Orgânicos são vendidos a preço justo em nova loja no centro de São Paulo

11-Instituto-Feira-Livre-Inauguracao-Café-Primeiros-clientes-Foto-carol-Arbex-768x512Os primeiros consumidores visitam o galpão recém-inaugurado. FOTO: CAROL ARBEX/DIVULGAÇÃO


Mais uma iniciativa no setor de orgânicos chega a São Paulo para provar, de vez, que esses alimentos não são necessariamente caros. O que fica caro é o adicional que o varejo impõe aos produtos sustentáveis, afastando boa parte dos consumidores das gôndolas onde eles ficam expostos.

Instituto Feira Livre, após arrecadar cerca de R$ 45 mil em um crowdfunding, montou em pleno centro de São Paulo mais um ponto de comercialização de alimentos orgânicos e certificados a preço justo, com apenas um adicional sobre o custo de produção. A fórmula utilizada na cobrança é “custo do produtor + contribuição sugerida = preço justo”.

O galpão abriu ao público no domingo passado, na Rua Major Sertório, 229, muito perto da estação República do metrô, do Edifício Copan, do Sesc Consolação, da Praça Roosevelt e outros points em pleno centro de Sampa. O ponto de venda do Feira Livre vem se juntar a outra iniciativa importante no centro paulistano em relação a orgânicos: a loja Armazém do Campo, onde produtos da agricultura orgânica e familiar provenientes de assentamentos do Movimento dos Sem-Terra (MST) são comercializados (Alameda Eduardo Prado, 499, Campos Elíseos – próximo à estação Marechal Deodoro do metrô).

Uma das associadas e idealizadoras do Instituto Feira Livre, Karina Alves Nishioka, conta que o grupo – atualmente com dez pessoas – se inspirou no Instituto Chão, que funciona  há cerca de dois anos na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. “O pessoal do Chão nos ajudou bastante a criar o modelo de negócio, inclusive nos repassando o cadastro dos produtores orgânicos fornecedores”, conta Karina.

Atualmente, há uma lista de 150 potenciais fornecedores, sendo que o Feira Livre já tem produtos de 58 deles no galpão. Por ali se vende uma boa variedade de frutas, legumes e hortaliças orgânicas, além de laticínios (queijos, iogurtes, manteiga, etc.), bebidas naturais e alcoólicas (incluindo vodka orgânica!), grãos, farinhas e cereais a granel, cafés, pães de fermentação natural, entre outros artigos. De brinde, foi instalado um café que serve expresso orgânico, pães e bolos – todos produzidos com ingredientes agroecológicos.

O preço? “É bem baixo, praticamente o de custo, porque o objetivo não é ter lucro. Os custos da loja, como salários, material de higiene e limpeza, contas de energia e água, são pagos com a contribuição que cada um dá sobre as compras”, explica Karina. Ela informa que o adicional sugerido é de 35% sobre o valor de cada artigo. “Embora este valor adicional não seja obrigatório, a maior parte do pessoal contribuiu até agora”, diz Karina. “Tivemos pouquíssimas pessoas que não aceitaram. Quanto às que ficaram em dúvida, explicamos a proposta, de estímulo à produção e venda de alimentos orgânicos a preço justo, e elas acabaram contribuindo”, comentou.

A ideia, porém, é que, com o dia a dia se chegue a uma porcentagem mais bem definida. “Por enquanto, os 35% são uma estimativa. Este número pode mudar”, explica ela, acrescentando que quem tem o hábito de consumir alimentos orgânicos “fica impressionado” com os valores do Feira Livre. “No nosso café, por exemplo, um pedaço de bolo de cenoura orgânico custa R$ 3; o café expresso orgânico é R$ 1,80.”

Todos os produtos vendidos ali são orgânicos, preferencialmente da agricultura familiar, e o objetivo, conforme Karina, é estimular também agricultores convencionais a aderirem a práticas agroecológicas de cultivo. “A intenção é que, aos poucos, a gente vá ampliando o portfólio de fornecedores até chegar àqueles em processo de transição, como um estímulo. Queremos, inclusive, ajudá-los nisso”, comenta. [Tânia Rabello]

Onde é e quando abre
O galpão de orgânicos do Instituto Feira Livre fica na Rua Major Sertório, 229, e funciona neste mês de dezembro de terça a sexta-feira, das 8h às 19h. Aos sábados e domingos, das 9h às 15h. No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, estará aberto.

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‘Time’ elege pessoas que denunciaram assédio como personalidade do ano

As pessoas que “quebraram o silêncio” e denunciaram casos de assédio e abuso sexual foram escolhidas como a personalidade do ano pela revista americana “Time”, derrotando alguns dos principais líderes do planeta.

Sem título.jpgO prêmio não foi dado para uma pessoa ou organização específica e sim para o movimento contra assédio simbolizado pela hashtag #MeToo (eu também, em português), que inicialmente foi usado por milhares de mulheres nas redes sociais para denunciar casos de abusos pelos quais tinham passado.

Com o sucesso da campanha, alguns homens também usaram a hashtag para revelar abusos que sofreram. O prêmio da “Time” foi dado para todos que fizeram as denúncias, independente do gênero.

A campanha foi lançada pela atriz Alyssa Milano no Twitter logo após a revelação de uma série de casos contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, que deu início a uma onda de denúncias contra artistas, celebridades e políticos.

Mas a campanha é apenas “parte da foto, não ela toda” escreveu a própria “Time” ao justificar o prêmio.

A vitória das pessoas que quebraram o silêncio (“silence breakers” no original em inglês) foi anunciada durante o programa Today, do canal americano NBC. O âncora da atração, Matt Lauer, foi demitido no fim de novembro depois de uma série de denúncias contra ele por assédio.

“Essa é a mudança social mais rápida que nós vimos em décadas, e começou com atos de coragem individuais de centenas de mulheres —e alguns homens também— que contaram suas próprias histórias”, disse o editor-chefe da revista, Edward Felsenthal, durante entrevista ao programa logo após anunciar o vencedor.

A campanha contra o assédio derrotou o vencedor do ano passado, o presidente americano Donald Trump, que ficou em segundo lugar, e o líder chinês Xi Jinping, em terceiro.

Completam a lista dos finalistas o procurador Robert Mueller (em quarto), que investiga a ligação entre a campanha de Trump e a Rússia na eleição presidencial, o ditador norte-coreano Kim Jong-un (quinto), o jogador de futebol americano Colin Kaepernick (sexto), que deu início a uma onde de protestos contra o racismo nos esportes americanos, e a cineasta Patty Jenkins, que dirigiu o filme da Mulher Maravilha (sétima).

Nike lança seu primeiro hijab de performance na Olimpíada de Inverno

Atletas que irão usar a peça na competição estrelam a campanha do produto

1512158144086A boxeadora alemã Zeina Nassar será uma das atletas que irão usar o ‘Pro Hijab’ na competição Foto: Divulgação/Nike


Na próxima edição da Olímpiada de Inverno, que começa no dia  9 de fevereiro, na Coréia do Sul, a muçulmana Zahra Lari irá estreiar o hijab de alta tecnolgia criado pela Nike para que os atletas possam cumprir com a prática islâmica sem comprometer o desempenho.

“Já usei hijabs de perfomance antes, mas nunca funcionaram para mim. O hijab ideal deve ser leve, respirável e estável. Me movo muito rapidamente no gelo, e não posso usar minhas mãos para arrumar nada”, explicou Zahra Lari, a primeira patinadora de gelo a competir usando a peça na história do evento, e uma das estrelas da campanha. “Faz parte de quem eu sou, estou sempre usando-o, e, quando não estou, sinto falta dele. Na comunidade de patinadoras, sou diferente por estar sempre coberta e vir de um país desértico, o que faz eu me sentir única, especial e empoderada.”

Para a halterofilista Amna Al Haddad, patrocinada pela Nike dos Emirados Árabes, o produto pode resultar em mais atletas muçulmanos. “Vai incentivar uma nova geração a praticar esportes sem que sinta que há uma limitação por causa do dress code”, disse ela.

A ideia do ‘Pro Hijab’ surgiu quando um grupo de atletas muçulmanos se queixou para a Nike sobre as dificuldades de usar um hijab em competições durante uma visita à sede da empresa, em Beaverton, Oregon, nos Estados Unidos. A partir daí, a marca começou uma pesquisa, consultando mulheres muçulmanas atletas de todo o mundo, incluindo corredoras do Oriente Médio e ciclistas.

O hijab está disponível em dois tamanhos (PP/P e M/G) e nas cores preto, verde escuro e azul marinho, mas ainda não existe previsão do ínicio das vendas do produto. [Anna Rombino]

Perfil oficial da Barbie no Instagram faz post de apoio ao casamento gay

Foto publicada mostra bonecas usando camisetas com a frase ‘love wins’ (amor ganha), termo que gerou repercussão nas redes sociais quando a união homoafetiva foi legalizada nos EUA

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadasInternautas estão comemorando uma foto publicada no perfil oficial da Barbie no Instagram, na última terça-feira, 21. A imagem mostra duas bonecas juntas: uma delas é a versão loira mais tradicional e outra é uma homenagem à blogueira de moda Aimee Song. No entanto, a camiseta que ambas usam é o motivo da repercussão do post. As bonecas vestem uma peça com a frase ‘love wins’ (amor ganha), texto que foi amplamente difundido como uma hashtag em 26 de junho de 2015 quando o casamento gay foi legalizado em todo o território norte-americano.

Seguidores comemoram e fazem brincadeiras dizendo que, finalmente, a Barbie ‘saiu do armário’, ou seja, assumiu sua homossexualidade. Outros internautas fazem comentários ironizando o papel e a importância do Ken (boneco que em muitas situações é comercializado como namorado da Barbie). De maneira geral, o clima é de apoio à boneca e às relações homoafetivas.

Carro vira moradia para trabalhadores do Vale do Silício

Na mesma afluente cidade suburbana em que o Google construiu sua sede, Tes Saldana vive em um pequeno trailer, que estaciona na rua.

Resultado de imagem para personal luxury carProfessora Ellen Tara James-Penney corrige trabalhos dos alunos dentro do carro onde dorme


DA ASSOCIATED PRESS

Ela admite que “não é uma situação de moradia muito agradável”, mas tampouco se pode dizer que é incomum.

Até que as autoridades ordenassem que eles fossem movidos, outros trailers que serviam de moradia a pessoas que não conseguem pagar aluguel ficavam estacionados na mesma rua em que Saldana parava seu veículo.

Os defensores dos moradores de rua e as autoridades municipais dizem que é absurdo que, à sombra do boom na economia tecnológica –com jovens milionários que não veem nada de estranho em pagar US$ 15 por um avocado grelhado na madeira ou US$ 1.000 por um iPhone X–, milhares de famílias não consigam arcar com uma casa.

Muitos dos moradores de rua têm empregos regulares, em muitos casos servindo às pessoas cujos patrimônios astronômicos são o motivo para que o preço da habitação tenha se tornado inacessível para tanta gente.

Saldana e seus três filhos adultos, que vivem com ela, procuraram por acomodações menos rústicas, mas o valor dos aluguéis é de US$ 3.000 ou mais por mês, e a maioria das casas disponíveis fica bem longe. Ela diz que faz mais sentido continuar morando no trailer, perto de onde trabalham, e tentar economizar para um futuro melhor, mesmo que as recentes medidas repressivas da cidade a tenham feito perder sua vaga de estacionamento.

Tudo isso é parte de uma crise crescente na Costa Oeste dos EUA, onde muitas cidades viram uma disparada no número de pessoas que vivem nas ruas, nos dois últimos anos. Contagens realizadas em 2017 demonstram que existem 168 mil moradores de rua nos Estados da Califórnia, do Oregon e de Washington -20 mil a mais do que na contagem precedente, realizada dois anos atrás.

O boom econômico, alimentado pelo setor de tecnologia, e décadas de construção insuficiente causaram uma escassez histórica de habitações de preço acessível.

Isso inverteu a visão tradicional dos moradores de rua como desempregados. Entre eles há vendedores, encanadores, faxineiros –até mesmo professores–, que trabalham, dormem onde podem e são sócios de academias de ginástica para tomarem banho.

Não existe estimativa firme sobre o número de pessoas que vivem em veículos no Vale do Silício, mas o problema é onipresente e aparente a todos que veem trailers estacionados nas ruas da cidade.

Ellen Tara James-Penney, 54, professora-assistente na Universidade Estadual de San Jose, estaciona seu velho Volvo em uma igreja que serve de refúgio aos moradores de rua e come em seu refeitório.

Ela corrige os trabalhos escolares de seus alunos no carro. De noite, reclina o assento do motorista e se prepara para dormir, com um de seus cachorros, Hank, ao seu lado. O marido dela, Jim, alto demais para dormir no carro, se deita do lado de fora em uma barraca, com o outro cachorro do casal, Buddy.

Em resposta à crescente desigualdade de renda, sindicatos e organizações de defesa dos direitos civis criaram a Sillicon Valley Rising, há três anos. O grupo exige melhores salários para as pessoas de baixa renda que fazem com que a região funcione. Tradução de Paulo Migliaci

‘No Brasil, a cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada’, diz Taís Araújo

Atriz fez discurso enfático a respeito do racismo no Brasil

Resultado de imagemA atriz Taís Araújo falou sobre problemas sociais tendo como base sua experiência como mãe de duas crianças em palestra feita no evento TEDxSãoPaulo, realizado no dia 6 de novembro, que teve como tema “Mulheres que Inspiram”, e teve parte de seu conteúdo disponibilizado na internet nesta semana.

No discurso, Taís ressalta a diferença entre ser mãe de uma menina e um menino, levando em conta as dificuldades que serão enfrentadas por cada um no futuro, e também as enfrentadas pelas pessoas negras na sociedade.

“Quando engravidei do meu filho, eu fiquei muito, mas muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de passar por situações vivenciadas por nós, mulheres. Teoricamente, ele está livre, certo? Errado. Errado porque meu filho é um menino negro e liberdade é um direito que ele não vai poder usufruir se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol. Ele corre o risco de ser apontado como um infrator – mesmo com seis anos de idade”, disse.

“Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir para sua escola pegar um ônibus com sua mochila, seu boné, seu capuz, seu andar adolescente, sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia ao ser confundido com um bandido”. “No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e que blindem seus carros.”

Em seguida, a atriz comparou a questão envolvendo também a temática de gênero: “A vida dele só não será mais difícil do que a minha filha. […] Quando eu penso o risco que ela corre simplesmente por ter nascido mulher e negra eu fico completamente apavorada, e meu pavor tem razão. Observando o mapa da violência no Brasil, os números são muito alarmantes.” “Temos algumas vitórias, muito poucas, mas queria ressaltar uma: o número de feminicídios contra mulheres brancas caiu 9,8%. É muito pouco para o que a gente deseja para nossas irmãs brancas, mas caiu. Já o número de feminicídios contra mulheres negras aumentou 54,8%. É ou não pra ficar apavorada?”

No fim, Taís ainda fez um comentário ‘inspirado’ no clássico discurso de Martin Luther King: “Eu tenho um sonho de ver ricos trabalhando para acabar com a pobreza, homens se colocando no lugar de mulheres, ver mulheres brancas vendo que existe um abismo entre mulheres brancas e negras, de ver crianças heterossexuais aceitando crianças homossexuais e trans, de ver mulheres heterossexuais aceitando mulheres lésbicas e que todos nós fiquemos muito atentos para garantir os direitos dos índios”.

Confira o vídeo completo abaixo:

Mattel lança a primeira boneca Barbie que usa hijab inspirada esgrimista norte-americana Ibtihaj Muhammad

Brinquedo foi inspirado na atleta olímpica norte-americana Ibtihaj Muhammad

Com a boneca, a Mattel quer inspirar meninas a serem o que elas quiseremCom a boneca, a Mattel quer inspirar meninas a serem o que elas quiserem Foto: Divulgação/Mattel


A Mattel lançou nesta segunda, 13, a primeira Barbie que usa hijab, como parte da coleção ‘Sheroes’, que transforma mulheres reais e inspiradoras em bonecas. A ideia da linha é mostrar às meninas que elas podem ser o que quiserem – e não apenas a Barbie padrão.

A boneca foi inspirada na esgrimista Ibtihaj Muhammad, que fez história na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, ao ser a primeira norte-america a participar do evento (e ganhar uma medalha), usando o hijab.

“A Barbie está celebrando Ibtihaj não apenas por suas conquistas, mas por apoiar o que ela representa”, diz o comunicado da marca. “Ela é uma inspiração para incontáveis garotas, que nunca se viram representadas e, ao honrar sua história, esperamos que esta boneca as lembra que elas podem ser e fazer o que quiserem.”

Antes da atleta, já foram homenageadas no projeto a modelo plus-size Ashley Graham, a atriz Emmy Rossum e a cantora Kristin Chenoweth.