Tomar café com gatos é a nova moda destas cafeterias

Hoje, no Brasil, pelo menos quatro locais adotam o conceito de forma adaptada
Por Estadão Conteúdo

Café com Gatos: cafeteria é a pioneira na ideia de tomar café ao lado de gatinhos (Café com Gato/Divulgação)

São Paulo – Como em um reality show, eles dormem, comem, brincam e até afiam as unhas sob o olhar de admiradores. A “casa de vidro” não é televisionada, mas um cômodo dentro de uma cafeteria, em que clientes podem observar 12 felinos. Por lá, eventualmente, ouve-se ao fundo alguém murmurar um “ah” enquanto um felino faz alguma gracinha.

Espaços e serviços de interação com gatos têm sido abertos no País há cinco anos, inspirados nos “cat cafés” surgidos na Ásia, em que os bichos chegam a circular pelas mesas. Hoje, pelo menos quatro locais adotam o conceito de forma adaptada: por questões sanitárias, a maioria mantém um gatil de vidro, do qual é possível avistar os bichos e, eventualmente, visitá-los.

O pioneiro é o Café com Gatos, de Sorocaba e com uma filial em Campinas, no interior paulista. “Só de estar no mesmo ambiente, já é diferente”, conta a proprietária, Fabiana Ribeiro. “O interesse por gato tem crescido. Antes as pessoas tinham muito preconceito. Mas mudou, talvez porque combina mais com o ritmo louco de vida.”

A biomédica Ana Carla Chervencov vai ao local todos os dias. “É a minha segunda casa. Venho de tarde, de noite. Tomo um café e fico olhando”, conta. “Amo bichos, fico horas aqui.”

Outro café é o Gatto Macchiato, de Teresópolis, na serra fluminense. O local também isola os felinos por um “aquário”, mas permite visitas. Para entrar, é preciso obedecer regras, como não acordar os bichanos. Com exceção de três “residentes”, os demais estão disponíveis para adoção. “É um local totalmente dedicado a eles, uma Disneylândia de gatinhos”, diz Mario Luiz Lima, de 54 anos, um dos sócios.

Já em Porto Alegre, a experiência é diferente: os clientes convivem com os felinos na ioga, seguida de um chá. “Eles interagem bem, mas não chegam a invadir a aula, ficam ali, dá um clima diferente”, explica Ana Luiza Bittencourt, de 37 anos. “Quem curte gato quer fazer tudo com gato”, justifica.

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Aos 40, casa noturna de NY esbanja juventude

O Sugar Hill abriu suas portas em 1979, e ainda hoje atrai público jovem interessado em sua história
Arielle Gordon, The New York Times

Com o Sugar Hill, o ambiente do ‘Brooklyn original’ sobrevive a um crescente aburguesamento do bairro. Foto: Gioncarlo Valentine para The New York Times

No início de março, o coletivo de techno e house music Sublimate postou nas redes sociais um lista de seus mais recentes eventos noturnos, com DJs de Detroit e Londres, em um local histórico do Brooklyn cujo nome não foi mencionado. Entretanto, para alguns leais habitués da noite de Nova York, o lugar era óbvio: Sugar Hill Restaurant & Supper Club.

Somente no ano passado, o Sugar Hill hospedou duas gravações da Boiler Room – uma plataforma de streaming que transmite sets de DJs e festas underground. E embora o proprietário do clube, Eddie Freeman, que abriu o local em 1979, desejasse que os produtores do evento não mantivessem as luzes tão baixas, sempre compartilhou seu amor pela vida noturna.

Freeman, nascido nos arredores de Kinston, na Carolina do Norte, disse que foi para Nova York em 1957, com US$ 40 no bolso e uma caixa de galinha frita, deixando para trás uma comunidade rural segregada. Os negócios dos brancos ocupavam um lado da Rua Principal em Kinston. Do outro lado, os restaurantes e clubes noturnos dos negros prosperavam em um setor chamado Sugar Hill.

Ele encontrou trabalho em Nova York, de início em fábricas, e depois nos Correios. Com o dinheiro de sua aposentadoria, ele adquiriu um prédio e abriu uma discoteca. Saudoso dos clubes da sua terra, ele a batizou Sugar Hill.

Agora com 78 anos, Freeman compartilha das responsabilidades do dia a dia do clube com seus dois filhos, Aaron e Akesha, que herdaram seu entusiasmo pelo espaço. O Sugar Hill “era o seu sonho”, contou Aaron falando do pai.

Inicialmente, o DJ “só tocava disco”, segundo Freeman. Mas ao longo dos anos, Sugar Hill diversificou seu programa e passou a tocar astros do R&B como Harold Melvin e o pioneiro do Blue Notes e da house music, Colonel Abrams. Em meados dos anos 1980, o clube se tornou suficientemente lucrativo a ponto de Freeman ter de dedicar-se a ele em tempo integral.

À medida que foi crescendo, Sugar Hill ganhou fama de local de encontro da comunidade e funcionou como ponto de reunião de personalidades políticas nacionais, como Jesse Jackson e Hillary Clinton.

Para Freeman, o envolvimento cívico foi importante desde o começo. “Ele queria participar das reuniões”, disse Akesha. “Queria fazer parte da comunidade”. Freeman e os filhos continuam mantendo o Sugar Hill como empreendimento familiar. A certa altura, ele contou, ofereceram-lhe US$ 15 milhões pelo imóvel, mas ele recusou. 

Atualmente, depois de 40 anos, Sugar Hill continua uma instituição, embora o bairro esteja testemunhando um rápido aburguesamento. “Quando abrimos as portas, foi o sucesso”, disse Aaron. “Se você visse um branco nas proximidades, levaria um choque”. A chegada de novos habitantes provocou uma mudança inconfundível na clientela do clube. “Agora, você vê uma fila que dá a volta da quadra, com até 700 brancos do lado de fora esperando para entrar no Sugar Hill”.

Freeman vê com humor estas novas multidões – jovens de outros lugares que lotam o clube nos fins de semana para dançar. “Há noites em que o alugamos para hipsters (uma subcultura da classe média americana)”. Akesha disse que para alguns jovens clientes, a atração do Sugar Hill está em sua história. “Eles gostam da sua história. Eles o consideram ‘o Brooklyn original'”.

Na festa do Sublimate, em uma noite de sexta-feira, o pátio do Sugar Hill estava lotado de jovens usando gorros adaptados e fumando cigarros eletrônicos Juul (que elevam o teor da nicotina) – hipsters, segundo a definição de Freeman. A recepção de um funeral havia sido realizada no mesmo espaço horas antes.

Embora Freeman se mantenha distante deste negócio (“fumaça demais”, segundo ele), o espírito de Sugar Hill era palpável na pista de dança lotada. Em algumas trilhas techno, o DJ tocou um remix de “Keeep Your Body Workin”, de Kleeer, um sucesso disco que esteve nas listas dos mais vendidos em 1979, quando Sugar Hill foi inaugurado. Para Freeman, uma coisa permanece coerente em todas as mudanças da clientela. “É uma música que dá vontade de dançar”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Na China, decotes e tatuagens estão na mira dos censores

Brincos masculinos também são alvo do governo; especialistas temem ‘infantilização’ da cultura do país
Li Yuan, The New York Times

A China está censurando tatuagens, brincos, decotes e programas de televisão que não refletem os ideis do Partido Comunista. Foto: Sam Hodgson/The New York Times

A China está travando uma guerra contra a diversão. O mais recente alvo são os brincos masculinos. Nos últimos meses, censores têm borrado as orelhas de alguns astros do pop quando aparecem na televisão e na internet, para evitar que seus brincos e joias sejam um exemplo demasiadamente feminino para os meninos do país.

A proibição ilustrou a crescente interferência do Partido Comunista nos menores detalhes da vida chinesa. Jogadores de futebol vestem mangas longas para cobrir as tatuagens. Em uma convenção de jogos eletrônicos, as mulheres receberam instrução para cobrir o decote. Os rappers só podem abordar temas como paz e harmonia.

Essa sanitização enfurece a universitária Rae Fan, 22, da região de Guangxi. Alguns de seus filmes americanos e sul-coreanos favoritos desapareceram das plataformas de transmissão via streaming. Para piorar a situação, as amigas parecem indiferentes. Os pais disseram que é melhor ela deixar de assistir a conteúdo desse tipo. “O objetivo desse tipo de controle é garantir que todos compartilhem dos mesmos valores”, disse Rae. “Assim, somos mais fáceis de administrar”.

Os esforços do Partido Comunista no sentido de fomentar “valores centrais do socialismo” – patriotismo, harmonia e civilidade, entre outros – estão ganhando força. O conteúdo que celebra o hedonismo ou o individualismo é removido. Em questão de poucos anos, os jovens de hoje terão visto menos conteúdo sem filtragem do que pessoas cinco anos mais novas.

“Para cultivar uma nova geração que vai sustentar nos ombros a responsabilidade do rejuvenescimento nacional, temos de resistir à erosão trazida pela cultura indecente”, publicou em 2018 a agência de notícias oficial Xinhua em um comentário criticando os chamados jovens ídolos afeminados da China. “Mais importante, temos de nutrir uma cultura de destaque”.

Deturpando programas de TV

A China corre o risco de infantilizar sua cultura. Não há sistema de classificação etária no país, o que significa que tudo deve ser adequado para um público de 12 anos. As cenas de sexo foram cortadas de Game of Thrones, acabando com o sentido da trama. 

Nos anos 1980, o Partido Comunista não gostava da música pop, das calças largas nem das histórias de amor. O primeiro beijo no cinema da China moderna só ocorreu em 1980. Mas, nas quatro décadas seguintes, os espectadores chineses conquistaram mais liberdade de expressão.

Dois anos atrás, as emissoras começaram a borrar as tatuagens. Um seriado policial censurou os cadáveres. Então, homens de cabelo comprido tiveram o rabo-de-cavalo borrado. A técnica é usada tão amplamente que ganhou nome: “aplicação maciça de mosaicos”. A indústria do entretenimento não tem escolha. No ano passado, as autoridades fecharam mais de 6 mil páginas na internet e 2 milhões de contas online.

A nítida perda de intensidade do primeiro programa de hip-hop chinês, The Rap of China, é um caso exemplar. O conteúdo não fazia críticas à sociedade. Ainda assim, os rappers se insultaram mutuamente e discutiram com os juízes na primeira temporada, levada ao ar em 2017, mostrando ao público um pouco da rebeldia do hip-hop. Então veio a repressão. Quando a segunda temporada foi ao ar, os participantes faziam versos falando de amor, dos seus sonhos e da família.

Para Lippi Zhao, fã de hip-hop de Xi’an, a segunda temporada foi ao mesmo tempo fraca e irônica. Os dois finalistas eram uighures, etnia predominantemente muçulmana que vive em Xinjiang. As autoridades locais obrigaram até 1 milhão de muçulmanos a viverem em campos de detenção. The Rap of China nem tocou no assunto.

“É claro que eles sabem a respeito daquilo que seu povo está passando”, disse Zhao. “Mas tiveram de fazer de tudo para ignorar o elefante na sala enquanto participavam do programa”. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Oprah Winfrey doará R$ 7,7 milhões para ajudar a revitalizar Porto Rico

Dinheiro será destinado para auxiliar famílias afetadas pelo furacão Maria e preservar o patrimônio artístico e cultural do país

Oprah Winfrey informou na segunda-feira, 8, que doará 2 milhões de dólares (o equivalente a R$ 7,7 milhões) para a revitalização da cultura, beleza natural e história de Porto Rico.

Metade do dinheiro foi para o programa de resgate e recuperação da Federação Hispânica, o Unidos, a fim de ajudar na implementação de soluções para os problemas causados pelo furacão Maria no país, em 2017. O projeto tem o objetivo de atender às necessidades imediatas e de longo prazo das famílias e comunidades de Porto Rico.

A outra parte da doação será destinada ao Fundo Flamboyán para as Artes, a fim de proteger o acervo artístico, cultural e criativo da ilha.

“As necessidades de Porto Rico e de nossos compatriotas norte-americanos após os trágicos furacões ainda são muito reais, e os trabalhos que já foram feito por essas duas organizações e outras dentro e fora da ilha estão longe de terminar”, disse Oprah Winfrey em nota da Federação Hispânica.

A falsa herdeira que enganou a alta sociedade de NY e deixou um rastro de golpes no valor de milhares de dólares

Jovem vestia roupas de grife, viajava em jatos privados e distribuía gorjetas de US$ 100
Alessandra Corrêa

Anna Sorokin, que se apresentava como Anna Delvey – Reprodução/Instagram

WINSTON-SALEM (EUA) –Ela se apresentava como Anna Delvey, herdeira alemã de uma fortuna de 60 milhões de euros (cerca de R$ 261 milhões), e em pouco tempo conquistou a alta sociedade de Nova York. Morava em hotéis cinco estrelas, frequentava festas exclusivas, vestia roupas de grife, viajava em jatos privados e distribuía gorjetas de US$ 100 (R$ 388).

Mas segundo o gabinete do procurador de Manhattan, Cyrus Vance, seu nome verdadeiro é Anna Sorokin, ela tem 28 anos, nasceu na Rússia e não tem dinheiro algum.

A trajetória da falsa herdeira que virou queridinha da elite nova-iorquina e ao longo de dez meses deixou um rastro de vítimas de calotes no valor de US$ 275 mil (cerca de R$ 1,06 milhão) tem sido detalhada em reportagens na imprensa americana e em breve deve virar série da Netflix criada por Shonda Rhimes, a produtora por trás de sucessos como “Grey’s Anatomy” e “Scandal”.

“Sua suposta conduta criminal vai de fraude com cheques a centenas de milhares de dólares furtados por meio de empréstimos e inclui esquemas que resultaram em uma viagem gratuita ao Marrocos e voos em jatos privados”, disse Vance ao apresentar acusação formal contra Sorokin, em outubro de 2017.

Presa desde 2017 na ilha de Rikers, onde fica o principal complexo penitenciário de Nova York, ela agora responde a julgamento por furto qualificado e outras acusações.

SÉRIE DE GOLPES

Segundo o gabinete do procurador de Manhattan, Sorokin lesou hotéis, empresas, bancos e amigos em uma série de golpes entre novembro de 2016 e agosto de 2017. Ela circulava com desenvoltura pelo mundo da moda e das artes plásticas e dizia ter planos de criar um clube privado de artes, que se chamaria Fundação Anna Delvey.

Ao justificar a necessidade de empréstimos, alegava dificuldades burocráticas de movimentar sua fortuna da Europa para os Estados Unidos. Em novembro de 2016, usou extratos e documentos bancários falsos na tentativa de obter empréstimo de US$ 22 milhões (cerca de R$ 85 milhões) para abrir o clube de artes em Manhattan. O valor foi negado, mas ela obteve um adiantamento de US$ 100 mil (cerca de R$ 387 mil).

Sorokin usava cheques sem fundo para movimentar dinheiro entre contas de bancos diferentes e então fazer retiradas antes que o cheque fosse devolvido. Em certa ocasião alugou um jato particular no valor de US$ 35 mil (cerca de R$ 136 mil) e nunca pagou a empresa proprietária.

Uma de suas vítimas, Rachel Williams, relatou em artigo para a revista New York Magazine como foi convidada por Sorokin para uma viagem ao Marrocos com todas as despesas pagas. Quando o cartão de débito de Sorokin foi recusado, e ela pediu a Williams que usasse o seu, prometendo que reembolsaria a amiga.

Williams pagou mais de US$ 62 mil (cerca de R$ 240 mil) durante a viagem, incluindo o aluguel de uma vila de luxo com piscina privada e mordomo. Nunca foi reembolsada.

Anna Sorokin mostrava registros de uma vida de luxo em posts em redes sociais – Reprodução/Instagram

DEFESA

No julgamento em Nova York, iniciado no fim de março, o advogado de defesa, Todd Spodek, disse ao júri que sua cliente estava apenas buscando ganhar tempo até que pudesse criar um negócio bem-sucedido e pagar suas dívidas.

A acusação pretende chamar cerca de 25 testemunhas durante o julgamento, previsto para se estender até a metade do mês.

Sorokin tem chamado a atenção pelas roupas que vem vestindo no tribunal, de grifes como Yves Saint Laurent e Miu Miu. Segundo relatos da imprensa, ela conta com a ajuda de uma estilista.

Em duas ocasiões, chegou a se atrasar em meio a uma crise por não concordar com as roupas que recebeu para vestir, e foi repreendida pela juíza.

Caso seja condenada, Sorokin pode pegar até 15 anos de prisão. Ela também corre o risco de ser deportada para a Alemanha, por ter permanecido nos Estados Unidos após o fim de seu visto.
BBC NEWS BRASIL

Chicago elege primeira mulher negra e homossexual para prefeita da cidade

Ex-promotora federal, democrata Lori Lightfoot lidará com taxa recorde de homicídio
Ligia Hougland

A nova prefeita de Chicago, Lori Lightfoot – REUTERS

WASHINGTON – Pela primeira vez, uma mulher negra e assumidamente homossexual foi eleita prefeita de Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos e uma das mais violentas do país. A ex-promotora federal democrata Lori Lightfoot venceu, com 74% dos votos, a adversária do mesmo partido Toni Preckwinckle, que recebeu 26% dos votos.

Independentemente de quem vencesse a eleição para a prefeitura de Chicago, que foi realizada nesta terça-feira (2), essa pessoa faria história como primeira prefeita negra da cidade. Lightfoot, de 56 anos, é a segunda mulher a conquistar a prefeitura da “cidade dos ventos”, como Chicago é conhecida, depois de Jane Byrne, que ocupou o cargo de 1979 a 1983.

A antiga promotora federal foi indicada para importantes cargos de supervisão da polícia durante o governo do atual prefeito, Rahm Emanuel, que ocupou posições de liderança nos governos de Bill Clinton e Barak Obama, apesar de seu temperamento explosivo.

Lightfoot era a favorita do atual prefeito e insider da política de Chicago, que é dominada pelo Partido Democrata, mas não tem experiência política e traz novos ares à cidade. Além de ser a primeira prefeita negra da terceira maior cidade americana, a promotora é lésbica e casada com uma mulher —o casal tem uma filha de 10 anos.

Ao contrário de Preckwinkle, que apresentou uma plataforma mais progressista, ligada a sindicatos e com críticas duras à suposta atuação com viés racista da polícia, a nova prefeita promete ser conciliadora e representar brancos, negros, latinos, além de manter um relacionamento próximo e não confrontador com o departamento de polícia.

De modo geral, entretanto, as duas candidatas apresentaram plataformas bastante semelhantes com foco em educação e segurança, duas áreas que seriam aprimoradas principalmente por meio de investimentos nas regiões mais necessitadas da cidade.

ESCÂNDALO DO ATOR JUSSIE SMOLLETT PESOU NA ELEIÇÃO

Lightfoot também diz que vai por fim à corrupção presente na administração do município, algo que no momento é foco de uma investigação. Um dos fatores que contribuiu com a ampla vitória da promotora sobre sua rival foi que grande parte da população e o departamento de polícia da cidade ficaram revoltados com o escândalo protagonizado pelo ator negro e gay Jussie Smollett, do seriado de televisão Empire.

Smollett foi indiciado por ter encenado um crime de ódio ao pagar dois nigerianos para fingir que o atacavam e, depois disso, dizer que havia sido agredido por brancos, racistas e homofóbicos que apoiavam Donald Trump. Misteriosamente, o ator conseguiu que todas as suas 16 acusações fossem eliminadas, graças à provável ajuda da procuradora do estado, Kim Foxx.

Preckwinkle foi uma das impulsoras da carreira política da procuradora. O suposto ataque envolvendo Smollett, em janeiro, mobilizou uma grande força policial e causou ainda mais tensão nas relações entre os brancos e os negros de Chicago. O caso acabou ajudando Lightfoot e sua promessa de combater a corrupção.

O ator Jussie Smollett – REUTERS

DESAFIOS

A nova prefeita não vai ter descanso se quiser mesmo resolver os problemas da cidade de quase três milhões de habitantes. Chicago é campeã em homicídios nos Estados Unidos, com cerca de 540 assassinatos por ano, e é uma das cidades americanas com maior disparidade econômica e social entre os grupos raciais.

Brancos, negros e latinos têm praticamente a mesma representação demográfica na cidade. Cada um desses grupos representa cerca de 30% da população, mas os negros e os latinos ainda vivem como minorias em Chicago, pois não contam com as mesmas perspectivas socioeconômicas dos brancos.

APAZIGUAMENTO DA TENSÃO RACIAL EM CHICAGO É PRIORIDADE PARA 2020

Há uma certa esperança de que a prefeita promova uma nova aliança entre os negros e os latinos da cidade, como aconteceu na década de 1980. A Coalizão do Arco-íris, como era conhecida a parceria entre negros e latinos, teve um papel fundamental na eleição do primeiro prefeito negro de Chicago, Harold Washington, em 1983.

No entanto, a nova prefeita vai enfrentar desafios que não existiam há 30 anos, como problemas de infraestrutura, falta de recursos nas escolas públicas, necessidade de reforma da polícia e cortes de orçamento, além de ter de continuar a satisfazer as populações de maioria branca que ocupam as partes da cidade que muito prosperaram durante os dois mandatos de Emanuel.

Para os democratas seria vantajoso que Lightfoot desse prioridade à promoção desse tipo de aliança em Chicago, servindo assim como um modelo a ser aplicado em âmbito nacional, pois estão apostando em uma forte união entre negros e latinos para derrotar Donald Trump na disputa pela Casa Branca em 2020.

Keanu Reeves visita SP e se reúne com prefeito e governador para filmar produções na cidade

Americano quer gravar série de TV na capital

O governador de São Paulo, João Doria, participa de reunião com o ator norte-americano Keanu Reeves, realizada no Palácio dos Bandeirantes – Gilberto Marques/Governo do Estado de São Paulo

O ator Keanu Reeves, 54, desembarcou nesta terça-feira (2) em São Paulo para encontros com o prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB), e com o governador, João Doria (PSDB).

Da reunião com Covas também participaram o secretário de cultura Alê Youssef e a presidente da SPcine e cineasta Laís Bodanzky. O ator americano estuda trazer as filmagens de uma nova série, produzida por ele, a São Paulo. 

Por volta das 12h desta quarta, o ator se encontrou com João Doria, mas o motivo da reunião ainda não foi divulgado. O ator já passeou pela cidade e tirou selfies com fãs e com funcionários do Santo Grão Café, na Oscar Freire. 

São Paulo Film Commission foi a empresa que também trouxe ao Brasil um dos episódios da série Sense8, da Netflix. 

Há alguns anos, Reeves anunciou que estaria produzindo uma série de TV chamada “Rain”, em que ele mesmo seria o protagonista. Não há a confirmação de que será esta a produção gravada na capital paulista. 

Baseado nos livros de Barry Eisler, o seriado contará a história de um assassino de aluguel mestiço, John Rain, que está a procura de sua verdadeira identidade.

“Como um grande fã do trabalho de Barry, estou muito feliz de ter a oportunidade de trazer o seu personagem icônico e seu incrível mundo à vida”, disse Reeves à revista “Variety”.

O time de produção conta também com Barry Eislerm, Leitch e Stahelski. A série está sendo produzida pela Slingshot Global Media e ainda não tem data prevista de estreia.

David Ellender, CEO da produtora, disse à revista que estão muito animados de trabalharem com um ator tão talentoso e dedicado como Keanu.