Guerra comercial e baixa demanda fazem Intel ter lucro abaixo do esperado no 4º tri

Empresa é mais uma companhia a sofrer pressão com a guerra comercial entre Estados Unidos e China
Por Agências – Reuters

Intel apresentou nesta quinta-feira seus resultados para o trimestre

A fabricante de chips Intel apresentou lucro e receita abaixo do esperado no quarto trimestre de 2018. Nesta quinta-feira, 24, ao revelar seus resultados financeiros para o período entre outubro e dezembro do ano passado, a empresa alegou que teve menor demanda para seus processadores e modems, devido à desaceleração industrial provocada pela guerra de tarifas entre EUA e China. 

No período, a receita foi de US$ 18,66 bilhões – abaixo da expectativa, que era de US$ 19,01 bilhões. Já o lucro líquido ficou na casa de US$ 5,2 bilhões – desempenho consideravelmente melhor que o do mesmo período no ano passado, quando a empresa teve prejuízo de US$ 680 milhões. 

Após a divulgação dos números, as ações da Intel caíram 7% no pregão da Nasdaq, sendo cotadas a cerca de US$ 46,30. Isso porque o mercado reagiu com mau humor à previsão da empresa para seus resultados no primeiro trimestre de 2019: a receita esperada é de US$ 16 bilhões, contra US$ 17,35 bilhões nas expectativas do mercado. 

“O ambiente externo não parece bom hoje. Se piorar, a Intel pode ter problemas”, disse Kinngai Chan, analista da Summit Insights Group, à agência de notícias Reuters. Não é só ela: há algumas semanas, empresas como Apple e Samsung apresentaram previsões pessimistas para seus próximos resultados financeiros devido à desaceleração do mercado chinês, que tem reduzido sua demanda por dispositivos de tecnologia. 

A empresa também desapontou o mercado por não apresentar o nome de seu novo presidente executivo: havia expectativas de que a Intel aproveitaria a ocasião para divulgar o substituto de Brian Krzanich, que deixou o cargo após ter um cargo extraconjugal com uma funcionária da empresa. 

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Sem o consentimento dos donos, LinkedIn usou 18 milhões de e-mails por propaganda no Facebook

Investigação irlandesa concluiu que a intenção era atrair mais gente para a rede profissional

LinkedIn admitiu ter utilizado 18 milhões de e-mails de não-usuários para direcionar propaganda 

O LinkedIn, rede social da Microsoft que é voltada ao mercado profissional, usou 18 milhões de e-mails de pessoas que não estão na plataforma para tentar atraí-las por meio de anúncios comerciais direcionados no Facebook. Quem fez a revelação foi o Comissário de Proteção de Dados da Irlanda (DPC, na sigla em inglês), que anunciou o resultado de uma investigação que vinha realizando contra a empresa.    

A investigação teve início em 2017 após um não-usuário do LinkedIn denunciar a prática ao órgão. O DPC concluiu que o LinkedIn obteve os 18 milhões de e-mails e criou anúncios comerciais no Facebook para tentar atrair mais gente para a rede profissional, que conta com 600 milhões de usuários. O documento não diz como os e-mails foram obtidos e nem de quais países são os seus donos. 

Segundo o DPC,  desde que a investigação teve início, o LinkedIn suspendeu a prática. Em um comunicado enviado ao site TechCrunch, o LinkedIn diz: “Apreciamos a investigação de 2017 do DPC a respeito de uma denúncia sobre uma campanha publicitária e cooperamos prontamente. Infelizmente, os rígidos procedimentos que temos não foram seguidos e pedimos desculpas. Tomamos as ações apropriadas, e melhoramos a maneira como trabalhamos para garantir que isso não vai acontecer de novo. Durante a auditoria, identificamos mais uma área onde poderíamos melhorar em privacidade de dados para não-membros e voluntariamente mudamos nossas práticas”.   

O DPC descobriu que não apenas esses e-mails eram usados como propagandas, mas também para já sugerir grupos dentro do LinkedIn – é comum que pessoas resistam a novas redes sociais quando não conseguem identificar um círculo social já presente. 

Embora não diga exatamente quando o LinkedIn promoveu o uso dos e-mails, é possível afirmar que ele ocorreu antes de 25 de maio de 2018, data em que entrou em vigor o GDPR, a lei de proteção de dados da Europa. De acordo com a nova legislação, as empresas são obrigadas obter o consentimento dos usuários antes de utilizar seus dados. Caso contrário, podem ser multadas em até 20 milhões de euros ou 4% do faturamento anual (o que for maior). 

O LinkedIn, porém, não foi multado no caso. Ele também foi obrigado a deletar todos os dados pessoais ligados ao caso até 25 de maio deste ano.