Mulher-Maravilha | “Ainda existe muito medo associado ao filme”, diz Gal Gadot

0517.w.CM.cover.gal.lo3 (1)Em entrevista à TotalFilm (via HH), Gal Gadot falou de Mulher-Maravilha e de como acredita que ainda há muito medo em relação ao filme:

“Acho que há um atraso em entender até onde o feminismo foi. Levou um longo tempo antes de uma mulher que pode lutar ser realmente tratada como uma personagem universal. Acho que existe muito medo associado à Mulher-Maravilha. As pessoas estão tipo ‘como uma mulher pode lutar? Como uma mulher pode ser sexy e violenta ao mesmo tempo?’. Acho que realmente é o tempo que podemos parar de discutir esse aspecto e ela pode apenas ser uma personagem universal. Várias outras protagonistas femininas estão aparecendo nas telas onde são as personagens principais, não a ‘personagem feminina’ principal”.

mulher masra.png“Já é hora de mostrarmos a história de uma heroína. Não estamos forçando o feminismo. O que eu quero dizer com isso, é que ninguém aparece pregando sobre igualdade e como as mulheres ou podem votar ou entrar na sala do Congresso. Não é sobre isso. É sobre a perspectiva da Diana, vindo de uma ilha onde todos têm os mesmos direitos. Quando ela vem para para esse ‘mundo dos homens’ ela acha muito estranho que as mulheres não são tratadas da mesma forma. Porque, pra ela, o gênero não é uma questão”, completou.

Mulher-Maravilha tem estreia marcada para 1º de junho, com Gal Gadot e Chris Pine no elenco. Por enquanto a Warner não confirmou uma sequência para a produção, mas a heroína vai aparecer novamente em Liga da Justiça. [Camila Sousa]

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Que som é esse? Entenda a nova trilha da Linha Amarela de SP

São Paulo – Para quem pega o metrô todo dia, os avisos sonoros a cada estação fazem parte da rotina. E mudanças nela – especialmente em uma cidade estressante como São Paulo – podem não ser bem recebidas. Por isso, não surpreende que os usuários da Linha 4-Amarela não estejam lidando muito bem com as novas músicas dos trens e estações.

Desde o dia 27 de abril, a linha tem uma nova identidade sonora. Segundo a Agência Zanna, responsável pelo projeto, eles visavam melhorar o ambiente, tornando-o mais acolhedor.

“Os avisos passavam uma sensação muito fria e vimos que a comunicação poderia ser mais eficiente”, explica Zanna, sócia-fundadora da agência e diretora do projeto. “Queríamos algo mais gentil e humano para os usuários”.

As reações, porém, foram adversas. Nos trens, o que mais causa estranhamento é o toque sonoro antes do aviso da próxima estação. No momento em que ele surge, é comum ver as pessoas olhando ao seu redor e até parando suas conversas, surpresas com o som diferente. Nas redes sociais, os paulistanos tentam desvendar o instrumento que está tocando. O consenso é pelo saxofone.

O instrumento misterioso, na verdade, é um clarinete. De acordo com Zanna, ele está presente no chorinho e no samba paulistano. Também fazem parte da composição da nova trilha sonora um coro de vozes em ritmo pop e “beatbox” para as mensagens institucionais.

“Assim, a música também tem uma característica mais contemporânea”, diz Zanna.

Para criar a nova identidade para a Linha 4, a agência pensou em uma personagem que sintetiza seu espírito: “A marca seria uma mulher, de 33 anos, antenada, sofisticada, acolhedora, eficiente, transformadora e, ao mesmo tempo, contemporânea”.

Reclamações
Este não é o primeiro projeto da Agência Zanna para o transporte público e também não é a primeira vez que eles recebem críticas. “No começo, sempre estranham a mudança. No transporte, o que as pessoas ouvem fica mais evidente do que o que elas leem”, explica Zanna.

A agência é pioneira de Sound Branding na América Latina e também fez os projetos sonoros para o Aeroporto de Guarulhos, os metrôs da Bahia e do Rio de Janeiro.

“A reação dos usuários mostra a importância do som”, diz sua fundadora, Zanna. “Ainda faremos pesquisas de satisfação e ajustes para que seja uma mudança confortável”. [Luísa Granato]

O underwear de malha de seda orgânica de Nayara Costa

270417-nayara-costa-underwear-1-550x367Vem conhecer a marca de underwear de Nayara Costa, que trabalha com malha de seda orgânica!


Pode-se dizer que Nayara Costa, recém-formada em moda pela Universidade Estadual de Londrina, é uma especialista em seda – ela cresceu entre as linhas e agulhas do ateliê da mãe, o que lhe deu acesso ao conhecimento antes mesmo de ingressar na faculdade, e ela adorava trabalhar com o material. Com o tempo, vieram outras informações pro seu trabalho: a discussão sobre o corpo feminino, superforte nos dias de hoje, e toda problematização acerca da estética, conforto e roupas íntimas. Foi disso tudo que saiu seu trabalho de conclusão de curso – uma coleção, que Nayara prefere denominar “movimento”, exclusivamente de underwear com malha de seda orgânica. A marca saiu daí, em sociedade com seu namorado Allan Rolim. Batemos um papo com ela sobre o uso da seda, inspirações e sustentabilidade. Confere:

Sua marca partiu do TCC da faculdade. Como você faz sua pesquisa?
Todos os projetos e todas as roupas que fiz na vida sempre começam pelo tecido, depois vem a cor e só então a construção formal. É legal lembrar que os tecidos estão ligados a todo tipo de impacto ambiental, então deve-se avaliar bem o têxtil que vai ser usado na coleção. E minha marca é parte do TCC, mas já sabia que queria ter uma marca e a transformei em TCC, não o contrário. A pesquisa começou com uma reflexão sobre a moda atual e os movimentos sociais, como o feminismo: a consciência coletiva de empoderamento feminino impulsiona novas abordagens sobre o vestuário!

Como você trabalha a proposta de coleção dentro da sua marca?
Criei um movimento a partir do TCC, o “00”, que seria minha “1ª coleção”. Na verdade não trabalho com coleções; vou percebendo, criando as peças, e soltando-as em “movimentos”, pois não sigo o calendário de moda. E esse primeiro movimento se chama “Bem-estar”, que é a tradução literal de “Le bien-être” – o nome que a inventora Herminie Cadolle deu ao primeiro sutiã criado por ela, quando o separou do espartilho. Quis reforçar isso: assim como o primeiro sutiã, as minhas primeiras criações reforçam o bem-estar porque partem de uma indumentária historicamente usada de modo vasto pra interferir na silhueta feminina mas são bem naturais, não aumentam nem apertam o volume do corpo.

Por que a malha de seda nas peças?
Tenho uma história com a seda. É um material que minha mãe sempre gostou de trabalhar e acabei pegando isso dela! Mas acima de tudo, o Paraná tem um dos melhores fios de seda do mundo. Adquiri consciência sobre a região do Vale da Seda e qualidade do fio enquanto estava recebendo os prêmios de um concurso que participei, o “Paraná Criando Moda”, em 2014. Na casa da minha avó vejo a Bratac [uma fiadora de seda] da varanda. Os casulos excedentes, descartados, são levados pro Casulo Feliz, em Maringá, e são utilizados de diversas maneiras: viram desde tapete até decoração pra casa. Isso tudo me fez pensar na malha de seda como matéria principal.

Quais as maneiras que você encontra pra conciliar sua marca à uma produção mais sustentável, eco-friendly?
Busco valorizar a origem do material. É natural que a seda do Paraná fosse a principal matéria prima do meu trabalho – a malha de seda orgânica dos casulo rejeitados. Esse fio é altamente torcido, tem uma elasticidade interessante, impacto ambiental baixíssimo e tingimento vegetal e manual. Tenho tingimento de eucalipto, erva-mate, casca de cebola… Isso tudo entra na pauta de uma produção mais sustentável! Além disso, pra produzir a seda, amoreiras precisam ser plantadas pras larvas se alimentarem. Agrotóxico não é utilizado nas amoreira e, pra alimentar o bicho-da-seda, grandes plantações que ajudam o meio ambiente são produzidas. Inclusive, o Vale da Seda é a região que mais produz casulos em todo ocidente e eles calculam a pegada de carbono das peças, ou seja, quantas árvores de amoreira precisam ser plantadas pra que eu consiga alimentar uma quantidade X de casulos e consiga fazer uma peça Y. Resumindo: a seda é a única fibra que acaba gerando crédito de carbono em sua produção!

Que experiências você teve trabalhando com esse material?
Como gosto de trabalhar misturas de textura, tem uma variedade de construção de seda em várias gramaturas e construções na minha coleção. A poliamida também é outro material que utilizo – essa fibra foi criada pra copiar as propriedades da seda. A performance desses filamentos são excelentes pra respirabilidade da pele, mais ainda que o algodão – isso porque a gente escuta muito que a roupa de baixo precisa ser de algodão pra saúde íntima ser preservada, né? Na seda e na poliamida essa performance é ainda melhor. Penso muito no conforto e saúde dessas regiões delicadas do corpo.

Que temáticas você aborda dentro do universo das lingeries?
Acho pertinente discutir o lugar da mulher dentro de um mundo falocêntrico na sociedade contemporânea. Quero retratar isso de maneira elegante, já que todo mundo está falando de engajamento. De modo prático, traduzi pras peças interferências cirúrgicas que a mulher sofre. Por exemplo: o conjunto vermelho tem recortes que mostram a pele da mulher em locais específicos, onde podem haver cicatrizes, como a parte de baixo dos seios pra colocação de silicone ou o local de corte da cesária. Essas são particularidades do gênero feminino. Fiz também um conjunto chamado “Ciclo”, especial pros dias de menstruação da mulher, pra que ela se sinta segura com a sua roupa íntima nesse período. E todos os mecanismos de fechamento dos meus sutiãs são frontais – ou é isso ou é top mesmo. Quero quebrar com o modelo histórico de ser atrás, uma herança do espartilho, afim de dar mais liberdade e controle pra mulher no manuseio das suas próprias roupas íntimas.

Já está planejando o próximo movimento? Quais são os planos pro futuro?
O próximo movimento vai ser nesse mês de maio – uma “Black Edition” que irei publicar no meu Instagram@nayaracostabrand. As pessoas normalmente me procuram pelo Insta, recebo muita direct! As pessoas de Londrina vem até meu ateliê pra ver como tudo é produzido. Mas entregamos pro Brasil inteiro! O Insta é minha maior plataforma atualmente. No 2º semestre vou lançar o e-commerce da marca; em 2018 terei um novo ateliê e montarei também o showroom!

Nayara Costa: (43) 3064-0011

Spotify agora oferece códigos únicos para cada música

O QR Code foi (e ainda é) um recurso muito utilizado pelas marcas. Ainda que quase ninguém se importe com eles. Porém, a tecnologia foi, de certa forma, ressuscitada pelo Snapchat, que com o mesmo modo de uso criou os Snapcodes. Cada usuário possui um código único. A função, obviamente, foi mais tarde copiada pelo Messenger e WhatsApp, ambos do Facebook.

Agora, é a vez do Spotify entrar na roda. Cada música do serviço de streaming é identificada por um código único, que pode ser compartilhado como imagem.

Através do próprio aplicativo do Spotify, basta acionar a camera, apontar para o código em questão, que a música aparece imediatamente, pronta para ser tocada.

Dessa forma, a plataforma musical cria mais uma maneira de integração nas redes sociais e também no mundo físico, permitindo a impressão de códigos para eventos e campanhas específicas, por exemplo. []

Entregas imediatas de peças de alta costura podem desvalorizar o produto

1494021437122.jpgInverno 2017 da Gucci. Foto: Valerio Mezzanotti/The New York Times


O quão rápido é rápido o suficiente quando se trata de roupas e sentimento de gratificação? O quanto você realmente precisa daquele vestido, bolsa ou sandália plataforma? Comecei a me fazer essas perguntas desde que a Farfetch anunciou recentemente que passaria a entregar produtos da Gucci em um prazo de 90 minutos em dez das principais cidades do mundo. O cliente pode ‘fazer uma encomenda e, quase antes de desligar o telefone, alguém estará batendo na porta com uma linda bolsa’, afirmou o fundador José Neves com grande alarde quando liguei para conversar sobre o assunto.

Eu não ouço canções da dupla Simon & Garfunkel na cabeça com frequência (a não ser que esteja em um metrô parisiense com mais um artista de rua cantando “The Boxer”), mas agora não consigo tirar a primeira frase de ‘The 59th Street Bridge Song’ de minha mente: ‘Vá devagar, você está indo muito rápido’.

A Farfetch, o Net-a-Porter, o Matchesfashion e outros sites de produtos de varejo de alta costura já vêm oferecendo serviços para o mesmo dia em capitais do mundo e destinos de férias há algum tempo (e o Matchesfashion tem um serviço de entrega em 90 minutos em Londres), mas o negócio da Gucci leva essa ideia a outro patamar. E apesar de ser, por enquanto, mais uma oferta de nicho do que uma regra, é fácil imaginar o mesmo serviço se expandindo para outras marcas e em outras plataformas, à medida que a ‘Grande Corrida pelo Domínio do Varejo ( e Sobrevivência)’ se aqueça, on e offline.

‘Atendimento mais rápido’ é o mantra do momento, uma resposta de empresas ao que tem sido chamado de cultura da impaciência.

Mas não posso deixar de me perguntar se, pelo menos quando se trata de alta costura – as roupas que definem um momento em particular e frequentemente são adaptadas para moldar os estilos do cotidiano –, essa prática não estaria resolvendo um problema que não existe. E talvez criando um novo.

Entendo que vivemos em um mundo em que, como Neves explicou, ninguém espera por táxis, mantimentos ou mesas nos restaurantes, onde a informação é imediata e as fotos se tornam virais. Entendo que os ‘millennials’ – as pessoas da geração Y – sejam (teoricamente) o povo do ‘eu quero o que eu quero e quando eu quero’. A convicção geral diz que, se os varejistas perderem esse momento do querer, deixarão de vender.

Reconheço que desafiar essa possibilidade parece um clássico comportamento dos luditas. Mas, seguindo esse caminho, perdemos uma dose de perspectiva. “Por que devemos ser humilhados pela Amazon?”, perguntou Neves quando conversamos. Mas outra questão pode ser: por que assumimos que a Amazon controla esse campo em particular? Pode ter chegado a hora de dizer que esse jogo de dominação terminou.

Uma bolsa não é uma mamadeira para um bebê. Não é algo essencial. E não é necessariamente uma boa ideia criar uma situação em que essas coisas são equiparadas. Pode não ser sustentável, em todos os sentidos da palavra.

Em 22 de abril, foi comemorado o Dia da Terra e, na preparação do lembrete anual do que as mudanças climáticas têm causado, a indústria da moda foi ativa como sempre: a Kering se uniu à Plug and Play e à Fashion for Good, e o Conselho de Designers de Moda da América se juntou à Lexus, os dois grupos interessados em apoiar novos negócios com foco na inovação da responsabilidade na cadeia de fornecimento. Mas apesar de a indústria frequentemente equiparar a sustentabilidade a materiais e meios de fabricação e ter a tendência de atribuir os problemas dos resíduos à moda barata e descartável, deveria pensar sobre o consumo de alto nível também.

Ao tratar a moda como mercadoria – a que leva tempo para ser criada e entendida pelos consumidores –  as empresas arriscam mudar a maneira como as pessoas a pensam e a valorizam de um modo essencial. É verdade que ninguém está forçando os consumidores a optar pela entrega mais rápida (você pode ter seu casaco em dois dias, se preferir, ou mesmo em uma semana), mas o fato de essa opção existir faz com que a decisão pareça, de alguma maneira, menos problemática.

Além disso, só porque os consumidores dizem que querem alguma coisa – e segundo Neves, o tempo de entrega é o critério mais importante para compras online em qualquer pesquisa que a Farfetch já fez –, não significa que isso será o fator principal a determinar seu comportamento.

Vamos considerar o recente, e de certa forma frustrado, movimento para mudar o calendário dos desfiles de moda para o modelo ‘see now, buy now’. A razão que sustentava a mudança era quase a mesma por trás da entrega super-rápida: todo mundo tem um período de atenção truncado por causa do Instagram e, se você não entregar os produtos para os consumidores assim que eles o desejarem, vai perder essa janela de oportunidade.

No entanto, depois de apenas uma temporada, duas das quatro marcas principais que experimentaram a ideia – Tom Ford e Thakoon – desistiram (Ralph Lauren e Burberry continuam). A razão que deram foi que o mercado ainda não estava pronto, mas se elas tivessem visto uma demanda imensa e prolongada, o mercado possivelmente teria se acomodado à novidade.

Na verdade, quando se trata de moda de investimento, em oposição ao que nós antes chamávamos de ‘fast fashion’ (‘moda rápida’, que talvez agora tenha que ser renomeada para ‘moda de volume rápido de negócios’ ou algo assim) existe um valor na espera que não deveria ser descartado.

Igualando a moda de investimento com, digamos, mercadorias, a indústria mina a afirmação de que seus produtos são especiais, feitos com esforço e criatividade – todos os critérios que constituem e que justificam, de várias maneiras, seu preço. A indústria vai associá-los à ideia de disponibilidade (que é a definição do que normalmente é chamado de fast fashion, um setor em que às vezes é mais barato comprar uma camiseta nova do que lavar a que já se tem). Se investimento sugere valor ao longo do tempo, reduzir o tempo, diminui o valor. Ou seja: há uma desvantagem em se apressar para cumprir as necessidades de hoje; a ação sugere que elas podem não ser as mesmas de amanhã.

Isso já está acontecendo: o mercado de revenda de alta moda está florescendo, com lojas de consignação de peças de designers como a Vestiaire, a RealReal e a ThredUP, que está experimentando imenso crescimento. Segundo o relatório de 2017 da ThredUP (feito junto com a GlobalData), o mercado de revenda de moda vale 18 bilhões de dólares e espera-se que alcance 33 bilhões de dólares até 2021, e a mulher média americana não usa 60% das peças que tem no armário.

Até certo ponto é difícil não se perguntar se toda essa gratificação imediata não sugere várias questões estranhas. Claro, podemos consumir opiniões sem ter a mesma necessidade de consumir roupas. A maneira de se vestir é um sinal de comunicação pessoal e as peças deveriam ser aquisições de longo termo. Se não for assim, a pessoa corre o risco de sofrer um golpe em sua identidade.

O tempo pode ser um luxo, mas não devemos acreditar que gastá-lo com a expectativa é um desperdício. [Vanessa Friedman/ The New York Times – O Estado De S.Paulo]