Larry Page, um dos fundadores do Google, entra em seleta lista de pessoas com mais de US$ 100 bilhões

Larry Page figura ao lado de Elon Musk, Jeff Bezos e Bill Gates

Larry Page, um dos fundadores do Google

Nesta semana, Larry Page, um dos fundadores do Google, entrou em uma seleta lista de pessoas: a das que possuem mais de US$ 100 bilhões (R$ 575,6 bilhões).

Agora, são sete os donos de bens que, somados, dão fortunas com 12 dígitos, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Além de Page, figuram na lista Jeff Bezos, fundador da Amazon, Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX e da Tesla Motors, Bill Gates, fundados da Microsoft, Mark Zuckerberg, dono do Facebook, o megainvestidor Warren Buffett e Bernard Arnault, da LVMH.

Outro fundador do Google, Sergey Brin, chegou a pertencer ao grupo na última segunda-feira (12), mas nesta terça (13), já não figurava mais no ranking. O índice indica que ele acumula hoje uma fortuna de US$ 99,1 bilhão, e que sua última perda foi de US$1,12 bilhão.

Não à toa ambos obtiveram a cifra juntos: o feito veio após aumento no preço das ações da Alphabet, empresa de tecnologia dona do Google. Seus papéis aumentaram 86% em um ano. Hoje, a receita da companhia é de US$ 182,53 bilhões.

O êxito da empresa no último ano vem na esteira da mudança de hábitos dos consumidores, inundados por ferramentas online após a pandemia do coronavírus.

Apesar disso, a Alphabet –dona do Google– precisou se readequar à crise econômica de 2020, quando, em julho, registrou a primeira queda de receita de sua história desde a abertura de capital, em 2004. O balanço apontava para receita de US$ 38,3 bilhões (R$ 197,6 bilhões) no segundo trimestre de 2020, recuo de 2% em relação ao mesmo período de 2019.

Na época, a diretora financeira da Alphabet, Ruth Porat, disse que a receita foi impulsionada por uma “melhoria gradual nos negócios de anúncios” e Google Cloud, serviço de nuvem da empresa.

“Continuamos a navegar por um ambiente econômico global difícil”, afirmou.

Abaixo, os donos de fortunas maiores que US$ 100 bilhões.

NomeFortunaPaísSetor
Jeff BezosUS$ 198 bilhõesEUATecnologia
Elon MuskUS$ 194 bilhõesEUATecnologia
Bill GatesUS$ 145 bilhõesEUATecnologia
Bernard ArnaultUS$ 135 bilhõesFrançaConsumo
Mark ZuckerbergUS$ 116 bilhõesEUATecnologia
Larry PageUS$ 103 bilhõesEUATecnologia
Warren BuffettUS$ 101 bilhõesEUADiversificado

Instagram Lite chega ao Brasil mirando celulares básicos

Versão ocupa 2MB de memória e mira em pessoas com pouca capacidade de armazenamento no celular e sem acesso à internet de qualidade
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Por enquanto, o Instagram Lite estará disponível apenas para celulares com sistema operacional Android

Instagram anunciou nesta quarta, 13, a chegada do Instagram Lite ao Brasil. O app é uma versão mais leve da plataforma para usuários que querem poupar armazenamento ou pacote de dados e estará disponível para download a partir de quarta-feira, 14. 

Aguardada pelos usuários da plataforma, o Instagram Lite ocupa apenas 2 MB — em comparação aos 5,5 MB que o app tradicional possui — e tem como missão livrar espaço nos smartphones. O foco é um público específico: usuários que não possuem boa rede móvel de internet ou que utilizam celulares com menor capacidade de armazenamento. 

Segundo Nicholas Brown, chefe de produtos do Instagram, o objetivo do app é entregar o mesmo conteúdo e qualidade no uso da plataforma da versão original, mesmo com uma capacidade menor de uso do processamento do celular. Além disso, Brown reforça que o Brasil é um mercado chave para o novo modelo, uma vez que tem a demanda de usuários que podem se beneficiar da versão mais leve do Instagram.

“É muito comum, em mercados emergentes, ter usuários constantemente com falta de memória no celular por conta dos apps baixados ou mesmo por usar celulares com memória pequena. Muitos brasileiros pediam  pelo Instagram Lite no Brasil então identificamos a demanda”, explicou Brown em uma coletiva online em que o Estadão esteve presente. 

Na experiência do Instagram Lite, Gal Zellermayer, diretor de engenharia, afirmou que a construção da plataforma foi possível porque parte do processamento que acontecia no telefone do usuário foi transferido para um servidor em nuvem. Isso possibilitou diminuir o tamanho do app para 2 MB, resultando também em um download mais rápido em smartphones e em um menor consumo de internet.

Público alvo 

Segundo a pesquisa de 2020 do TIC Domicílios, estudo que mede os hábitos e comportamento de usuários da internet brasileira, um em cada quatro brasileiros ainda não se conecta à internet. Entre as classes D e E, apenas 57% da população possuem acesso à rede. Na classe C, esse número é de 78%. 

Com isso, a estratégia do Instagram mira, primeiramente, apenas em usuários de aparelhos com sistema operacional Android. A empresa também disse que levou em consideração levantamentos sobre a situação geral do Brasil, como o valor de pacotes de dados de internet no País, o alcance de redes de internet banda larga e o acesso à internet móvel de qualidade. 

O Instagram Lite já está presente em mais de 170 países e chega ao Brasil com a experiência de usuários ao redor do mundo. Perguntado pela reportagem sobre o momento da chegada no País, Brown explicou que o app não desembarcou antes por aqui porque era necessário ter uma validação antes de atingir um público tão grande. 

“O Brasil é um mercado importante. Era importante ter a certeza e ter outros feedbacks para que o app pudesse funcionar da melhor forma possível quando atingisse um público grande”, afirmou. 

Com vacinação a passos rápidos nos EUA, Uber vê crescimento de 9% nos ganhos com corridas em março

Enquanto isso, Uber Eats dobrou sua receita em 2020
Por Pedro Strazza

Uber nesta segunda (12) enviou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA um arquivo preliminar com um resumo de seus ganhos no primeiro trimestre de 2021, e pelo visto a companhia enfim começa a ver um fim no longo túnel percorrido durante a pandemia. De acordo com a companhia, o segmento de mobilidade do aplicativo registrou um aumento de 9% nos ganhos entre fevereiro e março deste ano.

A informação é crucial para a empresa, que viu o total de corridas feitas pelo app despencar 70% no mesmo período em 2020, quando a pandemia estava em seu início e a quarentena levou milhões de usuários a deixar de usar rotineiramente o serviço. Só no último trimestre do ano passado, a companhia registrou perdas da altura de US$ 968 milhões.

De acordo com o Uber, o segmento de transporte agora registrou uma receita de US$ 30 bilhões, um número baixo se considerar o crescimento exponencial do Eats. A plataforma de delivery dobrou sua receita em 2020 e registrou um total de US$ 52 bilhões, com 130% de aumento só no último trimestre de 2020.

Tudo se liga à vacinação, claro. No documento, a companhia escreve que “conforme a vacinação aumenta nos EUA, nós observamos que a demanda do consumidor por mobilidade se recupera mais rápido que a disponibilidade de motoristas”, enquanto a procura pelo delivery segue uma lógica própria de crescimento.

O Uber também nota que espera uma “acumulação significativa” nos custos, alegando ser um efeito decorrente da recente instituição de salário mínimo e benefícios para motoristas no Reino Unido por mando da justiça. Mais resultados devem ser liberados publicamente no próximo dia 5 de maio.

Sony quer adaptar franquias do PlayStation para iOS

Ao que tudo indica, a Sony pretende adaptar alguns dos títulos/franquias mais populares do PlayStation para iPhones e iPads no futuro — pelo menos é isso que anúncios de emprego da gigante tecnológica indicam, conforme visto pelo Eurogamer.

Mais precisamente, a Sony está procurando alguém para o cargo de “chefe de mobile”. A descrição da vaga explica que o candidato “conduzirá todos os aspectos da expansão do desenvolvimento de jogos de consoles e PCs para serviços móveis”, com foco em “adaptar com sucesso as franquias mais populares do PlayStation para dispositivos móveis”.

Pelo anúncio, parece que a Sony está ansiosa para acelerar essa expansão — mas poderá demorar um pouco para acontecer. De acordo com o Eurogamer, o roteiro da empreitada está definido para durar de três a cinco anos.

Vale notar que a Sony já possui um braço para games mobile do PlayStation — responsável por criar alguns títulos móveis, incluindo “Run Sackboy! Run!”“Uncharted: Fortune Hunter”, entre vários outros.

Além disso, a Sony também teve uma das maiores presenças no mercado de jogos mobile com o smartphone Xperia Play e seus consoles de jogos portáteis PlayStation Portable e PS Vita.

Atualmente, é possível jogar títulos do PlayStation por meio de um iPhone ou iPad a partir do aplicativo PS Remote Play, o qual basicamente espelha o console no seu dispositivo.

VIA HYPEBEAST

Apple pode lançar HomePod de luxo com braço robótico para apoiar iPad

Além disso, a fabricante americana trabalha em uma nova Apple TV integrada com HomePod com câmera para videochamadas

Lançado em 2018, HomePod foi descontinuado em março de 2021 devido ao pouco sucesso entre o público

Apesar de discretamente ter retirado das lojas o maior modelo da sua caixa de som integrada com assistente virtual, o HomePod original, a Apple pretende continuar no ramo, reporta a Bloomberg nesta segunda-feira, 12. De acordo com a agência, a fabricante americana estuda lançar ao menos dois diferentes modelos de luxo do aparelho, mas as pesquisas estão em estágio inicial e podem ser abortadas antes do lançamento.

O primeiro modelo seria um HomePod com um braço robótico para apoiar o iPad, que se conectaria por Bluetooth à caixa de som e poderia ser útil para videochamadas ou assistir a vídeos enquanto cozinha, por exemplo. Segundo a Bloomberg, o braço robótico teria a capacidade de seguir o usuário pelo cômodo, assim como já faz o Echo 10, da Amazon.

Outro modelo em estudo pela Apple seria uma mistura de HomePod com câmera e Apple TV. O objetivo seria aliar a possibilidade de transmitir conteúdos de vídeo e música (que já faz a Apple TV) com integração com a Siri para fazer videoconferências e outras funções de casas inteligentes que já fazem o HomePod.

A Apple parece decidida a continuar no mercado de caixas de som com assistente virtuais, mesmo que atualmente só venda em suas lojas o HomePod mini, lançado em 2020 com preço mais “amigável” (US$ 99). O HomePod original, de 2018, foi descontinuado pela fabricante devido ao seu alto preço (US$ 350 no lançamento) em um mercado com opções mais baratas, como da  Amazon e do Google.

Tanto o HomePod mini quanto o HomePod original nunca nem foram lançados no Brasil.

Microsoft compra Nuance Communications por US$19,7 bilhões

A empresa já licenciou sua tecnologia (que era usada na Siri) para a Apple

Microsoft fechou hoje um acordo para adquirir a Nuance Communications, líder em software de síntese por fala (speech to text), por US$19,7 bilhões. A empresa é conhecida por licenciar a tecnologia por trás da Siri, mas as informações são de que a Nuance e a Apple não trabalham mais juntas atualmente.

Em um comunicado anunciando o acordo, a Microsoft disse que pretende expandir suas tecnologias com foco em inteligência artificial e saúde — ambas áreas em que a Nuance teve um bom desempenho nos últimos anos.

A gigante de Redmond anunciou, no ano passado, o Microsoft Cloud for Healthcare, uma plataforma que fornece recursos para gerenciar dados de saúde em escala, tornando mais fácil para as organizações de saúde “melhorarem a experiência do paciente, coordenar o atendimento e impulsionar a eficiência operacional”, ao mesmo tempo em que ajuda a “apoiar a segurança, conformidade e interoperabilidade de dados de saúde”.

É importante notar que a Microsoft já tem vários produtos de reconhecimento de fala para serviços no Windows e no Azure — mas, como dissemos, o foco com a aquisição da Nuance está nas tecnologias voltadas para saúde.

A transação já foi aprovada pelo conselho da empresa e a Microsoft espera que o negócio seja fechado até o fim deste ano — estando sujeita à supervisão regulatória e à aprovação dos acionistas da Nuance.

Esse é a segunda maior compra da Microsoft até então, superada apenas pelos US$26,2 bilhões que a empresa pagou pelo LinkedIn, em 2016.

VIA TECHCRUNCH

Dados de 1,3 milhão de usuários do Clubhouse são expostos na internet

Rede social de áudio minimizou o caso, afirmando que não se trata de invasão à plataforma

Clubhouse é uma rede social de áudios em tempo real

Cerca de 1,3 milhão de usuários do Clubhouse tiveram expostas suas informações pessoais, como nome, foto de perfil e data de criação da conta, revelou o site CyberNews no sábado 10. Os dados estão à venda em um fórum de hackers na internet, que pode ser acessado pelos sistemas de busca, como Google e Bing.

O Clubhouse confirmou o caso, mas minimizou o incidente ao afirmar que se trata de scraping, prática que consiste em raspar dados da web e organizá-los em estruturas. “O Clubhouse não foi invadido nem hackeado. Os dados citados são informações públicas do nosso aplicativo, o que todo mundo pode acessar via nosso aplicativo ou API”, publicou no Twitter a rede social.

As informações expostas podem ser encontradas nos perfis dos usuários, mas, até então, não eram estruturadas em uma única planilha, que é no que consiste o scraping.

A prática de raspagem, ainda que não seja um problema tão grave quanto ser invadido por um criminoso, pode levantar questões de privacidade.

Para Mantas Sasnauskas, especialistas de segurança do CyberNews, o Clubhouse permite que qualquer pessoa acesse a API da plataforma e raspe os dados de todos os usuários, sem que seja exigido o token de acesso expire com o tempo — o que é comum em outras APIs.

Sasnaukas diz que o ideal é que a rede social dificultasse a raspagem a partir de sua API: “Não ter nenhuma medida de antirraspagem pode ser visto como um problema de privacidade”, diz.

Nascido com DNA gamer, Discord está prestes a virar ‘gente grande’

Com cardápio que parece juntar WhatsApp, Slack, Zoom, Reddit e Twitch, serviço está na mira da Microsoft, que pode fazer negócio de US$ 10 bilhões
Por Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo

Com múltiplas ferramentas, Discord tem potencial para crescer como plataforma no mundo corporativo

Desconhecida por muitos, mas amada intensamente por seus usuários, a rede social Discord está prestes a virar gente grande: a startup pode fazer abertura de capital (IPO) na Bolsa ou ser comprada pela Microsoft por US$ 10 bilhões, de acordo com reportagem da Forbes. As duas possibilidades estão na mesa e ambas impulsionariam a plataforma de comunicação, que tem mais de 140 milhões de usuários mensais em todo o mundo.

O novo horizonte está menos relacionado com aquilo que Discord fez até aqui e mais atrelado às possibilidades de interação que a rede passou a exibir desde que a pandemia de covid-19 acelerou a digitalização de diversos serviços. Originalmente visto como uma rede social para jovens da Geração Z, o Discord se tornou uma ferramenta poderosa para o mundo do trabalho — o que explica parcialmente o interesse da Microsoft, uma das líderes nesse segmento.

A plataforma é uma mistureba de diversos instrumentos que vieram do cardápio de concorrentes: tem um pouco de inspiração no WhatsApp, no Slack, no Zoom, no Reddit e na Twitch — até o Clubhouse parece ter saído de uma costela do serviço. A rede social afirma que tem como objetivo promover “todo o tipo de encontro” virtual. É um conceito bem amplo, mas ajuda a explicar a diversidade de ferramentas que o aplicativo oferece.

Ao se cadastrar na rede, o usuário cria um “servidor”, algo que o Discord compara com um lar: “só entra quem você quiser. É como se fosse a sua casa”. Um usuário, por exemplo, pode criar diversos servidores (e participar de outros, claro) para diferentes públicos, similar a grupos no WhatsApp. Mas, ao contrário deles, em que as mensagens se amontoam conforme o fluxo da conversa, é possível separar os assuntos por chats diferentes. Enquanto dois amigos da faculdade discutem a próxima entrega de trabalho, outros três podem se reunir na conversa ao lado para falar da nova série em alta na Netflix.

A graça é que cada tópico criado gera automaticamente um chat separado para a conversa de voz, sem precisar abrir uma chamada e esperar que atendam a ligação. Clicou, falou. Aí faz mais sentido a comparação com o lar: um chat é a cozinha, outro é a sala, por exemplo. Basta sair de um para o outro, sem que a conversa seja interrompida pelas pessoas que sobraram. Parece um cruzamento de Slack com grupão de zap. 

Apaixonado por videogames, Jason Citron é um dos fundadores e atual CEO do Discord
Apaixonado por videogames, Jason Citron é um dos fundadores e atual CEO do Discord

“O Discord é uma ferramenta muito poderosa e extensível”, aponta Marcelo Burghi Serigo, diretor de inovação e tecnologia da Accenture. Para ele, a plataforma traz ferramentas de comunicação que não fazem dela meras redes sociais, e sim instrumentos de comunicação, que podem servir perfeitamente para o mundo do trabalho. Exemplo: dentro do servidor de um time de uma empresa, há chats diversos para discutir os diferentes projetos e, ao longo do dia, os funcionários vão alternando de sala, preferindo texto ou áudio, a depender das necessidades.

Rede social da jogatina

Esse grau de versatilidade e agilidade não foi pensado para o mundo corporativo. Fundada em 2015 pelos gamers Jason Citron e Stan Vishnevskiy, a plataforma nasceu para ser uma forma de comunicação fácil e rápida para a comunidade de jogos online (como World of Warcraft), que precisa estabelecer estratégias em tempo real. Antes da chegada do app, um local comum de reunião dos jogadores era o Skype – coincidentemente uma propriedade da Microsoft. 

Com o Discord, diminuiu a latência (tempo entre a fala ser dita e ser ouvida pelo outro lado da chamada) e aumentou a simplicidade para reunir grandes grupos. O serviço uniu boa tecnologia com ótima experiência, a grande fórmula para o sucesso no Vale do Silício. Hoje, é comum convidar amigos para jogar Among Us (um sucesso da quarentena) e papear no Discord.

A quadrinista Cecilia Marins usa o Discord tanto para o lazer, quanto para o trabalho durante a pandemia
A quadrinista Cecilia Marins usa o Discord tanto para o lazer, quanto para o trabalho durante a pandemia

É o caso da quadrinista Cecilia Marins, 23, que usa o Discord para jogar Fortnite. “O chat do nosso jogo não funciona e o Skype trava muito, então o Discord é uma boa alternativa”, conta. “É uma ferramenta simples de usar e mais leve.”

O isolamento social causado pela pandemia, no entanto, sacudiu o mundo da tecnologia. Novas plataformas foram descobertas e adotadas no dia a dia, como o Zoom. O Discord também se transformou e começou a abandonar a pecha de “rede social dos gamers”.

Cecilia conta que passou a usar o app para lazer e trabalho. Por exemplo, ela passou a acompanhar e discutir  o BBB21 com amigos pelo serviço. No trabalho, ela costuma reunir-se com outras artistas e desenhar juntas em transmissões ao vivo para o público – é uma forma de divulgar o trabalho e manter contato com os fãs.

Cecilia conta também que participou da “comemoração” de um aniversário no Discord: o aniversariante criou salas de bate-papo chamadas de “fumódromo” e “balcão do bar”, por exemplo, para que as pessoas interagissem por áudio como se estivessem nesses ambientes. É o novo normal.

“A graça do Discord para mim é que está todo mundo junto, é uma rede social horizontal em que todos podem falar. Não é igual ao Clubhouse, em que existem ouvintes e palestrantes”, explica a quadrinista.

O diretor acadêmico da Digital House, Edney Souza, concorda e acrescenta que o aplicativo tem um senso de “comunidade” que os rivais não possuem. “As outras redes sociais viraram espaço para criar audiência. Você segue as pessoas no Instagram, mas não necessariamente fala com elas”, diz.

Vida adulta

O fato de o Discord ser uma ferramenta que abraça as comunidades online e que pode ser poderosa no mundo do trabalho explica o interesse da Microsoft. A dona do Windows é dona do Microsoft Teams, usado no mundo corporativo, e também do console Xbox, uma das maiores plataformas e comunidades dos jogos. 

Daniel Ives, analista da consultoria WedBush e especialista em Microsoft, afirma que a compra significaria dobrar a aposta da empresa nos mercados de consumo e de games nos próximos anos. Por isso, faz todo sentido procurar ativos que possam expandir esse mercado, principalmente depois que o CEO Satya Nadella não conseguiu costurar acordos pela compra das operações americanas do TikTok e do Pinterest.

Quando assumiu o posto de CEO da Microsoft em 2014, Satya Nadella reposicionou a empresa como uma das maiores do mundo
Quando assumiu o posto de CEO da Microsoft em 2014, Satya Nadella reposicionou a empresa como uma das maiores do mundo

“O Discord veste como uma luva nesse nicho. O acordo seria um golaço e (desembolsar) US$ 10 bilhões é digerível em um mercado de US$ 400 bilhões. A Microsoft é agressiva em aquisições e fusões e o Discord seria um movimento ofensivo e defensivo na estratégia para o consumidor”, explica Ives.

Já Serigo levanta outro ponto: a compra da rede social poderia impulsionar o Azure, solução de nuvem da Microsoft que corre atrás da Amazon, líder nesse mercado. Ao adquirir o Discord, que viu em 2020 as pessoas passarem 1,4 trilhão de minutos em chamadas e enviar 656 bilhões de mensagens, a Microsoft teria amplo acesso aos dados da plataforma. “Dado e informação são poder hoje em dia. Como o Discord está atualmente hospedado na Google Cloud, existe interesse em trazer a plataforma para o Azure”, diz o especialista da Accenture.

O problema é que, para a rede social, ser adquirido pode não ser tão estratégico assim, já que a companhia está em pleno crescimento e existe a possibilidade de ganhar mais capital fazendo um IPO – segundo a Bloomberg, essa opção é atualmente preferida pela empresa. 

“Talvez a Microsoft seja um parceiro adequado para o Discord, se o aplicativo quiser ir para esse tipo de segmento corporativo. Se quiser investir em entretenimento e games, talvez a aquisição não faça tanto sentido e existam melhores parceiros”, aponta. No passado, o estúdio Epic Games, responsável pelo sucesso Fortnite, já se interessou em comprar a rede social, mas o negócio não avançou.

Outro ponto é que o histórico da Microsoft não ajuda. A empresa até hoje é acusada de ter “estragado” o Skype, uma ferramenta de comunicação que nasceu muito antes de todas as redes sociais. Por outro lado, em aquisições recentes de plataformas de comunidade, como as do LinkedIn e do Github, a Microsoft parece ter incorporado os serviços sem solavancos.

“O histórico mostra que a Microsoft pode estragar. Mas tem que dar o benefício da dúvida”, adverte Souza. “Se ela criar oportunidades para o  Discord, em vez de cercear o potencial e a liberdade criativa, os dois podem ir muito longe.”

China aplica multa recorde de US$ 2,8 bi ao Alibaba, controlador do AliExpress

Para órgão regulador, as práticas comerciais da empresa limitaram a concorrência, afetaram a inovação, infringiram os direitos dos comerciantes e prejudicaram os interesses dos consumidores
Por Agências – Dow Jones Newswires

Alibaba sofre multa recorde na China 

O órgão regulador antitruste da China impôs uma multa equivalente a US$ 2,8 bilhões contra o Alibaba Group Holding por abuso de posição dominante sobre rivais e comerciantes em suas plataformas de comércio eletrônico – no Brasil, o grupo é conhecido pelo site de comércio eletrônico AliExpress. A penalidade recorde no país, de 18,2 bilhões de yuans, equivale a 4% das vendas domésticas anuais da companhia, e surge em meio a uma onda de escrutínio sobre o império empresarial do fundador da empresa, Jack Ma.

A Administração Estatal da China para Regulação do Mercado informou neste sábado que o Alibaba puniu certos comerciantes que vendiam produtos tanto em sua plataforma quanto em plataformas rivais, uma prática que apelidou de “er xuan yi” – ou “escolha um entre dois”.

De acordo com o regulador, as práticas comerciais do Alibaba limitaram a concorrência, afetaram a inovação, infringiram os direitos dos comerciantes e prejudicaram os interesses dos consumidores.

Como parte da penalidade, os reguladores exigirão que o Alibaba realize uma reformulação abrangente de suas operações e apresente um “relatório de autoexame de conformidade” dentro dos próximos três anos.

“O Alibaba aceita a penalidade com sinceridade e garantirá sua conformidade com a determinação”, declarou a empresa. “Para cumprir sua responsabilidade para com a sociedade, o Alibaba operará de acordo com a lei com o máximo de diligência, continuará a fortalecer seus sistemas de conformidade e desenvolverá o crescimento por meio da inovação.”

A multa aplicada ao Alibaba, que registrou receita de US$ 72 bilhões em seu ano fiscal mais recente, encerrado em março de 2020, superou em muito as penalidades regulatórias chinesas anteriores em termos absolutos. Em 2015, a Qualcomm pagou uma penalidade de US$ 975 milhões, equivalente a 8% das vendas domésticas, após uma investigação de um ano sobre supostas violações da lei antimonopólio da China. Pelas regras chinesas, as multas antitruste são limitadas a 10% das vendas anuais de uma empresa.

“É muito dinheiro, mas não vai atrapalhar seu desenvolvimento”, disse o ex-professor da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim, Jeffrey Towson. “Parece um nível apropriado para ação corretiva.”

“A punição do regulador ao Grupo Alibaba é um movimento para padronizar o desenvolvimento da empresa e colocá-la no caminho certo, para purificar a indústria e proteger vigorosamente a concorrência justa no mercado”, disse o jornal do Partido Comunista, o Diário do Povo, em um comentário sobre a declaração do regulador, acrescentando que a multa é “também uma espécie de amor”.

A penalidade não pretende negar a importância da plataforma para o desenvolvimento da China e não significa uma mudança no apoio do Estado ao seu crescimento, disse o jornal.

A punição foi anunciada menos de quatro meses depois que o principal regulador da China lançou uma investigação antitruste sobre o Alibaba, com foco nas alegações de fornecedores de que o Alibaba os pressionou a vender exclusivamente em sua plataforma de e-commerce.

O Alibaba ficou sob escrutínio regulatório depois que Ma irritou autoridades governamentais, incluindo o presidente Xi Jinping, com suas críticas de que as restrições regulatórias estavam impedindo a inovação. Os comentários de Ma também atrapalharam a muito esperada oferta pública inicial do Ant Group.

Desde que a investigação foi anunciada, o Alibaba tem feito gestos conciliatórios, como o estabelecimento de uma força-tarefa para revisar seus negócios internamente e dizendo que arcará com mais responsabilidade social.