‘Stranger Things’: Netflix disponibilizará fliperamas na Avenida Paulista

Plataforma divulgará 3ª temporada da série com a campanha ‘Strangerama’; veja locais

‘Strangerama’: Netflix colocará fliperamas na Avenida Paulista para divulgar ‘Stranger Things’. Foto: YouTube / @Netflix Brasil

Netflix anunciou nesta quarta-feira, 10, que disponibilizará alguns fliperamas inspirados em Stranger Things para divulgar a 3ª temporada da série em São Paulo, na região da Avenida Paulista.

“Divirta-se como em 1985. Os fliperamas estão de volta. Agora nos pontos de ônibus. Venha jogar, é de graça”, publicou a plataforma em seu canal no YouTube, anunciando o “Strangerama“.

Serão com dois jogos distintos baseados em Stranger Things: Stranger Attack, que traz o personagem “Mike fugindo do MF”, na Avenida Paulista, em frente ao número 2026, e Maze Eleven, que traz “Eleven perseguindo seus waffles”, na Avenida Paulista, em frente ao número 171.

“De Hawkins para a Avenida Paulista, de 1985 para 2019. Descubra como é que as pessoas se divertiam no ponto de ônibus antes de existir celular. Trouxemos para São Paulo um gostinho do nosso Arcade Palace dos anos 80!”, informa o comunicado da Netflix.

Confira o vídeo de divulgação dos fliperamas de Stranger Things na Avenida Paulista publicado pela Netflix abaixo:

Direito à cidade da população LGBT+: qual o papel da arquitetura?

Apesar de abrigar a maior Parada LGBT+ do mundo, São Paulo ainda se mostra hostil em muitos aspectos aos membros da comunidade
POR RAFAEL BELÉM | FOTOS ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO LGBT DE SÃO PAULO/FLICKR

Multidão aglomerada na Avenida Paulista durante a Parada do Orgulho LGBT+ de 2018

“Ser LGBT+ é existir em espaços específicos para nós”, relata o publicitário Beto Navareño, nascido em São Paulo. Essa é uma afirmação corriqueira entre lésbicas, gays, bissexuais e transexuais da cidade. Apesar de abrigar a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo, a capital ainda se mostra hostil em muitos aspectos aos membros da comunidade que, muitas vezes, veem seu direito à cidade negado em alguma instância. Um cenário que se repete em muitas metrópoles do país.

Circular pela rua, usar o transporte público em segurança ou mesmo conseguir um emprego: várias são as barreiras impostas às vidas LGBTs. A luta da comunidade, por sinal, está desde o início relacionada à sua existência nas cidades, isto é, poder transitar pelos espaços públicos e atuar na construção cotidiana sem a necessidade de ocultar sua identidade.

Afinal, o que é o direito à cidade?

O direito à cidade propriamente dito é um conceito defendido pelo Instituto Pólis desde 1987. Há mais de 30 anos, a ONG atua na construção de cidades mais justas, democráticas e inclusivas por meio de planos de ações e políticas públicas. “Esse conceito pensa a cidade como um bem comum para todos, sem nenhuma forma de discriminação”, explica a arquiteta Danielle Klinotwtz, diretora da instituição. “É um direito que protege todos os costumes, memórias, identidades e vivências das cidades”.

Por vezes subjetivo, ele engloba desde o direito à moradia e ao saneamento, mas também uma agenda simbólica de acolhimento e de afeto pela metrópole. Na teoria, trata da possibilidade de as pessoas criarem vínculos com suas cidades e construí-las coletivamente. Na prática, é um direito negado para quase todos os cidadãos. “Nossa visão é de que nenhum cidadão hoje tem o direito pleno à cidade. Sempre existe algo sendo violado. No caso da população LGBT, existe a questão fundamental da LGBTfobia e os crimes que acontecem na cidade motivados por ela”, afirma a arquiteta.

Ao ser marginalizada, por exemplo, a comunidade tem a área pública limitada ou mesmo negada. Fora dos guetos e dos espaços de acolhimento já conhecidos em São Paulo, como a região do Largo do Arouche, da Avenida Paulista, da rua Frei Caneca e o centro expandido, gays, lésbicas e transexuais lidam com a resistência e intolerância. “Na maior parte da cidade, os espaços públicos não são acolhedores e as LGBTs não se sentem seguras. Isso é uma violação muito grande do direito à cidade, porque essa população não consegue exercer sua vivência, sua cultura”, diz Danielle.

Foi dentro destes centros de acolhimento que a universitária Thais Rezende encontrou apoio para vivenciar sua identidade. Moradora de São Bernardo do Campo, a estudante passa a maior parte do tempo no centro expandido da capital paulista. “Frequento muito a região da Paulista e da Consolação. Quando me descobri lésbica, foi um local que me acolheu”, conta. “Vi que existiam pessoas como eu ali e acabei criando vínculos. Era onde me sentia bem”, completa a jovem, que lamenta não ter a mesma experiência em outros locais da cidade. “Não consigo viver minha identidade na plenitude porque não me sinto segura em outros espaços. Amo São Paulo, mas gostaria de poder ser quem sou em qualquer lugar”.

Em junho, o grupo Rede Nossa SP, em parceria com o Ibope, divulgou uma pesquisa que detectou o aumento da percepção entre os paulistanos sobre a intolerância da cidade com a população LGBT+ em comparação com 2018, quando a sensação de tolerância era de 50% entre os entrevistados. Neste ano, o índice caiu para 40%. Segundo o levantamento, essa compreensão é mais forte entre os mais jovens, pobres e aqueles que se autodeclaram pretos ou pardos. “Existem locais de acolhimento em São Paulo, mas são espaços restritos que criam uma bolha. Hoje já temos estudos que mostram que, até duas quadras depois destes locais, é possível observar crimes de LGBTfobia”, afirma arquiteta Danielle.

O ir e vir

O acesso à mobilidade, por exemplo, é outra questão que tem impacto direto na vivência LGBT+ na cidade. Existem relatos de gays, lésbicas e transexuais impedidos de pegar ônibus porque o condutor evita parar no ponto e transportá-los. “O mesmo acontece com os aplicativos de transporte. Motoristas cancelam a viagem ao perceberem que o passageiro é uma pessoa LGBT”, relata Danielle Klinotwtz. “Isso faz com que a comunidade simplesmente não consiga exercer a possibilidade de vivência dentro da cidade, de circular onde bem entender”.

A hostilidade gera resistência, e muitos acabam criando hábitos para seguirem normalmente com suas vidas. Acostumado aos olhares tortos no transporte público, o publicitário Beto Navareño permanece em estado de alerta ao usar serviços de carona. “Fico com o celular sempre à mão e já conheço todos os mecanismos possíveis de segurança para caso alguma coisa aconteça”, conta. Felizmente, ele nunca foi vítima de violência física e nem passou por grandes apuros ao se locomover com os aplicativos. “Apesar disso, já fui avaliado com uma nota muito baixa de um motorista sem entender o porquê, e acredito que era por ele estar em contato com alguém que era ‘muito gay’”.

Para Guilherme Takahashi, trans não-binário (termo associado a pessoas cuja identidade não se limita às categorias “masculino” ou “feminino”), a situação se repete. Há locais na cidade que permitem a sua existência, enquanto outros nem tanto. “Sinto que consigo transitar porque sou muito protegido pelo dinheiro. Tenho sorte de não ter sido expulsa de casa, ter acesso ao ensino superior e me posicionar no mercado, coisas que geralmente a população trans não tem”, explica. “Mesmo assim, ainda existem espaços onde não me sinto com o direito de transitar”, conta, lembrando-se de episódios em que foi proibida de frequentar vestiários e banheiros femininos. “Mas, dentro do meu cotidiano, não fico limitado a ser quem eu sou”, celebra.

O papel da arquitetura

Ao se falar sobre habitação e cidadania, fica evidente a urgência da arquitetura urbana em promover a cidade de fato para as pessoas. Como instrumento social, a arquitetura inclusiva pode garantir ambientes apropriados não só para uma comunidade específica como a LGBT+, mas para todos. “Os arquitetos e urbanistas têm várias ferramentas para ajudar na criação de espaços mais acolhedores. Áreas mais abertas e livres, por exemplo, geram espaços com mais possibilidades de apropriação e convivência”, explica Danielle. Por si só, a apropriação cria um espaço mais seguro, onde as pessoas apoiam a vigilância umas das outras e geram espaços de segurança comuns. 

Segundo a arquiteta, a chave para o combate à intolerância e o ao preconceito na cidade está na criação de mais áreas públicas como o Largo do Arouche. “A discriminação só diminuirá quando a cidade possuir lugares que propiciem o encontro do diferente de forma espontânea, onde as pessoas possam conviver com diferentes tipos de vivência, corpos e estilos”, sugere. “A arquitetura deve propor espaços mais diversos possíveis, pensados para que pessoas diferentes convivam. Afinal, muito da discriminação vem do desconhecimento do outro, do diferente. As pessoas negam a existência das outras”.

Para o agora, a arquiteta ressalta a importância de a própria cidade escutar a população LGBT+. “A comunidade precisa estar em espaços de poder e decisão sobre a cidade. Sem isso, nunca vamos conseguir uma sociedade realmente inclusiva. É fundamental que a população LGBT construa a cidade enquanto sociedade civil, sendo escutada, mas também dentro das posições de tomadas de decisão”, argumenta.

Polícia de São Francisco, nos EUA, celebra mês do Orgulho LGBT com uniformes nas cores do arco-íris

Brasão da polícia, bordado de dourado, será vendido a aproximadamente R$ 80 e os fundos serão doados para ONG

Polícia de São Francisco ganha uniformes e viaturas LGBTs em homenagem ao Stonewall. Foto: Facebook/@SFPD

Junho é considerado o mês do Orgulho LGBT. E para comemorar a ocasião, a polícia de São Francisco, nos Estados Unidos, produziu uniformes nas cores do arco-íris para os agentes e viaturas coloridas.

Além disso, o brasão da polícia, bordado nas cores dourado, também serão vendidos ao público por US$ 20 (aproximadamente 80 reais). O valor arrecadado será revertido para a ONG Larkin Streeth Youth Services, que cuida de pessoas que assumiram a homossexualidade, mas foram expulsas e casa e não têm mais moradia.

“O SFPD se esforça para ser um departamento diversificado e tem funcionários em quase todos os níveis. Queremos incentivar conversas positivas com as comunidades LGBTQ e o Pride Patch simboliza nossa inclusão”, diz a legenda da imagem publicada no perfil oficial do Departamento de Polícia de São Francisco no Facebook.

Assista ao vídeo:

Dia do Orgulho Nerd: Conheça as cidades mais geeks do Brasil

Comemorado em 25 de maio, o dia promove a cultura nerd e faz referência a ‘Star Wars’ e ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’

Em 25 de maio de 1977, foi lançado o primeiro filme de ‘Star Wars’. Foto: Voltordu/Pixabay

Para comemorar o Dia do Orgulho Nerd, também conhecido como Dia da Toalha e celebrado em todo 25 de maio, a Amazon divulgou uma lista com as dez cidades mais geeks do Brasil.

O ranking é resultado da compilação de dados de vendas nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, considerando a base per capita. A lista considera as vendas de diversos produtos geeks, incluindo livros, e-books, quadrinhos e comic books, brinquedos, jogos e videogames, além de itens de decoração e para a casa associados à cultura nerd.

A plataforma online da empresa conta com muitos produtos relacionados, por exemplo, a Star WarsGame of ThronesHarry PotterDC Comics e Marvel. Os dados coletados para o ranking contemplam produtos vendidos entre abril de 2018 e abril de 2019. São Caetano do Sul permanece no topo da lista pelo segundo ano consecutivo. Em 2017, o município ficou em terceiro lugar.

O levantamento da Amazon fez outras descobertas: a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, é para onde a empresa mais vendeu cards de Pokémon por habitante. Já a cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, foi a que adquiriu mais canecas de Game of Thrones no site, seguida por Presidente Prudente, em São Paulo.

A paixão pelos bonecos Funko! parece ser maior em Carapicuíba, cidade paulista líder em compras dos itens. A famosa Itu, também em São Paulo, foi a cidade com o maior número de aquisições de produtos de decoração dos heróis de Vingadores.

O dia 25 de maio foi escolhido como o Dia do Orgulho Nerd por vários motivos. Um deles é que foi nesse dia, em 1977, que o primeiro filme de Star Wars foi lançado. Mais tarde, a data também foi nomeada como Dia da Toalha em homenagem a Douglas Adams, autor da série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias – em que a toalha é item essencial.

Confira, a seguir, as dez cidades mais nerds do Brasil:

1. São Caetano do Sul/SP

2. Florianópolis/SC

3. Niterói/RJ

4. Santos/SP

5. Barueri/SP (aparece pela primeira vez)

6. Porto Alegre/RS

7. Brasília/DF

8. Curitiba/PR

9. Balneário Camboriú/SC

10. São Paulo/SP

Taiwan é primeiro país da Ásia a legalizar casamento entre pessoas do mesmo sexo

Decisão do Parlamento chega 2 anos após a Justiça dizer que proibição era inconstitucional

Manifestantes celebram aprovação do casamento gay do lado de fora do Parlamento em Taipei – Sam Yeh/AFP

TAIPEI | AFP – O Parlamento de Taiwan legalizou nesta sexta-feira (17) o casamento entre pessoas do mesmo sexo. É o primeiro país da Ásia a fazer isso.

Durante a votação, manifestantes favoráveis ao casamento gay foram protestar na frente do Parlamento, mesmo sob forte chuva.

“Em 17 de maio de 2019, o amor triunfou em Taiwan”, declarou a presidente Tsai Ing-wen, que havia incluído essa medida entre suas promessas de campanha. A data é o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. 

“Demos um grande passo para a igualdade verdadeira e convertemos Taiwan em um país melhor”, acrescentou, em um post, acompanhado da bandeira do arco-íris.

Em maio de 2017, o Tribunal Constitucional da ilha emitiu uma sentença histórica, na qual julgou inconstitucional privar as pessoas do mesmo sexo do direito ao casamento, e deu um prazo de dois anos para que o governo mudasse a lei, com o alerta de que se nada fosse feito, o casamento gay se tornaria legal de forma automática.

No entanto, a oposição conservadora reagiu e realizou referendos pelo país, nos quais a maioria se mostrou contrária ao casamento gay.

Nesta sexta, o Parlamento votou três projetos sobre o tema. O que foi aprovado, com apoio do governo, foi o mais progressista e o único que usava a palavra “casamento”. Os outros propunham algo mais próximo a uma união civil.

Dentro da câmara, outros artigos da lei ainda estão sendo debatidos, incluindo aquele relacionado aos direitos para casais homossexuais em termos de direitos de adoção. 

Os casais homoafetivos não conseguirão a igualdade neste ponto, porque a proposta mais progressista só prevê a possibilidade de adotar o filho biológico de um dos membros do casal.

As associações de defesa dos direitos da comunidade LGBT, no entanto, declararam estar dispostas a fazer concessões nessa área em troca do reconhecimento do conceito de casamento. A ideia é que as batalhas pela adoção e gravidez por meio de barriga de aluguel podem esperar.

A aprovação coloca Taiwan na vanguarda pelo crescente movimento por direitos LGBT na Ásia. A ilha, separada da China desde 1949, realiza a maior parada gay do continente.  

Apesar da nova lei, o país tem grupos de pressão religiosos fortes, especialmente nas áreas rurais. 

Relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo são consideradas um crime em 70 países, segundo um relatório divulgado em março. A maioria está na África: são 33 nesse continente, além de 22 na Ásia, 9 nas Américas e 6 na Oceania.

Tomar café com gatos é a nova moda destas cafeterias

Hoje, no Brasil, pelo menos quatro locais adotam o conceito de forma adaptada
Por Estadão Conteúdo

Café com Gatos: cafeteria é a pioneira na ideia de tomar café ao lado de gatinhos (Café com Gato/Divulgação)

São Paulo – Como em um reality show, eles dormem, comem, brincam e até afiam as unhas sob o olhar de admiradores. A “casa de vidro” não é televisionada, mas um cômodo dentro de uma cafeteria, em que clientes podem observar 12 felinos. Por lá, eventualmente, ouve-se ao fundo alguém murmurar um “ah” enquanto um felino faz alguma gracinha.

Espaços e serviços de interação com gatos têm sido abertos no País há cinco anos, inspirados nos “cat cafés” surgidos na Ásia, em que os bichos chegam a circular pelas mesas. Hoje, pelo menos quatro locais adotam o conceito de forma adaptada: por questões sanitárias, a maioria mantém um gatil de vidro, do qual é possível avistar os bichos e, eventualmente, visitá-los.

O pioneiro é o Café com Gatos, de Sorocaba e com uma filial em Campinas, no interior paulista. “Só de estar no mesmo ambiente, já é diferente”, conta a proprietária, Fabiana Ribeiro. “O interesse por gato tem crescido. Antes as pessoas tinham muito preconceito. Mas mudou, talvez porque combina mais com o ritmo louco de vida.”

A biomédica Ana Carla Chervencov vai ao local todos os dias. “É a minha segunda casa. Venho de tarde, de noite. Tomo um café e fico olhando”, conta. “Amo bichos, fico horas aqui.”

Outro café é o Gatto Macchiato, de Teresópolis, na serra fluminense. O local também isola os felinos por um “aquário”, mas permite visitas. Para entrar, é preciso obedecer regras, como não acordar os bichanos. Com exceção de três “residentes”, os demais estão disponíveis para adoção. “É um local totalmente dedicado a eles, uma Disneylândia de gatinhos”, diz Mario Luiz Lima, de 54 anos, um dos sócios.

Já em Porto Alegre, a experiência é diferente: os clientes convivem com os felinos na ioga, seguida de um chá. “Eles interagem bem, mas não chegam a invadir a aula, ficam ali, dá um clima diferente”, explica Ana Luiza Bittencourt, de 37 anos. “Quem curte gato quer fazer tudo com gato”, justifica.

Aos 40, casa noturna de NY esbanja juventude

O Sugar Hill abriu suas portas em 1979, e ainda hoje atrai público jovem interessado em sua história
Arielle Gordon, The New York Times

Com o Sugar Hill, o ambiente do ‘Brooklyn original’ sobrevive a um crescente aburguesamento do bairro. Foto: Gioncarlo Valentine para The New York Times

No início de março, o coletivo de techno e house music Sublimate postou nas redes sociais um lista de seus mais recentes eventos noturnos, com DJs de Detroit e Londres, em um local histórico do Brooklyn cujo nome não foi mencionado. Entretanto, para alguns leais habitués da noite de Nova York, o lugar era óbvio: Sugar Hill Restaurant & Supper Club.

Somente no ano passado, o Sugar Hill hospedou duas gravações da Boiler Room – uma plataforma de streaming que transmite sets de DJs e festas underground. E embora o proprietário do clube, Eddie Freeman, que abriu o local em 1979, desejasse que os produtores do evento não mantivessem as luzes tão baixas, sempre compartilhou seu amor pela vida noturna.

Freeman, nascido nos arredores de Kinston, na Carolina do Norte, disse que foi para Nova York em 1957, com US$ 40 no bolso e uma caixa de galinha frita, deixando para trás uma comunidade rural segregada. Os negócios dos brancos ocupavam um lado da Rua Principal em Kinston. Do outro lado, os restaurantes e clubes noturnos dos negros prosperavam em um setor chamado Sugar Hill.

Ele encontrou trabalho em Nova York, de início em fábricas, e depois nos Correios. Com o dinheiro de sua aposentadoria, ele adquiriu um prédio e abriu uma discoteca. Saudoso dos clubes da sua terra, ele a batizou Sugar Hill.

Agora com 78 anos, Freeman compartilha das responsabilidades do dia a dia do clube com seus dois filhos, Aaron e Akesha, que herdaram seu entusiasmo pelo espaço. O Sugar Hill “era o seu sonho”, contou Aaron falando do pai.

Inicialmente, o DJ “só tocava disco”, segundo Freeman. Mas ao longo dos anos, Sugar Hill diversificou seu programa e passou a tocar astros do R&B como Harold Melvin e o pioneiro do Blue Notes e da house music, Colonel Abrams. Em meados dos anos 1980, o clube se tornou suficientemente lucrativo a ponto de Freeman ter de dedicar-se a ele em tempo integral.

À medida que foi crescendo, Sugar Hill ganhou fama de local de encontro da comunidade e funcionou como ponto de reunião de personalidades políticas nacionais, como Jesse Jackson e Hillary Clinton.

Para Freeman, o envolvimento cívico foi importante desde o começo. “Ele queria participar das reuniões”, disse Akesha. “Queria fazer parte da comunidade”. Freeman e os filhos continuam mantendo o Sugar Hill como empreendimento familiar. A certa altura, ele contou, ofereceram-lhe US$ 15 milhões pelo imóvel, mas ele recusou. 

Atualmente, depois de 40 anos, Sugar Hill continua uma instituição, embora o bairro esteja testemunhando um rápido aburguesamento. “Quando abrimos as portas, foi o sucesso”, disse Aaron. “Se você visse um branco nas proximidades, levaria um choque”. A chegada de novos habitantes provocou uma mudança inconfundível na clientela do clube. “Agora, você vê uma fila que dá a volta da quadra, com até 700 brancos do lado de fora esperando para entrar no Sugar Hill”.

Freeman vê com humor estas novas multidões – jovens de outros lugares que lotam o clube nos fins de semana para dançar. “Há noites em que o alugamos para hipsters (uma subcultura da classe média americana)”. Akesha disse que para alguns jovens clientes, a atração do Sugar Hill está em sua história. “Eles gostam da sua história. Eles o consideram ‘o Brooklyn original'”.

Na festa do Sublimate, em uma noite de sexta-feira, o pátio do Sugar Hill estava lotado de jovens usando gorros adaptados e fumando cigarros eletrônicos Juul (que elevam o teor da nicotina) – hipsters, segundo a definição de Freeman. A recepção de um funeral havia sido realizada no mesmo espaço horas antes.

Embora Freeman se mantenha distante deste negócio (“fumaça demais”, segundo ele), o espírito de Sugar Hill era palpável na pista de dança lotada. Em algumas trilhas techno, o DJ tocou um remix de “Keeep Your Body Workin”, de Kleeer, um sucesso disco que esteve nas listas dos mais vendidos em 1979, quando Sugar Hill foi inaugurado. Para Freeman, uma coisa permanece coerente em todas as mudanças da clientela. “É uma música que dá vontade de dançar”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA