77% dos brasileiros usam o smartphone para realizar operações bancárias

Categoria está entre as mais populares de uso do celular, segundo pesquisa do Google
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Android completa 10 anos de Brasil 

O Google está comemorando 10 anos da presença de Android no Brasil – o sistema operacional comemorou sua primeira década de existência em 2018. Como parte da celebração, a empresa divulgou nesta terça, 26, uma pesquisa sobre os hábitos do brasileiro com o smartphone. Entre eles, destaca-se o uso do celular para realizar operações bancárias. 

Segundo a pesquisa, 77% dos brasileiros usam o smartphone para atividades bancárias, como pagamentos e transferências. A categoria aparece acima de outras muito presentes no cotidiano, como usar apps de mobilidade, como Google Maps e Waze, ou ler notícias. Apps de mobilidade são usados por 65% dos usuários e acesso a notícias corresponde a 70%. 

Serviços bancários só perdem para pesquisas na internet (83%), além de ouvir música, acessar redes sociais e ouvir música. A pesquisa revelou que 44% dos usuários utilizam o smartphone para acessar serviços públicos, como FGTS, INSS e carteira de motorista digital. A carteira de estudante digital, lançada nesta segunda, 25, pelo MEC, teve 10 mil downloads nas últimas 24 horas, segundo o Google.

Porta de entrada

Entre os entrevistados pelo Google, 85% disseram que o Android era o sistema operacional do seu primeiro smartphone. Atualmente, existem 1.300 marcas parceiras com 24 mil produtos diferentes. No mundo, existem 2,5 bilhões de dispositivos Android ativos no mundo. 

Segundo os dados da própria companhia, o Android ajudou a reduzir o preço médio dos smartphone em 36% entre 2012 e 2017. 

Privacidade para crescidos

Somos crescidos. Queremos manter o direito de proteger nossa informação com os melhores recursos da tecnologia
Por Demi Getschko – O Estado de S. Paulo

Frase de Juvenal inspirou, por exemplo, a série Watchmen, dos quadrinhos e da TV

Há hoje um ímpeto muito positivo no sentido da proteção da privacidade dos indivíduos. Após a promulgação da lei europeia e de sua correspondente brasileira, os ventos sopram nessa direção. É importante, entretanto, diferenciar o que é proteção do que é tutela. O direito que temos de controlar nossos dados não nos impede que, a nosso juízo, os repassemos a alguém, desde que essa seja nossa opção, consciente e informada. Em Portugal, por exemplo, à luz deste debate sobre decisão consciente e informada, discute-se qual a idade mínima com que se poderia exercer a opção de permitir acesso a dados pessoais.

Ao mesmo tempo em que há claros avanços na busca da proteção a privacidade, ressurgem antigos argumentos que, à guisa de incrementar a “segurança”, trabalham na direção oposta. A velha e falsa dicotomia entre segurança e privacidade nota-se, por exemplo, na discussão em voga sobre eventual vedação do uso por indivíduos da criptografia forte. Nada mais enganoso que a armadilha, mefistofélica, de “abre-me tua privacidade, que eu poderei zelar melhor por tua segurança”…

Criptografia é uma ferramenta muito antiga, e que obviamente se destina a proteger conteúdos. Até há alguns anos não estava “na moda”, nem em correio eletrônico, nem nas redes. Tudo mudou quando ficaram públicas ações de bisbilhotice oficial aqui e acolá. A internet, como se fora um organismo vivo, defendeu-se e trouxe em seu apoio a popularização do uso de criptografia forte. Com a tecnologia que temos hoje, a quebra de criptografia forte pode ser inalcançável.

Alegam os que gostariam de vetar o uso da versão robusta da criptografia, que pretendem nos proteger, identificando conteúdos suspeitos ou criminosos na rede. Que para nos protegerem precisam ter acesso às chaves que decifrariam o que enviamos. 

Se uma brecha for criada, seja pela introdução de “portas dos fundos” que permitam acesso a conteúdo limpo em equipamentos e serviços, seja por “chaves mestras”, conhecidas apenas pelos que estão do lado da lei, o sigilo de indivíduos e, mesmo, o sigilo empresarial estarão sendo comprometidos. É mais do que ingênuo supor que os mal-intencionados, após a vedação, não usarão mais criptografia forte. Quem estará vulnerável, como de praxe, é o usuário comum, cuja comunicação estará sempre ao alcance dos que se interessarem. Os mal-intencionados continuarão a fazer o que faziam.

O argumento de que apenas terão acesso a nossos dados privados os que cuidam de nossa segurança, sempre se demonstrou falho. Há um dito na rede: “se há uma janela que possibilita o abuso de algo, esse abuso ocorrerá”. E isso tanto por falhas técnicas como por falhas humanas. Não se trata de desconfiar dos “guardiães”, mas se houver uma “porta oculta,” mesmo que inicialmente conhecida apenas pelas “forças do bem” , há uma possibilidade muito grande de, por descaso ou desídia, ser também usada por mal-intencionados. Na frase de Juvenal, “quis custodied ipsos custodes?”. Isto é: quem zelaria pela correção dos que nos guardam?

Somos crescidos. Queremos manter o direito de proteger nossa informação com os melhores recursos da tecnologia. Criptografia fraca, que tenha o nível da “Língua do Pê”, serve apenas como engodo e brincadeira de crianças. 

YouTube vai alertar brasileiros sobre vídeos com informações falsas

Nova ferramenta estreia nesta terça no site, e usará checagem de parceiros independentes
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

YouTube terá alerta contra informações falsas na plataforma 

YouTube terá a partir desta terça-feira, 26, uma nova ferramenta para evitar a disseminação de informações falsas na plataforma. Quando usuários fizerem buscas por vídeos que normalmente são usados para espalhar informações que não são verdadeiras, o YouTube apresentará no topo dos resultados um alerta, que indicará a veracidade daquilo que foi buscado. O recurso estava em testes desde março deste ano na Índia e agora será trazido ao País – mensalmente, mais de 100 milhões de pessoas no Brasil visitam o YouTube.   

Isso não significa que vídeos com informações falsas serão eliminados ou bloqueados da plataforma. O alerta será feito no topo da tela de buscas, acima dos resultados. Na página dos vídeos, tudo permanecerá como está, sem nenhum tipo de alerta. A checagem dos fatos nos alertas será feito por parceiros independentes. Entre eles estão Estadão Verifica, Boatos.org, Aos Fatos, Agência Lupa, UOL Confere, AFP Checamos Projeto Comprova. Qualquer um dos parceiros poderá criar os painéis com informações que aparecerão nas buscas. 

“A expansão da ferramenta complementa nosso trabalho constante para crescer fontes com autoridade quando as pessoas buscarem por notícias e informações no YouTube”, diz a empresa, em comunicado oficial em seu blog. 

Ao criar a ferramenta, o Google espera fazer uma ponte entre usuários e agências de checagem de fatos. A empresa atribui aos parceiros a responsabilidade pela checagem – a companhia sabe que alguns dos donos dos canais podem reclamar ao ter seu conteúdo relacionado ao alerta de informações falsas. O Google se vê apenas como plataforma e não como responsável direto pela checagem do que é postado. 

É por essa razão também que a companhia decidiu por uma ferramenta de alerta e não optou por bloquear diretamente conteúdo falso. Para a empresa, é melhor adotar um sistema de prevenção mais amplo do que atestar a veracidade de informações de cada vídeo postado. O Google também vê a situação como uma questão de escala: a empresa acredita que a classificação individual de vídeos é muito difícil de ser implementada dado o volume de material postado.    

Qualquer tópico que já tenha sido checado pelos parceiros brasileiros poderá ganhar alertas no YouTube, isso inclui tópicos relacionados a política e saúde. 

A ferramenta se soma uma série de medidas do YouTube para tentar reverter a tomada da plataforma por notícias falsas e teorias da conspiração – neste ano, o site reduziu o alcance de vídeos com teorias conspiratórias, embora a companhia não considere que eles violem os seus termos de uso.

Nos últimos anos, Google, Facebook e Twitter vem sendo criticados não apenas pela circulação de conteúdos falsos e conspiratórios, mas também por permitirem que seus algoritmos turbinem o alcance desses materiais, o que teria tido impactado diferentes países, incluindo seus processos eleitoriais.    

Na semana passada, o Google, dono do YouTube, também anunciou restrições para anúncios políticos em sua plataforma a partir de 2020. Os anunciantes não poderão mais especificar atributos como afiliação política ou histórico de votação pública para determinar o alcance de uma determinada publicação ou propaganda. 

Sueca Ericsson investirá R$1 bi para desenvolver 5G no Brasil

O movimento deve acirrar a competição com a finlandesa Nokia e a chinesa Huawei
Por Agências – Reuters

Empresa sueca gastará 200 milhões de reais para instalar a nova linha de montagem

A fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações Ericsson planeja investir R$ 1 bilhão para ampliar sua fábrica em São José dos Campos (SP), desenvolvendo uma nova linha de montagem exclusivamente dedicada a produtos de tecnologia 5G que serão fornecidos para toda a América Latina.

O movimento deve acirrar a competição com a finlandesa Nokia Oyj e a chinesa Huawei Technologies Co Ltd, que também têm fábricas no Estado de São Paulo e estão na corrida para liderar a implantação do 5G no Brasil.

“Já exportamos 40% do que é montado em nossa fábrica do Brasil para os países da América Latina e com o 5G não vai ser diferente. Essa linha de montagem vai servir Brasil e todos os países da América Latina”, disse Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson Latam South, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira.

O investimento será feito entre 2020 e 2025 e inclui contratações, compra de maquinários, entre outras despesas, acrescentou o executivo.

Inicialmente, a empresa sueca gastará 200 milhões de reais para instalar a nova linha de montagem, disse Ricotta. “Nosso planejamento é que partir do terceiro trimestre de 2020 essa nova linha de montagem esteja funcionando, mas vamos equilibrar essa data de acordo com o leilão de 5G.”

A agência reguladora de telecomunicações do Brasil, Anatel, ainda está determinando as regras para o leilão 5G, que foi inicialmente agendado para março do próximo ano, mas depois foi adiado para o segundo semestre de 2020, enquanto continuam os testes de interferência com outros serviços.

“Sempre nos planejamos esperando um pouco de desvio na questão do timing do investimento. Mas acreditamos que o momento correto é agora, já que essa fábrica servirá também outros mercados na região”, afirmou Ricotta, sem divulgar os principais destinos.

A empresa possui fábricas na Suécia, Estados Unidos, China, Índia e Estônia, além do Brasil.

O investimento anunciado pela Ericsson surge três meses depois que a rival Huawei anunciou planos de construir uma fábrica de smartphones de 800 milhões de dólares também no Estado de São Paulo nos próximos três anos, em um esforço para aumentar sua presença na América Latina enquanto enfrenta objeções do governo norte-americano.

Segundo Ricotta, 23 das redes 5G já em operação estão usando a tecnologia da Ericsson e o grupo assinou 80 acordos em todo o mundo.

“Somos o único que tem redes 5G funcionando em todos os continentes e são redes de grande porte, principalmente com as operadoras americanas”, disse o executivo.

Imagens de vítimas de abuso proliferam na internet

Empresas de tecnologia dispõem das ferramentas técnicas para impedir que imagens de abusos voltem a circular, mas não fazem pleno uso dela
Michael H. Keller e Gabriel J.X. Dance, The New York Times

Um rastro digital de imagens de abuso sexual assombra vítimas como essas irmãs.
Um rastro digital de imagens de abuso sexual assombra vítimas como essas irmãs. Foto: Kholood Eid para The New York Times

Dez anos atrás, o pai delas fez o impensável: publicou na internet fotos e vídeos delas, que na época tinham sete e 11 anos. Boa parte desse material registrava abusos violentos no lar da família no Meio-Oeste americano, incluindo e outro homem dopando e estuprando a menina de sete anos.

Os homens estão na prisão, mas seus crimes encontram novo público. Somente esse ano, fotos e vídeos das irmãs foram encontrados em mais de 130 investigações de abuso sexual infantil envolvendo celulares, computadores e contas de armazenamento na nuvem. O rastro digital do abuso – frequentemente armazenado em serviços como Google Drive, Dropbox e Microsoft OneDrive – assombra as irmãs implacavelmente, de acordo com elas, bem como o temor de serem reconhecidas por causa das imagens.

“É algo que está na minha cabeça o tempo todo – sabendo que essas imagens circulam por aí”, disse E., a irmã mais velha, que será identificada apenas pela inicial do nome. “Por causa da forma de funcionamento da internet, isso não é algo que cairá no esquecimento.” Experiências horríveis como a delas voltam a circular na internet porque os mecanismos de busca, redes sociais e serviços de armazenamento na nuvem estão repletos de oportunidades que os criminosos podem explorar.

Nos anos mais recentes, a indústria da tecnologia tem sido mais rigorosa na identificação de material contendo abuso sexual infantil, com um volume recorde de 45 milhões de fotos e vídeos denunciados no ano passado. Mas essa mesma indústria foi incapaz de adotar medidas agressivas para acabar com esse conteúdo, de acordo com investigação do New York Times. As empresas dispõem das ferramentas técnicas para impedir que imagens de abusos voltem a circular, mas não fazem pleno uso delas.

Amazon, cujos serviços de armazenamento na nuvem recebem milhões de transferências por segundo, nem se dá o trabalho de procurar essas imagens. De acordo com autoridades federais, a Apple não analisa o conteúdo armazenado no seu serviço de nuvem, e seu aplicativo de mensagens é criptografado, tornando a detecção virtualmente impossível. Os produtos de Dropbox, Google e Microsoft voltados ao consumidor vasculham o material armazenado em busca de imagens ilegais, mas somente quando um usuário as compartilha, e não no momento do carregamento.

E outras empresas, como Snapchat e Yahoo, procuram fotos ilegais, mas não vídeos (indagada a respeito da ferramenta de análise de vídeos, uma porta-voz do Dropbox disse em julho que essa não era “uma prioridade” da empresa; no dia 7 de novembro, a empresa disse que começou a analisar alguns vídeos no mês passado).

Maior rede social do mundo, o Facebook analisa o conteúdo que circula nas suas plataformas, sendo responsável por mais de 90% das imagens denunciadas no ano passado, mas a empresa não usa todos os bancos de dados disponíveis para detectar o material. E o Facebook anunciou que a principal fonte das imagens, o Facebook Messenger, receberá recursos de criptografia, o que limitará muito a detecção de imagens ilegais.

“Cada empresa está criando seu próprio equilíbrio entre privacidade e segurança, e não querem que isso seja feito diante do público”, disse Alex Stamos, que atuou como diretor de informação no Facebook e na Yahoo. “São decisões que acabam trazendo um impacto imenso para a segurança das crianças.” O principal método de detecção de imagens ilegais foi criado em 2009 pela Microsoft e por Hany Farid, atualmente professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley. 

O software, conhecido como PhotoDNA, pode usar computadores para reconhecer fotos, mesmo que tenham sido alteradas, e compará-las a bancos de dados de imagens ilegais já conhecidas. Mas essa técnica tem alcance limitado porque não existe uma lista única de material ilegal conhecido. Mesmo que houvesse uma lista única, isso não resolveria o problema das novas imagens, nem o surto de abusos transmitidos ao vivo.

Para vítimas como E. e a irmã F., o trauma da circulação constante de fotos e vídeos do passado pode ter efeitos devastadores. A mãe disse que as irmãs já foram hospitalizadas por causa de tendências suicidas. E como os criminosos online são conhecidos por buscar contato com crianças vítimas de abuso, as irmãs não falam em público. “Nossa voz é tirada de nós”, disse E. “Por causa dessas imagens, nunca posso falar em meu nome. Sempre tenho que me apresentar como ‘Joana da Silva’.”

Procurando imagens de abuso

O técnico de computadores Joshua Gonzalez, do Texas, foi detido esse ano com mais de 400 imagens de abuso sexual infantil no seu computador, entre elas imagens de E. e da irmã. Gonzalez disse ter usado a ferramenta de pesquisas da Microsoft, Bing, para encontrar algumas das fotos e vídeos ilegais, de acordo com documentos do tribunal.

O Times criou um programa de computador que vasculhou automaticamente o Bing e outros mecanismos de busca. O script automatizado encontrou imagens – dezenas delas – que o serviço PhotoDNA, da própria Microsoft, denunciou como sendo de conteúdo ilegal. O Bing chegou até a recomendar outros termos de busca quando um conhecido site de abuso sexual infantil foi inserido na caixa de pesquisa. Os pedófilos também usaram o recurso de “busca reversa de imagens” do site, que exibe imagens com base em uma amostra.

Depois de analisar os resultados obtidos pelo Times, a Microsoft disse ter identificado uma falha no seu sistema de varredura, e os resultados de busca seriam reexaminados. Mas novas tentativas de uso do programa identificaram ainda mais material. Quando usado pelo Times no mecanismo de busca do Google, o programa do Times não mostrou conteúdo abusivo. Mas documentação apresentada pelo Centro Canadense de Proteção à Criança mostrou que imagens de abuso sexual infantil também foram encontradas por meio do Google e, às vezes, a empresa resistia ao pedidos de remoção desse conteúdo.

Uma imagem mostrava parte do corpo de duas crianças obrigadas a praticar atos explícitos uma com a outra. É parte de uma conhecida série de fotos documentando o abuso dessas crianças. Em agosto, o centro canadense pediu ao Google que retirasse a imagem de circulação, mas a empresa disse que esse conteúdo não se enquadrava nas suas diretrizes de remoção, de acordo com os documentos. No fim, o Google acabou cedendo aos apelos.

Outra imagem, encontrada em setembro de 2018, mostra uma mulher tocando a genitália de uma menina nua de dois anos. O Google se recusou a apagar a imagem, dizendo em e-mail endereçado aos analistas canadenses que, embora a imagem retratasse pedofilia, “ela não é ilegal nos Estados Unidos”. Posteriormente, a empresa reconheceu o erro. Quando o Times indagou ao Google a respeito da imagem em questão e outras identificadas pelos canadenses, um porta-voz reconheceu que elas deveriam ser removidas, e de fato foram. 

Uma semana após a remoção das imagens, o centro canadense denunciou duas outras fotos. O Google respondeu ao centro canadense que nenhuma das imagens se enquadrava nas “diretrizes de denúncia”, mas, posteriormente, concordou em removê-las. “É muito frustrante”, disse Lianna McDonald, diretora executiva do centro.

Criminosos por toda parte

O problema não se limita aos mecanismos de busca. Com frequência, os pedófilos recorrem a diferentes tecnologias e plataformas, reunindo-se em aplicativos de mensagens e compartilhando conteúdos em serviços de armazenamento na nuvem. “A primeira coisa que as pessoas precisam entender é que qualquer sistema permitindo o compartilhamento de imagens e vídeos está completamente infestado de abuso sexual infantil”, disse Stamos. Muitas vezes, criminosos debatem em fóruns e grupos de bate-papo a melhor forma de explorar as vulnerabilidades das plataformas, de acordo com os casos julgados nos tribunais.

O rastro digital que persegue uma jovem vítima de abuso é representativo desse padrão. A menina, atualmente uma adolescente vivendo na Costa Oeste dos EUA, não sabe que há na internet vídeos do abuso que sofreu. A mãe e o padrasto queriam que essa situação perdurasse. “Para ela, a internet serve para pesquisar filhotinhos”, disse o padrasto.

Os abusadores costumam compartilhar fotos e vídeos de meninas sendo abusadas em sites que aparecem no Bing e em outras ferramentas. Quando as imagens são detectadas, o FBI notifica a família da vítima ou seu advogado. De acordo com a família dela, nos quatro anos mais recentes, eles receberam mais de 350 notificações envolvendo casos ocorridos em todo o território dos EUA.

Quando completar 18 anos, a menina se tornará a destinatária das notificações policiais. A mãe e o padrasto esperam que, quando esse dia chegar, ela estará melhor preparada para receber a notícia. Esperam também que as empresas de tecnologia tenham aprimorado seus recursos de remoção dessas imagens até lá. “Adoraria poder dizer a ela que o material esteve na internet, mas já foi apagado”, disse a mãe dela.

‘Imagens são eternas’

“É muito frustrante", disse Lianna McDonald, defensora dos direitos da criança, a respeito dos critério de remoção de imagens do Google.
“É muito frustrante”, disse Lianna McDonald, defensora dos direitos da criança, a respeito dos critério de remoção de imagens do Google.Foto: Kholood Eid para The New York Times

No lar adotivo de uma família que abriga diferentes vítimas de abuso, duas das filhas adotivas foram filmadas enquanto eram estupradas pelo pai, enquanto outras sofreram abusos, mas não foram fotografadas nem filmadas. De acordo com a mãe adotiva, a diferença pode ser grande com o passar do tempo.

“Elas ficam furiosas pensando que as imagens são eternas”, disse ela. “Duvido que um dia sejam apagadas de vez.” A resposta da indústria ao conteúdo em vídeo é ainda mais precária. Não existe uma técnica padrão para identificar conteúdo ilegal em vídeo, e muitas das principais plataformas – incluindo AOL, Snapchat e Yahoo – não fazem nenhum esforço nesse sentido. AOL e Yahoo não responderam aos pedidos de comentário para a reportagem. Um porta-voz do Snapchat disse que a empresa estava desenvolvendo uma solução.

Faz anos que as empresas de tecnologia sabem que vídeos de crianças sendo abusadas sexualmente são compartilhados nas suas plataformas, de acordo com ex-funcionários da Microsoft, Twitter, Tumblr e outras empresas. Em 2013, menos de 50 mil vídeos foram denunciados. No ano passado, empresas encaminharam mais de 22 milhões de vídeos ao Centro Nacional para Crianças Abusadas ou Desaparecidas, uma organização americana sem fins lucrativos.

Em 2017, a indústria da tecnologia aprovou um processo para facilitar a detecção de material ilícito pelas empresas, de acordo com e-mails confidenciais e outros documentos que fizeram parte de um projeto organizado pela Technology Coalition, grupo voltado para questões de segurança infantil que inclui a maioria das maiores empresas. Um documento sublinha a justificativa para o projeto: “O vídeo se tornou tão fácil de produzir quanto as imagens, e nenhum processo ou solução padrão foi adotado pela indústria”. Mas o plano não produziu resultados.

Futuro incerto

A inação por parte da indústria permitiu que incontáveis vídeos e imagens permaneçam na internet e possibilitou que o abuso prosperasse nas plataformas de transmissão ao vivo. Facebook, Google e Microsoft disseram estar no processo de desenvolver tecnologias capazes de encontrar novas fotos e vídeos nas suas plataformas, mas isso pode levar anos. Muitas empresas, entre elas a Amazon, citaram a privacidade do cliente como obstáculo para combater o abuso. Algumas, como Dropbox e Apple, também citaram preocupações de segurança quando indagadas a respeito de suas práticas.

Vários especialistas forenses em tecnologia digital e funcionários dos serviços de policiamento disseram que as empresas são hipócritas ao citar a segurança como preocupação. Stamos, ex-diretor de segurança do Facebook e da Yahoo, disse que as empresas só estão tentando “evitar um anúncio dizendo que estão abertas aos negócios” para os criminosos. “Quando dizem, ‘É um problema de segurança’, estão anunciando que não farão nada a respeito”, disse ele. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Elon Musk indica que Tesla recebeu 200 mil pedidos por picape futurista

Apesar do episódio dos vidros quebrados, montadora já teria um alto volume de pedidos pelo Cybertruck
Por Agências – Reuters

Tesla teria tido 200 mil pedidos para o Cybertruck

O presidente-executivo da TeslaElon Musk, indicou no Twitter neste domingo, 24, que a montadora recebeu 200 mil pedidos de sua picape elétrica três dias após o seu lançamento.

Musk, que costuma tuítar regularmente sobre os recursos do Cybertruck desde o seu anúncio na quinta-feira, 21, também atualiza seus seguidores com o número de pedidos que a empresa recebeu.

Em um primeiro tuíte, Musk havia dito que a empresa recebeu 146 mil pedidos do Cybertruck. No domingo, ele postou a mensagem “200K” – uma referência aparente ao número de pedidos.

O site da empresa mostra que é necessário um pagamento imediato de US$ 100 para reservar o Cybertruck, que tem um preço inicial de US$ 40 mil. 

O lançamento de sua picape futurista sofreu um revés quando as janelas de “vidro blindado” do veículo elétrico quebraram em seu anúncio. A aparência geral do veículo elétrico preocupou Wall Street na sexta-feira, 22, levando as ações da montadora a caírem 6,1%.

Musk disse que o Cybertruck é o último produto da Tesla a ser anunciado por um tempo. A empresa planeja começar a fabricar o Cybertruck por volta do final de 2021.

Comercial de Natal da Apple ‘Holiday — The Surprise’

Às vezes, os melhores presentes podem vir dos lugares mais inesperados.

Intitulado “A Surpresa” (“The Surprise“), no comercial temos uma família americana que viaja para passar o Natal com o avó materno — que, por sua vez, perdeu a sua companheira há pouco tempo.

Enquanto os pais tentam acalmar os ânimos das duas meninas lhes ofecerendo um iPad para assistir algo em diversos momentos (técnica parental bastante utilizada nos dias de hoje), elas mostram que, com o tablet, é possível não apenas consumir mas criar muita coisa.

E não estamos falando de um iPad Pro de última geração com um Apple Pencil novo, não: a Apple fez questão de mostrar que tudo isso é possível num iPad “normal”, com um lápis original: https://apple.co/35kaYGD

Song: “Married Life” by Michael Giacchino https://apple.co/2O50rYZ