Apenas um dia normal em Hollywood

3ec9000281995634c92eHarvey Weinstein, um dos maiores produtores de Hollywood, é acusado por “décadas” de assédio sexual


Harvey Weinstein é um monstro. Mas o que dizer de toda a indústria que protegeu seu comportamento criminoso por décadas? Como ouvir agora um sermão dos sinalizadores de virtudes progressistas de Hollywood, estes semideuses que apontam o dedo para nós com superioridade e desdém, sem sentir náuseas?

Os discursos da geração mais afetada e autoindulgente da história do cinema só enganava trouxas ou desavisados, mas não há mais qualquer desculpa para quem quiser levar essa gente a sério. Depois de tantos anos agindo sem ser denunciado, constrangido ou combatido, é claro que Harvey Weinstein contava com a cumplicidade hipócrita de grande parte dos atores e atrizes da cidade.

Se as revelações sobre a conduta de um dos maiores produtores de Hollywood dos últimos anos são revoltantes, muito mais absurda é a sugestão, repetida por alguns papagaios de pirata da imprensa, de que as atrizes eram alvos frágeis e desprotegidas. Alguém sinceramente acredita que as mais poderosas, influentes, populares e abastadas atrizes do mundo não têm meios de sobra para resistir a um assédio sexual no trabalho e denunciar o criminoso? Ah, façam-me o favor.

Uma das ativistas mais radicais (e insuportáveis) desta esquerda hollywoodiana é Ashley Judd, mais uma da lista das assediadas por Harvey Weinstein. Segundo ela própria, Weinstein assediou a atriz pela primeira vez há 20 anos e em tempos tão recentes quanto 2015. Como ela ousa falar em nome do feminismo e das mulheres desfilando na “Marcha da Mulheres”, uma passeata extremista patrocinada em parte por seu próprio assediador? Que tipo de mente doentia vai para as ruas gritar contra a “cultura do estupro” sem denunciar seu próprio predador, deixando que fique livre para assediar outras mulheres com muito menos fama e fortuna que ela?

O que dizer das declarações de Woody Allen, ele mesmo envolvido com a denúncia de assédio da própria enteada Dylan Farrow quando a menina tinha 7 anos? É o tipo de história que faz a perda da virgindade de Paula Lavigne aos 13 anos na festa de 40 de Caetano Veloso parecer normal. Allen, que é casado com uma filha adotiva, disse que estava com medo de que o caso Weinstein gerasse “uma atmosfera de caça às bruxas em Hollywood” e que “daqui a pouco, todos os caras que piscarem para uma mulher terão que contratar um advogado”. Quando Allen sofreu as denúncias de pedofilia foi Weinstein quem mais apoiou e ajudou o amigo. Almas gêmeas?

Um dos jornalistas mais atuantes no caso Weinstein é ninguém menos que Ronan Farrow, filho biológico de Woody Allen com a atriz Mia Farrow. Muitos acreditam que a obsessão de Ronan com o caso seria um “acerto de contas” já que ele é meio-irmão de Dylan Farrow. Tudo fica ainda mais curioso quando se sabe que Ronan é a cara de Frank Sinatra, como quem Mia Farrow teve um caso, e muitos acreditam que na verdade o jornalista seja filho do cantor e não de Allen. Pedofilia, assédio, traição e crimes sexuais encobertos? Apenas um dia normal em Hollywood.

Angelina Jolie, outra das alegadas vítimas de Weinstein, acumulou uma fortuna estimada em meio bilhão de dólares com o ex-marido Brad Pitt e é um dos rostos mais conhecidos do mundo, embaixadora da boa vontade da ONU e reverenciada por seu trabalho humanitário exatamente contra violência sexual. Como alguém como ela tem a pachorra de receber prêmios como o título de Dama da Rainha da Inglaterra sabendo que um predador sexual está naquele mesmo momento assediando jovens atrizes em Hollywood e é incapaz de abrir a boca? Nada, absolutamente nada, justifica.

Jane Fonda, decana das militantes de causas antiamericanas e da esquerda mais radical, disse que está “envergonhada” de não ter denunciado Weinstein antes. Um pouco tarde, não? Vão dizer que Jane Fonda se sentiu intimidada? Além de ser quem é, Fonda é ex-mulher de Ted Turner, o magnata sócio de um império de comunicação que controla canais como CNN, TCM, TNT, Cartoon Network, além de ser o maior proprietário de terras dos EUA. Será que ela pode mesmo dizer que se sentiu intimidada? Ou Mira Sorvino, Rosanna Arquette e Gwyneth Paltrow?

O que dizer então de Roman Polanski que em 1977 foi preso e condenado por estuprar uma menina de 13 anos e ainda fugiu para a França para não ir para a cadeia? Pior, o que dizer também da turma engajada e protetora dos direitos das mulheres que aplaudiu de pé uma imagem de Polanski num telão quando ganhou a estatueta de melhor diretor em 2003?

É comum aqui em Los Angeles ouvir de amigos da indústria do cinema sobre o lado sombrio de muitas destas estrelas. Seus estilos de vida raramente batem com o que pregam com a voz embargada ao receberem uma estatueta. Nos discursos, muitos deles recheados de agradecimentos a Weinstein, pérolas hipócritas sobre como fazer o planeta um lugar melhor para as mulheres.

Bill e Hillary Clinton também eram amigos próximos do estuprador de Hollywood. Além do Partido Democrata, a fundação da família recebeu gordas doações do produtor (ou predador, como queiram). Hillary evidentemente disse que “não sabia de nada” (cada país com a sua alma honesta) e, não satisfeita, afirmou que não devolverá o dinheiro doado por ele. Como sempre, são na vida real o que acusam seus adversários sem provas. Os progressistas só mudam de endereço.

Espero que estes mimados hipócritas, de uma vez por todas, entendam o ridículo de dar lições de moral para nós, pobres mortais. Não é possivel que ainda tentem construir a narrativa de que algumas das mulheres mais bem sucedidas de todos os tempos são vítimas do patriarcado ou qualquer cafonice deste marxismo de botequim.

Pagamos os salários pornográficos da indústria do entretenimento para que nos divirtam nas telas, não para fornecimento de modelos cenográficos de conduta, aqui nos Estados Unidos ou Brasil. Temos mais de 342 razões para isso. [Ana Paula Henkel]

Contrato de Harvey Weinstein em sua produtora “permitia” assédio sexual

Segundo o documento, obtido pelo site TMZ, produtor poderia cometer assédios ou qualquer outro tipo infração de conduta desde que pagasse pelos danos jurídicos

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Segundo apuração do site americano TMZ, o produtor Harvey Weinstein pode ter sido demitido ilegalmente de sua produtora, The Weinstein Company, após escândalo de assédio sexual ter surgido na semana passada, após reportagem investigativa do The New York Times.

De acordo com o site, a empresa possui contrato que determina que Weinstein poderia ser processado diversas vezes por assédio sexual, e desde que ele pagasse pelos danos, o produtor não poderia ser demitido. O TMZ teve acesso privado ao contrato de trabalho de Weinstein de 2015, que diz que se ele fosse processado por assédio sexual ou qualquer outra “falta de conduta” que resultasse em acordo judicial ou julgamento contra a TWC, tudo o que Weinstein teria de fazer seria pagar o que a empresa devesse, junto com uma multa.

Segundo o TMZ, o contrato diz que se Weinstein “tratasse alguém indevidamente violando do Código de Conduta da empresa”, ele deveria reembolsar a TWC por acordos ou sentenças. Além disso, o documento determinaria: “Você [Weinstein] pagará a empresa danos líquidos de US$ 250.000 para a primeira ocorrência, US$500.000 para a segunda ocorrência, US$750.000 pela terceira e US$1.000.000 para cada ocorrência adicional”.

O contrato diz que desde que Weinstein pagasse, isso constituiria uma “cura” pela falta de conduta e nenhuma outra ação poderia ser tomada. Tradução: não importa quantas vezes Weinstein fosse acusado de assédio, desde que ele fizesse um cheque, ele manteria seu emprego.

Weinstein só poderia ser demitido pelo conselho de diretores da empresa caso ele fosse indiciado ou acusado de um crime, mas o contrato possui uma linguagem específica que não se aplica nesse caso. Explicamos: Harvey poderia ser demitido pela “perpetuação por você [Weinstein] de uma fraude material contra a empresa”. Lance Maerov, o membro do conselho que negociou o contrato de Weinstein em 2015, disse em uma entrevista – e o site TMZ confirmou a informação – de que o conselho da TWC sabia que Weinstein havia feito acordos judiciais anteriores com várias mulheres, mas eles “pensavam” que Weinstein estivesse apenas tentando esconder casos consensuais. Portanto, os casos de assédio não constituiriam fraude por parte do produtor.

Para finalizar, mesmo que a Weinstein tivesse cometido uma fraude sem informar completamente o conselho, o contrato diz que antes de poder ser demitido, ele tem direito à mediação e, se isso não funcionar, ele teria também direito a uma arbitragem. O produtor não obteve nenhum dos dois. Ele foi sumariamente demitido sem justificativas e portanto teria razões para processar a TWC pela demissão.

Entendo o caso
Uma investigação do jornal “The New York Times” revelou na semana passada que havia vários casos de assédio sexual contra Weinstein encobertos. Muitos envolviam antigas funcionárias que trabalharam com ele nos últimos 30 anos.

Angelina Jolie foi uma das vítimas. “Tive uma péssima experiência com Weinstein na juventude e como resultado decidi nunca mais trabalhar com ele, e alertei outras sobre isso”, contou. “Seu comportamento a respeito das mulheres em qualquer esfera ou país é inaceitável”.  Segundo a atriz, o diretor a assediou sexualmente em 1990 durante o lançamento do filme “Corações Apaixonados”.

Em um comunicado, sua representante, Sallie Hofmeister, negou as acusações. “Qualquer alegação de sexo não consensual são inevocavelmente negadas por Weinstein. Ele confirmou que não houve nenhum ato de retaliação contra nenhuma das mulheres após elas recusarem suas investidas”.

Além de Angelina e Gwyneth, outras famosas como Rosanna Arquette, Tomi-Ann Roberts, Katherine Kendall, Judith Godrèche e Dawn Dunning também fizeram acusações do mesmo tipo. O escândalo fez Weinstein ser demitido da produtora que levava seu nome.

“My Name is Prince”: cantor ganha exposição em Londres!

Os fãs de Prince podem visitar a expô em Londres a partir do dia 26/10!

250817-prince-exposicao-01-550x415Depois de ser homenageado pela Pantone com a cor “Love Symbol #2”Prince ganha exposição em Londres! A “My Name is Prince” começa a ser exibida na O2 Arena em 26/10 e tem duração de 21 dias – número que marca o recorde de shows que o cantor realizou no local durante sua turnê “Earth“, em 2007.

A mostra conta com figurinos icônicos, guitarras e joias do artista que morreu em abril do ano passado. E claro, não ficam de fora peças que fizeram história em turnês como “Purple Rain“, em 1984, e “LoveSexy“, em 1988!

De acordo com o “The Guardian“, esta é a primeira vez que os pertences saem do acervo de Paisley Park, residência onde Prince vivia em Minnesota, nos EUA. Em entrevista ao jornal britânico, Tyka Nelson conta que o irmão sempre quis mostrar seus bens ao mundo. “Farei o que estiver ao meu alcance para tornar o desejo dele em realidade”.

9 motivos pra amar o novo Instituto Moreira Salles

140917-ims-os-americanos-590x383Essa é a 1ª foto da série “Os Americanos” de Robert Frank


3 novos centros culturais fazem a Paulista ferver – mais do que já fervia! O primeiro que inaugurou foi a Japan House, que se transformou em um dos novos points dos culturetes de SP. O terceiro ainda está em fase de obras – é o Sesc Paulista, ao lado do Itaú Cultural. Mas o segundo é inaugurado nessa semana: é o novo Instituto Moreira Salles, que finalmente abre as portas de seus mais de 1.200 metros quadrados espalhados em 9 andares. O Blog LP foi lá antes para dizer porque já ama o local mesmo antes de quarta-feira, 20/09, quando rola a inauguração! Confira:

1. Robert Frank
Um dos nomes mais importantes da história da fotografia foi o escolhido como tema de uma espécie de exposição dupla – afinal, o tema principal do IMS sempre foi a fotografia, né? “Os Americanos“, a série que é resultado de jornadas de Robert Frank pelos EUA por nove meses na década de 50, é apresentada pela 1ª vez. São 83 fotos organizadas na mesma ordem do livro com o mesmo nome lançado em 1958 – o IMS, aliás, também faz uma edição brasileira da publicação!

No mesmo andar e ambiente, “Os Livros e os Filmes” é uma expô que une os lados fotógrafo e cineasta de Frank com curadoria de Gerhard Steidl. É como uma imersão no universo dele, que pode ser apreciada em comparação com “Os Americanos” ou de maneira independente, até dia 30/12. Pra caprichar ainda mais, vai rolar uma mostra de filmes de Frank, incluindo o cult “Cocksucker Blues” (1979) que documentou a turnê de 1972 dos Rolling Stones, de 22/09 até 8/10 no cineteatro do local.

2 . A superbiblioteca!
Um acervo inédito no Brasil: a biblioteca do IMS Paulista é especializada em fotografia e conta com muitas preciosidades. Mas pra gente que é da moda, o que logo salta aos olhos assim que entramos no local são livros com trabalhos de artistas importantes no universo fashion como Juergen Teller, David Bailey e Richard Avedon. É pra perder tardes e tardes… Ah, sim: ela é aberta ao público pra consulta no local, e o ambiente é superagradável com luz natural e uma vista linda pra Paulista.

3 . Uma minilivraria da Travessa
A Livraria da Travessa é tão legal que conta com fãs. Mas apesar dos boatos, ela ainda não tinha chegado em SP… até agora. A unidade do IMS é bem pequena, mas já dá um gostinho da seleção charmosa e da qualidade de atendimento com a qual a marca carioca conta, pra além da unidade que ela abre na Bienal daqui a cada dois anos. A gente espera que seja a 1ª de mais unidades pela cidade!

4 . (Se) joga no Balaio!
O chef Rodrigo Oliveira, que ficou conhecido pelo restaurante Mocotó, inaugura o Balaio no térreo do prédio, que deve virar a nova fila disputada da capital. A ideia é que ele funcione do almoço até o jantar sem parar! Ou seja, vale pra aquele almoço tardio, pra um sanduíche de tarde, pro happy hour… O café do IMS Paulista, no quinto andar, também vai ser da marca Balaio – o Balaio Café vai oferecer pães de fermentação natural, tapiocas, cuscuz, bolos e cafés.

5 . Olha a hora
A gente está fissurado na videoinstalação “The Clock“, de Christian Marclay. Ela é um exercício incrível e monumental de edição de um contínuo de cenas de cinema e TV que resultam em 24 horas, no qual o principal protagonista é o tempo. Os relógios aparecem na tela cronometrados exatamente na hora exata em que você estiver assistindo à obra! O resultado é de uma atração esquisita e fatal, uma sensação de pertencimento a uma ficção fragmentada, um despertar da memória afetiva ao ver tantos filmes clássicos reunidos, uma angústia em relação aos minutos passando… E como sair da sala sem ver o que acontece no minuto seguinte? “The Clock” fica em cartaz até 19/11. O IMS Paulista organiza 9 apresentações de 24 horas ininterruptas pra quem quiser assisti-lo em sua completude, sempre de sábado pra domingo – confira a programação pra saber as datas exatas.

6 . E olha o corpo!
Outra exposição em cartaz nessa inauguração é a “Corpo a Corpo“, que traz produções de artistas brasileiros contemporâneos e pensa no corpo como elemento de representação social e atuação política – é ele quem ocupa o espaço público, é ele quem conduz a câmera, é ele que faz parte da expressão de nossa individualidade.

Entre as obras (que incluem o “#Ao Vivo” do coletivo Mídia Ninja reproduzindo transmissões feitas pelo grupo entre 2013 e 2017 em monitores e o registro de uma viagem de Sofia Borges pro Congresso Nacional em Brasília em fevereiro de 2017 que deu na instalação “A Máscara, o Gesto, o Papel“), a gente gostou demais do que Bárbara Wagner apresenta – porque ela invariavelmente registra o estilo de quem não está comumente retratado na mídia tradicional, além de tocar em outras questões. Em “Corpo a Corpo” ela apresenta “À Procura do 5º Elemento“, composta de 52 retratos e um vídeo dos competidores de um reality show de 2016 pra escolher o novo MC que integraria o portfólio de uma produtora de funk em SP; e “Terremoto Santo“, filme em colaboração com Benjamin de Burca que documenta jovens cortadores de cana da Zona da Mata pernambucana que sonham em gravar um videoclipe gospel. A expô segue até 30/12.

7 . Mais cinema
Viu que a gente falou do cineteatro que vai receber a mostra dos filmes de Robert Frank? Além disso, a sala promete ter uma programação bem interessante! Vai rolar exibição de uma cópia restaurada do clássico “Suspiria” de Dario Argento, por exemplo, nos dias 23/09 e 1/10. E ela também deve ser um dos endereços da Mostra Internacional de Cinema em outubro! A sala é uma das únicas atrações culturais do prédio cuja entrada é paga, mas é barata: R$ 8!

8 . Finalmente, pros fãs de Calder…
“Viúva Negra“, um dos maiores móbiles de Alexander Calder, vai ficar exposto bem em cima da escada rolante na entrada do prédio! A obra foi recentemente restaurada pra retrospectiva do artista no Tate Modern de Londres em 2016. Bem legal!

9. De olho no futuro – e em Irving Penn!
Uma das promessas pra 2018 é uma exposição sobre Irving Penn, um dos nomes mais importantes da fotografia de moda do mundo! Já estamos ansiosos, e você?

Instituto Moreira Salles Paulista
De terça a domingo, das 10h às 20h, exceto às quintas, das 10h às 22h
Av. Paulista, 2424, Consolação, SP
(11) 2842-9120

Incomodados com desigualdade, ricos de Nova York evitam ostentar fortuna

150576447759c0247d16027_1505764477_3x2_md.jpgCobertura em Nova York posta à venda em junho


RACHEL SHERMAN
DO “NEW YORK TIMES”

Durante o almoço em um restaurante no centro, Beatrice, uma nova-iorquina de trinta e muitos anos, me contou sobre as duas decisões que ela e o marido estão prestes a tomar: o casal está deliberando onde comprar a segunda casa e se os filhos devem ou não ir para um colégio particular.

A seguir, confessou que tira as etiquetas de preço das roupas para que a babá não as veja. “E também tiro o preço do pão, que custa US$6”, completou.

Explicou que faz isso porque se sente desconfortável com a disparidade entre si mesma e a moça que cuida de seus filhos, uma imigrante latina, pois a renda de sua família bate nos US$250 mil anuais e eles são herdeiros de uma fortuna de vários milhões de dólares. “Pensando na situação da babá, as minhas escolhas são obscenas. Um pão que custa seis dólares é surreal.”

Um decorador com quem conversei me disse que seus clientes ricos também escondem os preços. “Os móveis e objetos de decoração chegam com etiquetas que mostram valores astronômicos, mas têm que ser arrancadas ou rasuradas para que nem os empregados, nem o pessoal que trabalha comigo vejam.”

Essas pessoas concordaram em se encontrar comigo como parte de uma pesquisa que fiz sobre o consumo dos ricos. Entrevistei 50 pais e mães com filhos pequenos, incluindo 18 donas de casa. Com curso superior, trabalham ou já trabalharam no setor financeiro e bancário, ou herdaram fortunas de milhões de dólares.

Quase todas fazem parte do um por cento, ou dois, em termos de renda e riqueza, às vezes ambos. Vêm de famílias de todos os tipos de cenários econômicos e cerca de 80% são brancas. Devido à sua preocupação com o anonimato e o meu protocolo de pesquisa, uso pseudônimos ao longo de todo o artigo.

Nós quase sempre imaginamos os ricos em paz com suas muitas vantagens —e, na verdade, ansiosos para exibi-las. Desde que Thorstein Veblen cunhou o termo “consumo conspícuo”, há mais de um século, os abastados vêm sendo tipicamente representados como gente que disputa status ostentando sua riqueza.

Nesse aspecto, nosso atual presidente é a epítome do ricaço que faz questão de se exibir da forma mais espalhafatosa possível.

Exposição
Na verdade, acreditamos que os ricos buscam visibilidade porque os que vemos estão, por definição, expostos; por outro lado, aqueles com quem conversei expressaram uma ambivalência muito grande ao se identificarem como endinheirados.

Em vez de alardearem suas fortunas e as exibirem, preferem assumir sua posição vantajosa discretamente. Descrevem-se como “pessoas normais” que trabalham bastante e gastam conscientemente, afastando-se ao máximo dos estereótipos comuns do ostentador, egoísta, esnobe e arrogante. Em última instância, seus relatos dão conta de um estigma moral de privilégios.

A forma como esses nova-iorquinos se identificam e evitam essa “pecha” é importante não porque o resto do mundo deva ter pena de ricaços que se sentem incomodados, mas porque nos conta algo sobre como a desigualdade econômica é escondida, justificada e mantida no dia a dia dos norte-americanos.

Manter silêncio sobre a classe social —regra obedecida não só pelos ricos— pode dar a impressão de que, para os EUA, ela não importa, ou pelo menos não deveria. E julgar os mais abastados com base em seu comportamento individual —se são dedicados ao trabalho, se seu consumo é responsável— nos distrai de outros tipos de questões sobre a moralidade da distribuição drasticamente desigual de renda.

Esconder as etiquetas de preço não é disfarçar o privilégio; a babá obviamente tem consciência das diferenças de classe, sabendo ou não quanto sua patroa paga por um filão de pão. O que acontece é que essa atitude ajuda o rico a lidar com o desconforto em relação à desigualdade e, por sua vez, torna impossível uma discussão honesta sobre a questão —e principalmente mudar a situação.

O estigma da riqueza começou a se manifestar nas minhas entrevistas nos silêncios a respeito do dinheiro. Quando perguntei a uma dona de casa muito rica quais eram os bens de sua família, ela quase caiu da cadeira.

“Sinceramente, nunca ninguém me perguntou uma coisas dessas. Ninguém fala sobre isso. É o mesmo que perguntar se você se masturba”, desabafou.

Outra mulher, referindo-se ao patrimônio de mais de US$50 milhões que ela e o marido conquistaram trabalhando no setor financeiro e à casa onde moravam, de mais de US$10 milhões, revelou: “Ninguém sabe quanto gastamos. Você é a única pessoa a quem mencionei essas cifras em voz alta”.

E ficou tão preocupada por ter compartilhado essas informações que, mais tarde, naquele mesmo dia, ligou para confirmar que eu manteria sigilo absoluto sobre sua identidade.

Várias mulheres com quem conversei comentaram que nem iam contar aos maridos que tinham conversado comigo, dizendo: “Ele me mataria” ou “Ele é mais discreto”.

Mal-Estar
Esses conflitos geralmente se estendem a um profundo mal-estar com a exibição de riqueza. Scott, que herdou uma fortuna de mais de US$50 milhões, disse-me que ele e a mulher tinham sentimentos contraditórios em relação ao apartamento que compraram recentemente, em Manhattan, por mais de US$4 milhões.

Quando perguntei a razão, ele respondeu: “Não sei se queremos viver em um lugar tão sofisticado, lidar com os comentários de todas as pessoas que entrarem aqui. Cansa. Não somos esse tipo de gente que faz questão dessa babação de ovo; não queremos essa admiração invejosa”.

Sua mulher, que entrevistei separadamente, sente-se tão desconfortável com o fato de viver ali que pediu ao correio para alterar o endereço, de modo a incluir o número do andar e não só o “PH” (de “penthouse”, ou cobertura”), termo que considera “elitista e esnobe”.

Meus entrevistados nunca se referem a si mesmos como “ricos” ou “classe alta”, geralmente preferindo termos como “bem de vida” ou “privilegiado”. Alguns até se dizem “classe média” ou “medianos”, comparando-se aos super-ricos, tão proeminentes na cidade de Nova York, e não com os que têm menos.

Quando usei a palavra “abastado” em um e-mail para uma dona de casa cuja renda é de US$2,5 milhões ao ano, que tem uma casa nos Hamptons e o filho em colégio particular, ela quase cancelou a entrevista, conforme me confidenciou mais tarde. “Abastados são os meus amigos que viajam de jatinho particular”, esclareceu.

Outros afirmam que ser rico significa não ter que se preocupar com dinheiro –o que é inevitável para muitos deles, principalmente nas famílias em que só um membro trabalha, quase sempre no mercado financeiro, pois os ganhos flutuam demais, e o emprego nunca é estável.

Calibre Moral
A cultura norte-americana há muito é marcada por questões sobre o calibre moral da elite. Empresários capitalistas são admirados, mas também representados como tipos ambiciosos e implacáveis. Herdeiros de grandes fortunas, principalmente as mulheres, são retratados como glamorosos, mas também perdulários.

O lado negativo desse retrato talvez fique mais evidente em épocas de grande desigualdade (no caso dos Barões Gatunos da Era de Ouro ou dos Gordon Gekkos dos anos 1980).

Mais recentemente, a recessão de 2008 e o Occupy Wall Street, que faziam parte do cenário quando conduzi as entrevistas, trouxeram de volta a iniquidade extrema ao cenário nacional, com os 10% do topo da pirâmide de renda correspondendo a mais de 50% da renda norte-americana, e o 1% mais rico, a mais de 20% da renda.

Por isso, não é de espantar que as pessoas com quem conversei queiram se distanciar da elite da elite, cada vez mais malvista; só que seu desconforto com o reconhecimento do próprio privilégio também é resultado de uma mudança na composição da riqueza, que vem acontecendo há décadas.

Durante a maior parte do século 20, a classe alta era uma comunidade homogênea, na qual quase todos eram brancos e protestantes. As principais famílias pertenciam aos mesmos clubes exclusivos, faziam parte do Registro Social, mandavam os filhos para as mesmas instituições de ensino caríssimas.

Só que essa casta se diversificou, graças principalmente à abertura da educação excludente a pessoas de diferentes origens étnicas e religiosas, logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-45), e ao fenômeno mais recente dos lucros astronômicos do mercado financeiro.

Ao mesmo tempo, a ascensão do setor financeiro e de outros a ele relacionados implica no fato de que muitos dos mais ricos são “trabalhadores”, e não a “classe ociosa” descrita por Veblen. A pseudoaristocracia “wasp” (branca, anglo-saxã e protestante, no acrônimo em inglês) foi substituída pela “meritocracia” de uma elite mais variada. Os ricos têm que dar a impressão de merecerem o privilégio que têm para serem considerados legítimos.

E fazer por merecer significa trabalhar bastante, como é de se esperar –mas também gastar de forma conscienciosa. Nesses dois quesitos, meus entrevistados se mostraram “normais”.

Bem Normal
Talia é uma dona de casa cujo marido trabalha no setor financeiro e ganha cerca de US$ 500 mil ao ano. Quando os entrevistei, estavam em reforma, para juntar dois apartamentos em um, e alugam uma casa de campo.

“Levamos uma vida bem normal”, descreveu. Quando perguntei o que queria dizer, respondeu: “Sei lá, jantamos em casa, com a família. As crianças comem, aí damos banho nelas, lemos histórias antes de dormirem. Não saio para comer em restaurantes quatro estrelas todas as noites. Levo os meninos para a escola todo dia a pé e, quer saber? É muito divertido. É uma típica vida de bairro”.

Scott e a mulher tinham gastado US$ 600 mil no ano anterior à nossa conversa. “Não dá para entender como conseguimos gastar tanto. Parece até piada. Se alguém me perguntar qual é o estilo de vida que consome mais de meio milhão por ano, não vou saber responder”, confessou ele.

Em vez da vida glamorosa e sofisticada que imaginou acompanhar uma cifra dessas, ele se descreve como um “alucinado”. “Estou o tempo todo correndo de lá para cá, fazendo sanduíche de geleia com pasta de amendoim. Ter dinheiro não significa que eu tenha deixado de ser uma pessoa comum.”

Nenhuma das pessoas com quem falei se gabou de ter investido uma fábula em algum objeto ou produto; ao contrário, todas se mostraram entusiasmadas ao falarem do carrinho de bebê que compraram na liquidação, das roupas que descobrem na Target e dos carros antigos que dirigem.

Criticaram os gastos de outros ricos, principalmente os mais estapafúrdios, como mansões gigantes e cafonas ou férias em resorts exclusivos cujos funcionários, nas palavras sarcásticas de um homem, “massageiam seus pés”.

Elas se preocupam com a educação dos filhos, pois querem que sejam “gente boa” e não arrogantes mimados. O contexto de Nova York, principalmente o das escolas particulares, aumenta o medo de que as crianças nunca entrem em contato com “o mundo real” ou tenham “fluência fora da bolha”, nas palavras de um dos herdeiros.

Outra mulher me contou de um garoto que conhecia, cujo pai gastou US$ 10 mil nas férias em família e depois ouviu do filho: “Foi ótimo, mas da próxima vez vamos de jatinho particular, como todo mundo”.

Liberal
De fato, esses são os nova-iorquinos de educação elitista cuja maioria é socialmente liberal. Os ricos de outros países ou com outros históricos podem se sentir mais à vontade falando sobre suas fortunas e gastando de forma mais explícita. E mesmo as pessoas com quem conversei podem muito bem ser menos reticentes em meio aos seus pares do que em uma entrevista formal.

Independentemente disso, a ambivalência no reconhecimento do privilégio sugere uma tensão profunda no cerne da ideia do sonho americano. Embora a busca pela riqueza seja indiscutivelmente desejável, tê-la não é uma questão tão simples.

Nossos conceitos de igualitarismo, inclusive, fazem com que os beneficiários da desigualdade se sintam pouco à vontade com ela. Entretanto, é difícil saber o que eles, enquanto indivíduos, podem fazer para mudar esse estado de coisas.

Em relação a essas tensões, o silêncio dá licença para uma postura do tipo “não vi nada, não sei de nada”. Ao não mencionarem dinheiro, meus entrevistados seguem uma norma social aparentemente neutra que desdenha do tema, mas tal regra é uma das formas pelas quais os mais privilegiados podem mascarar seus privilégios e seus conflitos em relação a tais vantagens.

Ao tentarem ser “normais”, esses ricaços evitam o estigma do dinheiro. Se conseguem se ver como trabalhadores dedicados e consumidores conscientes, simbolicamente podem pertencer ao “meião” norte-americano, amplo e legítimo, ainda que materialmente se mantenham no topo.

Esses esforços são a resposta aos julgamentos tão comuns de comportamentos individuais dos mais ricos enquanto moralmente meritórios ou não, mas o importante aqui é perceber que tais juízos nos desviam de qualquer possibilidade do pensamento de redistribuição.

Quando avaliamos o valor moral de alguém baseados em onde e como ele(a) vive ou trabalha, reforçamos a ideia de que o que realmente importa é o que a pessoa faz, não o que tem. Com isso, reproduzimos um sistema no qual ser astronomicamente rico é aceitável, contanto que se mantenha a boa moral.

O apelo dos críticos liberais e da esquerda social para que os ricos reconheçam seus privilégios também destaca essa ênfase na identidade individual, já que tal admissão não vai necessariamente alterar um sistema desigual de acumulação e distribuição de recursos.

Na verdade, deveríamos discutir não o valor dos indivíduos, mas sim de determinados arranjos sociais. A sociedade que queremos é aquela em que é aceitável que alguém tenha milhões ou bilhões de dólares, contanto que seja trabalhador, generoso, não materialista e consciente?

Ou será que deveria haver outro tipo de aval de validação para uma sociedade na qual tais níveis de desigualdade fossem moralmente inaceitáveis, independentemente da moderação e da simpatia de seus beneficiários?

RACHEL SHERMAN é professora associada de sociologia na Universidade New School, em Nova York, e autora de “Uneasy Street: The Anxieties of Affluence”, livro do qual este artigo foi adaptado.

Fotógrafos e vintages de plantão: a câmera Yashica está voltando

Fabricante japonesa lança teasers enigmáticos para marcar o retorno da câmera

Se você é entusiasta de fotografia com certeza já se apaixonou por uma dessas belezinhas. A marca Yashica, que lançou sua primeira câmera em junho de 1953, está entre as mais icônicas do mercado fotográfico e, com uma série de vídeos enigmáticos intitulados “O Silêncio da História”, promete um grande retorno.

Nos filmes, cheios de melancolia e suspense, uma mulher aparece em lugares diferentes, usando câmeras diferentes, de Yashica vintage a um iPhone com um complemento externo de lente.

Além disso, a marca alterou sua homepage, convidando as pessoas a assinarem uma newsletter para acompanhar os próximos passos do lançamento. No melhor estilo: instigante e nostálgica.

Nas décadas de 60 e 70, a Yashica tornou-se uma das principais marcas a produzir câmeras de filme, incluindo a clássica Yashica Pentamatic. Em outubro de 1983, a empresa foi adquirida pela Kyocera, que encerrou sua produção de câmeras em 2003, quando a fotografia digital tomou conta da indústria.

A exemplo da Polaroid, a marca Yashica começou a aparecer em todos os tipos de eletrônicos, desde tocadores de música até binóculos. Mas, enfim, a Polaroid trabalhou em um grande retorno à fotografia revivendo a linha de câmera One Step, e agora parece que a Yashica também planeja um lançamento similarmente significativo. Nos resta acompanhar a história, cruzar os dedos e dizer amém. []

Roupas unissex para crianças dividem pais ingleses

IW_05_GENDER1A decisão da cadeia de lojas John Lewis de optar pela utilização de etiquetas neutras em termos de gênero provocou um debate. (Oli Scarff/Getty Images)

Recentemente, na guerra dos gêneros, os varejistas ingleses têm tido problemas para chegar ao correto equilíbrio no setor infantil, quer perpetuando os estereótipos ou exagerando na direção oposta.

O supermercado Asda foi criticado por vender camisetas para meninos com dizeres como “Futuro cientista”, enquanto as camisetas para meninas diziam “Alô, linda!” e “Ponies Rock”.

No ano passado, uma menina inglesa de oito anos, Daisy Edmonds, se tornou uma sensação na internet quando sua mãe a filmou em um supermercado Tesco protestando veementemente contra as camisetas por achá-las sexistas. Por que, ela perguntou, as camisetas dos meninos dizem, por exemplo, “As aventuras no deserto esperam por você”, “Seja inovador” e “Herói”, enquanto nas das meninas está escrito “Maravilhosa”, “Alô!” e “Eu me sinto fabulosa”?

“Todo mundo acha que as meninas só deveriam ser bonitinhas e os meninos deveriam gostar de aventura”, acrescentou.

Mas, agora, alguns consumidores estão afirmando que a John Lewis apelou para o extremo oposto. Ao que parece, a cadeia retirou completamente as etiquetas específicas de gênero da sua marca de roupas infantis. Em seu lugar, ela colocou nestes itens identificações do tipo “meninos & meninas” ou “meninas & meninos”, tanto para calças quanto para saias.

A John Lewis, uma das principais cadeias de varejo da Grã-Bretanha, informou que no ano passado eliminou as indicações “meninas” e “meninos” em suas lojas de departamento em todo o país, e, no início deste ano, introduziu roupas de bebê unissex.

“Nós não queremos reforçar os estereótipos de gênero nas nossas coleções John Lewis, ao contrário, pretendemos oferecer opções mais amplas e mais variadas aos nossos clientes, para que os pais ou as crianças possam escolher o que preferem vestir”, disse Caroline Bettis, diretora do vestuário infantil das lojas.

A nova política foi elogiada por muitos pais e defensores dos direitos das crianças, mas alguns acusaram a companhia de ser politicamente correta e ameaçaram um boicote. “A John Lewis abandona as etiquetas ‘meninos’ e ‘meninas’ por uma linha neutra de gênero. Quanta besteira em nome do politicamente correto!” escreveu Bob Blister, de Poole, Inglaterra, no Twitter. E acrescentou: “Grande mídia social reaja contra a John Lewis! Boicote!”

Andrew Bridgen, um parlamentar conservador e pai de dois meninos adolescentes, achou que a medida poderá confundir os pais. “Este é o avanço da brigada do PC”, afirmou. “Eu me pergunto quantos pais que frequentam as lojas John Lewis comprarão um vestido para seus filhos de seis anos? Homens e mulheres, meninos e meninas são biologicamente diferentes, apesar dos boatos em contrário. Se você tem filhos, para que vai querer perder tempo na sessão de vestidos?”

Mas “Let Clothes Be Clothes” (Deixe que a roupa seja apenas roupa), um grupo de pais ingleses, elogiou a nova política, observando que a resistência à mudança lembra a era antiquada dos anos 50, e os chauvinistas que se opunham a que as mulheres usassem calças compridas.

A John Lewis resolveu adotar sua política em relação à roupa infantil em pleno debate global sobre a fluidez do gênero e a necessidade de atualizar padrões tradicionais linguísticos e de vestuário.

Na Austrália, a International Grammar School de Sidney lançou recentemente uniformes escolares sem distinção de gêneros, com opções para ambos os sexos que incluem gravatas listradas e collants.

Há pouco tempo, o Canadá decidiu permitir que seus cidadãos se identifiquem com a categoria “X” de gênero neutro em seus passaportes, seguindo o exemplo de países como Dinamarca, Malta e Nova Zelândia.

Dinah Spritzer, uma americana que reside em Praga e escreve sobre questões de gênero, afirmou que medidas como a da John Lewis têm um sentido de libertação.

“Se outras lojas fizerem o mesmo, encorajarão pais e filhos a não se sentirem envergonhados com suas preferências”, ela afirmou. “O medo de que você atribua características femininas ao seu filho ou o faça parecer um homossexual é uma atitude ignorante e obscena”. [Dan Bilefsky]

Para se casar com plebeu, princesa do Japão deixa família real

Mako e o noivo, Kei Komuro, foram colegas de sala na faculdade e estão juntos oficialmente desde dezembro de 2013

Mako, Kei KomuroA princesa japonesa Mako e seu noivo, Kei Komuro. Foto: Shizuo Kambayashi/AP


A princesa do Japão, Mako, comunicou neste domingo, 3, que está deixando a família real para se casar com um cidadão comum no país. Pela lei japonesa, as mulheres da família real não podem se casar com plebeus. Se optam por fazê-lo, perdem o título de nobreza. A lei não é váilda para os homens.

A própria Mako fez o anúncio em uma coletiva de imprensa, acompanhada pelo noivo, o advogado Kei Komuro. Eles se conheceram na faculdade e decidiram se casar há três anos. O comunicado estava previsto para acontecer no mês de julho, mas foi postergado devido ao sofrimento de uma região do país, que foi gravemente atingida pela chuva na época.

“Eu estava avisada que deveria deixar a família real se me casasse”, disse a princesa. “Trabalhei para ajudar o imperador e cumpri com as tarefas da nobreza tanto quanto pude. Gostei da minha vida até aqui”.

Mako contou que os dois eram colegas de sala na faculdade e se viram pela primeira vez quando ele se sentou atrás dela. “Fui atraída por seu sorriso, que brilha como o sol”. Eles se aproximaram no evento para estudantes interessados em intercâmbio e, a partir de então, começaram a sair.

Ambos chegaram a estudar fora do país. Mako passou um ano no Reino Unido e Komuro nos Estados Unidos. Em um jantar em dezembro de 2013, a relação foi oficializada.

Como o próprio casal disse, a família da princesa recebeu Komuro muito bem. No comunicado, nem Mako nem Komuro falaram muito sobre os planos para a família, mas confessaram desejar uma casa e uma família confortável e acolhedora.

People look at a street monitor showing a news report about the engagement of Princess Mako, the elder daughter of Prince Akishino and Princess Kiko, and her fiancee Kei Komuro, a university friend of Princess Mako, in TokyoPessoas assistem a transmissão do anúncio de Mako, princesa que vai deixar a família real para se casar com um plebeu. Foto: Toru Hanai/Reuters


Mudanças na lei
O comunicado da princesa pôs novamente a lei de permanência na família monarca em debate. A população está atenta ao possível fim da realeza, que tem cada vez menos membros e, consequentemente, menos homens, os únicos autorizados a assumir o trono.

Os mais conservadores, representados pelo primeiro minsitro Shinzo Abe, são grandes opositores da mudança, embora o Japão já tenha sido governado por mulheres.  /EFE/Associated Press

14 destaques da SP-Arte/Foto

240816-otto-sparte-590x487Na Doc Galeria você encontra o portfólio original que Otto Stupakoff levou para os Estados Unidos quando começou a fazer carreira internacional


Está rolando até domingo (27/08) a 11ª edição do SP-Arte/Foto no shopping JK Iguatemi! A feira conta com importantes nomes da fotografia nacional e internacional e uma programação cheia de palestras – a lista completa você encontra no site! O Blog LP visitou o evento e destacou 14 obras para você prestar atenção: tem as fotografias de Otto StupakoffGerman Lorca, o trabalho delicado de bordado da Mari Queiroz, o feminismo e a sexualidade feminina nas imagens de Talitha Rossi e mais!

SP Arte/Foto 2017
Até 27/08, quinta a sábado das 14h às 21h; domingo das 14h às 20h
Shopping JK Iguatemi: av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, 3º piso, Vila Olímpia, SP
Entrada gratuita

Em tour nos EUA, Mark Zuckerberg adota agenda de presidenciável

zucker 14960088683postmark3.pngCEO do Facebook, Mark Zuckerberg, discursa para alunos da Universidade de Harvard (Foto: Paul Marotta / Getty Images)


ISABEL FLECK
DE WASHINGTON

Visitas a uma clínica para dependentes de opiáceos em Ohio, a uma escola de Rhode Island, a uma montadora perto de Detroit, um tour em uma reserva indígena em Montana e um jantar com refugiados somalis em Minneapolis.

A agenda que já inclui passagens por mais de 20 Estados desde janeiro poderia ser a de um candidato em campanha pela Casa Branca, mas é, oficialmente, parte do desafio autoimposto pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, neste ano.

A intensa programação e as postagens em sua rede exaltando cada parada deram início a rumores de uma candidatura de Zuckerberg, 33, à Presidência em 2020.

As especulações ganharam corpo com a contratação do estrategista-chefe da campanha de Hillary Clinton, Joel Benenson, para trabalhar na Iniciativa Chan Zuckerberg, fundação social tocada por ele e a mulher, Priscilla Chan.

Também integra a organização, criada em dezembro de 2015, David Plouffe, o guru de Barack Obama na vitoriosa campanha de 2008.

A meta de Zuckerberg para o ano é percorrer 30 dos 50 Estados do país para “escutar” os americanos —nada poderia se parecer mais com uma caravana política.

“A tecnologia e a globalização criaram muitos benefícios, mas para muita gente também tornaram a vida mais desafiadora. Precisamos achar uma forma de mudar o jogo para que funcione para todo mundo”, escreveu Zuckerberg ao justificar a turnê.

Algumas pesquisas para 2020 já incluem seu nome, como uma feita em julho pelo Public Policy Polling, ligado aos democratas, com 836 eleitores e margem de erro de 3,4%. Segundo o levantamento, se a eleição fosse hoje, Zuckerberg empataria com Trump com 40% dos votos .

“Neste momento, não há razão para Zuckerberg não concorrer. Ele é uma importante figura nos negócios e nas mídias sociais, e representa uma voz nova no cenário politico”, diz Julian Zelizer, professor da Universidade Princeton especialista em histórica política americana.

Apesar de não ser filiado a nenhum partido, Zuckerberg ressalta posições como o apoio à comunidade LGBT, aos refugiados e imigrantes e à produção de energia limpa.

Mesmo não sendo crítico constante de Trump, posiciona-se contra medidas como o decreto que vetava temporariamente a entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e a proibição de transgêneros nas Forças Armadas.

“Todos deveriam poder servir seu país, não importa quem sejam”, escreveu em seu perfil na rede. A mensagem teve 652 mil curtidas e 25.500 compartilhamentos.

Facebook como arma
Hans Noel, cientista político da Universidade de Georgetown, vê “várias explicações inocentes” para os movimentos recentes do criador do Facebook, como tentar entender melhor como sua ferramenta influencia eleições.

Ele, contudo, considera que Zuckerberg tem vantagens sobre outros “outsiders” numa eventual campanha. “Ele controla uma plataforma crucial para notícias e, mesmo que não a manipule em benefício próprio, sabe usá-la. E tem acesso a toneladas de dados úteis.”

Dinheiro também não será problema, pois Zuckerberg é hoje o quinto homem mais rico do mundo, com US$ 72,6 bilhões, segundo a “Forbes”. Tampouco pesará contra sua imagem, calculada para passar a percepção de desapego.

Em 2016, ao justificar por que sempre usava a mesma camiseta cinza e jeans, Zuckerberg disse que não queria “gastar tempo com coisas frívolas”. Cada camiseta, feita sob medida pela grife italiana Brunello Cucinelli, contudo, custa cerca de R$ 1.200.

Para Noel, os democratas devem preferir outro nome em 2020. “Mas eles podem estar tão divididos quanto os republicanos em 2016, dando abertura para um ‘outsider’.”

Zelizer diz crer que um governo ruim de Donald Trump não necessariamente atrapalhe a eleição de outro novato. “Pode haver um desejo de eleger alguém com experiência. Mas [Ronald] Reagan foi visto como outsider, e acabou derrotando Jimmy Carter.”