iPhone 11 Pro Cinematic 4k: Tokyo by Andy To

O lançamento dos novos iPhones ocorrerá nesta sexta-feira (20), mas existem aqueles que já estão com eles em mãos para conferir o potencial dos gadgets, principalmente com relação às câmeras.

Como sabemos, os iPhones 11 Pro e 11 Pro Max contam com um sistema de câmera triplo, o qual introduz uma nova lente ultra-angular àquelas já existentes (uma grande-angular e outra teleobjetiva) na geração anterior. Isso, naturalmente, significa que as fotos e os vídeos capturados com os novos aparelhos possuem não só uma qualidade maior, mas também oferecem novas possibilidades.

Entretanto, só sabemos o quanto a câmera desses aparelhos é boa… vendo! Dessa forma, o cineasta Andy To foi a Tóquio (Japão) para testar a câmera dos novos iPhones. É possível conferir o resultado no vídeo acima, o qual muitos duvidariam que foi gravado com um smartphone.

Fui a Tóquio com o novo iPhone 11 Pro para testá-lo. O objetivo desse vídeo é apresentar uma história visual que mostre minha jornada ao Japão. A história começa em Tóquio, uma cidade progressivamente futurista que possui um belo cenário para o estilo de edição que eu amo fazer.

O vídeo foi gravado diretamente pelo app Câmera (nativo) sem a ajuda de lentes externas, e editado com o Final Cut Pro X no macOS. Como podemos observar, To trouxe a versatilidade da câmera do iPhone 11 Pro ao passar por uma variedade de ambientes, alterando entre cenários brilhantes e coloridos, a lugares com pouca luz.

O CEO1 da Apple, Tim Cook, elogiou o resultado:

rabalho impressionante como sempre, @andyyto! Uma viagem fascinante por uma das minhas cidades favoritas, capturada com o iPhone 11 Pro.

Os iPhones 11 Pro e 11 Pro Max possuem algumas diferenças importantes em relação aos XS e XS Max. Com relação à câmera, ambas as gerações são capazes de gravar vídeos 4K a 60qps, mas nos novos modelos há suporte para alcance dinâmico estendido, melhorando a cor e o contraste das filmagens. [MacMagazine]

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Produção de Keanu Reeves ocupa a Paulista para filmar cena decisiva de ‘Conquest’

Com uma trama futurista, ‘Conquest’, produzido por Keanu Reeves, se passa num mundo distópico e tem a ver com refugiados e os riscos de desumanização do mundo; gravação será no domingo, 1º
Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

Conquest, produção de Keanu Reeves
Cerca de 3 mil pessoas participaram de 20 dias de filmagens de ‘Conquest’ Foto: Santiago Cerini

Cenário emblemático de São Paulo, a Avenida Paulista tem abrigado manifestações, passeatas, protestos. Num domingo, digamos, comum, é aquele lugar, fechado ao tráfego, em que as famílias passeiam, artistas apresentam suas performances, artesãos vendem seus produtos. Mas este domingo, 1.º, será diferente. Várias quadras estarão fechadas – mesmo –, haverá movimentação de seguranças, helicóptero, um tanto de tiroteio, mas calma. Será tudo ficção. Nada de guerra, nem de fim de mundo. 

A Paulista abriga neste domingo a produção de Conquest, a série que Keanu Reeves grava em São PauloKeanu Reeves, o astro de MatrixJohn WickVelocidade Máxima? O próprio, mas não exatamente ele. Não existe a menor chance de você ver aquele sujeito conhecido correndo e dando patadas. Keanu Reeves estará bem longe, em casa, mas ele já esteve aqui, há quatro meses. Foi fotografado com o prefeito Bruno Covas, a diretora da Spcine, Laís Bodanzky, assinando o acordo com a São Paulo Film Comission que trouxe à cidade a produção de Conquest.

Grandes cenas já foram gravadas no Anhangabaú, na própria Paulista. Numa noite dessas, alta madrugada, a energia foi desligada e o Anhangabaú ficou totalmente às escuras para uma cena de Conquest. O curioso é que não adianta falar com Laís Bodanzky, nem com Andréa Barata Ribeiro, da O2 Filmes. A legislação exige que produções estrangeiras contratem os serviços de produtoras locais, e a O2, de Fernando Meirelles, está fazendo a prestação de serviços. 

Andréa já filmou, aqui mesmo em São Paulo, uma grande produção internacional – Ensaio sobre a Cegueira, que Meirelles dirigiu, a partir do romance de José Saramago, para uma produtora do Canadá. Ela explica – “São Paulo é uma metrópole, uma grande cidade que tem um viés futurista, mas tem uma São Paulo oculta, que nem os paulistanos conhecem. Isso é muito bom, essa riqueza, essa diversidade, para quem filma. A cidade tem infraestrutura hoteleira e de serviços, aeroportos. A equipe de Conquest descobriu que a cidade pode ser um paraíso para filmar.”

Andréa sabe muitas coisa sobre Conquest. Afinal, cabe à equipe da 02 organizar tudo para que cenas grandiosas como a deste domingo deem supercerto. Ela sabe que vai usar seguranças, figurantes, um helicóptero e toda uma estrutura de socorros, o que internacionalmente se chama de ‘safe’. “Vamos ter bombeiros, paramédicos, ambulâncias.” Só não lhe peçam para contar a história de Conquest. “Não sei, de verdade, e o que sei não posso contar. Só sei que é uma trama futurista, num mundo distópico. Tem a ver com refugiados.” 

Faça a mesma pergunta a Laís Bodanzky e não será possível avançar. O motivo é simples. “Eles explicaram o conceito, mostraram cenas para definir o visual, mas nunca apresentaram o roteiro, que é mantido secreto.” Em busca de informações, a reportagem foi mais longe. Tentou a produtora executiva Gabriela Rosès Bentancour e o próprio diretor Carl Erik Rinsch. Nada. “Desculpe, querido, mas a gente faz questão de manter o segredo. Acreditamos que o elemento-surpresa será muito importante na série e queremos fazer de tudo para assegurar que o público seja surpreendido ao assistir ao produto final”, explica a produtora.

Conquest, produção de Keanu Reeves
Produção de Conquest vai fechar a Avenida Paulista mais uma vez Foto: Santiago Cerini

Acostumada a trabalhar com Fernando Meirelles, Andréa Barata Ribeiro sabe o que são esses diretores meticulosos. “O Carl (Erik Rinsch) tem um cuidado muito grande com os detalhes. Nada lhe escapa.” E Gabriela, que trabalha pela primeira vez com o cineasta. “É um visionário. Estou impressionada com sua visão. Ele chegou aqui e foi logo se interessando por marcos visuais muito fortes da cidade. A Av. Paulista, o Anhangabaú, a arquitetura de Niemeyer. São Paulo pode ser grandiosa e íntima, arrojada e decadente. Quem trabalha com imagem fica louco nessa cidade.” 

Na direção da Spcine há quatro meses, Laís Bodanzky conta que o primeiro contato da produção de Conquest com a São Paulo Film Comission começou há oito meses. “É uma história de sedução. Há muitas cidades no mundo que adorariam sediar um filme desses. Então, a gente tem de atrair, seduzir. O que eles podem trazer é muito forte – visibilidade, dinheiro injetado na economia, empregos. Mas a gente também tem de mostrar que tem condições. Fizemos muitas reuniões com secretarias de Estado e do município para mostrar que São Paulo está aparelhada como centro audiovisual.”

Em três anos de atuação, de maio de 2016 a maio de 2019, 2,8 mil obras audiovisuais foram filmadas na cidade, gerando mais de 69 mil postos de trabalho e uma movimentação financeira de pelo menos R$ 1,3 bilhão. Por ano, a cidade recebe cerca de mil produções, entre filmes, séries e publicidades, em mais de três mil diárias de filmagens. Somente em 2019 foram atendidas 644 obras e emitidas 997 autorizações de filmagem que geraram 15,2 mil postos de trabalho. “As solicitações são tantas que outro dia tivemos três filmes sendo feitos no centro e o cuidado era evitar que um set interferisse no outro”, diz Laís. 

Ela conversa com o repórter pelo telefone e, de repente, dá uma parada para pegar uma informação com um assessor. “Agora mesmo, enquanto estamos conversando, entrou no ar o Instagram da Spcine, com informações práticas e curiosidades de filmagem para compartilhamento de quem se interessa em acompanhar o movimento do cinema na cidade.”

Produtores executivos de Conquest
Os produtores executivos de Conquest: Keanu Reeves, Carl Erik Rinsch e Gabriela Rosés Bentancour  Foto: Ethan Weiner

‘Conquest, um testemunho sobre o riscos de desumanização do mundo

Carl Erik Rinsch é a alma do projeto de Conquest. Arrebatou o astro Keanu Reeves, que virou seu produtor. É chamado de detalhista por Andréa Barata Ribeiro, da O2, que faz a produção local, e de visionário pela produtora Gabriela Rosès Bentancour.

Por que escolheu São Paulo como locação?
Um dos motivos foi certamente a diversidade pujante dessa metrópole. Encontramos uma diversidade étnica e cultural muito forte. São Paulo já foi centro de imigração europeia e hoje segue acolhendo refugiados da Ásia, da África, da América Latina. Nossa trama tem a ver com isso. A situação dos imigrantes, dos refugiados, virou uma tragédia em todo o mundo. Nos EUA, sob (Donald) Trump, são demonizados. O que nossa história busca é uma reabilitação da dignidade dessas pessoas.

Sua trama passa-se no futuro distópico. Já sei que você não quer falar, mas o que pode dizer?
Sou um grande admirador de ficção científica, na literatura como no cinema. Tenho meus mestres. Stanley Kubrick, Ridley Scott, (Andrei) Tarkovski, Neill Blomkamp, para citar um cineasta mais recente. A ficção científica russa é muito rica. São autores que permitem refletir sobre o estado do mundo. Conquest inscreve-se na indústria do entretenimento, mas nasceu da nossa vontade de dar um testemunho sobre o riscos de desumanização do nosso pobre mundo.

Filmagens de ‘Conquest’ incluem 10 atores brasileiros

Em média 300 pessoas atuaram diariamente na produção de Conquest, entre produtores, técnicos e seguranças. Cerca de 3 mil figurantes participaram de 20 dias de filmagens em locações como Praça do Patriarca, Paulista, Anhangabaú, Memorial da América Latina, Praça Pedro Lessa.  Neste domingo, a Paulista recebe 400 figurantes, carros de época, câmera car. Já a equipe internacional é de 25 pessoas, além de 25 atores, sendo 10 brasileiros, com destaque para Bruna Marquezine. 

K-Pop leva jovens norte-coreanos a desertar

Músicas e filmes sul-coreanos e ocidentais têm provocado desilusão com o regime norte-coreano
Simon Denyer e Min Joo-kim, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

A norte-coreana Ryu Hee-jin faz aulas de dança em Seul Foto: The Washington Post / Jean Chung

Quando menina, Ryu Hee-jin cantava canções patrióticas exaltando o caráter, a coragem e a bondade do então líder norte-coreano, Kim Jong-il. Aí ela ouviu música pop americana e sul-coreana.

“Quando você ouve música norte-coreana, não se emociona, mas quando ouve música americana ou sul-coreana você se arrepia. As letras são acessíveis, têm frescor. Ao ouvir essas músicas, a expressão facial das crianças simplesmente muda”, disse.

A música ocidental ajudou a abrir uma brecha na Cortina de Ferro. Jovens soviéticos ouviam gravações clandestinas dos Beatles. Em 1987, a juventude de Berlim Oriental se reunia junto ao Muro para ouvir David Bowie e sua emotiva interpretação de Heroes no lado ocidental da cidade dividida. 

Hoje, há evidências de que o pop sul-coreano está tendo um papel semelhante em solapar sutilmente a propaganda do regime da Coreia do Norte. Cada vez mais, desertores do Norte citam a música como um dos fatores que os desiludiram de seu governo, segundo Lee Kwang-baek, presidente do Grupo de Mídia pela Unificação (UMG), da Coreia do Sul. 

A tendência, alimentada pelo número cada vez maior de celulares da Coreia do Norte e pelo comércio fronteiriço com a China, provocou uma nova onda repressora de Pyongyang no ano passado, segundo reportagens do Daily NK, um serviço informativo operado por desertores e com forte penetração no Norte. A repressão seguiu-se à ameaça de Kim Jong-un de “esmagar a cultura burguesa reacionária”. 

Uma pesquisa da UMG com 200 desertores recentes, divulgada em junho, concluiu que mais de 90% deles tinham assistido a filmes, visto televisão e ouvido música do exterior na Coreia do Norte; três quartos conheciam alguém que havia sido punido por isso; e mais de 70% disseram que ficou mais perigoso acessar a mídia estrangeira desde que Kim Jong-un assumiu o poder, em 2011. 

Ryu é uma dos muitos desertores que dizem que o pop do Sul e a música popular ocidental abriram seus olhos, convencendo-os de que a Coreia do Norte não é o paraíso que supostamente deveria ser e suas melhores perspectivas estavam no exterior.

Em seu quarto em Pyongyang, a capital norte-coreana, Ryu às vezes passava a noite acordada vendo repetidamente o mesmo vídeo – escondida, por medo da polícia. “Éramos sempre ensinados que os americanos eram lobos e os sul-coreanos suas marionetes”, disse. “Mas quando vemos e ouvimos a arte ocidental, simplesmente temos de admirá-la.” Ela cita Celine Dion, o violinista britânico Nigel Kennedy e a banda irlandesa Westlife, assim como as bandas K-POP TVXQ, Girls Generation e T-Ara. 

Nascida numa família amante da música, Ryu tocava gayageum, instrumento coreano tradicional de cordas semelhante à cítara, numa escola de artes de Pyongyang. Após um período na equipe nacional de nado sincronizado, seguiu-se um emprego de garçonete no sul da Europa. Ali, ela passava as noites em clubes, dançando Gangnam Style com colegas de trabalho e amigos sul-coreanos. Em 2015, aos 23 anos, ela desertou para a Coreia do Sul. 

Ex-desertores da Coreia do Norte que vivem na Coreia do Sul compreenderam há muito o poder das notícias e da cultura estrangeira em contrabalançar a propaganda do regime. 

Projetos como ‘Pen Drives para a Liberdade’ contrabandeiam USB carregados com filmes de Hollywood e programas de TV americanos, assim como dramas sul-coreanos e vídeos de música. Voz da América, Radio Free Asia, Serviço Mundial da BBC e rádios dirigidas por desertores divulgam na Coreia do Norte programas em coreano – principalmente noticiários, mas também programas musicais. Mas montar empresas privadas pode ser o veículo de mudanças mais poderoso, com vídeos trazidos em massa por comerciantes que vão e voltam da China

Os riscos para espectadores e ouvintes são reais, com uma unidade especial da polícia e serviços de segurança conhecida como ‘Grupo 109’ que não dá trégua à repressão. Mesmo menores de idade, quando são pegos com material proibido, podem ser condenados a penas de 6 meses a 1 ano de treinamento ideológico num campo de reeducação – a menos que os pais possam comprar sua liberdade subornando funcionários. Pelo mesmo crime, adultos estão sujeitos a uma pena perpétua de trabalhos forçados ou, se se tratar de material mais secreto, até a execução. 

Não são apenas melodias e letras que podem ser consideradas perigosas, mas também as roupas e os penteados dos artistas. 

“Eu gostaria de tingir os cabelos e usar minissaia e jeans”, disse Kang Na-ra, de 22 anos. “Mas uma vez fui de jeans ao mercado e me mandaram tirar. Os jeans foram queimados na minha frente.”

Kang, que cantava numa escola secundária em Pyongyang, desertou em 2014 para poder se expressar livremente. Ela tentou cantar K-Pop, mas disse que os estilos são muito diferentes. Hoje, tem uma carreira de sucesso como apresentadora de TV e atriz, representando norte-coreanas em filmes sul-coreanos.

Han Song-ee tinha 10 anos quando assistiu a um vídeo da banda sul-coreana de garotas Baby V.O.X cantando em um “Concerto pela Unificação” em Pyongyang, em 2003, para uma plateia de figurões comicamente impassíveis. “No começo, fiquei chocada ao ver aquela banda de ‘vândalos capitalistas’, mas quando ouvi sua música, me senti totalmente envolvida”, disse.

Logo estava fisgada.

Ela e as amigas começaram a usar as calças coloridas popularizadas pela banda sul-coreana Girl’s Generation, mas apenas em seu bairro, não no centro da cidade. Han desertou em 2013 e hoje é uma conhecida blogueira em Seul, aparecendo também no rádio e televisão. 

Líderes norte-coreanos têm impulsos contraditórios quando se trata do Sul, adotando um discurso de reunificação coreana ao mesmo tempo em que desencorajam manifestações culturais do país vizinho em casa. 

No ano passado, Kim Jong-un assistiu a um show musical em Pyongyang com antigas divas da música, roqueiros e música pop sul-coreana, incluindo uma banda modernista feminina chamada Red Velvet. O concerto foi divulgado na íntegra na Coreia do Sul, mas apenas trechos foram mostrados nos noticiários do Norte.

Segundo uma mulher na casa dos 20 anos que desertou no ano passado, “Kim aplaudiu e aparentemente curtiu o show, mas os norte-coreanos só puderam assistir, escondidos, a cópias contrabandeadas, pois consumir música sul-coreana ainda é um crime que pode dar prisão. 

Após desertar, Ryu viu na TV sul-coreana um documentário mostrando que Kim Jong-il, pai do atual líder da Coreia do Norte, era fã do cinema e dos programas de TV sul-coreanos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

Eduardo Kobra homenageia Louis Armstrong com mural em New Orleans

Obra do artista brasileiro foi inaugurada neste domingo (4), dia do aniversário do cantor e instrumentista.

Eduardo Kobra homenageou Louis Armstrong — Foto: Divulgação

Eduardo Kobra homenageou Louis Armstrong com um mural em New Orleans, nos Estados Unidos. A entrega da obra aconteceu neste domingo (4). A data marca o aniversário de nascimento do cantor e instrumentista (1901 – 1971).

O mural foi pintado em cinco dias e tem 13 metros de altura e 12,65 metros de largura.

“O trabalho, que fica em uma área central, que foi importante para o desenvolvimento do jazz na cidade, foi extremamente desafiador e complexo, já que o painel tem cerca de 10 janelas, além de portas”, cita o artista brasileiro.

“Tenho muita conexão com a música e por isso fiz murais inspirados em mestres como Muddy Water, em Chicago; Bob Dylan em Minneapolis, e Arthur Rubinstein em Lodz, na Polônia. Queria muito vir para New Orleans e aprovei o pouco tempo livre aqui na cidade para conhecer os lugares históricos e relevantes para o jazz”, segue Kobra.

Nos últimos dias, Kobra inaugurou também um painel que registra a amizade de Mark Twain e John T. Lewis. Este, pintado em Buffalo, nos Estados Unidos.

Eduardo Kobra entrega mural sobre  Louis Armstrong em New Orleans — Foto: Divulgação
Eduardo Kobra entrega mural sobre Louis Armstrong em New Orleans — Foto: Divulgação
Eduardo Kobra pinta mural em homenagem a Louis Armstrong em cinco dias — Foto: Divulgação
Eduardo Kobra pinta mural em homenagem a Louis Armstrong em cinco dias — Foto: Divulgação
Eduardo Kobra pinta mural sobre a amizade de Mark Twain e John T. Lewis em Buffalo — Foto: Brenda Turteltaub/Divulgação
Eduardo Kobra pinta mural sobre a amizade de Mark Twain e John T. Lewis em Buffalo — Foto: Brenda Turteltaub/Divulgação


‘Stranger Things’: Netflix disponibilizará fliperamas na Avenida Paulista

Plataforma divulgará 3ª temporada da série com a campanha ‘Strangerama’; veja locais

‘Strangerama’: Netflix colocará fliperamas na Avenida Paulista para divulgar ‘Stranger Things’. Foto: YouTube / @Netflix Brasil

Netflix anunciou nesta quarta-feira, 10, que disponibilizará alguns fliperamas inspirados em Stranger Things para divulgar a 3ª temporada da série em São Paulo, na região da Avenida Paulista.

“Divirta-se como em 1985. Os fliperamas estão de volta. Agora nos pontos de ônibus. Venha jogar, é de graça”, publicou a plataforma em seu canal no YouTube, anunciando o “Strangerama“.

Serão com dois jogos distintos baseados em Stranger Things: Stranger Attack, que traz o personagem “Mike fugindo do MF”, na Avenida Paulista, em frente ao número 2026, e Maze Eleven, que traz “Eleven perseguindo seus waffles”, na Avenida Paulista, em frente ao número 171.

“De Hawkins para a Avenida Paulista, de 1985 para 2019. Descubra como é que as pessoas se divertiam no ponto de ônibus antes de existir celular. Trouxemos para São Paulo um gostinho do nosso Arcade Palace dos anos 80!”, informa o comunicado da Netflix.

Confira o vídeo de divulgação dos fliperamas de Stranger Things na Avenida Paulista publicado pela Netflix abaixo:

Direito à cidade da população LGBT+: qual o papel da arquitetura?

Apesar de abrigar a maior Parada LGBT+ do mundo, São Paulo ainda se mostra hostil em muitos aspectos aos membros da comunidade
POR RAFAEL BELÉM | FOTOS ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO LGBT DE SÃO PAULO/FLICKR

Multidão aglomerada na Avenida Paulista durante a Parada do Orgulho LGBT+ de 2018

“Ser LGBT+ é existir em espaços específicos para nós”, relata o publicitário Beto Navareño, nascido em São Paulo. Essa é uma afirmação corriqueira entre lésbicas, gays, bissexuais e transexuais da cidade. Apesar de abrigar a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo, a capital ainda se mostra hostil em muitos aspectos aos membros da comunidade que, muitas vezes, veem seu direito à cidade negado em alguma instância. Um cenário que se repete em muitas metrópoles do país.

Circular pela rua, usar o transporte público em segurança ou mesmo conseguir um emprego: várias são as barreiras impostas às vidas LGBTs. A luta da comunidade, por sinal, está desde o início relacionada à sua existência nas cidades, isto é, poder transitar pelos espaços públicos e atuar na construção cotidiana sem a necessidade de ocultar sua identidade.

Afinal, o que é o direito à cidade?

O direito à cidade propriamente dito é um conceito defendido pelo Instituto Pólis desde 1987. Há mais de 30 anos, a ONG atua na construção de cidades mais justas, democráticas e inclusivas por meio de planos de ações e políticas públicas. “Esse conceito pensa a cidade como um bem comum para todos, sem nenhuma forma de discriminação”, explica a arquiteta Danielle Klinotwtz, diretora da instituição. “É um direito que protege todos os costumes, memórias, identidades e vivências das cidades”.

Por vezes subjetivo, ele engloba desde o direito à moradia e ao saneamento, mas também uma agenda simbólica de acolhimento e de afeto pela metrópole. Na teoria, trata da possibilidade de as pessoas criarem vínculos com suas cidades e construí-las coletivamente. Na prática, é um direito negado para quase todos os cidadãos. “Nossa visão é de que nenhum cidadão hoje tem o direito pleno à cidade. Sempre existe algo sendo violado. No caso da população LGBT, existe a questão fundamental da LGBTfobia e os crimes que acontecem na cidade motivados por ela”, afirma a arquiteta.

Ao ser marginalizada, por exemplo, a comunidade tem a área pública limitada ou mesmo negada. Fora dos guetos e dos espaços de acolhimento já conhecidos em São Paulo, como a região do Largo do Arouche, da Avenida Paulista, da rua Frei Caneca e o centro expandido, gays, lésbicas e transexuais lidam com a resistência e intolerância. “Na maior parte da cidade, os espaços públicos não são acolhedores e as LGBTs não se sentem seguras. Isso é uma violação muito grande do direito à cidade, porque essa população não consegue exercer sua vivência, sua cultura”, diz Danielle.

Foi dentro destes centros de acolhimento que a universitária Thais Rezende encontrou apoio para vivenciar sua identidade. Moradora de São Bernardo do Campo, a estudante passa a maior parte do tempo no centro expandido da capital paulista. “Frequento muito a região da Paulista e da Consolação. Quando me descobri lésbica, foi um local que me acolheu”, conta. “Vi que existiam pessoas como eu ali e acabei criando vínculos. Era onde me sentia bem”, completa a jovem, que lamenta não ter a mesma experiência em outros locais da cidade. “Não consigo viver minha identidade na plenitude porque não me sinto segura em outros espaços. Amo São Paulo, mas gostaria de poder ser quem sou em qualquer lugar”.

Em junho, o grupo Rede Nossa SP, em parceria com o Ibope, divulgou uma pesquisa que detectou o aumento da percepção entre os paulistanos sobre a intolerância da cidade com a população LGBT+ em comparação com 2018, quando a sensação de tolerância era de 50% entre os entrevistados. Neste ano, o índice caiu para 40%. Segundo o levantamento, essa compreensão é mais forte entre os mais jovens, pobres e aqueles que se autodeclaram pretos ou pardos. “Existem locais de acolhimento em São Paulo, mas são espaços restritos que criam uma bolha. Hoje já temos estudos que mostram que, até duas quadras depois destes locais, é possível observar crimes de LGBTfobia”, afirma arquiteta Danielle.

O ir e vir

O acesso à mobilidade, por exemplo, é outra questão que tem impacto direto na vivência LGBT+ na cidade. Existem relatos de gays, lésbicas e transexuais impedidos de pegar ônibus porque o condutor evita parar no ponto e transportá-los. “O mesmo acontece com os aplicativos de transporte. Motoristas cancelam a viagem ao perceberem que o passageiro é uma pessoa LGBT”, relata Danielle Klinotwtz. “Isso faz com que a comunidade simplesmente não consiga exercer a possibilidade de vivência dentro da cidade, de circular onde bem entender”.

A hostilidade gera resistência, e muitos acabam criando hábitos para seguirem normalmente com suas vidas. Acostumado aos olhares tortos no transporte público, o publicitário Beto Navareño permanece em estado de alerta ao usar serviços de carona. “Fico com o celular sempre à mão e já conheço todos os mecanismos possíveis de segurança para caso alguma coisa aconteça”, conta. Felizmente, ele nunca foi vítima de violência física e nem passou por grandes apuros ao se locomover com os aplicativos. “Apesar disso, já fui avaliado com uma nota muito baixa de um motorista sem entender o porquê, e acredito que era por ele estar em contato com alguém que era ‘muito gay’”.

Para Guilherme Takahashi, trans não-binário (termo associado a pessoas cuja identidade não se limita às categorias “masculino” ou “feminino”), a situação se repete. Há locais na cidade que permitem a sua existência, enquanto outros nem tanto. “Sinto que consigo transitar porque sou muito protegido pelo dinheiro. Tenho sorte de não ter sido expulsa de casa, ter acesso ao ensino superior e me posicionar no mercado, coisas que geralmente a população trans não tem”, explica. “Mesmo assim, ainda existem espaços onde não me sinto com o direito de transitar”, conta, lembrando-se de episódios em que foi proibida de frequentar vestiários e banheiros femininos. “Mas, dentro do meu cotidiano, não fico limitado a ser quem eu sou”, celebra.

O papel da arquitetura

Ao se falar sobre habitação e cidadania, fica evidente a urgência da arquitetura urbana em promover a cidade de fato para as pessoas. Como instrumento social, a arquitetura inclusiva pode garantir ambientes apropriados não só para uma comunidade específica como a LGBT+, mas para todos. “Os arquitetos e urbanistas têm várias ferramentas para ajudar na criação de espaços mais acolhedores. Áreas mais abertas e livres, por exemplo, geram espaços com mais possibilidades de apropriação e convivência”, explica Danielle. Por si só, a apropriação cria um espaço mais seguro, onde as pessoas apoiam a vigilância umas das outras e geram espaços de segurança comuns. 

Segundo a arquiteta, a chave para o combate à intolerância e o ao preconceito na cidade está na criação de mais áreas públicas como o Largo do Arouche. “A discriminação só diminuirá quando a cidade possuir lugares que propiciem o encontro do diferente de forma espontânea, onde as pessoas possam conviver com diferentes tipos de vivência, corpos e estilos”, sugere. “A arquitetura deve propor espaços mais diversos possíveis, pensados para que pessoas diferentes convivam. Afinal, muito da discriminação vem do desconhecimento do outro, do diferente. As pessoas negam a existência das outras”.

Para o agora, a arquiteta ressalta a importância de a própria cidade escutar a população LGBT+. “A comunidade precisa estar em espaços de poder e decisão sobre a cidade. Sem isso, nunca vamos conseguir uma sociedade realmente inclusiva. É fundamental que a população LGBT construa a cidade enquanto sociedade civil, sendo escutada, mas também dentro das posições de tomadas de decisão”, argumenta.

Polícia de São Francisco, nos EUA, celebra mês do Orgulho LGBT com uniformes nas cores do arco-íris

Brasão da polícia, bordado de dourado, será vendido a aproximadamente R$ 80 e os fundos serão doados para ONG

Polícia de São Francisco ganha uniformes e viaturas LGBTs em homenagem ao Stonewall. Foto: Facebook/@SFPD

Junho é considerado o mês do Orgulho LGBT. E para comemorar a ocasião, a polícia de São Francisco, nos Estados Unidos, produziu uniformes nas cores do arco-íris para os agentes e viaturas coloridas.

Além disso, o brasão da polícia, bordado nas cores dourado, também serão vendidos ao público por US$ 20 (aproximadamente 80 reais). O valor arrecadado será revertido para a ONG Larkin Streeth Youth Services, que cuida de pessoas que assumiram a homossexualidade, mas foram expulsas e casa e não têm mais moradia.

“O SFPD se esforça para ser um departamento diversificado e tem funcionários em quase todos os níveis. Queremos incentivar conversas positivas com as comunidades LGBTQ e o Pride Patch simboliza nossa inclusão”, diz a legenda da imagem publicada no perfil oficial do Departamento de Polícia de São Francisco no Facebook.

Assista ao vídeo: