Kardashians: lições sobre acúmulo de capital

Imagem: Arte/Hysteria

Linda Marxs
Da Hysteria

Quando me dei conta de que dediquei quase um terço da minha vida à maior de todas as séries sobre privilégio branco da história da humanidade precisei tirar algo de útil. Então fiz uma análise econômica do fenômeno.

O ano passado foi difícil. Depois que me dei conta de que só assisto a série de branco, cheguei a uma conclusão ainda mais dura de aceitar: eu havia dedicado quase um terço da minha vida à maior de todas as séries sobre privilégio branco da história da humanidade, Keeping Up with the Kardashians.

Eu não só havia gasto mais de dez anos keeping up com a vida da dinastia Kardashian-Jenner, como havia consumido todos os spin-offs da série, lido todas as fofocas, comprado produtos e dedicadas horas intermináveis a debates com outros fãs.

Desolada em saber que com este mesmo número de horas eu poderia ter construído casas, feito trabalho voluntário ou outro curso universitário, percebi que precisava fazer algo com este conteúdo sistematizado. Por isso realizei uma análise econômica profunda sobre acumulação de capitais partindo da vida de minas brancas e ricas de Calabazas.

A origem das grandes fortunas

Em 2016 o Peterson Institute, centro americano de pesquisas econômicas, publicou uma pesquisa sobre a origem da riqueza dos super-ricos e demonstrou que a maioria das grandes fortunas americanas atualmente é formada por empresários e fundadores de empresas. Na Europa e na América Latina é diferente: a herança é a maior fonte de riquezas dos milionários.

Os Kardashians, todavia, acumulam ambas as fontes. Sendo a herança de Robert Kardashian, o pai já falecido e advogado famoso que atuou no caso OJ Simpson. Ou seja, antes de ficar famosa, a família já possuía capital social para circular entre os ricos e famosos e produzir riquezas.

Outro ponto de acúmulo de riqueza detectado na pesquisa é o casamento. Como pudemos acompanhar na última década, as Kardashians (no feminino por se tratar de um matriarcado) se casam invariavelmente com parceiros milionários ou em vias de ser, tornando seus herdeiros ainda mais ricos do que a geração pioneira.

O papel da sorte nos negócios

Kris Jenner, a momager da família, começa a potencializar seus negócios ao se casar com Bruce Jenner (atualmente Caitlyn Jenner), na época um milionário atleta olímpico que passou, sob os cuidados de Kris, a ganhar dinheiro fazendo palestras motivacionais. Ou seja, o ambiente já era próspero até que um crime muda a trajetória desta família e projeta ao infinito o seu  poder de acumulação de capital: uma sex tape de Kim Kardashian e seu ex-namorado é lançada ao público. Daí veio a suposta transação financeira entre a Kris Jenner e a empresa Vivid Entertainment, produtora de filmes adultos, que assumiria o vídeo. Logo depois, vem a
criação de um reality show, seus destinos são selados e a família passa a fazer parte do mercado de varejo, aumentando seu alcance para milhares de pessoas.

Negócio familiar

A ideia de criar um reality show contando a história da família veio da matriarca e na época foi aceita pelos filhos como uma forma de divulgar seus outros negócios e rentabilizar com publicidade. As irmãs tinham uma marca de roupa e achavam que isso traria visibilidade para a marca. O que elas não esperavam é que suas vidas se tornariam suas grandes commodities e que o laço familiar seria uma fonte de dinheiro. Criar um negócio familiar baseado em ser uma família é uma forma genial e infinita de produzir e acumular capital, e neste negócio as Kardashians se tornaram grandes mestres da geração de capital.

Diversidade de ativos

O francês Thomas Piketty, economista e autor do Capital no Século XXI, best-seller onde faz uma crítica ao marxismo perante o cenário do capitalismo moderno, afirma que a tese de acúmulo infinito de capital de Karl Marx não haveria se concretizado neste estágio do capitalismo dada a hiper-concentração de riquezas. Provavelmente Thomas não assiste ao reality show, pois saberia que é uma antítese à sua crítica.

Além de acumularem e monopolizarem o mercado dos reality shows e da cultura pop, elas ainda multiplicaram de forma quase infinita as possibilidades de ganhos com suas imagens. Potencialmente as Kardashians podem ganhar dinheiro com absolutamente qualquer coisa e possuem uma imensa cartela de ativos. Cada membro da família é um produto em si que pode ser vendido no varejo em diferentes aspectos e produtos licenciados. Meias, emojis, calças jeans, imóveis, programas de TV, jogos de celular, ações de hamburguerias, maquiagem, palestras, o fato é que qualquer um dos liderados por Kim Kardashian, grande totem da capitalização, tem o potencial de ser um grande sucesso no varejo.

Apropriação cultural e diversidade real

No caso das Kardashians é bastante complicado estabelecer os limites da apropriação cultural. Mas o fato é que muitas das grandes fortunas vêm justamente da utilização de tecnologias, saberes e identidades de outras culturas para criar produtos e ganhar dinheiro. É inegável que as Kardashians, até mesmo por uma aproximação, se apropriaram de símbolos e imaginários da cultura negra num clássico blackfishing para consolidar sua marca e ganhar mais dinheiro.

Diversidade importa

Porém, Keeping Up with the Kardashians é um dos produtos de entretenimento em massa atuais que têm maior diversidade real. Vai além de brancas fazendo blackface e saindo com jogadores de basquete. Negros, jovens adultos, transsexuais, crianças,  gordos, mães, vários tipos humanos aparecem no show com algo em comum: são todos milionários.

Enquanto empresas falham miseravelmente em reproduzir a diversidade em seus produtos e campanhas, a família Kardashian-Jenner já está projetada para o futuro com uma nova geração de novos personagens: crianças negras milionárias demonstrando o poder do young money da terceira geração.

Keeping Up with the Kardashians não é apenas um dos melhores e mais consistentes produtos de entretenimento, mas também um grande símbolo do capitalismo, seu desenvolvimento e o poder de acumulação do capital. Só espero que no futuro seja reconhecido e laureado como o fenômeno sócio-midiático-econômico que é.

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Em nome de RENATO CEZARIO

Canadá pede que Netflix tire de ‘Bird Box’ imagens reais de acidente

Desastre com trem em Quebec, em 2013, deixou 47 mortos; empresa pediu desculpas, mas disse que não fará alterações

‘Bird Box’ usou imagens reais de um acidente que ocorreu em província do Canadá. Foto: Netflix/Divulgação

O Parlamento do Canadá aprovou uma moção nesta quarta-feira, 30, dizendo que a Netflix deveria compensar as pessoas de Lac-Megantic, na província de Quebec, por usar imagens de um desastre ferroviário de 2013 no filme Bird Box.

As imagens mostram um trem abandonado carregando óleo que rolou por um declive, saiu dos trilhos e explodiu, formando uma enorme bola de fogo. O acidente deixou 47 mortos.

Embora a moção não seja vinculantes, ela é uma repreensão severa do Parlamento do Canadá para o uso das imagens da explosão ferroviária em Bird Box e na série Viajantes.

Os membros do Parlamento votaram para exigir que a Netflix remova todas as imagens da tragédia em Lac-Megantic. A plataforma de streaming pediu desculpas, mas se recusou a removê-las. A empresa licenciou as filmagens do vendedor de imagens Pond 5.

Pierre Nantel, um legislador do Partido da Nova Democracia que apresentou a moção nesta semana, disse que não pode aceitar que a Netflix não remova a gravação.

“Sabemos que as pessoas vão assistir a este filme e, novamente, essas imagens reais serão usadas”, disse ele. “Para as pessoas em Lac-Megantic, elas viram imagens de sua própria cidaed queimando e poderiam imaginar seus próprios familiares ali”, completou.

A Netflix se recusou a comentar o caso nesta quarta-feira, indicando apenas uma carta que a empresa enviou na semana passada à ministra da cultura de Quebec em resposta às preocupações dela.

Na carta, a diretora de política pública da Netflix, Corie Wright, disse que a empresa “entende que muitos sentem frustração e tristeza ao ver imagens desse trágico evento”, mas isso não pode fazer mudanças em um “conteúdo finalizado”.

Com informações da Associated Press

Por que asiáticos não conseguem dizer ‘eu te amo’?

Para eles, é mais importante demonstrar o afeto com sacrifício e gratidão
Viet Thanh Nguyen, The New York Times

Sandra Oh, na cerimônia da premiação do Globo de Ouro no dia 6 de janeiro, expressou seu amor pelos pais, um momento muito marcante para os asiático-americanos. Foto: Reuters

“Eu te amo” é uma frase de difícil expressão para asiático-americano. O título surpreendente do livro de memórias do escritor Lac Su é I Love Yous Are for White People: A Memoir (‘Eu te amo’ é para os brancos: uma biografia, em tradução livre), explora a devastação emocional que minou uma família vietnamita em suas experiências como refugiada. Tenho em parte a mesma formação de Lac Su, e de fato tem sido um esforço ao longo de toda a minha vida aprender a dizer, sem acanhamento, “eu te amo”. Posso fazê-lo para o meu filho, e é algo que afirmo de todo o coração, mas é um esforço que vem da minha consciência, e que ainda sinto quando digo isso ao meu pai ou irmão.

Por isso, quando a atriz Sandra Oh ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz pelo seriado Killing Eve, a parte mais emocionante de seu discurso de aceitação, para muitos de nós asiático-americanos, foi talvez o agradecimento que ela fez aos pais. Dirigindo-se a eles, na plateia, ela disse, em coreano: “Amo vocês”. Sandra estava emocionada, os pais, orgulhosos, e eu não pude deixar de projetar neles um dos dramas fundamentais da vida de imigrante e refugiado asiático: o sacrifício silencioso dos pais, a difícil gratidão dos filhos, que giram em torno da complexa expressão do amor.

Tantos dos nossos pais asiáticos lutaram, sofreram e suportaram coisas que estão além da imaginação dos filhos nascidos ou criados no conforto da América do Norte. Para os pais, esse sacrifício estava em dizer “eu te amo” sem precisar dizê-lo. E tantos de nós, filhos, tampouco precisamos dizê-lo, e, no entanto, espera-se que expressemos o amor por meio da gratidão, o que significa obedecer aos pais e atender aos seus desejos.

Muitos de nossos pais nos recomendaram que escolhêssemos uma boa formação, um bom emprego e que não comentássemos as coisas que eles tiveram de fazer para sobreviver. Eles encorajaram, ou forçaram, muitos de nós a nos tornarmos médicos, advogados e engenheiros, e a nos sentirmos envergonhados se não fizéssemos isso. 

O que esses pais não fizeram foi nos dizer que poderíamos nos tornar artistas, atores ou contadores de histórias, pessoas dedicadas a profissões aparentemente triviais, inseguras e instáveis. É por isso que tem sido tão raro para mim, quando dou palestras em diferentes lugares dos Estados Unidos, encontrar pais asiáticos que abracem seus filhos que não vão se tornarão “uma minoria modelo”.

Conheci poucos que me disseram com orgulho que seus filhos vão se tornar professores de inglês, ou se tornaram escritores ou artistas. Talvez os pais de Oh sejam esse tipo de pessoas. Às vezes desejo que meus pais fossem assim. Mas eu me tornei escritor apesar e, talvez, por causa da resistência à ideia, porque meus desejos não exteriorizados conflitavam com seu sacrifício não articulado. Tudo isso ocorre contra o pano de fundo de uma existência de exilados.

Eu cresci na cidade relativamente diferente de San José, Califórnia, nos anos 1980. Meus vizinhos eram gente mais velha da classe trabalhadora branca, imigrantes mexicanos e refugiados vietnamitas. Frequentei o ensino médio cercado majoritariamente por brancos, com apenas um punhado de estudantes de ascendência asiática. Nós sabíamos que éramos diferentes, mas achávamos um pouco difícil traduzir em palavras a nossa diferença. Nós nos definíamos “a invasão asiática”.

Ríamos do termo, mas, olhando para trás, estava claro que havíamos interiorizado o racismo da sociedade americana. No meu caso, tive a sorte de nunca ter recebido na cara um insulto racista. Mas todos sabíamos que, de algum modo, éramos vistos pelos outros americanos como invasores de seu país, mesmo que este fosse também o nosso país. A ironia está no fato de que nós não invadimos os Estados Unidos. Os Estados Unidos é que nos invadiram. Nós estávamos aqui porque os EUA haviam estado lá.

O que só percebi tardiamente foi que precisava – todos precisamos – de mais histórias que falassem da nossa experiência. Mais vozes pertencentes a pessoas como nós. Mais defensores contando as nossas historias à nossa maneira com os nossos rostos, as nossas inflexões, as nossas preocupações, as nossas intuições. Nós precisávamos estar no centro da história, o que incluiria todas as complexidades da subjetividade humana, não apenas as boas, mas também as más, a plenitude tridimensional que as pessoas brancas consideravam sua exclusividade com o privilégio de serem indivíduos.

Quando a imprensa começou a nos representar – no cinema e na televisão, com as piadas dos DJs nos programas matinais de rádio, os jornalistas sabichões -, só éramos os maus. Éramos coletivamente os vilões, os empregados, os inimigos, as prostitutas, os moleques de recados, os invasores.

Consequentemente, muitos de nós que observávamos essas imagens distorcidas e ouvíamos as piadas imbecis aprendemos a nos envergonhar de nós mesmos. Aprendemos a ter vergonha dos nossos pais. E a vergonha se somava à incapacidade de dizer “eu te amo”, uma frase que pertencia ao mundo maravilhoso dos brancos que víamos no cinema e na televisão.

Precisávamos aprender mais, mas a verdade é que os pais asiáticos também precisam saber mais. Não podemos ter orgulho dos nossos artistas e dos nossos filhos contadores de histórias somente quando eles ganham Globos de Ouro. Honramos seu sacrifício por nós, mas também é preciso encorajar os filhos a se manifestarem, a reivindicarem a própria voz, a correr o risco da mediocridade e do fracasso, a contarem suas histórias e as nossas histórias. Pelo menos não os impeçam.

Um colega do ensino médio que nos anos 1980 vivia na elite de Saratoga, cidade de maioria branca na Califórnia, contou que quando os asiáticos começaram a chegar – os “bons” profissionais asiáticos -, os brancos trataram de se mudar. Não importa quão grande terá de ser o sucesso dos asiáticos-americanos, ele não mudará esta dinâmica dos brancos que temem que nós sejamos os invasores asiáticos – temem que tiremos seus empregos, roubemos seus lugares no colégio da elite – a não ser que contestemos o racismo implícito e explícito.

Ainda somos a invasão asiática para muitos, e se não somos tão assustadores como éramos no passado, é pelo menos em parte porque hoje muitos americanos brancos têm mais medo da invasão muçulmana, mexicana e centro-americana. Muitos que talvez não desejassem ser nossos vizinhos, ao menos nos prefeririam aos afro-americanos.

Não podemos aceitar isso como o pedágio que temos de pagar para ingressar na sociedade americana. Se devemos nos afirmar e falar contra o racismo dirigido contra nós, precisamos também fazer isso quando ele nos beneficia. E nós o fazemos desafiando e mudando a história americana, subindo ao palco e contando as nossas próprias histórias, e esta é, na realidade, nossa maneira de dizer, “eu amo vocês” aos nossos pais, às nossas famílias, às nossas comunidades e ao nosso país.

Viet Thanh Nguyen é autor do livro The Refugees, publicado recentemente, e editor de The Displaced: Refugee Writers on Refugee Lives. Ele é professor de inglês na Universidade do Sul da Califórnia.

Em carta, Gisele Bündchen responde crítica de ministra da Agricultura

A modelo reagiu às declarações de Tereza Cristina de que ela deveria se manifestar sobre o que o País preserva; em resposta, a chefe da Agricultura afirmou que a repercussão sobre sua fala foi ‘infeliz’ e que Gisele é ‘orgulho para o País’
Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

Gisele Bündchen para a Vogue Brasil (Foto: Zee Nunes/Arquivo Vogue)

A modelo Gisele Bündchen enviou nesta quarta-feira, 16, uma carta à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, respondendo aos comentários feitos pela política sobre ela no início da semana. 

Tereza disse em entrevista à Rádio Joven Pan que Gisele deveria ser uma “embaixadora” do País no exterior, divulgando como o Brasil produz com preservação à natureza e não criticar “sem conhecimento de causa”.

A ministra se queixava de críticas feitas de um modo geral sobre a atuação do governo em relação às suas florestas. “É um absurdo o que fazem hoje com a imagem do Brasil. Infelizmente são maus brasileiros. Por algum motivo vão lá fora levar uma imagem do Brasil e do setor produtivo que não é verdadeiro.” E disse na sequência. “Desculpe, Gisele Bündchen, você deveria ser nossa embaixadora e dizer que seu País preserva, está na vanguarda do mundo na preservação, e não meter o pau no Brasil sem conhecimento de causa”.

Gisele compartilhou em seu perfil no Twitter a parte inicial da resposta: “Causou-me surpresa ver meu nome mencionado de forma negativa por defender e me manifestar em favor do meio ambiente pois, desde 2006, venho apoiando projetos e me envolvendo com causas socioambientais, o que sempre fiz com muita responsabilidade”, escreve.

Estado obteve com exclusividade a carta completa, na qual ela se posiciona sobre o que são “maus brasileiros” em sua opinião. “A senhora mencionou a grande quantidade de áreas protegidas no Brasil. Lamento, no entanto, ver notícias, como a do final do ano de 2018, com dados do governo federal divulgados amplamente na imprensa, que o desmatamento na Amazônia havia crescido mais de 13%, o que representava a pior marca em 10 anos. Um patrimônio inestimável ameaçado pelo desmatamento ilegal e a grilagem de terras públicas. Estes sim são os ‘maus brasileiros’”, escreve.

A modelo também disse que valoriza e preza o papel da agricultura e dos agricultores para o país. “Mas ao mesmo tempo acredito que a produção agropecuária e a conservação ambiental precisam andar juntas, para que nosso desenvolvimento possa ser sustentável e longevo”, continua.

Ela defende que se use “tecnologia e todo conhecimento científico a favor da agricultura e da produtividade” a fim de evitar que “novos desmatamentos possam ultrapassar o ponto de não retorno em que a degradação em curso do clima ameno se tornará irreversível”.

A modelo afirma ainda que preservar a natureza, além de ser um dever, é também “uma forma de assegurar água, biodiversidade e condições climáticas essenciais para a produção agrícola”.

Gisele encerra a carta dizendo que ficaria “muito feliz” em divulgar “ações concretas que resultem em um Brasil mais sustentável, justo e próspero”.

Resposta da ministra

Também pelo Twitter, a ministra respondeu à Gisele agradecendo a carta. “Vamos construir juntas uma agenda contra o desmatamento ilegal e a grilagem”, escreveu.

Em nota enviada ao Estado, Tereza classificou o texto como “elegante, ponderada e respeitosa”. Disse que a modelo “destaca e valoriza os produtores rurais e reconhece sua importância para o desenvolvimento do País”. Segundo a ministra, a carta “ressalta a importância que a união entre produção e preservação podem ter para que o País possa ter uma economia eficiente e sustentável”.

Tereza afirmou ainda que foi “infeliz” a repercussão sobre sua entrevista e elogiou Gisele: “Em hipótese alguma  é uma má brasileira, mas sim um orgulho para nosso País, ainda mais se dedicando a pautas tão nobre quanto o bem estar de nosso planeta. Espero que esse seja o início de uma longa conversa para a construção de uma agenda que traga desenvolvimento sustentável para nossa população”, complementou.

Leia a seguir a íntegra da carta de Gisele

“Excelentíssima Senhora Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina 

Escrevo respeitosamente à senhora para me manifestar em relação a alguns comentários que foram feitos e que dizem respeito à minha pessoa em sua entrevista no dia 14 de janeiro ao veículo Jovem Pan. Causaram-me surpresa as referências negativas ao meu nome, pois tenho orgulho de ser brasileira e sempre representei meu país da melhor forma que pude.

Primeiramente, gostaria de dividir com a senhora um pouquinho da minha trajetória. Sou uma apaixonada pela natureza e tenho uma conexão muito forte com a terra. Nasci no interior do Brasil, onde a agricultura sempre foi fundamental para a economia e desenvolvimento de todos os municípios do entorno. Meus avós também praticavam agricultura familiar.

Valorizo e prezo muito o papel tão importante que a agricultura e os agricultores têm para o nosso país e nosso povo, mas ao mesmo tempo acredito que a produção agropecuária e a conservação ambiental precisam andar juntas, para que nosso desenvolvimento possa ser sustentável e longevo.

Desde 2006 venho apoiando projetos e me envolvendo com causas socioambientais no Brasil (através da doação de parte da renda da venda de produtos licenciados com meu nome a diversos projetos relacionados à água e florestas até o apoio e realização de projeto de reflorestamento de mata ciliar na minha cidade natal). Já visitei a Amazônia algumas vezes e conheci de perto a realidade da região norte de nosso país. Em decorrência do meu trabalho relacionado ao meio ambiente fui convidada para ser Embaixadora da Boa Vontade da ONU para o Meio Ambiente e também pelo presidente da França para participar do lançamento do Pacto Global para o Meio Ambiente na Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos, além de ter participado de inúmeros encontros com presidentes de empresas, universidades, cientistas, pesquisadores, agricultores e organizações do meio ambiente, onde pude trocar informações e aprender cada vez mais sobre como cuidar do nosso planeta.

Tendo ciência, através de diferentes fontes de informação, do alto grau de comprometimento e irreversibilidade que algumas ações governamentais poderiam trazer ao meio ambiente, como cidadã brasileira preocupada com os rumos da minha nação resolvi, em algumas oportunidades que entendi críticas e merecedoras de atenção, me manifestar.

A Senhora mencionou a grande quantidade de áreas protegidas no Brasil. Lamento, no entanto, ver notícias, como a do final do ano de 2018, com dados do Governo Federal divulgados amplamente na imprensa, que o desmatamento na Amazônia havia crescido mais de 13%, o que representava a pior marca em 10 anos. Um patrimônio inestimável ameaçado pelo desmatamento ilegal e a grilagem de terras públicas. Estes sim são os “maus brasileiros”.

Precisamos usar a tecnologia e todo conhecimento científico a favor da agricultura e da produtividade para que evitemos que novos desmatamentos possam ultrapassar o ponto de não retorno em que a degradação em curso do clima ameno se tornará irreversível.

Vejo a preservação da natureza não somente como um dever ambiental legal, mas também como uma forma de assegurar água, biodiversidade e condições climáticas essenciais para a produção agrícola.

Cara Ministra Teresa Cristina, seu papel como ministra da Agricultura – em um país onde clima, agricultura e floresta têm papel chave para nossa economia – é fundamental. Sei do desafio que tem pela frente e torço para que em seu mandato possam ser celebradas ações concretas que resultem em um Brasil mais sustentável, justo e próspero.

Ficarei muito feliz em poder divulgar ações positivas que forem tomadas neste sentido.”

Você deixaria seu filho brincar na casa do vizinho, sabendo que o pai dele tem uma arma?

Essa é a pergunta que não quer calar

Foto: Pixabay

A primeira lembrança que me veio à mente ao saber sobre o decreto flexibilizando a posse de armas foi a do meu filho, sempre tão bonzinho e obediente, com o vidrinho de remédio na mão, vazio. Ele tinha escalado o guarda-roupa, alcançado a última prateleira, aberto a caixa de remédios que estava ‘escondida’ no fundo da prateleira (mas sem cadeado porque ‘meu filho não é de aprontar’, eu sempre dizia) e tomado todo o vidro de Berotec, medicamento usado para o tratamento da bronquite. Tivemos de correr com ele para o hospital que, felizmente, ficava a poucos quilômetros de casa. Chegou lá com os batimentos cardíacos altíssimos e foi direto para a emergência, onde passou 12 horas sendo desintoxicado.

Quem é mãe ou pai sabe: uma criança é capaz de tudo – porque é curiosa, porque não tem noção do perigo, porque vive em um delicioso mundo da fantasia. E é por isso que nós, os adultos, seus cuidadores, tomamos algumas precauções quando elas chegam em nossas vidas: colocamos redes nas janelas, instalamos protetores de tomada, compramos fogão com trava antivazamento de gás, trancamos os armários com os produtos de limpeza. Mesmo com tantas mudanças e os olhos atentos dos pais e dos cuidadores, elas sempre “aprontam”. Pulam do sofá e quebram algum osso, engolem o brinquedinho que o amigo levou para o parquinho e por aí vai. Cada pai e mãe tem sua história de perrengue gravada na memória e sabe de quantas formas já foi surpreendido pela sagacidade do próprio filho.

Mas agora alguns de nós, os adultos tão espertos, decidimos que pode ser uma ótima ideia ter uma arma em casa, ‘os bandidos têm armas, por que a gente não pode se defender?’. Uma arma não. Até quatro, segundo o decreto assinado pelo presidente. E olhamos para a nossa própria régua para concluir que tudo bem, “não tem perigo”, porque para ter a posse da arma “tem que ter um cofre em casa”. Claro que lá pelas tantas alguns podem achar que nem precisa de tanto cuidado, porque o filho já está grande e “tem noção do perigo”. Também porque se a casa for invadida, é preciso agir rápido, melhor deixar a arma na primeira gaveta do criado-mudo durante à noite, de manhãzinha ela volta para o cofre. Um belo dia você acorda atrasado e esquece de trancar o revólver. Para a tragédia acontecer bastam apenas alguns segundos, a gente sabe bem disso, não sabe?

Mas vamos supor que a gente tenha arma em casa e não abra exceções. Sempre trancada. Mas e o nosso vizinho? Será que terá o mesmo cuidado? Ontem li algumas mães discutindo o assunto no Facebook e a questão era essa: vamos ter de perguntar aos pais daquele amiguinho tão legal se eles têm armas em casa? Se as mantêm sempre no cofre? Você teria coragem de deixar seu filho frequentar a casa de uma família que tem um revólver em casa? Eu não teria, mas talvez eles não contassem a novidade a ninguém, “para não assustar”.

Mesmo com todos esses cuidados, não estaríamos seguros. A arma não trancada do pai do coleguinha cuja casa seu filho não frequenta poderia ser levada à escola escondida dentro da mochila. Esse filme americano começou a ser passado no Brasil recentemente, você com certeza tem acompanhado o noticiário. Ano passado um garoto de 15 anos, na cidade de Medianeira, no Paraná, levou a arma do pai e feriu dois alunos da escola onde estudava. Em Goiânia, também ano passado, um adolescente de 14 anos matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro. Filho de policiais militares, ele usou a arma da mãe, que havia levado à escola escondida na mochila. O motivo? Bullying, algo comum em 9 em cada 10 escolas de todo o mundo, um comportamento com efeito destruidor sobre as vítimas, mas encarado como “mimimi” pela galera do “sempre fui zoado na escola e nunca matei ninguém”. Talvez porque seu pai não tivesse um revólver em casa. Talvez porque você seja mais forte psicologicamente. Talvez porque o governo restringisse a posse de armas. [Rita Lisauskas]

Rei da noite, Facundo Guerra marca a ascensão e queda do centro paulistano

Empresário é dono de bar no subsolo do Theatro Municipal e de novo clube de jazz

Facundo Guerra na piscina de bolinhas secreta de seu bar Arcos Eduardo Knapp/Folhapress

SÃO PAULO –Peça fundamental da aura mística que atrai turistas e novos moradores à cidade, a noite paulistana não tem um dono. Mas, se houvesse, ele seria Facundo Guerra, 45, empresário mais lembrado pela geração pós-2000 que bebeu, se drogou, beijou ou só foi pela selfie a uma das 12 casas criadas pelo grupo Vegas.

Tudo leva o selo de Guerra. Da primeira boate, mito noturno que ainda dá nome ao grupo, até o empreendimento mais recente, o Arcos, um bar do início do século 20 recuperado por R$ 2,5 milhões no subsolo do Theatro Municipal e reaberto neste mês.

Seus projetos são elogiados por resgatar prédios esquecidos de São Paulo para lhes dar vida, fachada e drinques novos. Mas são, na mesma medida, vinculados a um estouro imobiliário de seus entornos, como o da Bela Vista, na região central, e à higienização de uma paisagem antes famosa pelos inferninhos e bares de bebida barata sem estrelas.

Ele até planeja abrir, no próximo mês, a primeira filial do clube americano de jazz Blue Note, no Conjunto Nacional, e em agosto, no antigo Cine Ipiranga, uma espécie de boate para gamers batizada de Arcade. O miolo entre a avenida Bridadeiro Luís Antonio e a rua da Consolação, no entanto, é seu principal legado.

Além do Vegas, há Volt (morto), Lions (vivo), Pan Am (morto), Yacht(vivo), Drive In (morto), Cine Joia (vivo), Riviera (repassado) e Mirante Nove de Julho (repassado). Todos cruciais para entender a montanha-russa da cena paulistana e a persona desse argentino radicado no Brasil que, antes de empresário, é um agitador cultural da cidade.

“Não quero fazer noite, mas sim espaços de sociabilidade. Gosto de criar lugares para humanos se encontrarem, porque testei todos os modelos e os que dão certo são lugares que não repetem fórmulas de antigamente, quando havia ‘door police’, por exemplo, um jeito de incluir apenas gente bem-vestida ou amigo de alguém”, explica Guerra.

“Cansei de ser barrado em porta de boate nos anos 1990, essa época que dizem ter sido o auge da noite quando, na verdade, era uma época de bolhas, de clubinho de amigos.”

Sua ideia de abraçar a diversidade tem a ver com a formação. Do fim dos anos 1970, quando veio ainda criança para São Paulo com os pais, até a sua adolescência, quando “todos os dias cruzava a linha imaginária de classes entre Santa Cecília e Higienópolis”, ele teve de se adaptar às várias faces da cidade.

Ele puxa da memória os ataques de playboys a travestis que frequentavam as proximidades da Biblioteca Mário de Andrade e as tentativas frustradas de se encaixar, sem sucesso, em grupos dos colégios de elite onde estudou, como o Bandeirantes, quando era alvo de chacotas pela ascendência argentina e a timidez.

“Sempre fui um moleque sensível, portanto, bicha. Essa pecha me acompanhou toda a vida. Buscando me entender, percebi que ser assim é uma questão identitária, de comportamento, que você pode não transar com homens e ser bicha”, diz ele.

Mesmo hoje, pai de uma garota de sei anos, Pina, fruto de sua relação com a apresentadora de televisão Vanessa Rozan, ainda há especulações sobre sua sexualidade. “E isso me incomoda, muito.”

Talvez por isso suas casas noturnas nunca tiveram gênero ou público alvo únicos.

Guerra e os sócios José Tibiriça e João Cury reformaram um antigo galpão na decadente rua Augusta para abrigar noites de rock, techno e a clientela gay. Espaço mítico da cena paulistana, onde se reuniam jovens de diferentes classes e origens, o Vegas surgiu em 2005 e foi pioneiro entre clubes não gays ao pôr transexuais na porta de entrada como “hostess” e a formar filas de atores famosos sem passe livre. Naquele inferno escaldante, todos eram iguais diante dos olhos do dono.

A pujante política de revitalização do centro promovida pelo então prefeito José Serra e encampada pelo subprefeito da Sé à época, o vereador Andrea Matarazzo, ajudaram o grupo a se espraiar pela região central e tomar o poder de medalhões como D-Edge, Fun House ou The Week.

“Ele foi empreendedor, aproveitou que estávamos levantando o centro, desativando parte da praça Roosevelt para ela deixar de ser esconderijo do tráfico e limpando a área. Tanto o Vegas quanto o Cine Joia foram projetos muito importantes na função de atrair público para a região”, afirma Matarazzo.

Mas só púbico não faz noite. Assim como coleciona mais de uma dezena de animais empalhados em sua casa no Pacaembu, fruto do interesse em taxidermia que o levou até a fazer curso em Paris, Guerra coleciona uma série de sociedades desfeitas.

Entre elas a que tinha até 2017 com o ex-secretário municipal de Cultura André Sturm no Drive In, projeto de exibição de filmes clássicos no Belas Artes, em frente ao bar Riviera, que durou dois anos de contas nunca fechadas.

“Facundo é uma usina de ideias e me empolguei com seu entusiasmo. Mas, por mais que sejamos entusiastas, não podemos pagar para trabalhar. Havia um custo fixo e um giro pequeno nas sessões diárias. Nunca fizemos a conta de quanto custaria, por isso não deu pra continuar”, diz Sturm.

Essa mesma conta que não fecha acabou com outra parceria, da qual Guerra lembra com desgosto e culminou em um número bloqueado no WhatsApp. Anunciada como a cooperação de dois reis da noite, ele, a promessa, e José Victor Oliva, o experiente dono da Gallery, ícone dos 1970, a Storymakers foi criada para botar ordem no negócio.

No papel de sócio-investidor, Oliva pôs “um checão” nas mãos de Facundo —o valor nunca foi divulgado— e adquiriu participação nos negócios do grupo Vegas. Ao mesmo tempo que cresciam o Pan Am, o Riviera e o Mirante Nove de Julho, subia o choque de realidade em lidar com a caixa registradora de cada lugar.

“Eram filosofias diferentes. Nunca fui movido pelo dinheiro, não tenho o sonho da Ferrari própria. Vivo com R$ 15 mil por mês muito bem. Não deu, acabamos a sociedade e tchau, nunca mais quero conversa”, dispara Guerra. “Quebrei naquele ano [2017], perdi o Mirante e o Riviera, mas me reergui pelo prestígio.”

O fim do que seria uma parceria perfeita assume outro aspecto na voz de José Victor Oliva, que define o ex-sócio como “uma mistura de Walt Disney com Indiana Jones”.

“É um menino fora de série, encantador. Seria parceiro dele para o resto da vida, mas não entrei no negócio para fazer uma ONG. Ele tinha um drone [ainda tem] que ficava rodando o dia todo procurando lugares, escavacando, procurando o tesouro. É o que ele sabe fazer”, explica Oliva. “Mas é desajuizado, dá vontade de colocar no colo e dar conselhos.”

O fim da picada para ele teria sido o dia em que Guerra e Marcelo Beraldo, outro sócio na empreitada, teriam brigado de “forma assustadora” no escritório. Beraldo não foi encontrado para comentar o imbróglio.

“Quando se convive com ele você passa a não acreditar mais em 95% das coisas que ele diz, porque a ideia é boa, mas por trás dela está tudo sempre desarrumado. Tenho horror disso”, diz.

E não para. “Além disso, é a cara dos lugares, mas nunca aparece. É aquele tipo de jogador incrível, mas que nunca faz gol. Você acha que ele vai conseguir manter essas três casas esse ano mais as que já tem? Espero que sim.”

Facundo Guerra, porém, alguma coisa aprendeu com a bancarrota. No terceiro dia de funcionamento, o Arcos, no Theatro Municipal, faturou R$ 25 mil. “Precisa faturar R$ 40 mil para se manter”, revela, não sem uma ponta de ansiedade por, mais uma vez, falar de grana.

“Olha, de verdade, juro pela minha filha olhando nos seus olhos, nunca fiz por dinheiro. Minha missão é encontrar uma identidade para essa cidade. Pode parecer mentira, mas não é”, diz, antes de pensar melhor e mostrar uma piscina de bolinhas, montada para a filha no fundo do bar dos Arcos.

“Faço as coisas para mim, e talvez esse seja meu problema, o ego, minha vaidade intelectual. A recuperação dos lugares é um pano de fundo, mas verdadeiro. É, pode ser que seja ego, sim.”[Pedro Diniz]


EMBALOS DE FACUNDO

O que o dono do grupo Vegas já fez em São Paulo

Vegas
2005-2012
R. Augusta, 765, Bela Vista
Fechou porque a dona recebeu uma oferta maior pelo aluguel do imóvel e Facundo Guerra não quis cobrir

Volt
2009-2015
r. Haddock Lobo, 40, Consolação
Fechou porque era mais barato tirar a parafernália do bar, que já não ia bem, e montá-la no PanAm

Z Carniceria
2009-
Abriu na rua Augusta, num antigo matadouro. Após fechar, em 2015, mudou-se para a av. Brigadeiro Faria Lima, 724, Pinheiros

Lions Nightclub
2010-
av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, República

Cine Joia
2011-
pça. Carlos Gomes, 82, Sé

Yacht
2012-
r. 13 de Maio, 703, Bela Vista

Riviera (propriedade da Holding Clube, de José Victor Oliva)
2013-
av. Paulista, 2.584, Consolação

Mirante Nove de Julho (propriedade da Holding Clube, de José Victor Oliva)
2015-
r. Carlo Comenale, s/nº, Bela Vista

PanAm
2015-2017
Hotel Maksoud Plaza, r. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista
Fechou porque uma jovem se jogou do parapeito da boate, que ficava no topo do hotel. Os negócios já iam mal, segundo José Victor Oliva, e a morte teria sido a pá de cal

Cine Drive-In
2016-2017
Cine Caixa Belas Artes, r. da Consolação, 2.423, Consolação
Fechou porque o faturamento necessário para manter a sala, toda em estilo vintage, não aconteceu

Café Lina (apenas consultoria)
2018-
av. Paulista, 900, Bela Vista

Arcos
2019-
Theatro Municipal, pça. Ramos de Azevedo, 
s/nº, República

Blue Note
fev.2019-
Terraço do Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073, Consolação

Arcade
ago. 2019-
Cine Ipiranga, av. Ipiranga, 786, República

Carrossel (nome provisório)
a partir de 2020-
Ainda sem local definido. Casa de striptease ‘não sexista’, que receba homens e mulheres