Paris entra na Justiça contra Airbnb por anúncios ilegais

A Prefeitura da cidade quer cobrar do Airbnb uma multa de 12,5 milhões de euros; autoridades alegam que os anúncios violam uma legislação local que limita o aluguel de imóveis a até 120 dias por ano
Por Agências – Reuters

A França é o segundo maior mercado do Airbnb, ficando atrás apenas dos Estados Unidos

A Prefeitura de Paris entrou na Justiça contra o Airbnb, alegando que o serviço de hospedagenspromove anúncios ilegais na cidade. As autoridades afirmam que mais de mil anúncios da empresa violam uma legislação local que limita o aluguel de imóveis a até 120 dias por ano. A Prefeitura quer cobrar do Airbnb uma multa de 12,5 milhões de euros.

Em entrevista ao jornal francês Journal du Dimanche, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, afirmou que o objetivo da cobrança é “acabar com locações não autorizadas que estragam alguns bairros parisienses”. 

A mesma preocupação da Prefeitura de Paris já foi discutida em outras cidades ao redor do mundo. Há o receio de que serviços de hospedagem como o Airbnb sejam concorrentes desleais a hotéis, além de transformarem alguns bairros em regiões infrutíferas, unicamente para turistas. 

Em resposta, um porta-voz do Airbnb disse que a empresa implementou medidas para ajudar os usuários de Paris de seu site a cumprirem as regras europeias, mas acrescentou que as regras parisienses são “ineficientes, desproporcionais e contrárias às regras europeias”.

A França é o segundo maior mercado do Airbnb, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Paris é o maior mercado único da empresa, com mais de 65 mil casas listadas.

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Spotify vai proibir oficialmente uso de bloqueadores de anúncios

Aplicativo de streaming de música não precisará mais notificar usuários gratuitos que burlam a publicidade; novos termos começam a valer 1º de março

Spotify disse que já tem ferramentas para identificar quando um bloqueador de anúncios é usado

O Spotify agora vai proibir oficialmente o uso de bloqueadores de anúncios, conforme o publicado em sua versão atualizada dos Termos de Serviços disponível nesta sexta-feira, 8. A divulgação de peças de propaganda durante as músicas é a única opção possível para usuários de contas gratuitas.

No documento, as novas regras dizem que contornar ou bloquear anúncios no Spotify Service, criar ou distribuir ferramentas destinadas a bloquear anúncios no Spotify Service pode resultar na rescisão ou suspensão imediata da conta.

O streaming de vídeo já adota medidas significativas para limitar os bloqueadores de anúncios. No ano passado, um porta-voz do Spotify revelou que a empresa tem várias ferramentas para detectar, investigar e lidar com bloqueadores de anúncios.

A empresa, no entanto, começou a atacar essas ferramentas depois que foi noticiado, em março do ano passado, que 2 milhões de usuários gratuitos do Spotify estavam burlando os anúncios. À época, o serviço de streaming desativou as contas e enviou e-mail para os usuários notificando que eles poderiam voltar a usar o serviço depois de desinstalar a ferramenta de bloqueio de anúncios.

Com as novas regras, que entram em vigor em março, o Spotify ganha o direito de encerrar as contas imediatamente, sem avisar o usuário.

Como o botão Curtir mudou a internet nos últimos dez anos

Fazendo aniversário, função que nasceu no Facebook fez usuários buscarem protagonismo na web e e criou um bilionário modelo de negócios
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Na sede do Facebook, em Menlo Park (EUA), turistas fazem fila para tirar fotos com o símbolo da rede

No princípio, as redes sociais eram o verbo. Sentimentos, desejos e teorias eram expressados – e respondidos – por texto. A natureza da internet passou a ser diferente quando, no dia 9 de fevereiro de 2009, o Facebook propôs uma singela questão aos seus membros: “Curtiu?”. Da maneira como as pessoas interagem (e as consequências psicológicas disso) aos modelos de negócios dos serviços mais populares da web: nada mais foi como antes, depois do “primeiro like”.

É curioso pensar que o Curtir demorou a existir. Criado em 2007 pela ilustradora Leah Pearlman, gerente de produto do Facebook na época, o recurso passou dois anos “na geladeira”. Mark Zuckerberg, fundador da rede social, não gostava muito dele, mas foi vencido pelo entusiasmo dos funcionários da empresa. “É uma forma rápida de dizer aos seus amigos que você curte o que eles estão postando”, dizia o texto que apresentava a função, escrito por Pearlman. “Isso deixa espaço nos comentários para elogios mais longos.”

Era algo novo: Orkut, MySpace e outros serviços da época eram organizados em textos e comunidades, bem como inúmeros fóruns que reuniam aficionados por qualquer tema – de PCs a cinema, algo que soa muito nerd hoje em dia. Os elementos visuais eram mais rudimentares. As pessoas já usavam emojis para se expressar em e-mails, por exemplo, mas eles serviam mais como complemento ao texto. 

O botão curtir permitia uma reação rápida – e até um pouco desinteressada – a qualquer coisa. Não à toa, ele teve sucesso imediato. “Em pouco tempo, publicações que tinham 50 comentários acabavam tendo 150 curtidas”, disse Pearlman, em entrevista à revista Vice, em 2017. 

Era o que o Facebook precisava: três meses após lançar o Curtir, a rede superou seu maior rival nos EUA, o MySpace. Mais que isso, ditou moda: em 2010, o YouTube trocou as estrelas de seu sistema de avaliação de vídeos por um polegar positivo. O Twitter fez testes até 2015, quando estabeleceu o coração como símbolo para “curtir” um tuíte. Instagram, LinkedIn e Tinder também incorporaram o recurso. “Hoje, é difícil imaginar uma rede social sem curtidas”, diz Luís Peres-Neto, professor da ESPM. 

Egotrip. “Com o curtir, as pessoas passaram a fazer mais publicações”, afirmou Pearlman à Vice. De participantes de uma rede, as pessoas agora se consideram protagonistas dela. “Há uma supervalorização da validação do próximo, do olhar de outras pessoas sobre tudo que o usuário faz”, diz Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais. 

É algo que tem gerado impactos na saúde mental: estudo feito pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) em 2017 mostrou que receber uma curtida ativa áreas do cérebro que respondem quando se recebe algo bom – como comer chocolate em um dia difícil.

Outras pesquisas já ligaram sintomas de depressão, ansiedade, solidão, baixa autoestima e tendências suicidas ao uso de redes sociais. “Tem gente com autoestima baixa que posta selfies todo dia, esperando reações. Quando não se recebe muitas curtidas, a tendência é ficar mais triste”, diz a psicóloga Anna Lucia King, do Instituto Delete, ligado à UFRJ. 

Manada. No mesmo estudo, pesquisadores da UCLA mostraram que o Curtir ajuda a gerar comportamentos de manada – se uma foto já ganhou muitos likes, é provável que mais pessoas devam se manifestar sobre ela. Por outro lado, os algoritmos das redes sociais consideram o número de curtidas para determinar o que será exibido a um usuário. Se ele curte sempre as mesmas coisas – e quem produz conteúdo busca temas populares para ganhar curtidas – o processo de criação de uma bolha está formado. Unidos, o “efeito manada” e o reforço do algoritmo geram uma reação em cadeia. 

As curtidas permitiram ainda uma forma eficiente para o funcionamento desses algoritmos. Na época, sistemas de reconhecimento de texto por inteligências artificiais eram bem mais rudimentares – até hoje, eles não entendem ironia. Há ainda a complexidade de diferentes idiomas. O Curtir, para o algoritmo, virou um tradutor universal: todos falam a mesma língua, com dois signos – “gostei” ou “não gostei”.

De quebra, as redes sociais passaram a identificar os gostos das pessoas, num prato cheio para a publicidade. É um ingrediente importante para o Facebook ter sobrevivido e gerado receita de US$ 16 bilhões em seu último trimestre fiscal; uma realidade muito diferente do Google com o Orkut, que nunca conseguiu faturar. Trocar curtidas por dinheiro virou um modelo comercial imperativo.

É nas curtidas, também, que surgem algumas das principais mazelas da internet atual – de “fazendas” com milhares de smartphones curtindo posts 24 horas por dia, inflando números de audiência por centenas de dólares, à interferência em eleições e fome por dados de usuários. A Cambridge Analytica, firma de marketing político que usou indevidamente dados de 87 milhões de perfis do Facebook, começou analisando justamente as curtidas. Com 150 publicações, os pesquisadores diziam saber mais sobre alguém do que seus pais ou irmãos. 

É algo que causou danos ao Facebook – fazendo a empresa rever políticas, perder dinheiro e colocando-a sob escrutínio global. Talvez, em breve, esse modelo já não seja mais tão curtido. / COLABOROU GIOVANNA WOLF

Google facilita buscas por eventos e oferece resultado personalizado

Por enquanto, a funcionalidade está disponível apenas pelo celular

Google permite buscas personalizadas por meio de nova funcionalidade. Foto: Google/Divulgação

Cada vez mais o Google lança funcionalidades que ajudam o usuário no dia a dia. Recentemente, o Assistente da plataforma começou a sugerir atos de gentileza. Agora, a busca por eventos ficou mais fácil, com o diferencial de encontrar algum perto de onde a pessoa está.

Desde quinta-feira, 7, ao pesquisar por eventos, o usuário tem acesso a uma lista de recomendações anunciadas por vários sites.

Por enquanto, a funcionalidade está disponível apenas pelo celular com sistema operacional Android ou iOS.

Para testar, basta procurar, por exemplo, por ‘show em São Paulo’, ‘eventos no Rio’ e, com um clique, é possível ter acesso a uma lista de eventos, elencados por nome, data e horário.

Segundo o Google, é possível ainda usar o novo recurso para encontrar shows, peças e demais eventos por meio de filtros como ‘hoje’, ‘amanhã’ e ‘próxima semana’.

A experiência permite descobrir eventos de forma personalizada, baseada nos interesses do usuário. Neste caso, é preciso fazer login na conta do Google e escolher compartilhar o histórico de busca com a plataforma. Assim, quando clicar em ‘Para você’, haverá sugestões de eventos dentro de uma categoria que possa interessar à pessoa.

Parece invasão de privacidade? Então, vale lembrar que o usuário tem controle total sobre seu histórico de navegação e pode gerenciá-lo sempre que quiser, não permitindo o compartilhamento, por meio do Minha Atividade.

Amazon reconsidera instalação de sede em Nova York após críticas

Políticos locais não concordam com os benefícios tributários que seriam oferecidos à empresa, segundo reportagem do Washington Post

Ainda não há um plano concreto da Amazon para o abandono da sede de Nova York

A Amazon está reconsiderando a localização de parte de sua nova sede em Nova York, no Estados Unidos, devido a oposições de políticos locais, que não concordam com os benefícios tributários que seriam oferecidos à empresa. A informação é do jornal Washington Post, que conversou com duas fontes familiarizadas com o assunto. Segundo a reportagem, a gigante de tecnologia ainda não comprou o terreno de sua nova sede. 

O novo prédito faz parte de um projeto de expansão da Amazon, divulgado em novembro do ano passado. A empresa disse que iria ampliar sua estrutura corporativa localizada em Seattle, nos Estados Unidos, com a instalação de novas sedes em Nova York e em uma área no norte do estado de Virgínia, gerando 25 mil empregos. A oportunidade de ser a nova sede da gigante foi disputada por 20 cidades, devido à promessa de empregos e aquecimento da economia.

A Amazon planeja investir US$ 5 bilhões nos dois novos centros administrativos e espera receber mais de US$ 2 bilhões em créditos fiscais e incentivos.

Segundo a reportagem, a recepção dos políticos locais de Nova York foi muito diferente da dos legisladores de Virgínia. No caso de Virgínia, o governador Ralph Northam assinou uma lei autorizando US$ 750 milhões em subsídios estatais para a nova sede. 

Ainda não há um plano concreto para o abandono da sede de Nova York, afirmou o jornal. Também não há informações de que a Amazon esteja considerando algum outro lugar para substituir Nova York. 

Jeff Bezos acusa tabloide ‘National Enquirer’ de chantagem e extorsão

Fundador da Amazon diz que ‘National Enquirer’ fez ameaças caso ele não interrompesse investigação sobre o vazamento de suas fotos e mensagens

Fundador da Amazon, Jeff Bezos

Na noite desta quinta-feira, 8, o fundador da Amazon Jeff Bezosrevelou que está sendo vítima de “extorsão e chantagem” pela companhia dona do jornal National Enquirer. Esta história é praticamente de filme: envolve Donald Trump, Arábia Saudita, a morte de um jornalista, nudes e mensagens amorosas. Jeff Bezos publicou um texto bastante pessoal no Medium.com em que explicou como tudo isso se relaciona. 

No mês passado, o homem mais rico do mundo, segundo a lista da revista Forbes, e sua então mulher, MacKenzie Bezos, anunciaram que iriam se divorciar após 25 anos de casados. Logo após o anúncio da separação, o jornal National Enquirer publicou um artigo expondo que Bezos estaria tendo um caso com a ex-apresentadora Lauren Sánchez – a publicação tinha, inclusive, mensagens de texto trocadas entre os dois. Quando viu o artigo, Bezos decidiu iniciar uma investigação contra a editora do National Enquirer, que se chama American Media Inc (AMI), para descobrir como as mensagens em questão vazaram. 

O clímax é a parte seguinte da história, contada no texto publicado por Bezos nesta quinta-feira, 7, chamado “Não, obrigada, Mr. Pecker”, uma referência a David J. Pecker, chefe da editora AMI. O fundador da Amazon, que também é dono do jornal The Washington Post, disse que representantes da AMI o abordaram para impedir a investigação. Bezos afirmou que os representantes disseram que, se ele se recusasse, o veículo tornaria públicas fotos íntimas dele e de sua amante.

De acordo com o jornal Financial Times, um porta-voz da Amazon confirmou que o texto escrito por Bezos é verdadeiro. A AMI não comentou o assunto. 

Segundo Bezos, a AMI queria que ele parasse a investigação por razões políticas. Ele citou a colaboração da AMI com o presidente dos EUA, Donald Trump, e suas conexões com o governo da Arábia Saudita. Além de o jornal ser alvo constante de críticas pelo presidente norte-americano, o The Washington Post publicou implacavelmente, no ano passado, o assassinato de seu colunista Jamal Khashoggi, um dissidente saudita.

“Obviamente não quero fotos pessoais publicadas, mas também não participarei de sua conhecida prática de chantagem, favores políticos, ataques políticos e corrupção”, escreveu Bezos sobre a AMI. “Se na minha posição não posso resistir a esse tipo de extorsão, quantas pessoas podem.”

Airbnb anuncia nova área de transportes e contrata executivo do setor de aviação

Empresa descarta possibilidade de criar braço de vendas de passagens aéreas; Fred Reid é ex-presidente da Delta Airlines e da Lufthansa Airlines
Por Dayanne Sousa – O Estado de S.Paulo

Airbnb criou uma nova divisão para transportes

O site de hospedagens Airbnb anunciou nesta quinta-feira, 7, a contratação de um executivo do setor de aviação e a criação de uma divisão global de negócios na área de transportes. Sem dar detalhes, a companhia anunciou Fred Reid, fundador da aérea Virgin America e ex-presidente da Delta Airlines e da Lufthansa Airlines, como novo executivo.

“Fred e sua equipe do Airbnb estarão focados em estabelecer parcerias com outras empresas do setor de turismo e transportes para oferecer melhores experiências de viagem a milhões de pessoas ao redor do mundo e criar oportunidades econômicas significativas para esses parceiros”, diz o Airbnb em comunicado à imprensa.

Reid chega ao Airbnb com a função de chefe global de transportes. Na nota, a empresa descarta a ideia de ter sua própria companhia aérea ou de criar um canal de venda de passagens. “Vamos explorar uma ampla gama de ideias e parcerias que possam melhorar o transporte nas viagens, mas ainda não definimos exatamente como faremos isso”, afirmou Brian Chesky, presidente da empresa.

Rumores de que o o Airbnb planejava entrar no mercado de vendas de passagens aéreas têm circulado desde 2016. Na época, agências internacionais informaram que a empresa estaria desenvolvendo uma nova função do serviço para permitir a compra de trechos aéreos.