Angelina Jolie critica políticas migratórias de Trump em artigo de opinião do ‘NYT’

JORDAN-SYRIA-UN-CONFLICT-JOLIE-REFUGEEJolie visitou desde 2011 em muitas ocasiões campos de refugiados sírios no Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia e Malta


LOS ANGELES – A atriz Angelina Jolie criticou na quinta-feira as políticas migratórias do presidente dos EUA, Donald Trump, ao ressaltar que essas decisões deveriam ser tomadas “com base em fatos e não em resposta ao medo”. Em um artigo de opinião publicado no site do jornal The New York Times, a atriz se referiu à polêmica ordem executiva que Trump assinou recentemente para lutar contra o terrorismo jihadista.

O decreto suspende a entrada ao país de todos os refugiados durante 120 dias, assim como a concessão durante 90 dias de vistos a 7 países de maioria muçulmana – Líbia, Sudão, Somália, Síria, Iraque, Iêmen e Irã – até que se estabeleçam novos mecanismos de vigilância.

“A crise global de refugiados e a ameaça do terrorismo fazem com que seja completamente justificável que consideremos como proteger nossas fronteiras da melhor maneira”, reconheceu a atriz.

“Cada governo deve equilibrar as necessidades de suas cidades com suas responsabilidades internacionais. Mas nossa resposta deve ser medida com base em fatos e não em resposta ao medo”, acrescentou. “Simplesmente não é certo que nossas fronteiras sejam ultrapassadas ou que os refugiados sejam admitidos nos EUA sem um estreito escrutínio.”

Além disso, declarou: “Se criarmos um grupo de refugiados de segunda classe, alegando que os muçulmanos merecem um menor grau de proteção, avivamos o extremismo estrangeiro enquanto em casa solapamos o ideal de diversidade desejado por democratas e republicanos”.

Para reforçar sua mensagem, Angelina, enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), parafraseou Ronald Reagan: “Os EUA estão comprometidos com o mundo porque grande parte do mundo está dentro dos EUA”.

“Portanto devemos analisar as causas da ameaça terrorista, os conflitos que dão espaço e oxigênio a grupos como o Estado Islâmico, e a desesperança e rebeldia das quais se nutrem. Temos de formar uma causa comum com pessoas de distintas fés e origens que lutam contra a mesma ameaça e procuram a mesma segurança”, completou.

“Dessa maneira”, concluiu a atriz, “é como esperar que qualquer presidente de nossa grande nação exercesse como líder por trás de todos os americanos”. / EFE

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Marcha das mulheres: os trechos inspiradores dos discursos de Madonna, Scarlett Johansson e mais

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Madonna (Foto: Getty Images)


marcha das mulheres tomou conta da ruas de Washington e diversos países neste sábado (21). Manifestantes se posicionaram contra a posse do novo presidente dos EUA Donald Trump. Várias personalidades públicas participaram do protesto e fizeram discursos. Selecionamos alguns trechos inspiradores abaixo.

Madonna: “Bem-vindos à revolução do amor, à rebelião, à nossa recusa enquanto mulheres a aceitar essa nova era da tirania, onde não só mulheres estão em perigo, mas todas as pessoas marginalizadas. Onde pessoas singularmente diferentes podem ser consideradas um crime. Eu escolho amor. Vocês estão comigo? Digam comigo: Nós escolhemos amor!”scarlett-johanssonScarlett Johansson (Foto: Getty Images)


Scarlett Johansson: “Presidente Trump, eu não votei em você. Dito isso, eu respeito que você é nosso presidente eleito e quero ser capaz de te apoiar. Primeiro, eu peço que você me apoie, apoei minha irmã, apoiei minha mãe, apoie minha melhor amiga e todas as nossas amigas, apoie os homens e mulheres aqui hoje que estão esperando ansiosamente para ver como seus próximos movimentos podem afetar drasticamente suas vidas.”america-ferreraAmerica Ferrera (Foto: Getty Images)


America Ferrera: “Nossa dignidade, nosso caráter, nossos direitos foram todos atacados e uma plataforma de ódio e divisão assumiu o poder ontem. Mas o presidente não é a América, seu gabinete não é a América, o Congresso não é a América, nós somos a América. E estamos aqui para ficar. “alciia keys 17.jpgAlicia Keys (Foto: Getty Images)


Alicia Keys: “Nós não vamos permitir que nossos corpos sejam possuídos e controlados por homens no governo ou qualquer homem em qualquer lugar. Nós não vamos permitir que nossas almas compassivas sejam pisadas. Nós queremos o melhor para todos os americanos. Não ao ódio. Não à intolerância. Não ao registro de muçulmanos. Nós valorizamos a educação, a saúde e a igualdade.”

Madonna vai ser investigada pelo Serviço Secreto após dizer que pensou em “explodir a Casa Branca” em protesto contra Trump

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A cantora Madonna será investigada pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos após dizer que pensou em explodir a Casa Branca em um protesto contra o presidente Donald Trump. De acordo com o site conservador e pró-Trump especializado em política norte-americana Gateway Pundit, as declarações da artista durante a Marcha da Mulheres realizada ontem nos EUA chamaram a atenção dos responsáveis pela segurança do presidente e do vice e que já havia uma investigação em aberto. No entanto, o site ressalta que qualquer decisão de processar ou não a cantora deverá partir da Procuradoria do Governo.

Apesar de ter mencionado a ideia de explodir a residência do presidente, Madonna no entanto fez a afirmação em meio a uma mensagem de paz. “Eu estou com raiva. Sim, estou ofendida. Sim, eu pensei bastante em explodir a Casa Branca. Mas eu sei que isso não mudaria em nada. Não podemos cair em desespero. Como disse o poeta W.H. Auden às vésperas da Segunda Guerra Mundial, ‘nós devemos amar uns aos outros ou morrer’. Eu escolho o amor. Vocês estão comigo?”, perguntou a artista ao final de seu depoimento polêmico.

O depoimento de Madonna foi aplaudido pelas cerca de 500 mil pessoas que compareceram ao protesto. Ao longo das últimas semanas Madonna utilizou sua conta nas redes sociais para explicitar todo seu descontentamento com a eleição de Trump. Ela chegou inclusive a publicar no Instagram a foto de um desenho na qual ela é desenhada como a Estátua da Liberdade com Trump em cima dela como o King King e sendo atacado por um Super-Homem. “Precisamos de um Super-Homem (ou Mulher) para o nosso resgate”, ela escreveu na legenda da imagem.

A imagem contra Donald Trump compartilhada por Madonna nas redes sociais (Foto: Instagram)A imagem contra Donald Trump compartilhada por Madonna nas redes sociais (Foto: Instagram)

madonna-protestoA cantora Madonna no protesto contra Donald Trump (Foto: Getty Images)

A cantora Madonna no protesto contra Donald Trump (Foto: Getty Images)A cantora Madonna no protesto contra Donald Trump (Foto: Getty Images)

Mulheres fazem marcha contra a posse de Donald Trump

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Marcha contra Trump em Londres (Foto: Reprodução/Instagram/MarieClaireUK)

A posse do presidente dos EUA Donald Trump, na sexta-feira (20), desencadeou vários protesos. Neste sábado (21), acontece a marcha contra Trump em Washington. Mulheres vão às ruas defender seus direitos e se posicionar contra as ideias sexistas do milionário, que foi inclusive acusado de assédio sexual. A marcha tomou escala global, tendo a participação de diversos países.

Várias celebridades, como Madonna, Scarlett Johansson, Drew Barrymore, Katy Perry, Amy Schumer, Cher, Jessica Chastain e Olivia Wilde, marcaram presença. Barrymore se proncunciou no Instagram. “Eu amo as mulheres. Eu vivo para as minhas duas filhas. E estou cheia de orgulho e unida com todas as mulheres hoje”, disse. A modelo francesa Caroline de Maigret postou uma foto no Instagram da manifestação em Paris. “Liberdade de escolha, tolerância, amor”, escreveu na legenda.

Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)
Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)
Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)Manifestantes na womens march (Foto: Marie Claire)
Mensagem de manifestante na marcha (Foto: Marie Claire)Mensagem de manifestante na marcha (Foto: Marie Claire)
Mensagem de manifestante na marcha (Foto: Marie Claire)Mensagem de manifestante na marcha (Foto: Marie Claire)
Foto postada pela modelo Caroline de Maigret do protesto em Paris (Foto: Reprodução/Instagram)Foto postada pela modelo Caroline de Maigret do protesto em Paris (Foto: Reprodução/Instagram)

Maquiados, rapazes desafiam convenções de gênero no Japão

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Toman Sasaki faz parte do grupo “danshi sem gênero”  Foto: Ko Sasaki for The New York Times


Tóquio – Com a precisão de um artesão pintando uma boneca de louça, Toman Sasaki passa base em seu rosto de traços finos, aplica blush na lateral do nariz e dá ao lábio com um pequeno pincel. Após 40 minutos se emperiquitando em sua minúscula quitinete no bairro Hatsudai de Tóquio, ele se olha em um espelho de mão e gosta do que vê.

Em conjunto com as unhas feitas, cabelo estilo ‘bob’ e sapato de salto alto, a maquiagem fez Sasaki, 23 anos, parecer mais feminino do que masculino, uma escolha notável em uma sociedade onde homens e mulheres costumam seguir estritamente os códigos convencionais para ambos os sexos.

Sasaki, modelo e membro de uma banda pop que atende simplesmente por Toman, considera seu visual tanto feminino quanto sem gênero. Como membro do pequeno, mas crescente grupo de “danshi sem gênero” (“danshi” significa rapaz em japonês), ele está desenvolvendo uma identidade pública e carreira a partir de um novo estilo andrógino.

“No fundo, sou homem”, diz o pequeno Sasaki, cujo vestuário com regatas agarradas, jaquetas e jeans colado no corpo lembra a moda de uma garota pré-adolescente. Para ele, o conceito de gênero “não é realmente necessário”.

“As pessoas deveriam poder escolher o estilo que lhes cai melhor. Não é obrigatório os homens usarem uma coisa, e as mulheres outra. Não acho isso interessante. Nós todos somos seres humanos”, afirma Sasaki, que tem um grande número de seguidores como Toman nas redes sociais e costuma aparecer em programas de rádio e televisão.

Da mesma forma que alguns homens norte-americanos adotaram a maquiagem, rapazes japoneses estão adaptando as normas de gênero da moda, pintando os cabelos, usando lentes de contato coloridas e passando batom de cores brilhantes.

Homens como Ryuji Higa, mais conhecido como Ryucheru, que tem como característica os cabelos louros cacheados presos por uma headband e Genki Tanaka, o Genking, com longos cabelos platinados e que costuma aparecer de minissaia, deram um salto do estrelato das redes sociais para a televisão.

“A questão é confundir as fronteiras que definiam a masculinidade e a feminilidade como rosa e azul. Eles querem ampliar o alcance do que alguém com anatomia masculina pode vestir”, declara Jennifer Robertson, professora de Antropologia da Universidade do Michigan que pesquisa e escreve extensivamente sobre o gênero no Japão.

A cultura japonesa tem uma antiga tradição formal de travestismo no teatro, com as formas clássicas de teatro kabuki e nô, em que os homens podem se vestir como homens ou mulheres, e o takarazuka, onde elas interpretam ambos os gêneros.

O visual sem gênero para homens vem sendo popularizado no ‘anime’, estilo de desenho animado japonês, e por membros de bandas masculinas populares.

O termo ‘danshi sem gênero’ foi criado pelo empresário Takashi Marumoto, que ajudou a desenvolver a carreira de Toman. Marumoto recruta homens andróginos para desfiles de moda e os contrata como modelos, explorando seus seguidores nas redes sociais.

Ao contrário do Ocidente, onde a inversão de papéis costuma estar associada à sexualidade, no Japão ela quase só tem a ver com a moda.

“Acho que os japoneses reagem a esses homens que parecem bem femininos de forma diferente de como reagem as pessoas nas sociedades da Europa e dos EUA. No Japão, o visual da pessoa e sua identidade sexual podem ser separadas de certa forma”, afirma Masafumi Monden, que pesquisa moda e cultura japonesas na Universidade de Tecnologia de Sydney e na Universidade de Tóquio.

Toman Sasaki conta que quando começou a se vestir no estilo de moda do ‘danshi sem gênero’, as pessoas costumavam perguntar se ele era gay, mas ele é heterossexual e usa a maquiagem para esconder os defeitos. “Existem muitas coisas com as quais me sinto inseguro. Não gosto da minha aparência, mas acho que quem eu sou muda quando uso maquiagem.”

Vários homens que se consideram ‘danshi sem gênero’ disseram em entrevista que não enxergam conexão entre sua aparência e sua identidade sexual – ou nem em suas visões sobre os papéis tradicionais dos gêneros.

“A única coisa é que você passa maquiagem e se veste como quer”, diz Takuya Kitajima, 18 anos. Kitajima, que usa o nome Takubo, acredita que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes, apesar de qualquer indistinção de estilos. “Acho que os homens deveriam proteger as mulheres, esse princípio não vai mudar. Nós somos mais fortes do que elas, e um homem deve trabalhar porque as mulheres são mais fracas.”

Já Yasu Suzuki, 22, que organiza eventos para outros ‘danshi sem gênero’ se encontrarem com os fãs da internet, diz que as explorações na moda ampliaram suas visões sobre sexualidade. Foi na adolescência, quando começou a usar maquiagem, que passou a atrair a atenção de outros homens.

“Eu achava que ia vomitar quando um homem disse que me amava”, conta Suzuki, que usa as calças ‘baggy’, populares entre as mulheres japonesas, e arranca os pelos faciais porque não pode bancar uma depilação a laser, tratamento popular entre os ‘danshi sem gênero’.

“Mas agora que comecei a vestir essa moda unissex, acho que meu preconceito acabou. Antes, eu não gostava de rapazes homossexuais, mas comecei a aceitá-los. Pessoas bonitas são apenas bonitas”, conta.

No Japão, onde uma caminhada em uma estação de trem durante a hora do rush destaca a conformidade da maioria dos homens com seus ternos escuros, os moços desiludidos pela estagnação corporativa podem estar utilizando a moda para desafiar a ordem social.

“Na minha geração, os homens tinham inveja de outros homens que podiam trabalhar e fazer o que bem quisessem”, diz Junko Mitsuhashi, 61 anos, professora de estudos de gênero na Universidade Chuo e mulher transgênero. “Já na geração mais jovem, os homens têm inveja das mulheres porque elas podem se expressar por meio da moda.”

Ainda segundo ela, “os homens acham que não têm uma esfera na qual possam se exprimir, e invejam as garotas, porque elas podem se expressar por meio da aparência”.

Garotas jovens são as fãs mais ardorosas dos ‘danshi sem gênero’, compondo o grosso de seus seguidores na mídia social e comparecendo aos eventos.

Em uma noite de outono quando Toman se apresentou com sua banda XOX (beijo, abraço, beijo), em uma loja de roupas descolada em Harajuku, o centro da moda jovem de Tóquio, o público era composto quase que inteiramente por garotas adolescentes e algumas mulheres de 20 e poucos anos.

Toman, vestindo cetim rosa e jaqueta de oncinha, jeans preto rasgado e tênis Converse preto e branco surrado, usava lentes de contato cinza que deixavam seus olhos enormes sob os cílios postiços com pontas roxas. Quando a banda subiu ao palco improvisado para tocar algumas canções – todas apresentadas com alguma desafinação –, a plateia gritava e acenava com cartazes. Algumas garotas choravam.

Nagisa Fujiwara, 16 anos, do segundo ano do ensino médio de Tóquio, era uma das 200 meninas que fizeram fila depois do breve show para tirar fotografias com a banda.

“Ele parece uma menina”, ela declara acerca de Toman, seu preferido. “Mas quando se junta isso com sua masculinidade, eu o vejo como um novo tipo de homem.”

Motoko Rich – The New York Times

RGirls NOW! Por que a Islândia é o melhor lugar do mundo para ser mulher

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Daughters of Reykjavik, coletivo feminista de rap, da Islândia, que levanta a voz por questões de gênero (Foto: Divulgação)
Em um país de
330 mil habitantes, 19 escolas primárias e creches capacitam, há mais de 20 anos,  meninas a usarem suas vozes de uma maneira poderosa. Na creche Laufásborg , em Reykjavik, alunas de três anos são estimuladas tanto do ponto de vista físico, quando emocional para que tenham coragem e se posicionem.
Não à toa, nos últimos seis anos, a Islândia superou o índice de disparidade entre os gêneros do Fórum Econômico Mundial e promete repetir o feito este ano. Recentemente, a The Economist elegeu o país como o melhor lugar do mundo para as mulheres trabalharem.
Mas as realizações progressistas da nação não vêm só do ensino feminista proposto pelas escolas desde cedo. Segundo reportagem do The Guardian, a história é capaz de fornecer mais pistas para esse sucesso.
Durante séculos, as mulheres deste país marítimo ficaram em casa enquanto seus maridos atravessavam os oceanos a trabalho. Sem homens em casa, elas passaram a desempenhar o papel de agricultoras, caçadoras, arquitetas, construtoras. Desta maneira, conseguiram arcar com as finanças domésticas e foram cruciais para que o país prosperasse.
Até que em 1975, elas se cansaram. Não era justo não serem devidamente remuneradas pelo seu trabalho e ainda se virem diante de uma baixa representação política – apenas nove mulheres ocupavam cargos parlamentares. No contexto dos movimentos feministas, elas decidiram fazer as coisas pelas suas próprias mãos.
Apesar de o ativismo já vir se fazendo presente desde os anos 1970 nos EUA e no Reino Unido, foi no dia 24 de outubro de 1975 que ele de fato marcou presença na Islândia. Não foi apenas o impacto de 25 mil mulheres nas ruas – que na época representavam um quinto da população feminina do país -, mas o fato de 90%  das profissionais empregadas terem entrado em greve. Professoras, enfermeiras, executivas e donas de casa decidiram não ir ao trabalho. Tudo para provar o quão indispensáveis eram.
“Eu tinha 10 anos na época, e me lembro muito claramente de me colocar de pé ao lado da minha mãe, lutando. Ainda posso sentir a multidão e o poder que estava concentrado lá. A grande mensagem era a de que se as mulheres não trabalham, toda a sociedade fica paralisada”, contou Thordis Loa Thorhallsdottir, CEO de uma empresa de turismo, ao The Guardian.
O ativismo de base em poucos anos começou a mostrar sua força na prática. Dentro de cinco anos, o país elegeu a primeira presidente mulher eleita democraticamente no mundo, Vigdis Finnbogadottir.
“Eu nunca teria sido eleita em 1980, se não fosse a ação das mulheres. As vozes foram ouvidas”, conta ela, agora com 80 anos de idade. Outros marcos vieram na sequência, como um partido político Aliança das Mulheres e, em 1999, a ocupação de um terço das cadeiras dos deputados por elas. Em 2000, foi a vez da licença-paternidade ser aprovada, concedendo o direito de três meses de licença remunerada – e intransferível – aos país.
As cotas obrigatórias também renderam vitórias. Graças a elas, quase metade dos membros dos conselhos das empresas são mulheres, assim como 65% dos estudantes universitários e 41% dos deputados.
Apesar disso, as islandesas ainda têm muito a conquistar. Os homens continuam ganhando 14% a mais para exercer a mesma função. Mas o governo islandês já se comprometeu a sanar a disparidade salarial até 2022. Em paralelo às promessas, as mulheres continuam altamente organizadas e socialmente conscientes. Surpreendentemente, um terço das mulheres da Islândia fazem parte de um grupo no Facebook, ironicamente chamado Beauty Tips, no qual discutem ativamente questões de gênero.
Desta forma, a história ensina que a pressão das bases e o investimento políticos seguem sendo catalisadores cruciais e poderosos para a mudança. [Marie Claire]