Spotify testa recurso para importar músicas locais do Android

Se os testes realmente se concretizarem em recurso novo para o Spotify, será possível ouvir as músicas do arquivo do celular no próprio Spotify, sem precisar abrir um player separado

O acervo do Spotify tem mais de 30 milhões de músicas

O Spotify pode estar testando uma função que permite que o usuário importe músicas locais do celular Android para o aplicativo de streaming. A ferramenta pode ajudar o usuário a solucionar a frustração quando ele não acha determinada música ou uma versão específica no aplicativo – o que costuma acontecer, apesar de o acervo do Spotify ter mais de 30 milhões de músicas. 

Quem descobriu o teste foi a pesquisadora Jane Manchun Wong, que costuma antecipar novos recursos de redes sociais explorando os códigos dos aplicativos. 

Se os testes realmente se concretizarem em recurso novo para o Spotify, será possível ouvir as músicas do arquivo do celular no próprio Spotify, sem precisar abrir um player separado. 

A função se assemelha ao antigo Grooveshark, serviço de música online que permitia a importação de músicas locais para o aplicativo – a plataforma foi encerrada em 2015 depois de uma batalha judicial sobre violação de direitos autorais de gravadoras. 

A pesquisadora descobriu também testes de um recurso chamado “salvar para depois” para podcasts, que seria útil para os usuários acessarem rapidamente um episódio que não conseguiram terminar. 

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Uber planeja comprar startup de patinetes elétricos, diz site The Information

Segundo o The Information, a aquisição será “multibilionária”; o aplicativo de transportes está negociando a compra da startup Bird e também cogita como uma outra opção a Lime

A startup de patinetes elétricos Bird foi criada por um ex-funcionário do Uber

O aplicativo de transporte Uber está negociando a compra da startup de patinetes elétricos Bird, em uma aquisição “multibilionária”, informou o site The Information neste final de semana. De acordo com a reportagem, como outra opção, o Uber também está mantendo negociações com a Lime, que também é empresa de patinetes. 

Segundo o site, o Uber pretende fechar a aquisição, seja com a Bird ou a Lime, até o final do ano. Se o acordo se concretizar, o Uber estará em uma posição de comando relevante dentro do mercado de compartilhamento de patinetes elétricos. 

O interesse do aplicativo de transportes em patinetes não é novo. Há informações de que o Uber está desenvolvendo um projeto de um patinete elétrico totalmente produzido pela empresa. Vale lembrar também que o Uber já tem investimentos na Lime. 

Em resposta à reportagem, o presidente executivo da Bird, Travis VanderZanden, disse que a empresa “não está à venda”. Entretanto, ele não negou as informações do The Information

Estratégia. visão do Uber para o futuro é ser um aplicativo que atenderá diversas demandas de transportes. Em entrevista para o site The Verge, em maio deste ano, Dara Khosrowshahi, presidente executivo do Uber, disse que o futuro da empresa não será feito só de carros, porque eles sozinhos não atenderão à demanda de transporte das cidades. O executivo enxerga que a solução é ter uma rede de transportes abrangente, que ofereça bicicletas, ônibus e carros. Dentro dos planos, também está o carro voador, o UberAir. 

As startups que vão fazer você desistir de ter o seu carro

Cada vez pessoas mais consideram usar serviços, que normalmente funcionam a partir de um smartphone, ao invés de ter um carro próprio
Por Karin Salomão

Car sharing (Divulgação/Divulgação)

O setor da mobilidade urbana está mudando rapidamente em várias frentes, com bicicletas e patinetes compartilhados, aplicativos de carona e que conectam motoristas e usuários. Os carros passam a maior parte do tempo parados na garagem e seguro e manutenção custam caro.

Cada vez pessoas mais consideram usar outros tipos de serviços, que normalmente funcionam a partir de um smartphone. As transformações, que confrontam o modelo tradicional de possuir um carro, ameaçam companhias gigantes e multinacionais, como montadoras e locadoras de veículos.

“A verdade é que a tendência de carros compartilhados está aqui para ficar e, combinada com outras tendências, como carros elétricos, autônomos e conectividade crescente, estão ajudando a transformar a indústria automotiva”, escreveu o Itaú BBA em relatório sobre o assunto.

O mercado brasileiro ainda é pequeno em comparação aos mais desenvolvidos. Há mais de 7 milhões de usuários de carros compartilhados pelo mundo, enquanto no Brasil apenas 87 mil usuários usam os serviços, apenas 1,2% do total, segundo relatório do banco.

Isso porque vandalismo e altos custos de estacionamento nas grandes cidades brasileiras, justamente onde o serviço teria maior demanda, elevam o custo da operação. Não é fácil para uma startup entrar nesse mercado. “O modelo ainda enfrenta desafios em termos de custos, que podem afetar a viabilidade do projeto”, escreve o Itaú BBA.

Apesar das dificuldades, nos últimos anos surgiram algumas startups dispostas a arriscar e inovar no mercado. O relatório do Itaú citou as mais proeminentes.

A Zazcar, criada em 2009, foi a pioneira no país a lançar um aplicativo de compartilhamento de veículos. Ela opera em São Paulo apenas com viagens circulares, ou seja, o usuário precisa deixar o carro em um ponto específico – no caso, estacionamentos.

Com viagens que podem ser de 1 hora a 48 horas, a frota é formada principalmente de modelos Ford Ka. No início deste ano, a startup recebeu um investimento de 7,5 milhões de reais da firma de venture capital Inseed Investimentos. Na época, operava com 130 carros e planejava alcançar 400 até o fim do ano. O valor também seria usado para aumentar a equipe e em marketing.

A Urbano LD, criada em 2017, chegou com uma novidade. Ela atua com veículos elétricos da BWM e da Smart. São 65 carros espalhados por pequenos bolsões na cidade de São Paulo.

Também criada em São Paulo, em 2017, A Turbi opera atualmente 60 carros. O plano é chegar a 150 nos próximos meses. Recebeu um investimento de 4 milhões de reais, que deve ser usado a partir de 2019.

A única da lista elaborada pelo Itaú BBA que não atua em São Paulo é a Vamo. Ela é de Fortaleza e foi criada em parceria da prefeitura com a Sertell, empresa de soluções tecnológicas para mobilidade, e a Hapvida, maior operadora de planos de saúde do Norte e Nordeste. Atualmente, tem 20 carros elétricos e 12 estações de recarga na cidade.

Ameaçadas
A tendência deixou as montadoras em alerta. Com as ameaças ao seu modelo de negócios tradicional, muitas decidiram criar subsidiárias ou incorporar startups de compartilhamento. É o caso da DriveNow, subsidiária da BMW, que tem 6 mil carros BMW e Mini espalhados em 12 cidades na Europa e um milhão de usuários.

Nessa categoria também está a Car2Go, fundada em 2008. É uma subsidiária da Daimler, fabricante de automóveis e dona da Mercedes-Benz, com mais de três milhões de usuários em 26 locais pelo mundo, na América do Norte, Ásia e Europa.

A General Motors criou a Maven, empresa de compartilhamento presente em 18 cidades nos Estados Unidos e Canadá. Em comparação a seus concorrentes ainda é pequena, com 100 mil usuários no ano passado. Além de oferecer carros para serem compartilhados, a plataforma também permite que um usuário alugue seu carro para motoristas do Lyft e Uber.

A nova tendência não atinge apenas as montadoras. Locadoras tradicionais também precisam rever o seu negócio.

A locadora Avis adquiriu a Zipcar em 2013, por 500 milhões de dólares. O investimento tem retorno e no ano passado a companhia foi responsável por 9% do faturamento do grupo. A Zipcar cobra uma mensalidade de seus usuários, que recebem um cartão para desbloquear os carros. Tem um milhão de usuários, 12 mil veículos em 500 cidades e 6000 campus universitários.

A Europcar quer se tornar “uma alternativa atraente para a posse de carro”, de acordo com o relatório do Itaú. Para isso, se tornou acionista majoritária na Ubeeqo, serviço de carro compartilhado encontrado em algumas cidades da Europa. Também investiu em outras startups de compartilhamento, como a GoCar e E-Car.

Sheryl Sandberg teria ordenado pesquisas sobre George Soros, diz The New York Times

A revelação complica os esclarecimentos de Sandberg sobre o seu papel na decisão do Facebook de contratar a Definers
Por Nicholas Confessore e Matthew Rosenberg – The New York Times

Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, é a segunda executiva mais importante da empresa

A chefe de operações do Facebook Sheryl Sandberg pediu a funcionários da empresa para pesquisar sobre os interesses financeiros de George Soros, um bilionário crítico de empresas de tecnologia, de acordo com três pessoas que tiveram conhecimento do pedido feito por ela. A informação indica que Sandberg, segunda executiva mais importante da rede social, esteve diretamente envolvida na resposta da rede social às alegações de Soros.

Sheryl Sandberg fez a solicitação em janeiro por meio de um e-mail para um alto executivo da companhia que foi encaminhado para outros diretores da área de comunicações e de política da rede social. O e-mail foi enviado poucos dias depois de um violento discurso proferido por Soros no Fórum Econômico Mundial atacando o Facebook e Google como “ameaças” para a sociedade e pedindo para que as companhias fossem objeto de regulamentação.

Sandberg, que participou do Fórum, mas não estava presente durante o discurso de Soros, pediu que fosse feito uma pesquisa para avaliar por que Soros havia criticado as empresas e se ele ganharia algum retorno financeiro com aqueles ataques. Na ocasião o Facebook estava sendo investigado sobre o papel da rede social na disseminação de propaganda russa e fomentando campanhas de ódio em Mianmar e outros países.

Para essa pesquisa, a empresa contratou a consultoria Definers Public Affairsl,  ligada aos republicanos, que reuniu e distribuiu para jornalistas informações sobre financiamentos de Soros a vários grupos de defesa críticos do Facebook.

Essas medidas, reveladas este mês numa investigação do The New York Times, foi um desastre em termos de relações públicas para Sandberg e o Facebook,  acusado de disseminar ataques antissemitas contra o bilionário. Rapidamente, depois da reportagem, o Facebook rompeu com a consultoria Definers.

Em comunicado, o Facebook afirmou que a companhia já havia começado a pesquisar Soros quando Sandberg fez seu pedido.

“Soros é um investidor influente e procuramos examinar os seus investimentos e atividades comerciais relacionados com o Facebook. A pesquisa já estava em curso quando Sheryl enviou o e-mail perguntando se Soros vendera ações do Facebook”,  informou a companhia, acrescentando que “embora Sandberg tenha assumido plena responsabilidade por qualquer atividade ocorrida sob seu comando”, ela não realizou pessoalmente nenhuma pesquisa visando o grupo Freedom From Facebook, movimento contra a rede social ou quaisquer organizações membros do grupo”.

A revelação complica os esclarecimentos de Sandberg  sobre o seu papel na decisão do Facebook de contratar a Definers –  nas últimas semanas, ela partiu para a ofensiva contra uma legião cada vez maior de críticos da rede social. Ela inicialmente negou saber que sua empresa contratara a Definers, mas em uma postagem na semana passada admitiu que passou pela sua mesa o trabalho feito pela empresa para o Facebook.

Nessa postagem, ela não negou explicitamente ter solicitado a pesquisa sobre Soros. Por outro lado, o responsável pelas comunicações e políticas da empresa, Elliott Schrage, que já saiu da empresa, assumiu a responsabilidade pela contratação da Definers para pesquisar Soros.

“Fomos tão criticados por ele que quisemos determinar se havia alguma motivação financeira”, disse Schrage. “A Definers fez a pesquisa utilizando informações públicas”.

O Facebook defendeu a pesquisa como uma medida prudente e necessária no caso de qualquer empresa sob ataque por uma figura proeminente, particularmente uma pessoa como Soros.

Mas as revelações devem intensificar a pressão sobre Sheryl Sandberg, uma estrela do Vale do Silício e líder feminista.

A investigação do The New York Times concluiu que Sandberg e Mark Zuckerberg ignoraram a advertência sobre abusos da plataforma e procuraram ocultar evidências de que a Rússia utilizou a rede social para influenciar a eleição presidencial de 2016 e ajudar a eleger o presidente Donald Trump. Ainda de acordo com o jornal, os executivos procuraram minimizar o problema e se isentar de culpa quando o Facebook se defrontou com revelações de que a privacidade de milhões de usuários foi comprometida pela Cambridge Analytica, empresa de dados ligada a Trump. 

Sandberg supervisiona as unidades de comunicações e política da empresa que, desde o ano passado, lançaram uma campanha com o objetivo de desacreditar os críticos do Facebook e reprimir o aumento de pessoas que vêm pedindo para que a rede social e outras grandes companhias de tecnologia sejam desmanteladas ou rigorosamente regulamentadas.

Alguns pediram a demissão de Sheryl Sandberg. A confissão de Elliot Schrage foi considerada dentro e fora da companhia como um esforço para proteger a executiva.

A empresa contratou a Definers no ano passado para monitorar a cobertura da mídia. Mas, em um segundo momento, o Facebook ampliou seu papel para incluir pesquisas de campanha e outros trabalhos de relações públicas.

Em reunião privada nesta quinta-feira, 29, Sheryl Sandberg novamente mostrou distância da Definers com pesquisa sobre Soros, disse Rashad Robinson, diretor do grupo Color  of Change, citado em um memorando da Definers sobre Soros.

“Ela insistiu em colocar o caso nos ombros no diretor de comunicações de saída da companhia” (Schrage). “E ela se empenhou em nos garantir que Joel Kaplan (vice-presidente da área de políticas públicas globais da empresa) também não teve nada a ver com o episódio”, disse Robinson.

O diretor afirmou ter ficado satisfeito com o fato de Sandberg citar um relatório sobre uma auditoria interna, que já havia sido anunciada, sobre como as políticas adotadas pelo Facebook afetaram usuários minoritários e funcionários. Mas quando ele insistiu no envolvimento do Facebook com a Definers, ela voltou a enfatizar que a empresa já fora afastada. “Não ficamos satisfeitos com a resposta”, disse Robinson.

Tradução de Terezinha Martino

Como a Microsoft conseguiu valer mais do que a Apple?

A Microsoft está emparelhada com a Apple na disputa pelo título de empresa mais valiosa do mundo, ambas valendo mais de US$ 850 bilhões, graças ao salto de 30% no valor de suas ações nos últimos 12 meses
Por Steve Lohr – The New York Times

Satya Nadella se tornou presidente executivo da Microsoft em 2014

Há poucos anos a Microsoft era considerada no mundo da tecnologia uma companhia desajeitada e difícil de administrar. Era uma empresa grande e ainda lucrativa, mas havia perdido seu brilho, ficando para trás nos mercados futuros como o de celulares, buscas, publicidade online e computação em nuvem. O valor das suas ações definhou, com um aumento de apenas 3% na década até o final de 2012.

Hoje a história é bem diferente. A Microsoft está emparelhada com a Apple na disputa pelo título de empresa mais valiosa do mundo, ambas valendo mais de US$ 850 bilhões, graças ao salto de 30% no valor de suas ações nos últimos 12 meses. Como isso aconteceu?

Uso de forças.  Existe uma explicação de curto prazo para a ascensão da Microsoft no mercado e também uma de longo prazo. No curto prazo,  a resposta do mercado acionário é de que a companhia se manteve melhor do que outras durante a recente venda de ações das empresas de tecnologia. Os investidores da Apple se mostram preocupados com a desaceleração das vendas dos iPhones. 

Facebook e Google enfrentam ataques persistentes sobre o seu papel na distribuição de fake news e teorias de conspiração e os investidores temem que as políticas de privacidade das companhias afetem usuários e anunciantes. 

Mas a resposta mais importante e consistente é de que a Microsoft se tornou exemplo de como uma empresa que já foi dominante pode fazer uso das suas próprias forças e não ficar prisioneira do seu passado. A companhia adotou plenamente a computação em nuvem, abandonou uma incursão equivocada no segmento dos smartphones e voltou às suas raízes como principal fornecedora de tecnologia para clientes corporativos.

A estratégia foi delineada por Satya Nadella logo depois de ele se tornar presidente executivo da empresa em 2014. Desde então o preço das ações da Microsoft quase triplicou.

Aposta na nuvem.  A trajetória da Microsoft na computação em nuvem  – processamento, armazenamento e software oferecido como um serviço pela Internet a partir de centros de dados remotos – foi lenta e por vezes estagnou.

Seus precursores no campo da computação em nuvem remontam à década de 1990, com o serviço online MSN e depois o motor de busca Bing. Em 2010, quatro anos depois de a Amazon entrar no mercado da nuvem, a Microsoft lançou seu serviço. Mas não ofereceu nada comparável ao serviço da Amazon até 2013, dizem os analistas.

O serviço em nuvem da companhia era um negócio paralelo. O centro de gravidade continuava a ser seu sistema operacional Windows, o elemento chave da riqueza e do poder da companhia durante a era do computador pessoal. Isto mudou depois que Nadella substituiu Steven Ballmer, que foi presidente executivo da Microsoft por 14 anos.

Nadella tornou o serviço em nuvem uma prioridade e hoje a empresa é a segunda maior no segmento, depois da Amazon.  E quase dobrou o valor de suas ações para 13% desde o final de 2015, de acordo com o grupo de pesquisa Synergy. As ações da Amazon mantiveram-se firmes em 33% no mesmo período.

A Microsoft também reformulou seus populares aplicativos do Office, como o Word, Excel e Power Point,  para uma versão em nuvem,  Office 365. Essa oferta agrada as pessoas que preferem usar o software como um serviço de Internet e a Microsoft passou a competir com fornecedores do aplicativo online como o Google. 

A recompensa financeira dessa mudança foi gradativa no início, mas vem se acelerando. No último ano, até junho, a receita da empresa subiu 15%, para US$ 110 bilhões, e o lucro operacional cresceu 13%, para US$ 35 bilhões.

“Essencialmente, Satya Nadella promoveu uma mudança drástica para a nuvem”, disse David Yoffie, professor da Harvard Business School. “Ele colocou a Microsoft de volta nos negócios de forte crescimento”.

É a percepção de que a Microsoft está na trilha do forte crescimento que estimulou o aumento do preço de suas ações. 

Abandono de apostas fracassadas. Quando a Microsoft adquiriu a unidade de celulares da Nokia em 2013, Ballmer elogiou a compra como um “salto corajoso para o futuro”. Dois anos depois, Nadella largou esse futuro, assumindo uma despesa de US$ 7,6 bilhões, quase o valor total da compra, e cortou 7.800 funcionários.

A Microsoft não iria competir com líderes da tecnologia de smartphone, como Apple, Google e Samsung. Inversamente, ela se concentrou no desenvolvimento de aplicativos e outros software para clientes empresariais.

A Microsoft tem uma franquia de sucesso que é o Xbox. Mas é uma unidade separada e embora gere uma receita de US$ 10 bilhões, este valor ainda é menos de 10% das vendas totais da empresa.

Sob o comando de Nadella a companhia se soltou. O sistema operacional Windows não é mais seu centro de gravidade, ou sua âncora. Os aplicativos Microsoft rodam não só no Macintosh da Apple, mas também em outros sistemas operacionais. O software livre e de fonte aberta,  antes rejeitado pela Microsoft, foi adotado como ferramenta vital para o moderno desenvolvimento de software.

Segundo Nadella, “precisamos ser insaciáveis em nosso desejo de saber o que ocorre fora e trazer esse conhecimento para a Microsoft”. Foi o que ele escreveu em seu livro “Hit Refresh” publicado no ano passado.

O desempenho financeiro da companhia e o preço de suas ações sugerem que a sua fórmula está funcionando. “A velha visão do mundo centralizada no Windows sufocou a inovação”, disse Michael Cusumano, professor da Sloan School of Management do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “A companhia mudou culturalmente. Hoje a Microsoft é novamente um lugar fascinante para trabalhar”.

Tradução de Terezinha Martino 

Ataque hacker à rede de hotéis Marriott expõe dados de meio bilhão de pessoas

Invasão ocorreu em rede de reservas online durante quase quatro anos

Rede de reservas online do Marriott foi hackeada

A rede de hotéis Marriott confirmou nesta sexta-feira, 30, que foi alvo de um ataque hacker que expôs dados de meio bilhão de hóspedes. A invasão ocorreu por meio do sistema de reservas online da Starwood, subsidiária que a rede comprou em 2016 e inclui as marcas St. Regis, Westin, Sheraton e W Hotels. O ataque é considerado um dos maiores roubos de dados pessoais da história. Não há confirmação se brasileiros estão entre os afetados pelo vazamento.

A brecha para os hackers existe desde 2014, mas o Marriott disse que identificou o problema apenas na semana passada. Segundo comunicado, os criminosos “copiaram, criptografaram e tomaram medidas para remover os dados da rede”.

O ataque é preocupante pela quantidade de clientes atingidos e pelo detalhamento das informações expostas. Para 327 milhões vítimas, por exemplo, entre os dados roubados estão números de passaporte, endereço residencial e e-mail. Um número ainda não divulgado de afetados também teve o número e a data de validade do cartão de crédito expostos.

Ainda não há informações sobre quais países foram afetados, mas a empresa disse que todos que fizeram reservas anteriores a 10 de setembro de 2018 podem ter sido vítimas. O Marriott confirmou que aqueles que tiveram dados roubados vão receber e-mails com notificação sobre o ocorrido. O grupo de hotéis também criou um site em inglês para tirar dúvidas dos usuários.

Em paralelo, a empresa disse que notificou as autoridades e que está trabalhando no processo de investigação. O órgão regulador de proteção de dados do Reino Unido confirmou que foi avisado sobre o vazamento de informações. A instituição recentemente multou o Facebook em US$ 645 mil por violação de dados pessoais de britânicos no caso da consultoria Cambridge Analytica.

Reflexo. O anúncio do ataque derrubou as ações da rede de hotéis que fechou o mercado com queda de 5,59%, sendo negociadas a US$ 115. 

Especialistas explicaram que a queda está relacionada ao temor sobre o futuro da empresa. “A brecha (causada pelo vazamento de dados) é tão grande que a empresa pode ter de pagar uma grande multa para as autoridades, e isso assusta o mercado”, disse Juan Jose Fernandez Figares, analista-chefe da Link Securities, em Madri, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.

Outra questão avaliada pelos investidores está na própria declaração da Marriott, que indica que o vazamento de dados já ocorria anos antes de a empresa adquirir a Starwood – comprada em um negócio de cerca de US$ 13,6 bilhões, fechado em setembro de 2016.

O atraso na identificação e na divulgação do crime também causa problemas para a empresa. No começo do mês, a rede informou que sofria os ataques de hackers, mas evitou entrar em detalhes. Em uma nota divulgada em 6 de novembro, a companhia disse que tinha feito “tentativas de interromper o acesso aos sistemas e dados e de afetar a integridade de dados” e admitido que “ a frequência e sofisticação de tais esforços podem aumentar.”

O ataque é o segundo maior da história de vazamento de dados. Em 2013, informações como nome e senha de 3 bilhões de usuários Yahoo foram expostos depois de um incidente de segurança.

Facebook estudou cobrar por acesso a dados de usuários

Emails datados de 2012 a 2014 indicam discussões internas sobre ideias para ganhar mais oferecendo acesso a informações
Kirsten Grind – The Wall Street Journal

Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook; empresa cogitou cobrar por acesso

NOVA YORK – Emails internos demonstram que o Facebook estudou a possibilidade de cobrar por acesso continuado aos dados de seus usuários por outras companhias, alguns anos atrás, uma medida que teria representado uma virada dramática ante a política de não vender esse tipo de informação adotada pela rede social, de acordo com um documento judicial a que o The Wall Street Journal teve acesso em versão não editada.

Os emails citados no documento também indicam que empregados do Facebook discutiram a possibilidade de pressionar alguns anunciantes a gastar mais em troca de acesso maior às informações dos usuários.

Somados, esses emails demonstram que a empresa discutiu como monetizar os dados de seus usuários de maneiras praticadas por algumas outras empresas de tecnologia que o Facebook sempre afirmou não empregar.

Em audiência perante o Congresso dos Estados Unidos, em abril, Mark Zuckerberg, o presidente-executivo do Facebook, disse “não há como eu ser mais claro sobre essa questão: nós não vendemos dados”.

Os emails, em sua maioria datados de cerca de 2012 a 2014, estão longe de ser conclusivos, e em alguns casos estão truncados e foram citados fora de contexto. Mas oferecem um vislumbre sobre documentos apresentados à Justiça e mantidos em sigilo – um parlamentar britânico na semana passada prometeu divulgá-los – como parte de um processo movido contra o Facebook por uma empresa chamada Six4Three.

Os emails também ilustram o longo debate no Facebook sobre como maximizar o valor das vastas quantidades de dados que a companhia recolhe, e ao mesmo tempo evitar abusos contra a privacidade dos usuários.

A Six4Three, desenvolvedora de um app que já saiu do mercado, abriu um processo contra o Facebook em 2015, acusando a empresa de adotar normas que prejudicavam a livre concorrência e favoreciam determinadas companhias em detrimento de outras. O acesso à maioria dos documentos apresentados como parte do processo é considerado sigiloso, a pedido do Facebook, e por ordem de um juiz da Califórnia.

O The Wall Street Journal viu a íntegra de três páginas de material, parte de um documento de 18 páginas que mostrava trechos de alguns emails internos. Em outras petições referentes ao processo, o Facebook afirmou que os excertos submetidos haviam sido editados, subsequentemente, de forma a ocultar parcialmente seu teor, porque continham “discussões delicadas quanto à análise estratégica interna do Facebook sobre aplicativos de terceiros, cuja divulgação poderia prejudicar o relacionamento” entre o Facebook e esses apps.

Na terça-feira, o parlamentar britânico Damian Collins, que preside o comitê digital, de mídia, cultura e esporte na Câmara dos Comuns, disse que planejava divulgar os documentos que obteve quanto ao processo da Six4Three dentro de cerca de uma semana, depois de editá-los para eliminar dados pessoais.

Collins é um defensor vigoroso do direito dos consumidores à privacidade quanto a seus dados, e crítico severo do Facebook.

Uma porta-voz do Facebook confirmou as discussões sobre cobrança por acesso a dados, e disse que a companhia havia por fim decidido não fazê-lo.

Konstantinos Papamiltiadis, diretor de programas e plataformas para desenvolvedores no Facebook, disse que “os documentos que a Six4Three recolheu para seu processo sem base são apenas uma parte da história, e estão sendo apresentados de uma maneira muito enganosa, na ausência de contexto”.

A empresa se recusou a fornecer o texto completo dos emails.

Um representante da Six4Three, que desenvolveu um app que permitia que usuários procurassem fotos de pessoas em traje de banho, não respondeu a pedidos de comentários.

Consumidores e autoridades regulatórias dos dois lados do Atlântico estão tentando compreender de que forma o Facebook usa os dados de seus 2,27 bilhões de usuários ao mês. O Facebook vem sofrendo intenso escrutínio nos últimos 12 meses por suas práticas de compartilhamento de dados de usuários, especialmente depois de a empresa ter revelado, este ano, que a consultoria Cambridge Analyticahavia obtido indevidamente dados sobre milhões de seus usuários.

Os emails do Facebook referidos no documento de 18 páginas apresentado ao tribunal e vistos pelo The Wall Street Journal remontam ao final de 2012. Na época, o Facebook havia acabado de emergir de uma oferta pública inicial de ações complicada, e estava lutando para gerar receita com seu produto para aparelhos móveis, e operando sob regras quanto a dados estabelecidas anos antes por Zuckerberg. 

As normas permitiam que dezenas de milhares de desenvolvedores de apps externos tivessem acesso a informações sobre usuários do Facebook, por meio da plataforma da companhia para desenvolvimento de apps. Mas os desenvolvedores estavam obtendo acesso àquele acervo de dados de valor inestimável sem dar nada em troca ao Facebook.

A empresa estava estudando ajustes em sua estratégia, e alguns de seus empregados discutiram maneiras de obter mais receita e dados dos desenvolvedores, mostra o documento da Six4Three. 

Um empregado não identificado do Facebook fala em bloquear o acesso a dados “de vez, para todos os apps que não gastem… pelo menos US$ 250 mil por ano para manter acesso a eles”, de acordo com um email citado no documento. O conteúdo integral da mensagem não está incluído no documento.

“Estávamos tentando descobrir como construir um negócio sustentável”, disse uma porta-voz do Facebook. “Tivemos muitas discussões internas sobre como isso poderia ser feito”.

Algumas das ideias discutidas no documento parecem envolver a possibilidade de que o Facebook recebesse mais verbas publicitárias em troca do acesso aos dados de seus usuários. Essas transações contrariariam a filosofia de negócios declarada da empresa, e teriam ido bem além do acesso preferencial a dados privados oferecido a algumas companhias, como o The Wall Street Journal noticiou anteriormente.

O pano de fundo para algumas dessas discussões era a decisão que o Facebook estava por implementar para impedir que desenvolvedores tivessem acesso a dados sobre amigos de seus usuários, tais como nomes, datas de nascimento, fotos e as páginas curtidas por eles. A empresa anunciou a decisão em 2014, e ela entrou em vigor no ano seguinte.

Em 2013, a companhia negociou um acordo especial com a Amazon, e um funcionário do Facebook mencionou que a Amazon em breve teria acesso mais restrito a dados da rede social. Como resultado, outro funcionário respondeu “teremos ou de ter uma conversa decepcionante com a Amazon ou uma conversação estratégica no contexto de discussões sobre um acordo mais amplo”, de acordo com o documento judicial.

Não fica claro a que acordo essas discussões se referiam. Um porta-voz da Amazon disse que a empresa tem acesso a dados do Facebook para “habilitar versões de nossos produtos adaptadas ao Facebook”. Ele acrescentou que “só usamos informações de acordo com nossas normas de privacidade”.

Quando o Royal Bank of Canada, naquele mesmo ano, expressou preocupação sobre seu acesso a dados, um empregado não identificado do Facebook perguntou em um email interno se o banco tinha um acordo que requeria que ele investisse um valor mínimo em publicidade na rede social a cada ano. Outro empregado respondeu que “acredito que essa será uma das maiores campanhas NEKO já veiculadas no Canadá”, citando um acrônimo usado para descrever publicidade de divulgação de apps para celulares.

Um porta-voz do banco disse que este “jamais teve um valor mínimo de investimento ou um acordo sobre metas publicitárias com o Facebook”.

Em uma troca de emails citada no documento da Six4Three, empregados do Facebook aparentemente oferecem ao serviço de encontros Tinder, do Match Group, um intercâmbio que manteria o acesso deste aos dados que estavam para ser bloqueados, em troca da marca registrada “Moments”, que o Facebook planejava usar em um app de fotografia a ser lançado no futuro.

O Tinder e o Facebook resolveram uma disputa sobre a marca registrada “Moments” anos atrás, e o Tinder “jamais recebeu tratamento especial, dados ou acesso relacionados a essa disputa ou sua solução”, disse uma porta-voz do Tinder.

Uma porta-voz do Facebook disse que as empresas não haviam trocado o controle da marca registrada por acesso a dados.

Tradução de PAULO MIGLIACCI