Mostra ‘Mulheres Radicais’, na Pinacoteca, resgata produção latina feminina

Com um time de curadoras, exposição mapeia artistas mulheres da América Latina entre as décadas de 60 e 80

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As curadoras Andrea Giunta, Cecilia Fajardo-Hill e Valéria Piccoli, na montagem da nova exposição da Pinacoteca, ‘Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960 – 1985’, que fica em cartaz até novembro.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Mesmo no Brasil, um dos poucos países que podem se orgulhar por ter mulheres entre os maiores cânones de sua história da arte, a produção feminina não é tão reconhecida quanto deveria. No restante da América Latina, a situação de esquecimento é ainda pior, mesmo no que diz respeito a uma fase de tanta efervescência no trabalho de artistas mulheres, como foi o período após a Segunda Guerra Mundial.

Para tentar resgatar essas histórias, uma dupla de curadoras, a venezuelana Cecilia Fajardo-Hill e a argentina Andrea Giunta, levou cerca oito anos para mapear e catalogar a produção dessas mulheres. O resultado é uma exposição, que chega ao Brasil neste sábado, 18, na Pinacoteca do Estado de São PauloMulheres Radicais – Arte Latino-Americana, 1960-1985 fez sua estreia no Hammer Museum, de Los Angeles, e passou também pelo Brooklyn Museum.

“Começamos com o plano de falar sobre o pós-guerra, mas tínhamos mais de 400 artistas, então decidimos focar num tema principal”, explica Giunta. O escolhido foi o corpo dessas mulheres, que se tornaram afirmações políticas, num momento em que elas lutavam por seus direitos e diversos países latinos enfrentavam a repressão. “Decidimos focar no corpo, mas não cronologicamente, queríamos encontrar preocupações em comum”, diz também Hill.

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Obras da artista argentina Liliana Maresca na exposição ‘Mulheres Radicais’, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Para Andrea, o mais importante da exposição é mostrar a mudança de olhar sobre esses corpos femininos. “O olhar, ao longo da história da arte, sempre foi de fora, mas agora está dentro, explora o corpo.” Para ilustrar, mais de 120 artistas foram selecionadas, algumas, principalmente as brasileiras, como Lygia Clark Lygia Pape, são bem conhecidas, mas o número de descobertas é gigantesco. As curadoras contactaram pesquisadores em diversos países, conversaram com artistas da época, e descobriram nomes que haviam sido esquecidos. “Todas elas são importantes. Não acreditamos em hierarquia. Se ela dedicou uma parte da sua vida à arte, merece estar nos livros”, acredita Hill.

O Brasil será o único país latino a receber a exposição, por conta do alto custo e também por ter algumas obras frágeis, que não aguentariam continuar a “turnê”. Além da inclusão de mais artistas brasileiras, a mostra na Pinacoteca contou também com o auxílio da curadora-chefe da instituição, Valéria Piccoli. “Pensamos a programação deste ano para trazer as mulheres à tona”, afirma. Com dois trabalhos na exposição, a artista paulista Lenora de Barros se diz honrada. “Fico feliz de estar ao lado dessas artistas. A mostra tem uma importância grande.” [Pedro Rocha – Estado]

MULHERES RADICAIS

Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2. Tel. 3324-1000. 4ª a 2ª, 10h às 18h. R$ 6, gratuito aos sábados. Até 19/11.

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IMS Paulista celebra o centenário de Irving Penn com exposição

Mostra dedicada ao fotógrafo reúne 230 imagens entre produções de moda, retratos e naturezas-mortas

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A modelo Jean Patchett, uma das tops dos anos 40 e 50, fotografada por Penn para uma capa de ‘Vogue’  Foto: Irving Penn

Passeando entre o glamour da alta-costura e a ausência dele na vida real, o fotógrafo Irving Penn (1917 – 2009) cravou seu nome na moda e na história da fotografia. Um apanhado de 230 dessas imagens estarão expostas a partir da próxima terça, 21, na mostra Irving Penn: Centenário, em cartaz no IMS Paulista.

Ali serão exibidas as séries de retratos de gente, como Stravinsky, Duchamp e Capote, naturezas-mortas, um trabalho realizados com os habitantes  de Cuzco, capital peruana, no fim dos anos 40, além de um apanhado de nus femininos que colocavam em cheque as convenções de beleza vigentes.

As imagens produzidas para a Vogue norte-americana, como um ensaio de 1950 só com roupas de alta costura, são outro ponto alto da exposição, que já passou pelo Met nova-iorquino, pelo Grand Palais em Paris e  pelo C/O, em Berlim. Além das fotos, a mostra conta com 20 periódicos e um estúdio/ instalação, com a cortina originalmente usada por Penn como pano de fundo para muitas das suas imagens.

IRVING PENN: CENTENÁRIO
ONDE: IMS Paulista – av. Paulista, 2.424, Bela Vista, tel.: 11-2842-9120, ims.com.br
QUANDO: De 21 de agosto a 18 de novembro. De terça a domingo, das 10h às 20h (nas quintas, 22h).
QUANTO: Grátis.

Febre nos EUA, patinete elétrico já é testado no Brasil

Três startups ensaiam primeiros passos no País ainda este ano; lá fora, modelo atrai milhões em aportes, mas ainda carece de regulação
Por Mariana Lima, Bruno Capelas e Juliana Diógenes – O Estado de S. Paulo

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Vapt-vupt. A Ride, de Marcelo Loureiro (centro) aposta que o principal mercado dos patinetes por aqui será em viagens curtas, de até 2 km de distância

Eles são discretos, rápidos e silenciosos – e, em breve, vão começar a fazer parte da paisagem de São Paulo. São os patinetes elétricos, febre do momento nos EUA, impulsionada por startups que têm captado milhões em investimentos. Enquanto isso, no Brasil, surgem os primeiros empreendedores a apostar na ideia, testando modelos de negócios enquanto aguardam a regulamentação necessária para tirar os planos do papel.

Não seria exagero dizer que, para alguns deles, a ideia veio na mala de viagem. Marcelo Loureiro, um dos três sócios fundadores da Ride, morou em Los Angeles nos últimos dez anos e viu de perto o crescimento das startups de patinetes elétricos, enquanto tentava fazer crescer a sua própria empresa, a Spinlister – uma espécie de “Airbnb das bicicletas”. Ao ver que o negócio não iria para frente, decidiu vendê-lo e começar de novo. “O problema da mobilidade brasileira me fez decidir por tentar aqui no Brasil e não lá”, afirma.

O mesmo vale para Maurício Duarte, fundador da Scoo, que descobriu os patinetes entre uma aula e outra, quando estudava na Califórnia. Ele foi atraído para o meio de transporte pela simplicidade: bastava achar um veículo na rua, desbloqueá-lo com um código enviado para o smartphone e começar a andar.

“Usava para ir na padaria ou no bar, até que acabei comprando um”, conta. Logo, Duarte decidiu transformar a descoberta em negócio: em 2017, estudou a viabilidade técnica do setor no País, fechou parceria com fabricantes chinesas e, no início do ano, criou sua startup.

Há ainda um terceiro nome de olho nesse mercado: a Yellow, startup lançada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, dois dos cofundadores da 99. Primeira a ter autorização para operar bicicletas sem estação em São Paulo, a empresa almeja ter 25 mil patinetes elétricos na cidade até 2019.

Referência. O interesse tem lá sua razão: as somas vultosas que as empresas do setor já captaram nos EUA. Criada no ano passado, a Bird se tornou a startup que mais rápido conseguiu chegar à avaliação de US$ 1 bilhão em valor de mercado – suficiente para ser chamada de “unicórnio”, no jargão do setor.

A Lime, sua principal rival, não fica muito atrás: em junho, recebeu US$ 335 milhões do Uber, que começa a expandir horizontes para além dos carros. É outra que pode chegar por aqui em breve: em nota ao Estado, o Uber revela não ter planos específicos, mas não descarta trazer patinetes ao País por meio da “pupila”.

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Detalhe do patinete elétrico da Scoo, startup que também testa serviços em SP; inspiração nas americanas Bird e Lime

A Bird e a Lime, todavia, enfrentam críticas, em um imbróglio que remete aos primórdios de apps de transporte como o Uber. Sem regulamentação, os patinetes foram considerados “fora da lei” por cidades como São Francisco. Em junho, a prefeitura recolheu todos os veículos, que atulhavam as calçadas da cidade. Depois, começou um programa piloto, emitindo poucas licenças para as interessadas.

Protótipo. Se o entusiasmo americano inspira os empreendedores brasileiros, os problemas com o poder público também fazem as startups locais terem cautela. Hoje, as regras de trânsito permitem que patinetes elétricos rodem em ciclovias, com velocidades de até 20 km/h, ou nas calçadas, em até 6 km/h. A exploração comercial dos veículos e a permissão para que eles sejam “largados” em qualquer lugar, porém, dependem do aval das prefeituras.

Em São Paulo, onde as empresas ouvidas pelo Estado pretendem estrear, a Prefeitura diz não ter previsão para regulamentar a atividade. Por isso,as três startups – Ride, Scoo e Yellow – hoje se limitam a fazer testes em espaços privados, sem cobrar taxas. A meta das três empresas é cobrir um tipo de deslocamento específico: viagens curtas, de até 2 km. “É o percurso curto para o carro e longo para quem anda a pé”, diz Loureiro, da Ride. O preço, dizem as empresas, precisa ser competitivo em relação ao Uber e ao táxi. Uma viagem de até 2 km, por exemplo, deve custar cerca de R$ 6, segundo a Ride, com pagamento via cartão de crédito.

Há dúvidas se os valores serão suficientes para viabilizar o negócio – além do custo dos patinetes e sua manutenção, as startups devem ter equipes para recolher os aparelhos e carregá-los todas as noites, antes de devolvê-los às ruas. Também é preciso considerar a possibilidade dos equipamentos serem furtados ou danificados.

Para Ciro Biderman, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o novo modelo pode ter problemas por conta de infraestrutura. “Os patinetes ocupam uma porção mínima do potencial mercado de viagens compartilhadas, especialmente porque há poucas ciclovias no País”, diz. Eduardo Musa, presidente da Yellow, reconhece o fato. “É um mercado ótimo, mas no Brasil ele será naturalmente menor que as bicicletas”, diz.

Já Daniel Guth, coordenador de projetos da ONG Aliança Bike, vê o potencial no uso dos veículos em áreas centrais. É o caso da região da Faria Lima, hoje já tomada pelas bikes e onde ocorrem também os testes das startups até aqui, com pouco mais de uma centena de patinetes, usados pelas empresas para captar dados e medir a demanda dos paulistanos. Por enquanto: as três seguem à espera da hora certa para convencer o poder público de que merecem rodar pela cidade, sem ninguém achar que patinete é brincadeira de criança.

Nova York obriga Airbnb a abrir dados de inquilinos

Plataforma acusa lobby hoteleiro da cidade de estar na origem da lei, válida para todos os sites de reserva

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Edifícios no centro de Manhattan, em Nova York – Brendan McDermid/Reuters

NOVA YORK – O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, firmou na última segunda-feira (6) lei que obriga o Airbnb e outras plataformas de aluguel de residências por temporada a fornecer os dados dos locatários. A medida entrará em vigor em 180 dias.

A capital financeira dos Estados Unidos é a última de uma longa lista de cidades a colocar esses sites na mira, diante da reação global contra startups de economia colaborativa que concorrem com empresas tradicionais.

A resolução se aplica a todas as plataformas de hospedagem por temporada e exige que seus operadores entreguem uma lista das transações realizadas na cidade.

Os defensores da nova legislação afirmam que ela acabará com os aluguéis ilegais em um curto prazo.

Já o Airbnb acusa o poderoso lobby hoteleiro da cidade de estar na origem da lei e argumenta que a maioria de seus usuários são cidadãos nova-iorquinos que tentam sobreviver alugando quartos em suas casas.

A medida aprovada prevê uma multa mensal de US$ 1.500 (R$ 5.565) contra as plataformas que omitirem dados e valores das transações. Nova York é o maior mercado de aluguel do Airbnb nos Estados Unidos.

Pornhub: maior site pornô terá premiação nos moldes do Oscar e vídeos caseiros poderão concorrer

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Um cartaz promocional do “Pornhub Awards” com a estrela pornô Asa Akira || Créditos: Getty Images

O maior site de pornografia se prepara para lançar logo, logo sua própria versão do Oscar. Nascido no Canadá em 2007 e sucesso absoluto de tráfego desde então, com mais de 90 milhões de visitantes únicos diários, o Pornhub – aquele que até Rihanna já confessou que adora visitar de vez em quando– vai apresentar no dia 6 de setembro, diretamente de Los Angeles, a primeira edição do desde já aguardado “Pornhub Awards”, que terá a estrela pornô Asa Akira como mestre de cerimônias.

Até aí, nada demais, já que existem atualmente várias premiações na indústria do entretenimento adulto, que só nos Estados Unidos movimenta US$ 97 bilhões (R$ 364,7 bilhões) por ano. Mas o grande diferencial daquela que o Pornhub está organizando está no fato de que, ao contrário de todas as outras, qualquer vídeo postado em sua plataforma online poderá entrar na disputa para ser indicado nas categorias que ainda serão anunciadas.

Ou seja: vídeos caseiros protagonizados por anônimos irão competir de igual pra igual com produções feitas por profissionais da área (desde que se enquadrem nos padrões de excelência exigidos), o que está causando o maior furor, claro. Vira e mexe o Pornhub rende notícia, e no ano passado deu o que falar quando viu sua audiência se evaporar durante a estreia nos EUA da sétima temporada de “Game of Thrones”. E isso justo num fim de semana, que é o período de pico do site. [Anderson Antunes]

IED Parla – Places and Power com Pietro Ruffo

180807-Places-and-Power-HEADER-site-conviteIED Parla traz no próximo dia 7 de agosto, às 19h30, com entrada gratuita, Pietro Ruffo, artista italiano conhecido pelo seu trabalho com crianças sobreviventes da guerra da Chechenia e pela cenografia do desfile de Dior do ano passado. Ele fará a palestra “Places and Power”, sobre migrações e conflitos sociais através das linguagens da arte, da arquitetura e do design. 

A prática de Ruffo reflete suas intensas preocupações sociais e morais, bem como sua postura em questões éticas específicas. Questões relativas à natureza da liberdade estão no cerne da prática do artista italiano, pois suas obras exploram uma ampla gama de questões sociais, morais e políticas.

O fenômeno da migração continua sendo um desafio para nossas sociedades contemporâneas. Seja por razões de clima, tensões políticas ou busca de melhores condições econômicas ou religiosas, isso reflete “uma humanidade cada vez mais interconectada”, que supera as fronteiras geográficas e culturais.

Pietro está no Rio para inaugurar sua exposição “Migrações – Constelações” organizada pelo Istituto Italiano di Cultura no Centro Cultural dos Correios.

O evento é aberto ao público e gratuito, a palestra será ministrada em inglês e não haverá tradução.

IED Parla – Places and Power
7 de agosto de 2018, às 19h30
IED Rio
Avenida João Luis Alves, 13, Urca, Rio de Janeiro

Entrada gratuita [sujeito a lotação]
Inscrições: https://ied.edu.br/rio/evento/ied-parla-places-and-power-com-pietro-ruffo/

Em premiação, atriz Jenna Ortega manda recado para Melania Trump sobre polêmico casaco

No tapete vermelho do Radio Disney Music Awards, Jenna Ortega usou uma jaqueta com a frase ‘Eu me importo e você também deveria’

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Jenna Ortega no tapete vermelho do Radio Disney Music Awards em Hollywood, na Califórnia Foto: Rich Fury/Getty Images/AFP

Uma das principais notícias dessa semana foi sobre a separação de crianças e seus pais que tentavam imigrar ilegalmente para os Estados Unidos. E a crise imigratória continua rendendo protestos até mesmo em Hollywood. Jenna Ortega usou no tapete vermelho do Radio Disney Music Awards, nesta sexta, 22, uma jaqueta com a frase: “Eu me importo e você também deveria”.

O protesto não ficou restrito a roupa escolhida para o evento no hotel Loews Hollywood. “Querida, primeira-dama”, escreveu a atriz na legenda de uma foto do look publicada no Instagram. O post ainda marcava o perfil oficial da primeira-dama dos Estados Unidos.

Melania Trump usou um casaco com o texto “Eu realmente não me importo, e você? ao embarcar em Maryland para uma visita a um abrigo de imigrantes no Texas, nesta quinta, 21. A parka verde da Zara custa 39 dólares.

A atriz de 15 anos de idade atuou em séries como “Jane the Virgin” e “Stuck in the Middle”, da Disney.