‘A web precisa continuar aberta’, diz executivo do Google, Richard Gingras

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Os cabelos quase que totalmente brancos e as linhas de expressão não escondem que o norte-americano Richard Gingras tem uma longa carreira, que começou há 30 anos, antes da popularização da internet. Depois de passar por uma série de grupos de mídia dos EUA, como CBS e NBC, além empresas de tecnologia como a Apple, ele diz estar vivendo seu melhor momento no Google, onde lidera os esforços do gigante das buscas na área de notícias, como o serviço Google News, e parcerias com os veículos de comunicação.

O principal projeto de Gingras no Google até o momento foi o lançamento do Accelerated Mobile Pages (AMP), nova tecnologia de código aberto que acelera a navegação de sites em smartphones. O projeto chegou ao Brasil em fevereiro deste ano e tem o Estado entre os parceiros. Na última semana, Gingras concedeu uma entrevista exclusiva onde falou sobre os objetivos em comum da empresa e dos veículos da imprensa e por que todos devem se preocupar em manter a web como um território livre e aberto. Confira os principais trechos da entrevista.

Quais o principal desafio que a internet impôs ao jornalismo?

A internet tem mudado diferentes indústrias e teve um tremendo impacto na forma como as pessoas encontram, consomem e compartilham informações. Hoje temos um mercado diferente para conteúdo, que trouxe desafios e oportunidades para os publishers. Eles precisam decidir o tipo de experiência que querem prover no futuro, de forma que possam criar experiências valiosas para sua audiência atual e para as novas. Isso representa uma grande oportunidade. É por isso que precisamos criar padrões que permitam que os publishers possam inovar de forma mais rápida.

Como surgiu o projeto AMP?

No último um ano e meio, passamos muito tempo conversando com publishers pelo mundo para entender onde estavam os desafios e achar uma forma de resolvê-los, de forma colaborativa. Uma das conclusões foi que, conforme o mundo migra para as plataformas móveis, a web não é mais tão rápida como nós gostaríamos. Ela deixou de ser tão fácil e divertida de navegar como era há 20 anos. Conforme a publicidade evoluiu, os sites se tornaram mais lentos. As redes sociais também se tornaram muito populares e essas plataformas proprietárias são velozes. De certa forma, podemos dizer que o crescimento do tempo que as pessoas passam nas redes sociais é resultado de a web não ser mais tão divertida.

Por que você acha isso?

Todos já tivemos a experiência, particularmente em dispositivos móveis, de pensar duas vezes antes de clicar em um link, porque sabemos que a página vai demorar entre 10 e 20 segundos para carregar. Isso é suficiente? Qualquer coisa inferior a instantâneo reduz a inclinação das pessoas em se engajar. Por isso criamos o projeto AMP de forma colaborativa com mais de 200 entidades. A missão não está cumprida, mas já começamos a ver o poder que o AMP tem que realmente muda a forma como a web funciona. Já existem versões AMP de 750 mil sites em todo o mundo, com origem em mais de 120 países. No Google, já indexamos mais de 600 milhões de páginas no formato AMP.

Por que é importante para o Google que os publishers criem conteúdo de qualidade para a web?

Nós todos valorizamos a web aberta. Se olharmos para trás, há 25 anos, quando a web foi criada, havia 25 mil sites de internet e hoje há mais de 1 bilhão. É extraordinário. Mas não podemos assumir que ela continuará assim para sempre. O Google e os publishers compartilham de um mesmo objetivo, que é garantir que a web continue sendo aberta. A busca do Google depende de um ecossistema rico em conhecimento para funcionar. Os publishers tem na web aberta seu meio de distribuição, o caminho para encontrar novas audiências. Então é muito importante que a web continue aberta, que não evolua para ser um ambiente de plataformas proprietárias, de jardins murados.

Uma grande parte da audiência está hoje dentro do Facebook. Qual sua opinião sobre isso?

O Facebook é um produto atrativo e muitas pessoas passam muito tempo lá. Eu mesmo uso o site todos os dias. Mas queremos garantir que a web seja tão atrativa quanto qualquer experiência proprietária. As pessoas devem ter um ambiente dinâmico de experiências possíveis na internet. Mais importante que isso, a web deve continuar aberta. Eu acredito muito em liberdade de expressão e a web tem sido extraordinária nisso. Desde o início da civilização, nós nunca tivemos nada que tornasse tão simples para as pessoas se expressarem entre si e para o mundo. Isso é magnífico. Mas, nós temos que monitorar sempre, fazer esforços constantes para garantir que ela mantenha a qualidade.

O que você vê como uma ameaça a internet aberta?

De certa forma, plataformas proprietárias são uma ameaça à internet aberta. Quando eu trabalhava na Apple, desenvolvemos uma plataforma chamada eWorld. É o que podemos chamar de jardim murado. Era como o portal da América Online (AOL). E uma das coisas que eu sei sobre jardins murados é que eles tem um grande poder sobre quem resolve brincar ali dentro. Não critico o valor dessas experiências proprietárias, mas se o nosso interesse é diversidade de opiniões, se queremos que existam publishers de todos os tipos e que eles sejam capazes de ter sucesso, então um ambiente aberto é crucial. [Por Claudia Tozetto – O Estado de S.Paulo]

Inspirada em Berlim, Lisboa quer criar cena de startups

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Por Axel Bugge – REUTERS
Antiga “zona da luz vermelha” de Lisboa, as docas do Cais do Sodré hoje estão povoadas por jovens empreendedores tentando deixar a crise econômica portuguesa para trás e transformar o Rio Tejo no novo point das startups europeias.

Cinco anos após a intervenção da União Europeia nas contas portuguesas, a economia do país ainda cresce lentamente. No entanto, com custos bem abaixo de outras capitais do Velho Continente, a cidade se espelha no exemplo de Berlim.

Anteriormente isolada pela Cortina de Ferro, o cenário empreendedor floresceu em Berlim na última década graças a baixos custos e uma força de trabalho inspirada por seu estilo de vida alternativo. Com seu centro histórico e sua gastronomia atraente, Lisboa pode replicar o exemplo.

Segundo a consultoria Eurostat, o custo médio da hora de trabalho em Portugal foi de € 13,2, contra uma média europeia de € 25 – na Alemanha, os valores chegam a € 32,2. O mesmo vale para os aluguéis: o custo médio do metro quadrado em Lisboa por mês é de € 18,5, contra € 66, segundo a consultoria especializada em imóveis Cushman & Wakefield.

“Lisboa é excitante”, afirma o investidor alemão Simon Schaefer, que decidiu criar espaços de escritório capazes de abrigar 400 funcionários na capital portuguesa. A ideia é replicar um projeto semelhante fundado por ele em Berlim em 2012. “Quando você vê empreendedores internacionais, Lisboa deve estar no mapa para ser a sede de uma empresa”, disse.

Filho pródigo. Nem sempre foi assim. Quando a crise financeira abateu Portugal, milhares de jovens passaram a deixar o país, seguindo o exemplo de gerações passadas. Apesar do talento, não havia capital disponível para financiar startups.

Quem se beneficiou foi o Reino Unido Grã-Bretanha: em 2009, o empreendedor José Neves fundou por lá a varejista online de roupas de luxo Farfetch. Hoje, ela é a segunda empresa mais valiosa do Reino Unido, diz a consultoria CB Insights.

Outra empresa – a Seedrs – foi co-fundada pelo português Carlos Silva em Londres. Hoje, ela é a maior empresa de financiamento coletivo da Europa.

A migração, porém, rende frutos para a terrinha. Como bons filhos pródigos, Farfetch e Seedrs hoje têm operações grandes em Portugal. Metade dos mil empregados da Farfetch está em solo português – e 81 das 140 vagas atualmente abertas pela empresa são no país também.

Hoje, o setor de startups em Portugal ainda é novo, e como muitas empresas ainda estão em estágio inicial, há poucos dados sobre o setor. Porém, o atual governo do Partido Socialista têm investido pesado no setor, por uma razão clara: ele cria muitas vagas de trabalho.

Em julho, por exemplo, quando o governo se ofereceu para co-financiar startups, investidores pediram mais de ¤ 500 milhões – as propostas ainda estão sendo avaliadas.

“Queremos ajudar as startups não só porque elas são de companhias novas, mas também porque trazem inovação às indústrias tradicionais”, disse o secretário de indústria João Vasconcelos, que antes trabalhou em uma das principais incubadoras de Lisboa.

Para Vasconcelos, a prioridade é ajudar startups a atrair investimentos estrangeiros, através de incentivos e da regulamentação correta. Entre as medidas recentes do governo local, há isenção de impostos para investimentos de até ¤ 100 mil euros no setor. / TRADUÇÃO DE BRUNO CAPELAS

RGirls/Digital I Novas iniciativas atraem meninas para a tecnologia

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Uma turma de meninas corre de um lado para outro numa sala, carregando bolinhas coloridas, em meio a risadas e gritos empolgados. Poderia ser uma gincana em uma escola, mas elas estavam dentro do Cubo, espaço para startups e empreendedores na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Com idade entre 9 e 13 anos, 45 estudantes de escolas públicas da cidade se divertiam aprendendo conceitos como convergência digital, algoritmos e criptografia. Elas formaram a primeira turma no País do Girls4Tech, programa criado pela Mastercard para estimular interesse de meninas em carreiras no setor.

“Muitas pessoas duvidam da nossa capacidade em tecnologia, tentam nos jogar para baixo”, diz a estudante Alice Carneiro, 12 anos, que quer ser engenheira mecânica no futuro. “Mas meus pais me dizem para continuar em frente para ter um futuro melhor.”

Perto dali, outro grupo de garotas está concentrado em decifrar uma mensagem. Quando terminam, elas leem “Sou uma decifradora de código” no papel. Os olhos brilham ao descobrir um talento que elas não desconfiavam ter. “Percebi que sou boa nisso”, diz Rayssa Gomes, 11 anos.

O Girls4Tech é apenas uma das iniciativas globais que tentam equilibrar a proporção de homens e mulheres na tecnologia. Atualmente, de acordo com dados da Sociedade Brasileira da Computação (SBC), apenas cerca de 15% dos alunos matriculados em cursos, como ciências da computação e engenharia da computação, no Brasil, são mulheres.

A proporção é parecida nas principais universidades de São Paulo: na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), mulheres são 19% dos matriculados; na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 12,6%; e no curso de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, elas são 8%. A preocupação é global: estudo da consultoria Accenture provocou alarde nos EUA ao mostrar que a proporção de mulheres em postos de trabalho de tecnologia pode cair de 24% para 22% em 2025 se nada for feito para encorajar as meninas de hoje a seguirem carreiras nessa área.

Brinquedo de menino? A razão para as mulheres escolherem outras carreiras, muitas vezes, começa na infância. “O computador é brinquedo para os meninos desde sempre”, diz a programadora Camila Achutti, fundadora da plataforma de ensino de programação MasterTech. “As meninas precisam ser expostas à tecnologia.”

Segundo Cristiano Maciel, professor da Universidade Federal do Mato Grosso, as meninas não têm modelos de profissionais com trajetórias interessantes para se inspirar (leia mais nos perfis abaixo).

Ele é um dos responsáveis pelo Meninas Digitais, programa da SBC que, entre outras ações, apresenta os diferentes cursos. “Às vezes, as meninas fogem da tecnologia porque têm medo de matemática, mas há cursos como Sistemas de Informação, com currículos mais flexíveis”, explica.

O Meninas Digitais está presente em escolas de ensino fundamental e médio, e têm hoje 30 frentes de trabalho em todo o País, incluindo o Cunhantã Digital (no Amazonas) e o Gurias na Computação (no Rio Grande do Sul). “Depois das oficinas, as meninas sabem que têm uma opção na computação”, diz o professor.

Para ele, no entanto, há outro problema a ser resolvido: o ambiente dos cursos de tecnologia e, mais tarde, no departamento de tecnologia das empresas. “É preciso criar um ambiente confortável para elas”. Foi o que sentiu Camila Achutti, ao entrar no curso de Ciências da Computação da USP.

Filha de um programador, Camila foi a única mulher de sua turma. Superado o medo inicial, ela criou o blog Mulheres na Computação e, desde então, divulga a atuação das mulheres nessa área, uma forma de inspirar meninas. “Choro toda vez que elas me chamam para a formatura”, diz Camila.

Para Karin Breitman, diretora do centro de pesquisa da empresa de serviços de TI Dell EMC no Brasil, é preciso deixar de lado o estereótipo do nerd, que favorece os meninos. “A gente precisa explicar para as meninas que elas podem ser cientistas de dados mesmo se não gostarem de heróis da Marvel ou de jogar World of Warcraft.”

A existência de exemplos como Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, Marissa Mayer, presidente do Yahoo, e Meg Whitman, presidente da HP Enterprise, mostra que a situação melhorou. Mas é provável que o setor sofra com a falta de mulheres em cargos de liderança em alguns anos. “Essa geração de executivas será seguida por um elo fraco, de meninas de 25 a 35 anos que pegaram o pior da história. Devemos cuidar delas para que continuem crescendo.”

Algumas iniciativas em curso no Brasil buscam ajudar essa geração de mulheres. O coletivo Maria Lab, criado em 2012, está entre um dos mais ativos no País e, só neste ano, já promoveu mais de 10 cursos para mulheres, sempre gratuitos. Os temas abordados vão da criação de um site até a criptografia de e-mails. “Conseguimos criar um espaço para as mulheres aprofundarem seus conhecimentos e pedirem ajuda”, diz Carine Roos, cofundadora do Maria Lab. “Temos um grupo diverso com mais de 200 garotas.”

No Vale, a vez das startup espaciais

zero-g-printer-designboom01.jpgMADE IN SPACE: startup do Vale do Silício levou impressoras 3D ao espaço com ambição de construir casas em Marte/ Divulgação
Letícia Toledo, de Livermore
Dante Sblendorio cresceu colhendo uvas na pequena fazenda de sua família sob o sol intenso de Livermore, na Califórnia. Não se pode dizer que foi uma infância exótica em uma região conhecida por suas vinícolas e extensas pastagens. Hoje, aos 26 anos e com um diploma de física, ele ainda vive e trabalha em Livermore, mas encontrá-lo sob a luz do sol tornou-se quase impossível. Na maior parte do dia, Sblendorio circula por um emaranhado de fios em um bunker construído durante a guerra fria no subsolo de um prédio no centro da cidade.

“Ficamos aqui para garantir que nossos experimentos não explodam a cidade toda”, brinca Sblendorio. Ele trabalha na Positron Dynamics, uma startup que pretende criar a nave espacial mais rápida do universo (ou pelo menos do planeta Terra), que seria capaz de dar a volta no planeta em três segundos e chegar a Marte em poucas semanas.
Fundada pelo piloto das forças aéreas americanas Ryan Weed e o PhD em física Joshua Machacek, o projeto da Positron é, para assim dizer, um tanto ambicioso. A equipe tenta isolar partículas de pósitrons para criar um propulsor super rápido e alimentar a espaçonave. Por enquanto, tudo se resume a um emaranhado de cabos e estruturas de metal, lousas cheias de cálculos e uma das famosas fotos de Albert Einstein colada em uma das paredes.
“Ainda podemos demorar 20 anos até conseguir utilizar os positrons para alimentar a aeronave”, diz Sblendorio. Isso, claro, se de fato chegarem lá. Mesmo assim, a startup, que foi fundada em 2012, recebeu um total de 1,2 milhão de dólares de investidores do Vale do Silício. Entre eles está Peter Thiel, fundador da empresa de pagamentos Paypal e um dos primeiros investidores da rede social Facebook (e, mais recentemente, o maior defensor de Donald Trump no Vale).
A Positron é apenas uma das muitas startups espaciais que surgiram nos Estados Unidos e, obviamente, se espalharam pela região do Vale do Silício. A consultoria americana Tauri Group calcula que hoje existam pelo menos 150 startups espaciais no país. A cerca de 50 quilômetros da Positron Dynamics, em um prédio na cidade de Mountain View decorado com personagens da série Star Trek, a Made In Space quer utilizar suas impressoras 3D para construir objetos fora do planeta terra.
A premissa é simples. “Por que fabricar as coisas aqui e então levá-las para o espaço quando podemos fabricar tudo diretamente lá?”, pergunta Matt Napoli, diretor de operações da Made In Space. O plano é utilizar as impressoras para fabricar desde pequenos utensílios, como uma simples escova de dentes para astronautas, até imóveis residenciais para uma futura população em Marte.
Hoje, duas impressoras 3D compatíveis com a falta de gravidade do espaço estão em teste fabricando pequenos objetos na Estação Espacial Internacional. As máquinas são controladas pela equipe de 30 funcionários da Made In Space, na Califórnia. “Temos câmeras acopladas às impressoras e com isso conseguimos acompanhar a fabricação dos objetos”, explica Napoli.
Dólares ao espaço
Planos que até pouco tempo só eram vistos em filmes de ficção científica têm encontrado cada vez mais capital nos Estados Unidos. Segundo a consultoria Tauri Group, as startups espaciais receberam 2,7 bilhões de dólares em investimentos em 2015 – o valor é quase o dobro do investido em startups espaciais nos 15 anos anteriores juntos. No total, mais de 50 fundos de investimentos colocaram dinheiro em companhias desse setor em 2015, também recorde dos últimos 15 anos. “Este ano o mercado continua igualmente aquecido, podemos até superar os números de 2015”, diz Kirsten Armstrong, diretora da Tauri Group.
Como não são chegados a rasgar dinheiro, os investidores chegaram a esse mercado atraídos pelo potencial inovador de suas empresas e de seus empreendedores. Antes que cheguemos a Marte, a ideia é ganhar muito dinheiro com projetos inovadores aqui na Terra mesmo. A corrida espacial dos anos 60 e 70, por exemplo, deu origem ao teflon e ao velcro – itens que passaram a fazer parte de nosso dia-a-dia.
Atualmente, os maiores avanços são feitos em satélites – usados, por exemplo, para monitorar cardumes ou transmitir eventos.  “Hoje, eles podem ser desenvolvidos por alguns milhões de dólares e por qualquer companhia – algo que anos atrás só era possível com a NASA ”, afirma Armstrong. Segundo a empresa de pesquisa Space Foundation, nos últimos três anos o número médio de satélites lançados anualmente ao espaço dobrou, chegando a quase 300 novos satélites por ano.
Uma das maiores companhias no setor é a Planet, que já captou 183 milhões de dólares com investidores desde a sua fundação, em 2010. A startup tem dezenas de pequenos satélites espalhados no espaço que tiram fotos de alta resolução da Terra todos os dias. Atende mais de 100 clientes – de gigantes agrícolas como a Bayer a organizações humanitárias – acessando suas imagens e dados através de um software que organiza as fotos tiradas. Suas imagens são capazes de monitorar desde o rendimento de uma plantação até o crescimento dos campos de refugiados sírios.
É de olho neste mercado que o brasileiro Fábio Santos deixou o país para fundar, no Vale do Silício, sua startup que desenvolve pequenos satélites, a Hypercubes. O diferencial de seu satélite, segundo Santos, é que com um pequeno sensor e um processador poderoso, ele consegue mapear e rastrear recursos naturais debaixo da terra. “Com essa tecnologia eu consigo ler nível de fertilidade do solo, detectar espécies invasoras e dizer para o agricultor exatamente o que ele precisa em determinado canto da sua plantação. A gente também consegue fazer prospecção de minérios, mapeando onde há ferro e alumínio, por exemplo”, diz Santos.
Ele e seu sócio, o australiano Brian Lim, estão submetendo seu satélite para testes na Estação Espacial Internacional. Caso consigam, a Hypercubes pode chegar ao espaço já em 2017. Para ganhar escala, os dois estão prospectando novos sócios. No ano passado, a companhia recebeu 100.000 dólares e um escritório após ser aceita no programa de aceleração da Singularity University.
O fator Elon Musk
Entre os variados motivos que empreendedores e investidores citam como os responsáveis pelo surgimento de tantas companhias espaciais, uma unanimidade é a popularidade do empresário Elon Musk, o fundador da montadora Tesla, e a sua companhia de foguetes SpaceX. No início de 2015, a empresa recebeu um investimento de 1 bilhão de dólares do Google e da empresa de investimentos Fidelity, que avaliaram SpaceX em quase 12 bilhões de dólares.
“A SpaceX nos mostrou que é possível uma companhia privada lançar grandes foguetes e fazer disso algo lucrativo”, diz Sblendorio, da Positron Dynamics. “Muitos investidores têm visto essas companhias como possíveis fontes de receita, tal e qual outras startups”, afirma Armstrong, da Tauri Group.
Atualmente, a SpaceX tem contratos de 4,2 bilhões de dólares com a NASA para lançar suprimentos para astronautas na estação espacial. Além disso, em abril deste ano, a SpaceX conseguiu aterrissar seu foguete Falcon 9 em uma plataforma no meio do oceano Atlântico após quatro tentativas. A aterrissagem aproximou Musk de seu grandioso plano de fabricar foguetes reutilizáveis. Segundo ele, com foguetes reutilizáveis, o custo de cada viagem ao espaço será de cerca de 200.000 ou 300.000 dólares com despesas como combustível e oxigênio. Hoje, cada viagem ao espaço com um Falcon 9 custa cerca de 60 milhões de dólares, já que os foguetes não retornam à Terra.
Os planos de Musk para o espaço vão além de foguetes. Em setembro, ele disse que a SpaceX planeja enviar uma cápsula não tripulada a Marte em 2018 com o objetivo de preparar o caminho para uma missão tripulada que partiria da Terra em 2024 e chegaria ao planeta vermelho no ano seguinte.
Enquanto promete colonizar Marte, Musk ainda enfrenta problemas bem terrenos. No início de setembro, seu foguete Falcon 9 explodiu durante o lançamento e destruiu um satélite de comunicações da rede social Facebook que custava 200 milhões de dólares.
Companhias americanas com ambições interplanetárias não são bem uma novidade nos Estados Unidos. A própria SpaceX foi fundada em 2002. Além dela, o dono da gigante do comércio eletrônico Amazon, Jeff Bezos, criou a Blue Origin em 2000 com o plano de construir complexos industriais no espaço para suprir as necessidades da terra. O icônico empresário Richard Branson, trabalha em uma espaçonave para levar turistas à lua desde 2004, com sua companhia Virgin Galactic.
Mas o que tem chamado a atenção de especialistas é mesmo o avanço real que pequenas startups têm conseguido e o interesse de investidores nessas empresas. A Moon Express, por exemplo, obteve, em agosto, permissão do governo dos Estados Unidos para mandar uma aeronave para a lua no próximo ano. Fundada em 2010, a startup já recebeu 33 milhões de dólares de investidores. Se conseguir aterrissar, a startup será a primeira organização não governamental a chegar ao satélite natural. As companhias comerciais anteriores só conseguiram viajar para a órbita do planeta Terra.
O charme do espaço
Projetos e planos à parte, é claro que uma fatia do dinheiro que investidores depositam nessas companhias vem de um irresistível charme de fazer parte de startups que podem levar pessoas a outra planeta. É o tipo de coisa que pega muito bem, por exemplo, num jantar com o cunhado no fim de semana. Porque a verdade é que o retorno financeiro de grande parte dessas companhias ainda é, no mínimo, incerto. “É como qualquer outro segmento de startups no Vale do Silício, em que muitas vão falhar e só algumas sobreviverão”, diz Armstrong.
Para obter sucesso, além de muito dinheiro, especialistas alertam de que o futuro está na parceria dessas startups com o estado. “A tendência é que cada vez mais startups façam parcerias com órgãos como a NASA, nós mesmo só conseguimos enviar nossas impressoras ao espaço em parceria com a agência. O futuro espacial é a cooperação”, diz Matt Napoli, da Made In Space.
O presidente americano Barack Obama parece concordar. Em um texto publicado no site do canal de televisão CNN ele anunciou um plano para enviar seres humanos a Marte em 2030. Obama disse que o plano envolveria “a cooperação contínua entre o governo e a iniciativa privada”, o que significa que a NASA não faria nada sozinha. Segundo ele, o setor aeroespacial privado do país hoje já tem mais de 1.000 empresas. O astrofísico e apresentador Neil de Grasse Tyson já disse que “a exploração espacial é uma força da natureza em si própria, e que nenhuma outra força na sociedade consegue rivalizar”. No Vale do Silício, essa força está mais poderosa do que nunca.

Pesadelo da Samsung continua com recall de 2,8 milhões de máquinas de lavar

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Por: William Turton
2016 não vem sendo um bom ano para a Samsung, e parece que as coisas não vão melhorar tão cedo. A empresa acaba de anunciar o recall de 2,8 milhões das suas máquinas de lavar com abertura superior porque as máquinas podem se desmontar enquanto estão sendo usadas.

O órgão americano CPSC (Comissão de Segurança de Produtos de Consumo) anunciou o recall nesta sexta-feira (4). A agência explicou que “a tampa da máquina de lavar pode se destacar inesperadamente do corpo da máquina de lavar, oferecendo risco de lesão causado pelo impacto.” Isso não parece nada bom!

De acordo com a CNBC, a Samsung recebeu “733 relatos de máquinas de lavar experienciando vibrações excessivas e tampas se soltando do corpo da máquina de lavar.” Nove casos resultaram em lesões, incluindo uma mandíbula quebrada e um ombro machucado.

Não é a primeira vez que consumidores experienciam problemas com as máquinas de lavar da Samsung. Ainda neste ano, uma ação coletiva contra a Samsung foi aberta por causa de máquinas de lavar que aparentemente explodiam.

Explodindo? Sim, como no caso do recall mundial do Samsung Galaxy Note 7 que estavam entrando em chamas espontaneamente. A Samsung resistiu ao máximo em fazer o recall, e inicialmente substituiu os smartphones por novas unidades que também pegavam fogo.

A Samsung oferece duas opções aos consumidores dos EUA das suas máquinas de lavar. Como diz o press release da Samsung:

A primeira opção é um conserto gratuito que inclui um reforço para a tampa da máquina. Os consumidores que escolherem receber a visita de um técnico em casa vão ganhar extensão de um ano na garantia do aparelho, independentemente da idade da máquina.

A segunda opção é um desconto que pode ser usado na compra de uma nova máquina de lavar roupa da Samsung ou de outra marca, juntamente com a instalação gratuita da nova unidade e a remoção da unidade antiga. O valor do desconto é baseado na data de fabricação e no modelo da máquina de lavar trocada. Consumidores que escolherem uma máquina da Samsung vão receber um incentivo de fidelidade adicional de até US$ 150 durante a compra da nova máquina de lavar Samsung.

As unidades que fazem parte do recall foram fabricadas entre março de 2011 e novembro de 2016 e ele é válido para os EUA.

[CPSC]

Foto por CODE_n/Flickr

iPhone 7 chega ao Brasil a partir de R$ 3,5 mil

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O iPhone 7 finalmente ganhou preços no Brasil: a partir desta sexta-feira, 4, diversas operadoras e sites de e-commerce iniciaram a pré-venda do aparelho por aqui, com preços que vão de R$ 3,5 mil (iPhone 7, com 32 GB de armazenamento) a R$ 4,9 mil (na versão mais turbinada, iPhone 7 Plus com 256 GB de armazenamento).

O lançamento oficial do aparelho, porém, está marcado para a próxima semana. Se os iPhones ainda continuam sendo um dos modelos mais caros do mercado, a boa notícia é que eles chegam mais em conta ao Brasil do que as últimas versões do smartphone da Apple – os iPhones 6S e 6S Plus, lançados em novembro de 2015. É a primeira vez que isso acontece desde que o iPhone começou a ser vendido no Brasil, em 2008.

Vale lembrar que a versão mais básica do iPhone 6S, com 16 GB de memória, chegou ao Brasil com preço de R$ 4 mil em novembro de 2015.

O aparelho será vendido em seis versões no Brasil, nos modelos 7 e 7 Plus, com 32 GB, 128 GB ou 256 GB de armazenamento (confira abaixo todos os preços). No mercado brasileiro, o iPhone 7 será vendido em cinco cores: preto, preto brilhante, prata, ouro e rosa dourado.

Nova versão. O novo aparelho da Apple apresentou poucas mudanças em relação ao modelo anterior. O aparelho se tornou resistente à água e à poeira em sua nova versão, tecnologia já disseminada entre os concorrentes, como a Samsung e Lenovo. Outra novidade foi o processador, que promete tornar o smartphone mais rápido e com menor consumo de bateria. A câmera ganhou novo sensor e conjunto de lentes, mas manteve a resolução em 12 megapixels – a mesma desde 2014.

A mudança mais radical, entretanto, foi o fim da tradicional entrada para fones de ouvido, o que causou revolta entre os usuários. Quem comprar o iPhone 7 terá de usar apenas fones com fios ou modelos que se conectam via Bluetooth da própria marca. No evento, a empresa anunciou um novo fone de ouvido sem fio, chamado AirPods. “Tivemos coragem de mudar para algo mais moderno”, justificou o vice-presidente de marketing da Apple, Phil Schiller, no evento. “Nossa visão é de que o futuro será sem fio.”

Preço dos seis modelos de iPhone 7 no Brasil: 

iPhone 7 32 GB — R$ 3.499 

iPhone 7 128 GB — R$ 3.899 

iPhone 7 256 GB — R$ 4.299 

iPhone 7 Plus 32 GB — 4.099 

iPhone 7 Plus 128 GB — R$ 4.499 

iPhone 7 Plus 256 GB — R$ 4.899

Microsoft lança pacote de serviços em nuvem para empresas

São Paulo – A Microsoft está lançando hoje no Brasil o Dynamics 365, um pacote de aplicações voltado para empresas. Nele estarão reunidos os serviços para planejamento corporativo e também para produtividade.

O novo pacote, completamente hospedado na nuvem, traz soluções para seis áreas: gestão financeira, serviços de campo, vendas, marketing, serviços ao consumidor e automação de processo. Além dos serviços de ERP (planejamento de recursos empresariais) e CRM (gestão do relacionamento com o cliente), o assinante terá acesso ao Office 365 (esse precisa ser licenciado à parte).

Cada aplicação do Dynamics 365 poderá ser contratada de maneira independente. “As empresas não precisam mais comprar um pacote fechado. Elas podem escolher apenas os recursos que precisam”, explica Fábio Azevedo, diretor da Microsoft Brasil, em entrevista para a EXAME.com.

De acordo com Azevedo, todas as aplicações seguem o mesmo modelo de dados comuns. “Assim, as companhias podem adicionar os aplicativos instantaneamente, sem se preocupar com a transmissão de informações.”

Além do Office 365, outras três aplicações são nativas ao sistema: a inteligência artificial da Cortana, a análise de performance do Power BI e a nuvem do Azure IoT Suite. O diretor afirma que elas têm capacidades preditivas e, por isso, conseguem aprender quais são os padrões de cada empresa para lhes apresentar soluções.

Para Azevedo, o Dynamics é uma solução para companhias que querem adotar a transformação digital. De acordo com uma pesquisa encomendada pela Microsoft, organizações que abraçam a transformação digital geram, em média, 100 milhões de reais a mais com receitas de operação por ano.

Para a Microsoft, essa mudança tecnológica está fundada em quatro pilares: engajamento com os clientes, potencialização de funcionários, otimização de operações e transformação de produtos. “O Dynamics 365 é muito mais que uma junção de aplicativos, ele também rompe barreiras para as empresas”, conta.

Um desses obstáculos é a estrutura dos data centers. “A plataforma já vem com modelos prontos e, como ela não precisa de nenhum código para funcionar, a necessidade de grandes equipes de TI diminui”, explica.

As aplicações serão vendidas de duas formas: separadamente e por plano. A segunda maneira dá direito a usar todas as seis aplicações mais o App Source, loja de aplicativos corporativos da Microsoft com mais de 200 recursos disponíveis. [Marina Demartini]

A Microsoft virou a nova Apple?

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NOVA YORK — Era uma vez, nos distantes anos 1990, uma empresa chamada Apple Computer. Seu fundador, Steve Jobs, estava afastado, e a companhia estava no terceiro CEO em quatro anos. O preço da ações estava tão baixo que, logo depois do anúncio da volta de Jobs, um dos nomes em alta no Vale Silício naquela época, Michael Dell, respondeu da seguinte maneira uma pergunta sobre o que faria se estivesse no comando da Apple: “O que eu faria? Fecharia [a empresa] e devolveria o dinheiro para os acionistas”.

Antes dos Macs coloridos, antes do iPod, do iPhone e do iPad, antes de a Apple ser a empresa mais valiosa e admirada do mundo, um segmento dos consumidores se manteve fiel aos produtos da empresa, mesmo durante os pontos mais baixos de sua história: os criadores. Designers, artistas gráficos, fotógrafos e ilustradores sempre preferiram trabalhar num Mac. Mas dois anúncios da semana passada decepcionaram muitos desses consumidores fieis – e alguns consideram até a maior das traições: mudar para o mundo da Microsoft.

Na quarta-feira 27, a Apple mostrou os novos modelos do Macbook Pro, o laptop para uso profissional. Mais potente e maior que o Macbook Air e o Macbook, os usuários do modelo Pro estavam esperando uma atualização da linha Pro havia mais de seis meses. O grande chamariz dos novos modelos é o Touch Bar, uma pequena tela colorida que substitui as tradicionais teclas de função (F1, F2 etc.).

O Touch Bar é sensível ao toque e se adapta ao software que está sendo usado. A ideia é facilitar a operação dos programas, criando atalhos personalizados. No caso do email, por exemplo, são sugeridas palavras ou correções, como num smartphone. Para quem edita fotos, os controles permitem ajustar parâmetros de cor e luminosidade com a ponta dos dedos, sem ter de navegar por menus ou usar o mouse ou trackpad.

Mas essa inovação – o novo Macbook Pro é o primeiro laptop a utilizar essa tecnologia–, a julgar pela torrente de opiniões negativas que vêm circulando na internet, foi insuficiente. “A empresa não tem uma visão real do que os usuários mais criativos fazem com suas máquinas mais avançadas.

O Mac fez seu nome porque abraçou o design e os gráficos baseados em computadores, enquanto os PCs perderam o bonde. Agora, parece que a Apple vai perder a próxima geração de gráficos, 3D e realidade virtual”, escreveu Peter Kirn, do site Create Digital Music.

Os novos computadores nem sequer estão disponíveis (somente o modelo mais simples do novo Macbook Pro, sem o Touch Bar), mas as reclamações se baseiam em dois pontos: preço e performance. Os novos laptops têm limite de 16 GB para a memória RAM que pode ser instalada. Memória RAM é um dos componentes essenciais para quem usa programas como edição de fotos e vídeos (para o uso do dia a dia, 16 GB são mais que suficientes).

“Não tenho como não achar que a Apple decidiu que o público-alvo [dos seus computadores] são crianças que tomam leite em cafés universitários. Estou preocupado com o futuro do Mac, pelo menos nas mãos da atual liderança da Apple”, escreveu o blogueiro Adam Knight.

A outra crítica é em relação ao preço. “A nova família Macbook Pro é universalmente mais cara que a que veio a substituir”, escreveu o jornalista especializado Vlad Savov, do site The Verge. O modelo mais simples custa 1.499 dólares, sem o Touch Bar. O mais potente, com tela de 15 polegadas com todos os upgrades possíveis, sai por 4.299 dólares.

Desde o célebre lançamento do iPhone, há quase dez anos, os anúncios de novos produtos da Apple geram enorme expectativa – e, naturalmente, inevitáveis decepções. Sem os chatos de plantão e os eternamente insatisfeitos não existiria internet, é claro, mas o nível das reclamações relacionadas ao novo laptop surpreendem pela causticidade e, acima de tudo, pela origem. As críticas vêm de fãs de longa data, aqueles que não abandonaram o barco quando um naufrágio da empresa parecia inevitável.

Eles certamente são a minoria entre as centenas de milhões de usuários de produtos Apple ao redor do mundo, e nunca é demais lembrar que os computadores são uma parte relativamente pequena do faturamento e dos lucros da empresa (a maior parte do dinheiro vem da venda de iPhones, e a Apple há anos tirou o “Computer” do nome). Mas é difícil ignorar os protestos, especialmente quando eles são dirigidos contra a empresa fundada pelo homem que chamou os computadores de “bicicletas para a mente”.

Numa coincidência incomum, no dia anterior ao anúncio da Apple outra empresa muito famosa, embora não tão adorada, mostrou as suas novidades. A Microsoft apresentou novos modelos do seu tablet, o Surface, mas a grande surpresa foi um computador de mesa elegante, sofisticado e potencialmente revolucionário – três adjetivos que não costumam aparecer junto com o a palavra Microsoft. Batizado de Surface Studio, o computador foi idealizado para quem cria no ambiente digital e introduziu uma nova maneira de interação, usando uma caneta especial e um dial e permitindo que a tela se incline como uma prancheta. (Mais fácil entender assistindo ao vídeo oficial.)

O Surface Studio é o primeiro computador de mesa produzido pela Microsoft – e, a julgar pelas reações iniciais, a empresa pode ter um enorme hit nas mãos. O Surface Studio pode substituir um PC, mas, com um preço inicial de 3.000 dólares, o alvo são profissionais das artes e ocupações criativas – justamente aqueles que um dia depois ficariam decepcionados com o que a Apple apresentou.

As conclusões que pipocaram no fim da semana passada foram as esperadas: a Microsoft está inovando mais que a Apple. Pode ser verdade em relação aos produtos mais recentes, mas o fato é que os papeis das empresas também se inverteu, como nota o jornalista Steven Levy, um dos mais respeitados escribas do Vale do Silício. “Nos tempos de glória em que a Microsoft dominava a Terra, ela tinha o cuidado de não inovar muito além [da capacidade de acompanhamento] de seus consumidores tradicionais. A Apple tinha mais liberdade para se arriscar”, escreve Levy.

Agora a situação é a oposta. A Apple é a dona da mais lucrativa, mais bem-sucedida e mais importante plataforma digital: os smartphones. Cabe à Microsoft, que nem sequer compete nesta área, imaginar rupturas e fazer grandes apostas. Os fãs da Apple podem reclamar à vontade, mas, para resto dos consumidores, a volta da competição direta entre as duas empresas só pode ser uma boa notícia. [Sérgio Teixeira Jr.]

Os planos de Facebook e Microsoft para derrotar o Slack

Nesta semana, a Microsoft apresentou a sua solução para brigar com o Slack. O Microsoft Teams foi revelado como parte integrante do Office 365, pacote de assinatura para empresas com aplicações de produtividade.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, mostrou o produto em um evento em Nova York. Ele afirmou que o novo recurso deve ser capaz de se integrar a outros produtos da Microsoft, como aplicações do pacote Office. Também será possível realizar reuniões com diversas pessoas ou trocar mensagens individuais.

O Microsoft Teams trará uma gama de integração com serviços externos—algo que o Slack faz de forma excelente. Nos próximos meses, a empresa espera ter 150 integrações, além de 85 bots rodando dentro da aplicação.

Com o anúncio, o Microsoft Teams vai chegar aos assinantes de Office 365 aos poucos. A expectativa é que no final do primeiro trimestre de 2017 ele já esteja amplamente difundido. Ele funciona em Windows, Mac, Android, iOS e na web.

Pouco antes do início do evento, o Slack já estava na defensiva contra a Microsoft. A empresa publicou uma carta aberta no Medium (e posteriormente em uma página inteira do New York Times). Nela, a empresa parabeniza a Microsoft pela novidade e diz que será ótimo ter alguma competição.

A Microsoft tem como vantagem nesse mercado uma penetração considerável em empresas. O pacote Office 365 é base da produtividade em muitas companhias. O Slack, por sua vez, precisa ser assinado por fora, como um serviço complementar.

Imagine um momento de crise com a necessidade de corte de custos ou então o simples objetivo de um gestor de diminuir os gastos. Quem seria o primeiro a ser limado: Slack ou o pacote Office que conta com Teams e outras muitas aplicações?

Facebook

A Microsoft não foi a única a lançar um produto com foco em comunicação de equipes de trabalho recentemente. Após 22 meses de testes, o Facebook lançou oficialmente o Workplace (que antes era chamado de Facebook at Work—Facebook no Trabalho).

A solução funciona como uma rede social privada. Nela, apenas os funcionários de uma empresa podem ver o que os outros publicam. No lançamento, Mark Zuckberg escreveu em sua página do Facebook que o “Workplace vai ajudar mais empresas a criar o tipo de cultura aberta”.

Inicialmente, empresas podem usar o Workplace de graça por três meses. Depois disso, o Facebook deve colocar as mãos na massa para convencer assinantes a adotar a solução.

Um dos trunfos da empresa de Zuckerberg é o preço menor. O valor varia entre um e três dólares e depende do porte da empresa (empresas com mais funcionários pagam menos por cada um). O Slack cobra cerca de sete dólares por cada funcionário.

Além disso, o Slack perde em outro quesito: não é uma ferramenta familiar para os usuários. Por outro lado, é difícil encontrar alguém que não saiba como usar de forma simples o Facebook.

Na carta endereçada à Microsoft, o Slack diz que há anos viu que as vantagens de uma solução como a deles eram grandes e desvantagens tão poucas que era óbvio que “todo os negócios estariam usando Slack, ‘ou algo como ele’, em uma década”. Com investimentos de Facebook e Microsoft, agora fica claro quais são as possibilidades para o “algo como ele”, que a carta diz. [Victor Caputo