‘Meninos’ do Brasil lucram com startups nos EUA

Enquanto grandes empresas da tecnologia sofrem ataques, Brex conquista investidores vendendo serviços e cartões a empresas iniciantes sem crédito
Por Erin Griffith – The New York Times

Os fundadores Henrique Dubugras (esq.) e Pedro Franceschi (dir.) na nova sede da Brex em São Francisco junto com a executivo Larissa Maranhão Rocha (centro)

As coisas não estão muito boas no Vale do Silício, com as grandes empresas de tecnologias sob ataque de agências reguladoras, legisladores e até de presidente Donald Trump. Não é o caso para Henrique Dubugras e Pedro Franceschi. Os dois brasileiros, que abandonaram a universidade Stanford ambos aos 23 anos, são os fundadores da Brex, uma das mais ativas jovens companhias nos dias atuais. 

“Sabíamos que se criássemos o que pretendíamos criar, as pessoas iriam querer. Nunca tivemos dúvidas sobre isto”, afirmou Dubugras. A startup de dois anos mudou-se para um espaço ensolarado este ano com a  injeção de dezenas de milhões de dólares por investidores, e está avaliada hoje em US$ 2,6 bilhões – com Dubugras e Franceschi valendo cada um US$ 430 milhões, segundo o

Equityzen – mercado de ações de empresas privadas.

A Brex é um exemplo da exuberância inesgotável das startups do Vale do Silício, mesmo em meio à forte reação contra as grandes companhias de tecnologia. As startups levantaram US$ 55 bilhões de capital de risco no primeiro semestre deste ano, o maior valor desde 2000, de acordo com a CB Insighs e PwC. E um grupo florescente dessas empresas tem prosperado atendendo a um mercado que cresce rápido: de outras startups.

Ao lado da Brex existe a Carta, que auxilia empregados de startups a administrar  seu patrimônio e está avaliada em US$ 1,7 bilhão. Há também a Guideline, que oferece planos de aposentadoria  para outrasstartups. E ainda a InterPrime, que ajuda as startups a administrarem seu “caixa ocioso” e tem mais de 50 clientes.

“As startups são excelentes porque estão desservidas e fornecem um feedback para empresas como a nossa”, disse Kanishka Maheshwari, fundador da InterPrime, sediada em Menlo Park, Califórnia.

Roots Bloody Roots

A história da Brex começou no Brasil, onde Henrique Dubugras e Pedro Franceschi cresceram. Com 12 anos de idade, Pedro Franceschi ficou famoso por “desbloquear iPhones para remover suas restrições de software. Aos 14 anos Henrique criou uma empresa de jogos que foi depois fechada por violações de patente, no que foi, como ele satiriza,  “sua crise existencial dos 14 anos”.

Os dois se encontraram no Twitter, ainda adolescentes, e juntos criaram uma startup de pagamentos, a Pagar.me, com sede em São Paulo . Na época em que completavam 20 anos de idade, venderam a Pagar.me para a processadora de cartões brasileira Stone.

Ir para Stanford era o seu sonho, por causa do programa de TV Chuck, cujo protagonista era um hacker que havia estudado lá. Mas depois de oito meses cursando a universidade, ambos abandonaram os estudos. Eles participaram da Y Combinator, uma aceleradora de startups, com a ideia de criar uma companhia de realidade virtual, Veyond. E lá notaram como era difícil para os empreendedores obterem crédito bancário de fontes tradicionais, que exigiam um histórico de crédito e garantias pessoais. Transformaram a Veyond numa empresa de cartão corporativo que mais tarde passou a se chamar Brex. A ideia era atrair as startups oferecendo crédito aprovado quase instantaneamente sem exigir garantias pessoas. A Brex firmou uma parceria com o Sutton Bank, em Ohio, para emissão de cartões. Para mitigar o risco, a companhia monitora constantemente as contas bancárias dos seus clientes e ajusta os limites de crédito. E exige que as startups amortizem o saldo do seu cartão de crédito.

Os cartões custam cinco dólares por ano por usuário depois dos cinco primeiros, que não pagam por eles. A Brex cobra tarifas pelas transações dos comerciantes.

Henrique e Pedro são diretores executivos. Henrique cuida das parcerias, da obtenção de investimentos e das comunicações e Pedro se concentra na área de tecnologia e operações.

De imediato a demanda foi maior do que conseguiam administrar.  “As coisas estavam fervendo, como dizemos”, afirmou Anu Hariharan, sócia do Y Combinator’s Continuity Fund, que investiu na Brex. “Todo mundo querendo participar e você não consegue lidar com isso”.

Cartão corportativo da Brex
Cartão corportativo da Brex

Entre as startups que adotaram os cartões corporativos da Brex estava a Hims, provedora de remédios online; a SoFi, startup de finanças pessoas e a Classpass, uma empresa de fitness.

Outra era a Boxed, startup de e-commerce de Nova York, que começou a utilizar o cartão Brex há um ano para pagar produtos em estoque e anúncios digitais. O cartão permitiu à Boxed vender mercadoria antes de pagar pelo produto, liberando capital para financiar mais crescimento, disse Chieh Huang, o diretor executivo da firma.

A Boxed, que tem quase US$ 250 milhões de financiamento e mais de US$ 100 milhões de receita anual, tinha um limite extremamente alto, disse Huang.

Apesar do seu crescimento a Brex no início lutou para recrutar engenheiros porque o mercado de talentos é competitivo, disse Larissa

Maranhão Rocha, primeira funcionária da empresa e diretora de comunidade.  Isso mudou depois de a companhia levantar financiamento em fevereiro e outubro do ano passado. Dentro de seis meses operando a Brex chegou a uma valorização  de US$ 1 bilhão. Entre seus investidores estão Peter Thiel e Max Levchin, que criaram o PayPal.

A Brex então partiu para uma blitz promocional, cobrindo paradas de ônibus, outdoors e terminais em aeroportos com seu logo e slogans como “o cartão corporativo que está à altura da sua publicidade”.

Em novembro Henrique Dubugras exibiu os cartazes em uma conferência afirmando que era a maneira mais barata de se chegar a clientes e a empregados potenciais do que os anúncios digitais. Depois disto os preços de cartazes em San Francisco aumentaram, disse.  Hoje ele tem uma nova regra: “Nunca fale de propaganda que funciona”.

No momento a Brex possui 220 funcionários, mas estima que no fim deste ano serão em torno de 400.

Demanda

O conceito em alta da companhia atraiu mais investidores de risco. Henrique Dubugras e Pedro Franceschi rejeitaram muitos deles, mas aproveitou a reunião para promover seus cartões corporativos para outras empresas nas quais esses investidores injetaram dinheiro.

Uma da reuniões foi realizada em um café no San Francisco’s South Park, perto dos escritórios de mais de dez empresas de capital de

risco. O local era ponto de empreendedores e investidores, todos eles potencialmente bisbilhotando. Então em março a Brex inaugurou um longe privado, o Oval Room (Salão Oval), que fica em cima daquele café.

Com o nome copiado do Oval Office da Casa Branca e o formato do South Park, o novo local é uma das vantagens que a Brex oferece a seus clientes, além de outras, como créditos para  armazenagem na nuvem, descontos nos espaços de escritórios da WeWork e pontos para gastar com aluguel de scooters.

Propagandas da Brex nas ruas de São Francisco 
Propagandas da Brex nas ruas de São Francisco 

Vantagens

Henrique Dubugras e Pedro Franceschi estão usufruindo de algumas vantagens de liderar uma startup famosa. Henrique disse que agora compra as refeições para seu cão Bernês, Ruby, cujo nome é baseado na linguagem de codificação Ruby on Rails. “Não sabemos por quanto tempo o sucesso da Brex vai durar. Como muitas startups faliram, centenas de clientes da Brex deixaram o negócio.

A empresa tenta entender quando isso ocorre. Ao contrário das provedoras de cartão de crédito, que simplesmente corta o cliente se

ele deixa o negócio e não paga,  a Brex vê esses empreendedores falidos como futuros clientes que poderão tentar de novo com uma nova ideia.

Henrique acha que o capital de risco não vai desaparecer se as coisas mudarem, e que, enquanto a Brex continuar atendendo às startups que crescem rapidamente, tudo estará bem. A Brex normalmente sabe quanto clientes estão sem dinheiro, porque monitora constantemente sua saúde financeira e ajusta os limites de crédito.

Mas por via das dúvidas a Brex, que não é lucrativa, mantém uma reserva em dinheiro. Em junho a empresa conseguiu mais US$ 100 milhões de investidores, incluindo a DST Global e Kleiner Perkins. O que levou a um financiamento total de US$ 315 milhões incluindo a dívida.

Neil Mehta, investidor na Greenoaks Capital, que conduziu a rodada de financiamentos da empresa em outubro, afirmou ter se encantado com a startup porque ela oferece uma “experiência para o cliente de cair o queixo”, comparável com a primeira vez que usou o Uber ou experimentou um Tesla.

Este ano a Brex começou a trabalhar com empresas ligadas às área de biologia e e-commerce. Estas últimas constituem 30% das suas

atividades.

À medida que a companhia cresce é crucial se manter disciplinada, disse Pedro. No Vale do Silício “é fácil tirar os pés do chão e esquecer o que é importante”, acrescentou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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Google muda algoritmo para que palavra ‘lésbica’ não seja associada à pornografia nas buscas

Após uma campanha de ativistas nas redes sociais, a mais famosa ferramenta de buscas da internet alterou os resultados para o termo na França
Leda Antunes

@SEO_lesbienne

Depois de inúmeras reivindicações de ativistas do movimento lésbico da França, o Google reformulou o seu algoritmo para que a busca pelo termo “lesbienne” (lésbica, em francês) mostre, com destaque, mais resultados informativos e menos conteúdo pornográfico.

O algoritmo foi alterado depois de uma extensa campanha liderada pela página no Twitter @SEO_lesbienne para combater a hipersexualização das mulheres lésbicas nos resultados das ferramentas de busca online. Foi observado que, em francês, a palavra lésbica era associada em seus primeiros resultados a páginas de pornografia, enquanto os termos “queer” e “trans” traziam mais informação, com artigos e notícias de blogs especializados.

Esse tipo de resultado para o termo “lesbienne” era visto como mais uma manifestação da fetichização das mulheres lésbicas — recorrente dentro da cultura patriarcal e machista que entende a heterosexualidade como norma e o corpo feminino como objeto  — passível de incentivar comportamentos violentos mesmo fora da web. Em julho, um casal de namoradas foi agredido em um ônibus em Londres após um grupo de homens exigir que elas se beijassem.

Segundo o site de notícias francês Numerama , em junho, um porta-voz do Google de passagem por Paris reconheceu que havia um problema, mas disse que a ferramenta de busca queria respondê-lo com uma solução mais global, e não com uma simples alteração dos resultados. Até porque a queixa não é recente. Há alguns anos a busca pela palavra “teen” (adolescente, em inglês) também esteve no centro de um debate para que não fosse relacionada a resultados pornográficos e ofensivos. A ferramenta também já foi questionada por permitir que links não confiáveis com notícias falsas e teorias da conspiração aparecessem em destaque nas buscas sobre tiroteios e termos como holocausto e mudanças climáticas.

De acordo com o site francês, desde o mês passado, após uma alteração no algoritmo do Google, os primeiros resultados para a palavra “lesbienne” na França trazem páginas informativas, como o artigo de definição de “Lesbianismo” da Wikipédia, ou publicações de veículos de mídia sobre o tema. A notícia da alteração foi repercutida por sites de tecnologia e cultura como o Gizmodo e Dazed e comemorada por ativistas lésbicas nas redes sociais, inclusive aqui no Brasil.

Procurado, o Google Brasil confirmou a alteração no algoritmo e o posicionamento global da empresa. A companhia informou, em nota, que trabalha “para evitar que conteúdo potencialmente ofensivo apareça nos resultados da busca quando os usuários não estiverem pesquisando explicitamente por esse conteúdo.”

Disse ainda que os resultados para a consulta “lesbienne”, em francês, estão “abaixo das expectativas” e que foi desenvolvida uma “solução algorítmica para fornecer resultados de alta qualidade não apenas para essa consulta, mas para vários outros tipos.”

Confira a nota na íntegra:
“Trabalhamos muito para evitar que conteúdo potencialmente ofensivo apareça nos resultados da Busca quando os usuários não estiverem pesquisando explicitamente por esse conteúdo. Reconhecemos que os resultados para a consulta “lesbienne” em francês estão abaixo das nossas expectativas e, como parte de nosso trabalho contínuo para melhorar a Busca, desenvolvemos uma solução algorítmica para que possamos fornecer resultados de alta qualidade não apenas para essa consulta, mas para vários outros tipos.”

Huawei abrirá pontos de venda em Campinas, Rio de Janeiro e Brasília

Empresa prepara também lançamento de linha de vestíveis no País
Por Giovanna Wolf* – O Estado de S. Paulo

Huawei abrirá novos pontos de venda físicos no Brasil; P30 Pro (foto) terá promoção  

A fabricante chinesa Huawei vai abrir três novos quiosques no Brasil nesta semana, nas cidades de Campinas, Rio de Janeiro e Brasília. A informação foi revelada em entrevista exclusiva ao Estado nesta terça-feira, 6. Com os pontos de venda, a empresa pretende reforçar sua marca no País e se aproximar do consumidor – apesar de novata no mercado brasileiro, a Huawei é a segunda maior fabricante de celulares do mundo. 

A inauguração do ponto de venda em Campinas será nesta quarta-feira, 7, no Shopping D. Pedro. No Rio de Janeiro, a Huawei vai abrir o quiosque na quinta-feira, 8, no Barra Shopping. A última inauguração será na sexta-feira, 9, no Park Shopping, em Brasília. Os quiosques venderão os celulares P30 Pro e P30 Lite, assim como as capinhas dos aparelhos e também fones de ouvido.

“Queremos analisar a necessidade dos consumidores regionalmente”, afirmou Alessandra Ribeiro, gerente da área de vendas da Huawei no Brasil. “O Brasil é muito grande, cada região tem uma procura diferente”, disse.

Até então a Huawei tinha apenas dois pontos de venda de aparelhos, inaugurados em julho no Shopping Morumbi e no Eldorado, ambos na cidade de São Paulo. Após quatro anos, a empresa voltou ao Brasil em maio com a linha de celulares P30, que custam a partir de R$ 2,5 mil. Desde o seu retorno ao Brasil, a chinesa está vendendo seus produtos em varejistas. 

A empresa também disse ao Estado que lançará ainda este mês uma linha de vestíveis no Brasil. Em sua estratégia de expansão, a fabricante não descarta a construção de uma fábrica no País. “Neste momento o foco é aproximar nossa relação com os clientes por meio das varejistas e dos quiosques”, disse a executiva da Huawei, “ainda estamos estudando o mercado quanto à fabricação”. 

Empresa investe em promoções agressivas

Agora, o que todo mundo quer saber: promoção. Até domingo, 11, para acompanhar as inaugurações dos novos quiosques e também o dia dos pais, a Huawei vai oferecer bônus de troca de aparelhos nas compras feitas em todos os seus pontos de venda e no varejo – nessa promoção, o desconto no P30 Pro, cujo preço oficial é de R$ 5,5 mil, será de no mínimo R$ 1,5 mil, enquanto o P30 Lite, que está sendo vendido por R$ 2,5 mil, poderá sair pelo menos R$ 500 mais barato. 

As últimas inaugurações também foram marcadas por promoções. Em maio, no lançamento dos aparelhos no varejo, a Huawei ofereceu um desconto de R$ 2 mil para quem trocasse o atual smartphone pelo modelo topo de linha P30 Pro, cujo preço oficial é de R$ 5,5 mil. Segundo apurou o Estado, no primeiro dia de vendas dos celulares P30 Pro e P30 Lite em maio no Brasil, os estoques de todas as lojas acabaram em duas horas. 

Com US$ 1 bilhão da Microsoft, laboratório quer simular o cérebro

Objetivo é que Open AI persiga a ideia de uma inteligência artificial parecida com a de humanos
Por Cade Metz – THE NEW YORK TIMES

Sam Altman dirige laboratório de inteligência artifical criado junto com Elon Musk

Quando a garçonete se aproximou da mesa, Sam Altman levantou o telefone. Isso tornou mais fácil mostrar o valor em dólares digitado no contrato de investimento que ele passou negociando com a Microsoft nos últimos 30 dias.

“US$ 1.000.000.000”, era o que se lia.

O investimento da Microsoft, firmado no início de julho, sinaliza uma nova direção para o laboratório de pesquisa da Altman.

Em março, Altman deixou suas funções diárias como chefe da Y Combinator, a aceleradora de startups que o catapultou para a elite do Vale do Silício. Agora, aos 34 anos, ele é o diretor executivo do OpenAI, o laboratório de inteligência artificial que ele ajudou a criar em 2015 com Elon Musk, o bilionário e presidente executivo da fabricante de carros elétricos Tesla.

Musk deixou o laboratório no ano passado para se concentrar em suas próprias ambições de inteligência artificial na Tesla. Desde então, a Altman reformulou a OpenAI, fundada como uma organização sem fins lucrativos, tornando-a uma empresa com fins lucrativos, para que pudesse buscar financiamento de forma mais agressiva. Agora, ele conseguiu um importante investidor para ajudá-lo a perseguir um objetivo absurdamente elevado.

Ele e sua equipe de pesquisadores esperam construir inteligência geral artificial, ou AGI, uma máquina que poderá fazer qualquer coisa que o cérebro humano faça.

A AGI ainda tem ares de ficção científica. Mas em seu acordo, a Microsoft e a OpenAI falam que ela pode ser aplicada a qualquer outra tecnologia, seja um serviço de computação em nuvem ou um novo tipo de braço robótico.

“Minha meta com o funcionamento da OpenAI é criar com sucesso uma AGI amplamente benéfica”, disse Altman em uma entrevista recente. “E essa parceria é o marco mais importante até agora nesse caminho.”

A corrida pela inteligência artificial 

Nos últimos anos, uma pequena, mas fervorosa comunidade de pesquisadores de inteligência artificial voltou suas atenções para a AGI e conta com o apoio de algumas das empresas mais ricas do mundo. DeepMind, um dos principais laboratórios da empresa controladora do Google, diz que está perseguindo o mesmo objetivo.

A maioria dos especialistas acredita que a AGI não será alcançada por décadas ou mesmo séculos – se é que chegará a ser alcançada. Mesmo Altman admite que a OpenAI pode nunca chegar lá. Mas a corrida continua, mesmo assim.

Em uma entrevista conjunta por telefone com Altman, o presidente executivo da Microsoft, Satya Nadella, mais tarde comparou a AGI aos esforços de sua empresa para construir um computador quântico, uma máquina que seria exponencialmente mais rápida do que as máquinas de hoje. “Quer seja a nossa busca pela computação quântica ou uma busca pela AGI, acho que você precisa dessas estrelas guia de alta ambição”, disse ele.

A empresa de 100 funcionários da Altman criou recentemente um sistema que poderia bater os melhores jogadores do mundo em um videogame chamado Dota 2. Há alguns anos, esse tipo de coisa não parecia possível.

A OpenAI dominou o game graças a uma técnica matemática chamada aprendizado por reforço, que permite que as máquinas aprendam tarefas por meio de tentativas e erros extremos. Ao jogar o jogo repetidas vezes, peças automatizadas de software, chamadas agentes, aprenderam quais estratégias são bem-sucedidas.

Os agentes aprenderam essas habilidades ao longo de vários meses, acumulando o equivalente a mais de 45 mil anos de jogo. Isso exigiu enormes quantidades de poder computacional bruto. A OpenAI gastou milhões de dólares alugando acesso a dezenas de milhares de chips de computador dentro dos serviços de computação em nuvem administrados por empresas como Google e Amazon.

No final, acreditam Altman e seus colegas, eles poderão construir a AGI de maneira similar. Se eles conseguirem coletar dados suficientes para descrever tudo aquilo que os humanos lidam diariamente – e se eles tiverem poder computacional suficiente para analisar todos esses dados – eles acreditam que podem reconstruir a inteligência humana.

Altman pintou o acordo com a Microsoft como um passo nessa direção. À medida que a Microsoft investe no OpenAI, a gigante de tecnologia também trabalhará na construção de novos tipos de sistemas computacionais que poderão ajudar o laboratório a analisar quantidades cada vez maiores de informações.

“Trata-se de ter realmente esse estreito ciclo de feedback entre uma busca ambiciosa pela AGI e aquele que é o nosso core business, que é construir o computador do mundo”, disse Nadella.

Esse trabalho provavelmente incluirá chips de computador projetados especificamente para o treinamento de sistemas de inteligência artificial. Como o Google, a Amazon e dezenas de startups em todo o mundo, a Microsoft já está explorando esse novo tipo de chip.

Para onde vai o bilhão

A maior parte desse US$ 1 bilhão, segundo Altman, será investida no poder de computação que a OpenAI precisa para atingir suas ambições. E sob os termos do novo contrato, a Microsoft se tornará a única fonte de poder computacional do laboratório.

Nadella disse que a Microsoft não investirá necessariamente US$ 1 bilhão de uma só vez. Poderia ser distribuído ao longo de uma década ou mais. A Microsoft está investindo dólares que serão realimentados em seu próprio negócio, já que a OpenAI adquire poder de computação da gigante do software, e a colaboração entre as duas empresas pode render uma ampla gama de tecnologias.

Equipe da OpenAI, que quer replicar cérebro artificialmente, escreve equações em um quadro 

Como a AGI ainda não é possível, a OpenAI está começando com projetos mais restritos. Construiu um sistema recentemente que tenta compreender a linguagem natural. A tecnologia poderia alimentar de tudo, desde assistentes digitais como Alexa e Google Home até software que analisa automaticamente documentos dentro de escritórios de advocacia, hospitais e outras empresas.

O acordo também é uma maneira de essas duas empresas se promoverem. A OpenAI precisa de poder de computação para atingir suas ambições, mas também deve atrair os principais pesquisadores do mundo, o que é difícil de fazer no mercado atual de talentos. A Microsoft está competindo com Google e Amazon na computação em nuvem, onde os recursos de inteligência artificial são cada vez mais importantes.

Busca pode ser impossível

A dúvida é saber até que ponto devemos levar seriamente a ideia da inteligência geral artificial. Como outros na indústria de tecnologia, Altman frequentemente fala como se seu futuro fosse inevitável.

“Acho que a AGI será o desenvolvimento tecnológico mais importante da história humana”, disse ele durante a entrevista com Nadella. Altman aludiu às preocupações de pessoas como Musk que a AGI poderia sair fora de nosso controle. “Descobrir uma maneira de fazer isso vai ser um dos desafios sociais mais importantes que já enfrentamos.”

Geoffrey Hinton, o pesquisador do Google que recentemente ganhou o Prêmio Turing – muitas vezes chamado de Prêmio Nobel da computação – por suas contribuições à inteligência artificial nos últimos anos, foi questionado recentemente sobre a corrida para a AGI.

“É um problema dos grandes”, disse ele. “Eu preferiria focar em algo em que você pudesse saber como você poderia resolvê-lo”. A outra dúvida em relação à AGI, ele acrescentou, é:  por que precisamos disso?/ TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Elon Musk lançará empresa de transporte subterrâneo na China

Segundo empresário, trens serão mais rápidos que os atuais de alta velocidade
Por Reuters – O Estado de S.Paulo

Musk, presidente executivo da Tesla

Elon Musk lançará em breve na China uma unidade de sua empresa de transporte subterrâneo, a The Boring Company, afirmou o bilionário no Twitter.

Um dos seguidores de Musk tuitou que o presidente-executivo da Tesla participaria de conferência global de inteligência artificial, neste mês, em Xangai.

Musk respondeu na rede social que “também lançaremos The Boring Company China nesta viagem”.

The Boring Company foi criada por Musk para construir túneis de transporte subterrâneo para o sistema conhecido como “hyperloop”, que ele diz que será muito mais rápido que os trens de alta velocidade atuais e usará um método de propulsão eletromagnético.

Apple suspende prática de escutar áudios de usuários da Siri

Na semana passada, o jornal The Guardian revelou que funcionários da Apple tiveram acesso a conversas da assistente digital

Apple Watch seriam campeões de ativações acidentais; áudios são escutados por funcionários 

A Apple disse nesta sexta-feira, 2, que vai suspender o seu programa que permitia que funcionários da empresa tivessem acesso aos áudios de usuários da assistente digital Siri. A medida é uma resposta à reportagem do jornal The Guardianpublicada na semana passada, que revelou a prática da Apple – terceirizados da companhia tiveram acesso inclusive a informações como históricos médicos, negociações para compras de drogas ilícitas e atos sexuais.   

A empresa afirma que só escuta uma pequena parcela das conversas, que são usadas para treinar o sistema. De acordo com a Apple, a análise dos áudios é feita de forma aleatória, sem a identificação do usuário, e os dados são armazenados com criptografia nos servidores da companhia.

“Estamos comprometidos em entregar uma ótima experiência com a Siri e também em proteger a privacidade do usuário. Enquanto realizamos uma revisão completa, estamos suspendendo a análise da Siri globalmente”, afirmou a Apple em comunicado. Além disso, a empresa afirmou que após uma atualização de software os usuários terão a opção de escolher participar ou não do programa de treinamento da Siri. 

A Apple não afirmou se vai continuar armazenando os áudios da Siri em seus servidores. 

Na indústria, o papel de humanos para treinar máquinas a conversar é amplamente conhecido – são eles que transcrevem áudio e indicam ao sistema se estão entendendo corretamente as informações. A Apple não foi a primeira a se ver num caso de terceirizados ouvindo áudios de usuários: Amazon e Google também já foram centro de casos do tipo. 

Google também muda sua política

Nesta quinta-feira, 1, o Google suspendeu as transcrições das gravações de voz feitas pelo Google Assistant na União Europeia, de acordo com o site CNBC. A empresa vai suspender a prática por pelo menos três meses. 

Segundo a reportagem, a empresa admitiu em julho que parceiros que analisam as vozes gravadas pelo assistente digital vazaram mais de mil conversas particulares para um veículo de notícias da Bélgica. Algumas dessas gravações revelavam informações sensíveis, como condições médicas e endereços dos usuários.

Facebook será investigado nos EUA por compra de Instagram e WhatsApp

A Comissão Federal do Comércio dos EUA investiga se a rede social comprou as duas empresas para evitar futuros concorrentes no mercado

Agência americana investigará compra de WhatsApp e Instagram pelo Facebook 

A Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) está investigando o Facebook por práticas anticompetitivas, de acordo com o Wall Street Journal, que conversou com fontes familiarizadas com o assunto. O objetivo principal da agência americana é analisar se as aquisições do Instagram e do WhatsApp foram uma estratégia da empresa para evitar futuros concorrentes no mercado.

Quando o Facebook comprou o Instagram por US$ 1 bilhão, em 2012, a rede social de fotos bonitas não era o sucesso que é hoje – a plataforma tinha apenas 30 milhões de usuários. Dois anos depois de comprar o Instagram, a empresa adquiriu o WhatsApp por US$ 19 bilhões.

Na semana passada, ao divulgar seu balanço financeiro, o Facebook reconheceu a investigação, mas não entrou em detalhes: disse apenas que a FTC estava investigando as áreas de redes sociais, publicidade digital e aplicativos móveis online.

A FTC e o Facebook não comentaram o assunto.

O Facebook está na mira da FTC. Na semana passada, a rede social foi multada em US$ 5 bilhões após uma longa investigação sobre o caso Cambridge Analytica, no qual a rede social compartilhou sem consentimento informações de 87 milhões de usuários com a firma de marketing político britânica. 

A agência americana afirmou que a empresa violou um acordo para proteger os dados dos usuários na rede social. A multa se refere a uma quebra de um pacto firmado pelo órgão americano com a rede social, que concordou, em 2011, em proteger os dados de seus usuários./  COM DOW JONES NEWSWIRES