UE aprova nova lei para evitar práticas desleais de gigantes de tecnologia

A regulação estabelece que as empresas esclareçam como classificam em plataformas seu próprios produtos e os rivais

A nova regra da União Europeia foca em plataformas que vendem produtos

Empresas de tecnologia como Google e Amazon terão que esclarecer à União Europeia como suas plataformas classificam seu próprios produtos e os rivais. Com a nova regra, a União Europeia pretende acabar com práticas desleais em plataformas online e lojas de aplicativos. 

O projeto dessa lei foi proposto em abril do ano passado pela Comissão Europeia. Negócios como Google Play,  Apple App Store, Microsoft Store, Amazon Marketplace, eBay e Fnac Marketplace serão atingidos pela nova regra – o que eles têm em comum é que são plataformas que vendem produtos. 

Apesar da aprovação de negociadores de países europeus, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, a lei só será de fato criada com o respaldo dos países da União Europeia, que avaliarão individualmente a regra. 

“Nossa meta é proibir algumas das práticas mais injustas e criar transparência, ao mesmo tempo em que mantemos as grandes vantagens das plataformas online tanto para consumidores quanto para empresas”, disse o chefe digital da UE, Andrus Ansip.

Entre as novas regras impostas pela União Europeia, há uma lista de práticas comerciais desleais, que exigem que as empresas criem um sistema interno para lidar com reclamações e permitem que as companhias se unam para processar plataformas.

Em 2017, o Google recebeu uma multa de US$ 2,7 bilhões, aplicada pela União Europeia. O órgão alegou que o serviço de busca abusou de sua posição dominante no mercado ao dar destaque, nas pesquisas de usuários europeus, ao seu serviço de comparação de preços, o Google Shopping, no lugar dos rivais. 

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O comportamento de Jeff Bezos coloca a Amazon em risco?

Para especialistas, companhia não deve ser sentir os reflexos da vida pessoal do executivo
Por Elizabeth Dwoskin – The Washington Post

A notícia das fotos explícitas de Jeff Bezos não afetou o preço das ações da Amazon

As selfies explícitas de Jeff Bezos e os ataque públicos do tabloide National Enquirer o colocam no clube dos executivos do setor de tecnologia que se comportam mal. Mas seus problemas não devem prejudicar a Amazon – pelo menos no momento.

Na quinta-feira, Bezos postou uma longa carta no blog online da plataforma Medium acusando o Enquirer de tentar chantageá-locom a publicação de detalhes íntimos sobre seu caso extraconjugal com a ex-âncora de TV Lauren Sanchez. A carta, com insinuações sobre a relação da empresa matriz da Enquirer com o governo saudita e o presidente Donald Trump, chocou o mundo empresarial e Washington, intensificando um drama que estava antes confinado ao tabloide.

A publicação da carta foi algo bastante inusitado em se tratando de um líder empresarial, especialmente Bezos, que preserva vigorosamente sua privacidade e evita os holofotes, mesmo se tornando o indivíduo mais rico do mundo (ele é proprietário do Washington Post).

 Mas a notícia não afetou o preço das ações da Amazon. Verificou-se uma desvalorização de aproximadamente 2% na sexta-feira, mas que espelhou uma queda no mercado no geral.   Na semana passada, quando a vida pessoal de Bezos já estava envolvida em controvérsia – a companhia divulgou lucros recorde no terceiro trimestre consecutivo. O valor da ação da companhia caiu 5% quando o fundador da Amazon anunciou o divórcio de sua mulher MacKenzie, em nove de janeiro.

Embora a opção de tirar um selfie tenha sido “tresloucada”, a decisão de retaliar com “armas em punho”  foi mais estratégica e calculada, disse Jeffrey Sonnenfeld, membro da Leadership Studies da Escola de Administração de Yale. “Eles tentaram chantageá-lo em segredo e isso encerra o assunto. Ele está adotando a tática que alguns presidentes chamam de “choque e pavor” e está certo”.

O comportamento de Bezos difere da atitude de outros executivos de tecnologia influentes que causaram problemas para suas empresas, disse Sonnenfeld. Elon Musk, da Tesla, se drogou durante uma entrevista a jornalistas e fez um anúncio repentino no Twitter de que tiraria sua empresa da bolsa de valores, o que motivou uma ação das autoridades federais. O cofundador do Uber, Travis Kalanick criou um ambiente em que “tudo é permitido” e onde o assédio sexual proliferava, ao passo que outras violações de normas colocaram a empresa na mira das autoridades locais. Ele chegou a atacar um motorista do Uber em um vídeo.

Mas outros especialistas sublinham que, se a disputa entre Bezos e o tabloide se arrastar, legalmente ou publicamente, isso será um transtorno para o fundador da Amazon.

“Para um CEO de uma empresa com ações negociadas em bolsa, essa não foi a medida mais sábia”, disse Charles Elson, diretor do John L. Weinberg Center for Corporate Governance na Universidade de Delaware. “Ao tomar essa decisão, você somente chama mais atenção para as alegações. Foi um erro e David Pecker (dono do National Enquirer) vai revidar e isto vai tomar muito tempo de Bezos”.

A reação entre alguns funcionários da Amazon também é reveladora. O blog de Bezos foi rapidamente republicado nos bate-papos online dentro  da companhia logo depois de a carta ser publicada. A discussão se voltou imediatamente para o potencial impacto que ela teria sobre o preço das ações.

O pessoal mais próximo de Bezos pareceu indiferente ou o apoiou.

Roger McNamee, investidor do Vale do Silício que trabalhou com Bezos e é um crítico do Facebook e do Google, disse esperar que as medidas tomadas pelo executivo colaborem para forçar os tabloides e outros a pararem com suas táticas sujas.

Por outro lado, Bezos está deliberadamente defendendo sua vida privada. Ele é um executivo que não usa impropriamente os fundos da empresa e nem toma decisões que especificamente afetem as atividades da Amazon. Ao contrário do Google e do Facebook, onde o comportamento pessoal dos executivos tem provocado protestos acalorados de funcionários, a cultura da Amazon é mais pragmática e menos orientada por valores que os outros executivos entendem ser necessárias para se manterem.

“Acho que Jeff esclareceu bem este ponto na carta, e vai deixar que os resultados da Amazon falem por eles próprios”, disse Ted Maidenberg, investidor do Vale do Silício. “O caso terá impacto zero (sobre os negócios)”. /TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

Apple quer lançar ‘Netflix de notícia’, mas taxa de 50% sofre resistências

Companhia anunciou que reteria cerca de metade da receita de assinaturas do serviço

Apple quer criar ‘Netflix da notícia’ 

O plano da Apple de criar um serviço de notícias por assinatura está enfrentando forte resistência da parte dos provedores de conteúdo, em razão dos termos financeiros propostos pela gigante da tecnologia, disseram pessoas informadas sobre a situação.

Em sua proposta a algumas organizações noticiosas, a companhia de tecnologia anunciou que reteria cerca de metade da receita de assinaturas do serviço.

Descrito por executivos do setor como uma “Netflix de notícias”, o serviço permitiria que usuários lessem conteúdo ilimitado dos provedores de conteúdo participantes, por uma taxa mensal, e deve ser lançado neste ano como parte de uma nova área paga no app Apple News.

O restante da receita formaria um pool a ser dividido entre os provedores de conteúdo. Representantes da Apple informaram aos provedores que o preço da mensalidade seria de US$ 10 (R$ 38), semelhante ao do serviço de streaming Apple Music.

A Apple não se pronunciou.

Outra preocupação para provedores de conteúdo é que eles provavelmente não terão acesso a dados sobre os assinantes, como de cartões de crédito e endereços de email.

Essas informações são cruciais para organizações noticiosas que desejam construir bancos de dados próprios sobre os consumidores e comercializar seus produtos para os leitores. 

O novo serviço é parte do esforço da Apple para encontrar crescimento em um momento de estagnação das vendas do iPhone. 

A empresa tenta compensar a desaceleração no segmento de smartphones, sua área dominante, por meio dos serviços, que vêm crescendo rapidamente e incluem vendas na loja de apps, assinaturas de streaming de música e pagamentos por serviços móveis.

O setor de notícias, que a Apple busca atrair, está insatisfeito com a influência que grandes empresas de tecnologia ganharam sobre seus negócios.

O Facebook, por muito tempo uma fonte importante de tráfego para os sites noticiosos, mudou o feed de maneira que contribuiu para uma forte perda de audiência e receita em empresas de mídia.

O Google foi acusado de permitir que leitores contornassem as barreiras ao acesso grátis a conteúdo, prática que a gigante das buscas moderou.

As assinaturas digitais são fonte de crescimento para grandes provedores de conteúdo como o The New York Times, cuja assinatura mensal básica custa US$ 15 (R$ 57); o The Washington Post, cuja assinatura sai por US$ 10 (R$ 38); e o The Wall Street Journal, que cobra US$ 39 (R$ 148).

Algumas dessas empresas encaram com ceticismo a ideia de entregar controle demais à Apple e a perspectiva de perder parte das assinaturas atuais em troca de usuários encaminhados pela gigante de tecnologia e que pagarão menos.

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

Com Wi-Fi, Campus Party Brasil 2019 começa nesta terça-feira

O evento terá Wi-Fi no espaço da Arena, com capacidade para 25 mil dispositivos simultâneos; participantes já ocupam grande parte das barracas da Campus Party
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

A 12ª edição da Campus Party espera receber mais de 130 mil visitantes

Começa nesta terça-feira, 12, a feira de tecnologia Campus Party no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento espera um público de mais de 130 mil visitantes até o dia 17 — destes, um total de 8 mil vão acampar no evento. Serão mais de 1000 horas de conteúdo, que vão de palestras a atividades práticas. 

Em coletiva à imprensa, a organização da feira anunciou uma novidade que interessa bastante ao público do evento: a Campus Party este ano terá Wi-Fi no espaço da Arena, com capacidade para 25 mil dispositivos simultâneos.

“Será uma edição muito especial, estamos trabalhando há meses para fazê-la acontecer” disse Tonico Novaes, diretor-geral do evento, “o Brasil tem a maior e a melhor Campus Party do mundo”.

Às 8h30 desta terça-feira, 12, grande parte das barracas do camping da Campus Party já estavam ocupadas. Os campuseiros — nome dado aos participantes que acampam no evento — vieram à feira com interesses diferentes. Helvecio Rocha, 34, de Curvelo, Minas Gerais, resolveu comprar seu ingresso para a Campus Party para aprender sobre a tecnologia blockchain, já que ele trabalha na área bancária em Minas. Apesar de seu foco específico, Helvecio está animado também para ver Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica. 

Já Kevin Bispo, 20, é microempreendedor, tem uma empresa de assistência técnica em São José dos Quatro Marcos, Mato Grosso, e esta semana no evento quer aproveitar principalmente as palestras sobre empreendedorismo. 

Marcelo Almeida, 14, veio de Montes Claros, em Minas Gerais para acampar em sua primeira Campus Party. Por enquanto, Marcelo tenta executar algumas lições da programação de forma amadora. Ele buscou o evento para se aperfeiçoar e conhecer mais sobre o mundo da tecnologia.  “Meu sonho é programar”, disse em entrevista ao Estado. Ele veio a São Paulo na companhia de Guilherme Vieira, 15, que é seu parente — irmão do namorado de sua irmã, para ser mais exato — e que também quer entrar em contato com diferentes lógicas de programação.

Chegada. Nesta madrugada, após a chegada de grande parte dos campuseiros, os jovens se reuniram para uma festa, que eles chamam de CampusB — no improviso, os jovens comemoraram o início do evento na porta do Expo Center Norte, ao som de muito funk e pagode. 

Os campuseiros já estavam se reunindo em grupos do WhatsApp antes do evento, conta Isabelle Samways, 24. Lá de Curitiba, ela conversa virtualmente com alguns colegas de camping. Nesta manhã, ela já estava em uma rodinha com os novos amigos, com quem vai passar a semana.

Há também os campuseiros que procuram aproveitar o evento de forma mais séria. “Não sou tão jovem, e a maioria aqui é, então não me encaixo muito bem nesse perfil que vem para a feira se divertir”, disse Vitor Mattos, 35, em entrevista ao Estado, entregando seu cartão pessoal para se identificar à repórter. “Vou palestrar também este ano, sou fundador de uma empresa de desenvolvimento de software e vou falar da importância da cultura de automatização de testes para eficiência de projetos”, disse, “procuro também a Campus Party para fazer networking.”

Precisamos pensar nas consequências das tecnologias, diz CEO Satya Nadella da Microsoft

Para Satya Nadella, segurança e transparência são necessários para conquistar confiança do público
Raphael Hernandes

Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a abertura do evento AI+Tour, em São Paulo – Reinaldo Canato/Divulgação

SÃO PAULO –Em um mundo em franca revolução digital, em particular com a expansão de tecnologias de IA (inteligência artificial), é necessário transparência, segurança e compromisso com privacidade para garantir a confiança do público —algo que precisa ser conquistado dia após dia.

A avaliação é de Satya Nadella, CEO da Microsoft, feita nesta terça-feira (12) durante a abertura do evento AI+Tour, em São Paulo.

A IA, tema do evento desta terça, se refere ao uso de mecanismos ou programas de computador para tentar imitar a inteligência humana. O reconhecimento facial é uma de suas aplicações, que também incluem, entre outras, carros que se dirigem sozinhos, recomendações de filmes e detecção de doenças.

“Precisamos entender as consequências não intencionais do uso de tecnologias conforme elas são usadas mais amplamente”, afirmou o executivo.

Entre as potenciais consequências nefastas do uso da tecnologia está o vazamento de dados pessoais.

Nadella avaliou positivamente a legislação brasileira em relação à garantia de privacidade.

“O Brasil está à frente para garantir a privacidade como direito humano.”

O ex-presidente Michel Temer (MDB) sancionou em 2018 a Lei Geral de Proteção de Dados, que regula como empresas do setor público e privado devem tratar as informações pessoais que coleta dos cidadãos.

O CEO da Microsoft citou como bom exemplo um hospital paulistano que usa sistemas de inteligência artificial ligados às câmeras de segurança para detectar quando um paciente pode cair. Nesses casos, alertas são disparados às equipes de enfermagem para que possam auxiliar rapidamente ou evitar o acidente. “Eles agem a fim de garantir que os dados coletados sejam apenas de eventuais quedas”, ressaltou.

Em relação à segurança, Nadella defendeu uma equivalente da convenção de Genebra (tratados internacionais que definem direitos e deveres de pessoas em tempo de guerra) para a cibersegurança. Ele já havia dado declaração semelhante ao jornal Wall Street Journal, em entrevista publicada no dia 1o.

No último dia 4, Satya Nadella completou cinco anos à frente da gigante de tecnologia. Sob o comando do indiano, a empresa voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo, posto que havia ocupado pela última vez em 2002 —depois do retorno, foi superada pela Amazon.

No campo da IA, a Microsoft já vinha encampando um tratamento responsável da área e maior regulamentação –em particular em relação ao reconhecimento facial.

O presidente da empresa, Brad Smith, publicou artigos no ano passado defendendo a regulamentação governamental e de medidas responsáveis do setor em relação ao reconhecimento facial.

“É importante que os governos comecem a adotar leis para regulamentar essa tecnologia [reconhecimento facial] em 2019”, escreveu em dezembro. “Se não agirmos, corremos o risco de acordar daqui a cinco anos para descobrir que os serviços de reconhecimento facial se espalharam de formas que exacerbam os problemas da sociedade.”

Segundo Smith, regras impostas pelo governo seriam importantes para impedir uma “corrida comercial até as últimas consequências” entre as empresas de tecnologia. Ele fez, no entanto, a ressalva de que o setor tem responsabilidade de também criar salvaguardas –e não ficar apenas esperando uma ação do Estado.

Na China, a Apple sofre um golpe, e os trabalhadores sentem a dor

Os consumidores chineses ignoraram o novo iPhone XR da Apple. As horas extras desapareceram. E agora os trabalhadores estão desistindo
Por Ailin Tang c. 2019 New York Times News Service

EX-EMPREGADOS EM TERCEIRIZADA DA APPLE: eles fabricavam, mas não conseguiam pagar pelos iPhones / Yuyang Liu/The New York Times (/)

Huojiancun, China – A fila era bem longa, do comprimento de um campo de futebol.

Em uma manhã recente, mais de cem trabalhadores chineses que montavam e testavam iPhones da Apple faziam fila em frente ao Portão 7 da fábrica de eletrônicos Changshuo para receber sua indenização e seguir seu caminho. Eles chegaram a achar que trabalhar na linha de montagem lhes daria um salário bom o suficiente para que melhorassem de vida.

Isso foi antes que os consumidores chineses ignorassem o novo iPhone XR da Apple e seu preço de quase US$ 1 mil. A quantidade de trabalho diminuiu. As horas extras desapareceram. E agora os trabalhadores estão desistindo.

“Geralmente, tínhamos de 80 a 90 horas extras por mês”, disse Zhang Zhi, de 25 anos, que trabalhou por dois anos na fábrica, mas que agora estava na fila de demissão. Desde o fim de outubro, seus supervisores começaram a mandá-la para casa mais cedo e davam fins de semana de dois dias, afetando suas horas extras. Em dezembro, seu salário foi de cerca de US$ 370, quase metade do que ganhava nos meses mais movimentados.

Zhang encontrou um emprego de meio período em outro lugar que paga cerca de US$ 600 por mês. “É melhor do que ficar aqui”, disse ela.

As fábricas da China já fizeram produtos para o resto do mundo. Atualmente, cada vez mais, fazem produtos para a China também. Sua vasta e ainda emergente classe de consumidores abriu um mercado extremamente rentável para companhias globais como a Apple, a Nike, a General Motors e a Volkswagen. Essas empresas usam fábricas chinesas para atender a essas necessidades.

Hoje, os consumidores do país estão mais relutantes em gastar, e muitos dos trabalhadores que dependem disso foram atingidos. A demanda menor por bens de consumo levou ao fim de postos de trabalho e à redução de salários. Isso está agravando a desaceleração econômica chinesa, um grande desafio para Pequim, que poderia pôr o país em desvantagem na guerra comercial com o presidente Donald Trump.

A China não divulga dados confiáveis sobre trabalho, mas há muitos sinais de diminuição de empregos em fábricas. As montadoras e as indústrias químicas estão se movendo em um ritmo mais lento. O feriado do Ano Novo Lunar é em fevereiro, mas algumas empresas mandaram seus funcionários para casa em dezembro.

Huojiancun não é o único lugar onde as vendas fracas do iPhone estão causando impacto.

Na cidade de Zhengzhou, o emprego em uma fábrica que faz iPhones caiu de cem mil há um ano para cerca de 70 mil, de acordo com a China Labor Watch, que acompanha as condições de trabalho no país.

Em uma declaração, o proprietário da fábrica de Zhengzhou, o fornecedor taiwanês Foxconn, não quis comentar diretamente os números do grupo, mas disse que estava constantemente revendo suas operações e planejava adicionar mais de 50 mil postos de trabalho por toda a China nos primeiros três meses do ano.

Um porta-voz da Apple, Wei Gu, mencionou as declarações anteriores da empresa e se recusou a comentar mais.

Huojiancun é uma comunidade industrial nos arredores da brilhante Xangai. Lanchonetes, barracas de cartões telefônicos e outras pequenas empresas que abastecem os trabalhadores das fábricas permeiam as ruas estreitas e os becos em torno da Changshuo.

Seus operários fazem o iPhone, mas não podem pagar por ele. Mesmo quando seu pagamento estava no auge, os empregados da linha de montagem precisariam do salário de mais de um mês para comprar um iPhone XR básico. Ainda assim, os empregos lá eram muito procurados, porque em geral pagavam mais e ofereciam melhores condições de trabalho do que em outros lugares.

Hoje, a situação é mais complicada. Está cada vez mais difícil atrair funcionários, porque eles não querem passar muitas horas em uma linha de montagem. As empresas chinesas estão explorando cada vez mais a automação por causa do aumento dos custos trabalhistas.

Os supervisores evitavam que os trabalhadores fizessem muitas pausas e descontavam no pagamento infrações como jogar lixo no chão, disse Hou Fuan, funcionário da Changshuo que se demitira e estava voltando para a província de Henan. Quando os trabalhadores foram saindo, disse ele, muitos dos restantes começaram a ter horas extras outra vez, engordando seus contracheques, mas aumentando a carga de trabalho.

“Dentro da fábrica, os trabalhadores são rigidamente controlados”, disse Hou. “Se uma pessoa não trabalha direito, todos no grupo levarão uma bronca do líder. Mas ninguém grita muito quando não há muitos operários.”

A fábrica Changshuo é propriedade da taiwanesa Pegatron. Suas ações perderam quase um quarto de seu valor desde meados do ano passado, quando a guerra comercial com os Estados Unidos recrudesceu, e quando aumentou o ceticismo em relação aos modelos mais recentes do iPhone, que foram lançados em setembro.

Um porta-voz da Pegatron, Ming-Chun Tsai, não quis comentar sobre o negócio da Apple.

Todos os anos, antes dos tradicionais lançamentos de iPhones em setembro, a fábrica Changshuo contratava trabalhadores temporários para acomodar a demanda. Ela oferece bônus que podem variar de US$ 400 a US$ 1.300, disseram os trabalhadores. Os trabalhadores qualificados devem ter entre 18 e 45 anos, ser capazes de reconhecer o alfabeto ocidental e não ter tatuagens visíveis, disseram.

Muitos funcionários saem, em geral, antes do feriado do Ano Novo Lunar, quando recebem seu bônus normalmente. Mas os trabalhadores e as empresas locais disseram que mais gente que o habitual estava partindo este ano.

Huang Qionghuang possui uma barraca onde vende sutiãs que não disparam detectores de metal, peça essencial na fábrica que revista os trabalhadores para se certificar de que não estejam roubando ou trazendo câmeras para tirar fotos do iPhone mais recente. No passado, outubro era seu mês mais movimentado, mas as vendas caíram nos últimos meses e ela não quer reabastecer seu estoque. Os que estavam sendo vendidos eram os mais baratos, custando cerca de US$ 2,50.

“Em janeiro passado, ganhei mais que o meu aluguel. Agora não ganhei o suficiente para pagá-lo”, disse Huang.

“Este é o pior período desde que cheguei aqui há três anos”, afirmou ela.

A Pegatron tem uma presença grande em Huojiancun. Em seu site, ela diz que a fábrica emprega 70 mil pessoas. As placas de neon penduradas entre as barracas as chamam de “mercado noturno da Pegatron”. Durante épocas mais movimentadas, de acordo com comerciantes locais, as ruas e os becos ficam tão lotados que mal dá para andar.

Recentemente, disseram os comerciantes, o mercado noturno da Pegatron começou a ficar mais silencioso.

“Há menos funcionários na fábrica”, disse Xu Aihua, que abriu um restaurante local com sua mãe há oito anos. Enquanto fazia uma sopa de frango, Xu apontou para a rua quase vazia. “Viu? Não tem ninguém.”

Isso pode significar tempos difíceis para ele e sua mãe. Seu aluguel custa cerca de US$ 1.500 por mês. Um ano atrás, sua receita diária era de cerca de US$ 150. Nos últimos meses, ganhou metade disso.

Em um dia frio, na fila no Portão 7, Wang Xiaofeng esperava por uma indenização que poderia ser de cerca de US$ 150. Um ano atrás, seu turno de trabalho era relativamente estável, mas em dezembro suas horas extras diminuíram.

“Tive três ou quatro dias sem trabalho em uma semana. Quanto vou ganhar?”

Wang disse que tinha achado um novo emprego, que lhe garantia mais horas e, portanto, mais dinheiro.

“Tomei a decisão certa. Não me arrependo”, concluiu.


Reddit recebe US$ 300 mi em aporte e é avaliado em US$ 3 bi

Forte nos Estados Unidos, rede social ‘sobre tudo’ está de olho em se expandir para o resto do mundo
Por Agências – Reuters

Rede social tem mais de 330 milhões de usuários – é mais que o Twitter, por exemplo

A rede social americana Reddit afirmou nesta segunda-feira, 11, que levantou US$ 300 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela chinesa Tencent. Com o aporte, a empresa fundada por Alexis Ohanian agora está avaliada no mercado em US$ 3 bilhões.

A captação envolveu investimento de US$ 150 milhões da Tencent e de investidores anteriores incluindo Sequoia, Fidelity, Tacit e até mesmo o rapper Snoop Dogg.

A Reddit tinha levantado mais de US$ 250 milhões em três rodadas de captação anteriores. O investimento anterior, de 1º de agosto do ano passado, tinha avaliado a empresa em cerca de US$ 1,8 bilhão. A companhia tem mais de 20 investidores.

O Reddit tem mais de 330 milhões de usuários ativos mensais em média, com 14 bilhões de visualizações por mês, segundo dados divulgados pela empresa em novembro de 2017.