British Fashion Council e Google Arts & Culture lançam plataforma digital

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British Fashion Council une forças com o Google Arts & Culture e lança uma plataforma digital dedicada aos designers e figuras da moda britânica nesta segunda-feira (05.12), quando acontece o British Fashion Awards. A iniciativa apoia a BFC’s Education Foundation tem como objetivo mostrar a história e o patrimônio da moda britânica através de exposições virtuais de grifes como Burberry e Alexander McQueen (é possível dar zoom nos detalhes e ver as peças em 360 graus), vídeos exclusivos e experiências de realidade virtual.

“Esta colaboração representa um novo passo para a indústria. Esperamos que este projeto não só inspire, mas também eduque – permitindo que os jovens que queiram entrar na indústria moda possam ver os talentos, habilidades e carreiras que marcaram esta indústria multifacetada”, diz Caroline Rush, diretora-executiva do British Fashion Council.

A plataforma educacional é acessível via desktop, laptop e celular, bem como através do aplicativo Google Arts & Culture para celular em iOS e Android. O Google Arts & Culture é uma plataforma que oferece uma experiência digital em arte, história e cultura e faz parte do Google Cultural Institute.

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Moana, nova heroína da Disney, representa a importância da mulher na cultura da Polinésia

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Outra grande atração de sábado, 3, na CCXP foi o painel da Disney com os diretores de Moana – Um Mar de Aventuras. John Musker e Ron Clements falaram de sua heroína feminista e do risco de transformar o mar em personagem. Musker também comentou os 110 anos de nascimento do lendário Walt Disney nesta segunda-feira, 5. E os 50 anos de sua morte, no próximo dia 15.

Moana está sendo saudada como heroína feminista. O que pensa disso?
Não era nosso objetivo criar uma heroína feminista, mas o público a recebeu assim e o estúdio está feliz com o sucesso do filme. Para nós, Ron e eu, o importante era honrar a cultura da Polinésia, seus mitos e a importância da mulher nessa cultura. Se isso faz de Moana uma feminista, que seja.
E o desafio de fazer animação debaixo d’água?
Era bem maior quando John (Lasseter) fez Procurando Nemo. A técnica se aprimorou muito e existem programas especiais na Disney-Pixar. Nosso maior desafio foi conceitual. Transformar o mar em personagem da saga de navegadores.
Neste mês se comemoram o nascimento e a morte de Walt Disney. O que representa isso?
Tinha 10, 11 anos quando Walt morreu. E chorei. Senti-me órfão, mesmo que tivesse pais maravilhosos. Ele foi muito criticado, mas, como artista, era extraordinário. Nos ensinou a sonhar, a não aceitar limites. Como visionário, fez avançar a animação e o cinema.
Luiz Carlos Merten,
O Estado de S. Paulo

‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ deve estrear na Broadway em 2018

Da esq. para dir., os atores que vivem Rose, Hermione, Rony, Lilian (a filha de Harry e Gina), Tiago, Harry, Alvo e Gina em cena da montagem londrina

Após uma estreia concorrida no West End londrino em julho, a produção de “Harry Potter and the Cursed Child” (“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”) negocia levar a peça para a Broadway, anunciaram os produtores do espetáculo.

A peça, baseada no famoso bruxinho da escritora J.K.Rowling, deve fazer temporada no Lyric Theater de Nova York, que passará por uma reforma multi-milionária para receber a elaborada produção, segundo disseram os produtores no site Pottermore.com, de Rowling.

O Lyric Theater é um dos maiores teatros da Broadway, com aproximadamente 1.900 lugares, e abrigou produções complexas, como “Chitty Chitty Bang Bang”, em 2005, e “Spider-Man: Turn Off the Dark”, que ficou em cartaz de 2010 a 2014.

Para “Criança Amaldiçoada”, a casa reduzirá seus assentos para 1.500, com o intuito de “acomodar o visual e ambiente dramáticos” da peça.

O espetáculo está com os ingressos esgotados no Palace Theater de Londres até 2018, mas há uma expectativa de que novas entradas sejam postas à venda em janeiro.

A peça se passa 19 anos após a conclusão da série de jovens bruxos de Rowling, que se encerrou com o livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte” (2007).

A montagem foi escrita por Jack Thorne, com um roteiro cocriado por Rowling, e se concentra na vida de um Harry Potter adulto e seus filhos.

O livro com o roteiro de “Criança Amaldiçoada”, lançado para coincidir com a estreia da peça, tornou-se best-seller neste ano, com mais de 3 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos apenas no primeiro mês. [Reuters]

Irina Shayk surpreendeu time da Victoria’s Secret com notícia de gravidez após desfile: “Ninguém desconfiou”

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Apesar de aparecer com a barriga um pouco maior em um desfile da Victoria’s Secret, na quarta-feira (30), em Paris, Irina Shayk surpreendeu suas colegas com a notícia de que está grávida.

De acordo com uma fonte da revista People, a maioria das pessoas que acompanhou ou participou do desfile não sabia sobre a gravidez e não percebeu nada diferente na modelo. “Algumas de suas roupas eram menos reveladoras na barriga. Vendo as notícias após o show, isso faz sentido”, contou a fonte. “Ninguém suspeitava nos bastidores. Ela estava linda como sempre”.

A top model está esperando seu primeiro filho com o ator Bradley Cooper, com quem está namorando há mais de um ano. De acordo com informações da imprensa internacional, a gestação está no final do primeiro trimestre.

Camila Alves e McConaughey levam 3 filhos a lançamento

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Matthew McConaughey , Camila Alves e os filhos (Foto: Getty Images)
Matthew McConaughey e Camila Alves fizeram um passeio em família nesse sábado (3). O ator e a modelo levaram os três filhos para a première de ‘Sing: Quem Canta Seus Males Espanta’, realizada em Los Angeles.
Assim como o pai, os pequenos Levi, 8 anos, Livingston, 3, e Vida, 6, compareceram ao tapete vermelho usando terninhos. Já a modelo brasileira apostou em um vestido longo com bolinhas.
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Os pais apaixonados começaram a namorar em 2006, ficaram noivos cinco anos mais tarde e se casaram em junho de 2012.
A animação ‘Sing’ que conta com a voz de McConaughey tem previsão de estreia para os cinemas brasileiros em 22 de dezembro.

Apple admite pela primeira vez plano para desenvolver carros autoguiados

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Tim Bradshaw
Do “Financial Times”

A Apple admitiu publicamente pela primeira vez seus planos de desenvolver carros autoguiados, com uma carta na qual insta as autoridades regulatórias das rodovias dos Estados Unidos a promover “competição leal” entre os recém-chegados à indústria automobilística e os fabricantes tradicionais.

Em uma declaração incomumente franca que acompanhou a carta, um porta-voz da Apple confirmou o trabalho da empresa quanto a sistemas autônomos que poderiam ser usados para transformar “o futuro dos transportes”.

A carta da Apple ressalta os “significativos benefícios sociais dos veículos automatizados”, que ela descreve como uma tecnologia capaz de salvar vidas, dado o potencial de prevenir milhões de colisões de carros e milhares de mortes a cada ano.

A carta foi assinada por Steve Kenner, diretor de integridade de produtos da Apple, e enviada em 22 de novembro.

A revelação destaca até que ponto a Apple pode enfrentar dificuldades para manter o segredo pelo qual é notória no desenvolvimento de novos produtos, agora que está ingressando em mercados altamente regulamentados, como os de transporte e saúde.

Centenas de funcionários da Apple vêm trabalhando em um carro elétrico há mais de dois anos, disseram pessoas familiarizadas com o projeto.

O jornal “Financial Times” reportou, em fevereiro do ano passado, sobre o laboratório secreto de pesquisa, que fica em Sunnyvale, perto da sede da empresa em Cupertino, Califórnia.

Desde então, a despeito de vazamentos de informações sobre o progresso ocasionalmente difícil do projeto, os executivos da Apple vinham se recusando a admitir que a iniciativa automobilística da empresa existia.

Será mais difícil para a empresa manter essa posição depois da publicação da carta que ela enviou à Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) dos Estados Unidos, como parte do diálogo regular entre a agência fiscalizadora e a indústria quanto às regras para tecnologias em rápido desenvolvimento.

“A Apple usa aprendizado mecânico para tornar seus produtos e serviços mais inteligentes, e mais pessoais”, escreveu Kenner. “A companhia está investindo pesadamente no estudo de aprendizado mecânico e automação, e está empolgada sobre o potencial dos sistemas automatizados em muitas áreas, entre as quais o transporte”.

Mais adiante ele propõe salvaguardas para a privacidade dos consumidores, e compartilhamento de dados mais frequente entre os fabricantes, para promover a segurança, e faz considerações éticas quanto ao impacto dos carros autoguiados sobre o emprego e os espaços públicos.

A carta se seguiu a uma mudança recente de prioridade na Apple, rumo ao desenvolvimento de sistemas autônomos que sirvam de base a um carro, depois que Bob Mansfield, um veterano da empresa, foi apontado para o comando do projeto automotivo, alguns meses atrás, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto.

Um porta-voz da Apple confirmou a carta, que oferece a mais clara declaração até o momento sobre as intenções da companhia.

“Nós encaminhamos comentários à NHTSA porque a Apple está investindo pesadamente em aprendizado mecânico e sistemas autônomos”, disse o porta-voz da Apple. “Existem muitas aplicações potenciais para essas tecnologias, entre as quais o futuro dos transportes, e por isso queremos trabalhar com a NHTSA para ajudar a definir as melhores práticas para o setor”.

A despeito de seu foco atual nos sistemas que embasariam um veículo autoguiado, a carta deixa em aberto a possibilidade de que a Apple vá adiante e projete e produza um carro por contra própria, em lugar de apenas fornecer tecnologia a um fabricante estabelecido.

“Para maximizar os benefícios de segurança dos veículos automatizados, encorajar a inovação e promover a competição leal, os fabricantes estabelecidos e os novos ingressantes deveriam ser tratados igualmente”, a Apple afirmou na carta.

Além de criar um campo de jogo nivelado para os recém-chegados do Vale do Silício que podem se ver competindo com as montadoras tradicionais de Detroit, os novos regulamentos deveriam possibilitar testes mais rápidos de novos desenvolvimentos tecnológicos, propõe a carta.

A espera de autorização das autoridades regulatórias a cada nova versão de uma tecnologia alonga em meses o processo de desenvolvimento.

Em um dos trechos mais controversos da carta de cinco páginas, a Apple diz que os fabricantes deveriam compartilhar dados, ao desenvolverem sistemas automatizados, para ajudar na identificação generalizada de uma ampla gama de situações incomuns ou “casos limite” que carros podem encontrar nas estradas.

“As empresas deveriam compartilhar cenários sem identificação precisa e dados dinâmicos de colisões e quase acidentes”, escreveu a Apple. “Ao compartilhar dados, o setor criará conjuntos de dados mais abrangentes do que aqueles que qualquer companhia poderia criar sozinha”.

No entanto, ela acrescentou que “o compartilhamento de dados não deve ocorrer em detrimento da privacidade”.

A Apple instou a agência regulatória a continuar a “exploração ponderada das questões éticas” associadas a carros autoguiados.

“Porque os veículos automatizados prometem impacto humano tão amplo e profundo, as empresas deveriam considerar as dimensões éticas deles em termos igualmente amplos e profundos”, a Apple escreveu.

Essas considerações incluem privacidade, a forma pela qual os sistemas de software dos carros tomam decisões e o impacto sobre o emprego e os espaços públicos, afirmou a empresa.

Os especialistas estão divididos e não sabem se carros autoguiados causarão imensos congestionamentos ou esvaziarão as ruas, e sobre até que ponto eles livrarão espaços urbanos usados como garagens e estacionamentos para a construção de mais moradias ou parques.

A automação de empregos como os dos taxistas e caminhoneiros pode elevar o desemprego entre os trabalhadores de baixa capacitação, alguns analistas alertaram.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

Marina Abramovic lança livro de memórias

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Marina Abramovic (Foto: Manuel Nogueira)

Nasci em um lugar sombrio, a Iugoslávia do pós-guerra. Uma ditadura comunista, com o marechal Tito no comando. Na Belgrado da minha infância faltava tudo, não havia nem mesmo o monumentalismo da Praça Vermelha, de Moscou. De certa maneira, tudo era de segunda mão. Como se os líderes do país tivessem olhado pelas lentes do comunismo dos outros e tivessem construído alguma coisa pior, menos funcional e mais descompensada.
Famílias inteiras moravam em apartamentos no mesmo prédio. Os jovens nunca conseguiam um lugar só para eles, pelo contrário. Cada unidade abrigava algumas gerações: os avós, os recém-casados, os filhos.
Minha família, no entanto, não precisou passar por isso. Meus pais eram heróis de guerra – eles lutaram contra os nazistas com os apoiadores da resistência iugoslava, comunistas chefiados por Tito -, e assim, depois da guerra, tornaram-se membros importantes do partido.
Meu pai foi designado para a guarda de elite do marechal Tito e minha mãe, para ser supervisora de monumentos históricos e diretora do Museu de Arte e Revolução. Morávamos num apartamento espaçoso no centro de Belgrado com oito cômodos para quatro pessoas – meus pais, meu irmão mais novo e eu.

A capa do livro de memórias de Abramovic, a ser lançado em janeiro no Brasil pela editora José Olympio (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)A capa do livro de memórias de Abramovic, a ser lançado em janeiro no Brasil pela editora José Olympio (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Minha mãe, Danica, e meu pai, Vojin, se apaixonaram durante a Segunda Guerra Mundial: um salvou a vida do outro. Ela era responsável por encontrar os partidários feridos e levá-los para um local seguro.
Mas um dia, durante uma investida alemã, minha mãe adoeceu. É muito provável que ela tivesse morrido ali, se meu pai não fosse tão mulherengo. Mas, quando ele a viu, carregou-a para um local seguro, onde foi cuidada até recuperar-se.
Seis meses depois, minha mãe estava de volta à linha de combate, ajudando a trazer soldados para o hospital. Lá, reconheceu de imediato que um dos gravemente feridos era o homem que a havia salvado. Quando a guerra terminou, como em um conto de fadas, eles se casaram. Eu nasci no ano seguinte – em 30 de novembro de 1946.

A surpreendente história de amor dos meus pais os tinha unido, mas eram muitas as diferenças que os separavam. Minha mãe era de uma família rica e intelectual. Lembro-me de minha avó dizer que, quando minha mãe saiu de casa para ir se juntar aos partisans, ela deixou para trás 60 pares de sapatos.
Já a família do meu pai era pobre, mas de grandes guerreiros. Meu avô fora um oficial condecorado no exército. Meu pai via o movimento como a única forma de mudar o sistema de classes.
O maior problema, no entanto, era a infidelidade dele, algo que fez o casamento tornar-se uma verdadeira guerra. Nunca vi eles demonstrando qualquer tipo de afeto um pelo outro. Pode ser que fosse apenas um velho hábito dos tempos da resistência, mas os dois dormiam com pistolas carregadas nas mesas de cabeceira.
Minha mãe era obcecada por organização e limpeza. Ela costumava me acordar no meio da noite se achasse que eu estava bagunçando a cama enquanto dormia. Até hoje, durmo em apenas um lado da cama, perfeitamente imóvel. Quando me levanto de manhã, posso simplesmente virar as cobertas de volta para o lugar.
Durante a infância, eu era frequentemente castigada pelas menores infrações, e as punições eram quase sempre físicas, como socos e tapas. Minha mãe e a irmã dela, Ksenija, que morou conosco por algum tempo, aplicavam os castigos, nunca meu pai.
Foi já nessa época, a partir dos 6 anos de idade, que eu soube que queria ser artista plástica. Embora minha mãe me punisse por muitas coisas, ela me incentivava nessa área. A arte era sagrada para ela. E, assim, em nosso apartamento espaçoso, eu não só tinha meu próprio quarto, mas meu próprio ateliê de pintura.

Os pais da artista durante a Segunda Gerra (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)Os pais da artista durante a Segunda Gerra (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Os anos da minha adolescência foram desesperadamente estranhos e infelizes. Na minha cabeça, eu era a aluna mais feia da escola. Os colegas me chamavam de girafa. Por ser tão alta, eu tinha de sentar nos fundos da classe, mas não enxergava o quadro-negro e tirava notas baixas.
Por fim, eles chegaram à conclusão de que eu precisava de óculos. Não estamos falando de óculos normais – os meus eram aqueles horríveis, que vinham de algum país comunista, com lentes grossas e armação pesada. Nessa época eu era extremamente tímida. Hoje posso ficar facilmente diante milhares de pessoas. O que aconteceu? A arte aconteceu.
Minha primeira aula de pintura foi aos 14 anos. Meu pai pediu a um velho amigo artista que me ensinasse algo sobre o assunto, seu nome era Filo Filipović. No primeiro encontro, Filipović cortou um pedaço de tela e a estendeu no chão. Abriu uma lata de cola e atirou o líquido sobre a tela; acrescentou um tantinho de areia e pigmentos amarelo, vermelho e preto. Ele então derramou meio litro de gasolina sobre tudo, acendeu um fósforo e explodiu. “Isso é um pôr do sol,” disse-me. Fiquei muito impressionada com aquela cena. Esperei que os restos secassem e então, com muito cuidado, pendurei a obra na parede.
Mais tarde, compreendi por que essa experiência tinha tanta importância. Ela me ensinou que o processo era mais importante que o resultado, exatamente como a performance significa mais para mim do que o objeto.

Assisti ao processo da criação e depois ao processo da destruição. Posteriormente, li – e adorei – a citação de Yves Klein: “Meus quadros não são mais que as cinzas da minha arte”.
Pouco tempo depois, vi 12 jatos militares voando e deixando rastros brancos no céu. Fiquei olhando, fascinada, enquanto as marcas desapareciam lentamente. De repente, tive um estalo: por que eu deveria me limitar a duas dimensões, quando podia fazer arte a partir de absolutamente qualquer coisa: fogo, água, o corpo humano?

Marina aos 4 anos, em Belgrado. (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)Marina aos 4 anos, em Belgrado. (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Logo depois que me formei, na Academia de Belas Artes de Belgrado, em 1970, aconteceu uma coisa impactante na minha vida: eu acabei engravidando de meu namorado da época, Neša. Eu abortei – foi o primeiro de três abortos que eu faria na minha vida. Nunca quis ter filhos.
Pouco depois, meus pais decidiram me mandar para Zagreb, na Croácia, para estudar no ateliê do pintor Krsto Hegedušić. Lá, ele me disse duas coisas das quais eu nunca me esqueci: “se você se tornar tão hábil no desenho com a mão direita a ponto de fazer um esboço bonito de olhos fechados, deve imediatamente passar a usar a mão esquerda, para evitar a repetição de si mesmo”. A segunda era sobre não se iludir em ter ideias. Se for um bom pintor, pode ser que tenha uma única inspiração durante toda a vida. Se você for um gênio, talvez chegue a ter duas, e só. Hegedušić tinha razão.

Durante a juventude, sempre achei muito importante entrar em contato com o mundo lá fora. Escrevia para galerias de toda parte – da França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha,  dos Estados Unidos -, pedindo catálogos e livros. E eles começaram a chegar, aos montes, empilhando-se na minha gigantesca caixa de correspondência. Eu lia cada um deles, absorvendo vorazmente todos os desdobramentos do mundo da arte, sonhando com a hora em que eu faria parte deles. [Marina Abramovic]