Bob Dylan recebe o Prêmio Nobel de Literatura 2016

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Bob Dylan fotografado por Richard Avedon em 1965 (Foto: Reprodução)
Há anos cotado para o Prêmio Nobel de Literatura, Bob Dylan finalmente foi reconhecido pela Academia Sueca ao ser laureado com a honraria – e o prêmio de quase R$3 milhões – nesta quinta-feira (13.10).

Dos maiores nomes da música do século 20, Dylan é o primeiro músico a receber o prêmio de literatura. Segundo a academia, o artista de 75 anos foi escolhido por ter criado “novas expressões poéticas na grande tradição musical americana”.
Não é para menos. Dono de um repertório que inclui o primeiro disco duplo da música popular e autor de preciosidades como Blonde on Blonde, Blood on the Tracks e Time Out of Mind, Robert Allen Zimmermann expandiu os mais diferentes gêneros musicais, indo do folk ao country, do rock ao gospel, e, mais recentemente, ao cancioneiro clássico americano.

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Review: Solange aborda temas sociais em ‘A Seat At The Table’

solange-cd-novoA ascensão de Solange Knowles, que agora é só Solange, tem muito mais a ver com a o cenário musical atual, do que com a artista em si. Depois que o alternativo veio com força para o mainstream – e confundiu o que atualmente chamamos de ‘comercial’ – a irmã de Beyoncé finalmente viu a oportunidade de se mostrar mais como artista, mesmo que por vezes a produção soe ‘esquisita’ (e isso é muito bom).

O resultado foi imediato. A Seat At The Table, terceiro álbum de estúdio da cantora lançado recentemente, foi o primeiro de seu catálogo ao alcançar o topo da Billboard. É claro que vários fatores contam: a concorrência da semana de estreia, a divulgação, além de um belo trabalho precedente – tudo isso ela teve a seu favor.

Essa reviravolta na indústria fonográfica fez com que artistas como BeyoncéRihanna, por exemplo, criassem algo mais artístico, profundo, e bem diferente do aguardado. Automaticamente, se tornaram referências desse híbrido, mas a verdade é que Solange já esteve com um pé lá no alternativo muito antes das popstars já citadas e o fez muito bem.

Seu EP True, lançado em 2012, foi um dos picos de sua carreira como cantora, em que mergulhou no universo neo soul e foi buscar influências no new wave, eletronica e na percussão africana. Já em A Seat At The Table, Solange reflete ainda mais os seus 30 anos e maturidade em sua música e isso é notório.

Fica claro que o objetivo não era apenas juntar músicas boas. A cantora deixou aflorar suas experiências sobre os problemas mais comuns na vida do negro, especificamente da mulher negra, e como ela tenta se posicionar culturalmente na sociedade atual.

Assim como Lemonade, A Seat At The Table não é um álbum de fácil digestão. Se o último disco de Beyoncé parece milimetricamente pensado para causar controvérsia, Solange parece levar os assuntos mais a sério e de forma orgânica. É uma obra para se ouvir sozinho, depois ser pensada e discutida.

Muito embora sua posição social seja privilegiada, Solange quer mostrar no trabalho que a questão de preconceito também é sentida por ela e seus entes queridos. Os interludes, inclusive, trazem seus pais, Mathew e Tina Knowles, contando suas experiências com racismo, por exemplo, e, apesar de longo, tudo parece se encaixar perfeitamente.

Vocalmente, Solange também adotou um timbre mais suave, vulnerável e, por vezes, até parece com a irmã mais velha – tirando os excessos. A produção também é um dos destaques. Inúmeros instrumentos orgânicos como o baixo e piano dão um toque superinteressante e mais real à experiência, que mistura gêneros como R&B e jazz. Faixas como Weary e Cranes in The Sky falam de dor e mágoa, Mad e Don’t Touch My Hair  discutem a desvalorização da mulher negra. Diferentemente de outros discos que abordam assuntos do mesmo tema, A Seat At The Table prova que Solange está mais focada no serviço do que no sucesso – e isso deve refletir em seus próximos trabalhos. Ponto para ela. [Thyago Furtado]

CINEMA | Estreias Da Semana: Inferno – O Filme, Kóblic, Kubo e as Cordas Mágicas, Terra Estranha, O Shaolin do Sertão

cartaz-regular2_30cm_300dpiConfira agora os filmes que chegam às telas em 13 de outubro
Inferno – O Filme
Em visita a Itália, o professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon, se envolve em uma nova jornada em torno de símbolos e organizações ocultas. Dessa vez ele pretende desvendar mistérios sobre “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri.
Suspense – (Inferno) EUA, 2015. Direção: Ron Howard. Elenco: Tom Hanks, Felicity Jones, Omar Sy. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos.

Kóblic
Ambientado na última ditadura militar que ocorreu n Argentina (de 1976 a 1983), o filme conta a história de um ex-capitão do exército que foi parte dos “voos da morte”, quando lançavam pessoas consideradas subversivas no Río de la Plata. O militar se converte em fugitivo e chega a um pequeno povoado.
Drama, Suspense – (Kóblic) Argentina, 2016. Direção: Sebastián Borensztein. Elenco: Ricardo Darín, Oscar Martinez, Inma Cuesta. Duração: 115 min. Classificação: 14 anos.

Kubo e as Cordas Mágicas
Kubo vive uma vida tranquila em uma pequena vila no Japão até que um espírito vingativo faz com que todo tipo de monstros e deuses passem a perseguí-lo. Para se livrar disso, Kubo precisa encontrar a armadura mágica que seu pai, um lendário samurai, costumava usar.
Animação – (Kubo And The Two Strings) EUA, 2015. Direção: Travis Knight. Elenco: Matthew McConaughey, Charlize Theron, Rooney Mara. Duração: 90 min. Classificação: 10 anos.

Terra Estranha
O casal Catherine e Matt se muda para o deserto australiano com seus filhos e mantem uma relação distante com os outros moradores. Quando uma tempestade de areia atinge a região, seus filhos somem e os dois terão a ajuda de apenas um policial para encontrá-los, já que o resto da população acredita que eles sejam os causadores do ocorrido.
Drama, Suspense – (Strangerland) Austrália, 2016. Direção: Kim Farrant. Elenco: Nicole Kidman, Joseph Fiennes, Hugo Weaving. Duração: 112 min. Classificação: 14 anos.

O Shaolin do Sertão
Início da década de 80, interior do Brasil. Um aficcionado por artes marciais vive com a cabeça no mundo das lutas de tanto sonhar e assistir a filmes de artes marciais chinesas. Estreia em 13 de outubro no Ceará e lançamento nacional em 20 de outubro.
Comédia – Brasil, 2015. Direção: Halder Gomes. Elenco: Edmilson Filho, Bruna Hamú, Dedé Santana. Duração: 100 min. Classificação: 12 anos.

Noite de Verão em Barcelona
Na noite de 18 de agosto de 2013 o cometa Rose atravessou o céu de Barcelona, oferecendo um espetáculo único que não se repetirá por vários séculos. A atmosfera mágica e inebriante daquela noite fez florescer 567 histórias de amor. Seis delas são contadas neste filme.
Drama, Comédia Romântica – (Barcelona, Nit d’Estiu) Espanha, 2013. Direção: Dani de la Orden. Elenco: Laura de la Isla, Miki Esparbé, Sara Espígul. Duração: 96 min. Classificação: 14 anos.

Do Pó da Terra
Um retrato afetivo e aprofundado sobre a relação entre os artesãos e moradores do Vale do Jequitinhonha e a matéria-prima que utilizam, o barro, substância que vem da terra, do pó, de onde vieram os homens e que dá a chance de transformar miséria em arte.
Documentário – Brasil, 2016. Direção: Maurício Nahas. Duração: 77 min. Classificação: Livre.

Deixe-Me Viver
Luiz Sérgio é um jovem que desencarnou aos 23 anos. No plano espiritual, ele é convocado a escrever vários livros, entre eles, Deixe-Me Viver. Para escrever o livro, ele se une à uma equipe de espíritos que trabalham no resgate de outros espíritos que se encontram em ambientes espirituais inóspitos, umbrais para os espiritas, purgatório para os católicos. Principalmente espíritos que foram rejeitados pelos pais e os próprios pais depois de deixarem o plano físico.
Drama – Brasil, 2016. Direção: Clóvis Vieira. Elenco: Bernardo Dugin, Carlos Mariano, Renata Sayuri. Duração: 103 min. Classificação: 14 anos.

“Estamos dando sentido ao mundo”, diz Charlize Theron sobre feminismo

celeber.ruNo final deste ano, os Estados Unidos podem ver chegar ao poder a primeira mulher presidenta caso a candidata do partido democrata, Hillary Clinton, vença o polêmico empresário e estrela de reality show Donald Trump nas eleições de 2016. A vitória seria um marco para movimentos feministas não somente em solo americano, como também no mundo. Esta possibilidade, aliada ao fortalecimento da luta pelos direitos das mulheres em vários países, como na Polônia, onde cidadãs marcharam para barrar uma lei contra o aborto recentemente, deixa atrizes como Charlize Theron esperançosas em relação ao futuro da humanidade.

Em uma entrevista nos bastidores da nova campanha do perfume J’adore, da Dior, a sul-africana mostrou seu otimismo sobre a disseminação da agenda feminista. “Sempre me sinto afortunada por estar na presença de mulheres que estão quebrando as regras. Eu admiro isso muito. Por que não dominar o mundo, por que não mudá-lo para melhor, por que não fazer coisas que eram antes impossíveis?”, questionou.

Charlize ressaltou sua  felicidade com as transformações que irão surgir a partir das conquistas das mulheres em diferentes áreas em vários países. “Estamos vendo uma grande mudança chegando. Sinto-me afortunada por estar aqui e agora, porque coisas ótimas estão acontecendo com os direitos das mulheres, a igualdade…”

Atriz destacou ainda o papel da mulher do desenvolvimento da sociedade e acentuou a importância de as mulheres se colocarem em pé de igualdade. “Estamos dando nosso sentido ao mundo, dizendo: Nós somos tão importantes quanto os homens. Somos metade da população, nós contribuímos muito com este mundo'”, finalizou. [Marie Claire]

Moby: uma conversa sobre hedonismo, música e direitos dos animais

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Há alguns anos, o compositor, cantor, DJ e produtor norte-americano Moby trocou uma existência de excessos ao redor do mundo por um dia a dia pacato em Los Angeles. Lá, ele trabalha na divulgação do veganismo (estilo de vida que busca abolir o uso de alimentos e produtos que envolvem a exploração de animais) e em música quase que diariamente. Mas o artista resolveu recordar os tempos de perrengues, bebedeiras e sexo fácil no livro Porcelain – Memórias, a primeira parte de uma autobiografia em duas partes lançada há poucos meses no Brasil. Entre a infância pobre, o boom da cena eletrônica nos Estados Unidos e passagens curiosas – como o dia em que ele conheceu David Bowie -, o modo como Moby narra a própria vida é cândido e cativante, prendendo o leitor do início ao fim da história.

Pouco antes de anunciar o lançamento do disco These Systems Are Failing em parceria com o The Void Pacific Choir, que chega ao mercado nesta sexta, 14, Moby falou à Rolling Stone Brasil sobre a experiência de se debruçar sobre a própria trajetória, música e direitos dos animais, suas duas paixões. Ambas estarão reunidas no festival vegano Circle V, do qual ele é um dos criadores e que ocorrerá em 23 de outubro, em Los Angeles, para arrecadar fundos para a ONG Mercy for Animals. [Bruna Veloso]

Depois do lançamento do livro, você se sentiu estranho ao pensar que agora as pessoas teria acesso a todo tipo de informação sobre sua vida? Como por exemplo quando você fez o papel de um dominador BDSM durante uma noite.
Sabe o que é engraçado? Enquanto eu estava escrevendo o livro, achei que seria muito estranho ter todos esses aspectos íntimos da minha vida vindo a público. Mas depois que o livro saiu, o sentimento foi de curiosidade, mais do qualquer outra coisa. Curiosidade em relação a como as pessoas reagiriam a esse nível esquisito de honestidade.

Para você, a reação foi positiva?
No geral, sim. Eu não leio resenhas e tento não ler comentários. Mas a resposta que recebi baseada nas entrevistas a jornalistas ou em eventos de leitura nos quais pude conversar com as pessoas… Sinto que a gente vive em um mundo no qual as pessoas, sejam elas públicas ou não, tentam se apresentar de uma maneira bem desonesta. E não digo isso para afirmar que as pessoas estão mentindo. Mas elas estão tentando esconder as coisas das quais se envergonham e mostrar apenas o que fazem elas parecerem melhores. Acho que há quase um frescor ao não se fazer isso. Foi esse o retorno que tive – quase que um alívio pelo fato de não ser um livro no qual eu tento me apresentar de um jeito glorioso ou algo assim.

Já sabe quando sai o próximo livro?
Estou tentando escrevê-lo no momento. O livro 1 é bem peculiar, digamos – bom, começa comigo praticamente sem teto, vivendo em uma fábrica abandonada. Muitas coisas inesperadas e estranhas ocorrem no decorrer do livro 1. O problema com o livro 2 é que ele é muito convencional: começa em 1999 e termina em 2009 e é basicamente uma história sobre fama, alcoolismo e problemas mentais. Sinto que essa história já foi contada antes um monte de vezes. A história de se conseguir muita satisfação emocional por meio da fama e do álcool é muito antiga, e eu ainda tenho que descobrir como contá-la de um jeito novo e interessante.

Apesar de ser uma narrativa conhecida, ainda ganha a atenção das pessoas justamente por ser algo com que elas podem se relacionar, não é?
Sim, especialmente porque vivemos em uma cultura que é obcecada pela fama e pela riqueza. As pessoas acreditam que quando você tem as duas coisas, todos os seus problemas estão resolvidos. Mas se a gente olhar para as evidências, quando o indivíduo tem fama e riqueza, é mais do que comum ele acabar se destruindo. A minha esperança com o livro 2 é ser o mais honesto possível, mas sem deixá-lo muito repetitivo, porque o que acontece é muito repetitivo. No entanto, eu gosto da ideia de mostrar o que acontece de verdade com uma pessoa, do ponto de vista psicológico, quando ela é exposta a muita fama.

Em Porcelain, vemos que quando você alcança algum sucesso, acaba assumindo um estilo de vida bem hedonista. Isso em algum momento te entediou?
O hedonismo?

Sim. Ter tudo à mão ou pessoas te bajulando, como na passagem em que você narra ter recebido sexo oral de uma garota de maneira quase inesperada.
Eu não diria que me deixou entediado. Há duas razões para ser hedonista. A primeira: por você simplesmente achar que é divertido. A segunda: porque você está tentando sublimar necessidades emocionais. No caso da primeira razão, o hedonismo é ótimo. Mas, no meu caso, era a segunda opção, e eu acabei me afundando em tristeza e desespero depois de um tempo. Eu procurava aquelas festas para me curar, para curar partes de mim às quais eu nunca tinha dado atenção de fato. E o hedonismo não é bom para isso.

Descobrimos no livro que, quando sua mãe morreu, você perdeu o velório dela e logo depois foi para uma festa. Só um tempo mais tarde você chorou de fato, sozinho em um quarto de hotel. Essa memória já era presente ou foi algo que você acabou acessando para escrever o livro?
Acho que a natureza de se escrever um livro de memórias é tentar lembrar de todo tipo de coisas do seu passado – algumas vezes, são lembranças mais “enterradas”. Mas essa memória em particular não era algo escondido ou que eu tinha enterrado. Eu pensei sobre isso inúmeras vezes.

Em uma passagem, você narra um momento em que se deu conta de que queria trabalhar pelos direitos dos animais. Logo depois, você vai pra um encontro cristão, vê o cardápio todo baseado em produtos de origem animal e fica profundamente consternado pelo fato de as pessoas ali estarem supostamente pensando em um bem maior, mas deixando completamente de lado questões envolvendo o bem-estar de outros animais que não os humanos. Você ainda experimenta a raiva que sentiu naquele momento em situações semelhantes?
Sim, e por muitas razões. Especialmente quando o assunto são as pessoas que se dizem progressistas. Por exemplo: li um artigo sobre um encontro do Green Party (partido verde) dos Estados Unidos, e nele não houve nenhum debate sobre pecuária e a indústria da carne em geral, ou vegetarianismo, ou veganismo. Acho isso muito estranho e muito triste: o fato de que tantos “progressistas”, tanta gente que faz ioga, tanta gente do partido verde, tantos democratas ainda apoiam a pecuária. O fato de que apoiam um processo que mata bilhões de animais e também destrói as florestas tropicais, que contribui para as mudanças climáticas, para a resistência das bactérias aos antibióticos, para a obesidade, o diabetes, doenças do coração. Faz sentido o Donald Trump amar o McDonald’s, tem relação com a pessoa que ele é. Mas, para mim, não faz sentido pessoas e políticos progressistas apoiarem essa indústria que não cria nada além de destruição e sofrimento.

Há ativistas que acreditam que um dia a sociedade olhará para o modo como tratamos os animais da mesma maneira que olhamos para a escravidão. Você acredita que isso vai acontecer um dia?
Acho que se a raça humana estiver por aqui daqui 100 anos, vai se referir à pecuária… Olha, a escravidão foi uma coisa horrenda, terrível, nojenta. Mas se falarmos do ponto de vista do meio ambiente, a criação de animais em escala industrial tem o agravante ambiental. Acho que quando as pessoas olharem para isso no futuro, não vão pensar apenas no sofrimento absurdo causado aos animais, mas também no sofrimento causado aos humanos.

Algumas pessoas tendem a acreditar que uma abordagem ao estilo de Gene Baur* é mais efetiva para fazer as pessoas pensarem sobre o sofrimento animal do que uma abordagem como a de Gary Yourofsky**. O que você acha?
Sou vegano há 28 anos e ativista pelos direitos dos animais há 30 anos, e entendo as duas abordagens. Às vezes você quer gritar com as pessoas, às vezes você quer mostrar a elas uma foto adorável de um bezerro. Acho que o importante é ter uma estratégia flexível. Quer dizer, estamos tentando convencer as pessoas de algo. Algumas vão responder à abordagem do Gene Baur, outras à do Gary. Mas é praticamente um desserviço à causa usar a estratégia errada para a situação errada. Se gritar com alguém e vociferar sobre o fato de que essa pessoa não deve comer carne e essa pessoa simplesmente ficar com raiva de você, então claramente essa não é uma estratégia boa para o momento.

Mesmo hoje em dia, tem gente que tira sarro de ativistas que trabalham pelos direitos dos animais citando justificativas estúpidas, como uma suposta cadeia alimentar. Você se deparou ou ainda se depara com muito disso?
Sim. Quer dizer, trabalho com isso há muito tempo, então já me deparei com inúmeras pessoas dizendo todo o tipo de coisas sem sentido sobre o ativismo pelos animais. É frustrante, porque lá no fundo você sabe que 99% das pessoas não querem fazer mal aos animais, mas elas construíram barreiras na cabeça delas que permitem a elas, como disse a Melanie Joy, amar seus pets mas comer outros animais [Melanie é autora do livro Por que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas]. É hipócrita e é um paradoxo, mas de algum jeito as pessoas ainda se agarram a isso. Há uma triste crença que as pessoas no mundo ocidental têm, que está matando a gente de diversas maneiras: é a crença de que se algo é legal do ponto de vista judicial, é porque é seguro. As pessoas tiram essa conclusão a respeito de substâncias, de produtos de origem animal, de tantas coisas… Elas tiram a conclusão de que se elas podem comprar algo no supermercado o governo declarou que é seguro, então deve ser seguro mesmo. E simplesmente não é verdade. O governo trabalha para as grandes corporações, e as grandes corporações querem vender coisas baratas e tóxicas. Vendem tabaco, produtos de origem animal, remédios controlados. Mesmo as pessoas mais progressistas ainda mantêm essa filosofia ingênua de que se elas estão comprando, é porque foi testado e é seguro. Isso é a parte mais triste. Temos gente nos ridicularizando pelo ativismo em prol dos animais, mas o triste é que além de tentar salvar os animais, também estamos tentando salvar aqueles que estão nos ridicularizando.

Acredito que também há outra questão: as pessoas tendem a tentar evitar o sofrimento próprio: “Se não vejo como esses animais são tratados, minha consciência não sofre, não fico sabendo de nada e continuo comendo-os sem me questionar”.
Sim. As pessoas vivem praticamente em um estado de ignorância por escolha própria, evitando qualquer coisa que possa lhes causar desconforto. Parte do nosso trabalho é apresentar a elas informações que podem fazê-las sentir desconforto, mas que poderão levá-las a fazer escolhas melhores.

Você disse que o show no Circle V será provavelmente o único que fará em 2016. Não pretende mais fazer turnês?
Eu realmente não gosto de sair em turnê. Teria de pensar em uma razão muito boa para sair em turnê e atualmente eu não sei qual seria. Porque se a razão para sair em turnê fosse o fato de eu amar fazer música… posso ficar em casa e fazer música. Não quero ser um músico de meia idade que faz turnês apenas para fazer um dinheiro extra. Prefiro ficar em casa e fazer música, trabalhar na questão dos direitos dos animais e sair para caminhadas. Sinto que posso ser mais criativo e fazer um trabalho mais efetivo ficando em casa do que estando na estrada.

Ficando em casa, com que frequência você produz música?
Eu diria que diariamente. Escrevo de 200 a 300 músicas por ano, só que não lanço todas.

Cheguei ao final do livro sem saber se você, naquele ponto, ainda acreditava em deus. Você acredita em deus hoje?
Ah… Acredito, mas não sei o que isso significa. Não tenho uma crença que se relacione com nenhum dogma ou nenhuma denominação. Tenho uma crença pessoal e subjetiva de que há uma entidade divina, mas não sei o que é nem onde está; não sei se é uma coisa ou uma pessoa, ou se são trilhões de coisas. Não tenho ideia do que seja o divino, mas ainda assim acredito nele.

*Gene Baur é autor, ativista e fundador da ONG Farm Sanctuary, que, entre outras ações, mantém fazendas para animais resgatados da indústria nos Estados Unidos.

Making of: Alessandra Ambrósio e Isabeli Fontana em ação para a Vogue de outubro

balmain-vogue-outubroIsabeli Fontana e Alessandra Ambrosio posam com Olivier Rousteing em Paris dois dias depois do desfile para o inverno 2016/17 da Balmain (Foto: Reprodução/Vogue Brasil)

Nas dependências do clássico Hotel Intercontinental Paris Le Grand, palco de alguns desfiles da semana de moda de Paris, foram fotografados a capa e o recheio da edição de outubro daVogue Brasil, com Isabeli Fontana e Alessandra Ambrósio usando o melhor do inverno da Balmain ao lado do diretor criativo da grife, Olivier Rousteing.

Os cliques são de Mariano Vivianco, e a beauté tem maquiagem de Zoe Taylor e cabelo de Seb Bascle. Aperte o play e confira esta turma toda em ação nos bastidores do shooting, em vídeo dirigido por Camila Guerreiro (Studio Camila Guerreiro), sob coordenação de Alline Cury. Vale lembrar que a revista já está nas bancas de todo o Brasil. Já tem o seu exemplar?

Bota branca promete ser o seu próximo calçado-desejo. De volta aos anos 1980!

bota-branca-1Combine a bota branca com vestidos estampados (Foto: Imaxtree)
É comum uma peça de roupa ou um acessório conquistar o street style durante as semanas de moda e, desta vez, não foi diferente. Um calçado figurinha carimbada nas ruas internacionais foi a bota branca, usada com os mais variados estilos, mostrando o seu poder fashion.
Essas botas apareceram com frequência combinadas a peças estampadas, servindo como um contraponto neutro aos looks ultra coloridos e ornados. Nesse caso, os calçados de cano médio foram a escolha das fashionistas para a ocasião.

Apesar de causar certa estranheza à princípio – e lembrar muito o visual das Paquitas, sucesso nos anos 1980 –, as botas ganharam um status de alta moda quando combinadas com roupas de um estilo mais elegante e chique – como vestidos e saias paetês, além de peças de couro e até mesmo t-shirts, dando uma vibe mais eighties para todos os looks.
Segundo a cool hunter Andreia Miron, o acessório se tornou hit nos anos 1980 por conta da ideia futurista que dominava o cenário mundial desde as décadas anteriores, quando o homem foi à Lua e o avanço tecnológico dava os seus sinais de força. A ideia de um look que fazia alusão ao espaço, com cores chamativas e vibrantes, modelagens com cortes assimétricos e produções maximalistas eram a palavra de ordem na época.
“Ver uma bota dessas na passarela levanta um questionamento. Estamos falando de uma geração que vê a roupa não só como um comunicador social. E diferente do que aconteceu nos anos 1980, atualmente ninguém aceita mais o que o estilista mostra como uma realidade. Hoje, as pessoas criam as suas realidades, a partir dos seus repertórios pessoais”, diz a profissional.Andreia quer dizer que, ao contrário de seguir uma regra na hora de se vestir, hoje em dia as mulheres usam seu próprio gosto, o seu histórico de vida e as suas influências para compor um look. E como a bota branca entra nessa dinâmica? Como mais uma forma de criar um visual único e cheio de personalidade.Vale combinar o modelo com calça jeans para um visual mais urbano, por exemplo, e o ideal aqui é investir no denim cropped ou com a barra dobrada, para não bater com o cano da bota e trabalhar melhor a silhueta do corpo. As fãs dos comprimentos curtíssimos, claro, também não ficam de fora da tendência – um destaque é combinar a bota como no street style, com um macaquinho ou saias mais coladas ao corpo. [Marie Claire]