedir que o presidente reconsidere a decisão, citando argumentos como geração de empregos, o apoio da população americana ao tratado e a posição de liderança — e consequente responsabilidade — dos EUA perante os mercados globais e os ecossistemas do planeta.

Tim Cook esteve entre os 70 signatários da carta, assim como Satya Nadella (da Microsoft), Elon Musk (da Tesla), Sundar Pichai (do Google), Bob Iger (da Disney), Richard Branson (da Virgin), Enrique Lores (da HP), Ginny Rometty (da IBM) e David Solomon (do banco Goldman Sachs). Temos também presença brasileira no documento, com a assinatura de Roberto Marques, da Natura.

Abaixo, traduzimos alguns pontos importantes da carta:

Em 2017, muitos de nós nos unimos para apoiar a permanência dos EUA no Acordo de Paris. Nós nos juntamos novamente para dizer que ainda estamos dedicados a isso. Dois anos atrás, os impactos da subida da temperatura global eram evidentes. Hoje, com recordes de temperaturas ao redor do país, furacões mais fortes devastando as costas, incêndios florestais ainda mais destrutivos e enchentes/secas perturbando a economia, não temos tempo a perder.

Dois anos atrás, nós sabíamos que apoiar o Acordo de Paris era o necessário para manter nossas empresas competitivas e bem-sucedidas de acordo com as novas expectativas do povo americano. Nós estamos do lado de 77% dos eleitores registrados dos EUA e mais de 4.000 estados, cidades e negócios do país que apoiam o acordo.

Hoje, nós reforçamos nossa convicção de que um comprometimento com o Acordo de Paris requer uma transição justa da força de trabalho — uma transição que respeite os direitos do trabalhador e seja conquistada por meio do diálogo com os empregados e os seus sindicatos. A participação no acordo permite que nós planejemos uma transição lista e criemos novos empregos decentes e a oportunidade econômica para que famílias se sustentem.

[…] Houve progresso, mas não o suficiente. Este momento exige ações maiores e mais rápidas do que nós temos visto. Ele exige as diretrizes fortes oferecidas pelo Acordo de Paris, que permitem aos EUA a liberdade de escolher seu próprio caminho para a redução de emissões.

Cook reforçou a mensagem com uma publicação no seu Twitter:

A humanidade nunca enfrentou um desafio tão grande ou urgente quanto as mudanças climáticas — e trata-se de um desafio que devemos encarar juntos. A Apple continuará seu trabalho para deixar o planeta melhor do que nós o encontramos e para produzir ferramentas que encorajem outras pessoas a fazer o mesmo.

Resta saber, agora, se a mensagem surtirá algum efeito perante Trump e sua turma. Vamos torcer que sim.

VIA APPLE WORLD TODAY

Da produção de tecnologia ao showbusiness: as fronteiras da Apple

A multinacional norte-americana está pronta para brigar com Netflix, Amazon e Disney na indústria do entretenimento e do streaming
John Koblin, The New York Times

A Apple mudou o seu foco para a criação de conteúdo, e não apenas de produtos. O diretor executivo Tim Cook, em outubro. Foto: Angela Weiss/Agence France-Press

Depois de tudo – dos bilhões gastos, dos acordos com o Big Bird (Sesame Street), Oprah e Steven Spielberg, a demissão de um produtor fundamental, o sigilo – chegou o momento. A Apple está pronta para brigar com NetflixAmazon e Disney na indústria do entretenimento cada vez mais repleta de atores.

A gigante da tecnologia fez o seu ingresso formal no showbusiness no dia 28 de outubro com uma estreia, sem limite de gastos, no Lincoln Center, em Nova York, de The Morning Show, uma série ambientada no universo da televisão com estrelas do calibre de Reese Witherspoon e Jennifer Aniston. Com a Apple TV Plus, ao vivo no dia 1º de novembro, a gigante do Vale do Silício mudou o seu foco  para a produção de conteúdo em lugar de criar apenas produtos tecnológicos. O serviço de streaming custa US$ 5 ao mês ou será gratuito durante um ano na compra de um novo dispositivo da Apple.

Dirigida pelos veteranos executivos de Hollywood Zack Van Amburg e Jamie Erlicht, a Apple TV Plus convidou Oprah Winfrey, J.J. Abrams,  M. Night Shyamalan e Spielberg entre outros.

Em grande parte, isto é decorrência do sucesso de The Morning Show, que ancora a primeira série de programas de streaming e de filmes da companhia. A Apple pagou cerca de US$ 240 milhões por um acordo de duas temporadas, com 20 episódios. As primeiras críticas que chegaram à internet foram discordantes.

Além desta, outras séries da Apple incluem Dickinson, estrelada por Hailee Steinfeld no papel da poetisa Emily Dickinson; See, um épico fantástico interpretado por Jason Momoa que se passa em um futuro em que todos ficaram cegos; e um drama no espaço, For All Mankind, criado com a colaboração de Ronald D. Moore. A Apple tem também programas de streaming para crianças, como uma nova versão animada de Peanuts (Minduim).

‘Estilo Hollywood’

A companhia optou por assumir o estilo Hollywood por uma razão. Com a queda das vendas de iPhones, a multinacional buscou outras maneiras de gerar receita. Lançou inclusive um cartão de crédito e um serviço de videogames por assinatura.

A Apple entra no  negócio do entretenimento em um momento em que as concorrentes da área de tecnologia, como Netflix, Amazon e Hulu, desfrutam de uma considerável vantagem na criação de produtos de streaming originais. Além disso, ela enfrentará uma forte concorrência da Walt Disney Company, da unidade Warner Media da AT&T e da NBCUniversal. A Disney Plus, que oferece dezenas de anos de filmes e programas, foi lançada no dia 12 de novembro. O serviço de streaming Peacock da NBCUniversal e a HBO Max da AT&T estarão prontas no próximo ano.

Ao contrário das concorrentes, a Apple não terá o luxo de poder explorar uma ampla biblioteca de programações. Mas os clientes da marca poderão usar o aplicativo Apple TV para clicar em um episódio de Succession, da HBO, ou selecionar entre Showtime ou Hulu, se forem assinantes destes serviços.

“Nós sempre nos preocupamos com os originais e com a nossa possibilidade de ajudar o cliente a descobrir o outro produto da biblioteca que existe no mundo e existe em todos estes outros espaços de maneira desagregada”, explicou Van Amburg.

Lançamentos semanais

A Apple não se comprometeu com o modelo de assistir a um programa atrás do outro. Seus dramas em geral pularão alguns episódios antes de adotar um horário semanal. Os executivos do entretenimento da companhia sugeriram que lançamentos semanais criam um burburinho consistente ao contrário das séries da Netflix.

The Morning Show é de enorme importância para a Apple. Três dias depois de conseguir o emprego em 2017, Erlicht disse que se deu conta do tom certo. “Nós soubemos imediatamente que era o que queríamos”, afirmou.

Seguiu-se uma dura batalha com diversos candidatos, como Netflix e Showtime. Pouco depois de apresentar o roteiro, o criador de The Morning Show, Jay Carson, foi demitido. “A negociação não foi fácil”, continuou Erlicht no palco do Lincoln Center. “Na realidade, não direi que o programa foi o que eu definiria como fácil. Mas os grandes nunca são.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Heroína ou vilã: como a tecnologia muda a vida de quem faz HQs

Ao longo de trinta anos, uso de computadores alterou a relação artística e financeira dentro dos quadrinhos
Por George Gene Gustines – The New York Times

Computadores alteraram a relação artística e financeira dentro dos quadrinhos

Parte da cultura pop desde a década de 1930, as histórias em quadrinhos (HQs) tomam forma em uma longa cadeia: elas passam do escritor para os artistas (quadrinistas e arte-finalistas), chegando depois para os letristas e coloristas. Hoje, esse esforço de equipe continua praticamente o mesmo, mas os computadores e a tecnologia ampliaram as opções para ilustradores e revolucionaram os papéis dos artistas em rapidez, produção e arte. Essa evolução tecnológica, no entanto, não aconteceu da forma como alguns imaginavam. 

“No final dos anos 1980, tínhamos certeza de que toda a criação de quadrinhos seria feita com ajuda de um PC”, diz Mark Chiarello, um veterano da indústria. Ex-Marvel, DC e Dark Horse Comics, três das casas mais respeitadas das HQs, Chiarello hoje é artista freelancer. Ele foi testemunha de muitas tentativas de transformar os quadrinhos em uma produção digital. 

Uma das primeiras apostas veio em 1985, quando a First Comics publicou Shatter Special Nº1. Sua capa proclamava: “o primeiro quadrinho computadorizado!”. Toda a edição, exceto as cores, foi feita em um Macintosh. A arte tinha balões de diálogos bem rígidos e lembrava os primeiros dias dos videogames, com imagens pixeladas e um pouco desajeitadas. Mas foi inovador e vendeu muito. 

“Passamos uns anos tropeçando na escuridão digital e tentando inventar softwares personalizados, até que todas as empresas de quadrinhos adotaram o software que acabou com todos os softwares: o Adobe Photoshop”, lembra Chiarello. 

Nem todos se adaptaram bem ao programa de início. “Trabalhando no Photoshop, eu não conseguia fazer nem um círculo”, diz o ilustrador Yanick Paquette, que fez muitas capas e quadrinhos para a DC. Sua primeira incursão digital foi em 2000, para uma revista de Batman. Hoje, porém, a vida é bem mais fácil: ele é um viciado no Cintiq, marca de tablets que permite ao usuário desenhar diretamente na tela. “Não compro mais borrachas. Não compro mais tinta. Mas toda vez que lançam um novo Cintiq, vou lá e meio que dou de presente para mim mesmo”,  diz ele.

Na opinião de Paquette, os leitores desconfiam da arte digital. “Quando uma coisa fica perfeita demais, límpida demais, você perde a sensibilidade humana”, diz. Para fazer um exército inteiro, ele pode desenhar um único soldado e criar digitalmente um batalhão, mas se nega. “Se me dedico a desenhar cada um dos soldados da tropa, eles ficam humanizados e a relação do leitor com a arte é diferente”.

Parceria

As relações entre os diferentes profissionais na linha de montagem de uma HQ também mudou – em especial, entre o quadrinista (que concebe a página e desenha as imagens iniciais) e o arte-finalista (que dá o acabamento adequado a cada linha). “Antes, era um bom arte-finalista que elevava o trabalho do quadrinista. Agora, é o colorista”, diz Karl Kesel, arte-finalista que trabalha desde 1984. “A tecnologia reverteu a ordem da importância artística, por mais que eu odeie admitir isso.” Ele segue desenhando no papel, mas mas acredita que a maior inovação digital é a função desfazer do computador: “Não gostou dessa linha? É só clicar e pronto, sumiu”.

Responsável por adicionar balões de diálogos, legendas e efeitos sonoros às páginas, os letristas também têm uma relação nova com o trabalho. “Ganhamos menos, mas podemos produzir mais graças ao sr. Computador”, diz Chris Eliopoulos, letrista que começou a trabalhar em 1989 como estagiário na Marvel. Em seu auge, ele escrevia à mão 30 quadrinhos por mês, em uma média de 22 páginas. 

Trabalhar digitalmente, diz ele, é mais rápido e lucrativo. Um quadrinista pode ganhar US$ 100 por página, mas geralmente só faz uma por dia. Um letrista ganha menos por página, mas produz várias em um só dia de trabalho. 

Para a famosa série ‘I am…’, que reúne biografias de figuras históricas em graphic novel, ilustradas por ele, Eliopoulos usa um híbrido de letras digitais e à mão livre, evitando sua biblioteca de fontes. Ele segue sendo um artesão. “Leva mais tempo, mas acho que qualquer pessoa diria que, se pudesse escolher, ficaria com as letras à mão, porque são orgânicas, são arte”. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Startup francesa BlaBlaCar completa quatro anos de Brasil com 30 milhões de caronas

A expectativa para 2020 é dobrar o número de caronas e aumentar a presença em cidades do interior

Ricardo Leite, diretor geral da BlaBlaCar no Brasil

A startup francesa BlaBlaCar, que organiza caronas intermunicipais entre pessoas que não se conhecem, completa nesta semana quatro anos de operação no Brasil, seu terceiro maior mercado no mundo hoje. Desde 2015, a empresa já ofereceu 30 milhões de caronas no País. A BlaBlaCar anunciou nesta sexta-feira, 29, que a expectativa para 2020 é dobrar o número de caronas e aumentar a presença em cidades do interior – hoje a startup está presente em 2,7 mil cidades brasileiras.  

As caronas cresceram consideravelmente no último ano: cerca de 8 milhões de viajantes usaram a plataforma apenas em 2019. Segundo a BlaBlaClar, só no estado de São Paulo neste ano houve um aumento de 162% no número de caronas em comparação com o mesmo período de 2018.

Nos últimos anos, o trajeto que registrou o maior número de viagens foi o da cidade de São Paulo até Campinas.

De acordo com dados da empresa, cerca de 62% dos usuários brasileiros que usam a plataforma são menores que 35 anos. 

“Em 2020, com uma expansão para cidades cada vez menores – onde as opções de transporte são limitadas – queremos que mais brasileiros fora dos grandes centros possam visitar mais a quem amam”, afirmou Ricardo Leite, diretor geral da BlaBlaCar no Brasil, em comunicado. 

Passagens de ônibus

Um dos principais planos da BlaBlaCar para o ano que vem é integrar passagens de ônibus à plataforma. Em troca, a empresa receberá uma comissão das empresas brasileiras de transporte de passageiros, com quem a francesa fará parcerias. 

Segundo a BlaBlaCar, hoje há muito mais passageiros procurando por um assento vazio do que motoristas oferecendo carona – a integração com passagens de ônibus é uma forma de atender a essa demanda. 

Chefe da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, grande crítica da tecnologia, pretende endurecer ainda mais

Vestager ganhou elogios por sua supervisão da indústria de tecnologia. Agora, com mais autoridade da União Europeia, ela prevê uma postura mais agressiva
Adam Satariano e Matina Stevis-Gridneff, The New York Times

A chefe da Comissão Europeia, Margrethe Vestager

BRUXELAS – Nos últimos cinco anos, Margrethe Vestager conseguiu tornar-se a maior fiscalizadora da indústria tecnológica do mundo. Supervisionando a legislação sobre a concorrência na Europa, ela multou o Google em mais de US$ 9 bilhões por infringir as leis antitruste, e obrigou a Apple a pagar cerca de US$ 14,5 bilhões por sonegação de impostos.

Agora, ela afirma que este trabalho, que fez dela uma heroína entre os críticos da tecnologia, não está sendo corajoso o bastante. Segundo ela, as maiores companhias continuam testando os limites das leis antitruste e se comportam de maneira antiética. Mas, acrescentou, o crescente ceticismo em relação à tecnologia lhe deu espaço para uma estratégia mais rigorosa: “Nos últimos cinco anos, alguns dos aspectos mais sombrios das tecnologias digitais se tornaram visíveis”.

Por isso, Margrethe, ex-legisladora dinamarquesa, começou um raro segundo mandato na direção da divisão antitruste da Comissão Europeia, e assumiu uma responsabilidade mais ampla no campo da política digital em todas as 28 nações do bloco. Ela elaborou um programa que tem na sua mira as gigantes da tecnologia, avaliando se deverá retirar as proteções que escudam as plataformas de internet da responsabilidade pelo conteúdo postado pelos usuários. E trabalha na possibilidade de fazer com que as empresas paguem mais impostos na Europa e investigando de que maneira elas usam dados para afastar as concorrentes.

Margrethe prometeu criar as primeiras normas do mundo relativas à inteligência artificial e fez apelos para que sejam concedidos direitos de barganha coletiva aos trabalhadores temporários, como os motoristas da Uber. E isto, além de investigar as acusações de práticas desleais de negócios, do Facebook, Amazon e Apple.

O seu sucesso dependerá do apoio de outras autoridades que já estão às voltas com problemas como a saída da Grã-Bretanha da União Europeia e as relações estremecidas com os Estados Unidos. Pessoalmente, Margrethe é uma personalidade política absolutamente polida, muito inteligente, que projeta modéstia embora não costume exatamente evitar as atenções gerais. Ela minimiza as críticas, como as que recebe de numerosos executivos da área tecnológica, e do presidente Donald Trump, segundo os quais ela não está sendo justa para com as companhias americanas da este setor.

As autoridades americanas estão mudando de opinião e compartilham de seu ceticismo em relação a esta indústria. Algumas tentam aprender com as iniciativas da Europa. As investigações sobre a Google levaram anos e deram a estas companhias o tempo de consolidar o seu domínio. E uma vez concluídas, dizem os críticos, as penas se concentraram em vultosas multas com as quais estas puderam arcar facilmente.

Luther Lowe, diretor de política pública do Yelp, o site  de comentários que criticou o comportamento da Google, elogiou os esforços de Margrethe. Mas ele alertou que companhias como a Yelp, “até o momento, não viram o mínimo avanço prático que beneficiasse a todos, embora tenham se imposto em termos de conceito.” Margrethe disse que está tomando medidas para acelerar as investigações e aplica uma norma que atua como uma ordem de cessar e desistir a fim de que as companhias parem de agir de determinada maneira enquanto pode ocorrer uma investigação.

Ela terá uma função de destaque no debate da União Europeia sobre a nova Lei dos Serviços Digitais, que introduzirá amplas reformas na atuação da internet, como obrigar as plataformas online a retirar conteúdo ilegal. O Facebook, afirmou, deve agir rapidamente para frear a difusão de informações falsas, material violento e o discurso de ódio.

“É preciso retirá-lo, porque ele se espalha como um vírus”, ela disse. “Mas se isto não for feito com a devida rapidez, é claro, teremos de regular as atividades neste campo”. Margrethe continua concentrada em averiguar se as companhias de tecnologia expulsaram empresas que dependem delas para chegar aos consumidores.

“Algumas destas plataformas têm o papel de jogador e de juiz ao mesmo tempo; isto pode ser justo?” perguntou. “A gente nunca aceita uma partida de futebol em que um time é também o juiz”. Ela afirmou que a Europa tem uma visão diferente da tecnologia em relação à dos Estados Unidos que são muito abertos, e ao controle do governo na China. “As forças do mercado são mais do que bem-vindas, mas não devemos deixar que  o mercado tenha a última palavra”, disse Margrethe. “Os mercados não são perfeitos”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Jony Ive deixa oficialmente a Apple

De ontem para hoje, a Apple atualizou a sua página de executivos e removeu oficialmente a foto e o nome de Sir Jonathan Ive.

Sir Jonathan Ive (ao fundo) e Tim Cook

saída de Jony Ive da Apple foi anunciada originalmente no final de junho passado, e era prevista para “o final deste ano”. Como informamos, Ive está abrindo uma nova empresa de design chamada LoveFrom com seu amigo Marc Newson, a qual prestará serviços para a Maçã.

Curiosamente, não entraram hoje na página de executivos nenhum dos líderes de design que assumiram as principais funções de Ive, como Evans Hankey e/ou Alan Dye. Ambos responderão a Jeff Williams, diretor de operações da Apple, que é inclusive cotado como futuro sucessor de Tim Cook no cargo de CEO.

O anúncio da saída de Ive fez algumas histórias de bastidores pipocarem por aí, incluindo um possível afastamento dele que já vem de muito tempoinformações sobre protótipos de TV e carro criados por ele e até algo sobre ele não ter dado muita importância à criação do iPhone X. Cook foi obrigado a vir a público contrapor algumas dessas notícias.

Embora as responsabilidades de Ive estejam em boas mãos, é no mínimo curioso que uma empresa do tamanho da Apple e com a importância que ela dá ao design de seus produtos não ter, neste momento, nenhum executivo da área listado na página. Há de ser algo temporário, contudo.

Ive foi originalmente contratado pela Apple em 1992, e liderava o seu departamento de design desde 1996.