Conheça Waterloo, o Vale do Silício do Canadá

São Paulo – Os 100 000 habitantes de Waterloo, cidade próxima a Toronto, no Canadá, não passam um dia sem cruzar com o nome de Mike Lazaridis. Avenida Lazaridis, Teatro Lazaridis, Escola de Engenharia Lazaridis, Escola de Negócios Lazaridis…

Lazaridis é um dos fundadores da BlackBerry, empresa de tecnologia mais emblemática do Canadá, com sede na pequena cidade. Chegou a empregar 20 000 pessoas ao redor do mundo e a valer 80 bilhões de dólares na bolsa. Mas os ventos mudaram e, nos últimos cinco anos, a companhia sofreu uma das quedas mais vertiginosas da história da indústria da tecnologia. Hoje seu faturamento é de respeitáveis 2 bilhões de dólares, mas o problema é que a tendência tem sido de queda.

O valor atual é um décimo do que foi no auge. O que poderia ser uma péssima notícia para Waterloo parece não ser motivo de preocupação. “A BlackBerry ainda é importante, mas estamos de olho no futuro. Temos outras estratégias para nossa economia crescer”, afirma Dave Jaworsky, prefeito da cidade e ex-funcionário da BlackBerry.

Hoje, a região de Waterloo, que inclui as cidades de Kitchener e Cambridge, tem pouco menos de 500 000 habitantes, mas forma a segunda área com a maior concentração de startups do mundo, atrás apenas do Vale do Silício. Conhecida como Tri-City, a região tem mais de 1 100 empresas, ou mais de duas startups para cada 1 000 habitantes — o dobro de lugares também vistos como hubs do setor, como Tel-Aviv, em Israel, e Austin, nos Estados Unidos.

Entre as startups criadas em Tri-City, o maior destaque é o Kik, aplicativo de mensagens que é febre nos Estados Unidos. Com 300 milhões de usuários, o aplicativo foi apontado como o preferido na categoria de conversas por 40% dos jovens americanos. Ao contrário de apps como o Whats-App, o Kik permite que, além de conversar com outras pessoas, o usuário faça pesquisas na web, entre em contato com empresas e faça compras sem sair do ambiente do aplicativo.

O interesse do grande público pelo app criado em 2009 por alunos da Universidade de Waterloo acabou atraindo a atenção de investidores. Desde sua criação, o  Kik já recebeu mais de 120 milhões de dólares em investimentos e é avaliado em pouco mais de 1 bilhão de dólares. Em 2015, a gigante chinesa de tecnologia Tencent investiu 50 milhões de dólares no app. A empresa, que já é dona do aplicativo de troca de mensagens mais popular da Ásia, o WeChat, quer fazer do Kik sua porta de entrada no mercado da América do Norte.

Entre os destaques da região há ainda outras duas empresas. A Vidyard, uma plataforma de hospedagem de vídeos publicitários que analisa o comportamento das pessoas ao assistir às propagandas, é apontada por veículos especializados em marketing como a melhor solução no setor. A Thalmic Labs, que faz uma pulseira que permite controlar qualquer objeto eletrônico a distância, acabou de receber um investimento de 120 milhões de dólares da Amazon para melhorar o produto. Em comum, as três startups passaram pelo Velocity Garage, a incubadora da Universidade de Waterloo. A principal instituição de ensino da região é justamente a chave para entender o sucesso das empresas.

Reconhecida como uma das que melhor formam matemáticos, físicos e engenheiros na América do Norte, a Universidade de Waterloo é uma das três instituições que mais fornecem mão de obra para companhias como Microsoft, Apple, Google e Facebook. A instituição também é a segunda que mais forma novos empregados para startups do Vale do Silício, atrás apenas da Universidade Stanford.

De acordo com Paul Graham, fundador da principal aceleradora de startups do mundo, a americana Y Combinator, há algo especial acontecendo em Waterloo. Graham não se cansa de dizer que os projetos dos estudantes de lá são os melhores. “O caso de Waterloo confirma que as universidades são fundamentais para a criação de um hub de inovação. É assim com o MIT, em Massachusetts, e com Stanford, no Vale do Silício”, diz William Kerr, professor de inovação e empreendedorismo na Universidade Harvard.

Um dos primeiros diferenciais da Universidade de Waterloo é a independência que dá aos professores. As patentes dos produtos desenvolvidos por professores e alunos são totalmente dos pesquisadores, e não da instituição. Outro ponto fundamental é o programa de cooperação com o setor privado. Os estudantes passam até dois anos do período de graduação trabalhando em startups ou grandes empresas.

No ano letivo de 2015-2016, o programa foi utilizado por mais de 19 000 dos 30 000 estudantes — 15% deles foram para outros países e boa parte trabalhou em empresas do Vale do Silício. “Trabalhar enquanto estudava foi fundamental. Foi quando decidi criar meu próprio negócio”, diz Michael Litt, fundador da Vidyard, plataforma de hospedagem de vídeos publicitários. A própria BlackBerry foi criada dentro da universidade no agora longínquo ano de 1984.

“Tentamos subir os três degraus do que acreditamos ser o ideal do ensino universitário: experiência, inovação e incubação”, diz Pearl Sullivan, reitora da Faculdade de Engenharia da Universidade de Waterloo. “O papel da universidade é oferecer uma boa formação durante cinco anos e também trabalhar para que boas ideias tenham futuro na sociedade.”

A alta qualidade da mão de obra também acabou atraindo empresas globais de tecnologia. O Google, que normalmente escolhe grandes centros, como Londres e Tóquio, para ser sede de seus centros de pesquisa, no Canadá, decidiu ficar na região de Waterloo. O mesmo fizeram a chinesa do setor de equipamentos de telecomunicações Huawei, a empresa de pagamentos americana Square e a OpenText, maior empresa canadense de software.

De acordo com um estudo da consultoria KPMG, desenvolver softwares em Waterloo é até 14% mais barato do que em outros polos tecnológicos do mundo, graças, entre outras coisas, à qualidade e à fartura da mão de obra. Com esse ecossistema, é quase certo que novas BlackBerrys surgirão em Waterloo — e que mais avenidas serão batizadas com o nome dos futuros heróis do setor de tecnologia. [Gian Kojikovski]

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Instagram passa a aceitar mentions e links nas Stories

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por Rafael Silva
As Stories do Instagram, novidade bastante inspirada no Snapchat, receberam hoje uma atualização significativa. A partir de agora é possível publicar vídeos criados com o Boomerang, aplicativo do Instagram que permite criar um clipe em loop.

Além disso, também passou a ser possível marcar usuários nos posts publicados, algo que nem o próprio Snapchat permite ainda – essas marcações são enviadas como notificações por mensagem aos usuários. E também há uma opção de publicar links junto dos posts, que podem ser acessados arrastando o post pra cima. Essa última opção, no entanto, está disponível apenas para perfis verificados – talvez uma forma do Instagram de impedir alguns exageros.

As novidades das Stories estão disponíveis na versão mais recente do aplicativo para iOS, Android e Windows.

Snapchat começa a vender seus óculos com robôs itinerantes

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As máquinas de venda serão deslocadas pelos Estados Unidos, permitindo que pessoas de diferentes localidades comprem pares de óculos.
O previsto é que elas fiquem apenas um dia em cada localidade, de acordo com o site The Verge. Para descobrir onde a máquina está, os usuários devem acessar um mapa no site dos Spectacles.
Os Spectacles foram anunciados em setembro, junto com a mudança de nome da empresa, que passou de Snapchat para Snap. Com o gadget, usuários poderão criar vídeos rápidos que serão compartilhados na rede social de forma simples.

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Uma curiosidade do gadget é que ele faz vídeos em formato circular, diferente dos vídeos tradicionais capturados pelo app Snapchat.
Assista abaixo ao vídeo que a empresa divulgou quando divulgou os Spectacles. [Victor Caputo]

Em memorando, Tim Cook pede que Apple “siga em frente junta” após vitória de Trump; Vale do Silício preocupa-se com o prospecto do novo governo

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Bruno Santana
Em uma reviravolta atordoante (para todos), Donald Trump venceu as eleições presidenciais da última terça-feira e será o 45º Presidente dos Estados Unidos a partir de 20 de janeiro de 2017. Após um período eleitoral decididamente disputado, para não dizer assustadoramente baixo, a notícia foi recebida com tal surpresa que até mesmo Tim Cook sentiu-se na obrigação de distribuir um memorando para todos os empregados da Apple ao redor do mundo.
O memorando, obtido pelo BuzzFeed News, pode ser lido abaixo (tradução nossa):

Time,
Eu ouvi de muitos de vocês hoje sobre a eleição presidencial. Em uma disputa política onde os candidados eram tão diferentes e cada um recebeu uma quantidade parecida de votos populares, é inevitável que o resultado deixe muitos de vocês com sentimentos fortes.

Nós temos um time muito diverso de empregados, incluindo apoiadores de ambos os candidatos. Independentemente de qual candidato cada um de nós apoiou pessoalmente, a única forma de seguir em frente agora é fazendo isso juntos. Eu me lembro de uma coisa que o Dr. Martin Luther King Jr. falou, 50 anos atrás: “Se você não pode voar, então corra. Se você não pode correr, então ande. Se você não pode andar, então rasteje, mas faça o que fizer você deve continuar seguindo em frente”. Este conselho é atemporal, e um lembrete de que nós só realizamos um bom trabalho e melhoramos o mundo seguindo em frente.

Mesmo que discutamos hoje sobre algumas coisas incertas à frente, vocês podem confiar que a estrela-guia da Apple não mudou. Nossos produtos conectam pessoas no mundo inteiro e oferecem as ferramentas necessárias para que nossos clientes façam coisas incríveis para melhorar suas vidas e o mundo como um todo. Nossa empresa é aberta a todos, e nós celebramos a diversidade do nosso time aqui nos Estados Unidos e ao redor do mundo — sem importar a sua aparência, de onde eles vêm, quem eles reverenciam ou quem eles amam.

Eu sempre vi a Apple como uma grande família e eu encorajo vocês a conversarem com seus colegas caso eles estejam se sentindo ansiosos.
Sigamos em frente — juntos!
Atenciosamente,
Tim

Apesar de não mencionar Trump nominalmente, fica bem clara a atitude da Apple (e de Cook) de colocar-se num campo oposto às opiniões e ações do futuro presidente. E não é à toa: ao menos em dois aspectos diferentes, Trump representa um antagonismo sério para a Maçã, suas operações ao redor do mundo e sua própria filosofia.

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Primeiramente, fora as opiniões protecionistas e antiglobalistas de Trump, o republicano já entrou em rusgas diretamente com a Apple. À época da disputa da Maçã com o FBI, o empresário saiu em defesa da agência, clamando por um boicote aos produtos de Cupertino até que a empresa criasse o chamado GovtOS que permitisse que o governo americano acessasse iPhones bloqueados indistintamente.

Em outra ocasião, Trump prometeu que faria a Apple fabricar seus “malditos computadores e coisas” nos Estados Unidos — o que, apesar das intenções compreensíveis, certamente representa uma ameaça à estratégia econômica de Cook e sua turma.

Em um nível mais profundo, é de se considerar que as posições de Trump em questões sociais opõem-se fortemente à filosofia longamente cultivada pela Apple, uma empresa, lembremo-nos, fundada por dois hippies pacifistas e proponentes do mundo livre de barreiras. Os comentários do futuro presidente, alguns deles extremamente misóginos e/ou tóxicos em relação às minorias raciais e LGBTQ — esta, aliás, da qual o próprio Tim Cook faz parte —, são implicitamente repudiados no memorando do CEO, que faz questão de manter o caráter receptivo e compreensivo da Apple mesmo em tempos de incerteza.

Tempos de incerteza, aliás, que se refletem no Vale do Silício como um todo. Algumas figuras importantes do pólo tecnológico, como Shervin Pishevar (co-fundador do projeto Hyperloop), estão ensaiando apoiar um movimento separatista da Califórnia — Calexit? Califrexit? Caleavefornia?. O estado mais rico dos Estados Unidos defende que irá se desenvolver melhor caso separe-se do país, uma bizarrice que inclusive temos experiência aqui no Brasil (embora com motivações políticas opostas).

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São ações certamente pensadas no calor do momento que mostram que, embora um (agora impossível) governo Hillary estivesse muito longe de representar algo bom em perspectiva global, certamente manteria um status quo na qual a Apple e o Vale do Silício sentam-se confortavelmente. Por outro lado, a vitória de Trump traz uma série de incertezas que preocupa, e muito, Tim Cook e os outros líderes do Vale, por uma série de razões.

Opiniões de figuras importantes, receosas de que a gestão Trump venha a impedir a inovação e o progresso tecnológico, já começaram a surgir pelas principais publicações relacionadas ao assunto. O colunista de tecnologia do New York Times Farhad Manjoo afirma que “os planos de imigração de Trump são uma anátema para qualquer empresa do ramo”. As opiniões do republicano absolutamente contrárias à neutralidade de rede também motivaram críticas, por exemplo, do Washington Post.

Não que Trump vá conseguir, durante o seu mandato, fazer tudo aquilo que promete — afinal, ele será presidente e não monarca. A consciência, entretanto, de que há num universo de quase 150 milhões de eleitores, gente que concorda com suas visões o suficiente para elegê-lo é, no mínimo, algo a se refletir. Vejamos o que os próximos quatro anos nos aguardam. [MacMagazine]
[via The Verge]

Irlanda fará apelação formal sobre caso da Apple esta semana

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Há mais de 35 anos, a unidade europeia da Apple fica na cidade de Cork, na Irlanda
O governo da Irlanda enviará formalmente nesta semana sua apelação contra a demanda multibilionária da Comissão Europeia para retorno de impostos da Apple, disse o ministro das Finanças, Michael Noonan, nesta terça-feira. 8.
O gabinete irlandês concordou em setembro em se unir à fabricante do iPhone na apelação à ordem da Comissão para que a gigante norte-americana de tecnologia pague até US$ 14,5 bilhões a Dublin após decidir que a empresa tinha recebido auxílio estatal ilegal.
Dublin está buscando proteger um regime fiscal que atraiu várias empregadoras multinacionais. A decisão da Comissão Europeia também enraiveceu Washington, que a acusa de tentar obter receitas fiscais que deveriam ir para os Estados Unidos.
“O governo discorda fundamentalmente da análise da Comissão Europeia e a decisão não nos deixou escolha a não ser apelar aos tribunais europeus e isto será enviado amanhã”, disse Noonan a um comitê do Parlamento Europeu em Bruxelas. [Reuters]

Foursquare prepara fone de ouvido como o do filme “Ela”

A empresa, que hoje atua como fornecedora de dados sobre localização e mantém os apps Swarm (jogo de check-ins) e Foursquare (guia de estabelecimentos), trabalha em um dispositivo auditivo que terá um software que funciona como um guia turístico.

Conforme você andar por uma determinada região da cidade, uma voz irá lhe dizer informações sobre pontos históricos ou acontecimentos importantes do local.

O cofundador Dennis Crowley e o CEO Jeff Glueck contaram os planos do seu novo gadget em um podcast do site Recode. “Imagine um amigo andando ao seu lado. Conseguiremos criar uma personalidade como essa, que fala com você nesse sentido? Não estamos a 30 anos disso. Estaremos brincando com algo assim dentro de um ano”, afirmou Crowley.

“Quero fazer com que a Scarlett Johansson sussurre no seu ouvido, mas a ideia é focar em pontos locais e descobertas geográficas”, acrescentou o cofundador.

A empresa ainda demonstra interesse por recursos visuais para complementar essa experiência, como óculos com tecnologia de realidade aumentada.

Ainda não há previsão de lançamento ou nome oficial para o produto, nem se sabe se a estratégia do Foursquare com o produto será vendê-lo para o consumidor final ou para agências de turismo.

A companhia também não entra em detalhes sobre a sofisticação da inteligência artificial do aparelho auditivo. Se ela for como a do filme “Ela”, é melhor não se envolver demais.

Veja o trailer do filme “Ela” a seguir. [Lucas Agrela]

Braço de investimentos do Google revela aporte no Snapchat

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A divisão de capital de risco da Alphabet, a CapitalG, antes conhecida como Google Capital, divulgou investimento no Snapchat ao acrescentar o logotipo da rede social a seu portfólio de investimentos em seu site.

A CapitalG não fez um anúncio formal e não ficou claro quando o investimento foi feito. A empresa não estava imediatamente disponível para comentar.

A Snap Inc, que opera o popular aplicativo de mensagens Snapchat, contratou recentemente os bancos Morgan Stanley e a Goldman Sachs para coordenarem sua abertura de capital (IPO). A previsão é de que o Snapchat pode chegar ao mercado valendo cerca de US$ 25 bilhões – oito vezes mais do que o Facebook ofereceu para comprar o aplicativo, no final de 2013.

O Snapchat, que permite aos usuários enviar fotos de smartphones que desaparecem automaticamente após alguns segundos, tem se mostrado popular entre adolescentes. No Brasil, o aplicativo tem crescido em popularidade nos últimos meses, e recentemente começou a vender anúncios publicitários localmente.  [Reuters]